Frankenstein: Meu desejo infantil de competir com meu pai me tornou bem mais cruel e arrogante que ele, e agora sou assombrado pelo filho que também rejeito, repetindo na minha blasfêmia a violência paterna que sofri, me convertendo no monstro o qual tanto quis destruir e do qual ansiava lhe ser estimado: meu pai.
Criatura: Que falta eu sinto de um bem/Que falta me faz um xodó/ Mas como eu não tenho ninguém/ Eu levo a vida assim, tão só
Eu sempre tive bem nítido na memória que meu primeiro contato com filmes de terror foi por volta dos 7 anos com uma transmissão de A Volta dos Mortos-vivos numa tarde da SBT.
25 anos depois, descubro que não foi A Volta dos Mortos-vivos. Foi A Volta dos Mortos-vivos 2.
Em Onda Nova, o futebol feminino surge como mera desculpa para o filme buscar registrar mudanças nos comportamentos e papéis de gênero, tensionando-os desde o começo. Chega a ser interessante observar o quanto isso chega a estar até nos detalhes mais sutis, como nas cenas de sexo hetero, onde as mulheres sempre estão por cima. Filme bem ousado visto o contexto de seu lançamento, não à toa que foi censurado.
Por outro lado, é um filme de situações, isto é, de sequência de episódios pouco amarrados entre si, e por não assumir essa lógica acaba provocando uma sensação de um filme que não anda; de um filme um tanto perdido diante de tudo que quer abordar. Isso acabou o tornando, para mim, quase cansativo.
Premissa interessante e com boas ideias, porém desliza na criação de atmosfera e por conta de certa pressa em se mostrar um filme de terror. A pegada lovecraftiana não deixa a desejar (principalmente tendo referências de outros títulos na mesma linha), e com o cenário decrépito do "asilo", é uma pena que não tenham se inspirado na iluminação e tratamento de cor de REC.
Ao se propor um "lado b" de Sexta-Feira 13, In a Violent Nature se revela um anti-slasher. Ou seja, a mudança de perspectiva sustentada na maior parte do filme desmascara justamente a banalidade da violência, mesmo quando revestida de uma brutalidade absurda, ao eliminar todo o prazer sádico que move o subgênero. Independente da qualidade do elenco, o efeito das atuações é também interessante, pois raramente nos importamos com as vítimas de um filme slasher, e é na frustração do prazer que a desimportância se explícita. É como na história do urso contada ao final: a matança é sempre vazia.
Quentin Depieux é o diretor de um dos meus filmes prediletos (Rubber), então não perdi a oportunidade de conferir outro trabalho dele assim que soube da disponibilidade.
Comecei achando se tratar de uma alegoria à opinocracia das redes sociais, porém,
na segunda metade, quando o ator principal se reconhece como um trabalhador frustrado e a relação dele com Yannick (que é um vigia precarizado) muda, ao ponto de ser o único a interpretar a peça improvisada sem má vontade, e o olhar de Yannick ao se sentir reconhecido pelas risadas do público, entendi que era mais profundo.
Para além do preciosismo estético de a todo momento comunicar a sensação de deslocamento, de desconexão, é incrível como o anime traduz o choque paradigmático e existencial da introdução da internet pela ótica zen e xintoísta: a memória como registro da existência; a identidade como uma construção relacional; a visão antidescartiana em conflito com esse novo eu performado no virtual; a conexão sem vínculos na internet e uns toques de Baudrillard sobre a sedução do virtual em detrimento do real e a forma como isso modifica o estar no Mundo...
Há tempos que uma animação não conseguia me perturbar tanto e tão maravilhosamente.
Cheguei a esse filme graças ao Nelson Rodrigues e conseguiu me surpreender positivamente. Para uma obra que repercutiu por conta de uma cena de sexo, me encanta como se revela inocente.
A ideia de espelhamento que rege a relação entre as personagens de Portman e Moore que é belíssima, somada a textura da fotografia e a invasão musical melodramática (digna de um thriller de 1990) deslocada que enriquece essa tentativa (sempre malsucedida) de recriação do Outro em si.
Nesse caso, torna-se ainda mais evidente a armadilha da nossa necessidade egocêntrica de revelação sobre algo que tem nada a ser revelado, pois já nos foi afirmado. Ou seja, nossa incapacidade de aceitar uma situação onde nos é simbolicamente privado a submissão do Outro à nossas fantasias.
Aronosfsky tropeça nas sutilezas do texto de A Baleia, mas não Fraser, que consegue nos lembrar que Moby Dick não é uma literal fera albina. De novo, o choque entre a direção misantropa e atuações humanas resulta num filme que provoca e bipolariza opiniões.
Mais uma vez, um filme com camadas. Pode-se discutir sobre a cultura midiatizada, sobre a questão do olhar, nossa relação com outras espécies e o modo como os exploramos, a própria Hollywood, sobre luto e o desejo de legado (um que seja registrado)... Mas o que me pegou foi:
Aniara
3.4 44 Assista AgoraVocê sabe que se fudeu quando a IA da nave decide se desligar permanentemente.
Madalena
2.9 37Eis um filme em que a ausência grita.
Backrooms: Um Não-Lugar
3.2 460 Assista AgoraSe alguém já se perguntou como seria se Jung tivesse escrito um episódio de Além da Imaginação, eis uma resposta.
Eles Vão Te Matar
3.1 274 Assista AgoraOw, Kill Bill e Hotel Inferno tiveram um bebê.
Exit 8
3.2 109Camus 🤝 Dante
Bugonia
3.6 561 Assista AgoraRessentimento de classe canalizado em paranoia pós-verdade voltado contra o capitalismo neoliberal, o filme.
Frankenstein
3.7 617 Assista AgoraFrankenstein: Meu desejo infantil de competir com meu pai me tornou bem mais cruel e arrogante que ele, e agora sou assombrado pelo filho que também rejeito, repetindo na minha blasfêmia a violência paterna que sofri, me convertendo no monstro o qual tanto quis destruir e do qual ansiava lhe ser estimado: meu pai.
Criatura: Que falta eu sinto de um bem/Que falta me faz um xodó/ Mas como eu não tenho ninguém/ Eu levo a vida assim, tão só
Segredos de Sangue
3.5 1,2K Assista AgoraHá tempo que eu não via um filme com uma montagem tão elegante e inspirada.
A Volta dos Mortos Vivos: Parte II
3.4 255 Assista AgoraEu sempre tive bem nítido na memória que meu primeiro contato com filmes de terror foi por volta dos 7 anos com uma transmissão de A Volta dos Mortos-vivos numa tarde da SBT.
25 anos depois, descubro que não foi A Volta dos Mortos-vivos. Foi A Volta dos Mortos-vivos 2.
Look Back
3.8 80 Assista AgoraSegunda vez que choro com a mesma história. Eu te odeio, Fujimoto!
Onda Nova
2.9 54 Assista AgoraEm Onda Nova, o futebol feminino surge como mera desculpa para o filme buscar registrar mudanças nos comportamentos e papéis de gênero, tensionando-os desde o começo. Chega a ser interessante observar o quanto isso chega a estar até nos detalhes mais sutis, como nas cenas de sexo hetero, onde as mulheres sempre estão por cima. Filme bem ousado visto o contexto de seu lançamento, não à toa que foi censurado.
Por outro lado, é um filme de situações, isto é, de sequência de episódios pouco amarrados entre si, e por não assumir essa lógica acaba provocando uma sensação de um filme que não anda; de um filme um tanto perdido diante de tudo que quer abordar. Isso acabou o tornando, para mim, quase cansativo.
Abraço de Mãe
2.9 144 Assista AgoraPremissa interessante e com boas ideias, porém desliza na criação de atmosfera e por conta de certa pressa em se mostrar um filme de terror. A pegada lovecraftiana não deixa a desejar (principalmente tendo referências de outros títulos na mesma linha), e com o cenário decrépito do "asilo", é uma pena que não tenham se inspirado na iluminação e tratamento de cor de REC.
Natureza Violenta
2.5 202 Assista AgoraAo se propor um "lado b" de Sexta-Feira 13, In a Violent Nature se revela um anti-slasher. Ou seja, a mudança de perspectiva sustentada na maior parte do filme desmascara justamente a banalidade da violência, mesmo quando revestida de uma brutalidade absurda, ao eliminar todo o prazer sádico que move o subgênero. Independente da qualidade do elenco, o efeito das atuações é também interessante, pois raramente nos importamos com as vítimas de um filme slasher, e é na frustração do prazer que a desimportância se explícita. É como na história do urso contada ao final: a matança é sempre vazia.
O Mestre e Margarida
3.3 3É uma pena que o filme desperdice uma maravilhosa metaficção alegórica a explicando.
Yannick
3.4 17 Assista AgoraQuentin Depieux é o diretor de um dos meus filmes prediletos (Rubber), então não perdi a oportunidade de conferir outro trabalho dele assim que soube da disponibilidade.
Comecei achando se tratar de uma alegoria à opinocracia das redes sociais, porém,
na segunda metade, quando o ator principal se reconhece como um trabalhador frustrado e a relação dele com Yannick (que é um vigia precarizado) muda, ao ponto de ser o único a interpretar a peça improvisada sem má vontade, e o olhar de Yannick ao se sentir reconhecido pelas risadas do público, entendi que era mais profundo.
Serial Experiments Lain
4.4 160Para além do preciosismo estético de a todo momento comunicar a sensação de deslocamento, de desconexão, é incrível como o anime traduz o choque paradigmático e existencial da introdução da internet pela ótica zen e xintoísta: a memória como registro da existência; a identidade como uma construção relacional; a visão antidescartiana em conflito com esse novo eu performado no virtual; a conexão sem vínculos na internet e uns toques de Baudrillard sobre a sedução do virtual em detrimento do real e a forma como isso modifica o estar no Mundo...
Há tempos que uma animação não conseguia me perturbar tanto e tão maravilhosamente.
Os Amantes
3.9 62Cheguei a esse filme graças ao Nelson Rodrigues e conseguiu me surpreender positivamente. Para uma obra que repercutiu por conta de uma cena de sexo, me encanta como se revela inocente.
Segredos de um Escândalo
3.4 401 Assista AgoraA ideia de espelhamento que rege a relação entre as personagens de Portman e Moore que é belíssima, somada a textura da fotografia e a invasão musical melodramática (digna de um thriller de 1990) deslocada que enriquece essa tentativa (sempre malsucedida) de recriação do Outro em si.
Nesse caso, torna-se ainda mais evidente a armadilha da nossa necessidade egocêntrica de revelação sobre algo que tem nada a ser revelado, pois já nos foi afirmado. Ou seja, nossa incapacidade de aceitar uma situação onde nos é simbolicamente privado a submissão do Outro à nossas fantasias.
World Apartment Horror
3.1 3Sem ironia, a falta de sutileza da metáfora é um dos pontos mais fortes do filme. Infelizmente, carece de personalidade.
Drácula: A Última Viagem do Deméter
2.9 277Drácula, o oitavo passageiro.
Gonjiam: Manicômio Assombrado
3.0 145 Assista AgoraO filme leva 2/3 para engatar. Segue a receita sem arriscar muito, executando o que propõe bem e sem grandes invenções, maaas
a cena da Charlotte no quarto 402 com o bicho contorcido é uma das melhores do gênero, algo que eu não via a anos e que carrega o filme nas costas.
A Baleia
4.0 1,2K Assista AgoraAronosfsky tropeça nas sutilezas do texto de A Baleia, mas não Fraser, que consegue nos lembrar que Moby Dick não é uma literal fera albina. De novo, o choque entre a direção misantropa e atuações humanas resulta num filme que provoca e bipolariza opiniões.
Não! Não Olhe!
3.5 1,4KMais uma vez, um filme com camadas. Pode-se discutir sobre a cultura midiatizada, sobre a questão do olhar, nossa relação com outras espécies e o modo como os exploramos, a própria Hollywood, sobre luto e o desejo de legado (um que seja registrado)... Mas o que me pegou foi:
Jordan Peele assistiu a Neon Genesis Evangelion, e sustentarei isso até que se comprove o contrário.
Avalon
3.4 12Na primeira vez que assisti, confesso ter achado regular. Porém, após ler Baudrillard este filme cresceu muito para mim.