O Jurassic Park dos filmes pode não ter sido tão lucrativo, já que nem chegou a abrir para o público. Mas, sem dúvida, o Parque dos Dinossauros da Universal Pictures é bem rentável.
E o que temos aqui é mais um produto desta fábrica cinematográfica. O filme é realmente linear e padrão: precisamos sair de um ponto A para um ponto B.
E para isso faremos um fio condutor de decisões burras para poder justificar a existência de um roteiro.
Sam Neill (Alan Grant) está de volta da maneira mais cachorra possível. Diferente do segundo filme, que ainda tentou justificar a volta de Jeff Goldblum usando a esposa como gatilho, aqui não pensaram no mesmo.
Alan Grant inicia dizendo numa palestra: “Não há nada que me faça voltar àquela ilha”. Dez minutos depois, está sentado numa mesa de bar com Téa Leoni (Amanda Kirby) e William H. Macy (Paul Kirby) e simplesmente é convencido a sobrevoar o local por dinheiro. Não temos uma decisão coerente para o filme e, na real, não temos uma decisão coerente para o próprio personagem. Depois de tudo o que passou, não se justifica este argumento pelo simples ganho financeiro.
Pelo visto, não foi só a justificativa da volta que faltou criatividade. O filme todo é recheado de decisões erradas, e a maioria nasce de Amanda e Paul Kirby. O quanto esses dois personagens vão lhe irritar durante quase 60 minutos é brincadeira!
Lembre-se de que precisamos sair do ponto A para o ponto B. Que tal gritar no meio de uma floresta cheia de dinossauros e mais um paleontólogo que entende tudo sobre esses animais roubando ovos de raptores? Faz sentido? Não. Mas serve para a ação.
E assim vamos caminhando. O filme não cansa, e isso é um ponto positivo. Ao menos viram que não tinham grande coisa e entregaram apenas 90 minutos, o suficiente para dizer que tem uma história.
Veja bem: não é que o filme seja totalmente ruim. A trilha sonora de John Williams ainda encanta, e digo que é até melhor utilizada do que no segundo filme.
A direção de Joe Johnston não alcança a epopeia de Spielberg no primeiro dos longas, mas também não é de todo ruim e alcança, ao menos, o nível do segundo filme da franquia. Ainda tem uma fotografia interessante e o ritmo é bem conduzido, sempre incluindo uma cena de ação quando falta história.
Jurassic Park III é genérico de roteiro, sempre precisando de uma conveniência para avançar a história. Ao menos entende que seu enredo é vazio e decide centrar em Sam Neill para segurar minimamente o pino da granada.
Um final médio em tamanho, mas pequeno para aquilo que foi o pontapé da história dos dinossauros.
Quando assisti a Esquadrão Suicida, não vou mentir: talvez eu tenha pensado o mesmo dos produtores da Warner. A Arlequina (Margot Robbie) tinha sido a melhor coisa daquele filme. Achei que valia a pena um filme solo da personagem.
E após assistir a Aves de Rapina, penso que ser o melhor entre os piores não é necessariamente algo que valha o investimento.
Eu me atrevo a dizer que entra na disputa com Mulher-Gato para saber qual é o pior filme da DC.
Começando pelos personagens: a Arlequina, em muitos momentos, deixa de ser a psicopata para se tornar infantil, quase caricata. Junta-se a ela Cassandra (Ella Jay Basco), uma criança trombadinha que o filme tenta justificar pela violência doméstica dos pais. Uma porta infestada de cupins tem mais vida do que esta criança em tela.
A coisa piora com o Máscara Negra (Ewan McGregor). É mais uma tentativa de recriar um novo Coringa, e é tenebroso. A atuação beira o ridículo, não sei ainda se é o ator ou o roteiro mequetrefe que temos aqui. Ele grita, esperneia como uma criança, fala frases escrachadas, mas é só um boboca. Esse é o grande vilão.
Vamos às Aves. Montoya (Rosie Perez) é descrita no início do filme como uma policial excelente e injustiçada, que teve seu mérito roubado pelo atual chefe. O que vemos de fato ao longo do filme é uma policial impulsiva, egoísta, sendo feita de idiota em tudo o que faz. Difícil acreditar na história que contam, isso só demonstra o roteiro sem sentido que temos aqui.
A Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) rumava bem, parecia um mistério interessante. Mas tudo o que este filme toca, destrói. Então é óbvio que destruiriam a personalidade dela, tornando-a alívio cômico e bobona. Encerra com a Canário Negro (Jurnee Smollett), aparentemente traumatizada pela morte da mãe. Digo “aparentemente” porque tem pouco desenvolvimento e a atuação também não vinga. Sempre com aquela cara emburrada para demonstrar força e empoderamento, e o que temos na verdade é só uma personagem antipática.
A direção tenta parecer sofisticada, como na cena que tenta emular o olhar de Kubrick. Digo “tenta” porque, na cena de ação seguinte, coloca o figurante esperando para entrar na luta. Algo que poderia ser corrigido com uma edição básica. Isso demonstra total incapacidade da equipe ou, no mínimo, falta de cuidado.
Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa é exatamente como seu nome: exagerado no humor até se tornar insuportável. Tenta ser sofisticado para fingir grandeza, porém é pobre até nas cenas mais comuns de ação. Cansa só de falar.
Se arrasta pela tela apesar de ter menos de duas horas. Tenta ser leve num filme de uma psicopata, mas soa só infantil e tenebroso ao longo do tempo.
“Como posso ser herói se não consigo salvar minha família?”
Shazam! acerta e erra quase pelos mesmos motivos. O humor funciona enquanto ele está descobrindo os poderes que adquiriu e a interação com Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer) é perfeita, talvez até o ponto alto do filme. Mas passa do ponto quando se mantém até na cena final de luta: se torna escrachado e o que deveria ser uma luta para salvar sua família vira uma comédia sem sentido.
As atuações são boas no geral. Asher Angel segura o protagonismo, assim como Zachary Levi, na sua versão adulta de Shazam, mantém o carisma. Eu consigo comprar a dor dele de procurar a mãe; ele me convence de que está perdido pelo mundo através das feições e dos olhares.
Mark Strong (Dr. Sivana) também se destaca, fazendo o papel do vilão vilanesco que só quer poder. Os outros personagens e atores meio que estão ali só para completar cena: não são dignos de elogios nem de críticas.
E por isso mesmo o filme se perde no ato final, quando distribui seus poderes entre os irmãos. Com exceção de Mary (Grace Caroline Currey) e Freddy, ninguém mais foi desenvolvido, então a transformação deles não tem peso. Se as crianças ainda tinham algum carisma, os adultos são só largados ali e você que se vire enquanto assiste.
O roteiro também erra quanto à busca de Billy pela mãe. Eu sei que crianças adotivas costumam querer conhecer os pais biológicos, mas é sério que ele achou que tinha se perdido quando tinha 3 anos? Até aceito ele acreditar nisso naquela idade. Mas agora, com 14 anos, ainda acreditar que simplesmente se perdeu… desculpa, é uma tentativa do roteiro de dramatizar sua dor.
A direção acerta na maior parte do tempo: o ritmo é progressivo e não cansa o espectador. As cenas de ação são boas; até a quebra do vilão fazendo seu discurso e o herói não conseguindo ouvir pela distância é inteligente e engraçada.
Shazam! é um filme divertido e que talvez te perca por ser divertido até quando não deveria. Acerta numa boa história familiar no lar adotivo, mas se perde achando que a família que mais importa era a busca por uma mãe que o abandonou.
Um rei luta por sua nação, um herói luta por todos!
À procura de cobre, encontrou um diamante genuinamente bem lapidado. Essa é a melhor definição de Aquaman.
O que James Wan faz aqui é algo incrível. Desde a primeira cena está lá a câmera flutuando durante a luta da rainha Atlanna (Nicole Kidman), passeando sobre a ação, me lembra muito Invocação do Mal, filme dirigido pelo mesmo.
A direção brinca de planos-sequência. O diretor do “Invocaverso” e do primeiro Jogos Mortais dá aula, como na sequência que acontece na Sicília, com a câmera trocando de primeiro para segundo plano e, assim, mudando o protagonista do take. É realmente perfeito.
O roteiro é amarrado, sabe dosar o humor, não tem pudor de bater no peito e dizer “sou um filme de quadrinhos” e sabe até o momento de ser brega. Constrói muito bem a relação de Arthur (Jason Momoa) e Mera (Amber Heard). As motivações do vilão Mestre do Oceano (Patrick Wilson), que por perder sua mãe coloca toda a dor e a culpa no Aquaman, também funcionam.
E, principalmente, sabe construir a relação de Atlanna e Thomas Curry (Temuera Morrison), os pais de Arthur. São poucas cenas, mas o texto bem escrito derrama sentimentalismo. “Ele ainda vai até o final do cais, todos os dias…” Fazendo jus às palavras de Arthur, o amor deles salvou o mundo.
Se existe algum ponto frágil nesta história, é o Arraia Negra. Ele parece meio perdido na segunda metade do filme. É óbvio que amarraram a moralidade do Aquaman com a cena inicial, não ter salvado custou-lhe fazer um inimigo, e isso é debatido de forma sucinta e elegante, mas sinto que poderia ter sido melhor.
Aquaman é um daqueles filmes dos quais não se espera muita coisa e recebemos uma verdadeira história de herói dos quadrinhos. É difícil não embarcar ou se emocionar ao longo das duas horas. As atuações são contundentes e o protetor dos mares mostra que, diferente do que pensávamos, é digno de um longa-metragem.
Parabéns a todos os efeitos especiais e a toda a construção de Atlântida: ela é deslumbrante e viva em tela. Temos, sem dúvida, um grande filme da DC.
Corre que o caminho é longo e o tempo é curto… Liga da Justiça apresenta os mesmos problemas de Batman vs Superman: é muita coisa para contar num filme só.
Apresentar o Flash, as amazonas, os atlantes, o Aquaman, o Ciborgue, criar uma equipe, formar amizades, ressuscitar o Superman, apresentar o vilão e ainda vislumbrar o futuro do universo… ufa. Qual a chance de dar errado? Refazendo a pergunta: qual a chance de dar certo? Nenhuma.
Nesta ambição de fazer o trabalho que a concorrente fez no tempo mais curto e com o menor número de filmes possíveis, temos esta bagunça na tela.
As atuações são boas dentro do que se pode esperar de um roteiro perdido. Gal Gadot (Mulher-Maravilha), Henry Cavill (Superman), Jason Momoa (Aquaman), Ezra Miller (Flash), Ray Fisher (Ciborgue) e Ben Affleck (Batman) entregam o que podem. Em alguns momentos a interação até funciona, como na conversa pré-ressurreição do Clark, em que todos os personagens interagem e pode-se ver um rascunho de equipe.
A direção de Joss Whedon não se compromete na parte da ação, porém nas escolhas narrativas e nos takes de cena muitas delas soam artificiais. A cena do pôr do sol entre Clark e Lois Lane (Amy Adams) pareceu sair direto da tela do Windows.
Aliás, os efeitos especiais do filme deixam muito a desejar e estão estampados desde o primeiro minuto. Que escolha horrível de cena de abertura com o Superman escondendo o bigode com CGI. Deplorável!
Até a trilha musical é decepcionante, com exceção da cena dos créditos iniciais. “Everybody Knows”, interpretada por Sigrid, casa muito bem com o clima de desesperança após a morte do Superman. Porém, todo o resto soa muito genérico, e até os temas de Superman e Mulher-Maravilha feitos por Hans Zimmer são muito pouco utilizados aqui.
Liga da Justiça é o resultado de uma correria desnecessária que mais bagunça do que ajuda. Um filme que peca em vários elementos técnicos, efeitos, trilha, direção e, principalmente, roteiro. Tentando contar tudo, acabou contando muito pouco de quase nada, não é ironia dizer que esqueceram até do vilão.
Eu já imaginava que, após a atuação em Capitão América: O Primeiro Vingador, a Marvel tentaria emplacar a Peggy Carter (Hayley Atwell). E assim temos o Marvel One-Shot: Agente Carter.
O curta funciona muito bem: consegue entregar de forma dinâmica uma história imersiva. A ação funciona e, além disso, desenvolve, mesmo que rapidamente, a personalidade de Peggy, determinada a mostrar ao mundo seu valor.
A atuação de Hayley Atwell segue carismática e envolvente, demonstrando em suas feições como ela consegue reprimir as emoções quando é subestimada.
A direção também funciona dentro do que é possível em doze minutos, principalmente na hora de colocar o plano em ação.
Marvel One-Shot: Agente Carter é aquela balinha depois do almoço: doce, um pouco genérica, mas serve para ampliar o universo e até fazer a gente desejar um pouco mais de Carter.
É difícil encontrar coisas que se salvem, e a abertura já demonstra isso…
Coloque uns letreiros em neon bem chamativos e muito coloridos para dizer: “Olha, a DC não é sombria, não!”. Jogue umas sete canções dos mais diferentes gêneros para tentar simular uns Guardiões da Galáxia e tente desenvolver os personagens em letreiros, já que são muitos e não temos tempo. Acho que vai ser uma boa fórmula, né? Não foi.
A Arlequina (Margot Robbie) e o Pistoleiro (Will Smith) são os únicos com algum nível de desenvolvimento — considerem “algum nível” como um pires um pouco mais fundo. Temos o relacionamento dela com o Coringa (Jared Leto), alguns flashbacks de como se conheceram, e o Pistoleiro lidando com a filha. Tudo muito raso, apenas tentando justificar qualquer ato deles ou ganhar a empatia do público. Waller (Viola Davis), Flag (Joel Kinnaman) e Magia (Cara Delevingne) são coadjuvantes que servem de fios condutores da história. Fios estes que parecem se cruzar e gerar um curto-circuito em tela, de tão perdidos que estão. E eu nem vou falar dos outros personagens figurantes, para não alongar mais o texto e nem dar a relevância que eles mesmos não merecem.
Das atuações, de bom mesmo só a da Margot. O Will fica fazendo cara de cachorro pidão durante todo o filme, tentando me convencer a me importar — e não me convence. Aliás, pelas notícias de bastidores, ele pediu para introduzir essas cenas no filme, o que já diz muito da bagunça que foi essa produção. Mas é impossível não falar da nota mais baixa deste filme: Jared Leto. Que coisa lamentável! Ver um personagem icônico como o Coringa sendo interpretado desta forma é decepcionante. Transformaram o personagem em caricato e passou longe do psicopata temido das HQs. Os demais atores não são dignos de elogios, mas também não são dignos de críticas.
A direção de David Ayer, desde o primeiro momento, é esquizofrênica e incompetente. Precisa de um pot-pourri de músicas e, sem saber o caminho para onde ir, tenta ser sério e vira forçado, tenta ser engraçado e soa lamentável. Apesar de ter duas horas, o filme se arrasta pela tela como um fantasma carregando sua própria corrente. As cenas de ação vão picotando e, quando não dá para picotar, escurecem — talvez com vergonha do que está sendo mostrado. Aliás, a cena final, para quem consegue enxergar, é muita chuva, fumaça e Magia dançando como cobra. Ajuda a dar o encerramento do melhor nível que esse filme merece.
Esquadrão Suicida (2016) é um daqueles filmes em que você olha o relógio jurando que está na metade, e só passaram dez minutos. Se for assistir em casa, aumente o brilho da TV ao máximo e tente enxergar alguma ação, porque roteiro não tem.
“Não se ganha a guerra com gentileza, se ganha com coragem.” Então esta guerra já está ganha, porque isso não falta ao Capitão América de Steve Rogers (Chris Evans).
Chega ao universo Marvel o Primeiro Vingador, e conta a história do franzino, porém muito corajoso e patriótico Steve. Com uma ótima atuação de Chris Evans, este filme contém muitas boas atuações: desde Hayley Atwell como Agente Carter, Hugo Weaving vivendo o Caveira Vermelha, até os coadjuvantes Tommy Lee Jones (Coronel Chester Phillips) e Stanley Tucci (Abraham Erskine), que roubam a cena e cativam quem assiste, cada um dentro de sua peculiaridade, seja motivando o Rogers ou servindo de alívio cômico.
A ambientação não fica atrás. Todo o visual da Segunda Guerra Mundial é muito belo durante quase toda a filmagem.
A direção também sabe dosar possíveis barrigas, tornando o ritmo muito bom para quem assiste. Definitivamente, este filme não cansa.
E tudo caminharia muito bem até o último ato. Parece que muita coisa se perde: muitos cortes abruptos durante as cenas de ação e uma lutinha para lá de frouxa acabam por deslizar o que poderia ser um filme impecável. Uma luta de arminhas não é o que se espera quando dois supersoldados se encontram.
O Primeiro Vingador é uma ótima origem para o Capitão América. Flui muito bem em todos os sentidos por dois terços do tempo: ambientação, direção e até o romance entre Carter e Rogers funcionam. Isso deixa o sabor agridoce de “Por que não acertaram o último terço?”. Veja bem, não estou dizendo que o filme não vale a pena. Só estou dizendo que passou muito perto de ser incrível.
Apresentar o Batman, a Mulher-Maravilha, o Lex Luthor, desenvolver uma rivalidade com o Superman e vislumbrar o futuro do universo parece muita coisa para um filme só. E era mesmo.
Nesta ambição de tentar alcançar o sucesso da concorrente, Batman vs Superman se complica e entrega um roteiro de muito texto explicativo e pouca ação. Parece que a ordem era correr para alcançar a Marvel.
Sem brincadeira: são mais de uma hora de filme até o primeiro encontro dos heróis e a primeira cena de ação real. Uma coisa que eu sempre falo é que um filme de herói tem a obrigatoriedade de ser empolgante. Se um filme falha nesse aspecto, então temos um sério problema.
O filme cansa na primeira metade — e não é pouco. A trilha sonora de Hans Zimmer salva algumas vezes, mas não pode fazer milagre. Temos também um Batman pistoleiro ao estilo Rambo, ferindo completamente a abordagem dos quadrinhos.
As atuações não comprometem e provavelmente entregam o que o roteirista escreveu. Faço, porém, uma observação ao Lex Luthor (Jesse Eisenberg): não sei se quem escreveu queria fazer um Lex estilo Coringa, mas em inúmeros momentos, além de caricato, a interpretação irrita. Me faz pensar que não leram uma HQ com o personagem.
Assisti à versão estendida. Ela melhora significativamente a versão de cinema e consegue corrigir o erro de montagem. Contudo, o filme ainda é muito lento, como se carregasse a própria cruz.
Batman vs Superman melhora no final, mas até lá sofre e desgasta quem assiste. Fica muito longe do que a trindade da DC merecia.
A série finaliza com a história de Tafari e Muda. Sem dúvida, a melhor parte desta série é a trilha sonora.
O texto, na maioria das vezes, foi genérico, apresentando uma história padrão. Aliás, fórmulas é o que não falta na Marvel ultimamente.
Não temos uma série que marca, que será lembrada. Porém, isso não quer dizer que seja ruim. Claramente houve uma melhora na fluidez do desenho em comparação a outras animações do MCU, apesar de muitos personagens ainda caírem na estranheza — ora, meio quadrados.
Olhos de Wakanda é uma série que entretém, porém não vai muito além do mediano. É mais uma lenha que a Marvel usou para aquecer a fornalha de seu universo.
Venham todos para a loja de conveniência do Jurassic Park! Não há melhor forma de definir a sequência da franquia dos dinossauros.
Querem alguém se atrapalhando com as cordas para criar uma cena de tensão? Ao menos acredito que esta era a intenção. Não digo que conseguiram, talvez raiva seja o melhor sentimento. Que tal uma especialista em comportamento animal que acha superincrível levar um filhote de T-Rex para cuidar? Espera aí, os pais do filhote a seguiram… nossa, quem diria, né? E isso são só alguns exemplos do que podemos encontrar na loja do roteirista que escreveu isto.
As atuações não são ruins, mas os personagens… não posso falar o mesmo. Que coisa triste! Se o primeiro filme te pegava pela história e pelo carisma de cada pessoa, até mesmo o antagonista John Hammond, com sua moral ambígua e que até o fim se desenvolve, nesta sequência não temos a mesma coisa.
Ian (Jeff Goldblum), alçado ao posto de protagonista, não rende. Talvez seu papel seja apenas de bom coadjuvante e alívio cômico. Sarah (Julianne Moore) também decepciona: é inteligente quando convém, capaz até de dizer o que o dinossauro fará assim que acordar do coma, mas também é a mesma que decidiu pegar o filhote dos pais. Peter (Arliss Howard) dá vida ao magnata ambicioso, muito longe da dualidade do primeiro antagonista da franquia; ele é só um “playboyzinho” ganancioso. E ainda ponha de lambuja Kelly, filha de Ian: só uma personagem sem graça que eles acharam que poderia substituir à altura as duas primeiras crianças do filme original. Não… não conseguiu.
Spielberg ainda brilha na direção: fotografias bonitas e panorâmicas, a trilha sonora ainda impacta (mesmo sendo utilizada em cenas desnecessárias, como se quisesse dizer “continuem assistindo, é o Jurassic Park”). As cenas de ação são bem filmadas: não empolgam tanto, mas também não deixam de cumprir seu papel.
O Mundo Perdido é uma sequência triste quando vemos o caminho que poderia seguir, onde até o Velociraptor faz figuração e passa longe de ser a ameaça que um dia foi. Tudo bem, Spielberg, eu te perdoo. Jurassic Park 2 não é ruim, mas machuca o sentimento do que um dia foi uma obra-prima.
O início deste filme é um problema, principalmente em relação à montagem. Nessa tentativa de ir e voltar do passado — talvez para não cansar o público com uma história mais linear — acaba falhando: cansa e ainda torna confusas as linhas do tempo.
Zack Snyder começou a carreira dirigindo videoclipes, e isso fica evidente aqui. Parece que cada cena precisa ser épica, o que faz o filme parecer caricato em muitos momentos, porém gera takes bonitos e ótimas fotografias dignas de capa de caderno.
A atuação de Henry Cavill (Superman), se não é boa, ao menos não estraga o filme. Amy Adams (Lois) também funciona. Contudo, quando estão juntos, revelam mais uma falha de roteiro: a construção do casal não convence. Já Zod (Michael Shannon) não compromete, mas também não gera empatia. A verdade é que tudo é muito mediano.
As grandes qualidades deste filme estão na trilha sonora — mais uma vez entregue a Hans Zimmer, que não decepciona — e em talvez a melhor cena ao longo das mais de duas horas: o primeiro voo do Superman. É realmente daquelas que te empolgam e te fazem lembrar que ainda é um filme de herói. E as cenas de luta? Aí sim temos algo impecável feito por Snyder: tudo tem muito impacto e é muito bem fotografado.
Se a luta em si é muito bem coreografada, também traz um problema moral sério ao personagem. Superman sempre foi conhecido por seu amor à vida e por proteger todos os seres vivos ao seu redor. Vê-lo lutando no meio da cidade sem parecer se importar com os humanos que ali estão denigrem fortemente sua obra original e caracteriza uma adaptação, no mínimo, controversa.
Para piorar, temos mais uma decisão narrativa polêmica no fim: Superman matando. É sem sentido. Até aquele momento, ele parecia não se importar com as vidas perdidas durante a luta e, de repente, alguém se lembrou: “ei, o Superman se preocupa com os seres humanos”. Além de uma mudança abrupta de personalidade, sendo o mais gentil possível na avaliação, é questionável colocar no primeiro filme da franquia uma decisão dessas.
O Homem de Aço, no fim, é um filme mediano em quase tudo o que se propõe. Empolga com as cenas de luta e com a trilha sonora, mas modifica todos os valores morais de suas histórias em quadrinhos. É bonito, é épico, é caricato e, às vezes, até vazio de Superman.
Temos uma queda considerável nesta sequência de Mulher-Maravilha, e talvez o principal problema seja justamente o roteiro.
A escolha narrativa de trazer Steve Trevor (Chris Pine) de volta — e da maneira mais criminosa possível — demonstra a total falta de juízo de quem escreveu este roteiro.
Se queriam tanto que o personagem continuasse, por que o mataram no primeiro filme? E trazê-lo desta forma, como um pedido feito pela própria heroína, é ainda pior. Depois de saber que uma vida está sendo manipulada para cumprir esse desejo sórdido, a atitude de Diana (Gal Gadot) vai contra tudo o que a Mulher-Maravilha é e sempre foi nos quadrinhos. Lembrando que, no decorrer do filme, é o próprio Steve quem precisa convencê-la do quanto isso é errado. Patty Jenkins deve ter fumado uma erva muito forte para achar que isso tinha cabimento.
Aliás, a falta de criatividade não ficou só em trazer o Trevor de volta, mas também em tentar resgatar o humor do primeiro filme com as mesmas piadas de alguém tentando se inserir numa nova realidade. Se no primeiro filme era a própria Diana conhecendo aquele mundo novo, agora é o Steve se adaptando à década de 80. Funcionou no primeiro, porém evidencia a falta de inspiração de quem escreveu o texto.
O vilão, que eu já ia esquecendo — e não por culpa minha, afinal Maxwell Lord (Pedro Pascal) é esquecível mesmo —, é só mais um papel dos diversos que o ator fez ao longo da carreira. O próprio filme questiona a falha de motivação ao perguntar “por que desejar mais?!”. Ninguém sabe. É o artefato que trouxe essa sede de ganância? Não sei, só sei que foi assim. E some-se a isso a coadjuvante Mulher-Leopardo (Kristen Wiig), que não ganharia nem num concurso amador de fantasia de alguma loja de quadrinhos.
As atuações, no geral, são ruins. A de Gal Gadot parece de alguém que acabou de aprender inglês. Pedro Pascal e Kristen Wiig, tentando ser maléficos, ficam ridiculamente caricatos. Pine talvez seja o único que se salve, entregando o mesmo carisma do primeiro filme.
Falando em salvamento, parabéns à direção de arte por conseguir trazer a década de 80 ao filme. A trilha sonora é eficaz e até nos faz esquecer a tristeza que estamos vendo. Um elogio também à homenagem à primeira Mulher-Maravilha, Lynda Carter. O último ato não é de todo ruim: tem uma mensagem bonita sobre abrir mão até daquilo que mais desejamos. Só que foi tudo tão pobremente construído ao longo das duas horas e meia de filme que talvez não impacte tanto quanto um corte de TikTok dessa cena final sem contexto.
Mulher-Maravilha 1984 é deprimente comparada ao primeiro filme. Tem direção e roteiro pouco criativos, efeitos especiais que parecem querer homenagear de verdade os anos 80 (uma vez que parecem os efeitos daquela década), atuações no geral ruins e uma fotografia bonita — pena não ser só um papel de parede no computador de alguém.
Admito que a primeira hora deste filme é difícil. Não sei se era a intenção de Olivia Wilde e Seth Rogen criar um roteiro tão constrangedor — talvez fosse —, mas que em muitos instantes ele passa do ponto, disso não tenho dúvidas.
Por muitos momentos o filme me perde, e talvez seja exatamente naquilo que ele mais se propõe: ser real. A ideia era retratar um casal em crise por ter caído no tédio depois de longos anos de matrimônio. Porém, as cenas e o texto são tão constrangedores que não parecem realistas; parecem, na verdade, algo deliberadamente escrachado e muito ficcional.
Angela e Joe, claramente, têm sérios problemas no casamento. Só que é tudo tão desaforado que me convence de que quem estava escrevendo achou que iria chocar o público. E chocou, mas não de um jeito bom: não pela surpresa, e sim pelo texto esdrúxulo.
O filme só não se perde totalmente porque Penélope Cruz e Edward Norton são incríveis em suas atuações. Aliás, talvez este seja o grande ponto alto do filme: as atuações. Os quatro atores têm uma dinâmica indescritível, com inúmeras cenas em sequência em que um complementa o outro nas falas, sem cortes. Diálogo e emoções escorrem na tela em altíssimo nível quando o texto não se perde.
A segunda metade do filme é o momento em que ele de fato cresce em qualidade, principalmente quando os personagens começam a se expor sobre seus sentimentos. Pina (Penélope) acaba sendo a intermediária, e o faz muito bem, enquanto os outros embarcam quase numa terapia de casal.
A direção se acerta e sabe destacar o tempo de cada personagem. As lições de uma vida a dois finalmente passam a ser o foco. E, finalmente, parece que temos um casal real em tela. Mágoas, arrependimentos guardados, o peso de um caminho errado sendo colocado nos ombros do parceiro simplesmente por não querer reconhecer a culpa das próprias escolhas.
O Convite é um filme que, se você sobreviver à primeira parte, trará uma enorme reflexão sobre como lidar com a dor do próprio fracasso dentro de uma relação.
Vou começar tirando o elefante da sala: tem uma coisa que eu não gostei neste filme — os personagens. É inacreditável o quanto torci para que todos morressem até o fim.
Os quatro personagens são absurdamente insuportáveis. Talvez, com muita força de vontade, ainda se salve a Sarah (Megan Lawless); ela irrita menos do que os outros. O Ian (Cooper Tomlinson) é um babaca da primeira até a última cena, sempre menosprezando as emoções e os sentimentos do amigo. Meu Deus, que cara chato!
E vamos de Nikki (Inde Navarrette). Parabéns se você conseguiu sentir pena da personagem. Tirando uma cena em que ela doa dinheiro para um morador de rua — talvez uma tentativa do filme de me vender a ideia de que ela era uma garota “do bem” —, em todas as outras cenas em que ela não está possuída o que vemos é uma personagem extremamente narcisista, que usa os sentimentos do Bear para manipulá-lo. No primeiro encontro de amigos, em nenhum momento ela se importa com a emoção dele. O filme tenta me convencer depois de que ela não tinha interesse amoroso nele, apenas amizade. Eu vou além: ela não tinha nada por ele, nem amizade. Ele era, no máximo, um consolo para as horas tristes.
E claro, o Bear. Tudo o que falei sobre a Nikki se multiplica e se quadruplica nele. O problema não está no pedido em si — qualquer um duvidaria que um produto de US$ 7 tivesse poder para mudar o destino de alguém — e o pedido nem é um absurdo; é um típico desejo de adolescente apaixonado em escala ampliada. O problema está no decorrer da história: não há uma atitude que me faça torcer por este personagem. Fora isso, o roteiro é sem sentido, quase esquizofrênico. Numa hora ele está arrependido; na outra, mantém a insanidade da relação. Eu sei, eu sei… talvez digam que é o fato de ele não conseguir abrir mão do sentimento que tinha. Mas o filme constrói isso muito mal. Sem brincadeira: numa cena ele parece que cansou e, menos de um minuto depois, já está amenizando a situação.
O roteiro parece enrolar o máximo que pode. Levou quase 90 minutos para ele voltar à loja. É sério isso? Por que não contar o que de fato aconteceu, talvez para a Sarah, a personagem mais empática? Sabe aqueles filmes de romance em que tudo poderia ser resolvido com uma simples conversa, só que aí não teria filme? Pois é. E o Ian era o único amigo dele? E aquele monte de pessoas que estavam na festa, brincando com eles? Enfim, conveniências de roteiro para ganhar mais tempo de filme.
Todavia, nem tudo são espinhos. A parte técnica do filme funciona muito bem. Curry Barker utiliza-se muito bem do segundo plano — assim como David Zucker fazia em seus filmes de comédia (Corra que a Polícia Vem Aí, Apertem os Cintos… o Piloto Sumiu etc.) — para criar humor. Aqui, Curry o usa para gerar momentos incríveis de tensão. É realmente assustador o uso dessas inserções, que criam cenas horripilantes e bons enquadramentos.
Inde Navarrette atua muito bem. Se eu não gostei da personagem em si, não posso falar o mesmo da atuação da atriz. As mudanças de feição, o olhar quase psicopata… ela realmente dá vida a uma pessoa que parece estar dominada por duas personalidades. É maravilhosa durante todo o filme.
Enfim, Obsessão é aquele filme que vai te fazer tomar bastante susto e ficar chocado com o decorrer da história. Se você fechar os olhos para as conveniências do roteiro e conseguir gostar dos personagens, tem tudo para ser um filme incrível para você.
Ao revisitar essa obra-prima, entendo a sinfonia perfeita que Steven Spielberg recriou nessas duas horas.
O ano era 1993, e quando você lembra disso, pensa: como pode? Como conseguiram alcançar níveis de realismo tão avançados já naquela época?
Desde a apresentação até o último minuto do filme, você embarca numa aventura, e Spielberg consegue despertar cada uma das emoções a que se propõe.
Desde o vislumbre empolgante de olhar o mundo real agora preenchido com dinossauros até a tensão no encontro avassalador com o T-Rex. E depois que engata, não há um segundo de nota baixa — como uma canção que vai te empolgando a cada verso e refrão, e você quer cantar, cantar e cantar. Neste caso, assistir, assistir e assistir até o final.
Cada atuação e cada personagem são perfeitos e bem entregues. Sam Neill e Laura Dern empolgam e cativam a cada cena. E os coadjuvantes Jeff Goldblum e Richard Attenborough, assim como as crianças Ariana Richards e Joseph Mazzello, são impecáveis e te convencem dos medos e das emoções em cada bendita cena.
Parabéns, Steven. Com cada fotografia, o desempenho em entregar um roteiro amarrado, a capacidade de nos encantar com dinossauros tão reais numa época em que a tecnologia ainda era rudimentar, somada a uma trilha sonora inesquecível, temos aqui um legítimo clássico que atravessará para sempre a história do cinema.
É essa a mensagem que o filme tenta passar durante todo o seu desenvolvimento, e assim o faz enquanto constrói uma relação absurdamente linda entre Diana (Mulher-Maravilha) e Steve.
O filme nos apresenta o habitat de nossa heroína, desde seu treinamento com as Amazonas até o dia em que este é invadido por tropas nazistas alemãs, e Diana se vê obrigada a interferir nesta guerra temendo que seja uma manobra divina do deus Ares.
Os cenários são incríveis e belos ao longo de todo o filme; parabéns à produção de arte por detalhar a riqueza da época. Os efeitos especiais de vez em quando dão uma escorregada, mas nada que comprometa.
As atuações tanto de Gal Gadot quanto de Chris Pine são convincentes e boas. E a direção de Patty Jenkins também não fica para trás: muitos papéis de parede saíram daqui para as capas de caderno.
Em especial, duas cenas destacam bem a direção. A primeira, que virou cortes nas redes sociais, faz jus ao quão divina ela parece: a Mulher-Maravilha entrando no campo de guerra. É daquelas cenas memoráveis que a gente guarda. E a segunda, com a sua trilha sonora absurda enquanto luta com soldados, que te faz levantar da cadeira — afinal, um filme de herói precisa ser empolgante.
Completa tudo isso a mensagem do filme: uma relação bem desenvolvida e que acerta em tudo o que se propõe — no humor, na ingenuidade e, principalmente, em motivações cada dia mais raras: enxergar o bem e entender que, sim, parte do mundo é má, mas ainda há pessoas que valem a pena ser salvas.
Mulher-Maravilha justifica ser, até hoje, o melhor filme de uma heroína feminina. Infelizmente peca no último ato, uma vez que tem de haver uma batalha final; porém é verdade que temos aqui uma das melhores histórias de quadrinhos adaptadas para o cinema.
Mais um daqueles clássicos da Sessão da Tarde. Lembro-me de tantas vezes sentar no sofá para assistir, e agora, mais de 30 anos após seu lançamento, me deparo com este filme pipoca novamente.
Bill Murray (Phil) e Andie MacDowell (Rita) formam aquele casal de extremos opostos: ele, arrogante, egocêntrico, sem dar muito valor a qualquer coisa em sua vida além de si mesmo; ela, doce, gentil, empática, valorizando o simples da vida e as pessoas ao seu redor.
Embarcamos na jornada de Phil, revivendo com ele o mesmo dia repetidamente até que ele perceba o que o levou a uma vida solitária e narcisista.
As atuações são impecáveis e talentosas. Bill Murray, com suas mudanças drásticas de humor, nos faz acreditar em cada uma das facetas de Phil: do mal-humorado ao incrédulo, passando pelo desesperado, dramático e, finalmente, romântico. Andie MacDowell não fica atrás, trazendo uma mulher genuinamente boa, como a musa descrita nos poemas mais apaixonantes.
A direção entrega takes envolventes, aproveitando a paisagem soturna de neve e ambientes luminosos quando convém. Além disso, escapa da monotonia comum em enredos de loop temporal, com cortes inteligentes e cruciais que evitam repetir o dia desde o primeiro minuto.
Feitiço do Tempo é aquele passatempo gostoso, como um café com biscoitos na casa da vó, um dia de chuva deitado na cama, um casal abraçado sem ver o tempo passar. Tudo isso de forma apaixonante, com uma mensagem poderosa sobre empatia e sobre como as coisas simples da vida podem ser incríveis, basta deixarmos nossa vaidade de lado.
O novo universo DC, liderado por James Gunn, começa com Superman (2025), um filme que mergulha profundamente nos quadrinhos, resgatando a essência do herói como poucas vezes vimos. Diferente de uma origem tradicional, a história começa in media res, como se você abrisse um quadrinho no número 56. Isso evita repetir a conhecida trajetória de Clark Kent, mas pode confundir quem não está familiarizado com as HQs. Abandonando o tom divino de Zack Snyder, este Superman, vivido por David Corenswet, é humano, sensível e preocupado com o planeta e seus habitantes. Desde o clássico de 1978, não tínhamos uma versão tão fiel ao espírito do herói nos quadrinhos. Corenswet brilha tanto com a capa quanto como o tímido Clark Kent, marcando uma clara distinção entre as duas personas – algo que faltava na versão anterior. Rachel Brosnahan (Lois Lane) e Nicholas Hoult (Lex Luthor) acompanham o nível, formando um trio de protagonistas impecável. A direção de Gunn acerta ao construir esses personagens centrais, mas peca pelo excesso de coadjuvantes. Em certos momentos, como na cena final do Planeta Diário, personagens aparecem sem contexto, sobrando na narrativa. O roteiro diverte e entrega ótimos momentos de ação, mas abusa de diálogos expositivos, necessários, em parte, para reforçar a humanidade de Superman a uma geração que talvez o veja de forma distorcida. Visualmente, o filme impressiona com efeitos vibrantes e uma trilha sonora que evoca o legado do herói. Apesar de falhas no roteiro e escolhas narrativas, Superman é um pontapé promissor para o novo universo DC, resgatando, após décadas, a essência de um herói definido por sua bondade e humanidade.
Dez minutos. É tudo o que você precisa para perceber que a equipe por trás de Eu Sempre Vou Saber o que Vocês Fizeram no Verão Passado (o terceiro filme da franquia) não passaria num teste toxicológico. A abertura já entrega o jogo: cenas aéreas gratuitas mostram que o diretor ama firulas técnicas, mas não tem ideia de como usá-las. A edição, provavelmente patrocinada pela Tramontina, é um festival de cortes frenéticos – até em cenas de diálogo, onde você só quer entender o que está acontecendo. E um aviso aos epilépticos: toda vez que o antagonista aparece, prepare-se para um pisca-alerta de flashes incessantes, que mais confundem do que criam tensão. Velocidade? Não, só bagunça. Atuações? Risada garantida. Já vi peças de ensino médio mais convincentes. Se o segundo filme já tinha uma queda brutal na qualidade do elenco, este terceiro é tão amador que chamar essa turma de “atores” poderia me render um processo do sindicato. O enredo, então, é um caso à parte. O filme é uma sequência com um elenco rebootado, faz uma menção preguiçosa aos eventos dos dois primeiros e para por aí. De repente, descobrimos que o vilão agora é sobrenatural. Isso mesmo: um Freddy Krueger ou Jason Voorhees genérico, imortal (ou quase, vai entender). Quem teve essa ideia claramente não estava sóbrio. No terceiro ato, até explicam como ele se teletransporta, mas isso só cria um novo buraco: se o vilão pode aparecer onde e quando quiser, por que enrola tanto para matar os personagens? Seria até um favor. Conveniência do roteiro, claro, que usa essa habilidade só quando lhe convém. Eu Sempre Vou Saber o que Vocês Fizeram no Verão Passado é o equivalente a um trabalho escolar feito pela pior turma da escola: uma câmera tremida, um enredo sem pé nem cabeça, uma pichação de muro feita por alguém entorpecido. Tudo é tão amador que, quando os flashes não estão te cegando, você só sente pena.
Por incrível que pareça, Eu Ainda Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado consegue ser um filme ligeiramente melhor que o original, embora isso não exija muito esforço. As atuações, no entanto, permanecem no máximo medíocres. O desenvolvimento dos personagens é superficial, e, para ser honesto, exceto por Julie, interpretada por Jennifer Love Hewitt, é difícil sentir apego por qualquer outro personagem ao longo da história. Ouso dizer que o elenco do primeiro filme era mais qualificado que o desta sequência. O maior problema, porém, não está nos atores, mas no enredo frágil, repleto de conveniências e falhas de continuidade. Por exemplo, um corpo aparece em um local e, minutos depois, está em outro, como se o vilão tivesse força sobrenatural para transportá-lo. Falando no antagonista, sua história é um dos poucos pontos positivos: aqui, ela ganha uma correção que a torna mais coerente, talvez a maior melhoria em relação ao filme anterior. No fim, temos um filme mediano, com uma direção razoável que entrega sustos previsíveis e, em raros momentos, algo minimamente interessante. Não espere mais que isso.
Eu tinha em mente que Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado era um filme medíocre, mas, ao reassistir, percebi que é ainda pior. A quantidade de furos e conveniências no roteiro testa a paciência até do espectador mais tolerante. Como é possível alguém gritar por ajuda em um teatro lotado e ninguém levar a sério? Há uma cena em Todo Mundo em Pânico que parodia exatamente isso, mas, enquanto lá é comédia intencional, aqui o momento é tratado com seriedade, tornando-se constrangedor. Outros absurdos incluem um corpo arrastado sem deixar rastros e policiais retratados de forma tão ignorante que beiram o caricatural. O desenvolvimento do vilão é outro ponto fraco, a maior parte do peso emocional do mesmo fica em off, e será contada para você num texto extremamente explicativo. O filme se sustenta em um enredo vazio, sem profundidade ou lógica. As atuações não são exatamente ruins, mas estão longe de serem boas, especialmente com um roteiro que força diálogos expositivos, dificultando o trabalho dos atores. O filme tenta segurar o espectador e assustá-lo com jumpscares previsíveis, seguindo essa fórmula até o final. É inacreditável que tenha gerado uma franquia. A única explicação é que, às vezes, o público busca apenas o susto fácil, mesmo que venha de tentativas baratas de surpreender.
Sexta-Feira Muito Louca é um clássico dos anos 2000 que marcou uma geração com sua premissa divertida de troca de corpos. Lindsay Lohan (Anna) e Jamie Lee Curtis (Tess) entregam atuações impecáveis, com uma química que rouba a cena. Lohan, em seu auge, brilha ao lado da experiente Curtis, especialmente na hilária cena em que Tess, no corpo de Anna, tenta tocar guitarra na banda da filha, capturando perfeitamente a energia adolescente. O filme vai além da comédia, explorando a relação entre pais e filhos com leveza e profundidade. A direção de Mark Waters equilibra humor e emoção, usando enquadramentos criativos e a trilha sonora pop-punk (com bandas como Simple Plan) para evocar o espírito dos anos 2000. O ritmo ágil mantém o público entretido, enquanto a história mostra como Anna e Tess aprendem a se enxergar no lugar da outra. Como dizia Chaplin, “se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que insisto em dizer brincando”. Enquanto diverte com situações cômicas, como Anna lidando com as responsabilidades adultas da mãe, o filme ensina que empatia e compreensão podem unir gerações. É uma lição que ressoa até hoje, mesmo que o tom nostálgico seja mais forte para quem cresceu na época. Sexta-Feira Muito Louca é diversão garantida para famílias e nostálgicos, com uma mensagem poderosa sobre amor e diferenças. Um clássico que merece ser revisitado, deixando um legado que ainda emociona e faz rir.
Se falta clichê na sua vida, prepare-se para uma avalanche! Todos Menos Você (Anyone But You) abraça todos os tropos clássicos das comédias românticas. Temos o casal com química instantânea que, por um mal-entendido, passa a se detestar e aproveita qualquer chance para se provocar. Há o típico jogo de fingir um namoro para causar ciúmes, até que, surpresa, o sentimento se torna real. Cenas embaraçosas? Claro, todas pensadas para arrancar risadas e mostrar que esses dois formam um casal e tanto. E, no gran finale, um deles corre contra o tempo para salvar o amor, enquanto os créditos sobem com um flash mob. Lembrou de quantos filmes assim? As atuações de Sydney Sweeney e Glenn Powell são sólidas, considerando o texto que têm em mãos, e a direção entrega exatamente o que se espera: o básico, sem surpresas. Se você busca a profundidade de Muito Barulho por Nada, de Shakespeare, que inspirou o filme, esqueça – no máximo, encontrará algumas frases soltas do autor jogadas como pano de fundo. Então, pegue a pipoca, aconchegue-se no sofá com seu amor, limpe aquele restinho de comida do rosto dele(a), cantem juntos (mesmo que desafinados), troquem olhares e apenas curtam mais um clichê. Todos Menos Você garante alguns suspiros apaixonados e boas risadas – nada além disso, mas também nada menos.
Jurassic Park III
3.1 505 Assista AgoraO Jurassic Park dos filmes pode não ter sido tão lucrativo, já que nem chegou a abrir para o público. Mas, sem dúvida, o Parque dos Dinossauros da Universal Pictures é bem rentável.
E o que temos aqui é mais um produto desta fábrica cinematográfica. O filme é realmente linear e padrão: precisamos sair de um ponto A para um ponto B.
E para isso faremos um fio condutor de decisões burras para poder justificar a existência de um roteiro.
Sam Neill (Alan Grant) está de volta da maneira mais cachorra possível. Diferente do segundo filme, que ainda tentou justificar a volta de Jeff Goldblum usando a esposa como gatilho, aqui não pensaram no mesmo.
Alan Grant inicia dizendo numa palestra: “Não há nada que me faça voltar àquela ilha”. Dez minutos depois, está sentado numa mesa de bar com Téa Leoni (Amanda Kirby) e William H. Macy (Paul Kirby) e simplesmente é convencido a sobrevoar o local por dinheiro. Não temos uma decisão coerente para o filme e, na real, não temos uma decisão coerente para o próprio personagem. Depois de tudo o que passou, não se justifica este argumento pelo simples ganho financeiro.
Pelo visto, não foi só a justificativa da volta que faltou criatividade. O filme todo é recheado de decisões erradas, e a maioria nasce de Amanda e Paul Kirby. O quanto esses dois personagens vão lhe irritar durante quase 60 minutos é brincadeira!
Lembre-se de que precisamos sair do ponto A para o ponto B. Que tal gritar no meio de uma floresta cheia de dinossauros e mais um paleontólogo que entende tudo sobre esses animais roubando ovos de raptores? Faz sentido? Não. Mas serve para a ação.
E assim vamos caminhando. O filme não cansa, e isso é um ponto positivo. Ao menos viram que não tinham grande coisa e entregaram apenas 90 minutos, o suficiente para dizer que tem uma história.
Veja bem: não é que o filme seja totalmente ruim. A trilha sonora de John Williams ainda encanta, e digo que é até melhor utilizada do que no segundo filme.
A direção de Joe Johnston não alcança a epopeia de Spielberg no primeiro dos longas, mas também não é de todo ruim e alcança, ao menos, o nível do segundo filme da franquia. Ainda tem uma fotografia interessante e o ritmo é bem conduzido, sempre incluindo uma cena de ação quando falta história.
Jurassic Park III é genérico de roteiro, sempre precisando de uma conveniência para avançar a história. Ao menos entende que seu enredo é vazio e decide centrar em Sam Neill para segurar minimamente o pino da granada.
Um final médio em tamanho, mas pequeno para aquilo que foi o pontapé da história dos dinossauros.
Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa
3.4 1,4K“Era melhor ter ido assistir ao filme do Pelé.”
Quando assisti a Esquadrão Suicida, não vou mentir: talvez eu tenha pensado o mesmo dos produtores da Warner. A Arlequina (Margot Robbie) tinha sido a melhor coisa daquele filme. Achei que valia a pena um filme solo da personagem.
E após assistir a Aves de Rapina, penso que ser o melhor entre os piores não é necessariamente algo que valha o investimento.
Eu me atrevo a dizer que entra na disputa com Mulher-Gato para saber qual é o pior filme da DC.
Começando pelos personagens: a Arlequina, em muitos momentos, deixa de ser a psicopata para se tornar infantil, quase caricata. Junta-se a ela Cassandra (Ella Jay Basco), uma criança trombadinha que o filme tenta justificar pela violência doméstica dos pais. Uma porta infestada de cupins tem mais vida do que esta criança em tela.
A coisa piora com o Máscara Negra (Ewan McGregor). É mais uma tentativa de recriar um novo Coringa, e é tenebroso. A atuação beira o ridículo, não sei ainda se é o ator ou o roteiro mequetrefe que temos aqui. Ele grita, esperneia como uma criança, fala frases escrachadas, mas é só um boboca. Esse é o grande vilão.
Vamos às Aves. Montoya (Rosie Perez) é descrita no início do filme como uma policial excelente e injustiçada, que teve seu mérito roubado pelo atual chefe. O que vemos de fato ao longo do filme é uma policial impulsiva, egoísta, sendo feita de idiota em tudo o que faz. Difícil acreditar na história que contam, isso só demonstra o roteiro sem sentido que temos aqui.
A Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) rumava bem, parecia um mistério interessante. Mas tudo o que este filme toca, destrói. Então é óbvio que destruiriam a personalidade dela, tornando-a alívio cômico e bobona. Encerra com a Canário Negro (Jurnee Smollett), aparentemente traumatizada pela morte da mãe. Digo “aparentemente” porque tem pouco desenvolvimento e a atuação também não vinga. Sempre com aquela cara emburrada para demonstrar força e empoderamento, e o que temos na verdade é só uma personagem antipática.
A direção tenta parecer sofisticada, como na cena que tenta emular o olhar de Kubrick. Digo “tenta” porque, na cena de ação seguinte, coloca o figurante esperando para entrar na luta. Algo que poderia ser corrigido com uma edição básica. Isso demonstra total incapacidade da equipe ou, no mínimo, falta de cuidado.
Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa é exatamente como seu nome: exagerado no humor até se tornar insuportável. Tenta ser sofisticado para fingir grandeza, porém é pobre até nas cenas mais comuns de ação. Cansa só de falar.
Se arrasta pela tela apesar de ter menos de duas horas. Tenta ser leve num filme de uma psicopata, mas soa só infantil e tenebroso ao longo do tempo.
Shazam!
3.5 1,2K Assista Agora“Como posso ser herói se não consigo salvar minha família?”
Shazam! acerta e erra quase pelos mesmos motivos. O humor funciona enquanto ele está descobrindo os poderes que adquiriu e a interação com Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer) é perfeita, talvez até o ponto alto do filme. Mas passa do ponto quando se mantém até na cena final de luta: se torna escrachado e o que deveria ser uma luta para salvar sua família vira uma comédia sem sentido.
As atuações são boas no geral. Asher Angel segura o protagonismo, assim como Zachary Levi, na sua versão adulta de Shazam, mantém o carisma. Eu consigo comprar a dor dele de procurar a mãe; ele me convence de que está perdido pelo mundo através das feições e dos olhares.
Mark Strong (Dr. Sivana) também se destaca, fazendo o papel do vilão vilanesco que só quer poder. Os outros personagens e atores meio que estão ali só para completar cena: não são dignos de elogios nem de críticas.
E por isso mesmo o filme se perde no ato final, quando distribui seus poderes entre os irmãos. Com exceção de Mary (Grace Caroline Currey) e Freddy, ninguém mais foi desenvolvido, então a transformação deles não tem peso. Se as crianças ainda tinham algum carisma, os adultos são só largados ali e você que se vire enquanto assiste.
O roteiro também erra quanto à busca de Billy pela mãe. Eu sei que crianças adotivas costumam querer conhecer os pais biológicos, mas é sério que ele achou que tinha se perdido quando tinha 3 anos? Até aceito ele acreditar nisso naquela idade. Mas agora, com 14 anos, ainda acreditar que simplesmente se perdeu… desculpa, é uma tentativa do roteiro de dramatizar sua dor.
A direção acerta na maior parte do tempo: o ritmo é progressivo e não cansa o espectador. As cenas de ação são boas; até a quebra do vilão fazendo seu discurso e o herói não conseguindo ouvir pela distância é inteligente e engraçada.
Shazam! é um filme divertido e que talvez te perca por ser divertido até quando não deveria. Acerta numa boa história familiar no lar adotivo, mas se perde achando que a família que mais importa era a busca por uma mãe que o abandonou.
Aquaman
3.7 1,7K Assista AgoraUm rei luta por sua nação, um herói luta por todos!
À procura de cobre, encontrou um diamante genuinamente bem lapidado. Essa é a melhor definição de Aquaman.
O que James Wan faz aqui é algo incrível. Desde a primeira cena está lá a câmera flutuando durante a luta da rainha Atlanna (Nicole Kidman), passeando sobre a ação, me lembra muito Invocação do Mal, filme dirigido pelo mesmo.
A direção brinca de planos-sequência. O diretor do “Invocaverso” e do primeiro Jogos Mortais dá aula, como na sequência que acontece na Sicília, com a câmera trocando de primeiro para segundo plano e, assim, mudando o protagonista do take. É realmente perfeito.
O roteiro é amarrado, sabe dosar o humor, não tem pudor de bater no peito e dizer “sou um filme de quadrinhos” e sabe até o momento de ser brega. Constrói muito bem a relação de Arthur (Jason Momoa) e Mera (Amber Heard). As motivações do vilão Mestre do Oceano (Patrick Wilson), que por perder sua mãe coloca toda a dor e a culpa no Aquaman, também funcionam.
E, principalmente, sabe construir a relação de Atlanna e Thomas Curry (Temuera Morrison), os pais de Arthur. São poucas cenas, mas o texto bem escrito derrama sentimentalismo. “Ele ainda vai até o final do cais, todos os dias…” Fazendo jus às palavras de Arthur, o amor deles salvou o mundo.
Se existe algum ponto frágil nesta história, é o Arraia Negra. Ele parece meio perdido na segunda metade do filme. É óbvio que amarraram a moralidade do Aquaman com a cena inicial, não ter salvado custou-lhe fazer um inimigo, e isso é debatido de forma sucinta e elegante, mas sinto que poderia ter sido melhor.
Aquaman é um daqueles filmes dos quais não se espera muita coisa e recebemos uma verdadeira história de herói dos quadrinhos. É difícil não embarcar ou se emocionar ao longo das duas horas. As atuações são contundentes e o protetor dos mares mostra que, diferente do que pensávamos, é digno de um longa-metragem.
Parabéns a todos os efeitos especiais e a toda a construção de Atlântida: ela é deslumbrante e viva em tela. Temos, sem dúvida, um grande filme da DC.
Liga da Justiça
3.3 2,5K Assista AgoraCorre que o caminho é longo e o tempo é curto…
Liga da Justiça apresenta os mesmos problemas de Batman vs Superman: é muita coisa para contar num filme só.
Apresentar o Flash, as amazonas, os atlantes, o Aquaman, o Ciborgue, criar uma equipe, formar amizades, ressuscitar o Superman, apresentar o vilão e ainda vislumbrar o futuro do universo… ufa. Qual a chance de dar errado? Refazendo a pergunta: qual a chance de dar certo? Nenhuma.
Nesta ambição de fazer o trabalho que a concorrente fez no tempo mais curto e com o menor número de filmes possíveis, temos esta bagunça na tela.
As atuações são boas dentro do que se pode esperar de um roteiro perdido. Gal Gadot (Mulher-Maravilha), Henry Cavill (Superman), Jason Momoa (Aquaman), Ezra Miller (Flash), Ray Fisher (Ciborgue) e Ben Affleck (Batman) entregam o que podem. Em alguns momentos a interação até funciona, como na conversa pré-ressurreição do Clark, em que todos os personagens interagem e pode-se ver um rascunho de equipe.
A direção de Joss Whedon não se compromete na parte da ação, porém nas escolhas narrativas e nos takes de cena muitas delas soam artificiais. A cena do pôr do sol entre Clark e Lois Lane (Amy Adams) pareceu sair direto da tela do Windows.
Aliás, os efeitos especiais do filme deixam muito a desejar e estão estampados desde o primeiro minuto. Que escolha horrível de cena de abertura com o Superman escondendo o bigode com CGI. Deplorável!
Até a trilha musical é decepcionante, com exceção da cena dos créditos iniciais. “Everybody Knows”, interpretada por Sigrid, casa muito bem com o clima de desesperança após a morte do Superman. Porém, todo o resto soa muito genérico, e até os temas de Superman e Mulher-Maravilha feitos por Hans Zimmer são muito pouco utilizados aqui.
Liga da Justiça é o resultado de uma correria desnecessária que mais bagunça do que ajuda. Um filme que peca em vários elementos técnicos, efeitos, trilha, direção e, principalmente, roteiro. Tentando contar tudo, acabou contando muito pouco de quase nada, não é ironia dizer que esqueceram até do vilão.
Curta Marvel: Agente Carter
4.1 64 Assista AgoraEu já imaginava que, após a atuação em Capitão América: O Primeiro Vingador, a Marvel tentaria emplacar a Peggy Carter (Hayley Atwell). E assim temos o Marvel One-Shot: Agente Carter.
O curta funciona muito bem: consegue entregar de forma dinâmica uma história imersiva. A ação funciona e, além disso, desenvolve, mesmo que rapidamente, a personalidade de Peggy, determinada a mostrar ao mundo seu valor.
A atuação de Hayley Atwell segue carismática e envolvente, demonstrando em suas feições como ela consegue reprimir as emoções quando é subestimada.
A direção também funciona dentro do que é possível em doze minutos, principalmente na hora de colocar o plano em ação.
Marvel One-Shot: Agente Carter é aquela balinha depois do almoço: doce, um pouco genérica, mas serve para ampliar o universo e até fazer a gente desejar um pouco mais de Carter.
Esquadrão Suicida
2.8 4,0K Assista AgoraÉ difícil encontrar coisas que se salvem, e a abertura já demonstra isso…
Coloque uns letreiros em neon bem chamativos e muito coloridos para dizer: “Olha, a DC não é sombria, não!”. Jogue umas sete canções dos mais diferentes gêneros para tentar simular uns Guardiões da Galáxia e tente desenvolver os personagens em letreiros, já que são muitos e não temos tempo. Acho que vai ser uma boa fórmula, né? Não foi.
A Arlequina (Margot Robbie) e o Pistoleiro (Will Smith) são os únicos com algum nível de desenvolvimento — considerem “algum nível” como um pires um pouco mais fundo. Temos o relacionamento dela com o Coringa (Jared Leto), alguns flashbacks de como se conheceram, e o Pistoleiro lidando com a filha. Tudo muito raso, apenas tentando justificar qualquer ato deles ou ganhar a empatia do público. Waller (Viola Davis), Flag (Joel Kinnaman) e Magia (Cara Delevingne) são coadjuvantes que servem de fios condutores da história. Fios estes que parecem se cruzar e gerar um curto-circuito em tela, de tão perdidos que estão. E eu nem vou falar dos outros personagens figurantes, para não alongar mais o texto e nem dar a relevância que eles mesmos não merecem.
Das atuações, de bom mesmo só a da Margot. O Will fica fazendo cara de cachorro pidão durante todo o filme, tentando me convencer a me importar — e não me convence. Aliás, pelas notícias de bastidores, ele pediu para introduzir essas cenas no filme, o que já diz muito da bagunça que foi essa produção. Mas é impossível não falar da nota mais baixa deste filme: Jared Leto. Que coisa lamentável! Ver um personagem icônico como o Coringa sendo interpretado desta forma é decepcionante. Transformaram o personagem em caricato e passou longe do psicopata temido das HQs. Os demais atores não são dignos de elogios, mas também não são dignos de críticas.
A direção de David Ayer, desde o primeiro momento, é esquizofrênica e incompetente. Precisa de um pot-pourri de músicas e, sem saber o caminho para onde ir, tenta ser sério e vira forçado, tenta ser engraçado e soa lamentável. Apesar de ter duas horas, o filme se arrasta pela tela como um fantasma carregando sua própria corrente. As cenas de ação vão picotando e, quando não dá para picotar, escurecem — talvez com vergonha do que está sendo mostrado. Aliás, a cena final, para quem consegue enxergar, é muita chuva, fumaça e Magia dançando como cobra. Ajuda a dar o encerramento do melhor nível que esse filme merece.
Esquadrão Suicida (2016) é um daqueles filmes em que você olha o relógio jurando que está na metade, e só passaram dez minutos. Se for assistir em casa, aumente o brilho da TV ao máximo e tente enxergar alguma ação, porque roteiro não tem.
Capitão América: O Primeiro Vingador
3.5 3,1K Assista Agora“Não se ganha a guerra com gentileza, se ganha com coragem.”
Então esta guerra já está ganha, porque isso não falta ao Capitão América de Steve Rogers (Chris Evans).
Chega ao universo Marvel o Primeiro Vingador, e conta a história do franzino, porém muito corajoso e patriótico Steve. Com uma ótima atuação de Chris Evans, este filme contém muitas boas atuações: desde Hayley Atwell como Agente Carter, Hugo Weaving vivendo o Caveira Vermelha, até os coadjuvantes Tommy Lee Jones (Coronel Chester Phillips) e Stanley Tucci (Abraham Erskine), que roubam a cena e cativam quem assiste, cada um dentro de sua peculiaridade, seja motivando o Rogers ou servindo de alívio cômico.
A ambientação não fica atrás. Todo o visual da Segunda Guerra Mundial é muito belo durante quase toda a filmagem.
A direção também sabe dosar possíveis barrigas, tornando o ritmo muito bom para quem assiste. Definitivamente, este filme não cansa.
E tudo caminharia muito bem até o último ato. Parece que muita coisa se perde: muitos cortes abruptos durante as cenas de ação e uma lutinha para lá de frouxa acabam por deslizar o que poderia ser um filme impecável. Uma luta de arminhas não é o que se espera quando dois supersoldados se encontram.
O Primeiro Vingador é uma ótima origem para o Capitão América. Flui muito bem em todos os sentidos por dois terços do tempo: ambientação, direção e até o romance entre Carter e Rogers funcionam. Isso deixa o sabor agridoce de “Por que não acertaram o último terço?”. Veja bem, não estou dizendo que o filme não vale a pena. Só estou dizendo que passou muito perto de ser incrível.
Batman vs Superman: A Origem da Justiça
3.4 4,9K Assista AgoraApresentar o Batman, a Mulher-Maravilha, o Lex Luthor, desenvolver uma rivalidade com o Superman e vislumbrar o futuro do universo parece muita coisa para um filme só. E era mesmo.
Nesta ambição de tentar alcançar o sucesso da concorrente, Batman vs Superman se complica e entrega um roteiro de muito texto explicativo e pouca ação. Parece que a ordem era correr para alcançar a Marvel.
Sem brincadeira: são mais de uma hora de filme até o primeiro encontro dos heróis e a primeira cena de ação real. Uma coisa que eu sempre falo é que um filme de herói tem a obrigatoriedade de ser empolgante. Se um filme falha nesse aspecto, então temos um sério problema.
O filme cansa na primeira metade — e não é pouco. A trilha sonora de Hans Zimmer salva algumas vezes, mas não pode fazer milagre. Temos também um Batman pistoleiro ao estilo Rambo, ferindo completamente a abordagem dos quadrinhos.
As atuações não comprometem e provavelmente entregam o que o roteirista escreveu. Faço, porém, uma observação ao Lex Luthor (Jesse Eisenberg): não sei se quem escreveu queria fazer um Lex estilo Coringa, mas em inúmeros momentos, além de caricato, a interpretação irrita. Me faz pensar que não leram uma HQ com o personagem.
Assisti à versão estendida. Ela melhora significativamente a versão de cinema e consegue corrigir o erro de montagem. Contudo, o filme ainda é muito lento, como se carregasse a própria cruz.
Batman vs Superman melhora no final, mas até lá sofre e desgasta quem assiste. Fica muito longe do que a trindade da DC merecia.
Olhos de Wakanda
3.3 18A série finaliza com a história de Tafari e Muda. Sem dúvida, a melhor parte desta série é a trilha sonora.
O texto, na maioria das vezes, foi genérico, apresentando uma história padrão. Aliás, fórmulas é o que não falta na Marvel ultimamente.
Não temos uma série que marca, que será lembrada. Porém, isso não quer dizer que seja ruim. Claramente houve uma melhora na fluidez do desenho em comparação a outras animações do MCU, apesar de muitos personagens ainda caírem na estranheza — ora, meio quadrados.
Olhos de Wakanda é uma série que entretém, porém não vai muito além do mediano. É mais uma lenha que a Marvel usou para aquecer a fornalha de seu universo.
O Mundo Perdido: Jurassic Park
3.5 629 Assista AgoraVenham todos para a loja de conveniência do Jurassic Park! Não há melhor forma de definir a sequência da franquia dos dinossauros.
Querem alguém se atrapalhando com as cordas para criar uma cena de tensão? Ao menos acredito que esta era a intenção. Não digo que conseguiram, talvez raiva seja o melhor sentimento. Que tal uma especialista em comportamento animal que acha superincrível levar um filhote de T-Rex para cuidar? Espera aí, os pais do filhote a seguiram… nossa, quem diria, né? E isso são só alguns exemplos do que podemos encontrar na loja do roteirista que escreveu isto.
As atuações não são ruins, mas os personagens… não posso falar o mesmo. Que coisa triste! Se o primeiro filme te pegava pela história e pelo carisma de cada pessoa, até mesmo o antagonista John Hammond, com sua moral ambígua e que até o fim se desenvolve, nesta sequência não temos a mesma coisa.
Ian (Jeff Goldblum), alçado ao posto de protagonista, não rende. Talvez seu papel seja apenas de bom coadjuvante e alívio cômico. Sarah (Julianne Moore) também decepciona: é inteligente quando convém, capaz até de dizer o que o dinossauro fará assim que acordar do coma, mas também é a mesma que decidiu pegar o filhote dos pais. Peter (Arliss Howard) dá vida ao magnata ambicioso, muito longe da dualidade do primeiro antagonista da franquia; ele é só um “playboyzinho” ganancioso. E ainda ponha de lambuja Kelly, filha de Ian: só uma personagem sem graça que eles acharam que poderia substituir à altura as duas primeiras crianças do filme original. Não… não conseguiu.
Spielberg ainda brilha na direção: fotografias bonitas e panorâmicas, a trilha sonora ainda impacta (mesmo sendo utilizada em cenas desnecessárias, como se quisesse dizer “continuem assistindo, é o Jurassic Park”). As cenas de ação são bem filmadas: não empolgam tanto, mas também não deixam de cumprir seu papel.
O Mundo Perdido é uma sequência triste quando vemos o caminho que poderia seguir, onde até o Velociraptor faz figuração e passa longe de ser a ameaça que um dia foi. Tudo bem, Spielberg, eu te perdoo. Jurassic Park 2 não é ruim, mas machuca o sentimento do que um dia foi uma obra-prima.
O Homem de Aço
3.6 3,9K Assista AgoraTemos o pontapé do Universo DC com Snyder!
O início deste filme é um problema, principalmente em relação à montagem. Nessa tentativa de ir e voltar do passado — talvez para não cansar o público com uma história mais linear — acaba falhando: cansa e ainda torna confusas as linhas do tempo.
Zack Snyder começou a carreira dirigindo videoclipes, e isso fica evidente aqui. Parece que cada cena precisa ser épica, o que faz o filme parecer caricato em muitos momentos, porém gera takes bonitos e ótimas fotografias dignas de capa de caderno.
A atuação de Henry Cavill (Superman), se não é boa, ao menos não estraga o filme. Amy Adams (Lois) também funciona. Contudo, quando estão juntos, revelam mais uma falha de roteiro: a construção do casal não convence. Já Zod (Michael Shannon) não compromete, mas também não gera empatia. A verdade é que tudo é muito mediano.
As grandes qualidades deste filme estão na trilha sonora — mais uma vez entregue a Hans Zimmer, que não decepciona — e em talvez a melhor cena ao longo das mais de duas horas: o primeiro voo do Superman. É realmente daquelas que te empolgam e te fazem lembrar que ainda é um filme de herói. E as cenas de luta? Aí sim temos algo impecável feito por Snyder: tudo tem muito impacto e é muito bem fotografado.
Se a luta em si é muito bem coreografada, também traz um problema moral sério ao personagem. Superman sempre foi conhecido por seu amor à vida e por proteger todos os seres vivos ao seu redor. Vê-lo lutando no meio da cidade sem parecer se importar com os humanos que ali estão denigrem fortemente sua obra original e caracteriza uma adaptação, no mínimo, controversa.
Para piorar, temos mais uma decisão narrativa polêmica no fim: Superman matando. É sem sentido. Até aquele momento, ele parecia não se importar com as vidas perdidas durante a luta e, de repente, alguém se lembrou: “ei, o Superman se preocupa com os seres humanos”. Além de uma mudança abrupta de personalidade, sendo o mais gentil possível na avaliação, é questionável colocar no primeiro filme da franquia uma decisão dessas.
O Homem de Aço, no fim, é um filme mediano em quase tudo o que se propõe. Empolga com as cenas de luta e com a trilha sonora, mas modifica todos os valores morais de suas histórias em quadrinhos. É bonito, é épico, é caricato e, às vezes, até vazio de Superman.
Mulher-Maravilha 1984
3.0 1,3K Assista AgoraTemos uma queda considerável nesta sequência de Mulher-Maravilha, e talvez o principal problema seja justamente o roteiro.
A escolha narrativa de trazer Steve Trevor (Chris Pine) de volta — e da maneira mais criminosa possível — demonstra a total falta de juízo de quem escreveu este roteiro.
Se queriam tanto que o personagem continuasse, por que o mataram no primeiro filme? E trazê-lo desta forma, como um pedido feito pela própria heroína, é ainda pior. Depois de saber que uma vida está sendo manipulada para cumprir esse desejo sórdido, a atitude de Diana (Gal Gadot) vai contra tudo o que a Mulher-Maravilha é e sempre foi nos quadrinhos. Lembrando que, no decorrer do filme, é o próprio Steve quem precisa convencê-la do quanto isso é errado. Patty Jenkins deve ter fumado uma erva muito forte para achar que isso tinha cabimento.
Aliás, a falta de criatividade não ficou só em trazer o Trevor de volta, mas também em tentar resgatar o humor do primeiro filme com as mesmas piadas de alguém tentando se inserir numa nova realidade. Se no primeiro filme era a própria Diana conhecendo aquele mundo novo, agora é o Steve se adaptando à década de 80. Funcionou no primeiro, porém evidencia a falta de inspiração de quem escreveu o texto.
O vilão, que eu já ia esquecendo — e não por culpa minha, afinal Maxwell Lord (Pedro Pascal) é esquecível mesmo —, é só mais um papel dos diversos que o ator fez ao longo da carreira. O próprio filme questiona a falha de motivação ao perguntar “por que desejar mais?!”. Ninguém sabe. É o artefato que trouxe essa sede de ganância? Não sei, só sei que foi assim. E some-se a isso a coadjuvante Mulher-Leopardo (Kristen Wiig), que não ganharia nem num concurso amador de fantasia de alguma loja de quadrinhos.
As atuações, no geral, são ruins. A de Gal Gadot parece de alguém que acabou de aprender inglês. Pedro Pascal e Kristen Wiig, tentando ser maléficos, ficam ridiculamente caricatos. Pine talvez seja o único que se salve, entregando o mesmo carisma do primeiro filme.
Falando em salvamento, parabéns à direção de arte por conseguir trazer a década de 80 ao filme. A trilha sonora é eficaz e até nos faz esquecer a tristeza que estamos vendo. Um elogio também à homenagem à primeira Mulher-Maravilha, Lynda Carter. O último ato não é de todo ruim: tem uma mensagem bonita sobre abrir mão até daquilo que mais desejamos. Só que foi tudo tão pobremente construído ao longo das duas horas e meia de filme que talvez não impacte tanto quanto um corte de TikTok dessa cena final sem contexto.
Mulher-Maravilha 1984 é deprimente comparada ao primeiro filme. Tem direção e roteiro pouco criativos, efeitos especiais que parecem querer homenagear de verdade os anos 80 (uma vez que parecem os efeitos daquela década), atuações no geral ruins e uma fotografia bonita — pena não ser só um papel de parede no computador de alguém.
O Convite
3.9 337 Assista AgoraAdmito que a primeira hora deste filme é difícil. Não sei se era a intenção de Olivia Wilde e Seth Rogen criar um roteiro tão constrangedor — talvez fosse —, mas que em muitos instantes ele passa do ponto, disso não tenho dúvidas.
Por muitos momentos o filme me perde, e talvez seja exatamente naquilo que ele mais se propõe: ser real. A ideia era retratar um casal em crise por ter caído no tédio depois de longos anos de matrimônio. Porém, as cenas e o texto são tão constrangedores que não parecem realistas; parecem, na verdade, algo deliberadamente escrachado e muito ficcional.
Angela e Joe, claramente, têm sérios problemas no casamento. Só que é tudo tão desaforado que me convence de que quem estava escrevendo achou que iria chocar o público. E chocou, mas não de um jeito bom: não pela surpresa, e sim pelo texto esdrúxulo.
O filme só não se perde totalmente porque Penélope Cruz e Edward Norton são incríveis em suas atuações. Aliás, talvez este seja o grande ponto alto do filme: as atuações. Os quatro atores têm uma dinâmica indescritível, com inúmeras cenas em sequência em que um complementa o outro nas falas, sem cortes. Diálogo e emoções escorrem na tela em altíssimo nível quando o texto não se perde.
A segunda metade do filme é o momento em que ele de fato cresce em qualidade, principalmente quando os personagens começam a se expor sobre seus sentimentos. Pina (Penélope) acaba sendo a intermediária, e o faz muito bem, enquanto os outros embarcam quase numa terapia de casal.
A direção se acerta e sabe destacar o tempo de cada personagem. As lições de uma vida a dois finalmente passam a ser o foco. E, finalmente, parece que temos um casal real em tela.
Mágoas, arrependimentos guardados, o peso de um caminho errado sendo colocado nos ombros do parceiro simplesmente por não querer reconhecer a culpa das próprias escolhas.
O Convite é um filme que, se você sobreviver à primeira parte, trará uma enorme reflexão sobre como lidar com a dor do próprio fracasso dentro de uma relação.
Obsessão
3.9 937 Assista AgoraVou começar tirando o elefante da sala: tem uma coisa que eu não gostei neste filme — os personagens. É inacreditável o quanto torci para que todos morressem até o fim.
Os quatro personagens são absurdamente insuportáveis. Talvez, com muita força de vontade, ainda se salve a Sarah (Megan Lawless); ela irrita menos do que os outros. O Ian (Cooper Tomlinson) é um babaca da primeira até a última cena, sempre menosprezando as emoções e os sentimentos do amigo. Meu Deus, que cara chato!
E vamos de Nikki (Inde Navarrette). Parabéns se você conseguiu sentir pena da personagem. Tirando uma cena em que ela doa dinheiro para um morador de rua — talvez uma tentativa do filme de me vender a ideia de que ela era uma garota “do bem” —, em todas as outras cenas em que ela não está possuída o que vemos é uma personagem extremamente narcisista, que usa os sentimentos do Bear para manipulá-lo. No primeiro encontro de amigos, em nenhum momento ela se importa com a emoção dele. O filme tenta me convencer depois de que ela não tinha interesse amoroso nele, apenas amizade. Eu vou além: ela não tinha nada por ele, nem amizade. Ele era, no máximo, um consolo para as horas tristes.
E claro, o Bear. Tudo o que falei sobre a Nikki se multiplica e se quadruplica nele. O problema não está no pedido em si — qualquer um duvidaria que um produto de US$ 7 tivesse poder para mudar o destino de alguém — e o pedido nem é um absurdo; é um típico desejo de adolescente apaixonado em escala ampliada. O problema está no decorrer da história: não há uma atitude que me faça torcer por este personagem. Fora isso, o roteiro é sem sentido, quase esquizofrênico. Numa hora ele está arrependido; na outra, mantém a insanidade da relação. Eu sei, eu sei… talvez digam que é o fato de ele não conseguir abrir mão do sentimento que tinha. Mas o filme constrói isso muito mal. Sem brincadeira: numa cena ele parece que cansou e, menos de um minuto depois, já está amenizando a situação.
O roteiro parece enrolar o máximo que pode. Levou quase 90 minutos para ele voltar à loja. É sério isso? Por que não contar o que de fato aconteceu, talvez para a Sarah, a personagem mais empática? Sabe aqueles filmes de romance em que tudo poderia ser resolvido com uma simples conversa, só que aí não teria filme? Pois é. E o Ian era o único amigo dele? E aquele monte de pessoas que estavam na festa, brincando com eles? Enfim, conveniências de roteiro para ganhar mais tempo de filme.
Todavia, nem tudo são espinhos. A parte técnica do filme funciona muito bem. Curry Barker utiliza-se muito bem do segundo plano — assim como David Zucker fazia em seus filmes de comédia (Corra que a Polícia Vem Aí, Apertem os Cintos… o Piloto Sumiu etc.) — para criar humor. Aqui, Curry o usa para gerar momentos incríveis de tensão. É realmente assustador o uso dessas inserções, que criam cenas horripilantes e bons enquadramentos.
Inde Navarrette atua muito bem. Se eu não gostei da personagem em si, não posso falar o mesmo da atuação da atriz. As mudanças de feição, o olhar quase psicopata… ela realmente dá vida a uma pessoa que parece estar dominada por duas personalidades. É maravilhosa durante todo o filme.
Enfim, Obsessão é aquele filme que vai te fazer tomar bastante susto e ficar chocado com o decorrer da história. Se você fechar os olhos para as conveniências do roteiro e conseguir gostar dos personagens, tem tudo para ser um filme incrível para você.
Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros
3.9 1,7K Assista AgoraMeu Deus!
Ao revisitar essa obra-prima, entendo a sinfonia perfeita que Steven Spielberg recriou nessas duas horas.
O ano era 1993, e quando você lembra disso, pensa: como pode? Como conseguiram alcançar níveis de realismo tão avançados já naquela época?
Desde a apresentação até o último minuto do filme, você embarca numa aventura, e Spielberg consegue despertar cada uma das emoções a que se propõe.
Desde o vislumbre empolgante de olhar o mundo real agora preenchido com dinossauros até a tensão no encontro avassalador com o T-Rex. E depois que engata, não há um segundo de nota baixa — como uma canção que vai te empolgando a cada verso e refrão, e você quer cantar, cantar e cantar. Neste caso, assistir, assistir e assistir até o final.
Cada atuação e cada personagem são perfeitos e bem entregues. Sam Neill e Laura Dern empolgam e cativam a cada cena. E os coadjuvantes Jeff Goldblum e Richard Attenborough, assim como as crianças Ariana Richards e Joseph Mazzello, são impecáveis e te convencem dos medos e das emoções em cada bendita cena.
Parabéns, Steven. Com cada fotografia, o desempenho em entregar um roteiro amarrado, a capacidade de nos encantar com dinossauros tão reais numa época em que a tecnologia ainda era rudimentar, somada a uma trilha sonora inesquecível, temos aqui um legítimo clássico que atravessará para sempre a história do cinema.
Mulher-Maravilha
4.1 2,8K"Eu sou Diana, princesa de Temiscira.”
Só o amor pode salvar o mundo.
É essa a mensagem que o filme tenta passar durante todo o seu desenvolvimento, e assim o faz enquanto constrói uma relação absurdamente linda entre Diana (Mulher-Maravilha) e Steve.
O filme nos apresenta o habitat de nossa heroína, desde seu treinamento com as Amazonas até o dia em que este é invadido por tropas nazistas alemãs, e Diana se vê obrigada a interferir nesta guerra temendo que seja uma manobra divina do deus Ares.
Os cenários são incríveis e belos ao longo de todo o filme; parabéns à produção de arte por detalhar a riqueza da época. Os efeitos especiais de vez em quando dão uma escorregada, mas nada que comprometa.
As atuações tanto de Gal Gadot quanto de Chris Pine são convincentes e boas. E a direção de Patty Jenkins também não fica para trás: muitos papéis de parede saíram daqui para as capas de caderno.
Em especial, duas cenas destacam bem a direção. A primeira, que virou cortes nas redes sociais, faz jus ao quão divina ela parece: a Mulher-Maravilha entrando no campo de guerra. É daquelas cenas memoráveis que a gente guarda. E a segunda, com a sua trilha sonora absurda enquanto luta com soldados, que te faz levantar da cadeira — afinal, um filme de herói precisa ser empolgante.
Completa tudo isso a mensagem do filme: uma relação bem desenvolvida e que acerta em tudo o que se propõe — no humor, na ingenuidade e, principalmente, em motivações cada dia mais raras: enxergar o bem e entender que, sim, parte do mundo é má, mas ainda há pessoas que valem a pena ser salvas.
Mulher-Maravilha justifica ser, até hoje, o melhor filme de uma heroína feminina. Infelizmente peca no último ato, uma vez que tem de haver uma batalha final; porém é verdade que temos aqui uma das melhores histórias de quadrinhos adaptadas para o cinema.
Feitiço do Tempo
3.9 771 Assista AgoraMais um daqueles clássicos da Sessão da Tarde. Lembro-me de tantas vezes sentar no sofá para assistir, e agora, mais de 30 anos após seu lançamento, me deparo com este filme pipoca novamente.
Bill Murray (Phil) e Andie MacDowell (Rita) formam aquele casal de extremos opostos: ele, arrogante, egocêntrico, sem dar muito valor a qualquer coisa em sua vida além de si mesmo; ela, doce, gentil, empática, valorizando o simples da vida e as pessoas ao seu redor.
Embarcamos na jornada de Phil, revivendo com ele o mesmo dia repetidamente até que ele perceba o que o levou a uma vida solitária e narcisista.
As atuações são impecáveis e talentosas. Bill Murray, com suas mudanças drásticas de humor, nos faz acreditar em cada uma das facetas de Phil: do mal-humorado ao incrédulo, passando pelo desesperado, dramático e, finalmente, romântico. Andie MacDowell não fica atrás, trazendo uma mulher genuinamente boa, como a musa descrita nos poemas mais apaixonantes.
A direção entrega takes envolventes, aproveitando a paisagem soturna de neve e ambientes luminosos quando convém. Além disso, escapa da monotonia comum em enredos de loop temporal, com cortes inteligentes e cruciais que evitam repetir o dia desde o primeiro minuto.
Feitiço do Tempo é aquele passatempo gostoso, como um café com biscoitos na casa da vó, um dia de chuva deitado na cama, um casal abraçado sem ver o tempo passar. Tudo isso de forma apaixonante, com uma mensagem poderosa sobre empatia e sobre como as coisas simples da vida podem ser incríveis, basta deixarmos nossa vaidade de lado.
Superman
3.6 934 Assista AgoraO novo universo DC, liderado por James Gunn, começa com Superman (2025), um filme que mergulha profundamente nos quadrinhos, resgatando a essência do herói como poucas vezes vimos. Diferente de uma origem tradicional, a história começa in media res, como se você abrisse um quadrinho no número 56. Isso evita repetir a conhecida trajetória de Clark Kent, mas pode confundir quem não está familiarizado com as HQs.
Abandonando o tom divino de Zack Snyder, este Superman, vivido por David Corenswet, é humano, sensível e preocupado com o planeta e seus habitantes. Desde o clássico de 1978, não tínhamos uma versão tão fiel ao espírito do herói nos quadrinhos. Corenswet brilha tanto com a capa quanto como o tímido Clark Kent, marcando uma clara distinção entre as duas personas – algo que faltava na versão anterior. Rachel Brosnahan (Lois Lane) e Nicholas Hoult (Lex Luthor) acompanham o nível, formando um trio de protagonistas impecável.
A direção de Gunn acerta ao construir esses personagens centrais, mas peca pelo excesso de coadjuvantes. Em certos momentos, como na cena final do Planeta Diário, personagens aparecem sem contexto, sobrando na narrativa.
O roteiro diverte e entrega ótimos momentos de ação, mas abusa de diálogos expositivos, necessários, em parte, para reforçar a humanidade de Superman a uma geração que talvez o veja de forma distorcida.
Visualmente, o filme impressiona com efeitos vibrantes e uma trilha sonora que evoca o legado do herói. Apesar de falhas no roteiro e escolhas narrativas, Superman é um pontapé promissor para o novo universo DC, resgatando, após décadas, a essência de um herói definido por sua bondade e humanidade.
Eu Sempre Vou Saber O Que Vocês Fizeram No Verão …
1.9 347 Assista AgoraDez minutos. É tudo o que você precisa para perceber que a equipe por trás de Eu Sempre Vou Saber o que Vocês Fizeram no Verão Passado (o terceiro filme da franquia) não passaria num teste toxicológico.
A abertura já entrega o jogo: cenas aéreas gratuitas mostram que o diretor ama firulas técnicas, mas não tem ideia de como usá-las. A edição, provavelmente patrocinada pela Tramontina, é um festival de cortes frenéticos – até em cenas de diálogo, onde você só quer entender o que está acontecendo. E um aviso aos epilépticos: toda vez que o antagonista aparece, prepare-se para um pisca-alerta de flashes incessantes, que mais confundem do que criam tensão. Velocidade? Não, só bagunça.
Atuações? Risada garantida. Já vi peças de ensino médio mais convincentes. Se o segundo filme já tinha uma queda brutal na qualidade do elenco, este terceiro é tão amador que chamar essa turma de “atores” poderia me render um processo do sindicato.
O enredo, então, é um caso à parte. O filme é uma sequência com um elenco rebootado, faz uma menção preguiçosa aos eventos dos dois primeiros e para por aí. De repente, descobrimos que o vilão agora é sobrenatural. Isso mesmo: um Freddy Krueger ou Jason Voorhees genérico, imortal (ou quase, vai entender). Quem teve essa ideia claramente não estava sóbrio. No terceiro ato, até explicam como ele se teletransporta, mas isso só cria um novo buraco: se o vilão pode aparecer onde e quando quiser, por que enrola tanto para matar os personagens? Seria até um favor. Conveniência do roteiro, claro, que usa essa habilidade só quando lhe convém.
Eu Sempre Vou Saber o que Vocês Fizeram no Verão Passado é o equivalente a um trabalho escolar feito pela pior turma da escola: uma câmera tremida, um enredo sem pé nem cabeça, uma pichação de muro feita por alguém entorpecido. Tudo é tão amador que, quando os flashes não estão te cegando, você só sente pena.
Eu Ainda Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado
2.6 647Por incrível que pareça, Eu Ainda Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado consegue ser um filme ligeiramente melhor que o original, embora isso não exija muito esforço.
As atuações, no entanto, permanecem no máximo medíocres. O desenvolvimento dos personagens é superficial, e, para ser honesto, exceto por Julie, interpretada por Jennifer Love Hewitt, é difícil sentir apego por qualquer outro personagem ao longo da história. Ouso dizer que o elenco do primeiro filme era mais qualificado que o desta sequência.
O maior problema, porém, não está nos atores, mas no enredo frágil, repleto de conveniências e falhas de continuidade. Por exemplo, um corpo aparece em um local e, minutos depois, está em outro, como se o vilão tivesse força sobrenatural para transportá-lo.
Falando no antagonista, sua história é um dos poucos pontos positivos: aqui, ela ganha uma correção que a torna mais coerente, talvez a maior melhoria em relação ao filme anterior.
No fim, temos um filme mediano, com uma direção razoável que entrega sustos previsíveis e, em raros momentos, algo minimamente interessante. Não espere mais que isso.
Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado
2.9 1,2K Assista AgoraEu tinha em mente que Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado era um filme medíocre, mas, ao reassistir, percebi que é ainda pior.
A quantidade de furos e conveniências no roteiro testa a paciência até do espectador mais tolerante. Como é possível alguém gritar por ajuda em um teatro lotado e ninguém levar a sério? Há uma cena em Todo Mundo em Pânico que parodia exatamente isso, mas, enquanto lá é comédia intencional, aqui o momento é tratado com seriedade, tornando-se constrangedor. Outros absurdos incluem um corpo arrastado sem deixar rastros e policiais retratados de forma tão ignorante que beiram o caricatural.
O desenvolvimento do vilão é outro ponto fraco, a maior parte do peso emocional do mesmo fica em off, e será contada para você num texto extremamente explicativo. O filme se sustenta em um enredo vazio, sem profundidade ou lógica. As atuações não são exatamente ruins, mas estão longe de serem boas, especialmente com um roteiro que força diálogos expositivos, dificultando o trabalho dos atores.
O filme tenta segurar o espectador e assustá-lo com jumpscares previsíveis, seguindo essa fórmula até o final. É inacreditável que tenha gerado uma franquia. A única explicação é que, às vezes, o público busca apenas o susto fácil, mesmo que venha de tentativas baratas de surpreender.
Sexta-Feira Muito Louca
3.1 1,1K Assista AgoraSexta-Feira Muito Louca é um clássico dos anos 2000 que marcou uma geração com sua premissa divertida de troca de corpos. Lindsay Lohan (Anna) e Jamie Lee Curtis (Tess) entregam atuações impecáveis, com uma química que rouba a cena. Lohan, em seu auge, brilha ao lado da experiente Curtis, especialmente na hilária cena em que Tess, no corpo de Anna, tenta tocar guitarra na banda da filha, capturando perfeitamente a energia adolescente.
O filme vai além da comédia, explorando a relação entre pais e filhos com leveza e profundidade. A direção de Mark Waters equilibra humor e emoção, usando enquadramentos criativos e a trilha sonora pop-punk (com bandas como Simple Plan) para evocar o espírito dos anos 2000. O ritmo ágil mantém o público entretido, enquanto a história mostra como Anna e Tess aprendem a se enxergar no lugar da outra.
Como dizia Chaplin, “se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que insisto em dizer brincando”. Enquanto diverte com situações cômicas, como Anna lidando com as responsabilidades adultas da mãe, o filme ensina que empatia e compreensão podem unir gerações. É uma lição que ressoa até hoje, mesmo que o tom nostálgico seja mais forte para quem cresceu na época.
Sexta-Feira Muito Louca é diversão garantida para famílias e nostálgicos, com uma mensagem poderosa sobre amor e diferenças. Um clássico que merece ser revisitado, deixando um legado que ainda emociona e faz rir.
Todos Menos Você
3.1 510 Assista AgoraSe falta clichê na sua vida, prepare-se para uma avalanche! Todos Menos Você (Anyone But You) abraça todos os tropos clássicos das comédias românticas. Temos o casal com química instantânea que, por um mal-entendido, passa a se detestar e aproveita qualquer chance para se provocar. Há o típico jogo de fingir um namoro para causar ciúmes, até que, surpresa, o sentimento se torna real. Cenas embaraçosas? Claro, todas pensadas para arrancar risadas e mostrar que esses dois formam um casal e tanto. E, no gran finale, um deles corre contra o tempo para salvar o amor, enquanto os créditos sobem com um flash mob. Lembrou de quantos filmes assim?
As atuações de Sydney Sweeney e Glenn Powell são sólidas, considerando o texto que têm em mãos, e a direção entrega exatamente o que se espera: o básico, sem surpresas. Se você busca a profundidade de Muito Barulho por Nada, de Shakespeare, que inspirou o filme, esqueça – no máximo, encontrará algumas frases soltas do autor jogadas como pano de fundo.
Então, pegue a pipoca, aconchegue-se no sofá com seu amor, limpe aquele restinho de comida do rosto dele(a), cantem juntos (mesmo que desafinados), troquem olhares e apenas curtam mais um clichê. Todos Menos Você garante alguns suspiros apaixonados e boas risadas – nada além disso, mas também nada menos.