(...) E que série deliciosa ela era!😍 As temporadas finais, de 1968 e 1970, (...) somam nada menos que seis notáveis adaptações de clássicos da literatura gótica em longa metragem, indo desde o Frankenstein com o Ian Holm fazendo ambos os papéis, do doutor e do monstro, até A Jóia das Sete Estrelas, do Bram Stoker (adaptado como Curse of the Mummy, e um elenco tarimbado de figurinhas da Hammer Films), passando pelo Clube do Suicídio, de Robert Louis Stevenson, Uncle Sylas, de Sheridan Le Fanu, e uma releitura incrivelmente sombria de Sweeney Todd, que muito pouco lembra aquele musical macabro, mas, acima de tudo, divertido, do Tim Burton. Mas o maior destaque, pra mim, ao lado do Drácula, é mesmo a adaptação livre, de 1966, de A Queda da Casa de Usher. Um dos dois únicos segmentos da primeira fase da série a sobreviver às inacreditáveis políticas de "reaproveitamento de fita" das redes de televisão britânicas nos anos 60 (o outro sendo o fidelíssimo A Porta Aberta, de Margaret Oliphant). E isso porque Susannah York torna a quase invisível Madeleine Usher, do conto, a legítima protagonista da história, num desempenho tão febril e alucinante que, de certa forma, parece antecipar, e mesmo se harmonizar, com a espevitadíssima Lucy de Susan George. Impressão reforçada por também contar com Denholm Elliot como seu vampiresco e, claro, incestuoso irmão Roderick, numa mudança de foco bastante bem vinda em relação ao original de Poe, sempre com suas mulheres etéreas, idealizadas e, no limite, ausentes, fazendo dessa versão um caso praticamente único dentre todas as adaptações. (...)
Artigo completo: "Mistério e Imaginação: o Drácula de 1968" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2025/07/mystery-and-imagination.html
(...) O chiaroscuro cinematográfico de Mario Bava é algo que ainda assombra, raramente foi igualado nesses últimos 60 anos. Pouco importa se o enredo, vagamente inspirado em Viy de Nikolay Gogol, poderia ser taxado de clichê, mesmo então. Ninguém se pergunta sobre originalidade quando está tendo um pesadelo e é isso que Bava se propõe a filmar. O gótico não como (mais) um meio de contar uma história, mas como o processo de criação de um mundo, de um estado de espírito, uma atmosfera muito mais sinistra e perturbadora do que a própria Hammer Films estava disposta a ser na época. Um conto de fadas macabro no qual Barbara Steele poderia ser tanto a princesa encantada quanto a bruxa malvada, e escancarar quão intercambiáveis tais papéis poderiam ser. (...)
Artigo completo: "(Re)Assistindo: Os Góticos Italianos de Barbara Steele" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2023/08/Barbara-Steele.html
(...) É claro que é fácil se deixar levar pelos defeitos mais óbvios de Dracula A.D. 1972. Ele erra feio o alvo pretendido pelo estúdio, é caricato, é cafona (isso é defeito?🤔), e, em grande medida, faz propaganda enganosa, já que Drácula nunca interage realmente com a Londres do século XX (algo que espelha as próprias reticências de Lee para com a ambientação contemporânea, mas quando é que o tio deixou de implicar com alguma coisa?). O lance é que muito do que o filme entrega, tem real impacto. Lee não sai daquela igreja profanada, ok, mas tudo o que ele faz lá dentro é, no mínimo, poderoso. Desde Dracula, Prince of Darkness não o vemos tão demoníaco. Tão legitimamente assustador. Caroline Munro adorava dizer que entrou em pânico de verdade no set. "Ele apareceu, com aquele rosto branco, tão alto, aqueles olhos negros, e avançou na minha direção. Eu juro, não precisei atuar. No que me diz respeito, minhas reações eram reais. Eu estava sendo mordida pelo Drácula!" Exagero (ou fantasia?😜) de uma atriz que sempre pareceu meio ingênua nas entrevistas? Pode ser. Mas o lance é que, quando nós vemos a cena, a gente realmente acredita!😉 (...)
Artigo completo: "As "Franquias" da Hammer Films: Conde Drácula" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2019/01/as-franquias-da-hammer-films-conde.html
(...) é de se admirar que o meu primeiro contato com o Fantasma da Ópera, tenha sido justamente pela versão televisiva de 1983 (...), um curioso ponto fora da curva nessa tradição torta das adaptações do clássico de Gaston Leroux. Não no que se refere ao enredo. (...) Mas sim no caráter. Essa é uma versão que nunca esquece, e nem nos deixa esquecer, que as ações de Erik (ou, no caso, Sándor Korvin) são assustadores e doentias em princípio, independente das tragédias que o vitimaram, ou do quanto ele se considera justificado. É um filme sujo, escuro, pesado, sem nada daquela grandiloquência em tecnicolor que tanto caracterizou as adaptações do fantasma dos anos 40 até aquele momento (...). Acima de tudo, Robert Markowitz, e o roteirista Sherman Yellen, resgatam aquela qualidade de Grand Guignol, presente tanto no romance de Leroux, quando na versão de Lon Chaney em 1925. Esse não é um romance gótico, nem mesmo um melodrama mórbido. É um filme de horror! E isso faz toda a diferença. (...)
Artigo completo: "Resgatando o caráter do Fantasma da Ópera" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2025/01/The-Phantom-of-the-Opera-1983.html
(...) E que imagem poderia ser mais emblemática do que as duas se comendo lindamente numa cama empapada de sangue, enquanto um pobre diabo exangue ao lado delas mal consegue se mexer, quanto mais "entrar no meio" das duas? Poderia haver deboche mais perfeito para a mais manjada das fantasias masculinas? (...)
Artigo completo: "Por entre as fendas das Vampyres..." no blog Reminiscências de um Lorde Velho: lordevelho.blogspot.com/2025/07/vampyres.html
(...) É de se pensar o quão ambivalente foi a febre de bruxaria e ocultismo que se espalhou pela cultura pop no final dos anos 60 e boa parte dos 70. Por mais que filmes, livros e quadrinhos pipocassem por todos os lados, e o período tenha sido (como eu gosto de chamar) a era de ouro dos telefilmes de horror na TV americana e britânica, quase todas as tentativas de se criar um seriado sobre um detetive do oculto que explorasse essas temáticas numa base semanal acabou não passando do episódio piloto.🤔 (...) Fear no Evil, de 1969, e Ritual of Evil, de 1970, são, sem dúvida, os melhores pilotos que surgiram dessa safra. Bem escritos, bem atuados, lindamente fotografados, e com um nível de refinamento raro de se ver na televisão da época, especialmente em produções mais voltadas ao horror e à fantasia. (...)
Artigo completo: "Bedeviled: Os Casos do Dr. David Sorell, Psicólogo do Oculto" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2025/02/Bedeviled.html
(...) A melhor forma de descrever a transição entre o final de William Wilson e o começo de Toby Dammit é como uma porrada sensorial. Nos dois primeiros segmentos, temos uma paleta de cores e uma estética razoavelmente similares, um tom mais sóbrio, um ritmo mais suave. Toby Dammit é uma explosão! De cor. De contraste. Cacofonias. Vertigens e sobreposições. Você cai, literalmente, numa Roma de sonho, fervilhante de criaturas estranhas e grotescas. Sons, movimentos, fluxos, ritmos. A sensação é de estar chapado. Chapado como o Terence Stamp, se deixando tragar por um pesadelo surrealista, que não é nada mais do que a vida em si. E de uma obra menor, que Poe escreveu abertamente numa vibe de deboche, Fellini nos entrega uma obra prima, que não guarda mais do que uma semelhança marginal com o enredo do conto, e fecha Histórias Extraordinárias numa nota dissonante que quase o torna outro filme, mil vezes mais intenso e perturbador que tudo que havíamos visto até então. (...)
Artigo completo: "Infidelidades Extraordinárias: O Edgar Allan Poe de Roger Vadim, Louis Malle e Federico Fellini" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2025/04/Histoires-Extraordinaires.html
(...) uma vez que nos desvencilhamos da expectativa de um prequel de A Volta do Parafuso, o que temos é uma história sobre o desejo e suas contradições. The Nightcomers é uma história de "amor" torta e "errada" (ou você pode chamar de "dark romance" se te parecer mais descolado😜). Algo que já era de se esperar, dado o (pouco) que sabemos sobre o casal de futuros fantasmas imaginado por Henry James, mas a contribuição de Michael Winner (bem de acordo com o seu baixo nível de sutileza) é explicitar o sadomasoquismo dessa relação. Um "jogo" passional e caliente, que se equilibra de forma tênue (e incômoda) num limiar entre o abusivo e o consensual (bem mais difícil de demarcar do que sonham as nossas vãs sinalizações de virtude na internet), sempre a um passo de escapar do controle e botar abaixo aquela mansão burguesa, e toda a sua frágil estrutura de organização "para-familiar". Um veículo e tanto para um Marlon Brando já meio "cheinho" e decadente, que apenas um ano depois iria virar o jogo com O Poderoso Chefão e O Último Tango em Paris. O bastante pra que o (esperado) fracasso comercial do filme de Winner fosse discretamente varrido pra debaixo do tapete (raramente o mencionam nas biografias do astro), caindo na relativa obscuridade das obras cult. (...)
Artigo completo: "Dando a Primeira Volta do Parafuso" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2025/01/The-Nightcomers.html
(...) Pode reparar, via de regra, o gato "maligno" nos filmes de horror é sempre o resultado de uma má ação de um ser humano. A sua "maldade" não vem de graça. Não é resultado de uma suposta "natureza maligna felina". Os gatos dos filmes de horror tendem a ser retratados como os arautos da retribuição. Eles se vingam. Pelos seus donos, por si mesmos, pela injustiça sofrida direta ou indiretamente. (...)
Artigo completo: "Se te arranhou é porque tu mereceu: Os Gatos no Cinema de Horror😸" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2025/04/gatos.html
(...) no fim, é isso o que mais mantém Cat Girl próximo da essência do Cat People original, para além das ocasionais sequências criadas com a intenção explícita de remeter ao clássico, ou mesmo o cuidado de se preservar uma certa ambiguidade sobre a real natureza da maldição (ao menos na versão britânica, que é mais longa, e não tem os infames frames desfocados da máscara de gato que a AIP exigiu nas cópias americanas). Assim como Lewton, Shaughnessy deixa bem clara a sua cumplicidade para com os "desviantes", sem nunca se permitir cair na condescendência (que nada mais é que outra forma, mais sutil e politicamente bem aceita, de violência). Uma certa "simpatia pelo demônio" que se torna ainda mais fundamental num filme que se propõe a ser uma releitura tão ostensivamente gótica (quase até a caricatura) dos conceitos da obra-prima de Val Lewton e Jacques Tourneur. (...)
Artigo completo: "O Elo Perdido Britânico na Linhagem do Povo Gato" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2025/02/cat-girl.html
Desde que Halloween estreou em 1979 trocentos cineastas tentaram se inspirar na obra-prima cult de John Carpenter e levar sua essência um passo adiante. O problema é que quase ninguém sacou qual era de fato essa essência. Não era o lance do psicopata imortal atacando adolescentes, isso era só o pretexto, nada mais que uma ferramenta que, ao ser usada sem critério, não gerou mais do que imitações sem alma, marcando negativamente boa parte do cinema de horror dos anos 80. A essência mesmo era o estabelecimento de um jogo cênico no qual a tela inteira se torna uma ameaça em potencial, o extracampo em si uma fonte permanente de apreensão, cada canto da imagem, cada movimento de câmera, cada figurante ou elemento da mise en scène são assustadores por princípio. A fonte do mal sequer importa de fato, por isso não precisa (e nem deve) ser explicada, podendo ficar ao sabor das especulações que são prerrogativa do público... o que importa mesmo é o jogo. Isso é "It Follows", de David Robert Mitchell, um dos filmes de horror mais inteligentes e genuinamente assustadores dos últimos anos, e que não deixa de render evidentes tributos ao mestre Carpenter, tanto na trilha sonora como nas citações super explícitas a Halloween. Some-se a isso um elenco jovem hiper simpático (do tipo que você torce pra que vençam, não que morram logo) e temos uma pequena jóia a se conhecer e saborear:
Pistas, Sonhos e (Auto) Ilusões - Uma Defesa do Último Episódio de "Twin Peaks"
(Artigo lotado de spoilers, nem clique no link abaixo se não tiver visto Twin Peaks até o final)
"Queria finalmente fazer por escrito a minha defesa do último episódio da segunda temporada de Twin Peaks como, sim, o final da série. Não um final em aberto fruto de um cancelamento, mas sim como um desfecho definitivo, digno, coerente e, na minha sincera opinião, perfeito para essa série que transformou os paradigmas das séries de TV. Digo mais: independente do que vier a acontecer na nova série prevista para 2016, não alterará o status do "Episódio 29" como o melhor final que Twin Peaks poderia ter tido."
The Babadook é um filme de horror que só poderia ter sido realizado por mulheres. Explora medos intrínsecos a experiências às quais apenas mulheres se vêem submetidas, tanto no sentido biológico quanto no de lugar social. Não por acaso, boa parte do público masculino não está sacando muito bem do que se trata realmente essa produção australiana, por vezes comprometendo uma avaliação crítica. As resenhas em geral falam do livro infantil amaldiçoado, da criatura tipo bicho-papão que espreita no escuro, da criança em perigo e tecem comparações com outros filmes e autores que lidam com "horror para crianças", como Neil Gaiman e Guilermo Del Toro. Esses elementos fazem parte da mistura, com certeza, mas não são o foco, nem os protagonistas. Ironicamente, foi Gaiman que escreveu no clássico conto "Histórias na Areia", em Sandman #09, que "Há histórias que as mulheres contam umas as outras, em uma língua própria que nunca é ensinada aos meninos e que os homens mais velhos são sábios demais para aprender."
The Babadook é uma dessas histórias de mulheres, narrada numa mídia em que quase todos os contadores de histórias são homens. Escrito e dirigido por Jennifer Kent (sua estréia na direção de longas), aborda um tipo de horror que nós meninos podemos até intuir, tentar imaginar, mas jamais compreender: o horror da maternidade. Soa terrível para quem (ainda) acredita no mito do amor incondicional materno ou na balela de que uma mulher só se realiza sendo mãe, e talvez isso explique porque tanta gente tem rejeitado o filme, exorcizando a própria perturbação com críticas negativas, mas mesmo esses não tem como negar a coragem da diretora e da atriz Essie Davis (da excelente série Miss Fisher's Murder Mysteries) em abraçarem um tema tão tabu.
"(...) Pra começo de conversa é uma delícia ver o horror gótico tratado com seriedade e dignidade, sem a menor sombra de humor, a não ser o mais negro (aquele que só causa risos nervosos, se é que me entendem). Nada contra as abordagens mais "irreverentes", eu mesmo admito que me diverti acompanhando True Blood durante esses sete anos, também achei as primeiras temporadas de Supernatural bacaninhas como diversão bocó e morro de rir com o cinismo descarado de American Horror Story e seu nonsense gore over do over... mas, até por esses exemplos, é possível perceber que o mercado está saturado de "terror metido a engraçadinho", ao menos no que se refere ao registro do fantástico (apenas as séries de horror realistas, com seus psicopatas, parecem se levar a sério). Assim, é um deslumbre ver que Penny Dreadful não é um pretexto para uma variação "descoladinha" dos personagens da literatura gótica clássica. Ao contrário, Logan e seus colaboradores parecem de fato compreender algo que o cinema e mesmo a literatura de horror atuais, derivados de tantas tentativas de modernização do gênero, parecem ter esquecido ou ao menos perdido a perspectiva: "dar medo" não é o objetivo primordial do horror (muito menos "dar sustos", obsessão do cinema pipoca americano, como o termo scary movie deixa evidente). "Dar medo" é algo muito vago, muito relativo. Algumas pessoas dizem que um filme de horror é ruim porque "não deu medo" enquanto outras, vendo o mesmo filme, dizem nunca ter sentido tanto medo na vida. Não, "dar medo" é apenas um dos elementos que compõem o coquetel de temas e emoções que o horror explora. O verdadeiro coração do gótico é a melancolia. A angústia perante os mistérios da vida e da morte, da existência ou não de algo além, da condição humana, enfim, encarada em seus aspectos mais sombrios. As matérias primas do horror são a culpa, o arrependimento, o pesar, a carência, a maldade, os sentimentos ruins que machucam, os venenos do espírito. Daí emergem os fantasmas, demônios, vampiros... e, em consequência, o medo. Não o medo dos monstros em si, mas daquilo que representam: o memento mori. O gótico é um coração partido. (...)"
"A Maldição do Sangue de Pantera" é o mais subestimado dos filmes produzidos por Val Lewton para o lendário ciclo de horror da RKO nos anos 40. Embora seja, de fato, uma continuação de "Sangue de Pantera" (tem os mesmos personagens e prossegue com suas trajetórias) não dá continuidade ao tema já devidamente fechado do original, ao invés disso usa os personagens já conhecidos pra trabalhar uma temática completamente diferente: os sonhos e fantasias da infância. Não se trata de um filme de horror, embora tenha muitos elementos góticos, é uma história sobre pais e filhos e as sombras que podem alcançar as crianças de muito antes de seu nascimento. Um filme triste e sensível (alguns corações cínicos poderiam dizer "piegas") que merece ser conhecido sem os inevitáveis preconceitos provocados pelas imposições marketeiras impostas de fora pra dentro pela RKO. Nem Val Lewton e nem os diretores do ciclo tinham qualquer poder de decisão em relação aos títulos, que já eram determinados antes mesmo de qualquer roteiro ser escrito (situação que foi ironizada nos primeiros minutos da obra-prima "I Walked With a Zombie", onde a protagonista diz o título em voz alta e comenta "Estranho de se dizer, não?"). A ideia era facilitar a venda do filme e a captação de recursos usando títulos escalafobéticos, que pouco tinha a ver com os filmes em si, mas que funcionavam bem como chamarizes em tempos pré-marketing viral internético. Toda a história do cinema de horror até pelo menos meados dos anos 80 (e, de certo modo, mesmo hoje) é marcada por esse tipo de prática (vide os títulos exagerados de produtoras como a Hammer, Amicus, etc.). Parafraseando o velho ditado do "Nunca julgue um livro pela capa": "Nunca julgue um filme de horror pelo título". ;)
É preciso uma certa bagagem ou, ao menos, uma certa predisposição para se encantar com "A Mansão da Meia-Noite". Como cinema, analisado fria e criticamente, é um filme morno, simplório até, nada que vá mudar a vida de alguém que topasse com ele por acaso numa madrugada tediosa na TV a cabo ou entre as opções do Netflix. Para que o filme de Pete Walker tenha chance de funcionar é necessário, no mínimo, um espectador que não precise de legenda para reconhecer seus astros principais. Se você não tem ideia de quem eles são, é bem provável que o filme não vá te interessar muito também. Se você os reconhece, mas apenas por suas participações em Star Wars e filmes do Tim Burton, até pode rolar, mas fique avisado: "A Mansão da Meia Noite" não foi feito pra você, mas sim pra quem é (ou está disposto a se tornar) fã de verdade do velho e bom horror gótico old school.
Mais aqui: http://lordevelho.blogspot.com.br/2013/12/cavalheiros-do-horror.html
A poucos dias eu assisti a "Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras", segundo filme de uma nova franquia que procura modernizar o personagem no cinema. Como sempre, eu tentei gostar e até consegui mais ou menos. O filme é divertido, tem algumas boas sacadas e até que é acima da média (considerando a mediocridade geral do cinema popular que temos hoje). Só tem um problema: não tem nenhum Sherlock Holmes lá. Aliás, nem Watson, o que temos é uma dupla de heróis genéricos, idênticos (no comportamento, personalidades e ideologias) a quaisquer heróis de filmes de ação atuais. Dos personagens originais, não vi nem sombra, apenas os nomes.
Sempre houve tentativas de modernização de clássicos no cinema, isso não é de hoje, mas costumava-se ao menos tentar preservar aquilo que era essencial dos personagens e seus universos, não por se tratar de algo sagrado, mas porque se você mudar demais a essência você acaba ficando apenas com o nome e mais nada. O personagem se torna outro e, nesse caso, pra que manter o nome? Apenas para explorar uma marca? Melhor seria fazer como David Shore que, usando Holmes como uma inspiração, criou um personagem novo: House M.D. É mais honesto e mais criativo.
Depois de tantos anos sem aparecer no cinema ou na TV (a última versão havia sido um excelente seriado produzido pela TV inglesa nos anos 80) o número de pessoas mais jovens que nunca tinha ouvido falar de Sherlock Holmes aumentou bastante. Nenhum problema com isso, o problema é que se essas pessoas assistirem apenas aos dois filmes novos continuarão sem conhecer Holmes. Ele não está lá. Apenas um Robert Dowley Jr. atuando de forma idêntica ao Tony Stark de "Homem de Ferro" (que já é idêntico à maioria dos heróis atuais).
Eu não tenho nenhum problema com o modelo de herói de hoje, mas acho um grande desperdício quando esse modelo se torna único, homogêneo. Quando todas as novas versões de histórias clássicas jogam fora as idiossincrasias e particularidades de suas fontes originais e as formatam até que nada as diferencie do que nossa época já produz. Repito: pra que manter os nomes, então? Criemos personagens completamente novos, ainda que venham a ser releituras de antigos.
E tudo isso me leva ao brilhante "Assassinato por Decreto" (Murder by Decree, 1979). Assim como na nova franquia, esse filme inglês não é uma adaptação de nenhum texto específico de Arthur Conan Doyle. É uma história original que tenta imaginar como teria sido se Sherlock Holmes investigasse o maior "mistério de assassinato" da Inglaterra: Jack o Estripador. Uma idéia simples e até óbvia, mas executada com maestria, com um roteiro que consegue mesclar e preservar todos os elementos essenciais não apenas das histórias fictícias de Holmes e Watson como também da mitologia que se formou em torno do Estripador e suas inúmeras teorias de conspiração. Se o público de hoje se dispuser a ver esse filme, aí sim estará conhecendo Sherlock Holmes, seja pra adorar ou detestar, mas terá realmente conhecido Holmes e seu universo.
Portanto, super recomendo essa pequena pérola do cinema de entretenimento popular dos anos 70. Tão popular como qualquer blockbuster de hoje. Não apenas para conhecer Holmes, Watson e a Londres do Estripador, mas também sentir o quanto perdemos de lá para cá.
"Meu problema? Meu problema é esse lugar... esse lugar é meu túmulo e estou enterrado aqui... um homem jovem, um rei, um guerreiro, preso para sempre nesse corpo de um velho aleijado. E tudo o que eu preciso é de uma mulher, senhor Burton, uma mulher com olhos verdes de dragão que possa me tornar completo novamente, jovem novamente, para que eu possa governar o universo fora desse túmulo." (Lo-Pan)
O circo chega numa cidade infestada pela peste. Questionada a respeito, a cigana que os acompanha não hesita em responder: "Viemos para roubar as moedas dos olhos dos mortos".
E esse é apenas um dos inúmeros momentos brilhantes de "Vampire Circus", um filme que me surpreendeu de verdade. Mesmo sendo fã incondicional da Hammer Films, eu sempre adiava assistir por puro preconceito (em parte justificado pela péssima escolha da capinha do DVD da London Films: mal sabia que esse se tornaria meu filme favorito do estúdio, embora talvez seja injusto comparar, pois "Vampire Circus" é diferente demais dos outros filmes da Hammer. Ainda que eu ame praticamente todos, aprendi a esperar deles aquela sobriedade inglesa, um certo comedimento e contenção, deixando os delírios e propostas mais escandalosas para as produções italianas e francesas do mesmo período. "Vampire Circus", entretanto, é extravagante, atmosférico, absurdo, carregado com uma sensualidade exuberante que eu nunca tinha visto num filme da Hammer, nem mesmo na trilogia Karnstein e demais produções do ciclo dito como mais "apelativo e decadente" do estúdio nos anos 70. Os vampiros do circo assombrado são, ao mesmo tempo, apaixonantes e perturbadores (o que é a cena da mulher-tigre? Morri!), as cenas envolvendo ataques à crianças assustam e angustiam com sua forte insinuação de pedofilia. O roteiro injeta uma bem vinda ambiguidade nos personagens, onde tanto "vilões" quanto "heróis" alternam-se em momentos de calorosa simpatia e imperdoável malignidade (somente na, já citada, trilogia Karnstein, especialmente em "Twins of Evil", a Hammer ousou ser tão moralmente ambígua). A fotografia e direção são deslumbrantes, repletas de soluções cênicas estranhas e adoráveis (a sala de espelhos, os vôos do casal de gêmeos acróbatas, só pra citar algumas). Datado? Sem dúvida, ainda mais com o divertidíssimo visual glam rock do conde Mitterhaus, porém, por mais que pareça cômico hoje em dia, até isso contribui para a atmosfera exótica do filme e, como todo bom cinéfilo sabe, os filmes só são datados pra quem se deixou prender numa única época e numa única lógica/estética cinematográfica. Para quem se permite derivar, a "pegada" setentista é puro deleite.
Dica: o DVD está fora de catálogo a muito tempo, mas essa pérola pode ser achada na net com qualidade de bluray nos torrents da vida. Vale a pena ;)
Um dos exemplos de como os remakes feitos nos anos 80 (que, embora razoavelmente frequentes, nunca chegaram nem perto de metade dos lançamentos, como acontece hoje) tinham ambições artísticas muito maiores do que a mera administração de franquias. Refilmagem do clássico "Sangue de Pantera" (Cat People, de 1942), o filme tem apenas o ponto de partida do original, toda a sua trama, desenvolvimento, objetivos e estética são diferentes, resultando numa obra marcante e com identidade própria, sendo considerado hoje, se não clássico, com certeza cult. Vale uma sessão dupla, de fato, pois as duas visões se complementam e dialogam. Pessoalmente, é um filme que marcou a minha juventude e meus primeiros passos na compreensão que separa o dito "filme de terror" do conceito de "cinema fantástico". Madrugadas de TV estranhas, sinistras e apaixonantes...
Gente, fiquei meio confuso em relação ao número de episódios: o IMDB diz que são três, mas a maioria dos packs de legendas e torrents lista apenas dois, cada um com uma hora e meia. Deduzi que originalmente eram três episódios de uma hora que depois foram remontados pra dois. É isso mesmo?
O que dizer de um filme no qual um cirurgião, ao descobrir que o cérebro de um cadáver está "liso", deduz que sua memória foi drenada? Ou uma gota de sangue do olho de uma criatura pré-história revela gravuras de dinossauros ao ser vista no microscópio? É de rolar de rir!
Christopher Lee e Peter Cushing parecem estar se divertindo pra valer interpretando paleontólogos britânicos rivais ("Não somos monstros, somos ingleses!") e Telly Savalas arrasa como o cossaco demente. E não é que com tudo isso ainda consegue ter algumas cenas genuinamente sinistras e arrepiantes que deixam muito terrorzinho americano moderno no chinelo? Obra prima às avessas! =)
Pra quem quer saber mais, esse blog acaba de soltar um artigo nostalgico e bem bacana:
Mystery and Imagination
4.0 1(...) E que série deliciosa ela era!😍 As temporadas finais, de 1968 e 1970, (...) somam nada menos que seis notáveis adaptações de clássicos da literatura gótica em longa metragem, indo desde o Frankenstein com o Ian Holm fazendo ambos os papéis, do doutor e do monstro, até A Jóia das Sete Estrelas, do Bram Stoker (adaptado como Curse of the Mummy, e um elenco tarimbado de figurinhas da Hammer Films), passando pelo Clube do Suicídio, de Robert Louis Stevenson, Uncle Sylas, de Sheridan Le Fanu, e uma releitura incrivelmente sombria de Sweeney Todd, que muito pouco lembra aquele musical macabro, mas, acima de tudo, divertido, do Tim Burton. Mas o maior destaque, pra mim, ao lado do Drácula, é mesmo a adaptação livre, de 1966, de A Queda da Casa de Usher. Um dos dois únicos segmentos da primeira fase da série a sobreviver às inacreditáveis políticas de "reaproveitamento de fita" das redes de televisão britânicas nos anos 60 (o outro sendo o fidelíssimo A Porta Aberta, de Margaret Oliphant). E isso porque Susannah York torna a quase invisível Madeleine Usher, do conto, a legítima protagonista da história, num desempenho tão febril e alucinante que, de certa forma, parece antecipar, e mesmo se harmonizar, com a espevitadíssima Lucy de Susan George. Impressão reforçada por também contar com Denholm Elliot como seu vampiresco e, claro, incestuoso irmão Roderick, numa mudança de foco bastante bem vinda em relação ao original de Poe, sempre com suas mulheres etéreas, idealizadas e, no limite, ausentes, fazendo dessa versão um caso praticamente único dentre todas as adaptações. (...)
Artigo completo: "Mistério e Imaginação: o Drácula de 1968" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2025/07/mystery-and-imagination.html
A Máscara de Satã
3.8 94 Assista Agora(...) O chiaroscuro cinematográfico de Mario Bava é algo que ainda assombra, raramente foi igualado nesses últimos 60 anos. Pouco importa se o enredo, vagamente inspirado em Viy de Nikolay Gogol, poderia ser taxado de clichê, mesmo então. Ninguém se pergunta sobre originalidade quando está tendo um pesadelo e é isso que Bava se propõe a filmar. O gótico não como (mais) um meio de contar uma história, mas como o processo de criação de um mundo, de um estado de espírito, uma atmosfera muito mais sinistra e perturbadora do que a própria Hammer Films estava disposta a ser na época. Um conto de fadas macabro no qual Barbara Steele poderia ser tanto a princesa encantada quanto a bruxa malvada, e escancarar quão intercambiáveis tais papéis poderiam ser. (...)
Artigo completo: "(Re)Assistindo: Os Góticos Italianos de Barbara Steele" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2023/08/Barbara-Steele.html
Drácula no Mundo da Minissaia
3.2 52(...) É claro que é fácil se deixar levar pelos defeitos mais óbvios de Dracula A.D. 1972. Ele erra feio o alvo pretendido pelo estúdio, é caricato, é cafona (isso é defeito?🤔), e, em grande medida, faz propaganda enganosa, já que Drácula nunca interage realmente com a Londres do século XX (algo que espelha as próprias reticências de Lee para com a ambientação contemporânea, mas quando é que o tio deixou de implicar com alguma coisa?). O lance é que muito do que o filme entrega, tem real impacto. Lee não sai daquela igreja profanada, ok, mas tudo o que ele faz lá dentro é, no mínimo, poderoso. Desde Dracula, Prince of Darkness não o vemos tão demoníaco. Tão legitimamente assustador. Caroline Munro adorava dizer que entrou em pânico de verdade no set. "Ele apareceu, com aquele rosto branco, tão alto, aqueles olhos negros, e avançou na minha direção. Eu juro, não precisei atuar. No que me diz respeito, minhas reações eram reais. Eu estava sendo mordida pelo Drácula!" Exagero (ou fantasia?😜) de uma atriz que sempre pareceu meio ingênua nas entrevistas? Pode ser. Mas o lance é que, quando nós vemos a cena, a gente realmente acredita!😉 (...)
Artigo completo: "As "Franquias" da Hammer Films: Conde Drácula" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2019/01/as-franquias-da-hammer-films-conde.html
O Fantasma da Ópera
3.5 11(...) é de se admirar que o meu primeiro contato com o Fantasma da Ópera, tenha sido justamente pela versão televisiva de 1983 (...), um curioso ponto fora da curva nessa tradição torta das adaptações do clássico de Gaston Leroux. Não no que se refere ao enredo. (...) Mas sim no caráter. Essa é uma versão que nunca esquece, e nem nos deixa esquecer, que as ações de Erik (ou, no caso, Sándor Korvin) são assustadores e doentias em princípio, independente das tragédias que o vitimaram, ou do quanto ele se considera justificado. É um filme sujo, escuro, pesado, sem nada daquela grandiloquência em tecnicolor que tanto caracterizou as adaptações do fantasma dos anos 40 até aquele momento (...). Acima de tudo, Robert Markowitz, e o roteirista Sherman Yellen, resgatam aquela qualidade de Grand Guignol, presente tanto no romance de Leroux, quando na versão de Lon Chaney em 1925. Esse não é um romance gótico, nem mesmo um melodrama mórbido. É um filme de horror! E isso faz toda a diferença. (...)
Artigo completo: "Resgatando o caráter do Fantasma da Ópera" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2025/01/The-Phantom-of-the-Opera-1983.html
As Filhas de Drácula
3.1 22 Assista Agora(...) E que imagem poderia ser mais emblemática do que as duas se comendo lindamente numa cama empapada de sangue, enquanto um pobre diabo exangue ao lado delas mal consegue se mexer, quanto mais "entrar no meio" das duas? Poderia haver deboche mais perfeito para a mais manjada das fantasias masculinas? (...)
Artigo completo: "Por entre as fendas das Vampyres..." no blog Reminiscências de um Lorde Velho: lordevelho.blogspot.com/2025/07/vampyres.html
O Medo do Infinito
2.9 5(...) É de se pensar o quão ambivalente foi a febre de bruxaria e ocultismo que se espalhou pela cultura pop no final dos anos 60 e boa parte dos 70. Por mais que filmes, livros e quadrinhos pipocassem por todos os lados, e o período tenha sido (como eu gosto de chamar) a era de ouro dos telefilmes de horror na TV americana e britânica, quase todas as tentativas de se criar um seriado sobre um detetive do oculto que explorasse essas temáticas numa base semanal acabou não passando do episódio piloto.🤔 (...) Fear no Evil, de 1969, e Ritual of Evil, de 1970, são, sem dúvida, os melhores pilotos que surgiram dessa safra. Bem escritos, bem atuados, lindamente fotografados, e com um nível de refinamento raro de se ver na televisão da época, especialmente em produções mais voltadas ao horror e à fantasia. (...)
Artigo completo: "Bedeviled: Os Casos do Dr. David Sorell, Psicólogo do Oculto" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2025/02/Bedeviled.html
Histórias Extraordinárias
3.6 56 Assista Agora(...) A melhor forma de descrever a transição entre o final de William Wilson e o começo de Toby Dammit é como uma porrada sensorial. Nos dois primeiros segmentos, temos uma paleta de cores e uma estética razoavelmente similares, um tom mais sóbrio, um ritmo mais suave. Toby Dammit é uma explosão! De cor. De contraste. Cacofonias. Vertigens e sobreposições. Você cai, literalmente, numa Roma de sonho, fervilhante de criaturas estranhas e grotescas. Sons, movimentos, fluxos, ritmos. A sensação é de estar chapado. Chapado como o Terence Stamp, se deixando tragar por um pesadelo surrealista, que não é nada mais do que a vida em si. E de uma obra menor, que Poe escreveu abertamente numa vibe de deboche, Fellini nos entrega uma obra prima, que não guarda mais do que uma semelhança marginal com o enredo do conto, e fecha Histórias Extraordinárias numa nota dissonante que quase o torna outro filme, mil vezes mais intenso e perturbador que tudo que havíamos visto até então. (...)
Artigo completo: "Infidelidades Extraordinárias: O Edgar Allan Poe de Roger Vadim, Louis Malle e Federico Fellini" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2025/04/Histoires-Extraordinaires.html
Os Que Chegam Com a Noite
3.4 42(...) uma vez que nos desvencilhamos da expectativa de um prequel de A Volta do Parafuso, o que temos é uma história sobre o desejo e suas contradições. The Nightcomers é uma história de "amor" torta e "errada" (ou você pode chamar de "dark romance" se te parecer mais descolado😜). Algo que já era de se esperar, dado o (pouco) que sabemos sobre o casal de futuros fantasmas imaginado por Henry James, mas a contribuição de Michael Winner (bem de acordo com o seu baixo nível de sutileza) é explicitar o sadomasoquismo dessa relação. Um "jogo" passional e caliente, que se equilibra de forma tênue (e incômoda) num limiar entre o abusivo e o consensual (bem mais difícil de demarcar do que sonham as nossas vãs sinalizações de virtude na internet), sempre a um passo de escapar do controle e botar abaixo aquela mansão burguesa, e toda a sua frágil estrutura de organização "para-familiar". Um veículo e tanto para um Marlon Brando já meio "cheinho" e decadente, que apenas um ano depois iria virar o jogo com O Poderoso Chefão e O Último Tango em Paris. O bastante pra que o (esperado) fracasso comercial do filme de Winner fosse discretamente varrido pra debaixo do tapete (raramente o mencionam nas biografias do astro), caindo na relativa obscuridade das obras cult. (...)
Artigo completo: "Dando a Primeira Volta do Parafuso" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2025/01/The-Nightcomers.html
A Sombra Do Gato
3.2 12(...) Pode reparar, via de regra, o gato "maligno" nos filmes de horror é sempre o resultado de uma má ação de um ser humano. A sua "maldade" não vem de graça. Não é resultado de uma suposta "natureza maligna felina". Os gatos dos filmes de horror tendem a ser retratados como os arautos da retribuição. Eles se vingam. Pelos seus donos, por si mesmos, pela injustiça sofrida direta ou indiretamente. (...)
Artigo completo: "Se te arranhou é porque tu mereceu: Os Gatos no Cinema de Horror😸" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2025/04/gatos.html
Cat Girl
2.8 1(...) no fim, é isso o que mais mantém Cat Girl próximo da essência do Cat People original, para além das ocasionais sequências criadas com a intenção explícita de remeter ao clássico, ou mesmo o cuidado de se preservar uma certa ambiguidade sobre a real natureza da maldição (ao menos na versão britânica, que é mais longa, e não tem os infames frames desfocados da máscara de gato que a AIP exigiu nas cópias americanas). Assim como Lewton, Shaughnessy deixa bem clara a sua cumplicidade para com os "desviantes", sem nunca se permitir cair na condescendência (que nada mais é que outra forma, mais sutil e politicamente bem aceita, de violência). Uma certa "simpatia pelo demônio" que se torna ainda mais fundamental num filme que se propõe a ser uma releitura tão ostensivamente gótica (quase até a caricatura) dos conceitos da obra-prima de Val Lewton e Jacques Tourneur. (...)
Artigo completo: "O Elo Perdido Britânico na Linhagem do Povo Gato" no Reminiscências de um Lorde Velho: https://lordevelho.blogspot.com/2025/02/cat-girl.html
Corrente do Mal
3.2 1,8K Assista AgoraDesde que Halloween estreou em 1979 trocentos cineastas tentaram se inspirar na obra-prima cult de John Carpenter e levar sua essência um passo adiante. O problema é que quase ninguém sacou qual era de fato essa essência. Não era o lance do psicopata imortal atacando adolescentes, isso era só o pretexto, nada mais que uma ferramenta que, ao ser usada sem critério, não gerou mais do que imitações sem alma, marcando negativamente boa parte do cinema de horror dos anos 80. A essência mesmo era o estabelecimento de um jogo cênico no qual a tela inteira se torna uma ameaça em potencial, o extracampo em si uma fonte permanente de apreensão, cada canto da imagem, cada movimento de câmera, cada figurante ou elemento da mise en scène são assustadores por princípio. A fonte do mal sequer importa de fato, por isso não precisa (e nem deve) ser explicada, podendo ficar ao sabor das especulações que são prerrogativa do público... o que importa mesmo é o jogo. Isso é "It Follows", de David Robert Mitchell, um dos filmes de horror mais inteligentes e genuinamente assustadores dos últimos anos, e que não deixa de render evidentes tributos ao mestre Carpenter, tanto na trilha sonora como nas citações super explícitas a Halloween. Some-se a isso um elenco jovem hiper simpático (do tipo que você torce pra que vençam, não que morram logo) e temos uma pequena jóia a se conhecer e saborear:
Twin Peaks (2ª Temporada)
4.1 310Pistas, Sonhos e (Auto) Ilusões - Uma Defesa do Último Episódio de "Twin Peaks"
(Artigo lotado de spoilers, nem clique no link abaixo se não tiver visto Twin Peaks até o final)
"Queria finalmente fazer por escrito a minha defesa do último episódio da segunda temporada de Twin Peaks como, sim, o final da série. Não um final em aberto fruto de um cancelamento, mas sim como um desfecho definitivo, digno, coerente e, na minha sincera opinião, perfeito para essa série que transformou os paradigmas das séries de TV. Digo mais: independente do que vier a acontecer na nova série prevista para 2016, não alterará o status do "Episódio 29" como o melhor final que Twin Peaks poderia ter tido."
http://lordevelho.blogspot.com.br/2015/03/pistas-sonhos-e-auto-ilusoes-uma-defesa.html
O Babadook
3.5 2,0K Assista AgoraThe Babadook é um filme de horror que só poderia ter sido realizado por mulheres. Explora medos intrínsecos a experiências às quais apenas mulheres se vêem submetidas, tanto no sentido biológico quanto no de lugar social. Não por acaso, boa parte do público masculino não está sacando muito bem do que se trata realmente essa produção australiana, por vezes comprometendo uma avaliação crítica. As resenhas em geral falam do livro infantil amaldiçoado, da criatura tipo bicho-papão que espreita no escuro, da criança em perigo e tecem comparações com outros filmes e autores que lidam com "horror para crianças", como Neil Gaiman e Guilermo Del Toro. Esses elementos fazem parte da mistura, com certeza, mas não são o foco, nem os protagonistas. Ironicamente, foi Gaiman que escreveu no clássico conto "Histórias na Areia", em Sandman #09, que "Há histórias que as mulheres contam umas as outras, em uma língua própria que nunca é ensinada aos meninos e que os homens mais velhos são sábios demais para aprender."
The Babadook é uma dessas histórias de mulheres, narrada numa mídia em que quase todos os contadores de histórias são homens. Escrito e dirigido por Jennifer Kent (sua estréia na direção de longas), aborda um tipo de horror que nós meninos podemos até intuir, tentar imaginar, mas jamais compreender: o horror da maternidade. Soa terrível para quem (ainda) acredita no mito do amor incondicional materno ou na balela de que uma mulher só se realiza sendo mãe, e talvez isso explique porque tanta gente tem rejeitado o filme, exorcizando a própria perturbação com críticas negativas, mas mesmo esses não tem como negar a coragem da diretora e da atriz Essie Davis (da excelente série Miss Fisher's Murder Mysteries) em abraçarem um tema tão tabu.
Artigo completo em: https://lordevelho.blogspot.com/2014/11/the-babadook-o-horror-da-ser-mae.html
Penny Dreadful (1ª Temporada)
4.3 1,0K Assista Agora"(...) Pra começo de conversa é uma delícia ver o horror gótico tratado com seriedade e dignidade, sem a menor sombra de humor, a não ser o mais negro (aquele que só causa risos nervosos, se é que me entendem). Nada contra as abordagens mais "irreverentes", eu mesmo admito que me diverti acompanhando True Blood durante esses sete anos, também achei as primeiras temporadas de Supernatural bacaninhas como diversão bocó e morro de rir com o cinismo descarado de American Horror Story e seu nonsense gore over do over... mas, até por esses exemplos, é possível perceber que o mercado está saturado de "terror metido a engraçadinho", ao menos no que se refere ao registro do fantástico (apenas as séries de horror realistas, com seus psicopatas, parecem se levar a sério). Assim, é um deslumbre ver que Penny Dreadful não é um pretexto para uma variação "descoladinha" dos personagens da literatura gótica clássica. Ao contrário, Logan e seus colaboradores parecem de fato compreender algo que o cinema e mesmo a literatura de horror atuais, derivados de tantas tentativas de modernização do gênero, parecem ter esquecido ou ao menos perdido a perspectiva: "dar medo" não é o objetivo primordial do horror (muito menos "dar sustos", obsessão do cinema pipoca americano, como o termo scary movie deixa evidente). "Dar medo" é algo muito vago, muito relativo. Algumas pessoas dizem que um filme de horror é ruim porque "não deu medo" enquanto outras, vendo o mesmo filme, dizem nunca ter sentido tanto medo na vida. Não, "dar medo" é apenas um dos elementos que compõem o coquetel de temas e emoções que o horror explora. O verdadeiro coração do gótico é a melancolia. A angústia perante os mistérios da vida e da morte, da existência ou não de algo além, da condição humana, enfim, encarada em seus aspectos mais sombrios. As matérias primas do horror são a culpa, o arrependimento, o pesar, a carência, a maldade, os sentimentos ruins que machucam, os venenos do espírito. Daí emergem os fantasmas, demônios, vampiros... e, em consequência, o medo. Não o medo dos monstros em si, mas daquilo que representam: o memento mori. O gótico é um coração partido. (...)"
http://lordevelho.blogspot.com.br/2014/09/penny-dreadful-redescobrindo-o-horror.html
Guerreiros da Atlântida
3.2 14DUVIDO que exista alguém que não pulou do sofá de susto numa determinada cena que quem assistiu sabe muito bem qual é. ;)
A Maldição do Sangue da Pantera
3.5 22"A Maldição do Sangue de Pantera" é o mais subestimado dos filmes produzidos por Val Lewton para o lendário ciclo de horror da RKO nos anos 40. Embora seja, de fato, uma continuação de "Sangue de Pantera" (tem os mesmos personagens e prossegue com suas trajetórias) não dá continuidade ao tema já devidamente fechado do original, ao invés disso usa os personagens já conhecidos pra trabalhar uma temática completamente diferente: os sonhos e fantasias da infância. Não se trata de um filme de horror, embora tenha muitos elementos góticos, é uma história sobre pais e filhos e as sombras que podem alcançar as crianças de muito antes de seu nascimento. Um filme triste e sensível (alguns corações cínicos poderiam dizer "piegas") que merece ser conhecido sem os inevitáveis preconceitos provocados pelas imposições marketeiras impostas de fora pra dentro pela RKO. Nem Val Lewton e nem os diretores do ciclo tinham qualquer poder de decisão em relação aos títulos, que já eram determinados antes mesmo de qualquer roteiro ser escrito (situação que foi ironizada nos primeiros minutos da obra-prima "I Walked With a Zombie", onde a protagonista diz o título em voz alta e comenta "Estranho de se dizer, não?"). A ideia era facilitar a venda do filme e a captação de recursos usando títulos escalafobéticos, que pouco tinha a ver com os filmes em si, mas que funcionavam bem como chamarizes em tempos pré-marketing viral internético. Toda a história do cinema de horror até pelo menos meados dos anos 80 (e, de certo modo, mesmo hoje) é marcada por esse tipo de prática (vide os títulos exagerados de produtoras como a Hammer, Amicus, etc.). Parafraseando o velho ditado do "Nunca julgue um livro pela capa": "Nunca julgue um filme de horror pelo título". ;)
A Mansão da Meia-noite
3.7 48 Assista AgoraÉ preciso uma certa bagagem ou, ao menos, uma certa predisposição para se encantar com "A Mansão da Meia-Noite". Como cinema, analisado fria e criticamente, é um filme morno, simplório até, nada que vá mudar a vida de alguém que topasse com ele por acaso numa madrugada tediosa na TV a cabo ou entre as opções do Netflix. Para que o filme de Pete Walker tenha chance de funcionar é necessário, no mínimo, um espectador que não precise de legenda para reconhecer seus astros principais. Se você não tem ideia de quem eles são, é bem provável que o filme não vá te interessar muito também. Se você os reconhece, mas apenas por suas participações em Star Wars e filmes do Tim Burton, até pode rolar, mas fique avisado: "A Mansão da Meia Noite" não foi feito pra você, mas sim pra quem é (ou está disposto a se tornar) fã de verdade do velho e bom horror gótico old school.
Mais aqui: http://lordevelho.blogspot.com.br/2013/12/cavalheiros-do-horror.html
Assassinato por Decreto
3.7 10A poucos dias eu assisti a "Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras", segundo filme de uma nova franquia que procura modernizar o personagem no cinema. Como sempre, eu tentei gostar e até consegui mais ou menos. O filme é divertido, tem algumas boas sacadas e até que é acima da média (considerando a mediocridade geral do cinema popular que temos hoje). Só tem um problema: não tem nenhum Sherlock Holmes lá. Aliás, nem Watson, o que temos é uma dupla de heróis genéricos, idênticos (no comportamento, personalidades e ideologias) a quaisquer heróis de filmes de ação atuais. Dos personagens originais, não vi nem sombra, apenas os nomes.
Sempre houve tentativas de modernização de clássicos no cinema, isso não é de hoje, mas costumava-se ao menos tentar preservar aquilo que era essencial dos personagens e seus universos, não por se tratar de algo sagrado, mas porque se você mudar demais a essência você acaba ficando apenas com o nome e mais nada. O personagem se torna outro e, nesse caso, pra que manter o nome? Apenas para explorar uma marca? Melhor seria fazer como David Shore que, usando Holmes como uma inspiração, criou um personagem novo: House M.D. É mais honesto e mais criativo.
Depois de tantos anos sem aparecer no cinema ou na TV (a última versão havia sido um excelente seriado produzido pela TV inglesa nos anos 80) o número de pessoas mais jovens que nunca tinha ouvido falar de Sherlock Holmes aumentou bastante. Nenhum problema com isso, o problema é que se essas pessoas assistirem apenas aos dois filmes novos continuarão sem conhecer Holmes. Ele não está lá. Apenas um Robert Dowley Jr. atuando de forma idêntica ao Tony Stark de "Homem de Ferro" (que já é idêntico à maioria dos heróis atuais).
Eu não tenho nenhum problema com o modelo de herói de hoje, mas acho um grande desperdício quando esse modelo se torna único, homogêneo. Quando todas as novas versões de histórias clássicas jogam fora as idiossincrasias e particularidades de suas fontes originais e as formatam até que nada as diferencie do que nossa época já produz. Repito: pra que manter os nomes, então? Criemos personagens completamente novos, ainda que venham a ser releituras de antigos.
E tudo isso me leva ao brilhante "Assassinato por Decreto" (Murder by Decree, 1979). Assim como na nova franquia, esse filme inglês não é uma adaptação de nenhum texto específico de Arthur Conan Doyle. É uma história original que tenta imaginar como teria sido se Sherlock Holmes investigasse o maior "mistério de assassinato" da Inglaterra: Jack o Estripador. Uma idéia simples e até óbvia, mas executada com maestria, com um roteiro que consegue mesclar e preservar todos os elementos essenciais não apenas das histórias fictícias de Holmes e Watson como também da mitologia que se formou em torno do Estripador e suas inúmeras teorias de conspiração. Se o público de hoje se dispuser a ver esse filme, aí sim estará conhecendo Sherlock Holmes, seja pra adorar ou detestar, mas terá realmente conhecido Holmes e seu universo.
Portanto, super recomendo essa pequena pérola do cinema de entretenimento popular dos anos 70. Tão popular como qualquer blockbuster de hoje. Não apenas para conhecer Holmes, Watson e a Londres do Estripador, mas também sentir o quanto perdemos de lá para cá.
Os Aventureiros do Bairro Proibido
3.7 592 Assista Agora"Meu problema? Meu problema é esse lugar... esse lugar é meu túmulo e estou enterrado aqui... um homem jovem, um rei, um guerreiro, preso para sempre nesse corpo de um velho aleijado. E tudo o que eu preciso é de uma mulher, senhor Burton, uma mulher com olhos verdes de dragão que possa me tornar completo novamente, jovem novamente, para que eu possa governar o universo fora desse túmulo." (Lo-Pan)
O Vampiro e a Cigana
3.0 30 Assista AgoraO circo chega numa cidade infestada pela peste. Questionada a respeito, a cigana que os acompanha não hesita em responder: "Viemos para roubar as moedas dos olhos dos mortos".
E esse é apenas um dos inúmeros momentos brilhantes de "Vampire Circus", um filme que me surpreendeu de verdade. Mesmo sendo fã incondicional da Hammer Films, eu sempre adiava assistir por puro preconceito (em parte justificado pela péssima escolha da capinha do DVD da London Films: mal sabia que esse se tornaria meu filme favorito do estúdio, embora talvez seja injusto comparar, pois "Vampire Circus" é diferente demais dos outros filmes da Hammer. Ainda que eu ame praticamente todos, aprendi a esperar deles aquela sobriedade inglesa, um certo comedimento e contenção, deixando os delírios e propostas mais escandalosas para as produções italianas e francesas do mesmo período. "Vampire Circus", entretanto, é extravagante, atmosférico, absurdo, carregado com uma sensualidade exuberante que eu nunca tinha visto num filme da Hammer, nem mesmo na trilogia Karnstein e demais produções do ciclo dito como mais "apelativo e decadente" do estúdio nos anos 70. Os vampiros do circo assombrado são, ao mesmo tempo, apaixonantes e perturbadores (o que é a cena da mulher-tigre? Morri!), as cenas envolvendo ataques à crianças assustam e angustiam com sua forte insinuação de pedofilia. O roteiro injeta uma bem vinda ambiguidade nos personagens, onde tanto "vilões" quanto "heróis" alternam-se em momentos de calorosa simpatia e imperdoável malignidade (somente na, já citada, trilogia Karnstein, especialmente em "Twins of Evil", a Hammer ousou ser tão moralmente ambígua). A fotografia e direção são deslumbrantes, repletas de soluções cênicas estranhas e adoráveis (a sala de espelhos, os vôos do casal de gêmeos acróbatas, só pra citar algumas). Datado? Sem dúvida, ainda mais com o divertidíssimo visual glam rock do conde Mitterhaus, porém, por mais que pareça cômico hoje em dia, até isso contribui para a atmosfera exótica do filme e, como todo bom cinéfilo sabe, os filmes só são datados pra quem se deixou prender numa única época e numa única lógica/estética cinematográfica. Para quem se permite derivar, a "pegada" setentista é puro deleite.
Dica: o DVD está fora de catálogo a muito tempo, mas essa pérola pode ser achada na net com qualidade de bluray nos torrents da vida. Vale a pena ;)
Lovecraft: Medo do Desconhecido
4.0 27 Assista AgoraSurgiu uma legenda em português ;)
A Marca da Pantera
3.3 149Um dos exemplos de como os remakes feitos nos anos 80 (que, embora razoavelmente frequentes, nunca chegaram nem perto de metade dos lançamentos, como acontece hoje) tinham ambições artísticas muito maiores do que a mera administração de franquias. Refilmagem do clássico "Sangue de Pantera" (Cat People, de 1942), o filme tem apenas o ponto de partida do original, toda a sua trama, desenvolvimento, objetivos e estética são diferentes, resultando numa obra marcante e com identidade própria, sendo considerado hoje, se não clássico, com certeza cult. Vale uma sessão dupla, de fato, pois as duas visões se complementam e dialogam. Pessoalmente, é um filme que marcou a minha juventude e meus primeiros passos na compreensão que separa o dito "filme de terror" do conceito de "cinema fantástico". Madrugadas de TV estranhas, sinistras e apaixonantes...
Falsas Aparências
4.3 192Gente, fiquei meio confuso em relação ao número de episódios: o IMDB diz que são três, mas a maioria dos packs de legendas e torrents lista apenas dois, cada um com uma hora e meia. Deduzi que originalmente eram três episódios de uma hora que depois foram remontados pra dois. É isso mesmo?
Expresso do Horror
3.5 87 Assista AgoraSem dúvida meu filme ruim favorito, Horror Express (O Expresso do Horror) é irresistível! Todos os seus defeitos são originais e divertidíssimos.
O que dizer de um filme no qual um cirurgião, ao descobrir que o cérebro de um cadáver está "liso", deduz que sua memória foi drenada? Ou uma gota de sangue do olho de uma criatura pré-história revela gravuras de dinossauros ao ser vista no microscópio? É de rolar de rir!
Pra quem quer saber mais, esse blog acaba de soltar um artigo nostalgico e bem bacana: