Dos trabalhos que vi do diretor, tem o tom cômico que mais funcionou comigo. É cheio de nuances e regionalidades que compõem a atmosfera simples e provinciana da trama. Elenco espetacular e história redondinha.
Como pode alguém ser tão carismático quanto Clint Eastwood? Como pode esse senhor ser tão sensível? A Hillary Swank também não fica pra trás. Mas a condução do veinho é digna dos seus melhores trabalhos.
Não sei porque, mas eu tava esperando algo mais brando, até cômico. Mas fui surpreendido positivamente por um filme bastante sombrio, de uma sensação de perigo ascendente e acontecimentos trágicos que têm peso. Premissa simples, executada com maestria.
Não gosto de como a fé e seus desdobramentos são abordados aqui, nem parece que é do mesmo diretor de "A Última Tentação de Cristo" (1988). Além disso, qual a dificuldade de colocar falantes de português no filme? Fica ridículo.
A única maneira de expressar emoções que Anora conhece é o sexo e tudo o que o envolve. Seja felicidade nos primeiros momentos de casado com Ivan; seja raiva/deboche da rival da boate quando dá um beijo nela; ao se sentir inferiorizada, e de certa forma até ofendida quando Igor diz que a não estupraria; até a cena final quando ao eclodir todo o vazio e iniquidade que fazem parte da sua vida, ainda mais nas últimas semanas, sentimentos como exaustão, tristeza, e por que não a tomada de consciência de suas limitações emotivas, culminam naquele coito desajeitado, interminado, sem razão de ser daquela maneira, naquela hora. Acho corajosa a escolha de fazer comicidade de algumas situações nas quais até o próprio espectador se pergunta se deveria achar graça. Não é engraçado, é melancolia pura, inserido na sociedade de castas que o capitalismo proporciona.
É um comovente drama familiar, comprei logo de cara a ideia da família perfeita destruída por uma atrocidade, mas eu acho que o filme tem um pudor injustificável em se assumir melodramático. Há cenas impactantes, carregadíssimas emocionalmente, como a despedida resignada e assustadoramente branda do pai, a explosão de raiva da protagonista com os perseguidores no carro, a cena da sorveteria e o desfecho com Eunice já idosa. Como drama político acho que derrapa, falta coragem no discernimento das forças atuantes na ditadura. Fernanda Torres está magistral, não tem muito o que falar de sua atuação, apenas reverenciar. E o carisma que Selton Mello exala é contagiante.
Já ouvi muita gente dizer que o tempo é especialmente cruel com as mulheres no que diz respeito á aparência, e naturalizar isso. Aqui fica patente, os homens velhos e carcomidos não perdem seus lugares de poder (não apenas no trabalho) , e ás mulheres é imperativo ou o ostracismo, ou tentativas irracionais e nocivas de barrarem os efeitos do tempo. Não que isso seja por si só condenável, perniciosos são os motivos, as pressões que as impelem a tais atitudes. A síntese é quando a personagem diz: eu me odeio. Se odeia apenas por ter envelhecido, se odeia não porque condena suas próprias atitudes, mas porque o meio em que está inserida a vê como o monstro, ainda que diga: ainda sou eu mesma.
Incrível como a diretora conseguiu exprimir todo o sentimento (ou a falta do que sentir) de Macabea de maneira tão simples, tão angustiante, tão bonita. Exemplo claro de como o simples pode ser profundo.
Comprei rapidamente a ideia do filme, mas a falta de um terror mais direto acabou me cansando. Acho que estou com preguiça desse tipo de horror de trauma. A Marjorie Estiano é uma coisa muito séria, magnética.
Que saudade que eu tava de um terror que não tem medo de ser terror. O objetivo é causar medo e assustar, e o filme o alcança. O uso das fotografias é de arrepiar. Eu não lembrava, mas já havia assistido ao remake de 2008, pois lá pelas tantas já tava ligado no desfecho, justamente as 2 cenas mais marcantes do segmento final, que são simplesmente tétricas.
O filme não tem coragem nem de sustentar a própria crítica, que por sinal é bem rasteira. A premissa é interessante, o foco da sátira é algo atual e a escolha do tom cômico parece ser acertada. Mas quase nunca é engraçado, o inimigo como sempre é abstrato, escolhas políticas não interferem nos rumos da vida humana... enfim, Mark Fisher resume: é mais fácil imaginar o fim do mundo que o fim do capitalismo.
Qual o objetivo do trabalho? Sob o capitalismo: apenas sobreviver. Não há tempo sequer para se pensar sobre os desejos, as realizações, que dirá os recursos materiais necessários. Nesse contexto, a população envelhece e percebe os frutos de uma vida inteira dedicada ao trabalho e a sobrevivência mínima, contando no máximo com algumas possibilidades de consumo supérfluo que traz uma alegria rapidamente extinta. O idoso se torna um fardo nessa população, tanto financeiro como emocional. O que nos espera na velhice? Teremos escolha? Sabemos o que queremos fazer até o fim de nossos dias?
Gosto de como as questões sociais são abordadas aqui, com o que talvez sejam os personagens mais complexos e não idealizados da filmografia do diretor.
Uma bela homenagem de Tarantino ao gênero, com todos os clichês que se espera de um faroeste, filmados da maneira cartunesca comum ao diretor. É sempre muito desafiador adequar cenas tão perturbadoras de um tema tão sensível e complexo com o tom muitas vezes cômico que o filme adota, não tenho uma opinião formada sobre, mas, pelo menos, é obviamente satisfatório ver os escravagistas se foderem. Dito isso, o que mais me chamou atenção foi o quarteto principal do filme, Jamie Foxx, Leonardo DiCaprio, Christopher Waltz e Samuel L. Jackson estão formidáveis.
Sou apaixonado por Bad Boy Bubby (1993), que foi claramente inspirado nesse aqui. O primeiro é muito mais melodramático e explora melhor a vida em cativeiro. Esse é mais sensível e busca em um maior grau entender a assimilação de Kaspar na sociedade e vice-versa. Algo que o diretor já havia ensaiado no documentário Terra do Silêncio e da Escuridão (1971). A cena dele chorando com o bebê é muito emocionante.
Apesar de assumir um tom mais trágico, a expedição tem todo o jeitinho patético de um exército de Brancaleone, mesmo que aqui a comicidade sirva para causar repulsa a respeito de tudo o que envolve as empreitadas colonizadoras, e portanto não tenha o objetivo de ser carismática. É uma ficção filmada como um documentário, mostra como Herzog é brilhante.
Primeiro documentário que vejo de Herzog, e quanta sensibilidade! A cena da Fini chegando para ajudar o Vladimir e da criança na natação são belíssimas, quase como uma luz na escuridão, que o filme tanto fala.
Pra além de toda discussão a respeito quanto o masculino pode ser patético e superficial. O que mais me pegou foi o tema da amizade entre homens. Sempre parece ter um a regra primordial de se escolher sempre o não falar, o não demonstrar. Quase toda cena em que uma dupla aparece tudo fica por ser dito. A admiração mútua nunca é verbalizada e nem as reprimendas, muitas vezes, tudo para não se colocar como frágil, ou ter sua masculinidade questionada. A cena final parece transbordar toda essa repressão, seja jogando sinuca a la caralho ou quando homens se permitem o contato físico por conta da manguaça. Genial como a única mulher que aparece na obra nem se digna a se "misturar" com seres tão vis, mesmo sendo ela o ponto central da contenda. Depois disso elas nunca aparecem, só lhes são feitas referências.
Achei chato. Porém, quando eu pensava que ia ser só mais um comentário raso sobre racismo, servindo do tema como pano de fundo pra algo supérfluo, o filme me surpreendeu mostrando estar ciente o tempo todo da sua futilidade e faz uma reviravolta sutil, mas cheia de impacto e termina num tom bastante melancólico. Na verdade, rasa é a vida do colonizador, do ganancioso, do branco que se acha virtuoso por ser contra injúrias raciais, mas em nenhum momento questiona o lugar de inferioridade de outras etnias. Tá aí, acho que o filme é propositadamente chato e sublime na mensagem que passa, em poucos segundos. Clint Eastwood é especial.
Fargo: Uma Comédia de Erros
3.9 980 Assista AgoraDos trabalhos que vi do diretor, tem o tom cômico que mais funcionou comigo. É cheio de nuances e regionalidades que compõem a atmosfera simples e provinciana da trama. Elenco espetacular e história redondinha.
Menina de Ouro
4.2 1,8K Assista AgoraComo pode alguém ser tão carismático quanto Clint Eastwood? Como pode esse senhor ser tão sensível? A Hillary Swank também não fica pra trás. Mas a condução do veinho é digna dos seus melhores trabalhos.
O Enigma de Outro Mundo
4.0 1,0K Assista AgoraNão sei porque, mas eu tava esperando algo mais brando, até cômico. Mas fui surpreendido positivamente por um filme bastante sombrio, de uma sensação de perigo ascendente e acontecimentos trágicos que têm peso. Premissa simples, executada com maestria.
Silêncio
3.8 599 Assista AgoraNão gosto de como a fé e seus desdobramentos são abordados aqui, nem parece que é do mesmo diretor de "A Última Tentação de Cristo" (1988). Além disso, qual a dificuldade de colocar falantes de português no filme? Fica ridículo.
Pecadores
4.0 1,2K Assista AgoraA cena da dança é brilhante, o filme todo é empolgante.
Anora
3.4 1,2K Assista AgoraA única maneira de expressar emoções que Anora conhece é o sexo e tudo o que o envolve. Seja felicidade nos primeiros momentos de casado com Ivan; seja raiva/deboche da rival da boate quando dá um beijo nela; ao se sentir inferiorizada, e de certa forma até ofendida quando Igor diz que a não estupraria; até a cena final quando ao eclodir todo o vazio e iniquidade que fazem parte da sua vida, ainda mais nas últimas semanas, sentimentos como exaustão, tristeza, e por que não a tomada de consciência de suas limitações emotivas, culminam naquele coito desajeitado, interminado, sem razão de ser daquela maneira, naquela hora. Acho corajosa a escolha de fazer comicidade de algumas situações nas quais até o próprio espectador se pergunta se deveria achar graça. Não é engraçado, é melancolia pura, inserido na sociedade de castas que o capitalismo proporciona.
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraÉ um comovente drama familiar, comprei logo de cara a ideia da família perfeita destruída por uma atrocidade, mas eu acho que o filme tem um pudor injustificável em se assumir melodramático. Há cenas impactantes, carregadíssimas emocionalmente, como a despedida resignada e assustadoramente branda do pai, a explosão de raiva da protagonista com os perseguidores no carro, a cena da sorveteria e o desfecho com Eunice já idosa. Como drama político acho que derrapa, falta coragem no discernimento das forças atuantes na ditadura. Fernanda Torres está magistral, não tem muito o que falar de sua atuação, apenas reverenciar. E o carisma que Selton Mello exala é contagiante.
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraJá ouvi muita gente dizer que o tempo é especialmente cruel com as mulheres no que diz respeito á aparência, e naturalizar isso. Aqui fica patente, os homens velhos e carcomidos não perdem seus lugares de poder (não apenas no trabalho) , e ás mulheres é imperativo ou o ostracismo, ou tentativas irracionais e nocivas de barrarem os efeitos do tempo. Não que isso seja por si só condenável, perniciosos são os motivos, as pressões que as impelem a tais atitudes. A síntese é quando a personagem diz: eu me odeio. Se odeia apenas por ter envelhecido, se odeia não porque condena suas próprias atitudes, mas porque o meio em que está inserida a vê como o monstro, ainda que diga: ainda sou eu mesma.
Vampira Humanista Procura Suicida Voluntário
3.5 67 Assista AgoraBonitinho, engraçadinho.
A Hora da Estrela
3.9 588 Assista AgoraIncrível como a diretora conseguiu exprimir todo o sentimento (ou a falta do que sentir) de Macabea de maneira tão simples, tão angustiante, tão bonita. Exemplo claro de como o simples pode ser profundo.
Abraço de Mãe
2.9 142 Assista AgoraComprei rapidamente a ideia do filme, mas a falta de um terror mais direto acabou me cansando. Acho que estou com preguiça desse tipo de horror de trauma. A Marjorie Estiano é uma coisa muito séria, magnética.
Espíritos: A Morte Está ao Seu Lado
3.5 862 Assista AgoraQue saudade que eu tava de um terror que não tem medo de ser terror. O objetivo é causar medo e assustar, e o filme o alcança. O uso das fotografias é de arrepiar. Eu não lembrava, mas já havia assistido ao remake de 2008, pois lá pelas tantas já tava ligado no desfecho, justamente as 2 cenas mais marcantes do segmento final, que são simplesmente tétricas.
Babilônia 2000
4.3 44Deixem o povo acreditar (ou não), deixem o povo ter motivos para comemorar, deixem o povo ser feliz.
Bugonia
3.6 444 Assista AgoraO filme não tem coragem nem de sustentar a própria crítica, que por sinal é bem rasteira. A premissa é interessante, o foco da sátira é algo atual e a escolha do tom cômico parece ser acertada. Mas quase nunca é engraçado, o inimigo como sempre é abstrato, escolhas políticas não interferem nos rumos da vida humana... enfim, Mark Fisher resume: é mais fácil imaginar o fim do mundo que o fim do capitalismo.
O Último Azul
3.7 218 Assista AgoraQual o objetivo do trabalho? Sob o capitalismo: apenas sobreviver. Não há tempo sequer para se pensar sobre os desejos, as realizações, que dirá os recursos materiais necessários. Nesse contexto, a população envelhece e percebe os frutos de uma vida inteira dedicada ao trabalho e a sobrevivência mínima, contando no máximo com algumas possibilidades de consumo supérfluo que traz uma alegria rapidamente extinta. O idoso se torna um fardo nessa população, tanto financeiro como emocional. O que nos espera na velhice? Teremos escolha? Sabemos o que queremos fazer até o fim de nossos dias?
A Rainha Diaba
3.8 68Transgressor e provocante. Milton Gonçalves espetacular. Mas a história é meio qualquer coisa.
Os Oito Odiados
4.1 2,5K Assista AgoraGosto de como as questões sociais são abordadas aqui, com o que talvez sejam os personagens mais complexos e não idealizados da filmografia do diretor.
Django Livre
4.4 5,8K Assista AgoraUma bela homenagem de Tarantino ao gênero, com todos os clichês que se espera de um faroeste, filmados da maneira cartunesca comum ao diretor. É sempre muito desafiador adequar cenas tão perturbadoras de um tema tão sensível e complexo com o tom muitas vezes cômico que o filme adota, não tenho uma opinião formada sobre, mas, pelo menos, é obviamente satisfatório ver os escravagistas se foderem. Dito isso, o que mais me chamou atenção foi o quarteto principal do filme, Jamie Foxx, Leonardo DiCaprio, Christopher Waltz e Samuel L. Jackson estão formidáveis.
O Enigma de Kaspar Hauser
4.0 330Sou apaixonado por Bad Boy Bubby (1993), que foi claramente inspirado nesse aqui. O primeiro é muito mais melodramático e explora melhor a vida em cativeiro. Esse é mais sensível e busca em um maior grau entender a assimilação de Kaspar na sociedade e vice-versa. Algo que o diretor já havia ensaiado no documentário Terra do Silêncio e da Escuridão (1971). A cena dele chorando com o bebê é muito emocionante.
Aguirre, a Cólera dos Deuses
4.1 163Apesar de assumir um tom mais trágico, a expedição tem todo o jeitinho patético de um exército de Brancaleone, mesmo que aqui a comicidade sirva para causar repulsa a respeito de tudo o que envolve as empreitadas colonizadoras, e portanto não tenha o objetivo de ser carismática. É uma ficção filmada como um documentário, mostra como Herzog é brilhante.
Terra do Silêncio e da Escuridão
4.4 13Primeiro documentário que vejo de Herzog, e quanta sensibilidade! A cena da Fini chegando para ajudar o Vladimir e da criança na natação são belíssimas, quase como uma luz na escuridão, que o filme tanto fala.
Oeste Outra Vez
3.7 101 Assista AgoraPra além de toda discussão a respeito quanto o masculino pode ser patético e superficial. O que mais me pegou foi o tema da amizade entre homens. Sempre parece ter um a regra primordial de se escolher sempre o não falar, o não demonstrar. Quase toda cena em que uma dupla aparece tudo fica por ser dito. A admiração mútua nunca é verbalizada e nem as reprimendas, muitas vezes, tudo para não se colocar como frágil, ou ter sua masculinidade questionada. A cena final parece transbordar toda essa repressão, seja jogando sinuca a la caralho ou quando homens se permitem o contato físico por conta da manguaça. Genial como a única mulher que aparece na obra nem se digna a se "misturar" com seres tão vis, mesmo sendo ela o ponto central da contenda. Depois disso elas nunca aparecem, só lhes são feitas referências.
O Bandido da Luz Vermelha
3.9 278 Assista AgoraBastante peculiar. Demorei pra entrar no ritmo do filme, mas fui me acostumando e tendo uma experiência mais proveitosa.
Coração de Caçador
3.4 46 Assista AgoraAchei chato. Porém, quando eu pensava que ia ser só mais um comentário raso sobre racismo, servindo do tema como pano de fundo pra algo supérfluo, o filme me surpreendeu mostrando estar ciente o tempo todo da sua futilidade e faz uma reviravolta sutil, mas cheia de impacto e termina num tom bastante melancólico. Na verdade, rasa é a vida do colonizador, do ganancioso, do branco que se acha virtuoso por ser contra injúrias raciais, mas em nenhum momento questiona o lugar de inferioridade de outras etnias. Tá aí, acho que o filme é propositadamente chato e sublime na mensagem que passa, em poucos segundos. Clint Eastwood é especial.