Divertido, empolgante, cheio de carisma e repleto de amor pela sua própria arte — mais que um filme, uma experiência na qual certas produtoras atuais deveriam assistir, tomar notas e se inspirar.
A escalada imprevisível do roteiro, a incansável atuação de Bill Murray - aqui numa versão maximizada de si mesmo -, que torna possível a verossimilhança de seu personagem, a atuação impressionante de Richard Dreyfuss que, ao passo que seu protagonista funciona como nossa ancoração neste universo, e suas ações partem de um lugar que somente nós conseguimos partilhar (como ninguém, além do Dr e de nós, ser capaz de perceber, por exemplo, a loucura de Bob), seu trabalho acaba se tornando a coisa mais hilária de todo o filme, e a forma genial que a narrativa arranja pra ir à extremos absurdos em sua reta final, indo além de manter intacta a leveza da atmosfera e criando uma forma de inventar uma catarse milagrosa e ainda inserir uma última piada através dos letterings finais - tudo funciona, tudo é engraçado. Filmaço.
Hilário, empolgante, caótico e cativante — a obra de Paul Thomas Anderson é um exercício de transe frenético, encabeçado por personagens espirituosos e carregado por um universo técnico de excelência.
Mais aqui: medium.com/@lucasthurow/uma-batalha-ap%C3%B3s-a-outra-paul-thomas-anderson-2025-14305ed62941?postPublishedType=initial
Um dos mais engraçados e cativantes odes, tanto pelo ato de fazer filmes, quanto pela potência da arte em si, que eu já vi na minha vida. É Cinema, é Brasil, não tem como não amar.
De fato esse aqui é surpreendente. Dei play imaginando uma experiência minimamente instigante e um filme que, no melhor mundos, poderia ser chamado de mediano, mas fui agraciado com 110 minutos de profundo tédio e uma obra que basicamente erra em tudo que se propõe.
Esse aqui é bem ruim. Existe um certo deleite conforme você se acostuma ao teor da narrativa, o que torna estranhamente prazorosa a necessidade insaciável do filme em ser brega 100% do tempo, mas não a ponto de ser esquecido o quanto esse aqui é bem ruim. Eu ainda amo John Carpenter, contudo.
Mesmo com todos os sobressaltos causados pela imagem de Sylvester Stallone usando óculos, este é um belo exemplar de uma narrativa inesxistente nos dias de hoje. Galhofa em todos os sentidos, mas sem deixar de divertir e empolgar.
O universo que Friedkin aqui concebe, para além das cores saturadas, ora causadas pelo efeito do Sol no céu de Los Angeles, ora provindas de ambientes mergulhados em tons pesados de vermelho, azul ou verde, e dos sujeitos inquietamente chamativos, é um mundo cínico, frio e intenso. O cinismo das instituições, que determina o desenrolar de investigações aqui e ali, e das figuras de poder, a frieza dos motores de veículos e dos canos das armas, que funcionam de forma imparcial, independente do estrago à sua frente, e a intensidade de nossos dois colossos narrativos - o ultra vilão Rick Masters e o magnético agente Richard Chance -, memoráveis em todas as cenas que protagonizam; tudo aqui gira em prol de tornar a Los Angeles de William Friedkin em uma espécie de inferno sem fim, onde os traumas se perpetuam e a violência nunca cessa.
Talvez este seja o meu 4,5 mais desapegado de racionalidade em todos os meus anos usando o Letterboxd. E a culpa é dele. A forma como De Palma manuseia a câmera, a fazendo flutuar pelos ambientes mais caóticos e desordeiros possíveis, é de uma consciência estética muito à frente, um traço de tamanha genialidade que o estabelece como um dos artistas mais indecentemente perfeitos da sétima arte, ao passo que transforma seu espaço imagético numa espécie de parque de diversões pessoal - indo de movimentos de câmera que transformam planos médios em "dutch angles", passando pelo seu uso indiscrimado de planos sequências, luzes constratantes, POV's e "splitting focus" -, sem deixar de impôr movimentação à história, tornando tais recursos visuais em detalhes essencias para a narrativa se desenvolver.
O problema é que o roteiro é uma mistura tão bizarra de excessivas coincidências, personagens evoluindo em tempo recorde, momentos de constrangedora verborragia e falta de respeito ao público, que eu realmente fico me questionando se tais inépcias não são, na verdade, uma decisão proposital do De Palma, a fim de atingir uma atmosfera de pouca credibilidade, mas repleta de falsidade e cinismo. E apesar de ser uma delícia acompanhar Nicolas Cage surtando e agindo como um demente, seu personagem é incapaz de dar o passo que falta para que se torne marcante. Um sujeito divertido, sem nenhuma dúvida, mas de pouca força narrativa. E por isso que sou devoto voraz do senhor Brian de Palma. Tudo que é inesquecível no filme provém de sua estética divina e quaisquer pecados aqui realizados são perdoados pela sua câmera abençoada.
Incrível como o roteiro acerta em três camadas distintas: primeiro ao estabelecer o nível de caos e imprevisibilidade deste universo, um lugar que se revela uma completa série de eventos caóticos e coincidências absurdas; segundo por apresentar e construir personagens tão bons, dotados de tons únicos, cada um com sua própria voz e personalidade, gerando um contraste hilário no que tange as relações entre eles e que também alimenta o terceiro ponto, que é o quanto esse filme é hilário em essência, tecendo gags do início ao fim e se utilizando de todo o arsenal narrativo proporcionado pelo roteiro para aumentar a complexidade de seus momentos cômicos - seja retornando com piadas que já pareciam concluídas, ou impondo situações tão absurdas que o espectador, já acostumado com aquela atmosfera, simplesmente aceita - os tornando duplamente engraçados. E o elenco é sacanagem.
Apesar do roteiro não ser eficaz em administrar sua urgência, o que gera um terceiro ato inferior à própria cena inicial, e dos momentos em que o filme tenta flertar com a comédia, responsáveis por pequenos instantes de puro constrangimento, Spielberg ainda consegue realizar um filmaço. A energia que ele emprega nas sequências de ação é notável, e seu esforço em criar cenas que vão alavancando problemas e empilhando dificuldades para seus protagonistas é genial. Indiana é um dos personagens que mais transmitem essa aura de profunda exaustão, tamanha a quantidade de detalhes e artimanhas que Spielberg vai concebendo em seu caminho. Como faz falta esse tipo de cinema hoje em dia.
É tudo excepcional aqui. Quer dizer, excluindo a tentativa de fazer humor assim que Anora fica sozinha com os capangas - que, para mim, não funciona justamente porque a direção se encarrega de criar uma atmosfera que, mais tarde, quando Anora fala que poderia ter sido violentada, isso não soa como um absurdo, mas sim condiz com a forma como Baker monta e filma essa sequencia. Os gritos de Anora são de desespero, o caos visual não consegue dar leveza a nenhum momento, o personagem Igor não coopera, e tudo meio que desanda junto da atmosfera.
Um dos princípios básicos da comédia nos diz que, para seu total funcionamento dentro de uma narrativa, é imprescindível que nós, público, tenhamos total consciência de que nosso personagem está ileso à qualquer verdadeiro mal, independente dos riscos que ele corra (Coyote caindo de penhascos, por ex), o que não acontece aqui. Por alguns minutos, tememos, com agonia, por Anora. E a sensação é tão pungente que leva um tempo pro espectador se adaptar à narrativa novamente.
Mas isso é apenas um detalhe (apesar do textão), perto do gigantismo que o filme apresenta, tanto em termos narrativos, quanto visuais, e com a atuação de Madison sendo um desfile absurdo de camadas que a personagem esconde e maqueia o filme inteiro. Filmaço, mereceu tudo.
O Dublê
3.3 361 Assista AgoraDivertido, empolgante, cheio de carisma e repleto de amor pela sua própria arte — mais que um filme, uma experiência na qual certas produtoras atuais deveriam assistir, tomar notas e se inspirar.
Nosso Querido Bob
3.5 87A escalada imprevisível do roteiro, a incansável atuação de Bill Murray - aqui numa versão maximizada de si mesmo -, que torna possível a verossimilhança de seu personagem, a atuação impressionante de Richard Dreyfuss que, ao passo que seu protagonista funciona como nossa ancoração neste universo, e suas ações partem de um lugar que somente nós conseguimos partilhar (como ninguém, além do Dr e de nós, ser capaz de perceber, por exemplo, a loucura de Bob), seu trabalho acaba se tornando a coisa mais hilária de todo o filme, e a forma genial que a narrativa arranja pra ir à extremos absurdos em sua reta final, indo além de manter intacta a leveza da atmosfera e criando uma forma de inventar uma catarse milagrosa e ainda inserir uma última piada através dos letterings finais - tudo funciona, tudo é engraçado. Filmaço.
Superman
3.6 916 Assista AgoraEncontrei meu filme de super-herói favorito.
Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa
4.2 1,8K Assista AgoraTaí um filme que a experiência de ver no cinema o tornou pior.
Uma Batalha Após a Outra
3.7 664 Assista Agora[Revendo]
Hilário, empolgante, caótico e cativante — a obra de Paul Thomas Anderson é um exercício de transe frenético, encabeçado por personagens espirituosos e carregado por um universo técnico de excelência.
Mais aqui: medium.com/@lucasthurow/uma-batalha-ap%C3%B3s-a-outra-paul-thomas-anderson-2025-14305ed62941?postPublishedType=initial
Medo e Delírio
3.7 566 Assista AgoraEu, em 2025.
Saneamento Básico, O Filme
3.7 835 Assista AgoraUm dos mais engraçados e cativantes odes, tanto pelo ato de fazer filmes, quanto pela potência da arte em si, que eu já vi na minha vida. É Cinema, é Brasil, não tem como não amar.
Cassino
4.2 665 Assista AgoraO único defeito desse filme é que ele é curto demais.
A Longa Marcha: Caminhe ou Morra
3.3 352 Assista AgoraMe pegou demais o quanto é envolvente esse aqui.
Eclipse Mortal
3.3 233 Assista AgoraDe fato esse aqui é surpreendente. Dei play imaginando uma experiência minimamente instigante e um filme que, no melhor mundos, poderia ser chamado de mediano, mas fui agraciado com 110 minutos de profundo tédio e uma obra que basicamente erra em tudo que se propõe.
Uma Batalha Após a Outra
3.7 664 Assista AgoraPerfidia Beverly Hills e ponto final.
O Jantar dos Malas
3.6 25Simples, eficaz, dotado de personalidade e espirituosamente bem escrito.
Cada Um Com Seu Cinema
3.8 161Por mais bacana que seja o conceito, ele não é o bastante para salvar a experiência.
101 Dálmatas: A Guerra dos Dálmatas
3.6 398 Assista AgoraPra quem não me conhece, eu sou o Lucky.
Fantasmas de Marte
2.3 179 Assista AgoraEsse aqui é bem ruim. Existe um certo deleite conforme você se acostuma ao teor da narrativa, o que torna estranhamente prazorosa a necessidade insaciável do filme em ser brega 100% do tempo, mas não a ponto de ser esquecido o quanto esse aqui é bem ruim. Eu ainda amo John Carpenter, contudo.
Eddington
3.1 112Ah, os seres humanos.
Ju-on: A Maldição 1
3.4 47Isso aqui, sozinho de madrugada, é uma experiência realmente amedontradora. Fazia tempo que não me sentia num estado de tamanho pavor.
Tango e Cash: Os Vingadores
3.2 245 Assista AgoraMesmo com todos os sobressaltos causados pela imagem de Sylvester Stallone usando óculos, este é um belo exemplar de uma narrativa inesxistente nos dias de hoje. Galhofa em todos os sentidos, mas sem deixar de divertir e empolgar.
Viver e Morrer em Los Angeles
3.8 101 Assista AgoraO universo que Friedkin aqui concebe, para além das cores saturadas, ora causadas pelo efeito do Sol no céu de Los Angeles, ora provindas de ambientes mergulhados em tons pesados de vermelho, azul ou verde, e dos sujeitos inquietamente chamativos, é um mundo cínico, frio e intenso. O cinismo das instituições, que determina o desenrolar de investigações aqui e ali, e das figuras de poder, a frieza dos motores de veículos e dos canos das armas, que funcionam de forma imparcial, independente do estrago à sua frente, e a intensidade de nossos dois colossos narrativos - o ultra vilão Rick Masters e o magnético agente Richard Chance -, memoráveis em todas as cenas que protagonizam; tudo aqui gira em prol de tornar a Los Angeles de William Friedkin em uma espécie de inferno sem fim, onde os traumas se perpetuam e a violência nunca cessa.
Olhos de Serpente
3.2 142 Assista AgoraTalvez este seja o meu 4,5 mais desapegado de racionalidade em todos os meus anos usando o Letterboxd. E a culpa é dele. A forma como De Palma manuseia a câmera, a fazendo flutuar pelos ambientes mais caóticos e desordeiros possíveis, é de uma consciência estética muito à frente, um traço de tamanha genialidade que o estabelece como um dos artistas mais indecentemente perfeitos da sétima arte, ao passo que transforma seu espaço imagético numa espécie de parque de diversões pessoal - indo de movimentos de câmera que transformam planos médios em "dutch angles", passando pelo seu uso indiscrimado de planos sequências, luzes constratantes, POV's e "splitting focus" -, sem deixar de impôr movimentação à história, tornando tais recursos visuais em detalhes essencias para a narrativa se desenvolver.
O problema é que o roteiro é uma mistura tão bizarra de excessivas coincidências, personagens evoluindo em tempo recorde, momentos de constrangedora verborragia e falta de respeito ao público, que eu realmente fico me questionando se tais inépcias não são, na verdade, uma decisão proposital do De Palma, a fim de atingir uma atmosfera de pouca credibilidade, mas repleta de falsidade e cinismo. E apesar de ser uma delícia acompanhar Nicolas Cage surtando e agindo como um demente, seu personagem é incapaz de dar o passo que falta para que se torne marcante. Um sujeito divertido, sem nenhuma dúvida, mas de pouca força narrativa. E por isso que sou devoto voraz do senhor Brian de Palma. Tudo que é inesquecível no filme provém de sua estética divina e quaisquer pecados aqui realizados são perdoados pela sua câmera abençoada.
Os Eternos Desconhecidos
4.2 37Incrível como o roteiro acerta em três camadas distintas: primeiro ao estabelecer o nível de caos e imprevisibilidade deste universo, um lugar que se revela uma completa série de eventos caóticos e coincidências absurdas; segundo por apresentar e construir personagens tão bons, dotados de tons únicos, cada um com sua própria voz e personalidade, gerando um contraste hilário no que tange as relações entre eles e que também alimenta o terceiro ponto, que é o quanto esse filme é hilário em essência, tecendo gags do início ao fim e se utilizando de todo o arsenal narrativo proporcionado pelo roteiro para aumentar a complexidade de seus momentos cômicos - seja retornando com piadas que já pareciam concluídas, ou impondo situações tão absurdas que o espectador, já acostumado com aquela atmosfera, simplesmente aceita - os tornando duplamente engraçados. E o elenco é sacanagem.
Indiana Jones e o Templo da Perdição
3.9 523 Assista AgoraApesar do roteiro não ser eficaz em administrar sua urgência, o que gera um terceiro ato inferior à própria cena inicial, e dos momentos em que o filme tenta flertar com a comédia, responsáveis por pequenos instantes de puro constrangimento, Spielberg ainda consegue realizar um filmaço. A energia que ele emprega nas sequências de ação é notável, e seu esforço em criar cenas que vão alavancando problemas e empilhando dificuldades para seus protagonistas é genial. Indiana é um dos personagens que mais transmitem essa aura de profunda exaustão, tamanha a quantidade de detalhes e artimanhas que Spielberg vai concebendo em seu caminho. Como faz falta esse tipo de cinema hoje em dia.
O Segredo do Bosque dos Sonhos
3.8 91Um dos melhores finais que eu já vi em um filme de terror.
Anora
3.4 1,2K Assista AgoraÉ tudo excepcional aqui. Quer dizer, excluindo a tentativa de fazer humor assim que Anora fica sozinha com os capangas - que, para mim, não funciona justamente porque a direção se encarrega de criar uma atmosfera que, mais tarde, quando Anora fala que poderia ter sido violentada, isso não soa como um absurdo, mas sim condiz com a forma como Baker monta e filma essa sequencia. Os gritos de Anora são de desespero, o caos visual não consegue dar leveza a nenhum momento, o personagem Igor não coopera, e tudo meio que desanda junto da atmosfera.
Um dos princípios básicos da comédia nos diz que, para seu total funcionamento dentro de uma narrativa, é imprescindível que nós, público, tenhamos total consciência de que nosso personagem está ileso à qualquer verdadeiro mal, independente dos riscos que ele corra (Coyote caindo de penhascos, por ex), o que não acontece aqui. Por alguns minutos, tememos, com agonia, por Anora. E a sensação é tão pungente que leva um tempo pro espectador se adaptar à narrativa novamente.
Mas isso é apenas um detalhe (apesar do textão), perto do gigantismo que o filme apresenta, tanto em termos narrativos, quanto visuais, e com a atuação de Madison sendo um desfile absurdo de camadas que a personagem esconde e maqueia o filme inteiro. Filmaço, mereceu tudo.