Ontem finalizei o romance Drácula, de Bram Stoker, e estava louco para assistir a esse filme, um dos mais comentados quando se trata desse famoso vampiro. Há diversos parâmetros para avaliarmos se uma obra é ou não uma boa adaptação de algum material de base, e um dos mais bem aceitos é se as mensagens principais foram alocadas de forma satisfatória. Qual a minha surpresa quando vi que o cerne, o tema e a alma do longa não existiam no livro – o romance entre o conde e a personagem de Winona Ryder.
No texto de 1897, temos Drácula, mesmo em sua versão rejuvenescida, como um monstro horrendo e diabólico, com sede de sangue e implacável em sua busca – não há bons sentimentos, não há beleza, não há uma dama do passado, não há reencarnação, não há nada que nos informe que ele possa ter boas intenções. A mudança do vampiro não como espécie monstruosa, mas como indivíduo, com um passado e pensamentos próprios, viria apenas na metade do século XX, e essa onda claramente influenciou e mesclou o filme do Coppola.
Nele, apesar de termos as personagens do livro em sua disposição primordial, temos inversões de personalidades e desfechos para se curvarem a um roteiro que pedia um romance entre vampiro e humana – e que inspiraria, anos depois, Stephenie Meyer e seu Crepúsculo. Não há, no texto, as cenas românticas entre Drácula e Mina, não existe essa concepção nem essa motivação para o vampiro – ele está em Londres procurando sangue fresco e puramente representando o estrangeiro, tão temido pelos vitorianos, que quer se passar por londrino. A Mina original é fruto da sua época em seu conservadorismo, porém muito inteligente e ativa na história, e não hesita em empunhar sua arma para Drácula no derradeiro final, em que os 5 homens exterminam o conde. Além dela, Lucy também não possui aquela personalidade extravagante, não brinca com os sentimentos de seus pretendentes, nem se entrega ao conde daquela maneira; dr. Seward não é aquele paspalho; Van Helsing é delicado e excêntrico nas mesmas medidas; e todas as personagens são fortes, juram amizade eterna e sentem carinhos genuínos uns pelos outros.
Enfim, há muita coisa diferente e, apesar de preservar uma ambientação similar, cenas epistolares e construção narrativa semelhantes, se olharmos para a definição de adaptação como a transposição da ideia central de um material, vemos que a produção de Coppola não se sustenta.
Apesar disso, analisando o longa com suas próprias pernas, temos uma boa história de terror – super bem dirigida e bem montada, com uma direção de arte espetacular, figurinos e penteados excelentes, boas atuações e, acima de tudo, algo muito essencial na elaboração do gênero: um estilo próprio que o faz, até hoje, ser um dos filmes mais reconhecidos e aclamados do terror. Se você conseguir mergulhar nessa loucura cinematográfica ignorando as incongruências entre ele e a incrível obra de Bram Stoker, creio que gostará mais do filme do que eu.
O filme parece uma recauchutagem dos outros dois? Sim. Ele tem menos inovações e falta a sensação de beleza fotográfica que o segundo conquista magistralmente? Com certeza. O roteiro é fraco, formulesco e na mão de qualquer um que não o James Cameron teria enfraquecido demais o longa? Provavelmente... mas só tenho uma coisa a dizer: que filmaço!
Além da atuação da Vera Farmiga, não tenho outro ponto positivo para comentar... Não curti a direção, o design de som, a montagem, os sustos e, principalmente, o roteiro cansativo, repetitivo e super sem graça...
Primeiro filme de HP assistido com a minha sobrinha, que está vendo aos poucos e já está totalmente imersa nesse mundo. Foi a primeira vez dela assistindo ao terceiro e ela amou! Fizemos uma "sessão cinema" com colchão no chão, doces e muita pipoca. Especial demais <3
Minha introdução no gênero terror foi com os filmes que meu irmão mais velho alugava na locadora e que eu, inegavelmente muito novo e bastante curioso, assistia com ele. Premonição 3 foi um desses, e por isso tenho um certo carinho com esses longas (e um episódio traumático no Hopi Hari aos oito anos).
O sexto filme finalmente inovou no roteiro e fiquei bastante surpreso quando a premonição terminou e cortamos para uma personagem diferente sonhando. Além disso, consegue amarrar a franquia toda e contribui com um lore muito bem desenhado (um feito um tanto raro nessas sagas cinematográficas de terror). Os pontos negativos são as atuações sofríveis, as inverossimilhanças gigantes do roteiro, o CGI bem artificial... No geral, uma entrada otimista para essa franquia!
Apesar de filmes de ação, perseguição, espionagem, etc., não serem muito a minha praia, é inegável a imensa qualidade disso aqui. O filme é brilhantemente dirigido e roteirizado, me surpreendi positivamente com o quão envolvido estava na história já nas primeiras cenas – apesar de lá pelas tantas achar que o ritmo cai e se torna um pouco cansativo. Porém, são as atuações que, ao meu ver, fazem do filme o que é. Os destaques são Sean Penn, DiCaprio, Benicio del Toro e Regina Hall (=DDDD), que estão incríveis... Não vou achar nenhum pouco injusta a enxurrada de prêmios que o longa com certeza vai levar (só o de melhor ator que está reservado para o nosso Waguinho, rs). =)
Eu estava com minhas expectativas muito altas, e talvez isso tenha afetado um pouco a impressão final da obra. Creio que os motivos dessa expectativa sejam minha experiência incrível de leitura do conto, que foi uma montanha-russa de emoções e me deixou preso à história por muitos dias após ter terminado, e a fama do próprio longa. Com toda certeza é um ótimo filme, muito bem produzido, dirigido e atuado, com todas as indicações merecidas, em minha opinião. Acredito que sob uma ótica adaptativa, esta se sai muito bem: consegue capturar o sentido por trás do material (o que muitos que trabalham a obra do autor falham); estende cenas e acontecimentos que complementam de forma fluida o texto original; muda alguns pontos que não me incomodaram, visando a deixar mais visualmente e, talvez, mais emocionalmente palatável ao grande público. Ainda prefiro e fico com o conto, mas repito que esse é um grande filme e merece toda a fama que tem.
Uma das maiores surpresas cinematográficas que tive em 2025, com toda a certeza. O filme conseguiu aproveitar o grande potencial que o livro tem e, na minha opinião, conseguiu até mesmo elevar o material. Há no roteiro algumas mudanças que não me incomodaram nenhum pouco, achei a direção incrível, a trilha sonora marcante e as atuações super competentes. Me peguei chorando no cinema em diversas cenas, coisa não tão comum de acontecer... curti demais!
Não consegui curtir... apesar de bons efeitos e uma competente ambientação, a montagem escorrega muito, há cortes secos que não complementam a história, a direção tropeça, as atuações não convencem e, para finalizar, é desnecessariamente longo, mesmo tendo sido idealizado como minissérie. Como adaptação, não tem a sensação claustrofóbica que o livro possui, nem a profundidade que as personagens carregam ou o excelente final proposto pelo autor.
Ok, desisti de assistir em ordem. Na verdade, ainda quero ver todas as adaptações e estou lendo o King cronologicamente, então intercalarei as adaptações dos livros que finalizei mais recentemente com as dos que eu já li há um tempo maior.
Christine não foi uma experiência de leitura da qual eu tenha curtido tanto. Além do meu claro desinteresse e ignorância pelo universo automobilístico, também tive certos problemas com a forma que King desenvolveu o Arnie.
O longa, entretanto, tem mais acertos do que erros. Há um tom bizarro interessante, uma ambientação e trilha sonora excelentes, uma direção criativa, e principalmente uma sensação "terror anos 80" que captura muito bem o estilo do autor na época. No entanto, achei que algumas simplificações do roteiro foram mal-ajambradas, como a relação entre o triângulo amoroso, a própria possessão de Arnie/LeBay, as mortes e a investigação, a sequência final e, principalmente, o desenvolvimento das personagens compreendendo o sobrenatural e somando "dois mais dois" para chegarem às suas conclusões. Será que seria só o meu preciosismo de sempre?
Reassistindo & Reavaliando – Disney Animation Studios #7 -------------------- "Ah, Baía. It is like a song in my heart. A song with love and beautiful memories. Que saudades que eu tenho."
O segundo filme-pacote da Disney falha ao tentar seguir o mesmo padrão do anterior. Enquanto Saludos Amigos, apesar de episódico, mantinha uma uniformidade e linha narrativa sólidas que prendiam o espectador, The Three Caballeros se perde e não une muito bem suas partes, resultando em uma obra fraca, sem ritmo e que não funciona.
A primeira história é bacana, no entanto soa mal colocada. Se a ideia desse longa, impregnado pela política da boa vizinhança, era estreitar os laços com a américa-latina ao focar na Argentina, Brasil e México, o que faz aqui um pinguim do polo sul? Seguimos para uma competente segunda parte, a qual se passa nos pampas argentinos e nos apresenta um burrinho alado simpático.
Então, iniciamos a terceira parte no Brasil, e é aqui que o filme decola e se torna o que é. Há animações lindas da Bahia e diálogos interessantes com Zé Carioca que perpetuam o que escrevi sobre o longa anterior: qualquer fã de animação ou da Disney se animaria ao ver seu país representado ali. Contudo, é quando se mistura o live-action que essa história se enfraquece. Ao compararmos com Saludos Amigos, essas pessoas reais soam falsas, mais estereotipadas e deixam muito a desejar. Segue a isso uma quarta parte com introdução do terceiro membro dos "cavalheiros" e mudança de cenário para o México. Para mim, aqui a obra se perde completamente, com cenas cansativas, números musicais os quais não agradam e um ritmo totalmente perdido.
Apesar de ser o segundo filme-pacote, The Three Caballeros é o primeiro que evidencia o problema em se juntar curtas que não funcionam muito bem como um todo. Mesmo que com algumas animações bonitas e músicas interessantes, acredito que se fosse feito hoje em dia, muito dificilmente a Bahia seria representada daquela forma, mesmo retratando aquela época, e isso fala bastante sobre a produção e seu contexto histórico. Para além disso e ao olharmos também o filme como um todo, percebemos ainda mais a dificuldade enfrentada pelo estúdio na época, sua perda de qualidade e seus erros latino-americanos.
Enemies to lovers / um carro passando e molhando a protagonista / romance professor-aluno / um amigo gay sarcástico e ácido / um homem aparentemente cafajeste, mas na verdade com um bom coração / ele não se dá bem com o pai / os dois fazendo ciúmes dançando com outras pessoas e se encarando / concordam em apenas se divertir sem se envolver emocionalmente / uma festa à fantasia em que somente ela foi fantasiada / ele protegendo ela de um babaca no bar / câncer e morte no final / ela faz a viagem que eles planejaram sozinhos... esqueci algum clichê?
Um belo prato cheio para mim! Curto muito o assunto e os temas, então mesmo tendo adivinhado os plot twists e mesmo algumas questões técnicas sendo falhas, sinto que valeu super à pena! Com certeza bebeu muito da fonte de Dark, uma das minhas séries favoritas... Árvores genealógicas, viagem no tempo, paradoxo de Bootstrap... <3
Reassistindo & Reavaliando – Disney Animation Studios #6 -------------------- "Here's an unusual expedition: artists, musicians and writers setting out for a trip through Latin America to find new personalities, music and dances for their cartoon films. So, adios, Hollywood, and saludos, amigos."
Carregado de estereótipos culturais com fins políticos estadunidenses, Saludos Amigos é o primeiro dos seis filmes-pacotes da Disney. Produzidos na época da Segunda Guerra, alguns apenas visam ao baixo orçamento enquanto outros, como esse, tem como pano de fundo a política da boa-vizinhança.
Assim, o contexto desse longa tem tudo para fazer dele um desastre, especialmente para o espectador latino-americano. Temos uma mistura de animação e live-action, documentário e ficção, imagens reais e caricaturas. Porém, por mais que eu reconheça seus defeitos, suas intenções escusas e seus problemas étnicos, não consigo desgostar totalmente dessa produção.
É claro que nem todo brasileiro curte samba e bebe cachaça; é claro que nem todo carioca é o malandro retratado pelo papagaio; é claro que o Brasil não é apenas Rio de Janeiro na época do carnaval; e imagino que semelhantes constatações possam ser afirmadas por argentinos, chilenos e peruanos, os outros povos retratados aqui. No entanto, Aquarela do Brasil não é somente o ápice desse filme, na minha opinião, como também uma homenagem linda, uma animação arrebatadora, um espetáculo visual para quem gosta do gênero, com a música e os traços coadunando em uma maravilha à la Fantasia de 1940. Confesso que a sequência, com Ary Barroso ao fundo, dificilmente não me emociona. Ouvir Zé Carioca falando português com Donald e ver cenas do Rio de antigamente são deleites à parte.
Os outros curtas – Donald no Lago Titicaca, o avião Pedro nos Andes e Goofy nos Pampas argentinos – também devem incorporar outras inconsistências culturais. Tudo isso é mais um exemplo da exploração cultural dos EUA, a qual sempre permeou nossos países. Não, o Brasil não precisa que a Disney nos conte nossas histórias; nós não precisamos nos regozijar em ter a atenção de um estúdio estrangeiro sobre nós – o complexo de vira-lata existe e devemos sim espantá-lo.
Portanto, como fã de animação e desse estúdio estadunidense, não posso fingir que ouvir Ary Barroso enaltecendo nosso país em uma sequência linda com a presença de Donald Duck não seja empolgante. As demais partes são também no mínimo interessantes, as imagens reais permeiam animações competentes, as quais seguram o espectador e prendem do início ao fim. O primeiro – e talvez melhor – filme-pacote é um longa para ser estudado nas aulas de história; é uma cápsula de um tempo não tão distante; é uma sequência que impressiona os amantes de animação e de história; é, por fim e juntando todas as suas características, uma obra importante e bem realizada que hoje deve ser apreciada sem medo, mas de forma consciente.
Eu não costumo curtir filmes de comédia, muito menos as ditas "besteirol", porém me surpreendi bastante com essa! Achei algumas passagens bem engraçadas e, apesar do longa carregar alguns estereótipos e machismos, o final reverte a mensagem e compensa.
Apesar dos efeitos práticos continuarem ótimos, The Dream Master ecoa como um retrocesso para a franquia. Começamos com o que parece ser uma continuação bacana com os sobreviventes do filme anterior, mas eles logo são descartados e substituídos por um novo grupo de adolescentes, os quais, honestamente, são os piores da série até agora.
O longa segue com um roteiro capenga e um desenvolvimento plano, com matança atrás de matança sem a mínima preocupação com as consequências ou com um alicerce que una a história como um todo. As inverossimilhanças e contradições do universo dessa vez gritam mais forte, com Krueger ressuscitando em uma sequência bizarra que parece zombar do espectador. As perguntas são muitas, no entanto a principal que fica para mim é: qual a real conexão dos pesadelos com o nosso mundo? Antes, a personagem morria da forma que era assassinada no sonho, com o sangue, os cortes e as bizarrices presentes; porém, neste filme algumas parecem morrer de "causas naturais" ou ao menos sem a presença de uma gota de sangue, enquanto outras sofrem tais efeitos. Outro exemplo seria a própria ressuscitação de Freddy. O cachorro de Kincaid, em sonho e no local em que o vilão está enterrado, abre um portal para o inferno que acaba o trazendo de volta à vida, entretanto para isso ocorrer não deveria haver alguma intervenção da cova de Krueger na vida real? E não vou nem entrar na questão da transferência de poderes e na aquisição pela protagonista das características unidimensionais de seus amigos falecidos, que não surte efeito nem é devidamente explicado.
Para além de cenas péssimas do ponto de vista narrativo, de personagens chatas e de um roteiro incoerente, há uma sensação global de desrespeito, ao meu ver. Veja bem, eu não tenho ligação nostálgica com essas produções, então a falta do estabelecimento de regras e causas-consequências dos pesadelos, dos poderes e motivações de Freddy, que aqui atinge um patamar absurdo, prejudica a minha suspensão da descrença. Para mim, A Nightmare on Elm Street começa a sofrer justamente no mesmo momento em que padeceu Friday the 13th, quando o vilão abraça uma forma invencível e imortal o qual, para fazer se sustentar, precisa de invencionices e inverossimilhanças que prejudicam toda a proposta.
O terceiro filme da franquia mantém bons efeitos práticos, boas escolhas de direção e de fotografia, e uma satisfatória construção de suspense. Aqui temos uma ambientação que estimula o expectador e, associado às suas outras qualidades, constrói uma narrativa visual que funciona. O vilão – a estrela da produção – aparentemente está mais criativo, com uma estranheza e irrealidade agradáveis de se assistir.
Nos longas anteriores, eu tive certos problemas quanto ao desenvolvimento, às escolhas do roteiro e aos furos da história. Nesse terceiro capítulo, entretanto, achei que houve uma melhora importante da linha narrativa, do alicerce e do embasamento do terror. Temos um desenvolvimento mais claro, com explicações sobre as motivações, sobre os sonhos, sobre as regras e, além disso, temos personagens com bagagens e que parecem discretamente menos planas do que as anteriores da saga. Ao contrário do que é visto principalmente em Freddy’s Revenge, não há muitas inverossimilhanças esdrúxulas (há uma que comento logo abaixo), não há decisões super questionáveis das personagens (algumas existem, é claro, estamos falando de um slasher dos anos 80), e não há muito incômodo quanto aos poderes de Krueger. Tudo bem que ele consiga usar um corpo como fantoche (o argumento do segundo longa), mas percebemos que suas motivações, aqui claras, prevalecem e se sobressaem quando os ataques ocorrem dentro do inconsciente (como estabelecido na obra original).
Contudo, nem tudo são flores. Ainda há sim incômodos e invencionices os quais prejudicam a franquia como um todo.
Qual a natureza do vilão? Seus teletransportes e metamorfoses fazem sentido quando lembramos de que se trata do mundo dos sonhos e de que ali tudo é possível, no entanto a cena da esqueleto ganhando vida no mundo real com o espírito de Freddy é, no mínimo, ridícula e vai contra tudo o que aprendemos sobre esse universo até aqui.
Então, apesar de existirem decisões criativas as quais incomodam e enfraquecem o filme, Dream Warriors mantém a qualidade técnica interessante dos anteriores e melhora os padrões de desenvolvimento e roteiro, se estabelecendo como um passo satisfatório para o nosso vilão das garras afiadas.
O segundo filme da franquia mantém a qualidade dos efeitos especiais práticos e da construção do suspense, possuindo sequências interessantes, escolhas de direção acertadas e personagens carismáticas que fazem o tempo assistido valer à pena. Além disso, o subtexto homoerótico existente e o caráter simbólico de algumas passagens também engrandecem a experiência, na minha opinião.
Porém, ainda mais que o antecessor, que na minha opinião também sofria desse mal, essa sequência tem um desenvolvimento piegas, inverossímil e de certa forma alheio às regras já estabelecidas por esse universo. Sinto que aqui fica tudo muito mais ambíguo e nada se sustenta.
O que é sonho e o que é realidade? Por que o vilão precisa de um hospedeiro e por que esperou cinco anos para agir novamente? Há alguma relação com a casa, então? Entendemos que Freddy quer matar no mundo real e para isso precisa de um fantoche, mas o que o fez querer isso, por que o desejo de matar pessoas acordadas? Por que a polícia não suspeitou de Jesse após encontrá-lo andando na rua nu na noite em que seu professor foi assassinado? Por que as personagens se comportam daquela maneira totalmente inacreditável? Quais, enfim, são as regras desses sonhos?
É inegável que nem tudo precisa de explicação ou exposição, mas o filme não reconhece nenhuma de suas perguntas, monta suas cenas sem as devidas considerações e não constrói um alicerce forte que amarre tudo o que está sendo fomentado. Ele pede que o expectador se sente e aproveite a jornada, as cenas com Freddy, as mortes sangrentas, os sustos e não ligue muito para os furos... Talvez esse tipo de produção se sustentasse na época, quando não se fazia ideia de que Krueger iria se tornar uma franquia de sucesso e não se esperava muito dos filmes de terror. O expectador de hoje – bom, acho que posso somente falar por mim – está interessado e quer se aprofundar nas questões da obra, no enredo, no desenvolvimento, nas personagens e nas causas-consequências dessa história toda, fazendo paralelos na franquia e curtindo a viagem enquanto leva uns sustos. Infelizmente, Freddy’s Revenge não conseguiu provocar quase nada disso. =/
Reassistindo & Reavaliando – Disney Animation Studios #5 -------------------- "You must never rush out on the meadow. There might be danger."
Não consigo pensar em outra forma de começar a escrever sobre Bambi sem citar o belíssimo trabalho de animação realizado. Realmente, aqui o estúdio se regozija de como havia dominado e aprimorado sua arte.
Além disso, outro fator a se reconhecer já no início é a repetição do esplêndido uso do som e da música já tão magistralmente feito por Fantasia (1940) – e por nenhum outro do estúdio até então. A natureza em tela, seus sons e as músicas compostas se fundem em sequências dignas de aplausos e que se mantêm atuais e belas até hoje.
Essa natureza, suas mudanças e ciclos são a alma de Bambi. Encontramos esses temas evidenciados pela clara divisão do roteiro entre as estações do ano e pelo paralelo entre o nascimento, crescimento e afirmação do protagonista como príncipe, ocupando o lugar de seu pai. A simplicidade com que o argumento é fomentado, as cenas lúdicas e delicadas, os silêncios e os barulhos da floresta, o paradoxo entre as maravilhas do inverno e terror da fome, a felicidade e o luto, enfim... tudo é detalhado, fluido e inspirador.
Apesar disso, a minha história com essa obra sempre fora de distanciamento. As qualidades as quais mencionei eram eclipsadas pelo que eu considerava um roteiro sem ritmo e sem uma linha narrativa chamativa, o que me afastava do filme. Qual a minha surpresa ao reassisti-lo dessa vez, entretanto, e não encontrar esse problema – me espantei em não achar entediante, nem cansativo e definitivamente nada de desinteressante. Pelo contrário, me vi fisgado, mais envolvido e apreciador de suas qualidades, o que inclui exatamente essa forma incrível de contar uma história contemplativa com a simplicidade e a calma que ela exige.
Ainda assim, mesmo que fazendo às pazes quanto ao ritmo, à forma com que o roteiro conduz o expectador e aos temas crus da natureza, não posso deixar de pontuar que o desenvolvimento de algumas questões – em especial a morte da mãe, o crescimento do protagonista e o romance do trio principal – soa deficitário e dificilmente se sustenta.
Bambi subiu no meu conceito nessa nova revisita e me animou muito para continuar esse projeto de reassistir e reavaliar todos os longas do Disney Animation Studios. Mesmo com um desenvolvimento que deixa a desejar, seus traços estonteantes e quadros impecáveis faz a produção se estabelecer como uma homenagem admirável à natureza, sua simplicidade, seus desafios e seus encantos.
Apesar de por vezes cansativo, clichê e definitivamente maior do que deveria, o filme surpreende não só pelas inegáveis qualidades e inovações técnicas para a época, mas também pelo tom quase adulto, pelo roteiro de inspiração noir totalmente despretensioso e pelo carisma de quase todas as personagens.
Impossível não comparar quando já se assistiu algumas adaptações de Carrie, do King. Por vezes, o filme acerta e supera seu antecessor, a versão de 2002, como na criação do tom e na invenção de uma personalidade distinta – acredito que o estilo juvenil e moderno, mesmo que ocasionalmente desagradável, é uma mudança bem-vinda que o difere. Por outro lado, diversas vezes o longa me incomodou, especialmente quanto às atuações e às hipérboles do roteiro – aqui os poderes da protagonista estão claros e controlados quando ela, deliberadamente, assassina seus colegas, por exemplo. Carrie de 2013 é uma obra que não conquista e não inspira, pecando nas atuações e, principalmente, no texto, o qual erra e acerta em medidas distintas e nas áreas erradas.
Carrie de 2002 é mais uma prova de que a fidelidade com a obra original não basta para se criar um bom filme.
A produção possui diversos problemas, como os efeitos limitados pelo orçamento, o ritmo capenga, a montagem estranha, as atuações que não convencem e, talvez o pior deles, a falta de personalidade. Percebe-se que ao mesmo tempo que ela tende a ser mais fiel à obra original, ainda assim baseia seu estilo no clássico de 1976 – o qual por mais que tenha no livro do King seu material de base, cria um estilo próprio que o consagrou como o clássico que é. Assim, o longa de 2002 falha em estabelecer uma voz própria e, quando isso é somado aos outros problemas, faz com que o expectador tenha uma apática e insípida experiência.
O filme prospera quando homenageia a animação e falha ao estabelecer o seu novo conteúdo. Com toda a certeza ao se adaptar uma obra de 1937 mudanças são bem-vindas e às vezes necessárias, porém a maior parte do que eles escolheram para alterar e acrescentar não apresentou bom resultado. Acredito que, além de uma antagonista decepcionante e que não convence, o meu maior problema com o longa seja justamente o roteiro. No papel, uma Branca de Neve ativa que também tem outros sonhos além do amor é um bom acréscimo; um contato de mais de duas cenas com o ser amado também é bem-vindo; a questão foi a forma com que desenvolveram e trabalharam essas ideias, nada convence muito o expectador e a sensação é uma busca por profundidade que é incessante, sem ritmo e que não se completa.
Creio que a produção não seja de todo ruim – Waiting on a Wish é uma ótima música, por exemplo, e acho que a protagonista, apesar de por vezes lhe faltar a ingenuidade da princesa, fez um bom trabalho com o que tinha em mãos. Entretanto, definitivamente ele entra no hall dos live-actions que se perdem no que querem contar, no que querem manter e no que querem atualizar do material de base.
Harry Potter e a Câmara Secreta
4.1 1,3K Assista AgoraApresentei a versão estendida para a minha sobrinha, senti pontadas de orgulho toda vez que ela percebia, sozinha, as cenas novas... aiai <3
Drácula de Bram Stoker
4.0 1,4K Assista AgoraOntem finalizei o romance Drácula, de Bram Stoker, e estava louco para assistir a esse filme, um dos mais comentados quando se trata desse famoso vampiro. Há diversos parâmetros para avaliarmos se uma obra é ou não uma boa adaptação de algum material de base, e um dos mais bem aceitos é se as mensagens principais foram alocadas de forma satisfatória. Qual a minha surpresa quando vi que o cerne, o tema e a alma do longa não existiam no livro – o romance entre o conde e a personagem de Winona Ryder.
No texto de 1897, temos Drácula, mesmo em sua versão rejuvenescida, como um monstro horrendo e diabólico, com sede de sangue e implacável em sua busca – não há bons sentimentos, não há beleza, não há uma dama do passado, não há reencarnação, não há nada que nos informe que ele possa ter boas intenções. A mudança do vampiro não como espécie monstruosa, mas como indivíduo, com um passado e pensamentos próprios, viria apenas na metade do século XX, e essa onda claramente influenciou e mesclou o filme do Coppola.
Nele, apesar de termos as personagens do livro em sua disposição primordial, temos inversões de personalidades e desfechos para se curvarem a um roteiro que pedia um romance entre vampiro e humana – e que inspiraria, anos depois, Stephenie Meyer e seu Crepúsculo. Não há, no texto, as cenas românticas entre Drácula e Mina, não existe essa concepção nem essa motivação para o vampiro – ele está em Londres procurando sangue fresco e puramente representando o estrangeiro, tão temido pelos vitorianos, que quer se passar por londrino. A Mina original é fruto da sua época em seu conservadorismo, porém muito inteligente e ativa na história, e não hesita em empunhar sua arma para Drácula no derradeiro final, em que os 5 homens exterminam o conde. Além dela, Lucy também não possui aquela personalidade extravagante, não brinca com os sentimentos de seus pretendentes, nem se entrega ao conde daquela maneira; dr. Seward não é aquele paspalho; Van Helsing é delicado e excêntrico nas mesmas medidas; e todas as personagens são fortes, juram amizade eterna e sentem carinhos genuínos uns pelos outros.
Enfim, há muita coisa diferente e, apesar de preservar uma ambientação similar, cenas epistolares e construção narrativa semelhantes, se olharmos para a definição de adaptação como a transposição da ideia central de um material, vemos que a produção de Coppola não se sustenta.
Apesar disso, analisando o longa com suas próprias pernas, temos uma boa história de terror – super bem dirigida e bem montada, com uma direção de arte espetacular, figurinos e penteados excelentes, boas atuações e, acima de tudo, algo muito essencial na elaboração do gênero: um estilo próprio que o faz, até hoje, ser um dos filmes mais reconhecidos e aclamados do terror. Se você conseguir mergulhar nessa loucura cinematográfica ignorando as incongruências entre ele e a incrível obra de Bram Stoker, creio que gostará mais do filme do que eu.
Avatar: Fogo e Cinzas
3.5 304 Assista AgoraO filme parece uma recauchutagem dos outros dois? Sim. Ele tem menos inovações e falta a sensação de beleza fotográfica que o segundo conquista magistralmente? Com certeza. O roteiro é fraco, formulesco e na mão de qualquer um que não o James Cameron teria enfraquecido demais o longa? Provavelmente... mas só tenho uma coisa a dizer: que filmaço!
Invocação do Mal 4: O Último Ritual
2.9 475 Assista AgoraAlém da atuação da Vera Farmiga, não tenho outro ponto positivo para comentar... Não curti a direção, o design de som, a montagem, os sustos e, principalmente, o roteiro cansativo, repetitivo e super sem graça...
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
4.2 1,6K Assista AgoraPrimeiro filme de HP assistido com a minha sobrinha, que está vendo aos poucos e já está totalmente imersa nesse mundo. Foi a primeira vez dela assistindo ao terceiro e ela amou! Fizemos uma "sessão cinema" com colchão no chão, doces e muita pipoca. Especial demais <3
Premonição 6: Laços de Sangue
3.3 735 Assista AgoraMinha introdução no gênero terror foi com os filmes que meu irmão mais velho alugava na locadora e que eu, inegavelmente muito novo e bastante curioso, assistia com ele. Premonição 3 foi um desses, e por isso tenho um certo carinho com esses longas (e um episódio traumático no Hopi Hari aos oito anos).
O sexto filme finalmente inovou no roteiro e fiquei bastante surpreso quando a premonição terminou e cortamos para uma personagem diferente sonhando. Além disso, consegue amarrar a franquia toda e contribui com um lore muito bem desenhado (um feito um tanto raro nessas sagas cinematográficas de terror). Os pontos negativos são as atuações sofríveis, as inverossimilhanças gigantes do roteiro, o CGI bem artificial... No geral, uma entrada otimista para essa franquia!
Uma Batalha Após a Outra
3.7 665 Assista AgoraApesar de filmes de ação, perseguição, espionagem, etc., não serem muito a minha praia, é inegável a imensa qualidade disso aqui. O filme é brilhantemente dirigido e roteirizado, me surpreendi positivamente com o quão envolvido estava na história já nas primeiras cenas – apesar de lá pelas tantas achar que o ritmo cai e se torna um pouco cansativo. Porém, são as atuações que, ao meu ver, fazem do filme o que é. Os destaques são Sean Penn, DiCaprio, Benicio del Toro e Regina Hall (=DDDD), que estão incríveis... Não vou achar nenhum pouco injusta a enxurrada de prêmios que o longa com certeza vai levar (só o de melhor ator que está reservado para o nosso Waguinho, rs). =)
Um Sonho de Liberdade
4.6 2,4K Assista AgoraEu estava com minhas expectativas muito altas, e talvez isso tenha afetado um pouco a impressão final da obra. Creio que os motivos dessa expectativa sejam minha experiência incrível de leitura do conto, que foi uma montanha-russa de emoções e me deixou preso à história por muitos dias após ter terminado, e a fama do próprio longa. Com toda certeza é um ótimo filme, muito bem produzido, dirigido e atuado, com todas as indicações merecidas, em minha opinião. Acredito que sob uma ótica adaptativa, esta se sai muito bem: consegue capturar o sentido por trás do material (o que muitos que trabalham a obra do autor falham); estende cenas e acontecimentos que complementam de forma fluida o texto original; muda alguns pontos que não me incomodaram, visando a deixar mais visualmente e, talvez, mais emocionalmente palatável ao grande público. Ainda prefiro e fico com o conto, mas repito que esse é um grande filme e merece toda a fama que tem.
A Longa Marcha: Caminhe ou Morra
3.3 352 Assista AgoraUma das maiores surpresas cinematográficas que tive em 2025, com toda a certeza. O filme conseguiu aproveitar o grande potencial que o livro tem e, na minha opinião, conseguiu até mesmo elevar o material. Há no roteiro algumas mudanças que não me incomodaram nenhum pouco, achei a direção incrível, a trilha sonora marcante e as atuações super competentes. Me peguei chorando no cinema em diversas cenas, coisa não tão comum de acontecer... curti demais!
Os Vampiros de Salem
3.3 94Não consegui curtir... apesar de bons efeitos e uma competente ambientação, a montagem escorrega muito, há cortes secos que não complementam a história, a direção tropeça, as atuações não convencem e, para finalizar, é desnecessariamente longo, mesmo tendo sido idealizado como minissérie. Como adaptação, não tem a sensação claustrofóbica que o livro possui, nem a profundidade que as personagens carregam ou o excelente final proposto pelo autor.
Christine, O Carro Assassino
3.3 705 Assista AgoraOk, desisti de assistir em ordem. Na verdade, ainda quero ver todas as adaptações e estou lendo o King cronologicamente, então intercalarei as adaptações dos livros que finalizei mais recentemente com as dos que eu já li há um tempo maior.
Christine não foi uma experiência de leitura da qual eu tenha curtido tanto. Além do meu claro desinteresse e ignorância pelo universo automobilístico, também tive certos problemas com a forma que King desenvolveu o Arnie.
O longa, entretanto, tem mais acertos do que erros. Há um tom bizarro interessante, uma ambientação e trilha sonora excelentes, uma direção criativa, e principalmente uma sensação "terror anos 80" que captura muito bem o estilo do autor na época. No entanto, achei que algumas simplificações do roteiro foram mal-ajambradas, como a relação entre o triângulo amoroso, a própria possessão de Arnie/LeBay, as mortes e a investigação, a sequência final e, principalmente, o desenvolvimento das personagens compreendendo o sobrenatural e somando "dois mais dois" para chegarem às suas conclusões. Será que seria só o meu preciosismo de sempre?
Você Já Foi à Bahia?
3.4 178 Assista AgoraReassistindo & Reavaliando – Disney Animation Studios #7
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"Ah, Baía. It is like a song in my heart. A song with love and beautiful memories. Que saudades que eu tenho."
O segundo filme-pacote da Disney falha ao tentar seguir o mesmo padrão do anterior. Enquanto Saludos Amigos, apesar de episódico, mantinha uma uniformidade e linha narrativa sólidas que prendiam o espectador, The Three Caballeros se perde e não une muito bem suas partes, resultando em uma obra fraca, sem ritmo e que não funciona.
A primeira história é bacana, no entanto soa mal colocada. Se a ideia desse longa, impregnado pela política da boa vizinhança, era estreitar os laços com a américa-latina ao focar na Argentina, Brasil e México, o que faz aqui um pinguim do polo sul? Seguimos para uma competente segunda parte, a qual se passa nos pampas argentinos e nos apresenta um burrinho alado simpático.
Então, iniciamos a terceira parte no Brasil, e é aqui que o filme decola e se torna o que é. Há animações lindas da Bahia e diálogos interessantes com Zé Carioca que perpetuam o que escrevi sobre o longa anterior: qualquer fã de animação ou da Disney se animaria ao ver seu país representado ali. Contudo, é quando se mistura o live-action que essa história se enfraquece. Ao compararmos com Saludos Amigos, essas pessoas reais soam falsas, mais estereotipadas e deixam muito a desejar. Segue a isso uma quarta parte com introdução do terceiro membro dos "cavalheiros" e mudança de cenário para o México. Para mim, aqui a obra se perde completamente, com cenas cansativas, números musicais os quais não agradam e um ritmo totalmente perdido.
Apesar de ser o segundo filme-pacote, The Three Caballeros é o primeiro que evidencia o problema em se juntar curtas que não funcionam muito bem como um todo. Mesmo que com algumas animações bonitas e músicas interessantes, acredito que se fosse feito hoje em dia, muito dificilmente a Bahia seria representada daquela forma, mesmo retratando aquela época, e isso fala bastante sobre a produção e seu contexto histórico. Para além disso e ao olharmos também o filme como um todo, percebemos ainda mais a dificuldade enfrentada pelo estúdio na época, sua perda de qualidade e seus erros latino-americanos.
Meu Ano em Oxford
2.9 103 Assista AgoraEnemies to lovers / um carro passando e molhando a protagonista / romance professor-aluno / um amigo gay sarcástico e ácido / um homem aparentemente cafajeste, mas na verdade com um bom coração / ele não se dá bem com o pai / os dois fazendo ciúmes dançando com outras pessoas e se encarando / concordam em apenas se divertir sem se envolver emocionalmente / uma festa à fantasia em que somente ela foi fantasiada / ele protegendo ela de um babaca no bar / câncer e morte no final / ela faz a viagem que eles planejaram sozinhos... esqueci algum clichê?
Os Horrores do Caddo Lake
3.5 327Um belo prato cheio para mim! Curto muito o assunto e os temas, então mesmo tendo adivinhado os plot twists e mesmo algumas questões técnicas sendo falhas, sinto que valeu super à pena! Com certeza bebeu muito da fonte de Dark, uma das minhas séries favoritas... Árvores genealógicas, viagem no tempo, paradoxo de Bootstrap... <3
Alô Amigos
3.5 85 Assista AgoraReassistindo & Reavaliando – Disney Animation Studios #6
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"Here's an unusual expedition: artists, musicians and writers setting out for a trip through Latin America to find new personalities, music and dances for their cartoon films. So, adios, Hollywood, and saludos, amigos."
Carregado de estereótipos culturais com fins políticos estadunidenses, Saludos Amigos é o primeiro dos seis filmes-pacotes da Disney. Produzidos na época da Segunda Guerra, alguns apenas visam ao baixo orçamento enquanto outros, como esse, tem como pano de fundo a política da boa-vizinhança.
Assim, o contexto desse longa tem tudo para fazer dele um desastre, especialmente para o espectador latino-americano. Temos uma mistura de animação e live-action, documentário e ficção, imagens reais e caricaturas. Porém, por mais que eu reconheça seus defeitos, suas intenções escusas e seus problemas étnicos, não consigo desgostar totalmente dessa produção.
É claro que nem todo brasileiro curte samba e bebe cachaça; é claro que nem todo carioca é o malandro retratado pelo papagaio; é claro que o Brasil não é apenas Rio de Janeiro na época do carnaval; e imagino que semelhantes constatações possam ser afirmadas por argentinos, chilenos e peruanos, os outros povos retratados aqui. No entanto, Aquarela do Brasil não é somente o ápice desse filme, na minha opinião, como também uma homenagem linda, uma animação arrebatadora, um espetáculo visual para quem gosta do gênero, com a música e os traços coadunando em uma maravilha à la Fantasia de 1940. Confesso que a sequência, com Ary Barroso ao fundo, dificilmente não me emociona. Ouvir Zé Carioca falando português com Donald e ver cenas do Rio de antigamente são deleites à parte.
Os outros curtas – Donald no Lago Titicaca, o avião Pedro nos Andes e Goofy nos Pampas argentinos – também devem incorporar outras inconsistências culturais. Tudo isso é mais um exemplo da exploração cultural dos EUA, a qual sempre permeou nossos países. Não, o Brasil não precisa que a Disney nos conte nossas histórias; nós não precisamos nos regozijar em ter a atenção de um estúdio estrangeiro sobre nós – o complexo de vira-lata existe e devemos sim espantá-lo.
Portanto, como fã de animação e desse estúdio estadunidense, não posso fingir que ouvir Ary Barroso enaltecendo nosso país em uma sequência linda com a presença de Donald Duck não seja empolgante. As demais partes são também no mínimo interessantes, as imagens reais permeiam animações competentes, as quais seguram o espectador e prendem do início ao fim. O primeiro – e talvez melhor – filme-pacote é um longa para ser estudado nas aulas de história; é uma cápsula de um tempo não tão distante; é uma sequência que impressiona os amantes de animação e de história; é, por fim e juntando todas as suas características, uma obra importante e bem realizada que hoje deve ser apreciada sem medo, mas de forma consciente.
A Casa das Coelhinhas
2.7 734 Assista AgoraEu não costumo curtir filmes de comédia, muito menos as ditas "besteirol", porém me surpreendi bastante com essa! Achei algumas passagens bem engraçadas e, apesar do longa carregar alguns estereótipos e machismos, o final reverte a mensagem e compensa.
A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos
3.1 354 Assista AgoraApesar dos efeitos práticos continuarem ótimos, The Dream Master ecoa como um retrocesso para a franquia. Começamos com o que parece ser uma continuação bacana com os sobreviventes do filme anterior, mas eles logo são descartados e substituídos por um novo grupo de adolescentes, os quais, honestamente, são os piores da série até agora.
O longa segue com um roteiro capenga e um desenvolvimento plano, com matança atrás de matança sem a mínima preocupação com as consequências ou com um alicerce que una a história como um todo. As inverossimilhanças e contradições do universo dessa vez gritam mais forte, com Krueger ressuscitando em uma sequência bizarra que parece zombar do espectador. As perguntas são muitas, no entanto a principal que fica para mim é: qual a real conexão dos pesadelos com o nosso mundo? Antes, a personagem morria da forma que era assassinada no sonho, com o sangue, os cortes e as bizarrices presentes; porém, neste filme algumas parecem morrer de "causas naturais" ou ao menos sem a presença de uma gota de sangue, enquanto outras sofrem tais efeitos. Outro exemplo seria a própria ressuscitação de Freddy. O cachorro de Kincaid, em sonho e no local em que o vilão está enterrado, abre um portal para o inferno que acaba o trazendo de volta à vida, entretanto para isso ocorrer não deveria haver alguma intervenção da cova de Krueger na vida real? E não vou nem entrar na questão da transferência de poderes e na aquisição pela protagonista das características unidimensionais de seus amigos falecidos, que não surte efeito nem é devidamente explicado.
Para além de cenas péssimas do ponto de vista narrativo, de personagens chatas e de um roteiro incoerente, há uma sensação global de desrespeito, ao meu ver. Veja bem, eu não tenho ligação nostálgica com essas produções, então a falta do estabelecimento de regras e causas-consequências dos pesadelos, dos poderes e motivações de Freddy, que aqui atinge um patamar absurdo, prejudica a minha suspensão da descrença. Para mim, A Nightmare on Elm Street começa a sofrer justamente no mesmo momento em que padeceu Friday the 13th, quando o vilão abraça uma forma invencível e imortal o qual, para fazer se sustentar, precisa de invencionices e inverossimilhanças que prejudicam toda a proposta.
A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos
3.5 463O terceiro filme da franquia mantém bons efeitos práticos, boas escolhas de direção e de fotografia, e uma satisfatória construção de suspense. Aqui temos uma ambientação que estimula o expectador e, associado às suas outras qualidades, constrói uma narrativa visual que funciona. O vilão – a estrela da produção – aparentemente está mais criativo, com uma estranheza e irrealidade agradáveis de se assistir.
Nos longas anteriores, eu tive certos problemas quanto ao desenvolvimento, às escolhas do roteiro e aos furos da história. Nesse terceiro capítulo, entretanto, achei que houve uma melhora importante da linha narrativa, do alicerce e do embasamento do terror. Temos um desenvolvimento mais claro, com explicações sobre as motivações, sobre os sonhos, sobre as regras e, além disso, temos personagens com bagagens e que parecem discretamente menos planas do que as anteriores da saga. Ao contrário do que é visto principalmente em Freddy’s Revenge, não há muitas inverossimilhanças esdrúxulas (há uma que comento logo abaixo), não há decisões super questionáveis das personagens (algumas existem, é claro, estamos falando de um slasher dos anos 80), e não há muito incômodo quanto aos poderes de Krueger. Tudo bem que ele consiga usar um corpo como fantoche (o argumento do segundo longa), mas percebemos que suas motivações, aqui claras, prevalecem e se sobressaem quando os ataques ocorrem dentro do inconsciente (como estabelecido na obra original).
Contudo, nem tudo são flores. Ainda há sim incômodos e invencionices os quais prejudicam a franquia como um todo.
Qual a natureza do vilão? Seus teletransportes e metamorfoses fazem sentido quando lembramos de que se trata do mundo dos sonhos e de que ali tudo é possível, no entanto a cena da esqueleto ganhando vida no mundo real com o espírito de Freddy é, no mínimo, ridícula e vai contra tudo o que aprendemos sobre esse universo até aqui.
Então, apesar de existirem decisões criativas as quais incomodam e enfraquecem o filme, Dream Warriors mantém a qualidade técnica interessante dos anteriores e melhora os padrões de desenvolvimento e roteiro, se estabelecendo como um passo satisfatório para o nosso vilão das garras afiadas.
A Hora do Pesadelo 2: A Vingança de Freddy
3.1 497 Assista AgoraO segundo filme da franquia mantém a qualidade dos efeitos especiais práticos e da construção do suspense, possuindo sequências interessantes, escolhas de direção acertadas e personagens carismáticas que fazem o tempo assistido valer à pena. Além disso, o subtexto homoerótico existente e o caráter simbólico de algumas passagens também engrandecem a experiência, na minha opinião.
Porém, ainda mais que o antecessor, que na minha opinião também sofria desse mal, essa sequência tem um desenvolvimento piegas, inverossímil e de certa forma alheio às regras já estabelecidas por esse universo. Sinto que aqui fica tudo muito mais ambíguo e nada se sustenta.
O que é sonho e o que é realidade? Por que o vilão precisa de um hospedeiro e por que esperou cinco anos para agir novamente? Há alguma relação com a casa, então? Entendemos que Freddy quer matar no mundo real e para isso precisa de um fantoche, mas o que o fez querer isso, por que o desejo de matar pessoas acordadas? Por que a polícia não suspeitou de Jesse após encontrá-lo andando na rua nu na noite em que seu professor foi assassinado? Por que as personagens se comportam daquela maneira totalmente inacreditável? Quais, enfim, são as regras desses sonhos?
É inegável que nem tudo precisa de explicação ou exposição, mas o filme não reconhece nenhuma de suas perguntas, monta suas cenas sem as devidas considerações e não constrói um alicerce forte que amarre tudo o que está sendo fomentado. Ele pede que o expectador se sente e aproveite a jornada, as cenas com Freddy, as mortes sangrentas, os sustos e não ligue muito para os furos... Talvez esse tipo de produção se sustentasse na época, quando não se fazia ideia de que Krueger iria se tornar uma franquia de sucesso e não se esperava muito dos filmes de terror. O expectador de hoje – bom, acho que posso somente falar por mim – está interessado e quer se aprofundar nas questões da obra, no enredo, no desenvolvimento, nas personagens e nas causas-consequências dessa história toda, fazendo paralelos na franquia e curtindo a viagem enquanto leva uns sustos. Infelizmente, Freddy’s Revenge não conseguiu provocar quase nada disso. =/
Bambi
3.5 444 Assista AgoraReassistindo & Reavaliando – Disney Animation Studios #5
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"You must never rush out on the meadow. There might be danger."
Não consigo pensar em outra forma de começar a escrever sobre Bambi sem citar o belíssimo trabalho de animação realizado. Realmente, aqui o estúdio se regozija de como havia dominado e aprimorado sua arte.
Além disso, outro fator a se reconhecer já no início é a repetição do esplêndido uso do som e da música já tão magistralmente feito por Fantasia (1940) – e por nenhum outro do estúdio até então. A natureza em tela, seus sons e as músicas compostas se fundem em sequências dignas de aplausos e que se mantêm atuais e belas até hoje.
Essa natureza, suas mudanças e ciclos são a alma de Bambi. Encontramos esses temas evidenciados pela clara divisão do roteiro entre as estações do ano e pelo paralelo entre o nascimento, crescimento e afirmação do protagonista como príncipe, ocupando o lugar de seu pai. A simplicidade com que o argumento é fomentado, as cenas lúdicas e delicadas, os silêncios e os barulhos da floresta, o paradoxo entre as maravilhas do inverno e terror da fome, a felicidade e o luto, enfim... tudo é detalhado, fluido e inspirador.
Apesar disso, a minha história com essa obra sempre fora de distanciamento. As qualidades as quais mencionei eram eclipsadas pelo que eu considerava um roteiro sem ritmo e sem uma linha narrativa chamativa, o que me afastava do filme. Qual a minha surpresa ao reassisti-lo dessa vez, entretanto, e não encontrar esse problema – me espantei em não achar entediante, nem cansativo e definitivamente nada de desinteressante. Pelo contrário, me vi fisgado, mais envolvido e apreciador de suas qualidades, o que inclui exatamente essa forma incrível de contar uma história contemplativa com a simplicidade e a calma que ela exige.
Ainda assim, mesmo que fazendo às pazes quanto ao ritmo, à forma com que o roteiro conduz o expectador e aos temas crus da natureza, não posso deixar de pontuar que o desenvolvimento de algumas questões – em especial a morte da mãe, o crescimento do protagonista e o romance do trio principal – soa deficitário e dificilmente se sustenta.
Bambi subiu no meu conceito nessa nova revisita e me animou muito para continuar esse projeto de reassistir e reavaliar todos os longas do Disney Animation Studios. Mesmo com um desenvolvimento que deixa a desejar, seus traços estonteantes e quadros impecáveis faz a produção se estabelecer como uma homenagem admirável à natureza, sua simplicidade, seus desafios e seus encantos.
Uma Cilada para Roger Rabbit
3.7 517 Assista AgoraApesar de por vezes cansativo, clichê e definitivamente maior do que deveria, o filme surpreende não só pelas inegáveis qualidades e inovações técnicas para a época, mas também pelo tom quase adulto, pelo roteiro de inspiração noir totalmente despretensioso e pelo carisma de quase todas as personagens.
Carrie, a Estranha
2.8 3,5K Assista AgoraImpossível não comparar quando já se assistiu algumas adaptações de Carrie, do King. Por vezes, o filme acerta e supera seu antecessor, a versão de 2002, como na criação do tom e na invenção de uma personalidade distinta – acredito que o estilo juvenil e moderno, mesmo que ocasionalmente desagradável, é uma mudança bem-vinda que o difere. Por outro lado, diversas vezes o longa me incomodou, especialmente quanto às atuações e às hipérboles do roteiro – aqui os poderes da protagonista estão claros e controlados quando ela, deliberadamente, assassina seus colegas, por exemplo. Carrie de 2013 é uma obra que não conquista e não inspira, pecando nas atuações e, principalmente, no texto, o qual erra e acerta em medidas distintas e nas áreas erradas.
Carrie, a Estranha
3.1 624 Assista AgoraCarrie de 2002 é mais uma prova de que a fidelidade com a obra original não basta para se criar um bom filme.
A produção possui diversos problemas, como os efeitos limitados pelo orçamento, o ritmo capenga, a montagem estranha, as atuações que não convencem e, talvez o pior deles, a falta de personalidade. Percebe-se que ao mesmo tempo que ela tende a ser mais fiel à obra original, ainda assim baseia seu estilo no clássico de 1976 – o qual por mais que tenha no livro do King seu material de base, cria um estilo próprio que o consagrou como o clássico que é. Assim, o longa de 2002 falha em estabelecer uma voz própria e, quando isso é somado aos outros problemas, faz com que o expectador tenha uma apática e insípida experiência.
Branca de Neve
2.1 333 Assista AgoraO filme prospera quando homenageia a animação e falha ao estabelecer o seu novo conteúdo. Com toda a certeza ao se adaptar uma obra de 1937 mudanças são bem-vindas e às vezes necessárias, porém a maior parte do que eles escolheram para alterar e acrescentar não apresentou bom resultado. Acredito que, além de uma antagonista decepcionante e que não convence, o meu maior problema com o longa seja justamente o roteiro. No papel, uma Branca de Neve ativa que também tem outros sonhos além do amor é um bom acréscimo; um contato de mais de duas cenas com o ser amado também é bem-vindo; a questão foi a forma com que desenvolveram e trabalharam essas ideias, nada convence muito o expectador e a sensação é uma busca por profundidade que é incessante, sem ritmo e que não se completa.
Creio que a produção não seja de todo ruim – Waiting on a Wish é uma ótima música, por exemplo, e acho que a protagonista, apesar de por vezes lhe faltar a ingenuidade da princesa, fez um bom trabalho com o que tinha em mãos. Entretanto, definitivamente ele entra no hall dos live-actions que se perdem no que querem contar, no que querem manter e no que querem atualizar do material de base.