Olha, com um orçamento modestíssimo de US$ 3,7 milhões, consegue ser melhor que muito filme hypado e com grandes orçamentos que exploram essa mesma temática.
Na tradição islâmica, Sirat refere-se a ponte que será estabelecida sobre o Inferno no dia do juízo final. Trata-se de um dos conceitos escatológicos centrais do Islã, mencionado no Alcorão e desenvolvido nos hadiths (ditos do profeta Maomé). Essa ponte é descrita como extremamente estreita e afiada, mais fina que um fio de cabelo e mais cortante que uma espada, segundo a tradição profética. E é, justamente, a partir dessa premissa, exposta logo no início do filme, que a história de nossas personagens irão se desenvolver num martírio sem fim.
Aqui, a ilusão da salvação é completamente obliterada para todo mundo. Um ambiente implacável, sem misericórdia para ninguém, que apenas reflete o desespero e a inquietação que, de maneira paradoxal e irônica, foram justamente esses sentimentos que levaram aquelas pessoas até ali em busca de uma possível redenção.
Menção honrosa para a trilha sonora que casa muitíssimo bem com as cenas.
Pô, o Oleg não ter virado um socão na cara do Andrzej na primeira oportunidade me deixou MALUCO! Qualquer latino-americano já teria perdido as estribeiras na primeira escrotice.
Fui enganado por algumas reviews e, mais uma vez, cai na arapuca de uma produção da Netflix.
Esse filme representa bem quase todas as produções da Netflix. Tenta passar toda uma sensibilidade por meio de um certo lirismo que sempre dá a sensação de uma extrema artificialidade, de vazio e um show de esteriótipos nas personagens.
Quando a narrativa passa a apostar em conexões que supostamente seriam reveladas aos poucos e se interligando naquele roteiro clichê que já cansamos de ver, nada se sustenta de verdade. As relações não convencem, não parecem vivas, e o filme se apoia cada vez mais numa ideia de poesia genérica, sempre tentando parecer bonito e sensível sem conseguir dar corpo a isso por meio de escolhas concretas.
Por fim, a proposta de uma família formada a partir de perdas e feridas emocionais não escapa do lugar-comum e apela diretamente para uma espécie de "comoção barata". Tudo parece calculado para comover, mas devido ao caráter artificial, passou longe de me fazer conseguir criar qualquer elo com as personagens.
Tinha bastante potencial, mas é uma pena que tenha optado por uma pegada novelesca ao invés de uma abordagem mais crua de todas as adversidades envolvidas. Em primeiro lugar, a questão de sobreviver em um ambiente hostil e inóspito, em seguida, da tendência de grupos humanos ditos civilizados retornarem ao seu estado primitivo quando em situações de isolamento e anarquia de regras sociais.
Não sei que filme "fora da caixa" ou "terror diferenciado" que uma galera conseguiu ver nesse filme... É igual a um monte de porcaria que tem por aí, gente. 😅
O filme Cidade Vazia (2004), dirigido por Maria João Ganga, pode ser lido como uma metáfora audiovisual das tensões em Angola: tradição, modernidade e cultura política. Além de ocupar um lugar central na história recente do cinema angolano por ser uma das primeiras produções de ficção do país a ganhar visibilidade internacional após o fim da guerra civil (1975~2002).
O protagonista N’Dala, órfão da guerra civil, encarna o resultado mais dramático de um país dilacerado por quatro décadas de conflito. No filme, fica evidenciado que a independência não trouxe estabilidade, mas a intensificação da guerra civil, marcada por disputas internas pelo poder. Essa longa violência deixou cicatrizes sociais profundas na população angolana. O filme articula as consequências de todo esse contexto em Angola, como a memória da guerra, exclusão social e a formação da identidade do povo. O título remete tanto a sensação de vazio existencial do protagonista quanto ao vazio coletivo deixado pela destruição da guerra civil. A cidade, populosa e vibrante, aparece paradoxalmente vazia em afetos, perspectivas e garantias para as crianças.
O filme também constrói a narrativa de forma que dramatiza, no plano individual e simbólico, as tensões entre tradição e modernidade que marcaram a história de Angola no período pós-independência. (Interessante correlacionar isso analisando o discurso do MPLA, durante a luta anticolonial, pois no período pré-independência eram exaltados os elementos da tradição como formas de resistência e identidade, porém, no pós-independência, esse discurso foi alterado para o projeto do "homem novo", no qual a tradição era desqualificada como um sinal de atraso, tribalismo e obscurantismo). O protagonista, N’Dala, portanto, representa esse choque. Ele é um menino do interior, marcado pela guerra, que chega a Luanda em busca de um novo destino. Sua origem remete a um espaço mais próximo das tradições, ligado ao campo e as práticas comunitárias. Já na cidade, onde ele desembarca, simboliza a modernidade: urbana, caótica, marcada por desigualdades, violência, mas também por promessas de futuro. Essa oposição não é apenas espacial, mas existencial. N’Dala, desenraizado, não se reconhece plenamente nem em sua herança tradicional, pois a guerra lhe roubou família e vínculos. E também não se reconhece na modernidade que Luanda oferece, uma modernidade degradada, que não cumpre a promessa de progresso. Ele vive, portanto, a condição de transição, o vazio que intitula muito bem o filme.
Cidade Vazia é mais do que um drama social, é um testemunho sobre as marcas da guerra civil em Angola, narrado pela ótica da infância. Maria João Ganga oferece um cinema de resistência, que não apenas denuncia, mas também provoca reflexão sobre a reconstrução social e afetiva de um país. Apesar das limitações técnicas, trata-se de uma obra pioneira e de grande valor histórico, estético e político para o cinema angolano e africano em geral
Com tanta gente reclamando da qualidade da release que viu, me sinto privilegiado em poder ter visto na versão remasterizada. Tem fotografias e trilha sonora lindíssimas, deve ser uma pena não poder assistir numa boa qualidade de áudio e imagem.
"E por qual tipo de liberdade eles estavam lutando, afinal, Joe?”
Vi algumas pessoas reclamando da montagem, quando, na verdade, eu acho que a montagem do doc é o seu grande ponto forte narrativo.
Primeiro, vemos a história de Bruno, onde mostra toda a questão do sonho em servir, a vontade de dar uma condição de vida melhor para filha e a mãe, além de toda sua apreensão em ser aceito na Legião Estrangeira. Ou seja, nessa primeira parte, temos o início de uma trajetória militar no estrangeiro.
Já na segunda história, a de Mario, nós podemos ver um garoto completamente deslumbrado com a sua atuação no exército israelense, marcando bem o meio dessa trajetória militar que o documentário tenta expor. O garoto, até por ser o mais novo dos 3 personagens centrais desse doc, deixa explícito toda a sua inocência e ingenuidade, construindo uma ótima representação dos sonhos de uma juventude em relação ao serviço militar.
Por fim, temos o personagem do Felipe, que finaliza esse arco de serviço militar. Além de estar completamente destruído fisicamente e mentalmente, ainda é completamente descartado pela Marinha como alguém "sub-honrável", em consequência do vício em analgésicos adquirido no período em que serviu em zona de combate.
Portanto, acredito que a montagem estrutural desse documentário é, realmente, o seu ponto forte, pois, se Bruno representa o início, Mario, o meio, Felipe é, certamente, o fim. Fazendo, assim, um link temporal bem bacana entre três histórias aparentemente autônomas.
Ver os comentários de uma galera dizendo que assistiu ao filme num modo acelerado me assusta absurdamente. Assistir a qualquer filme no modo acelerado já é bizarro, um filme belíssimo desses que é feito para se apreciar então... É mais assombroso ainda! 😨
O efeito das redes sociais e desse formato de vídeos curtos estão destruindo o cérebro da rapaziada mesmo.
Confesso que me incomoda de sobremaneira a narrativa da história ser a partir da perspectiva dos perpetradores da violência e não das vítimas, os povos Herero e os Nama. Infelizmente, acredito que essa escolha de perspectiva faz o filme perder uma grande oportunidade de tocar num assunto que raramente é discutido no cinema, além de pecar na profundidade do que realmente foi esse genocídio.
Apesar do filme ter tido uma preocupação e o didatismo de demonstrar todas as práticas utilizadas pela pseudociência da época que embarcava num darwinismo social, que servirá mais tarde de base ideológica para o holocausto, ele falha em conseguir transmitir dramaticidade em diversos momentos do filme (muito por essa escolha de perspectiva).
Acho a solução final para o giro de 360° do protagonista pesquisador um tanto quanto forçada e abrupta também, apesar de ter como ponto positivo não romantizar como se ele fosse "o alemão humanista salvador".
Enfim, de positivo, é bom de ver a Alemanha assumindo finalmente de peito aberto a participação nesse genocídio, além de promover o olhar para esse período nefasto da neocolonização da África durante o séc. XIX e XX. É uma pena que no final fique um gostinho de "poderia ter sido muito melhor explorado esse filme". Mas, de qualquer forma, é um filme que eu recomendo pela temática tão pouco abordada e tão necessária.
A primeira parte do filme, durante a viagem do Pe.Lucas até a outra costa da Islândia, acompanhado de imagens belíssimas e, ao mesmo tempo, intimidadoras, é o ponto alto do filme, sem sombra de dúvidas.
Toda sua transformação de um personagem de confiança inabalável e até mesmo uma arrogância, para aos poucos ir se degradando física e mentalmente, é bem bacana. Ele acaba por tomar decisões precipitadas e imprudentes, coloca a vida dos outros em perigo, ao mesmo tempo, em que reza por libertação.
Na segunda parte do filme, eu acredito que perca um pouco a força cinematográfica, apesar das cenas usando o lapso de tempo de um cavalo morto sejam bem interessantes.
Infelizmente, cai em alguns clichês do gênero, mas é melhor que a grande maioria do terror mainstream que sai por aí, achei até a nota injustamente baixa por aqui.
É ótima a atmosfera criada nesse posto avançado de pesca da Islândia do séc.XIX, com belas paisagens, a montanha, o gelo, o mar, um dilema moral, a solidão de um grupo, a fome, o frio, enfim... Uma bela "claustrofobia a céu aberto"! Possui também uma excelente trilha sonora que ajuda em toda essa ambientação e na sensação de tensão em determinadas cenas. Não tem aquele uso desenfreado de CGI comum em filmes de terror, aqui há muito poucos e com moderação.
O roteiro, realmente, não oferece nada muito original, mas demonstra uma habilidade para combinar diferentes elementos interconectados, como: sobrevivência, crueldade, egoísmo, culpa, nostalgia e, claro, a loucura que pode surgir tanto do isolamento congelante, como das noites longas no inverno do extremo norte, além da influência sobrenatural da lenda do Draugr entre os habitantes desse isolado posto de pesca.
De ressalva, apesar do ritmo lento, achei que faltou filme. Poderia ter pelo menos umas 2h de duração, fazendo uma introdução mais profunda dos personagens, do local e do dia-a-dia ali vividos.
Já o final, bem, aí talvez tenha rolado um desfecho um pouco preguiçoso e caindo em diversos clichês do gênero, entendo quem ache que isso atrapalhe a experiência final.
No final das contas, considero um terrozinho HONESTO.
O filme é bom, mas esse final, onde o sujeito que ganha a eleição, é um cara que ninguém conhecia até a cerimônia de votação, é demais para mim... Após mostrar que TUDO é política e ambição na cúria, mesmo assim, leva mais votos o que ninguém conhece e não faz política. Me parece subestimar a inteligência de quem assiste.
O Trampo
3.5 3 Assista AgoraAcho que funcionaria bem melhor no teatro do que no cinema.
Famintos
2.9 68 Assista AgoraOlha, com um orçamento modestíssimo de US$ 3,7 milhões, consegue ser melhor que muito filme hypado e com grandes orçamentos que exploram essa mesma temática.
Sirāt
3.4 186 Assista AgoraNa tradição islâmica, Sirat refere-se a ponte que será estabelecida sobre o Inferno no dia do juízo final. Trata-se de um dos conceitos escatológicos centrais do Islã, mencionado no Alcorão e desenvolvido nos hadiths (ditos do profeta Maomé). Essa ponte é descrita como extremamente estreita e afiada, mais fina que um fio de cabelo e mais cortante que uma espada, segundo a tradição profética. E é, justamente, a partir dessa premissa, exposta logo no início do filme, que a história de nossas personagens irão se desenvolver num martírio sem fim.
Aqui, a ilusão da salvação é completamente obliterada para todo mundo. Um ambiente implacável, sem misericórdia para ninguém, que apenas reflete o desespero e a inquietação que, de maneira paradoxal e irônica, foram justamente esses sentimentos que levaram aquelas pessoas até ali em busca de uma possível redenção.
Menção honrosa para a trilha sonora que casa muitíssimo bem com as cenas.
Oleg
3.7 12 Assista AgoraPô, o Oleg não ter virado um socão na cara do Andrzej na primeira oportunidade me deixou MALUCO! Qualquer latino-americano já teria perdido as estribeiras na primeira escrotice.
Dito isso, muito bom filme.
Belén: Uma História de Injustiça
3.6 26 Assista AgoraUm filme politicamente NECESSÁRIO. Já cinematograficamente, não traz nada que salte aos olhos, mas faz o feijão com arroz.
Saneamento Básico, O Filme
3.7 835 Assista AgoraQue filme delicinha de assistir! Isso aqui cura qualquer dia ruim.
Dei boas risadas com toda a ironia com a galera do cinema.
O Filho de Mil Homens
4.1 183Fui enganado por algumas reviews e, mais uma vez, cai na arapuca de uma produção da Netflix.
Esse filme representa bem quase todas as produções da Netflix. Tenta passar toda uma sensibilidade por meio de um certo lirismo que sempre dá a sensação de uma extrema artificialidade, de vazio e um show de esteriótipos nas personagens.
Quando a narrativa passa a apostar em conexões que supostamente seriam reveladas aos poucos e se interligando naquele roteiro clichê que já cansamos de ver, nada se sustenta de verdade. As relações não convencem, não parecem vivas, e o filme se apoia cada vez mais numa ideia de poesia genérica, sempre tentando parecer bonito e sensível sem conseguir dar corpo a isso por meio de escolhas concretas.
Por fim, a proposta de uma família formada a partir de perdas e feridas emocionais não escapa do lugar-comum e apela diretamente para uma espécie de "comoção barata". Tudo parece calculado para comover, mas devido ao caráter artificial, passou longe de me fazer conseguir criar qualquer elo com as personagens.
Éden
3.3 138 Assista AgoraTinha bastante potencial, mas é uma pena que tenha optado por uma pegada novelesca ao invés de uma abordagem mais crua de todas as adversidades envolvidas. Em primeiro lugar, a questão de sobreviver em um ambiente hostil e inóspito, em seguida, da tendência de grupos humanos ditos civilizados retornarem ao seu estado primitivo quando em situações de isolamento e anarquia de regras sociais.
Ervas Secas
4.0 22 Assista Agora"- É assim que a vida é vivida aqui. Eu curei duas vacas para esse cara. Então ele veio e atirou no meu cachorro.
- Por quê?
- Porque ele é humano."
A Hora do Mal
3.7 1,0K Assista AgoraNão sei que filme "fora da caixa" ou "terror diferenciado" que uma galera conseguiu ver nesse filme... É igual a um monte de porcaria que tem por aí, gente. 😅
Na Cidade Vazia
3.4 6O filme Cidade Vazia (2004), dirigido por Maria João Ganga, pode ser lido como uma metáfora audiovisual das tensões em Angola: tradição, modernidade e cultura política. Além de ocupar um lugar central na história recente do cinema angolano por ser uma das primeiras produções de ficção do país a ganhar visibilidade internacional após o fim da guerra civil (1975~2002).
O protagonista N’Dala, órfão da guerra civil, encarna o resultado mais dramático de um país dilacerado por quatro décadas de conflito. No filme, fica evidenciado que a independência não trouxe estabilidade, mas a intensificação da guerra civil, marcada por disputas internas pelo poder. Essa longa violência deixou cicatrizes sociais profundas na população angolana. O filme articula as consequências de todo esse contexto em Angola, como a memória da guerra, exclusão social e a formação da identidade do povo. O título remete tanto a sensação de vazio existencial do protagonista quanto ao vazio coletivo deixado pela destruição da guerra civil. A cidade, populosa e vibrante, aparece paradoxalmente vazia em afetos, perspectivas e garantias para as crianças.
O filme também constrói a narrativa de forma que dramatiza, no plano individual e simbólico, as tensões entre tradição e modernidade que marcaram a história de Angola no período pós-independência. (Interessante correlacionar isso analisando o discurso do MPLA, durante a luta anticolonial, pois no período pré-independência eram exaltados os elementos da tradição como formas de resistência e identidade, porém, no pós-independência, esse discurso foi alterado para o projeto do "homem novo", no qual a tradição era desqualificada como um sinal de atraso, tribalismo e obscurantismo). O protagonista, N’Dala, portanto, representa esse choque. Ele é um menino do interior, marcado pela guerra, que chega a Luanda em busca de um novo destino. Sua origem remete a um espaço mais próximo das tradições, ligado ao campo e as práticas comunitárias. Já na cidade, onde ele desembarca, simboliza a modernidade: urbana, caótica, marcada por desigualdades, violência, mas também por promessas de futuro. Essa oposição não é apenas espacial, mas existencial. N’Dala, desenraizado, não se reconhece plenamente nem em sua herança tradicional, pois a guerra lhe roubou família e vínculos. E também não se reconhece na modernidade que Luanda oferece, uma modernidade degradada, que não cumpre a promessa de progresso. Ele vive, portanto, a condição de transição, o vazio que intitula muito bem o filme.
Cidade Vazia é mais do que um drama social, é um testemunho sobre as marcas da guerra civil em Angola, narrado pela ótica da infância. Maria João Ganga oferece um cinema de resistência, que não apenas denuncia, mas também provoca reflexão sobre a reconstrução social e afetiva de um país. Apesar das limitações técnicas, trata-se de uma obra pioneira e de grande valor histórico, estético e político para o cinema angolano e africano em geral
Fogo Interior: um réquiem para Katia e Maurice Krafft
4.4 10Imagens absolutamente estupendas dos Kraffts + direção do Herzog = ARTE!
A Hora e a Vez de Augusto Matraga
4.0 33Com tanta gente reclamando da qualidade da release que viu, me sinto privilegiado em poder ter visto na versão remasterizada. Tem fotografias e trilha sonora lindíssimas, deve ser uma pena não poder assistir numa boa qualidade de áudio e imagem.
Soldado Estrangeiro
3.1 3"E por qual tipo de liberdade eles estavam lutando, afinal, Joe?”
Vi algumas pessoas reclamando da montagem, quando, na verdade, eu acho que a montagem do doc é o seu grande ponto forte narrativo.
Primeiro, vemos a história de Bruno, onde mostra toda a questão do sonho em servir, a vontade de dar uma condição de vida melhor para filha e a mãe, além de toda sua apreensão em ser aceito na Legião Estrangeira. Ou seja, nessa primeira parte, temos o início de uma trajetória militar no estrangeiro.
Já na segunda história, a de Mario, nós podemos ver um garoto completamente deslumbrado com a sua atuação no exército israelense, marcando bem o meio dessa trajetória militar que o documentário tenta expor. O garoto, até por ser o mais novo dos 3 personagens centrais desse doc, deixa explícito toda a sua inocência e ingenuidade, construindo uma ótima representação dos sonhos de uma juventude em relação ao serviço militar.
Por fim, temos o personagem do Felipe, que finaliza esse arco de serviço militar. Além de estar completamente destruído fisicamente e mentalmente, ainda é completamente descartado pela Marinha como alguém "sub-honrável", em consequência do vício em analgésicos adquirido no período em que serviu em zona de combate.
Portanto, acredito que a montagem estrutural desse documentário é, realmente, o seu ponto forte, pois, se Bruno representa o início, Mario, o meio, Felipe é, certamente, o fim. Fazendo, assim, um link temporal bem bacana entre três histórias aparentemente autônomas.
Sonhos
4.4 390 Assista AgoraVer os comentários de uma galera dizendo que assistiu ao filme num modo acelerado me assusta absurdamente. Assistir a qualquer filme no modo acelerado já é bizarro, um filme belíssimo desses que é feito para se apreciar então... É mais assombroso ainda! 😨
O efeito das redes sociais e desse formato de vídeos curtos estão destruindo o cérebro da rapaziada mesmo.
Der vermessene Mensch
3.5 2 Assista AgoraConfesso que me incomoda de sobremaneira a narrativa da história ser a partir da perspectiva dos perpetradores da violência e não das vítimas, os povos Herero e os Nama. Infelizmente, acredito que essa escolha de perspectiva faz o filme perder uma grande oportunidade de tocar num assunto que raramente é discutido no cinema, além de pecar na profundidade do que realmente foi esse genocídio.
Apesar do filme ter tido uma preocupação e o didatismo de demonstrar todas as práticas utilizadas pela pseudociência da época que embarcava num darwinismo social, que servirá mais tarde de base ideológica para o holocausto, ele falha em conseguir transmitir dramaticidade em diversos momentos do filme (muito por essa escolha de perspectiva).
Acho a solução final para o giro de 360° do protagonista pesquisador um tanto quanto forçada e abrupta também, apesar de ter como ponto positivo não romantizar como se ele fosse "o alemão humanista salvador".
Enfim, de positivo, é bom de ver a Alemanha assumindo finalmente de peito aberto a participação nesse genocídio, além de promover o olhar para esse período nefasto da neocolonização da África durante o séc. XIX e XX. É uma pena que no final fique um gostinho de "poderia ter sido muito melhor explorado esse filme". Mas, de qualquer forma, é um filme que eu recomendo pela temática tão pouco abordada e tão necessária.
As Pequenas Margaridas
4.2 279É anárquico demais para o meu gosto, não me pegou.
Terra de Deus
3.6 17 Assista AgoraA primeira parte do filme, durante a viagem do Pe.Lucas até a outra costa da Islândia, acompanhado de imagens belíssimas e, ao mesmo tempo, intimidadoras, é o ponto alto do filme, sem sombra de dúvidas.
Toda sua transformação de um personagem de confiança inabalável e até mesmo uma arrogância, para aos poucos ir se degradando física e mentalmente, é bem bacana. Ele acaba por tomar decisões precipitadas e imprudentes, coloca a vida dos outros em perigo, ao mesmo tempo, em que reza por libertação.
Na segunda parte do filme, eu acredito que perca um pouco a força cinematográfica, apesar das cenas usando o lapso de tempo de um cavalo morto sejam bem interessantes.
Jogo de Cena
4.4 354 Assista AgoraCOUTINHO É REI! 👑
As Linhas Tortas de Deus
3.5 278 Assista Agora- Qualquer um que viu meia dúzia de filmes já sabe de antemão o suposto plot twist
- Um Ilha do Medo (Shutter Island) mal enjambrado.
Continente
2.6 18 Assista AgoraAtirou para todos os lados e conseguiu a proeza de não acertar nenhum dos alvos.
Z
4.3 124"Qualquer semelhança com fatos ou pessoas vivas, ou mortas, não é casual, mas intencional."
FILMAÇO!
Os Malditos
2.6 41 Assista AgoraInfelizmente, cai em alguns clichês do gênero, mas é melhor que a grande maioria do terror mainstream que sai por aí, achei até a nota injustamente baixa por aqui.
É ótima a atmosfera criada nesse posto avançado de pesca da Islândia do séc.XIX, com belas paisagens, a montanha, o gelo, o mar, um dilema moral, a solidão de um grupo, a fome, o frio, enfim... Uma bela "claustrofobia a céu aberto"! Possui também uma excelente trilha sonora que ajuda em toda essa ambientação e na sensação de tensão em determinadas cenas. Não tem aquele uso desenfreado de CGI comum em filmes de terror, aqui há muito poucos e com moderação.
O roteiro, realmente, não oferece nada muito original, mas demonstra uma habilidade para combinar diferentes elementos interconectados, como: sobrevivência, crueldade, egoísmo, culpa, nostalgia e, claro, a loucura que pode surgir tanto do isolamento congelante, como das noites longas no inverno do extremo norte, além da influência sobrenatural da lenda do Draugr entre os habitantes desse isolado posto de pesca.
De ressalva, apesar do ritmo lento, achei que faltou filme. Poderia ter pelo menos umas 2h de duração, fazendo uma introdução mais profunda dos personagens, do local e do dia-a-dia ali vividos.
Já o final, bem, aí talvez tenha rolado um desfecho um pouco preguiçoso e caindo em diversos clichês do gênero, entendo quem ache que isso atrapalhe a experiência final.
Conclave
3.9 829 Assista AgoraO filme é bom, mas esse final, onde o sujeito que ganha a eleição, é um cara que ninguém conhecia até a cerimônia de votação, é demais para mim... Após mostrar que TUDO é política e ambição na cúria, mesmo assim, leva mais votos o que ninguém conhece e não faz política. Me parece subestimar a inteligência de quem assiste.