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"As telas escurecendo, as transições de imagens, as cenas reescritas, tudo que foi cortado - agora quero explicar essas coisas a ela, mas sei que nunca o farei, o mais importante é isto: jamais gostei de ninguém e tenho medo das pessoas".

Últimas opiniões enviadas

  • Paulo Montini

    A "primeira parte" é uma daquelas boas soft-comedy familiares, tipicamente estadunidenses; as relações próximas entre mãe-filha, sempre envoltas naquelas confusões "do bem", o imprestável que é o namorado (e olhem só, professor já se fodia nessa época...) dessa última, o vizinho maluco, os pretendentes caricatos (Danny DeVito e seu ar da graça aqui pra mim foi sensacional), os amores improváveis de uma viúva e mesmo de um astronauta.

    A "segunda parte" é uma transformação quase que total, de certo modo até brusca pelo que vinha se desenrolando então: vira um drama poderoso, envolvendo as dificuldades das separações familiares - daqueles com quem vivemos a vida toda, amigos e familiares -, também daquilo que os falantes do espanhol chamam de "la vida en pareja" ou a nossa vida de casal - e seus ciúmes,

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    mesmo traições

    e a inquietante sombra da desconfiaça -, a vida nova, e muitas vezes ingrata naquelas cidades tão diferentes das nossas natais, o cotidiano e a gente metropolitana e a distinção daquelas do interior até no trato do dia-a-dia e das conversas, a dificuldade da perspectiva infantil em aceitar e lidar com separações que nunca são fáceis.

    Duas cenas exemplificam bem pra mim cada uma dessas partes, que funcionam quase que como uma dicotomia: além dos momentos divertidos com os pretendentes de Aurora, a cena de

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    despedida de Emma e Flap de Aurora e Patsy, em que este acelera o carro quando a filha única da coroa pede pra ir saindo devagarinho,

    é sensacional - aqui Jeff Daniels já mostrava como se tornaria um dos queridinhos da comédia hollywoodiana futuramente.
    Desta segunda, é quase impossível ao menos não reconhecer a força
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    da cena das visitas à Emma: as despedidas da amiga e dos filhos, a franqueza com Flap e a presença deste e da mãe até o último respiro

    são daqueles momentos que jogam na cara o quão difícil são tais momentos.

    Apesar de pra mim o número de 5 premiações da Academia caírem um tanto demais pro produto final que saiu daqui, evidentemente não deixa de ser um bom filme.

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  • Paulo Montini

    "Vocês não concordam que tais discussões seriam inúteis nos bons tempos que passamos juntos? Quando você faz uma decisão, deve segui-la a qualquer custo. Aquilo que você sempre diz, pai. E nós tomamos nossa decisão. Nós decidimos partir, porque a exceção de vocês, nada mais nos prende aqui".

    Toda a desilusão de uma vida urbana e burguesa, de uma família qualquer de classe alta germânica; aqui, Haneke parece querer levar ao filme aqueles ingredientes que, se já faziam parte de tal "classe" no mundo ocidental estadunidense ou europeu, certamente engoliriam anos depois o restante do mundo - inclusive nós, latino-americanos.

    Relações conjugais distantes, uma mesa farta para o jantar nos quais ninguém se olha ou comenta algo sobre o dia daquele com quem divide a mesa; as máquinas, já presentes na indústria, nos supermercados e no trabalho do oftalmologista e, curiosamente,

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    a presença de um dos poucos personagens que se abrem à uma conversação: a senhorinha, cliente de Anna e de seu irmão, e que é evitada por ambos

    ; os temores do cotidiano: a "cegueira" de Eva, inspirada por um título de um jornal local, o pânico
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    de Anna no lava-jato

    . Traz, também, as ideias hoje quase que utópicas de um lugar/destino distante que possa trazer felicidade às vidas medíocres e de merda a quais somos submetidos: a Austrália, idílica, naquele recorrente recorte mal produzido por uma empresa de turismo de quinta categoria com uma praia deserta e as ondas lentamente engolindo a areia.

    Aqui temos quase uma pintura, da parte do Haneke; uma arte daquelas estranhas. Estranhas mas que, infelizmente, também têm como personagens do quadro nós mesmos - se pararmos para pensar no nosso estilo de vida, das grandes urbes, da industrialização e individualização constantes.

    E que baita cena a da

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    destruição da casa; mas, ali naquele longo take, o que mais nos dói? Vermos os peixes tendo seu lar destroçado - e compartilhando da sentimentalidade e sensibilidade de Eva -, ou ver o dinheiro, a pouco recolhido no banco, ser rasgado e jogado ao toalete?

    .
    É inevitável repetir o que sempre penso e falo, aqui no Filmow, sobre todo filme do Haneke: o homem é um puta provocador.

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  • Paulo Montini

    Alguns diretores sempre me chamaram a atenção pelo verdadeiro caleidoscópio de técnicas, temáticas e escolhas de elenco para seus filmes; sempre variando esses itens, e outros diversos, lançando um sopro quase que constante de originalidade à sua filmografia. Que acertem ou não nestas, e em outras diversas,escolhas, nem me interessa tanto - que o produto final, o filme lançado e posto ali no cinema e às vendas, atinja a qualidade esperada, tampouco me importa nesse quesito; afinal, quem sou eu pra pitacar nos trabalhos dos caras?
    O fato é que o Oliver Stone certamente entra fácil nessa minha categoria particular. O sujeito que vai de temáticas tão diversas, como da guerra contemporânea (com "Platoon", por exemplo) ou à crítica aos constantes intervencionismos estadunidenses na América Central (como em "Salvador"), e lança algo como "Assassinos" certamente tem cadeira cativa aqui.

    "Assassinos por Natureza" cheira a filme de anos 90. As duas primeiras cenas, com o casal inicialmente aprontando no bar, no famoso meio do nada - tão comum e tão retratado no cinema estadunidense, ali pelo meio-Oeste ou no Oeste em si - já denota muito disso: os close-ups costantes, com imagens e cenas diversas (propagandas clássicas ou não, entrevistas, filmagens caseiras familiares etc) sendo sobrepostas uma sobre as outras, virando quase uma psicodelia cinematográfica, e com uma dose insaciável de violência gráfica e bebendo constantemente do exploitation, foi algo bem presente em muito dos filmes da década; lembremos, por exemplo, do "Funny Games" do Haneke, ou de um Quentin Tarantino que começava a botar as mangas pra fora já neste tempo com seu "Cães de Aluguel" e futuramente com o, pra mim, verdadeiro herdeiro dessa tradição cinematográfica, "Pulp Fiction".
    A construção de algumas cenas por parte do Stone aqui também me fizeram lembrar o "Ed Wood", do Burton, ou o "Coração Selvagem" do Lynch: as cenas de dança (futuramente adotadas em larga escala pelo próprio Tarantino), o preto-e-branco constante, os cortes rápidos e variantes em foco, indo dos olhos do Downey Junior à um close no Tommy Lee Jones, tudo entrecortado por um Woody Harrelson jovem, careca e assustador; tudo isso está aqui.

    E a segunda cena é, pra mim, sensacional: um verdadeiro

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    esquete de sitcom, no qual conhecemos a juventude sofrida da Mallory; os abusos - e o preconceito, o machismo - de seu pai, a conivência da mãe, e o encontro irremediável de amor à primeira vista com o

    Mickey.

    Não se tornou um dos meus favoritos. Mas como disse no começo, tento pelo menos entender o mínimo que motivou a produção, e a importância do que saiu daí, do produto final, do filme em si. Stone aqui, no meu ver, também meio que brincou com o que a década de 90 ofereceu aos cineastas, com todos aqueles modismos temáticos e técnicos (da violência bem explícita e gráfica, por exemplo), tal como Haneke no "Funny Games".

    A crítica dura de Stone também respinga constantemente: as explorações midiáticas - com o jornalismo "sangrento -, a construção de "mitos" a partir de assassinos seriais, a violência das prisões; tudo isso também está aqui. E tudo isso com certeza faz de "Assassinos", pra mim, um dos verdadeiros filhotes do cinema noventista.

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  • Fábia Moura
    Fábia Moura

    Oi Paulo, valeu por aceitar
    Curti muito a perspectiva de tuas opiniões sobre alguns filmes, te adicionei pra poder acompanhar um pouco do que tu anda assistindo
    Tu escreve pra algum site?

  • Ferraz Greg
    Ferraz Greg

    Obrigado por aceitar, Paulo! Valeu!

  • Ana
    Ana

    Muito obrigada Paulo . :D