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''The last time I saw this face was July 4, 1969. I'm very sure this is the man who shot me.''

Últimas opiniões enviadas

  • Paulo Montini

    "Pegue suas roupas e vá para a saída,
    se você cair fora ninguém irá reclamar.
    Encontre o lugar onde você pode ser entediante,
    aonde você não precisa dar explicações
    que você está doente da cabeça e desejava estar morto.
    [...] Você é péssimo em autopreservação, contra as outras dores de qualquer um
    [...] Então se levante e pare de reclamar, você sabe que é o único que está destruindo toda a diversão.
    Veja o que aconteceu enquanto você estava sonhando: por isso, se soque na cara".

    Música "American Dream", do LCD Soundsystem; mas poderia ser uma peça de Caden e, infelizmente, do próprio Philip Seymour Hoffman.

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  • Paulo Montini

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    "Não importa quão frio esteja; mas no dia em que fores à montanha, nem colete acolchoado pode vestir. Pode ser duro e sofrido, mas Narayama em neve é bem melhor.


    Para nós ocidentais que cultivamos uma imagem idílica do Japão e de sua história pelo alcançamos/consumimos/importamos (tais como animes, filmes, games e músicas), alguns filmes quebram e rompem aquela fronteira longamente delimitada entre um romantismo desejado e/ou esperado, no qual vemos a "terra do sol nascente" como um espaço de uma sociedade refinada, casta e, para alguns racistas, superior, e aquilo que por vezes representa algo próximo da "realidade", se podemos chamar assim. Como exemplo, temos o "Harakiri", filme de 1962 que "destrói" a imagem romantizada dos samurais; mas também temos "A balada de Narayama" que nos apresenta, através do cotidiano de uma vila esquecida nos sopés de algumas montanhas, as relações sociais conturbadas de um Japão que, apesar de saído recentemente de um feudalismo, ainda apresenta em suas entranhas aspectos de uma sociedade tal.
    A construção cinematográfica de Imamura é belíssima, e aqui discordo de alguns comentários anteriores presentes em análises sobre o filme: se estamos em um período de fins do século XIX e de uma modernização forçada pelo Estado Meiji, conforme nos informa a sinopse, o bucolismo rural é reforçado na fotografia do filme; animais que, em suas reações naturais na luta pela sobrevivência da natureza, não se distanciam tanto da natureza de seus parentes humanos. As cenas de
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    amor, entrecortadas com imagens de pequenas cobras se entrelaçando, exemplificam tal ponto, e são belíssimas.

    O mundo natural, por vezes, é mais próximo do que se imagina das sociedades humanas, e Imamura nos transmite tal sensação a partir da montagem de algumas destas cenas nos quais pássaros, cobras, ratos e furões dividem o mesmo espaço com os habitantes do vilarejo.
    Se muitos japoneses ainda hoje tentam passar a imagem de uma suposta sociedade perfeita que têm, em uma mistura explosiva de chauvinismo exacerbado e xenofobia, Imamura escapa pela tangente por um caminho completamente oposto: o profano e o sagrado se misturam na balada de Narayama. Justiça, muitas vezes, é feita pelas próprias mãos; como não se emocionar
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    na cena de desterro da famíla Amaya, no qual uma moça, grávida, é literalmente enterrada (viva) à força? O choro de Tatsuhei, aqui, expõe as violências e tensões de tais relações.

    Como não citar, também, a relação (contraditória?) de
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    Tatsuhei com seu pai? Uma relação de quase ranço: de porte de um rifle, símbolo desse modernismo recém-chegado à ilha, Tatsuhei tenta espantar o espírito do pai ao atirar nas árvores.


    É uma viagem enriquecedora por uma história que nos é, muitas vezes, mal contada pelo que recebemos culturalmente e até nas salas de aula de História; mas Risuke, com suas baladas sobre o cotidiano, certamente nos facilita o conhecimento sobre o cotidiano e, por que não, a história do Japão a partir deste pequeno vilarejo que repousa ao pé da montanha sagrada de Narayama.

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  • Paulo Montini

    O que me impressiona, no fim de tudo, é que um ano depois do lançamento do filme um livre pensador chamado Guy Debord escreveria que "o espetáculo se apresenta como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível. Sua única mensagem é 'o que aparece é bom, o que é bom aparece'. A atitude que ele exige por princípio é aquela aceitação passiva que ele já obteve na medida em que aparece sem réplica, pelo seu monopólio da aparência".
    É impossível ler isso e não se remeter à cena

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    de Montag sendo alertado de sua própria perseguição, ao vivo, nas "telas de parede". Sem questionamentos para os telespectadores, positivo, indiscutível, inacessível e, certamente como notamos pelo espetáculo armado, grandioso.

    Bradbury escreveu o romance sci-fi distópico em 1953, no auge do macartismo, em um momento de ápice da chamada Guerra Fria no qual a censura encontrava-se normatizada enquanto prática na sociedade estadunidense. Truffaut adaptou a obra pra filme em 1966, já num cenário de turbulência que sacudiria a França (e o mundo) dois anos depois; e, no ano seguinte ao debut da adaptação truffautiana, Debord escreve "A sociedade do espetáculo" expondo as entranhas midiáticas que cercam mais do que os meios de comunicação: a sociedade enquanto um todo.
    Para os três, só uma palavra: gênios.

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  • Ana
    Ana

    Muito obrigada Paulo . :D

  • Richard dos Anjos
    Richard dos Anjos

    Gostei demais dos três, mas mais do primeiro que li, Os tolos morrem antes. Que livro sensacional! :) Ei, me passa o número do seu celular pra gente combinar um horário. Estou trabalhando de segunda a sexta, das 7h às 13h. Portanto, não posso passar na universidade pela manhã. Você tem aula à tarde ou à noite?

  • Richard dos Anjos
    Richard dos Anjos

    Ei, Paulo. Eu já li os livros. Desculpa a demora. Como é que eu faço para devolvê-los a você? Na UFCG?