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"As telas escurecendo, as transições de imagens, as cenas reescritas, tudo que foi cortado - agora quero explicar essas coisas a ela, mas sei que nunca o farei, o mais importante é isto: jamais gostei de ninguém e tenho medo das pessoas".

Últimas opiniões enviadas

  • Paulo Montini

    É quase como se uma literatura pulp noir, daquelas baratas de fanzine, recebesse uma premiação - aquelas bem cafona, que existiam antes - na qual o sujeito agraciado teria seu conto ou romance adaptado por um elenco de estrelas pra uma novela ou minissérie que passaria naqueles horários obscuros da madrugada.

    A diferença é que aqui o agraciado teve o privilégio de ser adaptado pro cinema e, repito, com um elenco interessante. Pena que "Uma forma de assassinato" é o clichê de um folhetim policial estadunidense que faz daqueles meados do século XX o cenário àquelas estórias bem escabrosas; clichê ao cubo, por sinal.

    O problema é que a narrativa, infelizmente, não empolga - e dá aquela sensação, já com uns vinte minutos de filme, de "já vi isso antes, e pra caralho"; alguns errinhos técnicos bobos também doem quando se assiste, como

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    quando o Walter vai pela primeira vez no bar da Ellie e vê-se, na cena, que neva - em CGI, mas neva. Mas aparentemente as roupas e a pele do Walter repelem o fruto da pequena nevasca, e nem ao menos um floco gruda na roupa do sujeito.

    Algumas atuações também são ridículas. O Vincent Kartheiser interpretando o Corby beira o risível, e Walter não teria como ficar mais sem sal com aquela aparente frieza do Patrick Wilson.

    O final, pelo menos, é interessante e pode dar um debate legal. Minha interpretação é a de que

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    o Walter não assassinou a esposa - apesar de suas mentiras constantes à todos -; se aquilo que vemos em sua perseguição ao ônibus é o que realmente ocorreu, o arquiteto mais estranho da cidade realmente não teria como ter matado a mulher se nem ao menos a encontrava. Aquele sorriso. na cena final, poderia ser um indício plástico e externo de uma mente doentia e escrota que, por egoísmo puro, dificultou o trabalho da polícia e pôs a vida de diversas pessoas em risco para um objetivo no mínimo tosco?

    Creio que sim. Isso salva "Forma" e o faz melhor? Infelizmente, pra mim, não.

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  • Paulo Montini

    "São histórias [de horror, brutalidade] comuns nestes dias; ouvi dizer que o demônio vive aqui em Rashomon, fugindo com medo da ferocidade do homem".

    Kurosawa não hesita em brincar, com o telespectador, com algo tão cotidiano que por vezes se passa despercebido - em relatos, filmes, testemunhos, notícias, depoimentos, romances, declarações, histórias, a História; o que é, afinal, a verdade? Ou melhor, existe alguma maneira de apurar o "fato" da maneira em que realmente ocorreu?

    As versões oferecidas aqui não tratam o espectador enquanto o inocente nessa partida; afinal, nos depoimentos,

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    somos nós os ouvintes dos relatos. As tomadas das testemunhas voltam-se diretamente à gente, e cabe a nós, ou não, reconstituir o que ocorreu naquela mata fechada e que envolve sujeitos tão pitorescos quanto um bandido famoso, uma esposa aparentemente infeliz com o casamento, um sujeito honesto e até um religioso.

    Afinal "quanto mais ouço, mais confuso fico". Um recado bem direto!

    A construção da narrativa, neste objetivo proposto, é especialmente admirável por parte do Kurosawa: as amarras são bem apertadas, e nenhuma ponta escapa. O final, em especial a última cena, nos alerta para o resultado da "brincadeira":

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    o que aconteceu simplesmente aconteceu, e não somos passíveis de escrever, refletir ou representar aquela realidade tal como foi;

    no fim, tudo não passa de uma construção, narrativa, imagética ou o diabo que seja.

    Afinal, "é humano mentir, e na maior parte do tempo não somos honestos nem consigo mesmo". E ah,

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    sempre suspeitemos daquele que diz que "viu" a verdade, a forma como realmente ocorreu, aquele que quer passar uma forma de honestidade à todo custo.

    As lições de Kurosawa aqui são atemporais, para todos os campos e de todas as formas possíveis.

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  • Paulo Montini

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    "Não pode deixar uma criança comandar a casa",

    diz um pai - ausente no cotidiano familiar e de traços machistas para com sua esposa -, importante diplomata aos serviços do presidente estadunidense Woodrow Wilson e envolvido nas costuras da incipiente paz pós-Grande Guerra (lembremos que parte de Wilson a proposta de uma Liga das Nações que teria carta branca de alguns Estados para manter a paz no mundo), à uma mãe - que, apesar dos impulsos autoritários, permite certas "escapadas" de sua criança, mimada, no dia-a-dia.

    "A infância de um líder" pareceu querer, na minha perspectiva, seguir os exemplos da "Fita Branca" do Haneke, lançado alguns anos antes; se na "Fita" vemos o cotidiano de um irrelevante vilarejo alemão de século XIX que expõe, por meio de seu cotidiano - e aqui leia-se a repressão de uma religião reformista, a presença mais que sentida de um Estado recém-nascido e com indícios explícitos de militarismo, além de uma crença demasiada nas "ciências" e suas projeções de "progresso", "civilização" e "futuro" -, aquilo que seria a gênese, as sementes, do pensamento nazista, "Infância" opta por uma pegada inusitada e diferente. E que o Brady Corbert, infelizmente, não conseguiu acertar na mão em minha opinião.

    Tecnicamente, o resultado final que é entregue é bem elogiável. Uma tensão é criada e paira o filme com a presença de uma trilha sonora que preza por aquela sensação de "vai acontecer algo, e vai dar merda"; cenas, e algumas tomadas, são belíssimas: Ada e Prescott pelo campo, e o breve passei do birrentinho com a mãe pelas ruas da pequena cidade francesa também são lindíssimas. Menção mais que especial também pela maneira com que Corbert brinca, com a "Abertura" e sua "Parte Três", respectivamente,

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    com as imagens do conflito que assombrou o mundo no século do século XX e as comemorações pela paz em 1918 - e com os figurões que amarraram o ridículo Tratado de Versalhes, que arrastariam o mundo à uma nova guerra mundial pouco mais de trinta anos depois -

    entrecortadas pela presença já comentada deste tipo de música.

    O problema de "Infância", pra mim, é de certo modo não saber se decidir pelo que abordar e, por isso, não saber o que dizer. A leitura imediata que fazemos do filme é: quer dizer então que uma criança mimada - e que no meu ver pagou uma atuação estupidamente caricata, cheia de "carão", claramente à mando do diretor - rica,

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    em um ambiente cercado de certa repressão familiar, mas ao mesmo tempo por permissividades da mãe, é basicamente um indício de uma sociedade - ou um líder! - autoritário?

    Não esqueçamos que tal cenário "familiar" foi, e ainda é, comum em diversos lares ao redor do mundo inteiro; seria um alerta do Corbert à situação política mundial atual? Mas a humanidade, e em boa parte de sua história que atravessa o mundo ocidental e oriental de cabo a rabo, não foi majoritariamente assim? Enfim, qual a mensagem disso?
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    E qual a necessidade daquela parte derradeira, pobre, que parece trabalho de estudante pra se entregar no prazo?

    Referência aos fascismos, ao stalinismo, às diversas ditaduras militares e governos repressores que surgiram ao longo de todo o século XX, e que ainda insistem na reconquista de espaço público atualmente, pensando à nível de Brasil?

    Meu ponto é que "Infância" mira uma crítica maior, chegando até a acertar o alvo em alguns momentos, mas peca no disparo; em um cinema que dialogue com tais situações, ainda prefiro ficar com os bons exemplos como "Fita Branca" que, apesar de não ser seu maior fã, devemos reconhecer que Haneke, ali, soube delimitar seu lugar, sua proposta, seu conteúdo e, além disso tudo, entregar isso de maneira bem fechado ao público. Pena que aqui "Infância" prometeu, criou e ficou cercada de expectativas, mas não soube alcançar aquilo que se esperou.

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  • Ana
    Ana

    Muito obrigada Paulo . :D

  • Richard dos Anjos
    Richard dos Anjos

    Gostei demais dos três, mas mais do primeiro que li, Os tolos morrem antes. Que livro sensacional! :) Ei, me passa o número do seu celular pra gente combinar um horário. Estou trabalhando de segunda a sexta, das 7h às 13h. Portanto, não posso passar na universidade pela manhã. Você tem aula à tarde ou à noite?

  • Richard dos Anjos
    Richard dos Anjos

    Ei, Paulo. Eu já li os livros. Desculpa a demora. Como é que eu faço para devolvê-los a você? Na UFCG?