O filme tem suas qualidades, é instigante, carrega aquele ar de exagero tanto nas cenas quanto nas interpretações e funciona muito bem. Tem dois grandes erros, pra mim: primeiro, é um pouco ridículo o quanto ele é didático em diversos momentos, explicando descaradamente o que está acontecendo com flashbacks de rótulos e etc, parece que subestima o intelecto do espectador e o filme nem é tudo isso em termo de metáfora, o machismo, a pressão estética, o ódio feminino autoinduzido e a obsessão pela juventude são bem óbvios; segundo, chega uma hora, perto do fim, que o filme já poderia acabar, mas descamba pra um absurdo que não tem muito sentido, fica gratuito, você acha que vai acabar e ele vai lá e dobra a aposta no gore. Eu adoro esse tipo de cena, sou fã, mas ali dentro daquela narrativa achei desnecessário levar até esse nível.
O filme não é difícil de entender, só é ruim mesmo. Começa bem, mas a parte mais incômoda é que a forma de narrar da metade pro final, somada à trilha sonora, parece que o filme está sempre pra acabar durante quase 50 minutos, ele te coloca num estado de suspensão, comum em filmes de ficção científica com esse intuito (algo que o Interestelar fez muito bem naquele trecho de revelação das dimensões) só que nesse filme esse estado é eterno e não tem nada de muito importante pra revelar e que você já não tenha sacado na metade do filme.
O mais fraco de todos. Ainda que tenha cenas interessantes em termos visuais, é tudo muito genérico, cheio de auto referências, sem muita identidade. A assombração é a mais aleatória dos quatro filmes, não tem uma origem, uma história, apenas é. O final é básico, a solução sem nenhum sentido.
Estética belíssima, como já era de se esperar, vindo de quem vem. Adorei como os tons de verde foram utilizados no filme como um todo (cor habitualmente associada ao monstro nos filmes). Conseguiram deixar o Victor mais detestável do que normalmente ele é retratado no cinema, ponto positivo. Tem alguns clichês que me incomodaram um pouquinho, pareceram meio fora de lugar, como a figura do pai violento, abusivo, distante e detestável para justificar que Victor só conhece a educação pela violência e negligência, coisa que não existe no livro, que é exatamente o contrário, os pais são muito amorosos e o pai muito dedicado e carinhoso. Ainda gostaria de ver uma adaptação que seguisse o livro mais de perto, ainda assim, ficou muito bom, acima da média, e manteve a essência da ambiguidade moral: a criatura é um "vilão" trágico que se torna violento pela dor do abandono, enquanto Victor é o criador arrogante e negligente que desencadeia a tragédia.
Uma grata surpresa. A única coisa que não gostei muito foi do toque de humor que colocaram em algumas partes, acho que se ficasse restrito ao bizarro e grotesco, aos elementos que são super estranhos, como a própria figura da tia Gladys, já conseguiriam um bom efeito, o humor foi um pouco demais, de resto, fazia tempo que um filme de terror sobrenatural não me entretinha tanto.
Uma grande mistura de referências do gênero e que dá certo. Um toque de Um Drink no Inferno, um pouco de True Blood, 30 dias de noite e A hora do espanto. A mistura cultural de um ser mitológico vindo da Europa encontrando um sistema de crenças de matriz africana foi bem interessante também, mas pouquíssimo explorada, isso foi uma pena. De resto, um belo espetáculo, e fica mais interessante quando você entende a ideia por trás da segregação, tanto do negro quanto do irlandês.
No geral, foi inferior ao primeiro. Enquanto Sorria tem uma atmosfera mais sombria, uma história que prende e um final bem conceitual e que fornece uma boa teoria para a criatura e sua forma atuação, Sorria 2 é bobo, com um roteiro um tanto caótico sem muitos avanços. Levando em conta o conceito do primeiro, colocar uma artista pop no centro da trama do 2 seria muito interessante, mas, pra mim, o tiro saiu pela culatra. O final até tenta encontrar um rumo melhor, mas a reação vem demasiado tarde. As atuações são um tanto abaixo da média, chega a ser engraçado em muitos momentos. Ainda não sei o que pensar no que foi o Ray Nicholson. Fizeram grande propaganda pela presença dele e, quando acaba, aparece pouquíssimo, apenas para mostrar o sorriso e a interpretação que a gente remete imediatamente ao seu pai em O Iluminado, qualquer um que conheça o filme não vai conseguir escapar da comparação. Ainda assim, tem cenas interessantes e a ideia de fazer o que fez na frente do público abre um bom espaço para um 3. O problema é transformar em só mais uma assombração boba, como fizeram com a Samara em O Chamado 2 e 3 numa pegada bem parecida de ampliar as vítimas.
Apesar de acharem o filme "sem final" ou "sem explicação", ele tem os dois, apenas não de forma tão direta, mas pelas entrelinhas, e nem é difícil pescar. Tanto no final, quando vemos o fantasma homem no apartamento com inúmeras outras mulheres, quanto durante o filme vemos o comportamento dele ao "assombrar" as protagonistas (fortemente sexual), acaba se tornando possível fazermos inúmeras inferências que apontam na mesma direção. É possível percebermos isso ao observarmos, também, os comportamentos um tanto exagerados de alguns dos homens que convivem com as protagonistas (o namorado insistente que não respeita o espaço e as decisões dela, o pai que desiste, o que desacredita, o colega que só quer ir pra cama) a gente consegue ligar os pontos. O final, quando vemos que o prédio está em todos os lugares, e o fator feminino de apoio mútuo da última cena, a ideia de trauma, silenciamento, misoginia, enfim, o filme é mais fácil de se ler do que se imagina. Tem um refinamento, mas a execução é um tanto vacilante.
Uma das melhores animações do Batman. Se a série Batman do Futuro, que é boazinha, tivesse a metade da atmosfera e roteiro desse filme, seria maravilhosa.
Gostei? Sim. Achei tudo isso? Não. Pode ter sido toda a expectativa que criei, mas no geral achei o filme bem morno e pouco instigante, enquanto filme, fica tudo meio na superfície. Claro que o momento histórico que retrata é terrível, mas tem muitos outros filmes sobre o período que foram muito mais bem executados. O grande trunfo da história contada dessa forma, pra mim, foi ver os reflexos do terror no cotidiano, na vida que precisa seguir, apesar de tudo. É um filme sobre a ditadura, mas não é sobre estar no olho do furacão, na correria e tensão de ser "subversivo", não. É uma história de quem vive na periferia desses acontecimentos, sobre o fato de que, apesar de tudo de ruim e tenebroso acontecendo, o mercado e o almoço ainda precisam ser feitos, os filhos ainda precisam ir para a escola serem educados, a roupa continua precisando ser lavada e passada, as contas continuam a chegar e precisam ser pagas, e outras pessoas continuam rindo e brincando e seguindo suas vidas. O absurdo e o corriqueiro lado a lado, como se nada estivesse acontecendo, e como isso é muito real. É tudo muito sutil, quase higienizado, talvez essa tenha sido a forma da Eunice lidar com tudo, ou pelo menos foi o que o filme me passou. Ainda assim, senti falta de algo mais passional, mas aí seria outro filme e outra Eunice. Cabe, ainda, pensar que se trata do retrato de um grupo privilegiado de pessoas, de certa classe social que foi impactada de outra forma pelo período.
Absolutamente nada faz sentido nesse filme. Diverte em alguns momentos, mas é uma confusão que parece que não teve diretor, só chegaram e falaram "tá, gente, vamos improvisar, sem roteiro, cada um fala e faz qualquer coisas aí que já tá bom, uma hora vai fazer sentido". Mas não faz.
Tem uma beleza estética notável, cada cena é bem montada e pensada como um quadro. Gostei como, apesar de ser um filme moderno, manteve uma certa atmosfera expressionista do filme original. A única coisa que me incomodou foi uma certa histeria que se abateu sobre todo o elenco e que meio que saiu do tom e se tornou um bocado irritante em certa altura. Proposital? Talvez, mas destoou do tom geral do filme pra mim. De resto, uma bela experiência de horror e terror.
Não vou dizer que não achei bonitinho, até faz uma graça, mas foi, sobretudo, desnecessário, cansativo e vivendo basicamente de repetir o anterior de modo bem genérico. Me decepcionou o cenário quase todo digital, muito cafona, e tinha horas que parecia mais uma cidade saída de um filme do Tim Burton do que uma cidade do nordeste brasileiro.
Tirando o final um tanto quanto forçado, contando da parte do alçapão em diante, é um bom filme baseado em diálogos. Poderia ter explorado mais a fundo os princípios filosóficos, principalmente no ponto das exposições que o vilão faz a partir dos jogos de tabuleiro, mas acho que ficaram com medo de deixar o filme muito maçante. Acabou ficando um tanto na superfície por conta disso, a peteca caiu umas duas vezes, o que o torna um filme mediano em termos de A24, mas acima da média comparados com outros em geral.
Pra mim, ele demorou muito pra dizer a que veio. Escolher contar a história do ponto de vista da agente especial foi uma escolha interessante, mas muito mal aproveitada e arrastada. O filme começa a ficar interessante a partir da cena no celeiro, e ali estamos falando de 40 minutos de filme já. Também achei a construção do personagem Longlegs meio pobre, superficial, quase caricato. Eu esperava algo mais na linha "O silêncio dos inocentes" e recebi um "O boneco do mal" às avessas. Final apressado, explicação corrida e meio atrapalhada, mal contada. Mas o filme, em si, não chega a ser uma completa perda de tempo, é possível ver e se entreter com o mistério por um tempo.
Da metade pro final eles conseguiram me fazer torcer muito pela Esther, será que preciso de terapia? Tirando os problemas de roteiro, algumas coisas bem forçadas, até que é bacaninha.
Uma delícia de assistir e, para um filme do início dos anos 80, trás questões de tratamentos sociais de forma bem leve e bacana pra época e que acho que ainda tá valendo pros nossos dias.
Um dos melhores filmes da linha bizarro/trash dos últimos anos. A forma como o roteiro se desdobra instiga bastante, apenas senti falta de uma finalização mais esclarecedora, mais conclusiva. Aquilo tudo acontece, descobre-se a circunstância absurda de tudo, e simplesmente acaba, eu queria um direcionamento do que aconteceria com a Madison, inclusive no aspecto criminal.
Senti a atmosfera clássica e tradicional do Tim Burton que há muitos anos não sentia, foi um tipo de volta às raízes da sua estética e narrativa. Bom, divertido, mas não é muito marcante. Tenho que dizer que o personagem da Delores, a sugadora de almas, foi um desperdício gigantesco, serviu pra praticamente nada, foi uma grande bola fora do Tim, ela podia ter muito mais papel na história. Ainda assim, o filme acerta mais do que erra, principalmente por não arriscar em atualizar/modernizar personagens e os temas, mantendo tudo da esfera do clássico.
O filme me lembrou uma passagem de outro filme do Shyamalan, Corpo Fechado, na parte que o Bruce Willis atua como segurança num estádio durante um jogo e estão montando uma armadilha para pegar um serial killer, provavelmente teve alguma inspiração ali pra parte desse filme. Armadilha não é dos melhores, mas por ser um filme do Shyamalan, tem um certo amadorismo no roteiro que assusta. Dá pra relevar muita coisa ao longo do filme, mas a partir do sequestro da limusine em diante é um atentado gigantesco à lógica, ao bom senso e à inteligência do espectador, chegando a ser bobo. Uma pena. Tinha potencial.
Jurassic World: Recomeço
2.7 454 Assista AgoraA quantidade de coincidências toscas e bobas pro desenrolar da história irrita já desde as primeiras cenas.
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraO filme tem suas qualidades, é instigante, carrega aquele ar de exagero tanto nas cenas quanto nas interpretações e funciona muito bem. Tem dois grandes erros, pra mim: primeiro, é um pouco ridículo o quanto ele é didático em diversos momentos, explicando descaradamente o que está acontecendo com flashbacks de rótulos e etc, parece que subestima o intelecto do espectador e o filme nem é tudo isso em termo de metáfora, o machismo, a pressão estética, o ódio feminino autoinduzido e a obsessão pela juventude são bem óbvios; segundo, chega uma hora, perto do fim, que o filme já poderia acabar, mas descamba pra um absurdo que não tem muito sentido, fica gratuito, você acha que vai acabar e ele vai lá e dobra a aposta no gore. Eu adoro esse tipo de cena, sou fã, mas ali dentro daquela narrativa achei desnecessário levar até esse nível.
Conclave
3.9 827 Assista AgoraTramas interessantes, final instigante, mas achei a execução um pouco piegas.
A Grande Inundação
2.7 153 Assista AgoraO filme não é difícil de entender, só é ruim mesmo. Começa bem, mas a parte mais incômoda é que a forma de narrar da metade pro final, somada à trilha sonora, parece que o filme está sempre pra acabar durante quase 50 minutos, ele te coloca num estado de suspensão, comum em filmes de ficção científica com esse intuito (algo que o Interestelar fez muito bem naquele trecho de revelação das dimensões) só que nesse filme esse estado é eterno e não tem nada de muito importante pra revelar e que você já não tenha sacado na metade do filme.
Invocação do Mal 4: O Último Ritual
3.0 466 Assista AgoraO mais fraco de todos. Ainda que tenha cenas interessantes em termos visuais, é tudo muito genérico, cheio de auto referências, sem muita identidade. A assombração é a mais aleatória dos quatro filmes, não tem uma origem, uma história, apenas é. O final é básico, a solução sem nenhum sentido.
Frankenstein
3.7 596 Assista AgoraEstética belíssima, como já era de se esperar, vindo de quem vem. Adorei como os tons de verde foram utilizados no filme como um todo (cor habitualmente associada ao monstro nos filmes). Conseguiram deixar o Victor mais detestável do que normalmente ele é retratado no cinema, ponto positivo. Tem alguns clichês que me incomodaram um pouquinho, pareceram meio fora de lugar, como a figura do pai violento, abusivo, distante e detestável para justificar que Victor só conhece a educação pela violência e negligência, coisa que não existe no livro, que é exatamente o contrário, os pais são muito amorosos e o pai muito dedicado e carinhoso. Ainda gostaria de ver uma adaptação que seguisse o livro mais de perto, ainda assim, ficou muito bom, acima da média, e manteve a essência da ambiguidade moral: a criatura é um "vilão" trágico que se torna violento pela dor do abandono, enquanto Victor é o criador arrogante e negligente que desencadeia a tragédia.
A Hora do Mal
3.7 1,0K Assista AgoraUma grata surpresa. A única coisa que não gostei muito foi do toque de humor que colocaram em algumas partes, acho que se ficasse restrito ao bizarro e grotesco, aos elementos que são super estranhos, como a própria figura da tia Gladys, já conseguiriam um bom efeito, o humor foi um pouco demais, de resto, fazia tempo que um filme de terror sobrenatural não me entretinha tanto.
Pecadores
4.0 1,2K Assista AgoraUma grande mistura de referências do gênero e que dá certo. Um toque de Um Drink no Inferno, um pouco de True Blood, 30 dias de noite e A hora do espanto. A mistura cultural de um ser mitológico vindo da Europa encontrando um sistema de crenças de matriz africana foi bem interessante também, mas pouquíssimo explorada, isso foi uma pena. De resto, um belo espetáculo, e fica mais interessante quando você entende a ideia por trás da segregação, tanto do negro quanto do irlandês.
Sorria 2
3.3 603 Assista AgoraNo geral, foi inferior ao primeiro. Enquanto Sorria tem uma atmosfera mais sombria, uma história que prende e um final bem conceitual e que fornece uma boa teoria para a criatura e sua forma atuação, Sorria 2 é bobo, com um roteiro um tanto caótico sem muitos avanços. Levando em conta o conceito do primeiro, colocar uma artista pop no centro da trama do 2 seria muito interessante, mas, pra mim, o tiro saiu pela culatra. O final até tenta encontrar um rumo melhor, mas a reação vem demasiado tarde. As atuações são um tanto abaixo da média, chega a ser engraçado em muitos momentos. Ainda não sei o que pensar no que foi o Ray Nicholson. Fizeram grande propaganda pela presença dele e, quando acaba, aparece pouquíssimo, apenas para mostrar o sorriso e a interpretação que a gente remete imediatamente ao seu pai em O Iluminado, qualquer um que conheça o filme não vai conseguir escapar da comparação. Ainda assim, tem cenas interessantes e a ideia de fazer o que fez na frente do público abre um bom espaço para um 3. O problema é transformar em só mais uma assombração boba, como fizeram com a Samara em O Chamado 2 e 3 numa pegada bem parecida de ampliar as vítimas.
Deadpool & Wolverine
3.7 922 Assista AgoraQue masturbação nerdística foi essa?
O Pranto do Mal
2.8 60 Assista AgoraApesar de acharem o filme "sem final" ou "sem explicação", ele tem os dois, apenas não de forma tão direta, mas pelas entrelinhas, e nem é difícil pescar. Tanto no final, quando vemos o fantasma homem no apartamento com inúmeras outras mulheres, quanto durante o filme vemos o comportamento dele ao "assombrar" as protagonistas (fortemente sexual), acaba se tornando possível fazermos inúmeras inferências que apontam na mesma direção. É possível percebermos isso ao observarmos, também, os comportamentos um tanto exagerados de alguns dos homens que convivem com as protagonistas (o namorado insistente que não respeita o espaço e as decisões dela, o pai que desiste, o que desacredita, o colega que só quer ir pra cama) a gente consegue ligar os pontos. O final, quando vemos que o prédio está em todos os lugares, e o fator feminino de apoio mútuo da última cena, a ideia de trauma, silenciamento, misoginia, enfim, o filme é mais fácil de se ler do que se imagina. Tem um refinamento, mas a execução é um tanto vacilante.
Batman do Futuro - O Retorno do Coringa
3.5 82 Assista AgoraUma das melhores animações do Batman. Se a série Batman do Futuro, que é boazinha, tivesse a metade da atmosfera e roteiro desse filme, seria maravilhosa.
Acompanhante Perfeita
3.4 563 Assista AgoraDivertido de ver, entretém, mas bem mediano e, meu deus, tem mais furo no roteiro que num queijo suíço.
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraGostei? Sim. Achei tudo isso? Não. Pode ter sido toda a expectativa que criei, mas no geral achei o filme bem morno e pouco instigante, enquanto filme, fica tudo meio na superfície. Claro que o momento histórico que retrata é terrível, mas tem muitos outros filmes sobre o período que foram muito mais bem executados. O grande trunfo da história contada dessa forma, pra mim, foi ver os reflexos do terror no cotidiano, na vida que precisa seguir, apesar de tudo. É um filme sobre a ditadura, mas não é sobre estar no olho do furacão, na correria e tensão de ser "subversivo", não. É uma história de quem vive na periferia desses acontecimentos, sobre o fato de que, apesar de tudo de ruim e tenebroso acontecendo, o mercado e o almoço ainda precisam ser feitos, os filhos ainda precisam ir para a escola serem educados, a roupa continua precisando ser lavada e passada, as contas continuam a chegar e precisam ser pagas, e outras pessoas continuam rindo e brincando e seguindo suas vidas. O absurdo e o corriqueiro lado a lado, como se nada estivesse acontecendo, e como isso é muito real. É tudo muito sutil, quase higienizado, talvez essa tenha sido a forma da Eunice lidar com tudo, ou pelo menos foi o que o filme me passou. Ainda assim, senti falta de algo mais passional, mas aí seria outro filme e outra Eunice. Cabe, ainda, pensar que se trata do retrato de um grupo privilegiado de pessoas, de certa classe social que foi impactada de outra forma pelo período.
Hellboy e o Homem Torto
2.2 125Absolutamente nada faz sentido nesse filme. Diverte em alguns momentos, mas é uma confusão que parece que não teve diretor, só chegaram e falaram "tá, gente, vamos improvisar, sem roteiro, cada um fala e faz qualquer coisas aí que já tá bom, uma hora vai fazer sentido". Mas não faz.
Nosferatu
3.6 937 Assista AgoraTem uma beleza estética notável, cada cena é bem montada e pensada como um quadro. Gostei como, apesar de ser um filme moderno, manteve uma certa atmosfera expressionista do filme original. A única coisa que me incomodou foi uma certa histeria que se abateu sobre todo o elenco e que meio que saiu do tom e se tornou um bocado irritante em certa altura. Proposital? Talvez, mas destoou do tom geral do filme pra mim. De resto, uma bela experiência de horror e terror.
O Auto da Compadecida 2
3.0 444 Assista AgoraNão vou dizer que não achei bonitinho, até faz uma graça, mas foi, sobretudo, desnecessário, cansativo e vivendo basicamente de repetir o anterior de modo bem genérico. Me decepcionou o cenário quase todo digital, muito cafona, e tinha horas que parecia mais uma cidade saída de um filme do Tim Burton do que uma cidade do nordeste brasileiro.
Herege
3.4 692 Assista AgoraTirando o final um tanto quanto forçado, contando da parte do alçapão em diante, é um bom filme baseado em diálogos. Poderia ter explorado mais a fundo os princípios filosóficos, principalmente no ponto das exposições que o vilão faz a partir dos jogos de tabuleiro, mas acho que ficaram com medo de deixar o filme muito maçante. Acabou ficando um tanto na superfície por conta disso, a peteca caiu umas duas vezes, o que o torna um filme mediano em termos de A24, mas acima da média comparados com outros em geral.
Longlegs: Vínculo Mortal
3.2 935 Assista AgoraPra mim, ele demorou muito pra dizer a que veio. Escolher contar a história do ponto de vista da agente especial foi uma escolha interessante, mas muito mal aproveitada e arrastada. O filme começa a ficar interessante a partir da cena no celeiro, e ali estamos falando de 40 minutos de filme já. Também achei a construção do personagem Longlegs meio pobre, superficial, quase caricato. Eu esperava algo mais na linha "O silêncio dos inocentes" e recebi um "O boneco do mal" às avessas. Final apressado, explicação corrida e meio atrapalhada, mal contada. Mas o filme, em si, não chega a ser uma completa perda de tempo, é possível ver e se entreter com o mistério por um tempo.
Órfã 2: A Origem
2.7 799 Assista AgoraDa metade pro final eles conseguiram me fazer torcer muito pela Esther, será que preciso de terapia?
Tirando os problemas de roteiro, algumas coisas bem forçadas, até que é bacaninha.
Tootsie
3.8 278 Assista AgoraUma delícia de assistir e, para um filme do início dos anos 80, trás questões de tratamentos sociais de forma bem leve e bacana pra época e que acho que ainda tá valendo pros nossos dias.
Maligno
3.2 1,2KUm dos melhores filmes da linha bizarro/trash dos últimos anos. A forma como o roteiro se desdobra instiga bastante, apenas senti falta de uma finalização mais esclarecedora, mais conclusiva. Aquilo tudo acontece, descobre-se a circunstância absurda de tudo, e simplesmente acaba, eu queria um direcionamento do que aconteceria com a Madison, inclusive no aspecto criminal.
Os Fantasmas Ainda Se Divertem: Beetlejuice Beetlejuice
3.4 588Senti a atmosfera clássica e tradicional do Tim Burton que há muitos anos não sentia, foi um tipo de volta às raízes da sua estética e narrativa. Bom, divertido, mas não é muito marcante. Tenho que dizer que o personagem da Delores, a sugadora de almas, foi um desperdício gigantesco, serviu pra praticamente nada, foi uma grande bola fora do Tim, ela podia ter muito mais papel na história. Ainda assim, o filme acerta mais do que erra, principalmente por não arriscar em atualizar/modernizar personagens e os temas, mantendo tudo da esfera do clássico.
Armadilha
2.7 870O filme me lembrou uma passagem de outro filme do Shyamalan, Corpo Fechado, na parte que o Bruce Willis atua como segurança num estádio durante um jogo e estão montando uma armadilha para pegar um serial killer, provavelmente teve alguma inspiração ali pra parte desse filme. Armadilha não é dos melhores, mas por ser um filme do Shyamalan, tem um certo amadorismo no roteiro que assusta. Dá pra relevar muita coisa ao longo do filme, mas a partir do sequestro da limusine em diante é um atentado gigantesco à lógica, ao bom senso e à inteligência do espectador, chegando a ser bobo. Uma pena. Tinha potencial.