Extremamente bagunçado, nonsense, absurdo e irresistivelmente divertido. Robert Rodriguez entrega uma obra de arte trash brutalmente suja, caricata e, não ironicamente, muito bem acabada do ponto de vista técnico. Mas afinal, do que se trata? Resumidamente, é uma releitura exagerada do clássico A Noite dos Mortos-Vivos, de George Romero, mas impregnada da estética dos filmes exploitation dos anos 1970, integrando o ambicioso projeto Grindhouse, realizado em parceria com o aclamado Quentin Tarantino.
Tudo aqui é planejado para satirizar o cinema trash. Nesse sentido, as atuações são propositadamente exageradas, os efeitos práticos beiram o grotesco, a trilha sonora é simplória ao extremo, a montagem é errática e a direção é um caos calculado. A combinação desses elementos resulta em uma experiência cinematográfica deliciosamente insana.
A premissa é muito boa, e o filme consegue criar uma atmosfera claustrofóbica e intempestiva. No entanto, as atuações fracas comprometem a credibilidade da história e tornam a experiência, em alguns momentos, constrangedora. A direção, por sua vez, é bastante competente e extrai muito de poucos recursos, construindo uma trama interessante e imprevisível. Em contrapartida, os efeitos visuais soam datados, assim como o retrato estereotipado de uma pessoa com autismo. O uso de efeitos práticos, porém, é eficiente, e a narrativa evita a exposição excessiva típica do gênero. No fim, trata-se de um filme inovador, ágil e divertido de assistir. Nota: 3.5/5
É extremamente bobo e pueril, mas conseque equilibrar humor, aventura e misticismo. Não deve ser levado a sério, tem todas as qualidades e defeitos de um típico filme da Sessão da Tarde de outrora. Nota: 3/5.
Li algumas críticas não tão elogiosas ao filme e, de certa forma, entendo os argumentos. Quando as expectativas são elevadas, o risco de decepção aumenta. Ainda Estou Aqui, no entanto, não é um melodrama, tampouco um thriller carregado de tensão. É um filme sobre ausência — e, mais do que isso, sobre o peso insuportável da perda de uma figura central em uma família.
Não há explosões emocionais ou cenas explícitas de violência e tortura. Ainda Estou Aqui propõe um realismo trágico que nos faz encarar a fragilidade da estrutura familiar. Logo, a obra realiza uma abordagem sutil e contemplativa, que não apela para clichês dramáticos, mas sim para uma construção atmosférica carregada de melancolia.
Se o ritmo mais contido pode afastar parte do público, as atuações de Selton Mello e Fernanda Torres compensam qualquer hesitação. Mello imprime vivacidade, lepidez e ternura ao seu personagem, estabelecendo uma conexão imediata com o espectador. Já Fernanda Torres brilha ao entregar uma performance comedida e poderosa, equilibrando desespero e resiliência de forma impressionante. Sua personagem transborda sentimentos conflitantes — raiva, tristeza, esperança — sem jamais cair no melodrama.
Walter Salles demonstra seu habitual refinamento técnico. A reconstrução de época é impecável, e a fotografia imprime um tom quase documental, reforçando a sensação de proximidade com aquela realidade. A trilha sonora complementa essa atmosfera, ainda que a mixagem de som tenha alguns deslizes pontuais.
O final, apesar de previsível, não compromete a experiência. O verdadeiro problema está na duração: há momentos que poderiam ser mais enxutos sem perda de impacto narrativo.
No fim das contas, Ainda Estou Aqui é uma obra densa e necessária, construída para dialogar com premiações como o Oscar. Sua proposta não é agradar ao grande público, mas provocar reflexão.
Depois de muito tempo e, aproveitando o hype da nova temporada, decidi preencher essa lacuna televisiva e, enfim, assisti Squid Game. Pois bem, a série me surpreendeu muito positivamente e confesso que esperava uma trama muito menos densa e uma dramatização mais novelesca/doramesca, o que definitivamente não é o caso para essa temporada.
A ideia de jogos mortais para deleitar uma suposta sádica elite oculta e depravada, não é novidade, mas o formato de "five strangers" é muito bem estruturado e os personagens (não são poucos) conseguem cativar com suas peculiaridades e arcos dramáticos.
Os jogos são criativos e a temática infantil contrastante com a brutalidade das "eliminações sumárias" estabelece uma dinâmica estranha, mas que mantém um engajamento com o desenrolar dos fatos.
Quanto ao resto, acho que há uma manutenção de um alto padrão de qualidade cinematográfica e narrativa.
Extremamente divertido e visualmente muito criativo, Christine é uma adaptação competente que brinca com clichês do cinema adolescente e encanta pela sua simplicidade narrativa, além das cenas antológicas do carro assassino. A sempre eficiente direção de John Carpenter é mais contida, e as atuações são um pouco canhestras, mas dentro de um limite aceitável para uma produção trash.
Na minha opinião, é uma das melhores adaptações de Stephen King já feitas e um clássico do cinema oitentista, com todas as suas qualidades e defeitos.
Não é ruim, mas é um remake travestido de prequel. Não chega perto de ter a qualidade do original (um dos melhores da história do cinema), mas pode ser um bom divertimento para quem nunca viu.
Cinematograficamente, *Smile 2* supera com folga seu antecessor. Essa evolução era esperada, pois o diretor Parker Finn, aproveitando o sucesso estrondoso de *Smile* (2022), obteve um orçamento significativamente maior. Essa diferença se reflete de maneira clara no design de produção, na maquiagem, nos cenários e na fotografia — todos os elementos estão extremamente bem elaborados.
No entanto, em termos de narrativa, não houve uma grande evolução. Muitas das mecânicas do primeiro filme foram repetidas, mas com uma roupagem ligeiramente diferente. Isso, junto com a presença de diálogos expositivos que esclarecem fatos que o público já deveria conhecer, acaba prejudicando a fluidez da história.
A atuação de Naomi Scott se destaca como um dos grandes pontos altos do filme. Sua personagem é complexa e multifacetada, exibindo um comportamento flutuante e uma relação complicada com os outros personagens. Entre os coadjuvantes, destaco a performance da mãe, interpretada por Rosemarie DeWitt, e do personagem vivido pelo filho de Jack Nicholson. Os demais personagens são, em sua maioria, funcionais, com destaque negativo para a atriz que interpretou Gemma, cuja atuação é bem insossa.
O humor do filme é bem trabalhado, assim como no primeiro, mas aqui o diretor não hesitou em quebrar momentos tensos com toques de comédia, o que se alinha com as características da protagonista e de sua entourage. Em contrapartida, o terror se mostra mais eficaz quando se concentra na sugestão e na estranheza. Quando se aventura em elementos mais explícitos, como body horror ou jumpscares, acaba caindo em um vale de mediocridade.
Um aspecto que, na minha opinião, foi melhor explorado no primeiro filme foi o delírio da protagonista. No original, esse elemento foi usado de maneira mais sutil e, por ser inédito, mais surpreendente. Neste segundo filme, o diretor exagera na dose, o que resulta em uma perda de coesão narrativa e torna a história inverossímil, diminuindo o impacto do desfecho. Aliás, embora o final seja previsível, ele ainda consegue ser satisfatório.
Em suma, *Smile 2* entrega uma experiência visualmente rica e uma atmosfera aterrorizante, mas peca ao repetir alguns mecanismos do original e não ter uma coesão narrativa sólida.
O pior defeito de "Joker: Folie à Deux" não reside na conclusão simplista de "filme ruim" – não é o caso – mas sim no fato de ser um filme sem propósito. Desnecessário. Inócuo.
Ele não apresenta novidades sobre o passado do personagem, não expande o universo do primeiro longa e não cativa o espectador.
Em termos de gênero cinematográfico, não há uma definição clara. É uma mescla de tribunal, drama e musical, mas nenhuma dessas facetas é bem desenvolvida ou marcante. A meu ver, o diretor não teve coragem ou competência suficiente para seguir um caminho e explorá-lo até o fim. Em vez disso, produziu uma colcha de retalhos desinteressante e enfadonha.
A atuação de Joaquin Phoenix continua boa, mas ele não é um cantor convincente e não se destaca em nenhum número musical. Lady Gaga, por outro lado, não comprometeu o filme, mas enfrentou um roteiro ingrato para sua personagem.
Talvez o único grande acerto do filme, a despeito dos aspectos técnicos, seja a surpreendente desconstrução e humanização do Joker, transformando-o em um agente catalisador do caos, uma espécie de mártir sem glória. Infelizmente, isso não redime o filme.
A sensação que fica é de desperdício de potencial e decepção.
The Substance é uma obra instigante que versa sobre temas delicados e extremamente atuais. Afinal, na era das redes sociais, a imagem é um ativo cada vez mais valioso. E disputado. Logo, até onde vai o egocentrismo de uma pessoa para reverter o efeito do tempo?
A premissa do filme é muito simples e as regras são estabelecidas desde um primeiro momento, mas a(s) protagonista(s) nunca se interessa(m) com as, digamos, contraindicações. O desenrolar do longa vai se transformando em algo tão bizarro, mas, ao mesmo tempo, muito cativante ao espectador, o qual acaba por se embrenhar neste pesadelo.
As grandes qualidades do filme são, respectivamente, roteiro, maquiagem e atuações. Quem gosta de efeitos práticos ala The Thing e a The Fly, vai se deliciar. Quem é fã de trash e gore, como ocorre em Malignant e Terrifier, também vai amar.
A coragem da diretora Coralie Fargeat deve ser exaltada. A estética, cinematografia e montagem são espetaculares. O filme não parece ter duas horas.
É surpreendentemente bom e respeita o clássico The Omen. Em relação à narrativa, repete o padrão de conspiração demoníaca dentro da Igreja Católica, mas isso não é uma crítica, pois esse padrão é muito bem desenvolvido no filme. O que realmente gostei foi da presença de cenas grotescas, claramente inspiradas em clássicos como Possession e Rosemary's Baby. Como grande defeito, destaco a cena final, que claramente serve apenas como gancho para uma continuação. Desnecessária. Nota: 3,5/5.
O roteiro é fraco, mas a química entre os protagonistas e, principalmente, o contraste entre o mau humor do Wolverine e a irritante irreverência e sarcasmo do Deadpool funciona muito bem, conseguindo divertir o espectador. As aparições surpresa são bem-feitas e não ocupam muito tempo de tela, mas creio que não encantam o público como antes. No geral, é uma boa diversão, mas não supera o primeiro filme da franquia. Nota: 3/5.
Longlegs, de Oz Perkins, é um longa que traz à tona elementos emblemáticos presentes em clássicos do suspense/terror como The Silence of The Lambs, Seven e Zodiac. O filme ecoa The Silence of the Lambs na surpreendente dinâmica entre protagonista e antagonista, além da presença de um vilão cuja insanidade é inquietante. A influência de Seven reverbera na maneira como a investigação é conduzida pelos personagens policiais, que precisam confiar tanto na intuição quanto na lógica para avançar. Já a lembrança de Zodíaco é evocada pela forma como o vilão manipula e instiga os protagonistas, mantendo-se sempre à frente em um jogo de gato e rato.
O elemento sobrenatural do filme pode desapontar alguns, mas é introduzido claramente desde o início da investigação. Particularmente, gostei da forma como o ritual satânico foi elaborado, mas acredito que a atuação do vilão como um mero intermediador, e não como um serial killer típico, deixou a desejar.
Além dessas influências, Longlegs se destaca pela cinematografia estilizada, que contribui para a atmosfera sombria e envolvente. Contudo, o ritmo do filme tropeça em alguns momentos, o que pode prejudicar a imersão. As atuações, no entanto, são um ponto alto, com menção especial ao irreconhecível Nicolas Cage.
Frenético, repleto de diálogos reveladores e com atuações bem convincentes, The Social Network talvez incomode pela caricata retratação de Mark Zuckerberg feita pelo Jesse Eisenberg. Entretanto, é um filme que desde os primeiros minutos desvela sua versão da história do Facebook, pintando Mark como um ser egocêntrico, rancoroso, invejoso e ardiloso. Neste contexto, é fascinante a forma como os fatos são mostrados ao espectador e, ainda, como Mark conseguiu conectar o mundo inteiro ao mesmo tempo em que se desconectou de suas relações mais íntimas. Nota:4.5/5
A história de "Killers of the Flower Moon" choca pelo seu grau de crueldade e, principalmente, injustiça. Os povos nativos sempre foram subjugados e excluídos da construção das "modernas" civilizações pelo homem branco. Neste caso, há uma reviravolta irônica: na ânsia de despojar ainda mais esses povos, o homem branco se vê em uma posição subalterna, afinal, os indígenas foram recompensados com a descoberta do "ouro negro" que brotou de um solo aparentemente infértil e pobre.
Obviamente, esta inversão na lógica colonialista não foi bem recebida pelo status quo, que rapidamente se infiltrou como lobos em pele de cordeiros nas comunidades indígenas, visando retomar sorrateiramente o controle sobre as novas fontes de riqueza. As primeiras aparições dos personagens Ernest Burkhart (DiCaprio) e William Hale (De Niro) logo mostram a perversidade e o maquiavelismo presentes em suas atitudes, aparentemente benevolentes e amistosas com os indígenas. E isso é o mais fascinante da obra. Acompanhamos toda a história do ponto de vista dos algozes, o que torna a experiência mais intimista e reveladora.
Desnecessário falar sobre as atuações em um filme de Martin Scorsese. TODOS estão muito bem. Gostei especialmente da atuação de Lily Gladstone e das demais personagens femininas presentes no filme, pois mostraram que a aviltante dominação masculina dos homens brancos foi exercida independentemente da personalidade de cada uma delas.
Enfim, trata-se de uma narrativa amarga e muito reveladora do processo de colonização e construção dos EUA. O povo osage até hoje lida com os prejuízos e injustiças causados neste período. Rememorar esta história é mais do que um ato de resistência, é uma obrigação para que a sociedade, ao menos, faça um mea culpa.
Filmaço! Se há algo que Christopher Nolan sabe fazer como poucos é um filme para agradar os cinéfilos de plantão. Direção deslumbrante, roteiro muito bem amarrado e, desta vez, sem o habitual excesso de diálogos expositivos. Aqui, Nolan respeita a inteligência do espectador e brinda-nos com uma obra sofisticada e repleta de atuações sólidas e marcantes. Cillian Murphy atingiu seu ápice em termos de atuação, retratando bem o gênio perturbado e, em muitos momentos, vaidoso de seu personagem. Não se trata de uma história de superação, heroísmo ou vilania, mas de uma contextualização honesta de um momento-chave da geopolítica global, retratando com boa fidelidade os fatos e dissabores que envolveram o pré e o pós do projeto Manhattan. É uma obra atemporal que não perderá vigor artístico pela louvável atitude do diretor em utilizar efeitos práticos, com pequenas doses de CGI. Por outro lado, penso que não eram necessários 180 minutos para desenvolver uma trama que, com exceção do teste Trinity (encenado de forma memorável), não possui ação, pois, na maior parte do tempo, faz um profundo estudo de personagem. De todo modo, entra numa lista dos 5 melhores filmes do diretor, que havia desapontado em sua última obra (Tenet). Nota: 4.5/5
Um clássico do cinema extremo. Cru, grotesco e com cenas de um realismo que atordoam até hoje. Não é um filme fácil, cômodo ou necessário. Mas o enorme talento de seu realizador que, através de um subtexto crítico ao sensacionalismo da mídia e ao racismo colonialista, nos leva a uma importante reflexão sobre o significado da palavra selvagem. Nota: 4/5
1) Joan is awful - Excelente episódio, boa crítica à cultura das redes sociais e da falta de privacidade utilizada como moeda de troca para ter acesso às mídias digitais. Em um momento, fica um pouco caricato demais, mas o final salva o episódio.
2) Loch Henry - Muito legal, bastante diferente da pegada da série, mas muito bem produzido, cativante e com um bom desfecho. As atuações são o ponto alto deste episódio e a crítica sagaz ao conteúdo romantizado de "true crime" largamente explorado pela Netflix.
3) Beyond the sea - O melhor episódio da temporada, com mais um daqueles "enigmas" fascinantes causados pelas tecnologias disruptivas da série. É um pouco prevísível? Sim, mas as atuações, os diálogos e o desenvolvimento do episódio são ótimos.
4) Mazey Day - Pior episódio da temporada, nem tanto pelo mote, que é até legal, mas pelo desenvolvimento e, principalmente, direção. As atuações são bastante robóticas e o ritmo do episódio é muito vagaroso (lembrando que é o de menor duração da série).
5) Demon 79 - Bom episódio. Desanda um pouco no terceiro ato, mas é bem divertidinho e satisfatório rsrs
Nota média da temporada: (4 + 4 + 5 + 2 + 3) / 5 = 3,6
Filme muito divertido, engraçado e agradável de assistir. Possui uma estrutura narrativa bastante similar ao primeiro filme, ou seja, constrói o mistério sob várias perspectivas diferentes, mostra um falso desfecho e aí reconstrói tudo do início a partir da visão dos protagonistas. Nesse sentido, a montagem do filme funciona muito bem e não é nada cansativa, guardando ainda uma pequena reviravolta no final. O ponto negativo do longo, na minha visão, é justamente o final. Explico: em termos narrativos, é bem coeso, mas não chega a ser empolgante, as cenas finais destoam bastante do resto, com um ar catártico muito exagerado. Resumindo, a experiência é boa e até da vontade de reassistir, mas para quem viu o primeiro filme, talvez fique um sentimento de frustração. Nota: 3.5/5
Final é incrível e muito satisfatório. Atuação da protagonista é soberba, passa a tensão, loucura e desordem mental que tomam contam até chegar ao final (e ápice) do filme. O enredo é um pouco familiar para os amantes dos filmes de maldição, mas consegue surpreender positivamente através de cenas propositalmente confusas. Apesar disso, existe uma gordura presente em algumas cenas de jumpscares baratos que poderia ter sido reduzida. Nota 4/5
Terror trash cult da melhor qualidade. Ambientação e cenários muito bem feitos e explorados, trabalho de maquiagem espetacular e uma estória bem pitoresca e peculiar, mas sem pé nem cabeça em temos de desenvolvimento. Atuações sofríveis, mas que encaixam bem com a proposta 'trash' do longa. Os famosos Cenobites não participam tanto do filme, o que é bom, pois criam uma expectativa sempre que estão em cena. Eu achei bem parecido com A Noite do Pesadelo, mas com um terror mais lovecraftiano e explorando bastante o gore. Para quem gosta de um bom trash, recomendo. Nota 3/5
Nope, terceira obra do promissor realizador Jordan Peele, é bastante diferente de Us e Get Out. Seja pela temática, seja pela forma. O protagonismo de pessoas negras é um dos poucos pontos em comum com as demais obras, onde a crítica ao racismo era mais pesada. Aqui, ainda existe, mas apenas tangencia o caráter crítico da obra que, por sua vez, foca mais na sátira à imprensa sensacionalista e ao tratamento exploratório dos animais no meio do entretenimento. Com um elenco bastante enxuto, mas eficiente, Nope consegue ampliar os horizontes do gênero de filmes sobre alienígenas, explorando muito bem o suspense, mas subvertendo o paradigma estético presente em nosso imaginário, similar ao que ocorreu no ótimo The Arrival. O maior mérito está aí: o espectador leva uma rasteira e tem todas suas expectativas derrubadas por uma narrativa disruptiva que não faz questão de explicar tudo, deixando as lacunas serem preenchidas pela sua imaginação. Nota: 4/5
Planeta Terror
3.7 1,2K Assista AgoraExtremamente bagunçado, nonsense, absurdo e irresistivelmente divertido. Robert Rodriguez entrega uma obra de arte trash brutalmente suja, caricata e, não ironicamente, muito bem acabada do ponto de vista técnico. Mas afinal, do que se trata? Resumidamente, é uma releitura exagerada do clássico A Noite dos Mortos-Vivos, de George Romero, mas impregnada da estética dos filmes exploitation dos anos 1970, integrando o ambicioso projeto Grindhouse, realizado em parceria com o aclamado Quentin Tarantino.
Tudo aqui é planejado para satirizar o cinema trash. Nesse sentido, as atuações são propositadamente exageradas, os efeitos práticos beiram o grotesco, a trilha sonora é simplória ao extremo, a montagem é errática e a direção é um caos calculado. A combinação desses elementos resulta em uma experiência cinematográfica deliciosamente insana.
Nota: 4/5
Cubo
3.3 899 Assista AgoraA premissa é muito boa, e o filme consegue criar uma atmosfera claustrofóbica e intempestiva. No entanto, as atuações fracas comprometem a credibilidade da história e tornam a experiência, em alguns momentos, constrangedora. A direção, por sua vez, é bastante competente e extrai muito de poucos recursos, construindo uma trama interessante e imprevisível. Em contrapartida, os efeitos visuais soam datados, assim como o retrato estereotipado de uma pessoa com autismo. O uso de efeitos práticos, porém, é eficiente, e a narrativa evita a exposição excessiva típica do gênero. No fim, trata-se de um filme inovador, ágil e divertido de assistir. Nota: 3.5/5
Os Aventureiros do Bairro Proibido
3.7 593 Assista AgoraÉ extremamente bobo e pueril, mas conseque equilibrar humor, aventura e misticismo. Não deve ser levado a sério, tem todas as qualidades e defeitos de um típico filme da Sessão da Tarde de outrora. Nota: 3/5.
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraLi algumas críticas não tão elogiosas ao filme e, de certa forma, entendo os argumentos. Quando as expectativas são elevadas, o risco de decepção aumenta. Ainda Estou Aqui, no entanto, não é um melodrama, tampouco um thriller carregado de tensão. É um filme sobre ausência — e, mais do que isso, sobre o peso insuportável da perda de uma figura central em uma família.
Não há explosões emocionais ou cenas explícitas de violência e tortura. Ainda Estou Aqui propõe um realismo trágico que nos faz encarar a fragilidade da estrutura familiar. Logo, a obra realiza uma abordagem sutil e contemplativa, que não apela para clichês dramáticos, mas sim para uma construção atmosférica carregada de melancolia.
Se o ritmo mais contido pode afastar parte do público, as atuações de Selton Mello e Fernanda Torres compensam qualquer hesitação. Mello imprime vivacidade, lepidez e ternura ao seu personagem, estabelecendo uma conexão imediata com o espectador. Já Fernanda Torres brilha ao entregar uma performance comedida e poderosa, equilibrando desespero e resiliência de forma impressionante. Sua personagem transborda sentimentos conflitantes — raiva, tristeza, esperança — sem jamais cair no melodrama.
Walter Salles demonstra seu habitual refinamento técnico. A reconstrução de época é impecável, e a fotografia imprime um tom quase documental, reforçando a sensação de proximidade com aquela realidade. A trilha sonora complementa essa atmosfera, ainda que a mixagem de som tenha alguns deslizes pontuais.
O final, apesar de previsível, não compromete a experiência. O verdadeiro problema está na duração: há momentos que poderiam ser mais enxutos sem perda de impacto narrativo.
No fim das contas, Ainda Estou Aqui é uma obra densa e necessária, construída para dialogar com premiações como o Oscar. Sua proposta não é agradar ao grande público, mas provocar reflexão.
Nota: 4/5
Round 6 (1ª Temporada)
4.0 1,3K Assista AgoraDepois de muito tempo e, aproveitando o hype da nova temporada, decidi preencher essa lacuna televisiva e, enfim, assisti Squid Game. Pois bem, a série me surpreendeu muito positivamente e confesso que esperava uma trama muito menos densa e uma dramatização mais novelesca/doramesca, o que definitivamente não é o caso para essa temporada.
A ideia de jogos mortais para deleitar uma suposta sádica elite oculta e depravada, não é novidade, mas o formato de "five strangers" é muito bem estruturado e os personagens (não são poucos) conseguem cativar com suas peculiaridades e arcos dramáticos.
Os jogos são criativos e a temática infantil contrastante com a brutalidade das "eliminações sumárias" estabelece uma dinâmica estranha, mas que mantém um engajamento com o desenrolar dos fatos.
Quanto ao resto, acho que há uma manutenção de um alto padrão de qualidade cinematográfica e narrativa.
Como crítica, não gostei das tramas envolvendo o policial/irmão e o tráfico de órgãos, pois considero ambas encheção de linguiça
Nota: 4/5
Abutres
3.6 219 Assista AgoraInsistentemente pessimista e miserável. Não existe felicidade aqui. O brutalismo realista deste longa é fascinante. Nota 4/5
Christine, O Carro Assassino
3.3 710 Assista AgoraExtremamente divertido e visualmente muito criativo, Christine é uma adaptação competente que brinca com clichês do cinema adolescente e encanta pela sua simplicidade narrativa, além das cenas antológicas do carro assassino. A sempre eficiente direção de John Carpenter é mais contida, e as atuações são um pouco canhestras, mas dentro de um limite aceitável para uma produção trash.
Na minha opinião, é uma das melhores adaptações de Stephen King já feitas e um clássico do cinema oitentista, com todas as suas qualidades e defeitos.
Nota: 4/5
Apartamento 7A
3.0 178 Assista AgoraNão é ruim, mas é um remake travestido de prequel. Não chega perto de ter a qualidade do original (um dos melhores da história do cinema), mas pode ser um bom divertimento para quem nunca viu.
Nota: 3/5
Sorria 2
3.3 614 Assista AgoraCinematograficamente, *Smile 2* supera com folga seu antecessor. Essa evolução era esperada, pois o diretor Parker Finn, aproveitando o sucesso estrondoso de *Smile* (2022), obteve um orçamento significativamente maior. Essa diferença se reflete de maneira clara no design de produção, na maquiagem, nos cenários e na fotografia — todos os elementos estão extremamente bem elaborados.
No entanto, em termos de narrativa, não houve uma grande evolução. Muitas das mecânicas do primeiro filme foram repetidas, mas com uma roupagem ligeiramente diferente. Isso, junto com a presença de diálogos expositivos que esclarecem fatos que o público já deveria conhecer, acaba prejudicando a fluidez da história.
A atuação de Naomi Scott se destaca como um dos grandes pontos altos do filme. Sua personagem é complexa e multifacetada, exibindo um comportamento flutuante e uma relação complicada com os outros personagens. Entre os coadjuvantes, destaco a performance da mãe, interpretada por Rosemarie DeWitt, e do personagem vivido pelo filho de Jack Nicholson. Os demais personagens são, em sua maioria, funcionais, com destaque negativo para a atriz que interpretou Gemma, cuja atuação é bem insossa.
O humor do filme é bem trabalhado, assim como no primeiro, mas aqui o diretor não hesitou em quebrar momentos tensos com toques de comédia, o que se alinha com as características da protagonista e de sua entourage. Em contrapartida, o terror se mostra mais eficaz quando se concentra na sugestão e na estranheza. Quando se aventura em elementos mais explícitos, como body horror ou jumpscares, acaba caindo em um vale de mediocridade.
Um aspecto que, na minha opinião, foi melhor explorado no primeiro filme foi o delírio da protagonista. No original, esse elemento foi usado de maneira mais sutil e, por ser inédito, mais surpreendente. Neste segundo filme, o diretor exagera na dose, o que resulta em uma perda de coesão narrativa e torna a história inverossímil, diminuindo o impacto do desfecho. Aliás, embora o final seja previsível, ele ainda consegue ser satisfatório.
Em suma, *Smile 2* entrega uma experiência visualmente rica e uma atmosfera aterrorizante, mas peca ao repetir alguns mecanismos do original e não ter uma coesão narrativa sólida.
Nota: 3,5/5
Coringa: Delírio a Dois
2.5 925 Assista AgoraO pior defeito de "Joker: Folie à Deux" não reside na conclusão simplista de "filme ruim" – não é o caso – mas sim no fato de ser um filme sem propósito. Desnecessário. Inócuo.
Ele não apresenta novidades sobre o passado do personagem, não expande o universo do primeiro longa e não cativa o espectador.
Em termos de gênero cinematográfico, não há uma definição clara. É uma mescla de tribunal, drama e musical, mas nenhuma dessas facetas é bem desenvolvida ou marcante. A meu ver, o diretor não teve coragem ou competência suficiente para seguir um caminho e explorá-lo até o fim. Em vez disso, produziu uma colcha de retalhos desinteressante e enfadonha.
A atuação de Joaquin Phoenix continua boa, mas ele não é um cantor convincente e não se destaca em nenhum número musical. Lady Gaga, por outro lado, não comprometeu o filme, mas enfrentou um roteiro ingrato para sua personagem.
Talvez o único grande acerto do filme, a despeito dos aspectos técnicos, seja a surpreendente desconstrução e humanização do Joker, transformando-o em um agente catalisador do caos, uma espécie de mártir sem glória. Infelizmente, isso não redime o filme.
A sensação que fica é de desperdício de potencial e decepção.
Nota: 2,5/5
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraEspetacular. Grotesco. Provocador.
The Substance é uma obra instigante que versa sobre temas delicados e extremamente atuais. Afinal, na era das redes sociais, a imagem é um ativo cada vez mais valioso. E disputado. Logo, até onde vai o egocentrismo de uma pessoa para reverter o efeito do tempo?
A premissa do filme é muito simples e as regras são estabelecidas desde um primeiro momento, mas a(s) protagonista(s) nunca se interessa(m) com as, digamos, contraindicações. O desenrolar do longa vai se transformando em algo tão bizarro, mas, ao mesmo tempo, muito cativante ao espectador, o qual acaba por se embrenhar neste pesadelo.
As grandes qualidades do filme são, respectivamente, roteiro, maquiagem e atuações. Quem gosta de efeitos práticos ala The Thing e a The Fly, vai se deliciar. Quem é fã de trash e gore, como ocorre em Malignant e Terrifier, também vai amar.
A coragem da diretora Coralie Fargeat deve ser exaltada. A estética, cinematografia e montagem são espetaculares. O filme não parece ter duas horas.
Nota: 4/5
A Primeira Profecia
3.4 412 Assista AgoraÉ surpreendentemente bom e respeita o clássico The Omen. Em relação à narrativa, repete o padrão de conspiração demoníaca dentro da Igreja Católica, mas isso não é uma crítica, pois esse padrão é muito bem desenvolvido no filme. O que realmente gostei foi da presença de cenas grotescas, claramente inspiradas em clássicos como Possession e Rosemary's Baby. Como grande defeito, destaco a cena final, que claramente serve apenas como gancho para uma continuação. Desnecessária. Nota: 3,5/5.
Deadpool & Wolverine
3.7 932 Assista AgoraO roteiro é fraco, mas a química entre os protagonistas e, principalmente, o contraste entre o mau humor do Wolverine e a irritante irreverência e sarcasmo do Deadpool funciona muito bem, conseguindo divertir o espectador. As aparições surpresa são bem-feitas e não ocupam muito tempo de tela, mas creio que não encantam o público como antes. No geral, é uma boa diversão, mas não supera o primeiro filme da franquia. Nota: 3/5.
Longlegs: Vínculo Mortal
3.2 945 Assista AgoraLonglegs, de Oz Perkins, é um longa que traz à tona elementos emblemáticos presentes em clássicos do suspense/terror como The Silence of The Lambs, Seven e Zodiac. O filme ecoa The Silence of the Lambs na surpreendente dinâmica entre protagonista e antagonista, além da presença de um vilão cuja insanidade é inquietante. A influência de Seven reverbera na maneira como a investigação é conduzida pelos personagens policiais, que precisam confiar tanto na intuição quanto na lógica para avançar. Já a lembrança de Zodíaco é evocada pela forma como o vilão manipula e instiga os protagonistas, mantendo-se sempre à frente em um jogo de gato e rato.
O elemento sobrenatural do filme pode desapontar alguns, mas é introduzido claramente desde o início da investigação. Particularmente, gostei da forma como o ritual satânico foi elaborado, mas acredito que a atuação do vilão como um mero intermediador, e não como um serial killer típico, deixou a desejar.
Além dessas influências, Longlegs se destaca pela cinematografia estilizada, que contribui para a atmosfera sombria e envolvente. Contudo, o ritmo do filme tropeça em alguns momentos, o que pode prejudicar a imersão. As atuações, no entanto, são um ponto alto, com menção especial ao irreconhecível Nicolas Cage.
Nota 3.5/5
A Rede Social
3.6 3,1K Assista AgoraFrenético, repleto de diálogos reveladores e com atuações bem convincentes, The Social Network talvez incomode pela caricata retratação de Mark Zuckerberg feita pelo Jesse Eisenberg. Entretanto, é um filme que desde os primeiros minutos desvela sua versão da história do Facebook, pintando Mark como um ser egocêntrico, rancoroso, invejoso e ardiloso. Neste contexto, é fascinante a forma como os fatos são mostrados ao espectador e, ainda, como Mark conseguiu conectar o mundo inteiro ao mesmo tempo em que se desconectou de suas relações mais íntimas. Nota:4.5/5
Assassinos da Lua das Flores
4.0 669 Assista AgoraScorsese nunca decepciona.
A história de "Killers of the Flower Moon" choca pelo seu grau de crueldade e, principalmente, injustiça. Os povos nativos sempre foram subjugados e excluídos da construção das "modernas" civilizações pelo homem branco. Neste caso, há uma reviravolta irônica: na ânsia de despojar ainda mais esses povos, o homem branco se vê em uma posição subalterna, afinal, os indígenas foram recompensados com a descoberta do "ouro negro" que brotou de um solo aparentemente infértil e pobre.
Obviamente, esta inversão na lógica colonialista não foi bem recebida pelo status quo, que rapidamente se infiltrou como lobos em pele de cordeiros nas comunidades indígenas, visando retomar sorrateiramente o controle sobre as novas fontes de riqueza. As primeiras aparições dos personagens Ernest Burkhart (DiCaprio) e William Hale (De Niro) logo mostram a perversidade e o maquiavelismo presentes em suas atitudes, aparentemente benevolentes e amistosas com os indígenas. E isso é o mais fascinante da obra. Acompanhamos toda a história do ponto de vista dos algozes, o que torna a experiência mais intimista e reveladora.
Desnecessário falar sobre as atuações em um filme de Martin Scorsese. TODOS estão muito bem. Gostei especialmente da atuação de Lily Gladstone e das demais personagens femininas presentes no filme, pois mostraram que a aviltante dominação masculina dos homens brancos foi exercida independentemente da personalidade de cada uma delas.
Enfim, trata-se de uma narrativa amarga e muito reveladora do processo de colonização e construção dos EUA. O povo osage até hoje lida com os prejuízos e injustiças causados neste período. Rememorar esta história é mais do que um ato de resistência, é uma obrigação para que a sociedade, ao menos, faça um mea culpa.
Nota: 4.5/5
Oppenheimer
4.0 1,2KFilmaço! Se há algo que Christopher Nolan sabe fazer como poucos é um filme para agradar os cinéfilos de plantão. Direção deslumbrante, roteiro muito bem amarrado e, desta vez, sem o habitual excesso de diálogos expositivos. Aqui, Nolan respeita a inteligência do espectador e brinda-nos com uma obra sofisticada e repleta de atuações sólidas e marcantes. Cillian Murphy atingiu seu ápice em termos de atuação, retratando bem o gênio perturbado e, em muitos momentos, vaidoso de seu personagem. Não se trata de uma história de superação, heroísmo ou vilania, mas de uma contextualização honesta de um momento-chave da geopolítica global, retratando com boa fidelidade os fatos e dissabores que envolveram o pré e o pós do projeto Manhattan. É uma obra atemporal que não perderá vigor artístico pela louvável atitude do diretor em utilizar efeitos práticos, com pequenas doses de CGI. Por outro lado, penso que não eram necessários 180 minutos para desenvolver uma trama que, com exceção do teste Trinity (encenado de forma memorável), não possui ação, pois, na maior parte do tempo, faz um profundo estudo de personagem. De todo modo, entra numa lista dos 5 melhores filmes do diretor, que havia desapontado em sua última obra (Tenet). Nota: 4.5/5
Holocausto Canibal
3.1 840 Assista AgoraUm clássico do cinema extremo. Cru, grotesco e com cenas de um realismo que atordoam até hoje. Não é um filme fácil, cômodo ou necessário. Mas o enorme talento de seu realizador que, através de um subtexto crítico ao sensacionalismo da mídia e ao racismo colonialista, nos leva a uma importante reflexão sobre o significado da palavra selvagem. Nota: 4/5
Black Mirror (6ª Temporada)
3.3 623 Assista Agora1) Joan is awful - Excelente episódio, boa crítica à cultura das redes sociais e da falta de privacidade utilizada como moeda de troca para ter acesso às mídias digitais. Em um momento, fica um pouco caricato demais, mas o final salva o episódio.
2) Loch Henry - Muito legal, bastante diferente da pegada da série, mas muito bem produzido, cativante e com um bom desfecho. As atuações são o ponto alto deste episódio e a crítica sagaz ao conteúdo romantizado de "true crime" largamente explorado pela Netflix.
3) Beyond the sea - O melhor episódio da temporada, com mais um daqueles "enigmas" fascinantes causados pelas tecnologias disruptivas da série. É um pouco prevísível? Sim, mas as atuações, os diálogos e o desenvolvimento do episódio são ótimos.
4) Mazey Day - Pior episódio da temporada, nem tanto pelo mote, que é até legal, mas pelo desenvolvimento e, principalmente, direção. As atuações são bastante robóticas e o ritmo do episódio é muito vagaroso (lembrando que é o de menor duração da série).
5) Demon 79 - Bom episódio. Desanda um pouco no terceiro ato, mas é bem divertidinho e satisfatório rsrs
Nota média da temporada: (4 + 4 + 5 + 2 + 3) / 5 = 3,6
Glass Onion: Um Mistério Knives Out
3.5 684 Assista AgoraFilme muito divertido, engraçado e agradável de assistir. Possui uma estrutura narrativa bastante similar ao primeiro filme, ou seja, constrói o mistério sob várias perspectivas diferentes, mostra um falso desfecho e aí reconstrói tudo do início a partir da visão dos protagonistas. Nesse sentido, a montagem do filme funciona muito bem e não é nada cansativa, guardando ainda uma pequena reviravolta no final. O ponto negativo do longo, na minha visão, é justamente o final. Explico: em termos narrativos, é bem coeso, mas não chega a ser empolgante, as cenas finais destoam bastante do resto, com um ar catártico muito exagerado. Resumindo, a experiência é boa e até da vontade de reassistir, mas para quem viu o primeiro filme, talvez fique um sentimento de frustração. Nota: 3.5/5
Sorria
3.1 965 Assista AgoraFinal é incrível e muito satisfatório. Atuação da protagonista é soberba, passa a tensão, loucura e desordem mental que tomam contam até chegar ao final (e ápice) do filme.
O enredo é um pouco familiar para os amantes dos filmes de maldição, mas consegue surpreender positivamente através de cenas propositalmente confusas. Apesar disso, existe uma gordura presente em algumas cenas de jumpscares baratos que poderia ter sido reduzida. Nota 4/5
Hellraiser: Renascido do Inferno
3.5 883 Assista AgoraTerror trash cult da melhor qualidade. Ambientação e cenários muito bem feitos e explorados, trabalho de maquiagem espetacular e uma estória bem pitoresca e peculiar, mas sem pé nem cabeça em temos de desenvolvimento. Atuações sofríveis, mas que encaixam bem com a proposta 'trash' do longa. Os famosos Cenobites não participam tanto do filme, o que é bom, pois criam uma expectativa sempre que estão em cena. Eu achei bem parecido com A Noite do Pesadelo, mas com um terror mais lovecraftiano e explorando bastante o gore. Para quem gosta de um bom trash, recomendo. Nota 3/5
Não! Não Olhe!
3.5 1,4KNope, terceira obra do promissor realizador Jordan Peele, é bastante diferente de Us e Get Out. Seja pela temática, seja pela forma. O protagonismo de pessoas negras é um dos poucos pontos em comum com as demais obras, onde a crítica ao racismo era mais pesada. Aqui, ainda existe, mas apenas tangencia o caráter crítico da obra que, por sua vez, foca mais na sátira à imprensa sensacionalista e ao tratamento exploratório dos animais no meio do entretenimento. Com um elenco bastante enxuto, mas eficiente, Nope consegue ampliar os horizontes do gênero de filmes sobre alienígenas, explorando muito bem o suspense, mas subvertendo o paradigma estético presente em nosso imaginário, similar ao que ocorreu no ótimo The Arrival. O maior mérito está aí: o espectador leva uma rasteira e tem todas suas expectativas derrubadas por uma narrativa disruptiva que não faz questão de explicar tudo, deixando as lacunas serem preenchidas pela sua imaginação. Nota: 4/5
Crimes do Futuro
3.2 281 Assista AgoraNão conseguiu me cativar. Chatíssimo. Penso em reassistir futuramente, mas, por ora, nota 2.5/5.