Superou minhas expectativas, que eram bem poucas. Não esperava muito por este filme, pois praticamente não gostei dos últimos filmes da DC. Mas este filme se mostrou bem diferente dos outros, com um estilo bem característico e cenas de ação muito bem coreografadas e montadas. Investindo bem no tom de comédia, provavelmente é o filme mais divertido da DC até agora.
A primeira vez que ouvi falar sobre The Room, foi obviamente em tom de piada. Não gosto de perder tempo com coisas ruins, por isso nunca tive vontade de assistir a este filme, mas a personalidade do mentor dessa obra me chamou atenção, em conjunto com todo o ar de mistério que envolve sua persona.
Este filme captura muito bem este aspecto, e acredito ter sido este o motivo de eu ter gostado tanto. A atuação de James Franco é hipnótica (apesar de a maquiagem para parecer mais com o verdadeiro Tommy ter me incomodado em alguns momento). E justamente esta atuação acaba mostrando um pouco como na vida real este cara completamente maluco foi capaz de trazer as pessoas para si, em busca de concretizar seu sonho de fama e reconhecimento.
Essa busca por reconhecimento é muito bem retratada pelo filme, sendo o principal ponto do filme. Sabemos que Tommy nunca vai conseguir o que busca. Não só por conhecermos a história, mas qualquer um que o visse atuando poderia perceber isto. E sua arrogância e prepotência acabam o tornando numa figura que num primeiro momento poderíamos achar detestável, mas que aos poucos vamos vendo que por trás de tudo isto está uma pessoa completamente diferente, com inúmeros medos e traumas.
A cena final é angustiante. Não chega a ser um filme emocionante, não é uma história tão forte, mas o momento em que Tommy esperava brilhar e causar comoção no público, mas que só consegue causar risos, é um momento que custa a passar, nos causando um incômodo que acredito ser o mesmo sentido pelo personagem. A vergonha alheia é um dos piores sentimentos que se pode sentir. As palmas ao final aliviam um pouco a tensão.
As vezes esquecemos como é ver o mundo por olhos infantis, sem maldade, como se tudo fosse simples ou somente uma brincadeira.
Esse filme me fez pensar nesta questão. Seu final, famoso, traz ainda mais este pensamento a tona, nos fazendo olhar novamente para a história contada no filme, nos aproximando daquela realidade que, na verdade, muitas vezes não é tão distante da nossa.
As cores utilizadas no filme são muito interessantes. A fotografia é belíssima. E, ao meu ver, segue uma lógica muito bem estabelecida. Pode ter sido somente impressão minha, mas as imagens e cores pareciam sempre mais belas e vivas quando somente as crianças estavam em tela, diferente do que acontece quando passamos a ver as coisas pela ótica dos adultos do filme.
Por alguns momentos cheguei a me desligar um pouco do filme, achando a edição confusa, meio desconexa. Agora, ao final, percebo como me enganei, pois a construção da história é perfeita. Muitas vezes parece não fazer muito sentido, assim como o mundo dos adultos pode parecer não fazer sentido aos olhos de uma criança.
As atuações são impecáveis, e a atriz mirim principal faz um trabalho incrível criando uma personagem que não implora para que gostemos dela. Na verdade, se a personagem soubesse que está num filme provavelmente não estaria ligando a mínima para se gostamos dela ou não. Acho que justamente aí está o ponto principal de empatia dela.
Infelizmente, com o tempo, perdemos a capacidade de Moone, de enxergar as coisas sem ver os reais problemas que a cercam. Por isso talvez para alguns esse filme pareça um pouco chato, ou triste. Para aqueles que ainda conservem um pouco desta visão, acredito que terão uma experiência um pouco mais alegre ao assistir este filme.
Esse filme representa muito bem uma nova leva de filmes de terror lançados ultimamente.
Ficam de lado os sustos baratos e sem motivação, e ficamos somente com um clima opressor e um crescente suspense, que vai nos deixando cada vez mais tensos conforme o filme avança.
As atuações não se destacam tanto quanto a história em si ou a fotografia, mas os atores conseguem expressar muito bem o desespero contido de viver em um lugar onde parece não haver escapatória, em uma situação que cada vez mais vai se tornando mais tensa e complicada.
A fotografia é incrível, transformando toda aquela floresta em um grande muro que separa aquela família e seus problemas do resto do mundo. Sentimos como se nada nem ninguém pudesse vir em auxílio daquelas pessoas, um sentimento que fica mais forte cada vez que olhamos em volta do casebre onde moram, e só vemos árvores gigantes e escuridão.
A história do filme em si não guarda grandes revelações, mas esse não é o propósito do filme. Não há a intenção de nos brindar com um vilão para ser punido no final. A atmosfera misteriosa criada durante toda a projeção se encarrega de nos deixar grudados na cadeira, esperando sem conseguir imaginar como aquela história poderá acabar e, principalmente, acabar bem.
O filme não é exatamente ruim. Tem alguns momentos engraçados. A ideia também não é original, e poderia ter sido muito melhor explorada. Mas o que realmente atrapalha esse filme é aquela forma de escrever roteiro onde o que interessam são as piadas, e não a história.
Isso prejudica muito o filme, pois a história não tem pé nem cabeça, personagens aparecem e somem sem acrescentar nada à história, e o assassino é alguém tão aleatório, e sua motivação tão fraca, que seria melhor ter acabado o filme sem revelar realmente o vilão.
As atuações não ajudam. Por incrível que pareça, Cauã Reymond até se esforça em criar um personagem minimamente interessante, brincando com sua imagem de galã, se demonstrando a toda hora inseguro, infantil e ingênuo, mas sempre querendo se provar. Mais clichê impossível, mas acabe sendo o que mais funciona no filme.
Já Tatá Werneck não funciona em momento algum. Nenhuma de suas piadas causam risos. Sem contar que não há o mínimo esforço em criar um personagem. Não vemos uma investigadora Keyla em momento algum, vemos sempre Tatá Werneck, e suas caras e bocas que já não são mais tão engraçadas assim.
Sem contar que fica claro o despreparo da atriz no manuseio de armas e forma policial de agir. Se isso fazia parte da piada, não deu certo, pois não teve graça alguma.
Sem contar que a atriz em certos momentos tenta posar de sedutora, e em outros momentos sua personagem cai na escatologia e no ridículo sem mais nem menos. Seu personagem nunca fica definido pelo filme, sem contar a falta de um arco narrativo, pois enquanto vemos uma evolução do personagem de Cauá Reymond, a invetigadora Keyla termina o filme exatamente igual da forma como começou, tornando sua participação na história totalmente desinteressante.
Quanto aos aspectos de direção, edição, sinceramente, não vale perder muito tempo comentando sobre. As novelas das 21h da globo conseguem ser melhores filmadas e editadas.
Não é um filme HORRÍVEL, perto de outras comédias brasileiras que temos por aí. Vale o ingresso, se o ingresso estiver bem barato e a pipoca for de graça.
Primeiro tive sorte, pois fui ao cinema assistir ao novo Jurassic World, mas de último momento acabei escolhendo este filme, mesmo sem saber exatamente nada sobre a trama, ou qualquer coisa sobre o filme. E isso foi ótimo.
Desde o início o filme te prende de forma incrível. Sua atmosfera é palpável, você consegue sentir que algo ruim está acontecendo, mas não consegue entender muito bem o que é.
Existe um subtexto sobre a loucura que permeia toda a família, principalmente do lado da mãe. Isso acompanha o espectador durante todo o filme, sempre mantendo um suspense sobre a real natureza dos acontecimentos do filme, que vão sendo construídos aos poucos como cada vez mais assustadores e sobrenaturais.
É um filme longo, mas não cansativo. Sua extensão se explica pela construção minuciosa de personagens, inclusive
tomando um tempo considerável "enganando" o expectador dando a entender que a história e o personagem central será a menina, quando na verdade o filme está somente construindo o acontecimento que demonstrará a importância do personagem do filho para a trama.
Não há sustos fáceis, barulhos ensurdecedores para fazer o espectador agarrar a cadeira em um susto sem medo. Temos cenas imensas, tensas, onde ficamos em suspense esperando sempre o pior acontecer, sabendo que o terror está ali a vista, sem conseguirmos enxergá-lo exatamente, assim como os personagens.
Ainda bem que troquei o Jurassic World por este filme. Troquei um filme que somente serviria para me divertir, por um que me fez ter prazer novamente (e medo) de assistir um bom filme de terror/suspense.
A experiência de assistir a esse filme é interessante. Me fizeram acreditar que se tratava de um filme de terror. Como gosto do gênero, resolvi dar uma chance. Gosto do gênero, mas já estou mais do que cansado com a forma como os filmes de terror tem sido feitos nos últimos anos. Muitos diretores de cinema confundem dar sustos com causar medo e tensão. São coisas diferentes. Susto não significa medo, e é plenamente possível, pra um diretor talentoso, causar medo e tensão sem precisar dar sustos no espectador a todo momento. E esse filme me agradou justamente por isso.
Ele tem alguns sustos, muito bem colocados e medidos. Não há exagero nessa questão. Quando vc da um pulo de susto, é por estar imerso naquele universo, e não porque algum personagem gritou e a música aumentou repentinamente. O clima criado pelo diretor é tenso a todo momento, desde o primeiro frame.
Aqui, o que menos importa é o que aconteceu ao mundo, o que causou a doença, e o que realmente é a doença. Não temos como saber isso, pois os personagens são pessoas comuns, que não se importam com essas questões, e sim somente se preocupam com a sobrevivência neste mundo onde vivem. Isso cria um clima opressor angustiante, onde qualquer erro cometido por algum deles pode significar o fim de suas vidas.
Por isso acho que não podemos julgar este filme como um simples terror. O drama de sobrevivência é muito mais importante aqui. É o que nos mantém interessados a todo momento, e não a expectativa de tomar o próximo susto. Isso que diferencia este filme dos demais lançados ultimamente. Ainda bem.
É muito interessante ver histórias que se passam tão longe de nós, mas que refletem tão bem nossa realidade. A Autodefensas lembram muito milícias que tomam conta de morros cariocas, algo que no começo tinha uma boa intenção de trazer paz ao povo, aos poucos vai ganhando tanto poder que começa a simplesmente tentar manter este poder, passando a ver a ordem que eles mantém como um simples instrumento para essa manutenção de poder
O documentário mostra muito bem isso. Contando duas histórias em paralelo, com certeza a mais interessante é a que se passa no México, pois é a que mais se relaciona com nossa realidade. É um documentário muito bem filmado (bem até demais em certos momentos, com a câmera sempre muito bem posicionada e captando situações que chegaram a me deixar em dúvida se não se tratavam de encenações).
Apesar de em certos momentos apresentar "subtramas" que acabam se perdendo, o foco do documentário em explorar o tráfico entre o México e os Estados Unidos, e como isso afeta a vida das pessoas inocentes , é muito bem explorado pelo filme. Somos levados os poucos àquele mundo, chegamos a torcer para as milícias esperando que elas tragam alguma paz para o povo, e vamos aos poucos nos decepcionando conforme vemos o poder dos cartéis, que já era paralelo, sendo substituído por outro que visa somente o bem próprio, e não a proteção do povo. Assim como vemos tantas vezes por aqui.
PODE CONTER SPOILERS (APESAR DE QUE ESSE É UM TIPO DE FILME EM QUE ISSO É IRRELEVANTE).
Não poderia ter sido feita maior justiça nessa última apresentação do Oscar. No momento em que foi anunciado o erro que havia dado o prêmio para La La Land, a academia corrigiu aquela que talvez fosse ser uma dass suas maiores injustiças em muito tempo. Não que La La Land não merecesse ganhar. Claro, não posso falar com certeza, pois não o assisti (musicais, e ainda por cima musicais românticos não são exatamente meu tipo de filme), mas ao meu ver não há filme que carregue uma carga dramática e provoque tantas reações quanto Moonlight.
Esse filme é quase uma antítese do que Hollywood representa. Não há glamour, a felicidade é pouca e rápida. O máximo de iluminação que vemos é aquela que, como dito em certo momento do filme, "faz os garotos negros ficarem azuis". De resto, vemos uma realidade imersa em sombras. Assistimos ao filme esperando a redenção, o momento em que veríamos a vitória da esperança sobre aquela realidade pesada. Bom, de certa forma é isso que vemos, mas não é a vitória que esperaríamos.
Mas este é só um viés deste filme. Seu roteiro é muito mais profundo que isso, o que o torna tão interessante. Desde o começo vemos um garoto preso a um cotidiano violento, em todos os sentidos. Desde os garotos que percebem sua "diferença", e o atacam por isso, até sua situação familiar, onde ele poderia encontrar um refúgio, mas ao invés disso encontra uma mãe viciada ao ponto de em certo momento 'roubar' do próprio filho para comprar drogas. Mas é nesse meio violento, através de uma figura que esperamos a todo momento que se mostre violenta (algo que nunca acontece) que o garoto começa a entender o mundo ao seu redor, e principalmente a se entender. O personagem criado por Mahershala Ali, Juan, rouba o filme (coisa que ele já havia feito em Luke Cage). O oscar de melhor ator coadjuvante foi merecidíssmo. Por mais que seja mais um preso àquele cotidiano violento, Juan não precisa ser uma figura que demonstre essa violência, nem que a perpetue. Seu modo compreensivo de ser o transforma em quase um tutor para o garoto, o fazendo se abrir de uma forma que ele não poderia fazer nem com a própria mãe. Mas seu papel naquele meio violento não é deixado de lado pelo filme, que poderia cair na armadilha de transformá-lo em algo que ele não é. Juan é um traficante, que contribuí para aquela realidade, por mais que ele tente negar isso até para si próprio (quase como o garoto negando para si próprio sua sexualidade). Seu destino, não mostrado em tela, deixa isso claro (por mais que não seja dito como foi a morte de Juan, é impossível não imaginarmos que tenha sido por meio violento ou algo do tipo). Mas sua presença, mesmo que em tão pouco tempo de tela, foi tão marcante ao ponto de não o esquecermos em momento algum do filme. Tão marcante ao ponto de, quando o garoto cresce e sem conseguir fugir do destino comum à sua comunidade, se transforma em traficante, ele pegue todos os trejeitos de Juan, o imitando. No meio de toda a violência em que vive, Black busca como referência a única figura que compreendeu sua sensibilidade, quase como uma válvula de escape.
O filme tem ainda inúmeros aspectos louváveis. É um filme guiado por atuações. Não há uma que não mereça créditos. Sem contar a trilha sonora muito bem escolhida, além da fotografia incrível do filme, nos colocando dentro daquele ambiente junto com os personagens.
Sem precisar de grandes cenas de ação, por mais que lide com questões envolvendo crime, esse filme mostra a importância do diálogo no cinema. A última parte da história chega até a lembrar todo o arco do Omar Little em The Wire (claro, tirando os tiroteios e o fato de Omar ser um gay assumido, e não alguém que esconde até de si próprio aquilo que sente). Black vive uma farsa, e não é a toa que seu amigo de infância chega a dar risada quando o vê 'pagando' de gangster quando adulto. Mas, novamente, naquele meio violento, as pessoas aprendem a respeitar apenas a violência, e é essa a forma que ele encontra de se preservar.
Filme incrível, que deve ser assistido inúmeras vezes.
É muito difícil assistir a esse filme impassível. Em uma época onde o sistema carcerário vem sendo discutido e revisto, não só o sistema americano mas de qualquer país que tenha uma população carcerária maior do que a população de uma cidade de médio porte, esse documentário mostra que essa é só a ponta de uma discussão muito mais profunda, com raízes que vão da época da escravidão até os dias atuais, onde a população carcerária negra aumenta a cada dia, alimentando um sistema cruel criado basicamente para encher o bolso de poucos em cima da desgraça de muitos.
Não conseguia entender muito bem como as pessoas podiam gostar dessa série. Antes de começar a assistir, nada nela me chamava a atenção. Não tinha assistido nenhum trailer interessante, e o clima de mistério da trama não me pegava, me parecia mais uma história rasa que tentava se passar por algo maior do que realmente é. Sem contar que não me descia uma história sobre um hacker. Como desenvolveriam isso? Imaginei logo uma série parada, onde os dramas pessoais seriam mais importantes do que a trama em si. Não poderia estar mais enganado.
Após assistir a uma primeira temporada quase perfeita, onde cada peça da trama foi se encaixando perfeitamente até o final, e o roteiro foi nos enganando episódio a episódio, nos fazendo ter a falsa impressão de que estávamos entendendo a trama para nos últimos três episódios nos fazer repensar tudo o que tínhamos assistido desde o primeiro episódio, me deparo com uma segunda temporada que consegue evoluir em todos os quesitos da primeira.
Todos os pontos que ficavam implícitos na primeira temporada vão se mostrando cada vez mais ameaçadores aos personagens. Se antes tínhamos Elliot imaginando uma suposta perseguição contra ele, aqui o clima de mistério é elevado a níveis quase insuportáveis, com praticamente todos os personagens ficando expostos a alguma ameaça. E enquanto esse clima de mistério e paranoia vai aumentando a cada episódio, temos ainda algumas cenas mais explosivas, como tiroteios muito bem filmados e totalmente coerentes com a trama, coisa que faltou um pouco na primeira temporada.
Todas as atuações continuam em alto nível, com o destaque óbvio sendo o ator que interpreta Elliot. Incrível como ele consegue entrar no personagem totalmente, mantendo um olhar vidrado e esbugalhado a todo momento, expondo muito bem o fato de que ele quase nunca consegue diferenciar a realidade daquilo que a mente dele cria ao redor dele.
Mas o grande destaque da série continua sendo o roteiro e seu desenvolvimento. Talvez o fato de ser praticamente escrita por uma pessoa só, o criador da série, garanta essa coesão. E novamente ele consegue nos enganar da mesma forma que fez na primeira temporada, nos fazendo cair no mesmo truque de nos fazer aos poucos acreditar que estamos entendendo a trama (os primeiros episódios levam Elliot por um caminho que parece meio desconexo, por uma trama que parece não ter muito a ver com o resto da história) somente para nos acordar com um soco, mostrando como as pistas estavam lá o tempo todo e nós não vimos. Sem falar como ainda vemos aqui algumas cenas da primeira temporada por outra perspectiva, o que nos faz repensar certos pontos da trama que tínhamos como certos e já entendidos.
Além de tudo isso, o roteiro ainda é corajoso ao em certo episódio deixar Elliot de lado, seu personagem mais interessante, não o mostrando em momento algum, para desta forma poder desenvolver melhor os personagens secundários da trama. Outra estratégia sensacional, que contribuiu para o clima de mistério e paranoia da trama, foi o tratamento dado ao personagem Tyrell.
Seu sumiço, tratado desde o último episódio da primeira temporada, tem um peso imenso nesta, principalmente para Elliot, e seu retorno é muito bem pensado pelo trama, fazendo Elliot (e nós) duvidar a todo momento se ele realmente está vivo ou se é somente mais uma criação da mente de Elliot.
É extremamente satisfatório quando encontramos um bom suspense para assistir. Tem sido cada vez mais dificil encontrar uma história tensa, que deixe o espectador preso em sua trama até o minuto final. Cada vez mais se confunde ação com suspense e tensão, e sobram filmes com cenas intermináveis de ação, onde em momento algum sentimos a minima emoção ou temor pelos personagens.
Esse filme se destaca imediatamente. A experiência de assisti-lo é interessante, pois não somente vemos um ótimo suspense como somos mergulhados fundo em uma Espanha pós ditadura, tentando se livrar de velhas práticas e demônios que continuam assombrando a vida das pessoas. Se isso já é dificil nos grandes centros, em uma cidadezinha parada no tempo como a em que se passa o filme é quase impossível notar a diferença de costumes que uma abertura política propõe. O filme, com seu contexto bem construído por inúmeras cenas, ganha uma moral maior, se diferenciando de qualquer outro suspense simples que possamos assistir.
Tecnicamente o filme é sensacional, extremamente claustrofóbico (apesar de se passar basicamente em espaços abertos), tenso e com uma atmosfera muito bem construída. Desde o trabalho de iluminação, fazendo com que mesmo as cenas a luz do sol tenham uma claridade estranha, quase não natural, até as belas tomadas aéreas, que transformam aquela cidadezinha suja e feia em algo extremamente belo, criando um contraste magnífico entre o que vemos de perto (observando seus detalhes e imperfeições) e o que vemos a distância.
De certa forma, a resolução do filme é até simples, não há um grande mistério que envolva alguma organização ou algo do tipo. Sua força não está neste tipo de recurso de roteiro. O desenvolvimento da história é o que mais chama a atenção. Acompanhamos todos os passos da investigação, e dessa forma vamos cada vez mais conhecendo os dois personagens dos investigadores, tão diferentes entre si e com métodos totalmente opostos. Não deixa de ser interessante como o mais idealista deles parece aos poucos se ver mais atraído pelos métodos não convencionais e violentos de seu parceiro menos moralista. Num primeiro momento ele se nega a compartilhar destes métodos, mas ao ver sua efetividade e ao se ver cada vez mais obcecado pelo mistério a ser resolvido, ele passa até mesmo a aceitá-los, e até a empregá-los em certo momento. A violência é sedutora, e a facilidade com que ela passa a ser aceita em certas circunstâncias é assustadora.
É um grande filme, que merece ser assistido pelo máximo de pessoas, estejam elas interessados em todo o contexto e discussão que o filme suscita, ou simplesmente em assistir a um bom suspense para passar o tempo.
Como em qualquer das obras produzidas pelo Netflix nos últimos tempos, a qualidade técnica desta série está muito acima da média. Isso nem é algo que se comenta mais ao se falar sobre séries e filmes do Netflix, já que acabou sendo o minimo que se espera do serviço.
Luke Cage era um personagem semi-desconhecido para mim. Achei interessante a proposta da série, de apostar em um personagem que as pessoas não estão acostumadas, já que mesmo que você não leia quadrinhos, pelo menos conhece os personagens mais famosos, que compõem a "linha de frente" da Marvel. Luke Cage era só um nome que eu já tinha ouvido falar, e sua importância como primeiro grande herói negro, pelo menos ao meu ver, era algo meio perdido no tempo e na infinidade de sagas eternas e reboots das hq's.
Desta forma, a série veio em um ótimo momento, conseguindo resgatar muito bem a importância icônica do personagem, em um momento em que a discussão sobre a violência contra o povo negro nos bairros pobres dos Estados Unidos está a tona depois de inúmeros episódios de violência policial. Nada mais marcante que um negro a prova de balas, que protege seu bairro e população acima de tudo, sem pedir nada em troca e aceitando qualquer sofrimento que isso implique.
A personalidade do personagem é muito bem construída pela série, contando principalmente com a ajuda do ator para isso. Extremamente carismático, o ator escolhido para viver o personagem o faz com uma segurança de quem parece entender as questões mais profundas acerca dele, e não somente o superficial de um homem extremamente forte e invulnerável.
Mas nesta construção de personalidade que está a questão que mais me incomodou na série. Com o anúncio da série e os trailers, fiquei tão interessado pelo personagem que comecei a pesquisar um pouco sobre ele, tentando entender sua importância para os quadrinhos. Achei interessante a forma como o personagem foi apresentado ao público logo em suas primeiras histórias. Luke Cage, um herói do gueto, nos quadrinhos é retratado como um herói de aluguel, que recebe dinheiro para proteger pessoas, e dessa forma consegue seu sustento. Utilizando um pouco mais de violência e com atitudes mais sacanas, achei o Luke Cage herói de aluguel dos quadrinhos mais interessante que o da série, com sua moral senso de justiça acima de tudo. Em certos momentos da série o roteiro chega a evocar essa origem do personagem, com pessoas oferecendo dinheiro ou tentando contratá-lo como "segurança", mas ele sempre recusa. Claro, são mídias e épocas totalmente diferentes, e esse Cage sacana provavelmente não cairia bem aos olhos do grande público. Sua retratação como um herói negro renegado, quase perfeito, vem a calhar no momento.
Outro ponto que me incomodou, e isso é quase um pecado em uma série sobre um herói, são as poucas lutas e cenas de ação. Além de sofrer um pouco com o ritmo da série, que talvez se tivesse um 3 episódios a menos seria um pouco mais dinâmica, temos poucas lutas durante os episódios, sem contar o fato de que durante a série inteira Cage não tem um vilão a sua altura.
Se não fosse sua moral, os problemas de Cage poderiam ser resolvidos rapidinho, pois nem Cornell nem Kid Cascavel, e o mundo de capangas seriam páreo para um Cage enfurecido ou disposto a jogar um pouco sujo. Mas deve ser comentado também a coragem da série em construir um "suposto" vilão durante sua primeira metade (Cornell), para tirá-lo de cena de forma totalmente inesperada, introduzindo outro vilão (Kid Cascavel) e, num pano de fundo, construindo a personalidade de outro aos poucos (Mariah).
Apesar de qualquer defeito que a série possa ter, ela acaba sendo divertida de se assistir, além de introduzir muito bem a atmosfera do Harlem ao espectador, e te colocar dentro da história tanto pelo roteiro quanto pelo uso preciso da trilha sonora. Homenageando toda uma cultura negra centenária e importantíssima pra sociedade americana, essa série abre caminho para que em suas próximas temporadas Luke Cage tenha muito mais a oferecer como série de herói.
É claro que essa série está um nível acima de muita coisa que é produzida hoje em dia. Em questão de produção, construção de personagens, e principalmente de atuação, vemos uma obra que se preocupa com todo e qualquer detalhe, nos mergulhando fundo na Colômbia decadente do final dos anos 80, mas ao mesmo tempo transformando aquele cenário em algo quase mágico aos nossos olhos, de certa forma se utilizando até do tal "realismo mágico" que é citado algumas vezes na série.
E a série consegue nos ganhar de tal forma ao ponto de torcermos para que Pablo não morra no final, apesar de isso ser inevitável. E não torcemos por isso por termos simpatia por ele (apesar de a série, principalmente nesta temporada, ter romantizado bastante a relação dele com sua familia, tentando transformá-lo numa figura menos detestável, talvez até para que sentíssemos algo com sua morte, talvez) mas sim pois isso representa uma interrogação quanto ao destino da série. Em sua primeira temporada, Pablo e sua ascensão eram o que nos faziam assistir aos episódios, tentando entender como aquela figura conseguiu em tal patamar de poder. A partir desta segunda temporada, desde o começo vemos um Pablo decadente, com sua história sendo um fio muito tênue, incapaz de manter o interesse totalmente aceso durante todos os episódios. Não a toa a introdução do Cartel de Cali acaba salvando a série, pois seria impossível manter o foco somente em Escobar novamente. Não havia história suficiente para isso.
Mas agora, com sua morte e a série claramente estabelecendo Cali como o inimigo a ser batido, fico sem conseguir imaginar como farão para manter o interesse do público (ou pelo menos o meu). Não temos mais uma figura emblemática como Escobar, e sim figuras praticamente desconhecidas do imaginário popular. Esperemos, e torçamos para que o nível se mantenha.
Além de qualquer dúvida quanto ao destino da série, nesta temporada tivemos mais um show de Wagner Moura, explorando de forma perfeita a situação de Escobar para entregar uma atuação sensacional. Enquanto vemos todos os pilares de seu império sendo derrubado, Moura é capaz de invocar em sua atuação alguém que a todo momento parece ser dono da situação, justificando toda a lealdade que Escobar inspirava em seus sicários, mesmo nos momentos mais complicados.
Há uma regra não escrita que diz que não se deve comparar um filme adaptado com seu material de origem. Até concordo, apesar de que em alguns casos o material original se mostra tão mais interessante, ou com um desenvolvimento melhor, que a obra adaptada acaba te incomodando, mesmo sendo um filme muito bem feito como este.
Mas, apesar de incomodar em certos aspectos, o diretor pelo menos acerta em cheio ao manter a história se passando na Suécia, ao invés de transportá-la para os Estados Unidos, o que a transformaria em mais um mistério sem graça entre tantos. Os cenários nessa história são quase como personagens, contribuindo enormemente para o desenvolvimento da história e das personalidades daquelas pessoas, além de o isolamento ser um grande motivo de tensão durante o filme.
Os personagens foram bem transpostos para o filme, apesar de que certos elementos de suas personalidades acabaram me incomodando um pouco. Claro, nada que influencie no filme, somente um ponto que quem teve contato com o livro talvez perceba e sinta o mesmo que eu. Daniel Craig cria um personagem um pouco diferente do original, um pouco mais soturno e sem o sarcasmo e a certa carga de humor negro presente no Mikael dos livros. Inclusive, acredito que Daniel Craig nem convenceria se não modificasse um pouco a essência do personagem, devido a sua aparência e (limitado) estilo de atuação. Os personagem que povoam a familia Vanger, tirando a dupla mais importante para a história (Henrik e Martin) são no filme somente figuras cuja única motivação parece ser atrapalhar e criticar Mikael e seu trabalho, faltando um trabalho melhor de desenvolvimento para que fossem figuras um pouco mais interessantes. Um ótimo exemplo é o personagem Harald, que no filme ganha uma cena importante para o desenvolvimento da história que não existe no livro. O personagem acaba aparecendo muito mais enquanto nas páginas do livro somente faz uma aparição rápida, mas extremamente marcante (e desagradável), enquanto no filme acaba servindo a um propósito do roteiro e sendo esquecido. Sua filha, Cecilia, é outra que no filme simplesmente aparece, serve a um propósito (numa cena horrível onde sem motivo nenhum ajuda Mikael após ter dito que não ajudaria, somente por que ele a olha e diz "Por favor"), e logo é esquecida pelo roteiro. Isso só para citar alguns exemplos de como um dos pontos mais interessantes do livro, que é a própria familia Vanger e suas relações (geralmente baseadas em um ódio mútuo), é deixado de lado.
Mas, claro, o filme tem o propósito de seguir o personagem em uma investigação, e acredito que o diretor não teria como encontrar espaço para encaixar todos esses aspectos no filme sem transformá-lo em uma minissérie.
Mas se esses personagens acabam perdendo um pouco de seu destaque, o filme pelo menos consegue estabelecer em Lisbeth uma protagonista tão interessante quanto a que é apresentada nas páginas do livro. Com uma caracterização impecável e uma atuação hipnotizante, que faz total jus a obra original, Rooney Mara consegue conferir a personagem toda a (aparente) fragilidade que ela demonstra por fora, enquanto por dentro se esconde uma pessoa extremamente perigosa, inteligente, mas com uma mente tão complicada e complexa quanto suas qualidades.
Bom, após quebrar tantas vezes a regra descrita acima, sou obrigado a mais uma vez criticar o roteiro, que em certos momentos parece jogar os acontecimentos de qualquer jeito em nossa cara, dando a impressão de que as coisas simplesmente "aconteceram", com certas conclusões surgindo do nada durante a investigação, sem falar no desfecho da história sobre o desaparecimento de Harriet, que modifica em muito o que é apresentado nos livros (muito em parte pois o que é apresentado lá acabaria tomando mais uns 20 minutos de filme para ser desenvolvido). Mas, se o roteiro já me incomodou um pouco ao modificar o desfecho da história, ele acabou me incomodando mais ao manter o "pós-final" envolvendo a resolução da trama sobre Wennerstron. São pelo menos uns 15 minutos de filme cansativos, que não conseguem empolgar nem se justificar, ficando muito mal explicados (as conexões de Lisbeth com um extenso submundo de falsificações de documentos e invasões hacker a computadores ficam subentendidas durante o filme, mas de forma insatisfatória na minha opinião). Não consigo pensar em uma solução para isso, mas talvez isso pudesse ter sido retirado do roteiro, mantendo somente a história referente a trama do desaparecimento. Não sei se daria certo, mas para um roteiro onde algumas coisas importantíssimas da história original já haviam sido modificadas, isso talvez não fosse um problema.
Bom, após escrever bastante e passar a impressão de que não gostei do filme, deixo claro que na verdade se trata de um filme muito bem feito, que talvez acabe agradando mais àqueles que não leram o livro e ficaram tão empolgados conforme iam página a página desvendando um pedacinho do quebra-cabeça que envolvia o desaparecimento da personagem e a familia Vanger.
Entendo quando um final que não entrega um fechamento conclusivo é criticado. De certa forma, é irritante passarmos quase 2 horas acompanhando uma história, e não termos certeza de como aquela situação terminou. Mas, em certos casos, a jornada acaba sendo mais importante, criando uma situação onde já não importa mais como aquilo vai terminar, pois de qualquer forma já valeu a pena.
Para um homem que estava prestes a se matar no começo desta história, e que desiste justamente quando um uivo de um lobo o "salva", após todo o caminho percorrido, não resta mais nada a não ser lutar pela sua vida, não importando se conseguirá ou não. Liam Neeson compõe uma figura totalmente solitária em um primeiro momento, com marcas em seu passado que o causam um sofrimento suficiente para que sua existência passe a não ter mais sentido, em sua visão. E é toda sua luta pela sobrevivência que nos faz acompanhar tensos o filme.
Lidando muito bem com o tema da sobrevivência, não como algo glorioso, mas sim como uma luta primal e horrenda, o filme não nos dá esperança de que seu final será 'feliz'. E é muito interessante como vários pontos de seu roteiro vão aos poucos nos preparando para isso, como a discussão sobre a existência de Deus, quase como se os personagens estivessem desesperados ao ponto de esperar uma salvação divina daquela situação.
Extremamente claustrofóbico ao nos prender a um cenário gigantesco e ao mesmo tempo tão inóspito, onde parece haver perigo para todos os lados, é quase impossível respirar durante todo o filme. E independente do final, acredito que justamente esse tipo de mérito torne esse filme tão interessante.
Não sou o maior fão de filmes de super heróis. Acho que acompanhei o 'Universo Marvel' no cinema somente pelos filmes do homem de ferro, e pelo primeiro vingadores (nem o segundo eu vi). Mas, devido a grande popularidade desses filmes, é impossível andar pela internet e não ter contato com praticamente toda a história de todos os filmes, ficando fácil ter uma noção do ponto em que a historia está. E foi assim que eu fui assistir a esse filme, e sinto que não tive problema algum para entrar na história desse que me parece o filme desse universo que tem a mais interessante premissa de todas.
Lidando com uma questão extremamente séria, que é a responsabilidade daqueles indivíduos que possuem literalmente o poder de destruir qualquer coisa, o filme nos leva por uma discussão interessante que, obviamente, termina em porradaria e cenas de ação desenfreada. É um filme de super-heróis em sua essência, e como tal, tudo deve ser resolvido com cenas gigantescas e empolgantes de ação. Mas ainda assim conseguimos ter a impressão que a questão está lá, e a todo momento vamos pendendo de lado conforme cada lado vai tentando provar seu ponto.
Sendo talvez o melhor filme de toda a "saga" da marvel até agora (não posso falar com certeza pois não vi todos, mas vi muita gente dizendo isso), o filme entrega um bom desenvolvimento de roteiro, não sendo chato ou arrastado mesmo com suas mais de duas horas. além disso, o mistério desenvolvido em relação ao vilão consegue prender nossa atenção até sua revelação final, sendo este vilão uma ótima mostra de como a questão da responsabilidade do herói deve ser levada em consideração neste universo.
Com cenas incríveis e muito bem feitas, as batalhas são feitas de forma a sempre deixar claro o posicionamento de cada um, sendo o grande destaque a grande batalha onde todos os personagens se enfrentam em um aeroporto (a cena é tão incrível ao ponto de ser um momento no filme em que personagens são apresentados somente para participar dela). E em relação a participação dos personagens, suas mais de duas horas se justificam graças ao bom desenvolvimento das motivações de cada personagem de cada lado. Tony Stark e o pantera negra do lado dos que apoiam o registro, contando com a ótima interpretação dos atores, conseguem por vários momentos nos fazer entender suas causas, Diga-se de passagem esse filme foi uma ótima introdução para o personagem do pantera, prometendo bastante para seu filme próprio. Do lado do Capitão América, o próprio tem um desenvolvimento tanto na questão do registro, quanto na busca por seu parceiro de guerra, Buck. Chris Evans, que não é um bom ator, parece ter nascido para esse papel, se entregando de forma a nos fazer entender suas motivações, mesmo que em certos momentos não as aceitemos. Além desse núcleo, todos os outros personagens tem chance de pelo menos ter uma cena de destaque.
Vale muito a pena assistir a esse filme, pois parece que a Marvel conseguiu atingir um nível de excelência poucas vezes alcançado em um filme pipocão como esse.
A qualidade das produções da Netflix, de uns tempos para cá, é inquestionável. Seja nos filmes originais ou nas séries, o serviço tem se mostrado muito mais efetivo e cuidadoso com suas obras do que muito canal de televisão e companhias de cinema. E esta obra exemplifica isso. Durante todos seus episódios acompanhamos de forma primorosa toda a guerra por poder da familia Iglesias, contando com uma narrativa e um nível de produção totalmente imersivo, nos fazendo sentir quase como se estivéssemos assistindo a um documentário sobre o mundo do futebol.
Desde a atuação até o desenvolvimento da história, tudo é muito bem feito, e não consegui não ter um certo grau de inveja de uma produção que retrata tão bem o futebol. Todos os esquemas retratados, as armações e a dinamica dos jogadores nos fazem pensar "Isso poderia ter sido produzido no Brasil". Infelizmente, parece que teremos que esperar muito mais para ter uma obra desse nível sobre futebol.
Mas claro que o futebol em si e o time dos Cuervos são somente instrumentos do roteiro para que acompanhemos a guerra de egos dos personagens da série. Chava e Isabel exemplificam muito bem uma dinâmica conflituosa, ele sendo mais carismático mas fraco, ela mais forte mas inflexível e sem a simpatia dos outros. Sem perceber, de certa forma os dois se completam, não sendo a toa que a possibilidade de os dois compartilharem a presidência do clube é levantada várias vezes na série, não sendo isso possível devido ao ego inflado de cada um. A série consegue explorar esse conflito muito bem durante os episódios, o costurando através de todo o universo fascinante que cerca uma equipe de futebol.
Essa série merece todos os créditos possíveis, sendo uma ótima comédia em certos momentos, ao mesmo tempo que nos emociona e no deixa tensos, tentando imaginar qual dos dois conquistará a presidência definitiva. Além de conseguir nos fazer até torcer pelos Cuervos em certos momentos, e isso sim é um mérito inquestionável.
O filme é interessante em sua proposta de focar na psicótica familia da trama. Não é nenhum clássico do gênero nem nada do tipo, mas sua escalada de loucura conforme o filme avança garante alguns momentos insanos de diversão. Vale a pena.
Esqueça a cena final desse filme. Caso essa cena seja responsável por uma possível nota baixa que poderia ser dada ao filme, deixa-a de lado por um momento e pense no resto, no que acabou de ser apresentado. Em aspectos técnicos, há tempo eu não assistia um filme tão impressionante, com um diretor que sabe muito bem criar uma atmosfera que contribua para o filme, para o que ele quer passar com sua história. Se mantende em alto nível em sua carreira, Denis Villeneuve vem entregando filmes cada vez mais coesos e interessantes, que mantém o espectador parado por alguns momentos, digerindo o que acabou de assistir, tentando lembrar de cada aspecto do filme para ter a certeza de que não deixou escapar nada. E nesse filme, apesar de superficialmente construí-lo como um suspense simples, que pode ser assistido por qualquer um que goste de um bom filme, ele guarda para a cena final uma confirmação de que há muito mais por baixo daquela camada que você ficou durante o filme todo.
Utilizando essa atmosfera tão bem construída pela opressão que os cenários passam ao espectador, desde o começo do filme somos levados a suspeitar de que algo não está certo, que tem algo que não estamos percebendo, mas que sentimos que está em nossa cara. E o filme, demonstrando toda a genialidade do diretor, utiliza de todos seus recursos para nos mostrar esse 'algo' que tanto nos incomoda e que não conseguimos perceber de primeiro momento. Como já dito, desde a atmosfera criada, até o mais inocente diálogo, passando pelos detalhes de closes de cenas que acabamos não prestando tanta atenção, tudo contribui para nos fazer entender a tão falada cena final do filme.
E aqui, acredito que seja importante dizer algo: não vejo problema algum em não se entender um filme. Vejo problema sim em não entender um filme como esse, que claramente tem uma linguagem acessível, que basta um pouco de esforço intelectual para ser entendido, e já classificá-lo como ruim, sem nem ao menos tentar pesquisar sobre seu enredo, sobre suas possíveis interpretações e símbolos. Me utilizando como exemplo: Quando terminei de assistí-lo, como eu disse, deixando a cena final fora da balanço, o consideraria um filme nota 4 facilmente, por todos seus méritos técnicos e de atuação. Após pensar um pouco, e pesquisar, tentando me aprofundar um pouco mais em sua simbologia, o filme foi passando gradualmente para 4,5, até atingir a nota máxima de 5. Não tem como dar outra nota para um filme tão bem feito, tão bem pensado por seu diretor, em seus minimos detalhes, o que mostra realmente o poder do cinema como veículo de arte.
Não estou aqui para dizer minhas interpretações do filme, nem para indicar onde deve-se buscar as respostas para um melhor entendimento dele. Só peço que aqueles que derem uma nota baixa para ele, pesquisem um pouco e o assistam novamente. Acho muito dificil essa nota não subir.
Antes de falar sobre este filme, tenho que dizer duas coisas: Primeiro, gostei sim deste filme. Segundo, o estilo do Tarantino já me encheu o saco há um bom tempo.
Sua carreira, apesar de não me agradar de todo, claro é sensacional e muito coesa. Cães de Aluguel é um filme primoroso. Pulp Fiction é um exercício cinematográfico sensacional. Jackie Brown é uma homenagem muito bem feita a um gênero. Kill Bill tenta ser a mesma coisa, e até é bem sucedido como homenagem a um gênero, mas como filme se torna algo chato, envolto por uma capa pseudo-intelectual, principalmente o segundo filme. A Prova de Morte é um filme onde Tarantino tentou fazer um filme 'ruim' intencionalmente. E conseguiu. Já Bastardos Inglórios foi um bom ponto de virada em sua carreira, com o diretor utilizando seu estilo debochado para abordar um questão séria. E em Django Livre isso poderia ter dado certo também, mas Tarantino parece mais preocupado em criar cenas de pose e frases de efeito do que em contar uma história interessante, ou metáforas relevantes. E depois desse tropeço em seu filme primeiro filme de Western, seu gênero favorito, ele volta à temática neste Os Oito Odiados.
E como já dito, eu gostei do filme, apesar de ter algumas ressalvas quanto a experiência que é assistí-lo. A forma como a história é estruturada é bem interessante, em capítulos, voltando a uma característica que Quentin parecia ter deixado de lado. E os capítulos são muito bem construídos, principalmente os primeiros que servem de apresentação dos personagens. Vamos aos poucos, através dos diálogos intermináveis do filme, descobrindo cada traço de suas personalidades totalmente contraditórias, que ora nos demonstram pessoas detestáveis, ora pessoas 'menos' detestáveis (em momento algum consegui simpatizar com alguém ali). Mas parece que são nesses diálogos intermináveis, tão importantes para a condução da trama, que está o maior problema do filme. Foi praticamente impossível assistí-lo de uma vez, sem piscar os olhos em alguns momentos e acordar alguns minutos depois. Filmado quase como uma peça de teatro, nos enclausurando junto com os personagens dentro daquela cabana no meio do nada, o filme acaba não sendo empolgante ao ponto de nos manter atentos a cada movimento ou fala dos personagens. É necessário um pouco de boa vontade em certos momentos, o que acaba prejudicando um pouco a experiência.
Além disso, aqui entra uma crítica minha ao Tarantino, sobre algo que me incomoda um pouco em seu estilo. E isso talvez nem seja culpa dele, e sim mais daqueles que insistem em endeusá-lo, o colocando na categoria de gênio. Não discordo que Tarantino domine a arte cinematográfica, e que com certeza sabe contar uma história através de imagens. Mas ele parece preso em um estilo, criado e desenvolvido por ele mesmo desde seu primeiro filme. E isso não é exatamente um problema, pois quando ele coloca ninjas para lutar, homenageando (imitando) um estilo de filme já praticamente morto na época, seu estilo funciona perfeitamente. se encaixa com toda a 'galhofa' proposta pela história que está sendo contada. Já quando ele se propõe a discutir questões pertinentes em seus filmes, como a tentativa de discussão sobre racismo em seus últimos dois filmes, parece que sua boa vontade se perde em meio a vontade de chocar, em meio ao seu estilo que ele não consegue abandonar, ou pelo menos amenizar. Acredito que em Bastardo Inglórios ele conseguiu um equilibrio quase perfeito nessa balança, mas ao tentar implicar discussões mais profundas em seus dois Westerns, sua assim dita genialidade acabou ficando pelo caminho.
Mas, novamente dizendo, o filme é bom sim, e o comentário acima é somente algo que incomoda a mim, sem ter a ver necessariamente com os méritos técnicos deste filme, que são muitos, tanto de fotografia, de atuação, quanto da já clássica trilha sonora.
Conseguindo se tornar algo mais que somente um filme homenagem a uma série clássica da história do cinema, esse filme consegue compor uma identidade própria, mesmo em meio a tantos símbolos e ícones que fazem a alegria de qualquer um que já 'lutou' ao lado de Rocky Balboa.
Logo de início somos apresentados ao personagem principal, que diferente do que seria de se esperar, não precisa que o filme nos mostre uma grande motivação que o faça querer entrar para o mundo que consagrou seu pai. Com a vontade de lutar no sangue, Donnie Creed é um personagem verossímil o bastante, vivido por um Michael B. Jordan com um desempenho sensacional, se mostrando contido de uma forma natural, deixando clara a violência que o personagem tanto luta para conter durante toda sua vida. Acho dificil dizer que essa a atuação de sua vida pois trata-se de alguém que está começando no mundo dos grandes papéis, mas com certeza esse personagem foi bem construído e bem caracterizado ao ponto de entrar para a história da série, quase como algo canônico, com méritos.
E o que falar de Stallone? Apesar de não ter escrito esse filme da série, em certos momentos dá quase pra imaginar que foi o próprio que escreveu seus diálogos, pois se tem alguém que entende o personagem é ele. Praticamente todas suas falas tem alguma lição importante, alguma filosofia aplicável a vida, o que torna a figura de Rocky Balboa um coach tão bom para Doonie Creed assim como para nós que estamos o ouvindo. E suas indicações para os prêmios por esse filme (e diria suas vitórias) são mais do que merecidas. Como já dito, Stallone entende o personagem como ninguém, e o personifica como ele o é hoje, um senhor idoso, que já viu seus dias de glória passarem e que hoje se contenta com uma vida tranquila, até que é tirado de sua zona de conforto pelo filho de seu antigo amigo. Rocky sofre com dores, seu andar já não é tão firme, seus movimentos já não são mais rápidos e fortes. E o diretor parece entender muito bem também esse lado de Rocky, não tornando sua introdução ao personagem no filme como algo épico, e sim como algo quase que comum. Rocky nada mais é que uma pessoa simples, e talvez por isso que nos identifiquemos tanto com ele.
Tecnicamente o filme é muito bom também, com boas sacadas do diretor, com grande destaque para as duas grandes lutas que compõem o filme, sendo que a primeira é feita num plano sequência que te coloca totalmente dentro da luta, além das já clássicas montagens de treino da série.
Além disso, o filme ainda faz um paralelo interessante do treinamento de Donnie, lutando para se preparar para enfrentar seu grande oponente, enquanto Rocky enfrenta aquela que talvez seja a maior luta de sua vida, sofrendo os efeitos da quimioterapia. Extremamente emocionante.
Toda a série Rcoky marcou a história do cinema, e, acima de todos, temos de agradecer Stallone por isso. Assim como o personagem tantas vezes lutou em sua vida, Stallone lutou como um verdadeiro campeão tanto para conseguir fazer acontecer o primeiro filme, como para trazer o personagem à glória e a toda uma geração no sexto filme. E ainda foi humilde e sensível o suficiente para torná-lo coadjuvante neste filme, não tentando em momento algum tomar o protagonismo para si.
E mesmo sendo somente o coadjuvante, não deixa de ser interessante o fato de que o cinema onde eu assisti o filme ter um público bem variado, com bastante gente mais velhas, com até algumas senhoras idosas, e um pessoal bem jovem. Poucos personagens tem um carinho tão grande do público ao ponto de levar ao cinema tantas gerações diferentes. E esse carinho, se depender desse filme, aparentemente continuará por muito tempo.
Aquaman
3.7 1,7K Assista AgoraSuperou minhas expectativas, que eram bem poucas. Não esperava muito por este filme, pois praticamente não gostei dos últimos filmes da DC. Mas este filme se mostrou bem diferente dos outros, com um estilo bem característico e cenas de ação muito bem coreografadas e montadas. Investindo bem no tom de comédia, provavelmente é o filme mais divertido da DC até agora.
Artista do Desastre
3.8 557 Assista AgoraA primeira vez que ouvi falar sobre The Room, foi obviamente em tom de piada. Não gosto de perder tempo com coisas ruins, por isso nunca tive vontade de assistir a este filme, mas a personalidade do mentor dessa obra me chamou atenção, em conjunto com todo o ar de mistério que envolve sua persona.
Este filme captura muito bem este aspecto, e acredito ter sido este o motivo de eu ter gostado tanto. A atuação de James Franco é hipnótica (apesar de a maquiagem para parecer mais com o verdadeiro Tommy ter me incomodado em alguns momento). E justamente esta atuação acaba mostrando um pouco como na vida real este cara completamente maluco foi capaz de trazer as pessoas para si, em busca de concretizar seu sonho de fama e reconhecimento.
Essa busca por reconhecimento é muito bem retratada pelo filme, sendo o principal ponto do filme. Sabemos que Tommy nunca vai conseguir o que busca. Não só por conhecermos a história, mas qualquer um que o visse atuando poderia perceber isto. E sua arrogância e prepotência acabam o tornando numa figura que num primeiro momento poderíamos achar detestável, mas que aos poucos vamos vendo que por trás de tudo isto está uma pessoa completamente diferente, com inúmeros medos e traumas.
A cena final é angustiante. Não chega a ser um filme emocionante, não é uma história tão forte, mas o momento em que Tommy esperava brilhar e causar comoção no público, mas que só consegue causar risos, é um momento que custa a passar, nos causando um incômodo que acredito ser o mesmo sentido pelo personagem. A vergonha alheia é um dos piores sentimentos que se pode sentir. As palmas ao final aliviam um pouco a tensão.
Grande cena, ótimo filme.
Projeto Flórida
4.1 1,1KAs vezes esquecemos como é ver o mundo por olhos infantis, sem maldade, como se tudo fosse simples ou somente uma brincadeira.
Esse filme me fez pensar nesta questão. Seu final, famoso, traz ainda mais este pensamento a tona, nos fazendo olhar novamente para a história contada no filme, nos aproximando daquela realidade que, na verdade, muitas vezes não é tão distante da nossa.
As cores utilizadas no filme são muito interessantes. A fotografia é belíssima. E, ao meu ver, segue uma lógica muito bem estabelecida. Pode ter sido somente impressão minha, mas as imagens e cores pareciam sempre mais belas e vivas quando somente as crianças estavam em tela, diferente do que acontece quando passamos a ver as coisas pela ótica dos adultos do filme.
Por alguns momentos cheguei a me desligar um pouco do filme, achando a edição confusa, meio desconexa. Agora, ao final, percebo como me enganei, pois a construção da história é perfeita. Muitas vezes parece não fazer muito sentido, assim como o mundo dos adultos pode parecer não fazer sentido aos olhos de uma criança.
As atuações são impecáveis, e a atriz mirim principal faz um trabalho incrível criando uma personagem que não implora para que gostemos dela. Na verdade, se a personagem soubesse que está num filme provavelmente não estaria ligando a mínima para se gostamos dela ou não. Acho que justamente aí está o ponto principal de empatia dela.
Infelizmente, com o tempo, perdemos a capacidade de Moone, de enxergar as coisas sem ver os reais problemas que a cercam. Por isso talvez para alguns esse filme pareça um pouco chato, ou triste. Para aqueles que ainda conservem um pouco desta visão, acredito que terão uma experiência um pouco mais alegre ao assistir este filme.
A Bruxa
3.6 3,5K Assista AgoraEsse filme representa muito bem uma nova leva de filmes de terror lançados ultimamente.
Ficam de lado os sustos baratos e sem motivação, e ficamos somente com um clima opressor e um crescente suspense, que vai nos deixando cada vez mais tensos conforme o filme avança.
As atuações não se destacam tanto quanto a história em si ou a fotografia, mas os atores conseguem expressar muito bem o desespero contido de viver em um lugar onde parece não haver escapatória, em uma situação que cada vez mais vai se tornando mais tensa e complicada.
A fotografia é incrível, transformando toda aquela floresta em um grande muro que separa aquela família e seus problemas do resto do mundo. Sentimos como se nada nem ninguém pudesse vir em auxílio daquelas pessoas, um sentimento que fica mais forte cada vez que olhamos em volta do casebre onde moram, e só vemos árvores gigantes e escuridão.
A história do filme em si não guarda grandes revelações, mas esse não é o propósito do filme. Não há a intenção de nos brindar com um vilão para ser punido no final. A atmosfera misteriosa criada durante toda a projeção se encarrega de nos deixar grudados na cadeira, esperando sem conseguir imaginar como aquela história poderá acabar e, principalmente, acabar bem.
Uma Quase Dupla
2.5 157O filme não é exatamente ruim. Tem alguns momentos engraçados. A ideia também não é original, e poderia ter sido muito melhor explorada. Mas o que realmente atrapalha esse filme é aquela forma de escrever roteiro onde o que interessam são as piadas, e não a história.
Isso prejudica muito o filme, pois a história não tem pé nem cabeça, personagens aparecem e somem sem acrescentar nada à história, e o assassino é alguém tão aleatório, e sua motivação tão fraca, que seria melhor ter acabado o filme sem revelar realmente o vilão.
As atuações não ajudam. Por incrível que pareça, Cauã Reymond até se esforça em criar um personagem minimamente interessante, brincando com sua imagem de galã, se demonstrando a toda hora inseguro, infantil e ingênuo, mas sempre querendo se provar. Mais clichê impossível, mas acabe sendo o que mais funciona no filme.
Já Tatá Werneck não funciona em momento algum. Nenhuma de suas piadas causam risos. Sem contar que não há o mínimo esforço em criar um personagem. Não vemos uma investigadora Keyla em momento algum, vemos sempre Tatá Werneck, e suas caras e bocas que já não são mais tão engraçadas assim.
Sem contar que fica claro o despreparo da atriz no manuseio de armas e forma policial de agir. Se isso fazia parte da piada, não deu certo, pois não teve graça alguma.
Sem contar que a atriz em certos momentos tenta posar de sedutora, e em outros momentos sua personagem cai na escatologia e no ridículo sem mais nem menos. Seu personagem nunca fica definido pelo filme, sem contar a falta de um arco narrativo, pois enquanto vemos uma evolução do personagem de Cauá Reymond, a invetigadora Keyla termina o filme exatamente igual da forma como começou, tornando sua participação na história totalmente desinteressante.
Quanto aos aspectos de direção, edição, sinceramente, não vale perder muito tempo comentando sobre. As novelas das 21h da globo conseguem ser melhores filmadas e editadas.
Não é um filme HORRÍVEL, perto de outras comédias brasileiras que temos por aí. Vale o ingresso, se o ingresso estiver bem barato e a pipoca for de graça.
Hereditário
3.8 3,1K Assista AgoraEsse filme me surpreendeu de várias maneiras.
Primeiro tive sorte, pois fui ao cinema assistir ao novo Jurassic World, mas de último momento acabei escolhendo este filme, mesmo sem saber exatamente nada sobre a trama, ou qualquer coisa sobre o filme. E isso foi ótimo.
Desde o início o filme te prende de forma incrível. Sua atmosfera é palpável, você consegue sentir que algo ruim está acontecendo, mas não consegue entender muito bem o que é.
Existe um subtexto sobre a loucura que permeia toda a família, principalmente do lado da mãe. Isso acompanha o espectador durante todo o filme, sempre mantendo um suspense sobre a real natureza dos acontecimentos do filme, que vão sendo construídos aos poucos como cada vez mais assustadores e sobrenaturais.
É um filme longo, mas não cansativo. Sua extensão se explica pela construção minuciosa de personagens, inclusive
tomando um tempo considerável "enganando" o expectador dando a entender que a história e o personagem central será a menina, quando na verdade o filme está somente construindo o acontecimento que demonstrará a importância do personagem do filho para a trama.
Não há sustos fáceis, barulhos ensurdecedores para fazer o espectador agarrar a cadeira em um susto sem medo. Temos cenas imensas, tensas, onde ficamos em suspense esperando sempre o pior acontecer, sabendo que o terror está ali a vista, sem conseguirmos enxergá-lo exatamente, assim como os personagens.
Ainda bem que troquei o Jurassic World por este filme. Troquei um filme que somente serviria para me divertir, por um que me fez ter prazer novamente (e medo) de assistir um bom filme de terror/suspense.
Um Lugar Silencioso
4.0 3,0K Assista AgoraFilme interessante, mas decepcionante perto do que ele poderia ser.
Sem contar o final, que me pareceu que os roteiristas foram escrevendo o filme e colocaram o ponto final antes do final da história.
Ao Cair da Noite
3.1 1,0KA experiência de assistir a esse filme é interessante. Me fizeram acreditar que se tratava de um filme de terror. Como gosto do gênero, resolvi dar uma chance. Gosto do gênero, mas já estou mais do que cansado com a forma como os filmes de terror tem sido feitos nos últimos anos. Muitos diretores de cinema confundem dar sustos com causar medo e tensão. São coisas diferentes. Susto não significa medo, e é plenamente possível, pra um diretor talentoso, causar medo e tensão sem precisar dar sustos no espectador a todo momento. E esse filme me agradou justamente por isso.
Ele tem alguns sustos, muito bem colocados e medidos. Não há exagero nessa questão. Quando vc da um pulo de susto, é por estar imerso naquele universo, e não porque algum personagem gritou e a música aumentou repentinamente. O clima criado pelo diretor é tenso a todo momento, desde o primeiro frame.
Aqui, o que menos importa é o que aconteceu ao mundo, o que causou a doença, e o que realmente é a doença. Não temos como saber isso, pois os personagens são pessoas comuns, que não se importam com essas questões, e sim somente se preocupam com a sobrevivência neste mundo onde vivem. Isso cria um clima opressor angustiante, onde qualquer erro cometido por algum deles pode significar o fim de suas vidas.
Por isso acho que não podemos julgar este filme como um simples terror. O drama de sobrevivência é muito mais importante aqui. É o que nos mantém interessados a todo momento, e não a expectativa de tomar o próximo susto. Isso que diferencia este filme dos demais lançados ultimamente. Ainda bem.
Terra de Cartéis
4.0 62 Assista AgoraÉ muito interessante ver histórias que se passam tão longe de nós, mas que refletem tão bem nossa realidade. A Autodefensas lembram muito milícias que tomam conta de morros cariocas, algo que no começo tinha uma boa intenção de trazer paz ao povo, aos poucos vai ganhando tanto poder que começa a simplesmente tentar manter este poder, passando a ver a ordem que eles mantém como um simples instrumento para essa manutenção de poder
O documentário mostra muito bem isso. Contando duas histórias em paralelo, com certeza a mais interessante é a que se passa no México, pois é a que mais se relaciona com nossa realidade. É um documentário muito bem filmado (bem até demais em certos momentos, com a câmera sempre muito bem posicionada e captando situações que chegaram a me deixar em dúvida se não se tratavam de encenações).
Apesar de em certos momentos apresentar "subtramas" que acabam se perdendo, o foco do documentário em explorar o tráfico entre o México e os Estados Unidos, e como isso afeta a vida das pessoas inocentes , é muito bem explorado pelo filme. Somos levados os poucos àquele mundo, chegamos a torcer para as milícias esperando que elas tragam alguma paz para o povo, e vamos aos poucos nos decepcionando conforme vemos o poder dos cartéis, que já era paralelo, sendo substituído por outro que visa somente o bem próprio, e não a proteção do povo. Assim como vemos tantas vezes por aqui.
Moonlight: Sob a Luz do Luar
4.1 2,4K Assista AgoraPODE CONTER SPOILERS (APESAR DE QUE ESSE É UM TIPO DE FILME EM QUE ISSO É IRRELEVANTE).
Não poderia ter sido feita maior justiça nessa última apresentação do Oscar. No momento em que foi anunciado o erro que havia dado o prêmio para La La Land, a academia corrigiu aquela que talvez fosse ser uma dass suas maiores injustiças em muito tempo. Não que La La Land não merecesse ganhar. Claro, não posso falar com certeza, pois não o assisti (musicais, e ainda por cima musicais românticos não são exatamente meu tipo de filme), mas ao meu ver não há filme que carregue uma carga dramática e provoque tantas reações quanto Moonlight.
Esse filme é quase uma antítese do que Hollywood representa. Não há glamour, a felicidade é pouca e rápida. O máximo de iluminação que vemos é aquela que, como dito em certo momento do filme, "faz os garotos negros ficarem azuis". De resto, vemos uma realidade imersa em sombras. Assistimos ao filme esperando a redenção, o momento em que veríamos a vitória da esperança sobre aquela realidade pesada. Bom, de certa forma é isso que vemos, mas não é a vitória que esperaríamos.
Mas este é só um viés deste filme. Seu roteiro é muito mais profundo que isso, o que o torna tão interessante. Desde o começo vemos um garoto preso a um cotidiano violento, em todos os sentidos. Desde os garotos que percebem sua "diferença", e o atacam por isso, até sua situação familiar, onde ele poderia encontrar um refúgio, mas ao invés disso encontra uma mãe viciada ao ponto de em certo momento 'roubar' do próprio filho para comprar drogas. Mas é nesse meio violento, através de uma figura que esperamos a todo momento que se mostre violenta (algo que nunca acontece) que o garoto começa a entender o mundo ao seu redor, e principalmente a se entender. O personagem criado por Mahershala Ali, Juan, rouba o filme (coisa que ele já havia feito em Luke Cage). O oscar de melhor ator coadjuvante foi merecidíssmo. Por mais que seja mais um preso àquele cotidiano violento, Juan não precisa ser uma figura que demonstre essa violência, nem que a perpetue. Seu modo compreensivo de ser o transforma em quase um tutor para o garoto, o fazendo se abrir de uma forma que ele não poderia fazer nem com a própria mãe. Mas seu papel naquele meio violento não é deixado de lado pelo filme, que poderia cair na armadilha de transformá-lo em algo que ele não é. Juan é um traficante, que contribuí para aquela realidade, por mais que ele tente negar isso até para si próprio (quase como o garoto negando para si próprio sua sexualidade). Seu destino, não mostrado em tela, deixa isso claro (por mais que não seja dito como foi a morte de Juan, é impossível não imaginarmos que tenha sido por meio violento ou algo do tipo). Mas sua presença, mesmo que em tão pouco tempo de tela, foi tão marcante ao ponto de não o esquecermos em momento algum do filme. Tão marcante ao ponto de, quando o garoto cresce e sem conseguir fugir do destino comum à sua comunidade, se transforma em traficante, ele pegue todos os trejeitos de Juan, o imitando. No meio de toda a violência em que vive, Black busca como referência a única figura que compreendeu sua sensibilidade, quase como uma válvula de escape.
O filme tem ainda inúmeros aspectos louváveis. É um filme guiado por atuações. Não há uma que não mereça créditos. Sem contar a trilha sonora muito bem escolhida, além da fotografia incrível do filme, nos colocando dentro daquele ambiente junto com os personagens.
Sem precisar de grandes cenas de ação, por mais que lide com questões envolvendo crime, esse filme mostra a importância do diálogo no cinema. A última parte da história chega até a lembrar todo o arco do Omar Little em The Wire (claro, tirando os tiroteios e o fato de Omar ser um gay assumido, e não alguém que esconde até de si próprio aquilo que sente). Black vive uma farsa, e não é a toa que seu amigo de infância chega a dar risada quando o vê 'pagando' de gangster quando adulto. Mas, novamente, naquele meio violento, as pessoas aprendem a respeitar apenas a violência, e é essa a forma que ele encontra de se preservar.
Filme incrível, que deve ser assistido inúmeras vezes.
A 13ª Emenda
4.6 357 Assista AgoraÉ muito difícil assistir a esse filme impassível. Em uma época onde o sistema carcerário vem sendo discutido e revisto, não só o sistema americano mas de qualquer país que tenha uma população carcerária maior do que a população de uma cidade de médio porte, esse documentário mostra que essa é só a ponta de uma discussão muito mais profunda, com raízes que vão da época da escravidão até os dias atuais, onde a população carcerária negra aumenta a cada dia, alimentando um sistema cruel criado basicamente para encher o bolso de poucos em cima da desgraça de muitos.
Mr. Robot (2ª Temporada)
4.4 522Não conseguia entender muito bem como as pessoas podiam gostar dessa série. Antes de começar a assistir, nada nela me chamava a atenção. Não tinha assistido nenhum trailer interessante, e o clima de mistério da trama não me pegava, me parecia mais uma história rasa que tentava se passar por algo maior do que realmente é. Sem contar que não me descia uma história sobre um hacker. Como desenvolveriam isso? Imaginei logo uma série parada, onde os dramas pessoais seriam mais importantes do que a trama em si. Não poderia estar mais enganado.
Após assistir a uma primeira temporada quase perfeita, onde cada peça da trama foi se encaixando perfeitamente até o final, e o roteiro foi nos enganando episódio a episódio, nos fazendo ter a falsa impressão de que estávamos entendendo a trama para nos últimos três episódios nos fazer repensar tudo o que tínhamos assistido desde o primeiro episódio, me deparo com uma segunda temporada que consegue evoluir em todos os quesitos da primeira.
Todos os pontos que ficavam implícitos na primeira temporada vão se mostrando cada vez mais ameaçadores aos personagens. Se antes tínhamos Elliot imaginando uma suposta perseguição contra ele, aqui o clima de mistério é elevado a níveis quase insuportáveis, com praticamente todos os personagens ficando expostos a alguma ameaça. E enquanto esse clima de mistério e paranoia vai aumentando a cada episódio, temos ainda algumas cenas mais explosivas, como tiroteios muito bem filmados e totalmente coerentes com a trama, coisa que faltou um pouco na primeira temporada.
Todas as atuações continuam em alto nível, com o destaque óbvio sendo o ator que interpreta Elliot. Incrível como ele consegue entrar no personagem totalmente, mantendo um olhar vidrado e esbugalhado a todo momento, expondo muito bem o fato de que ele quase nunca consegue diferenciar a realidade daquilo que a mente dele cria ao redor dele.
Mas o grande destaque da série continua sendo o roteiro e seu desenvolvimento. Talvez o fato de ser praticamente escrita por uma pessoa só, o criador da série, garanta essa coesão. E novamente ele consegue nos enganar da mesma forma que fez na primeira temporada, nos fazendo cair no mesmo truque de nos fazer aos poucos acreditar que estamos entendendo a trama (os primeiros episódios levam Elliot por um caminho que parece meio desconexo, por uma trama que parece não ter muito a ver com o resto da história) somente para nos acordar com um soco, mostrando como as pistas estavam lá o tempo todo e nós não vimos. Sem falar como ainda vemos aqui algumas cenas da primeira temporada por outra perspectiva, o que nos faz repensar certos pontos da trama que tínhamos como certos e já entendidos.
Além de tudo isso, o roteiro ainda é corajoso ao em certo episódio deixar Elliot de lado, seu personagem mais interessante, não o mostrando em momento algum, para desta forma poder desenvolver melhor os personagens secundários da trama. Outra estratégia sensacional, que contribuiu para o clima de mistério e paranoia da trama, foi o tratamento dado ao personagem Tyrell.
Seu sumiço, tratado desde o último episódio da primeira temporada, tem um peso imenso nesta, principalmente para Elliot, e seu retorno é muito bem pensado pelo trama, fazendo Elliot (e nós) duvidar a todo momento se ele realmente está vivo ou se é somente mais uma criação da mente de Elliot.
Mal posso esperar pela terceira temporada.
Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
3.3 805Filme interessante, com uma construção de personagem incrível não só do Steve Carrel, mas do trio principal que compõe o eixo da história.
Pecados Antigos, Longas Sombras
3.6 78É extremamente satisfatório quando encontramos um bom suspense para assistir. Tem sido cada vez mais dificil encontrar uma história tensa, que deixe o espectador preso em sua trama até o minuto final. Cada vez mais se confunde ação com suspense e tensão, e sobram filmes com cenas intermináveis de ação, onde em momento algum sentimos a minima emoção ou temor pelos personagens.
Esse filme se destaca imediatamente. A experiência de assisti-lo é interessante, pois não somente vemos um ótimo suspense como somos mergulhados fundo em uma Espanha pós ditadura, tentando se livrar de velhas práticas e demônios que continuam assombrando a vida das pessoas. Se isso já é dificil nos grandes centros, em uma cidadezinha parada no tempo como a em que se passa o filme é quase impossível notar a diferença de costumes que uma abertura política propõe. O filme, com seu contexto bem construído por inúmeras cenas, ganha uma moral maior, se diferenciando de qualquer outro suspense simples que possamos assistir.
Tecnicamente o filme é sensacional, extremamente claustrofóbico (apesar de se passar basicamente em espaços abertos), tenso e com uma atmosfera muito bem construída. Desde o trabalho de iluminação, fazendo com que mesmo as cenas a luz do sol tenham uma claridade estranha, quase não natural, até as belas tomadas aéreas, que transformam aquela cidadezinha suja e feia em algo extremamente belo, criando um contraste magnífico entre o que vemos de perto (observando seus detalhes e imperfeições) e o que vemos a distância.
De certa forma, a resolução do filme é até simples, não há um grande mistério que envolva alguma organização ou algo do tipo. Sua força não está neste tipo de recurso de roteiro. O desenvolvimento da história é o que mais chama a atenção. Acompanhamos todos os passos da investigação, e dessa forma vamos cada vez mais conhecendo os dois personagens dos investigadores, tão diferentes entre si e com métodos totalmente opostos. Não deixa de ser interessante como o mais idealista deles parece aos poucos se ver mais atraído pelos métodos não convencionais e violentos de seu parceiro menos moralista. Num primeiro momento ele se nega a compartilhar destes métodos, mas ao ver sua efetividade e ao se ver cada vez mais obcecado pelo mistério a ser resolvido, ele passa até mesmo a aceitá-los, e até a empregá-los em certo momento. A violência é sedutora, e a facilidade com que ela passa a ser aceita em certas circunstâncias é assustadora.
É um grande filme, que merece ser assistido pelo máximo de pessoas, estejam elas interessados em todo o contexto e discussão que o filme suscita, ou simplesmente em assistir a um bom suspense para passar o tempo.
Luke Cage (1ª Temporada)
3.7 499Como em qualquer das obras produzidas pelo Netflix nos últimos tempos, a qualidade técnica desta série está muito acima da média. Isso nem é algo que se comenta mais ao se falar sobre séries e filmes do Netflix, já que acabou sendo o minimo que se espera do serviço.
Luke Cage era um personagem semi-desconhecido para mim. Achei interessante a proposta da série, de apostar em um personagem que as pessoas não estão acostumadas, já que mesmo que você não leia quadrinhos, pelo menos conhece os personagens mais famosos, que compõem a "linha de frente" da Marvel. Luke Cage era só um nome que eu já tinha ouvido falar, e sua importância como primeiro grande herói negro, pelo menos ao meu ver, era algo meio perdido no tempo e na infinidade de sagas eternas e reboots das hq's.
Desta forma, a série veio em um ótimo momento, conseguindo resgatar muito bem a importância icônica do personagem, em um momento em que a discussão sobre a violência contra o povo negro nos bairros pobres dos Estados Unidos está a tona depois de inúmeros episódios de violência policial. Nada mais marcante que um negro a prova de balas, que protege seu bairro e população acima de tudo, sem pedir nada em troca e aceitando qualquer sofrimento que isso implique.
A personalidade do personagem é muito bem construída pela série, contando principalmente com a ajuda do ator para isso. Extremamente carismático, o ator escolhido para viver o personagem o faz com uma segurança de quem parece entender as questões mais profundas acerca dele, e não somente o superficial de um homem extremamente forte e invulnerável.
Mas nesta construção de personalidade que está a questão que mais me incomodou na série. Com o anúncio da série e os trailers, fiquei tão interessado pelo personagem que comecei a pesquisar um pouco sobre ele, tentando entender sua importância para os quadrinhos. Achei interessante a forma como o personagem foi apresentado ao público logo em suas primeiras histórias. Luke Cage, um herói do gueto, nos quadrinhos é retratado como um herói de aluguel, que recebe dinheiro para proteger pessoas, e dessa forma consegue seu sustento. Utilizando um pouco mais de violência e com atitudes mais sacanas, achei o Luke Cage herói de aluguel dos quadrinhos mais interessante que o da série, com sua moral senso de justiça acima de tudo. Em certos momentos da série o roteiro chega a evocar essa origem do personagem, com pessoas oferecendo dinheiro ou tentando contratá-lo como "segurança", mas ele sempre recusa. Claro, são mídias e épocas totalmente diferentes, e esse Cage sacana provavelmente não cairia bem aos olhos do grande público. Sua retratação como um herói negro renegado, quase perfeito, vem a calhar no momento.
Outro ponto que me incomodou, e isso é quase um pecado em uma série sobre um herói, são as poucas lutas e cenas de ação. Além de sofrer um pouco com o ritmo da série, que talvez se tivesse um 3 episódios a menos seria um pouco mais dinâmica, temos poucas lutas durante os episódios, sem contar o fato de que durante a série inteira Cage não tem um vilão a sua altura.
Se não fosse sua moral, os problemas de Cage poderiam ser resolvidos rapidinho, pois nem Cornell nem Kid Cascavel, e o mundo de capangas seriam páreo para um Cage enfurecido ou disposto a jogar um pouco sujo. Mas deve ser comentado também a coragem da série em construir um "suposto" vilão durante sua primeira metade (Cornell), para tirá-lo de cena de forma totalmente inesperada, introduzindo outro vilão (Kid Cascavel) e, num pano de fundo, construindo a personalidade de outro aos poucos (Mariah).
Apesar de qualquer defeito que a série possa ter, ela acaba sendo divertida de se assistir, além de introduzir muito bem a atmosfera do Harlem ao espectador, e te colocar dentro da história tanto pelo roteiro quanto pelo uso preciso da trilha sonora. Homenageando toda uma cultura negra centenária e importantíssima pra sociedade americana, essa série abre caminho para que em suas próximas temporadas Luke Cage tenha muito mais a oferecer como série de herói.
Narcos (2ª Temporada)
4.4 458 Assista AgoraÉ claro que essa série está um nível acima de muita coisa que é produzida hoje em dia. Em questão de produção, construção de personagens, e principalmente de atuação, vemos uma obra que se preocupa com todo e qualquer detalhe, nos mergulhando fundo na Colômbia decadente do final dos anos 80, mas ao mesmo tempo transformando aquele cenário em algo quase mágico aos nossos olhos, de certa forma se utilizando até do tal "realismo mágico" que é citado algumas vezes na série.
E a série consegue nos ganhar de tal forma ao ponto de torcermos para que Pablo não morra no final, apesar de isso ser inevitável. E não torcemos por isso por termos simpatia por ele (apesar de a série, principalmente nesta temporada, ter romantizado bastante a relação dele com sua familia, tentando transformá-lo numa figura menos detestável, talvez até para que sentíssemos algo com sua morte, talvez) mas sim pois isso representa uma interrogação quanto ao destino da série. Em sua primeira temporada, Pablo e sua ascensão eram o que nos faziam assistir aos episódios, tentando entender como aquela figura conseguiu em tal patamar de poder. A partir desta segunda temporada, desde o começo vemos um Pablo decadente, com sua história sendo um fio muito tênue, incapaz de manter o interesse totalmente aceso durante todos os episódios. Não a toa a introdução do Cartel de Cali acaba salvando a série, pois seria impossível manter o foco somente em Escobar novamente. Não havia história suficiente para isso.
Mas agora, com sua morte e a série claramente estabelecendo Cali como o inimigo a ser batido, fico sem conseguir imaginar como farão para manter o interesse do público (ou pelo menos o meu). Não temos mais uma figura emblemática como Escobar, e sim figuras praticamente desconhecidas do imaginário popular. Esperemos, e torçamos para que o nível se mantenha.
Além de qualquer dúvida quanto ao destino da série, nesta temporada tivemos mais um show de Wagner Moura, explorando de forma perfeita a situação de Escobar para entregar uma atuação sensacional. Enquanto vemos todos os pilares de seu império sendo derrubado, Moura é capaz de invocar em sua atuação alguém que a todo momento parece ser dono da situação, justificando toda a lealdade que Escobar inspirava em seus sicários, mesmo nos momentos mais complicados.
Agora é esperar pelas próximas temporadas.
Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres
4.2 3,1K Assista AgoraHá uma regra não escrita que diz que não se deve comparar um filme adaptado com seu material de origem. Até concordo, apesar de que em alguns casos o material original se mostra tão mais interessante, ou com um desenvolvimento melhor, que a obra adaptada acaba te incomodando, mesmo sendo um filme muito bem feito como este.
Mas, apesar de incomodar em certos aspectos, o diretor pelo menos acerta em cheio ao manter a história se passando na Suécia, ao invés de transportá-la para os Estados Unidos, o que a transformaria em mais um mistério sem graça entre tantos. Os cenários nessa história são quase como personagens, contribuindo enormemente para o desenvolvimento da história e das personalidades daquelas pessoas, além de o isolamento ser um grande motivo de tensão durante o filme.
Os personagens foram bem transpostos para o filme, apesar de que certos elementos de suas personalidades acabaram me incomodando um pouco. Claro, nada que influencie no filme, somente um ponto que quem teve contato com o livro talvez perceba e sinta o mesmo que eu. Daniel Craig cria um personagem um pouco diferente do original, um pouco mais soturno e sem o sarcasmo e a certa carga de humor negro presente no Mikael dos livros. Inclusive, acredito que Daniel Craig nem convenceria se não modificasse um pouco a essência do personagem, devido a sua aparência e (limitado) estilo de atuação. Os personagem que povoam a familia Vanger, tirando a dupla mais importante para a história (Henrik e Martin) são no filme somente figuras cuja única motivação parece ser atrapalhar e criticar Mikael e seu trabalho, faltando um trabalho melhor de desenvolvimento para que fossem figuras um pouco mais interessantes. Um ótimo exemplo é o personagem Harald, que no filme ganha uma cena importante para o desenvolvimento da história que não existe no livro. O personagem acaba aparecendo muito mais enquanto nas páginas do livro somente faz uma aparição rápida, mas extremamente marcante (e desagradável), enquanto no filme acaba servindo a um propósito do roteiro e sendo esquecido. Sua filha, Cecilia, é outra que no filme simplesmente aparece, serve a um propósito (numa cena horrível onde sem motivo nenhum ajuda Mikael após ter dito que não ajudaria, somente por que ele a olha e diz "Por favor"), e logo é esquecida pelo roteiro. Isso só para citar alguns exemplos de como um dos pontos mais interessantes do livro, que é a própria familia Vanger e suas relações (geralmente baseadas em um ódio mútuo), é deixado de lado.
Mas, claro, o filme tem o propósito de seguir o personagem em uma investigação, e acredito que o diretor não teria como encontrar espaço para encaixar todos esses aspectos no filme sem transformá-lo em uma minissérie.
Mas se esses personagens acabam perdendo um pouco de seu destaque, o filme pelo menos consegue estabelecer em Lisbeth uma protagonista tão interessante quanto a que é apresentada nas páginas do livro. Com uma caracterização impecável e uma atuação hipnotizante, que faz total jus a obra original, Rooney Mara consegue conferir a personagem toda a (aparente) fragilidade que ela demonstra por fora, enquanto por dentro se esconde uma pessoa extremamente perigosa, inteligente, mas com uma mente tão complicada e complexa quanto suas qualidades.
Bom, após quebrar tantas vezes a regra descrita acima, sou obrigado a mais uma vez criticar o roteiro, que em certos momentos parece jogar os acontecimentos de qualquer jeito em nossa cara, dando a impressão de que as coisas simplesmente "aconteceram", com certas conclusões surgindo do nada durante a investigação, sem falar no desfecho da história sobre o desaparecimento de Harriet, que modifica em muito o que é apresentado nos livros (muito em parte pois o que é apresentado lá acabaria tomando mais uns 20 minutos de filme para ser desenvolvido). Mas, se o roteiro já me incomodou um pouco ao modificar o desfecho da história, ele acabou me incomodando mais ao manter o "pós-final" envolvendo a resolução da trama sobre Wennerstron. São pelo menos uns 15 minutos de filme cansativos, que não conseguem empolgar nem se justificar, ficando muito mal explicados (as conexões de Lisbeth com um extenso submundo de falsificações de documentos e invasões hacker a computadores ficam subentendidas durante o filme, mas de forma insatisfatória na minha opinião). Não consigo pensar em uma solução para isso, mas talvez isso pudesse ter sido retirado do roteiro, mantendo somente a história referente a trama do desaparecimento. Não sei se daria certo, mas para um roteiro onde algumas coisas importantíssimas da história original já haviam sido modificadas, isso talvez não fosse um problema.
Bom, após escrever bastante e passar a impressão de que não gostei do filme, deixo claro que na verdade se trata de um filme muito bem feito, que talvez acabe agradando mais àqueles que não leram o livro e ficaram tão empolgados conforme iam página a página desvendando um pedacinho do quebra-cabeça que envolvia o desaparecimento da personagem e a familia Vanger.
A Perseguição
3.2 853 Assista AgoraEntendo quando um final que não entrega um fechamento conclusivo é criticado. De certa forma, é irritante passarmos quase 2 horas acompanhando uma história, e não termos certeza de como aquela situação terminou. Mas, em certos casos, a jornada acaba sendo mais importante, criando uma situação onde já não importa mais como aquilo vai terminar, pois de qualquer forma já valeu a pena.
Para um homem que estava prestes a se matar no começo desta história, e que desiste justamente quando um uivo de um lobo o "salva", após todo o caminho percorrido, não resta mais nada a não ser lutar pela sua vida, não importando se conseguirá ou não. Liam Neeson compõe uma figura totalmente solitária em um primeiro momento, com marcas em seu passado que o causam um sofrimento suficiente para que sua existência passe a não ter mais sentido, em sua visão. E é toda sua luta pela sobrevivência que nos faz acompanhar tensos o filme.
Lidando muito bem com o tema da sobrevivência, não como algo glorioso, mas sim como uma luta primal e horrenda, o filme não nos dá esperança de que seu final será 'feliz'. E é muito interessante como vários pontos de seu roteiro vão aos poucos nos preparando para isso, como a discussão sobre a existência de Deus, quase como se os personagens estivessem desesperados ao ponto de esperar uma salvação divina daquela situação.
Extremamente claustrofóbico ao nos prender a um cenário gigantesco e ao mesmo tempo tão inóspito, onde parece haver perigo para todos os lados, é quase impossível respirar durante todo o filme. E independente do final, acredito que justamente esse tipo de mérito torne esse filme tão interessante.
Capitão América: Guerra Civil
3.9 2,4K Assista AgoraNão sou o maior fão de filmes de super heróis. Acho que acompanhei o 'Universo Marvel' no cinema somente pelos filmes do homem de ferro, e pelo primeiro vingadores (nem o segundo eu vi). Mas, devido a grande popularidade desses filmes, é impossível andar pela internet e não ter contato com praticamente toda a história de todos os filmes, ficando fácil ter uma noção do ponto em que a historia está. E foi assim que eu fui assistir a esse filme, e sinto que não tive problema algum para entrar na história desse que me parece o filme desse universo que tem a mais interessante premissa de todas.
Lidando com uma questão extremamente séria, que é a responsabilidade daqueles indivíduos que possuem literalmente o poder de destruir qualquer coisa, o filme nos leva por uma discussão interessante que, obviamente, termina em porradaria e cenas de ação desenfreada. É um filme de super-heróis em sua essência, e como tal, tudo deve ser resolvido com cenas gigantescas e empolgantes de ação. Mas ainda assim conseguimos ter a impressão que a questão está lá, e a todo momento vamos pendendo de lado conforme cada lado vai tentando provar seu ponto.
Sendo talvez o melhor filme de toda a "saga" da marvel até agora (não posso falar com certeza pois não vi todos, mas vi muita gente dizendo isso), o filme entrega um bom desenvolvimento de roteiro, não sendo chato ou arrastado mesmo com suas mais de duas horas. além disso, o mistério desenvolvido em relação ao vilão consegue prender nossa atenção até sua revelação final, sendo este vilão uma ótima mostra de como a questão da responsabilidade do herói deve ser levada em consideração neste universo.
Com cenas incríveis e muito bem feitas, as batalhas são feitas de forma a sempre deixar claro o posicionamento de cada um, sendo o grande destaque a grande batalha onde todos os personagens se enfrentam em um aeroporto (a cena é tão incrível ao ponto de ser um momento no filme em que personagens são apresentados somente para participar dela). E em relação a participação dos personagens, suas mais de duas horas se justificam graças ao bom desenvolvimento das motivações de cada personagem de cada lado. Tony Stark e o pantera negra do lado dos que apoiam o registro, contando com a ótima interpretação dos atores, conseguem por vários momentos nos fazer entender suas causas, Diga-se de passagem esse filme foi uma ótima introdução para o personagem do pantera, prometendo bastante para seu filme próprio. Do lado do Capitão América, o próprio tem um desenvolvimento tanto na questão do registro, quanto na busca por seu parceiro de guerra, Buck. Chris Evans, que não é um bom ator, parece ter nascido para esse papel, se entregando de forma a nos fazer entender suas motivações, mesmo que em certos momentos não as aceitemos. Além desse núcleo, todos os outros personagens tem chance de pelo menos ter uma cena de destaque.
Vale muito a pena assistir a esse filme, pois parece que a Marvel conseguiu atingir um nível de excelência poucas vezes alcançado em um filme pipocão como esse.
Club de Cuervos (1ª Temporada)
4.1 21 Assista AgoraA qualidade das produções da Netflix, de uns tempos para cá, é inquestionável. Seja nos filmes originais ou nas séries, o serviço tem se mostrado muito mais efetivo e cuidadoso com suas obras do que muito canal de televisão e companhias de cinema. E esta obra exemplifica isso. Durante todos seus episódios acompanhamos de forma primorosa toda a guerra por poder da familia Iglesias, contando com uma narrativa e um nível de produção totalmente imersivo, nos fazendo sentir quase como se estivéssemos assistindo a um documentário sobre o mundo do futebol.
Desde a atuação até o desenvolvimento da história, tudo é muito bem feito, e não consegui não ter um certo grau de inveja de uma produção que retrata tão bem o futebol. Todos os esquemas retratados, as armações e a dinamica dos jogadores nos fazem pensar "Isso poderia ter sido produzido no Brasil". Infelizmente, parece que teremos que esperar muito mais para ter uma obra desse nível sobre futebol.
Mas claro que o futebol em si e o time dos Cuervos são somente instrumentos do roteiro para que acompanhemos a guerra de egos dos personagens da série. Chava e Isabel exemplificam muito bem uma dinâmica conflituosa, ele sendo mais carismático mas fraco, ela mais forte mas inflexível e sem a simpatia dos outros. Sem perceber, de certa forma os dois se completam, não sendo a toa que a possibilidade de os dois compartilharem a presidência do clube é levantada várias vezes na série, não sendo isso possível devido ao ego inflado de cada um. A série consegue explorar esse conflito muito bem durante os episódios, o costurando através de todo o universo fascinante que cerca uma equipe de futebol.
Essa série merece todos os créditos possíveis, sendo uma ótima comédia em certos momentos, ao mesmo tempo que nos emociona e no deixa tensos, tentando imaginar qual dos dois conquistará a presidência definitiva. Além de conseguir nos fazer até torcer pelos Cuervos em certos momentos, e isso sim é um mérito inquestionável.
A Casa dos 1000 Corpos
3.2 431 Assista AgoraO filme é interessante em sua proposta de focar na psicótica familia da trama. Não é nenhum clássico do gênero nem nada do tipo, mas sua escalada de loucura conforme o filme avança garante alguns momentos insanos de diversão. Vale a pena.
O Homem Duplicado
3.7 1,8K Assista AgoraEsqueça a cena final desse filme. Caso essa cena seja responsável por uma possível nota baixa que poderia ser dada ao filme, deixa-a de lado por um momento e pense no resto, no que acabou de ser apresentado. Em aspectos técnicos, há tempo eu não assistia um filme tão impressionante, com um diretor que sabe muito bem criar uma atmosfera que contribua para o filme, para o que ele quer passar com sua história. Se mantende em alto nível em sua carreira, Denis Villeneuve vem entregando filmes cada vez mais coesos e interessantes, que mantém o espectador parado por alguns momentos, digerindo o que acabou de assistir, tentando lembrar de cada aspecto do filme para ter a certeza de que não deixou escapar nada. E nesse filme, apesar de superficialmente construí-lo como um suspense simples, que pode ser assistido por qualquer um que goste de um bom filme, ele guarda para a cena final uma confirmação de que há muito mais por baixo daquela camada que você ficou durante o filme todo.
Utilizando essa atmosfera tão bem construída pela opressão que os cenários passam ao espectador, desde o começo do filme somos levados a suspeitar de que algo não está certo, que tem algo que não estamos percebendo, mas que sentimos que está em nossa cara. E o filme, demonstrando toda a genialidade do diretor, utiliza de todos seus recursos para nos mostrar esse 'algo' que tanto nos incomoda e que não conseguimos perceber de primeiro momento. Como já dito, desde a atmosfera criada, até o mais inocente diálogo, passando pelos detalhes de closes de cenas que acabamos não prestando tanta atenção, tudo contribui para nos fazer entender a tão falada cena final do filme.
E aqui, acredito que seja importante dizer algo: não vejo problema algum em não se entender um filme. Vejo problema sim em não entender um filme como esse, que claramente tem uma linguagem acessível, que basta um pouco de esforço intelectual para ser entendido, e já classificá-lo como ruim, sem nem ao menos tentar pesquisar sobre seu enredo, sobre suas possíveis interpretações e símbolos. Me utilizando como exemplo: Quando terminei de assistí-lo, como eu disse, deixando a cena final fora da balanço, o consideraria um filme nota 4 facilmente, por todos seus méritos técnicos e de atuação. Após pensar um pouco, e pesquisar, tentando me aprofundar um pouco mais em sua simbologia, o filme foi passando gradualmente para 4,5, até atingir a nota máxima de 5. Não tem como dar outra nota para um filme tão bem feito, tão bem pensado por seu diretor, em seus minimos detalhes, o que mostra realmente o poder do cinema como veículo de arte.
Não estou aqui para dizer minhas interpretações do filme, nem para indicar onde deve-se buscar as respostas para um melhor entendimento dele. Só peço que aqueles que derem uma nota baixa para ele, pesquisem um pouco e o assistam novamente. Acho muito dificil essa nota não subir.
Os Oito Odiados
4.1 2,5KAntes de falar sobre este filme, tenho que dizer duas coisas: Primeiro, gostei sim deste filme. Segundo, o estilo do Tarantino já me encheu o saco há um bom tempo.
Sua carreira, apesar de não me agradar de todo, claro é sensacional e muito coesa. Cães de Aluguel é um filme primoroso. Pulp Fiction é um exercício cinematográfico sensacional. Jackie Brown é uma homenagem muito bem feita a um gênero. Kill Bill tenta ser a mesma coisa, e até é bem sucedido como homenagem a um gênero, mas como filme se torna algo chato, envolto por uma capa pseudo-intelectual, principalmente o segundo filme. A Prova de Morte é um filme onde Tarantino tentou fazer um filme 'ruim' intencionalmente. E conseguiu. Já Bastardos Inglórios foi um bom ponto de virada em sua carreira, com o diretor utilizando seu estilo debochado para abordar um questão séria. E em Django Livre isso poderia ter dado certo também, mas Tarantino parece mais preocupado em criar cenas de pose e frases de efeito do que em contar uma história interessante, ou metáforas relevantes. E depois desse tropeço em seu filme primeiro filme de Western, seu gênero favorito, ele volta à temática neste Os Oito Odiados.
E como já dito, eu gostei do filme, apesar de ter algumas ressalvas quanto a experiência que é assistí-lo. A forma como a história é estruturada é bem interessante, em capítulos, voltando a uma característica que Quentin parecia ter deixado de lado. E os capítulos são muito bem construídos, principalmente os primeiros que servem de apresentação dos personagens. Vamos aos poucos, através dos diálogos intermináveis do filme, descobrindo cada traço de suas personalidades totalmente contraditórias, que ora nos demonstram pessoas detestáveis, ora pessoas 'menos' detestáveis (em momento algum consegui simpatizar com alguém ali). Mas parece que são nesses diálogos intermináveis, tão importantes para a condução da trama, que está o maior problema do filme. Foi praticamente impossível assistí-lo de uma vez, sem piscar os olhos em alguns momentos e acordar alguns minutos depois. Filmado quase como uma peça de teatro, nos enclausurando junto com os personagens dentro daquela cabana no meio do nada, o filme acaba não sendo empolgante ao ponto de nos manter atentos a cada movimento ou fala dos personagens. É necessário um pouco de boa vontade em certos momentos, o que acaba prejudicando um pouco a experiência.
Além disso, aqui entra uma crítica minha ao Tarantino, sobre algo que me incomoda um pouco em seu estilo. E isso talvez nem seja culpa dele, e sim mais daqueles que insistem em endeusá-lo, o colocando na categoria de gênio. Não discordo que Tarantino domine a arte cinematográfica, e que com certeza sabe contar uma história através de imagens. Mas ele parece preso em um estilo, criado e desenvolvido por ele mesmo desde seu primeiro filme. E isso não é exatamente um problema, pois quando ele coloca ninjas para lutar, homenageando (imitando) um estilo de filme já praticamente morto na época, seu estilo funciona perfeitamente. se encaixa com toda a 'galhofa' proposta pela história que está sendo contada. Já quando ele se propõe a discutir questões pertinentes em seus filmes, como a tentativa de discussão sobre racismo em seus últimos dois filmes, parece que sua boa vontade se perde em meio a vontade de chocar, em meio ao seu estilo que ele não consegue abandonar, ou pelo menos amenizar. Acredito que em Bastardo Inglórios ele conseguiu um equilibrio quase perfeito nessa balança, mas ao tentar implicar discussões mais profundas em seus dois Westerns, sua assim dita genialidade acabou ficando pelo caminho.
Mas, novamente dizendo, o filme é bom sim, e o comentário acima é somente algo que incomoda a mim, sem ter a ver necessariamente com os méritos técnicos deste filme, que são muitos, tanto de fotografia, de atuação, quanto da já clássica trilha sonora.
Creed: Nascido para Lutar
4.0 1,1K Assista AgoraConseguindo se tornar algo mais que somente um filme homenagem a uma série clássica da história do cinema, esse filme consegue compor uma identidade própria, mesmo em meio a tantos símbolos e ícones que fazem a alegria de qualquer um que já 'lutou' ao lado de Rocky Balboa.
Logo de início somos apresentados ao personagem principal, que diferente do que seria de se esperar, não precisa que o filme nos mostre uma grande motivação que o faça querer entrar para o mundo que consagrou seu pai. Com a vontade de lutar no sangue, Donnie Creed é um personagem verossímil o bastante, vivido por um Michael B. Jordan com um desempenho sensacional, se mostrando contido de uma forma natural, deixando clara a violência que o personagem tanto luta para conter durante toda sua vida. Acho dificil dizer que essa a atuação de sua vida pois trata-se de alguém que está começando no mundo dos grandes papéis, mas com certeza esse personagem foi bem construído e bem caracterizado ao ponto de entrar para a história da série, quase como algo canônico, com méritos.
E o que falar de Stallone? Apesar de não ter escrito esse filme da série, em certos momentos dá quase pra imaginar que foi o próprio que escreveu seus diálogos, pois se tem alguém que entende o personagem é ele. Praticamente todas suas falas tem alguma lição importante, alguma filosofia aplicável a vida, o que torna a figura de Rocky Balboa um coach tão bom para Doonie Creed assim como para nós que estamos o ouvindo. E suas indicações para os prêmios por esse filme (e diria suas vitórias) são mais do que merecidas. Como já dito, Stallone entende o personagem como ninguém, e o personifica como ele o é hoje, um senhor idoso, que já viu seus dias de glória passarem e que hoje se contenta com uma vida tranquila, até que é tirado de sua zona de conforto pelo filho de seu antigo amigo. Rocky sofre com dores, seu andar já não é tão firme, seus movimentos já não são mais rápidos e fortes. E o diretor parece entender muito bem também esse lado de Rocky, não tornando sua introdução ao personagem no filme como algo épico, e sim como algo quase que comum. Rocky nada mais é que uma pessoa simples, e talvez por isso que nos identifiquemos tanto com ele.
Tecnicamente o filme é muito bom também, com boas sacadas do diretor, com grande destaque para as duas grandes lutas que compõem o filme, sendo que a primeira é feita num plano sequência que te coloca totalmente dentro da luta, além das já clássicas montagens de treino da série.
Além disso, o filme ainda faz um paralelo interessante do treinamento de Donnie, lutando para se preparar para enfrentar seu grande oponente, enquanto Rocky enfrenta aquela que talvez seja a maior luta de sua vida, sofrendo os efeitos da quimioterapia. Extremamente emocionante.
Toda a série Rcoky marcou a história do cinema, e, acima de todos, temos de agradecer Stallone por isso. Assim como o personagem tantas vezes lutou em sua vida, Stallone lutou como um verdadeiro campeão tanto para conseguir fazer acontecer o primeiro filme, como para trazer o personagem à glória e a toda uma geração no sexto filme. E ainda foi humilde e sensível o suficiente para torná-lo coadjuvante neste filme, não tentando em momento algum tomar o protagonismo para si.
E mesmo sendo somente o coadjuvante, não deixa de ser interessante o fato de que o cinema onde eu assisti o filme ter um público bem variado, com bastante gente mais velhas, com até algumas senhoras idosas, e um pessoal bem jovem. Poucos personagens tem um carinho tão grande do público ao ponto de levar ao cinema tantas gerações diferentes. E esse carinho, se depender desse filme, aparentemente continuará por muito tempo.