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Venho me dedicando ao cinema japonês. Publico comentários acerca do que vejo em meu blog: http://suprarrealidade.blogspot.pt

Últimas opiniões enviadas

  • rodrigo,

    Que filme maravilhoso do Shindô. Digo sem medo: dos 8 filmes que já vi deste cineasta, este é um dos melhores pra mim!! Ditch, literalmente traduzido por fosso,ou vala, traduz o filme, que poderíamos chamar de "Saga de Tsuru". OU a sua hora e sua vez! Este filme é um retrato cruel da pobreza, da miséria, da fome, da humilhação, do sofrimento, tudo encarnado numa protagonista, que pode-se comparar a uma Macabéa clariceana (pra mim, a personagem mais sofrida da literatura brasileira que eu ainda tenha lido). Nada é fácil pra Tsuru. E veja como Shindô, com maestria, filma de forma sutil. Pra quem quiser estudar o sofrimento, este filme é, de longe, aquilo que está no "Mundo como vontade e como representação" do Shopenhauer!!

    Uma coisa que eu falei em Kuroneko, sobre a predileção do tema do inferno em Shindô, serve para este, mas não a questão mística. E sim aquilo que o velho Guimarães Rosa sabiamente dizia: o diabo é o homem!! E está aqui neste filme belíssimo.

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  • rodrigo,

    Gostei bem mais deste do que "Onibaba" -- 1. não quer dizer isto dizer que Onibaba seja inferior e nem quero hierarquizar, afinal, minhas opiniões não valem nada mesmo; 2. como os camaradas já falaram abaixo,são duas obras parecidas,mas distintas, ou, como gosto de dizer, "próximas-na-distância".

    Se em "Onibaba" vemos um Shindô já experiente, cujo filme tem várias linhas de força (o místico, o desejo, a repressão, a máscara etc), aqui o filme está imbuido de elementos místicos,na compreensão mais vulgar de 'mística' (o gato preto já é fio condutor do que quero dizer). Veja que Shindô continua aqui algo que "começa" em Onibaba (embora haja em "Filhos de Hiroshima" e "Ditch"), que é a ideia de "inferno". Veja, não precisa pensar em uma história do post-mortem, desde o mitológico,Hades e o submundo. "Inferno",como lugar de punição, é uma ideia estritamente medieval, é o medievo que estrutura a ideia de inferno. E Dante (tô pensando necessariamente nele) estrutura o inferno num movimento circular interessantíssimo, que está aqui (e no cinema de Kaneto Shindô): um movimento que começa no Inferno e termina no paraíso. Aqui, o Gintoki passa pelo inferno e, veja, no final enigmático, ele passa por uma espécie de corredor. E aquilo que começou, termina (em outros filmes do Shindô também dá pra ver esse movimento,como Ditch e Ningen). Vê-se,portanto, um Shindô interessado não só no folclore e na guerra (tema caro ao cinema nipônico como um todo),mas também interessado na ideia medieval de inferno (Filhos de Hiroshima talvez resuma bem o cruzamento do místico com o factual, na frase "A guerra que é o inferno", esculpida por uma criança).

    Outras coisas neste filme são interessantes e dignas de nota, como o próprio pacto com o diabo feito pelas duas mulheres. Tema que em Goethe na lenda de Fausto, em Guimarães rosa, só pra citar alguns na literatura. Um pacto para se vingar dos samurais (já põe em xeque o poder destes). Fora a parte estética do filme, sublime tanto neste quanto em Onibaba. Mas como não tenho doutorado em cinema, e nem quero ter, fico aqui com meus botões!!

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  • rodrigo,

    O que mais admiro no Kon Ichikawa é esse talento em tocar, como "estado de arte", em temas como desespero e solidão. Um pouco parecido com "Ningen", do Kaneto Shindô -- personagens solitários na vastidão do mar (Deleuze tem uma definição interessante do mar como um horizonte sem-fim, espaço liso que se deixa estriar,in Mil Platôs), mas por propósitos completamente diferentes -- este filme tem um movimento circular interessante, que vai do desespero à conquista, do inferno ao céu. E vejam a ironia da vida, no oceano pacífico que não tem nada de pacífico. Fernão de magalhães estava é por fora..

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