“Guerreiras do K‑Pop” tenta se vender como uma aventura empoderadora, mas por trás do brilho neon e das coreografias estilizadas existe uma narrativa surpreendentemente desconfortável. O filme constrói um mundo onde um povo decide realizar uma limpeza étnica contra outro grupo considerado ‘essencialmente mau’. A justificativa é simples e perigosa: se eles nascem monstros, então merecem ser exterminados.
A protagonista, ao descobrir que é “meio monstra”, embarca numa jornada de autodescoberta que poderia ter sido uma crítica ao próprio sistema opressor. Ela encontra outro personagem monstro, que se sacrifica por ela, e isso a leva a compreender que sua natureza não determina sua moralidade. Até aqui, tudo aponta para uma virada ética: se ela não é má por nascer diferente, então o genocídio é injustificável.
Mas o filme vira de cabeça para baixo justamente nesse ponto. Em vez de questionar o sistema, ela o reforça. Em vez de romper com a lógica genocida, ela a executa até o fim — eliminando toda uma população. A mensagem final, portanto, não é sobre empatia, coexistência ou superação de preconceitos, mas sobre justificar violência extrema quando convenientemente enquadrada como “heroica”.
É uma inversão moral estranha, típica de certas narrativas hollywoodianas que confundem catarse com extermínio. O filme tenta nos fazer torcer por uma protagonista que, ao aceitar sua identidade, decide que o caminho é destruir o outro lado por completo. É uma conclusão que soa vazia, apressada e, no fundo, contraditória com o próprio arco emocional que o filme parecia construir.
No fim, “Guerreiras do K‑Pop” é visualmente chamativo, mas eticamente raso. Ele desperdiça a chance de explorar nuances e cai na solução mais fácil; e mais problemática. Sai-se do filme com a sensação de que a história queria dizer algo sobre identidade e aceitação, mas acabou entregando apenas mais um espetáculo de destruição embalado como triunfo moral. Tinha que ser estado-unidense.
A grande questão aqui não é se o filme é bom. Tecnicamente, a atuação de Timothée Chalamet é sólida e a montagem é impecável. O problema é o que o filme escolhe celebrar.
Marty Mauser não é apenas um anti-herói; ele é praticamente o arquétipo do narcisista contemporâneo: um homem impossível de torcer, que atropela leis, ética e pessoas em nome de uma obsessão cega pelo topo.
O filme parece operar sob a lógica de que, se você for implacável o suficiente, o mundo eventualmente se curvará aos seus pés. Nesse sentido, ele reflete perfeitamente o nosso tempo: uma era em que ego, autoconfiança performática e brutalidade competitiva frequentemente parecem valer mais do que competência real ou caráter. Ao transformar Marty em uma figura aceitável (ou até digna de um épico) Safdie flerta perigosamente com a ideia de que o sucesso justifica os meios.
Talvez a intenção seja crítica, claro. Mas aí lembro de como muita gente abraçou o Capitão Nascimento como herói absoluto, ignorando que Tropa de Elite também pretendia ser uma reflexão sobre violência e autoritarismo. Quando um personagem é apresentado com tanta aura de grandeza, até que ponto a crítica realmente chega ao público?
Marty Supreme acaba sendo um estudo de personagem fascinante, mas que deixa um gosto amargo. No fim, Marty não é só um indivíduo, ele é o espelho de uma sociedade que parou de questionar a moral dos vencedores e passou apenas a aplaudir seus troféus.
Se o cinema também serve como registro do seu tempo, esse filme parece capturar com precisão um mundo que premia o pior da humanidade, desde que venha acompanhado de uma vitória esmagadora.
Em #salverosa, o filme parece determinado a transformar Vera em heroína, mas quanto mais a história avança, mais essa tentativa soa artificial. A narrativa aposta na lógica de que, diante de uma vilã monstruosa como Dora, qualquer oposição a ela se torna automaticamente virtuosa. Só que o próprio roteiro sabota essa leitura.
Vera não age movida por altruísmo. Ela age movida por obsessão e inveja. Persegue Dora, monitora seus movimentos, invade sua casa, manipula situações, altera imagens de segurança, abusa do poder que tem como síndica. Não são deslizes morais isolados; é um padrão consistente de controle e violação. Ainda assim, o filme enquadra tudo como estratégia necessária para um “bem maior”, como se a intenção, nunca totalmente clara, anulasse a gravidade dos atos.
O que mais fragiliza essa suposta redenção é a motivação. Em nenhum momento Vera parece genuinamente preocupada com Rosa como indivíduo. Suas falas sobre Dora estão carregadas de fascínio e inveja, quase uma ânsia de decifrar a fórmula do sucesso. A impressão é menos de alguém tentando salvar uma criança e mais de alguém tentando aprender um método.
Isso torna o desfecho especialmente inquietante: quando Vera termina sorrindo ao lado da maca da ambulância em que Rosa está, a cena não transmite libertação ou acolhimento, mas substituição. Sai uma figura controladora, entra outra; mais sofisticada, mais articulada, mas ainda assim interessada em gerir um talento.
Há também uma ironia moral difícil de ignorar. O filme condena com razão a exploração explícita praticada por Dora, mas trata com naturalidade a exposição da própria filha de Vera nas redes sociais. Em uma cena, Vera entra no quarto e a filha criança grava um vídeo dançando sem shorts /de calcinha. A cena não é construída como crítica; é quase afetuosa. Vera demonstra orgulho, consciente de que a objetificação renderá curtidas.
A diferença parece residir mais na embalagem do que na essência. Dora é grotesca e direta. Vera é polida e discursivamente consciente. Ambas, porém, instrumentalizam crianças.
Talvez o filme quisesse construir uma personagem ambígua, alguém que opera nas zonas cinzentas da moralidade. Se era essa a intenção, faltou assumir o desconforto até o fim. O problema não é Vera ser complexa — é o roteiro premiar essa complexidade como se fosse virtude.
No fim, #salverosa denuncia a exploração infantil, mas tropeça ao romantizar quando essa exploração vem revestida de boas intenções e capital simbólico. Combater um monstro não transforma ninguém automaticamente em heroína. Às vezes, apenas muda quem ocupa o centro da narrativa.
Saí de Good Boy com a sensação de que o verdadeiro “bom garoto” sou eu, por ter ficado sentado até o fim.
O filme insiste em se vender como uma experiência imersiva ao adotar integralmente o ponto de vista do cachorro. A promessa é de radicalidade sensorial; o resultado é empobrecimento dramático. Ao limitar a percepção e ocultar sistematicamente os rostos humanos, a narrativa não se torna mais intensa — torna-se mais rasa. O que deveria ampliar a tensão e a complexidade emocional acaba reduzido a estímulo visual repetido.
Sem humanidade visível, não há humanidade dramática. O que sobra são sequências de susto que se acumulam sem construção real. Existe ali uma possível metáfora envolvendo a doença do dono do protagonista, mas o filme prefere sugerir profundidade em vez de realmente mergulhar nela.
E quando tenta intensificar o horror, surge uma mão de monstro cenográfica tão mal resolvida na iluminação que parece claramente uma pessoa de collant preto esticando o braço para dentro do quadro. Qualquer sensação de susto ou horror vai embora na mesma hora.
Vale dizer: usar a perspectiva de um cachorro já foi usada com muito mais sensibilidade em um único episódio de High Maintenance (ep03).
Em After the Hunt, a trilha sonora parece ter decidido disputar o protagonismo com o elenco e o roteiro. E, convenhamos, quando se tem Julia Roberts, um elenco de peso e um texto inteligente, por que escolher dar o holofote à música? O resultado é uma experiência sonora prepotente, quase soberba, que insiste em se impor sobre o filme, todo o tempo.
As escolhas musicais são, sem dúvida, sofisticadas: Caetano, Jobim, Morrissey, John Adams. Mas o problema não está na seleção, e sim na forma como ela é apresentada — em volume excessivo, sobrepondo diálogos cruciais e até obrigando o roteiro a justificar, em cena, por que determinada música precisa soar tão alta. É como se o filme dissesse: “não preste atenção no que estamos falando, concentre-se na música.”
Essa disputa entre música e atuação gera um desequilíbrio desconfortável. Em vários momentos, a trilha vence os atores. O ápice do exagero surge em cenas banais, como Julia Roberts caminhando pelo corredor de casa, embalada por uma música instrumental de suspense tocando no talo. Para quê transformar cada gesto cotidiano em uma explosão de estímulo sonoro? A impressão final é de um filme que aposta no overstimulation como estratégia: saturar o espectador para garantir atenção.
After the Hunt deixa a sensação de que a trilha sonora não acompanhou o filme; ela tentou dominá-lo. E, por mais brilhante que seja, música não deveria abafar mas sim complementar.
Olha, sem querer causar, mas o título do documentário Unknown Number: The High School Catfish me incomodou. O que aconteceu ali não parece exatamente catfishing. Catfishing é quando alguém se passa por outra pessoa, assume uma identidade falsa para enganar. No caso da Lauryn, a mãe não estava interpretando uma pessoa ou personagem específico, mas simplesmente se escondendo atrás do anonimato de um número mascarado.
Talvez tenha sido decisão de marketing: usar “catfishing” porque é um termo mais popular e chama atenção, ainda que não descreva corretamente o que houve? Ou então resolveram simplificar para o público, mas essa simplificação ensina errado. Afinal, são comportamentos digitais diferentes: um é impersonation, o outro é anonimato abusivo.
E acho que é importante a gente começar a dar nomes corretos para essas práticas digitais. É como comparar um homicídio cometido com uma faca e outro com uma arma de fogo: nos dois casos existe o crime, mas a forma de execução importa — muda a interpretação, a gravidade e até a pena. Do mesmo jeito, confundir catfishing com anonimato abusivo atrapalha o entendimento e dificulta uma futura criação de leis que responsabilizem cada tipo de abuso de forma adequada.
Se não existe uma palavra exata, paciência. Mas chamar isso de catfishing é forçar demais. Se quiser, eu até invento uma melhor: Anonning. Pronto, tá batizado.
A mãe assumiu toda a culpa, sem hesitar, mas até hoje ela insiste que não foi ela quem enviou as primeiras mensagens. Se não foi ela… então quem foi? A polícia investigou isso de verdade? O documentário não deixa claro se eles simplesmente ignoraram essa parte por ela já não ter credibilidade, ou se realmente verificaram e confirmaram que todas as mensagens saíram do celular da mãe. Faltou essa explicação.
O que fica evidente é que a Kendra, mãe da Lauryn, vive numa realidade paralela, com interpretações próprias dos fatos. Mas se ela não iniciou as mensagens, só pode ter sido a própria Lauryn. E se Lauryn sabia desde o começo, isso muda completamente a narrativa e explica vários comportamentos dela. Tipo, ela não parece surpresa ao descobrir que a própria mãe estava por trás de tudo.
Na verdade, me parece que Lauryn é extremamente carente e dependente da mãe. Por isso, prefiro acreditar que essa defesa incondicional que ela faz da mãe vem de um envolvimento direto e de uma certa culpa também — e não apenas de um apego disfuncional a alguém que claramente estava fazendo mal a ela.
Não quero aceitar que esse comportamento seja só resultado de carência e dependência afetiva. Tem algo mais aí.
E se, no fim das contas, Lauryn realmente não sabia de nada… então espero de coração que ela esteja em terapia intensa, cercada de pessoas que a ajudem a enxergar tudo com clareza. Porque viver sob a influência de alguém que distorce a realidade não é só doloroso — é perigoso.
O ponto forte de Together é, sem dúvida, o casamento entre horror e comédia — e que casamento bem trabalhado! A mistura funciona muito bem, criando momentos que são ao mesmo tempo desconfortáveis e hilários. Não sabia que Dave Franco e Alison Brie são casados na vida real, mas a química entre eles é tão forte que parece impossível que não fossem. A conexão dos personagens é palpável e dá peso emocional à bizarrice da trama.
Um dos momentos que mais me marcou foi quando ele pega o álbum das Spice Girls. Como Wannabe é a primeira faixa, eu já estava esperando que fosse ela — achei que eles iam se fundir ao som de “yo I’ll tell you what I want…” Mas aí começa 2 Become 1 e eu simplesmente gritei aqui em casa. Foi a cereja do bolo: engraçado, inesperado e incrivelmente simbólico. Uma escolha musical que resume perfeitamente o absurdo e a ternura da situação.
"Y2K" parece uma versão adolescente dos filmes da A24, mas infelizmente, esse tom mais leve e a falta de ousadia resultaram em um filme que se tornou muito infantilizado. Ele não se destaca nem como uma comédia, nem como um filme de terror, e acaba não agradando em nenhum desses gêneros.
As referências aos anos 2000 estão espalhadas por todo o filme, mas de maneira inconsistente. A cena inicial é, sem dúvida, bem legal, mostrando a realidade dos usuários de PC daquela época: gravando CDs, usando internet discada e esperando eternamente para carregar uma foto. No entanto, após essa introdução promissora, o filme se perde. Por exemplo, o pen drive, que só foi inventado depois dos anos 2000, é usado pela personagem principal para salvar o mundo. Naquela época, mal tínhamos DVDs, e para salvar o mundo, ela teria que gravar um CD. Provavelmente o vírus seria grande demais e precisaria ser dividido em dois CDs, o que teria sido uma representação mais precisa e divertida.
Outro ponto que me incomodou foi o uso de stop motion para os monstros. Os anos 90/00 marcaram o início do CGI, enquanto o stop motion era muito mais popular nos anos 80. Embora não haja problema em usar essa técnica, parece que o filme tentou transmitir uma vibe vintage, mas acabou passando uma sensação amadora e infantil, ao invés de ser "cool" como os criadores imaginaram.
No final, fiquei sem entender por que classificaram esse filme como para maiores de 18 anos. Não faz sentido, já que todo o filme parece ter sido feito para um público que não viveu essa época. Eles perderam a oportunidade de conectar melhor com a geração que realmente entende as nuances e os detalhes dos anos 2000.
É um filme legal, mas tenho que dizer que o título não ajuda muito. Primeiro, é super longo. Segundo, o nome faz parecer que o filme é sobre espaço, fantasia ou aventura.
E aí, quando assistimos, é um romance coming of age, mais voltado para o drama.
Outra coisa que me incomodou foi passar o filme todo querendo descobrir qual é o segredo do universo, para no final descobrir que é apenas o amor entre dois homens. No século XXI, acho problemático tratar o amor LGBTQIA+ como um segredo, em vez de algo natural e normal que acontece na vida de muitos.
Talvez no livro, a relação deles com as estrelas e o espaço seja mais bem trabalhada e faça mais sentido. Mas no filme, só tem uma cena em que eles usam um telescópio, o que não justifica o título.
Também não gostei muito da caracterização do Eugenio Derbez como o pai. Acho que no livro ele deve ter a barba e o cabelo brancos, e quiseram manter isso no filme, mas acabou ficando meio fantasia. Como ele tem cenas muito dramáticas, isso atrapalhou um pouco a seriedade da história.
Mas tirando isso, o filme é bem fofo e tem um elenco ótimo que eleva tudo.
Quando assisti ao filme fui confrontado por uma narrativa que me deixou bastante incomodado. A premissa do filme é que as conexões emocionais podem ser mais complicadas e profundas do que as categorias de identidade. Isso é interessante e, de fato, acredito que sentimentos humanos muitas vezes transcendem rótulos. No entanto, a forma como o filme aborda essa ideia levanta questões sérias.
A história de Adam, um jovem heterossexual que finge ser trans para se aproximar de uma garota lésbica, é problemática desde o início. Ver Adam mentir sobre sua identidade de gênero sem enfrentar consequências significativas trivializa a experiência das pessoas trans. Ele mente para se aproximar de Gillian, o que é uma grave violação de confiança e respeito. A falta de consequências para suas ações ao longo do filme foi um grande ponto de desconforto para mim.
O final do filme, onde Adam comenta que encontrou o skyline que estava procurando, e seu amigo trans o corrige dizendo que ele está olhando para New Jersey e não para NYC, pode ser visto como uma metáfora para tentar consertar os erros do filme? Isso simboliza como Adam tem percebido tudo errado desde o início? Ele acha que está no caminho certo, mas na verdade está perdido e confuso sobre o que realmente importa?
Essa cena final me deixou pensando que, talvez, o filme estivesse tentando mostrar que Adam ainda não entende a profundidade de suas ações e suas consequências. No entanto, isso não desculpa a falta de responsabilização ao longo do filme.
A ideia central de que as conexões emocionais podem transcender as identidades é válida. Sim, uma lésbica pode se apaixonar por um homem cis hetero. Mas isso não deveria justificar mentir sobre uma identidade tão fundamental.
O documentário "Am I Racist?" dirigido por Matt Walsh é uma tentativa falha e forçada de perpetuar o status quo. A premissa do filme se concentra em um homem branco conservador que alega ter descoberto uma "indústria" que se aproveita da culpa branca para lucrar.
No entanto, como um típico americano, em vez de focar no problema real que é o capitalismo—que força movimentos a se tornarem indústrias devido à necessidade de capital e lucro—Walsh escolhe concentrar-se na culpa branca.
Walsh cria um personagem estereotipado de militante e entrevista nomes importantes do movimento anti-racista, utilizando um humor subjetivo para ridicularizar e zombar dos entrevistados e suas crenças.
Ele pega conceitos sérios do movimento e faz piadas, como no caso da autoflagelação. Robin DiAngelo descreve a "auto-flagelação" como uma crítica excessiva que, em vez de ajudar, pode ser contraproducente. A abordagem produtiva deve envolver auto-reflexão, escuta ativa das experiências das pessoas de cor e ação construtiva para promover a equidade racial. No documentário, Walsh distorce esse conceito distribuindo chicotes para as pessoas se autoflagelarem literalmente, o que é uma clara caricatura e exagero.
Muitas das cenas "engraçadas" do filme são justamente perpetuações de estereótipos atribuídos a negros, como a estátua de George Floyd ser negra e ter 30 centímetros a mais (WTF). Outras piadas e situações no filme podem ser vistas como tentativas de minimizar ou ridicularizar a seriedade das questões raciais. Essas abordagens são problemáticas porque, ao usar humor para tratar de temas sensíveis, há o risco de desviar a atenção das discussões importantes e perpetuar estereótipos.
Embora alguns possam argumentar que isso é uma licença artística típica de um mocumentário, o problema é que essas distorções são usadas para argumentar que o movimento anti-racista é utópico e impraticável. Durante o documentário, Walsh diminui a luta negra e a coloca como "mimimi".
Outro exemplo são as estatísticas que ele usa para justificar sua posição. Ele afirma que o racismo não é um problema nos EUA porque os números de crimes de ódio reportados são pequenos, enquanto os números de assaltos cometidos por pessoas negras são maiores. Esse tipo de estatística é usada para causar um dilema social no espectador desavisado, ignorando completamente o racismo estrutural e esquecendo que esses crimes podem ocorrer porque homens negros frequentemente não têm oportunidades na vida devido ao próprio racismo.
Enfim, boa sorte pra quem se aventurar a ver essa bomba e respondendo a pergunta título do filme: Sim, você é racista porque seu documentário utiliza "humor" e exagero para desviar a atenção dos verdadeiros problemas, como o racismo estrutural. Além disso, você cria argumentos que servem apenas para aliviar sua própria culpa branca.
A Extraordinária Vida de Ibelin" é um documentário comovente e delicado que explora a vida online de um jovem com paralisia. A obra oferece uma perspectiva emocionalmente carregada, tentando encontrar consolo e um sentido de plenitude na vida digital de Ibelin. No entanto, é crucial adotar um olhar crítico ao avaliar a mensagem do documentário.
A narrativa tenta validar as experiências online de Ibelin como equivalentes às interações do mundo real. Isso levanta uma questão delicada: é difícil para qualquer pessoa, especialmente para os pais, aceitar que um ente querido não viveu uma vida plena. A apresentação das experiências online como substitutas diretas das interações humanas pode ser vista como uma romantização do mundo virtual. É essencial compreender que, enquanto a vida online de Ibelin ofereceu momentos de alegria e interação, ela não substitui completamente as experiências e relações face a face.
Outro ponto que merece atenção é o patrocínio do documentário pela Blizzard Entertainment, a empresa responsável pelo jogo "World of Warcraft". Este envolvimento levanta questões sobre possíveis interesses comerciais influenciando a narrativa. A Blizzard tem motivos para promover a ideia de que o mundo online pode ser igualmente gratificante e significativo, já que isso beneficia diretamente seus negócios. Portanto, é fundamental assistir ao documentário com um olhar crítico, reconhecendo tanto as intenções emocionais quanto as implicações comerciais.
Apesar da intenção clara de encontrar um meio de consolo e significado na vida de Ibelin, devemos evitar generalizações apressadas sobre a validade das experiências online para todos. Devemos reconhecer a singularidade das circunstâncias de Ibelin, sem permitir que isso distorça a compreensão das interações humanas e suas complexidades.
"A Extraordinária Vida de Ibelin" toca em questões profundas e importantes, mas é vital que a audiência mantenha um senso crítico ao considerar as mensagens apresentadas.
8 de 10 não foram engraçados. Teve gente que entrou e saiu sem conseguir entregar ao menos uma piada boa. Fico na dúvida se esses comediantes (que são engraçados e tem bons especiais de comédia) estavam apenas desacostumados a fazer improvisação ou se eles só queriam sabotar o evento mesmo.
Cenas incríveis de uma Budapest nos anos 70. Pode se notar muito a arquitetura da cidade, paisagens, meios de transporte, as pessoas, as roupas e estilos da época. Tudo com Bach tocando ao fundo. Não há uma história linear mas sim, uma coletânea de imagens cotidianas dos anos 70.
O filme é uma adaptação de um livro fictício, um romance. Por mais que eles digam no filme que você está conhecendo a verdadeira história sobre a Norma Jeane; você tem que entender que na verdade quem estamos conhecendo, é a personagem Norma Jeane, criada pela Joyce Carol Oates, autora do livro.
Bom, agora voltando ao filme em si. É um filme pesado e difícil de ver. O tema do filme são os traumas e as dores de Norma. Não apenas mostrando como esses traumas foram gerados, mas como eles também impactam as escolhas e ações da vida dela. O filme não está interessado em mostrar os momentos felizes e glamorosos da vida dela. Essas cenas são mostradas em cenas rápidas, sempre junto com uma passagem de tempo. Acredito que a intenção do filme era justamente essa, mostrar todo o acumulo de traumas em que ela sofreu até chegar o fatídico dia em que ela precisou propositalmente (ou não) tomar tantos remédios para parar essa dor. Ela teve um final trágico e acho ingênuo achar que ela não passou por todo um caminho de dificuldades até chegar esse dia.
Acho que em todos os momentos em que a atriz estava nua, o filme foi puxado para um lado artístico, como na cena de sexo do trisal ou a nudez dela era usada para mostrar vulnerabilidade, como na cena em que em ela está em casa, tranquila na cama, quando o marido chega batendo nela por ter o ego ferido.
Sobre a tão polêmica cena do encontro com o presidente.
Jamais saberemos se esse encontro algum dia foi real e se foi, como ele realmente aconteceu. No livro em que a história é baseado, a personagem se envolve sexualmente com o presidente. Achei que o filme foi brilhante. É uma cena incômoda mas que mostra muito bem a realidade do como um homem de poder, se sentia no direito de tratar uma mulher como um objeto. A arrogância e egocentrismo do presidente deixa a cena vulgar e ainda mais incomoda. Para intensificar ainda mais, durante o ato escutamos devaneios dissociativos de Norma dizendo coisas como "Ai Marilyn por que você sempre faz essas coisas?", enfim, uma cena pesada. Talvez essa não tenha sido a verdadeira história de Norma e do presidente, mas tenho certeza que essa cena contou a história de uma realidade que foi vivida por diversas mulheres daquela época (e até hoje).
Parece um filme da sessão da tarde. A história é fraca mas as atuações são boas. O filme é de 59 e sua produção parece bem afrente do seu tempo. A Audrey está adorável como sempre.
Claramente feito em uma época em que não existia o politicamente correto. Um pouco machista demais, mas de novo, outra época. A trilha sonora é incrível. Amo as trilhas sonoras dessa década. São sempre muito literais em relação a cena.
Amei a interpretação da Amazônia feita apenas de samambaias hahahaha
Sobre a trilha sonora: Heitor Villa-Lobos compôs uma partitura de grande parte do filme. A maioria foi rejeitada pelo estúdio. Bronislau Kaper foi contratado para escrever uma nova partitura, mas insistiu em incorporar parte da música de Villa-Lobos. Villa-Lobos retrabalhou sua partitura, resultando uma suíte chamada "Floresta do Amazonas".
Nunca li os livros e assisti pelo elenco. O filme é bem corrido, de repente eles optaram dessa forma para não ficar chato e poder colocar mais cenas de ação, mas uma explicação mais calma ia ser melhor. Talvez uma narração no inicio do filme e menos cortes iam ajudar.
O maior problema não foi a atuação, foi tudo o que acontece por trás das câmeras, o roteiro ficou confuso com diálogos babacas, a direção e os editores não souberam editar o filme, parece que tinha muita coisa pra passar, mas tiveram que cortar (de qualquer maneira) para caber. Os efeitos também não foram dos melhores, o filme ficou muito escuro, assisti no cinema e estava tentando procurar o controle pra colocar o brilho no máximo (rs).
Mas segui até o fim, a história é boa, comum, mas distrai.
Guerreiras do K-Pop
3.7 211 Assista AgoraGente, eu vou ter que problematizar. Foi mal.
“Guerreiras do K‑Pop” tenta se vender como uma aventura empoderadora, mas por trás do brilho neon e das coreografias estilizadas existe uma narrativa surpreendentemente desconfortável. O filme constrói um mundo onde um povo decide realizar uma limpeza étnica contra outro grupo considerado ‘essencialmente mau’. A justificativa é simples e perigosa: se eles nascem monstros, então merecem ser exterminados.
A protagonista, ao descobrir que é “meio monstra”, embarca numa jornada de autodescoberta que poderia ter sido uma crítica ao próprio sistema opressor. Ela encontra outro personagem monstro, que se sacrifica por ela, e isso a leva a compreender que sua natureza não determina sua moralidade. Até aqui, tudo aponta para uma virada ética: se ela não é má por nascer diferente, então o genocídio é injustificável.
Mas o filme vira de cabeça para baixo justamente nesse ponto. Em vez de questionar o sistema, ela o reforça. Em vez de romper com a lógica genocida, ela a executa até o fim — eliminando toda uma população. A mensagem final, portanto, não é sobre empatia, coexistência ou superação de preconceitos, mas sobre justificar violência extrema quando convenientemente enquadrada como “heroica”.
É uma inversão moral estranha, típica de certas narrativas hollywoodianas que confundem catarse com extermínio. O filme tenta nos fazer torcer por uma protagonista que, ao aceitar sua identidade, decide que o caminho é destruir o outro lado por completo. É uma conclusão que soa vazia, apressada e, no fundo, contraditória com o próprio arco emocional que o filme parecia construir.
No fim, “Guerreiras do K‑Pop” é visualmente chamativo, mas eticamente raso. Ele desperdiça a chance de explorar nuances e cai na solução mais fácil; e mais problemática. Sai-se do filme com a sensação de que a história queria dizer algo sobre identidade e aceitação, mas acabou entregando apenas mais um espetáculo de destruição embalado como triunfo moral.
Tinha que ser estado-unidense.
Marty Supreme
3.7 315 Assista AgoraA grande questão aqui não é se o filme é bom. Tecnicamente, a atuação de Timothée Chalamet é sólida e a montagem é impecável. O problema é o que o filme escolhe celebrar.
Marty Mauser não é apenas um anti-herói; ele é praticamente o arquétipo do narcisista contemporâneo: um homem impossível de torcer, que atropela leis, ética e pessoas em nome de uma obsessão cega pelo topo.
O filme parece operar sob a lógica de que, se você for implacável o suficiente, o mundo eventualmente se curvará aos seus pés. Nesse sentido, ele reflete perfeitamente o nosso tempo: uma era em que ego, autoconfiança performática e brutalidade competitiva frequentemente parecem valer mais do que competência real ou caráter. Ao transformar Marty em uma figura aceitável (ou até digna de um épico) Safdie flerta perigosamente com a ideia de que o sucesso justifica os meios.
Talvez a intenção seja crítica, claro. Mas aí lembro de como muita gente abraçou o Capitão Nascimento como herói absoluto, ignorando que Tropa de Elite também pretendia ser uma reflexão sobre violência e autoritarismo. Quando um personagem é apresentado com tanta aura de grandeza, até que ponto a crítica realmente chega ao público?
Marty Supreme acaba sendo um estudo de personagem fascinante, mas que deixa um gosto amargo. No fim, Marty não é só um indivíduo, ele é o espelho de uma sociedade que parou de questionar a moral dos vencedores e passou apenas a aplaudir seus troféus.
Se o cinema também serve como registro do seu tempo, esse filme parece capturar com precisão um mundo que premia o pior da humanidade, desde que venha acompanhado de uma vitória esmagadora.
#Salve Rosa
2.7 80 Assista AgoraEm #salverosa, o filme parece determinado a transformar Vera em heroína, mas quanto mais a história avança, mais essa tentativa soa artificial. A narrativa aposta na lógica de que, diante de uma vilã monstruosa como Dora, qualquer oposição a ela se torna automaticamente virtuosa. Só que o próprio roteiro sabota essa leitura.
Vera não age movida por altruísmo. Ela age movida por obsessão e inveja. Persegue Dora, monitora seus movimentos, invade sua casa, manipula situações, altera imagens de segurança, abusa do poder que tem como síndica. Não são deslizes morais isolados; é um padrão consistente de controle e violação. Ainda assim, o filme enquadra tudo como estratégia necessária para um “bem maior”, como se a intenção, nunca totalmente clara, anulasse a gravidade dos atos.
O que mais fragiliza essa suposta redenção é a motivação. Em nenhum momento Vera parece genuinamente preocupada com Rosa como indivíduo. Suas falas sobre Dora estão carregadas de fascínio e inveja, quase uma ânsia de decifrar a fórmula do sucesso. A impressão é menos de alguém tentando salvar uma criança e mais de alguém tentando aprender um método.
Isso torna o desfecho especialmente inquietante: quando Vera termina sorrindo ao lado da maca da ambulância em que Rosa está, a cena não transmite libertação ou acolhimento, mas substituição. Sai uma figura controladora, entra outra; mais sofisticada, mais articulada, mas ainda assim interessada em gerir um talento.
Há também uma ironia moral difícil de ignorar. O filme condena com razão a exploração explícita praticada por Dora, mas trata com naturalidade a exposição da própria filha de Vera nas redes sociais. Em uma cena, Vera entra no quarto e a filha criança grava um vídeo dançando sem shorts /de calcinha. A cena não é construída como crítica; é quase afetuosa. Vera demonstra orgulho, consciente de que a objetificação renderá curtidas.
A diferença parece residir mais na embalagem do que na essência. Dora é grotesca e direta. Vera é polida e discursivamente consciente. Ambas, porém, instrumentalizam crianças.
Talvez o filme quisesse construir uma personagem ambígua, alguém que opera nas zonas cinzentas da moralidade. Se era essa a intenção, faltou assumir o desconforto até o fim. O problema não é Vera ser complexa — é o roteiro premiar essa complexidade como se fosse virtude.
No fim, #salverosa denuncia a exploração infantil, mas tropeça ao romantizar quando essa exploração vem revestida de boas intenções e capital simbólico. Combater um monstro não transforma ninguém automaticamente em heroína. Às vezes, apenas muda quem ocupa o centro da narrativa.
Bom Menino
2.9 155 Assista AgoraSaí de Good Boy com a sensação de que o verdadeiro “bom garoto” sou eu, por ter ficado sentado até o fim.
O filme insiste em se vender como uma experiência imersiva ao adotar integralmente o ponto de vista do cachorro. A promessa é de radicalidade sensorial; o resultado é empobrecimento dramático. Ao limitar a percepção e ocultar sistematicamente os rostos humanos, a narrativa não se torna mais intensa — torna-se mais rasa. O que deveria ampliar a tensão e a complexidade emocional acaba reduzido a estímulo visual repetido.
Sem humanidade visível, não há humanidade dramática. O que sobra são sequências de susto que se acumulam sem construção real. Existe ali uma possível metáfora envolvendo a doença do dono do protagonista, mas o filme prefere sugerir profundidade em vez de realmente mergulhar nela.
E quando tenta intensificar o horror, surge uma mão de monstro cenográfica tão mal resolvida na iluminação que parece claramente uma pessoa de collant preto esticando o braço para dentro do quadro. Qualquer sensação de susto ou horror vai embora na mesma hora.
Vale dizer: usar a perspectiva de um cachorro já foi usada com muito mais sensibilidade em um único episódio de High Maintenance (ep03).
Estilo tem. História, quase não.
Depois da Caçada
2.9 115 Assista AgoraEm After the Hunt, a trilha sonora parece ter decidido disputar o protagonismo com o elenco e o roteiro. E, convenhamos, quando se tem Julia Roberts, um elenco de peso e um texto inteligente, por que escolher dar o holofote à música? O resultado é uma experiência sonora prepotente, quase soberba, que insiste em se impor sobre o filme, todo o tempo.
As escolhas musicais são, sem dúvida, sofisticadas: Caetano, Jobim, Morrissey, John Adams. Mas o problema não está na seleção, e sim na forma como ela é apresentada — em volume excessivo, sobrepondo diálogos cruciais e até obrigando o roteiro a justificar, em cena, por que determinada música precisa soar tão alta. É como se o filme dissesse: “não preste atenção no que estamos falando, concentre-se na música.”
Essa disputa entre música e atuação gera um desequilíbrio desconfortável. Em vários momentos, a trilha vence os atores. O ápice do exagero surge em cenas banais, como Julia Roberts caminhando pelo corredor de casa, embalada por uma música instrumental de suspense tocando no talo. Para quê transformar cada gesto cotidiano em uma explosão de estímulo sonoro? A impressão final é de um filme que aposta no overstimulation como estratégia: saturar o espectador para garantir atenção.
After the Hunt deixa a sensação de que a trilha sonora não acompanhou o filme; ela tentou dominá-lo. E, por mais brilhante que seja, música não deveria abafar mas sim complementar.
A Vizinha Perfeita
3.5 208 Assista AgoraQue mulher louca, mas faltou explicar o que houve com o iPad/Tablet.
Número Desconhecido: Catfishing na Escola
3.4 140 Assista AgoraE outra coisa rapidinho,
Olha, sem querer causar, mas o título do documentário Unknown Number: The High School Catfish me incomodou. O que aconteceu ali não parece exatamente catfishing. Catfishing é quando alguém se passa por outra pessoa, assume uma identidade falsa para enganar. No caso da Lauryn, a mãe não estava interpretando uma pessoa ou personagem específico, mas simplesmente se escondendo atrás do anonimato de um número mascarado.
Talvez tenha sido decisão de marketing: usar “catfishing” porque é um termo mais popular e chama atenção, ainda que não descreva corretamente o que houve? Ou então resolveram simplificar para o público, mas essa simplificação ensina errado. Afinal, são comportamentos digitais diferentes: um é impersonation, o outro é anonimato abusivo.
E acho que é importante a gente começar a dar nomes corretos para essas práticas digitais. É como comparar um homicídio cometido com uma faca e outro com uma arma de fogo: nos dois casos existe o crime, mas a forma de execução importa — muda a interpretação, a gravidade e até a pena. Do mesmo jeito, confundir catfishing com anonimato abusivo atrapalha o entendimento e dificulta uma futura criação de leis que responsabilizem cada tipo de abuso de forma adequada.
Se não existe uma palavra exata, paciência. Mas chamar isso de catfishing é forçar demais. Se quiser, eu até invento uma melhor: Anonning. Pronto, tá batizado.
Número Desconhecido: Catfishing na Escola
3.4 140 Assista AgoraGente, talvez seja coisa da minha cabeça, mas fiquei com várias dúvidas depois de assistir.
A mãe assumiu toda a culpa, sem hesitar, mas até hoje ela insiste que não foi ela quem enviou as primeiras mensagens. Se não foi ela… então quem foi?
A polícia investigou isso de verdade? O documentário não deixa claro se eles simplesmente ignoraram essa parte por ela já não ter credibilidade, ou se realmente verificaram e confirmaram que todas as mensagens saíram do celular da mãe. Faltou essa explicação.
O que fica evidente é que a Kendra, mãe da Lauryn, vive numa realidade paralela, com interpretações próprias dos fatos. Mas se ela não iniciou as mensagens, só pode ter sido a própria Lauryn. E se Lauryn sabia desde o começo, isso muda completamente a narrativa e explica vários comportamentos dela. Tipo, ela não parece surpresa ao descobrir que a própria mãe estava por trás de tudo.
Na verdade, me parece que Lauryn é extremamente carente e dependente da mãe. Por isso, prefiro acreditar que essa defesa incondicional que ela faz da mãe vem de um envolvimento direto e de uma certa culpa também — e não apenas de um apego disfuncional a alguém que claramente estava fazendo mal a ela.
Não quero aceitar que esse comportamento seja só resultado de carência e dependência afetiva. Tem algo mais aí.
E se, no fim das contas, Lauryn realmente não sabia de nada… então espero de coração que ela esteja em terapia intensa, cercada de pessoas que a ajudem a enxergar tudo com clareza. Porque viver sob a influência de alguém que distorce a realidade não é só doloroso — é perigoso.
Juntos
3.3 389O ponto forte de Together é, sem dúvida, o casamento entre horror e comédia — e que casamento bem trabalhado! A mistura funciona muito bem, criando momentos que são ao mesmo tempo desconfortáveis e hilários. Não sabia que Dave Franco e Alison Brie são casados na vida real, mas a química entre eles é tão forte que parece impossível que não fossem. A conexão dos personagens é palpável e dá peso emocional à bizarrice da trama.
Um dos momentos que mais me marcou foi quando ele pega o álbum das Spice Girls. Como Wannabe é a primeira faixa, eu já estava esperando que fosse ela — achei que eles iam se fundir ao som de “yo I’ll tell you what I want…” Mas aí começa 2 Become 1 e eu simplesmente gritei aqui em casa. Foi a cereja do bolo: engraçado, inesperado e incrivelmente simbólico. Uma escolha musical que resume perfeitamente o absurdo e a ternura da situação.
Y2K: O Bug do Milênio
2.2 66 Assista Agora"Y2K" parece uma versão adolescente dos filmes da A24, mas infelizmente, esse tom mais leve e a falta de ousadia resultaram em um filme que se tornou muito infantilizado. Ele não se destaca nem como uma comédia, nem como um filme de terror, e acaba não agradando em nenhum desses gêneros.
As referências aos anos 2000 estão espalhadas por todo o filme, mas de maneira inconsistente. A cena inicial é, sem dúvida, bem legal, mostrando a realidade dos usuários de PC daquela época: gravando CDs, usando internet discada e esperando eternamente para carregar uma foto. No entanto, após essa introdução promissora, o filme se perde. Por exemplo, o pen drive, que só foi inventado depois dos anos 2000, é usado pela personagem principal para salvar o mundo. Naquela época, mal tínhamos DVDs, e para salvar o mundo, ela teria que gravar um CD. Provavelmente o vírus seria grande demais e precisaria ser dividido em dois CDs, o que teria sido uma representação mais precisa e divertida.
Outro ponto que me incomodou foi o uso de stop motion para os monstros. Os anos 90/00 marcaram o início do CGI, enquanto o stop motion era muito mais popular nos anos 80. Embora não haja problema em usar essa técnica, parece que o filme tentou transmitir uma vibe vintage, mas acabou passando uma sensação amadora e infantil, ao invés de ser "cool" como os criadores imaginaram.
No final, fiquei sem entender por que classificaram esse filme como para maiores de 18 anos. Não faz sentido, já que todo o filme parece ter sido feito para um público que não viveu essa época. Eles perderam a oportunidade de conectar melhor com a geração que realmente entende as nuances e os detalhes dos anos 2000.
Os Segredos do Universo por Aristóteles e Dante
3.4 52 Assista AgoraÉ um filme legal, mas tenho que dizer que o título não ajuda muito. Primeiro, é super longo. Segundo, o nome faz parecer que o filme é sobre espaço, fantasia ou aventura.
E aí, quando assistimos, é um romance coming of age, mais voltado para o drama.
Outra coisa que me incomodou foi passar o filme todo querendo descobrir qual é o segredo do universo, para no final descobrir que é apenas o amor entre dois homens. No século XXI, acho problemático tratar o amor LGBTQIA+ como um segredo, em vez de algo natural e normal que acontece na vida de muitos.
Talvez no livro, a relação deles com as estrelas e o espaço seja mais bem trabalhada e faça mais sentido. Mas no filme, só tem uma cena em que eles usam um telescópio, o que não justifica o título.
Também não gostei muito da caracterização do Eugenio Derbez como o pai. Acho que no livro ele deve ter a barba e o cabelo brancos, e quiseram manter isso no filme, mas acabou ficando meio fantasia. Como ele tem cenas muito dramáticas, isso atrapalhou um pouco a seriedade da história.
Mas tirando isso, o filme é bem fofo e tem um elenco ótimo que eleva tudo.
O Verão de Adam
3.0 7 Assista AgoraQuando assisti ao filme fui confrontado por uma narrativa que me deixou bastante incomodado. A premissa do filme é que as conexões emocionais podem ser mais complicadas e profundas do que as categorias de identidade. Isso é interessante e, de fato, acredito que sentimentos humanos muitas vezes transcendem rótulos. No entanto, a forma como o filme aborda essa ideia levanta questões sérias.
A história de Adam, um jovem heterossexual que finge ser trans para se aproximar de uma garota lésbica, é problemática desde o início. Ver Adam mentir sobre sua identidade de gênero sem enfrentar consequências significativas trivializa a experiência das pessoas trans. Ele mente para se aproximar de Gillian, o que é uma grave violação de confiança e respeito. A falta de consequências para suas ações ao longo do filme foi um grande ponto de desconforto para mim.
O final do filme, onde Adam comenta que encontrou o skyline que estava procurando, e seu amigo trans o corrige dizendo que ele está olhando para New Jersey e não para NYC, pode ser visto como uma metáfora para tentar consertar os erros do filme? Isso simboliza como Adam tem percebido tudo errado desde o início? Ele acha que está no caminho certo, mas na verdade está perdido e confuso sobre o que realmente importa?
Essa cena final me deixou pensando que, talvez, o filme estivesse tentando mostrar que Adam ainda não entende a profundidade de suas ações e suas consequências. No entanto, isso não desculpa a falta de responsabilização ao longo do filme.
A ideia central de que as conexões emocionais podem transcender as identidades é válida. Sim, uma lésbica pode se apaixonar por um homem cis hetero. Mas isso não deveria justificar mentir sobre uma identidade tão fundamental.
Eu sou Racista?
3.2 9O documentário "Am I Racist?" dirigido por Matt Walsh é uma tentativa falha e forçada de perpetuar o status quo. A premissa do filme se concentra em um homem branco conservador que alega ter descoberto uma "indústria" que se aproveita da culpa branca para lucrar.
No entanto, como um típico americano, em vez de focar no problema real que é o capitalismo—que força movimentos a se tornarem indústrias devido à necessidade de capital e lucro—Walsh escolhe concentrar-se na culpa branca.
Walsh cria um personagem estereotipado de militante e entrevista nomes importantes do movimento anti-racista, utilizando um humor subjetivo para ridicularizar e zombar dos entrevistados e suas crenças.
Ele pega conceitos sérios do movimento e faz piadas, como no caso da autoflagelação. Robin DiAngelo descreve a "auto-flagelação" como uma crítica excessiva que, em vez de ajudar, pode ser contraproducente. A abordagem produtiva deve envolver auto-reflexão, escuta ativa das experiências das pessoas de cor e ação construtiva para promover a equidade racial. No documentário, Walsh distorce esse conceito distribuindo chicotes para as pessoas se autoflagelarem literalmente, o que é uma clara caricatura e exagero.
Muitas das cenas "engraçadas" do filme são justamente perpetuações de estereótipos atribuídos a negros, como a estátua de George Floyd ser negra e ter 30 centímetros a mais (WTF). Outras piadas e situações no filme podem ser vistas como tentativas de minimizar ou ridicularizar a seriedade das questões raciais.
Essas abordagens são problemáticas porque, ao usar humor para tratar de temas sensíveis, há o risco de desviar a atenção das discussões importantes e perpetuar estereótipos.
Embora alguns possam argumentar que isso é uma licença artística típica de um mocumentário, o problema é que essas distorções são usadas para argumentar que o movimento anti-racista é utópico e impraticável. Durante o documentário, Walsh diminui a luta negra e a coloca como "mimimi".
Outro exemplo são as estatísticas que ele usa para justificar sua posição. Ele afirma que o racismo não é um problema nos EUA porque os números de crimes de ódio reportados são pequenos, enquanto os números de assaltos cometidos por pessoas negras são maiores. Esse tipo de estatística é usada para causar um dilema social no espectador desavisado, ignorando completamente o racismo estrutural e esquecendo que esses crimes podem ocorrer porque homens negros frequentemente não têm oportunidades na vida devido ao próprio racismo.
Enfim, boa sorte pra quem se aventurar a ver essa bomba e respondendo a pergunta título do filme:
Sim, você é racista porque seu documentário utiliza "humor" e exagero para desviar a atenção dos verdadeiros problemas, como o racismo estrutural. Além disso, você cria argumentos que servem apenas para aliviar sua própria culpa branca.
A Extraordinária Vida de Ibelin
4.2 49 Assista AgoraA Extraordinária Vida de Ibelin" é um documentário comovente e delicado que explora a vida online de um jovem com paralisia. A obra oferece uma perspectiva emocionalmente carregada, tentando encontrar consolo e um sentido de plenitude na vida digital de Ibelin. No entanto, é crucial adotar um olhar crítico ao avaliar a mensagem do documentário.
A narrativa tenta validar as experiências online de Ibelin como equivalentes às interações do mundo real. Isso levanta uma questão delicada: é difícil para qualquer pessoa, especialmente para os pais, aceitar que um ente querido não viveu uma vida plena. A apresentação das experiências online como substitutas diretas das interações humanas pode ser vista como uma romantização do mundo virtual.
É essencial compreender que, enquanto a vida online de Ibelin ofereceu momentos de alegria e interação, ela não substitui completamente as experiências e relações face a face.
Outro ponto que merece atenção é o patrocínio do documentário pela Blizzard Entertainment, a empresa responsável pelo jogo "World of Warcraft". Este envolvimento levanta questões sobre possíveis interesses comerciais influenciando a narrativa. A Blizzard tem motivos para promover a ideia de que o mundo online pode ser igualmente gratificante e significativo, já que isso beneficia diretamente seus negócios. Portanto, é fundamental assistir ao documentário com um olhar crítico, reconhecendo tanto as intenções emocionais quanto as implicações comerciais.
Apesar da intenção clara de encontrar um meio de consolo e significado na vida de Ibelin, devemos evitar generalizações apressadas sobre a validade das experiências online para todos. Devemos reconhecer a singularidade das circunstâncias de Ibelin, sem permitir que isso distorça a compreensão das interações humanas e suas complexidades.
"A Extraordinária Vida de Ibelin" toca em questões profundas e importantes, mas é vital que a audiência mantenha um senso crítico ao considerar as mensagens apresentadas.
The Improv: 60 e Ainda de Pé
2.0 18 de 10 não foram engraçados. Teve gente que entrou e saiu sem conseguir entregar ao menos uma piada boa.
Fico na dúvida se esses comediantes (que são engraçados e tem bons especiais de comédia) estavam apenas desacostumados a fazer improvisação ou se eles só queriam sabotar o evento mesmo.
Budapest, Why I Love It
4.0 1Cenas incríveis de uma Budapest nos anos 70. Pode se notar muito a arquitetura da cidade, paisagens, meios de transporte, as pessoas, as roupas e estilos da época. Tudo com Bach tocando ao fundo.
Não há uma história linear mas sim, uma coletânea de imagens cotidianas dos anos 70.
O Clube dos Anjos
3.3 14"Eu prefiro destruir os males que receio do que recear que eles me destruam"
Blonde
2.6 450 Assista AgoraNão entendi esse hate tão grande com o filme.
O filme é uma adaptação de um livro fictício, um romance. Por mais que eles digam no filme que você está conhecendo a verdadeira história sobre a Norma Jeane; você tem que entender que na verdade quem estamos conhecendo, é a personagem Norma Jeane, criada pela Joyce Carol Oates, autora do livro.
Bom, agora voltando ao filme em si. É um filme pesado e difícil de ver. O tema do filme são os traumas e as dores de Norma. Não apenas mostrando como esses traumas foram gerados, mas como eles também impactam as escolhas e ações da vida dela.
O filme não está interessado em mostrar os momentos felizes e glamorosos da vida dela. Essas cenas são mostradas em cenas rápidas, sempre junto com uma passagem de tempo.
Acredito que a intenção do filme era justamente essa, mostrar todo o acumulo de traumas em que ela sofreu até chegar o fatídico dia em que ela precisou propositalmente (ou não) tomar tantos remédios para parar essa dor. Ela teve um final trágico e acho ingênuo achar que ela não passou por todo um caminho de dificuldades até chegar esse dia.
Não acho que o filme teve nudez desnecessária.
Acho que em todos os momentos em que a atriz estava nua, o filme foi puxado para um lado artístico, como na cena de sexo do trisal ou a nudez dela era usada para mostrar vulnerabilidade, como na cena em que em ela está em casa, tranquila na cama, quando o marido chega batendo nela por ter o ego ferido.
Sobre a tão polêmica cena do encontro com o presidente.
Jamais saberemos se esse encontro algum dia foi real e se foi, como ele realmente aconteceu. No livro em que a história é baseado, a personagem se envolve sexualmente com o presidente.
Achei que o filme foi brilhante. É uma cena incômoda mas que mostra muito bem a realidade do como um homem de poder, se sentia no direito de tratar uma mulher como um objeto. A arrogância e egocentrismo do presidente deixa a cena vulgar e ainda mais incomoda.
Para intensificar ainda mais, durante o ato escutamos devaneios dissociativos de Norma dizendo coisas como "Ai Marilyn por que você sempre faz essas coisas?", enfim, uma cena pesada.
Talvez essa não tenha sido a verdadeira história de Norma e do presidente, mas tenho certeza que essa cena contou a história de uma realidade que foi vivida por diversas mulheres daquela época (e até hoje).
Homeless
3.0 2https://www.imdb.com/title/tt3140044/
A Flor Que Não Morreu
3.5 26Parece um filme da sessão da tarde. A história é fraca mas as atuações são boas. O filme é de 59 e sua produção parece bem afrente do seu tempo. A Audrey está adorável como sempre.
Claramente feito em uma época em que não existia o politicamente correto. Um pouco machista demais, mas de novo, outra época. A trilha sonora é incrível. Amo as trilhas sonoras dessa década. São sempre muito literais em relação a cena.
Amei a interpretação da Amazônia feita apenas de samambaias hahahaha
Sobre a trilha sonora: Heitor Villa-Lobos compôs uma partitura de grande parte do filme. A maioria foi rejeitada pelo estúdio. Bronislau Kaper foi contratado para escrever uma nova partitura, mas insistiu em incorporar parte da música de Villa-Lobos. Villa-Lobos retrabalhou sua partitura, resultando uma suíte chamada "Floresta do Amazonas".
Dunkirk
3.8 2,0K Assista AgoraHans Zimmer ♥
Universidade Monstros
3.9 1,8K Assista AgoraGostei porque é o primeiro filme da disney que o sonho do principal não se torna realidade. Ele vive bem com o que tem.
Amores Imaginários
3.8 1,5KAs músicas e a cena final. Já valem pelo filme inteiro.
Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos
3.0 1,4K Assista AgoraNunca li os livros e assisti pelo elenco. O filme é bem corrido, de repente eles optaram dessa forma para não ficar chato e poder colocar mais cenas de ação, mas uma explicação mais calma ia ser melhor. Talvez uma narração no inicio do filme e menos cortes iam ajudar.
O maior problema não foi a atuação, foi tudo o que acontece por trás das câmeras, o roteiro ficou confuso com diálogos babacas, a direção e os editores não souberam editar o filme, parece que tinha muita coisa pra passar, mas tiveram que cortar (de qualquer maneira) para caber. Os efeitos também não foram dos melhores, o filme ficou muito escuro, assisti no cinema e estava tentando procurar o controle pra colocar o brilho no máximo (rs).
Mas segui até o fim, a história é boa, comum, mas distrai.