Infelizmente assistido, pra não deixar de fora da filmografia desse diretor. Terminei arrependido. Gosto do Eggers, mas esse filme é sofrível e indefensável. Nota: DÓ maior.
Pra mim a diretora já supera em muito o Tarantino, sem apelar à tortura como recurso narrativo. Mas trazendo inúmeras referências do gênero. O diferencial aqui é a denúncia à machulência, em que os homens, para exercer domínio, recorrem à crueldade contra mulheres. Vivemos num sistema misógino, e a diretora consegue literalmente colocar o dedo na ferida, como mostra a cena emblemática do diálogo final: "por que mulheres sempre ficam na defensiva?". E assim, ela denuncia o silêncio dos homens, que sempre estão acobertando uns aos outros para cometerem atrocidades. Onde numa realidade nada paralela, são escrotos o bastante como ela retrata tanto nesse filme como em "A substância". Uma pessoa estuprada nunca terá justiça, as sequelas são pra toda vida. Ela merece vingança. Ainda que o filme tenha muito gore, com cenas altamente desagradáveis de assistir, a violência gráfica e a sanguinolência do filme cumprem uma estética própria que valorizam a ação e o protagonismo feminino. A francesa é muito competente, vale acompanhar cada produção dela.
"A Substância" é uma sátira perturbadora não por ser um filme de ficção à la Cronenberg, e sim por descrever piamente a realidade cruel que estamos a viver, onde mulheres buscam ingerir ovos de tênia para perder peso (google it, aqui iria marcar como spam). Todo mundo achando exagerado e se incomodando com o teor grotesco, bizarro, mas é justamente essa busca frenética e adoecedora que a diretora tentou denunciar com mestria nesse ótimo filme. A propósito, o mais horripilante pra mim foram as cenas que apareciam a machulência caquética, um bando de homem feio e acabado querendo ditar padrões de beleza femininos. Eu achei terrivelmente nojento as cenas com o Dennis Quaid, me deixaram nauseado a cada aparição dele, que tá fantástico no papel. A pressão, o terrorismo psicológico, ele é o que representa o verdadeiro horror do filme. Tem muita referência legal, como Carrie a estranha, e a figura da Medusa, que vem na cena final. A mesma sensação horripilante quando Elizabeth é vista como aberração, na qual as pessoas saíam petrificadas. É um filme memorável que merece todo reconhecimento que tem recebido, Demi Moore devia levar o Oscar.
Fora as paisagens e a trilha sonora, o filme me incomodou bastante. Não pela condução em si, não se trata de um furo de roteiro aqui, mas desse marasmo excessivo que atravessa todo o filme. De uma permissividade, torpor e letargia tão absurdos dos personagens que ao final, a sensação que dá é que eles mereciam mesmo aquela violência gratuita. Sintetizada na frase do psicopata "porque vocês deixaram". E assim caminha o ocidente rumo à autodestruição, um modelo de cultura falido condescendente com a barbárie ao seu redor pra não se indispor ou quebrar o decoro uns com os outros. Algo simples, que parece estúpido, se as pessoas tivessem a coragem, a decência e a audácia de se manifestar que não está de acordo com certas situações, evitaria apuros desnecessários.
Para um filme de fechamento da trilogia, deixou muito a desejar. O diretor fez um enredo preguiçoso aqui, trazendo apenas algumas mortes gratuitas. Nada de suspense ou horror. Eu nem colocaria no gênero slasher, pois tem mais elementos noir que tentam sustentar uma premissa um tanto óbvia, mas com muito potencial. Colocar um crente fanático como o assassino em série me agradou, porque é algo perfeitamente plausível. Fanáticos matam e morrem por qualquer causa. E seus discursos inflamados propagam sentenças de morte. É uma ideia um tanto original para se valer em filmes do gênero, pena que foi abordado de forma capenga. Mas a ambientação dos anos 80, do figurino à trilha sonora, é impecável.
Fiquei nauseado com a câmera trêmula, não me seduz nada esse tipo fake de found footage. Apesar da interessante perspectiva do gato de Schrödinger, o filme é um tanto confuso e se perde em detalhes bobos que tentam trazer dramaticidade ao enredo. Mas não me comoveu em nada, os personagens são tão descartáveis que podiam ser aniquilados em todas as realidades paralelas possíveis que ainda não fariam falta.
Achei superestimado. Desse filme, o que mais dá pra apreciar são as partidas de tênis, especialmente da cena final que é um espetáculo à parte. Apesar de esteticamente razoável, não me convenceu os saltos temporais que as legendas mais deixavam confusos do que esclareciam a linha do tempo. O filme até tem seus momentos de sensualidade, mas a triangulação amorosa é tão insossa quanto o tênis em si. Tem planos muito repetitivos que delongaram a duração do filme desnecessariamente, mas pelo menos tem Caetano pra abrilhantar a trilha.
Finalmente história de gays trambiqueiras. Ninguém aguenta mais só história de gay sofrendo. Queremos mais gays assim: gay empinando moto, gay dando tiro, etc.
O tema é bastante interessante, a obsessão um tanto psicótica do personagem com os números, especialmente em desvendar o pi. Me lembrou um excelente curso que fiz na faculdade, de lógica e filosofia da matemática. Entretanto, o ritmo desse filme não me envolveu. Apesar de gostar muito do Aronofsky, mesmo sendo o primeiro e com baixo orçamento eu esperava mais. Achei um tanto enfadonho, levei dois dias pra acabar. Mas é legal de ver o gestar criativo do diretor desde o princípio, pois esse filme dá a tônica dos demais de sua promissora carreira.
Filme bom, porém final merda e totalmente em aberto. Achei muito superior a White Lotus, o conceito é o mesmo porém menos enfadonho. Para quem gosta de filmes com ricaços se fudendo, recomendo "o Menu", bem interessante também.
Eu amo filmes que se baseiam em peças e passam a mesma ambientação de um teatro: poucos personagens, poucos cenários, em que os conflitos se desdobram com profundidade. A meu ver isso traz mais autenticidade, ainda mais se tratando de temas tão pesados como em "Mass", "Dogville", entre outros. E agora também nesse filme extremamente perturbador. "A baleia" pode ter tratado de modo polêmico o problema da compulsão alimentar e da obesidade, mas é basicamente um suicídio assistido as cenas em que Charlie descarrega todas as suas angústias na comida. Me causou um profundo mal estar, mas creio que o recado era esse mesmo, bem no estilo aronofskiano. Apesar das agruras do diretor, os diálogos também abordam crítica à religião, filosofando sobre a psicologia humana e o sentido da vida (ou falta de um). Com isso, o filme suscita reflexões bem interessantes. Questões dramáticas através de socos no estômago: assim é transmitida a mensagem do Aronofsky. Tô impactado ainda com o Brendan Fraser, o Oscar era todo dele, mais que merecido. E eu adoro os trabalhos da Hong Chau, essa atriz é maravilhosa. Quem reclama da conduta da Ellie parece desconhecer o período da adolescência, ou nunca passou pela fase. Me espanta tanto comentário infeliz a respeito disso, acho que a atriz entregou boa performance. Obviamente o abandono paterno e a dificuldade de relacionamentos da personagem a tornaram uma pessoa explosiva, irritadiça e insuportável, mas vejo mais salvação nela do que no crente. Fernanda Torres já disse numa memorável entrevista do Roda Viva: tenho pena quando um cara é tão crente na vida. Em seguida, ela diz em resposta a um repórter idiota: "não acho que o teatro vai salvar a vida de ninguém". Eu gosto muito dessa ideia, pois a Liz fala algo parecido no diálogo final: não acredito que a gente seja capaz de salvar as pessoas. Cada dia tô mais convencido disso. Nem mesmo terapia salva, se a pessoa não estiver implicada e buscando seu próprio sentido de viver e transmutar suas dores. Recentemente, perdi uma grande amiga para o suicídio, e sei que fiz tudo que podia e estava ao meu alcance para que ela não sucumbisse. Talvez eu nunca supere essa falta devastadora, mas desde que a conheci eu sabia desse risco, em função de tudo que ela já enfrentava. O que sei é que não temos controle das decisões de ninguém. Por mais que a gente faça de tudo, nunca será suficiente porque sempre escapa do nosso domínio a decisão do outro para seguir em frente ou abreviar sua própria vida. É até um tanto egoísta e megalomaníaco achar que estamos nesse poder.
Narrativa truncada, ritmo tedioso. Adormeci em três momentos, tive de voltar as cenas pra pegar os diálogos pois lá pela metade do filme estava a ponto de desistir. Não se sabe a que veio, apesar das atuações muito bonitas. Achei um marasmo irritante esse vai e vem entre passado e presente. Muito hype pra pouco conteúdo. Acho que depois de White Lotus, esse tipo de estória me traz as impressões de um grande fiasco, então não me cativou nem um pouco.
O filme é divertido, até audacioso na proposta, pois acho que Sopranos bebeu dessa fonte. Mas o gênero de filmes mafiosos me parece meio batido, já vinha desgastando até esse filme, apesar que ainda teve uma sequência que ainda não vi. Algumas situações são realmente engraçadas e caricatas, mas tem alguns diálogos esteriotipados e datados. Apesar disso, vale a pena conferir, se olhar como um filme de seu tempo, sem grandes expectativas. Eu assisti devido a um texto que discutia sobre o filme, num seminário de psicanálise.
Adorei a ambientação do filme, para uma história que se passa nos anos da gripe espanhola achei bastante competente. Entendo os clichês do diretor como boas referências aos filmes antigos, o que torna as histórias muito interessantes com tensões na medida certa, aplicados de forma sugestiva e criativa. Sem falar que esteticamente são filmes com qualidade acima da média, não apenas focando em violência gratuita. Conhecer mais a história da Pearl fez todo sentido pro gancho do filme 'X', assisti ele novamente em seguida só porque gostei muito das histórias se cruzando. No aguardo pelo terceiro filme da trilogia, que vai focar na Maxine. Mia Goth é uma atriz cativante e com potencial excepcional, a sequência final é absurdamente foda. E o Ti West não promete nada mas entrega tudo.
Gostei que a trilha original foi preservada. Mas a Pinhead andrógina não me cativou, prefiro o Doug Bradley que fazia o personagem dos mais diabólicos e sofisticados já vistos em franquias de terror. Só a voz do homem apavorava desde o filme original. A explicação para o funcionamento das recompensas coube bem aqui, inclusive o processo de surgimento de um cenobita. Mas os clichês ruins me tiraram do sério, sem falar que essa duração demorada nada foi saudosista, e sim enrolou mais do que entregou, não conseguindo manter o clímax da proposta. Ainda assim, valeu por revisitar um clássico subestimado, em meio a tantos filmes de horror descartáveis. E sr. Clive Barker, peço que melhore no enredo antes de assinar esses projetos para não ouvir ofensas nos próximos filmes. Não é porque vc lançou um filme memorável que deve se manter relapso ao revisitar a história.
Por inserir aliens na trama, eu achei interessante e fui com grande expectativa. Mas depois de assistir senti que foi aquém do esperado. Apesar de ter alguns pontos clichês do gênero, o Peele aborda tudo de forma esteticamente competente: criatura desconhecida que engole quem a vê, lugar inóspito, mistério sobre como ela funciona. É uma fórmula desgastada, porém boa dependendo de como se apresenta. Não tem nada de inovador, mas ele faz alusão a bons filmes desse gênero, como "a Bruma Assassina", e "O enigma do outro mundo" do John Carpenter, clássicos dos anos 1980 que recomendo MUITO. Mas para o que é entregue nesse, eu cortaria pelo menos meia hora de filme. Saiu demasiado longo para a proposta, pois sustentar o clímax por mais de duas horas é para poucos, e esse não foi um deles.
O gênero slasher parecia tão saturado que cansei de revisitar. Mas esse valeu super a pena. Vilões um tanto inusitados, o que traz uma originalidade em relação a outros filmes do gênero, até então focados somente em pessoas de comportamento aberrante. De aberrante não vi nada, pelo contrário: o filme foca em algo banal, demasiado humano; nada mais é do que uma pessoa tentando obstinadamente satisfazer seus apetites sexuais há muito tempo represados. Gostei tanto que assim que sair, verei a história da Pearl no filme sobre ela. Eu não sei o que as pessoas esperavam desse filme, mas eu assisti sem compromisso e adorei. Sem pretensão alguma, o filme não prometeu nada e entregou tudo: uma alucinante jornada de uma senhora idosa em busca de prazer, estimulada pelas cenas picantes que foram gravadas em sua propriedade, então alocada pelo grupo para a produção de um filme erótico. Eu adorei as referências dos filmes antigos (sobretudo na cena da porta quebrando com o machado, que remete ao "Iluminado"), mas gostei ainda mais da ácida crítica à moral hipócrita pregada pelos protestantes fundamentalistas, que ainda insistem em reprimir violentamente os instintos sexuais - como se isso fosse possível de aprisionar, e não escapasse em nenhuma esfera da vida humana. O final é a cereja do bolo: filha de pastor que fugiu da família para se tornar atriz de filmes adultos. A morte do véio foi das coisas mais grotescas e caricatas que eu já vi em filmes slasher, me rendeu boas gargalhadas. E o melhor de tudo é que ainda deixa uma brecha para lançar outros filmes em continuidade à história. Já imaginei várias narrativas possíveis que inclui um novo filme sobre os desdobramentos da sobrevivente, pois sou desses.
Bem paia. Achei meio pombo, meio merda. Fiquei decepcionado porque adoro as produções dinamarquesas no geral. Esse filme tem atores da série Borgen, muito boa inclusive. Mas não convence, pois o roteiro é cheio de furos mirabolantes pra sustentar a estória. Tem um corte grotesco já pro final do filme em que a esposa tava no hotel e do nada cortam para o confronto com a amante, achei muito medonho. Tudo muito conveniente e raso, o policial narrando é um tédio e, ao que parece, em todo tempo fica aquela coisa absurda de uma investigação atrapalhada que beira à má vontade dos policiais. O pretexto para a traição é mal desenvolvido, a doença do filho pouco explicada pra justificar o abismo do casal. Enfim, não recomendo. Para quem gosta do gênero, prefira assistir "Infidelidade", do Adrien Lyne. É um filme que já tem 20 anos desde seu lançamento, mas tem uma qualidade superior a esse.
Eu queria uma série focada em outros aspectos sobre os gatos. Entendi que a proposta foi a psicologia deles, do funcionamento misterioso e encantador. Mas também assisti consciente que foi um conteúdo voltado para um público leigo, para pessoas que veneram gatos como eu e tantos outros que marcaram aqui como visto, o documentário é bastante lacônico. E peca um pouco na relação utilitarista com os felinos. Minha primeira gata comecei a cuidar num período de grande fragilidade emocional, mas a experiência me fez tão bem que adotei outro após dois anos, e não me vejo mais sem eles. A evolução e a necessidade de sobreviverem tornaram a espécie atrativa para os humanos, mas essa relação não se resume apenas à função que eles cumpriram desde tempos antigos como caçadores de ratos. Além dessa utilidade, se derivou uma forma de amor genuíno, leal e sincero (só quem se permite cuidar de um gato sabe disso). Pena que nem todos pensam assim e não respeitam os gatos, sem se dar a chance de os reconhecerem como animais extremamente graciosos e sociáveis. Me parece que isso condiz com uma personalidade abusiva e autoritária, que aprecia relações de subalternação, totalmente contra a natureza dos felinos. Eu tive um professor que postava no FB, sem pudor algum, que detestava gatos ao ponto ridículo de dizer que seu cachorro (de grande porte) era estimulado a caça-los por esporte. Ele continua na ativa como professor na primeira universidade que estudei, um lugar decrépito e mau gerido há anos (mesmo sendo uma universidade federal) e que, lamentavelmente, está presenciando uma matança de gatos no campus devido ao abandono de cães que ocorreu na pandemia. Eu acho não apenas escroto, mas tenho pra mim que quem tem aversão a gatos tende a ser um tanto mau caráter, mas isso demanda outros estudos psicológicos (humanos), espero que ainda sejam realizados. Enquanto a humanidade difamar os gatos e sua forma de amar autonomista, nossa espécie merece ser aniquilada pela peste. Que pague o preço de sua ignorância.
Assisti esse filme depois de anos enrolando pra ver. Essas histórias me arrasam, mas ao mesmo tempo sei que é fundamental pra entender que não existe limites pra miséria humana. Mesmo sob as piores sevíceas, nunca devemos duvidar da monstruosidade do outro. Em contextos de desumanização, sempre vai aparecer alguém pra sacanear ainda mais a pessoa que já vive sem dignidade alguma. E o filme mostra bem isso, um retrato da desastrosa transição de países com economia planificada para uma economia neoliberal. Pra tornar a experiência ainda mais devastadora, vi o filme no mesmo dia que uma amiga havia me relatado, sete meses após o ocorrido, que havia sido abusada por um ente até então querido da família. Isso me transtornou de tal forma que acabei tomando coragem para ver o filme de uma vez. Mas não tenho estômago para assistir de novo, assim como não pretendo rever Irreversível, do Gaspar Noé. Achei, porém, o filme mais sensível e até mais genial, ao gravar em primeiro plano as cenas da prostituição nas quais as sensações do estupro e mal estar recaem completamente no próprio espectador. Eu acompanharia novamente a exibição desse filme apenas para fins pedagógicos sobre tráfico humano e escravidão sexual, num contexto bem específico de uma aula sobre o tema, só. Não dá pra suportar novamente uma experiência tão violenta, mesmo porque não muda em nada o dado mais cruel: que a humanidade é verdadeiramente escrota, e sempre consegue se superar em perversidades.
Não ficou muito esclarecido pra mim como ela conseguiu ficar com a Diabla; a cadela foi tomada pelo filho, depois sumiu e no final reaparece sob a tutela da Marina. Apesar de achar algumas pontas soltas, o filme é fundamental para revelar como as pessoas trans são negadas de sua humanidade, desde o afeto até a vivência de um luto, algo tão necessário pro nosso aparelho psíquico. É revoltante demais ver o engodo da pseudocivilidade de pessoas que querem parecer educadas, respeitosas, agindo até com suposta docilidade, mas tratam uma mulher trans como coisa abjeta pelo simples fato de ela ser diferente. A violência simbólica e física sofrida por Marina mostra bem o despreparo e a dessensibilização de tantas pessoas, desde gente simples a funcionários do Estado. É um filme comovente, e assisti num contexto bastante triste, em que uma jovem trans amiga de infância da minha irmã foi assassinada ontem, por razões mal esclarecidas. Mais uma pessoa trans que vira estatística trágica, no país que mais persegue e mata pessoas transsexuais. Diariamente, vemos Marinas tentando sobreviver, infelizmente nem sempre elas conseguem como a do filme.
Gostaria de ter visto chapado para uma experiência ainda mais imersiva, pena que parei de fumar maconha no ano de lançamento desse filme. Gostei muito dos fractais, me lembrou os clipes da Björk. Os efeitos são bonitos, mas a história tem altos e baixos. Achei o mais fraco do Alex Garland, mesmo com todo esse elenco chamariz.
Bom Menino
2.9 158 Assista AgoraMeia estrela pela única estrela do filme, o cachorro. De resto, sofrido e esquecível. Gostaria de não ter visto essa bomba.
O Farol
3.8 1,7K Assista AgoraInfelizmente assistido, pra não deixar de fora da filmografia desse diretor. Terminei arrependido. Gosto do Eggers, mas esse filme é sofrível e indefensável. Nota: DÓ maior.
Vingança
3.2 670 Assista AgoraPra mim a diretora já supera em muito o Tarantino, sem apelar à tortura como recurso narrativo. Mas trazendo inúmeras referências do gênero. O diferencial aqui é a denúncia à machulência, em que os homens, para exercer domínio, recorrem à crueldade contra mulheres. Vivemos num sistema misógino, e a diretora consegue literalmente colocar o dedo na ferida, como mostra a cena emblemática do diálogo final: "por que mulheres sempre ficam na defensiva?". E assim, ela denuncia o silêncio dos homens, que sempre estão acobertando uns aos outros para cometerem atrocidades. Onde numa realidade nada paralela, são escrotos o bastante como ela retrata tanto nesse filme como em "A substância". Uma pessoa estuprada nunca terá justiça, as sequelas são pra toda vida. Ela merece vingança. Ainda que o filme tenha muito gore, com cenas altamente desagradáveis de assistir, a violência gráfica e a sanguinolência do filme cumprem uma estética própria que valorizam a ação e o protagonismo feminino. A francesa é muito competente, vale acompanhar cada produção dela.
A Substância
3.9 1,9K Assista Agora"A Substância" é uma sátira perturbadora não por ser um filme de ficção à la Cronenberg, e sim por descrever piamente a realidade cruel que estamos a viver, onde mulheres buscam ingerir ovos de tênia para perder peso (google it, aqui iria marcar como spam). Todo mundo achando exagerado e se incomodando com o teor grotesco, bizarro, mas é justamente essa busca frenética e adoecedora que a diretora tentou denunciar com mestria nesse ótimo filme. A propósito, o mais horripilante pra mim foram as cenas que apareciam a machulência caquética, um bando de homem feio e acabado querendo ditar padrões de beleza femininos. Eu achei terrivelmente nojento as cenas com o Dennis Quaid, me deixaram nauseado a cada aparição dele, que tá fantástico no papel. A pressão, o terrorismo psicológico, ele é o que representa o verdadeiro horror do filme. Tem muita referência legal, como Carrie a estranha, e a figura da Medusa, que vem na cena final. A mesma sensação horripilante quando Elizabeth é vista como aberração, na qual as pessoas saíam petrificadas. É um filme memorável que merece todo reconhecimento que tem recebido, Demi Moore devia levar o Oscar.
Não Fale o Mal
3.6 822 Assista AgoraFora as paisagens e a trilha sonora, o filme me incomodou bastante. Não pela condução em si, não se trata de um furo de roteiro aqui, mas desse marasmo excessivo que atravessa todo o filme. De uma permissividade, torpor e letargia tão absurdos dos personagens que ao final, a sensação que dá é que eles mereciam mesmo aquela violência gratuita. Sintetizada na frase do psicopata "porque vocês deixaram". E assim caminha o ocidente rumo à autodestruição, um modelo de cultura falido condescendente com a barbárie ao seu redor pra não se indispor ou quebrar o decoro uns com os outros. Algo simples, que parece estúpido, se as pessoas tivessem a coragem, a decência e a audácia de se manifestar que não está de acordo com certas situações, evitaria apuros desnecessários.
MaXXXine
3.1 675 Assista AgoraPara um filme de fechamento da trilogia, deixou muito a desejar. O diretor fez um enredo preguiçoso aqui, trazendo apenas algumas mortes gratuitas. Nada de suspense ou horror. Eu nem colocaria no gênero slasher, pois tem mais elementos noir que tentam sustentar uma premissa um tanto óbvia, mas com muito potencial. Colocar um crente fanático como o assassino em série me agradou, porque é algo perfeitamente plausível. Fanáticos matam e morrem por qualquer causa. E seus discursos inflamados propagam sentenças de morte. É uma ideia um tanto original para se valer em filmes do gênero, pena que foi abordado de forma capenga. Mas a ambientação dos anos 80, do figurino à trilha sonora, é impecável.
O Mal Que Nos Habita
3.5 808 Assista AgoraPodre de ruim. Primeiro filme argentino que vi e achei péssimo.
Coerência
4.0 1,4KFiquei nauseado com a câmera trêmula, não me seduz nada esse tipo fake de found footage. Apesar da interessante perspectiva do gato de Schrödinger, o filme é um tanto confuso e se perde em detalhes bobos que tentam trazer dramaticidade ao enredo. Mas não me comoveu em nada, os personagens são tão descartáveis que podiam ser aniquilados em todas as realidades paralelas possíveis que ainda não fariam falta.
Rivais
3.6 575 Assista AgoraAchei superestimado. Desse filme, o que mais dá pra apreciar são as partidas de tênis, especialmente da cena final que é um espetáculo à parte. Apesar de esteticamente razoável, não me convenceu os saltos temporais que as legendas mais deixavam confusos do que esclareciam a linha do tempo. O filme até tem seus momentos de sensualidade, mas a triangulação amorosa é tão insossa quanto o tênis em si. Tem planos muito repetitivos que delongaram a duração do filme desnecessariamente, mas pelo menos tem Caetano pra abrilhantar a trilha.
Saltburn
3.5 932Finalmente história de gays trambiqueiras. Ninguém aguenta mais só história de gay sofrendo. Queremos mais gays assim: gay empinando moto, gay dando tiro, etc.
Pi
3.8 770 Assista AgoraO tema é bastante interessante, a obsessão um tanto psicótica do personagem com os números, especialmente em desvendar o pi. Me lembrou um excelente curso que fiz na faculdade, de lógica e filosofia da matemática. Entretanto, o ritmo desse filme não me envolveu. Apesar de gostar muito do Aronofsky, mesmo sendo o primeiro e com baixo orçamento eu esperava mais. Achei um tanto enfadonho, levei dois dias pra acabar. Mas é legal de ver o gestar criativo do diretor desde o princípio, pois esse filme dá a tônica dos demais de sua promissora carreira.
Triângulo da Tristeza
3.6 776 Assista AgoraFilme bom, porém final merda e totalmente em aberto. Achei muito superior a White Lotus, o conceito é o mesmo porém menos enfadonho. Para quem gosta de filmes com ricaços se fudendo, recomendo "o Menu", bem interessante também.
A Baleia
4.0 1,2K Assista AgoraEu amo filmes que se baseiam em peças e passam a mesma ambientação de um teatro: poucos personagens, poucos cenários, em que os conflitos se desdobram com profundidade. A meu ver isso traz mais autenticidade, ainda mais se tratando de temas tão pesados como em "Mass", "Dogville", entre outros. E agora também nesse filme extremamente perturbador. "A baleia" pode ter tratado de modo polêmico o problema da compulsão alimentar e da obesidade, mas é basicamente um suicídio assistido as cenas em que Charlie descarrega todas as suas angústias na comida. Me causou um profundo mal estar, mas creio que o recado era esse mesmo, bem no estilo aronofskiano. Apesar das agruras do diretor, os diálogos também abordam crítica à religião, filosofando sobre a psicologia humana e o sentido da vida (ou falta de um). Com isso, o filme suscita reflexões bem interessantes. Questões dramáticas através de socos no estômago: assim é transmitida a mensagem do Aronofsky.
Tô impactado ainda com o Brendan Fraser, o Oscar era todo dele, mais que merecido. E eu adoro os trabalhos da Hong Chau, essa atriz é maravilhosa. Quem reclama da conduta da Ellie parece desconhecer o período da adolescência, ou nunca passou pela fase. Me espanta tanto comentário infeliz a respeito disso, acho que a atriz entregou boa performance. Obviamente o abandono paterno e a dificuldade de relacionamentos da personagem a tornaram uma pessoa explosiva, irritadiça e insuportável, mas vejo mais salvação nela do que no crente. Fernanda Torres já disse numa memorável entrevista do Roda Viva: tenho pena quando um cara é tão crente na vida. Em seguida, ela diz em resposta a um repórter idiota: "não acho que o teatro vai salvar a vida de ninguém". Eu gosto muito dessa ideia, pois a Liz fala algo parecido no diálogo final: não acredito que a gente seja capaz de salvar as pessoas. Cada dia tô mais convencido disso. Nem mesmo terapia salva, se a pessoa não estiver implicada e buscando seu próprio sentido de viver e transmutar suas dores. Recentemente, perdi uma grande amiga para o suicídio, e sei que fiz tudo que podia e estava ao meu alcance para que ela não sucumbisse. Talvez eu nunca supere essa falta devastadora, mas desde que a conheci eu sabia desse risco, em função de tudo que ela já enfrentava. O que sei é que não temos controle das decisões de ninguém. Por mais que a gente faça de tudo, nunca será suficiente porque sempre escapa do nosso domínio a decisão do outro para seguir em frente ou abreviar sua própria vida. É até um tanto egoísta e megalomaníaco achar que estamos nesse poder.
Aftersun
4.0 792Narrativa truncada, ritmo tedioso. Adormeci em três momentos, tive de voltar as cenas pra pegar os diálogos pois lá pela metade do filme estava a ponto de desistir. Não se sabe a que veio, apesar das atuações muito bonitas. Achei um marasmo irritante esse vai e vem entre passado e presente. Muito hype pra pouco conteúdo. Acho que depois de White Lotus, esse tipo de estória me traz as impressões de um grande fiasco, então não me cativou nem um pouco.
Máfia no Divã
3.5 216 Assista AgoraO filme é divertido, até audacioso na proposta, pois acho que Sopranos bebeu dessa fonte. Mas o gênero de filmes mafiosos me parece meio batido, já vinha desgastando até esse filme, apesar que ainda teve uma sequência que ainda não vi. Algumas situações são realmente engraçadas e caricatas, mas tem alguns diálogos esteriotipados e datados. Apesar disso, vale a pena conferir, se olhar como um filme de seu tempo, sem grandes expectativas. Eu assisti devido a um texto que discutia sobre o filme, num seminário de psicanálise.
Pearl
3.9 1,2K Assista AgoraAdorei a ambientação do filme, para uma história que se passa nos anos da gripe espanhola achei bastante competente. Entendo os clichês do diretor como boas referências aos filmes antigos, o que torna as histórias muito interessantes com tensões na medida certa, aplicados de forma sugestiva e criativa. Sem falar que esteticamente são filmes com qualidade acima da média, não apenas focando em violência gratuita. Conhecer mais a história da Pearl fez todo sentido pro gancho do filme 'X', assisti ele novamente em seguida só porque gostei muito das histórias se cruzando. No aguardo pelo terceiro filme da trilogia, que vai focar na Maxine. Mia Goth é uma atriz cativante e com potencial excepcional, a sequência final é absurdamente foda. E o Ti West não promete nada mas entrega tudo.
Hellraiser
3.2 424 Assista AgoraGostei que a trilha original foi preservada. Mas a Pinhead andrógina não me cativou, prefiro o Doug Bradley que fazia o personagem dos mais diabólicos e sofisticados já vistos em franquias de terror. Só a voz do homem apavorava desde o filme original. A explicação para o funcionamento das recompensas coube bem aqui, inclusive o processo de surgimento de um cenobita. Mas os clichês ruins me tiraram do sério, sem falar que essa duração demorada nada foi saudosista, e sim enrolou mais do que entregou, não conseguindo manter o clímax da proposta. Ainda assim, valeu por revisitar um clássico subestimado, em meio a tantos filmes de horror descartáveis. E sr. Clive Barker, peço que melhore no enredo antes de assinar esses projetos para não ouvir ofensas nos próximos filmes. Não é porque vc lançou um filme memorável que deve se manter relapso ao revisitar a história.
Não! Não Olhe!
3.5 1,4K Assista AgoraPor inserir aliens na trama, eu achei interessante e fui com grande expectativa. Mas depois de assistir senti que foi aquém do esperado. Apesar de ter alguns pontos clichês do gênero, o Peele aborda tudo de forma esteticamente competente: criatura desconhecida que engole quem a vê, lugar inóspito, mistério sobre como ela funciona. É uma fórmula desgastada, porém boa dependendo de como se apresenta. Não tem nada de inovador, mas ele faz alusão a bons filmes desse gênero, como "a Bruma Assassina", e "O enigma do outro mundo" do John Carpenter, clássicos dos anos 1980 que recomendo MUITO. Mas para o que é entregue nesse, eu cortaria pelo menos meia hora de filme. Saiu demasiado longo para a proposta, pois sustentar o clímax por mais de duas horas é para poucos, e esse não foi um deles.
X: A Marca da Morte
3.4 1,3K Assista AgoraO gênero slasher parecia tão saturado que cansei de revisitar. Mas esse valeu super a pena. Vilões um tanto inusitados, o que traz uma originalidade em relação a outros filmes do gênero, até então focados somente em pessoas de comportamento aberrante. De aberrante não vi nada, pelo contrário: o filme foca em algo banal, demasiado humano; nada mais é do que uma pessoa tentando obstinadamente satisfazer seus apetites sexuais há muito tempo represados. Gostei tanto que assim que sair, verei a história da Pearl no filme sobre ela. Eu não sei o que as pessoas esperavam desse filme, mas eu assisti sem compromisso e adorei. Sem pretensão alguma, o filme não prometeu nada e entregou tudo: uma alucinante jornada de uma senhora idosa em busca de prazer, estimulada pelas cenas picantes que foram gravadas em sua propriedade, então alocada pelo grupo para a produção de um filme erótico. Eu adorei as referências dos filmes antigos (sobretudo na cena da porta quebrando com o machado, que remete ao "Iluminado"), mas gostei ainda mais da ácida crítica à moral hipócrita pregada pelos protestantes fundamentalistas, que ainda insistem em reprimir violentamente os instintos sexuais - como se isso fosse possível de aprisionar, e não escapasse em nenhuma esfera da vida humana. O final é a cereja do bolo: filha de pastor que fugiu da família para se tornar atriz de filmes adultos. A morte do véio foi das coisas mais grotescas e caricatas que eu já vi em filmes slasher, me rendeu boas gargalhadas. E o melhor de tudo é que ainda deixa uma brecha para lançar outros filmes em continuidade à história. Já imaginei várias narrativas possíveis que inclui um novo filme sobre os desdobramentos da sobrevivente, pois sou desses.
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Um Marido Fiel
3.1 176 Assista AgoraBem paia. Achei meio pombo, meio merda. Fiquei decepcionado porque adoro as produções dinamarquesas no geral. Esse filme tem atores da série Borgen, muito boa inclusive. Mas não convence, pois o roteiro é cheio de furos mirabolantes pra sustentar a estória. Tem um corte grotesco já pro final do filme em que a esposa tava no hotel e do nada cortam para o confronto com a amante, achei muito medonho. Tudo muito conveniente e raso, o policial narrando é um tédio e, ao que parece, em todo tempo fica aquela coisa absurda de uma investigação atrapalhada que beira à má vontade dos policiais. O pretexto para a traição é mal desenvolvido, a doença do filho pouco explicada pra justificar o abismo do casal. Enfim, não recomendo. Para quem gosta do gênero, prefira assistir "Infidelidade", do Adrien Lyne. É um filme que já tem 20 anos desde seu lançamento, mas tem uma qualidade superior a esse.
Dentro da Mente de um Gato
3.9 75Eu queria uma série focada em outros aspectos sobre os gatos. Entendi que a proposta foi a psicologia deles, do funcionamento misterioso e encantador. Mas também assisti consciente que foi um conteúdo voltado para um público leigo, para pessoas que veneram gatos como eu e tantos outros que marcaram aqui como visto, o documentário é bastante lacônico. E peca um pouco na relação utilitarista com os felinos. Minha primeira gata comecei a cuidar num período de grande fragilidade emocional, mas a experiência me fez tão bem que adotei outro após dois anos, e não me vejo mais sem eles.
A evolução e a necessidade de sobreviverem tornaram a espécie atrativa para os humanos, mas essa relação não se resume apenas à função que eles cumpriram desde tempos antigos como caçadores de ratos. Além dessa utilidade, se derivou uma forma de amor genuíno, leal e sincero (só quem se permite cuidar de um gato sabe disso). Pena que nem todos pensam assim e não respeitam os gatos, sem se dar a chance de os reconhecerem como animais extremamente graciosos e sociáveis.
Me parece que isso condiz com uma personalidade abusiva e autoritária, que aprecia relações de subalternação, totalmente contra a natureza dos felinos. Eu tive um professor que postava no FB, sem pudor algum, que detestava gatos ao ponto ridículo de dizer que seu cachorro (de grande porte) era estimulado a caça-los por esporte. Ele continua na ativa como professor na primeira universidade que estudei, um lugar decrépito e mau gerido há anos (mesmo sendo uma universidade federal) e que, lamentavelmente, está presenciando uma matança de gatos no campus devido ao abandono de cães que ocorreu na pandemia.
Eu acho não apenas escroto, mas tenho pra mim que quem tem aversão a gatos tende a ser um tanto mau caráter, mas isso demanda outros estudos psicológicos (humanos), espero que ainda sejam realizados. Enquanto a humanidade difamar os gatos e sua forma de amar autonomista, nossa espécie merece ser aniquilada pela peste. Que pague o preço de sua ignorância.
Para Sempre Lilya
4.2 888Assisti esse filme depois de anos enrolando pra ver. Essas histórias me arrasam, mas ao mesmo tempo sei que é fundamental pra entender que não existe limites pra miséria humana. Mesmo sob as piores sevíceas, nunca devemos duvidar da monstruosidade do outro. Em contextos de desumanização, sempre vai aparecer alguém pra sacanear ainda mais a pessoa que já vive sem dignidade alguma. E o filme mostra bem isso, um retrato da desastrosa transição de países com economia planificada para uma economia neoliberal. Pra tornar a experiência ainda mais devastadora, vi o filme no mesmo dia que uma amiga havia me relatado, sete meses após o ocorrido, que havia sido abusada por um ente até então querido da família. Isso me transtornou de tal forma que acabei tomando coragem para ver o filme de uma vez. Mas não tenho estômago para assistir de novo, assim como não pretendo rever Irreversível, do Gaspar Noé. Achei, porém, o filme mais sensível e até mais genial, ao gravar em primeiro plano as cenas da prostituição nas quais as sensações do estupro e mal estar recaem completamente no próprio espectador. Eu acompanharia novamente a exibição desse filme apenas para fins pedagógicos sobre tráfico humano e escravidão sexual, num contexto bem específico de uma aula sobre o tema, só. Não dá pra suportar novamente uma experiência tão violenta, mesmo porque não muda em nada o dado mais cruel: que a humanidade é verdadeiramente escrota, e sempre consegue se superar em perversidades.
Uma Mulher Fantástica
4.1 429 Assista AgoraNão ficou muito esclarecido pra mim como ela conseguiu ficar com a Diabla; a cadela foi tomada pelo filho, depois sumiu e no final reaparece sob a tutela da Marina. Apesar de achar algumas pontas soltas, o filme é fundamental para revelar como as pessoas trans são negadas de sua humanidade, desde o afeto até a vivência de um luto, algo tão necessário pro nosso aparelho psíquico. É revoltante demais ver o engodo da pseudocivilidade de pessoas que querem parecer educadas, respeitosas, agindo até com suposta docilidade, mas tratam uma mulher trans como coisa abjeta pelo simples fato de ela ser diferente. A violência simbólica e física sofrida por Marina mostra bem o despreparo e a dessensibilização de tantas pessoas, desde gente simples a funcionários do Estado. É um filme comovente, e assisti num contexto bastante triste, em que uma jovem trans amiga de infância da minha irmã foi assassinada ontem, por razões mal esclarecidas. Mais uma pessoa trans que vira estatística trágica, no país que mais persegue e mata pessoas transsexuais. Diariamente, vemos Marinas tentando sobreviver, infelizmente nem sempre elas conseguem como a do filme.
Aniquilação
3.4 1,6K Assista AgoraGostaria de ter visto chapado para uma experiência ainda mais imersiva, pena que parei de fumar maconha no ano de lançamento desse filme. Gostei muito dos fractais, me lembrou os clipes da Björk. Os efeitos são bonitos, mas a história tem altos e baixos. Achei o mais fraco do Alex Garland, mesmo com todo esse elenco chamariz.