Desde Turning Red que um filme da Pixar não me deixava completamente tocado, sensibilizado e impactado. Primeiro que é um filme que fala de muita coisa pertinente e importante: o combate ao desmatamento, a preservação do meio ambiente, a classe política sociopata e cínica, o impacto negativo do capitalismo no mundo, a união e organização das classes menos favorecidas contra os dominantes, a não violência e tentativa do dialógo até onde for possível. O personagem do Rei George me lembrou o Principe Ashitaka de Princesa Mononoke. Guardadas as devidas proporções ambos estão no meio de um conflito e querem mediar da forma que for melhor pra todo mundo sem condenar ou destruir nenhum dos lados mesmo que um esteja visivelmente muito mais errado que outro. E segundo (e agora vem a parte mais empolgante pra mim)
é um filme completamente engraçado e imprevísivel. De certa forma me senti como quando assisti Parasita pela primeira vez, ou como quando assisti Weapons. Sem sequer conseguir conceber todos os acontecimentos que viriam a seguir, é um filme que se beneficia muito se você for assistir sem saber absolutamente nada sobre a história. Uma das cenas mais marcantes é quando aquela que é claramente a vilã do filme pela composição da personagem em cena, pelo seu discurso, e pelo trabalho de divulgação prévio é morta em questão de segundos como se não fosse nada. O choque total meu e de todos no cinema seguido dos risos nervosos pela cena que se segue é uma das experiências mais incriveis que eu tive com filmes esse ano, e foi brilhantemente conduzido pelo diretor pra provocar exatamente todas essas reações. Fora a parte da emoção bem comum aos filmes da Pixar que também tá bem presente. E tem um tubarão gigante horripilante sendo içado por pássaros, gente, tem coisa mais diferente e mais original que isso? Pra melhorar tudo o tubarão ainda tem uma voz feminina calorosa e se chama Diane o que me quebrou muito KKKKKKKKKKKKKK É um filme que não tem medo de ousar, eu sinto que nenhuma decisão narrativa por mais absurda que fosse foi censurada ou descartada, tá tudo em tela e isso que dá a maior força pro filme.
A Pixar finalmente voltou aos eixos! Agora esperamos que não saia mais e que Toy Story 5 seja perfeito como todos os outros filmes anteriores da franquia! Agora um adendo que não tira em nada qualidade do filme mais vale a pena comentar, já que eu citei Weapons, assim como o filme de terror do ano passado esse também foi completamente sabotado pelo marketing brasileiro, que título mais tosco, genêrico e que não diz nada sobre o filme. Custava chamar de Saltadores?
Achei inferior que o filme anterior, menos coeso, com uma estrutura narrativa mais estranha, com uma diminuição muito significativa da participação do protagonista Spike que tanto tinha me cativado. Mas eu ainda amo esse universo do Alex Garland, amo o memorial aos mortos, amo tudo sobre o personagem Ian Kelson, amo tudo sobre a mitologia... Amo como esses novos filmes conseguem homenagear e seguir o legado do filme original ao mesmo tempo que conseguem criar uma personalidade nova própria. Continuam tendo minha atenção e meu coração.
É uma vibe bem Terrence Malick até pra mim que conheço pouquíssimo da obra dele e não gosto do seu único filme que assisti Mas desse eu gostei bastante, então até segunda ordem é melhor que Terrence Malick pra mim
Porque esse filme existe? Eu me perguntava antes de assistir, e agora tendo já assistido continuo me perguntando. Porque esse filme existe? Não me entenda mal, não tô querendo julgar nada nem ninguém, nem colocando algum juízo de valor nisso. Nada contra quem curte uns cara correndo de carro. E o filme mesmo não me ofendeu, até me entreteve. A minha questão é genuinamente não entender o que leva alguém a fazer esse filme. Que pessoa tava em casa e do nada pensou "Porque a gente não chama o Brad Pitt pra fazer um filme de Fórmula 1, e sabe qual pode ser o título que eu pensei aqui agora? Fórmula 1" Será que eles tão em baixa no mercado e tão tentando atrair mais gente pelo cinema? Porque poderia ser qualquer corrida de carro com outro nome, poderia ter qualquer título gênerico de drama esportivo. Mas não... Chama Fórmula 1 e é simplesmente sobre Fórmula 1. Eu se fosse eles teria medo de gastar o título na primeira oportunidade que aparece porque vai que daqui 10 anos surge um roteiro incrível e impecável e aí eles não podem mais usar a marca porque já foi usada nesse aqui? Fora que é uma marca que engloba muita coisa, é a assinatura que representa todo o universo dos carros, dos pilotos, desse mundo das corridas, do legado... você acha que esse filme específico vai conseguir representar tudo isso pra um alienígena que caísse na terra hoje e não soubesse nada a respeito? Esse filme seria uma maneira legal de apresentar? Eles devem ter achado que sim. E tá tudo certo. Mas eu enxergando propósito ou não, o fato é que o filme existe e é aceitável. Longe de ser inovador e revolucionário. Longe de me tocar e me empolgar como Top Gun Maverick, filme anterior do diretor, mesmo a trama dos dois filmes sendo idênticas. Mas é aceitável.
Esse é o terceiro filme que eu vejo da diretora Kaouther Ben Hania, e eu já posso concluir como ela é genial ao sempre buscar inovar na narrativa que conta. Em As 4 Filhas de Olfa ela fez isso ao mesclar pessoas reais com atores, documentário com dramatização. E aqui ela faz o mesmo ao decidir sabiamente utilizar os áudios reais da menina que dá nome ao título e vídeos reais da equipe do Crescente Vermelho mesclado com a dramatização. Quase no finzinho do filme eu cheguei a torcer muito e implorar por dentro pra que a diretora não dilacerasse o meu coração e ousasse mais uma última inovação de narrativa. (Uma que um diretor americano que não vale a pena mencionar ainda mais nesse contexto já empregou algumas vezes em seus filmes ambientados em períodos históricos e uma que também já foi usada de forma catártica em um filme do Joe Wright cujo título não revelarei pra não estragar a experiência de ninguém). Eu tô falando de simplesmente substituir o final doloroso verdadeiro por um final mais feliz ou no mínimo otimista, pelo menos nesse filme a garotinha poderia ter um final feliz que pros países que não tão sendo bombardeados significa uma vida normal de criança. Depois a diretora escurece a tela com uma mensagem assolando a todos com a verdade e com a denúncia. Isso era o que eu pensava. Mas quem eu acho que sou? Eu querendo um final mais palatável por puro egoísmo, pra que eu possa me sentir melhor na minha casa confortável? Mas a realidade não pode ser mudada, as pessoas morreram de verdade em Gaza enquanto o mundo assistia sem fazer nada. Milhares de pessoas, milhares de homens, mulheres e crianças, milhares de Hind Rajab que não podem ter seus destinos reescritos como se fossem roteiros de filmes. É trágico, é doloroso, é terrível apenas testemunhar de longe o horror. Imagina como deve ter sido pra quem viveu e morreu sob ele? Então não existe outra forma de abordar o inaceitável que não seja com um final extremamente difícil de aceitar.
Não é nem de longe o primeiro filme iraniano que eu vejo mas é o primeiro desse diretor, cuja a obra ainda não conheço. E eu em hipótese nenhuma tava esperando que tivesse um quê de comédia. Isso foi uma grata surpresa. Me peguei em vários momentos achando divertido. Acho que no final o filme não sabe como acabar e recorre a um final rápido e aquém de tudo que vinha sendo apresentado antes. Mas eu gostei muito apesar disso.
É exatamente o que eu achava que fosse, um filme fraquinho, clichê e previsível. Mas até que me manteve entretido por algum tempo, eu tenho um fraco por filme de gente surtada.
Achei meio sem propósito, a tragédia pela tragédia, não me remeteu a nada, nem me levou a nenhuma reflexão. E eu juro que isso não tem nada a ver com a piadinha irônica do diretor com o Brasil e o cinema brasileiro, eu não sou uma pessoa rancorosa nem sou de me importar com deboche alheio. Fui de coração aberto pra gostar e ser tocado pelo filme, só não rolou.
Eu não sou uma pessoa difícil de agradar, se você me der humor ácido e crítica ao capitalismo você já me ganha. O Bong Joon Ho já me entregou isso em toda a filmografia dele praticamente, agora chegou a vez do seu estimado conterrâneo que eu admiro muito me entregar também. Eu recebi e amei cada segundo.
Um filme que começa com Forever Young numa das sequências mais ousadas e únicas que o cinema produziu esse ano e termina com Tears for Fears não tem como ser um filme ruim. Tem talvez a melhor performance da vida do menino Timothee e tem tudo que eu amo no cinema dos irmãos Safdie só que agora numa ambientação de época e com a assinatura só de um dos irmãos. Mas o outro não fez falta, com todo respeito a ele, vou até assistir o filme dele com o The Rock pra ver se eu gosto também.
Assistindo pela primeira vez pra poder rever o filme mais recente do diretor. E como eu demorei pra ver esse... Deveria ter me deliciado muito antes com essa maravilhosa história de amor "parkchanwookiana"
Primeira coisa: Que pessoas tão imaturas são essas que não conseguem cogitar a possibilidade de encontrarem uma eternidade em comum pra viverem juntos? Quem disse que precisa escolher um? Porque tem que escolher um? Mas ok, vamos só aceitar que é assim porque precisa ser assim pra trama acontecer. Mas aí a gente esbarra em outras coisas tão absurdas quanto... Como assim ela tem que visitar a eternidade dos dois pra escolher qual vai ficar? Ela não tem uma opção de eternidade pra ela? Ela tem que se adequar a dos outros? Ela não tem amor próprio? Gosto próprio? Isso beira o sexismo. Aí ela toma a decisão dela, e 5 minutos depois o cara vem e fala por sabe lá Deus qual motivo que ela deveria ficar com o outro e ela aceita? Ela levou um tempão pra chegar na decisão pra simplesmente vim um cara e decidir por ela e ela concordar sem nem hesitar? E fica pior, é uma decisão irreversível pra toda a eternidade (o filme deixa claro) e ela toma a decisão dessa forma boba e repentina só pra obviamente se arrepender depois? Sendo que tinha a opção de viver indefinidamente naquele lugar sem escolher uma eternidade como o primeiro marido dela viveu sessenta e poucos anos. Ela tinha literalmente todo o tempo que ela precisasse pra tomar uma decisão tão importante e ela toma rapidinho como se não fosse nada ainda deixando outra pessoa escolher por ela? E como se não bastasse o filme simplesmente acaba forçando um final feliz sendo que o próprio filme já tinha deixado bem claro que a pessoa que foge da eternidade escolhida vai ser sempre uma fugitiva que se for pega vai ser jogada no vazio, ou seja que tipo de final feliz vai ser esse pra ela? Viver se escondendo? Torcendo pra nunca ser encontrada? Tendo que ficar sempre alerta? Sem nunca poder relaxar? Mas foda-se! O filme simplesmente acaba passando por cima ou simplesmente ignorando as próprias regras que ele criou.
O fato de eu ter assistido esse filme logo depois de Se Eu Tivesse Pernas Eu Te Chutaria acabou prejudicando muito a experiência para mim. Apesar de partirem de premissas parecidas, o primeiro tava envolto numa embalagem muito mais atraente, equilibrando comédia e terror de forma saborosa, além de permitir uma compreensão mais clara da protagonista e do drama que ela vivia. Já esse é excessivamente exaustivo, com a sensação constante de que a narrativa não avança para lugar algum. A protagonista tá sempre à beira da loucura, sempre se pondo de quatro (literalmente) em todas as oportunidades possíveis mesmo quando ainda não suspeitava da infidelidade do marido e portanto não tinha tantas justificativas para um comportamento que foge do normal, e o espectador encontra muito mais dificuldade para acessar compreender ela por mais empatico que possa ser. Talvez tudo isso seja uma escolha deliberada da diretora, uma tentativa consciente de provocar cansaço e desconforto ao acompanhar a deterioração psicológica de uma mulher. Ainda assim, o primeiro filme que eu mencionei também busca causar desconforto e, na minha percepção, consegue entregar uma experiência infinitamente mais envolvente, mais coesa e melhor. Não consegui gostar deste, o que é uma pena, porque gosto muito de Precisamos Falar Sobre Kevin, outro trabalho da diretora.
Eu já amava esse filme antes mesmo de assistir, apenas pelo título. Eu tenho fascínio por nomes que fogem do padrão, que são longos demais ou curtos demais, que soam diferentes e despertam curiosidade. O fato de eu ainda não ter conseguido decifrar o título por completo torna tudo ainda mais interessante, porque a arte não precisa ser óbvia e nem sempre precisa fazer sentido literal, desde que isso dialogue com a proposta da obra. É um título estranho, pois que tipo de ser não tem pernas? Isso me leva a pensar que talvez não se trate de um ser vivo, mas de algo inanimado ou até de um sentimento ligado à protagonista, uma sensação de fracasso ou mesmo os próprios buracos que simbolizam o caos da vida dela. No fim das contas entender totalmente o título não é o que mais importa para mim. O essencial é que eu compreendi plenamente o filme e mergulhei nele à minha maneira, independentemente de a minha interpretação coincidir ou não com a intenção da diretora, porque a arte é livre para ser sentida e interpretada contanto que tenha base no que tá em cena. E eu amei cada segundo desse drama com mistos de terror e comédia. Adoro a decisão de concentrar a maior parte da narrativa só na protagonista, mantendo a filha e o marido fora de quadro para reforçar a sensação de solidão e claustrofobia. Eu amo absolutamente tudo nesse filme.
Tô aqui limpando o palato depois de ver a sátira softporn melodramática que a Emerald Fennell cometeu contra o legado da Emily Brontë e contra a humanidade.
Ela pegou um livro clássico e consagrado, esvaziou todas as partes interessantes e complexas da história, acrescentou putaria e ignorou completamente a etnia do personagem que era relevante pra trama escalando um cara branco feio no lugar (o que só não foi pior pra mim porque eu tenho muita simpatia pelo menino Owen Cooper por sua performance monumental e transcendental em Adolescencia).
Mas ela pelo menos teve a fineza de colocar o título entre aspas, simbolizando que não é uma adaptação séria, é só uma sátira softporn e melodramática da obra original. Talvez por causa disso a Emily Brontë não se revire no túmulo e não tente assombrar a janela da casa dela.
Acho que o filme se esforça muito pra arrancar o choro nas atuações, na direção em tudo, mas quase que ele não consegue. Não consegui me envolver e fui assistir aberto, gostaria de ter chorado mais. Talvez se não fosse tão over tivesse me tocado mais, menos é mais. E o Max Richter usar a mesma música linda e catártica dele que embalou Ilha do Medo e The Last of Us e que ficou muito associada no meu coração com a obra-prima audiovisual A Chegada soa ao mesmo tempo covardia por apostar no seguro e um problema pro filme porque nos faz lembrar deproduções melhores que ostentaram a canção. Mas no mais eu gosto da abordagem da ressignificar a dor, os traumas e o luto e transformar em arte só tem que ter cuidado pra não romantizar isso. E infelizmente pra esse filme, esse ano Valor Sentimental tratou desse tema infinitas vezes melhor.
Me incomodou a trilha sonora e o uso dela. Achei apelativa e quando descambava pra uma trilha mais de humor achava fora de tom com a proposta da série. Acho também que a série sacrifica muito o ritmo ao esticar a narrativa pra preencher oito episódios quando claramente seria melhor se fosse menor. Mas de resto achei bem feita, bem produzida, bem roteirizada, bem atuada. Pondo na balança saio satisfeito.
Achei essa última temporada irregular com seus altos e baixos, mas esse último episódio não tem o que falar, é extremamente satisfatório. Claro que tem ponta solta, tem a confusão com a idade do Henry que na quarta temporada aparentemente matou a família com no máximo 10 anos e nessa aparece em memórias muito mais velho sem aparentemente ainda ter matado a família, tem a porta da casa do Will que ninguém sabe quem abriu, tem a Susie que decidiram esquecer completamente nem sequer mencionar, tem o Dr. Owens que é um personagem que só eu gosto e só eu me importo que não ficou claro se morreu ou ficou vivo, tem a mãe da Max que não tava presente nem quando a filha entrou em coma nem quando saiu, nem vi se ela tava na formatura da filha. Mas mesmo com tudo isso e mais coisas que a gente possa vir a pensar o final conseguiu ser tão satisfatório pra mim que isso tudo vira nada, vira meros detalhes. O sacrifício da Eleven foi ótimo sob todas as óticas possíveis, foi uma conclusão de arco perfeita pra personagem e pra história, era o único jeito pra parar o avanço dos cientistas e militares e ainda faz uma rima com o final da Eleven da primeira temporada que era parecido guardadas as devidas as proporções e como se tudo isso não bastasse ainda é perfeito pra conclusão de outro personagem que é o Hopper. Desde do fim da segunda temporada pra cá eu sentia que o arco dele tava estagnado repetitivo andando em círculos, sempre na ideia de tenho que proteger ela a todo custo o que é super compreensível mas já tava entediante a dinâmica, agora ele finalmente se libertou disso, a Eleven explica que é adulta, toma suas próprias decisões e pede pra ele aceitar a decisão dela. E ele entende que não podia fazer nada e encarando o luto mais uma vez ele opta por seguir em frente, se libertar desse peso viver a vida, olha que coisa linda, olha se não é um fechamento de arco perfeito. E a aceitação dele ele passa pro Mike que proporciona outra coisa mais perfeita ainda a dubiedade, a dúvida, contando uma história que poderia ter acontecido e faria sentido mas que ele pode ter simplesmente inventado como um bom contador de histórias que é, o que aconteceu de verdade? Você decide. Eu amo isso quando um roteiro cria uma dubiedade pra que cada um faça sua interpretação e quando se permite não mastigar tudo. Eu tava morrendo de medo de eles colocarem uma ceninha comprovando que ela ficou viva porque aí ia estragar tudo, desmoronar na nossa frente. Adorei que deram um jeito de trazer o Devorador de Mentes de volta eu senti saudades dele. E achei que foi a decisão mais sábia não tentar criar uma redenção pro Vecna e nem tentar explicar quem é maior que quem, quem é o grande chefão, foda-se, os dois existem e eles são um só. E por falar em um só, é triste constatar como eu e o Jonathan somos a mesma pessoa. Ele não é meu personagem favorito, tá muito longe de ser, acho ele chatinho, mas a gente é igual. A gente gosta das mesmas coisas, mesmo gosto musical, a gente gosta de Smiths, The Clash, Bowie. A gente gosta de uma certa plantinha. Gostamos de cinema, temos aspiração de ser cineasta e agora até anticapitalista ele é também assim como eu. É incrível, cara, é incrível. A frase que eu mais amo e mais me define em toda a série foi ele que disse quando perguntou do Will na segunda temporada se ele preferia ser amigo do Bowie ou do Kenny Rogers. Mas eu teimo em considerar o Steven meu personagem favorito afinal em minha defesa que graça tem você gostar de si mesmo? Mas enfim, é isso... Acabou. E pra mim acabou muito bem.
Só fico triste pela Linda Hamilton que tiraram ela da casa dela pra fazer a personagem mais desinteressante e sem camadas de todos os tempos que não teve direito nem a um desfecho, ela não merecia isso. Mas não prejudicou a história também e eu espero que ela pelo menos tenha ganhado muito dinheiro.
Amei, é isso mesmo. A bíblia é um fonte inesgotável pra fazer piada tamanha a coleção de absurdos, delírios e incoerências. Exceto pela parte de Jesus e o amor ao próximo não tem muito o que tirar dali. E enquanto tiver gente usando livro arcaico de fábulas pra impor coisas na vida dos outros, especiais como esse se fazem necessários. Tudo bem que você goste da bíblia mas eu não sou obrigado a gostar, eu só gosto de Jesus, apenas Jesus. O que eu tenho a ver com um monte de livros delirantes escritos por homens que eu não sei quem são de trocentos anos atrás? Historinha por historinha a mitologia grega é muito mais interessante.
Muito foda! Foda é a palavra. 'Ainda Estou Aqui' foi um filme muito bom, muito bem feito e muito importante mas esse aqui é um filme muito mais foda, muito mais cheio de vida, de personalidade. Você me desculpe rivalizar os filmes assim mas eu não resisti na tentativa de descrever meu sentimento. Um trabalho autoral e autobiográfico, cheio de verdade. A presença do Wagner Moura carrega o filme, o filme é ele, assim como o filme é a cidade de Recife. Amo tudo, do tubarão à perna peluda. Mesmo não tendo vivência e as referências necessárias pra apreciar tudo em 100% do seu potencial. Desde que eu saí do cinema toda vez que eu lembro do filme eu gosto ainda mais. Eu não tenho a menor dúvida de que é o melhor filme que o Brasil produziu esse ano, quiçá o melhor que o mundo produziu. E eu não tô falando tudo isso cheio de excitação momentanea porque escrevo esse review uma semana depois de ter assistido.
O último da maratona de preparação para o filme mais recente do diretor e também o último que estou revendo. Acontece com esse parecido com o que acontece com Vício Inerente. Eu não tenho as referências e a vivência pra apreciar 100%, é um filme muito pessoal, talvez o mais pessoal da carreira do diretor. Um filme que deve ser muito melhor e mais imersivo pra quem cresceu na Califórnia dos anos 70. Ainda assim é uma história simpática e divertida.
E agora feita a maratona que venha Uma Batalha Após a Outra!
Quando esse filme chegou até mim eu ainda não tava pronto pra ele, ainda assim já tinha achado foda. Mas só agora eu consigo disfrutar e apreciar 100% essa história de amor com notas de obsessão e toxicidade. E como eu tenho um fraco por filmes de obsessão e pessoas obsessivas eu não tinha como não amar quando um filme assim é feito com tanto rigor e tanta excelência com um dos melhores atores em atividade por um dos diretores mais talentosos dos últimos tempos.
Obra de arte moderna! Esse eu já tinha visto e já era apaixonado. Nunca me esqueci da abertura com os casos reais e suas estranhas coincidências, dos personagens cantando ao mesmo tempo, da chuva de sapos... Um filme que permaneceu comigo e permanece. Uma evolução natural do que PTA vinha fazendo nos filmes anteriores, aqui vem o ápice dos traumas, problemas de família, relações conturbadas entre país e filhos... É sobre essas coisas.[spoiler][/spoiler]
Cara de Um, Focinho de Outro
3.9 36Desde Turning Red que um filme da Pixar não me deixava completamente tocado, sensibilizado e impactado.
Primeiro que é um filme que fala de muita coisa pertinente e importante: o combate ao desmatamento, a preservação do meio ambiente, a classe política sociopata e cínica, o impacto negativo do capitalismo no mundo, a união e organização das classes menos favorecidas contra os dominantes, a não violência e tentativa do dialógo até onde for possível.
O personagem do Rei George me lembrou o Principe Ashitaka de Princesa Mononoke. Guardadas as devidas proporções ambos estão no meio de um conflito e querem mediar da forma que for melhor pra todo mundo sem condenar ou destruir nenhum dos lados mesmo que um esteja visivelmente muito mais errado que outro.
E segundo (e agora vem a parte mais empolgante pra mim)
é um filme completamente engraçado e imprevísivel. De certa forma me senti como quando assisti Parasita pela primeira vez, ou como quando assisti Weapons. Sem sequer conseguir conceber todos os acontecimentos que viriam a seguir, é um filme que se beneficia muito se você for assistir sem saber absolutamente nada sobre a história.
Uma das cenas mais marcantes é quando aquela que é claramente a vilã do filme pela composição da personagem em cena, pelo seu discurso, e pelo trabalho de divulgação prévio é morta em questão de segundos como se não fosse nada. O choque total meu e de todos no cinema seguido dos risos nervosos pela cena que se segue é uma das experiências mais incriveis que eu tive com filmes esse ano, e foi brilhantemente conduzido pelo diretor pra provocar exatamente todas essas reações. Fora a parte da emoção bem comum aos filmes da Pixar que também tá bem presente.
E tem um tubarão gigante horripilante sendo içado por pássaros, gente, tem coisa mais diferente e mais original que isso? Pra melhorar tudo o tubarão ainda tem uma voz feminina calorosa e se chama Diane o que me quebrou muito KKKKKKKKKKKKKK
É um filme que não tem medo de ousar, eu sinto que nenhuma decisão narrativa por mais absurda que fosse foi censurada ou descartada, tá tudo em tela e isso que dá a maior força pro filme.
A Pixar finalmente voltou aos eixos! Agora esperamos que não saia mais e que Toy Story 5 seja perfeito como todos os outros filmes anteriores da franquia!
Agora um adendo que não tira em nada qualidade do filme mais vale a pena comentar, já que eu citei Weapons, assim como o filme de terror do ano passado esse também foi completamente sabotado pelo marketing brasileiro, que título mais tosco, genêrico e que não diz nada sobre o filme. Custava chamar de Saltadores?
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Extermínio: O Templo dos Ossos
3.4 187 Assista AgoraAchei inferior que o filme anterior, menos coeso, com uma estrutura narrativa mais estranha, com uma diminuição muito significativa da participação do protagonista Spike que tanto tinha me cativado.
Mas eu ainda amo esse universo do Alex Garland, amo o memorial aos mortos, amo tudo sobre o personagem Ian Kelson, amo tudo sobre a mitologia...
Amo como esses novos filmes conseguem homenagear e seguir o legado do filme original ao mesmo tempo que conseguem criar uma personalidade nova própria.
Continuam tendo minha atenção e meu coração.
Sonhos de Trem
3.7 339 Assista AgoraÉ uma vibe bem Terrence Malick até pra mim que conheço pouquíssimo da obra dele e não gosto do seu único filme que assisti
Mas desse eu gostei bastante, então até segunda ordem é melhor que Terrence Malick pra mim
F1: O Filme
3.7 438 Assista AgoraPorque esse filme existe?
Eu me perguntava antes de assistir, e agora tendo já assistido continuo me perguntando.
Porque esse filme existe?
Não me entenda mal, não tô querendo julgar nada nem ninguém, nem colocando algum juízo de valor nisso. Nada contra quem curte uns cara correndo de carro. E o filme mesmo não me ofendeu, até me entreteve.
A minha questão é genuinamente não entender o que leva alguém a fazer esse filme.
Que pessoa tava em casa e do nada pensou "Porque a gente não chama o Brad Pitt pra fazer um filme de Fórmula 1, e sabe qual pode ser o título que eu pensei aqui agora? Fórmula 1"
Será que eles tão em baixa no mercado e tão tentando atrair mais gente pelo cinema? Porque poderia ser qualquer corrida de carro com outro nome, poderia ter qualquer título gênerico de drama esportivo. Mas não...
Chama Fórmula 1 e é simplesmente sobre Fórmula 1.
Eu se fosse eles teria medo de gastar o título na primeira oportunidade que aparece porque vai que daqui 10 anos surge um roteiro incrível e impecável e aí eles não podem mais usar a marca porque já foi usada nesse aqui? Fora que é uma marca que engloba muita coisa, é a assinatura que representa todo o universo dos carros, dos pilotos, desse mundo das corridas, do legado... você acha que esse filme específico vai conseguir representar tudo isso pra um alienígena que caísse na terra hoje e não soubesse nada a respeito?
Esse filme seria uma maneira legal de apresentar?
Eles devem ter achado que sim. E tá tudo certo.
Mas eu enxergando propósito ou não, o fato é que o filme existe e é aceitável. Longe de ser inovador e revolucionário. Longe de me tocar e me empolgar como Top Gun Maverick, filme anterior do diretor, mesmo a trama dos dois filmes sendo idênticas. Mas é aceitável.
A Voz de Hind Rajab
4.2 123 Assista AgoraEsse é o terceiro filme que eu vejo da diretora Kaouther Ben Hania, e eu já posso concluir como ela é genial ao sempre buscar inovar na narrativa que conta. Em As 4 Filhas de Olfa ela fez isso ao mesclar pessoas reais com atores, documentário com dramatização. E aqui ela faz o mesmo ao decidir sabiamente utilizar os áudios reais da menina que dá nome ao título e vídeos reais da equipe do Crescente Vermelho mesclado com a dramatização.
Quase no finzinho do filme eu cheguei a torcer muito e implorar por dentro pra que a diretora não dilacerasse o meu coração e ousasse mais uma última inovação de narrativa. (Uma que um diretor americano que não vale a pena mencionar ainda mais nesse contexto já empregou algumas vezes em seus filmes ambientados em períodos históricos e uma que também já foi usada de forma catártica em um filme do Joe Wright cujo título não revelarei pra não estragar a experiência de ninguém).
Eu tô falando de simplesmente substituir o final doloroso verdadeiro por um final mais feliz ou no mínimo otimista, pelo menos nesse filme a garotinha poderia ter um final feliz que pros países que não tão sendo bombardeados significa uma vida normal de criança. Depois a diretora escurece a tela com uma mensagem assolando a todos com a verdade e com a denúncia.
Isso era o que eu pensava.
Mas quem eu acho que sou? Eu querendo um final mais palatável por puro egoísmo, pra que eu possa me sentir melhor na minha casa confortável?
Mas a realidade não pode ser mudada, as pessoas morreram de verdade em Gaza enquanto o mundo assistia sem fazer nada. Milhares de pessoas, milhares de homens, mulheres e crianças, milhares de Hind Rajab que não podem ter seus destinos reescritos como se fossem roteiros de filmes.
É trágico, é doloroso, é terrível apenas testemunhar de longe o horror. Imagina como deve ter sido pra quem viveu e morreu sob ele?
Então não existe outra forma de abordar o inaceitável que não seja com um final extremamente difícil de aceitar.
Foi Apenas um Acidente
3.8 187 Assista AgoraNão é nem de longe o primeiro filme iraniano que eu vejo mas é o primeiro desse diretor, cuja a obra ainda não conheço. E eu em hipótese nenhuma tava esperando que tivesse um quê de comédia. Isso foi uma grata surpresa.
Me peguei em vários momentos achando divertido.
Acho que no final o filme não sabe como acabar e recorre a um final rápido e aquém de tudo que vinha sendo apresentado antes. Mas eu gostei muito apesar disso.
A Empregada
3.4 527 Assista AgoraÉ exatamente o que eu achava que fosse, um filme fraquinho, clichê e previsível.
Mas até que me manteve entretido por algum tempo, eu tenho um fraco por filme de gente surtada.
Sirāt
3.4 170 Assista AgoraAchei meio sem propósito, a tragédia pela tragédia, não me remeteu a nada, nem me levou a nenhuma reflexão.
E eu juro que isso não tem nada a ver com a piadinha irônica do diretor com o Brasil e o cinema brasileiro, eu não sou uma pessoa rancorosa nem sou de me importar com deboche alheio. Fui de coração aberto pra gostar e ser tocado pelo filme, só não rolou.
A Única Saída
3.7 138 Assista AgoraEu não sou uma pessoa difícil de agradar, se você me der humor ácido e crítica ao capitalismo você já me ganha.
O Bong Joon Ho já me entregou isso em toda a filmografia dele praticamente, agora chegou a vez do seu estimado conterrâneo que eu admiro muito me entregar também.
Eu recebi e amei cada segundo.
Marty Supreme
3.7 315 Assista AgoraUm filme que começa com Forever Young numa das sequências mais ousadas e únicas que o cinema produziu esse ano e termina com Tears for Fears não tem como ser um filme ruim.
Tem talvez a melhor performance da vida do menino Timothee e tem tudo que eu amo no cinema dos irmãos Safdie só que agora numa ambientação de época e com a assinatura só de um dos irmãos. Mas o outro não fez falta, com todo respeito a ele, vou até assistir o filme dele com o The Rock pra ver se eu gosto também.
Decisão de Partir
3.6 152Assistindo pela primeira vez pra poder rever o filme mais recente do diretor.
E como eu demorei pra ver esse...
Deveria ter me deliciado muito antes com essa maravilhosa história de amor "parkchanwookiana"
Eternidade
3.5 149 Assista AgoraNão consegui comprar, muita coisa nesse filme não fez o menor sentido pra mim num ponto que me irritou muito.
Primeira coisa: Que pessoas tão imaturas são essas que não conseguem cogitar a possibilidade de encontrarem uma eternidade em comum pra viverem juntos? Quem disse que precisa escolher um? Porque tem que escolher um?
Mas ok, vamos só aceitar que é assim porque precisa ser assim pra trama acontecer.
Mas aí a gente esbarra em outras coisas tão absurdas quanto...
Como assim ela tem que visitar a eternidade dos dois pra escolher qual vai ficar? Ela não tem uma opção de eternidade pra ela? Ela tem que se adequar a dos outros? Ela não tem amor próprio? Gosto próprio? Isso beira o sexismo.
Aí ela toma a decisão dela, e 5 minutos depois o cara vem e fala por sabe lá Deus qual motivo que ela deveria ficar com o outro e ela aceita? Ela levou um tempão pra chegar na decisão pra simplesmente vim um cara e decidir por ela e ela concordar sem nem hesitar?
E fica pior, é uma decisão irreversível pra toda a eternidade (o filme deixa claro) e ela toma a decisão dessa forma boba e repentina só pra obviamente se arrepender depois?
Sendo que tinha a opção de viver indefinidamente naquele lugar sem escolher uma eternidade como o primeiro marido dela viveu sessenta e poucos anos.
Ela tinha literalmente todo o tempo que ela precisasse pra tomar uma decisão tão importante e ela toma rapidinho como se não fosse nada ainda deixando outra pessoa escolher por ela?
E como se não bastasse o filme simplesmente acaba forçando um final feliz sendo que o próprio filme já tinha deixado bem claro que a pessoa que foge da eternidade escolhida vai ser sempre uma fugitiva que se for pega vai ser jogada no vazio, ou seja que tipo de final feliz vai ser esse pra ela? Viver se escondendo? Torcendo pra nunca ser encontrada? Tendo que ficar sempre alerta? Sem nunca poder relaxar?
Mas foda-se! O filme simplesmente acaba passando por cima ou simplesmente ignorando as próprias regras que ele criou.
Nada fez sentido pra mim.
Morra, Amor
3.1 162 Assista AgoraO fato de eu ter assistido esse filme logo depois de Se Eu Tivesse Pernas Eu Te Chutaria acabou prejudicando muito a experiência para mim. Apesar de partirem de premissas parecidas, o primeiro tava envolto numa embalagem muito mais atraente, equilibrando comédia e terror de forma saborosa, além de permitir uma compreensão mais clara da protagonista e do drama que ela vivia.
Já esse é excessivamente exaustivo, com a sensação constante de que a narrativa não avança para lugar algum. A protagonista tá sempre à beira da loucura, sempre se pondo de quatro (literalmente) em todas as oportunidades possíveis mesmo quando ainda não suspeitava da infidelidade do marido e portanto não tinha tantas justificativas para um comportamento que foge do normal, e o espectador encontra muito mais dificuldade para acessar compreender ela por mais empatico que possa ser.
Talvez tudo isso seja uma escolha deliberada da diretora, uma tentativa consciente de provocar cansaço e desconforto ao acompanhar a deterioração psicológica de uma mulher. Ainda assim, o primeiro filme que eu mencionei também busca causar desconforto e, na minha percepção, consegue entregar uma experiência infinitamente mais envolvente, mais coesa e melhor.
Não consegui gostar deste, o que é uma pena, porque gosto muito de Precisamos Falar Sobre Kevin, outro trabalho da diretora.
Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
3.6 182 Assista AgoraEu já amava esse filme antes mesmo de assistir, apenas pelo título. Eu tenho fascínio por nomes que fogem do padrão, que são longos demais ou curtos demais, que soam diferentes e despertam curiosidade. O fato de eu ainda não ter conseguido decifrar o título por completo torna tudo ainda mais interessante, porque a arte não precisa ser óbvia e nem sempre precisa fazer sentido literal, desde que isso dialogue com a proposta da obra. É um título estranho, pois que tipo de ser não tem pernas? Isso me leva a pensar que talvez não se trate de um ser vivo, mas de algo inanimado ou até de um sentimento ligado à protagonista, uma sensação de fracasso ou mesmo os próprios buracos que simbolizam o caos da vida dela. No fim das contas entender totalmente o título não é o que mais importa para mim. O essencial é que eu compreendi plenamente o filme e mergulhei nele à minha maneira, independentemente de a minha interpretação coincidir ou não com a intenção da diretora, porque a arte é livre para ser sentida e interpretada contanto que tenha base no que tá em cena.
E eu amei cada segundo desse drama com mistos de terror e comédia.
Adoro a decisão de concentrar a maior parte da narrativa só na protagonista, mantendo a filha e o marido fora de quadro para reforçar a sensação de solidão e claustrofobia. Eu amo absolutamente tudo nesse filme.
O Morro dos Ventos Uivantes
3.8 127 Assista AgoraTô aqui limpando o palato depois de ver a sátira softporn melodramática que a Emerald Fennell cometeu contra o legado da Emily Brontë e contra a humanidade.
O Morro dos Ventos Uivantes
3.0 161 Assista AgoraEla pegou um livro clássico e consagrado, esvaziou todas as partes interessantes e complexas da história, acrescentou putaria e ignorou completamente a etnia do personagem que era relevante pra trama escalando um cara branco feio no lugar (o que só não foi pior pra mim porque eu tenho muita simpatia pelo menino Owen Cooper por sua performance monumental e transcendental em Adolescencia).
Mas ela pelo menos teve a fineza de colocar o título entre aspas, simbolizando que não é uma adaptação séria, é só uma sátira softporn e melodramática da obra original. Talvez por causa disso a Emily Brontë não se revire no túmulo e não tente assombrar a janela da casa dela.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.2 405 Assista AgoraAcho que o filme se esforça muito pra arrancar o choro nas atuações, na direção em tudo, mas quase que ele não consegue. Não consegui me envolver e fui assistir aberto, gostaria de ter chorado mais. Talvez se não fosse tão over tivesse me tocado mais, menos é mais.
E o Max Richter usar a mesma música linda e catártica dele que embalou Ilha do Medo e The Last of Us e que ficou muito associada no meu coração com a obra-prima audiovisual A Chegada soa ao mesmo tempo covardia por apostar no seguro e um problema pro filme porque nos faz lembrar deproduções melhores que ostentaram a canção.
Mas no mais eu gosto da abordagem da ressignificar a dor, os traumas e o luto e transformar em arte só tem que ter cuidado pra não romantizar isso. E infelizmente pra esse filme, esse ano Valor Sentimental tratou desse tema infinitas vezes melhor.
Tudo Culpa Dela
4.1 301 Assista AgoraMe incomodou a trilha sonora e o uso dela. Achei apelativa e quando descambava pra uma trilha mais de humor achava fora de tom com a proposta da série. Acho também que a série sacrifica muito o ritmo ao esticar a narrativa pra preencher oito episódios quando claramente seria melhor se fosse menor. Mas de resto achei bem feita, bem produzida, bem roteirizada, bem atuada. Pondo na balança saio satisfeito.
Stranger Things (5ª Temporada)
3.5 508 Assista AgoraAchei essa última temporada irregular com seus altos e baixos, mas esse último episódio não tem o que falar, é extremamente satisfatório. Claro que tem ponta solta, tem a confusão com a idade do Henry que na quarta temporada aparentemente matou a família com no máximo 10 anos e nessa aparece em memórias muito mais velho sem aparentemente ainda ter matado a família, tem a porta da casa do Will que ninguém sabe quem abriu, tem a Susie que decidiram esquecer completamente nem sequer mencionar, tem o Dr. Owens que é um personagem que só eu gosto e só eu me importo que não ficou claro se morreu ou ficou vivo, tem a mãe da Max que não tava presente nem quando a filha entrou em coma nem quando saiu, nem vi se ela tava na formatura da filha. Mas mesmo com tudo isso e mais coisas que a gente possa vir a pensar o final conseguiu ser tão satisfatório pra mim que isso tudo vira nada, vira meros detalhes.
O sacrifício da Eleven foi ótimo sob todas as óticas possíveis, foi uma conclusão de arco perfeita pra personagem e pra história, era o único jeito pra parar o avanço dos cientistas e militares e ainda faz uma rima com o final da Eleven da primeira temporada que era parecido guardadas as devidas as proporções e como se tudo isso não bastasse ainda é perfeito pra conclusão de outro personagem que é o Hopper. Desde do fim da segunda temporada pra cá eu sentia que o arco dele tava estagnado repetitivo andando em círculos, sempre na ideia de tenho que proteger ela a todo custo o que é super compreensível mas já tava entediante a dinâmica, agora ele finalmente se libertou disso, a Eleven explica que é adulta, toma suas próprias decisões e pede pra ele aceitar a decisão dela. E ele entende que não podia fazer nada e encarando o luto mais uma vez ele opta por seguir em frente, se libertar desse peso viver a vida, olha que coisa linda, olha se não é um fechamento de arco perfeito. E a aceitação dele ele passa pro Mike que proporciona outra coisa mais perfeita ainda a dubiedade, a dúvida, contando uma história que poderia ter acontecido e faria sentido mas que ele pode ter simplesmente inventado como um bom contador de histórias que é, o que aconteceu de verdade? Você decide. Eu amo isso quando um roteiro cria uma dubiedade pra que cada um faça sua interpretação e quando se permite não mastigar tudo. Eu tava morrendo de medo de eles colocarem uma ceninha comprovando que ela ficou viva porque aí ia estragar tudo, desmoronar na nossa frente.
Adorei que deram um jeito de trazer o Devorador de Mentes de volta eu senti saudades dele. E achei que foi a decisão mais sábia não tentar criar uma redenção pro Vecna e nem tentar explicar quem é maior que quem, quem é o grande chefão, foda-se, os dois existem e eles são um só.
E por falar em um só, é triste constatar como eu e o Jonathan somos a mesma pessoa. Ele não é meu personagem favorito, tá muito longe de ser, acho ele chatinho, mas a gente é igual. A gente gosta das mesmas coisas, mesmo gosto musical, a gente gosta de Smiths, The Clash, Bowie. A gente gosta de uma certa plantinha. Gostamos de cinema, temos aspiração de ser cineasta e agora até anticapitalista ele é também assim como eu. É incrível, cara, é incrível. A frase que eu mais amo e mais me define em toda a série foi ele que disse quando perguntou do Will na segunda temporada se ele preferia ser amigo do Bowie ou do Kenny Rogers. Mas eu teimo em considerar o Steven meu personagem favorito afinal em minha defesa que graça tem você gostar de si mesmo?
Mas enfim, é isso... Acabou. E pra mim acabou muito bem.
Só fico triste pela Linda Hamilton que tiraram ela da casa dela pra fazer a personagem mais desinteressante e sem camadas de todos os tempos que não teve direito nem a um desfecho, ela não merecia isso. Mas não prejudicou a história também e eu espero que ela pelo menos tenha ganhado muito dinheiro.
Stand Up e Anda - Especial de Natal Porta dos …
2.9 3Amei, é isso mesmo.
A bíblia é um fonte inesgotável pra fazer piada tamanha a coleção de absurdos, delírios e incoerências. Exceto pela parte de Jesus e o amor ao próximo não tem muito o que tirar dali.
E enquanto tiver gente usando livro arcaico de fábulas pra impor coisas na vida dos outros, especiais como esse se fazem necessários.
Tudo bem que você goste da bíblia mas eu não sou obrigado a gostar, eu só gosto de Jesus, apenas Jesus. O que eu tenho a ver com um monte de livros delirantes escritos por homens que eu não sei quem são de trocentos anos atrás?
Historinha por historinha a mitologia grega é muito mais interessante.
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraMuito foda! Foda é a palavra.
'Ainda Estou Aqui' foi um filme muito bom, muito bem feito e muito importante mas esse aqui é um filme muito mais foda, muito mais cheio de vida, de personalidade. Você me desculpe rivalizar os filmes assim mas eu não resisti na tentativa de descrever meu sentimento.
Um trabalho autoral e autobiográfico, cheio de verdade.
A presença do Wagner Moura carrega o filme, o filme é ele, assim como o filme é a cidade de Recife. Amo tudo, do tubarão à perna peluda. Mesmo não tendo vivência e as referências necessárias pra apreciar tudo em 100% do seu potencial.
Desde que eu saí do cinema toda vez que eu lembro do filme eu gosto ainda mais.
Eu não tenho a menor dúvida de que é o melhor filme que o Brasil produziu esse ano, quiçá o melhor que o mundo produziu.
E eu não tô falando tudo isso cheio de excitação momentanea porque escrevo esse review uma semana depois de ter assistido.
Licorice Pizza
3.5 631MARATONA PTA
#FILME 09
O último da maratona de preparação para o filme mais recente do diretor e também o último que estou revendo.
Acontece com esse parecido com o que acontece com Vício Inerente. Eu não tenho as referências e a vivência pra apreciar 100%, é um filme muito pessoal, talvez o mais pessoal da carreira do diretor. Um filme que deve ser muito melhor e mais imersivo pra quem cresceu na Califórnia dos anos 70. Ainda assim é uma história simpática e divertida.
E agora feita a maratona que venha Uma Batalha Após a Outra!
Trama Fantasma
3.7 816 Assista AgoraMARATONA PTA
#FILME 08
Quando esse filme chegou até mim eu ainda não tava pronto pra ele, ainda assim já tinha achado foda. Mas só agora eu consigo disfrutar e apreciar 100% essa história de amor com notas de obsessão e toxicidade. E como eu tenho um fraco por filmes de obsessão e pessoas obsessivas eu não tinha como não amar quando um filme assim é feito com tanto rigor e tanta excelência com um dos melhores atores em atividade por um dos diretores mais talentosos dos últimos tempos.
Magnólia
4.1 1,4K Assista AgoraMARATONA PTA
#FILME 03
Obra de arte moderna!
Esse eu já tinha visto e já era apaixonado. Nunca me esqueci da abertura com os casos reais e suas estranhas coincidências, dos personagens cantando ao mesmo tempo, da chuva de sapos...
Um filme que permaneceu comigo e permanece.
Uma evolução natural do que PTA vinha fazendo nos filmes anteriores, aqui vem o ápice dos traumas, problemas de família, relações conturbadas entre país e filhos... É sobre essas coisas.[spoiler][/spoiler]