Spielberg sabe das coisas, sabe fazer filmes, contar histórias e manipular o sentimento como se não fosse nada, como se fosse fácil. Isso é cinema com C maiúsculo. Josh O'Connor é muito bom, sabe fazer mocinhos cativantes, fez muito bem aqui e no terceiro Entre Facas e Segredos. Os únicos problema do filme pra mim são a simplicidade e superficialidade das discussões mais complexas e filosóficas, é tudo muito raso, e a abordagem visual dos ets e ovnis, que além de ser genérica e lugar comum ainda me soou artificial, pouco verossimilhante. Mesmo eu sendo uma pessoa cética eu não tenho problemas em acreditar que exista vida fora da Terra, é muito provável. Que organizações secretas do governo saibam de informações secretas e escondam isso eu também consigo acreditar. Agora que os ets são aqueles mesmos seres humanóides cabeçudinhos como sempre foram retratados na cultura pop aí não dá pra mim. Porque uma espécie que teoricamente não teria absolutamente nada a ver conosco teria uma aparência tão similar? Pra mim faltou inventividade e originalidade nesse aspecto do filme. Dito isso, é uma das experiências mais maravilhosas pra se ter no cinema, eu recomendo pra qualquer um. É Spielberg, é trilha sonora do John Williams, é cinema.
É muito menos engraçado do que eu tava esperando, e desinteressante a maior parte do tempo, já não evoca mais a mesma graça e fator de entretenimento que os quatro filmes anteriores evocavam. Mas o filme ser quase que 100% metalinguístico desde o primeiro segundo é uma coisa que me pegou muito, e é uma novidade nessa franquia, pelo menos nesse nível, de tal forma que o clímax da trama é todo baseado na metalinguagem, eu curti muito isso muito mesmo mas não a ponto de deixar o filme menos fraco pra mim.
Eu já vi um curta desse diretor no YouTube que aliás esqueci de marcar aqui, no curta já dava pra reconhecer as qualidades dele. Mais uma vez alguém que vem da comédia se mostra um grande talento do terror, isso não me surpreende porque os dois gêneros tão muito mais próximos do que se imagina, o absurdo abraça os dois. E eu amo como esse filme abraça o absurdo desde o primeiro momento. Desde o momento que o elemento sobrenatural entra em cena o filme não perde nenhum segundo sequer em explorar a situação sempre da forma mais absurda possível o que é um elogio. Eu também amo muito a decisão do filme de deixar bem claro a todo momento que a personagem que é a ameaça, também é uma vítima. Essa é a grande sacada. É um filme que faz jus a seu tempo. Seria muito fácil e cômodo pro diretor omitir a verdadeira consciência da personagem e fazer parecer que ela só simplesmente começou a gostar do cara de verdade. Mas se recusando a fazer isso ele faz justiça a personagem, abre margem pra interpretações sobre relacionamentos modernos, machismo e sexismo e ainda torna o filme muito mais complexo e sombrio. O cara é uma vítima num filme de terror, mas ela é uma vítima muito maior, uma pessoa obrigada a ser o que não é, fazer o que não quer fazer, é quase um estupro. Não tô também querendo condenar o cara, todos somos um pouco egoístas e é claro que ele não achou que o negócio funcionasse. Mas nada disso muda o fato de que tudo que acontece são consequências dos atos dele. Nunca imaginaria que entre um filme que se propunha a explorar um conceito novo e promissor da internet e um outro que fala do clichê do obsessão o segundo é que fosse permanecer comigo e ficar na minha cabeça. Mas isso é fruto de um filme bem feito em todos os seus aspectos. Esse cara faz até parecer fácil fazer um filme de terror bom. Viva os jovens cineastas e o viva YouTube! Que em 2026 ajudaram a contribuir muito pro cinema de terror.
<spoiler> O conceito sempre me pareceu promissor e prato cheio pra construção do medo e do desconforto. Acho interessante que na expansão dessa ideia o diretor também priorize a expansão e o desenvolvimento dos personagens mas como tudo isso conversa com a história ainda é nebuloso de entender pra mim. Meu único palpite é que os nossos traumas e medos servem de inspiração pra construção das backrooms, a única coisa que eu consegui pensar. Isso explicaria a versão humanoide bizarra de um dos personagens que surge em tela, e a réplica dos lugares e móveis e objetos. Os escombros da casa demolida da outra personagem. É muito interessante que o maior trauma dela se opõe às backrooms, é a exemplificação física da sua infância ser destruída enquanto as backrooms são reconstruções de tantas lembranças e vidas. Pro meu lado emocional que quer sentir medo o melhor do filme é a sequência inicial e a sequência que o personagem volta ao lugar com outros dois, não por acaso as duas sequências emulando o estilo found footage que tava na estética do curta original. É justamente a simplicidade, o menos e o desconhecido que mais têm sucesso em me assustar, então não saber o que vai ter quando virar o corredor e não saber quem tá puxando a corda são coisas que me pegam mais, e ter uma ameaça de verdade correndo atrás ou muito foco em pessoas desfiguradas já não me pega tanto. Quanto mais você consegue olhar pra coisa mais vai se esvaindo o medo. Por outro lado, o meu lado racional aprecia muito toda a sequência com os personagens sobre a mesa e a perseguição em seguida por reconhecer uma emulação de pesadelo interessante, de algo que é desconfortável e incômodo mas difícil de explicar aos outros. Esse conflito interno resume todo o meu sentimento em relação ao filme, eu acho que gostei mas não amei. Uma rara vez que eu achei que sequências são bem vindas, não pra explicar o que são as backrooms e como surgem porque aí eu também acho que pode matar o terror, mas pra expandir, explorar o conceito sob a visão de outro cineasta. Eu na minha ingênua expectativa achei que veria o filme definitivo sobre esse tema e sobre espaços liminares, mas não é, é um pequeno segmento de algo que tem muito mais a render no meu ponto de vista. Posso estar errado também. </spoiler>
Pra começar a falar desse filme eu sinto que eu tenho que começar fazendo uma introdução sobre Kristoffer Borgli e como o cinema dele chegou até mim. Eu no meu hábito de ficar pesquisando sobre filmes e como um fã de Ari Aster que tinha adorado toda a filmografia dele, o que infelizmente já não é mais o caso, acabei descobrindo que Ari tava produzindo um filme com Nicolas Cage que se chamava Dream Scenario, apenas isso, nenhuma sinopse, eu fiquei curioso pelo gênero ser descrito como terror/comédia e guardei isso comigo até o momento de assistir. Quando finalmente assisti fiquei maravilhado como o filme trazia um conceito super diferente e interessante, que me lembrou Quero Ser John Malkovich do Charlie Kaufman, e explorava esse conceito muito bem, até discutindo sociedade e mundo moderno, com um forte humor ácido que eu amo muito. Aí voltando ao meu hábito de pesquisar fui tentar descobrir tudo sobre o diretor, aí descobri que ele tinha um único outro longa feito no país dele Sick of Myself, que eu fui assistir correndo, amei completamente também e aí eu entendi qual era a vibe dele, o tipo de humor que ele fazia, o tipo de história que ele contava e o tipo de discussões que explorava. Me tornei fã, e como acontece com tudo na minha vida eu com o tempo esqueci disso tudo e continuei vivendo, eu sou fã de tanta coisa que eu não fico lembrando de tudo o tempo todo, mas tudo fica guardado em mim. O que nos traz a The Drama. Muito tempo depois já esse ano começa a rolar muito um papo na bolha cinéfila de internet de que a Zendaya vai tá em todos os grandes filmes, que vai repetir três vezes a parceria com o Robert Pattinson num filme do Nolan que eu particularmente tenho muito interesse, num filme do Villeneuve que tenho mais interesse ainda e nesse The Drama. Circulou até que Robert Pattinson nos bastidores desse The Drama teria pedido a Zendaya para ser escalado no novo Duna, o que teria ocasionado sua escalação. Assim The Drama chegou até mim e eu mais uma vez curioso fui fazer o que faço sempre, fui pesquisar. A primeira coisa que soube foi a sinopse que já achei muito interessante e me despertou um leve interesse. "Um casal de noivos prestes a se casar, um deles descobre um segredo bizarro sobre o outro e não consegue tirar isso da cabeça o que afeta o relacionamento." Já era interessante por si só, mas aí eu fui pesquisar sobre o diretor e qual minha surpresa? Era nada mais nada menos que Kristoffer Borgli, o diretor de Dream Scenario e Sick of Myself, aí o meu interesse foi lá nas alturas, de repente eu tava mil vezes mais ansioso pra assistir esse filme do que pra assistir Odisseia ou Duna Parte 3 que foram feitos provavelmente com o triplo de dinheiro desse. Porque Odisseia e Duna eu meio que já sabia o que esperar, são adaptações de histórias já muito conhecidas, onde já se sabe o tom e tudo mais. Já The Drama era uma história original em todos os sentidos da palavra de um dos diretores mais originais e interessantes dos últimos tempos. Aí eu passei todos os dias seguintes até o momento de cinema fugindo de spoiler porque eu sabia que o filme ia girar em torno do tal segredo sombrio e se ele não era dito na divulgação de marketing eu não deveria saber, eu não queria estragar nenhum milímetro da minha experiência com o novo filme do Kristoffer Borgli, eu queria ser surpreendido, entretido, queria me divertir e refletir como das outras vezes. Eu nem sequer sabia qual dos dois noivos tinha o segredo, isso também não era uma informação divulgada, eu presumia que seria a Zendaya porque seria um caminho muito menos previsível, mais original e mais interessante do que ser o homem do relacionamento, e não é do fetio do Kristoffer ir por caminhos mais previsíveis. Todos os links e matérias falando do filme eu passava direto. Fui ver o trailer pensando "se revelarem o segredo aqui tudo bem, era pra ser assim", e o segredo não era revelado mas agora eu podia confirmar que a dona do segredo era a personagem da Zendaya. E eis que chegou o momento de ir ao cinema. E pra não ter nenhuma chance de arruinar a experiência de ninguém como a minha não foi arruinada, por acreditar que é um filme que é muito melhor se assistido no escuro sem saber de nada eu vou falar sobre o filme nas próximas linhas sem mencionar em nenhum momento qual o segredo da personagem. Quando começa a fatídica cena em que quatro personagens começam em ordem um por um a revelar a pior coisa que já fizeram eu tava muito ansioso, talvez seja a maior ansiedade que eu vou experimentar com filmes e audiovisual esse ano porque eu sabia que dali nasceria o mote do filme. Quando foi revelado por um milésimo de segundo bateu uma pequena decepção porque a realidade nunca vai conseguir superar a imaginação, quando a gente só tem a imaginação a gente imagina mil ideias mirabolantes, mas foi uma decepção minúscula que só durou menos de um segundo mesmo porque daí pro final eu já tava completamente investido achando o máximo, achando realmente pesado e sombrio, achando muito original porque nunca tinha visto esse tema ser explorado dessa forma específica no cinema. E foi só diversão literalmente, porque por mais sombrios que sejam os temas dos filmes Kristoffer Borgli eles são filmes de comédia, é isso nunca tinha ficado tão evidente pra mim como ficou em The Drama. Porque The Drama foi o primeiro filme dele que eu vi no cinema e acompanhar os risos altíssimos da galera ao mesmo tempo que eu também tava rindo foi uma das melhores experiências. Muito gratificante ver o humor ácido talvez meu tipo de humor favorito ser tão bem recebido por todos, a gente pode cair no pensamento elitista de achar que o povão e o cidadão médio só podem ser afetados pelo humor mais bobo e genérico mas não é verdade porque humor é humor, só precisa ser bem feito. E The Drama é um dos melhores filmes de comédia que existem, com direito a tema sombrio, reflexão sobre sociedade, acidez e exatamente tudo que eu esperaria de um filme de Kristoffer Borgli. Eu não tenho nehuma ressalva, nenhum ponto fraco pra colocar. Eu saí do cinema com um sorriso no rosto e completamente satisfeito.
Eu finalmente fui assistir o filme do Ryan Gosling no espaço. E é muito bom, muito envolvente. Me arrancou muitos risos e me fez chorar bem fácil. Aqui eles exploram pouco a vertente Ryan Gosling ator de comédia impecável. O humor tá quase todo no texto, tem bem pouco humor físico, parece ter pouco espaço pra improvisação mas de qualquer forma entra no hall de filmes onde o Ryan Gosling prova que fazer rir é o que ele sabe fazer de melhor, juntamente com A Garota Ideal, Dois Caras Legais e Barbie
Desde Turning Red que um filme da Pixar não me deixava completamente tocado, sensibilizado e impactado. Primeiro que é um filme que fala de muita coisa pertinente e importante: o combate ao desmatamento, a preservação do meio ambiente, a classe política sociopata e cínica, o impacto negativo do capitalismo no mundo, a união e organização das classes menos favorecidas contra os dominantes, a não violência e tentativa do dialógo até onde for possível. O personagem do Rei George me lembrou o Principe Ashitaka de Princesa Mononoke. Guardadas as devidas proporções ambos estão no meio de um conflito e querem mediar da forma que for melhor pra todo mundo sem condenar ou destruir nenhum dos lados mesmo que um esteja visivelmente muito mais errado que outro. E segundo (e agora vem a parte mais empolgante pra mim)
é um filme completamente engraçado e imprevísivel. De certa forma me senti como quando assisti Parasita pela primeira vez, ou como quando assisti Weapons. Sem sequer conseguir conceber todos os acontecimentos que viriam a seguir, é um filme que se beneficia muito se você for assistir sem saber absolutamente nada sobre a história. Uma das cenas mais marcantes é quando aquela que é claramente a vilã do filme pela composição da personagem em cena, pelo seu discurso, e pelo trabalho de divulgação prévio é morta em questão de segundos como se não fosse nada. O choque total meu e de todos no cinema seguido dos risos nervosos pela cena que se segue é uma das experiências mais incriveis que eu tive com filmes esse ano, e foi brilhantemente conduzido pelo diretor pra provocar exatamente todas essas reações. Fora a parte da emoção bem comum aos filmes da Pixar que também tá bem presente. E tem um tubarão gigante horripilante sendo içado por pássaros, gente, tem coisa mais diferente e mais original que isso? Pra melhorar tudo o tubarão ainda tem uma voz feminina calorosa e se chama Diane o que me quebrou muito KKKKKKKKKKKKKK É um filme que não tem medo de ousar, eu sinto que nenhuma decisão narrativa por mais absurda que fosse foi censurada ou descartada, tá tudo em tela e isso que dá a maior força pro filme.
A Pixar finalmente voltou aos eixos! Agora esperamos que não saia mais e que Toy Story 5 seja perfeito como todos os outros filmes anteriores da franquia! Agora um adendo que não tira em nada qualidade do filme mais vale a pena comentar, já que eu citei Weapons, assim como o filme de terror do ano passado esse também foi completamente sabotado pelo marketing brasileiro, que título mais tosco, genêrico e que não diz nada sobre o filme. Custava chamar de Saltadores?
Achei inferior que o filme anterior, menos coeso, com uma estrutura narrativa mais estranha, com uma diminuição muito significativa da participação do protagonista Spike que tanto tinha me cativado. Mas eu ainda amo esse universo do Alex Garland, amo o memorial aos mortos, amo tudo sobre o personagem Ian Kelson, amo tudo sobre a mitologia... Amo como esses novos filmes conseguem homenagear e seguir o legado do filme original ao mesmo tempo que conseguem criar uma personalidade nova própria. Continuam tendo minha atenção e meu coração.
É uma vibe bem Terrence Malick até pra mim que conheço pouquíssimo da obra dele e não gosto do seu único filme que assisti Mas desse eu gostei bastante, então até segunda ordem é melhor que Terrence Malick pra mim
Porque esse filme existe? Eu me perguntava antes de assistir, e agora tendo já assistido continuo me perguntando. Porque esse filme existe? Não me entenda mal, não tô querendo julgar nada nem ninguém, nem colocando algum juízo de valor nisso. Nada contra quem curte uns cara correndo de carro. E o filme mesmo não me ofendeu, até me entreteve. A minha questão é genuinamente não entender o que leva alguém a fazer esse filme. Que pessoa tava em casa e do nada pensou "Porque a gente não chama o Brad Pitt pra fazer um filme de Fórmula 1, e sabe qual pode ser o título que eu pensei aqui agora? Fórmula 1" Será que eles tão em baixa no mercado e tão tentando atrair mais gente pelo cinema? Porque poderia ser qualquer corrida de carro com outro nome, poderia ter qualquer título gênerico de drama esportivo. Mas não... Chama Fórmula 1 e é simplesmente sobre Fórmula 1. Eu se fosse eles teria medo de gastar o título na primeira oportunidade que aparece porque vai que daqui 10 anos surge um roteiro incrível e impecável e aí eles não podem mais usar a marca porque já foi usada nesse aqui? Fora que é uma marca que engloba muita coisa, é a assinatura que representa todo o universo dos carros, dos pilotos, desse mundo das corridas, do legado... você acha que esse filme específico vai conseguir representar tudo isso pra um alienígena que caísse na terra hoje e não soubesse nada a respeito? Esse filme seria uma maneira legal de apresentar? Eles devem ter achado que sim. E tá tudo certo. Mas eu enxergando propósito ou não, o fato é que o filme existe e é aceitável. Longe de ser inovador e revolucionário. Longe de me tocar e me empolgar como Top Gun Maverick, filme anterior do diretor, mesmo a trama dos dois filmes sendo idênticas. Mas é aceitável.
Esse é o terceiro filme que eu vejo da diretora Kaouther Ben Hania, e eu já posso concluir como ela é genial ao sempre buscar inovar na narrativa que conta. Em As 4 Filhas de Olfa ela fez isso ao mesclar pessoas reais com atores, documentário com dramatização. E aqui ela faz o mesmo ao decidir sabiamente utilizar os áudios reais da menina que dá nome ao título e vídeos reais da equipe do Crescente Vermelho mesclado com a dramatização. Quase no finzinho do filme eu cheguei a torcer muito e implorar por dentro pra que a diretora não dilacerasse o meu coração e ousasse mais uma última inovação de narrativa. (Uma que um diretor americano que não vale a pena mencionar ainda mais nesse contexto já empregou algumas vezes em seus filmes ambientados em períodos históricos e uma que também já foi usada de forma catártica em um filme do Joe Wright cujo título não revelarei pra não estragar a experiência de ninguém). Eu tô falando de simplesmente substituir o final doloroso verdadeiro por um final mais feliz ou no mínimo otimista, pelo menos nesse filme a garotinha poderia ter um final feliz que pros países que não tão sendo bombardeados significa uma vida normal de criança. Depois a diretora escurece a tela com uma mensagem assolando a todos com a verdade e com a denúncia. Isso era o que eu pensava. Mas quem eu acho que sou? Eu querendo um final mais palatável por puro egoísmo, pra que eu possa me sentir melhor na minha casa confortável? Mas a realidade não pode ser mudada, as pessoas morreram de verdade em Gaza enquanto o mundo assistia sem fazer nada. Milhares de pessoas, milhares de homens, mulheres e crianças, milhares de Hind Rajab que não podem ter seus destinos reescritos como se fossem roteiros de filmes. É trágico, é doloroso, é terrível apenas testemunhar de longe o horror. Imagina como deve ter sido pra quem viveu e morreu sob ele? Então não existe outra forma de abordar o inaceitável que não seja com um final extremamente difícil de aceitar.
Não é nem de longe o primeiro filme iraniano que eu vejo mas é o primeiro desse diretor, cuja a obra ainda não conheço. E eu em hipótese nenhuma tava esperando que tivesse um quê de comédia. Isso foi uma grata surpresa. Me peguei em vários momentos achando divertido. Acho que no final o filme não sabe como acabar e recorre a um final rápido e aquém de tudo que vinha sendo apresentado antes. Mas eu gostei muito apesar disso.
É exatamente o que eu achava que fosse, um filme fraquinho, clichê e previsível. Mas até que me manteve entretido por algum tempo, eu tenho um fraco por filme de gente surtada.
Achei meio sem propósito, a tragédia pela tragédia, não me remeteu a nada, nem me levou a nenhuma reflexão. E eu juro que isso não tem nada a ver com a piadinha irônica do diretor com o Brasil e o cinema brasileiro, eu não sou uma pessoa rancorosa nem sou de me importar com deboche alheio. Fui de coração aberto pra gostar e ser tocado pelo filme, só não rolou.
Eu não sou uma pessoa difícil de agradar, se você me der humor ácido e crítica ao capitalismo você já me ganha. O Bong Joon Ho já me entregou isso em toda a filmografia dele praticamente, agora chegou a vez do seu estimado conterrâneo que eu admiro muito me entregar também. Eu recebi e amei cada segundo.
Um filme que começa com Forever Young numa das sequências mais ousadas e únicas que o cinema produziu esse ano e termina com Tears for Fears não tem como ser um filme ruim. Tem talvez a melhor performance da vida do menino Timothee e tem tudo que eu amo no cinema dos irmãos Safdie só que agora numa ambientação de época e com a assinatura só de um dos irmãos. Mas o outro não fez falta, com todo respeito a ele, vou até assistir o filme dele com o The Rock pra ver se eu gosto também.
Assistindo pela primeira vez pra poder rever o filme mais recente do diretor. E como eu demorei pra ver esse... Deveria ter me deliciado muito antes com essa maravilhosa história de amor "parkchanwookiana"
Primeira coisa: Que pessoas tão imaturas são essas que não conseguem cogitar a possibilidade de encontrarem uma eternidade em comum pra viverem juntos? Quem disse que precisa escolher um? Porque tem que escolher um? Mas ok, vamos só aceitar que é assim porque precisa ser assim pra trama acontecer. Mas aí a gente esbarra em outras coisas tão absurdas quanto... Como assim ela tem que visitar a eternidade dos dois pra escolher qual vai ficar? Ela não tem uma opção de eternidade pra ela? Ela tem que se adequar a dos outros? Ela não tem amor próprio? Gosto próprio? Isso beira o sexismo. Aí ela toma a decisão dela, e 5 minutos depois o cara vem e fala por sabe lá Deus qual motivo que ela deveria ficar com o outro e ela aceita? Ela levou um tempão pra chegar na decisão pra simplesmente vim um cara e decidir por ela e ela concordar sem nem hesitar? E fica pior, é uma decisão irreversível pra toda a eternidade (o filme deixa claro) e ela toma a decisão dessa forma boba e repentina só pra obviamente se arrepender depois? Sendo que tinha a opção de viver indefinidamente naquele lugar sem escolher uma eternidade como o primeiro marido dela viveu sessenta e poucos anos. Ela tinha literalmente todo o tempo que ela precisasse pra tomar uma decisão tão importante e ela toma rapidinho como se não fosse nada ainda deixando outra pessoa escolher por ela? E como se não bastasse o filme simplesmente acaba forçando um final feliz sendo que o próprio filme já tinha deixado bem claro que a pessoa que foge da eternidade escolhida vai ser sempre uma fugitiva que se for pega vai ser jogada no vazio, ou seja que tipo de final feliz vai ser esse pra ela? Viver se escondendo? Torcendo pra nunca ser encontrada? Tendo que ficar sempre alerta? Sem nunca poder relaxar? Mas foda-se! O filme simplesmente acaba passando por cima ou simplesmente ignorando as próprias regras que ele criou.
O fato de eu ter assistido esse filme logo depois de Se Eu Tivesse Pernas Eu Te Chutaria acabou prejudicando muito a experiência para mim. Apesar de partirem de premissas parecidas, o primeiro tava envolto numa embalagem muito mais atraente, equilibrando comédia e terror de forma saborosa, além de permitir uma compreensão mais clara da protagonista e do drama que ela vivia. Já esse é excessivamente exaustivo, com a sensação constante de que a narrativa não avança para lugar algum. A protagonista tá sempre à beira da loucura, sempre se pondo de quatro (literalmente) em todas as oportunidades possíveis mesmo quando ainda não suspeitava da infidelidade do marido e portanto não tinha tantas justificativas para um comportamento que foge do normal, e o espectador encontra muito mais dificuldade para acessar compreender ela por mais empatico que possa ser. Talvez tudo isso seja uma escolha deliberada da diretora, uma tentativa consciente de provocar cansaço e desconforto ao acompanhar a deterioração psicológica de uma mulher. Ainda assim, o primeiro filme que eu mencionei também busca causar desconforto e, na minha percepção, consegue entregar uma experiência infinitamente mais envolvente, mais coesa e melhor. Não consegui gostar deste, o que é uma pena, porque gosto muito de Precisamos Falar Sobre Kevin, outro trabalho da diretora.
Eu já amava esse filme antes mesmo de assistir, apenas pelo título. Eu tenho fascínio por nomes que fogem do padrão, que são longos demais ou curtos demais, que soam diferentes e despertam curiosidade. O fato de eu ainda não ter conseguido decifrar o título por completo torna tudo ainda mais interessante, porque a arte não precisa ser óbvia e nem sempre precisa fazer sentido literal, desde que isso dialogue com a proposta da obra. É um título estranho, pois que tipo de ser não tem pernas? Isso me leva a pensar que talvez não se trate de um ser vivo, mas de algo inanimado ou até de um sentimento ligado à protagonista, uma sensação de fracasso ou mesmo os próprios buracos que simbolizam o caos da vida dela. No fim das contas entender totalmente o título não é o que mais importa para mim. O essencial é que eu compreendi plenamente o filme e mergulhei nele à minha maneira, independentemente de a minha interpretação coincidir ou não com a intenção da diretora, porque a arte é livre para ser sentida e interpretada contanto que tenha base no que tá em cena. E eu amei cada segundo desse drama com mistos de terror e comédia. Adoro a decisão de concentrar a maior parte da narrativa só na protagonista, mantendo a filha e o marido fora de quadro para reforçar a sensação de solidão e claustrofobia. Eu amo absolutamente tudo nesse filme.
Tô aqui limpando o palato depois de ver a sátira softporn melodramática que a Emerald Fennell cometeu contra o legado da Emily Brontë e contra a humanidade.
Ela pegou um livro clássico e consagrado, esvaziou todas as partes interessantes e complexas da história, acrescentou putaria e ignorou completamente a etnia do personagem que era relevante pra trama escalando um cara branco feio no lugar (o que só não foi pior pra mim porque eu tenho muita simpatia pelo menino Owen Cooper por sua performance monumental e transcendental em Adolescencia).
Mas ela pelo menos teve a fineza de colocar o título entre aspas, simbolizando que não é uma adaptação séria, é só uma sátira softporn e melodramática da obra original. Talvez por causa disso a Emily Brontë não se revire no túmulo e não tente assombrar a janela da casa dela.
Acho que o filme se esforça muito pra arrancar o choro nas atuações, na direção em tudo, mas quase que ele não consegue. Não consegui me envolver e fui assistir aberto, gostaria de ter chorado mais. Talvez se não fosse tão over tivesse me tocado mais, menos é mais. E o Max Richter usar a mesma música linda e catártica dele que embalou Ilha do Medo e The Last of Us e que ficou muito associada no meu coração com a obra-prima audiovisual A Chegada soa ao mesmo tempo covardia por apostar no seguro e um problema pro filme porque nos faz lembrar deproduções melhores que ostentaram a canção. Mas no mais eu gosto da abordagem da ressignificar a dor, os traumas e o luto e transformar em arte só tem que ter cuidado pra não romantizar isso. E infelizmente pra esse filme, esse ano Valor Sentimental tratou desse tema infinitas vezes melhor.
Amei, é isso mesmo. A bíblia é um fonte inesgotável pra fazer piada tamanha a coleção de absurdos, delírios e incoerências. Exceto pela parte de Jesus e o amor ao próximo não tem muito o que tirar dali. E enquanto tiver gente usando livro arcaico de fábulas pra impor coisas na vida dos outros, especiais como esse se fazem necessários. Tudo bem que você goste da bíblia mas eu não sou obrigado a gostar, eu só gosto de Jesus, apenas Jesus. O que eu tenho a ver com um monte de livros delirantes escritos por homens que eu não sei quem são de trocentos anos atrás? Historinha por historinha a mitologia grega é muito mais interessante.
Dia D
3.0 543 Assista AgoraSpielberg sabe das coisas, sabe fazer filmes, contar histórias e manipular o sentimento como se não fosse nada, como se fosse fácil. Isso é cinema com C maiúsculo. Josh O'Connor é muito bom, sabe fazer mocinhos cativantes, fez muito bem aqui e no terceiro Entre Facas e Segredos. Os únicos problema do filme pra mim são a simplicidade e superficialidade das discussões mais complexas e filosóficas, é tudo muito raso, e a abordagem visual dos ets e ovnis, que além de ser genérica e lugar comum ainda me soou artificial, pouco verossimilhante. Mesmo eu sendo uma pessoa cética eu não tenho problemas em acreditar que exista vida fora da Terra, é muito provável. Que organizações secretas do governo saibam de informações secretas e escondam isso eu também consigo acreditar. Agora que os ets são aqueles mesmos seres humanóides cabeçudinhos como sempre foram retratados na cultura pop aí não dá pra mim. Porque uma espécie que teoricamente não teria absolutamente nada a ver conosco teria uma aparência tão similar? Pra mim faltou inventividade e originalidade nesse aspecto do filme.
Dito isso, é uma das experiências mais maravilhosas pra se ter no cinema, eu recomendo pra qualquer um. É Spielberg, é trilha sonora do John Williams, é cinema.
Todo Mundo em Pânico
2.6 354 Assista AgoraÉ muito menos engraçado do que eu tava esperando, e desinteressante a maior parte do tempo, já não evoca mais a mesma graça e fator de entretenimento que os quatro filmes anteriores evocavam. Mas o filme ser quase que 100% metalinguístico desde o primeiro segundo é uma coisa que me pegou muito, e é uma novidade nessa franquia, pelo menos nesse nível, de tal forma que o clímax da trama é todo baseado na metalinguagem, eu curti muito isso muito mesmo mas não a ponto de deixar o filme menos fraco pra mim.
Obsessão
3.9 927 Assista AgoraEu já vi um curta desse diretor no YouTube que aliás esqueci de marcar aqui, no curta já dava pra reconhecer as qualidades dele.
Mais uma vez alguém que vem da comédia se mostra um grande talento do terror, isso não me surpreende porque os dois gêneros tão muito mais próximos do que se imagina, o absurdo abraça os dois. E eu amo como esse filme abraça o absurdo desde o primeiro momento.
Desde o momento que o elemento sobrenatural entra em cena o filme não perde nenhum segundo sequer em explorar a situação sempre da forma mais absurda possível o que é um elogio.
Eu também amo muito a decisão do filme de deixar bem claro a todo momento que a personagem que é a ameaça, também é uma vítima. Essa é a grande sacada. É um filme que faz jus a seu tempo. Seria muito fácil e cômodo pro diretor omitir a verdadeira consciência da personagem e fazer parecer que ela só simplesmente começou a gostar do cara de verdade. Mas se recusando a fazer isso ele faz justiça a personagem, abre margem pra interpretações sobre relacionamentos modernos, machismo e sexismo e ainda torna o filme muito mais complexo e sombrio. O cara é uma vítima num filme de terror, mas ela é uma vítima muito maior, uma pessoa obrigada a ser o que não é, fazer o que não quer fazer, é quase um estupro.
Não tô também querendo condenar o cara, todos somos um pouco egoístas e é claro que ele não achou que o negócio funcionasse. Mas nada disso muda o fato de que tudo que acontece são consequências dos atos dele.
Nunca imaginaria que entre um filme que se propunha a explorar um conceito novo e promissor da internet e um outro que fala do clichê do obsessão o segundo é que fosse permanecer comigo e ficar na minha cabeça. Mas isso é fruto de um filme bem feito em todos os seus aspectos.
Esse cara faz até parecer fácil fazer um filme de terror bom.
Viva os jovens cineastas e o viva YouTube! Que em 2026 ajudaram a contribuir muito pro cinema de terror.
Backrooms: Um Não-Lugar
3.2 455 Assista Agora<spoiler> O conceito sempre me pareceu promissor e prato cheio pra construção do medo e do desconforto. Acho interessante que na expansão dessa ideia o diretor também priorize a expansão e o desenvolvimento dos personagens mas como tudo isso conversa com a história ainda é nebuloso de entender pra mim. Meu único palpite é que os nossos traumas e medos servem de inspiração pra construção das backrooms, a única coisa que eu consegui pensar. Isso explicaria a versão humanoide bizarra de um dos personagens que surge em tela, e a réplica dos lugares e móveis e objetos. Os escombros da casa demolida da outra personagem. É muito interessante que o maior trauma dela se opõe às backrooms, é a exemplificação física da sua infância ser destruída enquanto as backrooms são reconstruções de tantas lembranças e vidas.
Pro meu lado emocional que quer sentir medo o melhor do filme é a sequência inicial e a sequência que o personagem volta ao lugar com outros dois, não por acaso as duas sequências emulando o estilo found footage que tava na estética do curta original. É justamente a simplicidade, o menos e o desconhecido que mais têm sucesso em me assustar, então não saber o que vai ter quando virar o corredor e não saber quem tá puxando a corda são coisas que me pegam mais, e ter uma ameaça de verdade correndo atrás ou muito foco em pessoas desfiguradas já não me pega tanto. Quanto mais você consegue olhar pra coisa mais vai se esvaindo o medo.
Por outro lado, o meu lado racional aprecia muito toda a sequência com os personagens sobre a mesa e a perseguição em seguida por reconhecer uma emulação de pesadelo interessante, de algo que é desconfortável e incômodo mas difícil de explicar aos outros.
Esse conflito interno resume todo o meu sentimento em relação ao filme, eu acho que gostei mas não amei.
Uma rara vez que eu achei que sequências são bem vindas, não pra explicar o que são as backrooms e como surgem porque aí eu também acho que pode matar o terror, mas pra expandir, explorar o conceito sob a visão de outro cineasta. Eu na minha ingênua expectativa achei que veria o filme definitivo sobre esse tema e sobre espaços liminares, mas não é, é um pequeno segmento de algo que tem muito mais a render no meu ponto de vista. Posso estar errado também. </spoiler>
O Drama
3.6 493 Assista AgoraPra começar a falar desse filme eu sinto que eu tenho que começar fazendo uma introdução sobre Kristoffer Borgli e como o cinema dele chegou até mim.
Eu no meu hábito de ficar pesquisando sobre filmes e como um fã de Ari Aster que tinha adorado toda a filmografia dele, o que infelizmente já não é mais o caso, acabei descobrindo que Ari tava produzindo um filme com Nicolas Cage que se chamava Dream Scenario, apenas isso, nenhuma sinopse, eu fiquei curioso pelo gênero ser descrito como terror/comédia e guardei isso comigo até o momento de assistir.
Quando finalmente assisti fiquei maravilhado como o filme trazia um conceito super diferente e interessante, que me lembrou Quero Ser John Malkovich do Charlie Kaufman, e explorava esse conceito muito bem, até discutindo sociedade e mundo moderno, com um forte humor ácido que eu amo muito. Aí voltando ao meu hábito de pesquisar fui tentar descobrir tudo sobre o diretor, aí descobri que ele tinha um único outro longa feito no país dele Sick of Myself, que eu fui assistir correndo, amei completamente também e aí eu entendi qual era a vibe dele, o tipo de humor que ele fazia, o tipo de história que ele contava e o tipo de discussões que explorava. Me tornei fã, e como acontece com tudo na minha vida eu com o tempo esqueci disso tudo e continuei vivendo, eu sou fã de tanta coisa que eu não fico lembrando de tudo o tempo todo, mas tudo fica guardado em mim.
O que nos traz a The Drama.
Muito tempo depois já esse ano começa a rolar muito um papo na bolha cinéfila de internet de que a Zendaya vai tá em todos os grandes filmes, que vai repetir três vezes a parceria com o Robert Pattinson num filme do Nolan que eu particularmente tenho muito interesse, num filme do Villeneuve que tenho mais interesse ainda e nesse The Drama.
Circulou até que Robert Pattinson nos bastidores desse The Drama teria pedido a Zendaya para ser escalado no novo Duna, o que teria ocasionado sua escalação.
Assim The Drama chegou até mim e eu mais uma vez curioso fui fazer o que faço sempre, fui pesquisar.
A primeira coisa que soube foi a sinopse que já achei muito interessante e me despertou um leve interesse. "Um casal de noivos prestes a se casar, um deles descobre um segredo bizarro sobre o outro e não consegue tirar isso da cabeça o que afeta o relacionamento." Já era interessante por si só, mas aí eu fui pesquisar sobre o diretor e qual minha surpresa? Era nada mais nada menos que Kristoffer Borgli, o diretor de Dream Scenario e Sick of Myself, aí o meu interesse foi lá nas alturas, de repente eu tava mil vezes mais ansioso pra assistir esse filme do que pra assistir Odisseia ou Duna Parte 3 que foram feitos provavelmente com o triplo de dinheiro desse. Porque Odisseia e Duna eu meio que já sabia o que esperar, são adaptações de histórias já muito conhecidas, onde já se sabe o tom e tudo mais. Já The Drama era uma história original em todos os sentidos da palavra de um dos diretores mais originais e interessantes dos últimos tempos.
Aí eu passei todos os dias seguintes até o momento de cinema fugindo de spoiler porque eu sabia que o filme ia girar em torno do tal segredo sombrio e se ele não era dito na divulgação de marketing eu não deveria saber, eu não queria estragar nenhum milímetro da minha experiência com o novo filme do Kristoffer Borgli, eu queria ser surpreendido, entretido, queria me divertir e refletir como das outras vezes. Eu nem sequer sabia qual dos dois noivos tinha o segredo, isso também não era uma informação divulgada, eu presumia que seria a Zendaya porque seria um caminho muito menos previsível, mais original e mais interessante do que ser o homem do relacionamento, e não é do fetio do Kristoffer ir por caminhos mais previsíveis.
Todos os links e matérias falando do filme eu passava direto.
Fui ver o trailer pensando "se revelarem o segredo aqui tudo bem, era pra ser assim", e o segredo não era revelado mas agora eu podia confirmar que a dona do segredo era a personagem da Zendaya.
E eis que chegou o momento de ir ao cinema.
E pra não ter nenhuma chance de arruinar a experiência de ninguém como a minha não foi arruinada, por acreditar que é um filme que é muito melhor se assistido no escuro sem saber de nada eu vou falar sobre o filme nas próximas linhas sem mencionar em nenhum momento qual o segredo da personagem.
Quando começa a fatídica cena em que quatro personagens começam em ordem um por um a revelar a pior coisa que já fizeram eu tava muito ansioso, talvez seja a maior ansiedade que eu vou experimentar com filmes e audiovisual esse ano porque eu sabia que dali nasceria o mote do filme.
Quando foi revelado por um milésimo de segundo bateu uma pequena decepção porque a realidade nunca vai conseguir superar a imaginação, quando a gente só tem a imaginação a gente imagina mil ideias mirabolantes, mas foi uma decepção minúscula que só durou menos de um segundo mesmo porque daí pro final eu já tava completamente investido achando o máximo, achando realmente pesado e sombrio, achando muito original porque nunca tinha visto esse tema ser explorado dessa forma específica no cinema. E foi só diversão literalmente, porque por mais sombrios que sejam os temas dos filmes Kristoffer Borgli eles são filmes de comédia, é isso nunca tinha ficado tão evidente pra mim como ficou em The Drama. Porque The Drama foi o primeiro filme dele que eu vi no cinema e acompanhar os risos altíssimos da galera ao mesmo tempo que eu também tava rindo foi uma das melhores experiências. Muito gratificante ver o humor ácido talvez meu tipo de humor favorito ser tão bem recebido por todos, a gente pode cair no pensamento elitista de achar que o povão e o cidadão médio só podem ser afetados pelo humor mais bobo e genérico mas não é verdade porque humor é humor, só precisa ser bem feito. E The Drama é um dos melhores filmes de comédia que existem, com direito a tema sombrio, reflexão sobre sociedade, acidez e exatamente tudo que eu esperaria de um filme de Kristoffer Borgli.
Eu não tenho nehuma ressalva, nenhum ponto fraco pra colocar. Eu saí do cinema com um sorriso no rosto e completamente satisfeito.
Devoradores de Estrelas
4.0 798 Assista AgoraEu finalmente fui assistir o filme do Ryan Gosling no espaço.
E é muito bom, muito envolvente. Me arrancou muitos risos e me fez chorar bem fácil.
Aqui eles exploram pouco a vertente Ryan Gosling ator de comédia impecável.
O humor tá quase todo no texto, tem bem pouco humor físico, parece ter pouco espaço pra improvisação mas de qualquer forma entra no hall de filmes onde o Ryan Gosling prova que fazer rir é o que ele sabe fazer de melhor, juntamente com A Garota Ideal, Dois Caras Legais e Barbie
Cara de Um, Focinho de Outro
3.7 120 Assista AgoraDesde Turning Red que um filme da Pixar não me deixava completamente tocado, sensibilizado e impactado.
Primeiro que é um filme que fala de muita coisa pertinente e importante: o combate ao desmatamento, a preservação do meio ambiente, a classe política sociopata e cínica, o impacto negativo do capitalismo no mundo, a união e organização das classes menos favorecidas contra os dominantes, a não violência e tentativa do dialógo até onde for possível.
O personagem do Rei George me lembrou o Principe Ashitaka de Princesa Mononoke. Guardadas as devidas proporções ambos estão no meio de um conflito e querem mediar da forma que for melhor pra todo mundo sem condenar ou destruir nenhum dos lados mesmo que um esteja visivelmente muito mais errado que outro.
E segundo (e agora vem a parte mais empolgante pra mim)
é um filme completamente engraçado e imprevísivel. De certa forma me senti como quando assisti Parasita pela primeira vez, ou como quando assisti Weapons. Sem sequer conseguir conceber todos os acontecimentos que viriam a seguir, é um filme que se beneficia muito se você for assistir sem saber absolutamente nada sobre a história.
Uma das cenas mais marcantes é quando aquela que é claramente a vilã do filme pela composição da personagem em cena, pelo seu discurso, e pelo trabalho de divulgação prévio é morta em questão de segundos como se não fosse nada. O choque total meu e de todos no cinema seguido dos risos nervosos pela cena que se segue é uma das experiências mais incriveis que eu tive com filmes esse ano, e foi brilhantemente conduzido pelo diretor pra provocar exatamente todas essas reações. Fora a parte da emoção bem comum aos filmes da Pixar que também tá bem presente.
E tem um tubarão gigante horripilante sendo içado por pássaros, gente, tem coisa mais diferente e mais original que isso? Pra melhorar tudo o tubarão ainda tem uma voz feminina calorosa e se chama Diane o que me quebrou muito KKKKKKKKKKKKKK
É um filme que não tem medo de ousar, eu sinto que nenhuma decisão narrativa por mais absurda que fosse foi censurada ou descartada, tá tudo em tela e isso que dá a maior força pro filme.
A Pixar finalmente voltou aos eixos! Agora esperamos que não saia mais e que Toy Story 5 seja perfeito como todos os outros filmes anteriores da franquia!
Agora um adendo que não tira em nada qualidade do filme mais vale a pena comentar, já que eu citei Weapons, assim como o filme de terror do ano passado esse também foi completamente sabotado pelo marketing brasileiro, que título mais tosco, genêrico e que não diz nada sobre o filme. Custava chamar de Saltadores?
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Extermínio: O Templo dos Ossos
3.3 269 Assista AgoraAchei inferior que o filme anterior, menos coeso, com uma estrutura narrativa mais estranha, com uma diminuição muito significativa da participação do protagonista Spike que tanto tinha me cativado.
Mas eu ainda amo esse universo do Alex Garland, amo o memorial aos mortos, amo tudo sobre o personagem Ian Kelson, amo tudo sobre a mitologia...
Amo como esses novos filmes conseguem homenagear e seguir o legado do filme original ao mesmo tempo que conseguem criar uma personalidade nova própria.
Continuam tendo minha atenção e meu coração.
Sonhos de Trem
3.7 361 Assista AgoraÉ uma vibe bem Terrence Malick até pra mim que conheço pouquíssimo da obra dele e não gosto do seu único filme que assisti
Mas desse eu gostei bastante, então até segunda ordem é melhor que Terrence Malick pra mim
F1: O Filme
3.7 452 Assista AgoraPorque esse filme existe?
Eu me perguntava antes de assistir, e agora tendo já assistido continuo me perguntando.
Porque esse filme existe?
Não me entenda mal, não tô querendo julgar nada nem ninguém, nem colocando algum juízo de valor nisso. Nada contra quem curte uns cara correndo de carro. E o filme mesmo não me ofendeu, até me entreteve.
A minha questão é genuinamente não entender o que leva alguém a fazer esse filme.
Que pessoa tava em casa e do nada pensou "Porque a gente não chama o Brad Pitt pra fazer um filme de Fórmula 1, e sabe qual pode ser o título que eu pensei aqui agora? Fórmula 1"
Será que eles tão em baixa no mercado e tão tentando atrair mais gente pelo cinema? Porque poderia ser qualquer corrida de carro com outro nome, poderia ter qualquer título gênerico de drama esportivo. Mas não...
Chama Fórmula 1 e é simplesmente sobre Fórmula 1.
Eu se fosse eles teria medo de gastar o título na primeira oportunidade que aparece porque vai que daqui 10 anos surge um roteiro incrível e impecável e aí eles não podem mais usar a marca porque já foi usada nesse aqui? Fora que é uma marca que engloba muita coisa, é a assinatura que representa todo o universo dos carros, dos pilotos, desse mundo das corridas, do legado... você acha que esse filme específico vai conseguir representar tudo isso pra um alienígena que caísse na terra hoje e não soubesse nada a respeito?
Esse filme seria uma maneira legal de apresentar?
Eles devem ter achado que sim. E tá tudo certo.
Mas eu enxergando propósito ou não, o fato é que o filme existe e é aceitável. Longe de ser inovador e revolucionário. Longe de me tocar e me empolgar como Top Gun Maverick, filme anterior do diretor, mesmo a trama dos dois filmes sendo idênticas. Mas é aceitável.
A Voz de Hind Rajab
4.2 147 Assista AgoraEsse é o terceiro filme que eu vejo da diretora Kaouther Ben Hania, e eu já posso concluir como ela é genial ao sempre buscar inovar na narrativa que conta. Em As 4 Filhas de Olfa ela fez isso ao mesclar pessoas reais com atores, documentário com dramatização. E aqui ela faz o mesmo ao decidir sabiamente utilizar os áudios reais da menina que dá nome ao título e vídeos reais da equipe do Crescente Vermelho mesclado com a dramatização.
Quase no finzinho do filme eu cheguei a torcer muito e implorar por dentro pra que a diretora não dilacerasse o meu coração e ousasse mais uma última inovação de narrativa. (Uma que um diretor americano que não vale a pena mencionar ainda mais nesse contexto já empregou algumas vezes em seus filmes ambientados em períodos históricos e uma que também já foi usada de forma catártica em um filme do Joe Wright cujo título não revelarei pra não estragar a experiência de ninguém).
Eu tô falando de simplesmente substituir o final doloroso verdadeiro por um final mais feliz ou no mínimo otimista, pelo menos nesse filme a garotinha poderia ter um final feliz que pros países que não tão sendo bombardeados significa uma vida normal de criança. Depois a diretora escurece a tela com uma mensagem assolando a todos com a verdade e com a denúncia.
Isso era o que eu pensava.
Mas quem eu acho que sou? Eu querendo um final mais palatável por puro egoísmo, pra que eu possa me sentir melhor na minha casa confortável?
Mas a realidade não pode ser mudada, as pessoas morreram de verdade em Gaza enquanto o mundo assistia sem fazer nada. Milhares de pessoas, milhares de homens, mulheres e crianças, milhares de Hind Rajab que não podem ter seus destinos reescritos como se fossem roteiros de filmes.
É trágico, é doloroso, é terrível apenas testemunhar de longe o horror. Imagina como deve ter sido pra quem viveu e morreu sob ele?
Então não existe outra forma de abordar o inaceitável que não seja com um final extremamente difícil de aceitar.
Foi Apenas um Acidente
3.8 204 Assista AgoraNão é nem de longe o primeiro filme iraniano que eu vejo mas é o primeiro desse diretor, cuja a obra ainda não conheço. E eu em hipótese nenhuma tava esperando que tivesse um quê de comédia. Isso foi uma grata surpresa.
Me peguei em vários momentos achando divertido.
Acho que no final o filme não sabe como acabar e recorre a um final rápido e aquém de tudo que vinha sendo apresentado antes. Mas eu gostei muito apesar disso.
A Empregada
3.4 667 Assista AgoraÉ exatamente o que eu achava que fosse, um filme fraquinho, clichê e previsível.
Mas até que me manteve entretido por algum tempo, eu tenho um fraco por filme de gente surtada.
Sirāt
3.4 199 Assista AgoraAchei meio sem propósito, a tragédia pela tragédia, não me remeteu a nada, nem me levou a nenhuma reflexão.
E eu juro que isso não tem nada a ver com a piadinha irônica do diretor com o Brasil e o cinema brasileiro, eu não sou uma pessoa rancorosa nem sou de me importar com deboche alheio. Fui de coração aberto pra gostar e ser tocado pelo filme, só não rolou.
A Única Saída
3.7 159 Assista AgoraEu não sou uma pessoa difícil de agradar, se você me der humor ácido e crítica ao capitalismo você já me ganha.
O Bong Joon Ho já me entregou isso em toda a filmografia dele praticamente, agora chegou a vez do seu estimado conterrâneo que eu admiro muito me entregar também.
Eu recebi e amei cada segundo.
Marty Supreme
3.6 377 Assista AgoraUm filme que começa com Forever Young numa das sequências mais ousadas e únicas que o cinema produziu esse ano e termina com Tears for Fears não tem como ser um filme ruim.
Tem talvez a melhor performance da vida do menino Timothee e tem tudo que eu amo no cinema dos irmãos Safdie só que agora numa ambientação de época e com a assinatura só de um dos irmãos. Mas o outro não fez falta, com todo respeito a ele, vou até assistir o filme dele com o The Rock pra ver se eu gosto também.
Decisão de Partir
3.6 155Assistindo pela primeira vez pra poder rever o filme mais recente do diretor.
E como eu demorei pra ver esse...
Deveria ter me deliciado muito antes com essa maravilhosa história de amor "parkchanwookiana"
Eternidade
3.5 178 Assista AgoraNão consegui comprar, muita coisa nesse filme não fez o menor sentido pra mim num ponto que me irritou muito.
Primeira coisa: Que pessoas tão imaturas são essas que não conseguem cogitar a possibilidade de encontrarem uma eternidade em comum pra viverem juntos? Quem disse que precisa escolher um? Porque tem que escolher um?
Mas ok, vamos só aceitar que é assim porque precisa ser assim pra trama acontecer.
Mas aí a gente esbarra em outras coisas tão absurdas quanto...
Como assim ela tem que visitar a eternidade dos dois pra escolher qual vai ficar? Ela não tem uma opção de eternidade pra ela? Ela tem que se adequar a dos outros? Ela não tem amor próprio? Gosto próprio? Isso beira o sexismo.
Aí ela toma a decisão dela, e 5 minutos depois o cara vem e fala por sabe lá Deus qual motivo que ela deveria ficar com o outro e ela aceita? Ela levou um tempão pra chegar na decisão pra simplesmente vim um cara e decidir por ela e ela concordar sem nem hesitar?
E fica pior, é uma decisão irreversível pra toda a eternidade (o filme deixa claro) e ela toma a decisão dessa forma boba e repentina só pra obviamente se arrepender depois?
Sendo que tinha a opção de viver indefinidamente naquele lugar sem escolher uma eternidade como o primeiro marido dela viveu sessenta e poucos anos.
Ela tinha literalmente todo o tempo que ela precisasse pra tomar uma decisão tão importante e ela toma rapidinho como se não fosse nada ainda deixando outra pessoa escolher por ela?
E como se não bastasse o filme simplesmente acaba forçando um final feliz sendo que o próprio filme já tinha deixado bem claro que a pessoa que foge da eternidade escolhida vai ser sempre uma fugitiva que se for pega vai ser jogada no vazio, ou seja que tipo de final feliz vai ser esse pra ela? Viver se escondendo? Torcendo pra nunca ser encontrada? Tendo que ficar sempre alerta? Sem nunca poder relaxar?
Mas foda-se! O filme simplesmente acaba passando por cima ou simplesmente ignorando as próprias regras que ele criou.
Nada fez sentido pra mim.
Morra, Amor
3.1 193 Assista AgoraO fato de eu ter assistido esse filme logo depois de Se Eu Tivesse Pernas Eu Te Chutaria acabou prejudicando muito a experiência para mim. Apesar de partirem de premissas parecidas, o primeiro tava envolto numa embalagem muito mais atraente, equilibrando comédia e terror de forma saborosa, além de permitir uma compreensão mais clara da protagonista e do drama que ela vivia.
Já esse é excessivamente exaustivo, com a sensação constante de que a narrativa não avança para lugar algum. A protagonista tá sempre à beira da loucura, sempre se pondo de quatro (literalmente) em todas as oportunidades possíveis mesmo quando ainda não suspeitava da infidelidade do marido e portanto não tinha tantas justificativas para um comportamento que foge do normal, e o espectador encontra muito mais dificuldade para acessar compreender ela por mais empatico que possa ser.
Talvez tudo isso seja uma escolha deliberada da diretora, uma tentativa consciente de provocar cansaço e desconforto ao acompanhar a deterioração psicológica de uma mulher. Ainda assim, o primeiro filme que eu mencionei também busca causar desconforto e, na minha percepção, consegue entregar uma experiência infinitamente mais envolvente, mais coesa e melhor.
Não consegui gostar deste, o que é uma pena, porque gosto muito de Precisamos Falar Sobre Kevin, outro trabalho da diretora.
Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
3.6 205 Assista AgoraEu já amava esse filme antes mesmo de assistir, apenas pelo título. Eu tenho fascínio por nomes que fogem do padrão, que são longos demais ou curtos demais, que soam diferentes e despertam curiosidade. O fato de eu ainda não ter conseguido decifrar o título por completo torna tudo ainda mais interessante, porque a arte não precisa ser óbvia e nem sempre precisa fazer sentido literal, desde que isso dialogue com a proposta da obra. É um título estranho, pois que tipo de ser não tem pernas? Isso me leva a pensar que talvez não se trate de um ser vivo, mas de algo inanimado ou até de um sentimento ligado à protagonista, uma sensação de fracasso ou mesmo os próprios buracos que simbolizam o caos da vida dela. No fim das contas entender totalmente o título não é o que mais importa para mim. O essencial é que eu compreendi plenamente o filme e mergulhei nele à minha maneira, independentemente de a minha interpretação coincidir ou não com a intenção da diretora, porque a arte é livre para ser sentida e interpretada contanto que tenha base no que tá em cena.
E eu amei cada segundo desse drama com mistos de terror e comédia.
Adoro a decisão de concentrar a maior parte da narrativa só na protagonista, mantendo a filha e o marido fora de quadro para reforçar a sensação de solidão e claustrofobia. Eu amo absolutamente tudo nesse filme.
O Morro dos Ventos Uivantes
3.8 129 Assista AgoraTô aqui limpando o palato depois de ver a sátira softporn melodramática que a Emerald Fennell cometeu contra o legado da Emily Brontë e contra a humanidade.
O Morro dos Ventos Uivantes
2.9 309 Assista AgoraEla pegou um livro clássico e consagrado, esvaziou todas as partes interessantes e complexas da história, acrescentou putaria e ignorou completamente a etnia do personagem que era relevante pra trama escalando um cara branco feio no lugar (o que só não foi pior pra mim porque eu tenho muita simpatia pelo menino Owen Cooper por sua performance monumental e transcendental em Adolescencia).
Mas ela pelo menos teve a fineza de colocar o título entre aspas, simbolizando que não é uma adaptação séria, é só uma sátira softporn e melodramática da obra original. Talvez por causa disso a Emily Brontë não se revire no túmulo e não tente assombrar a janela da casa dela.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 485 Assista AgoraAcho que o filme se esforça muito pra arrancar o choro nas atuações, na direção em tudo, mas quase que ele não consegue. Não consegui me envolver e fui assistir aberto, gostaria de ter chorado mais. Talvez se não fosse tão over tivesse me tocado mais, menos é mais.
E o Max Richter usar a mesma música linda e catártica dele que embalou Ilha do Medo e The Last of Us e que ficou muito associada no meu coração com a obra-prima audiovisual A Chegada soa ao mesmo tempo covardia por apostar no seguro e um problema pro filme porque nos faz lembrar deproduções melhores que ostentaram a canção.
Mas no mais eu gosto da abordagem da ressignificar a dor, os traumas e o luto e transformar em arte só tem que ter cuidado pra não romantizar isso. E infelizmente pra esse filme, esse ano Valor Sentimental tratou desse tema infinitas vezes melhor.
Stand Up e Anda - Especial de Natal Porta dos …
3.0 3Amei, é isso mesmo.
A bíblia é um fonte inesgotável pra fazer piada tamanha a coleção de absurdos, delírios e incoerências. Exceto pela parte de Jesus e o amor ao próximo não tem muito o que tirar dali.
E enquanto tiver gente usando livro arcaico de fábulas pra impor coisas na vida dos outros, especiais como esse se fazem necessários.
Tudo bem que você goste da bíblia mas eu não sou obrigado a gostar, eu só gosto de Jesus, apenas Jesus. O que eu tenho a ver com um monte de livros delirantes escritos por homens que eu não sei quem são de trocentos anos atrás?
Historinha por historinha a mitologia grega é muito mais interessante.