A minissérie Brasil 70: A Saga do Tri, lançada pela Netflix, reacendeu o interesse do público por um dos momentos mais emblemáticos da história do futebol brasileiro: a conquista da Copa do Mundo de 1970, no México. A Netflix apresentou a obra como uma ficção baseada em fatos reais, recriando diálogos, conflitos e situações para preencher lacunas históricas e aproximar o espectador dos personagens.
A história do que aconteceu, as relações entre os jogadores, os obstáculos que a equipe enfrentou, a influência da política, todos os detalhes e situações dos jogos, as jogadas, os gols marcados, as curiosidades etc. são muito realistas. Qualquer pessoa que viveu aquela época pode facilmente confirmar isso. Esse é o principal mérito. Não há grandes fantasias ou exageros no roteiro. Tudo o que parece incrível ou ficção... era incrível!
Gosto da maneira como retratam Pelé como um ser humano, com defeitos, inseguranças e nem sempre como um líder nato. Ele era bem assim como pessoa (note que ele nunca foi capitão). Nem todo “atleta monstro” é totalmente bem resolvido. E suas questões com o regime militar sempre foram um pouco intrigantes e discutíveis no Brasil, um ponto de interrogação, como mostra o roteiro. A política precisava estar presente, talvez precisasse ser mais presente, mas eles evitaram irritar parte do público (a extrema direita) e afastá-lo do filme. Foi uma escolha.
No fim das contas, a série parece funcionar melhor quando entendida como uma dramatização histórica. Os fatos centrais, a preparação da Seleção, a troca de técnicos, a pressão política e a conquista do tricampeonato — são reais. Já boa parte dos conflitos pessoais, diálogos e motivações apresentados deve ser encarada como interpretação artística.
É tão difícil capturar algo tão importante para a identidade de um país como a Seleção de 1970, uma missão tão desafiadora, que acho que o resultado ficou muito bom. Se você gosta do assunto, é provável que goste do filme.
P.S. O ex-jogador Tostão, que assumiu a titularidade durante a disputa da competição, afirmou que a produção tem muitas cenas inventadas e sensacionalistas. Ele disse que sua entrada na equipe titular não aconteceu da forma que foi retratada na produção. A pressão feita por Pelé e outros jogadores para Zagallo me escalar não foi explicita como mostra a série "Brasil 70 — A Saga do Tri", exibida pela Netflix. Se houve pressão, foi silenciosa, pelo olhar, nas entrelinhas e nas conversas ao pé do ouvido. Gerson, que jogava no Botafogo sob o comando de Zagallo, conversava muito com o técnico. Eu não fui até Zagallo para dizer que eu tinha de ser o titular, como mostra a série. Diferentemente do que é mostrado, Pelé era um atleta consciente, equilibrado, bem-humorado e muito forte emocionalmente. Por isso e pelas condições físicas e técnicas, era o Pelé o maior da história Durante a série, há uma cena em que o personagem de Tostão se dirige a Zagallo, então treinador da Seleção Brasileira, e diz que tem condições de ser titular da equipe, solicitando ao comandante a entrada no selecionado titular. Em outras cenas, os jogadores do Brasil jogam indiretas, questionam o treinador e até mesmo pedem diretamente a entrada do ex-jogador do Cruzeiro entre os 11 iniciais. É a essa pressão, presente em várias cenas da série, que Tostão se refere.(Entrevista concedida ao "Lance").
O acidente com o Césio-137, marca traumática na história de Goiânia e do Brasil em 1987, virou tema da série "Emergência Radioativa", lançada pela Netflix. Ficcionada, a série conta os eventos, em sua maioria, de forma fidedigna e cria uma espécie de linha do tempo para retratar a catástrofe em solo goiano.
Nos cinco episódios da série "Emergência Radioativa", é mostrada a disseminação da radiação em solo goiano, retratando como os sintomas iniciais ocorreram e se espalharam rapidamente entre a população, especialmente manifestando-se por meio de vômitos, tonturas frequentes e queimaduras visíveis.
O que mais me chamou a atenção foi a forma como a série aborda a radiação. Ela a apresenta como o que realmente é: invisível, silenciosa e perigosa, sem aviso prévio. Não há espetáculo exagerado, apenas uma sensação constante e crescente de que algo está muito errado. Os episódios finais são impactantes. Esta não é uma daquelas histórias em que tudo se resolve de forma simples ou todos saem ilesos. Só isso já a diferencia de muitos conteúdos de streaming modernos, que geralmente optam por uma abordagem mais segura. Aqui, as consequências parecem reais, e isso torna tudo muito mais impactante.
A tragédia do Césio-137 é poderosa por si só, repleta de histórias humanas, dilemas éticos e questões sociais que seguem atuais. No geral, esta é uma série forte e realista que merece mais atenção do que parece estar recebendo. Não é uma série fácil de assistir, mas vale a pena.
E finalmente revi depois de 43 anos essa minissérie clássica da Globo, escrita por Aguinaldo Silva, que retrata a origem da facção "Falange Vermelha" no Rio de Janeiro. A história é dividida em quatro blocos, baseados na trajetória da Falange Vermelha: “As origens”; “A organização”; “Lutas internas”; e “A queda”.
A série teve sua estreia adiada por cinco meses e sofreu muitos cortes devido à "violência extrema" e denúncias de corrupção policial. A trama retrata policiais corruptos, injustiça social, criminalidade urbana e corrupção, repressão e negligência por parte da polícia e do sistema penal. No Contou elenco tem grandes nomes como Betty Faria, José Wilker, Stênio Garcia, Nuno Leal Maia, Marieta Severo e a estreia de José Mayer em papéis centrais.
Na época, quando assisti, em janeiro de 83 eu tinha apenas 13 anos e fiquei impressionado com a crueza da série. Não parecia novela ou minissérie, parecia realidade mesmo. Era tiro, porrada e bomba na tela, e ainda por cima os atores estavam fazendo muito bem os papéis de bandidos.
P.S. Disponível agora completa no Globoplay.......imperdível!!
Chegando ao Globoplay o documentário em quatro episódios Cazuza Além da Música, idealizado para celebrar o Dia Mundial de Combate à AIDS. O time de direção optou por focar os cinco anos finais de Cazuza, mostrando como a imprensa da época tratava a AIDS com medo e preconceito, e como o cantor rebateu essa lógica ao transformar o palco em tribuna, assumindo publicamente sua condição e, com isso, abrindo espaço para discussões que o país evitava.
Entre os destaques estão as entrevistas com familiares, amigos e parceiros de gravação que revelam o contraste entre a exuberância dos shows de Exagerado e a fragilidade dos últimos dias. A série também aborda o caráter crítico e provocador da obra de Cazuza, com exemplos como o ato de cuspir na bandeira durante uma apresentação da música "Brasil", um protesto contra a situação social e política do país.
Assisti na época e hoje(25/11/2025) revi essa minissérie de Dias Gomes baseada em sua peça teatral e que teve direção geral de Tizuca Yamazaki.
Um dos melhores trabalhos de Dias Gomes na televisão. O preâmbulo que ele escreveu para os personagens até chegar no momento que todos conhecem pela peça e pelo filme é inesquecível! Perfeita direção e uma maravilha ver as presenças iluminadas de gente como Jofre Soares, Jurema Penna, Zeny Pereira, Mário Gusmão e Chica Xavier! José Mayer tem o desempenho de sua vida, merecendo o APCA que recebeu. Valeu muito a pena em ter revisto essa minissérie que na minha opinião foi uma das melhores já feitas, mesmo sendo curta.
Eu defino eticamente questionável essa produção. Um episódio de "Malhação" versão cadeia. Minha geração viu ao vivo os crimes descritos na série e por esse motivo achei repugnante o projeto em si. Esse tipo de mídia é totalmente desnecessária! Os vermes que cometeram crimes bárbaros estão livres e ganhando seguidores nas redes influenciados por conta dessa atrocidade cinematográfica.
P.S. Entre os episódios verídicos estão:
O triângulo amoroso entre Suzane, Sandrão e Elize: esse relacionamento existiu dentro da prisão. O romance entre Duda e Cristian Cravinhos: o envolvimento foi real. Roger Abdelmassih fingindo estar doente: o ex-médico tentou enganar a Justiça simulando problemas de saúde. A transferência de Suzane para Tremembé: após uma rebelião na Penitenciária de Ribeirão Preto. As interações e dinâmicas entre os detentos: todas as relações entre presos foram baseadas em relatos apurados nos livros.
Maguila foi o maior boxeador dos pesos-pesados que o Brasil teve e assisti suas principais lutas quando esteve no auge. E agora o Globoplay nos presenteia com todo o merecimento com esse documentário imperdível, inclusive no mesmo mês em que ele nos deixou.(outubro)
Dividida em quatro episódios, a história do peso-pesado é contada desde sua infância, no interior de Sergipe, quando ainda passava fome, até o final de sua vida, quando foi acometido pela Encefalopatia Traumática Crônica, a "demência pugilística". Com entrevistas de jornalistas e artistas que acompanharam sua carreira, como Raul Gil, Datena e Serginho Groisman, além de depoimentos de familiares, o documentário revisita a vida do lutador, mas trazendo um ponto de vista que sobressai à imagem da celebridade e se aprofunda nas contradições do homem.
Esta visão mais intimista de Maguila é um dos objetivos do documentário, revela o diretor Rafael Pirrho, que também comandou produções como "O Caso Robinho", "A Mão do Eurico" e "Senna por Ayrton".
O ex-atleta realizou lutas marcantes com grandes pugilistas do esporte, como George Foreman e Evander Holyfield. Também venceu lutas que marcaram o boxe, contra James Quebra-Ossos Smith, Daniel Falconi e Andre van den Oetelaar.
Maguila – Prefiro Ficar Louco a Morrer de Fome é um registro de um homem amado pelo nosso país e sua trajetória de luta, dentro e fora dos ringues. Documentário obrigatório e imperdível para quem acompanhou sua tragetória.
A série documental, do Globoplay, disseca em sete episódios as polêmicas de Fernando Collor de Mello, de sua ascensão à presidência da República até a queda, em 1992. É um vivido retrato de como um playboy que farreava no Rio passa de político provinciano a presidente apresentando-se , nas primeiras eleições diretas após o regime militar, como algoz de corruptos, e sofre impeachment tragado por denúncias de corrupção, especialmente o escândalo envolvendo PC Farias, o tesoureiro de sua campanha. As acusações ganharam força após denúncias feitas pelo próprio irmão de Collor, Pedro Collor, e culminaram na abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
São narrados os antecedentes que levaram Collor à presidência, desde a origem de sua família em Alagoas e a infância nos anos 1950; a polêmica campanha de 1989, enfrentando Lula; o controverso e ininteligível Plano Collor, de confisco das poupanças; e as denúncias feitas pelo irmão Pedro Collor (1952-1994), que culminaram no impeachment.
A presença feminina é destaque, em especial a de Thereza Collor, viúva de Pedro Collor. Outras figuras centrais são a ex-primeira-dama Rosane Collor, de quem o político se separou em 2005, e a ex-ministra da economia Zélia Cardoso de Mello.
A trilha sonora é excepcional. Um acerto a escolha dos primeiros acordes de Pense em Mim, de Leandro e Leonardo, para a abertura – grande parte dos sertanejos, afinal, apoiaram Collor na época. A inserção de canções como Caça e Caçador, de Fábio Jr, e Morango do Nordeste , com Lairton e seus Teclados, reforçam o apelo folhetinesco do enredo.
Um detalhe que ultrapassa as raias do ridículo e é digno de nota é o uso de atores em alguns momentos, representando os irmãos Collor jovens pelejando, lutando caratê. Em outro, Collor presidente solitário em sua mesa, entre outras patacoadas. São imagens que criam um contraste enorme com a seriedade do que ali é tratado, uma bobagem tamanha que quase consegue tirar toda a seriedade da série.
"Caçador de Marajás" reconstitui um dos capítulos mais turbulentos da política brasileira. Há tanto para contar que, ao final, sete episódios parecem pouco.
O Globoplay nos apresenta em sua plataforma um olhar detalhado sobre a vida e carreira do maior comediante do Brasil, na minha opinião. A série documental foi dirigida e escrita por Bruno Mazzeo, um dos filhos.
Chico soube usar seu humor de forma única, criando personagens que refletiam o comportamento do povo brasileiro e, ao mesmo tempo, criticavam o regime autoritário de forma inteligente e sutil.
Entre os 209 personagens que criou, Salomé se destaca pela sua conexão com o Brasil de hoje. Nos anos 1970, ela se tornou um ícone da TV brasileira, especialmente pelas suas críticas indiretas à ditadura.
Outro personagem marcante criado por ele foi Justo Veríssimo, surgido no auge da censura imposta pelo regime militar. Justo se consolidou como uma das figuras mais emblemáticas de crítica política e social, utilizando o humor para expor as incoerências do sistema.
Professor Raimundo foi um dos mais amados pelos brasileiros. Ele representava o típico educador, mas de forma caricata, com suas piadas sobre a educação, a política e a sociedade.
Fernanda Montenegro é uma das entrevistadas da minissérie, ao lado de Carlos Manga, Daniel Filho, Boni, Moacyr Franco, Carlos Alberto de Nóbrega, Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Castrinho, Stepan Nercessian, Heloísa Périssé e tantos outros colegas de trabalho e admiradores.
Um documentário obrigatório para quem acompanhou esse gênio do humor brasileiro e um dos maiores do mundo!
Uma série documental que revisita um dos momentos mais dolorosos da aviação brasileira: o acidente com o voo TAM 3054, ocorrido em 17 de julho de 2007, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Uma série importante que mostra como o Brasil é, e sempre foi, um país onde a impunidade impera, a justiça é inexistente e os poderosos nunca são responsabilizados por seus erros, incompetência ou negligência. O sistema judiciário é cúmplice, lento, ineficiente - e permite a impunidade, o esquecimento e a repetição de tragédias evitáveis.
Ainda me lembro desse acidente até hoje; ele deixou uma marca em muitas pessoas. Como de costume, o sistema judiciário virou as costas para as vítimas e suas famílias. É poderoso ver um documentário que mantém viva a memória dessas pessoas e nos faz refletir sobre o país em que vivemos, onde tanta dor é ignorada.
No geral, o enredo foi bastante interessante e imprevisível, pelo menos tanto quanto essa ideia de casa de IA fora de controle pode ser. São basicamente duas subtramas que se cruzam, e a verdadeira trama é a história de fundo de Cassandra.
Meu principal problema foi o quanto tive de suspender a descrença. O clima dos anos 70 é legal, mas simplesmente não faz sentido. Não sei por que isso não poderia se passar em um futuro mais distante. Também acho que o poder da IA não era realista, pois os humanos deveriam ter sido capazes de superá-la facilmente.
Deixando de lado o fato de que a IA é um computador que controla toda a casa - janelas, portas, todos os dispositivos, etc. -, ficar preso em sua própria casa é uma coisa, mas nunca conseguir dominar, desmontar ou destruir a versão móvel é outra. Por que nenhum dos pais (vou dar um desconto para as crianças) tenta revidar ? A versão móvel é apenas um robô, armado com uma faca e uma tesoura, e isso é tudo. E eu deveria acreditar que duas ou três pessoas não conseguiriam derrubá-lo ? Esse modelo é da década de 70; deveria estar desatualizado. E, apesar de seu lento movimento para frente e para trás, ninguém consegue desativá-lo ?
Meu principal problema foi o quanto tive de suspender a descrença. O clima dos anos 70 é legal, mas simplesmente não faz sentido. Não sei por que isso não poderia se passar em um futuro mais distante. Também acho que o poder da IA não era realista, pois os humanos deveriam ter sido capazes de superá-la facilmente.
O mesmo vale para o comportamento do pai no final. Quão fraco você pode ser ? Claro, ele quer proteger seus filhos, mas isso não justifica que ele (mesmo sob pressão) ataque sua própria esposa. Qual teria sido o próximo passo? Deixar Cassandra ir para o quarto ?
A história de fundo foi realmente impressionante e convincente, especialmente a atriz que interpretou Cassandra. No geral, é uma produção alemã sólida. Não digo isso de forma leviana, pois muitas séries e filmes alemães tendem a ser um tanto monótonos. Você fica envolvido e pode assistir à série até o fim. Eu até a recomendaria, mesmo que fosse apenas como um aviso para não se tornar muito dependente da inteligência artificial.
Começou bem promissor, mas logo depois virou 2012. Os episódios um e dois são bons, mas depois começou a decair no episódio três.
Eventos e ações absurdas ao longo do restante da série. Um tsunami bate nele com força suficiente para destruí-lo, mas a fuselagem permanece intacta, os passageiros sobrevivem debaixo d'água por sabe-se lá quanto tempo sem se afogar, e o avião acaba em pé e intacto como um ônibus encharcado.
Finalmente, a física da água. As ondas não se cancelam educadamente ou evitam baías magicamente. A água ricocheteia, interage caoticamente e não rasteja ou corre na hora para efeito dramático. A equipe de efeitos visuais deve ter inventado sua própria dinâmica de fluidos.
Em suma, La Palma é uma aula magistral de má ciência, decisões piores e pura frustração.
Em frente à igreja da Candelária, no Rio, uma cena chama a atenção de quem passa: Um grupo de crianças e adolescentes pretos curte um dia de ensolarado tomando banho na fonte, enquanto ouve “Olhos Coloridos” e come pizza. Mais tarde, no entanto, os risos e brincadeira deram espaço aos gritos e desespero, quando um grupo de policiais militares abril fogo contra esses jovens, que dormiam na escadaria do próprio templo, na noite do dia 23 de julho de 93.
A cena é da minissérie lançada pela Netflix “Os Quatro da Candelária”. O que muitas pessoas estão criticando foi em relação a ambientação, onde elementos aparecem deslocados do tempo, como a Pira Olímpica, carros modernos, letreiros luminosos que não existiam há 30 anos . A intenção é brincar com a fantasia e mostrar que aquele episódio bárbaro não é um fato isolado, conforme o próprio Lomenha afirma. “O que primeiro plano é de 1993”. Figurino, adereço, tudo.
Do segundo plano para frente, é século XXI e é intencional, porque nós queremos passar a atemporalidade. Isso segue acontecendo.
O elenco trás veteranos da dramaturgia como Antônio Pitanga, Leandro Firmino, Stepan Nercessian e Bruno Gagliasso, mas quem rouba são os novos talentos, responsáveis por encarnar as quatro crianças e protagonistas: Samuel Silva(Douglas), Patrick Congo(Sete), Andrei Marques(Jesus) e Wendy Queiroz (Pipoca)
Apesar de algumas cenas repetitivas que deixa cansativa por um certo momento, a minissérie consegue trazer emoção e tristeza.
Hoje acabei de terminar de ver o último episódio(23/11/2023) dessa excelente minissérie dirigida Walter Avancini. Para mim foi a primeira, mesmo ela tendo sido reprisada em 85 e 86. Avenida Paulista aborda a cobiça por dinheiro, poder e prestígio. Na minha opinião foi uma das melhores realizadas numa época em que a Globo tinha realmente produções de qualidade. Antônio Fagundes como protagonista e um elenco recheado como Bruna Lombardi, Walmor Chagas, Dina Sfat, Ney Latorraca e Martha Overbeck nos papéis principais.
Sou vascaíno e logicamente que não poderia deixar de assistir este documentário. Para mim Eurico Miranda foi o maior diretor do futebol brasileiro, mas que também deixou um buraco sem fim para o Vasco. É uma relação de amor e ódio para os torcedores vascaínos. Eurico mandava e peitava com qualquer um que falasse mal do clube. Enfim, Eurico Miranda mesmo que tenha feito muitas coisas erradas sempre será lembrado não só pelos vascaínos, e si pelos outros torcedores como uma lenda!
E chegamos na 2 temporada do maior apresentador da tv brasileira. Essa segunda temporada está bem melhor, aqui mostra a melhor fase do apresentador e do SBT que foi os anos 90. E história não falta sobre Silvio Santos, e sem dúvida o maior apresentador da televisão brasileira é cercado de muitas polêmicas, como também de bastante paixão, admiração e curiosidade do grande público. A segunda temporada foca, principalmente, em dois fatos principais da biografia do apresentador: o sonho fracassado da carreira política, em 1989, e a quase falência por causa do escândalo do Banco Panamericano, em 2010. O ponto alto, talvez, desta temporada seja a forma com que ilustra como a Globo tentou destronar Silvio Santos a partir da contratação de um novato, Fausto Silva, que fazia sucesso na Bandeirantes. Não poderia de mencionar os momentos "memoráveis" como o sushi erótico do Faustão, a ereção ao vivo de Jean Claude Van Damme, a banheira do Gugu e a fracassada entrevista falsa que Gugu fez com integrantes do PCC. Algumas caracterizações deixaram a desejar. Enquanto Geraldo Alckmin, Pedro de Lara, Iris Abravanel e o próprio Silvio parecem mais fiel à realidade, outros personagens fugiram muito do esperado, como é o caso de Lula, Collor, Elke Maravilha, Faustão e Gugu. Senti a falta de grandes nomes da emissora como Hebe, Jô Soares, Carlos Alberto de Nóbrega e Mara Maravilha. Aguardemos o que será a terceira e última temporada sobre a vida de uma das maiores personalidades do Brasil e que consolida como uma excelente de entretenimento.
A terceira temporada achei fraquíssima, e por mim já teria se encerrado, porém surge a quarta, e dessa vez dividida em duas partes que ao meu vê ficou melhor e menos cansativa. Joe deixou tudo para trás para recomeçar em outro país, agora em Londres, com outra identidade e novo emprego. Conhecido como professor Johnathan Moore. "You" tem uma nova dinâmica. Joe não está no controle, agora se tornou um alvo e com crimes convergindo ao seu redor. A narração continua, mas agora ela funciona de maneira diferente, não mais idealizando uma mulher, mas quase questionando esse novo assassino que pretende acabar com o disfarce de Joe e, talvez o que gere maior incômodo, levá-lo a matar novamente. E como sempre o desempenho de Badgley sempre foi fundamental para o sucesso da série, já que comprar todas as diferentes facetas do seu personagem Joe vítima de abuso, amante, perseguidor, planejador e, sim, assassino, seria impossível sem que ele nunca perdesse de vista as perturbadoras profundezas da humanidade do personagem. "You" não entrega uma recompensa satisfatória, o que para mim já era de se esperar, mas provavelmente será resolvido com os episódios finais. Essa quarta pelo menos foi regular por mostrar uma nova dinâmica ao protagonista.
Série documentada de uma das maiores tragédias que o Brasil presenciou e que este ano completou 10 anos. Como é de se esperar, o início é o relato do incêndio e a narrativa segue, em parte, os acontecimentos. Mas o destaque dessa produção está na cobertura dos julgamentos. Dirigida pelo repórter Marcelo Canellas, que passou a infância e adolescência em Santa Maria e se formou na mesma universidade de boa parte das vítimas. Seja qual for a forma pela qual o caso foi acompanhado, é irônico pela clareza nos culpados que eles mal são responsabilizados. Ainda nos julgamentos, no principal, temos a atuação de um advogado de defesa que se destaca. Sinceramente, é uma vergonha você ter um profissional se comportando daquela forma e ainda considerar que ele tem ao menos respeito por toda a situação. Imagino que ele queria seguir carreira circense e a família o obrigou a fazer direito. Outro momento é o uso, ainda pela defesa, de uma carta psicografada de uma das vítimas que pedia para esquecer e seguir em frente. “Boate Kiss – A Tragédia de Santa Maria” vem para tentar ajudar mais do que o judiciário vem fazendo.
Apesar de ter sido baseada em fatos me decepcionei com essa minissérie. Os primeiros episódios de “The Watcher” configuram quase como em “ The Shining ” ou “ The Amityville Horror ” (como deveria ser realmente) no sentido de que é principalmente sobre o desvendamento de um patriarca mais do que uma ameaça real e tangível. Esses temas são simplesmente jogados na mesa sem nenhuma visão por trás deles e, em seguida, deixados de lado por uma confusão de outras ideias como satanismo, infidelidade, túneis escondidos e, bem, fetichização caseira expressa através da poesia. Se isso fosse transformado em um filme de 90 minutos, talvez tivesse funcionado. As situações são tão ridículas, os personagens tão caricaturais que é difícil pensar nisso como uma "história real". Uma pena atrizes como Mia Farrow e Naomi Watts entraram numa barca furada. Para aqueles que ainda não viram e leram até agora minha análise, saibam que perderão de 15 a 20 pontos de QI se passarem por esse lixo. A Netflix está no ponto de seu ciclo de vida em que está simplesmente produzindo conteúdo destinado a preencher o espaço e tornar o mundo mais estúpido.
A série é boa, muito bem produzida e acima da média pros padrões da Netflix. Mas não é nada extraordinária e disruptiva como Dark foi. Claramente bebe de várias fontes da cultura pop: Lost, Matrix, Westworld, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, chegando até Dia da Marmota! Por falar em produções da própria Netflix, além de O.A. lembrei também do filme Oxigênio. Aí mistura isso tudo com uns conceitos filosóficos e existencialistas pra dar aquele verniz intelectual e joga pra galera elocubrar as teorias .. Quanto à polêmica, acho que tanto a série quanto à HQ vão se beneficiar da visibilidade criada, porque ambas são apenas OK, não trazem nada de muito original. Com todo respeito à criadora, mas li a HQ e não vi nenhum indício forte de que houve plágio. As histórias, contextos, cenários, personagens e motivações psicológicas são totalmente diferentes. As únicas (vagas) semelhanças são o uso da pirâmide/ triângulos e a personagem na cápsula de criogenia, clichês que já foram usados à exaustão em dezenas de produções audiovisuais. A própria HQ tem referências a futuro pós-apocalíptico, velocidade de dobra, tripulantes enlouquecendo, que me lembraram Star Trek, Alien, Solaris, Enigma do Horizonte. Enfim, na cultura pop nada de novo se cria, tudo é "inspirado em"...
Antes de fazer a análise quero deixar aqui a crítica negativa que uma de suas filhas, Daniela Beyruti, diretora de televisão, disse que assistiu a apenas um episódio da produção e resolveu não continuar: "Me perguntei: quem produziu isso? Com que intuito?". "História mal contada, tantas inverdades, personagem arrogante, um Silvio Santos que ninguém conhece, nem conheceu. Lamentável!". Como todos sabem,"O Rei da TV' conta a incrível história de Silvio Santos, o jovem de origem humilde, genial e ambicioso que foi atrás de seu sonho e se tornou o empresário e comunicador mais bem sucedido da TV brasileira, além de um dos empresários mais reconhecidos do país. Mas a série na minha opinião foi degradante. Logo no começo do primeiro episódio, Silvio Santos aparece em pânico no palco do Show de Calouros ao perceber que perdeu a voz. Ao ser alertado através de um ponto eletrônico pela produção, foi decidido suspender o programa, que estava ao vivo, e exibir as famosas pegadinhas. Silvio Santos sempre chamou as pegadinhas de “Câmeras Escondidas”, ele nunca usou ponto eletrônico e toda cena nunca ocorreu. Além disso, a produção não conseguiu revisitar a memória afetiva do público os anos 80 na TV. Mesmo tendo personagens tão ricos como Carlos Alberto Nóbrega, Sérgio Mallandro, Elke Maravilha, Hebe Camargo , Roque, Boni,, SBT, Gugu e Silvio Santos. Todos pareciam sair de uma esquete do extinto Zorra Total. Vimos um Gugu vingativo, uma Irís Abravanel fútil, de boca suja e com desejo de poder, um Silvio Santos invejoso, possessivo e que atrasa pagamentos de funcionários dedicados. E tanto Mariano quanto Chachá não conseguiram ser Silvio Santos. Em nenhum momento consegui enxergar neles o apresentador. Estava mais para uma paródia. Aliás, na caracterização, um parecia Dudu Camargo e outro, Raul Gil. Agora uma questão que merece elogios foram a reconstrução de momentos dos anos 60, 70 e 80 ficaram muito boas. É possível ver diversos carros de época andando pelo cenário, o que mostra o cuidado com estes detalhes. Figurinos, cenários e elementos destes dias também mostram dedicação e cuidado por parte da produção. Mesmo não "contando" decentemente a verdadeira história do Silvio Santos "O Rei da TV" merece uma conferida.
Mesmo com meus 53 anos eu não conhecia a história do Jeffrey Dahmer, um dos mais cruéis assassinos em série. A minissérie tem dois objetivos ao contar um resumo da vida do assassino: Mostrar como ele se tornou um dos serial killers mais famosos do mundo e também o que permitiu com que ele fizesse 17 vítimas por mais de 10 anos sem ser preso. O segundo objetivo foi alcançado com sucesso. O sentimento ao final de cada episódio é de revolta com o racismo e a homofobia das autoridades, que mais de uma vez ignoraram denúncias e evidências de que ele dopava, estuprava e matava jovens LGBTQIA+, em sua maioria não brancos. Há quem diga que é necessário mostrar que serial killers não são monstros, e sim pessoas comuns que passam despercebidas na sociedade. É verdade: esse é um dos méritos do gênero "true crime", quando feito de forma responsável. E, em partes, a série cumpre esse papel, mas ultrapassa o limite entre humanização e romantização ao adicionar elementos de ficção que confundem o público. O elenco está ótimo, destaque para Evan Peters que dosa com inteligência as fragilidades do sujeito, bem como suas monstruosidades. Funcionando como drama e suspense, "Dahmer Um Canibal Americano" peca apenas por andar em uma linha muito tênue e perigosa. Ainda que denuncie, produz entretenimento com a dor de inocentes. Ainda que investigue, dá espaço a um homem monstruoso que não merecia mais do que nosso esquecimento. E o que ainda mais me doeu, é que várias mortes poderiam ter sido evitadas. A vizinha ouvia ele matando, ouvia os rapazes pedindo por socorro , ouvia a furadeira ligada de madrugada e sentia o mal cheiro. Todas as noites em que ela ouvia ela ligava para polícia, e a polícia não dava cartaz , diziam que pela manhã iam mandar viaturas. Foram avisados todas as vezes e a polícia foi omissa.
Documentário curto e eficiente desse que foi um dos casos mais tristes que aconteceu na década de 70 nos EUA. Não precisou de tantos detalhes e tantas conversas como vemos em muitos. Esse a Netflix acertou.
Em 1992, a “namoradinha do Brasil” era destaque na novela “De Corpo e Alma”, do horário nobre da Globo. Mas no dia 29 de dezembro de 1992 amanheceu com uma notícia que chocou o Brasil. E, na realidade, tudo indicava que a grande manchete do dia seria o impeachment de Fernando Collor, o então presidente do país. Porém, a morte de uma estrela da novela das 9 (na época era das 8) foi o que marcou a data. Nessa época eu morava em Recife e mesmo assim comprei o jornal "O Globo", onde na primeira página estampava o corpo estendido em um matagal. Com 22 anos, ela estava em ascensão na sua carreira. Ia bem na novela da mãe, em que foi escalada e ensaiava uma peça musical com muita dança, sua paixão. E seu companheiro de cena era o marido Raul Gazolla. Ao que tudo indicava,1992 teria sido um ano excelente para a família Perez. Porém, há poucos dias da virada, tudo mudou. Por quase trinta anos, Glória Perez se recusou a realizar alguma produção sobre o crime que sua filha sofreu. Mas, desta vez ela topou, por confiar em Tatiana Issa, roteirista e diretora do documentário. Tatiana é vencedora de um Emmy e nomeada a outros dois. Ele é, muitas vezes, repetitivo, o que torna a distância ideal para relembrar aquilo que já foi assistido. "Pacto Brutal:O Assassinato de Daniela Perez" é uma excelente série documental que mostra com detalhes e relembra momentos de um crime que mora no imaginário dos brasileiros.
P.S. O documentário é essencial para jamais esquecemos que Guilherme Pádua é um assassino! está solto, mas é assassino!
Brasil 70: A Saga do Tri
3.8 67 Assista AgoraA minissérie Brasil 70: A Saga do Tri, lançada pela Netflix, reacendeu o interesse do público por um dos momentos mais emblemáticos da história do futebol brasileiro: a conquista da Copa do Mundo de 1970, no México. A Netflix apresentou a obra como uma ficção baseada em fatos reais, recriando diálogos, conflitos e situações para preencher lacunas históricas e aproximar o espectador dos personagens.
A história do que aconteceu, as relações entre os jogadores, os obstáculos que a equipe enfrentou, a influência da política, todos os detalhes e situações dos jogos, as jogadas, os gols marcados, as curiosidades etc. são muito realistas. Qualquer pessoa que viveu aquela época pode facilmente confirmar isso. Esse é o principal mérito. Não há grandes fantasias ou exageros no roteiro. Tudo o que parece incrível ou ficção... era incrível!
Gosto da maneira como retratam Pelé como um ser humano, com defeitos, inseguranças e nem sempre como um líder nato. Ele era bem assim como pessoa (note que ele nunca foi capitão). Nem todo “atleta monstro” é totalmente bem resolvido. E suas questões com o regime militar sempre foram um pouco intrigantes e discutíveis no Brasil, um ponto de interrogação, como mostra o roteiro. A política precisava estar presente, talvez precisasse ser mais presente, mas eles evitaram irritar parte do público (a extrema direita) e afastá-lo do filme. Foi uma escolha.
No fim das contas, a série parece funcionar melhor quando entendida como uma dramatização histórica. Os fatos centrais, a preparação da Seleção, a troca de técnicos, a pressão política e a conquista do tricampeonato — são reais. Já boa parte dos conflitos pessoais, diálogos e motivações apresentados deve ser encarada como interpretação artística.
É tão difícil capturar algo tão importante para a identidade de um país como a Seleção de 1970, uma missão tão desafiadora, que acho que o resultado ficou muito bom. Se você gosta do assunto, é provável que goste do filme.
P.S. O ex-jogador Tostão, que assumiu a titularidade durante a disputa da competição, afirmou que a produção tem muitas cenas inventadas e sensacionalistas. Ele disse que sua entrada na equipe titular não aconteceu da forma que foi retratada na produção. A pressão feita por Pelé e outros jogadores para Zagallo me escalar não foi explicita como mostra a série "Brasil 70 — A Saga do Tri", exibida pela Netflix. Se houve pressão, foi silenciosa, pelo olhar, nas entrelinhas e nas conversas ao pé do ouvido. Gerson, que jogava no Botafogo sob o comando de Zagallo, conversava muito com o técnico. Eu não fui até Zagallo para dizer que eu tinha de ser o titular, como mostra a série. Diferentemente do que é mostrado, Pelé era um atleta consciente, equilibrado, bem-humorado e muito forte emocionalmente. Por isso e pelas condições físicas e técnicas, era o Pelé o maior da história
Durante a série, há uma cena em que o personagem de Tostão se dirige a Zagallo, então treinador da Seleção Brasileira, e diz que tem condições de ser titular da equipe, solicitando ao comandante a entrada no selecionado titular. Em outras cenas, os jogadores do Brasil jogam indiretas, questionam o treinador e até mesmo pedem diretamente a entrada do ex-jogador do Cruzeiro entre os 11 iniciais. É a essa pressão, presente em várias cenas da série, que Tostão se refere.(Entrevista concedida ao "Lance").
Emergência Radioativa
3.9 222 Assista AgoraO acidente com o Césio-137, marca traumática na história de Goiânia e do Brasil em 1987, virou tema da série "Emergência Radioativa", lançada pela Netflix. Ficcionada, a série conta os eventos, em sua maioria, de forma fidedigna e cria uma espécie de linha do tempo para retratar a catástrofe em solo goiano.
Nos cinco episódios da série "Emergência Radioativa", é mostrada a disseminação da radiação em solo goiano, retratando como os sintomas iniciais ocorreram e se espalharam rapidamente entre a população, especialmente manifestando-se por meio de vômitos, tonturas frequentes e queimaduras visíveis.
O que mais me chamou a atenção foi a forma como a série aborda a radiação. Ela a apresenta como o que realmente é: invisível, silenciosa e perigosa, sem aviso prévio. Não há espetáculo exagerado, apenas uma sensação constante e crescente de que algo está muito errado. Os episódios finais são impactantes. Esta não é uma daquelas histórias em que tudo se resolve de forma simples ou todos saem ilesos. Só isso já a diferencia de muitos conteúdos de streaming modernos, que geralmente optam por uma abordagem mais segura. Aqui, as consequências parecem reais, e isso torna tudo muito mais impactante.
A tragédia do Césio-137 é poderosa por si só, repleta de histórias humanas, dilemas éticos e questões sociais que seguem atuais. No geral, esta é uma série forte e realista que merece mais atenção do que parece estar recebendo. Não é uma série fácil de assistir, mas vale a pena.
Bandidos da Falange
3.6 9E finalmente revi depois de 43 anos essa minissérie clássica da Globo, escrita por Aguinaldo Silva, que retrata a origem da facção "Falange Vermelha" no Rio de Janeiro. A história é dividida em quatro blocos, baseados na trajetória da Falange Vermelha: “As origens”; “A organização”; “Lutas internas”; e “A queda”.
A série teve sua estreia adiada por cinco meses e sofreu muitos cortes devido à "violência extrema" e denúncias de corrupção policial. A trama retrata policiais corruptos, injustiça social, criminalidade urbana e corrupção, repressão e negligência por parte da polícia e do sistema penal. No Contou elenco tem grandes nomes como Betty Faria, José Wilker, Stênio Garcia, Nuno Leal Maia, Marieta Severo e a estreia de José Mayer em papéis centrais.
Na época, quando assisti, em janeiro de 83 eu tinha apenas 13 anos e fiquei impressionado com a crueza da série. Não parecia novela ou minissérie, parecia realidade mesmo. Era tiro, porrada e bomba na tela, e ainda por cima os atores estavam fazendo muito bem os papéis de bandidos.
P.S. Disponível agora completa no Globoplay.......imperdível!!
Cazuza Além da Música
4.2 10Chegando ao Globoplay o documentário em quatro episódios Cazuza Além da Música, idealizado para celebrar o Dia Mundial de Combate à AIDS. O time de direção optou por focar os cinco anos finais de Cazuza, mostrando como a imprensa da época tratava a AIDS com medo e preconceito, e como o cantor rebateu essa lógica ao transformar o palco em tribuna, assumindo publicamente sua condição e, com isso, abrindo espaço para discussões que o país evitava.
Entre os destaques estão as entrevistas com familiares, amigos e parceiros de gravação que revelam o contraste entre a exuberância dos shows de Exagerado e a fragilidade dos últimos dias. A série também aborda o caráter crítico e provocador da obra de Cazuza, com exemplos como o ato de cuspir na bandeira durante uma apresentação da música "Brasil", um protesto contra a situação social e política do país.
O Pagador de Promessas
3.6 26Assisti na época e hoje(25/11/2025) revi essa minissérie de Dias Gomes baseada em sua peça teatral e que teve direção geral de Tizuca Yamazaki.
Um dos melhores trabalhos de Dias Gomes na televisão. O preâmbulo que ele escreveu para os personagens até chegar no momento que todos conhecem pela peça e pelo filme é inesquecível! Perfeita direção e uma maravilha ver as presenças iluminadas de gente como Jofre Soares, Jurema Penna, Zeny Pereira, Mário Gusmão e Chica Xavier! José Mayer tem o desempenho de sua vida, merecendo o APCA que recebeu. Valeu muito a pena em ter revisto essa minissérie que na minha opinião foi uma das melhores já feitas, mesmo sendo curta.
Tremembé (1ª Temporada)
3.3 232 Assista AgoraEu defino eticamente questionável essa produção. Um episódio de "Malhação" versão cadeia. Minha geração viu ao vivo os crimes descritos na série e por esse motivo achei repugnante o projeto em si. Esse tipo de mídia é totalmente desnecessária! Os vermes que cometeram crimes bárbaros estão livres e ganhando seguidores nas redes influenciados por conta dessa atrocidade cinematográfica.
P.S. Entre os episódios verídicos estão:
O triângulo amoroso entre Suzane, Sandrão e Elize: esse relacionamento existiu dentro da prisão.
O romance entre Duda e Cristian Cravinhos: o envolvimento foi real.
Roger Abdelmassih fingindo estar doente: o ex-médico tentou enganar a Justiça simulando problemas de saúde.
A transferência de Suzane para Tremembé: após uma rebelião na Penitenciária de Ribeirão Preto.
As interações e dinâmicas entre os detentos: todas as relações entre presos foram baseadas em relatos apurados nos livros.
Maguila: Prefiro Ficar Louco a Morrer de Fome
4.2 7Maguila foi o maior boxeador dos pesos-pesados que o Brasil teve e assisti suas principais lutas quando esteve no auge. E agora o Globoplay nos presenteia com todo o merecimento com esse documentário imperdível, inclusive no mesmo mês em que ele nos deixou.(outubro)
Dividida em quatro episódios, a história do peso-pesado é contada desde sua infância, no interior de Sergipe, quando ainda passava fome, até o final de sua vida, quando foi acometido pela Encefalopatia Traumática Crônica, a "demência pugilística". Com entrevistas de jornalistas e artistas que acompanharam sua carreira, como Raul Gil, Datena e Serginho Groisman, além de depoimentos de familiares, o documentário revisita a vida do lutador, mas trazendo um ponto de vista que sobressai à imagem da celebridade e se aprofunda nas contradições do homem.
Esta visão mais intimista de Maguila é um dos objetivos do documentário, revela o diretor Rafael Pirrho, que também comandou produções como "O Caso Robinho", "A Mão do Eurico" e "Senna por Ayrton".
O ex-atleta realizou lutas marcantes com grandes pugilistas do esporte, como George Foreman e Evander Holyfield. Também venceu lutas que marcaram o boxe, contra James Quebra-Ossos Smith, Daniel Falconi e Andre van den Oetelaar.
Maguila – Prefiro Ficar Louco a Morrer de Fome é um registro de um homem amado pelo nosso país e sua trajetória de luta, dentro e fora dos ringues. Documentário obrigatório e imperdível para quem acompanhou sua tragetória.
Caçador de Marajás
4.2 15A série documental, do Globoplay, disseca em sete episódios as polêmicas de Fernando Collor de Mello, de sua ascensão à presidência da República até a queda, em 1992. É um vivido retrato de como um playboy que farreava no Rio passa de político provinciano a presidente apresentando-se , nas primeiras eleições diretas após o regime militar, como algoz de corruptos, e sofre impeachment tragado por denúncias de corrupção, especialmente o escândalo envolvendo PC Farias, o tesoureiro de sua campanha. As acusações ganharam força após denúncias feitas pelo próprio irmão de Collor, Pedro Collor, e culminaram na abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
São narrados os antecedentes que levaram Collor à presidência, desde a origem de sua família em Alagoas e a infância nos anos 1950; a polêmica campanha de 1989, enfrentando Lula; o controverso e ininteligível Plano Collor, de confisco das poupanças; e as denúncias feitas pelo irmão Pedro Collor (1952-1994), que culminaram no impeachment.
A presença feminina é destaque, em especial a de Thereza Collor, viúva de Pedro Collor. Outras figuras centrais são a ex-primeira-dama Rosane Collor, de quem o político se separou em 2005, e a ex-ministra da economia Zélia Cardoso de Mello.
A trilha sonora é excepcional. Um acerto a escolha dos primeiros acordes de Pense em Mim, de Leandro e Leonardo, para a abertura – grande parte dos sertanejos, afinal, apoiaram Collor na época. A inserção de canções como Caça e Caçador, de Fábio Jr, e Morango do Nordeste , com Lairton e seus Teclados, reforçam o apelo folhetinesco do enredo.
Um detalhe que ultrapassa as raias do ridículo e é digno de nota é o uso de atores em alguns momentos, representando os irmãos Collor jovens pelejando, lutando caratê. Em outro, Collor presidente solitário em sua mesa, entre outras patacoadas. São imagens que criam um contraste enorme com a seriedade do que ali é tratado, uma bobagem tamanha que quase consegue tirar toda a seriedade da série.
"Caçador de Marajás" reconstitui um dos capítulos mais turbulentos da política brasileira. Há tanto para contar que, ao final, sete episódios parecem pouco.
Chico Anysio: Um Homem À Procura De Um Personagem
4.2 6O Globoplay nos apresenta em sua plataforma um olhar detalhado sobre a vida e carreira do maior comediante do Brasil, na minha opinião. A série documental foi dirigida e escrita por Bruno Mazzeo, um dos filhos.
Chico soube usar seu humor de forma única, criando personagens que refletiam o comportamento do povo brasileiro e, ao mesmo tempo, criticavam o regime autoritário de forma inteligente e sutil.
Entre os 209 personagens que criou, Salomé se destaca pela sua conexão com o Brasil de hoje. Nos anos 1970, ela se tornou um ícone da TV brasileira, especialmente pelas suas críticas indiretas à ditadura.
Outro personagem marcante criado por ele foi Justo Veríssimo, surgido no auge da censura imposta pelo regime militar. Justo se consolidou como uma das figuras mais emblemáticas de crítica política e social, utilizando o humor para expor as incoerências do sistema.
Professor Raimundo foi um dos mais amados pelos brasileiros. Ele representava o típico educador, mas de forma caricata, com suas piadas sobre a educação, a política e a sociedade.
Fernanda Montenegro é uma das entrevistadas da minissérie, ao lado de Carlos Manga, Daniel Filho, Boni, Moacyr Franco, Carlos Alberto de Nóbrega, Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Castrinho, Stepan Nercessian, Heloísa Périssé e tantos outros colegas de trabalho e admiradores.
Um documentário obrigatório para quem acompanhou esse gênio do humor brasileiro e um dos maiores do mundo!
Congonhas: Tragédia Anunciada
3.9 61 Assista AgoraUma série documental que revisita um dos momentos mais dolorosos da aviação brasileira: o acidente com o voo TAM 3054, ocorrido em 17 de julho de 2007, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Uma série importante que mostra como o Brasil é, e sempre foi, um país onde a impunidade impera, a justiça é inexistente e os poderosos nunca são responsabilizados por seus erros, incompetência ou negligência. O sistema judiciário é cúmplice, lento, ineficiente - e permite a impunidade, o esquecimento e a repetição de tragédias evitáveis.
Ainda me lembro desse acidente até hoje; ele deixou uma marca em muitas pessoas. Como de costume, o sistema judiciário virou as costas para as vítimas e suas famílias. É poderoso ver um documentário que mantém viva a memória dessas pessoas e nos faz refletir sobre o país em que vivemos, onde tanta dor é ignorada.
Cassandra
3.4 181 Assista AgoraNo geral, o enredo foi bastante interessante e imprevisível, pelo menos tanto quanto essa ideia de casa de IA fora de controle pode ser. São basicamente duas subtramas que se cruzam, e a verdadeira trama é a história de fundo de Cassandra.
Meu principal problema foi o quanto tive de suspender a descrença. O clima dos anos 70 é legal, mas simplesmente não faz sentido. Não sei por que isso não poderia se passar em um futuro mais distante. Também acho que o poder da IA não era realista, pois os humanos deveriam ter sido capazes de superá-la facilmente.
Deixando de lado o fato de que a IA é um computador que controla toda a casa - janelas, portas, todos os dispositivos, etc. -, ficar preso em sua própria casa é uma coisa, mas nunca conseguir dominar, desmontar ou destruir a versão móvel é outra. Por que nenhum dos pais (vou dar um desconto para as crianças) tenta revidar ? A versão móvel é apenas um robô, armado com uma faca e uma tesoura, e isso é tudo. E eu deveria acreditar que duas ou três pessoas não conseguiriam derrubá-lo ? Esse modelo é da década de 70; deveria estar desatualizado. E, apesar de seu lento movimento para frente e para trás, ninguém consegue desativá-lo ?
Meu principal problema foi o quanto tive de suspender a descrença. O clima dos anos 70 é legal, mas simplesmente não faz sentido. Não sei por que isso não poderia se passar em um futuro mais distante. Também acho que o poder da IA não era realista, pois os humanos deveriam ter sido capazes de superá-la facilmente.
O mesmo vale para o comportamento do pai no final. Quão fraco você pode ser ? Claro, ele quer proteger seus filhos, mas isso não justifica que ele (mesmo sob pressão) ataque sua própria esposa. Qual teria sido o próximo passo? Deixar Cassandra ir para o quarto ?
A história de fundo foi realmente impressionante e convincente, especialmente a atriz que interpretou Cassandra. No geral, é uma produção alemã sólida. Não digo isso de forma leviana, pois muitas séries e filmes alemães tendem a ser um tanto monótonos. Você fica envolvido e pode assistir à série até o fim. Eu até a recomendaria, mesmo que fosse apenas como um aviso para não se tornar muito dependente da inteligência artificial.
Inferno em La Palma
2.7 119 Assista AgoraComeçou bem promissor, mas logo depois virou 2012. Os episódios um e dois são bons, mas depois começou a decair no episódio três.
Eventos e ações absurdas ao longo do restante da série. Um tsunami bate nele com força suficiente para destruí-lo, mas a fuselagem permanece intacta, os passageiros sobrevivem debaixo d'água por sabe-se lá quanto tempo sem se afogar, e o avião acaba em pé e intacto como um ônibus encharcado.
Finalmente, a física da água. As ondas não se cancelam educadamente ou evitam baías magicamente. A água ricocheteia, interage caoticamente e não rasteja ou corre na hora para efeito dramático. A equipe de efeitos visuais deve ter inventado sua própria dinâmica de fluidos.
Em suma, La Palma é uma aula magistral de má ciência, decisões piores e pura frustração.
Os Quatro da Candelária
3.9 47 Assista AgoraEm frente à igreja da Candelária, no Rio, uma cena chama a atenção de quem passa: Um grupo de crianças e adolescentes pretos curte um dia de ensolarado tomando banho na fonte, enquanto ouve “Olhos Coloridos” e come pizza. Mais tarde, no entanto, os risos e brincadeira deram espaço aos gritos e desespero, quando um grupo de policiais militares abril fogo contra esses jovens, que dormiam na escadaria do próprio templo, na noite do dia 23 de julho de 93.
A cena é da minissérie lançada pela Netflix “Os Quatro da Candelária”. O que muitas pessoas estão criticando foi em relação a ambientação, onde elementos aparecem deslocados do tempo, como a Pira Olímpica, carros modernos, letreiros luminosos que não existiam há 30 anos . A intenção é brincar com a fantasia e mostrar que aquele episódio bárbaro não é um fato isolado, conforme o próprio Lomenha afirma. “O que primeiro plano é de 1993”. Figurino, adereço, tudo.
Do segundo plano para frente, é século XXI e é intencional, porque nós queremos passar a atemporalidade. Isso segue acontecendo.
O elenco trás veteranos da dramaturgia como Antônio Pitanga, Leandro Firmino, Stepan Nercessian e Bruno Gagliasso, mas quem rouba são os novos talentos, responsáveis por encarnar as quatro crianças e protagonistas: Samuel Silva(Douglas), Patrick Congo(Sete), Andrei Marques(Jesus) e Wendy Queiroz (Pipoca)
Apesar de algumas cenas repetitivas que deixa cansativa por um certo momento, a minissérie consegue trazer emoção e tristeza.
Avenida Paulista
4.1 8Hoje acabei de terminar de ver o último episódio(23/11/2023) dessa excelente minissérie dirigida Walter Avancini. Para mim foi a primeira, mesmo ela tendo sido reprisada em 85 e 86. Avenida Paulista aborda a cobiça por dinheiro, poder e prestígio. Na minha opinião foi uma das melhores realizadas numa época em que a Globo tinha realmente produções de qualidade. Antônio Fagundes como protagonista e um elenco recheado como Bruna Lombardi, Walmor Chagas, Dina Sfat, Ney Latorraca e Martha Overbeck nos papéis principais.
A Mão do Eurico
4.0 35 Assista AgoraSou vascaíno e logicamente que não poderia deixar de assistir este documentário. Para mim Eurico Miranda foi o maior diretor do futebol brasileiro, mas que também deixou um buraco sem fim para o Vasco. É uma relação de amor e ódio para os torcedores vascaínos. Eurico mandava e peitava com qualquer um que falasse mal do clube. Enfim, Eurico Miranda mesmo que tenha feito muitas coisas erradas sempre será lembrado não só pelos vascaínos, e si pelos outros torcedores como uma lenda!
O Rei da TV (2ª Temporada)
3.5 39 Assista AgoraE chegamos na 2 temporada do maior apresentador da tv brasileira. Essa segunda temporada está bem melhor, aqui mostra a melhor fase do apresentador e do SBT que foi os anos 90. E história não falta sobre Silvio Santos, e sem dúvida o maior apresentador da televisão brasileira é cercado de muitas polêmicas, como também de bastante paixão, admiração e curiosidade do grande público. A segunda temporada foca, principalmente, em dois fatos principais da biografia do apresentador: o sonho fracassado da carreira política, em 1989, e a quase falência por causa do escândalo do Banco Panamericano, em 2010. O ponto alto, talvez, desta temporada seja a forma com que ilustra como a Globo tentou destronar Silvio Santos a partir da contratação de um novato, Fausto Silva, que fazia sucesso na Bandeirantes. Não poderia de mencionar os momentos "memoráveis" como o sushi erótico do Faustão, a ereção ao vivo de Jean Claude Van Damme, a banheira do Gugu e a fracassada entrevista falsa que Gugu fez com integrantes do PCC. Algumas caracterizações deixaram a desejar. Enquanto Geraldo Alckmin, Pedro de Lara, Iris Abravanel e o próprio Silvio parecem mais fiel à realidade, outros personagens fugiram muito do esperado, como é o caso de Lula, Collor, Elke Maravilha, Faustão e Gugu. Senti a falta de grandes nomes da emissora como Hebe, Jô Soares, Carlos Alberto de Nóbrega e Mara Maravilha. Aguardemos o que será a terceira e última temporada sobre a vida de uma das maiores personalidades do Brasil e que consolida como uma excelente de entretenimento.
Você (4ª Temporada)
3.1 269 Assista AgoraA terceira temporada achei fraquíssima, e por mim já teria se encerrado, porém surge a quarta, e dessa vez dividida em duas partes que ao meu vê ficou melhor e menos cansativa. Joe deixou tudo para trás para recomeçar em outro país, agora em Londres, com outra identidade e novo emprego. Conhecido como professor Johnathan Moore. "You" tem uma nova dinâmica. Joe não está no controle, agora se tornou um alvo e com crimes convergindo ao seu redor. A narração continua, mas agora ela funciona de maneira diferente, não mais idealizando uma mulher, mas quase questionando esse novo assassino que pretende acabar com o disfarce de Joe e, talvez o que gere maior incômodo, levá-lo a matar novamente. E como sempre o desempenho de Badgley sempre foi fundamental para o sucesso da série, já que comprar todas as diferentes facetas do seu personagem Joe vítima de abuso, amante, perseguidor, planejador e, sim, assassino, seria impossível sem que ele nunca perdesse de vista as perturbadoras profundezas da humanidade do personagem. "You" não entrega uma recompensa satisfatória, o que para mim já era de se esperar, mas provavelmente será resolvido com os episódios finais. Essa quarta pelo menos foi regular por mostrar uma nova dinâmica ao protagonista.
Boate Kiss - A Tragédia de Santa Maria
4.2 82 Assista AgoraSérie documentada de uma das maiores tragédias que o Brasil presenciou e que este ano completou 10 anos. Como é de se esperar, o início é o relato do incêndio e a narrativa segue, em parte, os acontecimentos. Mas o destaque dessa produção está na cobertura dos julgamentos. Dirigida pelo repórter Marcelo Canellas, que passou a infância e adolescência em Santa Maria e se formou na mesma universidade de boa parte das vítimas. Seja qual for a forma pela qual o caso foi acompanhado, é irônico pela clareza nos culpados que eles mal são responsabilizados. Ainda nos julgamentos, no principal, temos a atuação de um advogado de defesa que se destaca. Sinceramente, é uma vergonha você ter um profissional se comportando daquela forma e ainda considerar que ele tem ao menos respeito por toda a situação. Imagino que ele queria seguir carreira circense e a família o obrigou a fazer direito. Outro momento é o uso, ainda pela defesa, de uma carta psicografada de uma das vítimas que pedia para esquecer e seguir em frente. “Boate Kiss – A Tragédia de Santa Maria” vem para tentar ajudar mais do que o judiciário vem fazendo.
Bem-Vindos à Vizinhança
3.1 284 Assista AgoraApesar de ter sido baseada em fatos me decepcionei com essa minissérie. Os primeiros episódios de “The Watcher” configuram quase como em “ The Shining ” ou “ The Amityville Horror ” (como deveria ser realmente) no sentido de que é principalmente sobre o desvendamento de um patriarca mais do que uma ameaça real e tangível. Esses temas são simplesmente jogados na mesa sem nenhuma visão por trás deles e, em seguida, deixados de lado por uma confusão de outras ideias como satanismo, infidelidade, túneis escondidos e, bem, fetichização caseira expressa através da poesia. Se isso fosse transformado em um filme de 90 minutos, talvez tivesse funcionado. As situações são tão ridículas, os personagens tão caricaturais que é difícil pensar nisso como uma "história real". Uma pena atrizes como Mia Farrow e Naomi Watts entraram numa barca furada. Para aqueles que ainda não viram e leram até agora minha análise, saibam que perderão de 15 a 20 pontos de QI se passarem por esse lixo. A Netflix está no ponto de seu ciclo de vida em que está simplesmente produzindo conteúdo destinado a preencher o espaço e tornar o mundo mais estúpido.
1899 (1ª Temporada)
3.6 399 Assista AgoraA série é boa, muito bem produzida e acima da média pros padrões da Netflix. Mas não é nada extraordinária e disruptiva como Dark foi. Claramente bebe de várias fontes da cultura pop: Lost, Matrix, Westworld, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, chegando até Dia da Marmota! Por falar em produções da própria Netflix, além de O.A. lembrei também do filme Oxigênio. Aí mistura isso tudo com uns conceitos filosóficos e existencialistas pra dar aquele verniz intelectual e joga pra galera elocubrar as teorias ..
Quanto à polêmica, acho que tanto a série quanto à HQ vão se beneficiar da visibilidade criada, porque ambas são apenas OK, não trazem nada de muito original. Com todo respeito à criadora, mas li a HQ e não vi nenhum indício forte de que houve plágio. As histórias, contextos, cenários, personagens e motivações psicológicas são totalmente diferentes. As únicas (vagas) semelhanças são o uso da pirâmide/ triângulos e a personagem na cápsula de criogenia, clichês que já foram usados à exaustão em dezenas de produções audiovisuais. A própria HQ tem referências a futuro pós-apocalíptico, velocidade de dobra, tripulantes enlouquecendo, que me lembraram Star Trek, Alien, Solaris, Enigma do Horizonte. Enfim, na cultura pop nada de novo se cria, tudo é "inspirado em"...
O Rei da TV (1ª Temporada)
3.6 70 Assista AgoraAntes de fazer a análise quero deixar aqui a crítica negativa que uma de suas filhas, Daniela Beyruti, diretora de televisão, disse que assistiu a apenas um episódio da produção e resolveu não continuar: "Me perguntei: quem produziu isso? Com que intuito?". "História mal contada, tantas inverdades, personagem arrogante, um Silvio Santos que ninguém conhece, nem conheceu. Lamentável!".
Como todos sabem,"O Rei da TV' conta a incrível história de Silvio Santos, o jovem de origem humilde, genial e ambicioso que foi atrás de seu sonho e se tornou o empresário e comunicador mais bem sucedido da TV brasileira, além de um dos empresários mais reconhecidos do país. Mas a série na minha opinião foi degradante. Logo no começo do primeiro episódio, Silvio Santos aparece em pânico no palco do Show de Calouros ao perceber que perdeu a voz. Ao ser alertado através de um ponto eletrônico pela produção, foi decidido suspender o programa, que estava ao vivo, e exibir as famosas pegadinhas. Silvio Santos sempre chamou as pegadinhas de “Câmeras Escondidas”, ele nunca usou ponto eletrônico e toda cena nunca ocorreu. Além disso, a produção não conseguiu revisitar a memória afetiva do público os anos 80 na TV. Mesmo tendo personagens tão ricos como Carlos Alberto Nóbrega, Sérgio Mallandro, Elke Maravilha, Hebe Camargo , Roque, Boni,, SBT, Gugu e Silvio Santos. Todos pareciam sair de uma esquete do extinto Zorra Total. Vimos um Gugu vingativo, uma Irís Abravanel fútil, de boca suja e com desejo de poder, um Silvio Santos invejoso, possessivo e que atrasa pagamentos de funcionários dedicados. E tanto Mariano quanto Chachá não conseguiram ser Silvio Santos. Em nenhum momento consegui enxergar neles o apresentador. Estava mais para uma paródia. Aliás, na caracterização, um parecia Dudu Camargo e outro, Raul Gil. Agora uma questão que merece elogios foram a reconstrução de momentos dos anos 60, 70 e 80 ficaram muito boas. É possível ver diversos carros de época andando pelo cenário, o que mostra o cuidado com estes detalhes. Figurinos, cenários e elementos destes dias também mostram dedicação e cuidado por parte da produção. Mesmo não "contando" decentemente a verdadeira história do Silvio Santos "O Rei da TV" merece uma conferida.
Monstro (1ª Temporada) - Dahmer: Um Canibal Americano
4.0 684 Assista AgoraMesmo com meus 53 anos eu não conhecia a história do Jeffrey Dahmer, um dos mais cruéis assassinos em série. A minissérie tem dois objetivos ao contar um resumo da vida do assassino: Mostrar como ele se tornou um dos serial killers mais famosos do mundo e também o que permitiu com que ele fizesse 17 vítimas por mais de 10 anos sem ser preso. O segundo objetivo foi alcançado com sucesso. O sentimento ao final de cada episódio é de revolta com o racismo e a homofobia das autoridades, que mais de uma vez ignoraram denúncias e evidências de que ele dopava, estuprava e matava jovens LGBTQIA+, em sua maioria não brancos. Há quem diga que é necessário mostrar que serial killers não são monstros, e sim pessoas comuns que passam despercebidas na sociedade. É verdade: esse é um dos méritos do gênero "true crime", quando feito de forma responsável. E, em partes, a série cumpre esse papel, mas ultrapassa o limite entre humanização e romantização ao adicionar elementos de ficção que confundem o público. O elenco está ótimo, destaque para Evan Peters que dosa com inteligência as fragilidades do sujeito, bem como suas monstruosidades. Funcionando como drama e suspense, "Dahmer Um Canibal Americano" peca apenas por andar em uma linha muito tênue e perigosa. Ainda que denuncie, produz entretenimento com a dor de inocentes. Ainda que investigue, dá espaço a um homem monstruoso que não merecia mais do que nosso esquecimento. E o que ainda mais me doeu, é que várias mortes poderiam ter sido evitadas. A vizinha ouvia ele matando, ouvia os rapazes pedindo por socorro , ouvia a furadeira ligada de madrugada e sentia o mal cheiro. Todas as noites em que ela ouvia ela ligava para polícia, e a polícia não dava cartaz , diziam que pela manhã iam mandar viaturas. Foram avisados todas as vezes e a polícia foi omissa.
Conversando com um Serial Killer: O Palhaço Assassino
3.7 93 Assista AgoraDocumentário curto e eficiente desse que foi um dos casos mais tristes que aconteceu na década de 70 nos EUA. Não precisou de tantos detalhes e tantas conversas como vemos em muitos. Esse a Netflix acertou.
Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez
4.4 417Em 1992, a “namoradinha do Brasil” era destaque na novela “De Corpo e Alma”, do horário nobre da Globo. Mas no dia 29 de dezembro de 1992 amanheceu com uma notícia que chocou o Brasil. E, na realidade, tudo indicava que a grande manchete do dia seria o impeachment de Fernando Collor, o então presidente do país. Porém, a morte de uma estrela da novela das 9 (na época era das 8) foi o que marcou a data. Nessa época eu morava em Recife e mesmo assim comprei o jornal "O Globo", onde na primeira página estampava o corpo estendido em um matagal. Com 22 anos, ela estava em ascensão na sua carreira. Ia bem na novela da mãe, em que foi escalada e ensaiava uma peça musical com muita dança, sua paixão. E seu companheiro de cena era o marido Raul Gazolla. Ao que tudo indicava,1992 teria sido um ano excelente para a família Perez. Porém, há poucos dias da virada, tudo mudou. Por quase trinta anos, Glória Perez se recusou a realizar alguma produção sobre o crime que sua filha sofreu. Mas, desta vez ela topou, por confiar em Tatiana Issa, roteirista e diretora do documentário. Tatiana é vencedora de um Emmy e nomeada a outros dois. Ele é, muitas vezes, repetitivo, o que torna a distância ideal para relembrar aquilo que já foi assistido. "Pacto Brutal:O Assassinato de Daniela Perez" é uma excelente série documental que mostra com detalhes e relembra momentos de um crime que mora no imaginário dos brasileiros.
P.S. O documentário é essencial para jamais esquecemos que Guilherme Pádua é um assassino! está solto, mas é assassino!