Um filme com tantas camadas, e ao mesmo tempo com uma narrativa tão intrigante que a dramédia te faz questionar, torcer, ansiar pelos personagens ali. No Irã, é proibida a circulação de cachorros nas áreas públicas. A cena inicial brinca com o conceito de moral que será aprofundado durante o filme em uma sacada genial. Cinema de resistência.
Halmnet é o tipo de filme que insiste na presença. Agnes tem uma relação singular com a natureza, na qual ela se faz presente, assim como na maternidade. Ao mesmo tempo, tem que lidar com a ausência do marido e, depois, também com a abrupta ausência do filho. Seu luto também é marcado pela presença: ela esteve ao lado do filho a cada segundo, inclusive no instante da morte. Esse luto é silencioso. Agnes busca o filho diariamente, em gestos mínimos, enquanto reaprende a conviver com a ausência do marido. Enquanto ele dispõe de outros lugares para ressignificar a perda, Agnes permanece à sombra, confinada a um luto sem deslocamento.
Em Uma batalha após a outra, a respiração é o eixo simbólico. Ela suspende o impulso do confronto incessante e revela que nenhuma luta se sustenta sem pausas. É nesse intervalo que o corpo se reorganiza e o cansaço é reconhecido. O filme lembra que a vida não acontece apenas no embate, mas também no recolhimento. Parar não é desistir, é preparar-se. Entre batalhas, o fôlego se afirma como promessa de continuidade.
Um retrato sobre como o capitalismo neoliberal produz e normaliza condições de selvageria e barbarie para os trabalhadores enquanto defendem o avanço tecnológico (enquanto o usa como instrumento não para a melhoria das condições de vida humana, mas de infinita obtenção de lucro). No meio disso tudo, somos levados a pensar que "não há outra saída" a não ser o capitalismo, mesmo com todo o sofrimento que ele causa. O filme retrata muito bem as ironias e contradições de um protagonista que sente na pele a desumanização desse sistema, mas que, ainda assim, coloca toda a sua energia na mesma lógica acreditando ser a única saída; Ele é desumanizado duplamente: pelo sistema, e por si mesmo ao reproduzir a filosofia de vida do neoliberalismo à risca, custe o que custar.
A cena da entrevista de emprego é muito simbólica, os patrões confortáveis na mesa e ele com o sol na cara o tempo todo. O colega deu a dica de qual seria a pergunta mais importante, e ele se recusou a responder. Mostrando como o protagonista é emsimesmado, como absorveu toda a filosofia neoliberal como forma de ver o mundo e achar que tudo parte do individualismo extremo e sucesso a qualquer custo, ignorando qualquer ajuda alheia.
Ser pobre dói. Eu, Daniel Blake é sutil e brutal ao mesmo tempo, ao mostrar a humanidade das relações sociais em contraste com a desumanização do sistema capitalista, do qual, se você não é consumidor, não é cidadão.
O Fantasma da Liberdade é um ataque direto e irônico às convenções que organizam a vida social. A normalidade é performática. A burguesia não domina só materialmente, mas também produz e encena o que é viver bem. Aqui, a normalidade é absurda, surreal, escancarando as contradições da "moral e bons costumes" que são tratados socialmente como naturais. Os mesmos que gritam por "liberdade de expressão" são aqueles que celebram as próprias correntes.
Os personagens são a caricatura do próprio filme: covarde e prepotente. O filme se vende como uma crítica, atira pra todos os lados e, no final, não chega em lugar nenhum. Quem quer criticar todos os lados, toma o lado hegemônico acreditando que tá fazendo alguma diferença.
Até que, no geral, eu gostei. Se tivesse menos moralismo cristão no meio, seria melhor. Vejo que a criatura aqui é colocada no lugar 'divino', do 'ser concebido sem pecados' e exatamento por isso acaba anulando as complexidades que transformaram a criatura em algo tão fascinante. Acaba sendo até uma cera ofensa à autora da obra - que escreveu a criatura como representação do que é ser mulher na sociedade patriarcal - e aqui, aproximando a criatura do divino, é só uma reprodução do que já é esperado das mulheres na sociedade patriarcal.
a ÚNICA coisa boa q esse filme consegue entregar é lembrar o quão extraordinário Corra! (de 2017) é. A chave mestra basicamente se resume em demonizar religiões de matriz africana na trama batida da “pobre e ingênua mocinha branca em perigo”. Ainda bem que Corra! existe pra criticar diretamente que o verdadeiro perigo vem dos brancos.
Eu particularmente gosto muito de tramas sobre relacionamentos amorosos e sou apaixonada por terror, então fui sedenta em 'Juntos'. Gostei muito da construção das cenas de horror
Gosto como a 'inocência' dos personagens é bem trabalhada aqui. Eles passam por situações 'red flag' o tempo todo e as ignoram como se nada tivesse acontecendo. Ao meu ver, é algo intencional para retratar como ignoramos sinais claros nos relacionamentos amorosos, porque a companhia do outro é vista como muito mais importante do que qualquer outra coisa. Então tendemos a naturalizar situações que nos colocam em risco. Até a demora da Millie em perceber o que estava acontecendo, me parece uma negação da qual os personagens já estavama acostumado, afinal precisavam negar muita coisa para continuar juntos.
Acho que faltou explorar um pouco mais a complexidade de cada um do casal e como indíviduos também, mas no geral gostei muito.
Eu sou pesquisadora sobre o amor. Mais específicamente, sobre o amor sob o capitalismo e como a estrutura política/social influencia na forma que nos relacionamos amorosamente. Celine Song também parece pesquisar sobre o amor aqui e em 'Vidas passadas'. A diretora se propõe navegar nas camadas mais complexas sobre o amor, para além da idealização e o que é vendido pela mídia hegemônica. Amores materialistas é um filme que causa um certo incômodo a frustrar as expectativas que aprendemos sobre como o amor 'funciona'. O desenvolvimento da protagonista é brilhante. Lucy segue a concepção que o amor e a economia são duas forças da mesma natureza que caminham juntas. Uma não existe sem a outra. Encontros amorosos são transações financeiras, acordos, uma série de burocrácias que, se fizer o cálculo certeiro, dá match. Mas assim, esquece-se da parte humana. Assim como a massiva maioria dos filmes de romance.
Pra mim, o ponto alto do filme é como Celine trata a questão de classe. Lucy toma consciência da sua condição enquanto pertencente à classe trabalhadora à medida que se encontra com as suas próprias contradições na vida pessoal e no trabalho. Ser pobre dói. Amar sendo pobre dói. Mas não é o sonho idealizado de ser salva por um rico (que vemos em tantos filmes de Hollywood) que vai mudar essa realidade. Aqui o amor não é a solução e não é maior do que todas as outras coisas. O amor é cotidiano e atravessado por uma série de problemáticas que nos cercam na vida em sociedade, como classe, raça e gênero. Por mais que a personagem principal seja marcada por uma personalidade individualista, fria e calculista, o filme nos leva ao extremo oposto: pessoas são complexas, cheias de incertezas, moldadas pela sociedade que as cerca e, só ao se ver pertencente coletivamente à essa sociedade, é que conseguimos mudar alguma coisa.
Adorei que o filme se vendeu como comédia romântica e atraiu exatamente o público que essa mensagem precisa alcançar.
engraçado como o homem branco acha que tá sendo totalmente inovador quando faz um filme com enredo apelativo e estética cult pra disfarçar o visível conservadorismo
tem uns filmes que até funcionam quando atribuem características humanas aos animais (Rei leão faz isso com maestria), mas tem outros que só insistem em mais do mesmo. E esse é o caso de Robô selvagem. A animação é linda, mas a história é rasa e foca apenas no individualismo do "herói" capaz de mudar tudo. Só muda de forma, mas a história é sempre a mesma. Sem falar da naturalização de fatores humanos que são históricos e sociais, aqui são colocados de forma rasa e universalista; como o ""instinto"" materno e a coletividade. Muito triste em perceber que, no final das contas, a dreamworks tá querendo se tornar uma Disney; o que antes surgiu como uma critica. Ótimas piadas e uma animação belíssima para uma narrativa rasa, estereotipada e batida.
A Noiva!
3.0 124Entregou tudo que Frankenstein e Pobres Criaturas sonharam em entregar e nunca serão capazes.
Você Não Estava Aqui
4.1 253dores que todo trabalhador precarizado sente na pele todos os dias
Tara Maldita
4.0 236a Rhonda é taaaão carismática, muito diva ela
Foi Apenas um Acidente
3.8 197 Assista AgoraUm filme com tantas camadas, e ao mesmo tempo com uma narrativa tão intrigante que a dramédia te faz questionar, torcer, ansiar pelos personagens ali. No Irã, é proibida a circulação de cachorros nas áreas públicas. A cena inicial brinca com o conceito de moral que será aprofundado durante o filme em uma sacada genial. Cinema de resistência.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 430 Assista AgoraHalmnet é o tipo de filme que insiste na presença. Agnes tem uma relação singular com a natureza, na qual ela se faz presente, assim como na maternidade. Ao mesmo tempo, tem que lidar com a ausência do marido e, depois, também com a abrupta ausência do filho. Seu luto também é marcado pela presença: ela esteve ao lado do filho a cada segundo, inclusive no instante da morte. Esse luto é silencioso. Agnes busca o filho diariamente, em gestos mínimos, enquanto reaprende a conviver com a ausência do marido. Enquanto ele dispõe de outros lugares para ressignificar a perda, Agnes permanece à sombra, confinada a um luto sem deslocamento.
Na cena final, no teatro, ela se conecta com a arte por estar inteira naquele instante, como se a presença — e só ela — pudesse sustentar o que resta.
Uma Batalha Após a Outra
3.7 665 Assista AgoraEm Uma batalha após a outra, a respiração é o eixo simbólico. Ela suspende o impulso do confronto incessante e revela que nenhuma luta se sustenta sem pausas. É nesse intervalo que o corpo se reorganiza e o cansaço é reconhecido. O filme lembra que a vida não acontece apenas no embate, mas também no recolhimento. Parar não é desistir, é preparar-se. Entre batalhas, o fôlego se afirma como promessa de continuidade.
A Única Saída
3.7 147 Assista AgoraUm retrato sobre como o capitalismo neoliberal produz e normaliza condições de selvageria e barbarie para os trabalhadores enquanto defendem o avanço tecnológico (enquanto o usa como instrumento não para a melhoria das condições de vida humana, mas de infinita obtenção de lucro). No meio disso tudo, somos levados a pensar que "não há outra saída" a não ser o capitalismo, mesmo com todo o sofrimento que ele causa. O filme retrata muito bem as ironias e contradições de um protagonista que sente na pele a desumanização desse sistema, mas que, ainda assim, coloca toda a sua energia na mesma lógica acreditando ser a única saída; Ele é desumanizado duplamente: pelo sistema, e por si mesmo ao reproduzir a filosofia de vida do neoliberalismo à risca, custe o que custar.
A cena da entrevista de emprego é muito simbólica, os patrões confortáveis na mesa e ele com o sol na cara o tempo todo. O colega deu a dica de qual seria a pergunta mais importante, e ele se recusou a responder. Mostrando como o protagonista é emsimesmado, como absorveu toda a filosofia neoliberal como forma de ver o mundo e achar que tudo parte do individualismo extremo e sucesso a qualquer custo, ignorando qualquer ajuda alheia.
Meu Bolo Favorito
4.1 49 Assista Agorapq eu gosto tanto de filmes que me fazem sofrer????
Eu, Daniel Blake
4.3 539 Assista AgoraSer pobre dói. Eu, Daniel Blake é sutil e brutal ao mesmo tempo, ao mostrar a humanidade das relações sociais em contraste com a desumanização do sistema capitalista, do qual, se você não é consumidor, não é cidadão.
O Fantasma da Liberdade
4.1 113O Fantasma da Liberdade é um ataque direto e irônico às convenções que organizam a vida social. A normalidade é performática. A burguesia não domina só materialmente, mas também produz e encena o que é viver bem. Aqui, a normalidade é absurda, surreal, escancarando as contradições da "moral e bons costumes" que são tratados socialmente como naturais. Os mesmos que gritam por "liberdade de expressão" são aqueles que celebram as próprias correntes.
O Grinch
3.4 862 Assista AgoraPra entrar em clima de natal não pode faltar esse! Pra mim, a única coisa que deixaria esse filme melhor ainda é se ele fosse um musical.
Morra, Amor
3.1 173 Assista AgoraHollywood adora uma mulher louca q o único traço da personalidade dela é ser louca né
Eddington
3.1 112Os personagens são a caricatura do próprio filme: covarde e prepotente. O filme se vende como uma crítica, atira pra todos os lados e, no final, não chega em lugar nenhum. Quem quer criticar todos os lados, toma o lado hegemônico acreditando que tá fazendo alguma diferença.
Eddington
3.1 112Ari Aster tá precisando pegar umas aulas com o Kleber Mendonça Filho sobre como fazer um faroeste político de qualidade
Frankenstein
3.7 600 Assista AgoraAté que, no geral, eu gostei. Se tivesse menos moralismo cristão no meio, seria melhor. Vejo que a criatura aqui é colocada no lugar 'divino', do 'ser concebido sem pecados' e exatamento por isso acaba anulando as complexidades que transformaram a criatura em algo tão fascinante. Acaba sendo até uma cera ofensa à autora da obra - que escreveu a criatura como representação do que é ser mulher na sociedade patriarcal - e aqui, aproximando a criatura do divino, é só uma reprodução do que já é esperado das mulheres na sociedade patriarcal.
A Chave Mestra
3.6 1,5K Assista Agoraa ÚNICA coisa boa q esse filme consegue entregar é lembrar o quão extraordinário Corra! (de 2017) é. A chave mestra basicamente se resume em demonizar religiões de matriz africana na trama batida da “pobre e ingênua mocinha branca em perigo”. Ainda bem que Corra! existe pra criticar diretamente que o verdadeiro perigo vem dos brancos.
Juntos
3.3 396 Assista AgoraEu particularmente gosto muito de tramas sobre relacionamentos amorosos e sou apaixonada por terror, então fui sedenta em 'Juntos'.
Gostei muito da construção das cenas de horror
aquela primeira cena que eles estão na cama e ele vê os pais dele do outro lado, a cena do box do banheiro... magníficas!
Gosto como a 'inocência' dos personagens é bem trabalhada aqui. Eles passam por situações 'red flag' o tempo todo e as ignoram como se nada tivesse acontecendo. Ao meu ver, é algo intencional para retratar como ignoramos sinais claros nos relacionamentos amorosos, porque a companhia do outro é vista como muito mais importante do que qualquer outra coisa. Então tendemos a naturalizar situações que nos colocam em risco. Até a demora da Millie em perceber o que estava acontecendo, me parece uma negação da qual os personagens já estavama acostumado, afinal precisavam negar muita coisa para continuar juntos.
Acho que faltou explorar um pouco mais a complexidade de cada um do casal e como indíviduos também, mas no geral gostei muito.
Amores Materialistas
3.1 391 Assista AgoraEu sou pesquisadora sobre o amor. Mais específicamente, sobre o amor sob o capitalismo e como a estrutura política/social influencia na forma que nos relacionamos amorosamente. Celine Song também parece pesquisar sobre o amor aqui e em 'Vidas passadas'. A diretora se propõe navegar nas camadas mais complexas sobre o amor, para além da idealização e o que é vendido pela mídia hegemônica. Amores materialistas é um filme que causa um certo incômodo a frustrar as expectativas que aprendemos sobre como o amor 'funciona'. O desenvolvimento da protagonista é brilhante. Lucy segue a concepção que o amor e a economia são duas forças da mesma natureza que caminham juntas. Uma não existe sem a outra. Encontros amorosos são transações financeiras, acordos, uma série de burocrácias que, se fizer o cálculo certeiro, dá match. Mas assim, esquece-se da parte humana. Assim como a massiva maioria dos filmes de romance.
Pra mim, o ponto alto do filme é como Celine trata a questão de classe. Lucy toma consciência da sua condição enquanto pertencente à classe trabalhadora à medida que se encontra com as suas próprias contradições na vida pessoal e no trabalho. Ser pobre dói. Amar sendo pobre dói. Mas não é o sonho idealizado de ser salva por um rico (que vemos em tantos filmes de Hollywood) que vai mudar essa realidade. Aqui o amor não é a solução e não é maior do que todas as outras coisas. O amor é cotidiano e atravessado por uma série de problemáticas que nos cercam na vida em sociedade, como classe, raça e gênero.
Por mais que a personagem principal seja marcada por uma personalidade individualista, fria e calculista, o filme nos leva ao extremo oposto: pessoas são complexas, cheias de incertezas, moldadas pela sociedade que as cerca e, só ao se ver pertencente coletivamente à essa sociedade, é que conseguimos mudar alguma coisa.
Adorei que o filme se vendeu como comédia romântica e atraiu exatamente o público que essa mensagem precisa alcançar.
Calafrios
3.3 151 Assista Agoraengraçado como o homem branco acha que tá sendo totalmente inovador quando faz um filme com enredo apelativo e estética cult pra disfarçar o visível conservadorismo
Imaculada
3.0 535 Assista Agorameu deus,
é assim que homens pensam que funciona um parto?
Crossroads: Amigas para Sempre
2.6 667 Assista Agorase tirassem esse macho e o filme fosse realmente focado nas 3 amigas, seria perfeito
Robô Selvagem
4.3 563tem uns filmes que até funcionam quando atribuem características humanas aos animais (Rei leão faz isso com maestria), mas tem outros que só insistem em mais do mesmo. E esse é o caso de Robô selvagem. A animação é linda, mas a história é rasa e foca apenas no individualismo do "herói" capaz de mudar tudo. Só muda de forma, mas a história é sempre a mesma. Sem falar da naturalização de fatores humanos que são históricos e sociais, aqui são colocados de forma rasa e universalista; como o ""instinto"" materno e a coletividade. Muito triste em perceber que, no final das contas, a dreamworks tá querendo se tornar uma Disney; o que antes surgiu como uma critica. Ótimas piadas e uma animação belíssima para uma narrativa rasa, estereotipada e batida.
Pisque Duas Vezes
3.5 662 Assista Agorabom, mas fiquei com aquela sensação de "já não assisti isso antes?!"
A Noiva de Chucky
2.5 689ISSO DAQUI É UMA OBRA DE ARTE, OK?!