A maior análise a ser feita é como as relações de poder são exercidas pelos alunos. E como ela pode refletir na vivência de todos ali. O fato de Kujo "rejeitar" ou nem ligar (parcialmente) para esse sistema faz com que Aoki perca completamente o controle.
Aoki precisa seguir "o sistema" e ele amava aquela hierarquia. Já Kujo foi perfeitamente representado pelo diálogo que resume a maioria dos adolescentes " Há flores que nunca florescem?" Esse é tom que permeia durante esse período. Vazio, inutilidade, desesperança, incerteza. Todos ali tinha exatamente isso em comum. A sensação de nunca se encaixarem em nada e o medo de futuramente nunca "florescerem" em algum lugar.
O filme apresenta críticas a uma visão militante egocêntrica da maioria juventude daquela época e por consequência da nossa. Como o próprio Godard fala "O filme poderia se chamar filhos de Marx e Coca-Cola", quando aborda uma juventude vaidosa que se importa mais em fechar uma porta do que interromper uma briga covarde de marido e mulher. E também da visão machista que o homem tinha ( e ainda tem) sobre o espaço da mulher da sociedade como uma figura fraca, carente e dependente.
"Qual é o centro do mundo para você?" "É o amor, eu acho." "Engraçado, eu teria dito 'eu'"
Até em momentos sutis como quando a palavra "Masculino" possui dois significados avulsos e do "Feminino" não possui nenhum.
Acho que foi a série que mais representou meu "slice of life", principalmente com a identificação com Lindsay. Coração partido por não ter mais episódios.
O filme todo é um retrato de uma máscara. O próprio Bergman nós revela isso quando a partir da metalinguagem quebra nossa perspectiva de realidade ao colocar cortes que atribuem a nossa consciência de que se trata de um filme. Não vida real.
Toda a atmosfera permeia em um tom onírico com duas personagens ligadas, até mesmo pela fotografia que brinca com essa visão, de que Alma e Elisabeth são duas mulheres, independentemente de seu passado. Alma carrega o peso na consciência e só através de sua "persona" (máscara grega utilizada que atribui anonimato) consegue desabafar com outrem libertando-se de seus pecados. Consegue então encarar o espelho e ser ver como mulher, ser humano, falho. Perfeito.
O próprio cinema funciona como uma persona do Bergman, e para todos os cineastas.
Eu acho que o principal do filme não é nem sobre ele ter conseguido o dinheiro ou não, mas a sensação que ele teve. É como a trilha sonora sugere , intitulada também de "Uncut Gems" , ele já havia completado sua "odisseia" , já havia tido a sensação de sua vitória triunfante e já estava em transe.
Lynch parece estar se divertindo com a cabeça do telespectador. O ambiente Noir é fantástico e imersivo e os efeitos parecem "datados" de propósito para aparentar uma estética de filme antigo como o próprio Eraserhead.
Acho que o mais importante da figura de Bento XVI foi a renuncia. Um homem renunciar de um dos cargos mais poderosos do mundo é algo quase ficcional. Ainda se você levar o pressuposto de que Ratzinger era extremamente conservador e valorizava demais as hierarquias e tradições católicas.
Em contra-partida temos a figura do Bergoglio, o inverso do conservadorismo tão preponderante na igreja católica e por ironia do destino, ou talvez um sinal, foi escolhido pra cumprir a necessidade de mudança que a religião precisa.
As transições do filme que oscilava entre colorido/preto e branco, a fumaça que subiu no final da cena e todos os sutis sinais que o filme dava servem tanto como complemento como pra contar a história. É um filme fantástico até pra quem, como eu, não é religioso.
Não achei essa aberração que todos falaram , mas achei realmente ruim eles terem voltado com Palpatine. Não precisaria radicalizar tanto, bastava trazer outro vilão ou até a Rey das trevas tomar mais enfoque junto as histórias do Sith. Bom mediano.
Um filme muito sensível. Sobre a solidão, sobre sua casa verdadeira. A dependência a emocional de um filho com um pai e como deixá-lo ir era a única forma de alcançar a felicidade.
A fotografia realça ainda mais a sensação de isolamento da pequenez do ser humano diante do universo.
Destaque para um jogo de luz onde aparente a escuridão tomando conta do Roy enquanto ele vaga até a nave.
Tecnicamente está dentro do nível de dos os outros filmes famosos do gênero.
Ps1: eu teria focado em deixar o Roy dúbio para que no fim o encontro com seu pai tivesse a possibilidade de ser metafórico.
Ps2: teria cortado o filme na cena das estrelas. Antes do desabafo final. Não precisávamos ver aquilo. Sabíamos que ele, finalmente, estava livre.
O importante ressaltar que tipos de filme como esse não são feitos para as pessoas adotarem um lado. A trama é feita para vermos a unilateralidade de ambos os casos e como fica fácil tomarmos opinião de um deles, independentemente da complexidade que seja.
O que pude extrair de mais importante foi que individualidade, os anseios e as vontades próprias existem ainda em um casamento. E que ninguém deve se repartir para se sentir completo.
O comércio de advogados também é abordado, são relações frias, apelativas e desgastantes. Ao mesmo momento que eles parecem se importar na verdade é uma luta de ego, o caso é secundário.
O final fechou perfeitamente a trama. Uns dos melhores do ano.
Bacurau é uma grande metáfora. Há vários contrapontos aqui e claro que seria um filme polêmico.
Primeiro de tudo vemos a crítica relacionada ao descaso das instituições políticas sobre o inteirior do Brasil além da venda de nossa riquezas ao exterior, principalmente diante de nosso governo atual.
Há também o descaso sobre a nossa própria cultura e valorização de práticas etnocêntricas, como a cena do museu, por exemplo.
Outro soco no estômago é o diálogo que reflete os movimentos separatistas do sul e como os americanos se sentem em relação a nós.
A violência e poder exercido por eles não têm uma causa aqui. É meramente por entretenimento. É diversão americana. E como valorizamos a dele em detrimento da nossa.
E o estranhamento que sentimos estarmos familiarizados com a cultura deles em vez da nossa.
Diálogos orgânicos, personagens aprofundados e uma filosofia instrospectiva pesada. Scorsese está de volta e com um tema que já aparentava estar saturado dentro das temáticas do cinema, porém toma novos ares, sem deixar de diferenciar da sua cinegrafia.
O Irlandês traz uma duração longa , mas não perde seu ritmo. Muitos que se assustam com o tempo esquecem quando são levados pelo roteiro e até mesmo aqueles que não gostam de filmes longos têm espaço aqui.
Os detalhes são imensos, feitos com carinho com um enredo que não expõe sua história e não presume a burrice do telespectador. Muito do não dito é compreendido e isso é graças ao roteiro e a direção. Bastou o olhar da mulher de Frank para sabermos que ela sabia da verdade. Ou de um olhar triste do Russel pra compreendermos que não havia mais chance para o Jimmy.
A filosofia (paradoxal até mesmo) foi que todos ali sucumbiram de algum modo, mesmo que não pelo maior mal que fizeram. Frank, por exemplo, "pintou muitas paredes". Mas sua maior pena foi por uma besteira com o carro.
No fim, o protagonista é confrontado pela solidão."Não sobrou ninguém, quem você está defendendo?" Ele perdeu sua família, sua paz e sua consciência. E tudo que restou foi uma porta semiaberta, que simboliza um feixe de esperança, de não morrer ali , completamente sozinho.
A temporada toda tem sido muito experimental. Episódios sem diálogos. Bottle episódios fazendo referências a Sopranos e entre outros.
Mas o episódio 7 foge da curva até agora. Digno de um filme hitchcockiano. Filmado em widescreen. Separado em atos.
A simbologia do renascimento de Elliot ligado a um frame com uma árvore de natal no fundo, quadros de pirâmides egípcias contracenando com Vera e relação de poder que ele exerce e deseja.
Todos fechados em uma sala imersa a uma tempestade que oscila ao corroborar com o momento status quo atual. Não uma simples sala. A própria mente conturbada de Elliot. Que por fim, foi libertada.
Sem dúvida a série que me fez ver que Amazon está muito melhor que a Netflix.
Mas reduzi-la a isso seria tolice. Em toda a série permeia um ar onírico nos quais estamos familiarizados. Aos que assistira Waking Life, cinematograficamente; Aos sonos dos justos, através dos sonhos. A rotoscopia permitiu esse efeito, que não é gratuito e além de auxiliar a série em muitos momentos (como realçar o peso da maquiagem na irmã da Alma, por exemplo) lhe da uma identidade visual incrível.
Alma é de longe a personagem mais cativante, cheia de camadas dentro de um ambiente não favorável a sua personalidade. (Quem tem pais super-protetores vai se identificar)
Com a psicodelia é impossível não lembrar a influência Huxleyana e de Blake, das portas da percepção e da infinidade de vida que existe dentro do nosso mundo. Aldous em sua obra explanou sobre o paraíso do esquizofrênicos (algo como o que a Alma estaria visitando). E não há como não notar essa influência quando o Pai dela relaciona os grandes Xãmas com a conectividade com o divino, evolução espiritual e o atingimento do outro plano.
A cena final da temporada terminou de forma impecável. Na hora certa. Sem entregar nada do que estar por vir.
Ariano Suassuna era um gênio. Não só em sua obra original como nessa adaptação é refletido a cerne do nordeste e de seu sertanejo. Do povo sofrido que não perde a felicidade e a fé por mais que a vida seja sofrida.
Não se perde a oportunidade também de refletir as relações de poder e hierarquia enraizadas da colonização portuguesa e influência católicas, preponderante até hoje. A mudança de um Jesus como uma imagem europeia de homem branco para verdadeiramente pra um de pele escura é revolucionária até hoje.
Tudo isso em um enredo leve, cômico e eficaz que não perde o ritmo até o final. E que quando se presta atenção é capaz de ouvir até mesmo o Ariano falar aquelas mesma palavras.
O que mais interessa é psique dos personagens em si e seus conflitos pessoais. O mistério no entanto serve apenas como uma justificativa. Achei o plot fraco. O que mais prejudica a série é o personagem principal que é facilmente odiável no mau sentido. Não tem um carisma de um House, por exemplo.
Além da luta de classes clara no filme, achei o enredo sensacional e o final fechado como se não fosse um conto de fadas. Pois fica quase que intrínseco de o filho não conseguiria comprar aquela casa futuramente, por causa do diálogo com seu pai anteriormente. "Não devemos fazer planos." Que foi justamente contrariado pelo filho que tentou executar o plano pra lidar com o casal que vivia no Bunker e acabou ferrando tudo.
" Setorize sua alegria. Se divirta no recreio. Mas no fundo você vive nas horas vagas. Sendo programado pra odiar seu trabalho, pra adorar à sexta-feira. Pra quando for se divertir estar tão pressionando que você não vai se divertir; vai descarregar; nesse descarrego você vai consumir; e nesse consumir você vai dar lucro."
Eduardo Marinho resume em si a vivência da teoria de vários pensadores. Uma visão crua da sociedade, vista pelo olhos de um homem que olha além de sua época, que faz parte da mudança e entende que algum dia ela chegará.
O mundo mais colaborativo. Menos competitivo.
" Não precisa mudar o mundo. O mundo já está mudando. Basta buscar mudar sua vida."
Além da denúncia que muito movimentos fazem com jovens sedentos pra mudar o mundo. O que fazem eles serem muitas vezes adultos frustrados. Mudança leva tempo. Pode não ser nesse século que ela virá, e talvez nem no outro. Mas um dia venceremos e isso que importa. Fazemos parte da grande mudança, mesmo que não vivemos nela. E aceitar isso é o mais difícil.
" Não é viver no mundo justo. É virar o nariz pro mundo justo e seguir. Você fez o que pode"
" Não atingimos o patamar de humanidade ainda estamos nos ensaios." Milton Santos
" Não tenho que ter certeza nenhuma. Eu abraço minha dúvida."
"Nem todo mundo precisa de uma mudança radical. Basta que você busque viver bem e já é revolucionário. Você não aceita um emprego que te sacrifique você já tá sendo revolucionário. Se você já criar seus valores, você já está sendo super revolucionário."
Essa é a hora alguém cita Sartre pra ele e ele responde: eu nem sei quem é esse defunto.
Essa é a história de uma mulher foda que apoiou seu marido merda por longos anos e foi trocada por uma menina nova que só queria o dinheiro dele. Pollock lixo humano, Lee rainha. A arte dele não existiria sem o apoio de Lee.
Sobre a direção e atuação ficou tudo impecável, principalmente se você pesquisar as fotos, são todas praticamente cópias e bastantes fiéis a realidade. Como da resvista Life por exemplo. Foi um trabalho feito com carinho pelo diretor/ator.
Tem personagens cativantes, porém episódios muitos desnecessários. A história não é complexa e até entendo que não seja. Ed foi muito mal desenvolvido. A história de Spike é bem curta e a de Jet é a melhor. Eu senti que faltou um propósito em si.
Blue Spring
4.1 12A maior análise a ser feita é como as relações de poder são exercidas pelos alunos. E como ela pode refletir na vivência de todos ali. O fato de Kujo "rejeitar" ou nem ligar (parcialmente) para esse sistema faz com que Aoki perca completamente o controle.
Aoki precisa seguir "o sistema" e ele amava aquela hierarquia. Já Kujo foi perfeitamente representado pelo diálogo que resume a maioria dos adolescentes " Há flores que nunca florescem?"
Esse é tom que permeia durante esse período. Vazio, inutilidade, desesperança, incerteza. Todos ali tinha exatamente isso em comum. A sensação de nunca se encaixarem em nada e o medo de futuramente nunca "florescerem" em algum lugar.
Masculino-Feminino
3.9 165 Assista AgoraO filme apresenta críticas a uma visão militante egocêntrica da maioria juventude daquela época e por consequência da nossa. Como o próprio Godard fala "O filme poderia se chamar filhos de Marx e Coca-Cola", quando aborda uma juventude vaidosa que se importa mais em fechar uma porta do que interromper uma briga covarde de marido e mulher. E também da visão machista que o homem tinha ( e ainda tem) sobre o espaço da mulher da sociedade como uma figura fraca, carente e dependente.
"Qual é o centro do mundo para você?"
"É o amor, eu acho."
"Engraçado, eu teria dito 'eu'"
Até em momentos sutis como quando a palavra "Masculino" possui dois significados avulsos e do "Feminino" não possui nenhum.
Quase Famosos
4.1 1,4K Assista AgoraRoad Trip digna, que aventura!
Freaks and Geeks (1ª Temporada)
4.6 553Acho que foi a série que mais representou meu "slice of life", principalmente com a identificação com Lindsay. Coração partido por não ter mais episódios.
Quando Duas Mulheres Pecam
4.4 1,1K Assista AgoraO filme todo é um retrato de uma máscara. O próprio Bergman nós revela isso quando a partir da metalinguagem quebra nossa perspectiva de realidade ao colocar cortes que atribuem a nossa consciência de que se trata de um filme. Não vida real.
Toda a atmosfera permeia em um tom onírico com duas personagens ligadas, até mesmo pela fotografia que brinca com essa visão, de que Alma e Elisabeth são duas mulheres, independentemente de seu passado. Alma carrega o peso na consciência e só através de sua "persona" (máscara grega utilizada que atribui anonimato) consegue desabafar com outrem libertando-se de seus pecados. Consegue então encarar o espelho e ser ver como mulher, ser humano, falho. Perfeito.
O próprio cinema funciona como uma persona do Bergman, e para todos os cineastas.
Joias Brutas
3.7 1,2K Assista AgoraEu acho que o principal do filme não é nem sobre ele ter conseguido o dinheiro ou não, mas a sensação que ele teve. É como a trilha sonora sugere , intitulada também de "Uncut Gems" , ele já havia completado sua "odisseia" , já havia tido a sensação de sua vitória triunfante e já estava em transe.
What Did Jack Do?
3.2 141 Assista AgoraLynch parece estar se divertindo com a cabeça do telespectador. O ambiente Noir é fantástico e imersivo e os efeitos parecem "datados" de propósito para aparentar uma estética de filme antigo como o próprio Eraserhead.
Dois Papas
4.1 977 Assista AgoraAcho que o mais importante da figura de Bento XVI foi a renuncia. Um homem renunciar de um dos cargos mais poderosos do mundo é algo quase ficcional. Ainda se você levar o pressuposto de que Ratzinger era extremamente conservador e valorizava demais as hierarquias e tradições católicas.
Em contra-partida temos a figura do Bergoglio, o inverso do conservadorismo tão preponderante na igreja católica e por ironia do destino, ou talvez um sinal, foi escolhido pra cumprir a necessidade de mudança que a religião precisa.
As transições do filme que oscilava entre colorido/preto e branco, a fumaça que subiu no final da cena e todos os sutis sinais que o filme dava servem tanto como complemento como pra contar a história. É um filme fantástico até pra quem, como eu, não é religioso.
Friends (10ª Temporada)
4.7 934 Assista Agora"Vamos tomar algum café?
Claro, onde?"
aaaaaaaaaaaaaaaa </3
Star Wars, Episódio IX: A Ascensão Skywalker
3.1 1,3K Assista AgoraNão achei essa aberração que todos falaram , mas achei realmente ruim eles terem voltado com Palpatine. Não precisaria radicalizar tanto, bastava trazer outro vilão ou até a Rey das trevas tomar mais enfoque junto as histórias do Sith. Bom mediano.
O Rei da Comédia
4.0 378 Assista AgoraScorsese não decepciona. Impressionante como Joker bebeu dessa fonte.
O filme abre margem para as mais variadas discussões: doenças mentais, fanatismo, fama e etc. Mas o que define o filme é o monólogo de Robert De Niro.
É genial. Mostra o quão difícil é ,por mais que você seja bom, entrar nesse ramo e como a realidade pode ser aceita como comédia.
E o mais importante ainda: como a sociedade e mídia compra e explora figuras controvérsias e o quanto o marketing negativo funciona. Até hoje.
"Melhor ser rei por uma noite do que um idiota a vida inteira"
Space Jam: O Jogo do Século
3.3 792 Assista AgoraAGORA ENTENDI PQ CONHECIA A MÚSICA DE PULP FICTION ANTES DE ASSISTIR KKKKKKKKKKKKK
Ad Astra: Rumo às Estrelas
3.3 870 Assista AgoraUm filme muito sensível. Sobre a solidão, sobre sua casa verdadeira. A dependência a emocional de um filho com um pai e como deixá-lo ir era a única forma de alcançar a felicidade.
A fotografia realça ainda mais a sensação de isolamento da pequenez do ser humano diante do universo.
Destaque para um jogo de luz onde aparente a escuridão tomando conta do Roy enquanto ele vaga até a nave.
Tecnicamente está dentro do nível de dos os outros filmes famosos do gênero.
Ps1: eu teria focado em deixar o Roy dúbio para que no fim o encontro com seu pai tivesse a possibilidade de ser metafórico.
Ps2: teria cortado o filme na cena das estrelas. Antes do desabafo final. Não precisávamos ver aquilo. Sabíamos que ele, finalmente, estava livre.
História de um Casamento
4.0 1,9K Assista AgoraO importante ressaltar que tipos de filme como esse não são feitos para as pessoas adotarem um lado. A trama é feita para vermos a unilateralidade de ambos os casos e como fica fácil tomarmos opinião de um deles, independentemente da complexidade que seja.
O que pude extrair de mais importante foi que individualidade, os anseios e as vontades próprias existem ainda em um casamento. E que ninguém deve se repartir para se sentir completo.
O comércio de advogados também é abordado, são relações frias, apelativas e desgastantes. Ao mesmo momento que eles parecem se importar na verdade é uma luta de ego, o caso é secundário.
O final fechou perfeitamente a trama. Uns dos melhores do ano.
Bacurau
4.3 2,8K Assista Agora" O nordestino é antes de tudo um forte."
Bacurau é uma grande metáfora. Há vários contrapontos aqui e claro que seria um filme polêmico.
Primeiro de tudo vemos a crítica relacionada ao descaso das instituições políticas sobre o inteirior do Brasil além da venda de nossa riquezas ao exterior, principalmente diante de nosso governo atual.
Há também o descaso sobre a nossa própria cultura e valorização de práticas etnocêntricas, como a cena do museu, por exemplo.
Outro soco no estômago é o diálogo que reflete os movimentos separatistas do sul e como os americanos se sentem em relação a nós.
A violência e poder exercido por eles não têm uma causa aqui. É meramente por entretenimento. É diversão americana. E como valorizamos a dele em detrimento da nossa.
E o estranhamento que sentimos estarmos familiarizados com a cultura deles em vez da nossa.
Bacurau é sem dúvidas, necessário.
O Irlandês
4.0 1,5K Assista AgoraDiálogos orgânicos, personagens aprofundados e uma filosofia instrospectiva pesada. Scorsese está de volta e com um tema que já aparentava estar saturado dentro das temáticas do cinema, porém toma novos ares, sem deixar de diferenciar da sua cinegrafia.
O Irlandês traz uma duração longa , mas não perde seu ritmo. Muitos que se assustam com o tempo esquecem quando são levados pelo roteiro e até mesmo aqueles que não gostam de filmes longos têm espaço aqui.
Os detalhes são imensos, feitos com carinho com um enredo que não expõe sua história e não presume a burrice do telespectador. Muito do não dito é compreendido e isso é graças ao roteiro e a direção. Bastou o olhar da mulher de Frank para sabermos que ela sabia da verdade. Ou de um olhar triste do Russel pra compreendermos que não havia mais chance para o Jimmy.
A filosofia (paradoxal até mesmo) foi que todos ali sucumbiram de algum modo, mesmo que não pelo maior mal que fizeram. Frank, por exemplo, "pintou muitas paredes". Mas sua maior pena foi por uma besteira com o carro.
No fim, o protagonista é confrontado pela solidão."Não sobrou ninguém, quem você está defendendo?" Ele perdeu sua família, sua paz e sua consciência. E tudo que restou foi uma porta semiaberta, que simboliza um feixe de esperança, de não morrer ali , completamente sozinho.
Mr. Robot (4ª Temporada)
4.6 370A temporada toda tem sido muito experimental. Episódios sem diálogos. Bottle episódios fazendo referências a Sopranos e entre outros.
Mas o episódio 7 foge da curva até agora. Digno de um filme hitchcockiano. Filmado em widescreen. Separado em atos.
A simbologia do renascimento de Elliot ligado a um frame com uma árvore de natal no fundo, quadros de pirâmides egípcias contracenando com Vera e relação de poder que ele exerce e deseja.
Todos fechados em uma sala imersa a uma tempestade que oscila ao corroborar com o momento status quo atual. Não uma simples sala. A própria mente conturbada de Elliot. Que por fim, foi libertada.
Undone (1ª Temporada)
4.3 137 Assista AgoraSem dúvida a série que me fez ver que Amazon está muito melhor que a Netflix.
Mas reduzi-la a isso seria tolice. Em toda a série permeia um ar onírico nos quais estamos familiarizados. Aos que assistira Waking Life, cinematograficamente; Aos sonos dos justos, através dos sonhos. A rotoscopia permitiu esse efeito, que não é gratuito e além de auxiliar a série em muitos momentos (como realçar o peso da maquiagem na irmã da Alma, por exemplo) lhe da uma identidade visual incrível.
Alma é de longe a personagem mais cativante, cheia de camadas dentro de um ambiente não favorável a sua personalidade. (Quem tem pais super-protetores vai se identificar)
Com a psicodelia é impossível não lembrar a influência Huxleyana e de Blake, das portas da percepção e da infinidade de vida que existe dentro do nosso mundo. Aldous em sua obra explanou sobre o paraíso do esquizofrênicos (algo como o que a Alma estaria visitando). E não há como não notar essa influência quando o Pai dela relaciona os grandes Xãmas com a conectividade com o divino, evolução espiritual e o atingimento do outro plano.
A cena final da temporada terminou de forma impecável. Na hora certa. Sem entregar nada do que estar por vir.
Lembrem-se, menos é mais.
O Auto da Compadecida
4.7 229Ariano Suassuna era um gênio. Não só em sua obra original como nessa adaptação é refletido a cerne do nordeste e de seu sertanejo. Do povo sofrido que não perde a felicidade e a fé por mais que a vida seja sofrida.
Não se perde a oportunidade também de refletir as relações de poder e hierarquia enraizadas da colonização portuguesa e influência católicas, preponderante até hoje. A mudança de um Jesus como uma imagem europeia de homem branco para verdadeiramente pra um de pele escura é revolucionária até hoje.
Tudo isso em um enredo leve, cômico e eficaz que não perde o ritmo até o final. E que quando se presta atenção é capaz de ouvir até mesmo o Ariano falar aquelas mesma palavras.
" Não sei, só sei que foi assim."
O Alienista (1ª Temporada)
4.0 288 Assista AgoraO que mais interessa é psique dos personagens em si e seus conflitos pessoais. O mistério no entanto serve apenas como uma justificativa. Achei o plot fraco. O que mais prejudica a série é o personagem principal que é facilmente odiável no mau sentido. Não tem um carisma de um House, por exemplo.
Parasita
4.5 3,7K Assista AgoraAlém da luta de classes clara no filme, achei o enredo sensacional e o final fechado como se não fosse um conto de fadas. Pois fica quase que intrínseco de o filho não conseguiria comprar aquela casa futuramente, por causa do diálogo com seu pai anteriormente. "Não devemos fazer planos." Que foi justamente contrariado pelo filho que tentou executar o plano pra lidar com o casal que vivia no Bunker e acabou ferrando tudo.
Observar e Absorver
4.3 63" Setorize sua alegria. Se divirta no recreio. Mas no fundo você vive nas horas vagas. Sendo programado pra odiar seu trabalho, pra adorar à sexta-feira. Pra quando for se divertir estar tão pressionando que você não vai se divertir; vai descarregar; nesse descarrego você vai consumir; e nesse consumir você vai dar lucro."
Eduardo Marinho resume em si a vivência da teoria de vários pensadores. Uma visão crua da sociedade, vista pelo olhos de um homem que olha além de sua época, que faz parte da mudança e entende que algum dia ela chegará.
O mundo mais colaborativo. Menos competitivo.
" Não precisa mudar o mundo. O mundo já está mudando. Basta buscar mudar sua vida."
Além da denúncia que muito movimentos fazem com jovens sedentos pra mudar o mundo. O que fazem eles serem muitas vezes adultos frustrados. Mudança leva tempo. Pode não ser nesse século que ela virá, e talvez nem no outro. Mas um dia venceremos e isso que importa. Fazemos parte da grande mudança, mesmo que não vivemos nela. E aceitar isso é o mais difícil.
" Não é viver no mundo justo. É virar o nariz pro mundo justo e seguir. Você fez o que pode"
" Não atingimos o patamar de humanidade ainda estamos nos ensaios." Milton Santos
" Não tenho que ter certeza nenhuma. Eu abraço minha dúvida."
"Nem todo mundo precisa de uma mudança radical. Basta que você busque viver bem e já é revolucionário. Você não aceita um emprego que te sacrifique você já tá sendo revolucionário. Se você já criar seus valores, você já está sendo super revolucionário."
Essa é a hora alguém cita Sartre pra ele e ele responde: eu nem sei quem é esse defunto.
Porque pra ele bastou. Observar e Absover.
Pollock
3.7 100Essa é a história de uma mulher foda que apoiou seu marido merda por longos anos e foi trocada por uma menina nova que só queria o dinheiro dele. Pollock lixo humano, Lee rainha. A arte dele não existiria sem o apoio de Lee.
Sobre a direção e atuação ficou tudo impecável, principalmente se você pesquisar as fotos, são todas praticamente cópias e bastantes fiéis a realidade. Como da resvista Life por exemplo. Foi um trabalho feito com carinho pelo diretor/ator.
Cowboy Bebop
4.6 271 Assista AgoraTem personagens cativantes, porém episódios muitos desnecessários. A história não é complexa e até entendo que não seja. Ed foi muito mal desenvolvido. A história de Spike é bem curta e a de Jet é a melhor. Eu senti que faltou um propósito em si.
O traço é lindo de morrer.