Alguns personagens são adicionados no roteiro sem nenhuma razão, a história não tem nada de extraordinário, a resolução foi boba e principalmente como a policial achou a casa.
Parece um esqueceram de mim versão +18. O que salva são as atuações, principalmente da diva Frances McDormand.
Há tantas coisas a serem pontuadas nesse filme memorável. Mas é necessário se atentar ao foco da discussão. O que é vida ? O que nos torna humanos?
A primeira quebra importante no roteiro temos quando o mestre do fantoches, o grande vilão na história, não tem um plano mirabolante para destruir o mundo ou a raça humana. Ele apenas quer ser considerado uma vida. E acho que tanto ele quanto várias pessoas sentem essa mesma indagação.
Em um mundo repleto de gente, como em cyberpunks, e em grandes metrópoles, onde sentimos maiores opressões advindas da singularidade e pequenez do indivíduo, pensamos: o que nos faz importantes? O nos eleva além de um número na multidão?
Cada ser é único, como suas próprias vivências e memórias. E isso que nos faz humanos. Mas o filme nos leva ao questionamento de, e se a mente humana pudesse ser reproduzida sinteticamente? Por que não considerar como vida?
E por final ainda temos uma das frases mais importantes
" Seu desejo de permanecer o que você é, é o que acaba por te limitar."
Motoko assim como nós tem medo de mudar sua personalidade, de deixar de ser quem ela é. Abandonar nossa zona de conforto. E isso limita nosso mundo, possibilidades e conhecimentos.
E se perdemos nossa memória deixaremos de ser quem nós somos? Estaremos condenados a sermos fantasmas em uma concha?
" Faz dois anos que ela morreu e é isso que eu me lembro. E é disso que sinto falta. As pequenas idiossincrasias que só eu conhecia."
Esse diálogo acabou comigo. Primeiro de tudo. Me identifico muito com o Will, principalmente em relacionamentos. Sempre achei que poderia ler as pessoas pelo o que elas leem ou que poderia me tornar sábio sem conhecer o mundo lá fora. Não posso. A vivência, realidade é o dia-a-dia são muito mais complexos.
" Você pode ter lido sobre a capela cistina, mas com certeza não sentiu o cheiro de lá. "
Não há apenas uma forma de inteligência do mundo. Will poderia ser um gênio mas não sabia lidar com as pessoas. E eu sinto que sou como ele. Por mais que não seja um otário como ele foi, sempre me senti incomodado por estar rodeado de pessoas tão diferentes de mim, mas se não estivesse não teria crescido.
E nos relacionamentos...
Quando você conhece alguém e fica empolgado cada vez mais por aquela pessoa ser diferente mas tem medo de ela se torne trivial. Mas no fim da vida, nos lembraremos desse momentos mais simples... Como aquele dia que deu tudo errado no rolê, quando vc quase comenteu uma gafe com a pessoa que você gosta ou quando fez xixi nas calças de tanto dar risada.
Você não encontrara alguém igual a você ou sem defeitos. E nem precisa.
Outro paralelo do filme é obsessão do professor por sucesso e status. Nunca me enganei quanto a isso. Sempre soube diferençar do que quero e do que me trará "sucesso" material.
Will no entanto tinha medo de voar, mesmo sabendo que tinha a " ficha premiada" enquanto percorria a linha tênue da diferença entre não querer algo e ter medo de ter.
" Os melhores 10 segundos do meu dia são quando eu percorro até sua porta e imagino que você não está lá e simplesmente se mandou. Sem adeus ou até logo."
Nem tudo precisa sair como você imagina pra ser perfeito.
Quando assisti a primeira vez era muito novo e não fui capaz de compreender todas as mensagens desse filme que são por sua maioria sutis.
Família, dor e fracassos. A maior parte da vida projetamos a felicidade para o futuro. Quando tivermos o carro que queremos, a casa que queremos ou o "concurso de moda" que queremos ganhar.
" A vida é um concurso de moda atrás de outro."
Quando na realidade devemos ser felizes agora! Lutando! Durante a batalha. E por mais piegas que possa soar, o avô de Oliver estava certo. Aqueles que hoje são considerados " vencedores" tiveram muitas perdas na vida, pra conseguir o que almejavam.
Desde do rico empresário ou o cantor famoso que você gosta. Todos sofreram para estarem ali, sem exceção.
E as vezes aquilo que tanto almejamos não é de fato o que realmente queremos ou precisamos. E isso não faz de nós perdedores. Não temos que seguir os passos do sucesso, não temos que seguir instituições, fórmulas mágicas ou se adequar em lugar que não somos bem-vindos por uma obsessão ou falsa impressão de felicidade.
Não há vergonha nenhuma de não ter ganhado quando demos o nosso melhor pra isso.
Dê o seu melhor, não foi suficiente? Tudo bem. Tente de novo e se por fim você notar que esse não é o seu lugar, não há nada de se chamar perdedor por buscar algo novo.
Todo mundo quer vencer, e na vida há um concurso de beleza após o outro. Então, não espere pra ser feliz só quando vence, aprecie a jornada. Porque no final, as melhores memórias serão da época que você estava lutando.
E vencer não é o mais importante e quando um dia conseguimos aquele "concurso de beleza" nos deparamos com a surpresa de que a vida não é sobre isso.
Ps1: o arco final é uma das coisas mais belas do cinema, tanto pelo avô ter colocado um pouco de sua crítica póstuma aos "concursos" de modo geral assim como "adultização" infantil tão recorrente no mundo moderno. Assim como a impressão de que o mundo é cercado de vencedores e que somente eles são felizes. Muito e muitos homens com vidas invejáveis hoje se encontram depressivos por projetarem sua felicidade nisso.
Ps2: dois atores de Breaking Bad e até o clima me lembra um pouco da série
O episódio 2 leva uma das pessoas mais céticas da série a passar a acreditar numa teoria maluca de transportar pessoas. É quase que inescapável a vontade de Nora tem de ir atrás de seus filhos.
Novamente o enredo brinca com nossa possibilidade de crença.
O sumiço repentino também nos leva a discussão das pessoas que realmente desaparecem no mundo. Já pensou o quão é desesperador? Quando alguém morre e é enterrado, se fecha o ciclo da vida. Mas quando isso é roubado? Quando vc não pode ter essa certeza? Vivendo com a possibilidade de que talvez um dia, por minimamente que seja, aquela pessoa possa voltar ou quem sabe, ser enterrada.
Nora por exemplo, afirma que Lily teria sido deixada pra ela, porém aquilo também foi fruto do acaso. A simples crença de destino já descredibiliza o ceticismo de Nora, que assim como o filho adotivo de Kevin, prefere a ignorância de não saber a verdade para não conviver com a dor. Na vida há dor, não é possível separar ambos, se você não aprender a conviver com isso, ela te frustrarar e impedirá de evoluir.
No episódio 6 temos Laurie dando isqueiro de sua filha ao Kevin, adquirindo um novo significado. O episódio é impecável e cheio de camadas. A música do início " suicide" a ligação dela com Judas que ambos tiveram o mesmo final, a frase que se inicia o episódio, porém não achei plausível Laurie se matar. Ela era a mais equilibrada no meio de tudo, e por mais que tivesse busca por significado e não acreditar no meio místico, não acho que justifique o suicídio dela. Por mais que ela já tivesse abandonado sua família antes, mesmo já tendo tentado suicídio, essa era a chance de se redimir pra sempre, ainda mais com a filha a ligando no último momento. Posteriormente sabemos que ela não fez isso e o enredo brincou com nossa certeza. A Jill impediu indiretamente da mãe se matar.
A série brinca com nossa crença colocando aleatoriedades nos levando a acreditar em algo sobrenatural. Quanto na verdade até o próprio grande acontecimento da série é fruto do acaso. ... "E no ele ficou com medo. Com muito medo dela, de se deitar ao lado dela, de ser consolado por ela enquanto chorava, de lhe mostrar como era pequeno, de ela ver isso ao tocar seu rosto e sussurrar palavras em seu ouvido. Tudo era um pesadelo. Só o que ele sabia fazer era fugir. Ele respirou fundo, sentiu o sal na língua e fechou os olhos. Inclinando-se o misericordioso acelerava em direção ao horizonte. Ele estava só e tudo estava bem."
Já a Nora não conseguiu seguir em frente , sendo pior do que um processo de luto. Por mais cética que fosse, sempre se apegava a algo pra levar a seus filhos. E no final por mais que não tivesse certeza ( como nenhum de nós tem sobre pós-morte) ela sentia que valia a pena arriscar.
E no final nos apresenta já o esperado. Nada de respostas mirabolantes ou teorias loucas sobre OVNIS. Simplesmente um lapso aleatório que separou dois universos. E o plot final, uma sociedade perdeu 2% e os que perderam 98%? Até os mesmos conseguiram continuar por que o outro lado que perdeu menos não continuaria? Nora percebeu que seria um fantasma, que não caberia naquele universo, que traria infelicidade pra seus filhos. Forma mais genuína de amor. E retornou pra o mundo ela pertencia. Claro que feito de maneira aberta. Não se sabe ao certo se máquina não parou e simplesmente ela se isolou todo esse período. Mas algumas pistas são dadas como " a pessoa mais corajosa do mundo" e " eu não minto" no mesmo episódio. Porém essa crença é algo subjetivo, Nora talvez nunca tenha ido, desistindo na cena em que há o corte seco e inventado essa mentira pra conviver com a fraqueza de encarar Kevin depois de tudo. Além que os cientistas sempre falaram " ela não vai conseguir ir até o final". E dela finalmente carregar seus pecados levando os correntes do bode, finalmente tendo aceitado que pecou em sumir tanto tempo e não cometido um simples erro. Tanto que ela só resolve dar uma chance pra Kevin quando ela realmente coloca a corrente.
A série não mostrar sua viagem foi uma escolha acertada. Acho que imaginar todo aquele universo foi quase que como assistir um episódio sobre.
De qualquer forma, foi um final impecável, sensível, me senti numa história de amor que transcendeu a existência de duas almas. A trilha sonora impecável, fotografia e a sensibilidade do diretor de não mostrar o outro mundo deixando tudo por conta da imaginação. Foi um final digno pra uma série contemporânea tão cultuada. Me senti de volta a aqueles filmes que assistia mais novo, onde me emocionava todo.
Obs1: a cena do "baile" me fez me senti num romance jovem, dos mais puros possíveis, aquela paixão adolescente que cada um de nós tivemos. Aquela incerteza e calorzinho que bate no peito. Lindo e acima de tudo sensível. Back on Highschool.
Obs2: a música Homeward Bound é impossível não nos transportar pra uma realidade em que estamos distantes de casa, voltando pra ela ansiosos pra retornar ao lugar que somos amados.
A parte mais interessante pra mim foi a do Pyle, a cena dele no banheiro é icônica. Mais uma vez a denuncia da arte sobre a guerra do Vietnã, esta qual fez jovens reféns de ambos os lados. Não temos uma visão dicotomista aqui.
O protagonista que permaneceu quase como um mero observador tem sua inocência tomada no final do filme. É a representação do que os EUA e suas guerras fizeram e ainda fazem. Roubam sonhos, anseios e esperanças.
O arco final temos a sequência do confronto com o desconhecido, com o "vilão" e com o "monstro". Naturalmente somos levados a acreditar que algo de muito abominável nos espera naquele prédio, quando na verdade descobrimos que é apenas uma criança, que teve sua vida e sonhos, terminados ali, depois de uma puxada de gatilho.
Seria então o 14 de outubro uma metáfora ao mundo moderno? Onde há escassez de sentimentos?
Se o amor e afeto são escassos, logo a senadora tem razão em dizer que as crianças que crescem em orfanatos ou todos os outros que tem a dificuldade de se criar vínculos afetivos tem na verdade uma vantagem.
Porém, não só precisaremos de um 14 de outubro pra perdemos quem amamos. A vida é assim. A qualquer momento perderemos. Isso não é uma fraqueza, é parte da vida humana. Aprender a lidar com a dor e com a ausência. E muitos que não conseguem se apegam a religião para tentar preencher esse vazio.
Outro lado a série brinca com a nossa crença como se confirmasse a teoria já dita que o ser humano se apega a explicações religiosas quando se sente perdido. Toda vez que somos guiados a acreditar o enredo nos leva pro outro caminho. Méritos a discussão religiosa ácida que nunca fica banal.
E por fim nos mostra como momentos críticos da sociedade desencadearam falsos profetas e falsos deuses. E como isso molda e a ainda se mantém viva dentro da sociedade atual.
Rever aquelas cenas na telão foi como uma viagem no tempo. Quanta coisa mudou ? E num prazo de tempo nem tão grande. Como seria se pudéssemos rever nosso passado? Passo a passo? Aquele heróis reunidos ali no ápice máximo de sinergia e euforia coletiva, todo mundo ali na sala se conectava e torcia pelo mesmo. O heroísmo que surge no último momento, o guerreiro que nunca para de lutar, e aquele que se encontra, jamais poderá ser vencido.
Um espetáculo sem dúvida alguma, porém tirando os pontos fortes como todos já sabemos, duas coisas me incomodaram: o Capitão América virar um novo Thor e o fato dele voltar pro passado sendo que existia um dele lá congelado. Sim, foi sensacional quando Steve pegou o machado, mas comandar raios? Não sou fã do Thor mas tenho que concordar de que ele ficou sub-utilizado.
Mas nada que tire o mérito do filme. É sem dúvida, um espetáculo pra quem ama histórias em quadrinho.
A proposta da diretora nunca foi fazer um filme de ação e muito menos abordar a violência como forma de entretenimento. Vi comentários abaixo falando que Joaquin Phoenix "salvou" o filme ou carrega o filme nas costas, vocês não entenderam. Ele É o filme. É um estudo de personagem, de um homem atormentado por seu passado, com tendência suicidas, repetindo características freudianas de seu pai violentador: como no martelo que usava, na toalha que abafava seu rosto ou o auto-sufocamento em forma de agressão a si próprio.
Atenção também para os frames que marcam os pés dos personagens. Todos os gravados tiveram sua inocência tirada pela violência.
Ao final ainda temos a quebra de expectativa do "confronto final" em que Joe se assume fraco, por ter perdido a todos que tentou proteger, e não pode ser o "mocinho" da história, pois a menina já havia se salvado.
Detalhe pra sutileza da cena do bebedouro no início e no final em que Joe sonha com seu suicídio, demonstrando que realmente, ele nunca esteva lá.
Fiquei com vontade de conhecer o mundo de Agartha, porém muita coisa foi deixada de lado. Claro que a ideia da viagem é um pretexto para contar uma história sobre duas coisas: passado e solidão.
Para o futuro existir é necessário deixar as coisas antigas irem. Não significa que não devemos ter saudade, mas não precisamos regressar ao passado, pois ele já nos ensinou sua lição.
E a solidão de Asuna vem de uma mãe ausente que nos leva até uma discussão que tudo na trama pode ser apenas um mundo criado por uma criança, para se salvar da solidão. Falo até por mim. Quando minha mãe faleceu, na minha infância, me senti extremamente só. O que me levou a criar um mundo só meu.
Viagem para Agharta é uma animação ,sem dúvida alguma, que deve ser visitada.
Os três robôs Zima Blue Sugador de almas Quando iogurte assumiu o controle Para além da fenda de Áquila Boa caçada A testemunha A vantagem de Sonnie 13 número da sorte Ponto cego Noite de pescaria Proteção contra alienígenas Metamorfos Ajudinha Histórias alternativas Lixao Guerra secreta Era do gelo ********
Sobre o episódio do Iogurte Você abriria mão de sua liberdade em prol de um regime autoritário perfeito? Se uma criatura superior assume o poder com uma fórmula perfeita e com ela a paz da humanidade fosse alcançada, você se permitiria abrir mão de todos o seus anseios por isso?
Por fim, o nosso lado humano morreria pois sem errar não evoluíramos. Eles são nosso aprendizado.
Estaria então a raça humana fadada ao fracasso? Pois a perfeição que tanto almejamos é ilusória e utópica de um mundo dúbio que ao mesmo tempo que se resume em perfeição, sufoca a identidade que nos faz humanos, e termina no vazio entediante.
O quão chato seria um mundo perfeito, sem erros, com apenas sucesso?
E não, ao mesmo que falo isso, não concordo com as injustiças do mundo e temos sim que lutar para diminuí-las. Mas quando alcançarmos tudo que almejamos, o que nos restará?
O essência humana é insaciável. Nunca chegaremos a perfeição.
Chef Garvey tinha tudo, mas mesmo tendo, não se sentia completo. E por mais irônico que seja, ele perdeu a todos, mesmo que nenhum tenha desaparecido no dia de 14 de outubro.
"Todo homem se rebela contra a ideia de que é só isso."
Cada um busca um objetivo ou uma catarse em suas vidas. Se não as tem, o próprio cria. Como Dom Quixote criou seus demônios nos moinhos.
Tudo está lá, a exploração da mídia sobre o evento e o comércio gerado por isso. Os falsos profetas criados, religiões extremistas, apelo emocional e ídolos fabricados.
O nível de detalhes do episódio 9 foi incrível, todos estavam lá. O relacionamento antigo de todos os personagens: a família que perdeu o filho com síndrome de down, o filho adotado do Kevin e suas frustrações com o pai biológico, o alce que previu a gravidez da filha do Garvey, o futuro padre que antes do caos recebeu sua última " benção" e até mesmo alguns personagens principais dos RC.
Como é do mesmo criador de Lost, espero não perder vários dos sinais dados e que os mesmos tenham algum significado no fim da trama.
Ok, entendi a questão que por mais absurdo que seja um acontecimento ele pode acontecer, e sim até o absurdo de uma chuva de animais. Mas pra que 3 horas de filme?
Assim como próprio nome já diz o filme faz uma ligação direta com o destino: algo impossível de se escapar. Atmosfera sufocante, câmera subjetiva ao extremo e incômodo. Principalmente incômodo. Até mesmo os créditos do filme iniciam do final , mostrando a alteração da temporalidade.
Podemos ver o destino se manifestando sutilmente nas cenas em o casal está na cama: o " sonho" de Alex e o braço dormente ( que posteriormente seria quebrado) de seu namorado.
" É sempre a mulher que decide" " Não sou um objeto"
O fato do filme não ser linear torna todas as frases faladas anteriormente trágicas e com um peso muito maior.
Mas mesmo com toda essa violência explícita o diretor também sabe ser sutil. Por exemplo, quando Alex não precisa dizer que está grávida para o público, bastando passar a mão sobre sua barriga após a teste e a câmera em um jogo rápido grava o teto com o poster de 2001 e a criança misteriosa. O próprio túnel em que Alex é estuprada remete a perfeita simetria dos enquadramentos de Kubrick em 2001.
E ainda temos a pergunta, o que é moral? O que seria justiça em uma situação dessas? É inegável a vontade de que "La Tênia" que tivesse o crânio esmagado ali, junto a toda aquela podridão, mas prefiro ter meu final aberto onde imagino um fim bem pior para o mesmo.
E por fim, sabem a sensação de assitir o mesmo filme e imaginar outras situações mesmo sabendo que não vai acontecer? Ou medo que você sente do protagonista não conseguir fazer tal coisa, mesmo sabendo que ele vai? Isso não acontece aqui. Temos a certeza da tragédia. A certeza que o tempo vai destruir tudo.
A temporalidade cronológica do filme nos mostra o quanto aquela tragédia foi e será , irreversível.
Muitos vivem sem significado mas nem todos são niilistas.
O filme assim como o homem é retrato de seu meio. Ambientado durante a peste negra, nada sobra ao homem se não a fé tola ou o conhecimento. Este representado pela dor de saber que se existe algum Deus, ele está mudo e assim continua ao ver o sofrimentos dos homens.
" Acreditar é sofrer. É como amar alguém na escuridão que nunca responde."
O cavaleiro em seu jogo com a morte, busca como seu último ato orgânico de desejo dar significado a sua vida desperdiçada. Sendo uma figura dúbia de um cavaleiro que luta pela cruzadas ao mesmo que questiona sua fé. Antonious busca conhecimento, e ao contrário da maioria das pessoas não pensam no nada ou na morte, ele pode preencher seus vazios em vida. Assim como Tyler Durden, ele encontrou a liberdade na perda da esperança.
E para aqueles que ainda acreditam há uma identificação com o sofrimento de Cristo, o que leva a uma parte dos fiéis tratar a doença como uma punição para purificar a alma. Enquanto não há espaço pra arte, apenas como espectadores passivos restam aqueles que não se resumem a fé.
O sétimo selo é uma expressão tirada da bíblia do livro do Apocalipse, uma forma de representação do início do fim, ou melhor, a morte.
Levando-nos ao "memento mori". Lembrar-se da morte não quer dizer que iremos pensar a todo momento em alguma tragédia e sim que é necessário viver bem a ponto de não se importar quando a morte chega.
As pessoas do filme, no entanto, vivem a beira do colapso, e mesmo que tentassem, da morte não poderiam esquecer.
Antonious não esqueceu mas certo momento sua visão sobre a morte muda quando em um piquenique, aproveita o simples momento de se alimentar ao ar livre.
Se olharmos e uma das cenas um homem pintava a parede com " a dança com morte" o que mais parecia ser um prelúdio da cena final. Todos juntos, sem distinções, desde do homem mais rico até o homem mais pobre irá bailar sobre a mesma dança.
E a igreja utilizava o medo, pra tornar seus fiéis menos subversivos e aceitarem seu destino. Em último plano, o desespero do vazio nos faz apegar a ideia de Deus, assim como Antonious em seu último momento, apela a uma oração quando vê que sua hora chegou.
" Se os assustarem com o medo cairão nos braços dos padres."
O plano final mostra a dúbia dança a ida até morte, onde há apenas silhuetas, porém diferentes visões: dos que aproveitaram a vida, aos que acreditam que irão a algum lugar, e da dor.
No entanto, por mais que expressem diferentes visões, todos ali continuam semelhantes, indo em direção, talvez, a lugar algum.
Williem Dafoe faz o papel de um artista afundando e seus próprios demônios, pertubado pelo seu interior.
A fotografia subjetiva semelhante até mesmo a " Irreversível" do Gaspar Noé, busca refletir o quão incômodo é viver na pele de alguém atormentado
A arte como ponto de vista do artista, por mais que olhemos o mesmo quadro, víssemos a mesma vista ou tomassemos o mesmo remédio. Não veríamos a mesma coisa ou não teríamos o mesmo efeitos, chama-se idiossincrasia.
É uma das coisas mais importantes na arte. A liberdade em que todos temos de reagir a estímulos externos a nossa própria maneira. " As pessoas vão aos museus para ver pinturas de pintores, não para ver pessoas que foram pintadas."
A fotografia e a paleta de cores é estonteante. As cores são vividas, como um quadro do Van Gogh, assim a forma de que ele queria passar para outrem de como via a vida.
O arco final é terminado com Van Gogh indo direto pra sua relação com a eternidade.
Solidão, frustração , rejeição e isolamento. Tudo isso refletido sobre a uma enigmática, controversa e genial obra de um dos artistas mais importantes da história da arte: Vicent van Gogh.
A genialidade da frase em ser dúbia, em se relacionar para o escritor que quer fazer a biografia do Joe quanto para seu filho no plano de trás, se sentido realmente nas sombras do pai, desprezado e por fim a Joan a autora da frase que parecia esconder sua vida e frustração na escrita.
Ao decorrer da história então percebemos que seu comportamento foi reflexo de sua criação e relacionamento com seus pais.
O moralismo patético de Joe em cobrar uma reação mais aberta de seu filho é patética e isso não é raro de se encontrar. Essa relação Freudiana de pai vs filho se repete corriqueiramente em várias famílias que pais acusam atitudes em seus filhos derivadas de convívio e relações tóxicas e traumas infantis, mas isso é apenas plano de fundo.
O primordial do filme está no tema do machismo da industria de modo geral (focada nesse caso no nicho da escrita) quanto no relacionamento abusivo da personagem de Gleen Close. A trajetória de superar seus traumas, fases e colocar sua vida em sua obra é importante sim, me fazendo até lembrar do livro de Oscar Wilde "Dorian Gray" porém estaria desviando o foco de uma história trágica pra algo empolgante como um Monomito (Jornada do Herói).
O núcleo narrativo é relacionamento abusivo, onde por toda sua vida Joan, abriu mão de sua fama, vida, anseios e desejos afim de nutrir um relacionamento que parasitava todo seu talento, aptidão, capacidade e vocação para ser uma escritora merecedora de um Nobel, que por fim, a morte de seu marido representou nada mais que liberdade em se tornar mulher, mesmo que tarde de sua vida.
A desconexão entre a histórias talvez tenha prejudicado um pouco o filme que perdeu parte de seu plot e teor narrativo. Enquanto umas estórias são densas e reflexivas outras não passam de um conto raso.
O primeiro conto representa a sátira aos filmes western que termina de forma a sacanear a expectativa dos telespectadores. O terceiro é um drama forte, mostra a sutileza dos diretores de não precisar ser explícito em cenas pra mostrar peso.
Ganância do homem, polarização da identidade, egoísmo, amor e muitos outros assuntos estão presentes, mas nunca há um foco já que nada está conectado e apenas aparenta acontecer no mesmo universo.
Das que mais gostei foi da história final, que abre espaço pra uma discussão sobre dualidade hesteriotipada do homem. Santo e pecador, vivo e morto, humano ou animal. Os personagens parecem estar no purgatório esperando pra seres julgados, até mesmo a fotografia fica um pouco mais azulada.
Filme regular que não chega nem perto da obra-prima " Onde os fracos não têm vez".
A dualidade e química dos dois personagens é exuberante. De um lado um Italiano que mesmo amando persuadir, segue uma linha tênue entre ser tramoeiro, mas nunca ao nível da máfia. Do outro um homem culto, inteligente e educado de todas as maneiras possíveis.
O filme não se perde em seu tom e não tenta ir pro outros caminhos. O centro da discussão é sempre o racismo, porém aborda de maneira sutil a homossexualidade e o preconceito até mesmo com a polícia (que assim como toda classe de nossa sociedade, partilha de homens honestos e corruptos).
Destaque ao monólogo de Mahershala Ali, na qual finalmente descobrimos a razão da introspecção de seu personagem. O sentimento de divisão entre: não ser aceito em seu meio por não conviver no meio negro e o sentimento de ser um divertimento efêmero pra classe branca elitista.
Outra palavra que poderia resumir o filme seria: humildade. A mesma que fez Shirley o homem culto, integro dirigir o carro no final guiando Tony até sua casa. Não há nada mais belo do que isso. Saber que por mais cultuado que um homem pode ser, ele pode de despir (assim como anteriormente Shirley fez no bar, abrindo mão de tocar em apenas um modelo de piano) dessas vaidades em prol de um ato de bondade.
Green Book é um filme lindo que ao descobrir que é baseado em fatos reais nos da gás para continuar lutando nesse mundo.
Fargo: Uma Comédia de Erros
3.9 982 Assista AgoraAlguns personagens são adicionados no roteiro sem nenhuma razão, a história não tem nada de extraordinário, a resolução foi boba e principalmente como a policial achou a casa.
Parece um esqueceram de mim versão +18. O que salva são as atuações, principalmente da diva Frances McDormand.
Hellboy
2.6 425 Assista AgoraFui assistir pra esvaziar a cabeça e enchi ela de merda.
Digam o Que Quiserem
3.7 362 Assista Agora"Ninguém acha que vai dar certo, acham? "
"Você acabou de descrever cada história de sucesso."
O Fantasma do Futuro
4.1 413 Assista AgoraHá tantas coisas a serem pontuadas nesse filme memorável. Mas é necessário se atentar ao foco da discussão. O que é vida ? O que nos torna humanos?
A primeira quebra importante no roteiro temos quando o mestre do fantoches, o grande vilão na história, não tem um plano mirabolante para destruir o mundo ou a raça humana. Ele apenas quer ser considerado uma vida. E acho que tanto ele quanto várias pessoas sentem essa mesma indagação.
Em um mundo repleto de gente, como em cyberpunks, e em grandes metrópoles, onde sentimos maiores opressões advindas da singularidade e pequenez do indivíduo, pensamos: o que nos faz importantes? O nos eleva além de um número na multidão?
Cada ser é único, como suas próprias vivências e memórias. E isso que nos faz humanos. Mas o filme nos leva ao questionamento de, e se a mente humana pudesse ser reproduzida sinteticamente? Por que não considerar como vida?
E por final ainda temos uma das frases mais importantes
" Seu desejo de permanecer o que você é, é o que acaba por te limitar."
Motoko assim como nós tem medo de mudar sua personalidade, de deixar de ser quem ela é. Abandonar nossa zona de conforto. E isso limita nosso mundo, possibilidades e conhecimentos.
E se perdemos nossa memória deixaremos de ser quem nós somos? Estaremos condenados a sermos fantasmas em uma concha?
Gênio Indomável
4.2 1,3K Assista Agora" Faz dois anos que ela morreu e é isso que eu me lembro. E é disso que sinto falta. As pequenas idiossincrasias que só eu conhecia."
Esse diálogo acabou comigo. Primeiro de tudo. Me identifico muito com o Will, principalmente em relacionamentos. Sempre achei que poderia ler as pessoas pelo o que elas leem ou que poderia me tornar sábio sem conhecer o mundo lá fora. Não posso. A vivência, realidade é o dia-a-dia são muito mais complexos.
" Você pode ter lido sobre a capela cistina, mas com certeza não sentiu o cheiro de lá. "
Não há apenas uma forma de inteligência do mundo. Will poderia ser um gênio mas não sabia lidar com as pessoas. E eu sinto que sou como ele. Por mais que não seja um otário como ele foi, sempre me senti incomodado por estar rodeado de pessoas tão diferentes de mim, mas se não estivesse não teria crescido.
E nos relacionamentos...
Quando você conhece alguém e fica empolgado cada vez mais por aquela pessoa ser diferente mas tem medo de ela se torne trivial. Mas no fim da vida, nos lembraremos desse momentos mais simples... Como aquele dia que deu tudo errado no rolê, quando vc quase comenteu uma gafe com a pessoa que você gosta ou quando fez xixi nas calças de tanto dar risada.
Você não encontrara alguém igual a você ou sem defeitos. E nem precisa.
Outro paralelo do filme é obsessão do professor por sucesso e status. Nunca me enganei quanto a isso. Sempre soube diferençar do que quero e do que me trará "sucesso" material.
Will no entanto tinha medo de voar, mesmo sabendo que tinha a " ficha premiada" enquanto percorria a linha tênue da diferença entre não querer algo e ter medo de ter.
" Os melhores 10 segundos do meu dia são quando eu percorro até sua porta e imagino que você não está lá e simplesmente se mandou. Sem adeus ou até logo."
Acho que ele encontrou a resposta.
Um Homem com uma Câmera
4.4 204 Assista AgoraA obra do homem é a sua visão sobre o mundo.
Pequena Miss Sunshine
4.1 2,8K Assista AgoraNem tudo precisa sair como você imagina pra ser perfeito.
Quando assisti a primeira vez era muito novo e não fui capaz de compreender todas as mensagens desse filme que são por sua maioria sutis.
Família, dor e fracassos. A maior parte da vida projetamos a felicidade para o futuro. Quando tivermos o carro que queremos, a casa que queremos ou o "concurso de moda" que queremos ganhar.
" A vida é um concurso de moda atrás de outro."
Quando na realidade devemos ser felizes agora! Lutando! Durante a batalha. E por mais piegas que possa soar, o avô de Oliver estava certo. Aqueles que hoje são considerados " vencedores" tiveram muitas perdas na vida, pra conseguir o que almejavam.
Desde do rico empresário ou o cantor famoso que você gosta. Todos sofreram para estarem ali, sem exceção.
E as vezes aquilo que tanto almejamos não é de fato o que realmente queremos ou precisamos. E isso não faz de nós perdedores. Não temos que seguir os passos do sucesso, não temos que seguir instituições, fórmulas mágicas ou se adequar em lugar que não somos bem-vindos por uma obsessão ou falsa impressão de felicidade.
Não há vergonha nenhuma de não ter ganhado quando demos o nosso melhor pra isso.
Dê o seu melhor, não foi suficiente? Tudo bem. Tente de novo e se por fim você notar que esse não é o seu lugar, não há nada de se chamar perdedor por buscar algo novo.
Todo mundo quer vencer, e na vida há um concurso de beleza após o outro. Então, não espere pra ser feliz só quando vence, aprecie a jornada. Porque no final, as melhores memórias serão da época que você estava lutando.
E vencer não é o mais importante e quando um dia conseguimos aquele "concurso de beleza" nos deparamos com a surpresa de que a vida não é sobre isso.
Ps1: o arco final é uma das coisas mais belas do cinema, tanto pelo avô ter colocado um pouco de sua crítica póstuma aos "concursos" de modo geral assim como "adultização" infantil tão recorrente no mundo moderno. Assim como a impressão de que o mundo é cercado de vencedores e que somente eles são felizes. Muito e muitos homens com vidas invejáveis hoje se encontram depressivos por projetarem sua felicidade nisso.
Ps2: dois atores de Breaking Bad e até o clima me lembra um pouco da série
The Leftovers (3ª Temporada)
4.5 443 Assista AgoraO episódio 2 leva uma das pessoas mais céticas da série a passar a acreditar numa teoria maluca de transportar pessoas. É quase que inescapável a vontade de Nora tem de ir atrás de seus filhos.
Novamente o enredo brinca com nossa possibilidade de crença.
O sumiço repentino também nos leva a discussão das pessoas que realmente desaparecem no mundo. Já pensou o quão é desesperador? Quando alguém morre e é enterrado, se fecha o ciclo da vida. Mas quando isso é roubado? Quando vc não pode ter essa certeza? Vivendo com a possibilidade de que talvez um dia, por minimamente que seja, aquela pessoa possa voltar ou quem sabe, ser enterrada.
Nora por exemplo, afirma que Lily teria sido deixada pra ela, porém aquilo também foi fruto do acaso. A simples crença de destino já descredibiliza o ceticismo de Nora, que assim como o filho adotivo de Kevin, prefere a ignorância de não saber a verdade para não conviver com a dor. Na vida há dor, não é possível separar ambos, se você não aprender a conviver com isso, ela te frustrarar e impedirá de evoluir.
No episódio 6 temos Laurie dando isqueiro de sua filha ao Kevin, adquirindo um novo significado. O episódio é impecável e cheio de camadas. A música do início " suicide" a ligação dela com Judas que ambos tiveram o mesmo final, a frase que se inicia o episódio, porém não achei plausível Laurie se matar. Ela era a mais equilibrada no meio de tudo, e por mais que tivesse busca por significado e não acreditar no meio místico, não acho que justifique o suicídio dela. Por mais que ela já tivesse abandonado sua família antes, mesmo já tendo tentado suicídio, essa era a chance de se redimir pra sempre, ainda mais com a filha a ligando no último momento. Posteriormente sabemos que ela não fez isso e o enredo brincou com nossa certeza. A Jill impediu indiretamente da mãe se matar.
A série brinca com nossa crença colocando aleatoriedades nos levando a acreditar em algo sobrenatural. Quanto na verdade até o próprio grande acontecimento da série é fruto do acaso.
...
"E no ele ficou com medo. Com muito medo dela, de se deitar ao lado dela, de ser consolado por ela enquanto chorava, de lhe mostrar como era pequeno, de ela ver isso ao tocar seu rosto e sussurrar palavras em seu ouvido. Tudo era um pesadelo. Só o que ele sabia fazer era fugir. Ele respirou fundo, sentiu o sal na língua e fechou os olhos. Inclinando-se o misericordioso acelerava em direção ao horizonte. Ele estava só e tudo estava bem."
Já a Nora não conseguiu seguir em frente , sendo pior do que um processo de luto. Por mais cética que fosse, sempre se apegava a algo pra levar a seus filhos. E no final por mais que não tivesse certeza ( como nenhum de nós tem sobre pós-morte) ela sentia que valia a pena arriscar.
E no final nos apresenta já o esperado. Nada de respostas mirabolantes ou teorias loucas sobre OVNIS. Simplesmente um lapso aleatório que separou dois universos. E o plot final, uma sociedade perdeu 2% e os que perderam 98%? Até os mesmos conseguiram continuar por que o outro lado que perdeu menos não continuaria? Nora percebeu que seria um fantasma, que não caberia naquele universo, que traria infelicidade pra seus filhos. Forma mais genuína de amor. E retornou pra o mundo ela pertencia. Claro que feito de maneira aberta. Não se sabe ao certo se máquina não parou e simplesmente ela se isolou todo esse período. Mas algumas pistas são dadas como " a pessoa mais corajosa do mundo" e " eu não minto" no mesmo episódio. Porém essa crença é algo subjetivo, Nora talvez nunca tenha ido, desistindo na cena em que há o corte seco e inventado essa mentira pra conviver com a fraqueza de encarar Kevin depois de tudo. Além que os cientistas sempre falaram " ela não vai conseguir ir até o final". E dela finalmente carregar seus pecados levando os correntes do bode, finalmente tendo aceitado que pecou em sumir tanto tempo e não cometido um simples erro. Tanto que ela só resolve dar uma chance pra Kevin quando ela realmente coloca a corrente.
A série não mostrar sua viagem foi uma escolha acertada. Acho que imaginar todo aquele universo foi quase que como assistir um episódio sobre.
De qualquer forma, foi um final impecável, sensível, me senti numa história de amor que transcendeu a existência de duas almas.
A trilha sonora impecável, fotografia e a sensibilidade do diretor de não mostrar o outro mundo deixando tudo por conta da imaginação. Foi um final digno pra uma série contemporânea tão cultuada. Me senti de volta a aqueles filmes que assistia mais novo, onde me emocionava todo.
Obs1: a cena do "baile" me fez me senti num romance jovem, dos mais puros possíveis, aquela paixão adolescente que cada um de nós tivemos. Aquela incerteza e calorzinho que bate no peito. Lindo e acima de tudo sensível. Back on Highschool.
Obs2: a música Homeward Bound é impossível não nos transportar pra uma realidade em que estamos distantes de casa, voltando pra ela ansiosos pra retornar ao lugar que somos amados.
Nascido Para Matar
4.3 1,2K Assista AgoraA parte mais interessante pra mim foi a do Pyle, a cena dele no banheiro é icônica. Mais uma vez a denuncia da arte sobre a guerra do Vietnã, esta qual fez jovens reféns de ambos os lados. Não temos uma visão dicotomista aqui.
O protagonista que permaneceu quase como um mero observador tem sua inocência tomada no final do filme. É a representação do que os EUA e suas guerras fizeram e ainda fazem. Roubam sonhos, anseios e esperanças.
O arco final temos a sequência do confronto com o desconhecido, com o "vilão" e com o "monstro". Naturalmente somos levados a acreditar que algo de muito abominável nos espera naquele prédio, quando na verdade descobrimos que é apenas uma criança, que teve sua vida e sonhos, terminados ali, depois de uma puxada de gatilho.
The Leftovers (2ª Temporada)
4.5 438 Assista AgoraSeria então o 14 de outubro uma metáfora ao mundo moderno? Onde há escassez de sentimentos?
Se o amor e afeto são escassos, logo a senadora tem razão em dizer que as crianças que crescem em orfanatos ou todos os outros que tem a dificuldade de se criar vínculos afetivos tem na verdade uma vantagem.
Porém, não só precisaremos de um 14 de outubro pra perdemos quem amamos. A vida é assim. A qualquer momento perderemos. Isso não é uma fraqueza, é parte da vida humana. Aprender a lidar com a dor e com a ausência. E muitos que não conseguem se apegam a religião para tentar preencher esse vazio.
Outro lado a série brinca com a nossa crença como se confirmasse a teoria já dita que o ser humano se apega a explicações religiosas quando se sente perdido. Toda vez que somos guiados a acreditar o enredo nos leva pro outro caminho. Méritos a discussão religiosa ácida que nunca fica banal.
E por fim nos mostra como momentos críticos da sociedade desencadearam falsos profetas e falsos deuses. E como isso molda e a ainda se mantém viva dentro da sociedade atual.
Vingadores: Ultimato
4.3 2,6K Assista AgoraRever aquelas cenas na telão foi como uma viagem no tempo. Quanta coisa mudou ? E num prazo de tempo nem tão grande. Como seria se pudéssemos rever nosso passado? Passo a passo? Aquele heróis reunidos ali no ápice máximo de sinergia e euforia coletiva, todo mundo ali na sala se conectava e torcia pelo mesmo. O heroísmo que surge no último momento, o guerreiro que nunca para de lutar, e aquele que se encontra, jamais poderá ser vencido.
Vingadores: Ultimato
4.3 2,6K Assista AgoraUm espetáculo sem dúvida alguma, porém tirando os pontos fortes como todos já sabemos, duas coisas me incomodaram: o Capitão América virar um novo Thor e o fato dele voltar pro passado sendo que existia um dele lá congelado. Sim, foi sensacional quando Steve pegou o machado, mas comandar raios? Não sou fã do Thor mas tenho que concordar de que ele ficou sub-utilizado.
Mas nada que tire o mérito do filme. É sem dúvida, um espetáculo pra quem ama histórias em quadrinho.
Você Nunca Esteve Realmente Aqui
3.6 523Não é definitivamente um filme para o grande público. A prova maior disso é uma nota média baixa, 3,6 no filmow.
A proposta da diretora nunca foi fazer um filme de ação e muito menos abordar a violência como forma de entretenimento. Vi comentários abaixo falando que Joaquin Phoenix "salvou" o filme ou carrega o filme nas costas, vocês não entenderam. Ele É o filme. É um estudo de personagem, de um homem atormentado por seu passado, com tendência suicidas, repetindo características freudianas de seu pai violentador: como no martelo que usava, na toalha que abafava seu rosto ou o auto-sufocamento em forma de agressão a si próprio.
Atenção também para os frames que marcam os pés dos personagens. Todos os gravados tiveram sua inocência tirada pela violência.
Ao final ainda temos a quebra de expectativa do "confronto final" em que Joe se assume fraco, por ter perdido a todos que tentou proteger, e não pode ser o "mocinho" da história, pois a menina já havia se salvado.
Detalhe pra sutileza da cena do bebedouro no início e no final em que Joe sonha com seu suicídio, demonstrando que realmente, ele nunca esteva lá.
Viagem Para Agartha
3.9 165 Assista AgoraGostei mais da ideia do que da execução.
Fiquei com vontade de conhecer o mundo de Agartha, porém muita coisa foi deixada de lado. Claro que a ideia da viagem é um pretexto para contar uma história sobre duas coisas: passado e solidão.
Para o futuro existir é necessário deixar as coisas antigas irem. Não significa que não devemos ter saudade, mas não precisamos regressar ao passado, pois ele já nos ensinou sua lição.
E a solidão de Asuna vem de uma mãe ausente que nos leva até uma discussão que tudo na trama pode ser apenas um mundo criado por uma criança, para se salvar da solidão. Falo até por mim. Quando minha mãe faleceu, na minha infância, me senti extremamente só. O que me levou a criar um mundo só meu.
Viagem para Agharta é uma animação ,sem dúvida alguma, que deve ser visitada.
Love, Death & Robots (Volume 1)
4.3 678 Assista AgoraOs três robôs
Zima Blue
Sugador de almas
Quando iogurte assumiu o controle
Para além da fenda de Áquila
Boa caçada
A testemunha
A vantagem de Sonnie
13 número da sorte
Ponto cego
Noite de pescaria
Proteção contra alienígenas
Metamorfos
Ajudinha
Histórias alternativas
Lixao
Guerra secreta
Era do gelo
********
Sobre o episódio do Iogurte
Você abriria mão de sua liberdade em prol de um regime autoritário perfeito?
Se uma criatura superior assume o poder com uma fórmula perfeita e com ela a paz da humanidade fosse alcançada, você se permitiria abrir mão de todos o seus anseios por isso?
Por fim, o nosso lado humano morreria pois sem errar não evoluíramos. Eles são nosso aprendizado.
Estaria então a raça humana fadada ao fracasso? Pois a perfeição que tanto almejamos é ilusória e utópica de um mundo dúbio que ao mesmo tempo que se resume em perfeição, sufoca a identidade que nos faz humanos, e termina no vazio entediante.
O quão chato seria um mundo perfeito, sem erros, com apenas sucesso?
E não, ao mesmo que falo isso, não concordo com as injustiças do mundo e temos sim que lutar para diminuí-las. Mas quando alcançarmos tudo que almejamos, o que nos restará?
O essência humana é insaciável. Nunca chegaremos a perfeição.
E tudo bem
The Leftovers (1ª Temporada)
4.2 598 Assista AgoraChef Garvey tinha tudo, mas mesmo tendo, não se sentia completo. E por mais irônico que seja, ele perdeu a todos, mesmo que nenhum tenha desaparecido no dia de 14 de outubro.
"Todo homem se rebela contra a ideia de que é só isso."
Cada um busca um objetivo ou uma catarse em suas vidas. Se não as tem, o próprio cria. Como Dom Quixote criou seus demônios nos moinhos.
Tudo está lá, a exploração da mídia sobre o evento e o comércio gerado por isso. Os falsos profetas criados, religiões extremistas, apelo emocional e ídolos fabricados.
O nível de detalhes do episódio 9 foi incrível, todos estavam lá. O relacionamento antigo de todos os personagens: a família que perdeu o filho com síndrome de down, o filho adotado do Kevin e suas frustrações com o pai biológico, o alce que previu a gravidez da filha do Garvey, o futuro padre que antes do caos recebeu sua última " benção" e até mesmo alguns personagens principais dos RC.
Como é do mesmo criador de Lost, espero não perder vários dos sinais dados e que os mesmos tenham algum significado no fim da trama.
Magnólia
4.1 1,4K Assista AgoraOk, entendi a questão que por mais absurdo que seja um acontecimento ele pode acontecer, e sim até o absurdo de uma chuva de animais. Mas pra que 3 horas de filme?
Irreversível
4.0 1,8KAssim como próprio nome já diz o filme faz uma ligação direta com o destino: algo impossível de se escapar. Atmosfera sufocante, câmera subjetiva ao extremo e incômodo. Principalmente incômodo. Até mesmo os créditos do filme iniciam do final , mostrando a alteração da temporalidade.
Podemos ver o destino se manifestando sutilmente nas cenas em o casal está na cama: o " sonho" de Alex e o braço dormente ( que posteriormente seria quebrado) de seu namorado.
" É sempre a mulher que decide"
" Não sou um objeto"
O fato do filme não ser linear torna todas as frases faladas anteriormente trágicas e com um peso muito maior.
Mas mesmo com toda essa violência explícita o diretor também sabe ser sutil. Por exemplo, quando Alex não precisa dizer que está grávida para o público, bastando passar a mão sobre sua barriga após a teste e a câmera em um jogo rápido grava o teto com o poster de 2001 e a criança misteriosa. O próprio túnel em que Alex é estuprada remete a perfeita simetria dos enquadramentos de Kubrick em 2001.
E ainda temos a pergunta, o que é moral? O que seria justiça em uma situação dessas? É inegável a vontade de que "La Tênia" que tivesse o crânio esmagado ali, junto a toda aquela podridão, mas prefiro ter meu final aberto onde imagino um fim bem pior para o mesmo.
E por fim, sabem a sensação de assitir o mesmo filme e imaginar outras situações mesmo sabendo que não vai acontecer? Ou medo que você sente do protagonista não conseguir fazer tal coisa, mesmo sabendo que ele vai? Isso não acontece aqui. Temos a certeza da tragédia. A certeza que o tempo vai destruir tudo.
A temporalidade cronológica do filme nos mostra o quanto aquela tragédia foi e será , irreversível.
O Sétimo Selo
4.4 1,0K Assista AgoraMuitos vivem sem significado mas nem todos são niilistas.
O filme assim como o homem é retrato de seu meio. Ambientado durante a peste negra, nada sobra ao homem se não a fé tola ou o conhecimento. Este representado pela dor de saber que se existe algum Deus, ele está mudo e assim continua ao ver o sofrimentos dos homens.
" Acreditar é sofrer. É como amar alguém na escuridão que nunca responde."
O cavaleiro em seu jogo com a morte, busca como seu último ato orgânico de desejo dar significado a sua vida desperdiçada. Sendo uma figura dúbia de um cavaleiro que luta pela cruzadas ao mesmo que questiona sua fé. Antonious busca conhecimento, e ao contrário da maioria das pessoas não pensam no nada ou na morte, ele pode preencher seus vazios em vida. Assim como Tyler Durden, ele encontrou a liberdade na perda da esperança.
E para aqueles que ainda acreditam há uma identificação com o sofrimento de Cristo, o que leva a uma parte dos fiéis tratar a doença como uma punição para purificar a alma. Enquanto não há espaço pra arte, apenas como espectadores passivos restam aqueles que não se resumem a fé.
O sétimo selo é uma expressão tirada da bíblia do livro do Apocalipse, uma forma de representação do início do fim, ou melhor, a morte.
Levando-nos ao "memento mori". Lembrar-se da morte não quer dizer que iremos pensar a todo momento em alguma tragédia e sim que é necessário viver bem a ponto de não se importar quando a morte chega.
As pessoas do filme, no entanto, vivem a beira do colapso, e mesmo que tentassem, da morte não poderiam esquecer.
Antonious não esqueceu mas certo momento sua visão sobre a morte muda quando em um piquenique, aproveita o simples momento de se alimentar ao ar livre.
Se olharmos e uma das cenas um homem pintava a parede com " a dança com morte" o que mais parecia ser um prelúdio da cena final. Todos juntos, sem distinções, desde do homem mais rico até o homem mais pobre irá bailar sobre a mesma dança.
E a igreja utilizava o medo, pra tornar seus fiéis menos subversivos e aceitarem seu destino. Em último plano, o desespero do vazio nos faz apegar a ideia de Deus, assim como Antonious em seu último momento, apela a uma oração quando vê que sua hora chegou.
" Se os assustarem com o medo cairão nos braços dos padres."
O plano final mostra a dúbia dança a ida até morte, onde há apenas silhuetas, porém diferentes visões: dos que aproveitaram a vida, aos que acreditam que irão a algum lugar, e da dor.
No entanto, por mais que expressem diferentes visões, todos ali continuam semelhantes, indo em direção, talvez, a lugar algum.
Nós
3.8 2,4K Assista Agora" Isso é coisa de BRANCO "
KKKKKKKKKKKKKKKK
No Portal da Eternidade
3.8 349 Assista AgoraWilliem Dafoe faz o papel de um artista afundando e seus próprios demônios, pertubado pelo seu interior.
A fotografia subjetiva semelhante até mesmo a " Irreversível" do Gaspar Noé, busca refletir o quão incômodo é viver na pele de alguém atormentado
A arte como ponto de vista do artista, por mais que olhemos o mesmo quadro, víssemos a mesma vista ou tomassemos o mesmo remédio. Não veríamos a mesma coisa ou não teríamos o mesmo efeitos, chama-se idiossincrasia.
É uma das coisas mais importantes na arte. A liberdade em que todos temos de reagir a estímulos externos a nossa própria maneira. " As pessoas vão aos museus para ver pinturas de pintores, não para ver pessoas que foram pintadas."
A fotografia e a paleta de cores é estonteante. As cores são vividas, como um quadro do Van Gogh, assim a forma de que ele queria passar para outrem de como via a vida.
O arco final é terminado com Van Gogh indo direto pra sua relação com a eternidade.
Solidão, frustração , rejeição e isolamento.
Tudo isso refletido sobre a uma enigmática, controversa e genial obra de um dos artistas mais importantes da história da arte: Vicent van Gogh.
A Esposa
3.8 554"Nada mais perigoso que um escritor magoado "
A genialidade da frase em ser dúbia, em se relacionar para o escritor que quer fazer a biografia do Joe quanto para seu filho no plano de trás, se sentido realmente nas sombras do pai, desprezado e por fim a Joan a autora da frase que parecia esconder sua vida e frustração na escrita.
Ao decorrer da história então percebemos que seu comportamento foi reflexo de sua criação e relacionamento com seus pais.
O moralismo patético de Joe em cobrar uma reação mais aberta de seu filho é patética e isso não é raro de se encontrar. Essa relação Freudiana de pai vs filho se repete corriqueiramente em várias famílias que pais acusam atitudes em seus filhos derivadas de convívio e relações tóxicas e traumas infantis, mas isso é apenas plano de fundo.
O primordial do filme está no tema do machismo da industria de modo geral (focada nesse caso no nicho da escrita) quanto no relacionamento abusivo da personagem de Gleen Close. A trajetória de superar seus traumas, fases e colocar sua vida em sua obra é importante sim, me fazendo até lembrar do livro de Oscar Wilde "Dorian Gray" porém estaria desviando o foco de uma história trágica pra algo empolgante como um Monomito (Jornada do Herói).
O núcleo narrativo é relacionamento abusivo, onde por toda sua vida Joan, abriu mão de sua fama, vida, anseios e desejos afim de nutrir um relacionamento que parasitava todo seu talento, aptidão, capacidade e vocação para ser uma escritora merecedora de um Nobel, que por fim, a morte de seu marido representou nada mais que liberdade em se tornar mulher, mesmo que tarde de sua vida.
A Balada de Buster Scruggs
3.7 552 Assista AgoraA desconexão entre a histórias talvez tenha prejudicado um pouco o filme que perdeu parte de seu plot e teor narrativo. Enquanto umas estórias são densas e reflexivas outras não passam de um conto raso.
O primeiro conto representa a sátira aos filmes western que termina de forma a sacanear a expectativa dos telespectadores. O terceiro é um drama forte, mostra a sutileza dos diretores de não precisar ser explícito em cenas pra mostrar peso.
Ganância do homem, polarização da identidade, egoísmo, amor e muitos outros assuntos estão presentes, mas nunca há um foco já que nada está conectado e apenas aparenta acontecer no mesmo universo.
Das que mais gostei foi da história final, que abre espaço pra uma discussão sobre dualidade hesteriotipada do homem. Santo e pecador, vivo e morto, humano ou animal. Os personagens parecem estar no purgatório esperando pra seres julgados, até mesmo a fotografia fica um pouco mais azulada.
Filme regular que não chega nem perto da obra-prima " Onde os fracos não têm vez".
Green Book: O Guia
4.1 1,5K Assista AgoraFantástico. Não tem outra palavra para descrevê-lo.
A dualidade e química dos dois personagens é exuberante. De um lado um Italiano que mesmo amando persuadir, segue uma linha tênue entre ser tramoeiro, mas nunca ao nível da máfia. Do outro um homem culto, inteligente e educado de todas as maneiras possíveis.
O filme não se perde em seu tom e não tenta ir pro outros caminhos. O centro da discussão é sempre o racismo, porém aborda de maneira sutil a homossexualidade e o preconceito até mesmo com a polícia (que assim como toda classe de nossa sociedade, partilha de homens honestos e corruptos).
Destaque ao monólogo de Mahershala Ali, na qual finalmente descobrimos a razão da introspecção de seu personagem. O sentimento de divisão entre: não ser aceito em seu meio por não conviver no meio negro e o sentimento de ser um divertimento efêmero pra classe branca elitista.
Outra palavra que poderia resumir o filme seria: humildade. A mesma que fez Shirley o homem culto, integro dirigir o carro no final guiando Tony até sua casa. Não há nada mais belo do que isso. Saber que por mais cultuado que um homem pode ser, ele pode de despir (assim como anteriormente Shirley fez no bar, abrindo mão de tocar em apenas um modelo de piano) dessas vaidades em prol de um ato de bondade.
Green Book é um filme lindo que ao descobrir que é baseado em fatos reais nos da gás para continuar lutando nesse mundo.
Minha torcida pro Oscar de melhor filme.