Bradley Cooper larga a batuta de maestro para operar o bisturi. Isso Ainda Está de Pé? é a antítese do drama de divórcio hollywoodiano: aqui não há gritos de tribunal, apenas o silêncio ensurdecedor de uma casa que perdeu o sentido. Will Arnett entrega a atuação da vida, transformando o palco de comédia em um divã de angústias, provando que a Academia cometeu um crime ao ignorá-lo. Um filme que entende que a intimidade não evapora com a separação; ela calcifica. Cinema de lente fechada e alma aberta.
Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria é um retrato claustrofóbico e angustiante do esgotamento humano levado ao limite. A direção de Mary Bronstein cola a câmera ao rosto da protagonista para transformar o cotidiano em horror psicológico, onde não há monstros externos, apenas estruturas que esmagam: maternidade compulsória, sistema de saúde indiferente, trabalho exaustivo e solidão emocional.
Rose Byrne entrega uma atuação explosiva e sem concessões, construída a partir da contenção, do desgaste progressivo e do nervo exposto. Sua personagem é uma mulher pressionada por tudo e amparada por nada, caminhando como uma bomba emocional prestes a implodir. Não há busca por simpatia ou redenção fácil, apenas uma exposição brutal da falência do cuidado e da culpa que acompanha quem insiste em continuar funcionando.
Um filme incômodo, sufocante e profundamente honesto, que não se assiste para relaxar, mas para atravessar. Forte candidato a figurar entre as grandes atuações do ano e a colocar Rose Byrne na corrida ao Oscar de Melhor Atriz em 2026.
Há filmes que confiam na palavra. Valor Sentimental confia no que sobra quando ela falha. O filme começa com um retorno tardio: um pai volta quando as filhas já aprenderam a existir sem ele. Não há promessa de reconciliação, apenas a tensão de dividir o mesmo espaço depois de anos vivendo em silêncios diferentes.
A força do filme está na recusa em explicar demais. Os personagens falam pouco. Observam muito. Olhares sustentados dizem mais do que qualquer acerto de contas verbal. Não é estilo. É consequência emocional. Quando a linguagem familiar se desgasta, resta o corpo tentando comunicar o que nunca encontrou forma.
O cinema surge como idioma íntimo desse pai ausente. Ele se expressa melhor através da câmera do que do afeto direto. Criar foi, ao mesmo tempo, sua maneira de se aproximar e de fugir. O filme se sustenta exatamente nesse paradoxo: a arte como ponte e como ameaça.
A casa onde a história se passa não é cenário neutro. Ela guarda tempo, memória e desgaste. Uma rachadura visível atravessa sua estrutura. Não simboliza a fratura emocional da família. Ela é essa fratura. Está ali porque nunca foi cuidada. Cresceu no abandono.
Valor Sentimental não oferece catarse nem redenção fácil. Oferece reconhecimento. Ao final, não há cura, apenas consciência. Algumas relações não se recompõem; apenas aprendem a conviver com o que foi possível viver.
The Mastermind não é um filme sobre o assalto. O assalto acontece, mas quase não importa. O filme está muito mais interessado no sujeito que teve a ideia e no estrago que isso causa depois.
Ambientado em 1970, ele soa absurdamente atual. Fala dessa pressão meio invisível de ter que “dar certo”, de ser alguém importante dentro da família e da sociedade. O protagonista não entra nessa por ambição ou genialidade, mas por cansaço. E isso torna tudo mais triste e mais humano.
Kelly Reichardt aposta num ritmo lento, cheio de silêncio e pequenas ações. Nada de glamour ou tensão artificial. Josh O’Connor está ótimo como esse cara deslocado, meio perdido, que tenta ocupar um lugar que nunca foi realmente dele.
É um filme que observa mais do que explica. Não agrada todo mundo, mas fica. E fica justamente porque mostra o fracasso de um jeito comum, quase cotidiano.
Manas é um filme claustrofóbico não pela violência que mostra, mas pela estrutura que a permite existir. Cercada pelas águas de Marajó, a infância é sufocada pela omissão do Estado, pela submissão ensinada e pelo silêncio que vira regra. Marianna Brennand denuncia sem espetáculo: o horror está no olhar que não ri, na rotina que normaliza o abuso e na ausência de saída. Um filme sereno, duro e necessário, que fere mais pelo que sugere do que pelo que exibe.
Nem mesmo a excelente performance de Meghann Fahy foi capaz de sustentar o interesse em Drop: Ameaça Anônima. Com vinte minutos de filme, já era possível prever não só o desfecho, mas cada curva da estrada que levaria até lá.
Novacaine é aquele tipo de filme que entra como ação e sai como experiência. Jack Quaid surpreende num papel que mistura brutalidade com humanidade, e a direção sabe exatamente onde bater — e onde não aliviar. A ideia de um protagonista que não sente dor podia virar gimmick fácil, mas aqui é usada com inteligência e tensão real. Sem pirotecnia desnecessária, só ação crua, personagens bem construídos e um ritmo que não dá trégua. Difícil sair ileso depois desse filme — e nem tem analgésico que resolva.
Better Man é uma cinebiografia ousada que foge do óbvio! Com uma narrativa repleta de metáforas visuais e números musicais grandiosos, o filme mergulha na mente inquieta de Robbie Williams, explorando sua luta contra vícios, fama e seus próprios demônios. A escolha de representá-lo como um chimpanzé digital pode dividir opiniões, mas é inegável que traz um toque único à experiência. No fim, é uma jornada intensa, criativa e emocionalmente poderosa. Vale a pena conferir!
Um Completo Desconhecido" faz um recorte interessante da juventude de Bob Dylan, trazendo uma ambientação impecável e uma atuação cativante de Timothée Chalamet. O filme recria com primor o Greenwich Village dos anos 60 e explora as relações e influências que moldaram Dylan, mas sem mergulhar tão fundo em sua genialidade artística quanto poderia. James Mangold entrega uma cinebiografia competente, mas sem grandes ousadias – um folk bem tocado, mas sem aquele improviso genial. Para fãs, é um prato cheio; para curiosos, uma boa porta de entrada.
Brady Corbet entrega um filme imponente, pesado e frio, como a própria arquitetura brutalista que o inspira. Adrien Brody brilha no papel de um arquiteto húngaro que busca um lugar no mundo, mas encontra um sonho americano feito de muros e distâncias. A fotografia e a direção de arte são impecáveis, mas a direção exagera na experimentação, perdendo a rigidez que a obra exigia. É um filme lento, denso e incômodo, que não facilita a vida do espectador – mas talvez seja essa sua maior força.
A Garota da Agulha é um filme que começa como um drama social sobre uma jovem operária tentando sobreviver na Dinamarca pós-Primeira Guerra Mundial, mas logo se transforma em algo muito mais sombrio e perturbador. A direção meticulosa de Magnus von Horn constrói uma atmosfera opressiva, reforçada por uma fotografia em preto e branco marcante e uma trilha sonora inquietante, que transforma ruídos sutis em presságios de algo terrível.
Victoria Carmen Sonne entrega uma atuação impressionante, carregando no olhar toda a dor e o desamparo de sua personagem. Cada detalhe do filme contribui para uma experiência imersiva e angustiante, onde o desconforto cresce até um ponto sem retorno.
Indicado ao Oscar 2025 de Melhor Filme Estrangeiro, A Garota da Agulha não é uma experiência fácil, mas é inesquecível. Um filme que nos prende, nos envolve e nos deixa com uma sensação incômoda que persiste muito depois do fim.
Nickel Boys" não é só um filme, é um soco no estômago e um sussurro no ouvido ao mesmo tempo. Ele não pede licença para existir – apenas nos arrasta para dentro de um pesadelo quente e sem saída, onde a injustiça é a regra e a esperança, um erro de cálculo. A câmera nos joga na pele de Elwood, fazendo com que cada golpe, cada silêncio e cada olhar perdido pesem como se fossem nossos. Como em A Árvore da Vida, a narrativa se desenrola em fragmentos de tempo e memória, entre a brutalidade e a beleza sufocante de um mundo que insiste em seguir em frente, mesmo sobre os destroços dos esquecidos. No fim, só resta a pergunta: se a verdade sempre encontra um jeito de emergir, por que ainda fechamos os olhos?
Conclave transforma a escolha de um novo papa em um espetáculo de intrigas e suspense que transcende a religião, abordando poder, ambição e a fragilidade da fé. Dirigido por Edward Berger e estrelado por Ralph Fiennes como o introspectivo Cardeal Lawrence, o filme desenrola uma trama carregada de tensão e reviravoltas inesperadas.
Berger recria a Capela Sistina com autenticidade impressionante, enquanto o elenco brilhante — incluindo Stanley Tucci e Isabella Rossellini — dá vida a personagens profundos e conflitantes. A narrativa, cuidadosamente estruturada, nos conduz por camadas de dúvida e segredos até um desfecho ousado que redefine tudo o que vimos.
Mais que um thriller político, Conclave reflete sobre as escolhas que fazemos em nome da fé e do poder. Uma obra de tirar o fôlego e de ressonância atual.
A Verdadeira Dor é um mergulho sensível e profundo nas feridas da alma e nos laços familiares que moldam quem somos. Sob a direção intimista de Jesse Eisenberg, a trama acompanha os primos David (Jesse Eisenberg) e Benji (Kieran Culkin) em uma jornada à Polônia, terra natal de sua avó, uma sobrevivente da Segunda Guerra Mundial.
Entre o confronto com o passado e as diferenças irreconciliáveis dos primos, o filme explora temas como identidade, luto e a fragilidade das conexões humanas. Eisenberg entrega uma performance introspectiva, mas é Culkin quem rouba a cena com sua vulnerabilidade intensa e magnética.
A trilha sonora, embalada por Chopin, eleva a narrativa, criando uma atmosfera de melancolia e transcendência. A Verdadeira Dor não é apenas um filme; é um retrato sincero da condição humana, um convite à reflexão sobre as dores que herdamos e aquelas que escolhemos enfrentar.
Em tempos de narrativas frenéticas e superficiais, "O Rei Perdido" surge como um bálsamo, um convite à introspecção e à redescoberta. É um filme que nos toca a alma com sua singeleza e nos convida a refletir sobre o propósito da vida, sobre a busca por significado em um mundo que nos bombardeia com expectativas e cobranças.
Sally Hawkins, com sua sensibilidade ímpar, nos presenteia com uma atuação tocante e visceral. Através de seus olhos, sentimos a angústia, a frustração e a esperança de Philippa Langley, uma mulher que se recusa a ser ignorada e que encontra em sua busca por Ricardo III um propósito que transcende a mera descoberta histórica.
"O Rei Perdido" é uma ode à perseverança, à crença em si mesmo e à importância de seguirmos nossos sonhos, por mais improváveis que pareçam. É um filme que nos lembra que a verdadeira riqueza reside em nossa capacidade de nos conectarmos com algo maior que nós mesmos, de encontrarmos um sentido para nossa existência, mesmo em meio ao caos e à incerteza.
Se você busca um filme que aqueça o coração, que inspire e que te faça repensar sua própria jornada, "O Rei Perdido" é a escolha perfeita. Prepare-se para se emocionar com a história de Philippa, uma mulher comum que, em sua busca por um rei perdido, encontrou a si mesma e nos presenteou com uma lição inesquecível sobre a busca por propósito e a força do espírito humano.
Metal Lords
3.5 317 Assista AgoraDelícia de filme. Que roteiro massa!
Virgínia e Adelaide
3.6 11 Assista AgoraFilme lindo. Bela surpresa. Gostei bastante da atuação de ambas, mas Gabriela Correa foi esplendida. A Sophia é uma grande atriz também.
O Bolo do Presidente
3.9 5É tão bom que nem sei o que comentar. Filmaço!
Peaky Blinders: O Homem Imortal
3.2 117 Assista AgoraPressa. Pressa. Pressa. Merecia um final digno. Decepção.
Vitória
3.7 249 Assista AgoraFernanda Montenegro é um elemento da natureza. Sem mais.
Kill Bill: The Whole Bloody Affair
4.4 48 Assista AgoraObra de arte. É tão magnífico que eu nem sei o que escrever sobre.
Isso Ainda Está de Pé?
3.3 18 Assista AgoraBradley Cooper larga a batuta de maestro para operar o bisturi. Isso Ainda Está de Pé? é a antítese do drama de divórcio hollywoodiano: aqui não há gritos de tribunal, apenas o silêncio ensurdecedor de uma casa que perdeu o sentido. Will Arnett entrega a atuação da vida, transformando o palco de comédia em um divã de angústias, provando que a Academia cometeu um crime ao ignorá-lo. Um filme que entende que a intimidade não evapora com a separação; ela calcifica. Cinema de lente fechada e alma aberta.
Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
3.6 189 Assista AgoraSe Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria é um retrato claustrofóbico e angustiante do esgotamento humano levado ao limite. A direção de Mary Bronstein cola a câmera ao rosto da protagonista para transformar o cotidiano em horror psicológico, onde não há monstros externos, apenas estruturas que esmagam: maternidade compulsória, sistema de saúde indiferente, trabalho exaustivo e solidão emocional.
Rose Byrne entrega uma atuação explosiva e sem concessões, construída a partir da contenção, do desgaste progressivo e do nervo exposto. Sua personagem é uma mulher pressionada por tudo e amparada por nada, caminhando como uma bomba emocional prestes a implodir. Não há busca por simpatia ou redenção fácil, apenas uma exposição brutal da falência do cuidado e da culpa que acompanha quem insiste em continuar funcionando.
Um filme incômodo, sufocante e profundamente honesto, que não se assiste para relaxar, mas para atravessar. Forte candidato a figurar entre as grandes atuações do ano e a colocar Rose Byrne na corrida ao Oscar de Melhor Atriz em 2026.
Valor Sentimental
3.9 382 Assista AgoraHá filmes que confiam na palavra. Valor Sentimental confia no que sobra quando ela falha. O filme começa com um retorno tardio: um pai volta quando as filhas já aprenderam a existir sem ele. Não há promessa de reconciliação, apenas a tensão de dividir o mesmo espaço depois de anos vivendo em silêncios diferentes.
A força do filme está na recusa em explicar demais. Os personagens falam pouco. Observam muito. Olhares sustentados dizem mais do que qualquer acerto de contas verbal. Não é estilo. É consequência emocional. Quando a linguagem familiar se desgasta, resta o corpo tentando comunicar o que nunca encontrou forma.
O cinema surge como idioma íntimo desse pai ausente. Ele se expressa melhor através da câmera do que do afeto direto. Criar foi, ao mesmo tempo, sua maneira de se aproximar e de fugir. O filme se sustenta exatamente nesse paradoxo: a arte como ponte e como ameaça.
A casa onde a história se passa não é cenário neutro. Ela guarda tempo, memória e desgaste. Uma rachadura visível atravessa sua estrutura. Não simboliza a fratura emocional da família. Ela é essa fratura. Está ali porque nunca foi cuidada. Cresceu no abandono.
Valor Sentimental não oferece catarse nem redenção fácil. Oferece reconhecimento. Ao final, não há cura, apenas consciência. Algumas relações não se recompõem; apenas aprendem a conviver com o que foi possível viver.
É um filme que não consola. Observa. E permanece.
Quando o Céu se Engana
3.2 112 Assista AgoraMe surpreendeu! Bem legal o filme.
The Mastermind
3.0 33 Assista AgoraThe Mastermind não é um filme sobre o assalto. O assalto acontece, mas quase não importa. O filme está muito mais interessado no sujeito que teve a ideia e no estrago que isso causa depois.
Ambientado em 1970, ele soa absurdamente atual. Fala dessa pressão meio invisível de ter que “dar certo”, de ser alguém importante dentro da família e da sociedade. O protagonista não entra nessa por ambição ou genialidade, mas por cansaço. E isso torna tudo mais triste e mais humano.
Kelly Reichardt aposta num ritmo lento, cheio de silêncio e pequenas ações. Nada de glamour ou tensão artificial. Josh O’Connor está ótimo como esse cara deslocado, meio perdido, que tenta ocupar um lugar que nunca foi realmente dele.
É um filme que observa mais do que explica. Não agrada todo mundo, mas fica. E fica justamente porque mostra o fracasso de um jeito comum, quase cotidiano.
Manas
4.2 141 Assista AgoraManas é um filme claustrofóbico não pela violência que mostra, mas pela estrutura que a permite existir. Cercada pelas águas de Marajó, a infância é sufocada pela omissão do Estado, pela submissão ensinada e pelo silêncio que vira regra. Marianna Brennand denuncia sem espetáculo: o horror está no olhar que não ri, na rotina que normaliza o abuso e na ausência de saída. Um filme sereno, duro e necessário, que fere mais pelo que sugere do que pelo que exibe.
Homem com H
4.2 520 Assista AgoraBom filme.
Drop: Ameaça Anônima
3.0 237Nem mesmo a excelente performance de Meghann Fahy foi capaz de sustentar o interesse em Drop: Ameaça Anônima. Com vinte minutos de filme, já era possível prever não só o desfecho, mas cada curva da estrada que levaria até lá.
Novocaine: À Prova de Dor
3.2 207 Assista AgoraNovacaine é aquele tipo de filme que entra como ação e sai como experiência. Jack Quaid surpreende num papel que mistura brutalidade com humanidade, e a direção sabe exatamente onde bater — e onde não aliviar. A ideia de um protagonista que não sente dor podia virar gimmick fácil, mas aqui é usada com inteligência e tensão real. Sem pirotecnia desnecessária, só ação crua, personagens bem construídos e um ritmo que não dá trégua. Difícil sair ileso depois desse filme — e nem tem analgésico que resolva.
Better Man: A História de Robbie Williams
3.8 110 Assista AgoraBetter Man é uma cinebiografia ousada que foge do óbvio! Com uma narrativa repleta de metáforas visuais e números musicais grandiosos, o filme mergulha na mente inquieta de Robbie Williams, explorando sua luta contra vícios, fama e seus próprios demônios. A escolha de representá-lo como um chimpanzé digital pode dividir opiniões, mas é inegável que traz um toque único à experiência. No fim, é uma jornada intensa, criativa e emocionalmente poderosa. Vale a pena conferir!
Um Completo Desconhecido
3.5 235 Assista AgoraUm Completo Desconhecido" faz um recorte interessante da juventude de Bob Dylan, trazendo uma ambientação impecável e uma atuação cativante de Timothée Chalamet. O filme recria com primor o Greenwich Village dos anos 60 e explora as relações e influências que moldaram Dylan, mas sem mergulhar tão fundo em sua genialidade artística quanto poderia. James Mangold entrega uma cinebiografia competente, mas sem grandes ousadias – um folk bem tocado, mas sem aquele improviso genial. Para fãs, é um prato cheio; para curiosos, uma boa porta de entrada.
O Brutalista
3.6 308 Assista AgoraBrady Corbet entrega um filme imponente, pesado e frio, como a própria arquitetura brutalista que o inspira. Adrien Brody brilha no papel de um arquiteto húngaro que busca um lugar no mundo, mas encontra um sonho americano feito de muros e distâncias. A fotografia e a direção de arte são impecáveis, mas a direção exagera na experimentação, perdendo a rigidez que a obra exigia. É um filme lento, denso e incômodo, que não facilita a vida do espectador – mas talvez seja essa sua maior força.
A Garota da Agulha
4.0 299 Assista AgoraA Garota da Agulha é um filme que começa como um drama social sobre uma jovem operária tentando sobreviver na Dinamarca pós-Primeira Guerra Mundial, mas logo se transforma em algo muito mais sombrio e perturbador. A direção meticulosa de Magnus von Horn constrói uma atmosfera opressiva, reforçada por uma fotografia em preto e branco marcante e uma trilha sonora inquietante, que transforma ruídos sutis em presságios de algo terrível.
Victoria Carmen Sonne entrega uma atuação impressionante, carregando no olhar toda a dor e o desamparo de sua personagem. Cada detalhe do filme contribui para uma experiência imersiva e angustiante, onde o desconforto cresce até um ponto sem retorno.
Indicado ao Oscar 2025 de Melhor Filme Estrangeiro, A Garota da Agulha não é uma experiência fácil, mas é inesquecível. Um filme que nos prende, nos envolve e nos deixa com uma sensação incômoda que persiste muito depois do fim.
O Reformatório Nickel
3.3 158Nickel Boys" não é só um filme, é um soco no estômago e um sussurro no ouvido ao mesmo tempo. Ele não pede licença para existir – apenas nos arrasta para dentro de um pesadelo quente e sem saída, onde a injustiça é a regra e a esperança, um erro de cálculo. A câmera nos joga na pele de Elwood, fazendo com que cada golpe, cada silêncio e cada olhar perdido pesem como se fossem nossos. Como em A Árvore da Vida, a narrativa se desenrola em fragmentos de tempo e memória, entre a brutalidade e a beleza sufocante de um mundo que insiste em seguir em frente, mesmo sobre os destroços dos esquecidos. No fim, só resta a pergunta: se a verdade sempre encontra um jeito de emergir, por que ainda fechamos os olhos?
Conclave
3.9 829 Assista AgoraConclave transforma a escolha de um novo papa em um espetáculo de intrigas e suspense que transcende a religião, abordando poder, ambição e a fragilidade da fé. Dirigido por Edward Berger e estrelado por Ralph Fiennes como o introspectivo Cardeal Lawrence, o filme desenrola uma trama carregada de tensão e reviravoltas inesperadas.
Berger recria a Capela Sistina com autenticidade impressionante, enquanto o elenco brilhante — incluindo Stanley Tucci e Isabella Rossellini — dá vida a personagens profundos e conflitantes. A narrativa, cuidadosamente estruturada, nos conduz por camadas de dúvida e segredos até um desfecho ousado que redefine tudo o que vimos.
Mais que um thriller político, Conclave reflete sobre as escolhas que fazemos em nome da fé e do poder. Uma obra de tirar o fôlego e de ressonância atual.
A Verdadeira Dor
3.5 234 Assista AgoraA Verdadeira Dor é um mergulho sensível e profundo nas feridas da alma e nos laços familiares que moldam quem somos. Sob a direção intimista de Jesse Eisenberg, a trama acompanha os primos David (Jesse Eisenberg) e Benji (Kieran Culkin) em uma jornada à Polônia, terra natal de sua avó, uma sobrevivente da Segunda Guerra Mundial.
Entre o confronto com o passado e as diferenças irreconciliáveis dos primos, o filme explora temas como identidade, luto e a fragilidade das conexões humanas. Eisenberg entrega uma performance introspectiva, mas é Culkin quem rouba a cena com sua vulnerabilidade intensa e magnética.
A trilha sonora, embalada por Chopin, eleva a narrativa, criando uma atmosfera de melancolia e transcendência. A Verdadeira Dor não é apenas um filme; é um retrato sincero da condição humana, um convite à reflexão sobre as dores que herdamos e aquelas que escolhemos enfrentar.
Comovente, libertador e inesquecível.
O Rei Perdido
3.4 18 Assista AgoraEm tempos de narrativas frenéticas e superficiais, "O Rei Perdido" surge como um bálsamo, um convite à introspecção e à redescoberta. É um filme que nos toca a alma com sua singeleza e nos convida a refletir sobre o propósito da vida, sobre a busca por significado em um mundo que nos bombardeia com expectativas e cobranças.
Sally Hawkins, com sua sensibilidade ímpar, nos presenteia com uma atuação tocante e visceral. Através de seus olhos, sentimos a angústia, a frustração e a esperança de Philippa Langley, uma mulher que se recusa a ser ignorada e que encontra em sua busca por Ricardo III um propósito que transcende a mera descoberta histórica.
"O Rei Perdido" é uma ode à perseverança, à crença em si mesmo e à importância de seguirmos nossos sonhos, por mais improváveis que pareçam. É um filme que nos lembra que a verdadeira riqueza reside em nossa capacidade de nos conectarmos com algo maior que nós mesmos, de encontrarmos um sentido para nossa existência, mesmo em meio ao caos e à incerteza.
Se você busca um filme que aqueça o coração, que inspire e que te faça repensar sua própria jornada, "O Rei Perdido" é a escolha perfeita. Prepare-se para se emocionar com a história de Philippa, uma mulher comum que, em sua busca por um rei perdido, encontrou a si mesma e nos presenteou com uma lição inesquecível sobre a busca por propósito e a força do espírito humano.
Gladiador II
3.3 575 Assista AgoraSenhoras e senhores. Com vocês o magnífico Denzel Washington. O filme é ele. Que atuação foda!