O Agente Secreto é uma celebração das memórias e a forma como elas possuem esse poder de serem passadas por diferentes gerações. Acredito que de todos os filmes que vi do Kleber Mendonça Filho, esse talvez seja a sua obra mais diferente: o diretor opta por uma narrativa não-linear e explora muito bem o suspense investigativo (com toques perfeitos da nossa brasilidade). É um filme com ritmo mais lento, então não esperem algo frenético estilo "Bacurau", mas sim algo próximo de "Som ao Redor". Mas, honestamente, para mim isso não é demérito: é o texto pedindo paciência ao espectador, pois há muitas camadas importantes que ele quer mostrar.
Acho que não seria novidade pontuar que nosso país possui, ainda, um problema com sua História. Muitos setores da sociedade (em especial políticos da extrema-direita) se negam a lembrar de momentos em que brasileiros foram perseguidos e tiveram seus direitos cessados em sua própria terra. Mas "O Agente Secreto" nos mostra que o ato de esquecer significar dar poder aos algozes e deixa-los perpetuando um mecanismo de violências.
A figura de Armando nada contra essa maré. Ele é uma espécie de símbolo. Sua história se entrelaça com o passado ao procurar algum registro de sua mãe, e vai até o presente quando é resgatada por Flávia ao ouvir aquelas fitas. E nesse ponto temos destaque para a oralidade, que desempenha um papel central em como Flavia e sua amiga passam a entender Armando. Flávia ouve as próprias palavras dele. E embora aquilo fosse somente um trabalho, ela se interessa pelo seu personagem o suficiente para continuar se debruçando no material até chegar ao filho dele.
Por falar em Fernando, é importante mencionar como ele já criança estava começando a esquecer da mãe e, depois de adulto, não tinha mais a imagem nítida do pai. O trabalho de restauração feito por Flávia o possibilita, agora, ter essas imagens em sua mente. As memórias o encontraram.
Com muita paciência, sensibilidade e um toque certeiro de drama e suspense, "O Agente Secreto" nos entrega mais uma imagem do que é o Brasil, o que é "ser brasileiro" e a importância de nunca esquecer nossa História.
Uma obra forte e muito intensa sobre o que é a maternidade sem uma rede de apoio adequada. Linda é o exemplo de mãe cansada, que até pode ter algumas pessoas por perto, mas elas nunca serão capazes de entender a metade do que ela sente. A protagonista carrega um vazio enorme, um desespero que a faz querer procurar qualquer coisa para fugir daquela realidade sufocante. Nesse sentido, a direção de Mary Bronstein puxa para o lado mais frio e cru, com cenas que invocam uma claustrofobia assustadora que nos mostra o turbilhão de pensamentos de Linda.
Aqui temos uma produção que foi feliz em todos os aspectos que se propôs: entregou um ótimo drama, boas reviravoltas e uma trama investigativa de qualidade. O elenco está super afiado e a sintonia entre eles é muito boa (curti demais ver a Dakota Fanning e a Sarah Snook juntas). O roteiro é organizado nas informações e sabe passar os segredos daquelas personagens sem fazer uma grande confusão cronológica. E aqui acredito que entra um pouco o aspecto investigativo, porque explicaram o que foi necessário explicar, mas sem se tornar repetitiva ou muito expositiva.
Mas acho que o grande acerto da série foi apresentar essa temática de como as mulheres se veem sozinhas quando são mães, mesmo estando casadas. Nós as sobrecarregamos com tarefas e julgamentos, e isso independente se elas querem ou não ter filhos: se querem, dizem que elas precisam se dedicar 100% ao lar, e se não querem dizem que elas estão erradas. A Jenny entra na vida da Marissa como aquela pessoa que entende o sofrimento da amiga e estende a mão, independente da visão que outras pessoas vão ter disso. É interessante ver como essa rede de apoio é construída. Já escrevi isso em outro comentário, mas é bastante comum ver mulheres relatando que se veem abandonadas por seus "parceiros" quando o filho nasce, até porque a sociedade dá um lugar bastante privilegiado para o homem não arcar com suas responsabilidades. O peter é o melhor exemplo disso: ele fez tudo aquilo sem medo algum porque, na cabeça dele, estava "tudo certo". Além dos claros traços de psicopatia do cara, há aí uma validação externa de que "você pode tudo", "o mundo é seu". Então ele começa a dominar, controlando todos ao seu redor como marionetes. Mais uma vez: há questões internas no indivíduo, mas também há um coletivo dizendo que tudo bem ele fazer o que quiser.
Para a mulher? Nah. Ela não pode. O mundo não dá escolhas para elas. Infelizmente.
Então, sim, eu gostei muito da série. Na verdade, deveria ter dado atenção antes, mas pelo menos essa temporada de premiações dá um alerta pra gente e mostra coisas boas que valem a pena.
Considerando que eu não esperava absolutamente nada dessa temporada de ST, consegui me divertir bastante e, melhor ainda, curtir o final. Sinceramente pensei que seria tão desastroso quanto o final de GOT, mas felizmente andou bem longe disso.
Foi previsível? Muito. Inclusive, aqui é bom destacar a fala da Max: "Conforto e felicidade? Mais clichê impossível", ao que o Will responde "Bem, é verdade sobre o conforto e a felicidade, mas a felicidade pode ser encontrada em muitos lugares". O final da série foi exatamente isso: algo confortável e feliz para (quase) todos os personagens, apesar de achar que, nesse ponto, o roteiro foi muito expositivo e não precisa pontuar esse final na fala dela para "se defender". Mas tudo bem.
Eu compreendo quem gostaria de algo mais impactante, com personagens principais morrendo e etc, mas... depois de tanto sofrimento? Eeerr... Pra mim, não dá. E além disso, sou um adepto dos finais felizes, então confesso que gostei dos rumos de cada um. Com relação à teoria do Will: é algo que faz sentido, mas será que a Kali ainda teria forças para fazer aquilo? Porque ainda se passa um tempo até o que acontece com ela e o momento em que todos voltam para a cidade. "Ah, mas mostrou a On"... podíamos estar vendo somente uma imagem do que o Will gostaria que fosse verdade.
Mas supondo que o Will esteja certo: também faz sentido ela não voltar, pois saberia que colocaria todos a sua volta em perigo. Mas também concordo que de todos ali ela que merecia o final mais feliz possível.
Mas outras questões ficaram abertas: e aquelas mulheres que receberam o sangue da Kali? É certo que a Kay queria a Onze para continuar os experimentos, mas será que esse tempo todo as transfusões da Kali não fizeram nenhum efeito? Não lembro realmente disso ter sido explicado na segunda parte. Eu até acho que o núcleo dos experimentos da Kay começou bem desenvolvido, mas foi perdendo força da metade até o final. E daí foi só uma série de decisões estupidas por parte do exército.
Outra coisa: quem era aquele cara que o mini Henry achou? E como ele tinha aquela maleta com um pedaço do que parecia ter vindo do "abismo"?
Bom, convenhamos que poderia ter sido pior. No fim, pra mim, o que vale é a jornada. E apesar de sentir que Stranger Things deveria ter sido finalizada antes pelo bem de sua história que foi exaustivamente alongada, é preciso dizer que vou sentir falta. Foram quase dez anos acompanhando essa série que moldou um nome na cultura pop (quer as pessoas gostem ou não) e nos entregou algumas cenas e personagens memoráveis. Quando eu coloco na balança, os acertos se sobressaem frente aos erros.
Um comentário abaixo aponta que a Lauryn provavelmente participava, e isso faz sentido. Se as mensagens descreviam coisas que se passavam somente na sala de aula, como a mãe iria saber? E quando o policial chega na casa delas e diz que descobriu tudo, também achei estranho, porque ambas nem ao menos procuraram ficar em silêncio ou pediram um advogado, especialmente a mãe que só revelou "é, foi eu sim". Achei essa parte do doc bem estranha.
Ah, outra coisa: e aquela foto que foi tirada do Owen quando ele estava com a família? Como aquela mulher teve acesso? Não sei se acabei perdendo algum diálogo nessa parte que envolve a prima do cara como suspeita, mas será que aquela foto foi postada nas redes sociais e aquela mulher foi lá, pegou e mandou pra ele?
Se a Lauryn estava ou não envolvida, disso não temos como saber. São apenas pensamentos que levantamos. Mas o fato é que o documentário mostra uma dependência emocional bastante perigosa entre ambas, e bem doentia por parte da mãe. Como alguém diz "se m4t3" para a própria filha e ainda acha que está protegendo ela?! Aquela mulher vive em um mundo pararelo. Completamente bizarro.
Só o cinema consegue transformar uma modalidade esportiva um tanto chata (me desculpem os fãs, mas essa é só minha humilde opinião) em algo interessante para o grande público.
Lembro de assistir F1 quando criança, e até curtia, mas não foi algo que permaneceu no meu campo de interesses ao crescer. Mas reconheço que é uma modalide intensa, e acho que o filme foi muito feliz ao reproduzir isso e mostrar que é bem mais do que "carros dando voltas em uma pista".
A história é o velho feijão com arroz que envolve personagens superando desafios, de gerações entrando em conflito e da figura do "mentor" e do aluno que se parecem. Entra naquela categoria de "filmes otimistas" que vão te fazer bem - mesmo você não entendendo absolutamente nada dos termos técnicos. E sinceramente compro a ideia, apesar dela ser exaustivamente explorada quando fazem filmes de qualquer esporte que seja. Mas se é bem feito, se consegue entreter durante duas horas e meia... então tá valendo.
Curti as menções aos grandes nomes da F1, as participações (não sabia que o Lewis Hamilton era um dos produtores), a ambientação e os efeitos são excelentes. Não é inovador, não é revolucionário... mas é sim muito legal! Vale a pena conferir.
Quando vi que a direção era do Michael Chaves, minhas expectativas foram arruinadas. Não compreendo os motivos que fizeram o James Wan não dirigir tanto o terceiro quanto este último filme (entendo que houve a DC no meio, mas... olha só o fim disso). Sem Wan, a franquia perdeu muito em termos criativos, apesar dele ainda assinar o roteiro. Mas o Michael Chaves é muito "padrão", para não dizer extremamente limitado. Ainda lembro muito bem que dormi na sala de cinema enquanto assistia "Chorona" (sim, perdi dinheiro com aquilo).
Mas falando especificamente da história, ela é sim boa, mas o problema está na sua execução. O começo é bom, o desenvolvimento leva a pontos interessantes, mas o maior problema está no final: é corrido, não é emocionante como deveria (é até um pouco brega, no péssimo sentido da palavra), e não há um real sentimento de perigo.
A cena do espelho rodopiando é, na verdade, mais engraçada do que aterrorizante. Na verdade, parece ter saído de "todo mundo em pânico" (parece algo que eles fariam, com certeza).
A família, que nos outros filmes era sempre a atenção dos Warren, fica em segundo plano, e nesse caso é "compreensível" (forçando muito) pois aparentemente o foco da entidade está na filha do casal, a Judy. A participação ativa dela é uma das coisas boas dessa obra. Mas tem esse lado negativo que foi ter reduzido demais o caso da família Smurl. E quando chega no confronto, quando pensamos "finalmente!"... ele acaba. Corta para um casamento e todos felizes. Fim.
Não me entendam mal, eu sou fã de finais felizes. E não teria problema algum com esse, se o caminho para chegar até ele não tivesse sido tão... preguiçoso. Não sabemos qual o demônio que está por trás de tudo aquilo, a doença do Ed é simplesmente ignorada na parte final, e o pouco de brilho que existe nesse filme está na Lorraine e em sua filha quando trabalham juntas. Mas o final deixa uma sensação de "é só isso?"
Enquanto um filme de encerramento da franquia, acredito que funciona muito bem. As últimas cenas são, de fato, bonitas e sensíveis. E nós vemos homenagens ao trabalho dos Warren durante todo o longa, o que obviamente também é legal. Confesso que vou sentir falta desse universo, acho que mais devido aos excelentes Patrick Wilson e Vera Farmiga que formaram uma baita dupla carismática, com uma química absurda e que souberam "nos conduzir" por esses mundos assustadores. "Invocação do Mal 4: O Último Ritual" pode ter seus problemas, mas quando olhamos para o quadro geral e pegamos o quanto essa franquia significou para o terror atual - em especial o primeiro filme - o resultado final é muito positivo.
A história tinha um enorme potêncial que foi rapidamente atirado no lixo. O roteiro entrega tudo muito facilmente, e até de forma meio boba e amadora. Assisti pelo Darín, e claro que ele se esforça... mas não consegue salvar esse filme do fracasso completo.
Talvez eu tenha colocado muita expectativa nesse, muito por ser o diretor de outra obra recente do terror que gostei bastante. E embora eu não tenha achado uma perfeição, "A Hora do Mal" é sim um ótimo filme.
Acho que o roteiro peca em explicar demais cada pequeno passo em boa parte da obra, mas também deixa algumas questões importantes sem resposta.
- A parte da tia não foi explicada. Ela somente apareceu, e nesse momento nós sabíamos que ela tinha alguma relação com o acontecido. Não teria sido bem melhor que ela estivesse ali desde o começo? Da forma como ficou, foi muito fácil para nós entendermos quem de quem era a culpa; - Qual era exatamente o objetivo dela com as crianças? Talvez eu tenha entendido errado, mas ao que parece ela iria sacrifica-las para melhorar sua saúde; - No final, quando ela morre, Archer volta rapidamente ao normal, enquanto que as outras crianças e os pais do Alex ainda ficam naquele estado meio catatônico. Seria pelo tempo em que ficaram sob o "feitiço" daquela mulher? É a única coisa que consigo pensar nesse momento; - Como já perguntaram aqui: quem estava narrando?
A cena final em que as crianças estão perseguindo a velha é simplesmente hilária. Deu uma quebrada boa na tensão.
Acho que faltou equilibrar alguns pontos para explorar todo o potêncial do enredo sobrenatural do filme, e de fato não há uma conexão do espectador com os personagens e seus dramas - mas também não acho que esse tipo de filme busque isso, até mesmo considerando a forma como ele foi organizado. Poderia ser um thriller investigativo sobrenatural focando na dor dos pais e etc? Poderia, mas acho que Zach Gregger quis fugir do comum e entregar algo mais "seco"... que tem seus altos e baixos, mas no fim acaba sendo divertido.
Não sei bem o que dizer, como começar... aqui do meu lugarzinho super insignificante, só fico me perguntando: o que diabos aconteceu contigo, Ari Aster?
"Eddington" pega como recorte aquele 2020 conturbado: quando a pandemia havia sido decretada, e ainda havia muita incerteza na população sobre o que ou não fazer. E em maio daquele ano, tivemos o assassinato cruel de George Floyd, um acontecimento que entristeceu ainda mais o mundo que já vivia tempos difíceis. Lembro bem de acompanhar os movimentos que ocorreram nos EUA, das pessoas chorando devido a brutalidade policial e a forma como o caso estava sendo levado - com muitos até mesmo culpando o George Floyd.
Foi um ano complicado para todos, sem sombra de duvidas. E então podemos pensar: Ari Aster tinha em mãos todas as histórias reais para tirar algo delas e fazer a sua ficção funcionar. Então... o que deu errado? Bom, para mim foi a tentativa do diretor em "atirar para todos os lados": o roteiro crítica ao esvaziamento de pautas, a violência policial, ao comportamento anticientífico, mostra como se dá as relações de poder em uma cidade pequena, como as fake news são criadas e ainda há...
um líder de uma seita? (aliás essa última parte foi tão mal aproveitada)
. Enfim. São muitas temáticas que não considero terem sido bem conduzidas pelo diretor (que também escreveu o filme), e ele me pareceu muito contido ao aborda-las.
É verdade que temos algumas cenas de impacto (morte do Ted Garcia e do Eric, mas isso já era esperado em algum momento) mas, com exceção do final, faltou mais intensidade e confronto. Em determinado ponto, fica o Xerife fazendo as coisinhas dele e esquecem completamente do Ted. Há uma falta de equilíbrio em trabalhar esses personagens, e eu esperava mais embates ideológicos entre os dois.
A cena que me causou mais choque foi quando o Joe abandonou qualquer esperança e matou aquele homem no bar. O surto do protagonista é bem construído, em grande parte graças a ótima atuação de Joaquin Phoenix. O xerife, um negacionista, é um homem que aparenta ter um forte senso de comunidade, mas ele mistura seu ódio pelo prefeito com uma necessidade de poder e um senso deturpado de justiça para fazer o que pensa ser certo, e depois vê tudo ao seu redor sendo destruído até se transformar em um ser vazio e sem a autonomia desejada.
Outro ponto positivo é que o filme estabelece uma crítica muito válida ao esvaziamento de pautas sociais, ao ponto em que as pessoas tornam o movimento algo caricato e até se apropriam de falas e palcos que não são delas: no lugar de se tornarem aliadas, querem ser protagonistas.
Acho que entendo o que o diretor quis passar, mas não acredito que ele tenha tido sucesso aqui. Há falhas na execução, o desenvolvimento é raso e tem uns núcleos e personagens que pouco acrescentam para a trama (sim, Emma Stone, infelizmente dessa vez é você). O final é bom, mas não salva o que veio antes.
Tá tudo bem um diretor fazer outras coisas, tentar misturar elementos como o faroeste e o suspense. Mas como comentaram aqui, não parecia um filme do Ari Aster. Então, dito isso... Só espero que a mesma mente que fez o grandioso "Hereditário" volte algum dia.
(e parece que esquecem todos os outros personagens e focam somente em uma jornada, sendo que poderiam ter equilibrado os núcleos e talvez deixasse a parte filho/mãe mais interessante)
e as decisões também não são das melhores. As cenas de ação que se desenrolam forçam sequências com um dinamismo bem genérico, com cortes que me pareceram bem amadores (coisa de filme B, o que é bem estranho) e não me deixaram com a sensação de perigo real.
O protagonista não é nada carismático, o Aaron Taylor-Johnson é mal aproveitado e... coitado do Ralph Fiennes. Provavelmente ele estava devendo algum favor porque só isso explica essa participação sem sentido.
É um roteiro fraco, falho, péssimo... Ainda vai uma nota 2 pelo que a franquia é, mas este filme aqui separado é só uma grande falha, o que é uma pena pois estava torcendo para gostar dele.
Depois do Superman colorido de James Gunn, temos o Quarteto Fantástico retrofuturista de Matt Shakman. É um tempo incrível para o cinema de super-heróis.
"Quarteto Fantástico: Primeiros Passos" enfim estreou, e nos mostrou uma nova versão da família mais amada da Marvel. Temos o gênio racional Reed Richards, um homem revestido por rochas que guarda um grande coração chamado Ben e o carismático - e por vezes inconsequente - Johnny Storm. E por último, mas definitivamente não menos importante, a sábia e responsável Sue Storm. Eles vivem juntos, almoçam juntos, resolvem os problemas juntos, protegem o mundo... juntos.
nós somos um povo só, e se há uma entidade gigantesca querendo destruir nosso planeta... então vamos enfrenta-la juntos, compartilhando nossas forças, ideias e recursos.
O discurso da Sue Storm, enfrentando a população que estava com medo de Galactus, é a ideia central da obra: precisamos proteger uns aos outros, pois somos uma grande família. É um pensamento difícil, pois esbarra no nosso próprio egoísmo e individualidade, mas muito necessário para nossos tempos. Se em "Superman" aprendemos que há brilho e esperança no futuro, nesse filme do Quarteto aprendemos que podemos caminhar lado a lado e de mãos dadas, pensando no coletivo para enfrentarmos as adversidades da vida humana.
O filme é bastante direto, e apresenta muito bem os personagens, o vilão e o seu objetivo - até acho que ele foi bem utilizado, considerando o péssimo histórico da Marvel na forma como trata seus vilões. Os poderes dos personagens também são bem mostrados, e acho que quem faz o melhor uso deles é a Sue Storm. Nas HQs, apesar do Reed ser aquele cara da ciência, até ele precisa de limites e aqui entra o papel da Sue: ela é a "voz da razão" no grupo, o elo que os conecta e que mantém os pés deles no chão. No filme, não é diferente. Reed até pode ser considerado o líder, mas a Sue rouba a atenção
(especialmente no confronto contra Galactus, em que ela reinou).
É verdade que roteiro dá um espaço bom para mostrar cada personalidade, e também traz aquelas piadas e implicancias entre o Johnny e o Ben (pra mim, as piadas funcionaram bem nesse núcleo), mas no caso da Sue... ela é o espírito da obra. E nesse ponto que precisamos falar do excelente trabalho de Vanessa Kirby. Sempre que ela aparecia em tela, trazia uma forte presença de sua personagem. Já a considerava uma excelente atriz, e acho que ela fez uma performance que a destacou como uma das melhores coisas da obra.
Tive receio quanto ao Pedro Pascal no papel do Reed desde o começo, mas não questionando sua atuação - até porque sabemos que ele também é excelente - mas porque... Eu pensava que o Reed Richards "perfeito" para o MCU estava no John Krasinski (após "Multiverso da Loucura", então...). Mas nosso querido inimigo do desemprego se sai bem e entrega exatamente o que eu esperava do Senhor Fantástico: um homem brilhante, que pensa demais e se culpa demais. Acho que o roteiro segura um pouco o Reed (é uma das mentes mais brilhantes de todo o universo marvel, ele pode passar dos limites muito facilmente), e talvez isso tenha deixado o Pascal mais contido, mas não acho que isso tenha afetado sua atuação. Ao contrário... agora não consigo ver outro ator no papel.
Então... é, eu obviamente gostei muito do que vi. É uma obra viva, que sabe onde quer chegar. Acho que peca em algumas escolhas e no desenvolvimento, mas nada que achei tão preocupante. O resultado final de "Quarteto Fantástico: Primeiros Passos" é positivo. A simplicidade da produção traz vida nova para o MCU.
Parecia que eu estava lendo uma mensal do personagem. Que filme gostoso de assistir.
Essa produção tem a assinatura de James Gunn: o diretor sabe como emocionar os fãs, tocando exatamente na mensagem de esperança que o Superman carrega.
A personalidade desse Superman em muito me lembra a da recente série animada "My Adventures With Superman" (que tem uma abordagem mais "jovem", bem leve). Já o Clark Kent de Gunn tem pouco espaço, mas o pouco que apareceu lembrei de "Superman: Legado das Estrelas". E apesar de já estar em atividade há um tempo, ele ainda aparenta inexperiência para entender que os humanos são extremamente burocráticos - e isso o causará problemas.
Uma das questões de plano de fundo é a guerra que uma nação está travando contra um outro povo que não tem como se defender. E aqui entra o Lex Luthor. Devo dizer que essa visão para o Lex muito me agradou, pois conseguiu unir a inteligência diabólica do vilão com um certo tom caricato que também é presente em algumas versões dele. Acho que ficou no tom certo: nem muito exagerado, nem muito parado. Quem eu achei que ficou em segundo plano foi a Lois, que não teve tanto espaço para mostrar aquela jornalista obstinada que é. E a mudança no Jimmy foi realmente uma surpresa, e teve seus momentos mais cômicos também.
Com relação às mudanças, vale destacar que não temos uma "história de origem": Clark já está estabilizado no Planeta Diário, Lois já sabe que ele é o Superman e eles estão em um relacionamento. E sinceramente achei isso bastante positivo, pois essas histórias já foram contadas exaustivamente. James Gunn coloca o Superman/Clark num ponto em que ele está caminhando para ser mais maduro, e entender mais de suas responsabilidades em outro planeta. A parte de Krypton aqui é usada por Lex para colocar o povo contra o Superman. E não achei interessante mudarem o significado na mensagem de Jor-El e Lara (a menos, é claro, que isso seja consertado no filme da Supergil).
Aliás, parte dessas responsabilidades é se envolver com política, e aqui o roteiro parece acertar bastante a mão nas metáforas. Em tempos sombrios e represivos em que imigrantes foram algemados e tratados como lixo pelos estadunidenses, esse filme tem um forte papel político: mostrar como um "estrangeiro" é um símbolo de esperança e força para um novo amanhã, como esse ser de uma outra terra pode ajudar a enfrentar os bilionários e chefes de estado malucos que orquestram guerras para ficarem ainda mais ricos. É impossível não fazer uma ligação com as questões sociais e políticas que vivemos na nossa realidade.
Guy Gardner, Mulher-Gavião e Senhor Incrível foram muito bem introduzidos e utilizados, em especial o Senhor Incrível (já quero uma série só dele).
Em termos de atuações, acho que David Corenswet é carismático o suficiente. Convenhamos que esse não é um papel fácil, afinal estamos falando de décadas de histórias e versões diferentes para ter como base. Mas acho que ele se saiu bem. Nicholas Hoult sempre rouba a cena em qualquer personagem, e apesar de saber que ele havia feito o teste para o Superman... não imagino mais o Lex sendo feito por outro ator. Muitos filmes que já vi desse cara e ele continua me surpreendendo. Gostaria de ter visto bem mais da Rachel Brosnahan, mas senti que o roteiro deu uma segurada nela. Edi Gathegi é extraordinário, não tem muito o que dizer além de EU PRECISO DE UMA SÉRIE DO SENHOR INCRÍVEL! rsrs.
Mas não tem jeito, o ator mais carismático de todos é o Kripto! Ele é o alívio cômico, o trem desgovernado que nem mesmo o Superman consegue dar jeito.
Como falei no começo, esse filme parece uma boa revistinha do Superman. É isso que faz seu brilho. James Gunn consegue identificar e transportar as partes essenciais das páginas para o cinema (já havia sido assim em Guardiões, Esquadrão), mostrando que mais uma vez ele sabe trabalhar na adaptação desses personagens, criando coisas novas mas mantendo aquilo que fez tantas pessoas ao redor do mundo gostarem deles. E aqui parece que ele intensificou um sentimento que precisamos muito: esperança. O Superman é um herói que luta pelo bem do povo, que traz vida e cor para lugares sombrios. É muito bom voltar a ver um filme dele sabendo que foi feito por alguém que o entende.
É aquilo né... era pra ter só uma temporada. A primeira foi muito boa, produziu reflexões sociais e filosóficas muito importantes, além de ter ótimos personagens e ser "criativa" dentro de uma proposta já muito explorada em distopias. Mas igual aos personagens gananciosos, a Netflix e os produtores queriam mais e então tivemos a desnecessária segunda temporada, trazendo o protagonista da primeira de volta ao campo de jogo e prometendo um plot de vingança que...
A última parte de "Round Six" é o atestado de que a série já não sabia para onde ir, que os roteiros já tinham atingido o máximo de criatividade e que a produção não sabia mais o que fazer com seus personagens. Um exemplo
claro disso está no núcleo do detetive: ele não resolve nada, não tem peso real para a trama e nem chega perto de ser uma ameaça. O sobrevivente do jogo atual pode até ter testemunhado o que viveu naquela ilha, mas... quem acreditaria nele? Isso considerando que todas as provas foram destruídas, e que haviam pessoas poderosas por trás capazes de silenciar qualquer autoridade. Então a figura de Jun-ho, embora promissora no começo, foi ficando sem objetivo. No último episódio, ele aparece e dá uns tiros numa tela grande, num vidro, olha para o irmão e... é isso. Não sentimos que houve um "encerramento" para ele.
Outra coisa que me incomodou foi exatamente não ter mostrado
se agora a população sabia dos jogos, se isso foi denunciado de alguma forma, afinal explodiram uma ilha. Imagino que os ricos excêntricos tenham silenciado tudo. Mas isso só faz parecer que a jornada do Seong Gi-hun, no final, não serviu muito. Instalações? Fazem outras (isso se já não estiverem feitas) e então o jogo continua. A mensagem de que ele conseguiu salvar uma vida inocente que nasceu em meio a toda aquela dor é muito bonita, de fato. Mas o problema vem de cima, das pessoas que assistem e financiam o jogo. Teria sido melhor nosso protagonista ter ido atrás deles.
Mas são muitos "e se".
Bom, chegamos ao final. Mas ao final desse aqui, porque
ao que tudo indica... teremos uma versão estadunidense? Isso não me surpreende, e confesso que estou curioso, especialmente se David Fincher estiver envolvido.
O filme é divertido, possui umas historinhas no plano de fundo, os personagens são ok e as piadas funcionam. Infelizmente ele fica previsível em determinado ponto, e daí quando chega o momento das revelações... nós meio que já esperávamos. Mas assim, é bom, tá? Funcionou bem pra mim, apesar da questão que pontuei.
O filme é bem divertido, leve e também produz muitas reflexões sobre relacionamentos, mas aqui focado especialmente em pessoas mais maduras. Curti bastante.
Por que, Russell Crowe? Só... por que?! Não tinha um amigo, parente, cachorro, sei lá.. qualquer um pra bater no ombro dele e dizer "filho, apenas pare". Meu anjo tu tem um OSCAR de melhor ator! Pra que se sujeitar a isso, sabe? "Ah mas o dinheiro". Não... não. Só... não.
Filmes focados no cotidiano, mostrando relações familiares caóticas e todas as suas consequências sempre são atrativos para mim. Logo, gostei muito de "O Passado".
É um filme com alto nível de sensibilidade na abordagem de seus enredos. "Enredos", no plural, porque aqui acompanhamos vários personagens que estão interligados, mas cada um com suas próprias questões. O que deixa-os ainda mais interessantes é que ninguém é "mocinho" e "vilão": todos ali estão perto de um limite moral, atingem zonas cinzentas e possuem comportamentos questionáveis.
- O ex que abandona o lar e quando volta acha que tudo seria igual como antes; - A ex que quer faze-lo sofrer, mostrar que o superou e ainda se envolve com um cara casado; - O cara casado que se envolve num relacionamento enquanto a esposa está no hospital sobrevivendo por aparelhos; - A filha problemática que encaminha emails comprometedores para a esposa;
Todos estão errados. Todos são humanos querendo justificar ou esquecer suas ações do passado, querendo alguma espécie de redenção. Mas não é bem assim que funciona.
Além dos personagens que caminham entre o "bem e o mal", o que também gostei bastante foi a forma "sutil" com que o roteiro mostrava as diversas reviravoltas na história. Não foram necessários momentos específicos para grandes revelações. O que infelizmente não funcionou para mim foi o plot
dos emails, que poderia ter sido facilmente resolvido se o marido entrasse na conta da esposa (supondo, claro, que ele saiba a senha) e tivesse visto se ela os visualizou ou não.
Mas arrastaram isso de uma forma que ficou muito enfadonho.
Mas no fim, o resultado é que "O Passado" brilha em uma inquietante leveza que se mistura ao peso dos seus diálogos. É uma obra que possui sua particularidade e que merece ser vista.
A cena do Sammie cantando enquanto todas as diferentes gerações culturais se misturam, filmado em plano sequência... Arte absoluta. É de um simbolismo maravilhoso, além de ser tecnicamente linda.
Esse filme tem muitas camadas, mas a que mais se destaca é a forte celebração do blues, da ancestralidade e da cultura afro-americana. Nesse sentido, é importante destacar que a crítica sobre apropriação cultural está fortemente presente no roteiro: historicamente, é notável que brancos sempre tomaram para si o protagonismo de movimentos artísticos que começaram na cultura negra.
O povo negro teve e, infelizmente, continua tendo sua história roubada. A escrita de Ryan Coogler ao utilizar a figura do "vampiro" funciona como uma metáfora bastante clara, especialmente quando ele olha para o Sammie e diz que quer as histórias e as músicas do garoto. Ao contemplar o talento do rapaz, o vampiro fica desesperado. Afinal... para pessoas brancas é algo bastante incomum não ser o centro das atenções, não é?
(Toda essa metáfora de apropriação me lembra dos vários artistas negros que fizeram sucesso no blues e no rock durante o século XX, mas é um cara branco que é considerado "rei". Enfim. Ah: Calma, fãs. Não quero polêmicas. Só estou trazendo um fato...).
Além de apresentar e saber contar uma ótima história, "Pecadores" é tecnicamente bem feito ao nos mostrar belos cenários, um grande plano de fotografia, músicas envolventes e uma direção impecável (a primeira cena que comentei... é linda, simplesmente linda). É um filme criativo que atinge todos os níveis de qualidade possíveis, que visita vários gêneros cinematográficos de forma competente sem perder o seu objetivo. Temos drama, ação, terror, um pouco de western. E tudo, por mais inacreditável que pareça, funciona muito bem.
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraO Agente Secreto é uma celebração das memórias e a forma como elas possuem esse poder de serem passadas por diferentes gerações. Acredito que de todos os filmes que vi do Kleber Mendonça Filho, esse talvez seja a sua obra mais diferente: o diretor opta por uma narrativa não-linear e explora muito bem o suspense investigativo (com toques perfeitos da nossa brasilidade). É um filme com ritmo mais lento, então não esperem algo frenético estilo "Bacurau", mas sim algo próximo de "Som ao Redor". Mas, honestamente, para mim isso não é demérito: é o texto pedindo paciência ao espectador, pois há muitas camadas importantes que ele quer mostrar.
Acho que não seria novidade pontuar que nosso país possui, ainda, um problema com sua História. Muitos setores da sociedade (em especial políticos da extrema-direita) se negam a lembrar de momentos em que brasileiros foram perseguidos e tiveram seus direitos cessados em sua própria terra. Mas "O Agente Secreto" nos mostra que o ato de esquecer significar dar poder aos algozes e deixa-los perpetuando um mecanismo de violências.
A figura de Armando nada contra essa maré. Ele é uma espécie de símbolo. Sua história se entrelaça com o passado ao procurar algum registro de sua mãe, e vai até o presente quando é resgatada por Flávia ao ouvir aquelas fitas. E nesse ponto temos destaque para a oralidade, que desempenha um papel central em como Flavia e sua amiga passam a entender Armando. Flávia ouve as próprias palavras dele. E embora aquilo fosse somente um trabalho, ela se interessa pelo seu personagem o suficiente para continuar se debruçando no material até chegar ao filho dele.
Por falar em Fernando, é importante mencionar como ele já criança estava começando a esquecer da mãe e, depois de adulto, não tinha mais a imagem nítida do pai. O trabalho de restauração feito por Flávia o possibilita, agora, ter essas imagens em sua mente. As memórias o encontraram.
Com muita paciência, sensibilidade e um toque certeiro de drama e suspense, "O Agente Secreto" nos entrega mais uma imagem do que é o Brasil, o que é "ser brasileiro" e a importância de nunca esquecer nossa História.
Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
3.6 182 Assista AgoraUma obra forte e muito intensa sobre o que é a maternidade sem uma rede de apoio adequada. Linda é o exemplo de mãe cansada, que até pode ter algumas pessoas por perto, mas elas nunca serão capazes de entender a metade do que ela sente. A protagonista carrega um vazio enorme, um desespero que a faz querer procurar qualquer coisa para fugir daquela realidade sufocante. Nesse sentido, a direção de Mary Bronstein puxa para o lado mais frio e cru, com cenas que invocam uma claustrofobia assustadora que nos mostra o turbilhão de pensamentos de Linda.
Tudo Culpa Dela
4.1 301 Assista AgoraAqui temos uma produção que foi feliz em todos os aspectos que se propôs: entregou um ótimo drama, boas reviravoltas e uma trama investigativa de qualidade. O elenco está super afiado e a sintonia entre eles é muito boa (curti demais ver a Dakota Fanning e a Sarah Snook juntas). O roteiro é organizado nas informações e sabe passar os segredos daquelas personagens sem fazer uma grande confusão cronológica. E aqui acredito que entra um pouco o aspecto investigativo, porque explicaram o que foi necessário explicar, mas sem se tornar repetitiva ou muito expositiva.
Mas acho que o grande acerto da série foi apresentar essa temática de como as mulheres se veem sozinhas quando são mães, mesmo estando casadas. Nós as sobrecarregamos com tarefas e julgamentos, e isso independente se elas querem ou não ter filhos: se querem, dizem que elas precisam se dedicar 100% ao lar, e se não querem dizem que elas estão erradas. A Jenny entra na vida da Marissa como aquela pessoa que entende o sofrimento da amiga e estende a mão, independente da visão que outras pessoas vão ter disso. É interessante ver como essa rede de apoio é construída. Já escrevi isso em outro comentário, mas é bastante comum ver mulheres relatando que se veem abandonadas por seus "parceiros" quando o filho nasce, até porque a sociedade dá um lugar bastante privilegiado para o homem não arcar com suas responsabilidades. O peter é o melhor exemplo disso: ele fez tudo aquilo sem medo algum porque, na cabeça dele, estava "tudo certo". Além dos claros traços de psicopatia do cara, há aí uma validação externa de que "você pode tudo", "o mundo é seu". Então ele começa a dominar, controlando todos ao seu redor como marionetes. Mais uma vez: há questões internas no indivíduo, mas também há um coletivo dizendo que tudo bem ele fazer o que quiser.
Para a mulher? Nah. Ela não pode. O mundo não dá escolhas para elas. Infelizmente.
Então, sim, eu gostei muito da série. Na verdade, deveria ter dado atenção antes, mas pelo menos essa temporada de premiações dá um alerta pra gente e mostra coisas boas que valem a pena.
Stranger Things (5ª Temporada)
3.5 510 Assista AgoraConsiderando que eu não esperava absolutamente nada dessa temporada de ST, consegui me divertir bastante e, melhor ainda, curtir o final. Sinceramente pensei que seria tão desastroso quanto o final de GOT, mas felizmente andou bem longe disso.
Foi previsível? Muito. Inclusive, aqui é bom destacar a fala da Max: "Conforto e felicidade? Mais clichê impossível", ao que o Will responde "Bem, é verdade sobre o conforto e a felicidade, mas a felicidade pode ser encontrada em muitos lugares". O final da série foi exatamente isso: algo confortável e feliz para (quase) todos os personagens, apesar de achar que, nesse ponto, o roteiro foi muito expositivo e não precisa pontuar esse final na fala dela para "se defender". Mas tudo bem.
Eu compreendo quem gostaria de algo mais impactante, com personagens principais morrendo e etc, mas... depois de tanto sofrimento? Eeerr... Pra mim, não dá. E além disso, sou um adepto dos finais felizes, então confesso que gostei dos rumos de cada um. Com relação à teoria do Will: é algo que faz sentido, mas será que a Kali ainda teria forças para fazer aquilo? Porque ainda se passa um tempo até o que acontece com ela e o momento em que todos voltam para a cidade. "Ah, mas mostrou a On"... podíamos estar vendo somente uma imagem do que o Will gostaria que fosse verdade.
Mas supondo que o Will esteja certo: também faz sentido ela não voltar, pois saberia que colocaria todos a sua volta em perigo. Mas também concordo que de todos ali ela que merecia o final mais feliz possível.
Mas outras questões ficaram abertas: e aquelas mulheres que receberam o sangue da Kali? É certo que a Kay queria a Onze para continuar os experimentos, mas será que esse tempo todo as transfusões da Kali não fizeram nenhum efeito? Não lembro realmente disso ter sido explicado na segunda parte. Eu até acho que o núcleo dos experimentos da Kay começou bem desenvolvido, mas foi perdendo força da metade até o final. E daí foi só uma série de decisões estupidas por parte do exército.
Outra coisa: quem era aquele cara que o mini Henry achou? E como ele tinha aquela maleta com um pedaço do que parecia ter vindo do "abismo"?
Bom, convenhamos que poderia ter sido pior. No fim, pra mim, o que vale é a jornada. E apesar de sentir que Stranger Things deveria ter sido finalizada antes pelo bem de sua história que foi exaustivamente alongada, é preciso dizer que vou sentir falta. Foram quase dez anos acompanhando essa série que moldou um nome na cultura pop (quer as pessoas gostem ou não) e nos entregou algumas cenas e personagens memoráveis. Quando eu coloco na balança, os acertos se sobressaem frente aos erros.
E, pra mim, tá bom.
Como Treinar o seu Dragão
4.1 284 Assista AgoraContinua emocionante e lindo igual a animação. <3
Os Estranhos: Capítulo 2
2.2 94 Assista Agoraconseguiu a proeza de ser pior que o primeiro. Como isso aconteceu? Eu não faço a mínima ideia. E nem quero saber.
Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado
2.4 332 Assista AgoraCredo.
Anônimo 2
3.1 151 Assista AgoraVibe bem diferente do primeiro filme, mas ainda assim bem bacana de assistir.
Número Desconhecido: Catfishing na Escola
3.4 140 Assista AgoraOk, isso me deixou meio tonto. Não sei bem o que pensar além de "angustiante" e "nojento".
Um comentário abaixo aponta que a Lauryn provavelmente participava, e isso faz sentido. Se as mensagens descreviam coisas que se passavam somente na sala de aula, como a mãe iria saber? E quando o policial chega na casa delas e diz que descobriu tudo, também achei estranho, porque ambas nem ao menos procuraram ficar em silêncio ou pediram um advogado, especialmente a mãe que só revelou "é, foi eu sim". Achei essa parte do doc bem estranha.
Ah, outra coisa: e aquela foto que foi tirada do Owen quando ele estava com a família? Como aquela mulher teve acesso? Não sei se acabei perdendo algum diálogo nessa parte que envolve a prima do cara como suspeita, mas será que aquela foto foi postada nas redes sociais e aquela mulher foi lá, pegou e mandou pra ele?
Se a Lauryn estava ou não envolvida, disso não temos como saber. São apenas pensamentos que levantamos. Mas o fato é que o documentário mostra uma dependência emocional bastante perigosa entre ambas, e bem doentia por parte da mãe. Como alguém diz "se m4t3" para a própria filha e ainda acha que está protegendo ela?! Aquela mulher vive em um mundo pararelo. Completamente bizarro.
Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito
4.2 108Mundinho Akaza BR
F1: O Filme
3.7 439 Assista AgoraSó o cinema consegue transformar uma modalidade esportiva um tanto chata (me desculpem os fãs, mas essa é só minha humilde opinião) em algo interessante para o grande público.
Lembro de assistir F1 quando criança, e até curtia, mas não foi algo que permaneceu no meu campo de interesses ao crescer. Mas reconheço que é uma modalide intensa, e acho que o filme foi muito feliz ao reproduzir isso e mostrar que é bem mais do que "carros dando voltas em uma pista".
A história é o velho feijão com arroz que envolve personagens superando desafios, de gerações entrando em conflito e da figura do "mentor" e do aluno que se parecem. Entra naquela categoria de "filmes otimistas" que vão te fazer bem - mesmo você não entendendo absolutamente nada dos termos técnicos. E sinceramente compro a ideia, apesar dela ser exaustivamente explorada quando fazem filmes de qualquer esporte que seja. Mas se é bem feito, se consegue entreter durante duas horas e meia... então tá valendo.
Curti as menções aos grandes nomes da F1, as participações (não sabia que o Lewis Hamilton era um dos produtores), a ambientação e os efeitos são excelentes. Não é inovador, não é revolucionário... mas é sim muito legal! Vale a pena conferir.
Invocação do Mal 4: O Último Ritual
3.0 466 Assista AgoraQuando vi que a direção era do Michael Chaves, minhas expectativas foram arruinadas. Não compreendo os motivos que fizeram o James Wan não dirigir tanto o terceiro quanto este último filme (entendo que houve a DC no meio, mas... olha só o fim disso). Sem Wan, a franquia perdeu muito em termos criativos, apesar dele ainda assinar o roteiro. Mas o Michael Chaves é muito "padrão", para não dizer extremamente limitado. Ainda lembro muito bem que dormi na sala de cinema enquanto assistia "Chorona" (sim, perdi dinheiro com aquilo).
Mas falando especificamente da história, ela é sim boa, mas o problema está na sua execução. O começo é bom, o desenvolvimento leva a pontos interessantes, mas o maior problema está no final: é corrido, não é emocionante como deveria (é até um pouco brega, no péssimo sentido da palavra), e não há um real sentimento de perigo.
A cena do espelho rodopiando é, na verdade, mais engraçada do que aterrorizante. Na verdade, parece ter saído de "todo mundo em pânico" (parece algo que eles fariam, com certeza).
A família, que nos outros filmes era sempre a atenção dos Warren, fica em segundo plano, e nesse caso é "compreensível" (forçando muito) pois aparentemente o foco da entidade está na filha do casal, a Judy. A participação ativa dela é uma das coisas boas dessa obra. Mas tem esse lado negativo que foi ter reduzido demais o caso da família Smurl. E quando chega no confronto, quando pensamos "finalmente!"... ele acaba. Corta para um casamento e todos felizes. Fim.
Não me entendam mal, eu sou fã de finais felizes. E não teria problema algum com esse, se o caminho para chegar até ele não tivesse sido tão... preguiçoso. Não sabemos qual o demônio que está por trás de tudo aquilo, a doença do Ed é simplesmente ignorada na parte final, e o pouco de brilho que existe nesse filme está na Lorraine e em sua filha quando trabalham juntas. Mas o final deixa uma sensação de "é só isso?"
Enquanto um filme de encerramento da franquia, acredito que funciona muito bem. As últimas cenas são, de fato, bonitas e sensíveis. E nós vemos homenagens ao trabalho dos Warren durante todo o longa, o que obviamente também é legal. Confesso que vou sentir falta desse universo, acho que mais devido aos excelentes Patrick Wilson e Vera Farmiga que formaram uma baita dupla carismática, com uma química absurda e que souberam "nos conduzir" por esses mundos assustadores. "Invocação do Mal 4: O Último Ritual" pode ter seus problemas, mas quando olhamos para o quadro geral e pegamos o quanto essa franquia significou para o terror atual - em especial o primeiro filme - o resultado final é muito positivo.
Sétimo
3.0 187 Assista AgoraA história tinha um enorme potêncial que foi rapidamente atirado no lixo. O roteiro entrega tudo muito facilmente, e até de forma meio boba e amadora. Assisti pelo Darín, e claro que ele se esforça... mas não consegue salvar esse filme do fracasso completo.
A Hora do Mal
3.7 1,0K Assista AgoraTalvez eu tenha colocado muita expectativa nesse, muito por ser o diretor de outra obra recente do terror que gostei bastante. E embora eu não tenha achado uma perfeição, "A Hora do Mal" é sim um ótimo filme.
Acho que o roteiro peca em explicar demais cada pequeno passo em boa parte da obra, mas também deixa algumas questões importantes sem resposta.
- A parte da tia não foi explicada. Ela somente apareceu, e nesse momento nós sabíamos que ela tinha alguma relação com o acontecido. Não teria sido bem melhor que ela estivesse ali desde o começo? Da forma como ficou, foi muito fácil para nós entendermos quem de quem era a culpa;
- Qual era exatamente o objetivo dela com as crianças? Talvez eu tenha entendido errado, mas ao que parece ela iria sacrifica-las para melhorar sua saúde;
- No final, quando ela morre, Archer volta rapidamente ao normal, enquanto que as outras crianças e os pais do Alex ainda ficam naquele estado meio catatônico. Seria pelo tempo em que ficaram sob o "feitiço" daquela mulher? É a única coisa que consigo pensar nesse momento;
- Como já perguntaram aqui: quem estava narrando?
A cena final em que as crianças estão perseguindo a velha é simplesmente hilária. Deu uma quebrada boa na tensão.
Acho que faltou equilibrar alguns pontos para explorar todo o potêncial do enredo sobrenatural do filme, e de fato não há uma conexão do espectador com os personagens e seus dramas - mas também não acho que esse tipo de filme busque isso, até mesmo considerando a forma como ele foi organizado. Poderia ser um thriller investigativo sobrenatural focando na dor dos pais e etc? Poderia, mas acho que Zach Gregger quis fugir do comum e entregar algo mais "seco"... que tem seus altos e baixos, mas no fim acaba sendo divertido.
Eddington
3.1 107Não sei bem o que dizer, como começar... aqui do meu lugarzinho super insignificante, só fico me perguntando: o que diabos aconteceu contigo, Ari Aster?
"Eddington" pega como recorte aquele 2020 conturbado: quando a pandemia havia sido decretada, e ainda havia muita incerteza na população sobre o que ou não fazer. E em maio daquele ano, tivemos o assassinato cruel de George Floyd, um acontecimento que entristeceu ainda mais o mundo que já vivia tempos difíceis. Lembro bem de acompanhar os movimentos que ocorreram nos EUA, das pessoas chorando devido a brutalidade policial e a forma como o caso estava sendo levado - com muitos até mesmo culpando o George Floyd.
Foi um ano complicado para todos, sem sombra de duvidas. E então podemos pensar: Ari Aster tinha em mãos todas as histórias reais para tirar algo delas e fazer a sua ficção funcionar. Então... o que deu errado? Bom, para mim foi a tentativa do diretor em "atirar para todos os lados": o roteiro crítica ao esvaziamento de pautas, a violência policial, ao comportamento anticientífico, mostra como se dá as relações de poder em uma cidade pequena, como as fake news são criadas e ainda há...
um líder de uma seita? (aliás essa última parte foi tão mal aproveitada)
É verdade que temos algumas cenas de impacto (morte do Ted Garcia e do Eric, mas isso já era esperado em algum momento) mas, com exceção do final, faltou mais intensidade e confronto. Em determinado ponto, fica o Xerife fazendo as coisinhas dele e esquecem completamente do Ted. Há uma falta de equilíbrio em trabalhar esses personagens, e eu esperava mais embates ideológicos entre os dois.
A cena que me causou mais choque foi quando o Joe abandonou qualquer esperança e matou aquele homem no bar. O surto do protagonista é bem construído, em grande parte graças a ótima atuação de Joaquin Phoenix. O xerife, um negacionista, é um homem que aparenta ter um forte senso de comunidade, mas ele mistura seu ódio pelo prefeito com uma necessidade de poder e um senso deturpado de justiça para fazer o que pensa ser certo, e depois vê tudo ao seu redor sendo destruído até se transformar em um ser vazio e sem a autonomia desejada.
Outro ponto positivo é que o filme estabelece uma crítica muito válida ao esvaziamento de pautas sociais, ao ponto em que as pessoas tornam o movimento algo caricato e até se apropriam de falas e palcos que não são delas: no lugar de se tornarem aliadas, querem ser protagonistas.
Acho que entendo o que o diretor quis passar, mas não acredito que ele tenha tido sucesso aqui. Há falhas na execução, o desenvolvimento é raso e tem uns núcleos e personagens que pouco acrescentam para a trama (sim, Emma Stone, infelizmente dessa vez é você). O final é bom, mas não salva o que veio antes.
Tá tudo bem um diretor fazer outras coisas, tentar misturar elementos como o faroeste e o suspense. Mas como comentaram aqui, não parecia um filme do Ari Aster. Então, dito isso... Só espero que a mesma mente que fez o grandioso "Hereditário" volte algum dia.
Extermínio: A Evolução
3.1 558 Assista AgoraDesculpe, Danny Boyle... não há defesa para você aqui.
A história do filme não funciona, especialmente na segunda metade
(e parece que esquecem todos os outros personagens e focam somente em uma jornada, sendo que poderiam ter equilibrado os núcleos e talvez deixasse a parte filho/mãe mais interessante)
O protagonista não é nada carismático, o Aaron Taylor-Johnson é mal aproveitado e... coitado do Ralph Fiennes. Provavelmente ele estava devendo algum favor porque só isso explica essa participação sem sentido.
É um roteiro fraco, falho, péssimo... Ainda vai uma nota 2 pelo que a franquia é, mas este filme aqui separado é só uma grande falha, o que é uma pena pois estava torcendo para gostar dele.
Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
3.4 543 Assista AgoraDepois do Superman colorido de James Gunn, temos o Quarteto Fantástico retrofuturista de Matt Shakman. É um tempo incrível para o cinema de super-heróis.
"Quarteto Fantástico: Primeiros Passos" enfim estreou, e nos mostrou uma nova versão da família mais amada da Marvel. Temos o gênio racional Reed Richards, um homem revestido por rochas que guarda um grande coração chamado Ben e o carismático - e por vezes inconsequente - Johnny Storm. E por último, mas definitivamente não menos importante, a sábia e responsável Sue Storm. Eles vivem juntos, almoçam juntos, resolvem os problemas juntos, protegem o mundo... juntos.
Juntos. Unidos. Ligados.
A mensagem do filme é bastante clara:
nós somos um povo só, e se há uma entidade gigantesca querendo destruir nosso planeta... então vamos enfrenta-la juntos, compartilhando nossas forças, ideias e recursos.
O discurso da Sue Storm, enfrentando a população que estava com medo de Galactus, é a ideia central da obra: precisamos proteger uns aos outros, pois somos uma grande família. É um pensamento difícil, pois esbarra no nosso próprio egoísmo e individualidade, mas muito necessário para nossos tempos. Se em "Superman" aprendemos que há brilho e esperança no futuro, nesse filme do Quarteto aprendemos que podemos caminhar lado a lado e de mãos dadas, pensando no coletivo para enfrentarmos as adversidades da vida humana.
O filme é bastante direto, e apresenta muito bem os personagens, o vilão e o seu objetivo - até acho que ele foi bem utilizado, considerando o péssimo histórico da Marvel na forma como trata seus vilões. Os poderes dos personagens também são bem mostrados, e acho que quem faz o melhor uso deles é a Sue Storm. Nas HQs, apesar do Reed ser aquele cara da ciência, até ele precisa de limites e aqui entra o papel da Sue: ela é a "voz da razão" no grupo, o elo que os conecta e que mantém os pés deles no chão. No filme, não é diferente. Reed até pode ser considerado o líder, mas a Sue rouba a atenção
(especialmente no confronto contra Galactus, em que ela reinou).
É verdade que roteiro dá um espaço bom para mostrar cada personalidade, e também traz aquelas piadas e implicancias entre o Johnny e o Ben (pra mim, as piadas funcionaram bem nesse núcleo), mas no caso da Sue... ela é o espírito da obra. E nesse ponto que precisamos falar do excelente trabalho de Vanessa Kirby. Sempre que ela aparecia em tela, trazia uma forte presença de sua personagem. Já a considerava uma excelente atriz, e acho que ela fez uma performance que a destacou como uma das melhores coisas da obra.
Tive receio quanto ao Pedro Pascal no papel do Reed desde o começo, mas não questionando sua atuação - até porque sabemos que ele também é excelente - mas porque... Eu pensava que o Reed Richards "perfeito" para o MCU estava no John Krasinski (após "Multiverso da Loucura", então...). Mas nosso querido inimigo do desemprego se sai bem e entrega exatamente o que eu esperava do Senhor Fantástico: um homem brilhante, que pensa demais e se culpa demais. Acho que o roteiro segura um pouco o Reed (é uma das mentes mais brilhantes de todo o universo marvel, ele pode passar dos limites muito facilmente), e talvez isso tenha deixado o Pascal mais contido, mas não acho que isso tenha afetado sua atuação. Ao contrário... agora não consigo ver outro ator no papel.
Então... é, eu obviamente gostei muito do que vi. É uma obra viva, que sabe onde quer chegar. Acho que peca em algumas escolhas e no desenvolvimento, mas nada que achei tão preocupante. O resultado final de "Quarteto Fantástico: Primeiros Passos" é positivo. A simplicidade da produção traz vida nova para o MCU.
Superman
3.6 918 Assista AgoraParecia que eu estava lendo uma mensal do personagem. Que filme gostoso de assistir.
Essa produção tem a assinatura de James Gunn: o diretor sabe como emocionar os fãs, tocando exatamente na mensagem de esperança que o Superman carrega.
A personalidade desse Superman em muito me lembra a da recente série animada "My Adventures With Superman" (que tem uma abordagem mais "jovem", bem leve). Já o Clark Kent de Gunn tem pouco espaço, mas o pouco que apareceu lembrei de "Superman: Legado das Estrelas". E apesar de já estar em atividade há um tempo, ele ainda aparenta inexperiência para entender que os humanos são extremamente burocráticos - e isso o causará problemas.
Uma das questões de plano de fundo é a guerra que uma nação está travando contra um outro povo que não tem como se defender. E aqui entra o Lex Luthor. Devo dizer que essa visão para o Lex muito me agradou, pois conseguiu unir a inteligência diabólica do vilão com um certo tom caricato que também é presente em algumas versões dele. Acho que ficou no tom certo: nem muito exagerado, nem muito parado. Quem eu achei que ficou em segundo plano foi a Lois, que não teve tanto espaço para mostrar aquela jornalista obstinada que é. E a mudança no Jimmy foi realmente uma surpresa, e teve seus momentos mais cômicos também.
Com relação às mudanças, vale destacar que não temos uma "história de origem": Clark já está estabilizado no Planeta Diário, Lois já sabe que ele é o Superman e eles estão em um relacionamento. E sinceramente achei isso bastante positivo, pois essas histórias já foram contadas exaustivamente. James Gunn coloca o Superman/Clark num ponto em que ele está caminhando para ser mais maduro, e entender mais de suas responsabilidades em outro planeta. A parte de Krypton aqui é usada por Lex para colocar o povo contra o Superman. E não achei interessante mudarem o significado na mensagem de Jor-El e Lara (a menos, é claro, que isso seja consertado no filme da Supergil).
Aliás, parte dessas responsabilidades é se envolver com política, e aqui o roteiro parece acertar bastante a mão nas metáforas. Em tempos sombrios e represivos em que imigrantes foram algemados e tratados como lixo pelos estadunidenses, esse filme tem um forte papel político: mostrar como um "estrangeiro" é um símbolo de esperança e força para um novo amanhã, como esse ser de uma outra terra pode ajudar a enfrentar os bilionários e chefes de estado malucos que orquestram guerras para ficarem ainda mais ricos. É impossível não fazer uma ligação com as questões sociais e políticas que vivemos na nossa realidade.
Guy Gardner, Mulher-Gavião e Senhor Incrível foram muito bem introduzidos e utilizados, em especial o Senhor Incrível (já quero uma série só dele).
Em termos de atuações, acho que David Corenswet é carismático o suficiente. Convenhamos que esse não é um papel fácil, afinal estamos falando de décadas de histórias e versões diferentes para ter como base. Mas acho que ele se saiu bem. Nicholas Hoult sempre rouba a cena em qualquer personagem, e apesar de saber que ele havia feito o teste para o Superman... não imagino mais o Lex sendo feito por outro ator. Muitos filmes que já vi desse cara e ele continua me surpreendendo. Gostaria de ter visto bem mais da Rachel Brosnahan, mas senti que o roteiro deu uma segurada nela. Edi Gathegi é extraordinário, não tem muito o que dizer além de EU PRECISO DE UMA SÉRIE DO SENHOR INCRÍVEL! rsrs.
Mas não tem jeito, o ator mais carismático de todos é o Kripto! Ele é o alívio cômico, o trem desgovernado que nem mesmo o Superman consegue dar jeito.
Como falei no começo, esse filme parece uma boa revistinha do Superman. É isso que faz seu brilho. James Gunn consegue identificar e transportar as partes essenciais das páginas para o cinema (já havia sido assim em Guardiões, Esquadrão), mostrando que mais uma vez ele sabe trabalhar na adaptação desses personagens, criando coisas novas mas mantendo aquilo que fez tantas pessoas ao redor do mundo gostarem deles. E aqui parece que ele intensificou um sentimento que precisamos muito: esperança. O Superman é um herói que luta pelo bem do povo, que traz vida e cor para lugares sombrios. É muito bom voltar a ver um filme dele sabendo que foi feito por alguém que o entende.
Round 6 (3ª Temporada)
3.2 316 Assista AgoraÉ aquilo né... era pra ter só uma temporada. A primeira foi muito boa, produziu reflexões sociais e filosóficas muito importantes, além de ter ótimos personagens e ser "criativa" dentro de uma proposta já muito explorada em distopias. Mas igual aos personagens gananciosos, a Netflix e os produtores queriam mais e então tivemos a desnecessária segunda temporada, trazendo o protagonista da primeira de volta ao campo de jogo e prometendo um plot de vingança que...
não deu certo.
A última parte de "Round Six" é o atestado de que a série já não sabia para onde ir, que os roteiros já tinham atingido o máximo de criatividade e que a produção não sabia mais o que fazer com seus personagens. Um exemplo
claro disso está no núcleo do detetive: ele não resolve nada, não tem peso real para a trama e nem chega perto de ser uma ameaça. O sobrevivente do jogo atual pode até ter testemunhado o que viveu naquela ilha, mas... quem acreditaria nele? Isso considerando que todas as provas foram destruídas, e que haviam pessoas poderosas por trás capazes de silenciar qualquer autoridade. Então a figura de Jun-ho, embora promissora no começo, foi ficando sem objetivo. No último episódio, ele aparece e dá uns tiros numa tela grande, num vidro, olha para o irmão e... é isso. Não sentimos que houve um "encerramento" para ele.
Outra coisa que me incomodou foi exatamente não ter mostrado
se agora a população sabia dos jogos, se isso foi denunciado de alguma forma, afinal explodiram uma ilha. Imagino que os ricos excêntricos tenham silenciado tudo. Mas isso só faz parecer que a jornada do Seong Gi-hun, no final, não serviu muito. Instalações? Fazem outras (isso se já não estiverem feitas) e então o jogo continua. A mensagem de que ele conseguiu salvar uma vida inocente que nasceu em meio a toda aquela dor é muito bonita, de fato. Mas o problema vem de cima, das pessoas que assistem e financiam o jogo. Teria sido melhor nosso protagonista ter ido atrás deles.
Mas são muitos "e se".
Bom, chegamos ao final. Mas ao final desse aqui, porque
ao que tudo indica... teremos uma versão estadunidense? Isso não me surpreende, e confesso que estou curioso, especialmente se David Fincher estiver envolvido.
O Palhaço no Milharal
2.6 132 Assista AgoraO filme é divertido, possui umas historinhas no plano de fundo, os personagens são ok e as piadas funcionam. Infelizmente ele fica previsível em determinado ponto, e daí quando chega o momento das revelações... nós meio que já esperávamos. Mas assim, é bom, tá? Funcionou bem pra mim, apesar da questão que pontuei.
Um Amor Inesperado
3.6 57 Assista Agora"Não há nada mais pornográfico que a felicidade".
O filme é bem divertido, leve e também produz muitas reflexões sobre relacionamentos, mas aqui focado especialmente em pessoas mais maduras. Curti bastante.
O Exorcismo
1.6 77Por que, Russell Crowe? Só... por que?! Não tinha um amigo, parente, cachorro, sei lá.. qualquer um pra bater no ombro dele e dizer "filho, apenas pare". Meu anjo tu tem um OSCAR de melhor ator! Pra que se sujeitar a isso, sabe? "Ah mas o dinheiro". Não... não. Só... não.
O Passado
3.9 295 Assista AgoraFilmes focados no cotidiano, mostrando relações familiares caóticas e todas as suas consequências sempre são atrativos para mim. Logo, gostei muito de "O Passado".
É um filme com alto nível de sensibilidade na abordagem de seus enredos. "Enredos", no plural, porque aqui acompanhamos vários personagens que estão interligados, mas cada um com suas próprias questões. O que deixa-os ainda mais interessantes é que ninguém é "mocinho" e "vilão": todos ali estão perto de um limite moral, atingem zonas cinzentas e possuem comportamentos questionáveis.
- O ex que abandona o lar e quando volta acha que tudo seria igual como antes;
- A ex que quer faze-lo sofrer, mostrar que o superou e ainda se envolve com um cara casado;
- O cara casado que se envolve num relacionamento enquanto a esposa está no hospital sobrevivendo por aparelhos;
- A filha problemática que encaminha emails comprometedores para a esposa;
Todos estão errados. Todos são humanos querendo justificar ou esquecer suas ações do passado, querendo alguma espécie de redenção. Mas não é bem assim que funciona.
Além dos personagens que caminham entre o "bem e o mal", o que também gostei bastante foi a forma "sutil" com que o roteiro mostrava as diversas reviravoltas na história. Não foram necessários momentos específicos para grandes revelações. O que infelizmente não funcionou para mim foi o plot
dos emails, que poderia ter sido facilmente resolvido se o marido entrasse na conta da esposa (supondo, claro, que ele saiba a senha) e tivesse visto se ela os visualizou ou não.
Mas no fim, o resultado é que "O Passado" brilha em uma inquietante leveza que se mistura ao peso dos seus diálogos. É uma obra que possui sua particularidade e que merece ser vista.
Pecadores
4.0 1,2K Assista AgoraA cena do Sammie cantando enquanto todas as diferentes gerações culturais se misturam, filmado em plano sequência... Arte absoluta. É de um simbolismo maravilhoso, além de ser tecnicamente linda.
Esse filme tem muitas camadas, mas a que mais se destaca é a forte celebração do blues, da ancestralidade e da cultura afro-americana. Nesse sentido, é importante destacar que a crítica sobre apropriação cultural está fortemente presente no roteiro: historicamente, é notável que brancos sempre tomaram para si o protagonismo de movimentos artísticos que começaram na cultura negra.
O povo negro teve e, infelizmente, continua tendo sua história roubada. A escrita de Ryan Coogler ao utilizar a figura do "vampiro" funciona como uma metáfora bastante clara, especialmente quando ele olha para o Sammie e diz que quer as histórias e as músicas do garoto. Ao contemplar o talento do rapaz, o vampiro fica desesperado. Afinal... para pessoas brancas é algo bastante incomum não ser o centro das atenções, não é?
(Toda essa metáfora de apropriação me lembra dos vários artistas negros que fizeram sucesso no blues e no rock durante o século XX, mas é um cara branco que é considerado "rei". Enfim. Ah: Calma, fãs. Não quero polêmicas. Só estou trazendo um fato...).
Além de apresentar e saber contar uma ótima história, "Pecadores" é tecnicamente bem feito ao nos mostrar belos cenários, um grande plano de fotografia, músicas envolventes e uma direção impecável (a primeira cena que comentei... é linda, simplesmente linda). É um filme criativo que atinge todos os níveis de qualidade possíveis, que visita vários gêneros cinematográficos de forma competente sem perder o seu objetivo. Temos drama, ação, terror, um pouco de western. E tudo, por mais inacreditável que pareça, funciona muito bem.
Ryan Coogler, você já é gigante!