Uma moça é assediada e quase violentada por três marginais e o que ela diz ao namorado logo em seguida? Para ele se livrar da arma que tinha levado pois ela, como enfermeira, "já tinha visto gente demais morrer". E o sujeito obedece sem qualquer argumentação. É esse tipo de personagens que os realizadores desse filme querem que a gente simpatize? Aliás a cena do assédio que mencionei é a única que consegue ser realmente tensa, lembrando o clássico Amargo Pesadelo (1972).
Axel Foley é um João Grilo dos EUA: sempre se sai bem com uma mentira na ponta da língua. Infelizmente essa continuação conta com um roteiro bem fraco e com vários absurdos, como a ideia de ladrões enviando cartas para a polícia ou o protagonista usando sempre a mesma roupa do primeiro filme (como se fosse um uniforme). Além disso o ritmo é mais irregular que no primeiro e a ação demora mais a deslanchar.
O primeiro ato do filme, que mostra o desaparecimento do garoto Tommy é muito bem construído, culminando na cena do pai desesperado e sendo tragado pela densa floresta. Mas logo o filme pula dez anos no tempo e o roteiro do medíocre Rospo Pallenberg (cujo único trabalho notável foi Excalibur, também dirigido por John Boorman) começa a se concentrar mais na aventura que no drama. Sim, há todo um subtexto sobre o choque cultural, a interferência da "civilização" nas comunidades silvículas e a devastação da floresta mas os conceitos nunca são desenvolvidos com profundidade. Por outro lado as locações foram muito bem escolhidas: a floresta é bem fotografada, tornando-se sufocante e perigosa.
Um projeto certo mas que caiu em mãos erradas: o roteiro de Rita Buzzar (também produtora) exagera no melodrama e diálogos óbvios. Camila Morgado faz uma personagem fechada demais para atrair a simpatia do espectador mas ela entrega alguns bons momentos perto do final. Já Caco Ciocler não convence como Prestes: em nenhum momento ele parece ser um homem capaz de liderar uma revolução. O roteiro também não favorece em nada o restante do elenco (nem a gigante Fernanda Montenegro faz algo além do básico). Além disso a direção de Jayme Monjardim aposta basicamente em closes e em uma fotografia com baixa profundidade de campo. Assim tamos quase sempre os rostos dos atores falando e o fundo desfocado. No fim Olga acaba parecendo uma telenovela de duas horas e vinte minutos.
Uma divertidíssima fábula que junta o idealismo de Frank Capra (especialmente "A Felicidade Não Se Compra") com o cinismo dos anos 90. Merecia o Oscar de melhor montagem e nem sequer foi indicado...
Uma bela homenagem de Walter Hill ao cinema de Sam Peckinpah: as cenas de violencia em câmera lenta são muito bem realizadas e o diretor adia em alguns minutos um assalto a banco, o que aumenta a tensão. O design de produção e os figurinos investem em tons terrosos, marrom e cinza, dando um ar triste e pouco acolhedor àquele universo. Um dos melhores faroestes de uma época em que o gênero estava em declínio.
Um filhote tardio do cinema brucutu que esteve em alta nos anos 80, com alguns detalhes que o tornam minimamente interessante como por exemplo, os SEALS prestando contas da missão aos seus superiores, algo pouco visto em filmes do gênero. Michael Biehn faz o líder da equipe de forma carismática, enquanto Charlie Sheen vive um jovem impulsivo, quase psicótico.
Uma animação de boa qualidade que teve o azar de ser eclipsado por Toy Story, lançado na mesma época. Fracassou nas bilheterias mas foi um sucesso em VHS. Para os adultos é difícil não notar o roteiro esquemático e previsível. Ao contrário das animações da Disney não há canções o tempo todo mas em contrapartida há uma necessidade de apresentar um personagem engraçadinho a cada minuto.
Essa terceira adaptação de Ben-Hur para o cinema (sem contar o curta de 1907) é um festival de equívocos do inicio ao fim. A ideia de tornar Ben-Hur e Messala irmãos adotivos que se gostam muito torna praticamente impossível acreditar nas atitudes deste na metade do filme. Da mesma forma eliminar o personagem Quintus Arrius (que adota Ben-Hur após a batalha naval) torna o retorno do protagonista inverossímil (ele seria preso assim que entrasse no Circus). Até a presença de Jesus Cristo é feita de forma banal (nas versões anteriores ele não falava e jamais víamos seu rosto mas sua presença era marcante desde o início). Historicamente também há diversos absurdos como mulheres condenadas a crucificação (só homens eram) e Jerusalém situada a beira de um penhasco. E pra completar o desastre o roteiro investe em um melodrama digno de telenovela no desfecho. Uma verdadeira penitência ter que assistir isso.
É um daqueles filmes que encanta pelo amadorismo da produção, pelo baixo orçamento. Mas, ao mesmo tempo é difícil não reparar nos absurdos, como por exemplo os personagens estarem no Brasil e no segundo seguinte já estarem na "África", ou os figurinos dos "árabes" que parecem reaproveitados de um baile carnavalesco. Ainda assim diverte se abraçarmos o tom mambembe da produção.
Depois de fantasias medievais e ficções científicas futuristas Paul Verhoeven voltou aos thrillers carregados de erotismo e ambiguidades neste Instinto Selvagem que traz várias similaridades com em seu excelente "O Quarto Homem" (1983). É um dos grandes neo-noir dos anos 90, engrandecido pela trilha sonora de Jerry Goldsmith e com elenco competente.
O filme cria um clima de estranhamento logo nos primeiros minutos devido, principalmente a ambientação e ao design de som. Sergi López (não lembrando em absolutamente nada o desprezível capitão Vidal de "O Labirinto do Fauno") e o pequeno Bruno Núñez Arjona servem de ancora emocional do filme, com quem o espectador tem facilidade de se identificar e se ssaem muito bem na tarefa. Pena que o roteiro não invista muito nos demais personagens que acabam se destacando mais por peculiaridades físicas, como o coto no braço de um ou a perna mecânica de outro. Mesmo assim é uma viagem sensorial que vale a pena ser percorrida.
Há vários elementos aqui que Michael Mann reutilizaria em sua obra-prima Fogo Contra Fogo (1995): o policial obcecado em capturar um criminoso e como essa investigação acaba afetando sua vida familiar. O diretor cria uma ambientação triste, pessimista e fria, algo salientado pela fotografia de Dante Spinotti (que curiosamente também trabalhou na versão de 2002) que faz uso frequente da cor azul.
Como uma tranqueira dessas vira um cult movie é algo que nem Freud ou Einstein conseguiriam explicar. A montagem é arrastada, com cenas longas demais, demora uma eternidade para que algo aconteça. Os personagens são chatos e há uma única cena de gore mais extremo mas não é o suficiente para um filme que tortura o espectador por uma hora e meia. Merece ir pro ferro-velho.
Mais uma continuação que tenta ser original deturpando o conceito do filme anterior. E o resultado aqui ficou ridículo: uma barata apaixonada por uma humana (seria o equivalente a uma zebra se apaixonar por um leão). Pra piorar a protagonista é tão expressiva quanto uma barata morta e o coitado do Bruno Campos até tenta convencer como policial galã mas fica perdido no meio da ruindade desse filme. Pelo menos a direção de arte acerta ao construir uma Nova York suja e úmida, bem distante do glamour com que a cidade normalmente é vista no cinema. Curiosidade: foi lançado em 17 de julho de 2001 ou seja, deve ter sido um dos últimos filmes a mostrar as torres gêmeas do WTC antes delas caírem no atentado de 11 de setembro.
Ao nos apresentar a trajetória das três ceguinhas o filme levanta várias questões sobre o prórpio cinema (as três cantoras se perguntam se poderiam ser consideradas "estrelas") e exploração: seja pelos ex-maridos, seja por vizinhos aparentemente bem intencionados. Até mesmo o próprio cinema é questionado como meio de exploração já que em certo momento uma das protagonistas pergunta ao diretor se ele não as estava usando para ganhar dinheiro (e Roberto Berliner teve coragem e bom senso de manter essa cena no filme). Uma obra para se ver de olhos bem abertos.
O grande destaque da produção é sem dúvida a direção de arte, que cria diversos cenários grandiosos e detalhistas. As cenas de batalha no terceiro ato também são grandiosas e nada ficam a dever às produções de D. W. Griffith. Porém esse terceiro ato também é o mais problemático já que apresenta uma versão rasa e distorcida (além de anacrônica) da Revolução Francesa.
Uma salada que mistura documentário, aventura e comédia. Irwin e sua esposa realmente fizeram as cenas onde se atracam com crocodilos e outros animais sem usar bonecos ou efeitos visuais. Consegue divertir se você abraçar a proposta que parece unir Discovery Channel com um filme do Trapalhões.
Em um ano em que Hollywood deu ao mundo maravilhas como A Marca da Maldade, Um Corpo Que Cai e O Homem do Oeste, entre outros, ver um filme como Gigi abocanhar 9 Oscars é uma vergonha alheia. Aliás seria mais apropriado se o filme se chamasse Gaston, já que o foco da narrativa é muito maior no personagem de Louis Jourdan do que na de Leslie Caron. Há alguns bons momentos como quando dois antigos amantes conversam sobre o passado e cada um apresenta lembranças diferentes do ocorrido. Mas na maior parte do tempo o roteiro é esquemático e enfadonho.
Um perfeito exemplo de filme voltado para o público infantil mas que tem subtextos que são melhor assimilados pelos adultos: em uma das melhores cenas Kat pergunta a Gasparzinho se a falecida mãe teria se esquecido dela (assim como Gasparzinho não se lembrava dos pais e de quando era vivo). Aliás a performance de Christina Ricci foge totalmente do estereótipo da adolescente rebelde. Sua insatisfação se dá justamente por não poder ser normal, criar raízes em algum lugar. Outro destaque do elenco é Cathy Moriarty que cria uma vilão ao mesmo tempo implacável e divertida, fazendo o público rir de suas frases de efeito ("Flipper herdou mais dinheiro que eu"). Bill Pullman, por sua vez está bem mais convincente aqui do que em Independence Day. Até os três fantasmas que exploram o personagem-título se revelam mais do que meros antagonistas, se revelando mais interessantes ao longo da narrativa. Diversão para todas as idades.
Outra daquelas continuações que não deviam ter saído do papel. Jeffrey Combs tira de letra o papel que já tinha vivido duas vezes. Já Jason Barry faz um "herói" aborrecido e estridente, enquanto Simon Andreu encarna o estereótipo do diretor de prisão sádico. Se o terceiro ato do segundo filme já era histriônico, o desta terceira parte descamba para a comédia; e se os dois filmes anteriores levavam o gore ao limite, aqui é quase constrangedor. E por fim Bryan Yuzna parece ter desaprendido a dirigir já que são várias as cenas em que o microfone e os cabos que sustentam bonecos ficam visíveis. Fiasco total.
O primo pobre de A Hora do Pesadelo (1984). Sim são muitos pontos em comum com o filme de Wes Craven, inclusive uma cena onde o protagonista adormece e sonha durante uma aula. Vendo esse filme tive a impressão de que várias cenas foram descartadas na montagem, já que alguns personagens são introduzidos de forma súbita, como se já tivessem interagido com os protagonistas. As locações na ilha de Alcatraz são um mero McGuffin cenográfico já que a história poderia se passar em qualquer lugar. Pra completar o protagonista é bem irritante. Melhor se divertir com o querido Freddy Krueger.
A década de 1980 foi umas das mais prolíficas do gênero comédia (como atestam as obras de Woody Allen, do trio ZAZ e muitos outros) mas "Jogue a Mamãe do Trem" se revelou pra mim um dos exemplares menos inspirados, uma decepção quase total. A trama de inspiração hitchcockiana é bem previsível e o humor negro acaba dando lugar à pieguice no final. Billy Crystal não está mal, embora eu o prefira no humor mais cerebral e menos físico (como no excelente "Harry & Sally") enquanto a Anne Ramsey (ótima em "Os Goonies") faz o que pode para contornar a unidimensionalidade da personagem. Já Danny De Vitto (que faz um trabalho correto como diretor) está muito bem como o adulto infantilizado, conseguindo ser patético e cativante.
Pânico na Floresta 2
2.5 252 Assista AgoraUma moça é assediada e quase violentada por três marginais e o que ela diz ao namorado logo em seguida? Para ele se livrar da arma que tinha levado pois ela, como enfermeira, "já tinha visto gente demais morrer". E o sujeito obedece sem qualquer argumentação. É esse tipo de personagens que os realizadores desse filme querem que a gente simpatize? Aliás a cena do assédio que mencionei é a única que consegue ser realmente tensa, lembrando o clássico Amargo Pesadelo (1972).
Um Tira da Pesada II
3.2 195 Assista AgoraAxel Foley é um João Grilo dos EUA: sempre se sai bem com uma mentira na ponta da língua. Infelizmente essa continuação conta com um roteiro bem fraco e com vários absurdos, como a ideia de ladrões enviando cartas para a polícia ou o protagonista usando sempre a mesma roupa do primeiro filme (como se fosse um uniforme). Além disso o ritmo é mais irregular que no primeiro e a ação demora mais a deslanchar.
A Floresta das Esmeraldas
3.1 35O primeiro ato do filme, que mostra o desaparecimento do garoto Tommy é muito bem construído, culminando na cena do pai desesperado e sendo tragado pela densa floresta. Mas logo o filme pula dez anos no tempo e o roteiro do medíocre Rospo Pallenberg (cujo único trabalho notável foi Excalibur, também dirigido por John Boorman) começa a se concentrar mais na aventura que no drama. Sim, há todo um subtexto sobre o choque cultural, a interferência da "civilização" nas comunidades silvículas e a devastação da floresta mas os conceitos nunca são desenvolvidos com profundidade. Por outro lado as locações foram muito bem escolhidas: a floresta é bem fotografada, tornando-se sufocante e perigosa.
Olga
3.8 1,3K Assista AgoraUm projeto certo mas que caiu em mãos erradas: o roteiro de Rita Buzzar (também produtora) exagera no melodrama e diálogos óbvios. Camila Morgado faz uma personagem fechada demais para atrair a simpatia do espectador mas ela entrega alguns bons momentos perto do final. Já Caco Ciocler não convence como Prestes: em nenhum momento ele parece ser um homem capaz de liderar uma revolução. O roteiro também não favorece em nada o restante do elenco (nem a gigante Fernanda Montenegro faz algo além do básico). Além disso a direção de Jayme Monjardim aposta basicamente em closes e em uma fotografia com baixa profundidade de campo. Assim tamos quase sempre os rostos dos atores falando e o fundo desfocado. No fim Olga acaba parecendo uma telenovela de duas horas e vinte minutos.
Feitiço do Tempo
3.9 766 Assista AgoraUma divertidíssima fábula que junta o idealismo de Frank Capra (especialmente "A Felicidade Não Se Compra") com o cinismo dos anos 90. Merecia o Oscar de melhor montagem e nem sequer foi indicado...
Cavalgada dos Proscritos
3.4 24 Assista AgoraUma bela homenagem de Walter Hill ao cinema de Sam Peckinpah: as cenas de violencia em câmera lenta são muito bem realizadas e o diretor adia em alguns minutos um assalto a banco, o que aumenta a tensão. O design de produção e os figurinos investem em tons terrosos, marrom e cinza, dando um ar triste e pouco acolhedor àquele universo. Um dos melhores faroestes de uma época em que o gênero estava em declínio.
Comando Imbatível
2.9 28 Assista AgoraUm filhote tardio do cinema brucutu que esteve em alta nos anos 80, com alguns detalhes que o tornam minimamente interessante como por exemplo, os SEALS prestando contas da missão aos seus superiores, algo pouco visto em filmes do gênero. Michael Biehn faz o líder da equipe de forma carismática, enquanto Charlie Sheen vive um jovem impulsivo, quase psicótico.
Balto
3.6 159 Assista AgoraUma animação de boa qualidade que teve o azar de ser eclipsado por Toy Story, lançado na mesma época. Fracassou nas bilheterias mas foi um sucesso em VHS. Para os adultos é difícil não notar o roteiro esquemático e previsível. Ao contrário das animações da Disney não há canções o tempo todo mas em contrapartida há uma necessidade de apresentar um personagem engraçadinho a cada minuto.
Ben-Hur
3.2 451 Assista AgoraEssa terceira adaptação de Ben-Hur para o cinema (sem contar o curta de 1907) é um festival de equívocos do inicio ao fim. A ideia de tornar Ben-Hur e Messala irmãos adotivos que se gostam muito torna praticamente impossível acreditar nas atitudes deste na metade do filme. Da mesma forma eliminar o personagem Quintus Arrius (que adota Ben-Hur após a batalha naval) torna o retorno do protagonista inverossímil (ele seria preso assim que entrasse no Circus). Até a presença de Jesus Cristo é feita de forma banal (nas versões anteriores ele não falava e jamais víamos seu rosto mas sua presença era marcante desde o início). Historicamente também há diversos absurdos como mulheres condenadas a crucificação (só homens eram) e Jerusalém situada a beira de um penhasco. E pra completar o desastre o roteiro investe em um melodrama digno de telenovela no desfecho. Uma verdadeira penitência ter que assistir isso.
O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão
3.1 55 Assista AgoraÉ um daqueles filmes que encanta pelo amadorismo da produção, pelo baixo orçamento. Mas, ao mesmo tempo é difícil não reparar nos absurdos, como por exemplo os personagens estarem no Brasil e no segundo seguinte já estarem na "África", ou os figurinos dos "árabes" que parecem reaproveitados de um baile carnavalesco. Ainda assim diverte se abraçarmos o tom mambembe da produção.
Instinto Selvagem
3.6 587 Assista AgoraDepois de fantasias medievais e ficções científicas futuristas Paul Verhoeven voltou aos thrillers carregados de erotismo e ambiguidades neste Instinto Selvagem que traz várias similaridades com em seu excelente "O Quarto Homem" (1983). É um dos grandes neo-noir dos anos 90, engrandecido pela trilha sonora de Jerry Goldsmith e com elenco competente.
Sirāt
3.4 171 Assista AgoraO filme cria um clima de estranhamento logo nos primeiros minutos devido, principalmente a ambientação e ao design de som. Sergi López (não lembrando em absolutamente nada o desprezível capitão Vidal de "O Labirinto do Fauno") e o pequeno Bruno Núñez Arjona servem de ancora emocional do filme, com quem o espectador tem facilidade de se identificar e se ssaem muito bem na tarefa. Pena que o roteiro não invista muito nos demais personagens que acabam se destacando mais por peculiaridades físicas, como o coto no braço de um ou a perna mecânica de outro. Mesmo assim é uma viagem sensorial que vale a pena ser percorrida.
Caçador de Assassinos
3.5 172 Assista AgoraHá vários elementos aqui que Michael Mann reutilizaria em sua obra-prima Fogo Contra Fogo (1995): o policial obcecado em capturar um criminoso e como essa investigação acaba afetando sua vida familiar. O diretor cria uma ambientação triste, pessimista e fria, algo salientado pela fotografia de Dante Spinotti (que curiosamente também trabalhou na versão de 2002) que faz uso frequente da cor azul.
Hardware: O Destruidor do Futuro
3.1 72Como uma tranqueira dessas vira um cult movie é algo que nem Freud ou Einstein conseguiriam explicar. A montagem é arrastada, com cenas longas demais, demora uma eternidade para que algo aconteça. Os personagens são chatos e há uma única cena de gore mais extremo mas não é o suficiente para um filme que tortura o espectador por uma hora e meia. Merece ir pro ferro-velho.
Mutação 2
2.3 21 Assista AgoraMais uma continuação que tenta ser original deturpando o conceito do filme anterior. E o resultado aqui ficou ridículo: uma barata apaixonada por uma humana (seria o equivalente a uma zebra se apaixonar por um leão). Pra piorar a protagonista é tão expressiva quanto uma barata morta e o coitado do Bruno Campos até tenta convencer como policial galã mas fica perdido no meio da ruindade desse filme. Pelo menos a direção de arte acerta ao construir uma Nova York suja e úmida, bem distante do glamour com que a cidade normalmente é vista no cinema.
Curiosidade: foi lançado em 17 de julho de 2001 ou seja, deve ter sido um dos últimos filmes a mostrar as torres gêmeas do WTC antes delas caírem no atentado de 11 de setembro.
A Pessoa é para o que Nasce
4.1 67 Assista AgoraAo nos apresentar a trajetória das três ceguinhas o filme levanta várias questões sobre o prórpio cinema (as três cantoras se perguntam se poderiam ser consideradas "estrelas") e exploração: seja pelos ex-maridos, seja por vizinhos aparentemente bem intencionados. Até mesmo o próprio cinema é questionado como meio de exploração já que em certo momento uma das protagonistas pergunta ao diretor se ele não as estava usando para ganhar dinheiro (e Roberto Berliner teve coragem e bom senso de manter essa cena no filme). Uma obra para se ver de olhos bem abertos.
Madame DuBarry
3.7 9O grande destaque da produção é sem dúvida a direção de arte, que cria diversos cenários grandiosos e detalhistas. As cenas de batalha no terceiro ato também são grandiosas e nada ficam a dever às produções de D. W. Griffith. Porém esse terceiro ato também é o mais problemático já que apresenta uma versão rasa e distorcida (além de anacrônica) da Revolução Francesa.
O Caçador de Crocodilos: Rota de Colisão
2.5 2 Assista AgoraUma salada que mistura documentário, aventura e comédia. Irwin e sua esposa realmente fizeram as cenas onde se atracam com crocodilos e outros animais sem usar bonecos ou efeitos visuais. Consegue divertir se você abraçar a proposta que parece unir Discovery Channel com um filme do Trapalhões.
Gigi
3.3 117 Assista AgoraEm um ano em que Hollywood deu ao mundo maravilhas como A Marca da Maldade, Um Corpo Que Cai e O Homem do Oeste, entre outros, ver um filme como Gigi abocanhar 9 Oscars é uma vergonha alheia. Aliás seria mais apropriado se o filme se chamasse Gaston, já que o foco da narrativa é muito maior no personagem de Louis Jourdan do que na de Leslie Caron. Há alguns bons momentos como quando dois antigos amantes conversam sobre o passado e cada um apresenta lembranças diferentes do ocorrido. Mas na maior parte do tempo o roteiro é esquemático e enfadonho.
Gasparzinho, o Fantasminha Camarada
3.1 545 Assista AgoraUm perfeito exemplo de filme voltado para o público infantil mas que tem subtextos que são melhor assimilados pelos adultos: em uma das melhores cenas Kat pergunta a Gasparzinho se a falecida mãe teria se esquecido dela (assim como Gasparzinho não se lembrava dos pais e de quando era vivo). Aliás a performance de Christina Ricci foge totalmente do estereótipo da adolescente rebelde. Sua insatisfação se dá justamente por não poder ser normal, criar raízes em algum lugar. Outro destaque do elenco é Cathy Moriarty que cria uma vilão ao mesmo tempo implacável e divertida, fazendo o público rir de suas frases de efeito ("Flipper herdou mais dinheiro que eu"). Bill Pullman, por sua vez está bem mais convincente aqui do que em Independence Day. Até os três fantasmas que exploram o personagem-título se revelam mais do que meros antagonistas, se revelando mais interessantes ao longo da narrativa. Diversão para todas as idades.
Re-Animator: Fase Terminal
2.8 67 Assista AgoraOutra daquelas continuações que não deviam ter saído do papel. Jeffrey Combs tira de letra o papel que já tinha vivido duas vezes. Já Jason Barry faz um "herói" aborrecido e estridente, enquanto Simon Andreu encarna o estereótipo do diretor de prisão sádico. Se o terceiro ato do segundo filme já era histriônico, o desta terceira parte descamba para a comédia; e se os dois filmes anteriores levavam o gore ao limite, aqui é quase constrangedor. E por fim Bryan Yuzna parece ter desaprendido a dirigir já que são várias as cenas em que o microfone e os cabos que sustentam bonecos ficam visíveis. Fiasco total.
Demônios De Alcatraz
2.2 20O primo pobre de A Hora do Pesadelo (1984). Sim são muitos pontos em comum com o filme de Wes Craven, inclusive uma cena onde o protagonista adormece e sonha durante uma aula. Vendo esse filme tive a impressão de que várias cenas foram descartadas na montagem, já que alguns personagens são introduzidos de forma súbita, como se já tivessem interagido com os protagonistas. As locações na ilha de Alcatraz são um mero McGuffin cenográfico já que a história poderia se passar em qualquer lugar. Pra completar o protagonista é bem irritante. Melhor se divertir com o querido Freddy Krueger.
A Visão do Terror
3.1 76Uma divertida surpresa oitentista que segue a escola Troma de misturar humor debochado com body horror.
Jogue a Mamãe do Trem
3.2 114 Assista AgoraA década de 1980 foi umas das mais prolíficas do gênero comédia (como atestam as obras de Woody Allen, do trio ZAZ e muitos outros) mas "Jogue a Mamãe do Trem" se revelou pra mim um dos exemplares menos inspirados, uma decepção quase total. A trama de inspiração hitchcockiana é bem previsível e o humor negro acaba dando lugar à pieguice no final. Billy Crystal não está mal, embora eu o prefira no humor mais cerebral e menos físico (como no excelente "Harry & Sally") enquanto a Anne Ramsey (ótima em "Os Goonies") faz o que pode para contornar a unidimensionalidade da personagem. Já Danny De Vitto (que faz um trabalho correto como diretor) está muito bem como o adulto infantilizado, conseguindo ser patético e cativante.