O Agente Secreto, de certa forma, é o "Era Uma Vez em Hollywood" do Kleber Mendonça Filho. Dois filmes um tanto extensos, em que a trama importa, mas é quase um elemento secundário em comparação com o desenvolvimento do ambiente e do micro-universo em que os personagens estão inseridos, que é onde realmente mora o coração do filme, sendo realizado com uma calma gostosa e um olhar claramente apaixonado (nesse sentido, a Recife dos anos 70 está para o Kleber da mesma forma que a Hollywood em sua Era de Ouro está para o Tarantino), até que a tensão lentamente construída toma conta do 3° ato e explode num clímax empolgante. Porém, se a conclusão da última obra do Tarantino é dopamina pura e praticamente uma "recompensa" ao telespectador, o filme do Kleber segue um caminho diferente ao subverter propositalmente o seu clímax em uma "outra coisa" bastante apropriada aos temas que a obra busca abordar.
Uma adaptação completa (não só da primeira parte, como costumam fazer) do clássico de Emily Brontë, mas ambientada no Japão medieval.
O conceito por si só é interessantíssimo, me despertou uma enorme curiosidade e, embora eu tenha gostado de muitas das liberdades criativas tomadas aqui (por exemplo, sexualidade, violência e a selvageria do protagonista se mostram muito mais intensas nessa versão), infelizmente não posso dizer o mesmo da progressão do filme.
A obsessão de Onimaru por Kinu é devidamente trabalhada, mas fora isso, todo e qualquer outro elemento de drama humano é subdesenvolvido de forma gritante (e o que não faltam nesse filme são elementos de drama humano), resultando em passagens de tempo esquisitíssimas, personagens importantes (ao menos na teoria) simplesmente desaparecendo, outros que são de extrema importância para o 3º ato sendo inseridos ali sem qualquer contextualização, o que faz o filme parecer apenas um grande resumo para quem já leu o livro e uma experiência ainda mais limitada para quem não teve contato com a obra, o que é extremamente contraditório pra uma adaptação com tanto espaço para ter identidade própria e liberdade criativa.
Começa como se fosse um filme de romance e termina com um demônio motoserra montado num demônio tubarão lutando contra um demônio bomba dentro de um demônio tufão enquanto tá tocando música eletrônica no fundo. Ou seja, não precisamos de mais nada, mas mesmo assim o filme consegue ser mais do que "só" isso! (e tem muito mais molho do que o filme de Demon Slayer!!)
Para além dessas coisas, tem meu máximo respeito por ter me apresentado A Balada do Soldado (o filme que fez o Denji e a Makima chorarem no cinema).
Um "John Wick for women" (e, pra mim, comparar algo com John Wick não é nada pejorativo) feito pela diretora de A Substância, o que já seria muito legal por si só, mas, para além disso, é um dos takes mais respeitosos possíveis dentro desse subgênero de "mulheres se vingando".
"Esse último filme... Vou lembrar dele até o dia em que eu morrer."
Para a minha surpresa, o único filme bom que assistiram no cinema em "Chainsaw Man: Arco da Reze" existia de verdade e, assim como o Denji, também vou lembrar dele até o dia em que eu morrer.
Um dos efeitos mais legais de Ainda Estou Aqui foi a consequente visibilidade dada pro resto da filmografia da Fernanda Torres, que é simplesmente riquíssima, e mesmo Gêmeas não sendo exatamente um grande destaque dentro dela, não tem como negar que ver a Fernanda interpretando duas irmãs em uma adaptação de um texto do Nelson Rodrigues é uma coisa legal por si só.
Tem um controle de tom exemplar, se esforça pra ter o máximo de sutileza e delicadeza possível com o tema sensível que aborda e, mesmo assim, me deixou fudido de triste.
A primeira parte da trilogia de filmes mantém o combo que fez a série animada se tornar um fenômeno: trama simples, mas suficientemente engajante, e uma qualidade técnica espetacular que enche os olhos e os ouvidos. Dito isso, se a estrutura narrativa um tanto quadrada não incomoda no formato de série, o feito não se repete aqui, porque é bem evidente o quanto os flashbacks (mesmo sendo narrativamente relevantes) prejudicam o ritmo do filme, principalmente no 3° ato.
Noites Brancas, mas não na Rússia do século XIX, e sim na França dos anos 70. E claro, essa mudança de ambiente traz uma ou outra novidade, porém menos do que acredito que uma alteração tão brusca de ambientação exige, visto que o que temos aqui é uma versão mais "direta" ainda do texto original (que já é direto), mas sem muita coragem de tomar liberdades que se encaixem com o contexto apresentado, o que o torna menos convincente, afeiçoável e impactante do que poderia ser.
Dito isso, gostei muito que duas das três melhores cenas do filme tinham músicas brasileiras envolvidas!
Eu poderia dizer que esse é o filme mais fora da "zona de conforto" do Darren Aronofsky, visto que ele está mais habituado a fazer dramas um tanto quanto sádicos com seus protagonistas (A Baleia, Réquiem para um Sonho, Mãe!, Cisne Negro e etc não me deixam mentir), maaaas mesmo ele tendo uma vibe bem diferente dos outros e sendo algo bem a lá Guy Ritchie, o fato dele castigar tanto o Austin Butler aqui me faz questionar se ele realmente fugiu tanto da sua "assinatura" assim...
A experiência de assistir Blow-Up do Antonioni e Blow Out do De Palma em um curta espaço de tempo definitivamente é muito interessante, pois dificilmente dá pra ser mais explícito no quanto se pode extrair abordagens diferentes da mesma história.
Se em Blow Out, a sinopse é apenas um ponto de partida para o desenrolar da trama maior, que é um thriller bem legal, aqui ela ocupa praticamente toda a duração do filme, que se propõe a ser um "paciente" exercício voyeurístico e metalinguístico, visto que o protagonista do filme, que é o foco total dele, segue essa função de observador e, ao mesmo tempo, sentimos que somos intrusos não só "stalkeando" o tal do observador/voyeur, mas também o seu alvo de observação, então meio que estamos sendo colocados num papel mais invasivo do que o dele...? Talvez, eu me senti meio estranho, mas não sei, fica no ar. Dito isso, ainda gostei mais de Blow Out!
Meu terceiro filme do Brian de Palma (antes vi Scarface e Carrie) e ele manda bem demais. Basicamente, aqui ele pega Blow-Up do Antonioni, que é um exercício voyeurístico e metalinguístico bem paciente, e o transforma num thriller dos anos 80 mais ritmado, o que já seria algo muito legal só pelo conceito, mas que é elevado pela execução extremamente caprichosa do De Palma e, claro, pela escolha do final, que é um PUTA final!
Meu terceiro do Cronenberg e, mesmo aqui ele seguindo uma estrutura mais clássica (não à toa essa provavelmente é sua obra mais "mainstream") e eu particularmente preferindo ele sendo mais porr4 louc4, o filme mantém os elogios que fiz anteriormente ao seu estilo. Destaque total para a transformação gradual do protagonista, não só na maquiagem, mas também na atuação do Jeff Goldblum, que tá muito bem aqui.
Meu segundo do Cronenberg e mais uma vez é um filme sem barrigas e com um clima de estranheza intrigante que nos mantém ligados o tempo inteiro. Com isso, concluo que definitivamente gosto do estilo do velho (ao menos nesses filmes dos anos 80-90, ainda não vi nada do anos 2000 pra frente), mas aqui, em especial, destaco o quanto a crítica social foda envelheceu bem, mesmo 4 décadas depois, só não sei dizer se isso é porque ele estava com a caneta e a câmera pegando fogo na época ou se nós que falhamos como sociedade mesmo...
Achei que não ia rolar aqui, mas o Zach Cregger repetiu algumas escolhas meio doidas que ele fez em Barbarian (aka Noites Brutais), confirmando que tais elementos realmente fazem parte da sua identidade como realizador. E, bem, como alguém que não comprou metade do que ele fez no seu filme anterior (mas, ao menos, paguei um pau danado pra primeira parte), não morri de amores pelo o que ele fez aqui, maaas acho que soube dosar melhor suas ideias, integrando-as de forma um pouco mais orgânica à trama, e, gostando ou não de todas as cartas que estavam na mesa, sinto que foi entregue um final satisfatório com o que estava em disposição.
o tanto de gente que vai odiar esse filme por comprar o ingresso esperando uma comédia romântica é putaria, mas desconsiderando o que o marketing vendeu, o resultado é um grande "downgrade" ao comparar com Past Lives (longa-metragem de estreia da diretora), maaas um filme absurdamente ok
Um filme cheio de vida e cores, que não tem vergonha das suas origens, não tem medo de ser politicamente relevante e tem o coração no lugar certo. Não alcança a total excelência porque, apesar de ter coisas que estão perfeitas no papel, o fato de não ser apenas um filme do Superman, mas também o início de um universo que já está "em andamento", o deixa um tanto inchado de elementos e, mesmo isso não prejudicando seu ritmo, acaba deixando algumas dessas tais coisas (que são ótimas nas suas poucas cenas) um tanto subdesenvolvidas. Dito isso, acerta em cheio no que é essencial e atinge seu objetivo mais importante: tornar o Superman um personagem apaixonante, inspirador e nos fazer querer ver mais dele.
um filme claramente dirigido por um fã de David Lynch e que tem os seus melhores momentos nas cenas em que assume um tom mais inspirado no cineasta citado
Mesmo sendo remake de um clássico do cinema coreano, respeito o fato dele não tentar imitar o original e sim pegar a trama-base e a inserir em outro contexto com um outro tom. Porém, para um filme que se propõe a ser inicialmente um thriller erótico (enquanto o original é algo como um "horror social doméstico"), ele acaba sendo bem pouco thriller (o que é uma pena, pois casaria muito bem com os elementos dessa versão) e bem pouco erótico. E se o filme original tinha alguns saltos bruscos de uma situação para outra que minavam um melhor desenvolvimento da trama, aqui também temos uma situação bem semelhante, com a cereja do bolo de ter um final bem "over the top". Dito isso, não deixa de ser uma experiência interessante.
Entendo que Karatê Kid no geral é uma farofa, bem filme de sessão da tarde, maaaas realmente não consigo entender o porquê do filme mais curto da franquia querer ter tantas "subtramas", sendo que não faz absolutamente nada com elas, ao invés de só fazer o básico de forma bem redondinha (coisa que ele estava fazendo de forma competente no 1° ato e em parte do 2°). Até mesmo a presença do Daniel-san soa muito inorgânica e o filme aproveita tão pouco a presença dele que parece mais um cameo estendido do que um personagem de fato (o Karatê Kid original exercendo a função de sensei!!). Enfim, dá pra passar o tempo legal, maaaaas faltou ter mais "coração" e é um downgrade absurdo comparado com Cobra Kai, que acabou tem pouquíssimo tempo e é uma continuação muito superior tanto nas suas homenagens e referências quanto nos seus novos elementos.
Não consegue escapar de alguns vícios comuns à maioria dessas cinebiografias que cobrem décadas da vida de algum artista, maaaaaas a direção, que não se contenta em ser "protocolar" e tem o tempero, sensibilidade e tesão necessários para um filme do Ney, somada com a total entrega do ator Jesuíta Barbosa ao papel, atenua esse problema e eleva bastante a qualidade do time!
Peca muito em querer abraçar o máximo de excessos possíveis, pois não se contenta (ou não se sente seguro) em ser apenas um filme de ação direto e sem firulas: mete uma quantidade esquizofrênica de filtros e efeitos pra parecer jovem e descolado, mete um discurso anticorrupção bem genérico no meio da salada pra parecer mais profundo, mete uma narração e uma não-linearidade buscando deixar a narrativa mais complexa e imprevisível; e, no fim, na maior parte do tempo, todos esses "acessórios" jogam mais contra o filme do que a favor dele (e deixam ele meio cringe).
Apesar disso, o "fator pipoca" e o terceiro ato, onde tudo que foi jogado parece se encaixar melhor, mesmo com seus defeitos, dão uma salvadinha no filme.
basicamente uma "história de origem de um grande vilão", mais especificamente de um aprendiz (aha!) que supera o seu mestre, impulsionada por duas atuações magnéticas e um ótimo senso de estilo
Engraçado como a série do Falcão se tornando o Capitão América é superior, em todos os sentidos possíveis, ao filme dele já atuando como Capitão América. Na real, o filme é mais continuação de um filme de 15 anos atrás que ninguém liga (O Incrível Hulk) do que da própria série do protagonista.
Dito isso, não é bom, porém não chega a ser algo ofensivo ou ruim que dói, maaaaas faz feio por ser uma "suposta sequência" de uma série bem melhor e desperdiçar todas as boas oportunidades que ela deixou (e só fui assistir isso aqui pq gostei dela na época que lançou, 4 anos atrás).
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraO Agente Secreto, de certa forma, é o "Era Uma Vez em Hollywood" do Kleber Mendonça Filho. Dois filmes um tanto extensos, em que a trama importa, mas é quase um elemento secundário em comparação com o desenvolvimento do ambiente e do micro-universo em que os personagens estão inseridos, que é onde realmente mora o coração do filme, sendo realizado com uma calma gostosa e um olhar claramente apaixonado (nesse sentido, a Recife dos anos 70 está para o Kleber da mesma forma que a Hollywood em sua Era de Ouro está para o Tarantino), até que a tensão lentamente construída toma conta do 3° ato e explode num clímax empolgante. Porém, se a conclusão da última obra do Tarantino é dopamina pura e praticamente uma "recompensa" ao telespectador, o filme do Kleber segue um caminho diferente ao subverter propositalmente o seu clímax em uma "outra coisa" bastante apropriada aos temas que a obra busca abordar.
O Morro Dos Ventos Uivantes
3.3 4Uma adaptação completa (não só da primeira parte, como costumam fazer) do clássico de Emily Brontë, mas ambientada no Japão medieval.
O conceito por si só é interessantíssimo, me despertou uma enorme curiosidade e, embora eu tenha gostado de muitas das liberdades criativas tomadas aqui (por exemplo, sexualidade, violência e a selvageria do protagonista se mostram muito mais intensas nessa versão), infelizmente não posso dizer o mesmo da progressão do filme.
A obsessão de Onimaru por Kinu é devidamente trabalhada, mas fora isso, todo e qualquer outro elemento de drama humano é subdesenvolvido de forma gritante (e o que não faltam nesse filme são elementos de drama humano), resultando em passagens de tempo esquisitíssimas, personagens importantes (ao menos na teoria) simplesmente desaparecendo, outros que são de extrema importância para o 3º ato sendo inseridos ali sem qualquer contextualização, o que faz o filme parecer apenas um grande resumo para quem já leu o livro e uma experiência ainda mais limitada para quem não teve contato com a obra, o que é extremamente contraditório pra uma adaptação com tanto espaço para ter identidade própria e liberdade criativa.
Chainsaw Man - O Filme: Arco da Reze
4.1 65 Assista AgoraComeça como se fosse um filme de romance e termina com um demônio motoserra montado num demônio tubarão lutando contra um demônio bomba dentro de um demônio tufão enquanto tá tocando música eletrônica no fundo. Ou seja, não precisamos de mais nada, mas mesmo assim o filme consegue ser mais do que "só" isso! (e tem muito mais molho do que o filme de Demon Slayer!!)
Para além dessas coisas, tem meu máximo respeito por ter me apresentado A Balada do Soldado (o filme que fez o Denji e a Makima chorarem no cinema).
Vingança
3.2 669 Assista AgoraUm "John Wick for women" (e, pra mim, comparar algo com John Wick não é nada pejorativo) feito pela diretora de A Substância, o que já seria muito legal por si só, mas, para além disso, é um dos takes mais respeitosos possíveis dentro desse subgênero de "mulheres se vingando".
A Balada do Soldado
4.3 53"Esse último filme... Vou lembrar dele até o dia em que eu morrer."
Para a minha surpresa, o único filme bom que assistiram no cinema em "Chainsaw Man: Arco da Reze" existia de verdade e, assim como o Denji, também vou lembrar dele até o dia em que eu morrer.
Gêmeas
3.3 67 Assista AgoraUm dos efeitos mais legais de Ainda Estou Aqui foi a consequente visibilidade dada pro resto da filmografia da Fernanda Torres, que é simplesmente riquíssima, e mesmo Gêmeas não sendo exatamente um grande destaque dentro dela, não tem como negar que ver a Fernanda interpretando duas irmãs em uma adaptação de um texto do Nelson Rodrigues é uma coisa legal por si só.
Sorry, Baby
3.7 49 Assista AgoraTem um controle de tom exemplar, se esforça pra ter o máximo de sutileza e delicadeza possível com o tema sensível que aborda e, mesmo assim, me deixou fudido de triste.
Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito
4.2 108A primeira parte da trilogia de filmes mantém o combo que fez a série animada se tornar um fenômeno: trama simples, mas suficientemente engajante, e uma qualidade técnica espetacular que enche os olhos e os ouvidos. Dito isso, se a estrutura narrativa um tanto quadrada não incomoda no formato de série, o feito não se repete aqui, porque é bem evidente o quanto os flashbacks (mesmo sendo narrativamente relevantes) prejudicam o ritmo do filme, principalmente no 3° ato.
Quatro Noites de um Sonhador
3.7 27Noites Brancas, mas não na Rússia do século XIX, e sim na França dos anos 70. E claro, essa mudança de ambiente traz uma ou outra novidade, porém menos do que acredito que uma alteração tão brusca de ambientação exige, visto que o que temos aqui é uma versão mais "direta" ainda do texto original (que já é direto), mas sem muita coragem de tomar liberdades que se encaixem com o contexto apresentado, o que o torna menos convincente, afeiçoável e impactante do que poderia ser.
Dito isso, gostei muito que duas das três melhores cenas do filme tinham músicas brasileiras envolvidas!
Ladrões
3.4 209 Assista AgoraEu poderia dizer que esse é o filme mais fora da "zona de conforto" do Darren Aronofsky, visto que ele está mais habituado a fazer dramas um tanto quanto sádicos com seus protagonistas (A Baleia, Réquiem para um Sonho, Mãe!, Cisne Negro e etc não me deixam mentir), maaaas mesmo ele tendo uma vibe bem diferente dos outros e sendo algo bem a lá Guy Ritchie, o fato dele castigar tanto o Austin Butler aqui me faz questionar se ele realmente fugiu tanto da sua "assinatura" assim...
Blow-Up: Depois Daquele Beijo
3.9 379 Assista AgoraA experiência de assistir Blow-Up do Antonioni e Blow Out do De Palma em um curta espaço de tempo definitivamente é muito interessante, pois dificilmente dá pra ser mais explícito no quanto se pode extrair abordagens diferentes da mesma história.
Se em Blow Out, a sinopse é apenas um ponto de partida para o desenrolar da trama maior, que é um thriller bem legal, aqui ela ocupa praticamente toda a duração do filme, que se propõe a ser um "paciente" exercício voyeurístico e metalinguístico, visto que o protagonista do filme, que é o foco total dele, segue essa função de observador e, ao mesmo tempo, sentimos que somos intrusos não só "stalkeando" o tal do observador/voyeur, mas também o seu alvo de observação, então meio que estamos sendo colocados num papel mais invasivo do que o dele...? Talvez, eu me senti meio estranho, mas não sei, fica no ar. Dito isso, ainda gostei mais de Blow Out!
Um Tiro na Noite
3.9 269 Assista AgoraMeu terceiro filme do Brian de Palma (antes vi Scarface e Carrie) e ele manda bem demais. Basicamente, aqui ele pega Blow-Up do Antonioni, que é um exercício voyeurístico e metalinguístico bem paciente, e o transforma num thriller dos anos 80 mais ritmado, o que já seria algo muito legal só pelo conceito, mas que é elevado pela execução extremamente caprichosa do De Palma e, claro, pela escolha do final, que é um PUTA final!
A Mosca
3.7 1,1KMeu terceiro do Cronenberg e, mesmo aqui ele seguindo uma estrutura mais clássica (não à toa essa provavelmente é sua obra mais "mainstream") e eu particularmente preferindo ele sendo mais porr4 louc4, o filme mantém os elogios que fiz anteriormente ao seu estilo. Destaque total para a transformação gradual do protagonista, não só na maquiagem, mas também na atuação do Jeff Goldblum, que tá muito bem aqui.
Videodrome: A Síndrome do Vídeo
3.7 574 Assista AgoraMeu segundo do Cronenberg e mais uma vez é um filme sem barrigas e com um clima de estranheza intrigante que nos mantém ligados o tempo inteiro. Com isso, concluo que definitivamente gosto do estilo do velho (ao menos nesses filmes dos anos 80-90, ainda não vi nada do anos 2000 pra frente), mas aqui, em especial, destaco o quanto a crítica social foda envelheceu bem, mesmo 4 décadas depois, só não sei dizer se isso é porque ele estava com a caneta e a câmera pegando fogo na época ou se nós que falhamos como sociedade mesmo...
A Hora do Mal
3.7 1,0K Assista AgoraAchei que não ia rolar aqui, mas o Zach Cregger repetiu algumas escolhas meio doidas que ele fez em Barbarian (aka Noites Brutais), confirmando que tais elementos realmente fazem parte da sua identidade como realizador. E, bem, como alguém que não comprou metade do que ele fez no seu filme anterior (mas, ao menos, paguei um pau danado pra primeira parte), não morri de amores pelo o que ele fez aqui, maaas acho que soube dosar melhor suas ideias, integrando-as de forma um pouco mais orgânica à trama, e, gostando ou não de todas as cartas que estavam na mesa, sinto que foi entregue um final satisfatório com o que estava em disposição.
Amores Materialistas
3.1 389 Assista Agorao tanto de gente que vai odiar esse filme por comprar o ingresso esperando uma comédia romântica é putaria, mas desconsiderando o que o marketing vendeu, o resultado é um grande "downgrade" ao comparar com Past Lives (longa-metragem de estreia da diretora), maaas um filme absurdamente ok
Superman
3.6 918 Assista AgoraUm filme cheio de vida e cores, que não tem vergonha das suas origens, não tem medo de ser politicamente relevante e tem o coração no lugar certo. Não alcança a total excelência porque, apesar de ter coisas que estão perfeitas no papel, o fato de não ser apenas um filme do Superman, mas também o início de um universo que já está "em andamento", o deixa um tanto inchado de elementos e, mesmo isso não prejudicando seu ritmo, acaba deixando algumas dessas tais coisas (que são ótimas nas suas poucas cenas) um tanto subdesenvolvidas. Dito isso, acerta em cheio no que é essencial e atinge seu objetivo mais importante: tornar o Superman um personagem apaixonante, inspirador e nos fazer querer ver mais dele.
Estranho Caminho
3.5 18 Assista Agoraum filme claramente dirigido por um fã de David Lynch e que tem os seus melhores momentos nas cenas em que assume um tom mais inspirado no cineasta citado
A Empregada
3.1 212 Assista AgoraMesmo sendo remake de um clássico do cinema coreano, respeito o fato dele não tentar imitar o original e sim pegar a trama-base e a inserir em outro contexto com um outro tom. Porém, para um filme que se propõe a ser inicialmente um thriller erótico (enquanto o original é algo como um "horror social doméstico"), ele acaba sendo bem pouco thriller (o que é uma pena, pois casaria muito bem com os elementos dessa versão) e bem pouco erótico. E se o filme original tinha alguns saltos bruscos de uma situação para outra que minavam um melhor desenvolvimento da trama, aqui também temos uma situação bem semelhante, com a cereja do bolo de ter um final bem "over the top". Dito isso, não deixa de ser uma experiência interessante.
Karatê Kid: Lendas
3.1 197 Assista AgoraEntendo que Karatê Kid no geral é uma farofa, bem filme de sessão da tarde, maaaas realmente não consigo entender o porquê do filme mais curto da franquia querer ter tantas "subtramas", sendo que não faz absolutamente nada com elas, ao invés de só fazer o básico de forma bem redondinha (coisa que ele estava fazendo de forma competente no 1° ato e em parte do 2°). Até mesmo a presença do Daniel-san soa muito inorgânica e o filme aproveita tão pouco a presença dele que parece mais um cameo estendido do que um personagem de fato (o Karatê Kid original exercendo a função de sensei!!). Enfim, dá pra passar o tempo legal, maaaaas faltou ter mais "coração" e é um downgrade absurdo comparado com Cobra Kai, que acabou tem pouquíssimo tempo e é uma continuação muito superior tanto nas suas homenagens e referências quanto nos seus novos elementos.
Homem com H
4.2 520 Assista AgoraNão consegue escapar de alguns vícios comuns à maioria dessas cinebiografias que cobrem décadas da vida de algum artista, maaaaaas a direção, que não se contenta em ser "protocolar" e tem o tempero, sensibilidade e tesão necessários para um filme do Ney, somada com a total entrega do ator Jesuíta Barbosa ao papel, atenua esse problema e eleva bastante a qualidade do time!
2 Coelhos
4.0 2,7K Assista AgoraPeca muito em querer abraçar o máximo de excessos possíveis, pois não se contenta (ou não se sente seguro) em ser apenas um filme de ação direto e sem firulas: mete uma quantidade esquizofrênica de filtros e efeitos pra parecer jovem e descolado, mete um discurso anticorrupção bem genérico no meio da salada pra parecer mais profundo, mete uma narração e uma não-linearidade buscando deixar a narrativa mais complexa e imprevisível; e, no fim, na maior parte do tempo, todos esses "acessórios" jogam mais contra o filme do que a favor dele (e deixam ele meio cringe).
Apesar disso, o "fator pipoca" e o terceiro ato, onde tudo que foi jogado parece se encaixar melhor, mesmo com seus defeitos, dão uma salvadinha no filme.
O Aprendiz
3.5 202 Assista Agorabasicamente uma "história de origem de um grande vilão", mais especificamente de um aprendiz (aha!) que supera o seu mestre, impulsionada por duas atuações magnéticas e um ótimo senso de estilo
Capitão América: Admirável Mundo Novo
2.7 379Engraçado como a série do Falcão se tornando o Capitão América é superior, em todos os sentidos possíveis, ao filme dele já atuando como Capitão América. Na real, o filme é mais continuação de um filme de 15 anos atrás que ninguém liga (O Incrível Hulk) do que da própria série do protagonista.
Dito isso, não é bom, porém não chega a ser algo ofensivo ou ruim que dói, maaaaas faz feio por ser uma "suposta sequência" de uma série bem melhor e desperdiçar todas as boas oportunidades que ela deixou (e só fui assistir isso aqui pq gostei dela na época que lançou, 4 anos atrás).