"durante todos esses anos, eu persisti, sobrevivi, lutei. mas, no fim, só existe uma saída para garotas como eu: se render e torcer pelo melhor."
esse começou tendo tudo o que eu não gostaria em um filme: a Sidney Sweeney (motivos óbvios), um esposa retratada como louca sem motivo algum e um marido como um querido bonzinho à prova de quaisquer acontecimentos, o conto de fadas moderno e perfeito. ledo engano.
as coisas se desenrolam tão lentamente mas de um suspense que escala tão bem que me surpreendeu e me fez abrir a mente para a possibilidade do filme ser mesmo interesante.
quem diria que a esposa "louca" também fora vítima, que o marido é um "filhinho da mamãe" narcisista (Freud explica) e que a própria esposa é sagaz e inteligente o suficiente para arquitetar um plano arriscado para libertar a si e sua filha.
me encantou como mostram que em relações abusivas os sinais estão sempre por ali, mas de formas tão sutis que as vítimas já tão emocionalmente envolvidas só enxergam quando extrapolam todos os limites. e como o abusador sempre sabe exatamente o que está fazendo, até em seus atos mais despretensiosos.
como o ciclo do abuso e a percepção social de que um homem é um santo não só desencorajam as denunciar como as proíbem e até cancelam. a narrativa é sempre favorável ao abusador, e ela costuma guiar a todos. menos a quem sabe exatamente o que passou e ainda pode passar.
não vou mentir: mesmo com receio da esposa não ajudar a empregada no final, ela não estaria errada se não o fizesse – mas ainda bem que o fez. o amadurecimento da empregada ao longo do filme, reconhecendo quem é o verdadeiro inimigo, honra isso.
não foi um pacto de amizade, tampouco um passar de pano para as atitudes uma da outra. foi uma sororidade meio torta entre esposa, empregada e até policial pois todas sabem que merecem uma segunda chance e um recomeço sem um homem merda como aquele. de um jeito trágico sim, mas trágico para quem?
"o mundo nunca será um lugar melhor se ninguém for corajoso o suficiente para fazer a coisa certa."
replicar um sucesso (ou dar continuidade a ele) não é fácil. no primeiro não tínhamos uma expectativa sobre o filme e, após ser Oscarizado (!), no segundo o buraco já foi bem mais embaixo.
o ponto alto do filme (assim como o 1) continua sendo a coexistência de diferentes tipos de pessoas (ou bichos, nesse caso) e a construção de amizades verdadeiras.
por um lado, algo novo (e positivo) que esse trouxe foi mostrar como a narrativa tem o poder de incluir ou excluir pessoas, e como a classe dominante a constroi e perpetua através de exploração, apagamento e deturpação da história dos desfavorecidos, enquanto muitas vezes sequer percebemos isso.
por outro lado: conflitos familiares, a necessidade de pertencimento, o bem contra o mal, o plot twist de nem todo "vilão" ser de fato ruim assim como nem todo "mocinho" ser realmente bom, não podermos confiar 100% em qualquer um só por projetarmos no outro a bondade que existr em nós mesmos. são todos temas muito bons trazidos pela sequência mas, infelizmente, pouco aproveitados como poderiam.
tive a mesma sensação de quando vi Moana 2 (que por acaso também vi com a mesma prima fã de animações) que por acaso eu sou apaixonada pelo filme 1: faltava algo. uma magia, algo novo, não só uma sequência mediana para dizer que a história continua mas sem a mesma qualidade do anterior.
mas também como foi com Moana 2, sinto que se não gostei tanto do filme é por não ser o público-alvo dele. e tudo bem, tem vários outros filmes (inclusive de animação) para gostar também. valeu pelo momento compartilhado em família.
off: a cena referenciando o labirinto de O Iluminado no mesmo final de semana em que o filme estava em cartaz devido aos 25 anos de sua estreia (e que vi também na telona no dia anterior) simplesmente absolute CINEMA.
de cara o filme me surpreendeu pois jurava que os cavaleiros tinham voltado a trabalhar juntos o que não faria muito sentido pois ENFIM. após os jovens explicarem todo o truque das projeções fiquei "ahhh", tanto por ter minha dúvida resolvida, quanto por "poxa, é só isso?".
inclusive o filme se apoia muito nesses mesmos efeitos visuais, o que apaga muito do encanto sobre a estratégia dos golpes aplicados pelo grupo. nos filmes anteriores também usavam esses, claro, mae não tão escancarado. aí já me perdeu um bocado.
por outro lado, a cada aparição de um dos cavaleiros (até o retorno da antiga parceira do Atlas que tinha saído da franquia!) ficava igual aquele meme do DiCaprio apontando pra TV entendendo a referência. a doida da Lola e o Jack são muito os maiorais e combinam demais.
o filme se apoia muito na nostalgia e carisma dos personagens antigos, e o novo enredo é fraquíssimo (apesar de ter outros atores maravilhosos), tão fraco que o plot twist não teve todo o impacto que poderia ter. os jovens também são bem meh, e o que se parece com o Atlas é um porre ainda pior. se não fosse tão presa aos efeitos visuais e utilizasse alguns truques bem elaborados teria me encantado mais.
mas o que mais me indignou foi o pai do Dylan não aparecer no filme, pois nos anteriores o tempo INTEIRO insinuaram que ele poderia sim estar vivo, mostrando como nunca encontraram o corpo dele mesmo trancado num cofre e martelando essa mesma ideia repetidas vezes.
para mim, o 3º ato foi um balde de água fria, mas as expectativas eram todas minhas. quem sabe goste um pouco mais revendo outras vezes.
"num mundo de vigilância total, a única liberdade verdadeira está em não ser visto."
a primeira vez que vi esse não curti muito. deve ter sido o momento, pois sempre revia somente o filme 1 e dessa vez com este a experiência foi diferente.
o ego do Atlas (que sobrenome apropriado!) ameaçando trair toda a equipe e seu líder. uma nova integrante tão autêntica e elétrica quanto a empolgação juvenil e amadora do Jack Wilder. os problemas familiares de um recém descoberto pela equipe gêmeo do Merritt. tudo aparentemente saindo do controle do
quando mostram que Os Cavaleiros sempre foram vigiados pel'O olho, não de um jeito ruim mas para sua própria segurança quando necessário, e até na belíssima cena final da escadaria em formato de olho impossível não pensar no olho mágico que nos permite ver sem nos expor e, principalmente no olho que tudo vê, símbolo de proteção que reafirma o tempo inteiro que não estão sozinhos.
por um lado, a vigilância como algo desejavel; por outro, o sensível tópico da auto exposição e vigilância desenfreada como invasiva e destruidora da privacidade individual. o bem versus o mal. uma linha tênue difícil de ser traçada mas que, de alguma forma, o filme faz direitinho.
aqui o senso de justiça dos cavaleiros só cresce para além das vinganças pessoais do Dylan para abarcar também aquelas sofridas por pessoas que nada têm a ver com ele ou com o passado de seu pai. e ele também ultrapassa os limites do próprio ego para proteger seus cavaleiros. um gesto nobre que, assim como a sua companheira de FBI ao deixá-lo partir, mostra que os conceitos de certo ou errado não são preto no branco, há sempre nuances.
por fim, não duvidaria se o Lionel Shrike voltasse no filme 3, na real eu até espero isso. um grande mágico que aparentemente "morreu" num truque onde jamais encontraram seu corpo? fala sério. se até o Thaddeus escondeu por tanto tempo que era amigo do pai do Dylan, imagina se o GRANDE Lionel Shrike não conseguiria esconder isso como seu último grande truque.
indo ver o terceiro ato com a mesma sensação com a qual vi o primeiro pela primeira vez: com o enorme desejo de ser surpreendida.
"quanto mais você pensa que vê, mais fácil vai ser te enganar."
tenho uma teoria de que mágica e ilusionismo fazem tanto sucesso porque as pessoas pensam desejar saberem tudo e terem tudo sob controle mas o que realmente anseiam lá no fundo é por serem surpreendidas. o desejo infantil (não como algo ruim) de encontrarem algo tão incrível e que desafia tanto a lógica que a única alternativa é se entregar. e é exatamente isso o que o filme entrega.
rever esse (um dos meus favoritos) é como quando passava o Mister M na TV fazendo um truque mais foda que o outro para então revelar o segredo. seguro de que isso não diminuia o encanto do público, pois sabíamos que depois viriam outros ainda melhores. ou aquele programa Truques da Mente onde sabíamos que seríamos enganados de algum modo mas era um desafio a ser superado, um novo aprendizado.
o filme integrar o incrível gênero pessoas passando a perna em pessoas que mereceram muito serem passadas pra trás com um quê de justiça social à la Robin Hood só aumenta o meu fascínio por ele. e fazer quatro mágicos tão diferentes trabalharem com sinergia em prol de algo maior talvez seja mesmo um de seus maiores méritos.
quatro adultos que desejam acreditar que talvez exista um sentido secreto nas coisas e que a vida vai muito além do que se vê — e assim o confirmam. não é esse o objetivo de toda e qualquer religião?
no fim, muito se resume à "primeira regra da mágica: seja o cara mais esperto da sala", mas não tente provar que é: apenas seja. solte o controle e veja um mundo de acontecimentos inexplicáveis e interessantes se mostrarem a você.
"aqui a gente faz mambembe, jeitinho brasileiro. e pra te proteger do Brasil."
serviu decolonialidade, lenda urbana*, horror latinoamericano, paternidade, mistério, amor ao cinema, ao carnaval e ao nordeste. também vai pegar forte em quem é da academia (sim, a universidade, quem faz pesquisa e lida com essa burocracia toda).
fascinada com as cores do filme, não um filtro todo amarelado "latino" como o da Netflix mas a cor ambiente mesmo, rústica, reconhecível, reconfortante. na cena do carnaval que o Wagner Moura sai dançando na rua apinhada de gente, só lembrei de quando a equipe do filme levou o frevo pro tapete vermelho de Cannes. mais Brasil impossível.
gosto como o KMF faz a produção mais Hollywoodiana possível numa cena satirizando a própria Hollywood mostrando que PODERIA fazer algo nesse estilo só não quer. porque não precisa.
destaque para as mulheres do filme: Tânia Maria um humor absurdo, Maria Fernanda Cândido uma elegância incrível, Alice Carvalho com nem 5 min de tela ENGOLE o filme. surreal.
sobre a violência: é pontual mas muito visual, gore mesmo. é grande, INTENSA, nível se fosse Tarantino citariam como referência. mas aqui eu ri porque até nessas cenas é tudo muito inesperado, tem humor. e como é tudo muito identificável na nossa realidade ainda vem a sensação de "é nosso".
mas de TODAS as cenas do filme me pegou muito que (1) em Bacurau quando perguntam a Domingas se ela acha que o ass*ssino lá já foi uma boa pessoa e ela responde que ele já teve mãe e (2) neste filme quando o ass*ssino também morre e o barbeiro acende velas ao redor dele e cobre seus restos explícitos com um jornal.
o Kleber Mendonça Filho mostrando que talvez mesmo as piores pessoas mereçam alguma dignidade na morte e é isso o que nos diferencia de quem nos desumaniza. de uma beleza e delicadeza imensas.
off: a história da perna cabeluda eu PAGARIA pra ouvir um vortex podcast com a Kat e o Pepe comentando dessa cena do filme juro.
"o amor é uma coisa irresistível, é como uma droga, entende? eu acho que quando rola você fica... você não tem como se controlar."
engraçado como TUDO nesse filme é exagerado. sempre do nada uma arma DESTE tamanho pra uma coisinha minúscula juro. mas como é intencional torna tudo mais divertido.
como um filme do início dos anos 2000 é esperado que tenha várias problemáticas. a desse é a heterossexualidade compulsória.
de um lado, meu deus que HORROR o ex da Amy sendo aqueles caras que se consideram irresistíveis e quando pagam uma coisa baratíssima e não conseguem "algo a mais" com ela pedem para a menina devolver o dinheiro no pix, patético. sem falar no quão problemática é a fetichização da sexualidade da Amy. nojento.
do outro lado, as "amigas" dela julgando a todo momento ignorando que a Amy finalmente está apaixonada de verdade por alguém simplesmente por ser outra mulher (a Lucy ser inimiga delas é só a cereja do bolo).
o mundo surtando com um amor entre mulheres e elas sumidas tirando FÉRIAS do jeitinho que deve ser! mesmo com suas dúvidas sobre como sua vida seria afetada por tudo aquilo, a Amy (já 100% Britney Spears - Mama I'm In Love With A Criminal) se joga de cabeça. afinal, se não temos coragem de viver um grande amor teremos coragem de que?
adoro como enquanto todas as outras D.E.B.S. estavam julgando e se distanciando da Amy, a Janet (considerada toda bobinha) foi a única que a apoiou e ainda se apaixonou pelo Scud. muito querida mesmo. ainda sobre amizade, adoro como o Scud nunca julgou a Lucy, desde a sexualidade dela até mesmo quando decidiu largar a vida do crime para reconquistar seu amor.
aliás, a Lucy insistindo tentando reconquistar a Amy e a Amy achando tudo FOFO é a prova de que isso só irrita quando é quem a gente não quer. RINDO.
um ponto importante: Bobby odeia que a Amy tenha personalidade, enquanto a Lucy adora isso. Lucy gosta da Amy por ela ser aquilo que é, e não pela "imagem" que ela representa para ela. é algo verdadeiro, real.
como dito pelo chefe das D.E.B.S., "amor requer confiança, e confiança honestidade", e ser uma exímia mentirosa não a incapacitou de ser real com Lucy, a ponto de compartilhar seus sonhos mais profundos e ser mais do que compreendida, mas incentivada.
o pensamento que fica é que realmente não devemos nos contentar com pouco no amor e, mesmo que ele seja "mais difícil que o crime", vale a pena esperar por aquele sentimento arrebatador e inesquecível. porque, por mais improvável que pareça, uma hora a gente esbarra nele por aí.
"troque os corações enganados para que seus destinos não sejam alterados."
primeiro que serem QUATRO pessoas trocando de corpo ficou meio confuso pra mim durante boa parte do filme, ficava o tempo inteiro tentando lembrar quem era quem. o problema já começa dai.
para mim, aqui aconteceu o mesmo problema do Meninas Malvadas da Reneé Rapp. tentaram MUITO dialogar com a geração mais nova e esqueceram que muito desses filmes se apoiam quase 100% na nostalgia para ter algum sucesso. por esse motivo, algumas coisas ficam bem ruins e até "cringe", como diriam os jovens.
passada a crítica negativa, do meio pro final fica mais divertido.
a parte nostálgica é legal. fiquei TÃO feliz quando apareceu a antiga banda da Anna e a música Take Me Away.
curti como a AVÓ Tess virou quase a rebelde do primeiro filme, enquanto a Anna ficou mais "careta" talvez devido ao peso de ser mãe solo. a troca de personalidade igual aquela do Heráclito, "ninguém pisa duas vezes no mesmo rio". após viverem na perspectiva uma da outra a relação delas melhorou (e pelo jeito se manteve assim) e elas jamais voltaram a ser as mesmas.
bonito como finalmente a Anna (Lindsay) finalmente esteve ali no palco como sempre mereceu, pois no primeiro não era ela, mas sua mãe em seu corpo.
uma metáfora poderosa para como mães também são pessoas com seus próprios sonhos (algo que me lembra muito "Tudo em todo lugar ao mesmo tempo", principalmente quando a protagonista fala que de todos os lugares e dimensões possíveis ela ainda escolheria estar com a filha, igual a Anna com a Harper.
no geral, Jamie Lee Curtis sustenta o carisma do filme. sério. ela não só rouba a cena como não tem UMA cena ruim dela. as outras também são legais (Lindsay principalmente, as adolescentes ficam meio apagadas), mas a Jamie é o maior trunfo deste.
interessante como o filme fala sobre famílias não convencionais (apesar de, no final, formarem uma família convencional) e mostra como mesmo lidando com o luto por alguém importante, sempre podemos encontrar outros lugares que sejam fonte de pertencimento e acolhimento.
off: a namorada do Jake sendo IGUAL a Tess no primeiro filme me quebrou demais KKKKKKKK
off 2: um CRIME na versão dublada não ter legenda nas músicas. sei inglês e entendi mas e quem não sabe? perde muito do impacto emocional na música que a Anna fez pra Harper.
off 3: os créditos criativos com os erros de gravação foram muito bons queremos MAIS filmes com créditos assim!
"a sorte é como o Tour de France, esperamos tanto e passa tão rápido. quando chega a hora, precisa saltar sem hesitar."
um filme sobre os pequenos prazeres e, tal como Amélie, "reparar nos pequenos detalhes que ninguém nunca vê". cores, sons e texturas reforçam isso o tempo inteiro. adoro como desde o início o narrador detalha todos os personagens não com características superficiais comuns mas gostos extremamente íntimos, com aquilo que os torna únicos, especiais.
Amélie uma das maiores representantes dos INFPs.
alguém apaixonada por transformar o banal em extraordinário. o melhor exemplo é a cena dela guiando o rapaz com deficiência visual citando tudo que está acontecendo (e que outros que o guiassem com certeza não diriam), passando como um encanto rápido e num flash ela finaliza sua ajuda e some, deixando-o encantado com a possibilidade de "ver" a mágica no cotidiano com os outros sentidos que não a visão.
mas, e quem cuida dela?
engraçado como mesmo assistindo esse várias vezes, só agora notei como o corte de cabelo da Amélie igual a vida toda mostra o quanto ela ainda é aquela criança que sonhava com receber um pouco de afeto e compreensão dos pais.
também é a primeira vez que percebo como a Amélie é a Matilda mais sensível, o mesmo desencaixe na família e necessidades emocionais similares, até a vingança que a Matilda faz com o pai</a> a Amélie faz com o vizinho podre. a justiceira Amélie, defensora dos injustiçados. até a dublagem do narrador é IGUAL a do filme Matilda, juro. absolute cinema.
Amélie idealiza situações (tanto para o bem quanto para o mal) a tal ponto que a realidade quase nunca corresponde à excitação do planejamento na própria mente. meio catastrófica até.
quando ela adia o encontro com o Nino só me veio a Clarice Lispector em "Felicidade Clandestina", adiando a felicidade para ter a surpresa de senti-la no momento "ideal", quando a única coisa que existe é o aqui e agora.
ainda assim, mesmo se perdendo no mundinho da própria mente (como ao criar mil explicações fantasiosas para o atraso do Nino e ele aparecendo logo em seguida) a vida a lembra de que nem todo pensamento terrível vai se concretizar. um alívio.
inclusive, sobre o casal é curioso como a infância de ambos foi diferente em alguns pontos mas essencialmente igual. a menina dos pequenos prazeres que sempre se sentiu sozinha e o garoto do hobbie estranho que também se sente sozinho.
um lembrete de como não importa quão estranhos nos consideramos, sempre haverá quem nos entenda com o coração, sem precisar de muita explicação ou esforços sobrehumanos. alguém com quem ser nós mesmos não é uma fraqueza, mas nossa maior força e fonte de encanto.
e também sobre aceitar que só conseguiremos encontrar isso se nos lembrarmos que não temos ossos de vidro e podemos aguentar os baques da vida. afinal, nos mostrar exatamente como somos com todas as nossas vulnerabilidades requer confiança e coragem.
na vida, assim como Amélie, encontramos o que mais desejamos quando não estamos buscando. os imprevistos só confirmam como cada coisa acontece no momento que deve acontecer, não antes, não depois. o que é nosso sempre nos encontra.
off: eu amo quando os créditos do filme são criativos como esse.
finalmente consegui rever este e continua tão desconfortável e DIVERTIDO quanto da primeira vez. não deu 6 min de filme já tava me escangalhando de rir.
o que eu mais gosto em Shiva Baby é ele demonstrar TÃO bem como é conviver com a pressão de ter a vida toda resolvida sendo uma mulher aos 20 e tantos anos, o ritmo do filme reforçando isso o tempo todo. além da hipocrisia em quem aparenta ter a vida perfeita mas na real tá muito longe disso.
são experiências aparentemente tão particulares e outras tão universais. a relação da Danielle com a mãe é um exemplo dessas que, se a gente não vivenciou, com certeza conhece alguém que sim.
por mais que a protagonista se considere alguém tão diferente e "melhor" que todos ali, ela tenta impressionar a mãe. jamais corresponderia aos pedidos de mentir sobre seu presente e futuro para os conhecidos se não se importasse com os efeitos de sua imagem pessoal para a mãe.
Danielle deseja atender a um ideal de filha que teve sucesso na vida para que sua mãe também seja considerada uma mãe que teve sucesso, mesmo que isso signifique se apagar no processo.
não há um instante de tranquilidade aqui.
é pressão da família sobre relacionamentos, carreira, e como quando a Danielle enfim explode é considerada exagerada. e ela sabe lidar tão pouco com tudo isso que ao ter algo bom de verdade nas mãos estraga.
eu AMO o que a Maya representa aqui. não é o foco do filme, e o que me pega entre elas ultrapassa o ex romance.
a Maya no único momento que julgou Danielle por suas escolhas foi muito mais num lugar de tristeza e preocupação do que falso moralismo, algo que inclusive ela corrigiu logo em seguida.
o cuidado e o carinho são palpáveis. como se mesmo fazendo besteiras ainda houvesse esperança para Danielle. esperança que nem ela vê em si mesma mas a Maya sim. não porque a Maya irá salvá-la, mas porque a própria Danielle pode fazer isso.
me faz acreditar que, mesmo quando nos sentimos um fracasso na vida e tudo parece perdido, sempre há uma saída. não algo extraordinário que vai mudar tudo do nada, mas que ter com quem contar e nos lembrar no nosso potencial e de quem somos já é o suficiente.
off: o diálogo delas antes do beijo sempre me pega MUITO. como pode um trecho de uns 2 minutos (no máximo) demostrar tão bem como é boa parte das relações humanas hoje. incrível.
consigo perceber o que deve ter me impactado ao assistir esse quando criança e também vejo o que me impacta nele agora adulta. são coisas bem diferentes, porém complementares.
quando criança teve todo esse mundo mágico de uma casa com vida própria e até assustador dessa "tensão" no ar muito característica de qualquer filme mais estilo suspense infantil (ou meio A noiva cadáver). uma atmosfera de sentir que algo vai acontecer, a gente só não sabe o que.
o primeiro é a amizade do DJ e Bocão. como eles se atacam de graça, brigam pela Jenny e morrem de medo da casa, mas fazem tudo um pelo outro, inclusive se põem em risco para destruir a casa. a cena do DJ sabendo que teve um contato maior com a menina e não tirando o momento de felicidade do Bocão por ela ter apertado a mão dele é muito precioso.
as descobertas sutis da puberdade, como o primeiro interesse diferente por uma amiga e eles sem nem entender o por quê querem impressioná-la mas, ainda assim, se esforçando.
a vontade do DJ em ser adulto muito antes do tempo, expondo provas de maturidades que só por existirem atestam que ele não é aquilo que julga ser. que criança nunca quis ser adulto logo para fazer tudo o que quisesse, e que adulto nunca quis voltar a ser criança para fugir do peso das suas responsabilidades?
o amor entre o seu Epaminondas e Constance, como coisas boas no início podem se tornar terríveis com o tempo mas que os sinais sempre estão lá e, apesar de tudo, nunca é tarde demais para se libertar dessas situações ruins. que amor e cuidado sem limites pode fazer mal a si e ao outro, tanto o outro na relação quando aquele fora dela. que, às vezes, o que pode soar como uma perda horrível na real será um alívio.
mas, uma das cenas que mais me impactaram foi a da criança do triciclo bem no finalzinho ouvindo os maiores absurdos sobre a casa ter virado um monstro e aceitar numa boa como a coisa mais natural e coerente do mundo. assim, bem simples, sem complicações ou exigências de que tudo faça sentido. apenas a mágica e o horror de um dia das bruxas.
algo aqui me lembrou muito IT a coisa e também umas cenas de Harry Potter
. além disso, é inegável como fizeram de uma ideia tão simples (alguém que machuca os outros para proteger quem ama mas precisa destruir sua amada para proteger algo maior) um enredo tão fascinante.
porque ser criança é isso. ver o fantástico onde um adulto tão prepotente e cheio de complexidades jamais veria.
"se você apenas olhar para trás, nunca vai conseguir ver o que está à frente."
não sei como demorei tanto tempo para assistir esse. filme maravilhoso, obra de arte impecável, simples - como as melhores devem ser.
comida nunca é só alimento, mas carinho, cuidado, memória. é sobre combinar, testar, criar sabores que, juntos, transformam a nossa percepção do momento, do outro e de nós mesmos. comida é experiência e mesmo um coração dos mais duros pode ser amolecido por ela.
me pegou muito o Remy o tempo inteiro vivendo no submundo de Paris para depois descobrir que sempre viveu naquela cidade tão amada por seu ídolo Gusteau. lembrei na hora da metáfora do peixinho e do oceano em "Soul":
"tem uma história sobre um peixe. esse peixe foi até um ancião e disse: 'tô procurando um negócio. um tal oceano.' 'o oceano?' o ancião falou. 'você está no oceano.' 'isso?' disse o peixinho. 'isso aqui é água. o que eu quero é o oceano."
como muitas vezes o que queremos e precisamos sempre esteve ali embaixo do nosso nariz (no caso de Remy, acima) mas só conseguimos enxergar quando estamos emocionalmente preparados para isso. e só então percebemos que o "comum" também é extraordinário.
também me tocou muito aquela paixão toda pela gastronomia não faz sentido algum pro Emilio, mas em momento algum ele questiona, sempre apoia por maior que seja seu medo do Remy se magoar. o pai e toda a colônia de ratos o apoiando na cozinha só reforça isso.
é sobre a importância de ter todo apoio daqueles que nos amam quando desejamos nos arriscar. como diria Freud, "como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!".
na vida, sentir requer coragem de retirar todo o excesso, tudo que parece muito complexo para chegar ao seu âmago: o afeto.
assim como em outros âmbitos além da cozinha, aqui a simplicidade do Ratatouille funciona porque o que nos impacta profundamente quase nunca precisa ser tão elaborado. muito pelo contrário: quanto mais simples, menos ruído e mais tempo e espaço para para sermos tocados.
o filme inteiro me lembrou muito uma cena próxima ao final de "As férias da minha vida", quando o Chef Didier tá preparando os nabos, que na gastronomia são desvalorizados, e diz que não é sobre como se começa mas como se termina.
é sobre saber que o lugar de onde se veio não determina onde chegaremos, que nossos sonhos nunca devem se resumir às expectativas alheias e, principalmente, que as frustrações e os medos do outro não precisam ser nossos. que ter uma grande paixão na vida é raro demais para não persegui-la com todas as forças, por mais que a própria vida tente nos impedir de alcançá-la.
afinal, "nem todos podem se tornar grandes artistas, mas um grande artista pode vir de qualquer lugar". se o Chef Gusteau acreditava que qualquer um poderia cozinhar, eu acredito que qualquer um pode (se) emocionar.
"é como dizem: o ontem é passado e o amanhã é um mistério."
esse é ainda melhor do que o primeiro.
a amizade já firmada, as crianças crescendo e tendo seus próprios dilemas, os pais enfrentando seus problemas. um certo medo do futuro com o pé no passado mas abraçando todas as possibilidades quando elas surgem.
o foco nesse já é o choque geracional e como aprendemos com o que observamos dentro de casa.
o loirinho que fugia de responsabilidades se empenhando para conhecer o que há por trás da rebeldia do filho recém descoberto e se dar bem com ele, sem forçar uma simpatia imediata e respeitando o tempo de ambos.
o trauma do Lenny que sofreu bullying na escola sem reagir se estendendo ao filho que se permitia passar pelo mesmo. se nem o pai que deveria ser seu herói fez algo, porque ele agiria? Lenny enfrentando seu valentão (que acabou sendo um cara legal) para quebrar esse ciclo com o filho.
os universitários achando os mais velhos ultrapassados e inúteis quando na real eles que pavimentaram o caminho todo que os jovens estão descobrindo agora, e perdendo até no confronto físico para os velhos é absolute CINEMA, um tipo de justiça mesmo.
o outro filho do Lenny percebendo que não precisa ser como os universitários metidos a machões para ser extraordinário e conseguir atrair a garota por quem se interessava, mas que podia ser só ele mesmo.
e, em meio a tudo isso, o humor.
as piadas mais BESTAS possíveis (como uma boa comédia farofa precisa ter). adoro como ninguém se leva muito a sério e todo mundo é muito de boa, nem por isso desrespeitando uns aos outros. aquela coisa: posso frescar contigo mas se alguém de fora fizer isso o amigo eu COM CERTEZA te defenderei. uma grande família mesmo.
é o tipo de filme que dá vontade de fazer igual aquele grupo de amigos que construiu uma vila para morarem todos juntos. até porque trinta e poucos anos juntos não é para qualquer um. afinal, algumas amizades também são os amores da nossa vida.
"a vida pode ser difícil às vezes. fica acidentada, quando a família e as crianças não estão indo exatamente como planejaram, mas isso é que a torna interessante."
ciclos se encerraram, pessoas mudam, se afastam, a vida corre numa velocidade absurda que nem sempre conseguimos acompanhar, nos engolindo de um jeito que sempre nos recusamos a permitir, enfim. normal, acontece.
como alguém que não manteve amizades de infância na vida adulta, sempre me encantou muito nesse filme que eles fazem exatamente isso.
claro, o distanciamento entre os personagens é real, as transformações também, a tragédia da morte de um amigo e mentor querido reunindo a todos como um alerta para o que realmente importa. apontando as falhas por trás das máscaras de famílias perfeitas que cada um se esforçou para manter.
é problema de filho mimado demais, problema de casal que já não dialoga, problema de pai que não se dá bem com as filhas, problema de filho que não quer crescer, problema de quem não quer assumir compromisso...
mas também as memórias dos momentos marcantes na infância e adolescência, a criação de novas lembranças a serem contadas com carinho num futuro não tão distante, tudo aqui é afeto. um afeto meio torto e cheio de molecagem, mas ainda assim afeto.
adoro que parece um filme totalmente bobo mas ensina muito sobre amizade e família, afinal, muitas vezes mesmo tendo uma boa relação com a de sangue/criação, a nossa família também é os amigos que fazemos pelo caminho.
vivendo assim, quem sabe poderemos (como disse o treinador) jogar com tanta fome de vencer a ponto de, quando a buzina da vida tocar, não termos arrependimentos.
"sou tão humano quanto qualquer um. eu amo, fico assustado. eu acordo todas as manhãs e apesar de não saber o que fazer, coloco um pé na frente do outro e tento fazer as melhores escolhas que posso. eu estrago tudo o tempo todo, mas isso é ser humano e essa é a minha maior força."
eu, que adoro personagens cretinos e ambíguos, me surpreendi positivamente com esse filme.
na busca por retratar tudo de um jeito muito próximo da realidade, o encanto se perde no caminho. parece não haver espaço para a inocência, a justiça e a crença de que as pessoas podem sim ser boas sem querer algo em troca.
é diferente e até estranho ver um personagem com uma bondade tão pura hoje, mesmo que ele seja o Superman: alguém do qual esperaríamos exatamente essas características.
um cara que, apesar de seus poderes, parece tão humano quanto qualquer um de nós. com suas falhas, tristezas, receios. e, em meio a toda rejeição e ódio sofrido por ele, ainda consegue ser bom, o total contraponto do vilão. altruísmo versus egoísmo, o que separa os homens dos meninos.
assistir esse foi como ver uma HQ criando vida. aqui tem:
✔️ romance; ✔️ protagonismo canino; ✔️ controvérsias do herói; ✔️ alfinetada ao cenário político atualíssimo; ✔️ subversão da figura feminina fútil como alguém de fato inteligente e esperta; ✔️ o James Gunn sendo um nerdão detalhando conceitos científicos sempre que pode; ✔️ batalha do bem contra o mal; ✔️ humor não apelativo; ✔️ personagens que não são tão bonzinhos quanto o Superman; ✔️ edit com retrospectiva afetiva dos top moments em família do Clark (porque família é quem cria); ✔️ tudo o eu esperava e até o que nem sabia que precisava.
senti o mesmo que sinto vendo a trilogia antiga de Star Wars. é muito menos um filme de herói e mais sobre a magia de um mundo onde nem tudo precisa fazer sentido mas que, ainda assim, faz muito.
um filme sobre a busca por identidade, por unir a humanidade e, acima de tudo, por lembrar que fazer o bem hoje não precisa ser uma raridade.
"a infelicidade vem de não aceitar as coisas como elas são."
ah a categoria "bonzinhos que só são bonzinhos para receber algo em troca não são bonzinhos de verdade".
esse não me provocou grandes emoções, apenas uma leve montanha russa de opiniões.
comecei o filme empatizando com o protagonista por sua solidão e insatisfação com a vida. normal, altamente identificável, muitos passam por isso em algum momento, acontece.
terminei achando ele um porre desde o momento em que começou a stalkear a vizinha no próprio prédio onde eles moravam, na intenção de "se eu fiz algo por ela então agora ela me deve algo", esse algo 99% das vezes sendo de cunho romântico ou sexual.
a partir daí, foi só ladeira abaixo.
no fim parece que nem ele sabia o que queria, porque a insatisfação não estava com a própria aparência física, mas com a validação externa que não teve, nem antes nem após a transformação. até porque um momento rápido de elogios e a vida dando certo nunca vai te preencher por inteiro se o verdadeiro problema está dentro de você.
Edward não odeia Oswald, ele odeia o fato de ser tão sem personalidade que sua aparência física não era o problema. ele odeia reconhecer que a "solução" estava em suas próprias mãos, mas que ele era tão coitado que sequer quis admitir isso. porque aí não! fazer algo seria trabalho demais, mais fácil reclamar.
confesso que Oswald ser tão querido e tão galera me incomodou um pouco por insistir tanto na amizade com Edward quando a situação era claramente desconfortável. mas daí que poderia ser só o jeito dele e Edward se quisesse impor algum limite, que assim o fizesse: mas ele jamais faria.
o tempo inteiro lembrei de uma conversa que tive com uma amiga, onde concluímos que deve ser horrível ser ou conviver com alguém que não sustenta a personalidade que tem, mas apenas reproduz o que considera socialmente aceitável.
decidir por si, seja um gosto pessoal, a forma como nos apresentamos para o mundo ou mesmo um simples prato de comida requer confiança e autorrespeito. infelizmente é algo que alguém como Edward (que existe para apreciação alheia e morre um pouco sempre que não é o centro das atenções) não tem. triste.
tem um quê de magia em ver a arte nascendo na dor do artista igual a pérola nasce do sofrimento da ostra.
Hermann Hesse abre o livro Demian alertando: "a ave luta para sair do ovo. o ovo é o mundo. quem quiser nascer precisa destruir um mundo". é o que Ney fez.
ele lidou com uma dor tão grande a partir da violência por ele sofrida na própria família que, para mim, dois caminhos eram óbvios: ou seguiria e alimentaria uma eterna frustração por tudo aquilo que não recebeu, ou teria a coragem louca de quem quer se proporcionar o mundo e não depender de ninguém. ainda bem que escolheu o último.
venceu o pai no próprio tabuleiro dele (o exército), enfiou goela abaixo um orgulho pelo Ney artista e também indivíduo sem sequer bater de frente. uma crença tão grande em si que a reação do mundo contra ele seria um mero detalhe, sua própria opinião era o mais importante. um artista não por causa do pai, mas apesar dele.
não teve vergonha nem medo de viver seus amores independente de quem fossem ou das circunstâncias, tampouco de ser o que sonhou. por mais que tentassem encaixá-lo, jamais conseguiriam. Ney bancou os seus desejos, um a um: difícil e admirável.
suas dores, suas perdas, seus sonhos. sua ascensão, em uma época em que ser aquilo que se é ainda era considerado uma transgressão. e hoje, com todo retrocesso e chuva de preconceito que insistem em nos bombardear, ver as cenas do show dele ano passado, sempre na ativa - vivão e vivendo, é impossível não me arrepiar.
incrível como rever esse de tempos em tempos (no meu caso, reassisti há 2 anos) é esquecer razoavelmente de alguns plot twists e ser tão impactada quando a primeira vez.
tal hora não sabia mais (1) se a Mima estava vivendo o enredo da série de TV na própria cabeça como uma distorção criada por seu transtorno psicológico, (2) se o seu stalker é que pensava ser a própria Mima e, no final, (3) quem realmente tinha Transtorno Dissociativo de Identidade era a sua empresária Rumi.
mostra muito como na sociedade japonesa (e também ao redor do mundo) há um "prazo de validade" para os corpos femininos. essas mulheres mal são consideradas humanas, mas objetos que estão ali para servir ao prazer masculino.
até o stalker da Mima se considerava tão "bonzinho" que claramente merecia toda a atenção que a suposta Mima "verdadeira" de Rumi lhe concedia. um pagamento por manter a imagem angelical da idol enquanto ele mesmo gostaria de "manchá-la" como todos os outros homens que foram assassinados por fazerem isso. um cara que se julgou tão protetor mas acabou sendo tão podre quanto os demais. típico.
as cenas horríveis de abuso sexual (na TV e na vida real) criadas por e para homens escancarando a fetichização e o desrespeito com alguém que queria apenas seguir na carreira que escolheu. um preço alto demais que é pago com a própria sanidade.
isso acontece com Mima e também com Rumi que, por ser mais velha, parece ter passado por esse mesmo processo (inclusive do abuso, que surge como subtexto por ser tão sensível à Mima precisar gravar essa cena). assim, Rumi sente falta e a necessidade de se transmutar em algo que ainda "merece" receber atenção: sua própria protegida.
lembrei do livro "Conte-me seus sonhos", do Sidney Sheldon, onde as múltiplas personalidades são criadas no exato momento do trauma. Rumi esteve "sã" até o momento da cena terrível. talvez isso rompeu a barreira de seu inconsciente trazendo à tona algo tão forte (seu trauma pessoal) que foi onde tudo começou a desandar.
uma distorção de imagem de uma tristeza absurda quando encara os espelhos quebrados e percebe que não é nem jamais será Mima, mas que está presa em seu próprio corpo e assim continuará.
um filme sobre os limites entre a figura pública x privada, ficção x realidade, objetificação feminina e como traumas e obsessões podem romper a linha tênue entre o saudável e o absurdo antes mesmo que possamos perceber e nos proteger.
off: o tempo inteiro essa ideia de o que é sonho ou o que é real martelando na cabeça me lembrando inclusive o filme Paprika, fui ver a filmografia do diretor e não apenas dirigiu Paprika como também Paranoia Agent agora TUDO fez sentido.
"não é só porque você queria vencer. é porque você se recusou a perder — e não perdeu."
lembro que desde criança tive um certo encanto pelas gêmeas Olsen. a mini cinéfila em mim acompanhou (senão todos) muitos trabalhos das queridas, a memória afetiva presente em cada um desses. mas, por também ter uma memória horrível no geral, esse foi um dos que mais me marcaram por assistir tanto já ali pela adolescência.
sempre curti a personalidade oposta delas e como isso era um ponto forte em cada desses filmes (inclusive aqui). imagina já ter a mesma aparência física e ainda os mesmos gostos pessoais, trejeitos, formas de se vestir? seria muito previsível, chato demais.
ainda sobre a "imprevisibilidade", é natural esperar que surjam outros segredos que não estariam ali na superfície. que a comportadinha Jane seria mais responsável e cuidadosa é óbvio, mas a rebelde e desapegada Roxy sendo a mais emocional e sentindo falta de tudo o que a irmã pensou que ela nem ligasse? isso sim vale a pena ver.
uma irmã que faz de tudo pela outra mesmo nos momentos mais complicados, inclusive se permitindo passar vergonha para ajudá-la, enquanto a outra pensa ter feito de tudo por ela durante a vida inteira, nenhuma percebendo o quanto são sortudas por terem uma à outra. os desentendimentos, as aventuras na cidade grande, a reconciliação.
é um filme divertido, tem várias problemáticas mas sendo um filme de comédia do início dos icônicos anos 2000 não dá para esperar muito. e tudo bem! alguns filmes são mesmo só para um entretenimento mais leve e descompromissado.
"há muita democracia na cultura. não há democracia suficiente na sociedade."
fui TÃO longe pra encontrar esse documentário da Laurinha Lero do Scorsese. valeu todo o esforço.
aqui a Fran Lebowitz fala sobre cultura, política, tradições, raça, gênero, direitos LGBTs, nostalgia, conflitos geracionais, senso de comunidade, o urbano, a escrita, a arte. tudo com o humor característico que em qualquer outra pessoa talvez pegasse mal mas que NELA funciona absurdamente bem.
tem algumas opiniões à primeira vista controversas, polêmicas. mas na real ela brinca com conceitos cristalizados na sociedade que intenciona soar meio absurdo até mesmo para as mentes mais desconstruídas.
aí a sagacidade de Fran: tornar o familiar tão estranho que você começa a se questionar sobre suas próprias ideias "evoluídas" e percebe que essas ideias tão pra frentex deveriam ser não algo extraordinário, mas comum, acessível a todos.
afinal, como Fran disse (algo aplicável a si mesma):
"aqui está o problema de estar à frente do seu tempo: quando todos terminam de fazer, você já está entediado."
o fascínio por ser alguém que sabe e diz o que pensa, não sendo sem noção. o choque sempre ali na falta de costume que as pessoas têm em lidar com alguém tão direto e aberto.
alguém que — ciente de suas falhas e glórias — em momento algum tenta se encaixar, mas apenas se expressar. impossível não se encantar.
"— ele será praticamente indestrutível. — foi a mesma coisa que disseram sobre o Titanic."
um nepobaby sem noção megalomaníaco picareta jura a si mesmo que vai levar um monte de gente ainda mais sem noção e com dinheiro para pagar por uma viagem até os escombros do Titanic, e será tão famoso quanto Jeff Bezos e o Elon Musk. só porque eles querem. só porque podem.
foram tantos erros que é difícil escolher por onde começar.
a personalidade dele já era totalmente problemática, narcisista e que levava toda preocupação com o submarino como uma crítica pessoal. mimado e stalker, mania de grandeza truando, se considerando capaz inclusive de subornar políticos do alto escalão a favor de seus próprios interesses.
a admiração por gente tão podre quanto ele. a necessidade absurda de provar que era macho, que mandava, que merecia todo o prestígio que jamais conseguiu ter (seja em vida, seja após a morte).
todos os funcionários avisando que daria ruim mas o cara foi lá e fez assim mesmo tudo planejado tudo de propósito, tirando do seu caminho das piores formas. todos os funcionários gradativamente caindo fora do projeto, sendo demitidos ou pedindo demissão. se um grupo de pessoas fala muito mal de algo, talvez tenha algo errado aí...
quanto mais assistia o documentário, mais o pensamento de "ele fez de propósito" martelava na minha mente. me recuso a entender que alguém botaria sua vida em risco mesmo sendo um teimoso arrogante que jamais admitiria que estava errado APENAS para provar um ponto. ficou acreditar que ele não queria morrer. mais fora da realidade foi quem confiou e embarcou nessa junto com ele.
documentário arrastado, chatinho até, mas vale a pena pela fofoca. valeria mais se
"eu estava com tanto medo de vocês que senti precisar provar que era melhor que vocês. mas, na verdade, eu não sei mais do que vocês. tudo o que eu sei é que temos muito a aprender."
Molly, o puro suco da adolescência nerd que sempre quis ser algo além de nerd mas nunca admitiu por um medo absurdo de não conseguir ou, pior: ser rejeitada. daí começa a rejeitar todos antes mesmo que tenham a chance de conhecê-la, criando esse falso senso de superioridade como auto proteção.
Amy, a quem o conforto de estar na própria pele (diferente de Molly) se confunde com a passividade e a preguiça de decidir o rumo da própria vida. alguém submissa às vontades e aos planos da melhor amiga.
uma das cenas que mais me pegam é a da Molly descobrindo que todos os queridos também entraram em ótimas universidades sem precisar sacrificar toda a diversão que o escola poderiam proporcionar. e fica indignada por todos terem sido mais espertos do que ela que, na verdade, sempre quis saber como era ter aquelas experiências.
imagina ser alguém unidimensional. alguém que só gosta de uma coisa ou outra, que vê tudo preto no branco em extremos opostos, que se julga tanto que não consegue simplesmente ser. pior: conhecer alguém assim que, por esses motivos, projeta tudo em você.
ambas queriam que seus conhecidos as enxergassem como divertidas, quando elas mesmas não se permitiam mudar sua opinião sobre eles. somente ao ver essas outras perspectivas as coisas melhoraram.
os conhecidos não são uma única coisa, os professores também não. as protagonistas, muito menos. nada é só "isso ou aquilo".
por isso, a pessoa mais FODA do filme inteiro da primeira vez que assisti foi e continua sendo a Gigi. alguém tão imersa no próprio mundinho que sequer pensa sobre o julgamento alheio, logo, não se julga. a personificação da liberdade. e nem por isso largou do Jared, seu protegido (que mais a protegia do que o contrário). mas os demais também são uns queridos.
as primeiras paixões, as idealizações e decepções, a descoberta da sexualidade, a força da lealdade na amizade. o fim de um ciclo é sempre o começo do próximo (ainda bem).
um filme sobre se permitir ver além das suas expectativas (até mudar de ideia quando necessário) e viver TUDO que há para viver (se quiser de verdade).
porém, principalmente, sobre como o inesperado pode ser incrível quando nos soltamos das regras malucas que criamos nas nossas próprias mentes.
off: realmente deveriam botar a Diana Silvers em mais papeis!
off 2: PASSADA que a Triple A é a ex namorada da Rachel Sennott em Shiva Baby. eu SABIA que lembrava dela de algum lugar e agora descobri de onde. incrível.
A Empregada
3.4 528 Assista Agora"durante todos esses anos, eu persisti, sobrevivi, lutei. mas, no fim, só existe uma saída para garotas como eu: se render e torcer pelo melhor."
esse começou tendo tudo o que eu não gostaria em um filme: a Sidney Sweeney (motivos óbvios), um esposa retratada como louca sem motivo algum e um marido como um querido bonzinho à prova de quaisquer acontecimentos, o conto de fadas moderno e perfeito. ledo engano.
as coisas se desenrolam tão lentamente mas de um suspense que escala tão bem que me surpreendeu e me fez abrir a mente para a possibilidade do filme ser mesmo interesante.
quem diria que a esposa "louca" também fora vítima, que o marido é um "filhinho da mamãe" narcisista (Freud explica) e que a própria esposa é sagaz e inteligente o suficiente para arquitetar um plano arriscado para libertar a si e sua filha.
me encantou como mostram que em relações abusivas os sinais estão sempre por ali, mas de formas tão sutis que as vítimas já tão emocionalmente envolvidas só enxergam quando extrapolam todos os limites. e como o abusador sempre sabe exatamente o que está fazendo, até em seus atos mais despretensiosos.
como o ciclo do abuso e a percepção social de que um homem é um santo não só desencorajam as denunciar como as proíbem e até cancelam. a narrativa é sempre favorável ao abusador, e ela costuma guiar a todos. menos a quem sabe exatamente o que passou e ainda pode passar.
não vou mentir: mesmo com receio da esposa não ajudar a empregada no final, ela não estaria errada se não o fizesse – mas ainda bem que o fez. o amadurecimento da empregada ao longo do filme, reconhecendo quem é o verdadeiro inimigo, honra isso.
não foi um pacto de amizade, tampouco um passar de pano para as atitudes uma da outra. foi uma sororidade meio torta entre esposa, empregada e até policial pois todas sabem que merecem uma segunda chance e um recomeço sem um homem merda como aquele. de um jeito trágico sim, mas trágico para quem?
visto em 11/01/2026
Zootopia 2
3.7 163"o mundo nunca será um lugar melhor se ninguém for corajoso o suficiente para fazer a coisa certa."
replicar um sucesso (ou dar continuidade a ele) não é fácil. no primeiro não tínhamos uma expectativa sobre o filme e, após ser Oscarizado (!), no segundo o buraco já foi bem mais embaixo.
o ponto alto do filme (assim como o 1) continua sendo a coexistência de diferentes tipos de pessoas (ou bichos, nesse caso) e a construção de amizades verdadeiras.
por um lado, algo novo (e positivo) que esse trouxe foi mostrar como a narrativa tem o poder de incluir ou excluir pessoas, e como a classe dominante a constroi e perpetua através de exploração, apagamento e deturpação da história dos desfavorecidos, enquanto muitas vezes sequer percebemos isso.
por outro lado: conflitos familiares, a necessidade de pertencimento, o bem contra o mal, o plot twist de nem todo "vilão" ser de fato ruim assim como nem todo "mocinho" ser realmente bom, não podermos confiar 100% em qualquer um só por projetarmos no outro a bondade que existr em nós mesmos. são todos temas muito bons trazidos pela sequência mas, infelizmente, pouco aproveitados como poderiam.
tive a mesma sensação de quando vi Moana 2 (que por acaso também vi com a mesma prima fã de animações) que por acaso eu sou apaixonada pelo filme 1: faltava algo. uma magia, algo novo, não só uma sequência mediana para dizer que a história continua mas sem a mesma qualidade do anterior.
mas também como foi com Moana 2, sinto que se não gostei tanto do filme é por não ser o público-alvo dele. e tudo bem, tem vários outros filmes (inclusive de animação) para gostar também. valeu pelo momento compartilhado em família.
off: a cena referenciando o labirinto de O Iluminado no mesmo final de semana em que o filme estava em cartaz devido aos 25 anos de sua estreia (e que vi também na telona no dia anterior) simplesmente absolute CINEMA.
visto em 14/12/2025
O Iluminado
4.3 4,0K Assista Agorarever esse na telona em comemoração aos 25 anos da estreia realmente é OUTRA experiência. incrível.
revisto em 13/12/2025
Truque de Mestre: O 3º Ato
3.0 142 Assista Agoratodo grande truque de mágica acontece em 3 atos.
de cara o filme me surpreendeu pois jurava que os cavaleiros tinham voltado a trabalhar juntos o que não faria muito sentido pois ENFIM. após os jovens explicarem todo o truque das projeções fiquei "ahhh", tanto por ter minha dúvida resolvida, quanto por "poxa, é só isso?".
inclusive o filme se apoia muito nesses mesmos efeitos visuais, o que apaga muito do encanto sobre a estratégia dos golpes aplicados pelo grupo. nos filmes anteriores também usavam esses, claro, mae não tão escancarado. aí já me perdeu um bocado.
por outro lado, a cada aparição de um dos cavaleiros (até o retorno da antiga parceira do Atlas que tinha saído da franquia!) ficava igual aquele meme do DiCaprio apontando pra TV entendendo a referência. a doida da Lola e o Jack são muito os maiorais e combinam demais.
o filme se apoia muito na nostalgia e carisma dos personagens antigos, e o novo enredo é fraquíssimo (apesar de ter outros atores maravilhosos), tão fraco que o plot twist não teve todo o impacto que poderia ter. os jovens também são bem meh, e o que se parece com o Atlas é um porre ainda pior. se não fosse tão presa aos efeitos visuais e utilizasse alguns truques bem elaborados teria me encantado mais.
mas o que mais me indignou foi o pai do Dylan não aparecer no filme, pois nos anteriores o tempo INTEIRO insinuaram que ele poderia sim estar vivo, mostrando como nunca encontraram o corpo dele mesmo trancado num cofre e martelando essa mesma ideia repetidas vezes.
para mim, o 3º ato foi um balde de água fria, mas as expectativas eram todas minhas. quem sabe goste um pouco mais revendo outras vezes.
visto em 22/11/2025
Truque de Mestre: O 2º Ato
3.5 950 Assista Agora"num mundo de vigilância total, a única liberdade verdadeira está em não ser visto."
a primeira vez que vi esse não curti muito. deve ter sido o momento, pois sempre revia somente o filme 1 e dessa vez com este a experiência foi diferente.
o ego do Atlas (que sobrenome apropriado!) ameaçando trair toda a equipe e seu líder. uma nova integrante tão autêntica e elétrica quanto a empolgação juvenil e amadora do Jack Wilder. os problemas familiares de um recém descoberto pela equipe gêmeo do Merritt. tudo aparentemente saindo do controle do
quando mostram que Os Cavaleiros sempre foram vigiados pel'O olho, não de um jeito ruim mas para sua própria segurança quando necessário, e até na belíssima cena final da escadaria em formato de olho impossível não pensar no olho mágico que nos permite ver sem nos expor e, principalmente no olho que tudo vê, símbolo de proteção que reafirma o tempo inteiro que não estão sozinhos.
por um lado, a vigilância como algo desejavel; por outro, o sensível tópico da auto exposição e vigilância desenfreada como invasiva e destruidora da privacidade individual. o bem versus o mal. uma linha tênue difícil de ser traçada mas que, de alguma forma, o filme faz direitinho.
aqui o senso de justiça dos cavaleiros só cresce para além das vinganças pessoais do Dylan para abarcar também aquelas sofridas por pessoas que nada têm a ver com ele ou com o passado de seu pai. e ele também ultrapassa os limites do próprio ego para proteger seus cavaleiros. um gesto nobre que, assim como a sua companheira de FBI ao deixá-lo partir, mostra que os conceitos de certo ou errado não são preto no branco, há sempre nuances.
por fim, não duvidaria se o Lionel Shrike voltasse no filme 3, na real eu até espero isso. um grande mágico que aparentemente "morreu" num truque onde jamais encontraram seu corpo? fala sério. se até o Thaddeus escondeu por tanto tempo que era amigo do pai do Dylan, imagina se o GRANDE Lionel Shrike não conseguiria esconder isso como seu último grande truque.
indo ver o terceiro ato com a mesma sensação com a qual vi o primeiro pela primeira vez: com o enorme desejo de ser surpreendida.
visto em 22/11/2025
Truque de Mestre
3.8 2,5K Assista Agora"quanto mais você pensa que vê, mais fácil vai ser te enganar."
tenho uma teoria de que mágica e ilusionismo fazem tanto sucesso porque as pessoas pensam desejar saberem tudo e terem tudo sob controle mas o que realmente anseiam lá no fundo é por serem surpreendidas. o desejo infantil (não como algo ruim) de encontrarem algo tão incrível e que desafia tanto a lógica que a única alternativa é se entregar. e é exatamente isso o que o filme entrega.
rever esse (um dos meus favoritos) é como quando passava o Mister M na TV fazendo um truque mais foda que o outro para então revelar o segredo. seguro de que isso não diminuia o encanto do público, pois sabíamos que depois viriam outros ainda melhores. ou aquele programa Truques da Mente onde sabíamos que seríamos enganados de algum modo mas era um desafio a ser superado, um novo aprendizado.
o filme integrar o incrível gênero pessoas passando a perna em pessoas que mereceram muito serem passadas pra trás com um quê de justiça social à la Robin Hood só aumenta o meu fascínio por ele. e fazer quatro mágicos tão diferentes trabalharem com sinergia em prol de algo maior talvez seja mesmo um de seus maiores méritos.
quatro adultos que desejam acreditar que talvez exista um sentido secreto nas coisas e que a vida vai muito além do que se vê — e assim o confirmam. não é esse o objetivo de toda e qualquer religião?
no fim, muito se resume à "primeira regra da mágica: seja o cara mais esperto da sala", mas não tente provar que é: apenas seja. solte o controle e veja um mundo de acontecimentos inexplicáveis e interessantes se mostrarem a você.
visto em 15/11/2025
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista Agora"aqui a gente faz mambembe, jeitinho brasileiro. e pra te proteger do Brasil."
serviu decolonialidade, lenda urbana*, horror latinoamericano, paternidade, mistério, amor ao cinema, ao carnaval e ao nordeste. também vai pegar forte em quem é da academia (sim, a universidade, quem faz pesquisa e lida com essa burocracia toda).
fascinada com as cores do filme, não um filtro todo amarelado "latino" como o da Netflix mas a cor ambiente mesmo, rústica, reconhecível, reconfortante. na cena do carnaval que o Wagner Moura sai dançando na rua apinhada de gente, só lembrei de quando a equipe do filme levou o frevo pro tapete vermelho de Cannes. mais Brasil impossível.
gosto como o KMF faz a produção mais Hollywoodiana possível numa cena satirizando a própria Hollywood mostrando que PODERIA fazer algo nesse estilo só não quer. porque não precisa.
destaque para as mulheres do filme: Tânia Maria um humor absurdo, Maria Fernanda Cândido uma elegância incrível, Alice Carvalho com nem 5 min de tela ENGOLE o filme. surreal.
sobre a violência: é pontual mas muito visual, gore mesmo. é grande, INTENSA, nível se fosse Tarantino citariam como referência. mas aqui eu ri porque até nessas cenas é tudo muito inesperado, tem humor. e como é tudo muito identificável na nossa realidade ainda vem a sensação de "é nosso".
mas de TODAS as cenas do filme me pegou muito que (1) em Bacurau quando perguntam a Domingas se ela acha que o ass*ssino lá já foi uma boa pessoa e ela responde que ele já teve mãe e (2) neste filme quando o ass*ssino também morre e o barbeiro acende velas ao redor dele e cobre seus restos explícitos com um jornal.
o Kleber Mendonça Filho mostrando que talvez mesmo as piores pessoas mereçam alguma dignidade na morte e é isso o que nos diferencia de quem nos desumaniza. de uma beleza e delicadeza imensas.
off: a história da perna cabeluda eu PAGARIA pra ouvir um vortex podcast com a Kat e o Pepe comentando dessa cena do filme juro.
visto em 09/11/2025
Retrato de uma Jovem em Chamas
4.4 962 Assista Agora"sozinha, senti a liberdade de que falou. mas também senti a sua falta."
ai
(revisto em 12/10/2025)
D.E.B.S. - As Super Espiãs
2.7 229 Assista Agora"o amor é uma coisa irresistível, é como uma droga, entende? eu acho que quando rola você fica... você não tem como se controlar."
engraçado como TUDO nesse filme é exagerado. sempre do nada uma arma DESTE tamanho pra uma coisinha minúscula juro. mas como é intencional torna tudo mais divertido.
como um filme do início dos anos 2000 é esperado que tenha várias problemáticas. a desse é a heterossexualidade compulsória.
de um lado, meu deus que HORROR o ex da Amy sendo aqueles caras que se consideram irresistíveis e quando pagam uma coisa baratíssima e não conseguem "algo a mais" com ela pedem para a menina devolver o dinheiro no pix, patético. sem falar no quão problemática é a fetichização da sexualidade da Amy. nojento.
do outro lado, as "amigas" dela julgando a todo momento ignorando que a Amy finalmente está apaixonada de verdade por alguém simplesmente por ser outra mulher (a Lucy ser inimiga delas é só a cereja do bolo).
o mundo surtando com um amor entre mulheres e elas sumidas tirando FÉRIAS do jeitinho que deve ser! mesmo com suas dúvidas sobre como sua vida seria afetada por tudo aquilo, a Amy (já 100% Britney Spears - Mama I'm In Love With A Criminal) se joga de cabeça. afinal, se não temos coragem de viver um grande amor teremos coragem de que?
adoro como enquanto todas as outras D.E.B.S. estavam julgando e se distanciando da Amy, a Janet (considerada toda bobinha) foi a única que a apoiou e ainda se apaixonou pelo Scud. muito querida mesmo. ainda sobre amizade, adoro como o Scud nunca julgou a Lucy, desde a sexualidade dela até mesmo quando decidiu largar a vida do crime para reconquistar seu amor.
aliás, a Lucy insistindo tentando reconquistar a Amy e a Amy achando tudo FOFO é a prova de que isso só irrita quando é quem a gente não quer. RINDO.
um ponto importante: Bobby odeia que a Amy tenha personalidade, enquanto a Lucy adora isso. Lucy gosta da Amy por ela ser aquilo que é, e não pela "imagem" que ela representa para ela. é algo verdadeiro, real.
como dito pelo chefe das D.E.B.S., "amor requer confiança, e confiança honestidade", e ser uma exímia mentirosa não a incapacitou de ser real com Lucy, a ponto de compartilhar seus sonhos mais profundos e ser mais do que compreendida, mas incentivada.
o pensamento que fica é que realmente não devemos nos contentar com pouco no amor e, mesmo que ele seja "mais difícil que o crime", vale a pena esperar por aquele sentimento arrebatador e inesquecível. porque, por mais improvável que pareça, uma hora a gente esbarra nele por aí.
visto em 02/09/2025
Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda
3.5 225 Assista Agora"troque os corações enganados para que seus destinos não sejam alterados."
primeiro que serem QUATRO pessoas trocando de corpo ficou meio confuso pra mim durante boa parte do filme, ficava o tempo inteiro tentando lembrar quem era quem. o problema já começa dai.
para mim, aqui aconteceu o mesmo problema do Meninas Malvadas da Reneé Rapp. tentaram MUITO dialogar com a geração mais nova e esqueceram que muito desses filmes se apoiam quase 100% na nostalgia para ter algum sucesso. por esse motivo, algumas coisas ficam bem ruins e até "cringe", como diriam os jovens.
passada a crítica negativa, do meio pro final fica mais divertido.
a parte nostálgica é legal. fiquei TÃO feliz quando apareceu a antiga banda da Anna e a música Take Me Away.
curti como a AVÓ Tess virou quase a rebelde do primeiro filme, enquanto a Anna ficou mais "careta" talvez devido ao peso de ser mãe solo. a troca de personalidade igual aquela do Heráclito, "ninguém pisa duas vezes no mesmo rio". após viverem na perspectiva uma da outra a relação delas melhorou (e pelo jeito se manteve assim) e elas jamais voltaram a ser as mesmas.
bonito como finalmente a Anna (Lindsay) finalmente esteve ali no palco como sempre mereceu, pois no primeiro não era ela, mas sua mãe em seu corpo.
uma metáfora poderosa para como mães também são pessoas com seus próprios sonhos (algo que me lembra muito "Tudo em todo lugar ao mesmo tempo", principalmente quando a protagonista fala que de todos os lugares e dimensões possíveis ela ainda escolheria estar com a filha, igual a Anna com a Harper.
no geral, Jamie Lee Curtis sustenta o carisma do filme. sério. ela não só rouba a cena como não tem UMA cena ruim dela. as outras também são legais (Lindsay principalmente, as adolescentes ficam meio apagadas), mas a Jamie é o maior trunfo deste.
interessante como o filme fala sobre famílias não convencionais (apesar de, no final, formarem uma família convencional) e mostra como mesmo lidando com o luto por alguém importante, sempre podemos encontrar outros lugares que sejam fonte de pertencimento e acolhimento.
off: a namorada do Jake sendo IGUAL a Tess no primeiro filme me quebrou demais KKKKKKKK
off 2: um CRIME na versão dublada não ter legenda nas músicas. sei inglês e entendi mas e quem não sabe? perde muito do impacto emocional na música que a Anna fez pra Harper.
off 3: os créditos criativos com os erros de gravação foram muito bons queremos MAIS filmes com créditos assim!
visto em 30/08/2025
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
4.3 5,0K Assista Agora"a sorte é como o Tour de France, esperamos tanto e passa tão rápido. quando chega a hora, precisa saltar sem hesitar."
um filme sobre os pequenos prazeres e, tal como Amélie, "reparar nos pequenos detalhes que ninguém nunca vê". cores, sons e texturas reforçam isso o tempo inteiro. adoro como desde o início o narrador detalha todos os personagens não com características superficiais comuns mas gostos extremamente íntimos, com aquilo que os torna únicos, especiais.
Amélie uma das maiores representantes dos INFPs.
alguém apaixonada por transformar o banal em extraordinário. o melhor exemplo é a cena dela guiando o rapaz com deficiência visual citando tudo que está acontecendo (e que outros que o guiassem com certeza não diriam), passando como um encanto rápido e num flash ela finaliza sua ajuda e some, deixando-o encantado com a possibilidade de "ver" a mágica no cotidiano com os outros sentidos que não a visão.
mas, e quem cuida dela?
engraçado como mesmo assistindo esse várias vezes, só agora notei como o corte de cabelo da Amélie igual a vida toda mostra o quanto ela ainda é aquela criança que sonhava com receber um pouco de afeto e compreensão dos pais.
também é a primeira vez que percebo como a Amélie é a Matilda mais sensível, o mesmo desencaixe na família e necessidades emocionais similares, até a vingança que a Matilda faz com o pai</a> a Amélie faz com o vizinho podre. a justiceira Amélie, defensora dos injustiçados. até a dublagem do narrador é IGUAL a do filme Matilda, juro. absolute cinema.
Amélie idealiza situações (tanto para o bem quanto para o mal) a tal ponto que a realidade quase nunca corresponde à excitação do planejamento na própria mente. meio catastrófica até.
quando ela adia o encontro com o Nino só me veio a Clarice Lispector em "Felicidade Clandestina", adiando a felicidade para ter a surpresa de senti-la no momento "ideal", quando a única coisa que existe é o aqui e agora.
ainda assim, mesmo se perdendo no mundinho da própria mente (como ao criar mil explicações fantasiosas para o atraso do Nino e ele aparecendo logo em seguida) a vida a lembra de que nem todo pensamento terrível vai se concretizar. um alívio.
inclusive, sobre o casal é curioso como a infância de ambos foi diferente em alguns pontos mas essencialmente igual. a menina dos pequenos prazeres que sempre se sentiu sozinha e o garoto do hobbie estranho que também se sente sozinho.
um lembrete de como não importa quão estranhos nos consideramos, sempre haverá quem nos entenda com o coração, sem precisar de muita explicação ou esforços sobrehumanos. alguém com quem ser nós mesmos não é uma fraqueza, mas nossa maior força e fonte de encanto.
e também sobre aceitar que só conseguiremos encontrar isso se nos lembrarmos que não temos ossos de vidro e podemos aguentar os baques da vida. afinal, nos mostrar exatamente como somos com todas as nossas vulnerabilidades requer confiança e coragem.
na vida, assim como Amélie, encontramos o que mais desejamos quando não estamos buscando. os imprevistos só confirmam como cada coisa acontece no momento que deve acontecer, não antes, não depois. o que é nosso sempre nos encontra.
off: eu amo quando os créditos do filme são criativos como esse.
visto em 29/08/2025
Shiva Baby
3.8 293 Assista Agora"você não precisa saber o que vai fazer da vida."
finalmente consegui rever este e continua tão desconfortável e DIVERTIDO quanto da primeira vez. não deu 6 min de filme já tava me escangalhando de rir.
o que eu mais gosto em Shiva Baby é ele demonstrar TÃO bem como é conviver com a pressão de ter a vida toda resolvida sendo uma mulher aos 20 e tantos anos, o ritmo do filme reforçando isso o tempo todo. além da hipocrisia em quem aparenta ter a vida perfeita mas na real tá muito longe disso.
são experiências aparentemente tão particulares e outras tão universais. a relação da Danielle com a mãe é um exemplo dessas que, se a gente não vivenciou, com certeza conhece alguém que sim.
por mais que a protagonista se considere alguém tão diferente e "melhor" que todos ali, ela tenta impressionar a mãe. jamais corresponderia aos pedidos de mentir sobre seu presente e futuro para os conhecidos se não se importasse com os efeitos de sua imagem pessoal para a mãe.
Danielle deseja atender a um ideal de filha que teve sucesso na vida para que sua mãe também seja considerada uma mãe que teve sucesso, mesmo que isso signifique se apagar no processo.
não há um instante de tranquilidade aqui.
é pressão da família sobre relacionamentos, carreira, e como quando a Danielle enfim explode é considerada exagerada. e ela sabe lidar tão pouco com tudo isso que ao ter algo bom de verdade nas mãos estraga.
eu AMO o que a Maya representa aqui. não é o foco do filme, e o que me pega entre elas ultrapassa o ex romance.
é como um porto estável, confiável, seguro.
a Maya no único momento que julgou Danielle por suas escolhas foi muito mais num lugar de tristeza e preocupação do que falso moralismo, algo que inclusive ela corrigiu logo em seguida.
o cuidado e o carinho são palpáveis. como se mesmo fazendo besteiras ainda houvesse esperança para Danielle. esperança que nem ela vê em si mesma mas a Maya sim. não porque a Maya irá salvá-la, mas porque a própria Danielle pode fazer isso.
me faz acreditar que, mesmo quando nos sentimos um fracasso na vida e tudo parece perdido, sempre há uma saída. não algo extraordinário que vai mudar tudo do nada, mas que ter com quem contar e nos lembrar no nosso potencial e de quem somos já é o suficiente.
bonito. inspirador. poético.
off: o diálogo delas antes do beijo sempre me pega MUITO. como pode um trecho de uns 2 minutos (no máximo) demostrar tão bem como é boa parte das relações humanas hoje. incrível.
visto em 28/08/2025
A Casa Monstro
3.4 614 Assista Agora"ela morreu. mas não foi embora."
consigo perceber o que deve ter me impactado ao assistir esse quando criança e também vejo o que me impacta nele agora adulta. são coisas bem diferentes, porém complementares.
quando criança teve todo esse mundo mágico de uma casa com vida própria e até assustador dessa "tensão" no ar muito característica de qualquer filme mais estilo suspense infantil (ou meio A noiva cadáver). uma atmosfera de sentir que algo vai acontecer, a gente só não sabe o que.
agora adulta, outros aspectos me pegam muito.
o primeiro é a amizade do DJ e Bocão. como eles se atacam de graça, brigam pela Jenny e morrem de medo da casa, mas fazem tudo um pelo outro, inclusive se põem em risco para destruir a casa. a cena do DJ sabendo que teve um contato maior com a menina e não tirando o momento de felicidade do Bocão por ela ter apertado a mão dele é muito precioso.
as descobertas sutis da puberdade, como o primeiro interesse diferente por uma amiga e eles sem nem entender o por quê querem impressioná-la mas, ainda assim, se esforçando.
a vontade do DJ em ser adulto muito antes do tempo, expondo provas de maturidades que só por existirem atestam que ele não é aquilo que julga ser. que criança nunca quis ser adulto logo para fazer tudo o que quisesse, e que adulto nunca quis voltar a ser criança para fugir do peso das suas responsabilidades?
o amor entre o seu Epaminondas e Constance, como coisas boas no início podem se tornar terríveis com o tempo mas que os sinais sempre estão lá e, apesar de tudo, nunca é tarde demais para se libertar dessas situações ruins. que amor e cuidado sem limites pode fazer mal a si e ao outro, tanto o outro na relação quando aquele fora dela. que, às vezes, o que pode soar como uma perda horrível na real será um alívio.
mas, uma das cenas que mais me impactaram foi a da criança do triciclo bem no finalzinho ouvindo os maiores absurdos sobre a casa ter virado um monstro e aceitar numa boa como a coisa mais natural e coerente do mundo. assim, bem simples, sem complicações ou exigências de que tudo faça sentido. apenas a mágica e o horror de um dia das bruxas.
algo aqui me lembrou muito IT a coisa e também umas cenas de Harry Potter
(SIM o Epaminondas é o Snape)
porque ser criança é isso. ver o fantástico onde um adulto tão prepotente e cheio de complexidades jamais veria.
visto em 27/08/2025
Ratatouille
3.9 1,3K Assista Agora"se você apenas olhar para trás, nunca vai conseguir ver o que está à frente."
não sei como demorei tanto tempo para assistir esse. filme maravilhoso, obra de arte impecável, simples - como as melhores devem ser.
comida nunca é só alimento, mas carinho, cuidado, memória. é sobre combinar, testar, criar sabores que, juntos, transformam a nossa percepção do momento, do outro e de nós mesmos. comida é experiência e mesmo um coração dos mais duros pode ser amolecido por ela.
me pegou muito o Remy o tempo inteiro vivendo no submundo de Paris para depois descobrir que sempre viveu naquela cidade tão amada por seu ídolo Gusteau. lembrei na hora da metáfora do peixinho e do oceano em "Soul":
"tem uma história sobre um peixe. esse peixe foi até um ancião e disse: 'tô procurando um negócio. um tal oceano.' 'o oceano?' o ancião falou. 'você está no oceano.' 'isso?' disse o peixinho. 'isso aqui é água. o que eu quero é o oceano."
como muitas vezes o que queremos e precisamos sempre esteve ali embaixo do nosso nariz (no caso de Remy, acima) mas só conseguimos enxergar quando estamos emocionalmente preparados para isso. e só então percebemos que o "comum" também é extraordinário.
também me tocou muito aquela paixão toda pela gastronomia não faz sentido algum pro Emilio, mas em momento algum ele questiona, sempre apoia por maior que seja seu medo do Remy se magoar. o pai e toda a colônia de ratos o apoiando na cozinha só reforça isso.
na vida, sentir requer coragem de retirar todo o excesso, tudo que parece muito complexo para chegar ao seu âmago: o afeto.
assim como em outros âmbitos além da cozinha, aqui a simplicidade do Ratatouille funciona porque o que nos impacta profundamente quase nunca precisa ser tão elaborado. muito pelo contrário: quanto mais simples, menos ruído e mais tempo e espaço para para sermos tocados.
o filme inteiro me lembrou muito uma cena próxima ao final de "As férias da minha vida", quando o Chef Didier tá preparando os nabos, que na gastronomia são desvalorizados, e diz que não é sobre como se começa mas como se termina.
é sobre saber que o lugar de onde se veio não determina onde chegaremos, que nossos sonhos nunca devem se resumir às expectativas alheias e, principalmente, que as frustrações e os medos do outro não precisam ser nossos. que ter uma grande paixão na vida é raro demais para não persegui-la com todas as forças, por mais que a própria vida tente nos impedir de alcançá-la.
afinal, "nem todos podem se tornar grandes artistas, mas um grande artista pode vir de qualquer lugar". se o Chef Gusteau acreditava que qualquer um poderia cozinhar, eu acredito que qualquer um pode (se) emocionar.
visto em 02/08/2025
Gente Grande 2
3.0 696 Assista Agora"é como dizem: o ontem é passado e o amanhã é um mistério."
esse é ainda melhor do que o primeiro.
a amizade já firmada, as crianças crescendo e tendo seus próprios dilemas, os pais enfrentando seus problemas. um certo medo do futuro com o pé no passado mas abraçando todas as possibilidades quando elas surgem.
o foco nesse já é o choque geracional e como aprendemos com o que observamos dentro de casa.
o loirinho que fugia de responsabilidades se empenhando para conhecer o que há por trás da rebeldia do filho recém descoberto e se dar bem com ele, sem forçar uma simpatia imediata e respeitando o tempo de ambos.
o trauma do Lenny que sofreu bullying na escola sem reagir se estendendo ao filho que se permitia passar pelo mesmo. se nem o pai que deveria ser seu herói fez algo, porque ele agiria? Lenny enfrentando seu valentão (que acabou sendo um cara legal) para quebrar esse ciclo com o filho.
os universitários achando os mais velhos ultrapassados e inúteis quando na real eles que pavimentaram o caminho todo que os jovens estão descobrindo agora, e perdendo até no confronto físico para os velhos é absolute CINEMA, um tipo de justiça mesmo.
o outro filho do Lenny percebendo que não precisa ser como os universitários metidos a machões para ser extraordinário e conseguir atrair a garota por quem se interessava, mas que podia ser só ele mesmo.
e, em meio a tudo isso, o humor.
as piadas mais BESTAS possíveis (como uma boa comédia farofa precisa ter). adoro como ninguém se leva muito a sério e todo mundo é muito de boa, nem por isso desrespeitando uns aos outros. aquela coisa: posso frescar contigo mas se alguém de fora fizer isso o amigo eu COM CERTEZA te defenderei. uma grande família mesmo.
é o tipo de filme que dá vontade de fazer igual aquele grupo de amigos que construiu uma vila para morarem todos juntos. até porque trinta e poucos anos juntos não é para qualquer um. afinal, algumas amizades também são os amores da nossa vida.
visto em 27/07/2025
Gente Grande
3.3 1,6K Assista Agora"a vida pode ser difícil às vezes. fica acidentada, quando a família e as crianças não estão indo exatamente como planejaram, mas isso é que a torna interessante."
ciclos se encerraram, pessoas mudam, se afastam, a vida corre numa velocidade absurda que nem sempre conseguimos acompanhar, nos engolindo de um jeito que sempre nos recusamos a permitir, enfim. normal, acontece.
como alguém que não manteve amizades de infância na vida adulta, sempre me encantou muito nesse filme que eles fazem exatamente isso.
claro, o distanciamento entre os personagens é real, as transformações também, a tragédia da morte de um amigo e mentor querido reunindo a todos como um alerta para o que realmente importa. apontando as falhas por trás das máscaras de famílias perfeitas que cada um se esforçou para manter.
é problema de filho mimado demais, problema de casal que já não dialoga, problema de pai que não se dá bem com as filhas, problema de filho que não quer crescer, problema de quem não quer assumir compromisso...
mas também as memórias dos momentos marcantes na infância e adolescência, a criação de novas lembranças a serem contadas com carinho num futuro não tão distante, tudo aqui é afeto. um afeto meio torto e cheio de molecagem, mas ainda assim afeto.
adoro que parece um filme totalmente bobo mas ensina muito sobre amizade e família, afinal, muitas vezes mesmo tendo uma boa relação com a de sangue/criação, a nossa família também é os amigos que fazemos pelo caminho.
vivendo assim, quem sabe poderemos (como disse o treinador) jogar com tanta fome de vencer a ponto de, quando a buzina da vida tocar, não termos arrependimentos.
visto em 26/07/2025
Superman
3.6 917 Assista Agora"sou tão humano quanto qualquer um. eu amo, fico assustado. eu acordo todas as manhãs e apesar de não saber o que fazer, coloco um pé na frente do outro e tento fazer as melhores escolhas que posso. eu estrago tudo o tempo todo, mas isso é ser humano e essa é a minha maior força."
eu, que adoro personagens cretinos e ambíguos, me surpreendi positivamente com esse filme.
na busca por retratar tudo de um jeito muito próximo da realidade, o encanto se perde no caminho. parece não haver espaço para a inocência, a justiça e a crença de que as pessoas podem sim ser boas sem querer algo em troca.
é diferente e até estranho ver um personagem com uma bondade tão pura hoje, mesmo que ele seja o Superman: alguém do qual esperaríamos exatamente essas características.
um cara que, apesar de seus poderes, parece tão humano quanto qualquer um de nós. com suas falhas, tristezas, receios. e, em meio a toda rejeição e ódio sofrido por ele, ainda consegue ser bom, o total contraponto do vilão. altruísmo versus egoísmo, o que separa os homens dos meninos.
assistir esse foi como ver uma HQ criando vida. aqui tem:
✔️ romance;
✔️ protagonismo canino;
✔️ controvérsias do herói;
✔️ alfinetada ao cenário político atualíssimo;
✔️ subversão da figura feminina fútil como alguém de fato inteligente e esperta;
✔️ o James Gunn sendo um nerdão detalhando conceitos científicos sempre que pode;
✔️ batalha do bem contra o mal;
✔️ humor não apelativo;
✔️ personagens que não são tão bonzinhos quanto o Superman;
✔️ edit com retrospectiva afetiva dos top moments em família do Clark (porque família é quem cria);
✔️ tudo o eu esperava e até o que nem sabia que precisava.
senti o mesmo que sinto vendo a trilogia antiga de Star Wars. é muito menos um filme de herói e mais sobre a magia de um mundo onde nem tudo precisa fazer sentido mas que, ainda assim, faz muito.
um filme sobre a busca por identidade, por unir a humanidade e, acima de tudo, por lembrar que fazer o bem hoje não precisa ser uma raridade.
off: a bandeirinha de Smalville no quarto do Clark eu fiquei AAAAAAAAA.
off 2: tô DOIDA pra ver a doidinha da Milly Alcock de Supergirl vem aí DEMAIS.
visto em 24/07/2025
Um Homem Diferente
3.5 171 Assista Agora"a infelicidade vem de não aceitar as coisas como elas são."
ah a categoria "bonzinhos que só são bonzinhos para receber algo em troca não são bonzinhos de verdade".
esse não me provocou grandes emoções, apenas uma leve montanha russa de opiniões.
comecei o filme empatizando com o protagonista por sua solidão e insatisfação com a vida. normal, altamente identificável, muitos passam por isso em algum momento, acontece.
terminei achando ele um porre desde o momento em que começou a stalkear a vizinha no próprio prédio onde eles moravam, na intenção de "se eu fiz algo por ela então agora ela me deve algo", esse algo 99% das vezes sendo de cunho romântico ou sexual.
a partir daí, foi só ladeira abaixo.
no fim parece que nem ele sabia o que queria, porque a insatisfação não estava com a própria aparência física, mas com a validação externa que não teve, nem antes nem após a transformação. até porque um momento rápido de elogios e a vida dando certo nunca vai te preencher por inteiro se o verdadeiro problema está dentro de você.
Edward não odeia Oswald, ele odeia o fato de ser tão sem personalidade que sua aparência física não era o problema. ele odeia reconhecer que a "solução" estava em suas próprias mãos, mas que ele era tão coitado que sequer quis admitir isso. porque aí não! fazer algo seria trabalho demais, mais fácil reclamar.
confesso que Oswald ser tão querido e tão galera me incomodou um pouco por insistir tanto na amizade com Edward quando a situação era claramente desconfortável. mas daí que poderia ser só o jeito dele e Edward se quisesse impor algum limite, que assim o fizesse: mas ele jamais faria.
o tempo inteiro lembrei de uma conversa que tive com uma amiga, onde concluímos que deve ser horrível ser ou conviver com alguém que não sustenta a personalidade que tem, mas apenas reproduz o que considera socialmente aceitável.
decidir por si, seja um gosto pessoal, a forma como nos apresentamos para o mundo ou mesmo um simples prato de comida requer confiança e autorrespeito. infelizmente é algo que alguém como Edward (que existe para apreciação alheia e morre um pouco sempre que não é o centro das atenções) não tem. triste.
off:
meu deus que AGONIA de Ingrid mulher sem noção fetichista do caralho tava pela hora que ela ia agir igual "Corra" e fazer algo tão estranho quanto.
visto em 15/07/2025
Homem com H
4.2 519 Assista Agora"o Brasil inteiro vai saber."
tem um quê de magia em ver a arte nascendo na dor do artista igual a pérola nasce do sofrimento da ostra.
Hermann Hesse abre o livro Demian alertando: "a ave luta para sair do ovo. o ovo é o mundo. quem quiser nascer precisa destruir um mundo". é o que Ney fez.
ele lidou com uma dor tão grande a partir da violência por ele sofrida na própria família que, para mim, dois caminhos eram óbvios: ou seguiria e alimentaria uma eterna frustração por tudo aquilo que não recebeu, ou teria a coragem louca de quem quer se proporcionar o mundo e não depender de ninguém. ainda bem que escolheu o último.
venceu o pai no próprio tabuleiro dele (o exército), enfiou goela abaixo um orgulho pelo Ney artista e também indivíduo sem sequer bater de frente. uma crença tão grande em si que a reação do mundo contra ele seria um mero detalhe, sua própria opinião era o mais importante. um artista não por causa do pai, mas apesar dele.
não teve vergonha nem medo de viver seus amores independente de quem fossem ou das circunstâncias, tampouco de ser o que sonhou. por mais que tentassem encaixá-lo, jamais conseguiriam. Ney bancou os seus desejos, um a um: difícil e admirável.
suas dores, suas perdas, seus sonhos. sua ascensão, em uma época em que ser aquilo que se é ainda era considerado uma transgressão. e hoje, com todo retrocesso e chuva de preconceito que insistem em nos bombardear, ver as cenas do show dele ano passado, sempre na ativa - vivão e vivendo, é impossível não me arrepiar.
fica a dedicatória,
"para Ney Matogrosso,
por ousar ser livre."
visto em 12/07/2025
Perfect Blue
4.3 837"ilusões não podem se tornar reais."
incrível como rever esse de tempos em tempos (no meu caso, reassisti há 2 anos) é esquecer razoavelmente de alguns plot twists e ser tão impactada quando a primeira vez.
tal hora não sabia mais (1) se a Mima estava vivendo o enredo da série de TV na própria cabeça como uma distorção criada por seu transtorno psicológico, (2) se o seu stalker é que pensava ser a própria Mima e, no final, (3) quem realmente tinha Transtorno Dissociativo de Identidade era a sua empresária Rumi.
mostra muito como na sociedade japonesa (e também ao redor do mundo) há um "prazo de validade" para os corpos femininos. essas mulheres mal são consideradas humanas, mas objetos que estão ali para servir ao prazer masculino.
até o stalker da Mima se considerava tão "bonzinho" que claramente merecia toda a atenção que a suposta Mima "verdadeira" de Rumi lhe concedia. um pagamento por manter a imagem angelical da idol enquanto ele mesmo gostaria de "manchá-la" como todos os outros homens que foram assassinados por fazerem isso. um cara que se julgou tão protetor mas acabou sendo tão podre quanto os demais. típico.
as cenas horríveis de abuso sexual (na TV e na vida real) criadas por e para homens escancarando a fetichização e o desrespeito com alguém que queria apenas seguir na carreira que escolheu. um preço alto demais que é pago com a própria sanidade.
isso acontece com Mima e também com Rumi que, por ser mais velha, parece ter passado por esse mesmo processo (inclusive do abuso, que surge como subtexto por ser tão sensível à Mima precisar gravar essa cena). assim, Rumi sente falta e a necessidade de se transmutar em algo que ainda "merece" receber atenção: sua própria protegida.
lembrei do livro "Conte-me seus sonhos", do Sidney Sheldon, onde as múltiplas personalidades são criadas no exato momento do trauma. Rumi esteve "sã" até o momento da cena terrível. talvez isso rompeu a barreira de seu inconsciente trazendo à tona algo tão forte (seu trauma pessoal) que foi onde tudo começou a desandar.
uma distorção de imagem de uma tristeza absurda quando encara os espelhos quebrados e percebe que não é nem jamais será Mima, mas que está presa em seu próprio corpo e assim continuará.
um filme sobre os limites entre a figura pública x privada, ficção x realidade, objetificação feminina e como traumas e obsessões podem romper a linha tênue entre o saudável e o absurdo antes mesmo que possamos perceber e nos proteger.
off: o tempo inteiro essa ideia de o que é sonho ou o que é real martelando na cabeça me lembrando inclusive o filme Paprika, fui ver a filmografia do diretor e não apenas dirigiu Paprika como também Paranoia Agent agora TUDO fez sentido.
visto em 06/07/2025
No Pique de Nova York
2.9 623 Assista Agora"não é só porque você queria vencer. é porque você se recusou a perder — e não perdeu."
lembro que desde criança tive um certo encanto pelas gêmeas Olsen. a mini cinéfila em mim acompanhou (senão todos) muitos trabalhos das queridas, a memória afetiva presente em cada um desses. mas, por também ter uma memória horrível no geral, esse foi um dos que mais me marcaram por assistir tanto já ali pela adolescência.
sempre curti a personalidade oposta delas e como isso era um ponto forte em cada desses filmes (inclusive aqui). imagina já ter a mesma aparência física e ainda os mesmos gostos pessoais, trejeitos, formas de se vestir? seria muito previsível, chato demais.
ainda sobre a "imprevisibilidade", é natural esperar que surjam outros segredos que não estariam ali na superfície. que a comportadinha Jane seria mais responsável e cuidadosa é óbvio, mas a rebelde e desapegada Roxy sendo a mais emocional e sentindo falta de tudo o que a irmã pensou que ela nem ligasse? isso sim vale a pena ver.
uma irmã que faz de tudo pela outra mesmo nos momentos mais complicados, inclusive se permitindo passar vergonha para ajudá-la, enquanto a outra pensa ter feito de tudo por ela durante a vida inteira, nenhuma percebendo o quanto são sortudas por terem uma à outra. os desentendimentos, as aventuras na cidade grande, a reconciliação.
é um filme divertido, tem várias problemáticas mas sendo um filme de comédia do início dos icônicos anos 2000 não dá para esperar muito. e tudo bem! alguns filmes são mesmo só para um entretenimento mais leve e descompromissado.
off: Roxy citando Avril Lavigne - Complicated no discurso pra bolsa de estudos da Jane me quebra DEMAIS KKKKKKKKKKK
visto em 02/07/2025
Public Speaking
4.0 11"há muita democracia na cultura. não há democracia suficiente na sociedade."
fui TÃO longe pra encontrar esse documentário da Laurinha Lero do Scorsese. valeu todo o esforço.
aqui a Fran Lebowitz fala sobre cultura, política, tradições, raça, gênero, direitos LGBTs, nostalgia, conflitos geracionais, senso de comunidade, o urbano, a escrita, a arte. tudo com o humor característico que em qualquer outra pessoa talvez pegasse mal mas que NELA funciona absurdamente bem.
tem algumas opiniões à primeira vista controversas, polêmicas. mas na real ela brinca com conceitos cristalizados na sociedade que intenciona soar meio absurdo até mesmo para as mentes mais desconstruídas.
aí a sagacidade de Fran: tornar o familiar tão estranho que você começa a se questionar sobre suas próprias ideias "evoluídas" e percebe que essas ideias tão pra frentex deveriam ser não algo extraordinário, mas comum, acessível a todos.
afinal, como Fran disse (algo aplicável a si mesma):
"aqui está o problema de estar à frente do seu tempo: quando todos terminam de fazer, você já está entediado."
o fascínio por ser alguém que sabe e diz o que pensa, não sendo sem noção. o choque sempre ali na falta de costume que as pessoas têm em lidar com alguém tão direto e aberto.
alguém que — ciente de suas falhas e glórias — em momento algum tenta se encaixar, mas apenas se expressar. impossível não se encantar.
visto em 25/06/2025
Titan: O Desastre da OceanGate
3.3 56 Assista Agora"— ele será praticamente indestrutível.
— foi a mesma coisa que disseram sobre o Titanic."
um nepobaby sem noção megalomaníaco picareta jura a si mesmo que vai levar um monte de gente ainda mais sem noção e com dinheiro para pagar por uma viagem até os escombros do Titanic, e será tão famoso quanto Jeff Bezos e o Elon Musk. só porque eles querem. só porque podem.
foram tantos erros que é difícil escolher por onde começar.
a personalidade dele já era totalmente problemática, narcisista e que levava toda preocupação com o submarino como uma crítica pessoal. mimado e stalker, mania de grandeza truando, se considerando capaz inclusive de subornar políticos do alto escalão a favor de seus próprios interesses.
a admiração por gente tão podre quanto ele. a necessidade absurda de provar que era macho, que mandava, que merecia todo o prestígio que jamais conseguiu ter (seja em vida, seja após a morte).
todos os funcionários avisando que daria ruim mas o cara foi lá e fez assim mesmo tudo planejado tudo de propósito, tirando do seu caminho das piores formas. todos os funcionários gradativamente caindo fora do projeto, sendo demitidos ou pedindo demissão. se um grupo de pessoas fala muito mal de algo, talvez tenha algo errado aí...
quanto mais assistia o documentário, mais o pensamento de "ele fez de propósito" martelava na minha mente. me recuso a entender que alguém botaria sua vida em risco mesmo sendo um teimoso arrogante que jamais admitiria que estava errado APENAS para provar um ponto. ficou acreditar que ele não queria morrer. mais fora da realidade foi quem confiou e embarcou nessa junto com ele.
documentário arrastado, chatinho até, mas vale a pena pela fofoca. valeria mais se
comentasse sobre o andamento das coisas pós-acidente ou como aconteceu o próprio, pois essa parte (a mais interessante) quase nem apareceu.
visto em 17/06/2025
Fora de Série
3.9 518 Assista Agora"eu estava com tanto medo de vocês que senti precisar provar que era melhor que vocês. mas, na verdade, eu não sei mais do que vocês. tudo o que eu sei é que temos muito a aprender."
Molly, o puro suco da adolescência nerd que sempre quis ser algo além de nerd mas nunca admitiu por um medo absurdo de não conseguir ou, pior: ser rejeitada. daí começa a rejeitar todos antes mesmo que tenham a chance de conhecê-la, criando esse falso senso de superioridade como auto proteção.
Amy, a quem o conforto de estar na própria pele (diferente de Molly) se confunde com a passividade e a preguiça de decidir o rumo da própria vida. alguém submissa às vontades e aos planos da melhor amiga.
uma das cenas que mais me pegam é a da Molly descobrindo que todos os queridos também entraram em ótimas universidades sem precisar sacrificar toda a diversão que o escola poderiam proporcionar. e fica indignada por todos terem sido mais espertos do que ela que, na verdade, sempre quis saber como era ter aquelas experiências.
imagina ser alguém unidimensional. alguém que só gosta de uma coisa ou outra, que vê tudo preto no branco em extremos opostos, que se julga tanto que não consegue simplesmente ser. pior: conhecer alguém assim que, por esses motivos, projeta tudo em você.
ambas queriam que seus conhecidos as enxergassem como divertidas, quando elas mesmas não se permitiam mudar sua opinião sobre eles. somente ao ver essas outras perspectivas as coisas melhoraram.
os conhecidos não são uma única coisa, os professores também não. as protagonistas, muito menos. nada é só "isso ou aquilo".
por isso, a pessoa mais FODA do filme inteiro da primeira vez que assisti foi e continua sendo a Gigi. alguém tão imersa no próprio mundinho que sequer pensa sobre o julgamento alheio, logo, não se julga. a personificação da liberdade. e nem por isso largou do Jared, seu protegido (que mais a protegia do que o contrário). mas os demais também são uns queridos.
as primeiras paixões, as idealizações e decepções, a descoberta da sexualidade, a força da lealdade na amizade. o fim de um ciclo é sempre o começo do próximo (ainda bem).
um filme sobre se permitir ver além das suas expectativas (até mudar de ideia quando necessário) e viver TUDO que há para viver (se quiser de verdade).
porém, principalmente, sobre como o inesperado pode ser incrível quando nos soltamos das regras malucas que criamos nas nossas próprias mentes.
off: realmente deveriam botar a Diana Silvers em mais papeis!
off 2: PASSADA que a Triple A é a ex namorada da Rachel Sennott em Shiva Baby. eu SABIA que lembrava dela de algum lugar e agora descobri de onde. incrível.
(assistido pela 1ª vez em 27/09/2022)
visto em 15/06/2025