Gostei do filme e me diverti muito, mas, lendo alguns comentários, descobri que, no geral, ele é considerado inferior ao primeiro. É um daqueles casos em que consigo reconhecer as críticas e até concordar com elas, mas ainda assim mantenho que minha experiência foi boa; portanto, vou deixar a nota mais alta. Às vezes, um filme tem certos problemas que simplesmente não incomodam durante a sessão. Suponho que outros elementos tenham me agradado a ponto de eu relevar o fato de que o texto não é tão afiado quanto o do primeiro. Gosto que tenham mantido o tom melancólico e reutilizado aquela música-tema tão marcante.
Sempre ouvi falar desse filme e nunca tinha assistido. Daí peguei pra ver em preparação para o novo capítulo lançado e quase caí pra trás com a imagem de vídeo estilo trabalho de faculdade dos anos 90. Definitivamente é uma escolha, já que nessa época o Danny Boyle já tinha feito coisas maiores: não é possível que tivessem tão pouco dinheiro que isso fosse o melhor que conseguiram fazer. Porém, contudo e todavia, apesar da qualidade da imagem em si, o filme é dirigido e fotografado com maestria, as performances são ótimas, o texto é enxuto e eficaz e, depois do choque inicial, eu já estava até achando a imagem ruim parte do charme. Me lembrou aquela primeira temporada de Doctor Who que, por coincidência, além de também ser britânica, também tinha o Christopher Eccleston no elenco.
Foi uma boa série de conforto, que acompanhei com minha família e que se tornou quase um pequeno evento em casa a cada novo episódio. Nesse sentido, foi prazerosa de assistir. No entanto, analisando com mais frieza, a série é descaradamente enviesada, escolhe quem é mocinho e quem é vilão sem a menor sutileza. Só faltou a música de fundo para avisar quem você deve odiar. A realidade é que o ser humano é complexo, e ninguém nessa história é inteiramente "bom" ou "mau".
Em resumo: trata-se de um bom passatempo, com produção competente e um elenco de qualidade, mas se o roteiro tivesse se dado ao trabalho de ser minimamente imparcial e realmente explorar a complexidade dessas figuras e suas relações, teríamos algo muito mais instigante. Do jeito que está, é só uma versão simplificada da vida real, servida em prato feito para não dar trabalho a ninguém.
As sequências de ação do filme são competentes, mas até elas acabam se tornando esquecíveis por causa da superficialidade dos personagens e da repetitividade da trama. Quantas ilhas secretas cheias de experimentos escondidos ainda podem existir? Parece que, a cada novo capítulo, sempre aparece mais uma. Quando anunciaram a volta do roteirista original, imaginei que a intenção fosse resgatar um pouco do espírito do primeiro filme: o encantamento, o suspense e até mesmo o terror que estavam presentes lá no início e que foram se diluindo à medida que a franquia passou a mirar cada vez mais no público infantil (ou no que os estúdios acreditam ser adequado para crianças).
No fim das contas, porém, o que recebemos é mais do mesmo: um elenco de personagens sem carisma, vivendo situações sem impacto. Em nenhum momento senti medo ou preocupação por eles, mesmo quando estavam prestes a ser devorados por monstros, simplesmente porque não havia qualquer conexão emocional. A família que surge no meio da trama deveria ter sido o foco dramático do filme, servindo como porta de (re)entrada nesse universo, já que ali havia verdadeiro potencial. Em vez disso, seguimos mais uma vez um grupo de mercenários financiados por um empresário inescrupuloso que só existe pra morrer. Muito batido.
Outro ponto que me incomoda profundamente é a insistência em criar espécies novas de dinossauros, algo que parece obrigatório em todos os capítulos de Jurassic World. Eu quero ver DINOSSAUROS, não kaijus. Se eu quiser ver kaijus, assisto a um filme do Godzilla. Além disso, as novas criaturas raramente têm um design interessante: o “grande vilão” desta vez é básico, sem graça e esteticamente feio. O irônico é que existem espécies reais de dinossauros muito mais impressionantes que qualquer uma dessas invenções. A série Prehistoric Planet, da Apple TV+, por exemplo, mostra criaturas incríveis que poderiam ter sido aproveitadas nos filmes. Então, por que insistir em criar monstros genéricos? Entendo que, dentro do universo da franquia, faz sentido explorar experimentos genéticos, mas gostaria que essas criações não ocupassem tanto espaço e não ofuscassem o que realmente importa.
No fim, o filme desperdiça a chance de revitalizar a franquia. Em vez de resgatar o encanto e a tensão do original, opta por fórmulas batidas, personagens sem vida e monstros genéricos. O resultado é um espetáculo barulhento, mas vazio, e mais uma prova de que a saga parece ter esquecido o que a tornou especial.
Talk to Me, o filme anterior dos mesmos cineastas, tinha um conceito muito mais original. Já Bring Her Back trabalha com elementos mais comuns e de uma forma também mais convencional dentro do gênero: em vários momentos, me lembrou bastante Hereditário, por exemplo. Ainda assim, trata-se de uma produção muito bem executada, principalmente pela ousadia nas cenas de gore e choque, e até mesmo nas escolhas sobre quais personagens vivem ou morrem. Em certos aspectos, nem parece um terror de Hollywood, que costuma ser muito mais conservadora nesse tipo de decisão.
Os grandes estúdios, em geral, preferem que o público saia da sala de cinema com uma sensação confortável, e é por isso que tantas vezes me decepciono com filmes de terror que deveriam causar desconforto, mas acabam sendo “água com açúcar”. Este, ao contrário, enfia o dedo fundo na ferida, exatamente do jeito que eu gosto. Espero que sirva de inspiração para outras produções do gênero seguirem um caminho igualmente ousado.
Fiquei bastante decepcionado com esse filme, ainda mais depois de Superman, que trouxe um fôlego renovado às adaptações de super-heróis ao abraçar, sem medo, os absurdos do gênero. Quarteto Fantástico, infelizmente, foi tudo, menos fantástico.
A trama começa com uma série de flashbacks que resumem a trajetória da equipe desde sua origem até o momento presente. E justamente nesses flashbacks está o filme que eu gostaria de ter assistido: a equipe vivendo grandes aventuras, salvando a cidade de vilões excêntricos com planos mirabolantes e sendo celebrados como verdadeiras rockstars pelo público. O problema é que o longa que recebemos acontece depois de tudo isso, e o resultado é uma narrativa arrastada e sem brilho, como se o melhor já tivesse ficado para trás.
É verdade que finalmente temos o Galactus apresentado em toda a sua glória cartunesca, mas, surpreendentemente, ele é um vilão desinteressante. Como conseguiram a proeza de transformar uma força cósmica devoradora de planetas em uma ameaça tão fraca? Era a oportunidade perfeita para transmitir um senso de urgência e perigo sem precedentes, mas, em vez disso, a sensação é de que seria mais divertido vê-los enfrentando o Homem-Toupeira.
Outro ponto frustrante é o uso dos poderes da equipe. Já vi animações feitas por fãs que mostram interações entre os heróis muito mais criativas e inventivas do que qualquer coisa presente aqui. Há momentos isolados de inspiração (como quando Sue fica invisível para que Reed consiga enxergar o bebê em seu útero, cena inédita no cinema) mas, no geral, o potencial é desperdiçado. Nos quadrinhos, Reed está sempre se esticando e deformando de formas inesperadas, explorando ao máximo a bizarrice de seus poderes. No filme, porém, ele quase não faz nada além de esticar braços e pernas, e tão pouco que você chega a esquecer que ele sequer tem esse dom.
Eu gostaria que os roteiristas (e são uns cinco, o que é impressionante para um enredo tão raso) tivessem criado conceitos mais sofisticados de ficção científica, algo no espírito do que vemos em Rick and Morty ou Doctor Who: ideias malucas, mas inteligentes, capazes de despertar curiosidade e me deixar boquiaberto. E eu fiquei mesmo de boca aberta, mas é porque eu tava bocejando.
O clímax é constrangedor. O vilão passa o tempo todo andando de um lado para o outro e é derrotado de forma absurdamente fácil. Reed, que deveria ser não apenas incrivelmente elástico, mas também o homem mais inteligente do mundo, não se mostra nem uma coisa nem outra. Johnny e Ben são praticamente descartáveis: não têm arcos dramáticos, não possuem personalidades fortes, e acabam soando irrelevantes. Já Sue e Reed só se salvam porque seus intérpretes são carismáticos e já carregam uma reputação que ajuda a sustentar os personagens.
A estética retrô-futurista tem seu charme, mas fica só na superfície, poderia ser muito mais bem explorada. E esse é justamente o maior problema do filme: havia um enorme potencial para algo memorável, mas o resultado final é preguiçoso, previsível e sem ousadia. Foi por isso que saí do cinema tão frustrado.
Essa chamada "era moderna" das adaptações de super-heróis dos quadrinhos para o live-action teve início com a Marvel e seu ambicioso universo compartilhado a partir de Homem de Ferro. Antes disso, já havia diversas adaptações para o cinema e a TV, mas cada herói existia isolado em sua própria bolha. Muitas dessas produções eram tratadas pelos estúdios de forma pouco séria, lançadas no mercado como mero entretenimento infantil descartável. Outras, em contrapartida, buscavam ser reconhecidas como "cinema de verdade", afastando-se deliberadamente de suas origens para tentar conquistar um público mais amplo.
O próprio MCU começou de maneira mais "pé no chão", cauteloso em sua abordagem, e só aos poucos foi abrindo espaço para elementos mais fantásticos: a magia que não precisa se disfarçar de ciência, os uniformes mais chamativos, os conceitos mais absurdos. E isso faz sentido, afinal, os quadrinhos sempre foram exatamente isso: um grande absurdo levado a sério, com peso dramático e perigo real, mesmo em meio às cores vibrantes e à lógica particular do gênero.
Dito isso, depois de tantos anos de Marvel e DC e de os filmes de super-heróis se tornarem tão populares a ponto de consolidarem um subgênero próprio em Hollywood, este novo Superman de James Gunn é o primeiro que realmente se parece com uma revistinha em quadrinhos transposta para o cinema. Sim, a Marvel já realizou inúmeros crossovers, mas Superman é diferente: é um filme colorido, solar, vibrante. Somos lançados de imediato em um mundo onde heróis e vilões já são parte do cotidiano, onde a aparição de uma arraia interdimensional gigante lançando raios no centro da cidade é apenas mais uma quinta-feira. Onde é plausível que um grande empresário invejoso mantenha macacos escravizados na tarefa de espalhar ódio no Twitter.
E o mais impressionante: nada disso é tratado como paródia. Gunn encontra um equilíbrio raro, uma mistura desafiadora de tons com a qual Hollywood não costuma lidar e que o público de cinema, em geral, ainda resiste em consumir. Foi uma aposta ousada, que poderia ter dado muito errado. Alguns críticos chegaram a sugerir, com base no marketing, que o filme falaria apenas aos fãs hardcore de quadrinhos. Mas, ao ancorar sua narrativa em elementos humanos, reais e universais, e ao tratar seus momentos dramáticos com seriedade, James Gunn construiu uma obra de apelo genuinamente universal.
O filme, claro, não é isento de falhas. O elenco do Planeta Diário quase não tem tempo de tela, o que é uma pena, já que os atores parecem carismáticos e capazes de dar vida a personagens divertidos e marcantes. Outro ponto é o dilema do Superman: sua vontade de fazer o bem de forma quase ingênua, ignorando as complexidades geopolíticas do mundo, surge como um conflito instigante, mas é rapidamente abandonado em favor de outra questão, que é o peso de sua herança kryptoniana e os motivos que o definem como herói. Ambos os arcos têm potencial, mas nenhum deles é desenvolvido a fundo, deixando o roteiro mais superficial do que poderia ser para um blockbuster desse porte.
Particularmente, achei o primeiro conflito muito mais intrigante, especialmente como aparece na longa entrevista de Lois com Clark, uma cena ousada para um filme de ação voltado a uma geração acostumada ao ritmo frenético do TikTok. Infelizmente, Gunn opta por não explorar essa vertente com a mesma intensidade.
Outro aspecto que me incomodou foi o tratamento de cor. É verdade que o filme é vibrante, iluminado e se passa em grande parte à luz do dia (um alívio em contraste com a tendência atual de produções que se escondem nas sombras), mas o visual acaba prejudicado por um “filtro” que remete mais a edição barata de Instagram do que à textura de uma película tradicional de cinema. Ainda assim, a estranheza inicial se dissipa rápido, principalmente se a sessão for em uma tela de qualidade, seja no cinema ou em casa.
No fim das contas, Superman marca um início sólido para esse novo universo. É uma adaptação que faz jus ao personagem, resgatando e explorando com inteligência seus melhores elementos. O filme me divertiu, me empolgou, me impressionou e, acima de tudo, me deixou com aquele gostinho de quero mais que só as boas histórias conseguem provocar. Mal posso esperar por Supergirl no ano que vem e pelos próximos capítulos dessa nova saga.
Meu Deus que BOMBA! Me pegou de surpresa, eu realmente não esperava que fosse conseguir ser tão ruim. Esse filme nunca se compromete inteiramente com seu lado galhofa, que seria o correto a se fazer, e acha que precisa perder tempo precioso estabelecendo situações dramáticas desinteressantes e arrastadas, que ficam adiando as lutas que no final das contas nem são tão boas assim pra fazer valer a espera. Boa parte da coreografia é lenta e deliberada demais, como se fosse um ensaio, além claro da pouca quantidade de confrontos; o filme acaba de repente e deixa a impressão de estar incompleto, como se fosse o primeiro episódio de uma série. Tá tudo bem estabelecer ganchos pra uma continuação, mas o filme presente precisa ser emocionalmente satisfatório. Muito pouco memorável e entediante, o filme tem momentos legais aqui e ali e no geral tem um visual maneiro, mas foi muito aquém do esperado em todos os sentidos. Já vi coisa bem melhor em tudo oq esse filme se propôs a fazer.
No fim as mortes não tem impacto nenhum, já que fica implícita a ressurreição de todos os derrotados, um tipo de reset que obviamente existe nos games mas que não funciona numa narrativa audiovisual. Você precisa que a história ande, que os acontecimentos sirvam a algum propósito, senão é só um videoclipe. E ta tudo bem, eu gosto de videoclipes, mas pelo menos impressiona visualmente e nem isso o filme faz. A luta final é maneira, mas é a única e é a última. As demais tem partes empolgantes mas como falei são irregulares demais.
Muito bem realizado, cativante e poderoso, passa uma mensagem grandiosa usando elementos simples (não que um plano sequência de 20 min seja simples, e parabens ao diretor por fazer isso de verdade, sem truques). Eu só realmente não entendi a cena final, se alguém puder me explicar o motivo do protagonista ter feito aquilo... rs
Tipo, eu li por aí que representa a desilusão dele, já que de repente a bike não parecia mais tão importante... mas não seria melhor deixar a bike pro outro, que pode muito bem ser liberado e voltar a trabalhar? Só faria sentido se ele soubesse com ctz que o cara seria deportado, mas nem assim, pq aposto que a família dele faria bom uso do negócio rs
WW84 não é o filme que a gente esperava mas isso não o torna necessariamente ruim. Tenho visto muita empolgação na hora de falar mal do filme, e se no início as críticas negativas faziam sentido e eram bem balanceadas com as positivas, agora quanto mais se fala mal, mais se fala mal, como se fosse por diversão mesmo. Vejo esse fenômeno acontecendo com muitas produções de tv e cinema com grande apelo popular: o amor e o ódio a obra são sempre absolutos e quase ninguém escolhe uma abordagem mais ponderada (algumas dessas produções são tão mal faladas que dão a volta e de repente passam a ser aclamadas de novo, num bizarro revisionismo emocional, tais como as prequels de Star Wars, ou o final de Lost).
WW84 opera numa lógica inocente e fantasiosa, bem diferente do tom cínico e mais pseudo-realista dos filmes de herói atualmente. O filme tenta replicar o tom de filmes de ação e fantasia da época em que se passa, os anos 80, e resolve contar uma história mais íntima e humana, com uma resolução conciliadora e inspiradora ao invés de bélica e punitivista. Eu acho que o filme merece aplausos pela ousadia de tomar esse caminho tão inesperado e ir com ele até o fim, sem medo de cair de cara na breguice, pro bem e pro mal. WW84 se parece com um episódio de Doctor Who com uma pitadinha de Steven Universe e 200K a mais no orçamento; quem curte essas séries talvez consiga engolir melhor a frustração de não termos a Diana sentando porrada em algum vilão megapoderoso numa estrutura de ação mais contemporânea e tradicional.
Infelizmente, no entanto, mesmo compreendendo e aceitando as logicas internas do filme, nos vemos obrigados a perdoar muitos erros e conveniências, desenvolvimentos estranhos de personagens, um ritmo irregular e uma trama por vezes incoerente que deixa muitas perguntas no ar e exige um nível de abstração demasiado grande ao espectador para poder ser realmente apreciada. O climax é duplamente frustrante: num primeiro momento por ser bobinho e antiquado demais ao invés de algum grande desafio físico e intelectual pra protagonista, e logo depois por não ser tão convincente ou emocionante assim nem mesmo dentro do tom que escolheu seguir. Temos poucas cenas de ação e um romance central falho, feito apenas para reciclar a química entre Gal Gadot e Chris Pyne, um dos pontos altos do primeiro filme; eu até curti a participação dele nessa segunda parte, porém acredito que ele não seja um desenvolvimento justo pra Mulher Maravilha. Não entendo o motivo de transformar a personagem numa viúva eterna desse cara que ela conheceu durante uma semana 70 anos antes. Eles poderiam ter usado o romance na narrativa sem precisar transformar a MM numa freira infeliz solitária. Esse é só um exemplo das muitas decisões esquisitas e preguiçosas que o filme faz, todos pontos que poderiam ser facilmente resolvidos com algumas revisões a mais no roteiro, o que me leva a crer que eles resolveram filmar o primeiro rascunho só de sacanagem.
Eu amo as cenas de ação do filme, ainda que sejam poucas, adoro os vilões, seu conceito e representação, ainda que nenhum deles apresente um desafio grande o bastante pra Diana. Creio que poderiam manter um deles e dar a outra vaga pra alguém mais poderoso e grandioso. Eu amo ambos os atores, mas acho que ficaria só com a Cheetah e exploraria melhor o relacionamento das duas e a sua queda pro lado sombrio da força. Adoro a fotografia do filme, a edição e montagem que são tão evocativas de filmes de ação dos anos 80, deixando evidente o quão talentosa Patty Jenkins é como cineasta e acho que a Gal melhorou muito sua performance. Esse filme é autoral e tem coração, a despeito de suas falhas narrativas e questões problemáticas.
Não entendi nada outra produção sobre esse tema, esperava algo mais criativo e temos séries recentes que tratam do assunto de forma mais interessante. As atrizes são boas mas bidimensionais e o filme não inova em nada dentro dos clichês que se propõe a usar. Faltou inovação, é como se eu tivesse vendo uma versão piorada de algo que já vi várias vezes.
Como comédia esse filme não é tão engraçado, como paródia não aproveita tão bem assim suas inspirações originais e principalmente como slasher ele é uma decepção, pois o número de mortes é baixíssimo e só morrem personagens previsíveis. A única cena legal é a sequência de abertura, a partir daí é só ladeira abaixo.
Dessa vez Nolan esqueceu de embrulhar suas ideias ambiciosas numa embalagem mais acessível racional e emocionalmente. Geralmente Nolan consegue balancear melhor seu amplo escopo visual, suas ideias mirabolantes e as reflexões que propõe com o aspecto humano da história. Tenet é visualmente incrível, num nível que poucos blockbusters tem se aventurado, só consigo pensar em 007 e Missão Impossível como outros filmes de ação tão ambiciosos quanto, e Tenet ganha pontos extras por ser uma ideia original do cineasta, não é adaptação ou reboot de nada. Infelizmente Tenet é complicado demais, não consegue explicar o conceito de inversão temporal nem a mecânica dos eventos no filme de forma simples, requer um extremo esforço mental e fica parecendo aquele exercício de física que você até acha interessante mas que é muito chato de aprender pra fazer prova depois. Pra piorar seus personagens são propositalmente superficiais, uma ideia que Nolan deve ter achado genial, então só me resta presumir que o resultado final não tenha sido o que ele esperava, já que me custa acreditar que um cineasta de seu talento tenha realmente achado uma boa ideia NÃO criar arcos emocionais interessantes e personagens carismáticos. Tenet tem boas ideias mas seu roteiro precisava da opinião de mais algumas pessoas para que o conceito fosse melhor aproveitado enquanto entretenimento. Esse filme é oq acontece quando um cineasta muito pretensioso é deixado solto com toda a liberdade criativa e todo o dinheiro que precisa.
Muito lenta, personagens desinteressantes. Se fosse essa mesma ideia, mas desenvolvida por um Damon Lindelof ou Sam Esmail da vida teria sido bem melhor.
Impressionado como conseguiram gastar tanto dinheiro numa produção tão luxuosa e o resultado ser tão chato. Achei os participantes pouco carismáticos, não são memoráveis e os jurados muito metidos, com uns comentários abstratos demais. Das imitações de Project Runway eu ainda prefiro Next in Fashion, mesmo curtindo a Heidi e o Tim e mesmo com todo o luxo da produção.
Documentário muito interessante que me fez ter antipatia por ambos os lados. Dá uma tristeza ver os cristãos conservadores e seu preconceito contra novos povos e filosofias, e uma tristeza ainda maior quando essa minoria perseguida acaba dando motivos reais para que os perseguidores tenham sua vitória. Acho que Ma Anand Sheela precisa entrar pro panteão de grandes vilãs do mundo, uma personalidade extremamente fascinante que me fez torcer por ela, mesmo sendo uma criminosa. Decepcionado com Rajneesh, de quem eu conhecia um pouco de nome, e que aqui se revela um mestre materialista e misógino. Acho que o documentário poderia dedicar algum tempo para explicar no que consiste os ensinamentos dele, pq as pessoas não o seguiam apenas por sua personalidade. Acho que ajudaria a pintar um quadro mais amplo da religião e da extrema devoção que as pessoas sentiam. No geral é um documentário democrático que tenta não tomar lados, a não ser por esse detalhe.
O primeiro Ip Man foi o que melhor equilibrou história e ação: eu assisti ansioso pelas lutas e estava impaciente durante as cenas envolvendo draminhas de personagens secundários, mas todas elas são essenciais para gerar o impacto necessário na gente e no protagonista, motivando ele a partir pra porrada. É a classica história do guerreiro hesitante, que prefere a paz, mas é forçado pelas circunstâncias a fazer alguma coisa, mas é feito de forma sincera e povoado de bons personagens. O segundo é incrível na ação mas o mais fraco em trama. São só várias desculpas para a ação acontecer e não tem muito mais além disso. Eu não reclamo, as lutas são o que eu realmente quero ver e quanto a isso o filme chega a ser mais legal que o 1 em vários momentos. Essma e 3 tenta recuperar um pouco da ´profundidade dramatica do 1, mantendo o nível de ação, e seria uma boa ideia se tivesse dado certo. Achei as tramas desconexas, episódicas, o filme se divide entre dois "vilões" e acaba não dando tempo pra desenvolver direito nenhum deles. Myke Tyson tá canastríssimo, e eu abandonaria aquele plot pra focar apenas no Jin Zhang, esse sim um personagem interessante. Parece que já sabiam que fariam um spin-off dele e colocaram ali só pra isso. Ficou bem jogado. As lutas são muito legais mas poderiam ter sido maiores em quantidade, já que a história nem é tão boa. O drama com a esposa seria mais legal se mostrassem do ponto de vista dela. Ela passa todos os filmes calada, no canto, sendo a esposa resignada, e até em sua maior tragédia pessoal ela continua preferindo ser altruista e colocando os desejos de seu marido em primeiro lugar. Seria mais interessante se os roteiristas tivessem aproveitado a oportunidade para explorar mais facetas desse personagem, que sempre foi um detalhe na vida do protagonista.
O filme é uma merda, mas os efeitos são bons sim. É bizarro ver gatos com cara de gente nesse contexto, mas os mesmos personagens com itos mesmos efeitos funcionariam muito bem se fossem criaturas num sci fi, por exemplo. Acho que o filme é muito chato pq não tem história, não tem músicas legais além de Memory, e nenhuma coreografia é tão legal assim. Mas o CGI em si e o visual dos gatos é maneiro.
O final da parte 2 já deixava claro que essa serie dificilmente poderia continuar com a mesma qualidade. Ja não teria o mesmo impacto e novidade da trama original, a nao ser que os roteiristas realmente inventassem algo totalmente diferente e igualmente inovador e dificilmente um raio cai duas vezes no mesmo lugar. Porem, contudo e todavia, eu fiquei feliz pela continuação assim mesmo, pq foda-se, eu amo os personagens e o universo, sou cadelinha da serie e tava curioso pra ver mais. A parte 3 foi legal, apesar de logo de cara eu achar o plano deles mais simples. Parte do gosto do primeiro atraco era ir vendo o passo a passo do intrincado plano, mesmo com os furos e conveniências, mas e isso que e legal num heist movie. Dessa vez o plano inicial não tem tantas camadas assim, depois que eles arrumam um jeito de navegar dentro da câmara e começam a derreter o ouro, ja não tem nada pra fazer alem de segurar a barra la dentro. A unica parte do plano que falta conhecer e a fuga, como que o Professor planejou tira-los de la e pq o ouro tem tanta importância assim nesse esquema. A parte 4 foi pior que a 3 pra mim justamente por isso... se ja tinha um plano mais simples pra começo de conversa, a 4 então não tem plano nenhum. Eles passam a temporada inteira apenas lidando com os problemas pendentes, o resgate da Lisboa, o tiro na Nairóbi e o chefe de segurança. Alem disso a serie preenche tempo com uns dramas chatos envolvendo ciume e vários flashbacks MEGA desnecessários do Berlim, que não acrescentam nada nem pra historia nem pro personagem. Puro fanservice vazio que só enfraquece o peso da morte do personagem, ja que ele fica aparecendo mais ate do que alguns que ainda estão vivos. Nao gosto muito tb como a serie fica tentando fazer os personagens parecerem heróis do povo, sendo que eles são só assaltantes que foram roubar dinheiro pra si mesmos. Os roteiristas fazem questão de fazer os policiais serem corruptos e violadores de direitos humanos pra tentar "amenizar" os atos dos assaltantes, mas acho forçado. A gente já ta do lado deles, não precisa martirizar os caras e transformar os personagens da policia em caricaturas. Acho que no geral o povo ficaria a favor da policia, afinal a galera acha que bandido bom e bandido morto. Podiam mostrar mais do publico que ta contra eles ao invés da galera que ta a favor. Eu achei os dois últimos episódios empolgantes, gostei das cenas de ação, da nova personagem trans que provavelmente deve ganhar mais espaço na próxima temporada, e curti ver os personagens sentindo de verdade o peso estressante da situação em que se encontram, com questões de raiva e desespero vindo a tona. Achei um erro não ter encerrado esse roubo, pq se essa temporada toda já foi um filler, o que sera que eles vão inventar pra próxima? Eu não me importo de continuar vendo Casa de Papel pra sempre, mas inventem novos roubos ou novas situações. Acho que esse cenário em especial, do Banco da Espanha, já saturou.
Eu gosto da morte da Nairóbi pq a gente precisa ter acontecimentos grandiosos e definitivos na vida dos personagens, pra sentir que realmente estão em perigo e que tudo pode acontecer, ainda mais numa temporada em que tudo parece fanservice inconsequente. Por outro lado, obviamente fiquei triste pq a personagem vai deixar um buraco que ninguém vai tapar.
Fiquei muito p da vida pq estava sedento por um slasher e oq eu vi n foi nada do tipo. Nenhuma morte e mostrada, a câmera corta toda vez que algo vai acontecer e os corpos são revelados depois do assassinato. Uma pena, pq tem personagens interessantes e distintos, embora eu toda hora confundisse as garotas, que são quase todas loiras.
Ok, as mortes não aparecem justamente pq elas são fake, mas por mais que esse twist seja engraçadinho, não tira o fato de que ele existe em detrimento das sequencias de assassinato maneiras que ele poderia ter. Por mais interessante que seja, não compensa a chatice do resto do filme.
Mano que bomba! A ação é espetacular, e eu gosto da direção de videoclipe do Bay, mas sem um bom roteiro por trás é foda. Sem contar que eles matam MUITA gente inocente durante o filme. No ato final eles passam por cima de vários barracos numa favela, e o Will Smith gritando "UHUUUUULL" como se fosse muito legal. A cena é linda, mas quando você pensa nas mulheres e crianças que tavam de boa em casa enquanto eles passam por cima delas, a coisa muda um pouco de figura. Os protagonistas são carismáticos, mas no primeiro eles pareciam pessoas reais, dois amigos de verdade. Nesse outro eles são caricaturas do que eram antes, o Marcus virou um idiota completo e o bate-volta entre eles não é inteligente nem realista, é só uma coleção de frases de efeito. Muito estilo, nenhuma substância e um humor cringe e algumas vezes ofensivo.
Revi esse filme ontem, pois pretendo rever TROS e só tinha TLJ umas duas ou três vezes no cinema na época e nunca mais. E segue sendo meu favorito dessa trilogia e um dos melhores da série toda. Rian Johnson é um excelente roteirista. Ele consegue dar um arco dramático completo e coerente para todos os protagonistas, e ainda arrumar tempo para desenvolver personagens secundários memoráveis, ainda que tenham poucos minutos de tela. Toda a sequência de abertura é excitante e bem coreografada, mas se torna mais emocionante instantaneamente só por mostrar o sacrifício de uma pessoa que a gente nem conhece. Todas as cenas de ação desse filme são bem coreografadas e distintas visualmente, as batalhas espaciais são ótimas e os mundos criados são deslumbrantes. Eu gosto até mesmo da infame visita ao cassino, pois nos proporciona uma visita a um lado inexplorado da galáxia em guerra, além dos soldados rebeldes e "imperiais". Adoro a quebra de expectativas, pq te deixa se questionando a todo tempo qual vai ser o rumo da história, e é isso que você quer ao ver um filme, ser surpreendido. E toda decisão tomada aqui é pro benefício da trama, pra empurrar os conceitos pra frente e trazer novos desenvolvimentos interessantes para os personagens. Até hoje não vi nenhuma crítica negativa que faça algum sentido, apenas pessoas chorando pq queriam que o Snoke fosse mais importante, sendo que esse detalhe não faz a menor diferença. A história pode ser boa ou não, independente de quem o Snoke seja, ou se o Luke tivesse continuado um idealista bidimensional. Foram decisões criativas que criaram uma história maneira de assistir, e é isso que importa. Snoke serviu para elevar o personagem do Kylo Ren, o verdadeiro vilão da história, e um Luke desiludido e cansado é uma faceta nova do personagem, muito mais interessante do que o seu lado já conhecido por nós. É um filme profundo que equilibra ação com desenvolvimento inteligente de personagens, uma bela continuação do filme anterior que serviu pra colocar as peças no tabuleiro, e é uma pena que sua sequência tenha sido tão superficial e repetitiva.
Eu tinha gostado muito da 11ª temporada, mais do que a maioria das pessoas. Ela tem episódios individuais muito bons, o problema é que como um todo ela falha em entregar momentos explosivos entre esses episódios "Monstro da semana" o que a torna meio esquecível e morna. A 12ª tem episódios tão bons quanto, alguns muito melhores, e trás ainda um plot central mais intrigante e explosivo. Os companions são fracos, infelizmente, mas até eles tiveram um uso bem melhor esse ano. Ryan continua sobrando, pra mim, mas Graham é fundamental e Yaz serve bem seu propósito. Os episódios esse ano tiveram como característica principal um número enorme de personagens e tramas paralelas que você não sabe como vão se unir no final, até que se unem e tudo faz sentido. Alguns conseguiram ser mais satisfatórios que outros nesse sentido, e eu gostei muito da excitação e mistério que esse formato trouxe. Engraçado é que essa temporada tem menos crítica social que a anterior, mas só pq a mensagem climática em Orphan 55 (um dos mais fracos da temporada) é super didática e "Na cara" os fãs chatos de internet estão chorando mais do que nunca. Descansa, anti-militância, vocês são muito chatos. Jodie continua sendo a alma da série, a sua versão do personagem é deliciosa de assistir. O novo Mestre demorou pra me ganhar, confesso que fiquei dividido no começo, mas sua participação no fim me ganhou de vez. Sacha Dawan foi muito comparado ao John Simm, mas acho seu Mestre muito diferente. Ambos são maníacos insanos, mas acho que o Sacha tem um lado sombrio muito mais ameaçador do que o Simm, que sempre foi mais cartunesco. A cinematografia, efeitos especiais e valores gerais de produção foram de primeira, e é muito bom ver a série ficando melhor nisso a cada ano. Qual série que você conhece que só melhora, mesmo depois de 12 anos ininterruptos no ar? Os novos elementos adicionados a mitologia da Doutora no final foram muito interessantes e adicionaram ainda mais mística e mistério a origem do personagem. Essas revelações não serviram muito pro episodio em si, mas abrem possibilidades narrativas pro futuro que, se usadas corretamente, podem render ótimas oportunidades narrativas e novas histórias incríveis. Cybermen não são meus vilões favoritos, e eu não consigo sentir nenhuma ameaça vindo deles (acho o uso deles no finale do Capaldi o melhor até hoje) mas o finale foi elétrico e emocionante assim mesmo. Tudo o que queremos de uma boa temporada de DW está presente esse ano e eu só quero ver o que vai acontecer com as pontas que ainda estão soltas.
A Doutora tem mesmo um limite de 12 vidas? Se esse limite foi imposto por Tecteun, isso significa que no fim de seu ciclo o Matt Smith não estava morrendo de vez e o novo ciclo dado pelos Timelords foi a toa? Ou esse limite também foi imposto a Timeless Child? E onde a Doctor Ruth se encaixa nessa história toda? Agora só nos resta esperar.
Não sou fã de corridas na vida real, mas amo uma corrida bem filmada na ficção. Esse filme tem umas sequências muito emocionantes e e gostaria que tivesse muito mais. A química entre os protagonistas é muito boa e Christian Bale é o coração do filme. Não fosse por sua história e seu jeito doce e doidão, talvez o resto do filme não fosse tão interessante. A história da briga entre corporações não é suficiente pra segurar um filme, afinal quem quer escolher uma torcida entre dois empresários ricos? O filme é esperto em concentrar seu foco na trajetória pessoal dos protagonistas, que estão ali por algo "Maior" do que simplesmente domínio corporativo. É um filme "de menino", bem hétero, então achei que não fosse gostar muito, mas achei bem divertido.
Extermínio 2
3.4 746 Assista AgoraGostei do filme e me diverti muito, mas, lendo alguns comentários, descobri que, no geral, ele é considerado inferior ao primeiro. É um daqueles casos em que consigo reconhecer as críticas e até concordar com elas, mas ainda assim mantenho que minha experiência foi boa; portanto, vou deixar a nota mais alta. Às vezes, um filme tem certos problemas que simplesmente não incomodam durante a sessão. Suponho que outros elementos tenham me agradado a ponto de eu relevar o fato de que o texto não é tão afiado quanto o do primeiro. Gosto que tenham mantido o tom melancólico e reutilizado aquela música-tema tão marcante.
Extermínio
3.7 1,1K Assista AgoraSempre ouvi falar desse filme e nunca tinha assistido. Daí peguei pra ver em preparação para o novo capítulo lançado e quase caí pra trás com a imagem de vídeo estilo trabalho de faculdade dos anos 90. Definitivamente é uma escolha, já que nessa época o Danny Boyle já tinha feito coisas maiores: não é possível que tivessem tão pouco dinheiro que isso fosse o melhor que conseguiram fazer. Porém, contudo e todavia, apesar da qualidade da imagem em si, o filme é dirigido e fotografado com maestria, as performances são ótimas, o texto é enxuto e eficaz e, depois do choque inicial, eu já estava até achando a imagem ruim parte do charme. Me lembrou aquela primeira temporada de Doctor Who que, por coincidência, além de também ser britânica, também tinha o Christopher Eccleston no elenco.
Chespirito: Sem Querer Querendo
3.5 109 Assista AgoraFoi uma boa série de conforto, que acompanhei com minha família e que se tornou quase um pequeno evento em casa a cada novo episódio. Nesse sentido, foi prazerosa de assistir. No entanto, analisando com mais frieza, a série é descaradamente enviesada, escolhe quem é mocinho e quem é vilão sem a menor sutileza. Só faltou a música de fundo para avisar quem você deve odiar. A realidade é que o ser humano é complexo, e ninguém nessa história é inteiramente "bom" ou "mau".
Em resumo: trata-se de um bom passatempo, com produção competente e um elenco de qualidade, mas se o roteiro tivesse se dado ao trabalho de ser minimamente imparcial e realmente explorar a complexidade dessas figuras e suas relações, teríamos algo muito mais instigante. Do jeito que está, é só uma versão simplificada da vida real, servida em prato feito para não dar trabalho a ninguém.
Jurassic World: Recomeço
2.7 460 Assista AgoraAs sequências de ação do filme são competentes, mas até elas acabam se tornando esquecíveis por causa da superficialidade dos personagens e da repetitividade da trama. Quantas ilhas secretas cheias de experimentos escondidos ainda podem existir? Parece que, a cada novo capítulo, sempre aparece mais uma. Quando anunciaram a volta do roteirista original, imaginei que a intenção fosse resgatar um pouco do espírito do primeiro filme: o encantamento, o suspense e até mesmo o terror que estavam presentes lá no início e que foram se diluindo à medida que a franquia passou a mirar cada vez mais no público infantil (ou no que os estúdios acreditam ser adequado para crianças).
No fim das contas, porém, o que recebemos é mais do mesmo: um elenco de personagens sem carisma, vivendo situações sem impacto. Em nenhum momento senti medo ou preocupação por eles, mesmo quando estavam prestes a ser devorados por monstros, simplesmente porque não havia qualquer conexão emocional. A família que surge no meio da trama deveria ter sido o foco dramático do filme, servindo como porta de (re)entrada nesse universo, já que ali havia verdadeiro potencial. Em vez disso, seguimos mais uma vez um grupo de mercenários financiados por um empresário inescrupuloso que só existe pra morrer. Muito batido.
Outro ponto que me incomoda profundamente é a insistência em criar espécies novas de dinossauros, algo que parece obrigatório em todos os capítulos de Jurassic World. Eu quero ver DINOSSAUROS, não kaijus. Se eu quiser ver kaijus, assisto a um filme do Godzilla. Além disso, as novas criaturas raramente têm um design interessante: o “grande vilão” desta vez é básico, sem graça e esteticamente feio. O irônico é que existem espécies reais de dinossauros muito mais impressionantes que qualquer uma dessas invenções. A série Prehistoric Planet, da Apple TV+, por exemplo, mostra criaturas incríveis que poderiam ter sido aproveitadas nos filmes. Então, por que insistir em criar monstros genéricos? Entendo que, dentro do universo da franquia, faz sentido explorar experimentos genéticos, mas gostaria que essas criações não ocupassem tanto espaço e não ofuscassem o que realmente importa.
No fim, o filme desperdiça a chance de revitalizar a franquia. Em vez de resgatar o encanto e a tensão do original, opta por fórmulas batidas, personagens sem vida e monstros genéricos. O resultado é um espetáculo barulhento, mas vazio, e mais uma prova de que a saga parece ter esquecido o que a tornou especial.
Faça Ela Voltar
3.8 763 Assista AgoraTalk to Me, o filme anterior dos mesmos cineastas, tinha um conceito muito mais original. Já Bring Her Back trabalha com elementos mais comuns e de uma forma também mais convencional dentro do gênero: em vários momentos, me lembrou bastante Hereditário, por exemplo. Ainda assim, trata-se de uma produção muito bem executada, principalmente pela ousadia nas cenas de gore e choque, e até mesmo nas escolhas sobre quais personagens vivem ou morrem. Em certos aspectos, nem parece um terror de Hollywood, que costuma ser muito mais conservadora nesse tipo de decisão.
Os grandes estúdios, em geral, preferem que o público saia da sala de cinema com uma sensação confortável, e é por isso que tantas vezes me decepciono com filmes de terror que deveriam causar desconforto, mas acabam sendo “água com açúcar”. Este, ao contrário, enfia o dedo fundo na ferida, exatamente do jeito que eu gosto. Espero que sirva de inspiração para outras produções do gênero seguirem um caminho igualmente ousado.
Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
3.4 550 Assista AgoraFiquei bastante decepcionado com esse filme, ainda mais depois de Superman, que trouxe um fôlego renovado às adaptações de super-heróis ao abraçar, sem medo, os absurdos do gênero. Quarteto Fantástico, infelizmente, foi tudo, menos fantástico.
A trama começa com uma série de flashbacks que resumem a trajetória da equipe desde sua origem até o momento presente. E justamente nesses flashbacks está o filme que eu gostaria de ter assistido: a equipe vivendo grandes aventuras, salvando a cidade de vilões excêntricos com planos mirabolantes e sendo celebrados como verdadeiras rockstars pelo público. O problema é que o longa que recebemos acontece depois de tudo isso, e o resultado é uma narrativa arrastada e sem brilho, como se o melhor já tivesse ficado para trás.
É verdade que finalmente temos o Galactus apresentado em toda a sua glória cartunesca, mas, surpreendentemente, ele é um vilão desinteressante. Como conseguiram a proeza de transformar uma força cósmica devoradora de planetas em uma ameaça tão fraca? Era a oportunidade perfeita para transmitir um senso de urgência e perigo sem precedentes, mas, em vez disso, a sensação é de que seria mais divertido vê-los enfrentando o Homem-Toupeira.
Outro ponto frustrante é o uso dos poderes da equipe. Já vi animações feitas por fãs que mostram interações entre os heróis muito mais criativas e inventivas do que qualquer coisa presente aqui. Há momentos isolados de inspiração (como quando Sue fica invisível para que Reed consiga enxergar o bebê em seu útero, cena inédita no cinema) mas, no geral, o potencial é desperdiçado. Nos quadrinhos, Reed está sempre se esticando e deformando de formas inesperadas, explorando ao máximo a bizarrice de seus poderes. No filme, porém, ele quase não faz nada além de esticar braços e pernas, e tão pouco que você chega a esquecer que ele sequer tem esse dom.
Eu gostaria que os roteiristas (e são uns cinco, o que é impressionante para um enredo tão raso) tivessem criado conceitos mais sofisticados de ficção científica, algo no espírito do que vemos em Rick and Morty ou Doctor Who: ideias malucas, mas inteligentes, capazes de despertar curiosidade e me deixar boquiaberto. E eu fiquei mesmo de boca aberta, mas é porque eu tava bocejando.
O clímax é constrangedor. O vilão passa o tempo todo andando de um lado para o outro e é derrotado de forma absurdamente fácil. Reed, que deveria ser não apenas incrivelmente elástico, mas também o homem mais inteligente do mundo, não se mostra nem uma coisa nem outra. Johnny e Ben são praticamente descartáveis: não têm arcos dramáticos, não possuem personalidades fortes, e acabam soando irrelevantes. Já Sue e Reed só se salvam porque seus intérpretes são carismáticos e já carregam uma reputação que ajuda a sustentar os personagens.
A estética retrô-futurista tem seu charme, mas fica só na superfície, poderia ser muito mais bem explorada. E esse é justamente o maior problema do filme: havia um enorme potencial para algo memorável, mas o resultado final é preguiçoso, previsível e sem ousadia. Foi por isso que saí do cinema tão frustrado.
Superman
3.6 916 Assista AgoraEssa chamada "era moderna" das adaptações de super-heróis dos quadrinhos para o live-action teve início com a Marvel e seu ambicioso universo compartilhado a partir de Homem de Ferro. Antes disso, já havia diversas adaptações para o cinema e a TV, mas cada herói existia isolado em sua própria bolha. Muitas dessas produções eram tratadas pelos estúdios de forma pouco séria, lançadas no mercado como mero entretenimento infantil descartável. Outras, em contrapartida, buscavam ser reconhecidas como "cinema de verdade", afastando-se deliberadamente de suas origens para tentar conquistar um público mais amplo.
O próprio MCU começou de maneira mais "pé no chão", cauteloso em sua abordagem, e só aos poucos foi abrindo espaço para elementos mais fantásticos: a magia que não precisa se disfarçar de ciência, os uniformes mais chamativos, os conceitos mais absurdos. E isso faz sentido, afinal, os quadrinhos sempre foram exatamente isso: um grande absurdo levado a sério, com peso dramático e perigo real, mesmo em meio às cores vibrantes e à lógica particular do gênero.
Dito isso, depois de tantos anos de Marvel e DC e de os filmes de super-heróis se tornarem tão populares a ponto de consolidarem um subgênero próprio em Hollywood, este novo Superman de James Gunn é o primeiro que realmente se parece com uma revistinha em quadrinhos transposta para o cinema. Sim, a Marvel já realizou inúmeros crossovers, mas Superman é diferente: é um filme colorido, solar, vibrante. Somos lançados de imediato em um mundo onde heróis e vilões já são parte do cotidiano, onde a aparição de uma arraia interdimensional gigante lançando raios no centro da cidade é apenas mais uma quinta-feira. Onde é plausível que um grande empresário invejoso mantenha macacos escravizados na tarefa de espalhar ódio no Twitter.
E o mais impressionante: nada disso é tratado como paródia. Gunn encontra um equilíbrio raro, uma mistura desafiadora de tons com a qual Hollywood não costuma lidar e que o público de cinema, em geral, ainda resiste em consumir. Foi uma aposta ousada, que poderia ter dado muito errado. Alguns críticos chegaram a sugerir, com base no marketing, que o filme falaria apenas aos fãs hardcore de quadrinhos. Mas, ao ancorar sua narrativa em elementos humanos, reais e universais, e ao tratar seus momentos dramáticos com seriedade, James Gunn construiu uma obra de apelo genuinamente universal.
O filme, claro, não é isento de falhas. O elenco do Planeta Diário quase não tem tempo de tela, o que é uma pena, já que os atores parecem carismáticos e capazes de dar vida a personagens divertidos e marcantes. Outro ponto é o dilema do Superman: sua vontade de fazer o bem de forma quase ingênua, ignorando as complexidades geopolíticas do mundo, surge como um conflito instigante, mas é rapidamente abandonado em favor de outra questão, que é o peso de sua herança kryptoniana e os motivos que o definem como herói. Ambos os arcos têm potencial, mas nenhum deles é desenvolvido a fundo, deixando o roteiro mais superficial do que poderia ser para um blockbuster desse porte.
Particularmente, achei o primeiro conflito muito mais intrigante, especialmente como aparece na longa entrevista de Lois com Clark, uma cena ousada para um filme de ação voltado a uma geração acostumada ao ritmo frenético do TikTok. Infelizmente, Gunn opta por não explorar essa vertente com a mesma intensidade.
Outro aspecto que me incomodou foi o tratamento de cor. É verdade que o filme é vibrante, iluminado e se passa em grande parte à luz do dia (um alívio em contraste com a tendência atual de produções que se escondem nas sombras), mas o visual acaba prejudicado por um “filtro” que remete mais a edição barata de Instagram do que à textura de uma película tradicional de cinema. Ainda assim, a estranheza inicial se dissipa rápido, principalmente se a sessão for em uma tela de qualidade, seja no cinema ou em casa.
No fim das contas, Superman marca um início sólido para esse novo universo. É uma adaptação que faz jus ao personagem, resgatando e explorando com inteligência seus melhores elementos. O filme me divertiu, me empolgou, me impressionou e, acima de tudo, me deixou com aquele gostinho de quero mais que só as boas histórias conseguem provocar. Mal posso esperar por Supergirl no ano que vem e pelos próximos capítulos dessa nova saga.
Mortal Kombat
2.7 1,0K Assista AgoraMeu Deus que BOMBA! Me pegou de surpresa, eu realmente não esperava que fosse conseguir ser tão ruim. Esse filme nunca se compromete inteiramente com seu lado galhofa, que seria o correto a se fazer, e acha que precisa perder tempo precioso estabelecendo situações dramáticas desinteressantes e arrastadas, que ficam adiando as lutas que no final das contas nem são tão boas assim pra fazer valer a espera. Boa parte da coreografia é lenta e deliberada demais, como se fosse um ensaio, além claro da pouca quantidade de confrontos; o filme acaba de repente e deixa a impressão de estar incompleto, como se fosse o primeiro episódio de uma série. Tá tudo bem estabelecer ganchos pra uma continuação, mas o filme presente precisa ser emocionalmente satisfatório. Muito pouco memorável e entediante, o filme tem momentos legais aqui e ali e no geral tem um visual maneiro, mas foi muito aquém do esperado em todos os sentidos. Já vi coisa bem melhor em tudo oq esse filme se propôs a fazer.
No fim as mortes não tem impacto nenhum, já que fica implícita a ressurreição de todos os derrotados, um tipo de reset que obviamente existe nos games mas que não funciona numa narrativa audiovisual. Você precisa que a história ande, que os acontecimentos sirvam a algum propósito, senão é só um videoclipe. E ta tudo bem, eu gosto de videoclipes, mas pelo menos impressiona visualmente e nem isso o filme faz. A luta final é maneira, mas é a única e é a última. As demais tem partes empolgantes mas como falei são irregulares demais.
White Eye
4.0 49Muito bem realizado, cativante e poderoso, passa uma mensagem grandiosa usando elementos simples (não que um plano sequência de 20 min seja simples, e parabens ao diretor por fazer isso de verdade, sem truques). Eu só realmente não entendi a cena final, se alguém puder me explicar o motivo do protagonista ter feito aquilo... rs
Tipo, eu li por aí que representa a desilusão dele, já que de repente a bike não parecia mais tão importante... mas não seria melhor deixar a bike pro outro, que pode muito bem ser liberado e voltar a trabalhar? Só faria sentido se ele soubesse com ctz que o cara seria deportado, mas nem assim, pq aposto que a família dele faria bom uso do negócio rs
Mulher-Maravilha 1984
3.0 1,4K Assista AgoraWW84 não é o filme que a gente esperava mas isso não o torna necessariamente ruim. Tenho visto muita empolgação na hora de falar mal do filme, e se no início as críticas negativas faziam sentido e eram bem balanceadas com as positivas, agora quanto mais se fala mal, mais se fala mal, como se fosse por diversão mesmo. Vejo esse fenômeno acontecendo com muitas produções de tv e cinema com grande apelo popular: o amor e o ódio a obra são sempre absolutos e quase ninguém escolhe uma abordagem mais ponderada (algumas dessas produções são tão mal faladas que dão a volta e de repente passam a ser aclamadas de novo, num bizarro revisionismo emocional, tais como as prequels de Star Wars, ou o final de Lost).
WW84 opera numa lógica inocente e fantasiosa, bem diferente do tom cínico e mais pseudo-realista dos filmes de herói atualmente. O filme tenta replicar o tom de filmes de ação e fantasia da época em que se passa, os anos 80, e resolve contar uma história mais íntima e humana, com uma resolução conciliadora e inspiradora ao invés de bélica e punitivista. Eu acho que o filme merece aplausos pela ousadia de tomar esse caminho tão inesperado e ir com ele até o fim, sem medo de cair de cara na breguice, pro bem e pro mal. WW84 se parece com um episódio de Doctor Who com uma pitadinha de Steven Universe e 200K a mais no orçamento; quem curte essas séries talvez consiga engolir melhor a frustração de não termos a Diana sentando porrada em algum vilão megapoderoso numa estrutura de ação mais contemporânea e tradicional.
Infelizmente, no entanto, mesmo compreendendo e aceitando as logicas internas do filme, nos vemos obrigados a perdoar muitos erros e conveniências, desenvolvimentos estranhos de personagens, um ritmo irregular e uma trama por vezes incoerente que deixa muitas perguntas no ar e exige um nível de abstração demasiado grande ao espectador para poder ser realmente apreciada. O climax é duplamente frustrante: num primeiro momento por ser bobinho e antiquado demais ao invés de algum grande desafio físico e intelectual pra protagonista, e logo depois por não ser tão convincente ou emocionante assim nem mesmo dentro do tom que escolheu seguir. Temos poucas cenas de ação e um romance central falho, feito apenas para reciclar a química entre Gal Gadot e Chris Pyne, um dos pontos altos do primeiro filme; eu até curti a participação dele nessa segunda parte, porém acredito que ele não seja um desenvolvimento justo pra Mulher Maravilha. Não entendo o motivo de transformar a personagem numa viúva eterna desse cara que ela conheceu durante uma semana 70 anos antes. Eles poderiam ter usado o romance na narrativa sem precisar transformar a MM numa freira infeliz solitária. Esse é só um exemplo das muitas decisões esquisitas e preguiçosas que o filme faz, todos pontos que poderiam ser facilmente resolvidos com algumas revisões a mais no roteiro, o que me leva a crer que eles resolveram filmar o primeiro rascunho só de sacanagem.
Eu amo as cenas de ação do filme, ainda que sejam poucas, adoro os vilões, seu conceito e representação, ainda que nenhum deles apresente um desafio grande o bastante pra Diana. Creio que poderiam manter um deles e dar a outra vaga pra alguém mais poderoso e grandioso. Eu amo ambos os atores, mas acho que ficaria só com a Cheetah e exploraria melhor o relacionamento das duas e a sua queda pro lado sombrio da força. Adoro a fotografia do filme, a edição e montagem que são tão evocativas de filmes de ação dos anos 80, deixando evidente o quão talentosa Patty Jenkins é como cineasta e acho que a Gal melhorou muito sua performance. Esse filme é autoral e tem coração, a despeito de suas falhas narrativas e questões problemáticas.
Fuja
3.4 1,1K Assista AgoraNão entendi nada outra produção sobre esse tema, esperava algo mais criativo e temos séries recentes que tratam do assunto de forma mais interessante. As atrizes são boas mas bidimensionais e o filme não inova em nada dentro dos clichês que se propõe a usar. Faltou inovação, é como se eu tivesse vendo uma versão piorada de algo que já vi várias vezes.
Freaky: No Corpo de um Assassino
3.2 471Como comédia esse filme não é tão engraçado, como paródia não aproveita tão bem assim suas inspirações originais e principalmente como slasher ele é uma decepção, pois o número de mortes é baixíssimo e só morrem personagens previsíveis. A única cena legal é a sequência de abertura, a partir daí é só ladeira abaixo.
Tenet
3.4 1,3K Assista AgoraDessa vez Nolan esqueceu de embrulhar suas ideias ambiciosas numa embalagem mais acessível racional e emocionalmente. Geralmente Nolan consegue balancear melhor seu amplo escopo visual, suas ideias mirabolantes e as reflexões que propõe com o aspecto humano da história. Tenet é visualmente incrível, num nível que poucos blockbusters tem se aventurado, só consigo pensar em 007 e Missão Impossível como outros filmes de ação tão ambiciosos quanto, e Tenet ganha pontos extras por ser uma ideia original do cineasta, não é adaptação ou reboot de nada. Infelizmente Tenet é complicado demais, não consegue explicar o conceito de inversão temporal nem a mecânica dos eventos no filme de forma simples, requer um extremo esforço mental e fica parecendo aquele exercício de física que você até acha interessante mas que é muito chato de aprender pra fazer prova depois. Pra piorar seus personagens são propositalmente superficiais, uma ideia que Nolan deve ter achado genial, então só me resta presumir que o resultado final não tenha sido o que ele esperava, já que me custa acreditar que um cineasta de seu talento tenha realmente achado uma boa ideia NÃO criar arcos emocionais interessantes e personagens carismáticos. Tenet tem boas ideias mas seu roteiro precisava da opinião de mais algumas pessoas para que o conceito fosse melhor aproveitado enquanto entretenimento. Esse filme é oq acontece quando um cineasta muito pretensioso é deixado solto com toda a liberdade criativa e todo o dinheiro que precisa.
Devs
4.0 70 Assista AgoraMuito lenta, personagens desinteressantes. Se fosse essa mesma ideia, mas desenvolvida por um Damon Lindelof ou Sam Esmail da vida teria sido bem melhor.
Making The Cut (1ª Temporada)
3.5 33Impressionado como conseguiram gastar tanto dinheiro numa produção tão luxuosa e o resultado ser tão chato. Achei os participantes pouco carismáticos, não são memoráveis e os jurados muito metidos, com uns comentários abstratos demais. Das imitações de Project Runway eu ainda prefiro Next in Fashion, mesmo curtindo a Heidi e o Tim e mesmo com todo o luxo da produção.
Wild Wild Country
4.3 269 Assista AgoraDocumentário muito interessante que me fez ter antipatia por ambos os lados. Dá uma tristeza ver os cristãos conservadores e seu preconceito contra novos povos e filosofias, e uma tristeza ainda maior quando essa minoria perseguida acaba dando motivos reais para que os perseguidores tenham sua vitória. Acho que Ma Anand Sheela precisa entrar pro panteão de grandes vilãs do mundo, uma personalidade extremamente fascinante que me fez torcer por ela, mesmo sendo uma criminosa. Decepcionado com Rajneesh, de quem eu conhecia um pouco de nome, e que aqui se revela um mestre materialista e misógino. Acho que o documentário poderia dedicar algum tempo para explicar no que consiste os ensinamentos dele, pq as pessoas não o seguiam apenas por sua personalidade. Acho que ajudaria a pintar um quadro mais amplo da religião e da extrema devoção que as pessoas sentiam. No geral é um documentário democrático que tenta não tomar lados, a não ser por esse detalhe.
O Grande Mestre 3
3.7 158 Assista AgoraO primeiro Ip Man foi o que melhor equilibrou história e ação: eu assisti ansioso pelas lutas e estava impaciente durante as cenas envolvendo draminhas de personagens secundários, mas todas elas são essenciais para gerar o impacto necessário na gente e no protagonista, motivando ele a partir pra porrada. É a classica história do guerreiro hesitante, que prefere a paz, mas é forçado pelas circunstâncias a fazer alguma coisa, mas é feito de forma sincera e povoado de bons personagens. O segundo é incrível na ação mas o mais fraco em trama. São só várias desculpas para a ação acontecer e não tem muito mais além disso. Eu não reclamo, as lutas são o que eu realmente quero ver e quanto a isso o filme chega a ser mais legal que o 1 em vários momentos. Essma e 3 tenta recuperar um pouco da ´profundidade dramatica do 1, mantendo o nível de ação, e seria uma boa ideia se tivesse dado certo. Achei as tramas desconexas, episódicas, o filme se divide entre dois "vilões" e acaba não dando tempo pra desenvolver direito nenhum deles. Myke Tyson tá canastríssimo, e eu abandonaria aquele plot pra focar apenas no Jin Zhang, esse sim um personagem interessante. Parece que já sabiam que fariam um spin-off dele e colocaram ali só pra isso. Ficou bem jogado. As lutas são muito legais mas poderiam ter sido maiores em quantidade, já que a história nem é tão boa. O drama com a esposa seria mais legal se mostrassem do ponto de vista dela. Ela passa todos os filmes calada, no canto, sendo a esposa resignada, e até em sua maior tragédia pessoal ela continua preferindo ser altruista e colocando os desejos de seu marido em primeiro lugar. Seria mais interessante se os roteiristas tivessem aproveitado a oportunidade para explorar mais facetas desse personagem, que sempre foi um detalhe na vida do protagonista.
Cats
1.7 375 Assista AgoraO filme é uma merda, mas os efeitos são bons sim. É bizarro ver gatos com cara de gente nesse contexto, mas os mesmos personagens com itos mesmos efeitos funcionariam muito bem se fossem criaturas num sci fi, por exemplo. Acho que o filme é muito chato pq não tem história, não tem músicas legais além de Memory, e nenhuma coreografia é tão legal assim. Mas o CGI em si e o visual dos gatos é maneiro.
La Casa de Papel (Parte 4)
3.7 657 Assista AgoraO final da parte 2 já deixava claro que essa serie dificilmente poderia continuar com a mesma qualidade. Ja não teria o mesmo impacto e novidade da trama original, a nao ser que os roteiristas realmente inventassem algo totalmente diferente e igualmente inovador e dificilmente um raio cai duas vezes no mesmo lugar. Porem, contudo e todavia, eu fiquei feliz pela continuação assim mesmo, pq foda-se, eu amo os personagens e o universo, sou cadelinha da serie e tava curioso pra ver mais. A parte 3 foi legal, apesar de logo de cara eu achar o plano deles mais simples. Parte do gosto do primeiro atraco era ir vendo o passo a passo do intrincado plano, mesmo com os furos e conveniências, mas e isso que e legal num heist movie. Dessa vez o plano inicial não tem tantas camadas assim, depois que eles arrumam um jeito de navegar dentro da câmara e começam a derreter o ouro, ja não tem nada pra fazer alem de segurar a barra la dentro. A unica parte do plano que falta conhecer e a fuga, como que o Professor planejou tira-los de la e pq o ouro tem tanta importância assim nesse esquema.
A parte 4 foi pior que a 3 pra mim justamente por isso... se ja tinha um plano mais simples pra começo de conversa, a 4 então não tem plano nenhum. Eles passam a temporada inteira apenas lidando com os problemas pendentes, o resgate da Lisboa, o tiro na Nairóbi e o chefe de segurança. Alem disso a serie preenche tempo com uns dramas chatos envolvendo ciume e vários flashbacks MEGA desnecessários do Berlim, que não acrescentam nada nem pra historia nem pro personagem. Puro fanservice vazio que só enfraquece o peso da morte do personagem, ja que ele fica aparecendo mais ate do que alguns que ainda estão vivos. Nao gosto muito tb como a serie fica tentando fazer os personagens parecerem heróis do povo, sendo que eles são só assaltantes que foram roubar dinheiro pra si mesmos. Os roteiristas fazem questão de fazer os policiais serem corruptos e violadores de direitos humanos pra tentar "amenizar" os atos dos assaltantes, mas acho forçado. A gente já ta do lado deles, não precisa martirizar os caras e transformar os personagens da policia em caricaturas. Acho que no geral o povo ficaria a favor da policia, afinal a galera acha que bandido bom e bandido morto. Podiam mostrar mais do publico que ta contra eles ao invés da galera que ta a favor.
Eu achei os dois últimos episódios empolgantes, gostei das cenas de ação, da nova personagem trans que provavelmente deve ganhar mais espaço na próxima temporada, e curti ver os personagens sentindo de verdade o peso estressante da situação em que se encontram, com questões de raiva e desespero vindo a tona. Achei um erro não ter encerrado esse roubo, pq se essa temporada toda já foi um filler, o que sera que eles vão inventar pra próxima? Eu não me importo de continuar vendo Casa de Papel pra sempre, mas inventem novos roubos ou novas situações. Acho que esse cenário em especial, do Banco da Espanha, já saturou.
Eu gosto da morte da Nairóbi pq a gente precisa ter acontecimentos grandiosos e definitivos na vida dos personagens, pra sentir que realmente estão em perigo e que tudo pode acontecer, ainda mais numa temporada em que tudo parece fanservice inconsequente. Por outro lado, obviamente fiquei triste pq a personagem vai deixar um buraco que ninguém vai tapar.
A Noite das Brincadeiras Mortais
3.2 200Fiquei muito p da vida pq estava sedento por um slasher e oq eu vi n foi nada do tipo. Nenhuma morte e mostrada, a câmera corta toda vez que algo vai acontecer e os corpos são revelados depois do assassinato. Uma pena, pq tem personagens interessantes e distintos, embora eu toda hora confundisse as garotas, que são quase todas loiras.
Ok, as mortes não aparecem justamente pq elas são fake, mas por mais que esse twist seja engraçadinho, não tira o fato de que ele existe em detrimento das sequencias de assassinato maneiras que ele poderia ter. Por mais interessante que seja, não compensa a chatice do resto do filme.
Bad Boys II
3.3 314 Assista AgoraMano que bomba! A ação é espetacular, e eu gosto da direção de videoclipe do Bay, mas sem um bom roteiro por trás é foda. Sem contar que eles matam MUITA gente inocente durante o filme. No ato final eles passam por cima de vários barracos numa favela, e o Will Smith gritando "UHUUUUULL" como se fosse muito legal. A cena é linda, mas quando você pensa nas mulheres e crianças que tavam de boa em casa enquanto eles passam por cima delas, a coisa muda um pouco de figura. Os protagonistas são carismáticos, mas no primeiro eles pareciam pessoas reais, dois amigos de verdade. Nesse outro eles são caricaturas do que eram antes, o Marcus virou um idiota completo e o bate-volta entre eles não é inteligente nem realista, é só uma coleção de frases de efeito. Muito estilo, nenhuma substância e um humor cringe e algumas vezes ofensivo.
Star Wars, Episódio VIII: Os Últimos Jedi
4.1 1,6K Assista AgoraRevi esse filme ontem, pois pretendo rever TROS e só tinha TLJ umas duas ou três vezes no cinema na época e nunca mais. E segue sendo meu favorito dessa trilogia e um dos melhores da série toda.
Rian Johnson é um excelente roteirista. Ele consegue dar um arco dramático completo e coerente para todos os protagonistas, e ainda arrumar tempo para desenvolver personagens secundários memoráveis, ainda que tenham poucos minutos de tela. Toda a sequência de abertura é excitante e bem coreografada, mas se torna mais emocionante instantaneamente só por mostrar o sacrifício de uma pessoa que a gente nem conhece. Todas as cenas de ação desse filme são bem coreografadas e distintas visualmente, as batalhas espaciais são ótimas e os mundos criados são deslumbrantes. Eu gosto até mesmo da infame visita ao cassino, pois nos proporciona uma visita a um lado inexplorado da galáxia em guerra, além dos soldados rebeldes e "imperiais".
Adoro a quebra de expectativas, pq te deixa se questionando a todo tempo qual vai ser o rumo da história, e é isso que você quer ao ver um filme, ser surpreendido. E toda decisão tomada aqui é pro benefício da trama, pra empurrar os conceitos pra frente e trazer novos desenvolvimentos interessantes para os personagens. Até hoje não vi nenhuma crítica negativa que faça algum sentido, apenas pessoas chorando pq queriam que o Snoke fosse mais importante, sendo que esse detalhe não faz a menor diferença. A história pode ser boa ou não, independente de quem o Snoke seja, ou se o Luke tivesse continuado um idealista bidimensional. Foram decisões criativas que criaram uma história maneira de assistir, e é isso que importa. Snoke serviu para elevar o personagem do Kylo Ren, o verdadeiro vilão da história, e um Luke desiludido e cansado é uma faceta nova do personagem, muito mais interessante do que o seu lado já conhecido por nós. É um filme profundo que equilibra ação com desenvolvimento inteligente de personagens, uma bela continuação do filme anterior que serviu pra colocar as peças no tabuleiro, e é uma pena que sua sequência tenha sido tão superficial e repetitiva.
Doctor Who (12ª Temporada)
3.7 40Eu tinha gostado muito da 11ª temporada, mais do que a maioria das pessoas. Ela tem episódios individuais muito bons, o problema é que como um todo ela falha em entregar momentos explosivos entre esses episódios "Monstro da semana" o que a torna meio esquecível e morna. A 12ª tem episódios tão bons quanto, alguns muito melhores, e trás ainda um plot central mais intrigante e explosivo.
Os companions são fracos, infelizmente, mas até eles tiveram um uso bem melhor esse ano. Ryan continua sobrando, pra mim, mas Graham é fundamental e Yaz serve bem seu propósito. Os episódios esse ano tiveram como característica principal um número enorme de personagens e tramas paralelas que você não sabe como vão se unir no final, até que se unem e tudo faz sentido. Alguns conseguiram ser mais satisfatórios que outros nesse sentido, e eu gostei muito da excitação e mistério que esse formato trouxe. Engraçado é que essa temporada tem menos crítica social que a anterior, mas só pq a mensagem climática em Orphan 55 (um dos mais fracos da temporada) é super didática e "Na cara" os fãs chatos de internet estão chorando mais do que nunca. Descansa, anti-militância, vocês são muito chatos.
Jodie continua sendo a alma da série, a sua versão do personagem é deliciosa de assistir. O novo Mestre demorou pra me ganhar, confesso que fiquei dividido no começo, mas sua participação no fim me ganhou de vez. Sacha Dawan foi muito comparado ao John Simm, mas acho seu Mestre muito diferente. Ambos são maníacos insanos, mas acho que o Sacha tem um lado sombrio muito mais ameaçador do que o Simm, que sempre foi mais cartunesco.
A cinematografia, efeitos especiais e valores gerais de produção foram de primeira, e é muito bom ver a série ficando melhor nisso a cada ano. Qual série que você conhece que só melhora, mesmo depois de 12 anos ininterruptos no ar? Os novos elementos adicionados a mitologia da Doutora no final foram muito interessantes e adicionaram ainda mais mística e mistério a origem do personagem. Essas revelações não serviram muito pro episodio em si, mas abrem possibilidades narrativas pro futuro que, se usadas corretamente, podem render ótimas oportunidades narrativas e novas histórias incríveis. Cybermen não são meus vilões favoritos, e eu não consigo sentir nenhuma ameaça vindo deles (acho o uso deles no finale do Capaldi o melhor até hoje) mas o finale foi elétrico e emocionante assim mesmo. Tudo o que queremos de uma boa temporada de DW está presente esse ano e eu só quero ver o que vai acontecer com as pontas que ainda estão soltas.
A Doutora tem mesmo um limite de 12 vidas? Se esse limite foi imposto por Tecteun, isso significa que no fim de seu ciclo o Matt Smith não estava morrendo de vez e o novo ciclo dado pelos Timelords foi a toa? Ou esse limite também foi imposto a Timeless Child? E onde a Doctor Ruth se encaixa nessa história toda? Agora só nos resta esperar.
Ford vs Ferrari
3.9 735 Assista AgoraNão sou fã de corridas na vida real, mas amo uma corrida bem filmada na ficção. Esse filme tem umas sequências muito emocionantes e e gostaria que tivesse muito mais. A química entre os protagonistas é muito boa e Christian Bale é o coração do filme. Não fosse por sua história e seu jeito doce e doidão, talvez o resto do filme não fosse tão interessante. A história da briga entre corporações não é suficiente pra segurar um filme, afinal quem quer escolher uma torcida entre dois empresários ricos? O filme é esperto em concentrar seu foco na trajetória pessoal dos protagonistas, que estão ali por algo "Maior" do que simplesmente domínio corporativo. É um filme "de menino", bem hétero, então achei que não fosse gostar muito, mas achei bem divertido.