É impressionante que, na época em que escreveu e lançou o livro homônimo, em 1981, Stephen King passava pelo pior momento de sua vida, quando estava viciado em álcool e cocaína. Por causa disso, o autor não se lembrava de ter escrito Cujo. Em sua autobiografia, ele revelou sentir um profundo sentimento de tristeza por não se lembrar de ter trabalhado em uma história da qual gostava muito.
A inspiração para criar Cujo veio da vida real. Em 1977, a Harley-Davidson de King quebrou em uma estrada de terra no Maine. Ele levou a motocicleta até o mecânico local, que ficava em uma área isolada. Ao chegar lá, King se surpreendeu ao ver o que considerou o maior cão da raça São Bernardo que já vira na vida. Além de rosnar de maneira agressiva para King, o animal ainda tentou avançar sobre ele. Felizmente, o mecânico apareceu e acalmou o animal, que viria a ser a principal fonte de inspiração para a obra Cujo.
A adaptação cinematográfica foi lançada em 1983. Dee Wallace interpreta Donna Trenton, a mãe; Danny Pintauro, Tad Trenton, o filho de cinco anos; e Daniel Hugh Kelly, Vic Trenton, o pai. O maior destaque é a performance visceral de Denise Crosby ao lado do pequeno Danny Pintauro. Destaco também o excelente trabalho com os cães utilizados para interpretar Cujo, o personagem responsável por todo o terror da história, publicada originalmente em 1981.
Em "Cujo", o espectador acompanha uma história de drama sobre traição, até que o terror e o suspense tomam conta da trama. O espectador fica apreensivo e imerso no desfecho daquela mãe desesperada, que luta pela própria sobrevivência e, principalmente, pela do filho. A sensação de desespero aumenta com cada aparição do enorme cão raivoso, nojento e implacável, que continua a atacar mesmo em estado de putrefação, devido à raiva transmitida pela mordida de um morcego. Assim, o espectador experimenta um pouco do desespero da mãe e do filho diante de um cenário caótico e isolado, no qual o interior do carro é a única proteção disponível.
Acredito que, devido aos seus vícios na época em que escreveu o romance de terror Cujo, King tornou a história mais sombria ao dar um final trágico para a vida do pequeno Tad Trenton. Para "consertar" esse desfecho cruel, o estúdio optou por manter o menino vivo, considerando a morte da criança uma cena muito pesada. Essa mudança foi aprovada pelo próprio King, que admitiu se arrepender de ter matado a criança na história original.
Se você está procurando um filme de terror repleto de suspense, que o prenda do início ao fim, o diretor Lewis Teague oferece exatamente isso em uma adaptação cinematográfica que merece ser vista — e até mesmo revisitada. Foi o que fiz antes de escrever esta resenha.
Embora "Cemitério Maldito" não seja um grande filme de terror, baseado no romance homônimo de Stephen King, confesso que gosto do que vejo toda vez que o assisto, apesar dos efeitos visuais ruins. Não sei explicar o motivo, mas adoro a interpretação de Fred Gwynne como o vizinho idoso, Jud Crandall, que apresenta a Louis Creed tanto o misterioso cemitério de animais quanto o cemitério indígena, este último capaz de ressuscitar os mortos.
Church, um gato da raça British Shorthair de pelagem cinzenta, é um dos personagens que marcam esta adaptação na memória do espectador. As cenas em que ele encara o dono com seus olhos amarelos intensos, bufando ou sibilando, são momentos de tensão, principalmente quando o felino surge do nada, causando um grande susto — ainda mais por ter ressurgido dos mortos com uma aparência que parece ter sido cuspido pelo próprio demônio.
Outro personagem que ressurge das trevas para confundir, assustar e matar é Gage Creed, interpretado por Miko Hughes na infância. Antes de retornar do mundo dos mortos possuído pelo espírito maligno do Wendigo, ele era uma criança esperta de aparência angelical. No entanto, ao ressurgir como um diabinho loiro, sua aparência se torna assustadora, acompanhada de risadinhas apavorantes que ecoam por todos os lados, além de falas infantis bem estranhas. A cena em que a criança aparece vestida com o mesmo traje da avó, no quadro em que ela está pintada, é particularmente assustadora, pois se passa na frente da mãe, que, inocentemente, acredita se tratar de seu filho, mesmo ele aparecendo empunhando um bisturi.
A cena em que Louis Creed encerra a participação do pequeno ser possuído, após uma intensa luta tensa entre eles, é um misto de horror e tristeza, ao ver aquela criança sendo morta pela segunda vez, com uma injeção letal de morfina aplicada lentamente em seu pescoço pelo próprio pai. Mesmo após testemunhar a desgraça de tentar trazer alguém de volta à vida, ele insiste no erro e enterra a esposa no cemitério indígena. Com isso, seu amor retorna, mas está corrompida pela entidade maligna do local. Um final desesperador diante da tragédia.
Felizmente a série continua sendo boa e ainda consegue fazer dar boas risadas com as situações, principalmente nas cenas em que envolve o casal gay Mitchell Pritchett (Jesse Tyler Ferguson) e Cameron Tucker (Eric Stonestreet), os dois são excelentes em suas atuações, principalmente o último.
Infelizmente, acredito que será difícil manter a qualidade desta temporada na próxima, que também não foi tão boa assim, apesar de eu ter dado quatro estrelas para "Modern Family". Mais uma vez, o que acho interessante nessa série é a sintonia do elenco em cena e o fato de as interações funcionarem bem na história, mesmo após oito temporadas. Como sempre enfatizo em relação a séries longas, é preciso muito empenho, força de vontade e dedicação para manter a qualidade e a criatividade por mais de cinco temporadas, ainda que "Família Moderna" tenha episódios curtos, com pouco mais de vinte minutos.
Os personagens mais jovens (Manny, Luke, Haley, Alex, Lily e Joe) estão um tanto apagados, enquanto os casais adultos têm tido maior protagonismo frente a esse elenco mais novo. Realmente está difícil para os roteiristas manterem a criatividade em relação às piadas e às histórias que tornaram "Família Moderna" uma série de comédia no formato de sitcom e falso documentário (mockumentary) agradável de assistir.
Prefiro acreditar que a décima temporada será melhor, pois eles merecem um desfecho inesquecível. Apesar do desgaste inevitável causado pelo grande número de episódios, "Família Moderna" não decepciona e ainda consegue fazer o telespectador rir à beça. Destaco os seguintes episódios: "Lake Life" (T9.E1), "Winner Winner Turkey Dinner" (T9.E7), "Brushes with Celebrity" (T9.E8), "Dear Beloved Family" (T9.E12), "Written in the Stars" (T9.E14), "Wine Weekend" (T9.E16), "Daddy Issues" (T9.E18), "The Escape" (T9.E21) e "Clash of Swords" (T9.E22).
O filme "O Homem que Sussurra" não foge à regra dos muitos outros do gênero suspense policial. Seguindo a receita do gênero, o diretor James Ashcroft e os roteiristas Ben Jacoby e Chase Palmer adicionam mais um assassino em série à história, apresentando não um, mas dois psicopatas. Eles entregam uma história de qualidade mediana.
Acredito que os mais de noventa minutos de filme foram tempo demais para a narrativa. Felizmente, por padrão, filmes com assassinos à solta conseguem prender a atenção do espectador até que a identidade do meliante seja revelada e ele seja capturado.
Mesmo assim, em determinado momento, a trama perde a força, e o espectador precisa se esforçar para continuar assistindo.
No fim das contas, O Homem que Sussurra é um daqueles filmes cujos personagens não são muito bem desenvolvidos, mas que acaba sendo mascarado, até certo ponto, pelo talento de alguns atores.
Apesar de alguns pontos negativos, a produção é boa e o elenco, que conta com atores como Robert De Niro, Michael Keaton, Michelle Monaghan, Adam Scott, Owen Teague e Hamish Linklater, tenta não deixar a peteca cair. No entanto, há um desperdício inegável de talentos.
Embora tenha sido lançado no início dos anos 2000, mais precisamente em 2002, o filme brasileiro "Durval Discos" ainda deve passar despercebido por muitos. No entanto, quem assistir à história certamente se surpreenderá. Assisti ao filme esperando mais uma história de drama saudosista destinada especialmente aos colecionadores de discos de vinil. Porém, a diretora e roteirista Anna Muylaert transforma a narrativa dramática em uma história caótica, carregada de suspense — e por que não? — humor negro.
Assim como os discos de vinil têm um lado A e um lado B, esta produção nacional também pode ser dividida em duas partes. Na primeira, o espectador conhecerá a rotina monótona de Durval (Ary França), um vendedor de discos solitário, que está estagnado em sua loja empoeirada, devido à falta de clientes. Suas únicas companhias são uma vizinha, Elisabeth (Marisa Orth), que entra na loja todos os dias para fumar escondida da patroa, e sua mãe idosa, Carmita (Etty Fraser), que leva uma vida enfadonha.
Na segunda parte, a contratação de Célia (Letícia Sabatella) para auxiliar nos afazeres domésticos inicialmente trará alívio para Carmita. Porém, a presença inesperada de uma criança (Kiki) na casa e a ausência da empregada revelarão aos poucos toda a verdade daquela situação.
O caos se instala de maneira desesperadora na vida pacata de Durval e a interpretação de Etty Fraser como Carmita está próxima da perfeição. A entrega da atriz, falecida em 2018, ao seu papel deixa qualquer espectador à beira de um ataque de nervos diante das loucuras cometidas pela personagem, que culmina em um desfecho trágico.
Trata-se de um filme nacional quase esquecido. Atualmente, está disponível gratuitamente no YouTube para quem quiser conferir essa obra que retrata os absurdos da vida em uma cidade onde a paz e o caos podem estar presentes em cada lar, seja um ou outro, ou ainda os dois.
Destacam-se o trabalho de André Abujamra na trilha sonora e o plano-sequência de abertura, no qual a câmera percorre a rua Teodoro Sampaio, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Os créditos da equipe são exibidos de maneira criativa, integrados aos detalhes do cenário urbano, até que a câmera chega à fachada da loja que dá nome à imperdível obra nacional. Trata-se de uma ideia criativa filmada com maestria.
Este é mais um filme de faroeste cuja história se passa em um período de clima gelado. Talvez o diretor John Suits tenha se inspirado no faroeste gelado de Quentin Tarantino, visto em seu filme de 2015, "Os Oito Odiados", para trazer esse tempo gélido ao seu ótimo longa-metragem, "The Isolate Thief".
O filme não se apressa em sua narrativa, o que para alguns espectadores pode ser um problema. O enredo se desenvolve em torno da protagonista Ada Horn, interpretada pela jovem atriz Mackenzie Foy. Ela é uma jovem cuidadora solitária de um posto avançado e isolado do Exército da União durante um rigoroso inverno da Guerra Civil Americana.
A vida de Ada se torna agitada e complicada quando ela esconde uma quantidade de ouro roubado. Quando os bandidos, os verdadeiros donos do ouro, chegam ao posto avançado, eles se identificam como integrantes do Exército da União, liderados por Fiddler John Good (Sean Bean). Eles se hospedam no posto em que Ada trabalha, e ela precisa usar sua inteligência para sobreviver. Sua aliada é Emily Moore (Odeya Rush), uma garota que Ada salvou e que os homens chamam de prostituta. Emily conhece a verdadeira identidade desses homens e sabe quão perigosos eles são.
As interpretações de Mackenzie Foy e Sean Bean chamam bastante atenção e são um dos pontos de destaque desta obra de faroeste. A presença do lobo rondando a casa em que Ada mora pode ser considerada um sinal do perigo constante ao qual a garota está exposta por viver sozinha em um lugar ermo e afastado.
Enquanto "The Isolate Thief" mergulha em um drama repleto de suspense, os minutos finais presenteiam o espectador com um confronto tenso. Apesar de a ação emergir com tudo no terceiro ato, o clima melancólico permanece ainda é sentido no fim da história. Infelizmente, o roteiro apresenta falhas, como a falta de revelação sobre o que aconteceu com a protagonista após o confronto com os invasores.
No final das contas, o ouro, que fora o motivo de toda a confusão que resultou em mortes e sofrimento, serviu apenas como objeto de ambição, ficando abandonado sem que nenhum dos envolvidos tomasse posse dele. No fim, a disputa passou a ser pela sobrevivência, pois a vida é o maior tesouro do ser humano.
A atuação de Inde Navarrette começa discreta e vai crescendo junto a evolução da história, de repente entre gritos, caretas e movimentos esquisitos, a nova mais cotada atriz de Hollywood aproveita a sua oportunidade para praticamente ser o centro das atenções de um filme que em nada de surpreendente tem a oferecer, a não ser uma coadjuvante que rouba a cena do protagonista Michael Johnston, que aliás, se esforça para interpretar um personagem tão passivo e covarde diante de seu objetivo amoroso.
A obra de terror psicológico e suspense do jovem diretor Curry Barker possui algumas cenas cômicas, demonstrando seu talento com exageros que beiram o limite do absurdo. A possessão de Nikki (Indie Navarrette) e as consequências de seus atos aterrorizantes são a máxima demonstração desse absurdo terrível. Nikki se torna vítima quando seu corpo é dominado por uma entidade demoníaca e libidinosa, trazida à tona por Bear (Michael Johnston) ao quebrar um objeto enfeitiçado chamado "Salgueiro dos Desejos" (One Wish Willow, no original), fazendo com que seu desejo se torne uma realidade infernal.
A trilha sonora deixa no ar uma atmosfera de filme de terror adolescente, narrado em meio a uma história fantástica sobre adolescentes dispostos a serem estúpidos e inconsequentes. Como não mencionar a frase do dramaturgo e escritor brasileiro Nelson Rodrigues: "Envelheçam depressa, deixem de ser jovens o mais depressa possível, isto é um azar, uma infelicidade".
O enredo caminha bem. Assim que a magia do galho quebrado se manifesta em Nikki, o gore pesado entra em cena. Navarrette consegue ser ao mesmo tempo assustadora e hilariante, com suas caretas bizarras, gritos histéricos de uma jovem loucamente apaixonada e expressões corporais esquisitas. No entanto, ao se aproximar do final, o diretor exagera e transforma o que estava indo bem em algo totalmente caótico, contrariando a expectativa de que "Obsessão" é um filme excelente. Quem realmente merece o adjetivo é a nova vampira dos X-Men.
Um aviso: tome cuidado com o que você deseja, pois ele pode ser seu pesadelo.
O Prof. Dr. Enéas Carneiro foi, de fato, uma pessoa à frente de seu tempo. Sua inteligência era excepcional, e poucas pessoas o acompanhavam e levavam a sério. Ele também foi injustamente interpretado e achincalhado pela mídia maquiavélica.
Mais uma vez, a Brasil Paralelo acerta na escolha do tema de sua produção: o documentário "Meu Nome é Enéas: Muito Além dos 15 Segundos" é imprescindível para que os brasileiros conheçam um pouco da história de um homem que fez história na política do país. Embora o filme tenha falhas, o conteúdo compilado nesse material documental é interessante. A escolha do título e do subtítulo, aliás, é significativa e merece elogios.
A história do Dr. Enéas Carneiro deve ser narrada e divulgada em todo o Brasil, para que todos tenham conhecimento desse homem de caráter e valores, muitas vezes julgados de maneira asquerosa. Infelizmente, muitas pessoas o menosprezaram ou não tiveram a oportunidade de conhecer um pouco de sua trajetória, tanto na medicina quanto na política.
Infelizmente, ele viveu apenas 68 anos, sem ter a oportunidade de conquistar muito mais em sua trajetória política. Fico imaginando como seria a vida desse homem no cenário atual do mundo, especificamente no Brasil. Seu raciocínio e sua inteligência continuariam sendo atacados? A militância dos movimentos de extrema esquerda usaria todas as armas à sua disposição para cancelá-lo e destruí-lo como ser humano?
Muitos dos temas que o Dr. Enéas defendia com veemência se tornaram pautas políticas de hoje. - a relevância estratégica do nióbio e das riquezas minerais; Na época, ele foi pioneiro ao denunciar que o Brasil exportava minérios brutos de altíssimo valor a "preço de banana", citando nominalmente o nióbio e as riquezas da Amazônia. Outros temas incluem as terras raras, a cobiça internacional e a "farsa" sobre a Amazônia, o declínio da qualidade educacional e da formação cultural (considerando que o conhecimento liberta o homem). Esses são alguns exemplos que começaram nos discursos incisivos do Dr. Enéas.
Não concordo com tudo o que ele defendia, e tenho considerações sobre alguns dos seus pontos de vista. No entanto, muitas de suas ideias e argumentos, expressos com excelência e de acordo com a norma culta da língua portuguesa, seriam compatíveis com o que a maioria dos brasileiros deseja hoje em dia.
Trata-se de um filme sobre espiões com atmosfera britânica, no qual a cumplicidade entre marido e mulher supera qualquer tentativa de aniquilá-los no traiçoeiro jogo dos espiões.
Inicialmente, "Código Preto" não desperta interesse, muito menos o sono que vai dando ao longo da história. Felizmente, em certo momento, o suspense sobre a espionagem e os acontecimentos envolvendo o casal George Woodhouse (Michael Fassbender) e Kathryn St. Jean (Cate Blanchett) se desenrola, e os mentirosos são revelados e eliminados.
Os jantares oferecidos pelo casal são constrangedores, principalmente quando os segredos entre os convidados — dois casais — são revelados à mesa, criando um clima embaraçoso e desencadeando uma série de consequências que se resolvem no fim da história.
A trilha sonora contribui para o clima enigmático entre os integrantes da agência. Embora o filme demore para engrenar, o elenco funciona muito bem, como a graxa necessária para que o movimento continue sem enroscos.
Blanchett e Fassbender interpretam seus personagens com maestria. Eles são um casal de mestres na arte de viver uma vida de riscos, que abre uma grande janela para traições e desconfianças. Porém, eles se vigiam e se atentam a qualquer tentativa de azedar o relacionamento de devoção mútua.
O tempo de tela de Pierce Brosnan é curto, mas poderia ser melhor aproveitado, considerando seu talento para a representação. Já Marisa Abela tem uma presença maior na tela e, quando está em cena, faz o que precisa ser feito, honrando o seu mérito.
De certa forma, há um charme presente em muitos filmes cujo tema principal é a espionagem. Em Código Preto, a violência é discreta, sucinta e ocorre no momento certo, conforme as regras seguidas pelos agentes de inteligência. A traição leva a um custo fatal.
O jogo de mentiras é intenso, assim como a confusão e a desconfiança entre os personagens envolvidos na trama. No final, no entanto, o amor entre o casal supera as dificuldades e faz com que os problemas do estado sejam deixados em segundo plano.
Trata-se de um trabalho enxuto do diretor Steven Soderbergh, tanto na duração quanto no enredo. É uma boa opção para quem gosta de um bom jogo de xadrez repleto de espiões, desconfiança e mentiras. Alguns segredos podem não ser revelados sob o Código Preto (ou Black Bag, no original).
A mensagem por trás de "O Poder do Rosário" é realmente o que vale a pena, pois rezar o rosário é uma forma de meditar sobre a vida de Jesus e Maria, aproximando a pessoa do amor deles. Além disso, o fiel desenvolve uma poderosa disciplina espiritual diária que o ajuda a se defender do mal e a crescer em virtudes.
Embora o elenco deixe a desejar na maioria das interpretações, acredito que uma das exceções seja a veterana Myriam Rios, graças à sua vasta experiência na televisão, obtida ao longo de sua carreira em novelas de grande audiência da Rede Globo e de outras emissoras.
O desenvolvimento do roteiro torna a história totalmente previsível desde o início e contém algumas frases de efeito que reforçam a falta de criatividade para criar algo novo, distante dos clichês do gênero. É uma pena que um longa-metragem com um conteúdo tão relevante sobre a demonstração da fé e o poder da oração do rosário na vida das pessoas tenha decepcionado em sua cinematografia.
Confesso que não tinha grandes expectativas em relação aos aspectos técnicos e artísticos da produção, mas, no final, fiquei feliz por ter assistido a um filme com uma mensagem tão importante para esta geração e para as pessoas: o poder do rosário é real, desde que a fé também seja verdadeira. A transformação na vida daqueles que rezam o terço/rosário é impressionante.
Lucky Strike é uma produção inspirada na história real de heroísmo e sobrevivência do soldado americano John Castle, interpretado por Scott Eastwood.
O filme se passa durante a Segunda Guerra Mundial, mais precisamente na Batalha das Ardenas. A trama acompanha um soldado americano que fica preso atrás das linhas inimigas após ser o único sobrevivente de um ataque, e precisa se manter vivo para retornar às forças amigas utilizando apenas seu rádio Motorola SCR-300. Sua jornada de volta é de vários quilômetros pelo território inimigo, e ele precisa escapar de esquadrões Panzer e patrulhas da SS.
A decepção com as atuações é grande, principalmente a de Scott Eastwood, pois sua interpretação do personagem é vazia de emoção e se perde a um nível quase amador. A cinematografia também apresenta um filtro pesado, com movimentos e cortes de câmera que deixam os efeitos de CGI um tanto grosseiros. A composição da imagem apresenta algo de muito estranho, pois há uma falta de elementos orgânicos no cenário em que a história se desenrola.
Eu esperava bem mais desta produção diante do material de divulgação que assisti, principalmente por ter no elenco sobrenomes tão relevantes para o cinema, como Eastwood e Hanks. Infelizmente, eles não entregaram uma interpretação convincente em "Lucky Strike".
O roteiro é outro ponto negativo, e, assim como o tempo de duração, faz com que o filme seja mais um entre tantos outros que mostram mais do mesmo e ficam abaixo da média.
É muito difícil para uma série com tantas temporadas conseguir manter o mesmo humor fresco das cinco primeiras, pelo menos. Ainda mantenho minha régua alta, com uma nota quatro. Toda a família ainda consegue arrancar boas gargalhadas dos espectadores.
As crianças Manny, Luke, Haley e Alex não são mais as mesmas. Elas parecem ter perdido toda a espontaneidade e a inocência da infância, embora Luke e Haley estejam sempre alguns passos atrás de Alex e Manny. Os dois vivem em um mundo de câmera lenta, paz e amor. Aliás, amor é algo que não falta a Haley.
Gosto bastante do personagem de Jay. O velho realmente fala a verdade e sabe das coisas, pois ele é o sustento da família e quem segura as pontas. Suas conversas com os familiares sempre têm o intuito de ensinar algo, e olha que ele também aprende, às vezes da maneira mais difícil, mas aprende.
Phil Dunphy continua com seu jeito descontraído e bonachão. Ele é um pai e marido de família que chora mais que sua mulher, Claire. Juntos, eles formam um casal atrapalhado e divertido, que às vezes comete algumas gafes com os filhos, mas sempre arruma tudo da melhor maneira possível.
O casal gay Mitchell e Cameron continua brilhando; realmente, o trabalho de Jesse Tyler Ferguson e Eric Stonestreet é excelente, principalmente o de Stonestreet. Toda vez que eles assumem a cena, não tem como não dar algumas gargalhadas. Os costumes de Cameron são estranhos, e suas mangas coloridas dobradas são sua marca registrada.
Tantos outros personagens têm sua parcela de culpa em toda a comédia e nas situações hilárias em que se metem. Infelizmente, para manter a qualidade das temporadas sempre em alto nível, é preciso que haja um esforço conjunto, pois, poucas andorinhas não conseguem fazer verão por muito tempo.
Ainda tenho três temporadas pela frente. Sei que a série "Família Moderna" terminou na décima primeira temporada, mas não será por isso que vou desistir. Vou seguir firme e forte para a próxima temporada e continuar assistindo até o final da série.
Episódios de destaque: A Tale of Three Cities (T8.E1), Weathering Heights (T8.E4), Halloween 4: The Revenge of Rod Skyhook (T8.E5), Thanksgiving Jamboree (T8.E7), The Alliance (T8.E8), Ringmaster Keifth (S8.E10), Do You Believe in Magic (T8.E12), Pig Moon Rising (T8.E17), Five Minutes (T8.E18), Frank's Wedding (T8.E19), Alone Time (T8.E21) e The Graduates (T8.E22).
Não sei por quê, mas, desde que começaram a divulgar "Backrooms: Um Não-Lugar", não criei nenhuma expectativa em relação ao conteúdo que, um dia, eu provavelmente assistiria por pura curiosidade. E então esse dia chegou. Renomeei o subtítulo de "Um Não-Lugar" para "Um Não-Filme".
O mundo está tão de ponta cabeça quanto o cenário do filme. Com um orçamento de produção inferior a US$ 10 milhões, ele arrecadou mais de US$ 350 milhões em todo o mundo, quebrando recordes e se tornando a maior bilheteria da história do estúdio A24.
Realmente, há coisas nesse mundo contemporâneo que fogem à lógica, como a disposição dos objetos que "decoram" o cenário, uma espécie de labirinto capaz de fazer inveja ao Minotauro.
Os produtores fizeram uma aposta certeira ao levar a websérie Backrooms para as salas de cinema, principalmente por se tratar de um produto adorado pela Geração Z. Kane Parsons e sua turma estão rindo à beça.
Assim que o filme chegou aa fim, me senti como o Seu Madruga na sala de aula do Professor Girafales, olhando para a parede vestindo orelhas de burro. Pois é, pois é pois é! Que coisa, não?
Eu realmente me sinto muito bem longe dessas criações tão absurdas e repletas de sabedoria existencial. Kane Parsons é um prodígio da sétima arte.
Como uma adaptação cinematográfica, o filme "A Odisseia" deixa a desejar em muitos pontos cruciais da epopeia homérica, como a escolha de atores que não correspondem ao que foi escrito há quase três milênios. O que importa é atender aos requisitos para receber indicações ao Oscar, e Nolan sabe disso muito bem. Ele vai ganhar algumas estatuetas, algumas por mérito, outras por seguir as regras do jogo.
Ao separar o poema épico de Homero do filme de Christopher Nolan, este último merece elogios quanto a cancha acumulada, mesmo com algumas ressalvas pontuais sobre sua visão da adaptação. Algumas cenas são realmente filmadas com uma competência inquestionável. Destaque para a chegada de Odisseu a Ítaca.
Como mera fonte de entretenimento audiovisual, "A Odisseia de Nolan" é um filme que, em sua essência, garante divertimento, principalmente para quem não leu um dos livros (poemas épicos) mais importantes da literatura ocidental — ou, no mínimo, não parou sequer para ler sobre Odisseia na Wikipedia.
Aqui está uma longa-metragem nacional contemporânea que merece atenção tanto por sua história quanto pela qualidade de sua produção, ainda mais por ser o primeiro filme produzido pela Brasil Paralelo.
Longe da mesmice frequentemente retratada nas recentes produções cinematográficas nacionais, Oficina do Diabo tem um enredo muito mais interessante, que transcende o mero entretenimento e agrega uma experiência mais elevada, pois se assiste a uma história com uma forte relação com questões metafísicas e espirituais.
No meio do drama, há uma verdadeira batalha espiritual sendo construída diante dos olhos do espectador, traduzindo para a linguagem do cinema essa batalha invisível, porém capaz de destruir a alma humana daqueles céticos que, tarde demais, vão implorar por misericórdia, quando estiverem mergulhados em desespero, dor e sofrimento eternos.
O elenco conta com muitos atores pouco conhecidos pelo público, com exceção da atriz Elizângela (in memoriam), que, aliás, executa um trabalho emocionante no papel de Maria, a mãe do protagonista. Outros atores também apresentam interpretações de qualidade, com destaque para o experiente ator e professor Roberto Mallet, que interpreta o icônico demônio Fausto. A produção é outro ponto de destaque neste filme nacional. Tanto o figurino quanto a cenografia se destacam e contribuem para a composição da história. A névoa que paira sobre a cidade ajuda a criar um tom de mistério. As locações históricas, em meio à arquitetura conservada, contribuem ainda mais para a recriação da atmosfera dos anos 1960. A mensagem de "Oficina do Diabo" é para a vida toda, e também serve para lembrar a todos da importância de cuidar incessantemente do lado espiritual, fortalecendo a alma por meio da fé em Deus e em seus intercessores, para ajudar no bom combate contra as ciladas e investidas dos demônios, que espreitam por meio de tentações que levam a pessoa a se deleitar nos prazeres da carne, e assim se perder em um caminho sem volta.
O filme "Passageiro do Mal" tem uma história interessante, mas o roteiro de Zachary Donohue e T. W. Burgess se esvazia ao longo da narrativa e recorre a artifícios baratos, como o excesso de jump scares. Além disso, o filme conta com um casal de atores que não demonstram afinidade em cena e não convencem em seu trabalho de interpretação.
Nos primeiros minutos, o cineasta norueguês André Øvredal dá a impressão de que conduzirá sua história por um caminho interessante do gênero terror. O suspense, no qual o espectador é colocado diante dos acontecimentos com os dois personagens da primeira cena, é de uma tensão surpreendente. Tudo o que acontece com eles e a maneira como o ser sobrenatural se apresenta à beira da estrada são realmente assustadores. Infelizmente, o recurso do jump scare é utilizado em excesso, tornando-se algo insuportável ao longo da narrativa.
A maneira como o diretor conduz a câmera muitas vezes contribui para a forma como a história é contada. Um exemplo é quando ele faz um giro de 360° em torno do personagem, captando a atmosfera do ambiente ao seu redor. Isso deixa as coisas ainda mais tensas para o espectador. Essa técnica cria uma expectativa sobre o que será visto enquanto a câmera se move em seu próprio eixo até retornar ao ponto inicial.
ainda mais com gênero do terror com aquele ser sobrenatural parado no acostamento do asfalto acompanhando com o pescoço o motorista passar a sua frente, assim repetidas vezes até que que a estrada à noite proporciona, principalmente em torno do ser sobrenatural que espreita pelas sombras a margem do asfalto ou por entre a floresta que os cercam.
A escolha dos atores principais também é um ponto negativo nesse filme de terror. O roteiro se complica ainda mais quando aborda a história de amor do casal, que deixa a vida caótica de Nova York para pegar a estrada em uma van equipada como uma casa (motorhome), pensando em levar uma vida mais tranquila. Com poucos quilômetros de rodagem nessa vida nômade digital, porém, a personagem Maddie Brecker (Lou Llobell) parece ter enjoado dessa vida itinerante, ao contrário da empolgação de seu par romântico, Tyler Genocchio (Jacob Scipio). Tudo isso acontece após um pedido de casamento interrompido por um guarda noturno — antes fosse pelo espírito maligno.
Enfim, o uso do santo padroeiro dos motoristas e viajantes, São Cristóvão, é mais um capricho do que uma manifestação de seu real significado, pois o roteiro não explora adequadamente o uso da correntinha de São Cristóvão como arma de proteção contra o mal. A imagem final de São Cristóvão na capela, com seu cajado transformado em lança, é interessante. Porém, a cena final, em que Tyler finalmente coloca o anel de noivado na mão de sua amada, com os dois fazendo planos futuros e trocando risinhos e carinhos, enquanto a capela arde em chamas à sua frente, é como se, a poucos metros de sair da estrada infernal, a van perdesse o controle e capotasse com os dois pombinhos dentro. Realmente, é o fim da estrada, não só para o "Passageiro do Mal".
É muito difícil assistir a um filme que utiliza o loop temporal como recurso narrativo. O mistério em torno da história subentendida precisa se basear em um roteiro muito bem escrito e estruturado, pois, do contrário, o espectador acaba entrando em uma espiral cansativa que, inevitavelmente, vai fazer com que ele perca o interesse em continuar assistindo.
Eu mesmo fui vítima desse loop infinito, que não levou o filme a lugar algum, a não ser interpretar toda essa estrada sem fim como uma desculpa materialista para uma geração que sucumbe facilmente diante dos problemas e das rotinas que uma vida adulta sempre exige. Essa metáfora pode ser interpretada como um grito de desespero diante dos desafios diários e da intensa correria que o mundo inevitavelmente cobre duro.
Nessa correria desenfreada do mundo contemporâneo, cada vez mais veloz, fugaz e líquido, muitos deixam de lado a importância de cuidar da alma e de cultivar o amor à família e aos verdadeiros amigos.
Por ser um longa-metragem de interpretação aberta, "It Ends" se torna uma produção interessante para a discussão de suas diversas interpretações. Os temas encontrados ao longo da jornada dos quatro amigos a bordo do Jeep Cherokee fazem com que o espectador siga uma autorreflexão sobre o rumo que pretende dar à sua vida.
O diretor e roteirista Alex Ullom tentou, mas deve continuar pavimentando sua estrada para, no futuro, transitar sem se perder ao tentar traduzir de maneira subjetiva um problema ainda mais intenso neste século XXI, no qual impera o pensamento materialista, que muitas vezes leva a pessoa a um vazio existencial profundo, fazendo-a desistir no meio do caminho do maior bem que nos foi dado. Que todos tenham fé para trilhar um caminho com propósito, tornando-se conscientes de sua missão nesta vida passageira.
Para seguir adiante em uma estrada escura, é preciso manter a luz em dia, para não ser surpreendido por obstáculos sempre presentes na estrada da vida.
Quando assistir ao trailer de "Sete Atiradores" (Seven Snipers), acreditei que se tratava de um filme de ação repleto de suspense, pois estar na mira de um atirador de elite é realmente uma sensação desconfortante, e a tensão é constante até o gatilho ser pressionado.
Assim que terminei de assistir ao longa-metragem australiano dirigido por Sandra Sciberras, fiquei com uma sensação de desconforto diante do roteiro de Andrew O'Keefe, pois os erros são os mais estúpidos possíveis. Por que não contratar um ex-atirador de elite para assessorar a produção e orientar sobre as questões técnicas envolvendo um profissional treinado para disparos de alta precisão?
Além disso, o desenvolvimento dos personagens é muito superficial, principalmente o dos membros da equipe de apoio convocada por Voodoo Child (Radha Mitchell). Esses personagens, que chegam para ajudar a personagem central, não têm um desenvolvimento decente e se comportam como pessoas despreparadas frente a um inimigo com imensa aptidão técnica no manejo de um fuzil de precisão. São alvos fáceis de serem abatidos.
Apesar do baixo orçamento, os efeitos visuais utilizados na cena em que a protagonista Voodoo Child (Radha Mitchell) dispara um tiro certeiro na roda do carro, fazendo-o capotar, são grosseiros. O mesmo acontece no momento em que ela põe fogo no veículo: o simples efeito das chamas é tão visivelmente ruim que parece ter sido feito por um amador. Aliás, acredito que um amador faria melhor.
Embora haja erros, o clima de suspense criado frente a uma ameaça praticamente invisível e de alta letalidade transfere ao espectador uma tensão que o faz roer todas as unhas, não há como negar que a produção acerta no suspense. A trilha sonora potencializa ainda mais o clima desconfortante de acompanhar um grupo de pessoas sendo caçadas por um exímio atirador de elite.
Quanto ao elenco, Radha Mitchell e Tim Roth se destacam em seus papéis. "Seven Snipers" é um filme de ação mediano, com momentos de apreensão e suspense intensos, que o salvam do descarte.
Com um elenco de peso, o filme apresenta atuações consistentes sob a competente direção de Guy Ritchie, que também escreveu um roteiro elogiável para uma produção de ação. De maneira alguma "Na Zona Cinzenta" ameaça reinventar o gênero, mas o que se vê na tela é exatamente o que se espera de um bom filme de ação: adrenalina a flor da pele.
A elegância em torno dos personagens é admirável e dá um charme ainda mais interessante à trama, destaque para o trio a "mãe" Rachel Wild e seus "filhos leais Bronco e Sid, respectivamente interpretados com precisão pelos talentosos Eiza González, Jake Gyllenhaal e Henry Cavill.
No início do filme, é apresentado todo o planejamento estrategicamente elaborado pela equipe de Rachel para o caso de precisarem tirá-la às pressas da ilha de Salazar. A partir dos cinquenta minutos, o plano é posto em prática diante da ameaça de Manny Salazar de eliminar Rachel — aliás, a personagem reúne um perfil de elegância, inteligência e carisma, interpretado na medida pela atriz mexicana Eiza González.
Antes dos créditos finais, Guy Ritchie deixa um gancho para uma possível sequência, que revelará o destino de Manny Salazar e Bobby Sheen após o erro cometido por ambos contra Rachel. Com a ajuda da dupla Bronco e Sid, ela consegue uma reviravolta que terá consequências devastadoras para os dois.
Os erros em "Na Zona Cinzenta" são imperceptíveis em relação ao acerto, pois se trata de um longa-metragem tecnicamente eloquente em relação ao seu objetivo de entreter quem realmente quer ver cinema de ação autêntico, sem a pretensão de querer realizar algo fora do comum. "Na Zona Cinzenta" é uma obra que cumpre sua missão.
É muito difícil ver séries que ficam muito tempo no ar, como "Família Moderna", se manterem estáveis depois de muitos episódios. Acredito que o sucesso dessa série, criada por Christopher Lloyd e Steven Levitan, se deve principalmente à sintonia entre os atores e ao fato de os episódios serem mais curtos, geralmente com pouco mais de vinte minutos — o que, para mim, é um tempo perfeito para esse tipo de obra audiovisual.
Nesta sétima temporada, que tem 22 episódios, destaco "The Closet Case" (E3), "Phil's Sexy, Sexy House" (E7), "Clean Out Your Junk Drawer" (E8), "White Christmas" (E9), "The Storm" (E14), "The Party" (E18) e os dois últimos episódios, "Crazy Train" e "Double Click".
Não sei se é só impressão minha, mas acredito que "Modern Family" chegou a um platô e está caminhando a passos curtos para uma queda de qualidade. Espero que não acelerem esse processo. Posso estar enganado; quero acreditar que estou, pois se trata de um mocumentário de humor familiar muito sagaz, com um roteiro afiado e bem-humorado. É uma pena que tudo isso tem um fim.
A história de "Jessabelle: O Passado Nunca Morre" se passa na cidade de St. Francisville, no estado da Louisiana (EUA), mas as gravações principais ocorreram em Wilmington, na Carolina do Norte.
Neste filme de mistério sobrenatural dirigido por Kevin Greutert, o terror e o suspense psicológico são responsáveis pela tensão em uma trama que começa bem, mas que, ao longo da narração, se perde em absurdos totalmente sem sentido e insossos. Após o término, o subtítulo poderia ser alterado para "O Passado Nunca Morre, mas Envelhece com o Tempo".
É um longa-metragem de terror sobrenatural com temática vodu, fácil de esquecer, mesmo com o bom protagonismo de Sarah Snook. O desfecho chega a ser cômico diante do encontro entre a personagem central, Jessie, e a família de almas penadas que insiste em permanecer no pecado.
A menina, assassinada ao nascer, retorna das profundezas do pântano mais velha e na companhia dos pais, também mortos. A mãe adúltera e o pai "talarico" agora querem que a filha reencarne no corpo de Jessie, uma coitada enganada a vida toda que paga inocentemente o preço de ter um pai assassino (e corno revoltado).
Um furo no roteiro tão grande que acabou servindo de cova para "Jessabelle".
Tinha que ser mais uma produção original do Brasil Paralelo. A cada documentário, eles estão melhorando e se superando.
O documentário "El Salvador: O dia em que o medo mudou de lado" é bem interessante e explora a trajetória de Nayib Bukele até o cargo de presidente de El Salvador, além de mostrar toda a estratégia utilizada para chegar à presidência e implementar o CECOT (Centro de Confinamento do Terrorismo), prisão de segurança máxima em Tecoluca, El Salvador, inaugurada em 2023, que colocou atrás das grades entre 15 mil e 20 mil membros de gangues e facções criminosas.
Bukele realmente faz um trabalho invejável no que se refere à segurança pública, apesar das acusações de que pessoas inocentes são presas. Isso pode parecer verdade, mas há uma certa desconfiança quanto à fonte dessa informação, principalmente se tratando de pessoas ligadas a movimentos que pregam a hipocrisia, em vez de agir em prol dos direitos humanos, e não dos direitos dos "manos" que aterrorizam a população de bem com extorsões, roubos, torturas físicas e psicológicas, estupros e assassinatos de homens, mulheres e crianças inocentes de maneiras cruéis.
É interessante perceber em depoimentos da população que sofreu nas mãos de sangue desses bandidos, ou que tiveram algum parente morto, o quão melhor estão vivendo suas vidas com todos esses terroristas isolados da sociedade em uma prisão que de fato cumpre com o objetivo do qual ela foi construída. No entanto, a população teme que um dia esse bando de alta periculosidade possa voltar às ruas de El Salvador ainda mais carregado de ódio. Afinal, uma hora Bukele terá que deixar a presidência.
De fato, o Brasil precisa de "homens com culhões" no governo, pois o país se tornou um narcoestado há muito tempo. A insegurança pública está presente em cada esquina, inclusive ao seu lado, graças a políticos que apoiam e defendem bandidos como se fossem pobres inocentes e vítimas da sociedade. E o que dizer do atual presidente do Poder Executivo (e chefe de Estado e de governo) do Brasil, que proferiu a seguinte frase durante uma coletiva de imprensa em Jacarta, na Indonésia, em 24 de outubro de 2025: "Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também".
No entanto, o que eu acredito de todo o coração é no poder da oração e da fé em Deus, pois só Ele é digno de salvar a todos verdadeiramente.
Mais um filme de horror corporal (ou body horror) que não acrescenta nada ao subgênero do terror e faz o espectador perder mais de duas horas de seu precioso tempo.
A visão do roteirista e diretor Lee Cronin sobre a múmia é totalmente destoante: sem personalidade nem criatividade, o que se vê é um show de aberrações nojentas e estúpidas, como os pais da protagonista possuída, Charlie (Jack Reynor) e Larissa (Laia Costa).
Cronin precisa calibrar sua visão: sua intenção era fazer sua versão de A Múmia, mas parece que ele quase acertou O Exorcista. Em algumas cenas, Natalie Grace parece se inspirar na performance de Linda Blair no filme de 1973 dirigido por William Friedkin, mas o resultado é decepcionante. O conjunto da obra é um pandemônio desprezível.
Mais uma temporada de Modern Family finalizada aos risos. E, mais uma vez, a série não perde a graça. A comédia está presente em todos os personagens, sem exceção. Além de fazer o espectador rir à beça, a sintonia e a interpretação dos atores são um diferencial que se destaca desde a primeira temporada. São talentos que não deixam a peteca cair. É interessante notar que cenas sem graça logo são esquecidas com a cena seguinte.
Os roteiristas dominam a arte da comédia e nos presenteiam com diálogos engraçados, cheios de sacadas rápidas e inteligentes. É uma série destemida, que atreve fazer piada com qualquer coisa. A militância parece ser ignorada aqui e o respeito é visto nas entrelinhas, sem nenhum problema.
Para esta sexta temporada, o episódio a ser destacado é "Connection Lost" (E16). A criatividade técnica do episódio é sensacional, assim como a interpretação hilária de Julie Bowen e Ty Burrell, que dão um show. O último episódio, "American Skyper" (E24), também se destaca pela criatividade, principalmente pelas palhaçadas e interações de Phil Dunphy por meio de uma tela suspensa em uma espécie de robô que desliza para lá e para cá.
Agora, é partir para a sétima temporada sem pestanejar.
Cujo
3.2 463 Assista Agorawww. leiaeassista. com. br
É impressionante que, na época em que escreveu e lançou o livro homônimo, em 1981, Stephen King passava pelo pior momento de sua vida, quando estava viciado em álcool e cocaína. Por causa disso, o autor não se lembrava de ter escrito Cujo. Em sua autobiografia, ele revelou sentir um profundo sentimento de tristeza por não se lembrar de ter trabalhado em uma história da qual gostava muito.
A inspiração para criar Cujo veio da vida real. Em 1977, a Harley-Davidson de King quebrou em uma estrada de terra no Maine. Ele levou a motocicleta até o mecânico local, que ficava em uma área isolada. Ao chegar lá, King se surpreendeu ao ver o que considerou o maior cão da raça São Bernardo que já vira na vida. Além de rosnar de maneira agressiva para King, o animal ainda tentou avançar sobre ele. Felizmente, o mecânico apareceu e acalmou o animal, que viria a ser a principal fonte de inspiração para a obra Cujo.
A adaptação cinematográfica foi lançada em 1983. Dee Wallace interpreta Donna Trenton, a mãe; Danny Pintauro, Tad Trenton, o filho de cinco anos; e Daniel Hugh Kelly, Vic Trenton, o pai. O maior destaque é a performance visceral de Denise Crosby ao lado do pequeno Danny Pintauro. Destaco também o excelente trabalho com os cães utilizados para interpretar Cujo, o personagem responsável por todo o terror da história, publicada originalmente em 1981.
Em "Cujo", o espectador acompanha uma história de drama sobre traição, até que o terror e o suspense tomam conta da trama. O espectador fica apreensivo e imerso no desfecho daquela mãe desesperada, que luta pela própria sobrevivência e, principalmente, pela do filho. A sensação de desespero aumenta com cada aparição do enorme cão raivoso, nojento e implacável, que continua a atacar mesmo em estado de putrefação, devido à raiva transmitida pela mordida de um morcego. Assim, o espectador experimenta um pouco do desespero da mãe e do filho diante de um cenário caótico e isolado, no qual o interior do carro é a única proteção disponível.
Acredito que, devido aos seus vícios na época em que escreveu o romance de terror Cujo, King tornou a história mais sombria ao dar um final trágico para a vida do pequeno Tad Trenton. Para "consertar" esse desfecho cruel, o estúdio optou por manter o menino vivo, considerando a morte da criança uma cena muito pesada. Essa mudança foi aprovada pelo próprio King, que admitiu se arrepender de ter matado a criança na história original.
Se você está procurando um filme de terror repleto de suspense, que o prenda do início ao fim, o diretor Lewis Teague oferece exatamente isso em uma adaptação cinematográfica que merece ser vista — e até mesmo revisitada. Foi o que fiz antes de escrever esta resenha.
Cemitério Maldito
3.7 1,1K Assista Agorawww. leiaeassista. com. br
Embora "Cemitério Maldito" não seja um grande filme de terror, baseado no romance homônimo de Stephen King, confesso que gosto do que vejo toda vez que o assisto, apesar dos efeitos visuais ruins. Não sei explicar o motivo, mas adoro a interpretação de Fred Gwynne como o vizinho idoso, Jud Crandall, que apresenta a Louis Creed tanto o misterioso cemitério de animais quanto o cemitério indígena, este último capaz de ressuscitar os mortos.
Church, um gato da raça British Shorthair de pelagem cinzenta, é um dos personagens que marcam esta adaptação na memória do espectador. As cenas em que ele encara o dono com seus olhos amarelos intensos, bufando ou sibilando, são momentos de tensão, principalmente quando o felino surge do nada, causando um grande susto — ainda mais por ter ressurgido dos mortos com uma aparência que parece ter sido cuspido pelo próprio demônio.
Outro personagem que ressurge das trevas para confundir, assustar e matar é Gage Creed, interpretado por Miko Hughes na infância. Antes de retornar do mundo dos mortos possuído pelo espírito maligno do Wendigo, ele era uma criança esperta de aparência angelical. No entanto, ao ressurgir como um diabinho loiro, sua aparência se torna assustadora, acompanhada de risadinhas apavorantes que ecoam por todos os lados, além de falas infantis bem estranhas. A cena em que a criança aparece vestida com o mesmo traje da avó, no quadro em que ela está pintada, é particularmente assustadora, pois se passa na frente da mãe, que, inocentemente, acredita se tratar de seu filho, mesmo ele aparecendo empunhando um bisturi.
A cena em que Louis Creed encerra a participação do pequeno ser possuído, após uma intensa luta tensa entre eles, é um misto de horror e tristeza, ao ver aquela criança sendo morta pela segunda vez, com uma injeção letal de morfina aplicada lentamente em seu pescoço pelo próprio pai. Mesmo após testemunhar a desgraça de tentar trazer alguém de volta à vida, ele insiste no erro e enterra a esposa no cemitério indígena. Com isso, seu amor retorna, mas está corrompida pela entidade maligna do local. Um final desesperador diante da tragédia.
Família Moderna (9ª Temporada)
4.1 78 Assista Agorawww. leiaeassista. com. br
Felizmente a série continua sendo boa e ainda consegue fazer dar boas risadas com as situações, principalmente nas cenas em que envolve o casal gay Mitchell Pritchett (Jesse Tyler Ferguson) e Cameron Tucker (Eric Stonestreet), os dois são excelentes em suas atuações, principalmente o último.
Infelizmente, acredito que será difícil manter a qualidade desta temporada na próxima, que também não foi tão boa assim, apesar de eu ter dado quatro estrelas para "Modern Family". Mais uma vez, o que acho interessante nessa série é a sintonia do elenco em cena e o fato de as interações funcionarem bem na história, mesmo após oito temporadas. Como sempre enfatizo em relação a séries longas, é preciso muito empenho, força de vontade e dedicação para manter a qualidade e a criatividade por mais de cinco temporadas, ainda que "Família Moderna" tenha episódios curtos, com pouco mais de vinte minutos.
Os personagens mais jovens (Manny, Luke, Haley, Alex, Lily e Joe) estão um tanto apagados, enquanto os casais adultos têm tido maior protagonismo frente a esse elenco mais novo. Realmente está difícil para os roteiristas manterem a criatividade em relação às piadas e às histórias que tornaram "Família Moderna" uma série de comédia no formato de sitcom e falso documentário (mockumentary) agradável de assistir.
Prefiro acreditar que a décima temporada será melhor, pois eles merecem um desfecho inesquecível. Apesar do desgaste inevitável causado pelo grande número de episódios, "Família Moderna" não decepciona e ainda consegue fazer o telespectador rir à beça. Destaco os seguintes episódios: "Lake Life" (T9.E1), "Winner Winner Turkey Dinner" (T9.E7), "Brushes with Celebrity" (T9.E8), "Dear Beloved Family" (T9.E12), "Written in the Stars" (T9.E14), "Wine Weekend" (T9.E16), "Daddy Issues" (T9.E18), "The Escape" (T9.E21) e "Clash of Swords" (T9.E22).
O Homem que Sussurra
3.0 165 Assista Agorawww. leiaeassista. com. br
O filme "O Homem que Sussurra" não foge à regra dos muitos outros do gênero suspense policial. Seguindo a receita do gênero, o diretor James Ashcroft e os roteiristas Ben Jacoby e Chase Palmer adicionam mais um assassino em série à história, apresentando não um, mas dois psicopatas. Eles entregam uma história de qualidade mediana.
Acredito que os mais de noventa minutos de filme foram tempo demais para a narrativa. Felizmente, por padrão, filmes com assassinos à solta conseguem prender a atenção do espectador até que a identidade do meliante seja revelada e ele seja capturado.
Mesmo assim, em determinado momento, a trama perde a força, e o espectador precisa se esforçar para continuar assistindo.
No fim das contas, O Homem que Sussurra é um daqueles filmes cujos personagens não são muito bem desenvolvidos, mas que acaba sendo mascarado, até certo ponto, pelo talento de alguns atores.
Apesar de alguns pontos negativos, a produção é boa e o elenco, que conta com atores como Robert De Niro, Michael Keaton, Michelle Monaghan, Adam Scott, Owen Teague e Hamish Linklater, tenta não deixar a peteca cair. No entanto, há um desperdício inegável de talentos.
Durval Discos
3.7 364www. leiaeassista. com. br
Embora tenha sido lançado no início dos anos 2000, mais precisamente em 2002, o filme brasileiro "Durval Discos" ainda deve passar despercebido por muitos. No entanto, quem assistir à história certamente se surpreenderá. Assisti ao filme esperando mais uma história de drama saudosista destinada especialmente aos colecionadores de discos de vinil. Porém, a diretora e roteirista Anna Muylaert transforma a narrativa dramática em uma história caótica, carregada de suspense — e por que não? — humor negro.
Assim como os discos de vinil têm um lado A e um lado B, esta produção nacional também pode ser dividida em duas partes. Na primeira, o espectador conhecerá a rotina monótona de Durval (Ary França), um vendedor de discos solitário, que está estagnado em sua loja empoeirada, devido à falta de clientes. Suas únicas companhias são uma vizinha, Elisabeth (Marisa Orth), que entra na loja todos os dias para fumar escondida da patroa, e sua mãe idosa, Carmita (Etty Fraser), que leva uma vida enfadonha.
Na segunda parte, a contratação de Célia (Letícia Sabatella) para auxiliar nos afazeres domésticos inicialmente trará alívio para Carmita. Porém, a presença inesperada de uma criança (Kiki) na casa e a ausência da empregada revelarão aos poucos toda a verdade daquela situação.
O caos se instala de maneira desesperadora na vida pacata de Durval e a interpretação de Etty Fraser como Carmita está próxima da perfeição. A entrega da atriz, falecida em 2018, ao seu papel deixa qualquer espectador à beira de um ataque de nervos diante das loucuras cometidas pela personagem, que culmina em um desfecho trágico.
Trata-se de um filme nacional quase esquecido. Atualmente, está disponível gratuitamente no YouTube para quem quiser conferir essa obra que retrata os absurdos da vida em uma cidade onde a paz e o caos podem estar presentes em cada lar, seja um ou outro, ou ainda os dois.
Destacam-se o trabalho de André Abujamra na trilha sonora e o plano-sequência de abertura, no qual a câmera percorre a rua Teodoro Sampaio, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Os créditos da equipe são exibidos de maneira criativa, integrados aos detalhes do cenário urbano, até que a câmera chega à fachada da loja que dá nome à imperdível obra nacional. Trata-se de uma ideia criativa filmada com maestria.
The Isolate Thief
3.1 2www. leiaeassista. com. br
Este é mais um filme de faroeste cuja história se passa em um período de clima gelado. Talvez o diretor John Suits tenha se inspirado no faroeste gelado de Quentin Tarantino, visto em seu filme de 2015, "Os Oito Odiados", para trazer esse tempo gélido ao seu ótimo longa-metragem, "The Isolate Thief".
O filme não se apressa em sua narrativa, o que para alguns espectadores pode ser um problema. O enredo se desenvolve em torno da protagonista Ada Horn, interpretada pela jovem atriz Mackenzie Foy. Ela é uma jovem cuidadora solitária de um posto avançado e isolado do Exército da União durante um rigoroso inverno da Guerra Civil Americana.
A vida de Ada se torna agitada e complicada quando ela esconde uma quantidade de ouro roubado. Quando os bandidos, os verdadeiros donos do ouro, chegam ao posto avançado, eles se identificam como integrantes do Exército da União, liderados por Fiddler John Good (Sean Bean). Eles se hospedam no posto em que Ada trabalha, e ela precisa usar sua inteligência para sobreviver. Sua aliada é Emily Moore (Odeya Rush), uma garota que Ada salvou e que os homens chamam de prostituta. Emily conhece a verdadeira identidade desses homens e sabe quão perigosos eles são.
As interpretações de Mackenzie Foy e Sean Bean chamam bastante atenção e são um dos pontos de destaque desta obra de faroeste. A presença do lobo rondando a casa em que Ada mora pode ser considerada um sinal do perigo constante ao qual a garota está exposta por viver sozinha em um lugar ermo e afastado.
Enquanto "The Isolate Thief" mergulha em um drama repleto de suspense, os minutos finais presenteiam o espectador com um confronto tenso. Apesar de a ação emergir com tudo no terceiro ato, o clima melancólico permanece ainda é sentido no fim da história. Infelizmente, o roteiro apresenta falhas, como a falta de revelação sobre o que aconteceu com a protagonista após o confronto com os invasores.
No final das contas, o ouro, que fora o motivo de toda a confusão que resultou em mortes e sofrimento, serviu apenas como objeto de ambição, ficando abandonado sem que nenhum dos envolvidos tomasse posse dele. No fim, a disputa passou a ser pela sobrevivência, pois a vida é o maior tesouro do ser humano.
Obsessão
3.9 937 Assista Agorawww. leiaeassista. com. br
A atuação de Inde Navarrette começa discreta e vai crescendo junto a evolução da história, de repente entre gritos, caretas e movimentos esquisitos, a nova mais cotada atriz de Hollywood aproveita a sua oportunidade para praticamente ser o centro das atenções de um filme que em nada de surpreendente tem a oferecer, a não ser uma coadjuvante que rouba a cena do protagonista Michael Johnston, que aliás, se esforça para interpretar um personagem tão passivo e covarde diante de seu objetivo amoroso.
A obra de terror psicológico e suspense do jovem diretor Curry Barker possui algumas cenas cômicas, demonstrando seu talento com exageros que beiram o limite do absurdo. A possessão de Nikki (Indie Navarrette) e as consequências de seus atos aterrorizantes são a máxima demonstração desse absurdo terrível. Nikki se torna vítima quando seu corpo é dominado por uma entidade demoníaca e libidinosa, trazida à tona por Bear (Michael Johnston) ao quebrar um objeto enfeitiçado chamado "Salgueiro dos Desejos" (One Wish Willow, no original), fazendo com que seu desejo se torne uma realidade infernal.
A trilha sonora deixa no ar uma atmosfera de filme de terror adolescente, narrado em meio a uma história fantástica sobre adolescentes dispostos a serem estúpidos e inconsequentes. Como não mencionar a frase do dramaturgo e escritor brasileiro Nelson Rodrigues: "Envelheçam depressa, deixem de ser jovens o mais depressa possível, isto é um azar, uma infelicidade".
O enredo caminha bem. Assim que a magia do galho quebrado se manifesta em Nikki, o gore pesado entra em cena. Navarrette consegue ser ao mesmo tempo assustadora e hilariante, com suas caretas bizarras, gritos histéricos de uma jovem loucamente apaixonada e expressões corporais esquisitas. No entanto, ao se aproximar do final, o diretor exagera e transforma o que estava indo bem em algo totalmente caótico, contrariando a expectativa de que "Obsessão" é um filme excelente. Quem realmente merece o adjetivo é a nova vampira dos X-Men.
Um aviso: tome cuidado com o que você deseja, pois ele pode ser seu pesadelo.
Meu nome é Enéas: Muito além dos 15 segundos
3.9 7www. leiaeassista. com. br
O Prof. Dr. Enéas Carneiro foi, de fato, uma pessoa à frente de seu tempo. Sua inteligência era excepcional, e poucas pessoas o acompanhavam e levavam a sério. Ele também foi injustamente interpretado e achincalhado pela mídia maquiavélica.
Mais uma vez, a Brasil Paralelo acerta na escolha do tema de sua produção: o documentário "Meu Nome é Enéas: Muito Além dos 15 Segundos" é imprescindível para que os brasileiros conheçam um pouco da história de um homem que fez história na política do país. Embora o filme tenha falhas, o conteúdo compilado nesse material documental é interessante. A escolha do título e do subtítulo, aliás, é significativa e merece elogios.
A história do Dr. Enéas Carneiro deve ser narrada e divulgada em todo o Brasil, para que todos tenham conhecimento desse homem de caráter e valores, muitas vezes julgados de maneira asquerosa. Infelizmente, muitas pessoas o menosprezaram ou não tiveram a oportunidade de conhecer um pouco de sua trajetória, tanto na medicina quanto na política.
Infelizmente, ele viveu apenas 68 anos, sem ter a oportunidade de conquistar muito mais em sua trajetória política. Fico imaginando como seria a vida desse homem no cenário atual do mundo, especificamente no Brasil. Seu raciocínio e sua inteligência continuariam sendo atacados? A militância dos movimentos de extrema esquerda usaria todas as armas à sua disposição para cancelá-lo e destruí-lo como ser humano?
Muitos dos temas que o Dr. Enéas defendia com veemência se tornaram pautas políticas de hoje. - a relevância estratégica do nióbio e das riquezas minerais; Na época, ele foi pioneiro ao denunciar que o Brasil exportava minérios brutos de altíssimo valor a "preço de banana", citando nominalmente o nióbio e as riquezas da Amazônia. Outros temas incluem as terras raras, a cobiça internacional e a "farsa" sobre a Amazônia, o declínio da qualidade educacional e da formação cultural (considerando que o conhecimento liberta o homem). Esses são alguns exemplos que começaram nos discursos incisivos do Dr. Enéas.
Não concordo com tudo o que ele defendia, e tenho considerações sobre alguns dos seus pontos de vista. No entanto, muitas de suas ideias e argumentos, expressos com excelência e de acordo com a norma culta da língua portuguesa, seriam compatíveis com o que a maioria dos brasileiros deseja hoje em dia.
Código Preto
3.1 121 Assista Agorawww. leiaeassista. com. br
Trata-se de um filme sobre espiões com atmosfera britânica, no qual a cumplicidade entre marido e mulher supera qualquer tentativa de aniquilá-los no traiçoeiro jogo dos espiões.
Inicialmente, "Código Preto" não desperta interesse, muito menos o sono que vai dando ao longo da história. Felizmente, em certo momento, o suspense sobre a espionagem e os acontecimentos envolvendo o casal George Woodhouse (Michael Fassbender) e Kathryn St. Jean (Cate Blanchett) se desenrola, e os mentirosos são revelados e eliminados.
Os jantares oferecidos pelo casal são constrangedores, principalmente quando os segredos entre os convidados — dois casais — são revelados à mesa, criando um clima embaraçoso e desencadeando uma série de consequências que se resolvem no fim da história.
A trilha sonora contribui para o clima enigmático entre os integrantes da agência. Embora o filme demore para engrenar, o elenco funciona muito bem, como a graxa necessária para que o movimento continue sem enroscos.
Blanchett e Fassbender interpretam seus personagens com maestria. Eles são um casal de mestres na arte de viver uma vida de riscos, que abre uma grande janela para traições e desconfianças. Porém, eles se vigiam e se atentam a qualquer tentativa de azedar o relacionamento de devoção mútua.
O tempo de tela de Pierce Brosnan é curto, mas poderia ser melhor aproveitado, considerando seu talento para a representação. Já Marisa Abela tem uma presença maior na tela e, quando está em cena, faz o que precisa ser feito, honrando o seu mérito.
De certa forma, há um charme presente em muitos filmes cujo tema principal é a espionagem. Em Código Preto, a violência é discreta, sucinta e ocorre no momento certo, conforme as regras seguidas pelos agentes de inteligência. A traição leva a um custo fatal.
O jogo de mentiras é intenso, assim como a confusão e a desconfiança entre os personagens envolvidos na trama. No final, no entanto, o amor entre o casal supera as dificuldades e faz com que os problemas do estado sejam deixados em segundo plano.
Trata-se de um trabalho enxuto do diretor Steven Soderbergh, tanto na duração quanto no enredo. É uma boa opção para quem gosta de um bom jogo de xadrez repleto de espiões, desconfiança e mentiras. Alguns segredos podem não ser revelados sob o Código Preto (ou Black Bag, no original).
O Poder do Rosário
2.8 2www. leiaeassista. com. br
A mensagem por trás de "O Poder do Rosário" é realmente o que vale a pena, pois rezar o rosário é uma forma de meditar sobre a vida de Jesus e Maria, aproximando a pessoa do amor deles. Além disso, o fiel desenvolve uma poderosa disciplina espiritual diária que o ajuda a se defender do mal e a crescer em virtudes.
Embora o elenco deixe a desejar na maioria das interpretações, acredito que uma das exceções seja a veterana Myriam Rios, graças à sua vasta experiência na televisão, obtida ao longo de sua carreira em novelas de grande audiência da Rede Globo e de outras emissoras.
O desenvolvimento do roteiro torna a história totalmente previsível desde o início e contém algumas frases de efeito que reforçam a falta de criatividade para criar algo novo, distante dos clichês do gênero. É uma pena que um longa-metragem com um conteúdo tão relevante sobre a demonstração da fé e o poder da oração do rosário na vida das pessoas tenha decepcionado em sua cinematografia.
Confesso que não tinha grandes expectativas em relação aos aspectos técnicos e artísticos da produção, mas, no final, fiquei feliz por ter assistido a um filme com uma mensagem tão importante para esta geração e para as pessoas: o poder do rosário é real, desde que a fé também seja verdadeira. A transformação na vida daqueles que rezam o terço/rosário é impressionante.
Lucky Strike
2.4 5www. leiaeassista. com. br
Lucky Strike é uma produção inspirada na história real de heroísmo e sobrevivência do soldado americano John Castle, interpretado por Scott Eastwood.
O filme se passa durante a Segunda Guerra Mundial, mais precisamente na Batalha das Ardenas. A trama acompanha um soldado americano que fica preso atrás das linhas inimigas após ser o único sobrevivente de um ataque, e precisa se manter vivo para retornar às forças amigas utilizando apenas seu rádio Motorola SCR-300. Sua jornada de volta é de vários quilômetros pelo território inimigo, e ele precisa escapar de esquadrões Panzer e patrulhas da SS.
A decepção com as atuações é grande, principalmente a de Scott Eastwood, pois sua interpretação do personagem é vazia de emoção e se perde a um nível quase amador. A cinematografia também apresenta um filtro pesado, com movimentos e cortes de câmera que deixam os efeitos de CGI um tanto grosseiros. A composição da imagem apresenta algo de muito estranho, pois há uma falta de elementos orgânicos no cenário em que a história se desenrola.
Eu esperava bem mais desta produção diante do material de divulgação que assisti, principalmente por ter no elenco sobrenomes tão relevantes para o cinema, como Eastwood e Hanks. Infelizmente, eles não entregaram uma interpretação convincente em "Lucky Strike".
O roteiro é outro ponto negativo, e, assim como o tempo de duração, faz com que o filme seja mais um entre tantos outros que mostram mais do mesmo e ficam abaixo da média.
Família Moderna (8ª Temporada)
4.2 101 Assista Agorawww. leiaeassista. com. br
É muito difícil para uma série com tantas temporadas conseguir manter o mesmo humor fresco das cinco primeiras, pelo menos. Ainda mantenho minha régua alta, com uma nota quatro. Toda a família ainda consegue arrancar boas gargalhadas dos espectadores.
As crianças Manny, Luke, Haley e Alex não são mais as mesmas. Elas parecem ter perdido toda a espontaneidade e a inocência da infância, embora Luke e Haley estejam sempre alguns passos atrás de Alex e Manny. Os dois vivem em um mundo de câmera lenta, paz e amor. Aliás, amor é algo que não falta a Haley.
Gosto bastante do personagem de Jay. O velho realmente fala a verdade e sabe das coisas, pois ele é o sustento da família e quem segura as pontas. Suas conversas com os familiares sempre têm o intuito de ensinar algo, e olha que ele também aprende, às vezes da maneira mais difícil, mas aprende.
Phil Dunphy continua com seu jeito descontraído e bonachão. Ele é um pai e marido de família que chora mais que sua mulher, Claire. Juntos, eles formam um casal atrapalhado e divertido, que às vezes comete algumas gafes com os filhos, mas sempre arruma tudo da melhor maneira possível.
O casal gay Mitchell e Cameron continua brilhando; realmente, o trabalho de Jesse Tyler Ferguson e Eric Stonestreet é excelente, principalmente o de Stonestreet. Toda vez que eles assumem a cena, não tem como não dar algumas gargalhadas. Os costumes de Cameron são estranhos, e suas mangas coloridas dobradas são sua marca registrada.
Tantos outros personagens têm sua parcela de culpa em toda a comédia e nas situações hilárias em que se metem. Infelizmente, para manter a qualidade das temporadas sempre em alto nível, é preciso que haja um esforço conjunto, pois, poucas andorinhas não conseguem fazer verão por muito tempo.
Ainda tenho três temporadas pela frente. Sei que a série "Família Moderna" terminou na décima primeira temporada, mas não será por isso que vou desistir. Vou seguir firme e forte para a próxima temporada e continuar assistindo até o final da série.
Episódios de destaque: A Tale of Three Cities (T8.E1), Weathering Heights (T8.E4), Halloween 4: The Revenge of Rod Skyhook (T8.E5), Thanksgiving Jamboree (T8.E7), The Alliance (T8.E8), Ringmaster Keifth (S8.E10), Do You Believe in Magic (T8.E12), Pig Moon Rising (T8.E17), Five Minutes (T8.E18), Frank's Wedding (T8.E19), Alone Time (T8.E21) e The Graduates (T8.E22).
Backrooms: Um Não-Lugar
3.2 460 Assista Agorawww. leiaeassista. com. br
Não sei por quê, mas, desde que começaram a divulgar "Backrooms: Um Não-Lugar", não criei nenhuma expectativa em relação ao conteúdo que, um dia, eu provavelmente assistiria por pura curiosidade. E então esse dia chegou. Renomeei o subtítulo de "Um Não-Lugar" para "Um Não-Filme".
O mundo está tão de ponta cabeça quanto o cenário do filme. Com um orçamento de produção inferior a US$ 10 milhões, ele arrecadou mais de US$ 350 milhões em todo o mundo, quebrando recordes e se tornando a maior bilheteria da história do estúdio A24.
Realmente, há coisas nesse mundo contemporâneo que fogem à lógica, como a disposição dos objetos que "decoram" o cenário, uma espécie de labirinto capaz de fazer inveja ao Minotauro.
Os produtores fizeram uma aposta certeira ao levar a websérie Backrooms para as salas de cinema, principalmente por se tratar de um produto adorado pela Geração Z. Kane Parsons e sua turma estão rindo à beça.
Assim que o filme chegou aa fim, me senti como o Seu Madruga na sala de aula do Professor Girafales, olhando para a parede vestindo orelhas de burro. Pois é, pois é pois é! Que coisa, não?
Eu realmente me sinto muito bem longe dessas criações tão absurdas e repletas de sabedoria existencial. Kane Parsons é um prodígio da sétima arte.
A Odisseia
4.2 585www. leiaeassista. com. br
Como uma adaptação cinematográfica, o filme "A Odisseia" deixa a desejar em muitos pontos cruciais da epopeia homérica, como a escolha de atores que não correspondem ao que foi escrito há quase três milênios. O que importa é atender aos requisitos para receber indicações ao Oscar, e Nolan sabe disso muito bem. Ele vai ganhar algumas estatuetas, algumas por mérito, outras por seguir as regras do jogo.
Ao separar o poema épico de Homero do filme de Christopher Nolan, este último merece elogios quanto a cancha acumulada, mesmo com algumas ressalvas pontuais sobre sua visão da adaptação. Algumas cenas são realmente filmadas com uma competência inquestionável. Destaque para a chegada de Odisseu a Ítaca.
Como mera fonte de entretenimento audiovisual, "A Odisseia de Nolan"
é um filme que, em sua essência, garante divertimento, principalmente para quem não leu um dos livros (poemas épicos) mais importantes da literatura ocidental — ou, no mínimo, não parou sequer para ler sobre Odisseia na Wikipedia.
Oficina do Diabo
3.4 37www. leiaeassista. com. br
Aqui está uma longa-metragem nacional contemporânea que merece atenção tanto por sua história quanto pela qualidade de sua produção, ainda mais por ser o primeiro filme produzido pela Brasil Paralelo.
Longe da mesmice frequentemente retratada nas recentes produções cinematográficas nacionais, Oficina do Diabo tem um enredo muito mais interessante, que transcende o mero entretenimento e agrega uma experiência mais elevada, pois se assiste a uma história com uma forte relação com questões metafísicas e espirituais.
No meio do drama, há uma verdadeira batalha espiritual sendo construída diante dos olhos do espectador, traduzindo para a linguagem do cinema essa batalha invisível, porém capaz de destruir a alma humana daqueles céticos que, tarde demais, vão implorar por misericórdia, quando estiverem mergulhados em desespero, dor e sofrimento eternos.
O elenco conta com muitos atores pouco conhecidos pelo público, com exceção da atriz Elizângela (in memoriam), que, aliás, executa um trabalho emocionante no papel de Maria, a mãe do protagonista. Outros atores também apresentam interpretações de qualidade, com destaque para o experiente ator e professor Roberto Mallet, que interpreta o icônico demônio Fausto.
A produção é outro ponto de destaque neste filme nacional. Tanto o figurino quanto a cenografia se destacam e contribuem para a composição da história. A névoa que paira sobre a cidade ajuda a criar um tom de mistério. As locações históricas, em meio à arquitetura conservada, contribuem ainda mais para a recriação da atmosfera dos anos 1960.
A mensagem de "Oficina do Diabo" é para a vida toda, e também serve para lembrar a todos da importância de cuidar incessantemente do lado espiritual, fortalecendo a alma por meio da fé em Deus e em seus intercessores, para ajudar no bom combate contra as ciladas e investidas dos demônios, que espreitam por meio de tentações que levam a pessoa a se deleitar nos prazeres da carne, e assim se perder em um caminho sem volta.
Passageiro do Mal
2.4 131www. leiaeassista. com. br
O filme "Passageiro do Mal" tem uma história interessante, mas o roteiro de Zachary Donohue e T. W. Burgess se esvazia ao longo da narrativa e recorre a artifícios baratos, como o excesso de jump scares. Além disso, o filme conta com um casal de atores que não demonstram afinidade em cena e não convencem em seu trabalho de interpretação.
Nos primeiros minutos, o cineasta norueguês André Øvredal dá a impressão de que conduzirá sua história por um caminho interessante do gênero terror. O suspense, no qual o espectador é colocado diante dos acontecimentos com os dois personagens da primeira cena, é de uma tensão surpreendente. Tudo o que acontece com eles e a maneira como o ser sobrenatural se apresenta à beira da estrada são realmente assustadores. Infelizmente, o recurso do jump scare é utilizado em excesso, tornando-se algo insuportável ao longo da narrativa.
A maneira como o diretor conduz a câmera muitas vezes contribui para a forma como a história é contada. Um exemplo é quando ele faz um giro de 360° em torno do personagem, captando a atmosfera do ambiente ao seu redor. Isso deixa as coisas ainda mais tensas para o espectador. Essa técnica cria uma expectativa sobre o que será visto enquanto a câmera se move em seu próprio eixo até retornar ao ponto inicial.
ainda mais com gênero do terror com aquele ser sobrenatural parado no acostamento do asfalto acompanhando com o pescoço o motorista passar a sua frente, assim repetidas vezes até que que a estrada à noite proporciona, principalmente em torno do ser sobrenatural que espreita pelas sombras a margem do asfalto ou por entre a floresta que os cercam.
A escolha dos atores principais também é um ponto negativo nesse filme de terror. O roteiro se complica ainda mais quando aborda a história de amor do casal, que deixa a vida caótica de Nova York para pegar a estrada em uma van equipada como uma casa (motorhome), pensando em levar uma vida mais tranquila. Com poucos quilômetros de rodagem nessa vida nômade digital, porém, a personagem Maddie Brecker (Lou Llobell) parece ter enjoado dessa vida itinerante, ao contrário da empolgação de seu par romântico, Tyler Genocchio (Jacob Scipio). Tudo isso acontece após um pedido de casamento interrompido por um guarda noturno — antes fosse pelo espírito maligno.
Enfim, o uso do santo padroeiro dos motoristas e viajantes, São Cristóvão, é mais um capricho do que uma manifestação de seu real significado, pois o roteiro não explora adequadamente o uso da correntinha de São Cristóvão como arma de proteção contra o mal. A imagem final de São Cristóvão na capela, com seu cajado transformado em lança, é interessante. Porém, a cena final, em que Tyler finalmente coloca o anel de noivado na mão de sua amada, com os dois fazendo planos futuros e trocando risinhos e carinhos, enquanto a capela arde em chamas à sua frente, é como se, a poucos metros de sair da estrada infernal, a van perdesse o controle e capotasse com os dois pombinhos dentro. Realmente, é o fim da estrada, não só para o "Passageiro do Mal".
It Ends
2.5 40www. leiaeassista. com. br
É muito difícil assistir a um filme que utiliza o loop temporal como recurso narrativo. O mistério em torno da história subentendida precisa se basear em um roteiro muito bem escrito e estruturado, pois, do contrário, o espectador acaba entrando em uma espiral cansativa que, inevitavelmente, vai fazer com que ele perca o interesse em continuar assistindo.
Eu mesmo fui vítima desse loop infinito, que não levou o filme a lugar algum, a não ser interpretar toda essa estrada sem fim como uma desculpa materialista para uma geração que sucumbe facilmente diante dos problemas e das rotinas que uma vida adulta sempre exige. Essa metáfora pode ser interpretada como um grito de desespero diante dos desafios diários e da intensa correria que o mundo inevitavelmente cobre duro.
Nessa correria desenfreada do mundo contemporâneo, cada vez mais veloz, fugaz e líquido, muitos deixam de lado a importância de cuidar da alma e de cultivar o amor à família e aos verdadeiros amigos.
Por ser um longa-metragem de interpretação aberta, "It Ends" se torna uma produção interessante para a discussão de suas diversas interpretações. Os temas encontrados ao longo da jornada dos quatro amigos a bordo do Jeep Cherokee fazem com que o espectador siga uma autorreflexão sobre o rumo que pretende dar à sua vida.
O diretor e roteirista Alex Ullom tentou, mas deve continuar pavimentando sua estrada para, no futuro, transitar sem se perder ao tentar traduzir de maneira subjetiva um problema ainda mais intenso neste século XXI, no qual impera o pensamento materialista, que muitas vezes leva a pessoa a um vazio existencial profundo, fazendo-a desistir no meio do caminho do maior bem que nos foi dado. Que todos tenham fé para trilhar um caminho com propósito, tornando-se conscientes de sua missão nesta vida passageira.
Para seguir adiante em uma estrada escura, é preciso manter a luz em dia, para não ser surpreendido por obstáculos sempre presentes na estrada da vida.
Seven Snipers
2.6 4www. leiaeassista. com. br
Quando assistir ao trailer de "Sete Atiradores" (Seven Snipers), acreditei que se tratava de um filme de ação repleto de suspense, pois estar na mira de um atirador de elite é realmente uma sensação desconfortante, e a tensão é constante até o gatilho ser pressionado.
Assim que terminei de assistir ao longa-metragem australiano dirigido por Sandra Sciberras, fiquei com uma sensação de desconforto diante do roteiro de Andrew O'Keefe, pois os erros são os mais estúpidos possíveis. Por que não contratar um ex-atirador de elite para assessorar a produção e orientar sobre as questões técnicas envolvendo um profissional treinado para disparos de alta precisão?
Além disso, o desenvolvimento dos personagens é muito superficial, principalmente o dos membros da equipe de apoio convocada por Voodoo Child (Radha Mitchell). Esses personagens, que chegam para ajudar a personagem central, não têm um desenvolvimento decente e se comportam como pessoas despreparadas frente a um inimigo com imensa aptidão técnica no manejo de um fuzil de precisão. São alvos fáceis de serem abatidos.
Apesar do baixo orçamento, os efeitos visuais utilizados na cena em que a protagonista Voodoo Child (Radha Mitchell) dispara um tiro certeiro na roda do carro, fazendo-o capotar, são grosseiros. O mesmo acontece no momento em que ela põe fogo no veículo: o simples efeito das chamas é tão visivelmente ruim que parece ter sido feito por um amador. Aliás, acredito que um amador faria melhor.
Embora haja erros, o clima de suspense criado frente a uma ameaça praticamente invisível e de alta letalidade transfere ao espectador uma tensão que o faz roer todas as unhas, não há como negar que a produção acerta no suspense. A trilha sonora potencializa ainda mais o clima desconfortante de acompanhar um grupo de pessoas sendo caçadas por um exímio atirador de elite.
Quanto ao elenco, Radha Mitchell e Tim Roth se destacam em seus papéis. "Seven Snipers" é um filme de ação mediano, com momentos de apreensão e suspense intensos, que o salvam do descarte.
Na Zona Cinzenta
2.9 79 Assista Agorawww. leiaeassista. com. br
Com um elenco de peso, o filme apresenta atuações consistentes sob a competente direção de Guy Ritchie, que também escreveu um roteiro elogiável para uma produção de ação. De maneira alguma "Na Zona Cinzenta" ameaça reinventar o gênero, mas o que se vê na tela é exatamente o que se espera de um bom filme de ação: adrenalina a flor da pele.
A elegância em torno dos personagens é admirável e dá um charme ainda mais interessante à trama, destaque para o trio a "mãe" Rachel Wild e seus "filhos leais Bronco e Sid, respectivamente interpretados com precisão pelos talentosos Eiza González, Jake Gyllenhaal e Henry Cavill.
No início do filme, é apresentado todo o planejamento estrategicamente elaborado pela equipe de Rachel para o caso de precisarem tirá-la às pressas da ilha de Salazar. A partir dos cinquenta minutos, o plano é posto em prática diante da ameaça de Manny Salazar de eliminar Rachel — aliás, a personagem reúne um perfil de elegância, inteligência e carisma, interpretado na medida pela atriz mexicana Eiza González.
Antes dos créditos finais, Guy Ritchie deixa um gancho para uma possível sequência, que revelará o destino de Manny Salazar e Bobby Sheen após o erro cometido por ambos contra Rachel. Com a ajuda da dupla Bronco e Sid, ela consegue uma reviravolta que terá consequências devastadoras para os dois.
Os erros em "Na Zona Cinzenta" são imperceptíveis em relação ao acerto, pois se trata de um longa-metragem tecnicamente eloquente em relação ao seu objetivo de entreter quem realmente quer ver cinema de ação autêntico, sem a pretensão de querer realizar algo fora do comum. "Na Zona Cinzenta" é uma obra que cumpre sua missão.
Família Moderna (7ª Temporada)
4.3 113 Assista Agorawww. leiaeassista. com. br
É muito difícil ver séries que ficam muito tempo no ar, como "Família Moderna", se manterem estáveis depois de muitos episódios. Acredito que o sucesso dessa série, criada por Christopher Lloyd e Steven Levitan, se deve principalmente à sintonia entre os atores e ao fato de os episódios serem mais curtos, geralmente com pouco mais de vinte minutos — o que, para mim, é um tempo perfeito para esse tipo de obra audiovisual.
Nesta sétima temporada, que tem 22 episódios, destaco "The Closet Case" (E3), "Phil's Sexy, Sexy House" (E7), "Clean Out Your Junk Drawer" (E8), "White Christmas" (E9), "The Storm" (E14), "The Party" (E18) e os dois últimos episódios, "Crazy Train" e "Double Click".
Não sei se é só impressão minha, mas acredito que "Modern Family" chegou a um platô e está caminhando a passos curtos para uma queda de qualidade. Espero que não acelerem esse processo. Posso estar enganado; quero acreditar que estou, pois se trata de um mocumentário de humor familiar muito sagaz, com um roteiro afiado e bem-humorado. É uma pena que tudo isso tem um fim.
Jessabelle: O Passado Nunca Morre
2.5 583 Assista Agorawww. leiaeassista. com. br
A história de "Jessabelle: O Passado Nunca Morre" se passa na cidade de St. Francisville, no estado da Louisiana (EUA), mas as gravações principais ocorreram em Wilmington, na Carolina do Norte.
Neste filme de mistério sobrenatural dirigido por Kevin Greutert, o terror e o suspense psicológico são responsáveis pela tensão em uma trama que começa bem, mas que, ao longo da narração, se perde em absurdos totalmente sem sentido e insossos. Após o término, o subtítulo poderia ser alterado para "O Passado Nunca Morre, mas Envelhece com o Tempo".
É um longa-metragem de terror sobrenatural com temática vodu, fácil de esquecer, mesmo com o bom protagonismo de Sarah Snook. O desfecho chega a ser cômico diante do encontro entre a personagem central, Jessie, e a família de almas penadas que insiste em permanecer no pecado.
A menina, assassinada ao nascer, retorna das profundezas do pântano mais velha e na companhia dos pais, também mortos. A mãe adúltera e o pai "talarico" agora querem que a filha reencarne no corpo de Jessie, uma coitada enganada a vida toda que paga inocentemente o preço de ter um pai assassino (e corno revoltado).
Um furo no roteiro tão grande que acabou servindo de cova para "Jessabelle".
El Salvador: O dia em que o medo mudou de …
3.7 7www. leiaeassista. com. br
Tinha que ser mais uma produção original do Brasil Paralelo. A cada documentário, eles estão melhorando e se superando.
O documentário "El Salvador: O dia em que o medo mudou de lado" é bem interessante e explora a trajetória de Nayib Bukele até o cargo de presidente de El Salvador, além de mostrar toda a estratégia utilizada para chegar à presidência e implementar o CECOT (Centro de Confinamento do Terrorismo), prisão de segurança máxima em Tecoluca, El Salvador, inaugurada em 2023, que colocou atrás das grades entre 15 mil e 20 mil membros de gangues e facções criminosas.
Bukele realmente faz um trabalho invejável no que se refere à segurança pública, apesar das acusações de que pessoas inocentes são presas. Isso pode parecer verdade, mas há uma certa desconfiança quanto à fonte dessa informação, principalmente se tratando de pessoas ligadas a movimentos que pregam a hipocrisia, em vez de agir em prol dos direitos humanos, e não dos direitos dos "manos" que aterrorizam a população de bem com extorsões, roubos, torturas físicas e psicológicas, estupros e assassinatos de homens, mulheres e crianças inocentes de maneiras cruéis.
É interessante perceber em depoimentos da população que sofreu nas mãos de sangue desses bandidos, ou que tiveram algum parente morto, o quão melhor estão vivendo suas vidas com todos esses terroristas isolados da sociedade em uma prisão que de fato cumpre com o objetivo do qual ela foi construída. No entanto, a população teme que um dia esse bando de alta periculosidade possa voltar às ruas de El Salvador ainda mais carregado de ódio. Afinal, uma hora Bukele terá que deixar a presidência.
De fato, o Brasil precisa de "homens com culhões" no governo, pois o país se tornou um narcoestado há muito tempo. A insegurança pública está presente em cada esquina, inclusive ao seu lado, graças a políticos que apoiam e defendem bandidos como se fossem pobres inocentes e vítimas da sociedade. E o que dizer do atual presidente do Poder Executivo (e chefe de Estado e de governo) do Brasil, que proferiu a seguinte frase durante uma coletiva de imprensa em Jacarta, na Indonésia, em 24 de outubro de 2025: "Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também".
No entanto, o que eu acredito de todo o coração é no poder da oração e da fé em Deus, pois só Ele é digno de salvar a todos verdadeiramente.
Maldição da Múmia
3.0 338 Assista Agorawww. leiaeassista. com. br
Mais um filme de horror corporal (ou body horror) que não acrescenta nada ao subgênero do terror e faz o espectador perder mais de duas horas de seu precioso tempo.
A visão do roteirista e diretor Lee Cronin sobre a múmia é totalmente destoante: sem personalidade nem criatividade, o que se vê é um show de aberrações nojentas e estúpidas, como os pais da protagonista possuída, Charlie (Jack Reynor) e Larissa (Laia Costa).
Cronin precisa calibrar sua visão: sua intenção era fazer sua versão de A Múmia, mas parece que ele quase acertou O Exorcista. Em algumas cenas, Natalie Grace parece se inspirar na performance de Linda Blair no filme de 1973 dirigido por William Friedkin, mas o resultado é decepcionante. O conjunto da obra é um pandemônio desprezível.
Família Moderna (6ª Temporada)
4.4 165 Assista Agorawww. leiaeassista. com. br
Mais uma temporada de Modern Family finalizada aos risos. E, mais uma vez, a série não perde a graça. A comédia está presente em todos os personagens, sem exceção. Além de fazer o espectador rir à beça, a sintonia e a interpretação dos atores são um diferencial que se destaca desde a primeira temporada. São talentos que não deixam a peteca cair. É interessante notar que cenas sem graça logo são esquecidas com a cena seguinte.
Os roteiristas dominam a arte da comédia e nos presenteiam com diálogos engraçados, cheios de sacadas rápidas e inteligentes. É uma série destemida, que atreve fazer piada com qualquer coisa. A militância parece ser ignorada aqui e o respeito é visto nas entrelinhas, sem nenhum problema.
Para esta sexta temporada, o episódio a ser destacado é "Connection Lost" (E16). A criatividade técnica do episódio é sensacional, assim como a interpretação hilária de Julie Bowen e Ty Burrell, que dão um show. O último episódio, "American Skyper" (E24), também se destaca pela criatividade, principalmente pelas palhaçadas e interações de Phil Dunphy por meio de uma tela suspensa em uma espécie de robô que desliza para lá e para cá.
Agora, é partir para a sétima temporada sem pestanejar.