A 2ª temporada foi, até agora, a melhor de Shameless pra mim. A 1ª tinha muito essa função de apresentar aquele universo e os personagens, né? Já aqui, como tudo já está montado, a série consegue aprofundar muito mais as relações e os conflitos. E o mais impressionante é que ela faz isso sem perder o humor: continua tendo cenas absurdamente engraçadas, daquelas de fazer chorar de rir, mas ao mesmo tempo entrega momentos de uma profundidade psicológica e afetiva muito real.
O que mais me pegou nessa temporada foi a forma como Shameless trabalha maternidade e paternidade. A série deixa muito claro que ser pai ou mãe não tem a ver, necessariamente, com biologia. Frank e Monica são os pais “de sangue”, mas isso por si só não faz deles figuras capazes de sustentar esse lugar de forma estável, protetora ou responsável. A Monica até tem afeto, isso dá pra ver, mas afeto sozinho não segura ninguém quando falta estrutura emocional e psíquica. Em contrapartida, a temporada mostra personagens que, mesmo sem laço biológico, conseguem ocupar esse lugar de cuidado de um jeito muito mais verdadeiro.
E foi aí que a relação entre Kevin e Ethel me pegou de jeito. Tem algo de muito bonito e muito doloroso na forma como ele vai se tornando, pra ela, a primeira figura paterna que realmente cuida, acolhe e protege. A cena em que ela, arrumando as malas, agradece “por tudo” me desmontou completamente. Porque não parece um agradecimento por um gesto específico, mas por tudo aquilo que ela finalmente recebeu ali: cuidado, amparo, humanidade. Pra mim, a temporada inteira bate muito nessa tecla de que paternidade e maternidade têm muito mais a ver com presença, vontade de cuidar e responsabilidade afetiva do que com sangue.
A Karen também entra forte nessa discussão. A série não romantiza em nada a maternidade biológica, e eu gostei muito disso. Desde antes do bebê nascer já fica claro que ela não quer ocupar esse lugar, e Shameless não tenta maquiar isso nem transformar recusa em ternura falsa. Acho muito forte quando a série encara essas verdades desconfortáveis sem cair em moralismo barato.
Outra coisa que me conquistou demais foi a relação entre Kevin e Veronica. Eles não são só um casal com química e desejo, embora isso exista muito. O que mais me pega ali é a cumplicidade. Existe entre os dois uma intimidade muito viva, uma sensação de parceria real, de pertencimento, como se eles compartilhassem não só tesão, mas uma vida mesmo. Até quando entram em conflito, quando há ciúme, raiva, erro e desgaste, continua existindo amor, desejo e uma sensação de que um realmente é casa pro outro. E isso deixa tudo ainda mais bonito.
No fundo, o que mais me atravessou nessa temporada foi essa ideia de que um casal e uma família podem, às vezes, virar a chance de viver de outro jeito aquilo que foi ferida na infância. Não no sentido de cura mágica, mas de reparação possível. De finalmente encontrar, no amor e no cuidado, uma cena diferente daquela que faltou antes. Acho que Shameless toca nisso de um jeito muito forte.
No fim, essa temporada me ganhou justamente porque consegue ser caótica, engraçadíssima, triste e profundamente humana ao mesmo tempo. Por trás de toda a sujeira, do humor absurdo e dos personagens completamente disfuncionais, existe uma leitura muito afiada sobre abandono, afeto, cuidado e família. E é aí que a série cresce de verdade.
Eu já tinha cruzado com várias cenas soltas de Shameless no TikTok e sempre ficava com essa sensação de que a série era “pra frente” demais pra televisão tradicional. Apareciam cortes de situações que normalmente são tratadas como tabu, sempre com um grau de ousadia e naturalidade que me chamava muita atenção. Eu tinha a impressão de que era aquele tipo de história que fala de sexo, drogas, precariedade e coisas “feias” da vida sem pedir desculpa, e isso já me deixava curiosa.
Quando finalmente sentei pra ver a primeira temporada, foi amor em tempo recorde. Logo no primeiro episódio eu já estava completamente fisgada, e ali pelos dois primeiros eu já tinha entendido que não era só mais uma dramédia “politicamente incorreta”: era uma série com muito conteúdo por trás da sujeira, do caos e da gritaria. É óbvio que tem momentos extremamente ácidos, piadas cruéis, cenas bem explícitas e situações que, em qualquer outra produção, soariam apenas gratuitas. Mas aqui eu senti exatamente o contrário: o fato de conseguirem encaixar obscenidade, nudez, humor pesado e temas espinhosos com tanta naturalidade e, ao mesmo tempo, com profundidade de enredo, virou um mérito, não um defeito.
Shameless consegue fazer algo difícil: mostrar uma família quebrada, atolada em problemas financeiros, emocionais e afetivos, sem cair nem na romantização boba nem no miserê apelativo. A série fala de sobrecarga emocional, de filhos que viram cuidadores, de amizades que funcionam como rede de apoio improvisada, de gente que se vira com o que tem, do jeito que dá, em um contexto de abandono estrutural. Tudo isso atravessado por um humor ácido e sagaz, que às vezes faz você rir e, dois segundos depois, perceber o quão trágica é a situação que acabou de achar engraçada. No fim das contas, a primeira temporada me passou essa sensação de que, por trás de todas as cenas “obscenas” e do choque inicial, existe uma história muito bem escrita sobre família, lealdade e sobrevivência emocional em um mundo que não está minimamente preocupado em ser gentil com ninguém.
Nos personagens, pra mim, a temporada se organiza muito em torno de três eixos: Fiona, Frank e Lip. A Fiona é o exemplo mais gritante de alguém que abdicou da própria vida pra segurar um castelo que vive caindo. Ela é, de fato, o pilar daquela casa, não por vocação materna fofinha, mas porque a mãe fugiu e o pai é um Homer Simpson de Chernobyl, incapaz de assumir qualquer responsabilidade que não seja a próxima garrafa. Gosto muito de como a série mostra o cansaço dela, o jeito que ela tenta ter uma vida própria e, ao mesmo tempo, não consegue não cuidar de todo mundo. A primeira temporada já deixa claro que ela merecia um mundo mais gentil do que aquele, mas também que sem ela tudo desmorona em dois minutos.
O Lip é um dos meus favoritos. Ele é meio porra louca, vive tomando decisões questionáveis, mas o coração dele está no lugar o tempo todo. É o típico garoto superinteligente, autossabotado pelo contexto e pelas próprias escolhas, que às vezes parece que vai ser engolido pelo ambiente onde vive. Gosto de como ele equilibra cinismo com cuidado real pela família, sem nunca virar “o bonzinho” da história. Já o Ian eu achei simplesmente adorável desde o começo. Ele é introvertido, mais contido, mas muito corajoso na forma como vive a própria homossexualidade ali naquele contexto todo torto. A namorada de fachada, a amiga da escola, as pequenas estratégias pra se proteger e, ao mesmo tempo, não negar quem ele é… tudo isso foi me ganhando.
A irmã mais nova, a Debbie, é outro destaque gigante. Ela é muito inteligente, muito avançada pra idade, com um senso de cuidado e de leitura emocional das coisas que às vezes supera o dos adultos. É aquela criança que você sente que merecia uma infância muito mais leve, mas que faz o possível dentro do caos que tem. O Carl, por outro lado, é quase o oposto: a criança com uma violência meio inata, que reage às coisas mais bizarras e perturbadoras com uma naturalidade assustadora. E é justamente isso que rende alguns dos momentos mais engraçados e mais incômodos ao mesmo tempo, porque a série não esconde que tem algo errado ali, mas também usa essa “brincadeira com a brutalidade” como comentário sobre o ambiente em que ele está crescendo.
O Frank, como já dá pra perceber desde o primeiro episódio, é esse Homer Simpson elevado à enésima potência: um pai tão ruim que até o Homer pareceria responsável ao lado dele. Ele funciona como alívio cômico em várias cenas, mas também como retrato muito incômodo de um alcoolismo narcísico que atravessa a vida de muita gente. Ele ri, manipula, some, reaparece, faz discurso bonito quando interessa, e a série não tenta redimir isso com facilidade. A Sheila, a mulher com quem ele vai morar, entra quase como uma co-protagonista, trazendo essa mistura muito específica de fragilidade, esquisitice e doçura. É uma personagem que, mesmo cheia de manias e limitações, acaba oferecendo um tipo de afeto e cuidado que o Frank nunca teve em lugar nenhum.
Sobre o Steve (que na verdade é Jimmy), eu comecei gostando muito dele. A forma como ele trata a Fiona, o jeito como parece entrar na bagunça da família sem julgamento, tudo isso faz com que ele ganhe muitos pontos rápido. Só que a primeira temporada também vai revelando as camadas de mentira: o nome falso, a família que ele esconde, a escolha de fugir em vez de encarar as consequências e ir pra cadeia. No fim das contas, por mais carismático que ele seja, tudo isso derruba bastante o crédito dele. E aí sobra o policial loiro, o Tony, que é quase o oposto: doce, correto, devotado, aquele cara que ajuda a tirar os irmãos da cadeia, que se declara, que tem a virgindade “roubada” pela Fiona… e, ainda assim, não é suficiente pra despertar desejo nela. Dá até dó, porque ele claramente merecia alguém que olhasse pra ele com o mesmo brilho que ela reserva pros caras mais caóticos. Mas é coerente: a série mostra que a Fiona se sente viva justamente com esses homens mais perigosos e instáveis, e a segunda temporada já começa deixando isso bem claro.
Pra mim, a cereja do bolo da primeira temporada é, sem dúvida, a Sheila. No comecinho, eu jurei que ela ia ser só uma personagem irritante, meio caricata, presa na própria neurose. Aquelas manias, a casa hermeticamente fechada, o pânico absoluto diante da porta… tudo parecia raso de propósito. Só que, conforme a temporada avança, a série vai abrindo camadas dela com uma delicadeza absurda. A fobia de sair de casa deixa de ser “esquisitice” e vira um retrato muito sensível de trauma, medo e paralisia, e é muito bonito ver como, mesmo apavorada, ela consegue atravessar esses limites quando é realmente necessário: seja por desespero, seja por raiva, seja pra proteger o bebê da Fiona ou defender a própria filha do pai abusivo.
Tem uma cena específica, aliás, que ficou marcada em mim de um jeito quase doloroso de tão bonita: quando a Sheila fica responsável de cuidar do bebê a pedido do Steve. Ver ela se divertindo, se encantando e se organizando em torno daquele corpinho pequeno ativou muito o meu instinto materno, porque dá para sentir que aquele cuidado faz bem para todo mundo ao mesmo tempo: para ela, que encontra uma função amorosa concreta; para o bebê, que recebe um colo seguro; e para a família dele, que pode respirar um pouco fora da lógica exaustiva dos cuidados. Ali eu tive a sensação de que a Sheila vira, de fato, uma das figuras mais importantes do enredo: ela é quem encarna a função materna para os personagens mais jovens e funciona como uma espécie de esposa carinhosa improvisada para o Frank, mesmo sem nunca ter assinado papel nenhum.
Gosto muito de como, aos poucos, a Sheila vai deixando de ser “a mulher estranha do Frank” pra se tornar um dos corações mais humanos da série. Tem uma cena perto do final da temporada em que o Frank diz que ela é a única pessoa capaz de ser gentil com ele, e aquilo resume bem o lugar que ela ocupa ali. Ela é carinhosa com a filha, com o Frank, com as crianças, com quem cruzar o caminho dela, quase como se esse coração enorme nem coubesse só na própria história. A primeira impressão é de figura cômica e irritante; a última é de uma mulher profundamente doce, complexa e corajosa, que a gente aprende a amar sem nem perceber quando foi que isso aconteceu.
Severance sempre foi uma série que sabe caminhar em silêncio, e a primeira temporada fez isso com uma elegância rara. Cada cena parecia empurrar o mundo para um lugar mais estranho, mais tenso, mais inevitável. Terminei a S1 com a sensação de ter visto algo muito coeso, uma distopia íntima que não precisava gritar para ser brutal.
A segunda temporada, pra mim, quebra esse feitiço em dois pontos muito específicos: o episódio do retiro na neve e o episódio da cidade natal da Cobel. Eu entendo a intenção de abrir o mundo, aprofundar mitologia e dar textura. Mas do jeito que isso foi executado, a série saiu do próprio trilho e começou a girar em torno de si mesma. Não como expansão, mas como digressão que drena tensão.
O efeito foi direto e incômodo: eu não consegui assistir de forma contínua. Assisti parcelado, perdia o interesse, voltava outro dia, sempre me perguntando se ainda valia a pena continuar. Isso nunca aconteceu comigo na primeira temporada. Na S1, eu era puxada pela narrativa. Aqui, em certos momentos, me senti largada no acostamento.
O que dói é que Severance continua cheia de ideias fortes e imagens que ficam na cabeça. Mas esses desvios narrativos, pra mim, jogaram a percepção de qualidade da temporada no chão quando comparados com a precisão cirúrgica da primeira. Fica a sensação de um coração brilhante tentando bater dentro de uma estrutura que decidiu se alongar onde não precisava.
Assistindo pela primeira vez, em 2025, pela Globoplay, devo confessar que a achei extremamente viciante. Eu já era fã do trabalho do Walcyr Carrasco desde quando assisti "O outro lado do paraíso" (2017–2018), que é uma novela muito maior e mais complexa do que "Verdades Secretas", que, por sua vez, é mais enxuta. Achei interessante assistir aos atores e atrizes que fizeram ambas as novelas, em especial a Fanny, a Larissa, a Hilda, o Roy e a Nina.
Bom, sobre a novela em si, ela desnuda muita coisa pesada no mundo da moda, como prostituição de luxo, abuso de drogas, exploração sexual etc. Contudo, se por um lado a novela faz essa denúncia de uma forma muito responsável em relação ao tema do vício (em diferentes contextos, desde o alcoolismo da mãe do Anthony até o perder-se da Larissa na cracolândia), por outro lado, achei bizarro – do começo ao fim – como a relação da Angel com o Alex parece ser apresentada de uma maneira totalmente romantizada.
Lembremos: a personagem tem 16 anos e, depois, com 17, torna-se enteada dele. Por mais que tenha sido importante retratar essa situação, que infelizmente ocorre muito na vida real, achei que faltou delicadeza e responsabilidade na forma como isso foi feito. Esse, para mim, é o único defeito dessa novela.
Além disso, é claro, há as inúmeras vezes em que os roteiristas repetem os mesmos absurdos várias vezes seguidas, como nas incontáveis vezes em que a Fanny perdoou o Anthony, ou nas vezes em que o Alex e a Angel se pegavam bem debaixo do nariz da Carolina. Ou talvez essas duas, Fanny e Carolina, sejam realmente as personagens mais burras da novela, como uma representação de como certas mulheres são facilmente manipuladas por certos homens.
A Giovana talvez seja a personagem mais inteligente da novela, com diálogos impecáveis e um humor ácido que nos encanta.
Antes de qualquer coisa: a fotografia de Pluribus é um absurdo de bonita. Cada cena parece pensada com uma calma meio hipnótica, como se a série respirasse por conta própria. As palhetas de cores e tudo mais. E o mais impressionante é que é uma série que não precisa de efeitos especiais para ser incrível. A cena do mercado é o auge disso: tudo se reorganiza diante da gente de um jeito tão preciso, inesperado, impossível e, ao mesmo tempo, tão… humano. O ápice da ficção científica dessa série é justamente nos fazer imaginar como seria o mundo se o próprio ser humano funcionasse assim, refinado, organizado, altruísta. Mas, pra mim, o que mais brilha não é a estética nem a ideia sci-fi. É o fato de que essa hive-mind parece profundamente benevolente. Não há aquela ameaça típica das histórias do gênero. Pelo contrário: existe uma suavidade, uma delicadeza estranha, quase reconfortante. Três episódios e eu já estou encantada, ansiosa pelos próximos.
Como alguém que ficou viciada em The Boys, posso dizer que esse spin-off tem uma qualidade à altura, especialmente em termos de efeitos especiais. O humor também permanece, assim como as cenas de violência obscena. Eu estava com saudade desse universo cinemático.
P.S. Achei muito legal ver que pegaram os atores de O Mundo Sombrio de Sabrina para interpretar a Marie e o Andre.
Vi algumas inconsistências narrativas aqui e ali, mas dá para fazer vista grossa.
Reassisti à segunda temporada de Jujutsu Kaisen e, sinceramente, continuo achando que é um dos melhores animes já feitos — e, de longe, o meu favorito da atualidade.
Ainda não vi alguns dos grandes nomes com produção milionária, tipo Demon Slayer (que sei que tem uma direção técnica absurda), mas mesmo assim... Jujutsu me pega de um jeito diferente. Não é só o visual — é o ritmo, a densidade, a mitologia que te respeita como espectador.
Dá pra sentir o investimento alto nessa temporada, e ele foi usado com precisão: animação fluida, direção quase cinematográfica, trilha sonora que acerta o tempo da tragédia. Mas o que me prende, de verdade, é o peso dos personagens.
Pra mim, o auge está nos três “deuses” do caos: Gojo, Sukuna e Mahoraga. Cada um encarna um tipo de poder absoluto — o domínio técnico, o caos divino e a evolução inevitável. Quando eles aparecem, parece que o universo inteiro do anime se dobra ao redor deles. Não é algo que você só assiste; é algo que atravessa.
No fim, Jujutsu Kaisen chega mais perto do que eu chamaria de um Magic Building sólido e complexo. E essa temporada fez isso com uma ferocidade quase poética.
P.S.: O pai do Suguru Megumi é um gato. Um idiota. Mas um gato.
Utilidade pública: deixei abaixo as frases finais do último episódio, que não tinham tradução.
Comunicado do Quartel-General da Feitiçaria. 1. Foi confirmada a sobrevivência de Suguru Geto. É decretada novamente a sentença de morte contra o mesmo. 2. Satoru Gojo é considerado cúmplice do Incidente de Shibuya, banido permanentemente do mundo jujutsu, e qualquer tentativa de libertá-lo de seu selamento será considerada crime. 3. Masamichi Yaga é acusado de ter instigado Satoru Gojo e Suguru Geto, sendo reconhecido como responsável pelo Incidente de Shibuya e condenado à morte. 4. A suspensão da execução de Yuji Itadori é revogada, determinando-se a execução imediata de sua sentença de morte. 5. Yuta Okkotsu, feiticeiro de classe especial, é nomeado executor responsável pela execução de Yuji Itadori. Emitido pelo Quartel-General da Feitiçaria.
Reassisti à segunda temporada de Jujutsu Kaisen e… não teve jeito: continuo com a sensação de estar diante de algo raro. Não só por ser um dos melhores animes que já vi, mas porque ele parece acertar onde tantos outros, mesmo os mais badalados, ainda tropeçam.
Ainda não assisti a alguns desses títulos com investimento milionário — Demon Slayer, por exemplo, que todo mundo diz ter uma direção técnica impecável — mas, honestamente, o que me fisga em Jujutsu não tem tanto a ver com orçamento. Tem a ver com pulso narrativo. Com como a série sabe ser intensa sem se explicar demais, como se confiasse no espectador. Ela tem alma.
E essa temporada… nossa. É nítido que a produção foi elevada a outro nível. A animação flui como se tivesse vida própria, a direção parece coisa de cinema, e a trilha sonora — quase cruel — sabe exatamente quando cortar o silêncio. Mas o que mais me arrasta, mais do que qualquer efeito visual, são as presenças que dominam a tela. Gojou, Sukuna e Mahoraga não são só personagens: eles são forças orbitais. O poder que eles carregam é tão bruto e tão bem construído que parece distorcer o mundo à volta. Quando aparecem, o tempo prende a respiração.
Pra mim, Jujutsu Kaisen tem o que tantos tentam: um sistema mágico que respira por conta própria, um mundo onde tudo parece pulsar de verdade. E essa temporada entregou isso com uma brutalidade quase poética.
P.S.: O Toji, pai do Fushiguro Megumi, é um gato. Um imbecil completo, mas ainda assim... um gato.
Deixo abaixo as frases finais do último episódio — aquelas que passaram batido na legenda.
Comunicado do Quartel-General da Feitiçaria 1. Foi confirmada a sobrevivência de Suguru Geto. 2. É decretada novamente a sentença de morte contra o mesmo. 3. Satoru Gojo é considerado cúmplice do Incidente de Shibuya, banido permanentemente do mundo jujutsu, e qualquer tentativa de libertá-lo de seu selamento será considerada crime. 4. Masamichi Yaga é acusado de ter instigado Satoru Gojo e Suguru Geto, sendo reconhecido como responsável pelo Incidente de Shibuya e condenado à morte. 5. A suspensão da execução de Yuji Itadori é revogada, determinando-se a execução imediata de sua sentença de morte. 6. Yuta Okkotsu, feiticeiro de classe especial, é nomeado executor responsável pela execução de Yuji Itadori. Emitido pelo Quartel-General da Feitiçaria.
Para mim, é a série de ficção científica do ano. Em especial por conta dos diálogos brilhantes, mas também pela qualidade toda. Fotografia, trilha sonora, enredo, premissa... Fiquei viciada a partir do segundo episódio.
Achei a estética da primeira temporada uma delícia, mas mais pela nostalgia do que pela história em si. Tudo tem aquela carinha de filme antigo passando na TV de tubo, num sábado à tarde, com o volume meio baixo e a luz entrando pela janela. A vibe é 100% VHS: luz de Natal, bicicletas, florestas com neblina, criança desaparecida e adulto que fuma demais. Me senti dentro de uma lembrança que eu nunca vivi, mas que parecia minha.
As crianças são um caso à parte. Cada uma adorável do seu jeito (menos o Lucas, que tava insuportável nessa temporada, convenhamos). O Mike é claramente do meu clã existencial — INFP 4w5 total, e a relação dele com a Onze tem uma doçura quase literária. Mas quem carrega o QI nas costas ali é o Dustin. Brilhante, engraçado, com um coração gigante. Um reizinho absoluto.
A mãe do Mike merece um Oscar de cabelo. Os penteados dela são um hino à escova progressiva que ainda não existia. E a Nancy… teve uma cena em que ela aparece de sutiã, encolhida, vulnerável, quase sem saber onde pôr os ombros — e aquilo me atravessou. Me vi ali. Como mulher trans, foi um momento silencioso de identificação. Aquelas cenas discretas, que passam batido pros outros, mas que pra gente têm um peso todo especial. A delicadeza meio insegura, o corpo tentando entender onde começa a feminilidade... foi bonito de sentir.
Só achei o ritmo dessa primeira temporada um pouco arrastado. Depois descobri que os criadores fizeram tudo de propósito mesmo, como homenagem aos filmes dos anos 80. Então aquele ritmo mais lento, mais contemplativo, é parte do pacote. Se você entra esperando correria, pode achar meio moroso no começo. Mas se você entra no clima… a série te abraça. E te faz lembrar. Não só do que a gente viu, mas do que a gente queria ter vivido.
Essa segunda emporada é bem melhor que a primeira. A primeira tem cenas memoráveis, mas a considero "viajada demais" em geral, em especial naquele episódio HORRÍVEL da lanchonete.
Já essa segunda temporada – que infelizmente já está finalizada, com 11 episódios (arco do Morpheus) + 12º EP (bônus), mesmo eu querendo mais episódios – está impecável do começo ao fim.
Eu confesso que a série ficou um pouco monótona por se delongar por várias temporadas sem, necessariamente, propor dinâmicas novas. Em outras palavras, acabou ficando um tanto enjoativo.
Apesar disso, continua com uma qualidade espetacular. A Sage se tornou a minha personagem favorita desde a primeira até a sua última cena.
A única coisa que REALMENTE me incomodou foram as cenas do Billy Butcher falando com as vozes na cabeça dele, e as cenas dramáticas da Kimiko e do Frenchie. Cenas repetitivas e irritantes, dignas de serem puladas.
De resto, é muito interessante como o Homelander fica nitidamente cada vez mais perturbado.
Série impecável. Terror da vida real. E o mais aterrorizante de tudo foi a omissão da polícia frente a denuncias feitas por pessoas invisibilizadas pelo sistema.
Shameless (US) (3ª Temporada)
4.6 172Cada vez mais apaixonada por essa série.
Shameless (US) (2ª Temporada)
4.5 157A 2ª temporada foi, até agora, a melhor de Shameless pra mim. A 1ª tinha muito essa função de apresentar aquele universo e os personagens, né? Já aqui, como tudo já está montado, a série consegue aprofundar muito mais as relações e os conflitos. E o mais impressionante é que ela faz isso sem perder o humor: continua tendo cenas absurdamente engraçadas, daquelas de fazer chorar de rir, mas ao mesmo tempo entrega momentos de uma profundidade psicológica e afetiva muito real.
O que mais me pegou nessa temporada foi a forma como Shameless trabalha maternidade e paternidade. A série deixa muito claro que ser pai ou mãe não tem a ver, necessariamente, com biologia. Frank e Monica são os pais “de sangue”, mas isso por si só não faz deles figuras capazes de sustentar esse lugar de forma estável, protetora ou responsável. A Monica até tem afeto, isso dá pra ver, mas afeto sozinho não segura ninguém quando falta estrutura emocional e psíquica. Em contrapartida, a temporada mostra personagens que, mesmo sem laço biológico, conseguem ocupar esse lugar de cuidado de um jeito muito mais verdadeiro.
E foi aí que a relação entre Kevin e Ethel me pegou de jeito. Tem algo de muito bonito e muito doloroso na forma como ele vai se tornando, pra ela, a primeira figura paterna que realmente cuida, acolhe e protege. A cena em que ela, arrumando as malas, agradece “por tudo” me desmontou completamente. Porque não parece um agradecimento por um gesto específico, mas por tudo aquilo que ela finalmente recebeu ali: cuidado, amparo, humanidade. Pra mim, a temporada inteira bate muito nessa tecla de que paternidade e maternidade têm muito mais a ver com presença, vontade de cuidar e responsabilidade afetiva do que com sangue.
A Karen também entra forte nessa discussão. A série não romantiza em nada a maternidade biológica, e eu gostei muito disso. Desde antes do bebê nascer já fica claro que ela não quer ocupar esse lugar, e Shameless não tenta maquiar isso nem transformar recusa em ternura falsa. Acho muito forte quando a série encara essas verdades desconfortáveis sem cair em moralismo barato.
Outra coisa que me conquistou demais foi a relação entre Kevin e Veronica. Eles não são só um casal com química e desejo, embora isso exista muito. O que mais me pega ali é a cumplicidade. Existe entre os dois uma intimidade muito viva, uma sensação de parceria real, de pertencimento, como se eles compartilhassem não só tesão, mas uma vida mesmo. Até quando entram em conflito, quando há ciúme, raiva, erro e desgaste, continua existindo amor, desejo e uma sensação de que um realmente é casa pro outro. E isso deixa tudo ainda mais bonito.
No fundo, o que mais me atravessou nessa temporada foi essa ideia de que um casal e uma família podem, às vezes, virar a chance de viver de outro jeito aquilo que foi ferida na infância. Não no sentido de cura mágica, mas de reparação possível. De finalmente encontrar, no amor e no cuidado, uma cena diferente daquela que faltou antes. Acho que Shameless toca nisso de um jeito muito forte.
No fim, essa temporada me ganhou justamente porque consegue ser caótica, engraçadíssima, triste e profundamente humana ao mesmo tempo. Por trás de toda a sujeira, do humor absurdo e dos personagens completamente disfuncionais, existe uma leitura muito afiada sobre abandono, afeto, cuidado e família. E é aí que a série cresce de verdade.
Shameless (US) (1ª Temporada)
4.5 261 Assista AgoraEu já tinha cruzado com várias cenas soltas de Shameless no TikTok e sempre ficava com essa sensação de que a série era “pra frente” demais pra televisão tradicional. Apareciam cortes de situações que normalmente são tratadas como tabu, sempre com um grau de ousadia e naturalidade que me chamava muita atenção. Eu tinha a impressão de que era aquele tipo de história que fala de sexo, drogas, precariedade e coisas “feias” da vida sem pedir desculpa, e isso já me deixava curiosa.
Quando finalmente sentei pra ver a primeira temporada, foi amor em tempo recorde. Logo no primeiro episódio eu já estava completamente fisgada, e ali pelos dois primeiros eu já tinha entendido que não era só mais uma dramédia “politicamente incorreta”: era uma série com muito conteúdo por trás da sujeira, do caos e da gritaria. É óbvio que tem momentos extremamente ácidos, piadas cruéis, cenas bem explícitas e situações que, em qualquer outra produção, soariam apenas gratuitas. Mas aqui eu senti exatamente o contrário: o fato de conseguirem encaixar obscenidade, nudez, humor pesado e temas espinhosos com tanta naturalidade e, ao mesmo tempo, com profundidade de enredo, virou um mérito, não um defeito.
Shameless consegue fazer algo difícil: mostrar uma família quebrada, atolada em problemas financeiros, emocionais e afetivos, sem cair nem na romantização boba nem no miserê apelativo. A série fala de sobrecarga emocional, de filhos que viram cuidadores, de amizades que funcionam como rede de apoio improvisada, de gente que se vira com o que tem, do jeito que dá, em um contexto de abandono estrutural. Tudo isso atravessado por um humor ácido e sagaz, que às vezes faz você rir e, dois segundos depois, perceber o quão trágica é a situação que acabou de achar engraçada. No fim das contas, a primeira temporada me passou essa sensação de que, por trás de todas as cenas “obscenas” e do choque inicial, existe uma história muito bem escrita sobre família, lealdade e sobrevivência emocional em um mundo que não está minimamente preocupado em ser gentil com ninguém.
Nos personagens, pra mim, a temporada se organiza muito em torno de três eixos: Fiona, Frank e Lip. A Fiona é o exemplo mais gritante de alguém que abdicou da própria vida pra segurar um castelo que vive caindo. Ela é, de fato, o pilar daquela casa, não por vocação materna fofinha, mas porque a mãe fugiu e o pai é um Homer Simpson de Chernobyl, incapaz de assumir qualquer responsabilidade que não seja a próxima garrafa. Gosto muito de como a série mostra o cansaço dela, o jeito que ela tenta ter uma vida própria e, ao mesmo tempo, não consegue não cuidar de todo mundo. A primeira temporada já deixa claro que ela merecia um mundo mais gentil do que aquele, mas também que sem ela tudo desmorona em dois minutos.
O Lip é um dos meus favoritos. Ele é meio porra louca, vive tomando decisões questionáveis, mas o coração dele está no lugar o tempo todo. É o típico garoto superinteligente, autossabotado pelo contexto e pelas próprias escolhas, que às vezes parece que vai ser engolido pelo ambiente onde vive. Gosto de como ele equilibra cinismo com cuidado real pela família, sem nunca virar “o bonzinho” da história. Já o Ian eu achei simplesmente adorável desde o começo. Ele é introvertido, mais contido, mas muito corajoso na forma como vive a própria homossexualidade ali naquele contexto todo torto. A namorada de fachada, a amiga da escola, as pequenas estratégias pra se proteger e, ao mesmo tempo, não negar quem ele é… tudo isso foi me ganhando.
A irmã mais nova, a Debbie, é outro destaque gigante. Ela é muito inteligente, muito avançada pra idade, com um senso de cuidado e de leitura emocional das coisas que às vezes supera o dos adultos. É aquela criança que você sente que merecia uma infância muito mais leve, mas que faz o possível dentro do caos que tem. O Carl, por outro lado, é quase o oposto: a criança com uma violência meio inata, que reage às coisas mais bizarras e perturbadoras com uma naturalidade assustadora. E é justamente isso que rende alguns dos momentos mais engraçados e mais incômodos ao mesmo tempo, porque a série não esconde que tem algo errado ali, mas também usa essa “brincadeira com a brutalidade” como comentário sobre o ambiente em que ele está crescendo.
O Frank, como já dá pra perceber desde o primeiro episódio, é esse Homer Simpson elevado à enésima potência: um pai tão ruim que até o Homer pareceria responsável ao lado dele. Ele funciona como alívio cômico em várias cenas, mas também como retrato muito incômodo de um alcoolismo narcísico que atravessa a vida de muita gente. Ele ri, manipula, some, reaparece, faz discurso bonito quando interessa, e a série não tenta redimir isso com facilidade. A Sheila, a mulher com quem ele vai morar, entra quase como uma co-protagonista, trazendo essa mistura muito específica de fragilidade, esquisitice e doçura. É uma personagem que, mesmo cheia de manias e limitações, acaba oferecendo um tipo de afeto e cuidado que o Frank nunca teve em lugar nenhum.
Sobre o Steve (que na verdade é Jimmy), eu comecei gostando muito dele. A forma como ele trata a Fiona, o jeito como parece entrar na bagunça da família sem julgamento, tudo isso faz com que ele ganhe muitos pontos rápido. Só que a primeira temporada também vai revelando as camadas de mentira: o nome falso, a família que ele esconde, a escolha de fugir em vez de encarar as consequências e ir pra cadeia. No fim das contas, por mais carismático que ele seja, tudo isso derruba bastante o crédito dele. E aí sobra o policial loiro, o Tony, que é quase o oposto: doce, correto, devotado, aquele cara que ajuda a tirar os irmãos da cadeia, que se declara, que tem a virgindade “roubada” pela Fiona… e, ainda assim, não é suficiente pra despertar desejo nela. Dá até dó, porque ele claramente merecia alguém que olhasse pra ele com o mesmo brilho que ela reserva pros caras mais caóticos. Mas é coerente: a série mostra que a Fiona se sente viva justamente com esses homens mais perigosos e instáveis, e a segunda temporada já começa deixando isso bem claro.
Pra mim, a cereja do bolo da primeira temporada é, sem dúvida, a Sheila. No comecinho, eu jurei que ela ia ser só uma personagem irritante, meio caricata, presa na própria neurose. Aquelas manias, a casa hermeticamente fechada, o pânico absoluto diante da porta… tudo parecia raso de propósito. Só que, conforme a temporada avança, a série vai abrindo camadas dela com uma delicadeza absurda. A fobia de sair de casa deixa de ser “esquisitice” e vira um retrato muito sensível de trauma, medo e paralisia, e é muito bonito ver como, mesmo apavorada, ela consegue atravessar esses limites quando é realmente necessário: seja por desespero, seja por raiva, seja pra proteger o bebê da Fiona ou defender a própria filha do pai abusivo.
Tem uma cena específica, aliás, que ficou marcada em mim de um jeito quase doloroso de tão bonita: quando a Sheila fica responsável de cuidar do bebê a pedido do Steve. Ver ela se divertindo, se encantando e se organizando em torno daquele corpinho pequeno ativou muito o meu instinto materno, porque dá para sentir que aquele cuidado faz bem para todo mundo ao mesmo tempo: para ela, que encontra uma função amorosa concreta; para o bebê, que recebe um colo seguro; e para a família dele, que pode respirar um pouco fora da lógica exaustiva dos cuidados. Ali eu tive a sensação de que a Sheila vira, de fato, uma das figuras mais importantes do enredo: ela é quem encarna a função materna para os personagens mais jovens e funciona como uma espécie de esposa carinhosa improvisada para o Frank, mesmo sem nunca ter assinado papel nenhum.
Gosto muito de como, aos poucos, a Sheila vai deixando de ser “a mulher estranha do Frank” pra se tornar um dos corações mais humanos da série. Tem uma cena perto do final da temporada em que o Frank diz que ela é a única pessoa capaz de ser gentil com ele, e aquilo resume bem o lugar que ela ocupa ali. Ela é carinhosa com a filha, com o Frank, com as crianças, com quem cruzar o caminho dela, quase como se esse coração enorme nem coubesse só na própria história. A primeira impressão é de figura cômica e irritante; a última é de uma mulher profundamente doce, complexa e corajosa, que a gente aprende a amar sem nem perceber quando foi que isso aconteceu.
Ruptura (2ª Temporada)
4.1 344 Assista AgoraSeverance sempre foi uma série que sabe caminhar em silêncio, e a primeira temporada fez isso com uma elegância rara. Cada cena parecia empurrar o mundo para um lugar mais estranho, mais tenso, mais inevitável. Terminei a S1 com a sensação de ter visto algo muito coeso, uma distopia íntima que não precisava gritar para ser brutal.
A segunda temporada, pra mim, quebra esse feitiço em dois pontos muito específicos: o episódio do retiro na neve e o episódio da cidade natal da Cobel. Eu entendo a intenção de abrir o mundo, aprofundar mitologia e dar textura. Mas do jeito que isso foi executado, a série saiu do próprio trilho e começou a girar em torno de si mesma. Não como expansão, mas como digressão que drena tensão.
O efeito foi direto e incômodo: eu não consegui assistir de forma contínua. Assisti parcelado, perdia o interesse, voltava outro dia, sempre me perguntando se ainda valia a pena continuar. Isso nunca aconteceu comigo na primeira temporada. Na S1, eu era puxada pela narrativa. Aqui, em certos momentos, me senti largada no acostamento.
O que dói é que Severance continua cheia de ideias fortes e imagens que ficam na cabeça. Mas esses desvios narrativos, pra mim, jogaram a percepção de qualidade da temporada no chão quando comparados com a precisão cirúrgica da primeira. Fica a sensação de um coração brilhante tentando bater dentro de uma estrutura que decidiu se alongar onde não precisava.
Jeffrey Epstein: Poder e Perversão
3.7 148 Assista AgoraFilme de terror da vida real!
O Mistério de Varginha
3.2 34Documentário excelente sobre uma história que marcou o Brasil e o mundo. Mostra todos os lados, todos os depoimentos e contradições.
Verdades Secretas
4.3 284Assistindo pela primeira vez, em 2025, pela Globoplay, devo confessar que a achei extremamente viciante. Eu já era fã do trabalho do Walcyr Carrasco desde quando assisti "O outro lado do paraíso" (2017–2018), que é uma novela muito maior e mais complexa do que "Verdades Secretas", que, por sua vez, é mais enxuta. Achei interessante assistir aos atores e atrizes que fizeram ambas as novelas, em especial a Fanny, a Larissa, a Hilda, o Roy e a Nina.
Bom, sobre a novela em si, ela desnuda muita coisa pesada no mundo da moda, como prostituição de luxo, abuso de drogas, exploração sexual etc. Contudo, se por um lado a novela faz essa denúncia de uma forma muito responsável em relação ao tema do vício (em diferentes contextos, desde o alcoolismo da mãe do Anthony até o perder-se da Larissa na cracolândia), por outro lado, achei bizarro – do começo ao fim – como a relação da Angel com o Alex parece ser apresentada de uma maneira totalmente romantizada.
Lembremos: a personagem tem 16 anos e, depois, com 17, torna-se enteada dele. Por mais que tenha sido importante retratar essa situação, que infelizmente ocorre muito na vida real, achei que faltou delicadeza e responsabilidade na forma como isso foi feito. Esse, para mim, é o único defeito dessa novela.
Além disso, é claro, há as inúmeras vezes em que os roteiristas repetem os mesmos absurdos várias vezes seguidas, como nas incontáveis vezes em que a Fanny perdoou o Anthony, ou nas vezes em que o Alex e a Angel se pegavam bem debaixo do nariz da Carolina. Ou talvez essas duas, Fanny e Carolina, sejam realmente as personagens mais burras da novela, como uma representação de como certas mulheres são facilmente manipuladas por certos homens.
A Giovana talvez seja a personagem mais inteligente da novela, com diálogos impecáveis e um humor ácido que nos encanta.
Pluribus (1ª Temporada)
4.0 333Antes de qualquer coisa: a fotografia de Pluribus é um absurdo de bonita. Cada cena parece pensada com uma calma meio hipnótica, como se a série respirasse por conta própria. As palhetas de cores e tudo mais. E o mais impressionante é que é uma série que não precisa de efeitos especiais para ser incrível.
A cena do mercado é o auge disso: tudo se reorganiza diante da gente de um jeito tão preciso, inesperado, impossível e, ao mesmo tempo, tão… humano. O ápice da ficção científica dessa série é justamente nos fazer imaginar como seria o mundo se o próprio ser humano funcionasse assim, refinado, organizado, altruísta.
Mas, pra mim, o que mais brilha não é a estética nem a ideia sci-fi. É o fato de que essa hive-mind parece profundamente benevolente. Não há aquela ameaça típica das histórias do gênero. Pelo contrário: existe uma suavidade, uma delicadeza estranha, quase reconfortante.
Três episódios e eu já estou encantada, ansiosa pelos próximos.
Gen V (2ª Temporada)
3.3 86 Assista AgoraBem legal. Talvez não tão boa quanto a primeira temporada, mas ok.
Rick and Morty (8ª Temporada)
3.8 50Com exceção de uns dois episódios, que achei muito nonsense, eu gostei bastante dessa temporada.
Rick and Morty (8ª Temporada)
3.8 50Com exceção de uns dois episódios, que achei muito nonsense, eu gostei bastante dessa temporada.
Gen V (1ª Temporada)
3.7 251 Assista AgoraComo alguém que ficou viciada em The Boys, posso dizer que esse spin-off tem uma qualidade à altura, especialmente em termos de efeitos especiais. O humor também permanece, assim como as cenas de violência obscena. Eu estava com saudade desse universo cinemático.
P.S. Achei muito legal ver que pegaram os atores de O Mundo Sombrio de Sabrina para interpretar a Marie e o Andre.
Vi algumas inconsistências narrativas aqui e ali, mas dá para fazer vista grossa.
Jujutsu Kaisen (2ª Temporada)
4.2 80Reassisti à segunda temporada de Jujutsu Kaisen e, sinceramente, continuo achando que é um dos melhores animes já feitos — e, de longe, o meu favorito da atualidade.
Ainda não vi alguns dos grandes nomes com produção milionária, tipo Demon Slayer (que sei que tem uma direção técnica absurda), mas mesmo assim... Jujutsu me pega de um jeito diferente. Não é só o visual — é o ritmo, a densidade, a mitologia que te respeita como espectador.
Dá pra sentir o investimento alto nessa temporada, e ele foi usado com precisão: animação fluida, direção quase cinematográfica, trilha sonora que acerta o tempo da tragédia. Mas o que me prende, de verdade, é o peso dos personagens.
Pra mim, o auge está nos três “deuses” do caos: Gojo, Sukuna e Mahoraga. Cada um encarna um tipo de poder absoluto — o domínio técnico, o caos divino e a evolução inevitável. Quando eles aparecem, parece que o universo inteiro do anime se dobra ao redor deles. Não é algo que você só assiste; é algo que atravessa.
No fim, Jujutsu Kaisen chega mais perto do que eu chamaria de um Magic Building sólido e complexo. E essa temporada fez isso com uma ferocidade quase poética.
P.S.: O pai do Suguru Megumi é um gato. Um idiota. Mas um gato.
Utilidade pública: deixei abaixo as frases finais do último episódio, que não tinham tradução.
Comunicado do Quartel-General da Feitiçaria. 1. Foi confirmada a sobrevivência de Suguru Geto. É decretada novamente a sentença de morte contra o mesmo. 2. Satoru Gojo é considerado cúmplice do Incidente de Shibuya, banido permanentemente do mundo jujutsu, e qualquer tentativa de libertá-lo de seu selamento será considerada crime. 3. Masamichi Yaga é acusado de ter instigado Satoru Gojo e Suguru Geto, sendo reconhecido como responsável pelo Incidente de Shibuya e condenado à morte. 4. A suspensão da execução de Yuji Itadori é revogada, determinando-se a execução imediata de sua sentença de morte. 5. Yuta Okkotsu, feiticeiro de classe especial, é nomeado executor responsável pela execução de Yuji Itadori. Emitido pelo Quartel-General da Feitiçaria.
Jujutsu Kaisen (2ª Temporada)
4.2 80Reassisti à segunda temporada de Jujutsu Kaisen e… não teve jeito: continuo com a sensação de estar diante de algo raro. Não só por ser um dos melhores animes que já vi, mas porque ele parece acertar onde tantos outros, mesmo os mais badalados, ainda tropeçam.
Ainda não assisti a alguns desses títulos com investimento milionário — Demon Slayer, por exemplo, que todo mundo diz ter uma direção técnica impecável — mas, honestamente, o que me fisga em Jujutsu não tem tanto a ver com orçamento. Tem a ver com pulso narrativo. Com como a série sabe ser intensa sem se explicar demais, como se confiasse no espectador. Ela tem alma.
E essa temporada… nossa. É nítido que a produção foi elevada a outro nível. A animação flui como se tivesse vida própria, a direção parece coisa de cinema, e a trilha sonora — quase cruel — sabe exatamente quando cortar o silêncio. Mas o que mais me arrasta, mais do que qualquer efeito visual, são as presenças que dominam a tela. Gojou, Sukuna e Mahoraga não são só personagens: eles são forças orbitais. O poder que eles carregam é tão bruto e tão bem construído que parece distorcer o mundo à volta. Quando aparecem, o tempo prende a respiração.
Pra mim, Jujutsu Kaisen tem o que tantos tentam: um sistema mágico que respira por conta própria, um mundo onde tudo parece pulsar de verdade. E essa temporada entregou isso com uma brutalidade quase poética.
P.S.: O Toji, pai do Fushiguro Megumi, é um gato. Um imbecil completo, mas ainda assim... um gato.
Deixo abaixo as frases finais do último episódio — aquelas que passaram batido na legenda.
Comunicado do Quartel-General da Feitiçaria
1. Foi confirmada a sobrevivência de Suguru Geto.
2. É decretada novamente a sentença de morte contra o mesmo.
3. Satoru Gojo é considerado cúmplice do Incidente de Shibuya,
banido permanentemente do mundo jujutsu,
e qualquer tentativa de libertá-lo de seu selamento será considerada crime.
4. Masamichi Yaga é acusado de ter instigado Satoru Gojo e Suguru Geto,
sendo reconhecido como responsável pelo Incidente de Shibuya
e condenado à morte.
5. A suspensão da execução de Yuji Itadori é revogada,
determinando-se a execução imediata de sua sentença de morte.
6. Yuta Okkotsu, feiticeiro de classe especial,
é nomeado executor responsável pela execução de Yuji Itadori.
Emitido pelo Quartel-General da Feitiçaria.
Stranger Things (4ª Temporada)
4.2 1,0K Assista AgoraTá aí uma série que, conforme vai passando as temporadas, só vai ficando melhor.
O Problema dos 3 Corpos (1ª Temporada)
3.5 207 Assista AgoraPara mim, é a série de ficção científica do ano. Em especial por conta dos diálogos brilhantes, mas também pela qualidade toda. Fotografia, trilha sonora, enredo, premissa... Fiquei viciada a partir do segundo episódio.
Stranger Things (3ª Temporada)
4.2 1,3KMelhor temporada até agora. Impecável.
Stranger Things (2ª Temporada)
4.3 1,7KBem melhor que a primeira temporada. Muitos momentos de clímax intenso, mas também momentos de desfecho com fofura.
Stranger Things (1ª Temporada)
4.5 2,7K Assista AgoraAchei a estética da primeira temporada uma delícia, mas mais pela nostalgia do que pela história em si. Tudo tem aquela carinha de filme antigo passando na TV de tubo, num sábado à tarde, com o volume meio baixo e a luz entrando pela janela. A vibe é 100% VHS: luz de Natal, bicicletas, florestas com neblina, criança desaparecida e adulto que fuma demais. Me senti dentro de uma lembrança que eu nunca vivi, mas que parecia minha.
As crianças são um caso à parte. Cada uma adorável do seu jeito (menos o Lucas, que tava insuportável nessa temporada, convenhamos). O Mike é claramente do meu clã existencial — INFP 4w5 total, e a relação dele com a Onze tem uma doçura quase literária. Mas quem carrega o QI nas costas ali é o Dustin. Brilhante, engraçado, com um coração gigante. Um reizinho absoluto.
A mãe do Mike merece um Oscar de cabelo. Os penteados dela são um hino à escova progressiva que ainda não existia. E a Nancy… teve uma cena em que ela aparece de sutiã, encolhida, vulnerável, quase sem saber onde pôr os ombros — e aquilo me atravessou. Me vi ali. Como mulher trans, foi um momento silencioso de identificação. Aquelas cenas discretas, que passam batido pros outros, mas que pra gente têm um peso todo especial. A delicadeza meio insegura, o corpo tentando entender onde começa a feminilidade... foi bonito de sentir.
Só achei o ritmo dessa primeira temporada um pouco arrastado. Depois descobri que os criadores fizeram tudo de propósito mesmo, como homenagem aos filmes dos anos 80. Então aquele ritmo mais lento, mais contemplativo, é parte do pacote. Se você entra esperando correria, pode achar meio moroso no começo. Mas se você entra no clima… a série te abraça. E te faz lembrar. Não só do que a gente viu, mas do que a gente queria ter vivido.
Rick e Morty (7ª Temporada)
4.0 73 Assista AgoraAssisti faz uns meses. Preciso reassistir pra poder avaliar com maior propriedade.
Sandman (2ª Temporada)
3.9 125 Assista AgoraEssa segunda emporada é bem melhor que a primeira. A primeira tem cenas memoráveis, mas a considero "viajada demais" em geral, em especial naquele episódio HORRÍVEL da lanchonete.
Já essa segunda temporada – que infelizmente já está finalizada, com 11 episódios (arco do Morpheus) + 12º EP (bônus), mesmo eu querendo mais episódios – está impecável do começo ao fim.
The Boys (4ª Temporada)
3.6 369 Assista AgoraEu confesso que a série ficou um pouco monótona por se delongar por várias temporadas sem, necessariamente, propor dinâmicas novas. Em outras palavras, acabou ficando um tanto enjoativo.
Apesar disso, continua com uma qualidade espetacular. A Sage se tornou a minha personagem favorita desde a primeira até a sua última cena.
A única coisa que REALMENTE me incomodou foram as cenas do Billy Butcher falando com as vozes na cabeça dele, e as cenas dramáticas da Kimiko e do Frenchie. Cenas repetitivas e irritantes, dignas de serem puladas.
De resto, é muito interessante como o Homelander fica nitidamente cada vez mais perturbado.
The Boys (1ª Temporada)
4.3 833 Assista AgoraFoda para caralho. Não sei nem o que dizer.
Monstros (1ª Temporada) - Dahmer: Um Canibal Americano
4.0 681Série impecável. Terror da vida real. E o mais aterrorizante de tudo foi a omissão da polícia frente a denuncias feitas por pessoas invisibilizadas pelo sistema.