Estava gostando muito mais enquanto o filme era um Rashomon com cogumelos alucinógenos, mas o desfecho foi meio meh deixando gancho pra sequência (boooo). Ainda assim, está de parabéns por ter muito carisma com uma animação tão horrível.
[Visto com amigos depois do Brasil fazer 3x0 no Haiti na Copa, 19 jun 2026]
O Império do mal no norte congelado precisa acabar logo pra que eu nunca mais tenha que ver outro filme incrivelmente pretensioso e chato do Noah Baumbach
A arte nos devora, mastiga, mastiga, engole, regurgita, mastiga mais, mastiga mais, nos metaboliza, caga tudo no solo e ali cresce uma árvore linda cheia de frutos. Mas, primeiro, ela mastiga tudo, a carne, o tempo e o espaço.
"Uma batalha após a outra" funciona muito mais como um comentário sobre o contexto político americano atual do que como uma discussão sobre a revolução. Mas achei seu tom, até um pouco cínico, sintomático do nosso tempo: ele tira sarro de todos os "extremos", os nazistas e os ideologicamente indefinidos revolucionários de esquerda, ao ponto de quase produzir uma indefensável equivalência entre ambos, mesmo que busque discursivamente condenar os nazi e se alinhar, hesitante, com os revolucionários. Achei isto sintomático da nossa falta de imaginação política pós-moderna que tende a se agarrar no escapismo e não consegue vislumbrar alternativas mesmo quando o presente se mostra inaceitável – é por isso que os revolucionários falam de uma revolução sem conteúdo e sem projeto, se definem muito mais pela negativa (são anti-fascistas, antirracistas, lutam contra a política anti-imigrantes), não pelo viés propositivo (são socialistas? Se sim, de que tipo? Qual seu projeto?). Parece ecoar todas as ondas de protestos anti-capitalistas mundiais dos últimos 20 ou 30 anos, protestos que identificam o que deve ser mudado, mas que têm dificuldade em definir um projeto de sociedade e buscá-lo. Por tudo isso, o final ecoa a frase famosa do Fisher/Jameson/Zizek: é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo; o revolucionário Bob termina o filme aprendendo a tirar selfies num iphone, enquanto a filha sai pra brincar de revolucionária com os amigos. Apesar de todas as minhas considerações negativas, eu gostei do tom nada romantizado e até paródico com que se trata os "revolucionários" ao estilo dos anos 1970, faço minha confissão de também olhar pra eles com certa distância irônica, com certo cinismo infelizmente pós-moderno que compartilho com muitos da minha geração e que precisa ser superado. Mas é fato que o PTA quase perde a mão nesse tom. Além disso, o filme também me pareceu um pouco longo demais em alguns momentos. Gostei muito das atuações, especialmente do Sean Penn e do Benicio del Toro, mas também da Chase Infiniti. Amei a cena da perseguição no deserto. Linda!
Filme bem legal, chato de não concluir a história, mas nem teria como; horas de flashbacks (previsível, anime shounen), mas melhor assim, num filme, do que espalhado por vários episódios; a animação está um espetáculo.
[Visto no cinema com meu irmão, 11 Set, 2025 – Biroleibe condenado!]
Homem é uma merda mesmo. Mas, falando sério, achei excelente como o filme retrata a masculinidade sem, em nenhum momento, idealizá-la ou esteticizá-la: esses personagens são homens frágeis, ressentidos e incapazes, mas, sobretudo, não são exemplos a serem seguidos ou espelhados – um possível contraste com os cowboys americanos do cinema de faroeste clássico que parece estar sendo parodiado em "Oeste Outra Vez". Por sua vez, toda a estetização recaiu poderosamente nos cenários internos e externos, que são deslumbrantes.
O filme é bem melhor do que eu lembrava! Na minha memória, o Scorcese romantizava bem mais o Jordan Belfort, mas, reassistindo agora, não senti que ele perdeu o sarcasmo demais das mãos em nenhum momento. Ainda deixou aquele amargo familiar na boca ao ver o cara virando coach e vendedor de curso pilantra no final. Bom filme e uma interpretação memorável do DiCaprio.
[Assistido no Prime Vídeo em 1 Jul, 2025; assistido pela última vez em 28 Ago, 2014, segundo o filmow]
O filme é melhor e pior do que eu esperava (?) . (Como Oslo é uma cidade bonita! Nem imaginava isso. Parece realmente uma cidade onde dá vontade de viver, não apenas de visitar). (Deus me livre de ouvir "Águas de março" em inglês de novo...)
É um filme legal que cresce muito da metade para o final; gostei especialmente de como mostra o enlouquecimento causado pela estrada aberta e pela velocidade. Mas não me pegou tanto assim. Além disso, ele tem uma das trilhas sonoras mais irritantes (na maior parte do tempo) que já vi.
Geralmente se exige que a obra "mostre ao invés de dizer", mas aqui foi realmente necessário, primeiro, ouvir o senhor Baghavi dizer e dizer (isso depois dos percalços pelas montanhas iranianas até encontrá-lo) para só então a exuberância estética mostrada passar a ser vista como algo além de apenas exuberância estética. Então eis que o Kiarostami corta esse ápice para nos levar ao comentário metalinguístico: era só um filme! (por mais difícil que seja de acreditar nisso), só uma tentativa de apreender a vida (e a morte).
Um filme cheio de ironias – o criador do Facebook só tinha um único amigo no mundo real e mesmo assim traiu ele!, além da ótima imagem final do sujeito confuso e esperançoso, como um usuário qualquer da rede. Enfim, sei que cheguei atrasado, mas foi interessante ver esse filme, produzido talvez no auge do Facebook, agora que ele se tornou a rede social dos usuários fantasmas (a maior ironia de todas).
Ao construir a ficção em torno do registro documental e da denúncia, "A semente do fruto sagrado" consegue contornar o pior aspecto do didatismo tão comum aos filmes políticos mais recentes, ou seja, o sacrifício do estético. As imagens reais dos protestos dos iranianos contra o regime teocrático, particularmente das mulheres iranianas (provavelmente algumas das pessoas mais corajosas do mundo atual), caracteristicamente filmadas na vertical pelos celulares em contraste com a tela horizontal do filme, não apenas fazem sentido dentro da ficção como ampliam a sua força. Muito dessa força vem das atuações incríveis, mas eu também gostei bastante da sequência final, quando o filme deixa de lado o tom frontal que impera em sua maior parte e assume a exploração simbólica: o confronto entre as mulheres e o patriarca da família (a necessidade de mudança e a força da tradição) se dá necessariamente pelos caminhos labirínticos da própria sociedade iraniana.
A certa altura, o personagem descreve como o pai captou imagens lindas, acachapantes e impressionantes durante sua viagem pelo espaço, mas que "sob sua superfície sublime, não havia nada". Bem, é um pouco isso mesmo que senti vendo esse filme.
Justaposições sobre justaposições sobre justaposições sobre (...). Esse filme é um poema insólito do Jorge de Lima, assustador de tão belo, não um enigma a ser desvendado.
Diante da falta de agência sobre a vida e até sobre o próprio corpo, o que resta a fazer senão se entregar completamente à doce alienação do excesso e do consumo, descartando os chamados da realidade sempre que possível até que a realidade entre invadindo o seu mundinho na marra e expulse você do sonho? Maria Antonieta mais como personagem mítica e alegórica do que histórica, o uso estético do anacronismo (esfregado nas nossas caras e ouvidos durante o filme inteiro), o "tédio" e a opulência dos filhos adolescentes das elites, a mulher e o desejo feminino. Esse filme é a Sofia Coppolla afinadissima com a maioria dos seus temas mais caros. Não é o meu favorito da diretora, mas é um dos seus melhores.
[Reassistido em 23 Mai, 2025 aí pela Internet 🏴☠️, assistido pela última vez em 26 Ago, 2014 segundo o filmow]
As Ovelhas Detetives
3.8 183 Assista AgoraÓtima indicação do meu irmão.
Deu a Louca na Chapeuzinho
3.0 640Estava gostando muito mais enquanto o filme era um Rashomon com cogumelos alucinógenos, mas o desfecho foi meio meh deixando gancho pra sequência (boooo). Ainda assim, está de parabéns por ter muito carisma com uma animação tão horrível.
[Visto com amigos depois do Brasil fazer 3x0 no Haiti na Copa, 19 jun 2026]
Mestres do Universo
3.2 460 Assista AgoraUma sessão da tarde (quase) honesta, sem (muita) vergonha de si mesmo.
[Visto no cinema com amigos em 7 jun, 2026]
Click
3.4 2,5K Assista grátisEsse filme é um documento do anos 2000. Além disso, foi visionário o controle funcionar por um algoritmo.
Ruído Branco
2.7 213 Assista AgoraO Império do mal no norte congelado precisa acabar logo pra que eu nunca mais tenha que ver outro filme incrivelmente pretensioso e chato do Noah Baumbach
Valor Sentimental
3.9 403 Assista AgoraA arte nos devora, mastiga, mastiga, engole, regurgita, mastiga mais, mastiga mais, nos metaboliza, caga tudo no solo e ali cresce uma árvore linda cheia de frutos. Mas, primeiro, ela mastiga tudo, a carne, o tempo e o espaço.
*
[🏴☠️ 26 Jan, 2026]
O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim
3.3 84 Assista Agora"O Barba Branca está morto. E mesmo depois de sua morte, seu corpo não caiu".
[Visto no Prime Vídeo, 18 Jan, 2025]
Uma Batalha Após a Outra
3.7 687 Assista Agora"Uma batalha após a outra" funciona muito mais como um comentário sobre o contexto político americano atual do que como uma discussão sobre a revolução. Mas achei seu tom, até um pouco cínico, sintomático do nosso tempo: ele tira sarro de todos os "extremos", os nazistas e os ideologicamente indefinidos revolucionários de esquerda, ao ponto de quase produzir uma indefensável equivalência entre ambos, mesmo que busque discursivamente condenar os nazi e se alinhar, hesitante, com os revolucionários. Achei isto sintomático da nossa falta de imaginação política pós-moderna que tende a se agarrar no escapismo e não consegue vislumbrar alternativas mesmo quando o presente se mostra inaceitável – é por isso que os revolucionários falam de uma revolução sem conteúdo e sem projeto, se definem muito mais pela negativa (são anti-fascistas, antirracistas, lutam contra a política anti-imigrantes), não pelo viés propositivo (são socialistas? Se sim, de que tipo? Qual seu projeto?). Parece ecoar todas as ondas de protestos anti-capitalistas mundiais dos últimos 20 ou 30 anos, protestos que identificam o que deve ser mudado, mas que têm dificuldade em definir um projeto de sociedade e buscá-lo. Por tudo isso, o final ecoa a frase famosa do Fisher/Jameson/Zizek: é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo; o revolucionário Bob termina o filme aprendendo a tirar selfies num iphone, enquanto a filha sai pra brincar de revolucionária com os amigos.
Apesar de todas as minhas considerações negativas, eu gostei do tom nada romantizado e até paródico com que se trata os "revolucionários" ao estilo dos anos 1970, faço minha confissão de também olhar pra eles com certa distância irônica, com certo cinismo infelizmente pós-moderno que compartilho com muitos da minha geração e que precisa ser superado. Mas é fato que o PTA quase perde a mão nesse tom. Além disso, o filme também me pareceu um pouco longo demais em alguns momentos. Gostei muito das atuações, especialmente do Sean Penn e do Benicio del Toro, mas também da Chase Infiniti. Amei a cena da perseguição no deserto. Linda!
[visto pelo Prime Vídeo em 13 Jan, 2026]
A Viagem de Chihiro
4.5 2,3K Assista AgoraQuem não trabalha, vira comida ou carvão!
Sem solidariedade, ninguém sobrevive nem se liberta!
Camarada Miyazaki, dê a ordem.
[Reassistido no Ghibli Fest, 25 Set, 2025]
WALL·E
4.3 2,9KO melhor filme da Pixar. Estou destruído. Abrace quem você ama e plante uma árvore antes de morrer.
Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito
4.2 119 Assista AgoraFilme bem legal, chato de não concluir a história, mas nem teria como; horas de flashbacks (previsível, anime shounen), mas melhor assim, num filme, do que espalhado por vários episódios; a animação está um espetáculo.
[Visto no cinema com meu irmão, 11 Set, 2025 – Biroleibe condenado!]
Oeste Outra Vez
3.7 106 Assista AgoraHomem é uma merda mesmo. Mas, falando sério, achei excelente como o filme retrata a masculinidade sem, em nenhum momento, idealizá-la ou esteticizá-la: esses personagens são homens frágeis, ressentidos e incapazes, mas, sobretudo, não são exemplos a serem seguidos ou espelhados – um possível contraste com os cowboys americanos do cinema de faroeste clássico que parece estar sendo parodiado em "Oeste Outra Vez". Por sua vez, toda a estetização recaiu poderosamente nos cenários internos e externos, que são deslumbrantes.
[16 Ago, 2025, 🏴☠️]
John Wick: De Volta ao Jogo
3.8 1,8K Assista AgoraOs clichês existem por um motivo. Filmão!
[Prime Vídeo, 12 Jul, 2025]
Rocky: Um Lutador
4.1 875 Assista Agora"Faça-me um favor e arranque o pulmão dele" é uma frase muito f o d a.
[assistido por aí 🏴☠️ em 29 Abr, 2025]
O Lobo de Wall Street
4.1 3,4K Assista AgoraO filme é bem melhor do que eu lembrava! Na minha memória, o Scorcese romantizava bem mais o Jordan Belfort, mas, reassistindo agora, não senti que ele perdeu o sarcasmo demais das mãos em nenhum momento. Ainda deixou aquele amargo familiar na boca ao ver o cara virando coach e vendedor de curso pilantra no final. Bom filme e uma interpretação memorável do DiCaprio.
[Assistido no Prime Vídeo em 1 Jul, 2025; assistido pela última vez em 28 Ago, 2014, segundo o filmow]
A Pior Pessoa do Mundo
4.0 715 Assista AgoraO filme é melhor e pior do que eu esperava (?)
.
(Como Oslo é uma cidade bonita! Nem imaginava isso. Parece realmente uma cidade onde dá vontade de viver, não apenas de visitar).
(Deus me livre de ouvir "Águas de março" em inglês de novo...)
[Assistido no Stremio em 22 Jul, 2025]
Mad Max
3.6 764 Assista AgoraÉ um filme legal que cresce muito da metade para o final; gostei especialmente de como mostra o enlouquecimento causado pela estrada aberta e pela velocidade. Mas não me pegou tanto assim. Além disso, ele tem uma das trilhas sonoras mais irritantes (na maior parte do tempo) que já vi.
[Prime Vídeo, 16 Jun, 2025]
Gosto de Cereja
4.0 239 Assista AgoraGeralmente se exige que a obra "mostre ao invés de dizer", mas aqui foi realmente necessário, primeiro, ouvir o senhor Baghavi dizer e dizer (isso depois dos percalços pelas montanhas iranianas até encontrá-lo) para só então a exuberância estética mostrada passar a ser vista como algo além de apenas exuberância estética. Então eis que o Kiarostami corta esse ápice para nos levar ao comentário metalinguístico: era só um filme! (por mais difícil que seja de acreditar nisso), só uma tentativa de apreender a vida (e a morte).
[visto ao modo Gol D. Roger em 15 jun, 2025]
A Rede Social
3.6 3,1K Assista AgoraUm filme cheio de ironias – o criador do Facebook só tinha um único amigo no mundo real e mesmo assim traiu ele!, além da ótima imagem final do sujeito confuso e esperançoso, como um usuário qualquer da rede. Enfim, sei que cheguei atrasado, mas foi interessante ver esse filme, produzido talvez no auge do Facebook, agora que ele se tornou a rede social dos usuários fantasmas (a maior ironia de todas).
[visto pelo Prime Vídeo, 2 Jun, 2025]
As Pequenas Margaridas
4.2 278Mas que pestes!
A Semente do Fruto Sagrado
3.9 160 Assista AgoraAo construir a ficção em torno do registro documental e da denúncia, "A semente do fruto sagrado" consegue contornar o pior aspecto do didatismo tão comum aos filmes políticos mais recentes, ou seja, o sacrifício do estético. As imagens reais dos protestos dos iranianos contra o regime teocrático, particularmente das mulheres iranianas (provavelmente algumas das pessoas mais corajosas do mundo atual), caracteristicamente filmadas na vertical pelos celulares em contraste com a tela horizontal do filme, não apenas fazem sentido dentro da ficção como ampliam a sua força. Muito dessa força vem das atuações incríveis, mas eu também gostei bastante da sequência final, quando o filme deixa de lado o tom frontal que impera em sua maior parte e assume a exploração simbólica: o confronto entre as mulheres e o patriarca da família (a necessidade de mudança e a força da tradição) se dá necessariamente pelos caminhos labirínticos da própria sociedade iraniana.
[Visto pelo Prime Vídeo em 25 Mai, 2025]
Ad Astra: Rumo às Estrelas
3.3 873 Assista AgoraA certa altura, o personagem descreve como o pai captou imagens lindas, acachapantes e impressionantes durante sua viagem pelo espaço, mas que "sob sua superfície sublime, não havia nada". Bem, é um pouco isso mesmo que senti vendo esse filme.
[Visto na Netflix 24 Mai, 2025]
Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
3.6 196 Assista AgoraJustaposições sobre justaposições sobre justaposições sobre (...). Esse filme é um poema insólito do Jorge de Lima, assustador de tão belo, não um enigma a ser desvendado.
[24 Mai, 2025]
Maria Antonieta
3.7 1,3K Assista AgoraDiante da falta de agência sobre a vida e até sobre o próprio corpo, o que resta a fazer senão se entregar completamente à doce alienação do excesso e do consumo, descartando os chamados da realidade sempre que possível até que a realidade entre invadindo o seu mundinho na marra e expulse você do sonho?
Maria Antonieta mais como personagem mítica e alegórica do que histórica, o uso estético do anacronismo (esfregado nas nossas caras e ouvidos durante o filme inteiro), o "tédio" e a opulência dos filhos adolescentes das elites, a mulher e o desejo feminino. Esse filme é a Sofia Coppolla afinadissima com a maioria dos seus temas mais caros. Não é o meu favorito da diretora, mas é um dos seus melhores.
[Reassistido em 23 Mai, 2025 aí pela Internet 🏴☠️, assistido pela última vez em 26 Ago, 2014 segundo o filmow]