O filme tenta ser uma homenagem ao original, na esperança de despertar nostalgia de quando a franquia era realmente boa. Até tenta trazer umas ideias legais, mas não desenvolve nenhuma direito e cai nos clichês de sempre. A abertura é uma das piores da franquia, e entrega talvez a pior revelação do Ghostface até hoje, assim como sua péssima motivação.
A parte da inteligência artificial e dos deepfakes tinha potencial, mas parece jogada e mal explicada e o filme ainda ignora aquela metalinguagem que sempre foi a graça da série.
O único ponto positivo são as mortes, que estão mais criativas e pesadas, mas só isso não salva. Sinceramente, já passou da hora de deixar a Sidney descansar. Deixa a mulher descansar, pelo amor de Deus!
O filme parece indeciso o tempo todo, como se não soubesse se quer satirizar o gênero ou se levar a sério e acaba não fazendo bem nenhum dos dois. Sydney Sweeney atua sem vontade de estar ali e só fala gemendo o tempo todo, o que irrita bastante. É um filme esquecível, com direção e roteiro fracos. Os últimos 45 minutos até dão uma melhorada, mas não chegam nem perto de salvar o conjunto. As únicas risadas que dei foram involuntárias: Amanda Seyfried surgindo do nada, música brega entrando em cena romântica e "Só quero comer um sanduíche". No fim, fica a impressão de que Amanda Seyfried carregou o filme inteiro nas costas, sozinha, coitada!
Del Toro volta a fazer o que sabe muito bem.. misturar o gótico, o fantástico, o visceral e o belo. Fez algo que me agradou profundamente, que é não tentar refazer Frankenstein, mas tentar senti-lo. Pra mim fez toda a diferença, pois deu pra notar sua paixão pelo livro, criação e criatura de Mary Shelley.
O filme não se contenta com o susto ou com o monstro puro. Ele quer explorar a dor, a culpa, a criação, a destruição e acima de tudo, a humanidade (ou “quase-humanidade”) do que é criado. Parece sugerir que a mais terrível monstruosidade talvez não seja a aparência física, mas o isolamento, a incomunicabilidade, a sensação de não pertencer, seja como humano ou como “aquilo que ele criou”.
Outro ponto em que me agarrei: o verdadeiro monstro não é apenas a criatura, mas o Victor que ousou brincar de Deus, que esqueceu de ver o que fez. A criatura sofre, mas sofre porque foi feita, e porque foi negligenciada. Victor destrói mais que uma vida física, ele destrói a ligação humana e no livro isso também aparece. Mary Shelley criou uma história sobre o que fazemos quando aquilo que criamos nos olha de volta. E, como sempre, Del Toro encontra beleza até na ruína ao passar para as telas.
"Victor, já se perguntou, entre as partes que compõem um homem, qual delas guarda a alma?"
Que coisa bonita esse filme. Os cenários exóticos, as cenas subaquáticas e a ênfase nos povos nativos são um espetáculo. É um verdadeiro "poema visual"! A história gira em torno da ideia de "tabu", aquelas proibições que, se quebradas, trazem uma maldição. É irônico como os desejos dos deuses acabam sempre batendo com o que os poderosos querem. Murnau, no entanto, vai fundo e parece questionar toda a organização humana, pois o "tabu" vira a própria lei que vive em guerra com a liberdade e o desejo. Mas, nossa, a beleza poética do luar nas palmeiras e no Pacífico em sua vastidão é um presente, e a forma como Murnau captura tudo isso transforma a história em uma fábula poderosa e cheia de graça.
O mais legal é que, mesmo com a simplicidade da trama, a direção não exagera nos estereótipos sobre o povo polinésio; ela só trabalha a mecânica da história, que é, de fato, simples. Essa naturalidade ajudar a contar uma história de amor destinada ao fracasso, algo que o espectador sente desde o início, muito antes do que pode ser o primeiro ataque de tubarão em um grande filme. Haha
Quando o destino enfim se cumpre, o filme alcança uma melancolia quase mítica. Acredito que seja a história mais trágica de Murnau e o seu último trabalho também. “Através das grandes águas, virei até você em seus sonhos quando a lua abrir seu caminho sobre o mar.”
Num primeiro momento parece uma história simples, mas a queda de um porteiro que perde seu uniforme revela muito mais do que uma simples história (de humilhação). Murnau foi um gênio e mostrou como um traje funciona como um signo social: não é apenas roupa, mas a linguagem pela qual ele se comunica com o mundo, um símbolo que lhe garante identidade, respeito e pertencimento. Quando essa marca desaparece, o personagem deixa de ser reconhecido pelos outros e, de certo modo, por si mesmo. É como se a sociedade lhe tivesse arrancado a voz, mostrando que nossa identidade não existe isolada, mas se constrói sempre no olhar e na validação do outro.
Quando opta por uma narrativa quase sem palavras, Murnau deixa que a linguagem puramente visual fale por si: a câmera, a luz e os gestos de Emil Jannings contam a tragédia de um homem reduzido à condição de casca, dependente de uma máscara social para existir.
No final, o epílogo artificialmente feliz apenas reforça a ironia: a vida, ao contrário do cinema, raramente devolve ao homem o que a sociedade lhe arrancou.
Esse filme me pegou de surpresa. É uma invasão alienígena discreta, quase elegante, que começa numa pequena cidade americana e cresce a partir de pequenos sinais: gente que já não parece ela mesma, amigos e familiares que viram sombras de si mesmos. O Dr. Bennell e Becky, que além de enfrentar a estranheza ainda revivem um romance (ousado para a época), tentam resistir a essa ameaça. O filme tem um ritmo rápido, pouco mais de 1h20, mas entrega cenas muito fortes e um visual das cápsulas alienígenas que continua impressionando até hoje. É vintage, mas continua atual e até meio sombrio.
Um dos pontos altos é como o medo no filme não vem de monstros explícitos, mas do silêncio, da normalidade imposta, do cotidiano que começa a parecer errado. É paranoia pura que reflete aquela atmosfera política dos anos 50, mas que continua assustadora: a ideia de que o inimigo pode estar dentro de casa, se passando por alguém que você ama. Isso dá ao filme um tom adulto.
Aquele final é incrível: ao mesmo tempo brilhante e desesperador, especialmente quando Miles grita para a câmera, quase pedindo ajuda para nós, espectadores. Não dá pra dizer se é vitória ou derrota, só fica uma sensação de que talvez já seja tarde demais.
Muito mais do que um terror convencional, esse filme é uma obra que nos empurra para as profundezas do luto, da culpa e do controle emocional. A performance de Sally Hawkins é devastadora, impressionante mesmo. Arrisco dizer que a direção dos irmãos Philippou apresenta uma maturidade surpreendente, pois recusam jump scares fáceis e transformam o silêncio e as tensões contidas em instrumentos de pavor silencioso. O luto é uma presença sufocante que se espalha em cada cena, em cada olhar trocado entre os irmãos Andy e Piper, e na dissonância crescente de Laura. Esse sim, pra mim, é o terror do ano!!
Está longe de ser o filme do ano para mim, mas também não chega a ser ruim. É excessivamente longo, embora tenha um mérito na estrutura em capítulos, que explora a visão de cada personagem. Eu esperava uma revelação arrebatadora sobre o desaparecimento das crianças e quando aconteceu fiquei decepcionada.
Seria muito mais perturbador se as crianças simplesmente desaparecessem sem explicação e nunca mais voltassem, esse mistério sem resposta teria sido realmente assustador.
A narrativa é forte e, em alguns momentos, divertida, mas o roteiro é mal concebido. E quando um filme que promete ser “o terror do ano” me faz rir mais do que me deixa apreensiva, já quebra todo o clímax pra mim.
Esse traz um conceito diferente. Se destaca ao explorar a hereditariedade da maldição, aprofundando o conceito de que a Morte persegue não apenas indivíduos, mas linhagens inteiras. A despedida de Tony Todd no papel do icônico William Bludworth também emociona, já que o filme finalmente promete revelar mais sobre esse personagem tão enigmático.
Algumas cenas passam do ponto de tão exageradas, mas esse exagero já se tornou até uma tradição na franquia. O problema maior é que, mesmo tentando inovar, o filme às vezes escorrega no mais do mesmo. Fica preso entre agradar quem já conhece tudo e tentar trazer gente nova, sem conseguir se firmar totalmente nem num lado, nem no outro.
Para muitos amantes da leitura e da educação, esse programa ficou marcado na memória. A proposta era simples, mas muito rica. Não era só sobre o que eles escreveram, mas sobre quem eles eram, como viveram e como suas histórias de vida influenciaram suas obras.
Assistir a um programa assim era como ter uma aula sem sair de casa, mas uma aula boa, que despertava interesse de verdade. Era educativo, sim, mas sem ser cansativo. Pelo contrário: dava vontade de ler, de saber mais, de ir atrás dos livros citados. A linguagem era clara, o ritmo era tranquilo, e o foco estava em aproximar o público, especialmente os estudantes, do universo literário brasileiro.
Hoje, é difícil encontrar programas desse tipo na televisão aberta. A sensação é de que tudo ficou mais rápido, mais raso, mais voltado para o entretenimento imediato. Não que isso seja um problema em si, mas faz falta esse tipo de conteúdo que valorizava o conhecimento de forma tão respeitosa e sensível. Mestres da Literatura é o tipo de programa que deixava algo com a gente mesmo depois que o episódio terminava.
A nostalgia não vem só pelo programa em si, mas por uma época em que era mais comum encontrar conteúdo de qualidade na TV, voltado para a formação cultural e intelectual das pessoas. Era uma época em que aprender era um prazer incentivado também pelos meios de comunicação. Hoje, com tantas plataformas e distrações, parece que esse tipo de produção perdeu espaço.
Fica a saudade de um tempo que não volta, mas que deixa marcas boas. E fica também o desejo de que programas assim voltem a existir, para que novas gerações possam descobrir que literatura não é coisa chata, difícil ou distante — é vida, é história, é humanidade. E que mestres como esses ainda têm muito a ensinar.
E vamos mais uma vez de remakes da Disney que decepcionam. Com um orçamento milionário, o filme entrega pouquíssimo. A direção parece perdida entre duas ideias que não se conversam. A sensação é de um projeto remendado, sem alma e sem propósito claro. Gal Gadot, como Rainha Má não entrega nada. Seu desempenho, muitas vezes desconectado e inexpressivo, destoa completamente da intensidade que o papel exige. Em contraste, Rachel Zegler é o grande acerto: ela canta bem, tem presença e faz o que pode para salvar uma produção que claramente não esteve à sua altura. Suas cenas musicais são, de longe, os momentos em que o filme respira um pouco de vida.
Visualmente, os efeitos digitais deixam a desejar. A escolha por anões 100% digitais acabou prejudicando não só a estética, mas também a conexão emocional com esses personagens tão emblemáticos. Mesmo com toda essa tecnologia disponível, o resultado parece inacabado. Fica difícil acreditar que esse filme custou o que custou.
O maior problema, no fim, não se trata de ser “só um filme infantil”. Clássicos também merecem respeito. E público infantil também merece qualidade. Falta coesão, falta emoção, falta uma razão verdadeira para esse remake existir além do puro apelo comercial. Se a Disney quiser manter vivo o encanto de suas histórias, talvez seja hora de parar de tentar repetir o passado e começar a investir em novas ideias com a mesma coragem com que apostaram em Branca de Neve há quase 90 anos.
"Adolescência" não se trata de um mistério de "quem fez isso", mas sim de "por que fez isso" e a resposta é uma mistura de influências digitais, ausência paterna, pressão social e um sistema que falha com os jovens antes mesmo que eles saibam que estão falhando.
A série vai costurando esses elementos com uma estética sufocante de plano-sequência, o que funciona muito bem. Stephen Graham dá um show, como sempre, e Owen Cooper carrega o peso do protagonista com uma entrega crua e dolorosa. Esse garoto nunca fez nada além disso mesmo? O currículo dele precisa crescer mais, porque talento sobrando já provou que tem.
Mas o que mais impressiona é como a série não aponta um único culpado. O abandono emocional, o descaso da sociedade com a educação emocional dos meninos.. tudo isso forma um terreno fértil para narrativas distorcidas crescerem. O resultado? Jovens buscando identidade nos lugares errados, sendo moldados por discursos inflamados e promessas vazias de poder e controle.
Os momentos finais do episódio 4 são dilacerantes. E talvez essa seja a maior força da série: ela não apenas conta uma história, ela nos faz carregar as consequências dela.
Poxa, tinha tudo para ser um thriller eletrizante: um crime real chocante, um elenco de peso e Anthony Hopkins no comando. O sequestro poderia render um filme tenso e cheio de reviravoltas, mas o que vemos é um grupo de sequestradores que parecem mais um bando de amigos que resolveram cometer um crime por falta do que fazer. Sam Worthington e Jim Sturgess tentam dar profundidade aos personagens, mas é difícil sentir qualquer conexão com eles. No máximo, dá vontade de dar um tapinha nas costas e perguntar: "Vocês realmente acharam que isso ia dar certo?"
E aí temos Anthony Hopkins, que deveria ser o grande destaque, mas parece que aceitou o papel só para pagar umas contas. Ele tenta intimidar os sequestradores, mas a real é que parece mais entediado do que qualquer outra coisa.
No fim, o filme até que não é um desastre, mas também não é memorável e nem entrega a tensão ou a inteligência que a trama pedia. Além disso, há até um erro factual na manchete final sobre a morte de Heineken. Bem, se esse filme fosse uma cerveja, seria aquela esquecida lá no fundo da geladeira: até dá pra beber, mas não vale o esforço.
A história parecia bem promissora, mas acaba se perdendo um pouco, sem grandes avanços e com um desfecho que soa como um grande anticlímax. Senti que o filme confiou mais na experiência sensorial do que em um enredo bem amarrado. No final, fiquei dividida: tecnicamente impecável, mas narrativamente insatisfatório.
Nebraska é um filmaço e fico triste por não ter assistido antes, mas profundamente feliz por ter visto agora. O humor aqui é daquele tipo que faz você rir com a boca cheia de melancolia.. piadas que surgem do absurdo da vida e da brutal honestidade dos personagens.
Primeiro estranhei ter sido filmado em preto e branco, mas no decorrer do fim entendi que combina com a paisagem desoladora do interior americano. Acaba que o filme é uma carta de amor (ou seria de desamor?) às pequenas cidades, famílias imperfeitas e aos sonhos que nunca saíram do papel.
A maneira como cada personagem se encaixa é muito bem colocada. O irmão Ross Grant que é aquele que já desistiu de tentar entender ou agradar o pai e representa o conformismo resignado que contrasta muito com a curiosidade inquieta de David. David por sua vez é o filho que embarca na jornada louca do pai. O típico sujeito gente boa, mas um tanto esmagado pelas expectativas não atendidas. É lindo como a dinâmica dele com o pai se torna um dos pilares emocionais do filme, porque mesmo trazendo nuances de empatia e frustração, jamais rouba a cena do seu velho.
A mãe Kate é a personificação de anos de casamento com alguém como Woody: exasperada, pragmática, mas no fundo ainda muito apegada ao marido. Seu humor maravilhoso e ácido rende alguns dos diálogos mais hilários (o roubo do compressor, por exemplo). Woody é o personagem mais interessante de se observar, claro. Ele é ao mesmo tempo cômico e trágico, como um Dom Quixote que troca os moinhos de vento por garrafas de cerveja. Aparentemente desorientado e senil, ele carrega uma lucidez peculiar sobre seu lugar no mundo. Que atuação sensacional a do Bruce Dern. O cara nos faz rir e chorar quase no mesmo fôlego, com um timing que é um presente raro.
Filmaço, e uma lição lindíssima sobre como até mesmo as promessas vazias de um milhão de dólares podem nos levar ao que realmente importa.
O cinema tailandês e seu olhar único sobre a poesia da vida. Os tailandeses têm o dom de transformar o cotidiano em arte sensível e reflexiva.
Esse filme nos lembra que, no fim, tudo é delicadamente passageiro, e ainda assim profundamente significativo. Die Tomorrow implora para você olhar a finitude não como um fim abrupto, mas como parte do fluxo constante de existir, porque a vida é feita de momentos tão frágeis quanto preciosos.
Em alguns momentos, me lembrou "Cemitério do Esplendor" de 2015, um filme também tailandês que explora os limites entre sonho, memória e o invisível de um jeito que te faz desacelerar e pensar na vida de forma diferente.
"A questão é se você viveu uma vida boa ou não antes de morrer."
Com certeza, será lembrado... não pelo roteiro, mas pela audácia de existir. É uma falta de respeito com a imagem de um dos maiores ícones da televisão brasileira; não existe defesa possível para esse filme.
A trama se arrasta sem rumo, e os diálogos não soam nada naturais. Ora há momentos de lições de moral do “Silvio coach”, com discursos sobre empreendedorismo e oportunidades na vida, ora parece uma sessão de terapia com o sequestrador. A montagem é um desastre à parte; os cortes bruscos e desnecessários tornam qualquer tentativa de imersão impossível. Parece até que a edição desistiu do filme antes de terminá-lo.
Há beleza no jeito que as histórias se desenrolam, no contraste entre o branco da neve e o vermelho do título, mas falta aquele impacto, aquela reviravolta que mexe com a alma. Não há como negar sua sensibilidade, mas talvez o peso da promessa tenha superado o da entrega. Digamos que ele seja maior no cenário do que no drama.
Nunca fui muito fã de comédias românticas esportivas. Poucos filmes do gênero me agradam, mas gostei desse, e foi por pura coincidência que acabei dando play. Acordei pensando em uma música new retro wave que adoro e fui procurar o videoclipe. Encontrei um clipe não oficial com um edit de um filme de patinação no gelo e era justamente esse. A atriz me parecia familiar, então fui pesquisar e descobri que era ninguém menos que Karen, a mãe do Lucas de One Tree Hill! .
Aqui, ela interpreta uma patinadora super metódica que conhece um jogador de hóquei zero paciência, formando a dupla mais improvável e incrível do gelo. O casalzinho é só briga, confusão e "toe pick", mas é exatamente isso que torna a dinâmica deles tão envolvente. Eles têm química, e isso deixa o filme ainda mais gostoso de assistir, como se o gelo derretesse toda vez que estão juntos. rs .
O legal do Clint é que ele nunca entrega tudo de bandeja. Ele vai criando camadas nos personagens, fazendo cada diálogo ter peso e deixando as revelações surgirem no momento certo. Os filmes nunca subestimam a inteligência do público e isso é respeitável. O jovem tem 94 anos nas costas e continua brilhante. Simplesmente uma lenda viva do cinema!
"Jurado #2" é um drama de tribunal tenso, mas que não exagera nos clichês. O filme parece calmo, até te puxar para o abismo moral dos personagens. O que você faria se sua verdade pudesse mudar completamente o curso de um julgamento? Você contaria, mesmo que isso te custasse tudo o que você tem?
No mundo real, seria muito difícil alguém chegar ao júri sem ser barrado no processo de seleção, mas mesmo Hollywood adorando dar uma esticada na realidade, existe uma probabilidade alta do jurado descobrir na hora que está envolvido diretamente no caso? Talvez esse caso seja possível, mas não tão provável. A maioria das pessoas sabe se está envolvida ou não em um crime, mas ele pode não perceber que tem alguma ligação até ouvir os detalhes durante o julgamento.
As séries de tribunais que já assisti não me prepararam para esse questionamento. Acho que até eu estou envolvida nesse crime aí e não sei.
Estava na minha lista há tempos e podia ter continuado lá. =/ Achei que teria uma surpresa boa com esse filme, mas é problemático demais. A começar pela cena inicial: a menina simplesmente rouba gasolina do cara no posto e, como se fosse a coisa mais normal do mundo, ele fica imediatamente encantado com ela. Uma ladra de gasolina vira interesse amoroso em dois segundos. A única coisa que realmente salva é a química explosiva entre Mario Casas e Clara Lago, porque isso, sim, é impossível ignorar.
O filme também se enrola demais com a bagagem emocional de Hache. Parece que o roteiro não consegue se decidir se quer seguir em frente ou ficar remoendo o passado, e isso acaba cansando. A sensação é de estar preso em um ciclo interminável de nostalgia que, em vez de emocionar, enfraquece as relações novas. Pelo que descobri depois, esse é o segundo filme de uma trilogia, algo que eu nem sabia até os créditos finais. Talvez, por isso, o foco no passado faça mais sentido, mas, para quem assiste sem esse contexto, fica parecendo que o filme não sabe para onde está indo.
É tão divertido quanto o primeiro e, para ser honesta, talvez eu goste um pouco mais desse do que do anterior — mas não porque seja melhor (porque não é). O filme tem muita ação sem sentido, e eu simplesmente me diverti bastante. Para ser justa, o roteiro não é bom. O enredo é interessante, mas absolutamente nada nele é realista, e, sinceramente, isso não fez a menor diferença para mim.
Eric Bogosian está ótimo, mas são Everett McGill e Peter Greene que roubam a cena como os vilões da vez. Grandes personalidades eram mesmo necessárias para equilibrar o buraco negro de carisma de Steven Seagal. Algumas de suas lutas claramente foram aceleradas na edição para criar a ilusão de esforço, e até mesmo uma cena simples dele descendo as escadas correndo é visivelmente malfeita.
Sabe o que é engraçado nos filmes do Steven Seagal? Por mais que haja toda a tensão e os caras tentem matá-lo, você sabe que ele não vai morrer, porque ele é o Steven Seagal, uma entidade cinematográfica imortal.
eles estão no trem, no meio de uma montanha, e ainda faltam duas horas para saírem dali. De repente, Seagal cai do trem no meio da luta ali e, claro, acontece o que todo mundo temia : ele encontra um CARRO estacionado no meio do nada! Ele faz uma ligação direta com os cabos e — tcharãm! — FUNCIONA.
A magia dos anos 90 em sua forma mais pura! Hahahahahahaa
No final das contas, o caos funciona, e isso é o que importa, afinal: "Nobody beats me in the kitchen"
Três considerações sobre esse filme, antes de fazer algum comentário:
1 - Não tente assistir com um olhar técnico. 2 - A nostalgia pesa, meus amigos, pesa muito. 3 - Estamos falando de um filme onde o Steven Seagal é um cozinheiro da Marinha que não tem tempo para preocupações com higiene na cozinha, mas sim com a vida e a morte de todos a bordo de um navio de guerra.
Agora que estamos todos no mesmo barco (rs), vamos lá. A história é bem simples e parece que já vimos repetida em mais uns 300 filmes. Uns terroristas sequestram um navio de guerra e ameaçam usar a arma nuclear a bordo para fazer exigências. E quem é o único que pode impedir essa catástrofe? Steeeeeven Seeeeeagal com seu rosto imperturbável e voz aveludada derrotando os terroristas com uma facilidade que beira a graça (e a física duvidosa).
Temos o Tommy Lee Jones de vilão e não é só um terrorista – ele é o terrorista com carisma. As cenas de seu desempenho são tão engraçadas quanto ameaçadoras. Já pode entrar no hall de personagens excêntricos do cinema. Quem chama atenção também é a Erika Eleniak, famosa playmate dos anos 80/90 que da uma ajudinha ali para o Seagal, mas que sabemos que está ali mesmo como uma desculpa para a testosterona a bordo do navio.
O filme é bom, nostálgico e divertido por ser tosco. Ele é um produto da época, onde a ação era simples, direta e sem vergonha de ser exagerada. Steven Seagal salva o dia e você sabe que isso não é spoiler. rs
Pânico 7
2.7 335 Assista AgoraO filme tenta ser uma homenagem ao original, na esperança de despertar nostalgia de quando a franquia era realmente boa. Até tenta trazer umas ideias legais, mas não desenvolve nenhuma direito e cai nos clichês de sempre. A abertura é uma das piores da franquia, e entrega talvez a pior revelação do Ghostface até hoje, assim como sua péssima motivação.
A parte da inteligência artificial e dos deepfakes tinha potencial, mas parece jogada e mal explicada e o filme ainda ignora aquela metalinguagem que sempre foi a graça da série.
O único ponto positivo são as mortes, que estão mais criativas e pesadas, mas só isso não salva. Sinceramente, já passou da hora de deixar a Sidney descansar. Deixa a mulher descansar, pelo amor de Deus!
A Empregada
3.4 524 Assista AgoraO filme parece indeciso o tempo todo, como se não soubesse se quer satirizar o gênero ou se levar a sério e acaba não fazendo bem nenhum dos dois. Sydney Sweeney atua sem vontade de estar ali e só fala gemendo o tempo todo, o que irrita bastante.
É um filme esquecível, com direção e roteiro fracos. Os últimos 45 minutos até dão uma melhorada, mas não chegam nem perto de salvar o conjunto.
As únicas risadas que dei foram involuntárias: Amanda Seyfried surgindo do nada, música brega entrando em cena romântica e "Só quero comer um sanduíche".
No fim, fica a impressão de que Amanda Seyfried carregou o filme inteiro nas costas, sozinha, coitada!
Frankenstein
3.7 595 Assista AgoraDel Toro volta a fazer o que sabe muito bem.. misturar o gótico, o fantástico, o visceral e o belo.
Fez algo que me agradou profundamente, que é não tentar refazer Frankenstein, mas tentar senti-lo. Pra mim fez toda a diferença, pois deu pra notar sua paixão pelo livro, criação e criatura de Mary Shelley.
O filme não se contenta com o susto ou com o monstro puro. Ele quer explorar a dor, a culpa, a criação, a destruição e acima de tudo, a humanidade (ou “quase-humanidade”) do que é criado. Parece sugerir que a mais terrível monstruosidade talvez não seja a aparência física, mas o isolamento, a incomunicabilidade, a sensação de não pertencer, seja como humano ou como “aquilo que ele criou”.
Outro ponto em que me agarrei: o verdadeiro monstro não é apenas a criatura, mas o Victor que ousou brincar de Deus, que esqueceu de ver o que fez. A criatura sofre, mas sofre porque foi feita, e porque foi negligenciada. Victor destrói mais que uma vida física, ele destrói a ligação humana e no livro isso também aparece. Mary Shelley criou uma história sobre o que fazemos quando aquilo que criamos nos olha de volta. E, como sempre, Del Toro encontra beleza até na ruína ao passar para as telas.
"Victor, já se perguntou, entre as partes que compõem um homem, qual delas guarda a alma?"
Tabu
4.0 35 Assista AgoraQue coisa bonita esse filme. Os cenários exóticos, as cenas subaquáticas e a ênfase nos povos nativos são um espetáculo. É um verdadeiro "poema visual"! A história gira em torno da ideia de "tabu", aquelas proibições que, se quebradas, trazem uma maldição. É irônico como os desejos dos deuses acabam sempre batendo com o que os poderosos querem. Murnau, no entanto, vai fundo e parece questionar toda a organização humana, pois o "tabu" vira a própria lei que vive em guerra com a liberdade e o desejo. Mas, nossa, a beleza poética do luar nas palmeiras e no Pacífico em sua vastidão é um presente, e a forma como Murnau captura tudo isso transforma a história em uma fábula poderosa e cheia de graça.
O mais legal é que, mesmo com a simplicidade da trama, a direção não exagera nos estereótipos sobre o povo polinésio; ela só trabalha a mecânica da história, que é, de fato, simples. Essa naturalidade ajudar a contar uma história de amor destinada ao fracasso, algo que o espectador sente desde o início, muito antes do que pode ser o primeiro ataque de tubarão em um grande filme. Haha
Quando o destino enfim se cumpre, o filme alcança uma melancolia quase mítica. Acredito que seja a história mais trágica de Murnau e o seu último trabalho também. “Através das grandes águas, virei até você em seus sonhos quando a lua abrir seu caminho sobre o mar.”
A Última Gargalhada
4.2 107 Assista AgoraNum primeiro momento parece uma história simples, mas a queda de um porteiro que perde seu uniforme revela muito mais do que uma simples história (de humilhação).
Murnau foi um gênio e mostrou como um traje funciona como um signo social: não é apenas roupa, mas a linguagem pela qual ele se comunica com o mundo, um símbolo que lhe garante identidade, respeito e pertencimento. Quando essa marca desaparece, o personagem deixa de ser reconhecido pelos outros e, de certo modo, por si mesmo. É como se a sociedade lhe tivesse arrancado a voz, mostrando que nossa identidade não existe isolada, mas se constrói sempre no olhar e na validação do outro.
Quando opta por uma narrativa quase sem palavras, Murnau deixa que a linguagem puramente visual fale por si: a câmera, a luz e os gestos de Emil Jannings contam a tragédia de um homem reduzido à condição de casca, dependente de uma máscara social para existir.
No final, o epílogo artificialmente feliz apenas reforça a ironia: a vida, ao contrário do cinema, raramente devolve ao homem o que a sociedade lhe arrancou.
Vampiros de Almas
3.9 157 Assista AgoraEsse filme me pegou de surpresa. É uma invasão alienígena discreta, quase elegante, que começa numa pequena cidade americana e cresce a partir de pequenos sinais: gente que já não parece ela mesma, amigos e familiares que viram sombras de si mesmos. O Dr. Bennell e Becky, que além de enfrentar a estranheza ainda revivem um romance (ousado para a época), tentam resistir a essa ameaça. O filme tem um ritmo rápido, pouco mais de 1h20, mas entrega cenas muito fortes e um visual das cápsulas alienígenas que continua impressionando até hoje. É vintage, mas continua atual e até meio sombrio.
Um dos pontos altos é como o medo no filme não vem de monstros explícitos, mas do silêncio, da normalidade imposta, do cotidiano que começa a parecer errado. É paranoia pura que reflete aquela atmosfera política dos anos 50, mas que continua assustadora: a ideia de que o inimigo pode estar dentro de casa, se passando por alguém que você ama. Isso dá ao filme um tom adulto.
Aquele final é incrível: ao mesmo tempo brilhante e desesperador, especialmente quando Miles grita para a câmera, quase pedindo ajuda para nós, espectadores. Não dá pra dizer se é vitória ou derrota, só fica uma sensação de que talvez já seja tarde demais.
Faça Ela Voltar
3.8 753 Assista AgoraMuito mais do que um terror convencional, esse filme é uma obra que nos empurra para as profundezas do luto, da culpa e do controle emocional. A performance de Sally Hawkins é devastadora, impressionante mesmo.
Arrisco dizer que a direção dos irmãos Philippou apresenta uma maturidade surpreendente, pois recusam jump scares fáceis e transformam o silêncio e as tensões contidas em instrumentos de pavor silencioso. O luto é uma presença sufocante que se espalha em cada cena, em cada olhar trocado entre os irmãos Andy e Piper, e na dissonância crescente de Laura. Esse sim, pra mim, é o terror do ano!!
A Hora do Mal
3.7 1,0K Assista AgoraEstá longe de ser o filme do ano para mim, mas também não chega a ser ruim. É excessivamente longo, embora tenha um mérito na estrutura em capítulos, que explora a visão de cada personagem. Eu esperava uma revelação arrebatadora sobre o desaparecimento das crianças e quando aconteceu fiquei decepcionada.
Seria muito mais perturbador se as crianças simplesmente desaparecessem sem explicação e nunca mais voltassem, esse mistério sem resposta teria sido realmente assustador.
A narrativa é forte e, em alguns momentos, divertida, mas o roteiro é mal concebido. E quando um filme que promete ser “o terror do ano” me faz rir mais do que me deixa apreensiva, já quebra todo o clímax pra mim.
Premonição 6: Laços de Sangue
3.3 732 Assista AgoraEsse traz um conceito diferente. Se destaca ao explorar a hereditariedade da maldição, aprofundando o conceito de que a Morte persegue não apenas indivíduos, mas linhagens inteiras. A despedida de Tony Todd no papel do icônico William Bludworth também emociona, já que o filme finalmente promete revelar mais sobre esse personagem tão enigmático.
Algumas cenas passam do ponto de tão exageradas, mas esse exagero já se tornou até uma tradição na franquia. O problema maior é que, mesmo tentando inovar, o filme às vezes escorrega no mais do mesmo. Fica preso entre agradar quem já conhece tudo e tentar trazer gente nova, sem conseguir se firmar totalmente nem num lado, nem no outro.
Mestres da Literatura
4.8 1Para muitos amantes da leitura e da educação, esse programa ficou marcado na memória. A proposta era simples, mas muito rica. Não era só sobre o que eles escreveram, mas sobre quem eles eram, como viveram e como suas histórias de vida influenciaram suas obras.
Assistir a um programa assim era como ter uma aula sem sair de casa, mas uma aula boa, que despertava interesse de verdade. Era educativo, sim, mas sem ser cansativo. Pelo contrário: dava vontade de ler, de saber mais, de ir atrás dos livros citados. A linguagem era clara, o ritmo era tranquilo, e o foco estava em aproximar o público, especialmente os estudantes, do universo literário brasileiro.
Hoje, é difícil encontrar programas desse tipo na televisão aberta. A sensação é de que tudo ficou mais rápido, mais raso, mais voltado para o entretenimento imediato. Não que isso seja um problema em si, mas faz falta esse tipo de conteúdo que valorizava o conhecimento de forma tão respeitosa e sensível. Mestres da Literatura é o tipo de programa que deixava algo com a gente mesmo depois que o episódio terminava.
A nostalgia não vem só pelo programa em si, mas por uma época em que era mais comum encontrar conteúdo de qualidade na TV, voltado para a formação cultural e intelectual das pessoas. Era uma época em que aprender era um prazer incentivado também pelos meios de comunicação. Hoje, com tantas plataformas e distrações, parece que esse tipo de produção perdeu espaço.
Fica a saudade de um tempo que não volta, mas que deixa marcas boas. E fica também o desejo de que programas assim voltem a existir, para que novas gerações possam descobrir que literatura não é coisa chata, difícil ou distante — é vida, é história, é humanidade. E que mestres como esses ainda têm muito a ensinar.
Branca de Neve
2.1 333 Assista AgoraE vamos mais uma vez de remakes da Disney que decepcionam. Com um orçamento milionário, o filme entrega pouquíssimo. A direção parece perdida entre duas ideias que não se conversam. A sensação é de um projeto remendado, sem alma e sem propósito claro. Gal Gadot, como Rainha Má não entrega nada. Seu desempenho, muitas vezes desconectado e inexpressivo, destoa completamente da intensidade que o papel exige.
Em contraste, Rachel Zegler é o grande acerto: ela canta bem, tem presença e faz o que pode para salvar uma produção que claramente não esteve à sua altura. Suas cenas musicais são, de longe, os momentos em que o filme respira um pouco de vida.
Visualmente, os efeitos digitais deixam a desejar. A escolha por anões 100% digitais acabou prejudicando não só a estética, mas também a conexão emocional com esses personagens tão emblemáticos. Mesmo com toda essa tecnologia disponível, o resultado parece inacabado. Fica difícil acreditar que esse filme custou o que custou.
O maior problema, no fim, não se trata de ser “só um filme infantil”. Clássicos também merecem respeito. E público infantil também merece qualidade. Falta coesão, falta emoção, falta uma razão verdadeira para esse remake existir além do puro apelo comercial. Se a Disney quiser manter vivo o encanto de suas histórias, talvez seja hora de parar de tentar repetir o passado e começar a investir em novas ideias com a mesma coragem com que apostaram em Branca de Neve há quase 90 anos.
Adolescência
4.0 610 Assista Agora"Adolescência" não se trata de um mistério de "quem fez isso", mas sim de "por que fez isso" e a resposta é uma mistura de influências digitais, ausência paterna, pressão social e um sistema que falha com os jovens antes mesmo que eles saibam que estão falhando.
A série vai costurando esses elementos com uma estética sufocante de plano-sequência, o que funciona muito bem. Stephen Graham dá um show, como sempre, e Owen Cooper carrega o peso do protagonista com uma entrega crua e dolorosa. Esse garoto nunca fez nada além disso mesmo? O currículo dele precisa crescer mais, porque talento sobrando já provou que tem.
Mas o que mais impressiona é como a série não aponta um único culpado. O abandono emocional, o descaso da sociedade com a educação emocional dos meninos.. tudo isso forma um terreno fértil para narrativas distorcidas crescerem. O resultado? Jovens buscando identidade nos lugares errados, sendo moldados por discursos inflamados e promessas vazias de poder e controle.
Os momentos finais do episódio 4 são dilacerantes. E talvez essa seja a maior força da série: ela não apenas conta uma história, ela nos faz carregar as consequências dela.
Jogada de Mestre
3.0 148 Assista AgoraPoxa, tinha tudo para ser um thriller eletrizante: um crime real chocante, um elenco de peso e Anthony Hopkins no comando. O sequestro poderia render um filme tenso e cheio de reviravoltas, mas o que vemos é um grupo de sequestradores que parecem mais um bando de amigos que resolveram cometer um crime por falta do que fazer. Sam Worthington e Jim Sturgess tentam dar profundidade aos personagens, mas é difícil sentir qualquer conexão com eles. No máximo, dá vontade de dar um tapinha nas costas e perguntar: "Vocês realmente acharam que isso ia dar certo?"
E aí temos Anthony Hopkins, que deveria ser o grande destaque, mas parece que aceitou o papel só para pagar umas contas. Ele tenta intimidar os sequestradores, mas a real é que parece mais entediado do que qualquer outra coisa.
No fim, o filme até que não é um desastre, mas também não é memorável e nem entrega a tensão ou a inteligência que a trama pedia. Além disso, há até um erro factual na manchete final sobre a morte de Heineken. Bem, se esse filme fosse uma cerveja, seria aquela esquecida lá no fundo da geladeira: até dá pra beber, mas não vale o esforço.
Sorria 2
3.3 603 Assista AgoraA história parecia bem promissora, mas acaba se perdendo um pouco, sem grandes avanços e com um desfecho que soa como um grande anticlímax. Senti que o filme confiou mais na experiência sensorial do que em um enredo bem amarrado. No final, fiquei dividida: tecnicamente impecável, mas narrativamente insatisfatório.
Nebraska
4.1 1,0K Assista AgoraNebraska é um filmaço e fico triste por não ter assistido antes, mas profundamente feliz por ter visto agora. O humor aqui é daquele tipo que faz você rir com a boca cheia de melancolia.. piadas que surgem do absurdo da vida e da brutal honestidade dos personagens.
Primeiro estranhei ter sido filmado em preto e branco, mas no decorrer do fim entendi que combina com a paisagem desoladora do interior americano. Acaba que o filme é uma carta de amor (ou seria de desamor?) às pequenas cidades, famílias imperfeitas e aos sonhos que nunca saíram do papel.
A maneira como cada personagem se encaixa é muito bem colocada. O irmão Ross Grant que é aquele que já desistiu de tentar entender ou agradar o pai e representa o conformismo resignado que contrasta muito com a curiosidade inquieta de David.
David por sua vez é o filho que embarca na jornada louca do pai. O típico sujeito gente boa, mas um tanto esmagado pelas expectativas não atendidas. É lindo como a dinâmica dele com o pai se torna um dos pilares emocionais do filme, porque mesmo trazendo nuances de empatia e frustração, jamais rouba a cena do seu velho.
A mãe Kate é a personificação de anos de casamento com alguém como Woody: exasperada, pragmática, mas no fundo ainda muito apegada ao marido. Seu humor maravilhoso e ácido rende alguns dos diálogos mais hilários (o roubo do compressor, por exemplo). Woody é o personagem mais interessante de se observar, claro. Ele é ao mesmo tempo cômico e trágico, como um Dom Quixote que troca os moinhos de vento por garrafas de cerveja. Aparentemente desorientado e senil, ele carrega uma lucidez peculiar sobre seu lugar no mundo. Que atuação sensacional a do Bruce Dern. O cara nos faz rir e chorar quase no mesmo fôlego, com um timing que é um presente raro.
Filmaço, e uma lição lindíssima sobre como até mesmo as promessas vazias de um milhão de dólares podem nos levar ao que realmente importa.
Die Tomorrow
3.9 11O cinema tailandês e seu olhar único sobre a poesia da vida. Os tailandeses têm o dom de transformar o cotidiano em arte sensível e reflexiva.
Esse filme nos lembra que, no fim, tudo é delicadamente passageiro, e ainda assim profundamente significativo. Die Tomorrow implora para você olhar a finitude não como um fim abrupto, mas como parte do fluxo constante de existir, porque a vida é feita de momentos tão frágeis quanto preciosos.
Em alguns momentos, me lembrou "Cemitério do Esplendor" de 2015, um filme também tailandês que explora os limites entre sonho, memória e o invisível de um jeito que te faz desacelerar e pensar na vida de forma diferente.
"A questão é se você viveu uma vida boa ou não antes de morrer."
Os Pássaros 2: O Ataque Final
2.3 61Curiosidades: 1) Depois das gravações, todos os pássaros do filme pediram desculpas por terem participado.
2) Com o fracasso desse 2, os pombos não quiserem assinar contrato para a sequência, que seria "Pássaros 3: O Retorno dos Pombos Malditos".
Silvio
1.6 124 Assista AgoraCom certeza, será lembrado... não pelo roteiro, mas pela audácia de existir. É uma falta de respeito com a imagem de um dos maiores ícones da televisão brasileira; não existe defesa possível para esse filme.
A trama se arrasta sem rumo, e os diálogos não soam nada naturais. Ora há momentos de lições de moral do “Silvio coach”, com discursos sobre empreendedorismo e oportunidades na vida, ora parece uma sessão de terapia com o sequestrador. A montagem é um desastre à parte; os cortes bruscos e desnecessários tornam qualquer tentativa de imersão impossível. Parece até que a edição desistiu do filme antes de terminá-lo.
Vermiglio - A Noiva da Montanha
3.3 22Há beleza no jeito que as histórias se desenrolam, no contraste entre o branco da neve e o vermelho do título, mas falta aquele impacto, aquela reviravolta que mexe com a alma. Não há como negar sua sensibilidade, mas talvez o peso da promessa tenha superado o da entrega. Digamos que ele seja maior no cenário do que no drama.
Um Casal Quase Perfeito
3.4 35 Assista AgoraNunca fui muito fã de comédias românticas esportivas. Poucos filmes do gênero me agradam, mas gostei desse, e foi por pura coincidência que acabei dando play. Acordei pensando em uma música new retro wave que adoro e fui procurar o videoclipe. Encontrei um clipe não oficial com um edit de um filme de patinação no gelo e era justamente esse. A atriz me parecia familiar, então fui pesquisar e descobri que era ninguém menos que Karen, a mãe do Lucas de One Tree Hill!
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Aqui, ela interpreta uma patinadora super metódica que conhece um jogador de hóquei zero paciência, formando a dupla mais improvável e incrível do gelo. O casalzinho é só briga, confusão e "toe pick", mas é exatamente isso que torna a dinâmica deles tão envolvente. Eles têm química, e isso deixa o filme ainda mais gostoso de assistir, como se o gelo derretesse toda vez que estão juntos. rs
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"Vamos fazer o Pamchenko"
Jurado Nº 2
3.6 460 Assista AgoraO legal do Clint é que ele nunca entrega tudo de bandeja. Ele vai criando camadas nos personagens, fazendo cada diálogo ter peso e deixando as revelações surgirem no momento certo. Os filmes nunca subestimam a inteligência do público e isso é respeitável. O jovem tem 94 anos nas costas e continua brilhante. Simplesmente uma lenda viva do cinema!
"Jurado #2" é um drama de tribunal tenso, mas que não exagera nos clichês. O filme parece calmo, até te puxar para o abismo moral dos personagens. O que você faria se sua verdade pudesse mudar completamente o curso de um julgamento? Você contaria, mesmo que isso te custasse tudo o que você tem?
No mundo real, seria muito difícil alguém chegar ao júri sem ser barrado no processo de seleção, mas mesmo Hollywood adorando dar uma esticada na realidade, existe uma probabilidade alta do jurado descobrir na hora que está envolvido diretamente no caso? Talvez esse caso seja possível, mas não tão provável. A maioria das pessoas sabe se está envolvida ou não em um crime, mas ele pode não perceber que tem alguma ligação até ouvir os detalhes durante o julgamento.
As séries de tribunais que já assisti não me prepararam para esse questionamento. Acho que até eu estou envolvida nesse crime aí e não sei.
Sou Louco Por Você
3.8 522 Assista AgoraEstava na minha lista há tempos e podia ter continuado lá. =/ Achei que teria uma surpresa boa com esse filme, mas é problemático demais. A começar pela cena inicial: a menina simplesmente rouba gasolina do cara no posto e, como se fosse a coisa mais normal do mundo, ele fica imediatamente encantado com ela. Uma ladra de gasolina vira interesse amoroso em dois segundos. A única coisa que realmente salva é a química explosiva entre Mario Casas e Clara Lago, porque isso, sim, é impossível ignorar.
O filme também se enrola demais com a bagagem emocional de Hache. Parece que o roteiro não consegue se decidir se quer seguir em frente ou ficar remoendo o passado, e isso acaba cansando. A sensação é de estar preso em um ciclo interminável de nostalgia que, em vez de emocionar, enfraquece as relações novas. Pelo que descobri depois, esse é o segundo filme de uma trilogia, algo que eu nem sabia até os créditos finais. Talvez, por isso, o foco no passado faça mais sentido, mas, para quem assiste sem esse contexto, fica parecendo que o filme não sabe para onde está indo.
A Força em Alerta 2
2.9 63 Assista AgoraÉ tão divertido quanto o primeiro e, para ser honesta, talvez eu goste um pouco mais desse do que do anterior — mas não porque seja melhor (porque não é). O filme tem muita ação sem sentido, e eu simplesmente me diverti bastante. Para ser justa, o roteiro não é bom. O enredo é interessante, mas absolutamente nada nele é realista, e, sinceramente, isso não fez a menor diferença para mim.
Eric Bogosian está ótimo, mas são Everett McGill e Peter Greene que roubam a cena como os vilões da vez. Grandes personalidades eram mesmo necessárias para equilibrar o buraco negro de carisma de Steven Seagal. Algumas de suas lutas claramente foram aceleradas na edição para criar a ilusão de esforço, e até mesmo uma cena simples dele descendo as escadas correndo é visivelmente malfeita.
Sabe o que é engraçado nos filmes do Steven Seagal? Por mais que haja toda a tensão e os caras tentem matá-lo, você sabe que ele não vai morrer, porque ele é o Steven Seagal, uma entidade cinematográfica imortal.
E aí vem o momento clássico:
eles estão no trem, no meio de uma montanha, e ainda faltam duas horas para saírem dali. De repente, Seagal cai do trem no meio da luta ali e, claro, acontece o que todo mundo temia : ele encontra um CARRO estacionado no meio do nada! Ele faz uma ligação direta com os cabos e — tcharãm! — FUNCIONA.
No final das contas, o caos funciona, e isso é o que importa, afinal: "Nobody beats me in the kitchen"
A Força em Alerta
3.0 97 Assista AgoraTrês considerações sobre esse filme, antes de fazer algum comentário:
1 - Não tente assistir com um olhar técnico.
2 - A nostalgia pesa, meus amigos, pesa muito.
3 - Estamos falando de um filme onde o Steven Seagal é um cozinheiro da Marinha que não tem tempo para preocupações com higiene na cozinha, mas sim com a vida e a morte de todos a bordo de um navio de guerra.
Agora que estamos todos no mesmo barco (rs), vamos lá. A história é bem simples e parece que já vimos repetida em mais uns 300 filmes. Uns terroristas sequestram um navio de guerra e ameaçam usar a arma nuclear a bordo para fazer exigências. E quem é o único que pode impedir essa catástrofe? Steeeeeven Seeeeeagal com seu rosto imperturbável e voz aveludada derrotando os terroristas com uma facilidade que beira a graça (e a física duvidosa).
Temos o Tommy Lee Jones de vilão e não é só um terrorista – ele é o terrorista com carisma. As cenas de seu desempenho são tão engraçadas quanto ameaçadoras. Já pode entrar no hall de personagens excêntricos do cinema. Quem chama atenção também é a Erika Eleniak, famosa playmate dos anos 80/90 que da uma ajudinha ali para o Seagal, mas que sabemos que está ali mesmo como uma desculpa para a testosterona a bordo do navio.
O filme é bom, nostálgico e divertido por ser tosco. Ele é um produto da época, onde a ação era simples, direta e sem vergonha de ser exagerada. Steven Seagal salva o dia e você sabe que isso não é spoiler. rs