Posso me considerar o maior fã do Paulinho Gogó. Mas não entendi esse roteiro! Não sei qual o público o filme quis atingir, pois, na minha opinião deveriam explorar as melhores piadas do personagem, que são espetaculares e inteligentes. Seria um enredo razoável se tivesse sido lançado no meio da década de 90. Mas o cinema atualmente, principalmente nessa época de "streamings", encontra-se num nível elevado, o que ofusca, e muito, a forma como retrataram o Paulinho Gogó. É uma pena! Achei Os Farofeiros bem superior.
A exemplo de Som ao Redor, Boi Neon e Aquarius retrata o aspecto contemplativo do cotidiano de um núcleo de pessoas. É até engraçado dizer, mas Temporada reflete exatamente o tipo de público que verá esse filme, não entenderá nada, achará uma grande porcaria e se perguntará o porquê da sua nota elevada aqui no Filmow! Na verdade é um filme bem interessante, e feito para pessoas que veem o cinema como algo muito maior que a história que se passa na tela. Gostei bastante da forma verossímil como o texto é desenvolvido, pois consegue transparecer a verdade de alguém que está nessa vida pra viver mecanicamente, fato que representa a imensa maioria das pessoas. O trabalho de câmera não deixa dúvidas do aspecto documental, pois não há cortes ou deslocamento no modo de filmar; há apenas o foco distante dos acontecimentos, como se fosse o público observando uma vida passando por inúmeras intempéries e fazendo o suficiente para o mínimo de dignidade até chegar a morte.
Sou bastante corporativista quando se trata de cinema nacional, pois um filme não é apenas uma "historiazinha" passando na tela. Mas esse aqui não deu pra salvar. É difícil defender as várias falhas que apresenta. Sobretudo faltou preparação de elenco. Eu, que nem sou e nem quer ser ator, faria menos ruim que certas pessoas desse filme. É uma pena!
Filme contemplativo, a exemplo do que ocorre em Aquarius e O Som ao Redor! O propósito é emular o cotidiano dos personagens e as suas vidas meramente instintivas e com a finalidade de apenas sobreviver, embora alguns tenham os seus sonhos, como o protagonista. Daí a aparência de um filme lento, como diriam os mais incautos.
A cena final de sexo com uma grávida, na minha interpretação, é pra lembrar que a vida só está aí para que outras vidas continuem existindo e que o propósito biológico do ser humano é apenas esse
Na minha opinião a reflexão sobre o tema retratado é muito mais importância que a história narrada! A mensagem passada faz todo sentido, já que pode ser contextualizada na ideia de que estamos aqui para fazer os ricos ficarem cada vez mais ricos, fato que tem plena pertinência na prática. Pra mim um filmão!!
Achei o filme bacana! Nada de especial, mas o roteiro é redondinho! O mais legal é que a gente começa a ver o filme e não sabe aonde ele vai chegar. E no final acaba tudo acaba fazendo sentido!!! O Bruceuilis foi muito bem interpretado pelo ator Edmilson Filho! É superior a muitas comédias sem-graça produzidas no mercado brasileiro.
Grande filme, apesar das polêmicas negativas aparentemente obscuras. Esse filme inaugura esse tipo de retratação de uma juventude realmente transviada, algo que passou a ser mais explorado a partir de então. Eu, como fã do cinema de Larry Clark, vejo o filme com naturalidade (amo o filme), pois, no mínimo, conclama o espectador a refletir sobre a vida, que nem sempre está aí para ser encarada como um fantasioso mar de rosas. Lembro-me que, à época do seu lançamento, o caderno cultural da Folha de São Paulo fez uma resenha comparando as reações dos públicos brasileiros e americanos com relação à primeira cena, que é considerada, segundo o Código Penal brasileiro, como um estupro. Segundo o referido artigo, os americanos se mostraram totalmente incomodados com ela, enquanto os brasileiros a considerava engraçada. Àquela altura fiquei sem entender a mensagem retratada no jornal, pois também era adolescente e via naquilo uma reles relação sexual. Passados muitos anos revi o filme (que, diga-se de passagem, não foi sequer relançado em DVD justamente pelas polêmicas que o cerca) e consegui entender a indignação dos americanos, já que o sexo com uma adolescente de 13 anos jamais poderá ser considerado algo normal. Inclusive, no Brasil o assunto pedofilia é algo propagado com mais seriedade apenas nesse século. É impactante! Mas creio que esse foi o intuito do filme!!!! Pra mim esse é um daqueles filmes da vida pela sua ousadia.
Ideal para quem morou em república e viveu a contento a vida universitária. Quem procura um final para o filme vai ficar a ver navios, pois é no "recheio" que está a mensagem, que, na verdade, retrata que o mais legal numa vida universitária é exatamente a diversão, como tirar sarro do outro, encher a cara, sair em baladas diferentes em dias seguidos, enfim, qualquer coisa em nome do "carpe diem". Ótimos diálogos, sobretudo filosóficos, pois traz ínsita a necessidade de autoafirmação, o significado das superstições, a competição, dentre outros. O mais bacana da película é que parece realmente ter sido concebida na época retratada (e não em 2016), devido ao ótimo trabalho de caracterização dos personagens (e a enorme quantidade deles, algo comum nos filmes oitentistas) e da cenografia, que é fantástica. É um pouco inferior ao primeiro, mas vale pelo roteiro e também como saudosismo.
Filmaço do cinema brasileiro!!! Locações, direção, atuações e, principalmente, o roteiro espetaculares. Essa nota baixa só pode ser porque a maioria apenas vê num filme aquilo que está na tela e com a mensagem mastigadinha, pois chuto dizer que é um dos melhores filmes do cinema nacional, especialmente por se arriscar em assuntos completamente diferentes e intocáveis por aqui. É sobretudo bem filosófico!!!
Esse é o último da trilogia do apocalipse, como define o seu próprio diretor. Pra mim é o melhor dos três. A trama passa longe daquilo que é o cinema tradicional, no qual a mensagem é passada às claras e sem margem a grandes interpretações. Daí muitos não compreenderem o que o seu autor quis dizer. Aqui é explorado mais o aspecto estético, o que dá azo para o ótimo de trabalho de direção, que é uma grande característica do Gregg Araki, enquanto que a mensagem fica nas entrelinhas, embora em alguns diálogos fique clara a intenção niilista do diretor ao abordar as reflexões sobre vida e morte, tanto humana, quanto animal, e os comportamentos que temos quando estamos diante dela. Destaque para a exploração do eufemismo quanto ao uso do número 666, que, de acordo com uma das teorias que explica o que é o satanismo, este seria caracterizado pelo individualismo exacerbado, algo largamente ventilado em toda a trama e que seria a marca daquela geração apocalítica noventista e que é também uma tendência para as gerações futuras (nada diferente do que vemos 25 anos depois do lançamento desse filme)
Pode até ser uma insustentável viagem da minha parte, mas vi no papel da Amy a intenção dela ser a representação conotativa do que seria o amor/coração das pessoas, com todo o seu egoísmo, já que os encontros nos quais todos alegam estar apaixonados por ela não têm a finalidade de trazer o aspecto denotativo da questão, sendo apenas uma forma figurativa de mostrar que as pessoas se decepcionaram com aquilo que sentiram por outrem e, dado o egoísmo das pessoas, elas sempre vão em busca da vingança sempre que os seus desejos individualistas são frustrados.
Com esse é um dos meus diretores preferidos, não duvido nada essa ter sido a sua intenção. E pra terminar, como em todos os filmes do Araki, a trilha sonora é um espetáculo à parte! Fãs de tramas hollywoodianas insossas não apreciarão a profundidade explorada nesse filme. Fica o aviso!!!!
Filme é muito mais do enxergar aquilo que reluz da tela. Se for levado em consideração apenas o enredo do filme, possivelmente a história narrada não chamará tanta atenção. Ocorre que o cinema é muito mais que uma narrativa. Há inúmeros elementos que um simples "frame" pode descrever. Gus Van Sant é um mestre. Essa técnica de não colocar cronologicamente os fatos, dando um certo "spoiler" das cenas, é magnífica. Isso também pode ser visto em outros filmes seus, como Elephant e Últimos Dias. Eu achei simplesmente um filme fantástico, pois de uma singela cena dá para se extrair muita coisa da mensagem que se quer passar. Por exemplo: o frágil vínculo afetivo entre pais e filhos se revela pela quase ausência deles no filme e, quando eles aparecem, geralmente não há um foco que nos permita recordar da cara deles. É por isso que os mais incautos ou leigos não conseguem abstrair a recheada riqueza de detalhes apresentadas nesse filme. Só o fato de trazer como assunto a juventude, os seus dilemas e o mundo do skate o longa já atraiu a minha atenção. Aí quando o diretor é Gus Van Sant, do grande Drugstore Cowboy, a satisfação se torna ainda maior!! São filmes assim que enaltecem a grandeza do que é o cinema!!!
O Brasil é bastante pobre quando o assunto é cinema que retrata a juventude e a cultura urbana dos movimentos "underground". E esse é um dos poucos filmes que aborda esse tema. Nem tanto pelo seu enredo ficcional, que até pode ser raso, mas o aspecto documental que o longa traz ínsito é valiosíssimo. Inúmeros ícones da contracultura brasileira tiveram a oportunidade de ficar imortalizados graças a essa produção, que contou com o Chorão, falecido vocalista do Charlie Brown Jr., como roteirista. Eu me sinto orgulhoso quando vejo pessoas que admiro há muito tempo fazendo um filme que retrata coisas que eu gosto, como a música, o skate, o surf, o grafite, por mais que esteja distante de ser um produção "hollywoodiana". É triste notar como as pessoas têm uma visão restrita do que é o cinema. As externas do filme são espetaculares. Aliás, em razão do contexto, que ressalta as habilidades de personagens da vida real, o filme é bem dinâmico e intenso, o que deu espaço para um ótimo trabalho de direção, arte, fotografia, edição, locação etc. Sem falar da trilha sonora do Charlie Brown Jr., que passeia em inúmeros estilos, chegando até a um certo Techno com guitarra distorcida. Foi bacana ver a homenagem a pessoas como o Taroba, Alan Mesquita, Mineirinho, Bob, Picuruta, Tubarão, Radjja, "Reverendo" Marcelo Nova, Tiririca, João Gordo, Chivitz e isso só foi possível graças à ideia do Chorão de escrever um enredo com essa finalidade. Há até uma referência/reverência ao mestre brasileiro do terror (e meu ídolo) José Mojica Marins!!!!! O elenco profissional é bastante qualificado e tem nomes do calibre de Milhem Cortaz, Chico Dias, Maria Luisa Mendonça, Juliano Cazarré, Rosanne Mulholland e o próprio Paulinho Vilhena, que faz a contento o papel do Magnata! Por tudo isso o filme já merecia pelo menos nota 4,0! Eu dei nota 4,5!
Respeito toda e qualquer opinião quando o assunto é a arte, já que esta se submete à interpretação e, consequentemente, cada um tem a sua. Mas pra mim, um fã inveterado de Heavy Metal e os seus subgêneros, sempre que algum filme falar sobre o estilo terá a minha consideração e admiração. E esse é o caso de Mudando o Destino, que adorei vê-lo!!!. Pouco importa se houve falha aqui ou ali; o mais importante é que expõe a realidade de um "metalhead", além de uma trilha sonora digno de todos os aplausos. Particularmente gostei bastante do trabalho de direção, que conseguiu se atentar para muitos detalhes interessantes! Por fim, o meu elogio maior fica por conta do poster do Sepultura na parede do quarto, que, por si, só já garante a nota 5.0!!!
Após ver o filme fica bem clara a ambiguidade do título, que é totalmente autoexplicativo. Não deixa dúvidas de que a sociedade capitalizada acabou com todo o aspecto passional do ser humano de despertar o seu lado fora dos padrões em nome da satisfação do bem-estar profissional e financeiro. A arte, cuja poesia é uma de suas formas de expressão, é uma maneira eficaz de expressar esse tipo de sentimento que lhe traz plenitude.
Esse filme é o que poderíamos dizer mais "acessível" do Mojica ao grande público; e consequentemente menos "underground". Basta ver a tímida exploração do seu terror psicológico e chocante, o elenco com nome mais conhecidos, as locações com "ares" mais amenos. Nem por isso deixa de ser interessante, embora prefira várias outras de suas obras. A ideia de explorar a metalinguagem foi genial, razão pela qual o mestre a repetiu de maneira até mais rica no filme Delírios de um Anormal, lançado pouco tempo depois. Zé do Caixão será sempre "cult" e digno de toda ovação! Descanse em paz, meu ídolo!!!
Sou suspeito pra falar dos filmes do Mojica. Pelo que eu percebo, muitos não entendem ou simplesmente ignoram certas 'riquezas" de sua obra. Basicamente o seu terror transcende a cena em si e se alastra além da tela para causar terror psicológico no próprio expectador. Porém isso é confundido com "repetição desnecessária" de certas imagens. Esse filme pra mim é um dos mais geniais do Mojica, justamente por possuir uma edição magistral, além do recurso de metalinguagem brilhantemente idealizado pelo mestre, fazendo-se misturar na trama criador e criatura. E o mais interessante de tudo é a pergunta que fica: afinal que é o anormal da história?
Não tenho qualquer interesse na obra de Paulo Coelho, embora o seu feito seja digno de todo respeito. Mas sinceramente achei muita baixa essa nota do filme, na medida em que gostei do roteiro, da direção e da forma como a história foi narrada em três partes que se desenrolam simultaneamente e sem deixar o confuso o telespectador.
No meu modo de ver o filme nem pretende aprofundar no tema a que se propõe inicialmente, e sim na relação de amor à primeira vista de dois pós-adolescentes com rotos laços familiares. Na busca desse fervor ambos passaram por várias intempéries e a curiosidade fica por conta de como terminará essa história. Um filme razoável e que despertou a minha atenção muito mais pela fotografia, locações, direção e a trilha sonora do que o roteiro em si. Mesmo assim, pra mim valeu a pena assistir.
Na época de lançamento desse filme, eu estava entrando na adolescência e era comum os canais abertos passarem nos intervalos os "trailers" de filmes. Quando vi, digamos, toda a transgressão do filme, com uma gangue tirando racha na rodovia e tocando o terror nas pessoas, num tive dúvidas e assiste ao filme. Depois, revi umas quatrocentas vezes no Cinema em Casa, até comprar o dvd em 2006, quando já não lembrava de certas partes do enredo. Por causa do filme eu e meus amigos passamos a nos chamar com os mesmos nomes da turma do Packard. Então tinha o Minty, cujo nome é falado apenas uma vez pelo xerife Loomis, o Maurice, o Rughead, além do Pack. É muita nostalgia e marca um período interessante na história do cinema, que na década de oitenta chegou ao grande público com altas doses de transgressão, fugindo do padrão do politicamente correto vigente no mainstream do cinema até então. Pra mim são antológicas certas cenas, como a introdução ao personagem do Packard com a câmera filmando a sua bota de bico fino, o grito deste chamando pela Keri, ele cortando a mão com o canivete. Enfim, Packard sempre foi um ídolo... kkkk Pra mim o grande precursor de Velozes e Furiosos, pois o Juventude Transviada não vendia a mesma emoção da adrenalina de corrida que nem The Wraith.
Que bom saber que na história do cinema tem um filme versando sobre um estilo de som do qual sou fã e narrando fatos dos quais tive o privilégio de ser contemporâneo, aumentando ainda mais a minha admiração pela sua existência. O filme conta com a assinatura de Jonas Akerlund, ex-baterista do Bathory e responsável por outra grande obra cinematográfica da qual também sou admirador, que é Spun - Sem Limites. Fico feliz que esse excelente cineasta foi o responsável por Lord of Chaos, já que o seu trabalho em Spun me deixou bastante extasiado, sobretudo graças à sua edição, que em algumas passagens tenta emular o que supostamente seria a fissura de seus personagens e a sua incansável rotina em busca de metanfetamina. Inclusive, a frase "baseado em verdades e mentiras" foi usada pela primeira vez nesse filme. Lord of Chaos, pelo menos pra mim, se reproduz a verdade ou não, pouco importa, pois nenhuma história tem apenas uma versão, além do que uma obra artística necessita de contextos periféricos que talvez na história “verdadeira” sejam desconhecidos ou não tenham ocorrido. Não bastasse isso, a fotografia é muito boa, a narrativa é envolvente e dinâmica e algumas cenas realmente impressionam e chegam a causar certa agonia pela sua ótima execução e direção empregadas, como
Para muitas pessoas assistir aos filmes do Larry Clark pode parecer algo, além de apelativo, mais do mesmo. Não para mim, que sempre me deleito em ter o privilégio de ver mais uma obra sua sendo lançada. E não foi diferente com Marfa Girl 2, já que aprecio a sua estética rock-curtição-sexo-skate-adolescência-drama. Os seus filmes, especialmente Marfa Girl 1 e 2 e Ken Park, me dão a impressão de que a exploração da realidade é vista sob outro enfoque, no qual o sexo não é tratado como tabu e sim como a fonte propulsora da vida, por mais óbvio que isso possa parecer, e, por essa razão, deve ser encarado como algo natural entre os seres. Daí esse contexto sexualizado ser abordado em aparente demasia justamente para ressaltar, dentro outros fatores, que todas as agruras que experimentamos durante a vida vêm do relacionamento sexual entre um homem e uma mulher. Vejo nisso até uma referência freudiana. Marfa Girl 2 acredito ser um dos mais explícitos filmes de Larry Clark e se passa dois anos após o primeiro, desdobrando os fatos da vida dos principais personagens. Acredito, inclusive, que ele retrate uma visão voltada pela representação niilista do viver, calcada, sobretudo, no fundamento de que o ser precisa se reproduzir, mesmo que a finalidade venha a ser o fracasso e/ou o sofrimento. Entendo que o sexo e a rotina pacata da cidade de Marfa culminam por representar um ciclo vicioso, no qual o ato sexual é uma resposta ao tédio reinante no local, que, por sua vez, gera mais pessoas que futuramente também se relacionarão sexualmente para fugir da monotonia local, já que nada mais há a fazer ali, e, assim, sucessivamente. Como na vida estamos sujeitos a todas as suas probabilidades, a obra de Larry Clark demonstra também maneiras de como tal ciclo pode ser encerrado. O bacana desse filme, principalmente nos primeiros capítulos, é observar a forma intimista com que o diretor focaliza o drama por que passam os protagonistas, cuja câmera é enquadrada em ângulos fechados para dar ênfase às suas expressões. Para muitos o desenrolar do filme pode parecer bastante lento, opinião da qual eu também compartilho, e vejo que isso corresponde a uma alegoria para ilustrar a monotonia vivida na cidade. Tanto é que essa película é uma das mais curtas feitas pelo diretor. Não bastasse a fotografia, a locação e as intrigas psicológicas vividas pelos personagens, o final fechou com chave de ouro, e resulta da relação vida-problemas-relacionamento sexual, que configura basicamente o be-a-bá do viver.
No Gogó do Paulinho
2.6 70 Assista AgoraPosso me considerar o maior fã do Paulinho Gogó. Mas não entendi esse roteiro! Não sei qual o público o filme quis atingir, pois, na minha opinião deveriam explorar as melhores piadas do personagem, que são espetaculares e inteligentes. Seria um enredo razoável se tivesse sido lançado no meio da década de 90. Mas o cinema atualmente, principalmente nessa época de "streamings", encontra-se num nível elevado, o que ofusca, e muito, a forma como retrataram o Paulinho Gogó. É uma pena! Achei Os Farofeiros bem superior.
Temporada
3.9 148 Assista AgoraA exemplo de Som ao Redor, Boi Neon e Aquarius retrata o aspecto contemplativo do cotidiano de um núcleo de pessoas. É até engraçado dizer, mas Temporada reflete exatamente o tipo de público que verá esse filme, não entenderá nada, achará uma grande porcaria e se perguntará o porquê da sua nota elevada aqui no Filmow! Na verdade é um filme bem interessante, e feito para pessoas que veem o cinema como algo muito maior que a história que se passa na tela. Gostei bastante da forma verossímil como o texto é desenvolvido, pois consegue transparecer a verdade de alguém que está nessa vida pra viver mecanicamente, fato que representa a imensa maioria das pessoas. O trabalho de câmera não deixa dúvidas do aspecto documental, pois não há cortes ou deslocamento no modo de filmar; há apenas o foco distante dos acontecimentos, como se fosse o público observando uma vida passando por inúmeras intempéries e fazendo o suficiente para o mínimo de dignidade até chegar a morte.
Ilhados
1.0 39Sou bastante corporativista quando se trata de cinema nacional, pois um filme não é apenas uma "historiazinha" passando na tela. Mas esse aqui não deu pra salvar. É difícil defender as várias falhas que apresenta. Sobretudo faltou preparação de elenco. Eu, que nem sou e nem quer ser ator, faria menos ruim que certas pessoas desse filme. É uma pena!
Boi Neon
3.6 468Filme contemplativo, a exemplo do que ocorre em Aquarius e O Som ao Redor! O propósito é emular o cotidiano dos personagens e as suas vidas meramente instintivas e com a finalidade de apenas sobreviver, embora alguns tenham os seus sonhos, como o protagonista. Daí a aparência de um filme lento, como diriam os mais incautos.
Alguém notou que em apenas um momento é falado o nome da personagem interpretado pela Maeve Jinkings?
A cena final de sexo com uma grávida, na minha interpretação, é pra lembrar que a vida só está aí para que outras vidas continuem existindo e que o propósito biológico do ser humano é apenas esse
Eles Vivem
3.7 770 Assista grátisNa minha opinião a reflexão sobre o tema retratado é muito mais importância que a história narrada! A mensagem passada faz todo sentido, já que pode ser contextualizada na ideia de que estamos aqui para fazer os ricos ficarem cada vez mais ricos, fato que tem plena pertinência na prática. Pra mim um filmão!!
Cabras da Peste
3.2 260Achei o filme bacana! Nada de especial, mas o roteiro é redondinho! O mais legal é que a gente começa a ver o filme e não sabe aonde ele vai chegar. E no final acaba tudo acaba fazendo sentido!!! O Bruceuilis foi muito bem interpretado pelo ator Edmilson Filho! É superior a muitas comédias sem-graça produzidas no mercado brasileiro.
Vício Frenético
3.1 446 Assista AgoraFilme bacana de ser visto pra quem gosta do gênero, que é o meu caso! Fotografia e atuação do Nicolas Cage de tirar o chapéu!!!!
Kids
3.5 686Grande filme, apesar das polêmicas negativas aparentemente obscuras. Esse filme inaugura esse tipo de retratação de uma juventude realmente transviada, algo que passou a ser mais explorado a partir de então. Eu, como fã do cinema de Larry Clark, vejo o filme com naturalidade (amo o filme), pois, no mínimo, conclama o espectador a refletir sobre a vida, que nem sempre está aí para ser encarada como um fantasioso mar de rosas. Lembro-me que, à época do seu lançamento, o caderno cultural da Folha de São Paulo fez uma resenha comparando as reações dos públicos brasileiros e americanos com relação à primeira cena, que é considerada, segundo o Código Penal brasileiro, como um estupro. Segundo o referido artigo, os americanos se mostraram totalmente incomodados com ela, enquanto os brasileiros a considerava engraçada. Àquela altura fiquei sem entender a mensagem retratada no jornal, pois também era adolescente e via naquilo uma reles relação sexual. Passados muitos anos revi o filme (que, diga-se de passagem, não foi sequer relançado em DVD justamente pelas polêmicas que o cerca) e consegui entender a indignação dos americanos, já que o sexo com uma adolescente de 13 anos jamais poderá ser considerado algo normal. Inclusive, no Brasil o assunto pedofilia é algo propagado com mais seriedade apenas nesse século. É impactante! Mas creio que esse foi o intuito do filme!!!! Pra mim esse é um daqueles filmes da vida pela sua ousadia.
Jovens, Loucos e Mais Rebeldes
3.3 154Ideal para quem morou em república e viveu a contento a vida universitária. Quem procura um final para o filme vai ficar a ver navios, pois é no "recheio" que está a mensagem, que, na verdade, retrata que o mais legal numa vida universitária é exatamente a diversão, como tirar sarro do outro, encher a cara, sair em baladas diferentes em dias seguidos, enfim, qualquer coisa em nome do "carpe diem". Ótimos diálogos, sobretudo filosóficos, pois traz ínsita a necessidade de autoafirmação, o significado das superstições, a competição, dentre outros. O mais bacana da película é que parece realmente ter sido concebida na época retratada (e não em 2016), devido ao ótimo trabalho de caracterização dos personagens (e a enorme quantidade deles, algo comum nos filmes oitentistas) e da cenografia, que é fantástica. É um pouco inferior ao primeiro, mas vale pelo roteiro e também como saudosismo.
Paraísos Artificiais
3.2 1,8K Assista AgoraFilmaço do cinema brasileiro!!! Locações, direção, atuações e, principalmente, o roteiro espetaculares. Essa nota baixa só pode ser porque a maioria apenas vê num filme aquilo que está na tela e com a mensagem mastigadinha, pois chuto dizer que é um dos melhores filmes do cinema nacional, especialmente por se arriscar em assuntos completamente diferentes e intocáveis por aqui. É sobretudo bem filosófico!!!
Geração Maldita
3.6 129Esse é o último da trilogia do apocalipse, como define o seu próprio diretor. Pra mim é o melhor dos três. A trama passa longe daquilo que é o cinema tradicional, no qual a mensagem é passada às claras e sem margem a grandes interpretações. Daí muitos não compreenderem o que o seu autor quis dizer. Aqui é explorado mais o aspecto estético, o que dá azo para o ótimo de trabalho de direção, que é uma grande característica do Gregg Araki, enquanto que a mensagem fica nas entrelinhas, embora em alguns diálogos fique clara a intenção niilista do diretor ao abordar as reflexões sobre vida e morte, tanto humana, quanto animal, e os comportamentos que temos quando estamos diante dela. Destaque para a exploração do eufemismo quanto ao uso do número 666, que, de acordo com uma das teorias que explica o que é o satanismo, este seria caracterizado pelo individualismo exacerbado, algo largamente ventilado em toda a trama e que seria a marca daquela geração apocalítica noventista e que é também uma tendência para as gerações futuras (nada diferente do que vemos 25 anos depois do lançamento desse filme)
Pode até ser uma insustentável viagem da minha parte, mas vi no papel da Amy a intenção dela ser a representação conotativa do que seria o amor/coração das pessoas, com todo o seu egoísmo, já que os encontros nos quais todos alegam estar apaixonados por ela não têm a finalidade de trazer o aspecto denotativo da questão, sendo apenas uma forma figurativa de mostrar que as pessoas se decepcionaram com aquilo que sentiram por outrem e, dado o egoísmo das pessoas, elas sempre vão em busca da vingança sempre que os seus desejos individualistas são frustrados.
E pra terminar, como em todos os filmes do Araki, a trilha sonora é um espetáculo à parte!
Fãs de tramas hollywoodianas insossas não apreciarão a profundidade explorada nesse filme. Fica o aviso!!!!
Paranoid Park
3.6 331 Assista AgoraFilme é muito mais do enxergar aquilo que reluz da tela. Se for levado em consideração apenas o enredo do filme, possivelmente a história narrada não chamará tanta atenção. Ocorre que o cinema é muito mais que uma narrativa. Há inúmeros elementos que um simples "frame" pode descrever. Gus Van Sant é um mestre. Essa técnica de não colocar cronologicamente os fatos, dando um certo "spoiler" das cenas, é magnífica. Isso também pode ser visto em outros filmes seus, como Elephant e Últimos Dias. Eu achei simplesmente um filme fantástico, pois de uma singela cena dá para se extrair muita coisa da mensagem que se quer passar. Por exemplo: o frágil vínculo afetivo entre pais e filhos se revela pela quase ausência deles no filme e, quando eles aparecem, geralmente não há um foco que nos permita recordar da cara deles. É por isso que os mais incautos ou leigos não conseguem abstrair a recheada riqueza de detalhes apresentadas nesse filme. Só o fato de trazer como assunto a juventude, os seus dilemas e o mundo do skate o longa já atraiu a minha atenção. Aí quando o diretor é Gus Van Sant, do grande Drugstore Cowboy, a satisfação se torna ainda maior!! São filmes assim que enaltecem a grandeza do que é o cinema!!!
O Magnata
2.7 230O Brasil é bastante pobre quando o assunto é cinema que retrata a juventude e a cultura urbana dos movimentos "underground". E esse é um dos poucos filmes que aborda esse tema. Nem tanto pelo seu enredo ficcional, que até pode ser raso, mas o aspecto documental que o longa traz ínsito é valiosíssimo. Inúmeros ícones da contracultura brasileira tiveram a oportunidade de ficar imortalizados graças a essa produção, que contou com o Chorão, falecido vocalista do Charlie Brown Jr., como roteirista.
Eu me sinto orgulhoso quando vejo pessoas que admiro há muito tempo fazendo um filme que retrata coisas que eu gosto, como a música, o skate, o surf, o grafite, por mais que esteja distante de ser um produção "hollywoodiana".
É triste notar como as pessoas têm uma visão restrita do que é o cinema. As externas do filme são espetaculares. Aliás, em razão do contexto, que ressalta as habilidades de personagens da vida real, o filme é bem dinâmico e intenso, o que deu espaço para um ótimo trabalho de direção, arte, fotografia, edição, locação etc. Sem falar da trilha sonora do Charlie Brown Jr., que passeia em inúmeros estilos, chegando até a um certo Techno com guitarra distorcida.
Foi bacana ver a homenagem a pessoas como o Taroba, Alan Mesquita, Mineirinho, Bob, Picuruta, Tubarão, Radjja, "Reverendo" Marcelo Nova, Tiririca, João Gordo, Chivitz e isso só foi possível graças à ideia do Chorão de escrever um enredo com essa finalidade. Há até uma referência/reverência ao mestre brasileiro do terror (e meu ídolo) José Mojica Marins!!!!!
O elenco profissional é bastante qualificado e tem nomes do calibre de Milhem Cortaz, Chico Dias, Maria Luisa Mendonça, Juliano Cazarré, Rosanne Mulholland e o próprio Paulinho Vilhena, que faz a contento o papel do Magnata!
Por tudo isso o filme já merecia pelo menos nota 4,0! Eu dei nota 4,5!
Mudando o Destino
3.5 173Respeito toda e qualquer opinião quando o assunto é a arte, já que esta se submete à interpretação e, consequentemente, cada um tem a sua. Mas pra mim, um fã inveterado de Heavy Metal e os seus subgêneros, sempre que algum filme falar sobre o estilo terá a minha consideração e admiração. E esse é o caso de Mudando o Destino, que adorei vê-lo!!!. Pouco importa se houve falha aqui ou ali; o mais importante é que expõe a realidade de um "metalhead", além de uma trilha sonora digno de todos os aplausos. Particularmente gostei bastante do trabalho de direção, que conseguiu se atentar para muitos detalhes interessantes! Por fim, o meu elogio maior fica por conta do poster do Sepultura na parede do quarto, que, por si, só já garante a nota 5.0!!!
Sociedade dos Poetas Mortos
4.3 2,4K Assista AgoraApós ver o filme fica bem clara a ambiguidade do título, que é totalmente autoexplicativo. Não deixa dúvidas de que a sociedade capitalizada acabou com todo o aspecto passional do ser humano de despertar o seu lado fora dos padrões em nome da satisfação do bem-estar profissional e financeiro. A arte, cuja poesia é uma de suas formas de expressão, é uma maneira eficaz de expressar esse tipo de sentimento que lhe traz plenitude.
Exorcismo Negro
3.6 44 Assista AgoraEsse filme é o que poderíamos dizer mais "acessível" do Mojica ao grande público; e consequentemente menos "underground". Basta ver a tímida exploração do seu terror psicológico e chocante, o elenco com nome mais conhecidos, as locações com "ares" mais amenos. Nem por isso deixa de ser interessante, embora prefira várias outras de suas obras. A ideia de explorar a metalinguagem foi genial, razão pela qual o mestre a repetiu de maneira até mais rica no filme Delírios de um Anormal, lançado pouco tempo depois.
Zé do Caixão será sempre "cult" e digno de toda ovação!
Descanse em paz, meu ídolo!!!
Delírios de Um Anormal
3.1 32Sou suspeito pra falar dos filmes do Mojica. Pelo que eu percebo, muitos não entendem ou simplesmente ignoram certas 'riquezas" de sua obra. Basicamente o seu terror transcende a cena em si e se alastra além da tela para causar terror psicológico no próprio expectador. Porém isso é confundido com "repetição desnecessária" de certas imagens.
Esse filme pra mim é um dos mais geniais do Mojica, justamente por possuir uma edição magistral, além do recurso de metalinguagem brilhantemente idealizado pelo mestre, fazendo-se misturar na trama criador e criatura.
E o mais interessante de tudo é a pergunta que fica: afinal que é o anormal da história?
Smiley Face: Louca de Dar Nó
3.3 220Jane F é a versão "vegana" da Christiane F...
Não Pare na Pista - A Melhor História de Paulo …
2.8 141Não tenho qualquer interesse na obra de Paulo Coelho, embora o seu feito seja digno de todo respeito. Mas sinceramente achei muita baixa essa nota do filme, na medida em que gostei do roteiro, da direção e da forma como a história foi narrada em três partes que se desenrolam simultaneamente e sem deixar o confuso o telespectador.
Clube de Compras Dallas
4.3 2,8KQue baita filme!!! Me emocionei bastante. E que atuações...
A Nova Geração De Christiane F
3.1 139No meu modo de ver o filme nem pretende aprofundar no tema a que se propõe inicialmente, e sim na relação de amor à primeira vista de dois pós-adolescentes com rotos laços familiares.
Na busca desse fervor ambos passaram por várias intempéries e a curiosidade fica por conta de como terminará essa história.
Um filme razoável e que despertou a minha atenção muito mais pela fotografia, locações, direção e a trilha sonora do que o roteiro em si. Mesmo assim, pra mim valeu a pena assistir.
A Aparição
3.3 161 Assista AgoraNa época de lançamento desse filme, eu estava entrando na adolescência e era comum os canais abertos passarem nos intervalos os "trailers" de filmes. Quando vi, digamos, toda a transgressão do filme, com uma gangue tirando racha na rodovia e tocando o terror nas pessoas, num tive dúvidas e assiste ao filme. Depois, revi umas quatrocentas vezes no Cinema em Casa, até comprar o dvd em 2006, quando já não lembrava de certas partes do enredo. Por causa do filme eu e meus amigos passamos a nos chamar com os mesmos nomes da turma do Packard. Então tinha o Minty, cujo nome é falado apenas uma vez pelo xerife Loomis, o Maurice, o Rughead, além do Pack.
É muita nostalgia e marca um período interessante na história do cinema, que na década de oitenta chegou ao grande público com altas doses de transgressão, fugindo do padrão do politicamente correto vigente no mainstream do cinema até então.
Pra mim são antológicas certas cenas, como a introdução ao personagem do Packard com a câmera filmando a sua bota de bico fino, o grito deste chamando pela Keri, ele cortando a mão com o canivete. Enfim, Packard sempre foi um ídolo... kkkk
Pra mim o grande precursor de Velozes e Furiosos, pois o Juventude Transviada não vendia a mesma emoção da adrenalina de corrida que nem The Wraith.
Mayhem: Senhores Do Caos
3.5 286 Assista AgoraQue bom saber que na história do cinema tem um filme versando sobre um estilo de som do qual sou fã e narrando fatos dos quais tive o privilégio de ser contemporâneo, aumentando ainda mais a minha admiração pela sua existência.
O filme conta com a assinatura de Jonas Akerlund, ex-baterista do Bathory e responsável por outra grande obra cinematográfica da qual também sou admirador, que é Spun - Sem Limites. Fico feliz que esse excelente cineasta foi o responsável por Lord of Chaos, já que o seu trabalho em Spun me deixou bastante extasiado, sobretudo graças à sua edição, que em algumas passagens tenta emular o que supostamente seria a fissura de seus personagens e a sua incansável rotina em busca de metanfetamina. Inclusive, a frase "baseado em verdades e mentiras" foi usada pela primeira vez nesse filme.
Lord of Chaos, pelo menos pra mim, se reproduz a verdade ou não, pouco importa, pois nenhuma história tem apenas uma versão, além do que uma obra artística necessita de contextos periféricos que talvez na história “verdadeira” sejam desconhecidos ou não tenham ocorrido. Não bastasse isso, a fotografia é muito boa, a narrativa é envolvente e dinâmica e algumas cenas realmente impressionam e chegam a causar certa agonia pela sua ótima execução e direção empregadas, como
o suicídio do Dead, o assassinato cometido pelo Faust e a própria morte do Euronymous
Marfa Girl 2
2.8 4Para muitas pessoas assistir aos filmes do Larry Clark pode parecer algo, além de apelativo, mais do mesmo. Não para mim, que sempre me deleito em ter o privilégio de ver mais uma obra sua sendo lançada. E não foi diferente com Marfa Girl 2, já que aprecio a sua estética rock-curtição-sexo-skate-adolescência-drama.
Os seus filmes, especialmente Marfa Girl 1 e 2 e Ken Park, me dão a impressão de que a exploração da realidade é vista sob outro enfoque, no qual o sexo não é tratado como tabu e sim como a fonte propulsora da vida, por mais óbvio que isso possa parecer, e, por essa razão, deve ser encarado como algo natural entre os seres.
Daí esse contexto sexualizado ser abordado em aparente demasia justamente para ressaltar, dentro outros fatores, que todas as agruras que experimentamos durante a vida vêm do relacionamento sexual entre um homem e uma mulher. Vejo nisso até uma referência freudiana.
Marfa Girl 2 acredito ser um dos mais explícitos filmes de Larry Clark e se passa dois anos após o primeiro, desdobrando os fatos da vida dos principais personagens. Acredito, inclusive, que ele retrate uma visão voltada pela representação niilista do viver, calcada, sobretudo, no fundamento de que o ser precisa se reproduzir, mesmo que a finalidade venha a ser o fracasso e/ou o sofrimento.
Entendo que o sexo e a rotina pacata da cidade de Marfa culminam por representar um ciclo vicioso, no qual o ato sexual é uma resposta ao tédio reinante no local, que, por sua vez, gera mais pessoas que futuramente também se relacionarão sexualmente para fugir da monotonia local, já que nada mais há a fazer ali, e, assim, sucessivamente.
Como na vida estamos sujeitos a todas as suas probabilidades, a obra de Larry Clark demonstra também maneiras de como tal ciclo pode ser encerrado.
O bacana desse filme, principalmente nos primeiros capítulos, é observar a forma intimista com que o diretor focaliza o drama por que passam os protagonistas, cuja câmera é enquadrada em ângulos fechados para dar ênfase às suas expressões.
Para muitos o desenrolar do filme pode parecer bastante lento, opinião da qual eu também compartilho, e vejo que isso corresponde a uma alegoria para ilustrar a monotonia vivida na cidade. Tanto é que essa película é uma das mais curtas feitas pelo diretor.
Não bastasse a fotografia, a locação e as intrigas psicológicas vividas pelos personagens, o final fechou com chave de ouro, e resulta da relação vida-problemas-relacionamento sexual, que configura basicamente o be-a-bá do viver.