durante séculos, mulheres foram chamadas de bruxas por conhecerem ervas, por não se casarem, por herdarem terras, por recusarem obediência, por serem velhas, por serem livres, por amarem outras mulheres, por serem inconvenientes. a fogueira nunca foi sobre o mal, foi sobre poder, especialmente o poder dos homens.
o que nos ensinaram com histórias infantis, com contos, com filmes, com advertências disfarçadas de fantasia, é que existe um preço para desobedecer. e nós aprendemos.
aprendemos a vigiar umas às outras, a corrigir o tom da outra, a julgar o corpo da outra, a decidir quem merece ser salva e quem pode ser queimada.
a divisão nunca foi natural, foi estratégia. porque mulheres juntas são ameaça, mas mulheres divididas sustentam o sistema que as oprime.
a bruxa má não é um desvio, ela é um aviso.
e a bruxa boa não é uma escolha, ela é uma adaptação.
no fim, nenhuma de nós escapou completamente, só ocupamos lugares diferentes na mesma narrativa que continua sendo escrita para nos conter e talvez o gesto mais radical não seja provar que somos boas ou ruins, mas recusar a história inteira. recusar o papel, recusar a divisão, recusar a obediência disfarçada de virtude.
e então, sim, aceitar o risco de sermos chamadas de loucas. porque toda mulher que rompe com a lógica que a domestica sempre foi chamada assim. e talvez não seja na loucura que nos perdemos, mas exatamente onde nos tornamos impossíveis de controlar.
“Eu só acho que há essa certa suposição de que quando um homem diz a verdade, é a verdade. E quando uma mulher como eu vou lhe dizer a verdade, eu sinto que eu tenho que negociar a forma como eu vou ser percebida. Tipo, eu sinto que há sempre a suspeita em torno de mulheres verdadeiras, a ideia de que você está exagerando”.
Adaptar um livro de fluxo de consciência é realmente difícil, entendo que o diretor não busca agradar, mas produzir incômodo, o mesmo incômodo existencial que Pessoa propõe. É menos um filme para ser assistido e mais um estado para ser habitado: melancólico, reflexivo e, acima de tudo, profundamente humano na sua incapacidade de simplesmente existir sem pensar.
"Assim, terminei como os outros da orla de gentes Naquilo a que comumente se chama: A decadência.
A decadência é a perda total da inconsciência. Mas a inconsciência é o fundamento da vida. O coração se pudesse pensar Pararia"
A frase nesse contexto ganha outro peso, é a dúvida de um homem que já perdeu demais e agora precisa decidir se ainda é possível permanecer inteiro dentro da própria dor. Não se trata mais de existir ou não existir no mundo, mas de como continuar existindo depois de perder aquilo que dava sentido à vida.
No fim, Hamnet não fala sobre Shakespeare. Fala sobre todos nós. Sobre como cada pessoa aprende, à sua maneira, a transformar a ausência em memória, em como a vida é efêmera e transitória.
Racistas e pessoas de mau caráter também envelhecem.
O que vemos é uma mulher egoísta, amarga e racista, protegida por um olhar social indulgente. Se os papéis raciais fossem invertidos nessa situação, a narrativa certamente seria outra, o enquadramento midiático, a investigação e até o julgamento social seriam radicalmente diferentes. O documentário revela como o racismo estrutural influencia quem recebe empatia e quem é automaticamente tratado como ameaça.
"Quanto mais o tempo passa, mais eu me sinto estrangeira. Cada vez mais eu tenho consciência do meu sotaque. De que minha voz é uma ofensa pro ouvido deles. Sei lá, acho que tô ficando velha, né?
Do meu ponto de vista, a “namorada” funciona como uma máscara do próprio protagonista, uma personificação do seu inconsciente: aquilo que ele desejaria ter sido, ou a versão idealizada que visita sua cabeça para escapar da própria mediocridade. Essa leitura torna crível a sensação de que boa parte do filme é um delírio interior: lembranças distorcidas, conversas que não pertencem a um presente compartilhado, e uma alternância entre ternura e miséria que sugere autoavaliação. O resultado é um filme que não oferece respostas, ele explora identidade, culpa e isolamento, convidando o espectador a decidir se assiste a um drama íntimo sobre arrependimento ou a um retrato de uma mente à beira do colapso. Acho que esse filme nos empurra para dentro da cabeça do protagonista e nos deixa lá, desconfortavelmente, sem mapa e angustiados para sair, afinal, o que acontece quando estamos em ruínas?
Bruxas
4.2 20 Assista Agoradurante séculos, mulheres foram chamadas de bruxas por conhecerem ervas, por não se casarem, por herdarem terras, por recusarem obediência, por serem velhas, por serem livres, por amarem outras mulheres, por serem inconvenientes. a fogueira nunca foi sobre o mal, foi sobre poder, especialmente o poder dos homens.
o que nos ensinaram com histórias infantis, com contos, com filmes, com advertências disfarçadas de fantasia, é que existe um preço para desobedecer. e nós aprendemos.
aprendemos a vigiar umas às outras, a corrigir o tom da outra, a julgar o corpo da outra, a decidir quem merece ser salva e quem pode ser queimada.
a divisão nunca foi natural, foi estratégia. porque mulheres juntas são ameaça, mas mulheres divididas sustentam o sistema que as oprime.
a bruxa má não é um desvio, ela é um aviso.
e a bruxa boa não é uma escolha, ela é uma adaptação.
no fim, nenhuma de nós escapou completamente, só ocupamos lugares diferentes na mesma narrativa que continua sendo escrita para nos conter e talvez o gesto mais radical não seja provar que somos boas ou ruins, mas recusar a história inteira. recusar o papel, recusar a divisão, recusar a obediência disfarçada de virtude.
e então, sim, aceitar o risco de sermos chamadas de loucas. porque toda mulher que rompe com a lógica que a domestica sempre foi chamada assim. e talvez não seja na loucura que nos perdemos, mas exatamente onde nos tornamos impossíveis de controlar.
Marina Abramovic: A Artista Está Presente
4.5 148Marina é a arte em pessoa.
The Punk Singer
4.5 51AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
“Eu só acho que há essa certa suposição de que quando um homem diz a verdade, é a verdade. E quando uma mulher como eu vou lhe dizer a verdade, eu sinto que eu tenho que negociar a forma como eu vou ser percebida. Tipo, eu sinto que há sempre a suspeita em torno de mulheres verdadeiras, a ideia de que você está exagerando”.
Eu Sou a Próxima
5.0 3"só queria que aquele monte de dor saísse do meu corpo".
Louis Theroux: Por Dentro da Machosfera
3.2 24 Assista Agoraindigesto
Filme do Desassossego
3.7 20Adaptar um livro de fluxo de consciência é realmente difícil, entendo que o diretor não busca agradar, mas produzir incômodo, o mesmo incômodo existencial que Pessoa propõe. É menos um filme para ser assistido e mais um estado para ser habitado: melancólico, reflexivo e, acima de tudo, profundamente humano na sua incapacidade de simplesmente existir sem pensar.
"Assim, terminei como os outros da orla de gentes
Naquilo a que comumente se chama:
A decadência.
A decadência é a perda total da inconsciência.
Mas a inconsciência é o fundamento da vida.
O coração se pudesse pensar
Pararia"
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.2 412 Assista Agora“Ser, ou não ser: eis a questão.”
A frase nesse contexto ganha outro peso, é a dúvida de um homem que já perdeu demais e agora precisa decidir se ainda é possível permanecer inteiro dentro da própria dor. Não se trata mais de existir ou não existir no mundo, mas de como continuar existindo depois de perder aquilo que dava sentido à vida.
No fim, Hamnet não fala sobre Shakespeare. Fala sobre todos nós. Sobre como cada pessoa aprende, à sua maneira, a transformar a ausência em memória, em como a vida é efêmera e transitória.
A Vizinha Perfeita
3.5 209 Assista AgoraRacistas e pessoas de mau caráter também envelhecem.
O que vemos é uma mulher egoísta, amarga e racista, protegida por um olhar social indulgente. Se os papéis raciais fossem invertidos nessa situação, a narrativa certamente seria outra, o enquadramento midiático, a investigação e até o julgamento social seriam radicalmente diferentes. O documentário revela como o racismo estrutural influencia quem recebe empatia e quem é automaticamente tratado como ameaça.
O Último Azul
3.7 212 Assista Agora"E o meu querer, onde é que fica?"
— Tereza
Reflexões de um Liquidificador
3.8 611 Assista AgoraNo fim, eu gostaria de um liquidificador falante, especialmente com a voz do Selton Mello. Mas não para triturar frutas, e sim verdades.
O Filho de Mil Homens
4.1 177 Assista AgoraO afeto cura.
Gênio Indomável
4.2 1,3K Assista Agora"a culpa não é sua"
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraQuanto de nós ainda sobra depois de tanta tentativa de caber?
Um Homem Diferente
3.5 171 Assista Agora"a infelicidade vem de não aceitar as coisas como elas são."
Terra Estrangeira
4.0 219 Assista Agora"Quanto mais o tempo passa, mais eu me sinto estrangeira. Cada vez mais eu tenho consciência do meu sotaque. De que minha voz é uma ofensa pro ouvido deles. Sei lá, acho que tô ficando velha, né?
28, 29, 30 esta passando tão depressa".
A Criada Proibida
1.6 11 Assista Agorafiasco total
O Telefone Preto 2
3.0 261 Assista AgoraFaltou muita coisa nesse filme, principalmente desenvolvimento do terror e terapia para o Finney
Amores Materialistas
3.1 388 Assista AgoraO amor como produto.
Presença
2.8 269 Assista AgoraParece um filme criado com baixo orçamento.
A Longa Marcha: Caminhe ou Morra
3.3 341 Assista Agorafiquei com sede só de olhar eles andando.
A Hora do Mal
3.7 1,0K Assista Agorafraco
Perfect Blue
4.3 837Satoshi é loucura pura, do jeitinho que a gente gosta.
Estou Pensando em Acabar com Tudo
3.1 1,1K Assista AgoraAcredito que essa era proposta do filme, mas, acredito que foi mal colocada no roteiro.
Do meu ponto de vista, a “namorada” funciona como uma máscara do próprio protagonista, uma personificação do seu inconsciente: aquilo que ele desejaria ter sido, ou a versão idealizada que visita sua cabeça para escapar da própria mediocridade. Essa leitura torna crível a sensação de que boa parte do filme é um delírio interior: lembranças distorcidas, conversas que não pertencem a um presente compartilhado, e uma alternância entre ternura e miséria que sugere autoavaliação. O resultado é um filme que não oferece respostas, ele explora identidade, culpa e isolamento, convidando o espectador a decidir se assiste a um drama íntimo sobre arrependimento ou a um retrato de uma mente à beira do colapso. Acho que esse filme nos empurra para dentro da cabeça do protagonista e nos deixa lá, desconfortavelmente, sem mapa e angustiados para sair, afinal, o que acontece quando estamos em ruínas?
Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito
4.2 108impossível não se emocionar com a historia do Akaza.