a gente não ama ninguém inteiro. ama uma versão que a gente consegue sustentar. há sempre um intervalo entre quem o outro é e quem a gente precisa que ele seja para que o amor faça sentido e nesse intervalo, a gente inventa. inventa motivos, inventa profundidades, inventa futuros que ainda não existem como se fossem lembranças. a gente costura silêncio com significado, olhar com promessa, ausência com desculpa. e chama isso de sentir. no começo, é bonito porque a invenção é generosa, a gente ilumina o outro com uma luz que nem sempre vem dele. mas o tempo… o tempo é um tipo de verdade. ele vai desfazendo contornos, apagando excessos, devolvendo ao outro aquilo que é dele, inclusive o que não cabe. e então resta a pergunta que ninguém faz em voz alta: você ama quem está ali ou quem você construiu para suportar o que sente?
david usou em alexis um espelho torto, usando desejo e sedução para sustentar o vazio que sente, e coloca a culpa na liberdade, já alexis só enxergava em david a intensidade.
o que mais me tocou é como o filme sugere que, às vezes, basta um pequeno deslocamento, um gesto, um encontro, uma decisão, uma conversa, para iniciar esse reencontro de volta a si mesma. não é grandioso, é humano.
quando magnus diz “essa não é a minha agneta”, há quase uma tentativa de mantê-la no lugar onde ela cabia para os outros. mas a resposta dela é o verdadeiro ponto de virada: “mas essa é a minha agneta. simplesmente, eu sou eu mesma.”
e talvez seja isso que o filme nos entrega com tanta honestidade: o direito, e a coragem, de voltar a ser quem a gente é, mesmo que isso desagrade, desloque ou desconcerte quem estava acostumado com versões mais convenientes de nós.
durante séculos, mulheres foram chamadas de bruxas por conhecerem ervas, por não se casarem, por herdarem terras, por recusarem obediência, por serem velhas, por serem livres, por amarem outras mulheres, por serem inconvenientes. a fogueira nunca foi sobre o mal, foi sobre poder, especialmente o poder dos homens.
o que nos ensinaram com histórias infantis, com contos, com filmes, com advertências disfarçadas de fantasia, é que existe um preço para desobedecer. e nós aprendemos.
aprendemos a vigiar umas às outras, a corrigir o tom da outra, a julgar o corpo da outra, a decidir quem merece ser salva e quem pode ser queimada.
a divisão nunca foi natural, foi estratégia. porque mulheres juntas são ameaça, mas mulheres divididas sustentam o sistema que as oprime.
a bruxa má não é um desvio, ela é um aviso.
e a bruxa boa não é uma escolha, ela é uma adaptação.
no fim, nenhuma de nós escapou completamente, só ocupamos lugares diferentes na mesma narrativa que continua sendo escrita para nos conter e talvez o gesto mais radical não seja provar que somos boas ou ruins, mas recusar a história inteira. recusar o papel, recusar a divisão, recusar a obediência disfarçada de virtude.
e então, sim, aceitar o risco de sermos chamadas de loucas. porque toda mulher que rompe com a lógica que a domestica sempre foi chamada assim. e talvez não seja na loucura que nos perdemos, mas exatamente onde nos tornamos impossíveis de controlar.
“Eu só acho que há essa certa suposição de que quando um homem diz a verdade, é a verdade. E quando uma mulher como eu vou lhe dizer a verdade, eu sinto que eu tenho que negociar a forma como eu vou ser percebida. Tipo, eu sinto que há sempre a suspeita em torno de mulheres verdadeiras, a ideia de que você está exagerando”.
Adaptar um livro de fluxo de consciência é realmente difícil, entendo que o diretor não busca agradar, mas produzir incômodo, o mesmo incômodo existencial que Pessoa propõe. É menos um filme para ser assistido e mais um estado para ser habitado: melancólico, reflexivo e, acima de tudo, profundamente humano na sua incapacidade de simplesmente existir sem pensar.
"Assim, terminei como os outros da orla de gentes Naquilo a que comumente se chama: A decadência.
A decadência é a perda total da inconsciência. Mas a inconsciência é o fundamento da vida. O coração se pudesse pensar Pararia"
A frase nesse contexto ganha outro peso, é a dúvida de um homem que já perdeu demais e agora precisa decidir se ainda é possível permanecer inteiro dentro da própria dor. Não se trata mais de existir ou não existir no mundo, mas de como continuar existindo depois de perder aquilo que dava sentido à vida.
No fim, Hamnet não fala sobre Shakespeare. Fala sobre todos nós. Sobre como cada pessoa aprende, à sua maneira, a transformar a ausência em memória, em como a vida é efêmera e transitória.
Racistas e pessoas de mau caráter também envelhecem.
O que vemos é uma mulher egoísta, amarga e racista, protegida por um olhar social indulgente. Se os papéis raciais fossem invertidos nessa situação, a narrativa certamente seria outra, o enquadramento midiático, a investigação e até o julgamento social seriam radicalmente diferentes. O documentário revela como o racismo estrutural influencia quem recebe empatia e quem é automaticamente tratado como ameaça.
"Quanto mais o tempo passa, mais eu me sinto estrangeira. Cada vez mais eu tenho consciência do meu sotaque. De que minha voz é uma ofensa pro ouvido deles. Sei lá, acho que tô ficando velha, né?
A Partilha
3.2 245 Assista AgoraEu gosto de mulheres.
Eu sou sapatão.
Eu sou sargento.
Fanchona.
Lésbica.
Eu colo velcro.
Eu gosto de colocar a aranha pra brigar.
Elena
4.2 1,3Kpoesia documentada
Verão de 85
3.5 186 Assista Agoranos inventamos as pessoas que amamos?
a gente não ama ninguém inteiro. ama uma versão que a gente consegue sustentar. há sempre um intervalo entre quem o outro é e quem a gente precisa que ele seja para que o amor faça sentido e nesse intervalo, a gente inventa. inventa motivos, inventa profundidades, inventa futuros que ainda não existem como se fossem lembranças. a gente costura silêncio com significado, olhar com promessa, ausência com desculpa. e chama isso de sentir. no começo, é bonito porque a invenção é generosa, a gente ilumina o outro com uma luz que nem sempre vem dele. mas o tempo… o tempo é um tipo de verdade. ele vai desfazendo contornos, apagando excessos, devolvendo ao outro aquilo que é dele, inclusive o que não cabe. e então resta a pergunta que ninguém faz em voz alta: você ama quem está ali ou quem você construiu para suportar o que sente?
david usou em alexis um espelho torto, usando desejo e sedução para sustentar o vazio que sente, e coloca a culpa na liberdade, já alexis só enxergava em david a intensidade.
Meu Nome é Agneta
3.8 11 Assista Agorao que mais me tocou é como o filme sugere que, às vezes, basta um pequeno deslocamento, um gesto, um encontro, uma decisão, uma conversa, para iniciar esse reencontro de volta a si mesma. não é grandioso, é humano.
quando magnus diz “essa não é a minha agneta”, há quase uma tentativa de mantê-la no lugar onde ela cabia para os outros. mas a resposta dela é o verdadeiro ponto de virada: “mas essa é a minha agneta. simplesmente, eu sou eu mesma.”
e talvez seja isso que o filme nos entrega com tanta honestidade: o direito, e a coragem, de voltar a ser quem a gente é, mesmo que isso desagrade, desloque ou desconcerte quem estava acostumado com versões mais convenientes de nós.
Às Vezes Quero Sumir
3.5 69A sensação de estar observando um quadro, mas na verdade o quadro é sua vida e você nao está nele.
Bruxas
4.2 20 Assista Agoradurante séculos, mulheres foram chamadas de bruxas por conhecerem ervas, por não se casarem, por herdarem terras, por recusarem obediência, por serem velhas, por serem livres, por amarem outras mulheres, por serem inconvenientes. a fogueira nunca foi sobre o mal, foi sobre poder, especialmente o poder dos homens.
o que nos ensinaram com histórias infantis, com contos, com filmes, com advertências disfarçadas de fantasia, é que existe um preço para desobedecer. e nós aprendemos.
aprendemos a vigiar umas às outras, a corrigir o tom da outra, a julgar o corpo da outra, a decidir quem merece ser salva e quem pode ser queimada.
a divisão nunca foi natural, foi estratégia. porque mulheres juntas são ameaça, mas mulheres divididas sustentam o sistema que as oprime.
a bruxa má não é um desvio, ela é um aviso.
e a bruxa boa não é uma escolha, ela é uma adaptação.
no fim, nenhuma de nós escapou completamente, só ocupamos lugares diferentes na mesma narrativa que continua sendo escrita para nos conter e talvez o gesto mais radical não seja provar que somos boas ou ruins, mas recusar a história inteira. recusar o papel, recusar a divisão, recusar a obediência disfarçada de virtude.
e então, sim, aceitar o risco de sermos chamadas de loucas. porque toda mulher que rompe com a lógica que a domestica sempre foi chamada assim. e talvez não seja na loucura que nos perdemos, mas exatamente onde nos tornamos impossíveis de controlar.
Marina Abramovic: A Artista Está Presente
4.5 148Marina é a arte em pessoa.
The Punk Singer
4.5 51AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
“Eu só acho que há essa certa suposição de que quando um homem diz a verdade, é a verdade. E quando uma mulher como eu vou lhe dizer a verdade, eu sinto que eu tenho que negociar a forma como eu vou ser percebida. Tipo, eu sinto que há sempre a suspeita em torno de mulheres verdadeiras, a ideia de que você está exagerando”.
Eu Sou a Próxima
5.0 3"só queria que aquele monte de dor saísse do meu corpo".
Louis Theroux: Por Dentro da Machosfera
3.2 28 Assista Agoraindigesto
Filme do Desassossego
3.7 20Adaptar um livro de fluxo de consciência é realmente difícil, entendo que o diretor não busca agradar, mas produzir incômodo, o mesmo incômodo existencial que Pessoa propõe. É menos um filme para ser assistido e mais um estado para ser habitado: melancólico, reflexivo e, acima de tudo, profundamente humano na sua incapacidade de simplesmente existir sem pensar.
"Assim, terminei como os outros da orla de gentes
Naquilo a que comumente se chama:
A decadência.
A decadência é a perda total da inconsciência.
Mas a inconsciência é o fundamento da vida.
O coração se pudesse pensar
Pararia"
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 427 Assista Agora“Ser, ou não ser: eis a questão.”
A frase nesse contexto ganha outro peso, é a dúvida de um homem que já perdeu demais e agora precisa decidir se ainda é possível permanecer inteiro dentro da própria dor. Não se trata mais de existir ou não existir no mundo, mas de como continuar existindo depois de perder aquilo que dava sentido à vida.
No fim, Hamnet não fala sobre Shakespeare. Fala sobre todos nós. Sobre como cada pessoa aprende, à sua maneira, a transformar a ausência em memória, em como a vida é efêmera e transitória.
A Vizinha Perfeita
3.5 210 Assista AgoraRacistas e pessoas de mau caráter também envelhecem.
O que vemos é uma mulher egoísta, amarga e racista, protegida por um olhar social indulgente. Se os papéis raciais fossem invertidos nessa situação, a narrativa certamente seria outra, o enquadramento midiático, a investigação e até o julgamento social seriam radicalmente diferentes. O documentário revela como o racismo estrutural influencia quem recebe empatia e quem é automaticamente tratado como ameaça.
O Último Azul
3.7 218 Assista Agora"E o meu querer, onde é que fica?"
— Tereza
Reflexões de um Liquidificador
3.8 611 Assista AgoraNo fim, eu gostaria de um liquidificador falante, especialmente com a voz do Selton Mello. Mas não para triturar frutas, e sim verdades.
O Filho de Mil Homens
4.1 181 Assista AgoraO afeto cura.
Gênio Indomável
4.2 1,3K Assista Agora"a culpa não é sua"
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraQuanto de nós ainda sobra depois de tanta tentativa de caber?
Um Homem Diferente
3.5 171 Assista Agora"a infelicidade vem de não aceitar as coisas como elas são."
Terra Estrangeira
4.0 219 Assista Agora"Quanto mais o tempo passa, mais eu me sinto estrangeira. Cada vez mais eu tenho consciência do meu sotaque. De que minha voz é uma ofensa pro ouvido deles. Sei lá, acho que tô ficando velha, né?
28, 29, 30 esta passando tão depressa".
A Criada Proibida
1.6 11 Assista Agorafiasco total
O Telefone Preto 2
3.0 295 Assista AgoraFaltou muita coisa nesse filme, principalmente desenvolvimento do terror e terapia para o Finney
Amores Materialistas
3.1 390 Assista AgoraO amor como produto.
Presença
2.8 270 Assista AgoraParece um filme criado com baixo orçamento.