F.D.C.P.F.: A imagem do professor é uma das que eu mais admiro, sou fascinado pela sala de aula. De inúmeros ensinamentos, o que mais me tocou foi: é necessário ter coragem e força para gritar em alto e bom som o que você pensa e defende. É preciso ir contra a corrente, driblar a necessidade de aceitação. O professor Keating prova que a única lavagem cerebral que um professor faz é jogar cândida na ignorância, no conformismo e na falta de pensamento crítico de seus alunos.
F.D.C.P.F.: A gente se apaixona pelos personagens enquanto eles mesmo se apaixonam entre si. A música sendo gerada e criada bem na nossa frente é algo tão lindo de se ver que só resta se emocionar. Fiquei muito impressionado com a atuação do Glen. Como pode essas músicas serem tão maravilhosas? "When Your Mind's Made Up" é uma coisa inexplicável. A cena final, com o piano de presente, é a coisa mais linda do mundo. Eu queria que tivesse legenda durante os diálogos em tcheco (se eu não soubesse do "eu te amo" por causa da peça seria uma perda imensa).
F.D.C.P.F.: O fan service com as referências é bacana, as reviravoltas são boas. Achei a Amari completamente dispensável na trama. O Nigel é um personagem interessantíssimo. Eles contextualizaram e atualizaram bem o roteiro. Senti a Miranda mais "fraca", mais retraída, menos Miranda Priestly, que pena! É uma boa sequência, só que nunca superará o primeiro, já nascido clássico.
F.D.C.P.F.: Lindamente filmado, magistralmente colorido. Gosto bastante da forma como o suspense é construído. Mas o plot... Bruxas? É sério? Desculpem-me, pessoal, não me pega.
F.D.C.P.F. (2ª vez): A segunda vez se torna uma grande celebração. Todos nós somos um pouco Michael: amamos música, amamos assistir a filmes musicais e amamos comer sorvete.
F.D.C.P.F.: É impressionante como a caracterização está tão bem feita. As performances são o ápice do filme, até o timbre de voz do Jaafar se assemelha bastante ao do Michael; e que maravilha é o Michael do Juliano Valdi! Mas, nem tudo são melismas: o roteiro está um tanto quanto superficial. Existiu uma escolha de priorizar a relação conturbada do Michael com seu pai. Como a Lô bem destacou, faltam as outras relações conturbadas de Michael, como, por exemplo, com a ferrenha imprensa. Eu também tenho uma questão com esse Michael imaculado que nos é apresentado, de uma ingenuidade sem tamanho. Duas coisas para se reclamar: um, o que fizeram com o álbum Bad? (eu realmente espero que o segundo filme volte um pouco antes do lançamento); dois, para mim, faltou dar o destaque devido ao Quincy Jones, o gênio por trás dos maiores álbuns do Michael. Foi deliciosa a animação do público na pré-estreia no Cine Marquise!
F.D.C.P.F.: Uma das inumeráveis coisas que eu admiro na Tina, para além do talento, da criatividade e da força, é a resiliência. É a coragem de se reinventar a todo instante. É compreender o zeitgeist; é ser a frente do seu tempo apesar do seu tempo. A mulher é uma fábrica de sucessos. E que delícia terminar com Help, é uma das minhas favoritas dela.
F.D.C.P.F.: Quem nunca errou que atire a primeira pedra. Achei que o filme propõe uma discussão super interessante. É impressionante como todo mundo se torna juiz e dono da razão no meio de polêmicas. Esse filme é um retrato sobre os pensamentos intrusivos. O que mais me pega é: numa relação a dois, quem é o outro? É possível conhecê-lo por completo? Ou apenas o tempo vai dizer? Discussão bem bacana.
F.D.C.P.F.: Que maravilha a relação entre Grace e Rocky! De fato, o ser humano não é uma ilha. Em alguns momentos, eu tive um déjà vu de Interestelar, apesar de que a principal discussão proposta seja um pouco diferente. Eu gosto do humor do filme e acho que o roteiro vai se azeitando ao longo do filme, ficando cada vez melhor. Obrigado, Hüller, pelo karaokê de "Sign of the Times". A narrativa é bem envolvente e as reviravoltas são ótimas e têm sentido. Filmaço.
F.D.C.P.F.: Humor (surpreendentemente) bom e na medida. Números musicais atraentes; ainda bem que existem os closes na cara de Marilyn durante "Diamonds Are a Girl's Best Friend". Uma gratíssima surpresa foi a Dorothy de Jane Russell. Apesar de ser uma estrela consagrada de Hollywood, eu não conhecia o trabalho dela. Acho que "Chicago" bebeu um pouco dessa fonte: uma dupla de artistas do vaudeville (uma loira e outra morena), com tribunal envolvido, um charlatão, e por aí vai...
É nítido que os famigerados “parental issues” são temas muito trabalhados no cinema, em especial nas últimas décadas. Já vimos de tudo um pouco: dúvidas sobre a maternidade, mães controladoras, pai ausente, o efeito do divórcio... a lista segue. Yorgos escolheu um assunto bem relevante para tratar com extrema (e nunca vista antes) bizarrice. Estamos falando de alienação parental.
“Dente Canino” é um filme bastante incômodo; é difícil não pensar durante o longa se realmente vale a pena estar vendo aquilo. A pergunta “qual é o sentido disso tudo?” vem à tona e não apenas uma vez. Em defesa de Yorgos, as coisas que acontecem se mostram necessárias (e, por que não, naturais) em uma atmosfera que é fundamentalmente construída na base do controle parental.
Eu achei a ideia brilhante. Há algum tempo, anotei na minha Central que eu gostaria de ver algum filme ou produção cultural que mostrasse o que aconteceria a uma pessoa se, enquanto bebê, ela fosse tratada como adulto. O que Yorgos faz é um pouco do caminho inverso: um pai de três filhos, já adultos, os trata como se o cordão umbilical não tivesse sido cortado. Privados de todo e qualquer acesso ao mundo, para eles, o mundo inteirinho é a própria casa. Tal estrutura, para se manter em pé, se apoia no desenvolvimento de um vocabulário novo e único, na ressignificação de gatos como monstros, em visitas externas com fins sexuais, em castigos com punições severas, enfim.
É muito chocante porque é inimaginável que isso possa acontecer. Um pai que decide ter total controle sobre seus filhos, por motivos que não são muito explícitos ou explicados, e que, ainda assim, gera violência, competição, ódio, fraternidade, rebelião, ajuda mútua: todos sentimentos controversos, mas muito reais. Se a hipótese era de que o mundo é um lugar ruim, vil e quebrado, nós, espectadores, somos testemunhas oculares de que o mal é inato, até porque vemos ele acontecendo na nossa frente. Não foi preciso que os filhos tivessem acesso ao mundo, o mundo já está neles.
Algumas cenas são realmente fortes, com destaque para a queda/quebra do dente canino de uma das filhas; algumas cenas são realmente inteligentes, com destaque para o vovô Sinatra; algumas cenas são realmente explícitas, e vão ficar sem destaque. Estou dizendo tudo isso (e usando o advérbio “realmente” à exaustão) para concluir que, apesar de parecer surreal, irreal, completamente fora da realidade, o que acontece naquela casa, com aqueles três irmãos, é de uma realidade, crueza, selvageria e genuinidade sem igual. Tudo sem contrato civil, apenas sob a lei da família.
Eu gostei demais do desenvolvimento da relação entre as duas irmãs e o irmão. É interessante como eles criam uma própria forma de viver quando os pais (ou melhor, o pai) não estão de olho. O final é duríssimo e, como em tantos outros filmes desse tipo, é aberto. Para finalizar, não posso deixar de dizer que o filme reverbera e a gente fica ruminando-o por alguns dias. Boatos de que ainda aparecem lapsos de cenas dele na minha mente.
F.D.C.P.F.: Essa é a fonte da qual A Substância bebeu, pelo menos no quesito montagem do filme. Deus me livre de qualquer coisa que me domine. Achei fortíssima a cena em que Harry se pergunta qual é o vício da mãe dele. Todo mundo tem um e, para levar alguém ao extremo, é só alimentá-lo. É bizarro ver o que o ser humano é capaz de fazer, consigo mesmo e com os outros, quando ele é dominado por algo (que parece até maior do que ele próprio). O nível de degradação que somos capazes de atingir é completamente assustador. No fundo, é um filme de terror sobre a autossabotagem e a ausência de domínio próprio.
F.D.C.P.F.: O filme fala por si só (e, bom, ele leva tempo para isso, mas o processo não é doloroso, garanto), então eu vou dizer só uma coisa: de que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?
F.D.C.P.F.: Vou colocar a culpa no Chalamet: acho que por causa dos últimos ocorridos na divulgação do filme, eu não consegui desassociar o ator do personagem; ou seja, foi bem difícil não me irritar com ele, e principalmente com as atitudes que ele toma filme afora. Que carinha foi esse Marty... De resto, o filme consegue empolgar em muitas cenas e é um feito por parte do diretor, embora eu não o considere exatamente memorável. A trilha sonora engrandece o filme em alguns momentos. A cena do tiroteio é excelente. Vai, admito, até que eu consegui criar alguma empatia pelo Marty na última cena...
F.D.C.P.F.: Talvez, uma das melhores coisas que o cinema nacional já produziu. Vamos falar de fotografia, aproveitando a deixa dada por Buscapé? Cidade de Deus é um baita retrato do Brasil. É uma fotografia atemporal de um país que é diverso, controverso, corrupto e, ao mesmo tempo, fiel e sincero. Valendo-se da questão da fotografia, o diretor de arte/fotografia (não sei como se diz) merece todos os parabéns. É indigesto saber que, para muitas daquelas crianças (lembrando: são crianças), não há perspectiva de vida, senão o agora. Assisti com uma banda tocando a trilha sonora ao vivo e, por motivos óbvios, todas as cenas dos bailes e festas mudaram a química do meu cérebro para sempre. Fernando Meirelles, você é o cara! Tamo junto, mermão.
F.D.C.P.F.: Sally Bowles, defendida perfeitamente por Liza Minelli, é uma das personagens femininas mais intrigantes de todos os tempos. Ela é uma mulher que, vendo seus sonhos não se realizando, cria suas próprias fantasias. Com liberalidade, é possível traçar até um diagnóstico de depressão. É uma rotina triste que ela vive. Mas também habemus comédia. Os closes na cara da Liza são impagáveis, a vontade que dá é de ficar olhando eternamente para ela. E temos plot twists. Os números musicais são deliciosos; desde que o mundo é mundo, a arte vem para dizer, mostrar, evidenciar e trazer à baila tudo aquilo que o politicamente correto, a polidez e o rabo preso da política não pode dizer. O Emcee é aquilo que todo mundo quer ser e fazer, mas não tem coragem. Foi a primeira vez que eu assisti a um filme em 35mm.
F.D.C.P.F.: O filme é ótimo; o problema é que eu não curti o plot. Tenho um sério problema com vampiros. Vi muita gente destacando as cenas de blues (e são realmente ótimas), mas é uma falácia dizer que isso não tinha sido feito antes (mando um oi para A Cor Púrpura, que, inclusive, tem um bar, o bar do Harpo, bem similar ao bar dos gêmeos). A Wunmi Mosaku rouba a cena toda vez que aparece. A trilha sonora é ótima. Uma coisa que com certeza não posso discordar é de que: por essa eu não esperava. Vampiros racistas? Ryan Coogler, estou ansioso pela próxima doideira criativa que sua mente vai produzir.
F.D.C.P.F.: Seria esse o pay per view mais duradouro da história? O conceito é genial. Eu gosto demais dessa relação criador e criatura (isso me cheira a Gepeto e Pinóquio). Em dado momento, o diretor usa como justificativa de seu programa a seguinte afirmação: "a gente aceita a realidade como ela é". Agora, se eu descobrisse que minha vida toda havia sido televisionada, não me sobraria outra alternativa a não ser surtar por completo. É curioso o ego do diretor de achar que tem controle sobre Truman - ele é um ser independente. O final é lindo. O Jim Carrey nasceu para fazer o que faz, meus parabéns. Certamente, é um filme a frente do seu tempo.
F.D.C.P.F.: Vamos tirar o elefante branco da sala: eu gostei do filme. Certo, só o final que me brochou (o que é feito no palco é bem superior). Mas, de resto, ficou bacana. Tem até algumas cenas de encher os olhos (vide funeral da Evita). Ao contrário do que parece ser a opinião geral, eu achei a Madonna uma grata surpresa. Andrew Lloyd, você é um gênio, como pode esse homem ter composto músicas tão boas? Eu tenho uma possível justificativa para eu ter curtido tanto: o meu background de amar a obra original faz com que eu goste do filme também; até porque o próprio musical tem suas dificuldades na forma de contar a história. Porém, isso não me incomoda. Para falar a bem da verdade, eu achei o filme mais elucidativo do que o musical de palco (embora eu deva dizer que muito provavelmente existam enormes ressalvas históricas, porque eu não conheço os fatos a fundo).
F.D.C.P.F.: Wes Anderson é um artista por natureza. É impressionante como ele é extremamente habilidoso em criar atmosferas únicas em seus filmes. Dá a impressão de que é tudo milimetricamente calculado (e deve ser mesmo). A história não é, sei lá, comovente, mas é gostosinha de acompanhar. Mais uma vez, eu amo a estética (visualmente, é um desbunde); amo também o sarcasmo contido no roteiro. Assistir a esse filme é uma experiência bem agradável. O "lobby boy" é um querido (e forma um fofo casal com a também querida Agatha), assim como o personagem de Ralph Fiennes.
F.D.C.P.F.: É de uma amargura tremenda e uma tristeza irrefreável esperar por um final feliz, ainda que se saiba que a chance é ínfima, e, por fim, constatar que é... não teve jeito. A guerra não deixa espaço para finais felizes, porque ela é sinônimo de destruição total. Gostei muito mesmo da escolha da direção de mostrar os vídeos reais pela tela de um celular; é o momento em que a ficha cai de uma vez por todas. Eu só conseguia pensar: gente, ela é só uma criança... Ficamos tensos junto com o Omar, que tem o senso por justiça e proatividade aguçados. É horrível o sabor que fica de que nada mais pode ser feito. As cenas finais com a mãe são brutais.
F.D.C.P.F.: Pode ser que eu tenha ido com a intenção errada para ver o filme, pois pensei que fosse me debulhar em lágrimas. A questão que ele discute, de modo extremamente natural e sutil, é mais do que válida, é essencial. Com o passar dos anos, é batata: nos transformamos nos nossos pais. Isso pode ser maravilhoso, como pode ser preocupante. O que herdamos dos nossos pais? De tudo o que eles nos ensinaram, quais valores/leis/ideias/ideais são inegociáveis? Quais deles têm valor sentimental? Tem uma parte em que a protagonista Nora diz a Rachel que ela e seu pai não conseguem se comunicar. Isso bateu tão forte, me fez pensar: qual é o obstáculo que não pode ser superado? A arte também vem como uma forma de se botar para fora tudo o que não se pode dizer em alto e bom som, ou com todas as letras. Por fim, eu quero aquela casa.
Sociedade dos Poetas Mortos
4.3 2,4K Assista AgoraF.D.C.P.F.: A imagem do professor é uma das que eu mais admiro, sou fascinado pela sala de aula. De inúmeros ensinamentos, o que mais me tocou foi: é necessário ter coragem e força para gritar em alto e bom som o que você pensa e defende. É preciso ir contra a corrente, driblar a necessidade de aceitação. O professor Keating prova que a única lavagem cerebral que um professor faz é jogar cândida na ignorância, no conformismo e na falta de pensamento crítico de seus alunos.
Apenas Uma Vez
4.0 1,4K Assista AgoraF.D.C.P.F.: A gente se apaixona pelos personagens enquanto eles mesmo se apaixonam entre si. A música sendo gerada e criada bem na nossa frente é algo tão lindo de se ver que só resta se emocionar. Fiquei muito impressionado com a atuação do Glen. Como pode essas músicas serem tão maravilhosas? "When Your Mind's Made Up" é uma coisa inexplicável. A cena final, com o piano de presente, é a coisa mais linda do mundo. Eu queria que tivesse legenda durante os diálogos em tcheco (se eu não soubesse do "eu te amo" por causa da peça seria uma perda imensa).
O Diabo Veste Prada 2
3.5 220F.D.C.P.F.: O fan service com as referências é bacana, as reviravoltas são boas. Achei a Amari completamente dispensável na trama. O Nigel é um personagem interessantíssimo. Eles contextualizaram e atualizaram bem o roteiro. Senti a Miranda mais "fraca", mais retraída, menos Miranda Priestly, que pena! É uma boa sequência, só que nunca superará o primeiro, já nascido clássico.
O Diabo Veste Prada
3.8 2,5K Assista AgoraF.D.C.P.F.: Icônico e faz com que a gente nem veja o tempo passar. As questões morais são ótimas. Não lembrava que a Miranda era traíra.
Tina
4.3 28F.D.C.P.F. (2ª vez): Eu precisava assistir novamente só para me viciar em "Ask Me How I Feel".
Suspiria
3.8 1,0K Assista AgoraF.D.C.P.F.: Lindamente filmado, magistralmente colorido. Gosto bastante da forma como o suspense é construído. Mas o plot... Bruxas? É sério? Desculpem-me, pessoal, não me pega.
Michael
3.8 341F.D.C.P.F. (2ª vez): A segunda vez se torna uma grande celebração. Todos nós somos um pouco Michael: amamos música, amamos assistir a filmes musicais e amamos comer sorvete.
Michael
3.8 341F.D.C.P.F.: É impressionante como a caracterização está tão bem feita. As performances são o ápice do filme, até o timbre de voz do Jaafar se assemelha bastante ao do Michael; e que maravilha é o Michael do Juliano Valdi! Mas, nem tudo são melismas: o roteiro está um tanto quanto superficial. Existiu uma escolha de priorizar a relação conturbada do Michael com seu pai. Como a Lô bem destacou, faltam as outras relações conturbadas de Michael, como, por exemplo, com a ferrenha imprensa. Eu também tenho uma questão com esse Michael imaculado que nos é apresentado, de uma ingenuidade sem tamanho. Duas coisas para se reclamar: um, o que fizeram com o álbum Bad? (eu realmente espero que o segundo filme volte um pouco antes do lançamento); dois, para mim, faltou dar o destaque devido ao Quincy Jones, o gênio por trás dos maiores álbuns do Michael. Foi deliciosa a animação do público na pré-estreia no Cine Marquise!
Tina
4.3 28F.D.C.P.F.: Uma das inumeráveis coisas que eu admiro na Tina, para além do talento, da criatividade e da força, é a resiliência. É a coragem de se reinventar a todo instante. É compreender o zeitgeist; é ser a frente do seu tempo apesar do seu tempo. A mulher é uma fábrica de sucessos. E que delícia terminar com Help, é uma das minhas favoritas dela.
O Drama
3.7 219 Assista AgoraF.D.C.P.F.: Quem nunca errou que atire a primeira pedra. Achei que o filme propõe uma discussão super interessante. É impressionante como todo mundo se torna juiz e dono da razão no meio de polêmicas. Esse filme é um retrato sobre os pensamentos intrusivos. O que mais me pega é: numa relação a dois, quem é o outro? É possível conhecê-lo por completo? Ou apenas o tempo vai dizer? Discussão bem bacana.
Devoradores de Estrelas
4.1 481 Assista AgoraF.D.C.P.F.: Que maravilha a relação entre Grace e Rocky! De fato, o ser humano não é uma ilha. Em alguns momentos, eu tive um déjà vu de Interestelar, apesar de que a principal discussão proposta seja um pouco diferente. Eu gosto do humor do filme e acho que o roteiro vai se azeitando ao longo do filme, ficando cada vez melhor. Obrigado, Hüller, pelo karaokê de "Sign of the Times". A narrativa é bem envolvente e as reviravoltas são ótimas e têm sentido. Filmaço.
Os Homens Preferem as Loiras
3.9 369 Assista AgoraF.D.C.P.F.: Humor (surpreendentemente) bom e na medida. Números musicais atraentes; ainda bem que existem os closes na cara de Marilyn durante "Diamonds Are a Girl's Best Friend". Uma gratíssima surpresa foi a Dorothy de Jane Russell. Apesar de ser uma estrela consagrada de Hollywood, eu não conhecia o trabalho dela. Acho que "Chicago" bebeu um pouco dessa fonte: uma dupla de artistas do vaudeville (uma loira e outra morena), com tribunal envolvido, um charlatão, e por aí vai...
Dente Canino
3.8 1,2K Assista AgoraÉ nítido que os famigerados “parental issues” são temas muito trabalhados no cinema, em especial nas últimas décadas. Já vimos de tudo um pouco: dúvidas sobre a maternidade, mães controladoras, pai ausente, o efeito do divórcio... a lista segue. Yorgos escolheu um assunto bem relevante para tratar com extrema (e nunca vista antes) bizarrice. Estamos falando de alienação parental.
“Dente Canino” é um filme bastante incômodo; é difícil não pensar durante o longa se realmente vale a pena estar vendo aquilo. A pergunta “qual é o sentido disso tudo?” vem à tona e não apenas uma vez. Em defesa de Yorgos, as coisas que acontecem se mostram necessárias (e, por que não, naturais) em uma atmosfera que é fundamentalmente construída na base do controle parental.
Eu achei a ideia brilhante. Há algum tempo, anotei na minha Central que eu gostaria de ver algum filme ou produção cultural que mostrasse o que aconteceria a uma pessoa se, enquanto bebê, ela fosse tratada como adulto. O que Yorgos faz é um pouco do caminho inverso: um pai de três filhos, já adultos, os trata como se o cordão umbilical não tivesse sido cortado. Privados de todo e qualquer acesso ao mundo, para eles, o mundo inteirinho é a própria casa. Tal estrutura, para se manter em pé, se apoia no desenvolvimento de um vocabulário novo e único, na ressignificação de gatos como monstros, em visitas externas com fins sexuais, em castigos com punições severas, enfim.
É muito chocante porque é inimaginável que isso possa acontecer. Um pai que decide ter total controle sobre seus filhos, por motivos que não são muito explícitos ou explicados, e que, ainda assim, gera violência, competição, ódio, fraternidade, rebelião, ajuda mútua: todos sentimentos controversos, mas muito reais. Se a hipótese era de que o mundo é um lugar ruim, vil e quebrado, nós, espectadores, somos testemunhas oculares de que o mal é inato, até porque vemos ele acontecendo na nossa frente. Não foi preciso que os filhos tivessem acesso ao mundo, o mundo já está neles.
Algumas cenas são realmente fortes, com destaque para a queda/quebra do dente canino de uma das filhas; algumas cenas são realmente inteligentes, com destaque para o vovô Sinatra; algumas cenas são realmente explícitas, e vão ficar sem destaque. Estou dizendo tudo isso (e usando o advérbio “realmente” à exaustão) para concluir que, apesar de parecer surreal, irreal, completamente fora da realidade, o que acontece naquela casa, com aqueles três irmãos, é de uma realidade, crueza, selvageria e genuinidade sem igual. Tudo sem contrato civil, apenas sob a lei da família.
Eu gostei demais do desenvolvimento da relação entre as duas irmãs e o irmão. É interessante como eles criam uma própria forma de viver quando os pais (ou melhor, o pai) não estão de olho. O final é duríssimo e, como em tantos outros filmes desse tipo, é aberto. Para finalizar, não posso deixar de dizer que o filme reverbera e a gente fica ruminando-o por alguns dias. Boatos de que ainda aparecem lapsos de cenas dele na minha mente.
Réquiem para um Sonho
4.3 4,4K Assista AgoraF.D.C.P.F.: Essa é a fonte da qual A Substância bebeu, pelo menos no quesito montagem do filme. Deus me livre de qualquer coisa que me domine. Achei fortíssima a cena em que Harry se pergunta qual é o vício da mãe dele. Todo mundo tem um e, para levar alguém ao extremo, é só alimentá-lo. É bizarro ver o que o ser humano é capaz de fazer, consigo mesmo e com os outros, quando ele é dominado por algo (que parece até maior do que ele próprio). O nível de degradação que somos capazes de atingir é completamente assustador. No fundo, é um filme de terror sobre a autossabotagem e a ausência de domínio próprio.
O Lobo de Wall Street
4.1 3,4K Assista AgoraF.D.C.P.F.: O filme fala por si só (e, bom, ele leva tempo para isso, mas o processo não é doloroso, garanto), então eu vou dizer só uma coisa: de que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?
Marty Supreme
3.6 361 Assista AgoraF.D.C.P.F.: Vou colocar a culpa no Chalamet: acho que por causa dos últimos ocorridos na divulgação do filme, eu não consegui desassociar o ator do personagem; ou seja, foi bem difícil não me irritar com ele, e principalmente com as atitudes que ele toma filme afora. Que carinha foi esse Marty... De resto, o filme consegue empolgar em muitas cenas e é um feito por parte do diretor, embora eu não o considere exatamente memorável. A trilha sonora engrandece o filme em alguns momentos. A cena do tiroteio é excelente. Vai, admito, até que eu consegui criar alguma empatia pelo Marty na última cena...
Cidade de Deus
4.2 1,8K Assista AgoraF.D.C.P.F.: Talvez, uma das melhores coisas que o cinema nacional já produziu. Vamos falar de fotografia, aproveitando a deixa dada por Buscapé? Cidade de Deus é um baita retrato do Brasil. É uma fotografia atemporal de um país que é diverso, controverso, corrupto e, ao mesmo tempo, fiel e sincero. Valendo-se da questão da fotografia, o diretor de arte/fotografia (não sei como se diz) merece todos os parabéns. É indigesto saber que, para muitas daquelas crianças (lembrando: são crianças), não há perspectiva de vida, senão o agora. Assisti com uma banda tocando a trilha sonora ao vivo e, por motivos óbvios, todas as cenas dos bailes e festas mudaram a química do meu cérebro para sempre. Fernando Meirelles, você é o cara! Tamo junto, mermão.
Cabaret
4.2 262F.D.C.P.F.: Sally Bowles, defendida perfeitamente por Liza Minelli, é uma das personagens femininas mais intrigantes de todos os tempos. Ela é uma mulher que, vendo seus sonhos não se realizando, cria suas próprias fantasias. Com liberalidade, é possível traçar até um diagnóstico de depressão. É uma rotina triste que ela vive. Mas também habemus comédia. Os closes na cara da Liza são impagáveis, a vontade que dá é de ficar olhando eternamente para ela. E temos plot twists. Os números musicais são deliciosos; desde que o mundo é mundo, a arte vem para dizer, mostrar, evidenciar e trazer à baila tudo aquilo que o politicamente correto, a polidez e o rabo preso da política não pode dizer. O Emcee é aquilo que todo mundo quer ser e fazer, mas não tem coragem. Foi a primeira vez que eu assisti a um filme em 35mm.
Pecadores
4.0 1,2K Assista AgoraF.D.C.P.F.: O filme é ótimo; o problema é que eu não curti o plot. Tenho um sério problema com vampiros. Vi muita gente destacando as cenas de blues (e são realmente ótimas), mas é uma falácia dizer que isso não tinha sido feito antes (mando um oi para A Cor Púrpura, que, inclusive, tem um bar, o bar do Harpo, bem similar ao bar dos gêmeos). A Wunmi Mosaku rouba a cena toda vez que aparece. A trilha sonora é ótima. Uma coisa que com certeza não posso discordar é de que: por essa eu não esperava. Vampiros racistas? Ryan Coogler, estou ansioso pela próxima doideira criativa que sua mente vai produzir.
O Show de Truman
4.2 2,7K Assista AgoraF.D.C.P.F.: Seria esse o pay per view mais duradouro da história? O conceito é genial. Eu gosto demais dessa relação criador e criatura (isso me cheira a Gepeto e Pinóquio). Em dado momento, o diretor usa como justificativa de seu programa a seguinte afirmação: "a gente aceita a realidade como ela é". Agora, se eu descobrisse que minha vida toda havia sido televisionada, não me sobraria outra alternativa a não ser surtar por completo. É curioso o ego do diretor de achar que tem controle sobre Truman - ele é um ser independente. O final é lindo. O Jim Carrey nasceu para fazer o que faz, meus parabéns. Certamente, é um filme a frente do seu tempo.
Evita
3.2 255 Assista AgoraF.D.C.P.F.: Vamos tirar o elefante branco da sala: eu gostei do filme. Certo, só o final que me brochou (o que é feito no palco é bem superior). Mas, de resto, ficou bacana. Tem até algumas cenas de encher os olhos (vide funeral da Evita). Ao contrário do que parece ser a opinião geral, eu achei a Madonna uma grata surpresa. Andrew Lloyd, você é um gênio, como pode esse homem ter composto músicas tão boas? Eu tenho uma possível justificativa para eu ter curtido tanto: o meu background de amar a obra original faz com que eu goste do filme também; até porque o próprio musical tem suas dificuldades na forma de contar a história. Porém, isso não me incomoda. Para falar a bem da verdade, eu achei o filme mais elucidativo do que o musical de palco (embora eu deva dizer que muito provavelmente existam enormes ressalvas históricas, porque eu não conheço os fatos a fundo).
O Grande Hotel Budapeste
4.2 3,0KF.D.C.P.F.: Wes Anderson é um artista por natureza. É impressionante como ele é extremamente habilidoso em criar atmosferas únicas em seus filmes. Dá a impressão de que é tudo milimetricamente calculado (e deve ser mesmo). A história não é, sei lá, comovente, mas é gostosinha de acompanhar. Mais uma vez, eu amo a estética (visualmente, é um desbunde); amo também o sarcasmo contido no roteiro. Assistir a esse filme é uma experiência bem agradável. O "lobby boy" é um querido (e forma um fofo casal com a também querida Agatha), assim como o personagem de Ralph Fiennes.
A Voz de Hind Rajab
4.2 129 Assista AgoraF.D.C.P.F.: É de uma amargura tremenda e uma tristeza irrefreável esperar por um final feliz, ainda que se saiba que a chance é ínfima, e, por fim, constatar que é... não teve jeito. A guerra não deixa espaço para finais felizes, porque ela é sinônimo de destruição total. Gostei muito mesmo da escolha da direção de mostrar os vídeos reais pela tela de um celular; é o momento em que a ficha cai de uma vez por todas. Eu só conseguia pensar: gente, ela é só uma criança... Ficamos tensos junto com o Omar, que tem o senso por justiça e proatividade aguçados. É horrível o sabor que fica de que nada mais pode ser feito. As cenas finais com a mãe são brutais.
Valor Sentimental
3.9 384 Assista AgoraF.D.C.P.F.: Pode ser que eu tenha ido com a intenção errada para ver o filme, pois pensei que fosse me debulhar em lágrimas. A questão que ele discute, de modo extremamente natural e sutil, é mais do que válida, é essencial. Com o passar dos anos, é batata: nos transformamos nos nossos pais. Isso pode ser maravilhoso, como pode ser preocupante. O que herdamos dos nossos pais? De tudo o que eles nos ensinaram, quais valores/leis/ideias/ideais são inegociáveis? Quais deles têm valor sentimental? Tem uma parte em que a protagonista Nora diz a Rachel que ela e seu pai não conseguem se comunicar. Isso bateu tão forte, me fez pensar: qual é o obstáculo que não pode ser superado? A arte também vem como uma forma de se botar para fora tudo o que não se pode dizer em alto e bom som, ou com todas as letras. Por fim, eu quero aquela casa.