Acabei o filme questionando: qual o sentido do trabalho? Sob o capitalismo, parece ser apenas para existir. A gente trabalha para sobreviver, e a sobrevivência consome tanto que não sobra tempo para desejar, sonhar ou sequer imaginar outras formas de existir. Assim como em O Último Azul, essa lógica aparece de maneira dura: a vida passa inteira dedicada ao mínimo, e o que resta na velhice são pequenas migalhas de consumo, alegrias rápidas, quase constrangedoras, que não compensam o esgotamento de uma vida inteira de trabalho.
O filme provoca quando mostra o envelhecimento como algo incômodo, um peso social financeiro, emocional e simbólico. O idoso vira excesso num sistema que só valoriza quem ainda produz. E aí a pergunta que ecoa é inevitável: o que nos espera no fim? Teremos escolha ou apenas continuidade? Sabemos mesmo o que queremos fazer até o último dia?
Nem tudo me convenceu. O formato 4:3, por exemplo, não funciona muito bem comigo. Por outro lado, a atriz principal sustenta o filme com uma força impressionante: há verdade, cansaço, delicadeza e dignidade no olhar dela, mesmo quando tudo ao redor parece falhar. O Último Azul é um espelho incômodo sobre trabalho, velhice e o pouco espaço que sobra para viver de verdade.
Pasolini pega a história clássica do Sófoles e conta do jeito dele colocando muitos silêncios, imagens fortes e um clima que me hipnotizou. Para mim serviu mais como uma experiência, pois me fez perceber em coisas bem freudianas: destino, culpa, desejo... dá pra sentir que os personagens são guiados por algo maior, quase inconsciente. Pasolini não facilita, pesa em muitos pontos, masé exatamente por isso que ele permanece.
“Rio, 40 Graus” é aquele retrato perfeito do início do Cinema Novo: câmera na rua, gente comum em primeiro plano e a cidade como personagem principal. O filme pega um dia absurdamente quente no Rio e mostra como todo mundo se cruza, se esbarra, tenta viver apesar do calor e da dureza da vida. O que mais me pega é perceber como os cinco meninos negros começam como protagonistas e, do nada, viram coadjuvantes. Porque, no fim, é assim que a sociedade sempre age com eles: empurra pra margem, pro quase invisível... Fica esse sentimento de um Rio que pulsa entre alegria e tensão, onde tem samba, tem Maracanã, tem confusão. É direto, é natural e é bem o espírito do Cinema Novo: mostrar a vida como ela é, sem maquiagem.
"O Sanatório da Clepsidra" é como entrar num sonho que não quer ser explicado, apenas vivido. O filme se organiza como o próprio inconsciente: vida e morte se atravessam, passado e presente caminham lado a lado, realidade e fantasia deixam de ser opostos. Tudo ali pulsa como Freud descreveu no livro A Interpretação dos Sonhos, quando mostrava que o inconsciente funciona por associações livres, imagens deslocadas e com sentidos que nunca aparecem de forma direta. Também é possível ver a ambivalência afetiva que Freud desenvolve em Totem e Tabu, esse amor e ódio misturados, sobretudo em relação às figuras parentais, aparece no filme como uma corrente subterrânea, movendo Józef em direção a uma culpa que ele tenta compreender. É como se todo o sanatório fosse o espaço simbólico dessa luta interna. E quando Lacan entra na conversa o filme ganha outra camada: o pai que vemos não é um homem, é uma função, um significante que organiza ou desorganiza o desejo. O sanatório nunca foi sobre recuperar alguém perdido no tempo, mas sobre enfrentar essa função paterna que retorna como enigma, fragmento, falta. No fundo, a obra mostra o inconsciente trabalhando à sua maneira: sem linearidade, sem explicação histórica, sem necessidade de coerência externa. O sanatório e suas velharias são o próprio Józef tentando se decifrar, costurando culpa, desejo e memória num tecido que, como todo sonho, continua vivo muito depois do filme terminar.
O Show de Truman é uma das obras mais brilhantes e psicologicamente profundas do cinema moderno. O que parece, à primeira vista, uma sátira televisiva, revela-se uma reflexão densa sobre identidade, controle e o olhar do outro. Do ponto de vista psicanalítico, Truman é o sujeito moldado pela vigilância e pelo desejo alheio, o homem que existe apenas enquanto é observado. Freud veria nele o retrato do indivíduo submetido ao controle social e ao recalque da própria vontade; Lacan, por sua vez, o entenderia como alguém preso no campo do Outro, tentando escapar daquilo que o define sem que ele perceba. A obra também dialoga com A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord: vivemos uma era em que o real é substituído pela imagem. Truman, nesse sentido, foi o primeiro influenciador involuntário e hoje, todos nós, com nossas câmeras e redes, participamos do mesmo teatro da aparência. A genialidade do filme está em sua atualidade desconcertante e na forma como transforma a própria psicologia humana em um ato de espetáculo. O final é uma das coisas mais inteligentes já feitas no cinema, fecha o ciclo com perfeição e reforça a ideia de que o show realmente acabou. Você não vai mais vê-lo.
Fiquei pensando no quanto o trauma é, paradoxalmente, necessário. À primeira vista, o filme é uma comédia romântica com ficção científica, mas o que pulsa ali é algo muito mais humano: a tentativa desesperada de corrigir o passado e eliminar a dor. O que mais me fascina é perceber que a narrativa mostra exatamente o contrário, pois o trauma é o que estrutura. Sem ele, não há aprendizado, não há sujeito, não há amadurecimento. O personagem acredita que pode “curar” sua história, mas ao fazer isso, perde o sentido do próprio caminho. É Psicanálise na prática: o sintoma que tentamos apagar é o mesmo que nos sustenta. Filosoficamente, O Homem do Futuro fala sobre a impossibilidade de apagar o que nos feriu, porque é na ferida que se inscreve o desejo. A viagem no tempo é só um pretexto para revelar o que todos nós, em algum nível, fazemos: voltar mentalmente ao que doeu, tentando entender onde nos perdemos. (Recordar, repetir e elaborar). No fim, o filme me lembrou que não há evolução sem dor, e que o passado, mesmo o que nos assombra é parte do que nos torna inteiros. O futuro só existe porque um dia fomos quebrados.
Achei um delírio visual e simbólico, Mãe! é um daqueles filmes que mais se sente do que se entende. A fotografia é deslumbrante, o roteiro é poético e perturbador, mas, sem uma mínima noção de quem se trata de passagens bíblicas, o espectador corre o risco de se perder completamente na alegoria. Por trás de toda metáfora religiosa (Deus, a criação, o caos, o sacrifício) existe uma pergunta mais profunda, quase psicanalítica: qual é a estrutura do desejo divino? Se Ele cria, é porque algo lhe falta. E onde há falta, há desejo... exatamente como em nós. O longa parece explorar essa inquietação freudiana/lacaniana: um Deus neurótico, movido pela necessidade de ser amado, de ser visto, de preencher o vazio com devoção e destruição. O filme não é fácil, nem tenta ser. É uma experiência que incomoda, que beira o insuportável, mas que também fascina pela beleza das imagens e pela coragem de transformar o sagrado em metáfora da própria condição humana. Em Mãe!, a criação divina e o trauma humano se encontram e o resultado é um espelho inquietante, onde o Criador e a criatura parecem sofrer do mesmo mal: o desejo infinito de completude.
A Substância é aquele tipo de filme que promete ser profundo, mas escorrega no próprio sangue. Eu até curto um bom gore, mas aqui ele vem coberto de uma camada de “freshness” que tenta disfarçar um roteiro fraco com estética e gritinhos.
A suposta crítica ao etarismo e ao sexismo até poderia render algo potente se o filme não se levasse tão a sério enquanto se perde em incoerências. A ideia de criar uma nova versão de si mesma até instiga, mas... qual o sentido de hibernar e sofrer horrores pra ver uma outra pessoa vivendo a vida que você queria? Se uma não sente o que a outra vive, não é evolução, é substituição.
Nem o marketing escapou da confusão: prometeram uma “versão mais bonita de você”, mas entregaram um clone de roteiro mal resolvido. Pra piorar, a ambientação parece um mix de décadas: o programa oitentista, o celular super atual... tudo junto e misturado, sem intenção aparente.
No fim, A Substância tenta ser ácido, mas parece diluído. É body horror pra quem quer se sentir cult, mas sem coragem de encarar o verdadeiro desconforto que o gênero exige.
Ainda Estou Aqui é mais do que um filme – é um soco no estômago que nos lembra de um dos períodos mais sombrios da história do Brasil. A ditadura militar deixou cicatrizes profundas, e o filme de Walter Salles captura essa dor com uma contenção emocional que é, ao mesmo tempo, dolorosa e poderosa. Sem exageros, a obra se comunica através de silêncios, vazios e olhares inocentes, especialmente das crianças, que carregam o peso de uma realidade que não entendem completamente. Fernanda Torres brilha em uma atuação que traduz a resistência silenciosa de tantas famílias, incluindo a minha, que viveram sob o medo e a repressão.
O filme é um testemunho necessário, não apenas para honrar quem resistiu, mas para nos lembrar do que significa viver sob o autoritarismo. Além disso, é um exemplo do talento único do cinema latino-americano, que consegue transformar dor e luta em arte com sensibilidade e força. Ainda Estou Aqui é um orgulho para o cinema brasileiro e um alerta para que nunca esqueçamos o passado, nem permitamos que ele se repita.
Única coisa mais interessante no filme são as implicações psicológicas, mas nem é pra tanto. O terror todinho foi definitivamente o filme não acabar nunca.
Um filme cheio de boas referências, seja a Mazzaropi quanto ao Cinema Paradiso, com uma direção de Luiz Alberto Pereira, uma bonita trilha sonora e uma fotografia que remonta o granulado das projeções de cinema de antes, com participações de grandes atores nacionais e ótimas performances de Matheus Nachtergaele e Gorete Milagres. Propositalmente caricato. É uma linda homenagem de amor ao cinema, ao grande Mazzaropi, à cultura caipira... pelo enredo que mais parece um read-movie jeca, onde os protagonistas saem em busca de se enxergar em um filme do Mazzaropi, mas estamos no Brasil, lugar onde cinemas são tomados por universais e fazendo jus ao monólogo inicial de que "até a roça mudou, só o pobre continua igual" é isso que acontece.
Impossível não lembrar de obras como Macabéa (de Clarice) ou do Zé do Burro, que por trás de uma cortina de inocência, comunica muito com a realidade brasileira, tocando em pontos sensíveis da sociedade de uma forma leve e cômica. Além disso, o longa traz fortes críticas sociais, trazendo pautas como a reforma agrária criticando o próprio Partido dos Trabalhadores, a situação trabalhista, as crianças de rua, o uso da mídia como arma, além de mostrar bem o preconceito contra o Jeca, tentaram falar sobre muitos assuntos num só filme e a coisa ficou bastante perdida.
É interessante perceber que os cinemas que eles acabam encontrando possuíam cartazes do primeiro X-Men e do Homem-Aranha, simbolizando a chegada do cinema internacional por aqui. As melhores cenas são as supersticiosas, isso é indiscutível! O roteiro possui muitas inconveniências, o que não anula o realismo mágico que o filme carrega, cumprindo além do que promete, me lembrou muito Cine Holliúdy que deve ter bebido bastante de Tapete Vermelho. No mais, é um filme gostoso de assistir, divertido e emocionante. Recomendo!
Sou suspeito a falar de qualquer obra do Almodóvar que seja, eu pago pau para ele e isso não me é vergonhoso de forma alguma, pois a forma que seus filmes exploram abertamente assuntos delicados que dificilmente outros diretores teriam coragem de seguir. É garantia de sempre ter uma sensação de assombro e em A Pele Que Habito não é diferente. Um longa verdadeiramente bizarro com um toque de loucura e uma trilha sonora que casa perfeitamente com tudo. A forma que a história vai se revelando é tão habitual que nem percebemos o drama digno de Almodóvar por trás de toda bizarrice.
O elenco é excelente, conseguem fazer um incomodo ser um personagem em cada cena, em especial o Antonio Banderas no papel do perturbador DR. Robert Ledgard que sustenta uma sedução estranha do personagem “cientista louco” de forma admirável. Elena Anayas entrega uma performance maravilhosa, sendo para mim, a maior.
O longa é, em si, desafiador por inteiro. Durante grande parte, o filme acontece de forma imprevisível, flertando com o suspense de quase perigo que poderia se perter de forma muito simples (um corte mal colocado; a música deslocada; um ângulo errado), poderia passar a mensagem de falta de seriedade a qualquer momento rompendo com o telespectador, mas as cenas são tratadas com o mesmo rigor que tratam o enredo e por isso o filme funciona.
É notável quanto o longa ´deixa a responsabilidade para o telespectador pensar sobre o seu impacto assim que acaba com um plot twist que há uma grande profundidade psicológica, mas que empobrece pela forma passada. O cinema poderia contribuir de formas ainda melhores que restringir a maior parte da história às mensagens e metáforas, tornando o final algo a parte.
Cada pessoa é um universo inteiro! E Coutinho se desnuda do egocentrismo, enquanto explorar o todo com as perguntas e intervenções mais simples possíveis. A forma que ele entende que as pessoas gostam de falar delas mesmas - e geralmente sentem um orgulho imenso nisso – enriquece ainda mais a obra.
Sinto que os documentários como esse são mais importantes para os entrevistados do que para o diretor em si, como um processo terapêutico de se mostrar real e compartilhar algo que agonizava enclausurado dentro de si, “Eu vivi isso!”. Escolher tantas histórias banais e marcantes fazem o filme ainda mais tocante, tudo ali merece espaço e Coutinho respeita a dor de cada um.
O longa é uma poesia! Reconhecer a vida de cada morador em seu apartamento padronizado e pequeno é uma verdadeira viagem ao íntimo do desconhecido. Pra quê? E a gente ressignifica e o todo ganha um sentido definitivo: o de conhecer mais uma vida (e isso basta).
A cidade maravilhosa, tão conhecida pelos seus encantos turísticos perde sua romantização ao enxergarmos as vidas dentro de um prédio tão simples. Essa novela é contada através de quem faz a cidade: seus figurantes. Gente que tem preconceito e é cheia de defeitos, mas que é real. O documentário é grandioso em sua realidade, mesmo com histórias um tanto irreais, mas é isso, a vida é a realidade sem idealização.
A única coisa que me chateia é o fato de que completou 20 anos agora em 2022 e ninguém se propôs a revisitar esses moradores em um projeto de comemoração.
A intenção do longa é realmente grandiosa. Não conheço o trabalho do Fuqua, mas fiquei interessado em consumir depois de assistir Emancipation. Adorei a fotografia mesclando as cenas com o preto e branco, sem falar de uma boa trilha sonora (um tanto repetitiva) e do presente que a gente recebe com a atuação do Will Smith. O homem está impecável! Se não fosse pelo ocorrido no Oscar, ele estaria concorrendo e tinha muita chance de ganhar. A forma que o ator conseguiu explorar os sentimentos do protagonista em cena, tratando de uma história tão real com essa maestria deve ter sido um trabalho difícil, o que faz de Emancipation grande, mas sai perdendo quando se compara com 12 Anos de Escravidão, por exemplo. O roteiro traz, até certo ponto, uma boa reflexão sobre o oportunismo do cristianismo em relação às colonizações, mas acaba se rendendo ao clichê próximo do final. Quando a perseguição acaba, o filme se torna um pouco arrastado e isso deve explicar o motivo de tanta gente está reclamando, o que não desmerece o longa no todo, ainda é uma boa retratação de como aconteceu o final da escravidão americana concedida pelo presidente Lincoln. Está longe de ser o melhor do gênero, mas valeu a experiência.
Acabei de assistir o filme e achei um textão de facebook com uma problematização foda, mas não achei que o filme celebra um levante popular, apenas se retro-alimenta no discurso de que o caos social instaurado pelas austeridades neoliberalistas é o bojo para o nascimento do herói máximo e personificação da lógica neoliberal e do estado burguês que vai ser necessário para sufocar esse mesmo levante (o Batman). Diria que é muito mais uma história de origem do Batman do que do próprio coringa, inclusive (e uma trama que vai justificar a necessidade de existência de batmans). Além da visão fatalista de “a humanidade é horrível, é isso, fim da História do Fukuyama”. Ou seja: não leva ninguém para lugar algum. Achei bem fraco em termos de reflexão, seria melhor ter assistido alguma coisa sobre o Bolívar.
Apesar de eu achar o roteiro mediano e as protagonistas totalmente detestáveis, ainda sim, fico encantado com tudo. A Catherine Zeta-Jones está a coisa mais linda nesse filme, e arrasa demais, ela ofusca a protagonista e o oscar de atriz coadjuvante foi merecido. O Richard Gere está maravilhoso, adorei o cinismo disfarçado de pretensão do personagem. Sem esquecer da jogada de mestre do diretor em usar nas performances uma alternação entre cenas na prisão com grandes números de Jazz, isso junto aos figurinos e coreografias resultou em algo incrível. A musicas "When You're Good to Mama" e "Cell Block Tango" são minhas favoritas. No mais, adoro a crítica social presente no longa, descrevendo a justiça como um espetáculo, falho e manipulável, com todo o clima efêmero e fútil de Chicago, o estranho fenômeno da celebridade criminosa e a questão da ambição para se chegar a fama.
Um filme rico em simplicidade e beleza. Que potência! É de uma realidade dolorosa, merece ser ecoada por aí. A história de Paloma me impactou e me fez pensar nas minhas percepções sobre o casamento de casais LGBTQIAP+ nas igrejas, que independente da minha opinião essa discussão está ligada a liberdade da prática religiosa de cada um. A igreja jamais permitiria um casamento e pela lei isso é a forma da igreja promover sua liberdade da prática da fé, culto e da liturgia. Como se num clube que estabelece a regra para seus associados, assim a igreja estabelece suas regras e dita o que pode e o que não. O que é uma pena! A dor de sermos sonhadores nos leva sempre para um caminho que nem sempre é bom, mas que precisa ter coragem de arriscar viver esse resultado. Que mesmo assim a gente possa sempre sonhar um sonho justo e alcançável. O filme passou como um sopro, tem muita cena bonita com enquadramentos típicos de filmes nordestinos. Um longa tão cru que não possui o básico dos clichês. A atriz que faz Paloma é muito carismática, merece reconhecimento e outros papéis de destaques. Me lembrou um pouco a Macabéa, personagem de Clarice interpretada pela Marcélia Cartaxo no cinema. Tudo é triste, mas que bom que a gente pode ser esperançoso pra ser quem a gente realmente quer, mesmo que doa!
Eu me sinto desconfortável durante todo o filme, muito triste ver a situação dessas meninas sem perspectivas de futuro nem nada. Deveria ter mais políticas públicas de prevenção voltada para os jovens nas periferias principalmente para as mulheres. Esse filme é um soco no estômago, mostra a realidade tão nua e crua no Brasil, muito triste!
"Pegue seus sentimentos e fuja, esconda-se! Você pode fugir, jogar no lixo, esquecer, deletar, mas tua alma vai mostrar o caminho de volta. Nada valerá a pena se você não enfrentar seus medos e cada sentimento negativo." essa foi a mensagem do filme, para mim. Além da crítica ao hedonismo, ao medo do envelhecimento, crítica aos meios de fuga da realidade, às drogas, às redes sociais, etc. E joga na cara o nosso medo de encarar a realidade!
Olhe para ela, brilhando tanto. E, no entanto, está tão sozinha.
Machista, sexista e desconfortável... A mulher foi um furacão para ter sido abordada desta forma, é agoniante ver o filme até o final. Em contraponto a direção, a fotografia, os efeitos de imagens e a atuação antológica da Ana de Armas me tiraram o chão.
Os diamantes não são eternos. As almas são! Diamantes no corpo da Marilyn eram só pedras.
Conheci o Racionais em meados de 2008, em uma época que eu estava perto da adolescência. Me lembro do meu tio ouvindo aquele som que eu não entendia a mensagem, mas tinha um medinho daquela realidade vista nos clipes. Voltei a ouvir depois de conseguir me politizar um pouco, entender melhor a mensagem escutava incansavelmente o álbum "Sobrevivendo no Inferno". Racionais MC's hoje faz parte das minhas ideias, dos meus conceitos, das minhas atitudes, dos meus ensinamentos, me fez entender como funcionava o sistema em relação as pessoas pobres que nasceram, cresceram e sobreviveram em uma periferia. A Netflix mexeu com um dos maiores grupos da música nacional, senão o maior! Racionais sempre estive lutando contra o sistema, contra o governo, contra a sociedade. As letras e seus movimentos sempre foram voltados para a destruição e a degradação dos jovens negros das periferias, da brutalidade policial, do estado, da exclusão social. Sempre mostrando as consequências do preconceito, do racismo, da miséria, da violência, do crime organizado e principalmente das drogas, soando diretamente como uma denúncia e como um protesto. O próprio Brown fala: "Nós viemos com uma missão através da música. Nossa música era um grito entalado na garganta". Olha a grandiosidade disso! São tão gigantes quanto os Doces Bárbaros, só que nada sutis. Incomodam o sistema inteiro, do governo aos policiais e os politicamente corretos. Eu, criança, me sentia incomodado. Hoje eu entendo que eles vieram para fazer incomodar e não se calar. E ai está a história dos 4 jovens negros que levaram para o mundo a realidade de um povo através da suas letras. Transformaram a dor, o ódio e a sobrevivência em poesia. Que movimento poderoso! São artísticos, políticos e tornam-se verdadeiras lendas por serem revolucionários. Conseguiram mudar muitos conceitos e desconstruir pré conceitos de muitos. Não consigo ver de maneira técnica esse documentário, pois sei que ele só potencializa e nos faz reconhecer tudo o que o grupo é. Só acredito que merecia uma série com coisas mais detalhadas, o Racionais é MC’s é muito maior que 2h de doc. Tudo é pouco, mas ainda assim: Obrigado, Netflix! Que essa voz possa ecoar ainda mais por ai, ninguém calará!
O Último Azul
3.7 213 Assista AgoraAcabei o filme questionando: qual o sentido do trabalho? Sob o capitalismo, parece ser apenas para existir. A gente trabalha para sobreviver, e a sobrevivência consome tanto que não sobra tempo para desejar, sonhar ou sequer imaginar outras formas de existir. Assim como em O Último Azul, essa lógica aparece de maneira dura: a vida passa inteira dedicada ao mínimo, e o que resta na velhice são pequenas migalhas de consumo, alegrias rápidas, quase constrangedoras, que não compensam o esgotamento de uma vida inteira de trabalho.
O filme provoca quando mostra o envelhecimento como algo incômodo, um peso social financeiro, emocional e simbólico. O idoso vira excesso num sistema que só valoriza quem ainda produz. E aí a pergunta que ecoa é inevitável: o que nos espera no fim? Teremos escolha ou apenas continuidade? Sabemos mesmo o que queremos fazer até o último dia?
Nem tudo me convenceu. O formato 4:3, por exemplo, não funciona muito bem comigo. Por outro lado, a atriz principal sustenta o filme com uma força impressionante: há verdade, cansaço, delicadeza e dignidade no olhar dela, mesmo quando tudo ao redor parece falhar. O Último Azul é um espelho incômodo sobre trabalho, velhice e o pouco espaço que sobra para viver de verdade.
A Rua da Vergonha
4.2 29 Assista AgoraEstou sem palavras. E não paro de pensar.
Édipo Rei
3.8 55Pasolini pega a história clássica do Sófoles e conta do jeito dele colocando muitos silêncios, imagens fortes e um clima que me hipnotizou. Para mim serviu mais como uma experiência, pois me fez perceber em coisas bem freudianas: destino, culpa, desejo... dá pra sentir que os personagens são guiados por algo maior, quase inconsciente. Pasolini não facilita, pesa em muitos pontos, masé exatamente por isso que ele permanece.
Rio, 40 Graus
3.9 103 Assista Agora“Rio, 40 Graus” é aquele retrato perfeito do início do Cinema Novo: câmera na rua, gente comum em primeiro plano e a cidade como personagem principal. O filme pega um dia absurdamente quente no Rio e mostra como todo mundo se cruza, se esbarra, tenta viver apesar do calor e da dureza da vida. O que mais me pega é perceber como os cinco meninos negros começam como protagonistas e, do nada, viram coadjuvantes. Porque, no fim, é assim que a sociedade sempre age com eles: empurra pra margem, pro quase invisível... Fica esse sentimento de um Rio que pulsa entre alegria e tensão, onde tem samba, tem Maracanã, tem confusão. É direto, é natural e é bem o espírito do Cinema Novo: mostrar a vida como ela é, sem maquiagem.
O Sanatório da Clepsidra
4.0 29"O Sanatório da Clepsidra" é como entrar num sonho que não quer ser explicado, apenas vivido. O filme se organiza como o próprio inconsciente: vida e morte se atravessam, passado e presente caminham lado a lado, realidade e fantasia deixam de ser opostos. Tudo ali pulsa como Freud descreveu no livro A Interpretação dos Sonhos, quando mostrava que o inconsciente funciona por associações livres, imagens deslocadas e com sentidos que nunca aparecem de forma direta. Também é possível ver a ambivalência afetiva que Freud desenvolve em Totem e Tabu, esse amor e ódio misturados, sobretudo em relação às figuras parentais, aparece no filme como uma corrente subterrânea, movendo Józef em direção a uma culpa que ele tenta compreender. É como se todo o sanatório fosse o espaço simbólico dessa luta interna. E quando Lacan entra na conversa o filme ganha outra camada: o pai que vemos não é um homem, é uma função, um significante que organiza ou desorganiza o desejo. O sanatório nunca foi sobre recuperar alguém perdido no tempo, mas sobre enfrentar essa função paterna que retorna como enigma, fragmento, falta. No fundo, a obra mostra o inconsciente trabalhando à sua maneira: sem linearidade, sem explicação histórica, sem necessidade de coerência externa. O sanatório e suas velharias são o próprio Józef tentando se decifrar, costurando culpa, desejo e memória num tecido que, como todo sonho, continua vivo muito depois do filme terminar.
O Show de Truman
4.2 2,7K Assista AgoraO Show de Truman é uma das obras mais brilhantes e psicologicamente profundas do cinema moderno. O que parece, à primeira vista, uma sátira televisiva, revela-se uma reflexão densa sobre identidade, controle e o olhar do outro. Do ponto de vista psicanalítico, Truman é o sujeito moldado pela vigilância e pelo desejo alheio, o homem que existe apenas enquanto é observado. Freud veria nele o retrato do indivíduo submetido ao controle social e ao recalque da própria vontade; Lacan, por sua vez, o entenderia como alguém preso no campo do Outro, tentando escapar daquilo que o define sem que ele perceba. A obra também dialoga com A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord: vivemos uma era em que o real é substituído pela imagem. Truman, nesse sentido, foi o primeiro influenciador involuntário e hoje, todos nós, com nossas câmeras e redes, participamos do mesmo teatro da aparência. A genialidade do filme está em sua atualidade desconcertante e na forma como transforma a própria psicologia humana em um ato de espetáculo. O final é uma das coisas mais inteligentes já feitas no cinema, fecha o ciclo com perfeição e reforça a ideia de que o show realmente acabou. Você não vai mais vê-lo.
O Homem do Futuro
3.7 2,5K Assista AgoraFiquei pensando no quanto o trauma é, paradoxalmente, necessário. À primeira vista, o filme é uma comédia romântica com ficção científica, mas o que pulsa ali é algo muito mais humano: a tentativa desesperada de corrigir o passado e eliminar a dor. O que mais me fascina é perceber que a narrativa mostra exatamente o contrário, pois o trauma é o que estrutura. Sem ele, não há aprendizado, não há sujeito, não há amadurecimento. O personagem acredita que pode “curar” sua história, mas ao fazer isso, perde o sentido do próprio caminho. É Psicanálise na prática: o sintoma que tentamos apagar é o mesmo que nos sustenta. Filosoficamente, O Homem do Futuro fala sobre a impossibilidade de apagar o que nos feriu, porque é na ferida que se inscreve o desejo. A viagem no tempo é só um pretexto para revelar o que todos nós, em algum nível, fazemos: voltar mentalmente ao que doeu, tentando entender onde nos perdemos. (Recordar, repetir e elaborar). No fim, o filme me lembrou que não há evolução sem dor, e que o passado, mesmo o que nos assombra é parte do que nos torna inteiros. O futuro só existe porque um dia fomos quebrados.
Mãe!
4.0 3,9K Assista AgoraAchei um delírio visual e simbólico, Mãe! é um daqueles filmes que mais se sente do que se entende. A fotografia é deslumbrante, o roteiro é poético e perturbador, mas, sem uma mínima noção de quem se trata de passagens bíblicas, o espectador corre o risco de se perder completamente na alegoria. Por trás de toda metáfora religiosa (Deus, a criação, o caos, o sacrifício) existe uma pergunta mais profunda, quase psicanalítica: qual é a estrutura do desejo divino? Se Ele cria, é porque algo lhe falta. E onde há falta, há desejo... exatamente como em nós. O longa parece explorar essa inquietação freudiana/lacaniana: um Deus neurótico, movido pela necessidade de ser amado, de ser visto, de preencher o vazio com devoção e destruição. O filme não é fácil, nem tenta ser. É uma experiência que incomoda, que beira o insuportável, mas que também fascina pela beleza das imagens e pela coragem de transformar o sagrado em metáfora da própria condição humana. Em Mãe!, a criação divina e o trauma humano se encontram e o resultado é um espelho inquietante, onde o Criador e a criatura parecem sofrer do mesmo mal: o desejo infinito de completude.
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraA Substância é aquele tipo de filme que promete ser profundo, mas escorrega no próprio sangue. Eu até curto um bom gore, mas aqui ele vem coberto de uma camada de “freshness” que tenta disfarçar um roteiro fraco com estética e gritinhos.
A suposta crítica ao etarismo e ao sexismo até poderia render algo potente se o filme não se levasse tão a sério enquanto se perde em incoerências. A ideia de criar uma nova versão de si mesma até instiga, mas... qual o sentido de hibernar e sofrer horrores pra ver uma outra pessoa vivendo a vida que você queria? Se uma não sente o que a outra vive, não é evolução, é substituição.
Nem o marketing escapou da confusão: prometeram uma “versão mais bonita de você”, mas entregaram um clone de roteiro mal resolvido. Pra piorar, a ambientação parece um mix de décadas: o programa oitentista, o celular super atual... tudo junto e misturado, sem intenção aparente.
No fim, A Substância tenta ser ácido, mas parece diluído. É body horror pra quem quer se sentir cult, mas sem coragem de encarar o verdadeiro desconforto que o gênero exige.
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraAinda Estou Aqui é mais do que um filme – é um soco no estômago que nos lembra de um dos períodos mais sombrios da história do Brasil. A ditadura militar deixou cicatrizes profundas, e o filme de Walter Salles captura essa dor com uma contenção emocional que é, ao mesmo tempo, dolorosa e poderosa. Sem exageros, a obra se comunica através de silêncios, vazios e olhares inocentes, especialmente das crianças, que carregam o peso de uma realidade que não entendem completamente. Fernanda Torres brilha em uma atuação que traduz a resistência silenciosa de tantas famílias, incluindo a minha, que viveram sob o medo e a repressão.
O filme é um testemunho necessário, não apenas para honrar quem resistiu, mas para nos lembrar do que significa viver sob o autoritarismo. Além disso, é um exemplo do talento único do cinema latino-americano, que consegue transformar dor e luta em arte com sensibilidade e força. Ainda Estou Aqui é um orgulho para o cinema brasileiro e um alerta para que nunca esqueçamos o passado, nem permitamos que ele se repita.
Ó Paí, Ó 2
2.5 84fico tão ruim que dá pra dizer que nunca existiu perto da obra prima que é o primeiro.
M3GAN
3.0 889Única coisa mais interessante no filme são as implicações psicológicas, mas nem é pra tanto. O terror todinho foi definitivamente o filme não acabar nunca.
Tapete Vermelho
3.8 281 Assista AgoraUm filme cheio de boas referências, seja a Mazzaropi quanto ao Cinema Paradiso, com uma direção de Luiz Alberto Pereira, uma bonita trilha sonora e uma fotografia que remonta o granulado das projeções de cinema de antes, com participações de grandes atores nacionais e ótimas performances de Matheus Nachtergaele e Gorete Milagres. Propositalmente caricato. É uma linda homenagem de amor ao cinema, ao grande Mazzaropi, à cultura caipira... pelo enredo que mais parece um read-movie jeca, onde os protagonistas saem em busca de se enxergar em um filme do Mazzaropi, mas estamos no Brasil, lugar onde cinemas são tomados por universais e fazendo jus ao monólogo inicial de que "até a roça mudou, só o pobre continua igual" é isso que acontece.
Impossível não lembrar de obras como Macabéa (de Clarice) ou do Zé do Burro, que por trás de uma cortina de inocência, comunica muito com a realidade brasileira, tocando em pontos sensíveis da sociedade de uma forma leve e cômica. Além disso, o longa traz fortes críticas sociais, trazendo pautas como a reforma agrária criticando o próprio Partido dos Trabalhadores, a situação trabalhista, as crianças de rua, o uso da mídia como arma, além de mostrar bem o preconceito contra o Jeca, tentaram falar sobre muitos assuntos num só filme e a coisa ficou bastante perdida.
É interessante perceber que os cinemas que eles acabam encontrando possuíam cartazes do primeiro X-Men e do Homem-Aranha, simbolizando a chegada do cinema internacional por aqui. As melhores cenas são as supersticiosas, isso é indiscutível! O roteiro possui muitas inconveniências, o que não anula o realismo mágico que o filme carrega, cumprindo além do que promete, me lembrou muito Cine Holliúdy que deve ter bebido bastante de Tapete Vermelho. No mais, é um filme gostoso de assistir, divertido e emocionante. Recomendo!
A Pele que Habito
4.2 5,2KSou suspeito a falar de qualquer obra do Almodóvar que seja, eu pago pau para ele e isso não me é vergonhoso de forma alguma, pois a forma que seus filmes exploram abertamente assuntos delicados que dificilmente outros diretores teriam coragem de seguir. É garantia de sempre ter uma sensação de assombro e em A Pele Que Habito não é diferente. Um longa verdadeiramente bizarro com um toque de loucura e uma trilha sonora que casa perfeitamente com tudo. A forma que a história vai se revelando é tão habitual que nem percebemos o drama digno de Almodóvar por trás de toda bizarrice.
O elenco é excelente, conseguem fazer um incomodo ser um personagem em cada cena, em especial o Antonio Banderas no papel do perturbador DR. Robert Ledgard que sustenta uma sedução estranha do personagem “cientista louco” de forma admirável. Elena Anayas entrega uma performance maravilhosa, sendo para mim, a maior.
O longa é, em si, desafiador por inteiro. Durante grande parte, o filme acontece de forma imprevisível, flertando com o suspense de quase perigo que poderia se perter de forma muito simples (um corte mal colocado; a música deslocada; um ângulo errado), poderia passar a mensagem de falta de seriedade a qualquer momento rompendo com o telespectador, mas as cenas são tratadas com o mesmo rigor que tratam o enredo e por isso o filme funciona.
É notável quanto o longa ´deixa a responsabilidade para o telespectador pensar sobre o seu impacto assim que acaba com um plot twist que há uma grande profundidade psicológica, mas que empobrece pela forma passada. O cinema poderia contribuir de formas ainda melhores que restringir a maior parte da história às mensagens e metáforas, tornando o final algo a parte.
Edifício Master
4.3 397 Assista AgoraCada pessoa é um universo inteiro! E Coutinho se desnuda do egocentrismo, enquanto explorar o todo com as perguntas e intervenções mais simples possíveis. A forma que ele entende que as pessoas gostam de falar delas mesmas - e geralmente sentem um orgulho imenso nisso – enriquece ainda mais a obra.
Sinto que os documentários como esse são mais importantes para os entrevistados do que para o diretor em si, como um processo terapêutico de se mostrar real e compartilhar algo que agonizava enclausurado dentro de si, “Eu vivi isso!”. Escolher tantas histórias banais e marcantes fazem o filme ainda mais tocante, tudo ali merece espaço e Coutinho respeita a dor de cada um.
O longa é uma poesia! Reconhecer a vida de cada morador em seu apartamento padronizado e pequeno é uma verdadeira viagem ao íntimo do desconhecido. Pra quê? E a gente ressignifica e o todo ganha um sentido definitivo: o de conhecer mais uma vida (e isso basta).
A cidade maravilhosa, tão conhecida pelos seus encantos turísticos perde sua romantização ao enxergarmos as vidas dentro de um prédio tão simples. Essa novela é contada através de quem faz a cidade: seus figurantes.
Gente que tem preconceito e é cheia de defeitos, mas que é real. O documentário é grandioso em sua realidade, mesmo com histórias um tanto irreais, mas é isso, a vida é a realidade sem idealização.
A única coisa que me chateia é o fato de que completou 20 anos agora em 2022 e ninguém se propôs a revisitar esses moradores em um projeto de comemoração.
Filho da Mãe
4.4 138 Assista AgoraDoeu demais, doeu de novo!
Emancipation - Uma História de Liberdade
3.8 144 Assista AgoraA intenção do longa é realmente grandiosa. Não conheço o trabalho do Fuqua, mas fiquei interessado em consumir depois de assistir Emancipation. Adorei a fotografia mesclando as cenas com o preto e branco, sem falar de uma boa trilha sonora (um tanto repetitiva) e do presente que a gente recebe com a atuação do Will Smith. O homem está impecável! Se não fosse pelo ocorrido no Oscar, ele estaria concorrendo e tinha muita chance de ganhar. A forma que o ator conseguiu explorar os sentimentos do protagonista em cena, tratando de uma história tão real com essa maestria deve ter sido um trabalho difícil, o que faz de Emancipation grande, mas sai perdendo quando se compara com 12 Anos de Escravidão, por exemplo. O roteiro traz, até certo ponto, uma boa reflexão sobre o oportunismo do cristianismo em relação às colonizações, mas acaba se rendendo ao clichê próximo do final. Quando a perseguição acaba, o filme se torna um pouco arrastado e isso deve explicar o motivo de tanta gente está reclamando, o que não desmerece o longa no todo, ainda é uma boa retratação de como aconteceu o final da escravidão americana concedida pelo presidente Lincoln. Está longe de ser o melhor do gênero, mas valeu a experiência.
Coringa
4.4 4,1K Assista AgoraAcabei de assistir o filme e achei um textão de facebook com uma problematização foda, mas não achei que o filme celebra um levante popular, apenas se retro-alimenta no discurso de que o caos social instaurado pelas austeridades neoliberalistas é o bojo para o nascimento do herói máximo e personificação da lógica neoliberal e do estado burguês que vai ser necessário para sufocar esse mesmo levante (o Batman). Diria que é muito mais uma história de origem do Batman do que do próprio coringa, inclusive (e uma trama que vai justificar a necessidade de existência de batmans). Além da visão fatalista de “a humanidade é horrível, é isso, fim da História do Fukuyama”. Ou seja: não leva ninguém para lugar algum.
Achei bem fraco em termos de reflexão, seria melhor ter assistido alguma coisa sobre o Bolívar.
Chicago
4.0 1,0KApesar de eu achar o roteiro mediano e as protagonistas totalmente detestáveis, ainda sim, fico encantado com tudo. A Catherine Zeta-Jones está a coisa mais linda nesse filme, e arrasa demais, ela ofusca a protagonista e o oscar de atriz coadjuvante foi merecido. O Richard Gere está maravilhoso, adorei o cinismo disfarçado de pretensão do personagem. Sem esquecer da jogada de mestre do diretor em usar nas performances uma alternação entre cenas na prisão com grandes números de Jazz, isso junto aos figurinos e coreografias resultou em algo incrível. A musicas "When You're Good to Mama" e "Cell Block Tango" são minhas favoritas. No mais, adoro a crítica social presente no longa, descrevendo a justiça como um espetáculo, falho e manipulável, com todo o clima efêmero e fútil de Chicago, o estranho fenômeno da celebridade criminosa e a questão da ambição para se chegar a fama.
Paloma
3.8 69Um filme rico em simplicidade e beleza. Que potência! É de uma realidade dolorosa, merece ser ecoada por aí. A história de Paloma me impactou e me fez pensar nas minhas percepções sobre o casamento de casais LGBTQIAP+ nas igrejas, que independente da minha opinião essa discussão está ligada a liberdade da prática religiosa de cada um. A igreja jamais permitiria um casamento e pela lei isso é a forma da igreja promover sua liberdade da prática da fé, culto e da liturgia. Como se num clube que estabelece a regra para seus associados, assim a igreja estabelece suas regras e dita o que pode e o que não. O que é uma pena!
A dor de sermos sonhadores nos leva sempre para um caminho que nem sempre é bom, mas que precisa ter coragem de arriscar viver esse resultado. Que mesmo assim a gente possa sempre sonhar um sonho justo e alcançável.
O filme passou como um sopro, tem muita cena bonita com enquadramentos típicos de filmes nordestinos. Um longa tão cru que não possui o básico dos clichês. A atriz que faz Paloma é muito carismática, merece reconhecimento e outros papéis de destaques. Me lembrou um pouco a Macabéa, personagem de Clarice interpretada pela Marcélia Cartaxo no cinema.
Tudo é triste, mas que bom que a gente pode ser esperançoso pra ser quem a gente realmente quer, mesmo que doa!
Sonhos Roubados
3.2 294 Assista AgoraEu me sinto desconfortável durante todo o filme, muito triste ver a situação dessas meninas sem perspectivas de futuro nem nada. Deveria ter mais políticas públicas de prevenção voltada para os jovens nas periferias principalmente para as mulheres. Esse filme é um soco no estômago, mostra a realidade tão nua e crua no Brasil, muito triste!
O Congresso Futurista
3.9 299 Assista Agora"Pegue seus sentimentos e fuja, esconda-se! Você pode fugir, jogar no lixo, esquecer, deletar, mas tua alma vai mostrar o caminho de volta. Nada valerá a pena se você não enfrentar seus medos e cada sentimento negativo." essa foi a mensagem do filme, para mim. Além da crítica ao hedonismo, ao medo do envelhecimento, crítica aos meios de fuga da realidade, às drogas, às redes sociais, etc. E joga na cara o nosso medo de encarar a realidade!
Blonde
2.6 450 Assista AgoraOlhe para ela, brilhando tanto.
E, no entanto, está tão sozinha.
Machista, sexista e desconfortável... A mulher foi um furacão para ter sido abordada desta forma, é agoniante ver o filme até o final. Em contraponto a direção, a fotografia, os efeitos de imagens e a atuação antológica da Ana de Armas me tiraram o chão.
Os diamantes não são eternos. As almas são!
Diamantes no corpo da Marilyn eram só pedras.
Racionais: Das Ruas de São Paulo Pro Mundo
4.4 166Conheci o Racionais em meados de 2008, em uma época que eu estava perto da adolescência. Me lembro do meu tio ouvindo aquele som que eu não entendia a mensagem, mas tinha um medinho daquela realidade vista nos clipes. Voltei a ouvir depois de conseguir me politizar um pouco, entender melhor a mensagem escutava incansavelmente o álbum "Sobrevivendo no Inferno". Racionais MC's hoje faz parte das minhas ideias, dos meus conceitos, das minhas atitudes, dos meus ensinamentos, me fez entender como funcionava o sistema em relação as pessoas pobres que nasceram, cresceram e sobreviveram em uma periferia.
A Netflix mexeu com um dos maiores grupos da música nacional, senão o maior! Racionais sempre estive lutando contra o sistema, contra o governo, contra a sociedade. As letras e seus movimentos sempre foram voltados para a destruição e a degradação dos jovens negros das periferias, da brutalidade policial, do estado, da exclusão social. Sempre mostrando as consequências do preconceito, do racismo, da miséria, da violência, do crime organizado e principalmente das drogas, soando diretamente como uma denúncia e como um protesto. O próprio Brown fala: "Nós viemos com uma missão através da música. Nossa música era um grito entalado na garganta". Olha a grandiosidade disso!
São tão gigantes quanto os Doces Bárbaros, só que nada sutis. Incomodam o sistema inteiro, do governo aos policiais e os politicamente corretos. Eu, criança, me sentia incomodado. Hoje eu entendo que eles vieram para fazer incomodar e não se calar. E ai está a história dos 4 jovens negros que levaram para o mundo a realidade de um povo através da suas letras. Transformaram a dor, o ódio e a sobrevivência em poesia. Que movimento poderoso! São artísticos, políticos e tornam-se verdadeiras lendas por serem revolucionários. Conseguiram mudar muitos conceitos e desconstruir pré conceitos de muitos.
Não consigo ver de maneira técnica esse documentário, pois sei que ele só potencializa e nos faz reconhecer tudo o que o grupo é. Só acredito que merecia uma série com coisas mais detalhadas, o Racionais é MC’s é muito maior que 2h de doc. Tudo é pouco, mas ainda assim: Obrigado, Netflix!
Que essa voz possa ecoar ainda mais por ai, ninguém calará!