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Com dois blocos bem definidos, o principal possui uma força de atração maior, enquanto fica nesse jogo implícito de emoções e reações, e no suspense dos conflitos. É um filme que se sai bem nessa sedução do despir, e consegue criar o impacto da instabilidade.
Já no segundo bloco… ladeira a baixo. Visualmente me pareceu querer soar como um drama europeu, mas é mais um produto de mercado querendo mimetizar um drama europeu - nesse bloco, a câmera tremida é desastrosa. O implícito dá lugar para o explícito, e, além de haver um abismo entre a atuação de Olivia Colman e Jessie Buckley, os conflitos tentam ser profundos, mas apenas cumprem o objetivo de explicitar o drama vivido pela protagonista do primeiro bloco.
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Da sequência "Cruzeiro e Atlético": o filme trabalha com símbolos fáceis, fáceis e funcionais; o que eu considero como positivo em um pretenso diálogo com uma periferia criada (intelectual e imageticamente) pela TV. Os zooms panorâmicos e os planos fixos criam uma ambiguidade entre uma encenação fictícia, e uma encenação pseudo-documental - neste sentido, a obra não se enquadra em sua totalidade com o atual realismo mineiro.
Foi impactante ver em tela coisas como: o retrato de uma periferia que ascende a classe média alta, mas que apenas veste uma máscara de elite; a força coercitiva que as famílias possuem, e o seu desmembramento; a superação de valores antiquados; e o destino desses novos valores; etc.
Em sua construção desconstrutiva, o filme se sai bem, e fez com que eu chegasse ao final esperando por um desfecho eruptivo. Não rolou.
Espero que o telescópio seja um meio para o vislumbre de novos horizontes; de novas utopias.