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Certa vez, em uma artroscopia de joelho, acordei da anestesia no meio da operação com o médico-cirurgião falando para uma das enfermeiras: “É que eu sou especialista em quadril, não de joelho”. Nunca tive certeza se esse diálogo realmente aconteceu ou se foi um devaneio da sedação. Depois de assistir esse filme, tenho certeza que foi real.
Sobre o filme: confesso que cogitei sair no início da sessão, mas logo fiquei hipnotizado e horas depois não conseguia pensar em outra coisa senão no filme. Das experiências mais intensas que já tive em uma sala de cinema.
Acho que nem se eu presenciasse um ao vivo, iria acreditar tanto em milagres quanto acredito assistindo a esse filme. Parece que há algo nas imagens que vai além da materialidade da luz impressa na película. Não sei exatamente o que é, só sei que poucos conseguem sugerir essa presença em cena — e talvez ninguém tenha feito isso de forma tão assombrosa quanto Dreyer nesse filme. Dos maiores já feitos.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
O privilégio racial e de classe sob a ótica do amadurecimento infanto-juvenil, a transição entre períodos históricos que invade a subjetividade familiar, o neoliberalismo de Reagan apoderando-se das instituições. Na impossibilidade de uma resolução com justiça, evidencia-se a frágil constituição moral de toda uma geração.
Apesar de toda força da abordagem sociopolítica, segue impressionando o domínio de Gray sobre o drama familiar. Após a conversa com o avô no parque, é devastador o peso com que Gray filma a mãe a observar aquela situação à distância pelo carro. Dá pra sentir sua dor tanto quanto na cena em que Joaquin Phoenix, também pelo carro, vê seu pai morrer em Os Donos da Noite. Outro paralelo com a própria filmografia do diretor vem do fascínio das crianças com a exploração espacial, remetendo ao tema de A Cidade Perdida de Z: diante da sensação de falência e descrença com seu próprio mundo, só resta sonhar em explorar novos lugares.