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Verity foi um dos livros que li na pandemia. Lembro de não ter gostado tanto, era um hype tremendo. Todo mundo falava que esse livro era incrível e maravilhoso. Eis que aqui, como pouquíssimas vezes na vida, me deparei com um filme que é melhor do que o livro.
Muitas escolhas me incomodaram. Eu não consigo comprar as ideias da Dakota Johnson em nada. Achei que o filme tem um “que” de querer ter um glamour que deixou tudo meio aleatório e tirou a força da fotografia, que é boa.
Agora, minha gente, o roteiro é cheio de reviravoltas e ele faz um jazz na sua cabeça, que poucas vezes senti no cinema. Não posso negar. Poucas vezes vi um roteiro tão injusto e cru.
Fica difícil falar mais sem dar spoilers, mas vou tentar.
É injusto com a Harper, óbvio. É injusto com a Lowen, que entra falida e sai carregando um segredo que não é dela. É injusto com a Verity, que passou a vida sendo vista como monstro por escrever o pior pensamento que teve. E é injusto com a gente, espectador, pq nunca tem uma resposta limpa de quem mente.
Não tem mocinha pra gente se esconder. Tem três adultos fazendo escolhas horríveis pra sobreviver ao próprio desejo. Igual na vida, né? Tem gente que faz escolhas bem diferentes das que as mocinhas fariam quando estão numa situação limite.
Achei as mudanças do livro para o filme bem interessantes. No livro a Verity tem mais filhos, a Lowen é sonâmbula - o que nos dá outra perspectiva do que pode estar acontecendo na trama, o manuscrito é muito mais pesado e detalhado no livro e a maior novidade do filme, é um beijo entre as duas. Que é uma cena belíssima, diga-se de passagem. Realmente achei que coube muito e deixou tudo mais interessante.
O que torna Verity diferente, pra mim, é o como o filme aborda o lado do vilão. Quem escreve nesse filme, escreve tanto sobre vilãs que realmente viram vilãs. E essa escolha, de alguma forma, nos torna cúmplices de tudo.
Não tem resposta limpa, só tem gente tentando sobreviver ao que quer e não pode ter.
PS: Sou time carta!
“Hana, se você não parar de se punir, vai destruir tudo de bom na sua vida!”
Fui pesquisar o que é saccharine e é um adoçante. Um pó branco que finge que é açúcar. Fez todo sentido. Fez vários sentidos. São tantas camadas…
Sério, esse filme caminha por vários lugares diferentes mas ele é bom. Não diria que é exatamente o meu tipo de filme, mas é bom.
Primeiro vem um drama recheado de um certo mistério, depois um terror sobrenatural, depois um body horror e termina no nojo. Mas é um filme sáfico. Ao mesmo tempo que são muitos elementos, tudo conversa, de alguma forma, funciona.
Hana, estudante de medicina, apaixonada pela personal trainer, descobre uma pílula de emagrecimento que funciona muito rápido e vc pode continuar comendo o que quiser e o quanto quiser que continua perdendo peso. Só que quanto mais ela emagrece, mais cresce o fantasma do filme.
Vivemos numa cultura que ensina a gente a estar em guerra com o próprio corpo. Uma cultura de comparação. Aquela sensação de se medir o tempo todo, de achar que seu corpo, sua vida precisa encolher pra caber no que o outro tem ou é. É muito cruel. E o filme explora isso de uma forma incrível.
O que me pegou muito foi o fato de ser um filme queer sobre distúrbio alimentar. Adorei a representatividade pq criou outra camada de comparação: querer ser magra pra agradar outra mulher. Sempre é a menina querendo agradar o cara e aqui o tema foi explorado de forma bem diferente e interessante.
Saccharine é um filme que não tem vergonha de te deixar desconfortável e como é pra isso que serve o horror, é uma boa pedida.
O filme te obriga a ver o quanto a gente aceita se corroer por dentro pra ser palatável por fora. O corpo fica pequeno. O fantasma fica enorme. E é por isso que o filme funciona.
É sobre o quanto da gente a gente engole pra caber.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
“Até os serial killers vivem perto de alguém...”
Esse tinha tudo pra ser perfeito. Não é ruim, mas falta muito. Tem todos os ingredientes que eu amo: verão de 84, interior dos EUA, quatro amigos de bicicleta, trilha sonora legal (tem até “the cure”) e tem mistério na rua de trás. Mas… falta a magia.
Se esse filme tivesse sido feito pelo Spielberg, meu rei, teria sido perfeito.
A direção é competente, mas é fria. Onde o Spielberg colocaria encanto, aqui fica só o voyeurismo. A câmera observa, mas não acredita nas crianças e o filme acaba sofrendo com tudo isso.
O roteiro tem boas sacadas, principalmente em não deixar o detetive mirim virar um grande herói no final. O último ato é corajoso e tira qualquer conforto. Ele não te dá um herói, ele te lembra que ser adolescente é complexo demais.
Mas até chegar lá, falta algo que faz vc torcer de verdade. Os personagens são arquétipos certinhos, o suspense demora pra engrenar e quando engrena, acaba rápido.
É um bom filme de gênero, bem fotografado, com uma trilha ótima, mas que nunca vira aquele filme que vc lembra com carinho. Falta o coração. Vale pela estética e pelo final amargo, que poucos filmes adolescentes têm coragem de fazer.