Engraçadinha - Seus Amores e Seus Pecados

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Engraçadinha - Seus Amores e Seus Pecados (1995)
Engraçadinha - Seus Amores e Seus Pecados
Média do filme: 3.9 de 5 — baseado em 565 votos
MÉDIAFILMOW
3.9
565 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
País de origem Brasil 🇧🇷
Duração 640 min (10h40)
Status Streaming

Duração

640 minutos
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Sinopse

A descoberta do amor provoca inúmeros acontecimentos na vida da sensual Engraçadinha (Alessandra Negrini e Claudia Raia), filha do moralista Deputado Arnaldo(Claudio Correa e Castro). Aos 18 anos, ela encanta a todos em sua cidade. Seu ar inocente desperta a paixão até de sua melhor amiga, Letícia (Maria Luisa Mendonça), noiva de Sílvio (Ângelo Antônio), primo de Engraçadinha. Um perigoso triângulo amoroso se forma quando Engraçadinha se apaixona por Sílvio. Quando o Deputado Arnaldo descobre a paixão da filha, uma inesperada revelação irá mudar o destino de todos.
Um dos maiores dramaturgos brasileiros está de volta, em uma de suas mais polêmicas obras. Engraçadinha é uma superprodução da TV Globo, sucesso de público e crítica, que leva até você o universo controvertido e genial de Nelson Rodrigues

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Comentários 0
amigos querem ver
jordisonfrancisco
Jordison
5 meses atrás

A HISTÓRIA DA CRENTE PECADORA QUE SE TORNOU A MINISSÉRIE MAIS OUSADA DA HISTÓRIA DA TV BRASILEIRA!

O ano era 1994, o Boni, que era o todo poderoso da TV Globo, estava com os cabelos em pé. Quando o Carlos Manga chegou com a ideia de adaptar Nelson Rodrigues, o Boni foi curto e grosso:

"Não dá, Manga. Nelson não cabe na TV. Ou a gente corta tudo e estraga a obra, ou a gente bota no ar e o Brasil vem abaixo".

Mas o Manga era teimoso. Ele sabia que o brasileiro tem um fascínio pelo proibido. Ele convenceu a cúpula dizendo que faria algo artístico e elegante.

Com o sinal verde, no dia 25 de abril de 1995, estreava "Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados", exibida em 20 capítulos que se tornaram um grande sucesso de audiência.

A minissérie, baseada no folhetim "Asfalto Selvagem" de Nelson Rodrigues, levou para a faixa nobre um nível de erotismo, nudez e bizarrices que entrou para a história como um marco irrepetível.

A história de Engraçadinha é um soco no estômago da moral brasileira. Tudo começa nos anos 1940, em Vitória, com um boato que parou a cidade: diziam que a jovem Engraçadinha, interpretada com um magnetismo perigoso pela Alessandra Negrini, tinha um caso com o próprio pai. O escândalo era tamanho que o padre foi tirar satisfação com ela em pleno velório do patriarca.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Mas a verdade era uma bizarrice ainda maior. O fogo de Engraçadinha era pelo irmão, Silvio. Eles se consumiam numa paixão animal.
No meio desse caos, ainda tinha a Letícia, a prima de Engraçadinha, que era perdidamente apaixonada por ela, vivendo uma homossexualidade sufocada e obsessiva.

Quando a verdade do incesto explode, Silvio, louco de culpa, pega uma navalha e se castra, morrendo logo depois. O pai, vendo o rastro de sangue, se suicida.

Vinte anos se passam e a série dá um salto.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Agora vivida por Cláudia Raia, Engraçadinha ressurge no Rio de Janeiro como uma evangélica fervorosa. Ela se refugiou na bíblia, tornando-se a Irmã Engraçadinha da igreja Batista.

Ela agora é tão "santa" que não fica nua nem para o marido. O sexo com o marido é algo sujo, feito só no escuro e por obrigação.

Enquanto ela prega a moralidade, sua filha adolescente Silene seduz homens e flerta com o perigo, exatamente como a mãe fazia no passado.

A máscara de santidade cai em um momento profano: debaixo de um temporal, a "irmã" impecável se rende ao instinto e acaba se entregando a um homem no meio da lama.

Enquanto a Irmã Engraçadinha tenta manter sua fachada de santidade, o passado volta para assombrá-la através do filho, Durval, fruto daquele pecado original com o irmão castrado. Durval cresce obcecado pela própria mãe, alimentando um desejo incestuoso que a deixa apavorada.

Para piorar, a filha Silene se envolve com Leleco, um rapaz de gangue que vive um conflito de sexualidade explosivo; num surto de masculinidade tóxica, ele chega a assassinar brutalmente um jovem que tentou fazer sexo com ele, escancarando uma homossexualidade violenta e reprimida em pleno horário nobre.

No meio desse turbilhão de aparências, o passado bate à porta com o retorno de Letícia. A prima, que nunca deixou de amar Engraçadinha, ressurge para desestabilizar o mundo de "santidade" da agora crente fervorosa. Letícia volta como um espelho de tudo o que Engraçadinha tentou enterrar, trazendo consigo a mesma obsessão de outrora, mas agora voltando seus olhos também para as filhas da protagonista.

Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados foi um terremoto que marcou a TV brasileira.

A verdade é que uma série dessas jamais seria feita hoje em dia. O clima de patrulhamento e a sensibilidade das redes sociais transformariam cada episódio em um escândalo nacional. De um lado, temos o choque dos conservadores, que veriam na figura da "Irmã Engraçadinha" um ataque direto à fé e à família. Do outro, temos o filtro do politicamente correto, que dificilmente aceitaria a crueza da trama.

danilof
Freitas
½
8 meses atrás

É boa, mas é impressão muito ou foi muito capítulo pra pouca história? O desfecho também me pareceu um tanto anti-climático.

icarofilmow
Ícaro
1 ano atrás

Link para assistir online
https://ok.ru/video/1828117678667

jordisonfrancisco
Jordison
1 ano atrás

Interessante observar como a minissérie Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados, lançada em 1995 pela Rede Globo, consegue ser ainda tão atual se analisada ao lado do tenebroso cenário social brasileiro da contemporaneidade. Dividida em duas fases, uma no Espírito Santo e outra no Rio de Janeiro, a trama inspirada no romance Asfalto Selvagem, do excepcional Nelson Rodrigues, conta ao longo de 20 episódios de 30 minutos, a trajetória de Engraçadinha, uma jovem cheia de desejos, acossados numa sociedade hipócrita e repressora. O fanatismo religioso, em especial, é a temática motriz desta produção que mescla elementos da tragédia com as humoradas cenas do cotidiano, justaposição de abordagens que poucos fizeram tão bem quanto o mestre da dramaturgia e dos contos, ponto de partida literário para essa tradução levada ao suporte semiótico televisivo, sob direção de Denise Saraceni e João Henrique Jardim.

Na primeira fase, temos Engraçadinha pela interpretação de Alessandra Negrini, uma jovem mulher sedutora, com requintes de mulher fatal, avassaladora sexualmente, magnética com o seu poder de atração. Filha de um deputado falso moralista, o senhor Arnaldo (Cláudio Corrêa e Castro), a moça causa desconforto em sua amiga Letícia (Maria Luísa Mendonça), jovem que também anseia muitas coisas, dentre elas, Engraçadinha, além de perturbar a mente de Zózimo (Pedro Paulo Rangel), seu companheiro que parece ser incapaz de conseguir “dar conta” das chamas que tomam a personagem. Não bastasse, ela ainda flerta com Sílvio (Ângelo Antônio), relação ousada que será catalisação para uma das primeiras tragédias da minissérie quando o seu pai, atordoado ao descobrir o caso entre os jovens, revela que ele na verdade é seu filho, não sobrinho. Por ter cometido incesto com Engraçadinha, Sílvio se mata. Peculiarmente. Algo fálico.

Diante da situação, 17 anos se passam. Engraçadinha agora é uma mulher adulta, na maturidade, ainda muito atraente, mas recatada, numa interpretação adequada e muito eficiente de Cláudia Raia, atriz que até então, tinha se dedicado quase que exclusivamente ao campo da comédia mais escrachada. Reprimida pela sociedade que parece ter calcificado os seus desejos intensos e fatais da juventude, Engraçadinha agora vive com o seu marido, Zózimo (Leonardo Campos), no Rio de Janeiro. A sua trajetória no Espírito Santo agora é assunto do passado, supostamente esquecido. Protestante, a personagem ataca constantemente os anseios pecaminosos ao seu redor, questionando comportamentos e colocando limites em sua filha, Silene (Mylla Christie), garota carismática e com atitudes liberais que lembram muito o seu estilo de vida na juventude, algo que a assusta bastante. Por isso, um de seus projetos diários é colocar a jovem no devido lugar, contendo os desejos que parecem querer explodir da adolescente.

Assim, nesta produção criada por Leopoldo Serran, roteirista que teve apoio de Carlos Gerbase no processo adaptativo, Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados vai nos mostrar que em materiais emulados do universo de Nelson Rodrigues, não há espaço para a hipocrisia vencer. Se isso ocorre, temos um forte jogo de ironia. Ao ter alguns contatos com o seu passado, manobras do destino que tomam a protagonista de assalto, memórias serão retomadas e a exuberância de antes ganha novo fôlego para se projetar. Com a chegada de várias distrações, em especial, Luís Cláudio (Alexandre Borges), Engraçadinha perceberá que, tal como dito no popular, quem tem limite é cartão de crédito. E por isso, ela colocará para fora o que estava guardado há eras, numa trama onde a sexualidade se torna uma obsessão e a derrocada social de figuras que aparentam ser coisas que, de fato, estão longe de ser.

Visto hoje, parece mais ácido e corrosivo que em 1995, afinal, vivemos uma nova era de trevas em nosso tecido social que mais parece um farrapo, não é mesmo? Com texto bem escrito e desempenhos dramáticos que conseguem atrair o espectador para os conflitos apresentados durante cada bloco narrativo, a minissérie contou com os figurinos de Helena Gastal, a mesma de Presença de Anita, profissional que sabe exatamente como construir o visual de personagens ousadas sem precisar de recorrer aos excessos. Na concepção cenográfica, a produção capricha nos objetos que representam as dimensões psicológicas e sociais dos personagens, delineando cada um conforme as suas características. Em linhas gerais, visto hoje, é um material com direção de arte cafona, próprio do sistema televisivo de produção, mas adequado para o conteúdo dramático exposto nesta minissérie ousada para a sua época e ainda mais polêmica se observada em nossa conservadora dinâmica contemporânea.

nota : 4/5 (Ótimo)

editado
kauanamora
Kauan
4 anos atrás

"Darling, só te peço uma coisa: acredita no meu amor. É amor e não tara. Na hora de morrer, eu não mentiria. É amor, darling, só amor. Para sempre! Já morri e é amor. Eu sempre te amei. Letícia".

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