Eu tinha muito medo que esse fosse o resultado e deveria já esperar isso, mas eu quis criar esperanças porque eu amo Michael Jackson desde criança e acho que ele merecia um filme a sua altura. Mas este não é tal filme. Acho que, a esse ponto, podemos afirmar com segurança que "Bohemian Rhapsody" é realmente um dos filmes mais influentes da nossa época recente, e eu não digo isso como um elogio. Mesmo apesar de todos os seus defeitos, o filme arrecadou quase um bilhão de dólares e saiu com 4 Oscars, e é só isso que importa pros estúdios, e por isso tivemos um monte de imitações de um filme que até tinha qualidades, mas todas as piores lições foram aprendidas deles e tudo que ele tinha de ruim foi replicado a exaustão. E “Michael” talvez seja o ápice supremo disso, um “Bohemian Rhapsody” 2.0. Não por ser a pior cinebiografia musical que existe, mas por ser o exemplo perfeito de tudo que está errado com esse subgênero nos dias atuais. Esse suposto filme não tem absolutamente nada a dizer ou fazer sobre o artista, nem como pessoa e nem como artista, e também parece zero interessado em nada disso. É um grande show de cosplay, uma imitação, feita para celebrar seu legado e nada mais. Se tivesse a cara dura de se apresentar como apenas isso e nada mais eu o julgaria dessa forma, mas ele não tem pois ele insiste em dizer que é um filme, portanto o julgarei como tal. Ele até se preocupa em recriar essas performances e shows icônicos com cuidado e até que faz um bom trabalho nisso, mas primeiro, isso é o básico que se espera, e segundo, ele não tem mais nada a oferecer além disso. Se eu quisesse ver essas performances, eu poderia simplesmente ir ao YouTube e ver as originais, e se o intuito é só celebrar a arte dele eu também faria o mesmo. Isso deveria ser apenas a cereja do bolo, e não a única coisa no prato. Eles poderiam ter feito um baita filme, com algo realmente relevante a mostrar, algo a dizer e ter um genuíno toque cinematográfico sobre o Michael, sem deixar de lado tudo isso. Eles apenas optaram por não fazê-lo ou foram obrigados a não fazê-lo, e o resultado é apenas desinteressante cinematograficamente.
Mesmo para os padrões baixos dessas cinebiografias recentes, essa aqui é ainda mais preguiçosa, genérica, vazia e tediosa do que o habitual. Como diabos você faz um filme do Michael Jackson e consegue torná-lo chato? É inacreditável. Tudo o que isso tem a dizer é: "Ele era uma lenda né?". E me desculpem, mas isso não rende um filme e soa mais como um mero artifício de publicidade. E quando digo isso, eu não quero dizer que quero que o filme retrate ele de uma forma específica ou faça alguma uma representação escandalosa dele, de forma nenhuma. Só quero dizer que queria um filme que o tratasse e o explorasse como um ser humano. Eu quero conhecer essa pessoa, quero explorar quem está por trás da lenda, quero ver a história explorar temas em cima de tudo, ver as dinâmicas interessantes ao seu redor e das pessoas em sua vida, seus dias bons e ruins, suas decepções e triunfos, etc. Eu só queria ver um filme de verdade sobre ele, que através da exploração das lentes do cinema realmente trouxesse à tona a pessoa que nos trouxe tamanho legado inesquecível. Mas o longa não está interessado em ser cinema, ele tem muito pouco interesse em ser alguma coisa além de um recriar um apanhado de obviedades. O Michael não é retratado como um ser humano, ninguém aqui é. São todos estereótipos caricatos, santos e demônios, gênios e farsantes completos. Nada parece ou tem sensação de ser real, não há profundidade psicológica ou emocional nenhuma aqui, é tudo performático e falso, apelando em um sentimentalismo forçado. E a estrutura da história é literalmente uma lista de clichês velhos executados da maneira mais banal possível, seguindo pontos da Wikipédia da maneira mais apressada imaginável. O filme todo segue a base de passar uma montagem de coisas acontecendo conforme o tempo passa, ter uma cena melodramática rápida e rasa, e ter uma apresentação musical e aí repete, só isso. É uma experiência tediosa, vazia, protocolar, desesperadamente higienizada e segura, com medo de tomar qualquer risco criativo e de ser audaciosa, tudo que a arte do Michael nunca foi.
Tem alguma coisa que salva aqui? Algumas. O Jaafar Jackson certamente está muito dedicado no papel e ele fez tudo certo em relação ao que lhe é pedido, tenho zero críticas a ele e se algum vestígio de vida aparece em tela é por causa dele, mesmo que o filme em si não peça nada dele como ator além de ser um cover glorioso. Também destaco o jovem ator que interpreta o Michael quando criança, Juliano Krue Valdi, que tá uma graça e esbanja presença. O Colman Domingo sofre mais da extrema caricatura de como retratam a crueldade de seu personagem, que foi cruel na vida real também, mas seja lá que humanidade levou a ele ser esse monstro, este longa também não tem interesse em explorar. Dito isso, ainda é o Colman Domingo e ele faz bem com o que pode com o que lhe é pedido. E de novo, o cuidado na recriação das icônicas performances musicais do artista está presente aqui, mesmo que severamente atrapalhados por uma direção pobre e uma montagem caótica. Eu nunca fui uma mega fã do Antoine Fuqua mas também nunca desgostei dele também, mas fato era que eu sempre achei ele a escolha errada pra esse projeto e eu estava certa. Adoraria que ele me provasse o contrário, mas o desleixo dele presente em seus longas mais recentes está presente aqui também, há zero estilo ou flair de energia interessante na maneira como ele dirige esse filme. Talvez não tenha sido culpa dele e sim da mão pesada de um monte de gente que supervisionou ele até os montes? Talvez, mas eu não tenho essa resposta e ele é creditado como diretor então, é assim que é. E a montagem, embora não seja tão ruim quanto a de “Bohemian Rhapsody” que é do mesmo editor daqui, ainda mantém muitos dos mesmos problemas de lá como o excesso interminável de cortes para tudo como se fosse um videoclipe, e o excesso de vezes que corta pra plateia gritando enche o saco e tira o ritmo das performances. Há também um uso de CGI bem falso, um elenco coadjuvante completamente apagado e até pessoas reais da vida do Michael completamente excluídas do filme no caso da Janet Jackson, diálogos novelescos e há zero indícios de que essa produção custou 200 milhões de dólares. Até deixar pra uma sequência no estilo Marvel eles fazem, chega a ser uma piada, especialmente porque o filme nem final tem ele simplesmente para. Tava esperando dizer no final “Michael retornará em Vingadores: Doomsday”.
É gente, tem jeito não, “Michael” é ruim mesmo. Tinha tudo pra não ser, tinha todo o material e orçamento para um grande filme e rezei para que fosse uma antítese que desse uma luz nova a um subgênero tão mal explorado. Mas ao invés disso, é apenas a confirmação de que nada vai mudar por agora e é um exemplo perfeito de tudo que está de errado com esses filmes e com a maneira de que eles são feitos atualmente. De novo, isso não quer dizer que achei a pior cinebiografia musical por aí, mas sim que é a que mais representa tudo que eu não gosto e estou completamente enjoada e cansada nelas. É um desserviço a um grande ícone, se fingindo de celebração mas tendo a profundidade de um pires e zero intenções de criar alguma coisa interessante além de usar e abusar da iconografia do artista e achar que é o bastante. Pra tudo que o Michael mudou no mundo quebrando barreiras artísticas, raciais e mundiais, e até usando inspiração no cinema para os clipes fenomenais dele, ele fez isso quebrando regras e sendo revolucionário, tudo que esse filme não é. Se tudo que você quer é as performances das músicas e curtir a obra dele, honestamente teria sido muito melhor um remaster de vários clipes e shows dele compilados num formato para lançar no cinema como um evento, que aí seria tudo isso de fato sem fingir que tá tentando ser um filme contando uma história. Pois como um filme e como cinema, isso aqui é um grande maço de bolo sem recheio ou sabor, apenas a decoração. É tudo o que eu não queria que ele fosse, e isso é bem frustrante.
Gente, falando sério, isso é mesmo um filme? Podemos sequer considerar isso um filme? Eles sequer estão tentando fazer um filme?
Gente, isso não é um filme, simplesmente não é. É um comercial gigante em formato de longa-metragem, e não eu não vou retirar o que eu disse.
E eu admito que a Illumination é realmente muito boa em fazer comerciais. Aliás, é provavelmente por isso que seus “filmes” arrecadam tanto dinheiro e atraem um público tão amplo de famílias. Eles são como os doces mais simples e super açucarados, embalados na embalagem mais bonita e brilhante. Chamam a atenção facilmente, são facilmente agradáveis ao paladar se você não pensar muito a respeito do gosto e você consome e esquece deles minutos depois. Dito isso, como filmes e como obras de arte em si, a maioria dos filmes deles não chega nem perto do mínimo que se espera de um longa de verdade, e eles honestamente já nem tentam isso há tempos. E eu já estou farta disso. Eles fizeram alguns filmes bons sim, mas a maioria não é e o primeiro filme do Mario também não foi, mesmo sendo um dos menos irritantes de assistir. E essa sequência é praticamente uma repetição de tudo do anterior em todos os sentidos, sem nenhuma lição aprendida ou nenhuma tentativa de aprimorar aquela fórmula, repetindo todos os erros em uma escala muito maior. As únicas coisas que receberam algum cuidado e talento foram a qualidade técnica da animação, que é realmente deslumbrante, repleta de cores vibrantes e ação decente, e a trilha sonora que é bem feita, mesmo que usada em excesso na tentativa de vender a ideia de algo épico. Além desses dois aspectos, não há nada aqui. Literalmente não há enredo algum; é só um monte de coisa acontecendo por 90 minutos e nenhum dos personagens tem nada pra fazer além de pular e lutar, e as poucas coisas que eles fazem nunca são desenvolvidas e são abandonadas imediatamente. O trabalho de voz é péssimo e todo o elenco parece estar no piloto automático, as piadas são muito bestas e preguiçosas, e a montagem nunca dá uma trégua, parecendo um grande edit de TikTok de cenas pra ir num trailer. E o uso de músicas licenciadas que tanto irritou no primeiro filme aqui ao menos foi reduzido, mas ainda está presente e continua tão constrangedor quanto antes.
"Ah, mas é igual aos jogos, você não precisa de história ou conteúdo em um filme do Mario, basta que seja parecido com o jogo e pronto, você tá esperando demais disso." Olha, sendo sincera, se você gosta desses filmes, não há nada de errado nisso e eu fico feliz por você, mas se é isso mesmo que você pensa então você é que não está sendo exigente o mínimo possível. "Uma Aventura LEGO" é também baseado em uma franquia enorme, feito pra vender brinquedos e recheado de referências para os fãs, mas também tinha uma história criativa, um bom roteiro, personagens divertidos e bem construídos, ótimos temas e conceitos explorados e um humor genuinamente engraçado. Até mesmo algo de qualidade inferior a ele como um "Tico e Teco: Defensores da Lei" tinha mais a oferecer do que esses filmes. Não há motivo nenhum pra esses filmes do Mario ainda continuarem sendo do jeito que são e não terem nenhum pingo de mérito artístico e cinematográfico junto; eles simplesmente escolhem fazer eles assim e não se importam de dar o trabalho. E o pior, eles sabem que seu público-alvo não se importa com nada disso e se contenta com a superfície, então tudo o que temos aqui são visuais bonitos e referências vazias que não servem para nada além de fazer as pessoas se lembrarem de coisas que gostam. É uma falta de respeito com o cinema e com os próprios games também, porque sim, eu também jogo videogame e sou uma fã de Mario, e mesmo assim eu achei o filme ruim. Eu posso falar nessa perspectiva também, “Super Mario Galaxy” é um dos melhores games já feitos, e nesse aspecto essa aqui é uma péssima adaptação da obra que se baseia. Eles arruinaram a Rosalina e não fizeram nada com ela, eles mal representam os jogos além de algumas pequenas referências visuais, e acredite ou não, aqueles jogos tinham mais história e temas mais presentes do que qualquer segundo desse filme. Isso tudo e ainda tendo aqueles visuais icônicos e aquela jogabilidade fenomenal, um elemento que um filme não tem e que este suposto filme aqui não faz nada pra cobrir o buraco. Isso nada mais é do que um anúncio brilhante e bonito da Nintendo feito pra vender produtos e aumentar vendas de videogames. Por mim crianças e os fãs da Nintendo merecem muito mais que isso, mas se isso é o suficiente para eles, que sejam felizes. Quanto a mim, tudo o que isso fez foi me acabar de tédio, me dar dor de cabeça, matar todo o meu interesse no futuro desta franquia e me fazer desejar estar jogando o game do que vendo ele.
Ótimo trabalho, Illumination, vocês conseguiram de novo. Acho que "Sing 2" e "Patos" foram mesmo apenas acidentes felizes afinal.
Eu estava bem empolgada pra assistir esse filme, majoritariamente por ser dirigido pelo mesmo diretor de "O Homem dos Sonhos", um filme que eu gostei muito, e também pela escalação de dois atores que eu sou uma imensa fã. Porém eu fui à sala de cinema sem saber nada do filme em si além do que o teaser mostrou. E pessoal, essa é a melhor maneira de assistir a este filme: sabendo o mínimo possível e, de preferência, em uma sala de cinema cheia para que vocês possam se juntar à loucura com o público. Eu acabei vendo numa sessão lotada e as pessoas não só riam alto, como em alguns momentos elas reagiram tão alto ao que acontecia que tudo o que se ouvia era "P* que Pariu!". Foi uma experiência incrível e o filme em si é também sensacional. Sem dar spoilers, este filme consegue ser uma comédia bem negra que aborda temas que são extremamente sensíveis, o que é um equilíbrio muito difícil de alcançar e uma baita ousadia criativa, e o filme consegue realizar tudo isso com maestria. O humor é genuinamente e consistentemente hilário, o filme navega seus territórios sem nunca cair no mau gosto e, surpreendentemente, também explora seus temas e personagens complexos de maneiras muito ponderadas e perspicazes. Ele não oferece soluções ou respostas fáceis, mas essa não é a intenção dele também. Em vez disso, ele busca provocar e instigar a reflexão e as próprias conclusões do próprio espectador, ao mesmo tempo que proporciona uma experiência extremamente divertida pra ela também. O fato dessa obra conseguir atingir seus objetivos através da comédia, sem deixar de ser também dramático e intenso, é realmente incrível e eu não vi nada parecido em outros projetos, o que o torna ainda mais singular. A Zendaya e Robert Pattinson estão fantásticos e seus papéis dão muito material para eles brilharem como atores. A montagem experimenta uma abordagem mais original de desenvolver a história e, na minha opinião, funcionou muito bem com a desorientação e estresse dos personagens. O filme é super nem apresentado e filmado excelente e tem uma leve e deliciosa duração de 90 minutos com um ritmo perfeito. Se eu tivesse que apontar dedo pra algo agora, talvez fosse que, embora eu ache o final ótimo, talvez pudesse ter tido um pouco mais de fechamento? Eu sei lá, talvez não, mas veremos como me sinto com isso numa segunda vez vendo.
Resumindo, eu adorei e eu não poderia recomendar mais. Tenho certeza de que não é para todos, mas filmes como esse têm tanto a oferecer e uma forma tão única de como o fazem que eu acho que obras assim merecem ser vistas de qualquer maneira, porque você não vai ver algo como isso aqui em qualquer lugar.
Sabe qual é o problema com a Illumination e os filmes do estúdio? É que a maioria deles é pura propaganda corporativa. Eles não fazem filmes de verdade, eles fazem propagandas disfarçadas de filmes, garantindo que elas sejam bonitas e brilhantes para atrair o público aos cinemas e, consequentemente, conseguir o dinheiro dele para outros produtos. É evidente que eles são bons nisso já que eles faturam alto nas bilheterias, mas também é evidente que suas habilidades artísticas são quase inexistentes. Às vezes escapa algo bom deles, como um “Sing 2” ou um “Patos”, mas esses são exceções. Eu costumava achar que "Super Mario Bros.: O Filme" era um desses quando o assisti no lançamento, e embora ele ainda seja tecnicamente seja um dos menos piores, revê-lo agora só deixou claro que no fundo ele ainda é um típico filme da Illumination.
É terrível? Não é, mas é tão mid e tão satisfeito em ser a coisa mais insossa e previsível do mundo que acaba ficando muito chato de assistir depois que o brilho convincente dele passa. Claro, é vibrante e colorido, o trabalho de animação é muito bem feito e é repleto de referências e cuidado dos animadores, que claramente fizeram este filme com amor. Mas nada disso, por si só, faz um filme. Referências e respeito ao material sozinho não fazem o trabalho. Quase não há uma história aqui, os personagens são superficiais, o ritmo é acelerado demais e nunca dá tempo pra nenhuma cena respirar, e todo o humor é super batido e velho. O elenco de voz é médio, uns se saem bem como o Jack Black e o Charlie Day, outros como o Fred Armisen são uma vergonha alheia. A trilha orquestral é uma das melhores coisas e o Brian Tyler fez um bom trabalho de trazer as trilhas icônicas dos games em uma versão mais cinematográfica, só é uma pena que o filme não a usa mais e em vez disso se engasga em escolhas de músicas que são super cringe e estúpidas.
É pura futilidade, um presente infantil caro e de embalagem linda, mas o brinquedo em si é bem sem graça depois que você brinca por uns dias. “Ai mas é pra criança!” alguns vão me dizer, e eu só digo: “E daí?”. Animações são uma mídia incrível e filmes infantis tem todo potencial de serem filmes incríveis como qualquer outro gênero, isso não é desculpa pra preguiça. Se “Uma Aventura Lego” conseguiu ser um grande filme e satisfazer a fome por referências e amor a marca Lego ao mesmo tempo, o filme do Mário também podia, a Illumination só não quis fazer um bom filme no meio da festa colorida de fan service porque ela sabe que só isso é o bastante pra muitos. Pois não é o bastante pra mim não, to farta desse tipo de coisa. Dito tudo isso, ele ainda passa de ano porque ainda é assistivel e tá longe dos piores trabalhos da Illumination pelo menos, não que isso seja difícil. A obra em si não é o que me irrita, o potencial desperdiçado dela e o contento de grande parte do público com tão pouco é o que me irrita. Mas né, sou só eu.
Depois do meu enorme descarrego em relação a minha primeira sessão desse filme com uma plateia horrorosa, consegui ver o filme mais duas vezes no cinema, uma delas legendada, e já revi agora no Disney+. E só pra confirmar que sim, conseguiu ser melhor que o primeiro e é disparada a melhor sequência a sair da Disney Animation. Filmaço, um dos meus favoritos de 2025.
CINEMA IS ALIVE! Me deem um tempo, foi muito filme e bastante pra processar.
Ousado, destemido, audacioso, provocativo, voraz, sem medo ou vergonha de ser esquisito, entupido de mensagens feministas a dizer e dizendo elas de maneira violenta, com uma energia e um tom insanamente punk e caótico. É a visão de uma artista explodindo na tela com total confiança e sem nenhuma rédea, e eu achei isso incrível de testemunhar. Pra mim entrar no cinema e ver um filme que me desafia e me dá uma experiência completamente nova e que joga todas as regras no telhado pra criar as suas próprias me fascina, e embora eu entenda que esse risco pode não dar certo pra muitos, deu muito certo pra mim. As vezes pode parecer até cheio demais e nem sempre parece que há muito controle pra tudo que ele joga no caldeirão, mas o resultado ainda sai com uma mistura que é deliciosa, eufórica e inegavelmente feita com muita paixão. Fora que o trabalho técnico é impecável, figurinos e ambientação fantástica, toda a vibe e o estilo da direção é super criativo e maximalista no melhor sentido possível, e o elenco todo está ótimo. A Jesse Buckley está arrasadora no papel, assim como o Christian Bale, os dois usam toda a capacidade deles como atores aqui. Sei que não é pra todo mundo, é o típico ame ou odeie e muito dificilmente haverá meio termo, mas por favor já me coloquem no fan club dele, que com certeza crescerá com o tempo e virará cult. E mesmo se não for pra você, se tem uma coisa que você não pode acusar a Maggie Gyllenhaal é de fazer um filme chato e genérico. Ela jogou tudo pro alto e criou uma experiência original e única, pro bem ou pro mal, e antes ver algo assim do que outro blockbuster genérico esquecível pra mim. Uma pena ver o que está acontecendo com a Warner Bros, pois só ela daria 80 milhões de dólares pra um filme tão despirocado e arriscado desses, e vai ser triste não ver mais oportunidades de liberdade criativa sendo dadas assim a cineastas como a Maggie Gyllenhaal. Dito isso, o que importa é que ela conseguiu fazer e lançar “A Noiva!” do jeitinho que ela queria, e eu devorei.
Ah, aliás, escolha perfeita pra ver no dia das mulheres hahaha. Feliz dia pra nois lindas! 🧡
Tudo que há de errado com filmes infantis modernos e tudo que se pode fazer de mais apelativo e sem vergonha neles está presente aqui de sobra. Como ele tem fãs eu nunca vou saber e nem sei se quero porque eu acho que eu vou perder a cabeça, que é sensação que eu tive assistindo isso. Um pesadelo cinematográfico, um constrangimento sem fim e uma tortura irritante sem tamanho. De longe um dos maiores fundos do poço pra DreamWorks.
Alguém me explica qual o problema que essa Colleen Hoover tem? Eu não acho que ela tá bem da cabeça não porque meu Deus, que porcaria insana foi essa? Eu é que me arrependo de ter assistido essa coisa isso sim.
Adorei o filme, do que consegui ver dele claro, porque infelizmente minha sessão em si foi horrorosa.
O público está cada vez pior em relação a se comportar no cinema e os cinemas em si não fazem nada pra ajudar a parar isso. Ver legendado ajuda pois costuma vir um público mais respeitoso que procura pela versão original no meio do mar de preferência a dublado. Não quer dizer que ver legendado resolve sempre porque ainda tem gente mal educada lá tb e a preferência do público com dublagem não é nenhum problema, mas ajuda e eu noto isso por anos de experiência. Mas eu não tive como ver legendado dessa vez e como estava aguardando esse filme com muita ansiedade a 9 anos, eu fui numa sessão dublada rezando pra que não tivesse problema, pq meu medo era apenas pegar um público mal educado e eu peguei. Grupos de adolescentes falando e fazendo gracinha o tempo todo e uns nem vendo o filme direito, pais levando bebês no cinema e deixando eles chorarem e gritarem na sala o tempo todo, pessoal chutando cadeiras, gente deixando porta aberta com luz, som de celulares e gente atendendo ligação. Um inferno total e estragou minha experiência com o filme a ponto de que nem consigo apropriadamente avaliá-lo. Isso é o que verdadeiramente está matando a experiência do cinema pras pessoas acima de qualquer coisa, não são os filmes ou os cinemas em si, é o próprio público que perdeu total respeito pelos outros e faz baderna achando que pode fazer o que quiser estragando a experiência dos outros como se tivesse na própria casa. Um saco isso, fica aqui meu descarrego e a todos na minha sessão um belo vai tomar no… pra vcs.
Eu queria um novo Tron desde que meus olhos de criança se apaixonaram por “Tron: Legacy” lá em 2010, e eu honestamente nunca achei que ia ganhar um porque a franquia sempre foi muito nichada. Mas aqui estamos, e eu tentei ficar com expectativas controladas pra não me decepcionar, entrei na sala apenas querendo me divertir e eu saí muito contente. Honestamente a recepção mista do filme nas reviews e a má bilheteria até agora não diz muito porque, Tron sempre teve esses resultados, mas assim como nos dois anteriores eu não compreendo muito o porque rejeitam tanto essa série. Especialmente esse aqui pois é totalmente aceitável a fãs e novatos, mas eu também não quero entender também, porque não é problema meu. Eu sou uma grande fã e eu tive uma tarde maravilhosa com ele, e achei a experiência no IMAX 3D um verdadeiro espetáculo. A ação é super bem trabalhada e criativa, a estética e a vibe continua super divertida e atraente, os visuais são deslumbrantes em cada detalhe e o filme passa num ritmo super frenético mas controlado. A história é simples sim e o roteiro é apenas aceitável, mas a execução é tão precisa e o enorme esforço de toda produção é tão claro de se ver em cena, que acaba elevando o todo. O elenco também está bem divertido e entendem bem o filme que estão, especialmente a Greta Lee que está ótima, e o Jared Leto também está muito bem. Mas o show não seria o mesmo sem a trilha sonora arrebatadora do Nine Inch Nails, que vibra toda parte do seu corpo e faz tudo que você vê em cena ter muito mais áurea. E eu fico feliz que eles fizeram algo próprio com esse terceiro filme ao invés de copiar os dois anteriores, e até as referências são bem mais sutis e não engolem o filme em nostalgia excessiva, pois ele quer ser reverente ao passado mas criar algo novo.
Assim como comédias, eu acho que hoje em dia as pessoas desvalorizam demais blockbusters espetáculo como esse, como se não houvesse valor num filme que cria uma experiência do tipo a menos que tenha muita complexidade ou fale de assuntos relevantes. Nem tudo precisa ser uma refeição completa e sofisticada para ser apreciada e te dar uma boa experiência, às vezes uma refeição mais simples, especialmente uma muito bem feita no que tenta ser, também vale bastante. “Tron: Ares” certamente não é um filme que entrega grandes temas ou um roteiro fantástico que cria um grande drama, mas ele também não é totalmente desprovido de méritos nessa área, e tudo que ele sobra nessa área ele mais do que compensa em todo o resto. A vibe, o visual de encher os olhos, a imersão do 3D, a trilha espetacular, o carisma do elenco e simplesmente o quão divertido ele é foi bem mais que o suficiente pra mim. Criar obras assim dá muito mais trabalho do que imaginam, especialmente uma que entrega tanto pra você apreciar assim, e eu nunca vou cansar de viajar na grade porque eu adoro estar nela. Se você for aberta a um blockbuster honesto e bem feito, ou for fã de Tron, eu super recomendo a experiência no cinema e veja na melhor tela com o melhor áudio possível. Não é tão bom quanto “Tron: Legacy”, mas honra a franquia e segue ela pra uma direção acertada e satisfatória.
Não bastou o remake horroroso de “Oldboy”, agora o Spike Lee me vem com isso? Sério, que vergonha. Se essa é a sua reinterpretação do clássico do Kurosawa, então o que diabos você gostou naquele filme pra começar? O que diabos você quer passar com essa suposta reinterpretação? Porque você fez esse filme? Eu não entendo.
Eu gostei de uma música no final e alguns shots de Nova York, e só isso. Sim, o típico estilo do Spike está presente como sempre e eu não sou contra o estilo dele, eu gosto da voz dele quando ele faz bons filmes ele faz grandes filmes com extrema personalidade, mas quando ele faz filme ruim acaba dando o efeito oposto e eu acho a voz dele como diretor insuportável. Muito disso porque ele é extremamente autoral e adora ser agressivo, e quando a abordagem dele é bem construída e tem propósito ela tem grande impacto, mas no caso de algo como “Highest 2 Lowest” essa abordagem não serve nenhum bom propósito ou a um bom material, e acaba resultando num filme ruim que é barulhento e tão insistente em si mesmo que se torna detestável. A direção é incompetente, a montagem é atroz e extremamente picotada, as interpretações do elenco coadjuvante são pavorosas, o ritmo é péssimo e todas as mudanças e alterações na história pra encaixar nesse contexto novo são pro pior. O protagonista não tem mais complexidade ou aspectos morais interessantes, ele é apenas extremamente arrogante, convencido e um pé no saco, é impossível dar a mínima pra ele e qualquer outro personagem no filme. Há tentativas de ser cool e atual que dão vergonha alheia, tem uns clipes musicais que são puro cringe, as poucas cenas de briga parecem crianças brigando da maneira que é filmado, os diálogos são forçados e ninguém fala como um ser humano normal. Até grandes atores como Denzel e Jeffrey Wright não conseguem escapar do material e se saem mal, e deixar eles mal num filme é um pecado. E eu nem comentei do pior que é a trilha sonora, que não só é ruim mas é também uma das piores utilizações de uma trilha que eu já vi em tempos. Há cenas que são supostamente feitas pra ser tensas e a trilha tá tão alegre que fica cômico, e mesmo quando ela tenta criar tensão ela é tão insistente que também fica cômico, é um uso tão ruim de uma trilha que ela prejudica a experiência toda e o pior é que ela nunca para de tocar.
Aparentemente há bastante gente que gostou do filme, e só o que posso dizer é que eu respeito e fico feliz por vocês, mas eu não compreendo de forma alguma. Ah mas você julga ele por si só sem comparar com o clássico? Não, porque é um remake e é impossível não ter essa comparação, você coloca isso em si mesmo automaticamente por fazer isso e como remake de um clássico este é um dos piores que eu vi em tempos. Mas mesmo se eu fosse julgar ele por si só, eu ainda acharia terrível, porque eu não dei a mínima pra nada que acontecia e passei grande parte do tempo em choque pelo quão ruim era toda a construção da obra como cinema. Chega a ser amador, você sabe que não é feito por um amador, mas parece enquanto você assiste. Eu juro que eu não esperava que ia ser tão ruim assim, eu esperava que ia ser médio pra ok, mas é como se nem o próprio Spike Lee soubesse o que ele fez e isso deixou a experiência quase ofensiva pra mim.
É pior que “Oldboy” de 2013 então? Honestamente? Eu nem sei, está no mesmo nível com certeza.
Por quê continuam tentando fazer Smurfs funcionar? Por quê três reboots em pouco mais de uma década? Por quê a Rihanna tá aqui? Por quê venderam o filme em cima do nome dela? Por quê o filme é tão medonho? Por quê ele usa a desculpa de ter estilo pra disfarçar o quão pobre e barato é a qualidade gráfica? Por quê fizeram esse roteiro e aprovaram? Por quê multiverso de Smurfs? Por quê acharam que alguém ia rir dessas piadas? Por quê ainda insistem em falar Smurf a cada segundo? Por quê cortaram o Smurf Influencer se o resto do filme é tão cringe quanto aquela piada no trailer? Por quê o DJ Khaled? Por quê o James Corden? Por quê isso existe? Por quê lançar isso? Por quê eu vi isso? Por quê a minha vida deu tão errado? Por quê o ser humano ainda não foi extinto? Por quê senhor? Por quê nos jogou essa calamidade? POR QUÊ?!
ACABEM COM MEU SOFRIMENTO PELO AMOR DE DEUS! (Playing “Mad World” by Michael Andrew’s)
Pura tensão e insanidade total. Só a imagem das crianças correndo nos subúrbios à noite com as mãos esticadas já vai tornar esse filme icônico, mas felizmente tem muito mais momentos macabros que irão contribuir com isso. Pra um filme de terror mainstream de um grande estúdio, esse aqui vai mais longe que quase toda a maioria e gerando resultados genuinamente perturbadores. Eu ainda quero muito rever pra poder digerir mais do que ele tem a oferecer tematicamente, porque eu sinto que há muito que ele quer dizer sobre trauma e paranoia com essa história, há um quebra cabeça muito promissor de interpretações aqui. Mas agora só vendo uma vez, julgando só de imediato, essa foi uma experiência de terror realmente muito especial no cinema, vi numa sala lotada e todo mundo reagiu muito forte ao filme em união. Ele é filmado com extrema efetividade e arranca todas as emoções que quer de você com a maneira que ele apresenta suas sequências, e o elenco todo está excelente e eles tem personagens interessantes e moralmente complexos pra trabalhar. O mistério é intrigante bem conduzido, e há uma leve mistura de gêneros em breves momentos que poderia dar muito errado nas mãos erradas, mas o diretor faz funcionar maravilhosamente bem. Horas o filme consegue ser genuinamente assombroso e até apavorante, horas ele consegue ser engraçado de forma bem bizarra, e horas ele consegue ser os dois ao mesmo tempo e sem nunca parecer desconexo. Esse Zach Cregger vai longe depois de “Barbarian” e agora com “Weapons”, que até agora é facilmente um dos maiores destaques de 2025 pra mim.
Foram muitos anos sendo fã e me divertindo horrores com filmes de super herói quando eu era criança e adolescente, mas agora adulta esse encanto andou bem apagado. O gênero explodiu tanto e a gente teve tantos filmes em tão pouco tempo que acabou me gerando um certo cinismo e antipatia por eles, e a Marvel acabou virando grande alvo disso. Apesar de alguns bons acertos durante o caminho, é inegável que os últimos anos para Marvel foram bem decepcionantes, tanto pela ambição fracassada das séries do Disney+ quanto também pelo resultado dos próprios filmes que andou muito inconsistente. Minha esperança sempre foi que talvez a tão aguardada versão do MCU do “Fantastic Four” fosse o gás novo que eles precisavam, já que esses personagens nunca tiveram um bom filme nos cinemas. E apesar de minhas várias preocupações devido aos enormes tropeços recentes do estúdio, eu torcia muito que esse fosse o longa que me trouxesse alguma vida e frescor de volta a Marvel pra mim, e com quanto que eu gostei de “Thunderbolts*” esse ano isso também me deixou ainda mais esperançosa. Eu entrei na sessão otimista mas cautelosa, mas eu acabei saindo dela genuinamente surpresa e muito feliz pelo quanto eu gostei do que vi. Pra falar a verdade, eu entrei meio que esperando quase nada, e a surpresa foi tão grande que me dei conta de que não eu não fico tão feliz e tão empolgada com um filme de super herói assim em muito tempo, e isso é muito mais que eu poderia pedir. É como se muito do que eu andei pedindo pra ver mais nesses filmes finalmente me foi entregue aqui, assim como muito do que eu andei reclamando em coisas como “Captain America: Brave New World” não estão presentes.
Eu vejo aqui um nível de execução e de real empenho na qual eu realmente não andei vendo em nada do gênero de super herói recentemente, e eu não sei se todo mundo vai se sentir da mesma forma que eu, mas eu digo isso com toda a honestidade possível. A começar que em termos cinematográficos, esse é talvez o melhor trabalho técnico e a apresentação mais dinâmica que o estúdio já fez, porque ele esbanja estilo e vibe em toda a produção e você vê todo o orçamento na tela sendo realmente bem gasto. A estética anos 60 futurista e a maneira como eles apresentam ela pelo design de produção é deslumbrante de ver, e eles ainda acrescentam escolhas divertidas de montagem e formatos e aspectos de câmera que ajudam a trazer uma atmosfera pra esse mundo que o torna único, aconchegante e convidativo. Os efeitos visuais também são excepcionais aqui, extremamente bem polidos e usados pra criar algumas sequências muito criativas e visualmente estimulantes. As cenas de ação são ótimas e te dão muito pra apreciar dos poderes dos personagens, porém são mais dosadas que o esperado também já que elas só acontecem pra mover a história pra frente, e eu digo isso como um elogio. O trabalho de som é muito bom também e teve momentos na sala que tremeram muito de imersão, e a trilha sonora do Michael Giacchino é coisa de doido, com temas marcantes e melodias que elevam o espírito e a energia do filme, dando um tema marcante aos personagens. Até o 3D ficou bem resolvido e acrescenta uma imersão e profundidade a algumas sequências muito bacanas de ver. Se fosse para apontar dedo pra algo eu só diria que há algumas cenas que poderiam ter tido uma edição mais espaçada, pra torná-las um pouco menos apressadas do que deveriam, mas fica só nisso também. Tirando isso, eu não poderia dar mais elogios a parte técnica e de estética do filme, é um espetáculo e vale muito a pena ver no cinema.
Mas acho que o mais me deixou feliz mesmo foi o quanto eu me apeguei e me importei com esses personagens, que de fato era o mais importante de se acertar. Ver esses personagens finalmente sendo bem representados, bem escritos e com ótimos atores os interpretando é algo que eu não sabia que queria tanto assim até finalmente ver em cena. A Vanessa Kirby está maravilhosa como Sue Storm, imponente porém sensível e uma total badass, e eu também adorei o Johnny Storm do Joseph Quinn que trouxe mais dignidade ao papel mas sem perder a faísca rebelde do personagem. O Pedro Pascal continua excelente como sempre e interpreta o Reed com total classe, e o Ebon Moss-Bachrach é um fofo total como Ben Grimm e o design do personagem ficou ótimo. O roteiro faz um excelente trabalho em introduzir esse universo já em andamento de uma forma que a gente ganhe o necessário das origens deles em montagens, e também estabelecer quem esses personagens são de uma maneira rápida e muito eficiente. A química dos quatro é uma delícia de acompanhar e você sente a união e o carinho de família entre eles, tanto que eu poderia ver os quatro interagindo entre si ou interagindo com as pessoas na rua o dia todo. Eu também adorei a ênfase do filme de mostrar eles agindo como verdadeiros heróis que se importam com as pessoas, criando uma forte sensação de comunidade e união ao mundo e eles exploram esses elementos de maneiras que me trouxeram um enorme sorriso no rosto. O filme todo se leva bem a sério de forma apropriada com leves toques de leveza, porém o ar esperançoso e otimista que ele traz é algo que remete muito a época que ele se passa e que temos muito pouco hoje em dia. Me fez me sentir como uma criança vendo super heróis que inspiram as pessoas a serem melhores, que inspiram a ter mais otimismo e a ser mais pessoas melhores, e como é bom sentir isso outra vez depois de tanto tempo sem ter mais brilho nos olhos vendo um filme desse tipo. Ele também é uma mistura ideal de algo quadrinhesco mas cinematográfico ao mesmo tempo.
Se isso é o que vai salvar o gênero de super herói de uma fase onde o público parece cansado dele, ou ajudar a Marvel a se reerguer após resultados decepcionantes de crítica e bilheteria, só o tempo dirá. Eu ficaria feliz se fosse o caso porque eu realmente acho que eles entregaram algo especial aqui e que seria digno pra ajudar a trazer um brilho novo a filmes de quadrinhos, mas se nem “Thunderbolts*” conseguiu se dar bem, aí fica difícil prever. Mas honestamente, se ele se der bem ou não nas bilheterias isso não muda nada em relação a obra em si, pois eu saí do cinema realmente encantada com “The Fantastic Four: The First Steps”. Se ele não salvar o gênero ou o estúdio pro futuro, ele pode ficar feliz de ao menos ter resgatado a minha chama com filmes baseados em quadrinhos de uma maneira semelhante aos que os filmes de “Spider-Verse” fizeram, e isso não é pouca coisa. Poder ver outro filme desse tipo que me fez lembrar o porque eu adorava tanto super heróis desde criança, e poder também ter uma experiência genuinamente imersiva, divertida e alegre com algo assim após anos de desgaste e desesperança com longas desse tipo, é algo que eu realmente aprecio e agradeço muito.
Ok James Gunn, você tem a minha atenção. Mas eu tenho coisas a dizer.
Quando eu sai do cinema eu fiquei em conflito, pensando demais nos problemas que eu tive e pesando eles mais do que eu deveria. Porém após reflexão e conversa com meus amigos que gostaram bastante do filme, eu pude ver que apesar dos meus problemas, ainda há muita coisa que eu gostei e apreciei. Certamente não estou no mesmo nível de entusiasmo que muitos estão tendo, mas eu acho que o que foi entregue aqui é uma base sólida pra um futuro promissor. E eu também entendo quem não vá gostar dele seja lá por quais razões, até porque eu também tenho meus problemas com ele e vou começar falando deles. O maior deles é a completa falta de maior estabelecimento aos personagens e a como esse universo funciona. Eu concordo que não precisamos da origem de ninguém, mas acho que o filme poderia ter começado dando maior contexto ao mundo e aos personagens nele, antes de partir pra ação logo direito de maneira tão bruta. E eu pessoalmente acho que tem personagens demais e coisas demais nessa história, tem ingredientes demais na receita enquanto eu queria que fosse mais simples e focasse mais nos que realmente importam. E por último eu tenho sérios problemas com a maneira que o longa trata suas personagens femininas, achei um tanto sexista e antiquado. Não chega a ser explícito, mas existe uma certa visão cômica mal intencionada em cima das personagens que não me desceu. Toda mulher fora da Louis ou é uma burra, uma bimbo, um objeto a ser controlado ou uma chata, e é um aspecto que realmente me incomodou. A subtrama com o Jimmy Olsen em particular, ou menções de haréns e o que o Lex faz com suas ex namoradas são os piores exemplo disso, achei essas escolhas feitas de muito mal gosto e não tem nada engraçado ou nenhum comentário/crítica a fazer pra justificar estar lá. Mas o que salva esse aspecto de ser um problema maior e ajuda a balancear bastante é a maravilhosa da Rachel Brosnaham que fez um trabalho incrível como a Louis Lane, que é de longe a melhor versão que a personagem já teve em cena e também a minha personagem favorita do filme. Como que eles arrasaram com a Louis e cagaram com o resto das personagens femininas? Não faço ideia.
Mas dito isso tudo isso, eu também entendo muito bem o pessoal que vai amar, e tenho certeza que vão ser muitas pessoas e por motivos muito respeitáveis. Esse é o filme que mais abraça de verdade o fato de ser um filme de quadrinhos que aceita ser totalmente absurdo, replicando a experiência caótica e charmosa de ler quadrinhos numa experiência cinematográfica, fazendo ele talvez o filme mais quadrinhesco que eu já vi na vida. E eu digo isso como um elogio pois isso torna ele único, torna o potencial desse universo fresco e aos fãs do gênero isso será um deleite irresistível. Eu talvez quisesse um pouquinho mais de controle e adaptação cinematográfica pra balancear o caos, mas eu sei que muita gente ama que ele é assim, e eu também gostei de muitas coisas. A parte técnica por exemplo é super bem resolvida e o trabalho de CGI é realmente muito bom, com cenas de ação muito dinâmicas, criativas e divertidas, e com um 3D bem feito pra acrescentar. Eu gostei muito do Superman do David Corenswet e do que ele trouxe ao papel, gostei do Lex do Nicholas Hoult embora eu ache que ele ainda tem que crescer com o papel, e embora haja personagens demais na trama, muitos deles causam impressões bem positivas, com o Krypto e o Mr. Terrific em particular sendo os destaques. A trilha sonora arranjou uma boa maneira de incorporar temas clássicos do John Williams de uma maneira própria e que se distingue o bastante, há boas surpresas pra se encontrar e a química do Corenswet e da Brosnaham é faiscante. Veremos o que o futuro nos aguarda, mas no geral eu estou intrigada e curiosa pro que vem adiante, e acho que isso prova que o filme conseguiu atingir o precisava, mesmo com algo que está longe de ser um home run. Mas aí, nem a Marvel começou com home runs então, tudo é possível, e eu vejo um bom caminho de sucesso com essa base. Se é isso que vai trazer a DC pra um novo caminho de sucesso eu fico feliz de ver, e eu torço que esse trem me cative mais com o caminho.
O melhor que o Wes Anderson esteve desde um bom tempo, e não digo em isso em termos de direção ou qualidade de produção porque nisso ele sempre está excelente, mas aqui eu senti ele bem mais inspirado na narrativa e nos personagens. O elenco todo tá ótimo, adorei o Michael Cera se juntando com o Wes, e é o mais engraçado dos filmes dele desde “The Grand Budapest Hotel”. Difícil dizer se muitos vão gostar tanto quanto eu, especialmente considerando as recepções mistas de “The French Dispatch” e “Asteroid City”, mas eu fui com zero expectativa e me diverti horrores. Também peguei uma sala lotada e todos pareceram se divertir bastante também, e isso criou uma boa energia na experiência. No fim das contas, ame ou odeie, o Wes é o artista que ele é e ele tem orgulho disso, e ele certamente traz obras com voz e personalidade, e isso é de se admirar. Não tinha planos pra ver no cinema mas estou feliz que vi, acabou sendo uma boa surpresa.
Uau, esse foi um belo downgrade. Se fosse um filme separado por si só ele seria apenas genérico e esquecível, mas como sequência de “28 Days Later” ele é muito decepcionante. Fico feliz que ajudou a descobrir outros ótimos atores antes de suas carreiras explodirem, ainda tem a trilha sonora do original pra ajudar embora ela seja utilizada mais pra tapar buracos que o próprio filme tem dificuldade pra criar, e não chega a ser mal feito. Só que ele é extremamente chato, com personagens vazios, isento da sofisticação técnica e narrativa do que tornou o anterior tão especial, e aposta demais em apenas ser um filme de zumbi com ação e tensão e nada mais. E é bem mais absurdo também, a cena do helicóptero fica bem perto do ridículo mas ao menos o filme se compromete com o que quer fazer e até meio que funciona de certa forma. Eu até pegaria um pouquinho mais leve se fosse algo separado porque não é uma obra ruim no todo, mas como sequência o filme é bem fraco e isso pesa na balança. Vejo que ele tem seus defensores e se você for um deles eu fico feliz por você, certamente não é algo que eu chamaria de ruim, mas também não vou chamar de bom ou defender.
É um pouco vergonhoso que eu não tenha visto isso mais cedo considerando o quanto eu sou fã do pessoal que faz parte dessa obra, mas né, antes tarde do que nunca e agora é a hora ideal para com o lançamento de “28 Years Later”. Muito ouvi falar do quanto esse filme influenciou todo santo filme de zumbi depois que ele saiu, e dá pra facilmente ver o porquê. O look claustrofóbico e serrilhado das câmeras digitais antigas que acabam gerando uma atmosfera rígida e perigosa, a velocidade e ferocidade implacável dos infectados que te dá calafrios, as icônicas cenas nas ruas de Londres totalmente mortas e vazias, é tudo realmente tão bom quanto dizem. É intenso, implacável, brutal e sabe muito bem manter uma sensação de morte iminente a cada momento. Mas isso tudo eu meio que já esperava de certa forma, embora eu ainda tenha ficado realmente muito impressionada com o quão efetivo ele consegue ser com tão pouco. Mas o que me surpreendeu é que há também momentos tênues de emoção muito efetivos nos breves momentos de paz que os personagens têm, e eu certamente não esperava o caminho que a narrativa tomou no terceiro ato, que acabou dando um nível extra de comentário social que eleva tudo que você viu antes até então. E a trilha sonora é sensacional e muito única, e o filme utiliza ela muito bem pra elevar o que está em cena. Não é a toa que muitos do pessoal que participou desse longa tiveram boas carreiras, do Danny Boyle ao Alex Garland que viriam a ser cineastas formidáveis, ao elenco cheio de nomes agora consagrados. Definitivamente agora acho esse um essencial do cinema de terror que envelheceu maravilhosamente bem, e se ainda não viu eu deixo minha mais alta recomendação.
Ver o enorme sucesso que esse filme conseguiu alcançar nas bilheterias brasileiras e o excelente boca a boca que amigos e familiares me passaram, certamente aumentaram minha expectativa pra ver esse filme. Fico triste que não consegui ver no cinema, mas agora finalmente pude conferir e acho que esse longa correspondeu às expectativas, excedendo elas em alguns aspectos, mas não tanto em outras. Quem eleva a obra é sem sombra de dúvida o Jesuíta Barbosa, que está magnético interpretando o Ney, capturando a explosão de talento e sensualidade inigualável dele no palco, e a sensibilidade dele como pessoa. Outro forte destaque é o diretor Esmir Filho que comanda o filme com muita segurança e voz própria, sabendo filmar com personalidade e apresentar tudo de maneira muito profissional e expressiva. A montagem arrisca ideias frenéticas de junção entre shows e cenas paralelas, cenas abstratas de metáfora visual que são bem realizadas e acrescentam na experiência, e eles captam bem as emoções dos atores nos momentos mais dramáticos. O elenco coadjuvante está bem mas ninguém aqui se destaca, muito porque o Jesuíta rouba bastante a atenção sim, mas todos cumprem o que precisam. Vários dos problemas que aponto em cinebiografias musicais, especialmente muitas das brasileiras que vi, é que falta alma, tudo parece novelesco e é tão didático que parece como uma descrição da Wikipédia. “Homem com H” foge disso durante grande parte da exibição, sendo uma obra sim cinematográfica e que explode da alma que seu artista tem na vida real. Porém o que segura ele pra mim de ser realmente especial, é que ele infelizmente não consegue escapar da fórmula típica que eu reclamo tanto, não por completo.
Eu entendo que muita gente não se incomoda com isso tanto quanto eu, mas eu simplesmente não curto esse formato incessante em cinebiografias de querer contar uma história sobre alguém que se passou por décadas em apenas duas ou três horas. Quer dizer que é impossível de fazer dar certo? Não, mas há uma trend dessas cinebiografias em específico que anda seguindo uma fórmula muito específica que simplesmente tá ficando velha. É uma insistência de achar que precisa cobrir tudo sobre alguém, fato por fato, faceta por faceta e cada acontecimento importante, que eu acho que limita essas obras de fazer algo que seja genuíno do começo ao fim. É como se ele precisasse seguir esse caminho para poder ter maior alcance com o público, poder pagar o preço pelas escolhas mais fora da caixinha que ele faz ou para certificar que homenageia a pessoa retratada com 100% de certeza. No meio das excelentes cenas e elementos que eu gostei, ele também segue caminhos esperados, certificando que atingiu os momentos e fatos que as pessoas esperam ver. Não acho que ele faça nada disso mal ou sem o mesmo empenho que citei, mas eu pessoalmente acho que essa abordagem me tira da imersão e me lembra de que estou vendo um filme. Eu queria que tivessem priorizado apenas a experiência cinematográfica e emocional, sem a necessidade dessa segurança de se prender a uma lista de pontos a se marcar. O filme é tão feroz, pulsante e genuinamente cativante nos seus melhores momentos, que eu só queria que ele fosse assim no conjunto todo. Mas pelo menos ainda ganhamos um bom filme no meio disso e eu gostei do que vi, só não amei tanto quanto gostaria. Dito tudo isso, esse é um grande passo na direção certa para esse subgênero e torço que o sucesso dele inspire futuros outros do gênero a serem mais assim, se não melhor.
Não tem jeito, é ainda melhor na segunda vez. Eu queria muito poder ter visto ele mais vezes no cinema e em IMAX, mas eu tenho certeza que terei outras chances porque esse filme não vai sumir da mente coletiva das pessoas tão cedo. Comprei a cópia digital pra poder ver o mais rápido possível e com fácil acesso, e logo comprarei o Blu Ray também, porque eu definitivamente irei rever isso muitas vezes mais e apresentar ele pro máximo de pessoas que eu puder. Estou imensamente feliz que as cenas em IMAX foram lançadas pra cópia de home video, é glorioso quando a tela expande nas grandes cenas do filme. E estou viciada na trilha sonora desse filme desde que vi então eu pude notar ainda mais a presença incrível dela no filme. E quanto mais você pensa e procura o que analisar no filme, mais você extrai de subtexto e mensagens sociais complexas e extremamente fortes e relevantes. Filmes como “Sinners” e cineastas como o Ryan Coogler são o que mantém a experiência cinematográfica viva, nos lembra o porquê amamos ir ao cinema e inspira novas gerações de cineastas e cinéfilos por anos a frente. Estou imensamente feliz com a aclamação geral de público e crítica, o enorme sucesso nas bilheterias e o potencial colossal dele nas premiações do ano que vem. Momentos em que uma obra como essa saem são raros de se ver mas quando veem, eles me lembram da minha razão de viver.
Todo Mundo em Pânico
3.0 129The things I do for love.
Michael
3.8 374 Assista AgoraGente, que tristeza.
Eu tinha muito medo que esse fosse o resultado e deveria já esperar isso, mas eu quis criar esperanças porque eu amo Michael Jackson desde criança e acho que ele merecia um filme a sua altura. Mas este não é tal filme. Acho que, a esse ponto, podemos afirmar com segurança que "Bohemian Rhapsody" é realmente um dos filmes mais influentes da nossa época recente, e eu não digo isso como um elogio. Mesmo apesar de todos os seus defeitos, o filme arrecadou quase um bilhão de dólares e saiu com 4 Oscars, e é só isso que importa pros estúdios, e por isso tivemos um monte de imitações de um filme que até tinha qualidades, mas todas as piores lições foram aprendidas deles e tudo que ele tinha de ruim foi replicado a exaustão. E “Michael” talvez seja o ápice supremo disso, um “Bohemian Rhapsody” 2.0. Não por ser a pior cinebiografia musical que existe, mas por ser o exemplo perfeito de tudo que está errado com esse subgênero nos dias atuais. Esse suposto filme não tem absolutamente nada a dizer ou fazer sobre o artista, nem como pessoa e nem como artista, e também parece zero interessado em nada disso. É um grande show de cosplay, uma imitação, feita para celebrar seu legado e nada mais. Se tivesse a cara dura de se apresentar como apenas isso e nada mais eu o julgaria dessa forma, mas ele não tem pois ele insiste em dizer que é um filme, portanto o julgarei como tal. Ele até se preocupa em recriar essas performances e shows icônicos com cuidado e até que faz um bom trabalho nisso, mas primeiro, isso é o básico que se espera, e segundo, ele não tem mais nada a oferecer além disso. Se eu quisesse ver essas performances, eu poderia simplesmente ir ao YouTube e ver as originais, e se o intuito é só celebrar a arte dele eu também faria o mesmo. Isso deveria ser apenas a cereja do bolo, e não a única coisa no prato. Eles poderiam ter feito um baita filme, com algo realmente relevante a mostrar, algo a dizer e ter um genuíno toque cinematográfico sobre o Michael, sem deixar de lado tudo isso. Eles apenas optaram por não fazê-lo ou foram obrigados a não fazê-lo, e o resultado é apenas desinteressante cinematograficamente.
Mesmo para os padrões baixos dessas cinebiografias recentes, essa aqui é ainda mais preguiçosa, genérica, vazia e tediosa do que o habitual. Como diabos você faz um filme do Michael Jackson e consegue torná-lo chato? É inacreditável. Tudo o que isso tem a dizer é: "Ele era uma lenda né?". E me desculpem, mas isso não rende um filme e soa mais como um mero artifício de publicidade. E quando digo isso, eu não quero dizer que quero que o filme retrate ele de uma forma específica ou faça alguma uma representação escandalosa dele, de forma nenhuma. Só quero dizer que queria um filme que o tratasse e o explorasse como um ser humano. Eu quero conhecer essa pessoa, quero explorar quem está por trás da lenda, quero ver a história explorar temas em cima de tudo, ver as dinâmicas interessantes ao seu redor e das pessoas em sua vida, seus dias bons e ruins, suas decepções e triunfos, etc. Eu só queria ver um filme de verdade sobre ele, que através da exploração das lentes do cinema realmente trouxesse à tona a pessoa que nos trouxe tamanho legado inesquecível. Mas o longa não está interessado em ser cinema, ele tem muito pouco interesse em ser alguma coisa além de um recriar um apanhado de obviedades. O Michael não é retratado como um ser humano, ninguém aqui é. São todos estereótipos caricatos, santos e demônios, gênios e farsantes completos. Nada parece ou tem sensação de ser real, não há profundidade psicológica ou emocional nenhuma aqui, é tudo performático e falso, apelando em um sentimentalismo forçado. E a estrutura da história é literalmente uma lista de clichês velhos executados da maneira mais banal possível, seguindo pontos da Wikipédia da maneira mais apressada imaginável. O filme todo segue a base de passar uma montagem de coisas acontecendo conforme o tempo passa, ter uma cena melodramática rápida e rasa, e ter uma apresentação musical e aí repete, só isso. É uma experiência tediosa, vazia, protocolar, desesperadamente higienizada e segura, com medo de tomar qualquer risco criativo e de ser audaciosa, tudo que a arte do Michael nunca foi.
Tem alguma coisa que salva aqui? Algumas. O Jaafar Jackson certamente está muito dedicado no papel e ele fez tudo certo em relação ao que lhe é pedido, tenho zero críticas a ele e se algum vestígio de vida aparece em tela é por causa dele, mesmo que o filme em si não peça nada dele como ator além de ser um cover glorioso. Também destaco o jovem ator que interpreta o Michael quando criança, Juliano Krue Valdi, que tá uma graça e esbanja presença. O Colman Domingo sofre mais da extrema caricatura de como retratam a crueldade de seu personagem, que foi cruel na vida real também, mas seja lá que humanidade levou a ele ser esse monstro, este longa também não tem interesse em explorar. Dito isso, ainda é o Colman Domingo e ele faz bem com o que pode com o que lhe é pedido. E de novo, o cuidado na recriação das icônicas performances musicais do artista está presente aqui, mesmo que severamente atrapalhados por uma direção pobre e uma montagem caótica. Eu nunca fui uma mega fã do Antoine Fuqua mas também nunca desgostei dele também, mas fato era que eu sempre achei ele a escolha errada pra esse projeto e eu estava certa. Adoraria que ele me provasse o contrário, mas o desleixo dele presente em seus longas mais recentes está presente aqui também, há zero estilo ou flair de energia interessante na maneira como ele dirige esse filme. Talvez não tenha sido culpa dele e sim da mão pesada de um monte de gente que supervisionou ele até os montes? Talvez, mas eu não tenho essa resposta e ele é creditado como diretor então, é assim que é. E a montagem, embora não seja tão ruim quanto a de “Bohemian Rhapsody” que é do mesmo editor daqui, ainda mantém muitos dos mesmos problemas de lá como o excesso interminável de cortes para tudo como se fosse um videoclipe, e o excesso de vezes que corta pra plateia gritando enche o saco e tira o ritmo das performances. Há também um uso de CGI bem falso, um elenco coadjuvante completamente apagado e até pessoas reais da vida do Michael completamente excluídas do filme no caso da Janet Jackson, diálogos novelescos e há zero indícios de que essa produção custou 200 milhões de dólares. Até deixar pra uma sequência no estilo Marvel eles fazem, chega a ser uma piada, especialmente porque o filme nem final tem ele simplesmente para. Tava esperando dizer no final “Michael retornará em Vingadores: Doomsday”.
É gente, tem jeito não, “Michael” é ruim mesmo. Tinha tudo pra não ser, tinha todo o material e orçamento para um grande filme e rezei para que fosse uma antítese que desse uma luz nova a um subgênero tão mal explorado. Mas ao invés disso, é apenas a confirmação de que nada vai mudar por agora e é um exemplo perfeito de tudo que está de errado com esses filmes e com a maneira de que eles são feitos atualmente. De novo, isso não quer dizer que achei a pior cinebiografia musical por aí, mas sim que é a que mais representa tudo que eu não gosto e estou completamente enjoada e cansada nelas. É um desserviço a um grande ícone, se fingindo de celebração mas tendo a profundidade de um pires e zero intenções de criar alguma coisa interessante além de usar e abusar da iconografia do artista e achar que é o bastante. Pra tudo que o Michael mudou no mundo quebrando barreiras artísticas, raciais e mundiais, e até usando inspiração no cinema para os clipes fenomenais dele, ele fez isso quebrando regras e sendo revolucionário, tudo que esse filme não é. Se tudo que você quer é as performances das músicas e curtir a obra dele, honestamente teria sido muito melhor um remaster de vários clipes e shows dele compilados num formato para lançar no cinema como um evento, que aí seria tudo isso de fato sem fingir que tá tentando ser um filme contando uma história. Pois como um filme e como cinema, isso aqui é um grande maço de bolo sem recheio ou sabor, apenas a decoração. É tudo o que eu não queria que ele fosse, e isso é bem frustrante.
Super Mario Galaxy: O Filme
3.4 116 Assista AgoraGente, falando sério, isso é mesmo um filme?
Podemos sequer considerar isso um filme?
Eles sequer estão tentando fazer um filme?
Gente, isso não é um filme, simplesmente não é. É um comercial gigante em formato de longa-metragem, e não eu não vou retirar o que eu disse.
E eu admito que a Illumination é realmente muito boa em fazer comerciais. Aliás, é provavelmente por isso que seus “filmes” arrecadam tanto dinheiro e atraem um público tão amplo de famílias. Eles são como os doces mais simples e super açucarados, embalados na embalagem mais bonita e brilhante. Chamam a atenção facilmente, são facilmente agradáveis ao paladar se você não pensar muito a respeito do gosto e você consome e esquece deles minutos depois. Dito isso, como filmes e como obras de arte em si, a maioria dos filmes deles não chega nem perto do mínimo que se espera de um longa de verdade, e eles honestamente já nem tentam isso há tempos. E eu já estou farta disso. Eles fizeram alguns filmes bons sim, mas a maioria não é e o primeiro filme do Mario também não foi, mesmo sendo um dos menos irritantes de assistir. E essa sequência é praticamente uma repetição de tudo do anterior em todos os sentidos, sem nenhuma lição aprendida ou nenhuma tentativa de aprimorar aquela fórmula, repetindo todos os erros em uma escala muito maior. As únicas coisas que receberam algum cuidado e talento foram a qualidade técnica da animação, que é realmente deslumbrante, repleta de cores vibrantes e ação decente, e a trilha sonora que é bem feita, mesmo que usada em excesso na tentativa de vender a ideia de algo épico. Além desses dois aspectos, não há nada aqui. Literalmente não há enredo algum; é só um monte de coisa acontecendo por 90 minutos e nenhum dos personagens tem nada pra fazer além de pular e lutar, e as poucas coisas que eles fazem nunca são desenvolvidas e são abandonadas imediatamente. O trabalho de voz é péssimo e todo o elenco parece estar no piloto automático, as piadas são muito bestas e preguiçosas, e a montagem nunca dá uma trégua, parecendo um grande edit de TikTok de cenas pra ir num trailer. E o uso de músicas licenciadas que tanto irritou no primeiro filme aqui ao menos foi reduzido, mas ainda está presente e continua tão constrangedor quanto antes.
"Ah, mas é igual aos jogos, você não precisa de história ou conteúdo em um filme do Mario, basta que seja parecido com o jogo e pronto, você tá esperando demais disso." Olha, sendo sincera, se você gosta desses filmes, não há nada de errado nisso e eu fico feliz por você, mas se é isso mesmo que você pensa então você é que não está sendo exigente o mínimo possível. "Uma Aventura LEGO" é também baseado em uma franquia enorme, feito pra vender brinquedos e recheado de referências para os fãs, mas também tinha uma história criativa, um bom roteiro, personagens divertidos e bem construídos, ótimos temas e conceitos explorados e um humor genuinamente engraçado. Até mesmo algo de qualidade inferior a ele como um "Tico e Teco: Defensores da Lei" tinha mais a oferecer do que esses filmes. Não há motivo nenhum pra esses filmes do Mario ainda continuarem sendo do jeito que são e não terem nenhum pingo de mérito artístico e cinematográfico junto; eles simplesmente escolhem fazer eles assim e não se importam de dar o trabalho. E o pior, eles sabem que seu público-alvo não se importa com nada disso e se contenta com a superfície, então tudo o que temos aqui são visuais bonitos e referências vazias que não servem para nada além de fazer as pessoas se lembrarem de coisas que gostam. É uma falta de respeito com o cinema e com os próprios games também, porque sim, eu também jogo videogame e sou uma fã de Mario, e mesmo assim eu achei o filme ruim. Eu posso falar nessa perspectiva também, “Super Mario Galaxy” é um dos melhores games já feitos, e nesse aspecto essa aqui é uma péssima adaptação da obra que se baseia. Eles arruinaram a Rosalina e não fizeram nada com ela, eles mal representam os jogos além de algumas pequenas referências visuais, e acredite ou não, aqueles jogos tinham mais história e temas mais presentes do que qualquer segundo desse filme. Isso tudo e ainda tendo aqueles visuais icônicos e aquela jogabilidade fenomenal, um elemento que um filme não tem e que este suposto filme aqui não faz nada pra cobrir o buraco. Isso nada mais é do que um anúncio brilhante e bonito da Nintendo feito pra vender produtos e aumentar vendas de videogames. Por mim crianças e os fãs da Nintendo merecem muito mais que isso, mas se isso é o suficiente para eles, que sejam felizes. Quanto a mim, tudo o que isso fez foi me acabar de tédio, me dar dor de cabeça, matar todo o meu interesse no futuro desta franquia e me fazer desejar estar jogando o game do que vendo ele.
Ótimo trabalho, Illumination, vocês conseguiram de novo. Acho que "Sing 2" e "Patos" foram mesmo apenas acidentes felizes afinal.
O Drama
3.7 252 Assista AgoraEu estava bem empolgada pra assistir esse filme, majoritariamente por ser dirigido pelo mesmo diretor de "O Homem dos Sonhos", um filme que eu gostei muito, e também pela escalação de dois atores que eu sou uma imensa fã. Porém eu fui à sala de cinema sem saber nada do filme em si além do que o teaser mostrou. E pessoal, essa é a melhor maneira de assistir a este filme: sabendo o mínimo possível e, de preferência, em uma sala de cinema cheia para que vocês possam se juntar à loucura com o público. Eu acabei vendo numa sessão lotada e as pessoas não só riam alto, como em alguns momentos elas reagiram tão alto ao que acontecia que tudo o que se ouvia era "P* que Pariu!". Foi uma experiência incrível e o filme em si é também sensacional. Sem dar spoilers, este filme consegue ser uma comédia bem negra que aborda temas que são extremamente sensíveis, o que é um equilíbrio muito difícil de alcançar e uma baita ousadia criativa, e o filme consegue realizar tudo isso com maestria. O humor é genuinamente e consistentemente hilário, o filme navega seus territórios sem nunca cair no mau gosto e, surpreendentemente, também explora seus temas e personagens complexos de maneiras muito ponderadas e perspicazes. Ele não oferece soluções ou respostas fáceis, mas essa não é a intenção dele também. Em vez disso, ele busca provocar e instigar a reflexão e as próprias conclusões do próprio espectador, ao mesmo tempo que proporciona uma experiência extremamente divertida pra ela também. O fato dessa obra conseguir atingir seus objetivos através da comédia, sem deixar de ser também dramático e intenso, é realmente incrível e eu não vi nada parecido em outros projetos, o que o torna ainda mais singular. A Zendaya e Robert Pattinson estão fantásticos e seus papéis dão muito material para eles brilharem como atores. A montagem experimenta uma abordagem mais original de desenvolver a história e, na minha opinião, funcionou muito bem com a desorientação e estresse dos personagens. O filme é super nem apresentado e filmado excelente e tem uma leve e deliciosa duração de 90 minutos com um ritmo perfeito. Se eu tivesse que apontar dedo pra algo agora, talvez fosse que, embora eu ache o final ótimo, talvez pudesse ter tido um pouco mais de fechamento? Eu sei lá, talvez não, mas veremos como me sinto com isso numa segunda vez vendo.
Resumindo, eu adorei e eu não poderia recomendar mais. Tenho certeza de que não é para todos, mas filmes como esse têm tanto a oferecer e uma forma tão única de como o fazem que eu acho que obras assim merecem ser vistas de qualquer maneira, porque você não vai ver algo como isso aqui em qualquer lugar.
Super Mario Bros.: O Filme
3.9 831 Assista AgoraSabe qual é o problema com a Illumination e os filmes do estúdio? É que a maioria deles é pura propaganda corporativa. Eles não fazem filmes de verdade, eles fazem propagandas disfarçadas de filmes, garantindo que elas sejam bonitas e brilhantes para atrair o público aos cinemas e, consequentemente, conseguir o dinheiro dele para outros produtos. É evidente que eles são bons nisso já que eles faturam alto nas bilheterias, mas também é evidente que suas habilidades artísticas são quase inexistentes. Às vezes escapa algo bom deles, como um “Sing 2” ou um “Patos”, mas esses são exceções. Eu costumava achar que "Super Mario Bros.: O Filme" era um desses quando o assisti no lançamento, e embora ele ainda seja tecnicamente seja um dos menos piores, revê-lo agora só deixou claro que no fundo ele ainda é um típico filme da Illumination.
É terrível? Não é, mas é tão mid e tão satisfeito em ser a coisa mais insossa e previsível do mundo que acaba ficando muito chato de assistir depois que o brilho convincente dele passa. Claro, é vibrante e colorido, o trabalho de animação é muito bem feito e é repleto de referências e cuidado dos animadores, que claramente fizeram este filme com amor. Mas nada disso, por si só, faz um filme. Referências e respeito ao material sozinho não fazem o trabalho. Quase não há uma história aqui, os personagens são superficiais, o ritmo é acelerado demais e nunca dá tempo pra nenhuma cena respirar, e todo o humor é super batido e velho. O elenco de voz é médio, uns se saem bem como o Jack Black e o Charlie Day, outros como o Fred Armisen são uma vergonha alheia. A trilha orquestral é uma das melhores coisas e o Brian Tyler fez um bom trabalho de trazer as trilhas icônicas dos games em uma versão mais cinematográfica, só é uma pena que o filme não a usa mais e em vez disso se engasga em escolhas de músicas que são super cringe e estúpidas.
É pura futilidade, um presente infantil caro e de embalagem linda, mas o brinquedo em si é bem sem graça depois que você brinca por uns dias. “Ai mas é pra criança!” alguns vão me dizer, e eu só digo: “E daí?”. Animações são uma mídia incrível e filmes infantis tem todo potencial de serem filmes incríveis como qualquer outro gênero, isso não é desculpa pra preguiça. Se “Uma Aventura Lego” conseguiu ser um grande filme e satisfazer a fome por referências e amor a marca Lego ao mesmo tempo, o filme do Mário também podia, a Illumination só não quis fazer um bom filme no meio da festa colorida de fan service porque ela sabe que só isso é o bastante pra muitos. Pois não é o bastante pra mim não, to farta desse tipo de coisa. Dito tudo isso, ele ainda passa de ano porque ainda é assistivel e tá longe dos piores trabalhos da Illumination pelo menos, não que isso seja difícil. A obra em si não é o que me irrita, o potencial desperdiçado dela e o contento de grande parte do público com tão pouco é o que me irrita. Mas né, sou só eu.
Zootopia 2
3.7 174Depois do meu enorme descarrego em relação a minha primeira sessão desse filme com uma plateia horrorosa, consegui ver o filme mais duas vezes no cinema, uma delas legendada, e já revi agora no Disney+. E só pra confirmar que sim, conseguiu ser melhor que o primeiro e é disparada a melhor sequência a sair da Disney Animation. Filmaço, um dos meus favoritos de 2025.
A Noiva!
3.1 132CINEMA IS ALIVE!
Me deem um tempo, foi muito filme e bastante pra processar.
Ousado, destemido, audacioso, provocativo, voraz, sem medo ou vergonha de ser esquisito, entupido de mensagens feministas a dizer e dizendo elas de maneira violenta, com uma energia e um tom insanamente punk e caótico. É a visão de uma artista explodindo na tela com total confiança e sem nenhuma rédea, e eu achei isso incrível de testemunhar. Pra mim entrar no cinema e ver um filme que me desafia e me dá uma experiência completamente nova e que joga todas as regras no telhado pra criar as suas próprias me fascina, e embora eu entenda que esse risco pode não dar certo pra muitos, deu muito certo pra mim. As vezes pode parecer até cheio demais e nem sempre parece que há muito controle pra tudo que ele joga no caldeirão, mas o resultado ainda sai com uma mistura que é deliciosa, eufórica e inegavelmente feita com muita paixão. Fora que o trabalho técnico é impecável, figurinos e ambientação fantástica, toda a vibe e o estilo da direção é super criativo e maximalista no melhor sentido possível, e o elenco todo está ótimo. A Jesse Buckley está arrasadora no papel, assim como o Christian Bale, os dois usam toda a capacidade deles como atores aqui. Sei que não é pra todo mundo, é o típico ame ou odeie e muito dificilmente haverá meio termo, mas por favor já me coloquem no fan club dele, que com certeza crescerá com o tempo e virará cult. E mesmo se não for pra você, se tem uma coisa que você não pode acusar a Maggie Gyllenhaal é de fazer um filme chato e genérico. Ela jogou tudo pro alto e criou uma experiência original e única, pro bem ou pro mal, e antes ver algo assim do que outro blockbuster genérico esquecível pra mim. Uma pena ver o que está acontecendo com a Warner Bros, pois só ela daria 80 milhões de dólares pra um filme tão despirocado e arriscado desses, e vai ser triste não ver mais oportunidades de liberdade criativa sendo dadas assim a cineastas como a Maggie Gyllenhaal. Dito isso, o que importa é que ela conseguiu fazer e lançar “A Noiva!” do jeitinho que ela queria, e eu devorei.
Ah, aliás, escolha perfeita pra ver no dia das mulheres hahaha.
Feliz dia pra nois lindas! 🧡
O Poderoso Chefinho
3.4 528 Assista AgoraTudo que há de errado com filmes infantis modernos e tudo que se pode fazer de mais apelativo e sem vergonha neles está presente aqui de sobra. Como ele tem fãs eu nunca vou saber e nem sei se quero porque eu acho que eu vou perder a cabeça, que é sensação que eu tive assistindo isso. Um pesadelo cinematográfico, um constrangimento sem fim e uma tortura irritante sem tamanho. De longe um dos maiores fundos do poço pra DreamWorks.
Se Não Fosse Você
2.9 70 Assista AgoraAlguém me explica qual o problema que essa Colleen Hoover tem? Eu não acho que ela tá bem da cabeça não porque meu Deus, que porcaria insana foi essa? Eu é que me arrependo de ter assistido essa coisa isso sim.
Zootopia 2
3.7 174Adorei o filme, do que consegui ver dele claro, porque infelizmente minha sessão em si foi horrorosa.
O público está cada vez pior em relação a se comportar no cinema e os cinemas em si não fazem nada pra ajudar a parar isso. Ver legendado ajuda pois costuma vir um público mais respeitoso que procura pela versão original no meio do mar de preferência a dublado. Não quer dizer que ver legendado resolve sempre porque ainda tem gente mal educada lá tb e a preferência do público com dublagem não é nenhum problema, mas ajuda e eu noto isso por anos de experiência. Mas eu não tive como ver legendado dessa vez e como estava aguardando esse filme com muita ansiedade a 9 anos, eu fui numa sessão dublada rezando pra que não tivesse problema, pq meu medo era apenas pegar um público mal educado e eu peguei. Grupos de adolescentes falando e fazendo gracinha o tempo todo e uns nem vendo o filme direito, pais levando bebês no cinema e deixando eles chorarem e gritarem na sala o tempo todo, pessoal chutando cadeiras, gente deixando porta aberta com luz, som de celulares e gente atendendo ligação. Um inferno total e estragou minha experiência com o filme a ponto de que nem consigo apropriadamente avaliá-lo. Isso é o que verdadeiramente está matando a experiência do cinema pras pessoas acima de qualquer coisa, não são os filmes ou os cinemas em si, é o próprio público que perdeu total respeito pelos outros e faz baderna achando que pode fazer o que quiser estragando a experiência dos outros como se tivesse na própria casa. Um saco isso, fica aqui meu descarrego e a todos na minha sessão um belo vai tomar no… pra vcs.
Quando ver de novo comento do filme melhor.
Tron: Ares
2.8 153 Assista AgoraEu queria um novo Tron desde que meus olhos de criança se apaixonaram por “Tron: Legacy” lá em 2010, e eu honestamente nunca achei que ia ganhar um porque a franquia sempre foi muito nichada. Mas aqui estamos, e eu tentei ficar com expectativas controladas pra não me decepcionar, entrei na sala apenas querendo me divertir e eu saí muito contente. Honestamente a recepção mista do filme nas reviews e a má bilheteria até agora não diz muito porque, Tron sempre teve esses resultados, mas assim como nos dois anteriores eu não compreendo muito o porque rejeitam tanto essa série. Especialmente esse aqui pois é totalmente aceitável a fãs e novatos, mas eu também não quero entender também, porque não é problema meu. Eu sou uma grande fã e eu tive uma tarde maravilhosa com ele, e achei a experiência no IMAX 3D um verdadeiro espetáculo. A ação é super bem trabalhada e criativa, a estética e a vibe continua super divertida e atraente, os visuais são deslumbrantes em cada detalhe e o filme passa num ritmo super frenético mas controlado. A história é simples sim e o roteiro é apenas aceitável, mas a execução é tão precisa e o enorme esforço de toda produção é tão claro de se ver em cena, que acaba elevando o todo. O elenco também está bem divertido e entendem bem o filme que estão, especialmente a Greta Lee que está ótima, e o Jared Leto também está muito bem. Mas o show não seria o mesmo sem a trilha sonora arrebatadora do Nine Inch Nails, que vibra toda parte do seu corpo e faz tudo que você vê em cena ter muito mais áurea. E eu fico feliz que eles fizeram algo próprio com esse terceiro filme ao invés de copiar os dois anteriores, e até as referências são bem mais sutis e não engolem o filme em nostalgia excessiva, pois ele quer ser reverente ao passado mas criar algo novo.
Assim como comédias, eu acho que hoje em dia as pessoas desvalorizam demais blockbusters espetáculo como esse, como se não houvesse valor num filme que cria uma experiência do tipo a menos que tenha muita complexidade ou fale de assuntos relevantes. Nem tudo precisa ser uma refeição completa e sofisticada para ser apreciada e te dar uma boa experiência, às vezes uma refeição mais simples, especialmente uma muito bem feita no que tenta ser, também vale bastante. “Tron: Ares” certamente não é um filme que entrega grandes temas ou um roteiro fantástico que cria um grande drama, mas ele também não é totalmente desprovido de méritos nessa área, e tudo que ele sobra nessa área ele mais do que compensa em todo o resto. A vibe, o visual de encher os olhos, a imersão do 3D, a trilha espetacular, o carisma do elenco e simplesmente o quão divertido ele é foi bem mais que o suficiente pra mim. Criar obras assim dá muito mais trabalho do que imaginam, especialmente uma que entrega tanto pra você apreciar assim, e eu nunca vou cansar de viajar na grade porque eu adoro estar nela. Se você for aberta a um blockbuster honesto e bem feito, ou for fã de Tron, eu super recomendo a experiência no cinema e veja na melhor tela com o melhor áudio possível. Não é tão bom quanto “Tron: Legacy”, mas honra a franquia e segue ela pra uma direção acertada e satisfatória.
Luta de Classes
2.8 72 Assista AgoraNão bastou o remake horroroso de “Oldboy”, agora o Spike Lee me vem com isso? Sério, que vergonha. Se essa é a sua reinterpretação do clássico do Kurosawa, então o que diabos você gostou naquele filme pra começar? O que diabos você quer passar com essa suposta reinterpretação? Porque você fez esse filme? Eu não entendo.
Eu gostei de uma música no final e alguns shots de Nova York, e só isso. Sim, o típico estilo do Spike está presente como sempre e eu não sou contra o estilo dele, eu gosto da voz dele quando ele faz bons filmes ele faz grandes filmes com extrema personalidade, mas quando ele faz filme ruim acaba dando o efeito oposto e eu acho a voz dele como diretor insuportável. Muito disso porque ele é extremamente autoral e adora ser agressivo, e quando a abordagem dele é bem construída e tem propósito ela tem grande impacto, mas no caso de algo como “Highest 2 Lowest” essa abordagem não serve nenhum bom propósito ou a um bom material, e acaba resultando num filme ruim que é barulhento e tão insistente em si mesmo que se torna detestável. A direção é incompetente, a montagem é atroz e extremamente picotada, as interpretações do elenco coadjuvante são pavorosas, o ritmo é péssimo e todas as mudanças e alterações na história pra encaixar nesse contexto novo são pro pior. O protagonista não tem mais complexidade ou aspectos morais interessantes, ele é apenas extremamente arrogante, convencido e um pé no saco, é impossível dar a mínima pra ele e qualquer outro personagem no filme. Há tentativas de ser cool e atual que dão vergonha alheia, tem uns clipes musicais que são puro cringe, as poucas cenas de briga parecem crianças brigando da maneira que é filmado, os diálogos são forçados e ninguém fala como um ser humano normal. Até grandes atores como Denzel e Jeffrey Wright não conseguem escapar do material e se saem mal, e deixar eles mal num filme é um pecado. E eu nem comentei do pior que é a trilha sonora, que não só é ruim mas é também uma das piores utilizações de uma trilha que eu já vi em tempos. Há cenas que são supostamente feitas pra ser tensas e a trilha tá tão alegre que fica cômico, e mesmo quando ela tenta criar tensão ela é tão insistente que também fica cômico, é um uso tão ruim de uma trilha que ela prejudica a experiência toda e o pior é que ela nunca para de tocar.
Aparentemente há bastante gente que gostou do filme, e só o que posso dizer é que eu respeito e fico feliz por vocês, mas eu não compreendo de forma alguma. Ah mas você julga ele por si só sem comparar com o clássico? Não, porque é um remake e é impossível não ter essa comparação, você coloca isso em si mesmo automaticamente por fazer isso e como remake de um clássico este é um dos piores que eu vi em tempos. Mas mesmo se eu fosse julgar ele por si só, eu ainda acharia terrível, porque eu não dei a mínima pra nada que acontecia e passei grande parte do tempo em choque pelo quão ruim era toda a construção da obra como cinema. Chega a ser amador, você sabe que não é feito por um amador, mas parece enquanto você assiste. Eu juro que eu não esperava que ia ser tão ruim assim, eu esperava que ia ser médio pra ok, mas é como se nem o próprio Spike Lee soubesse o que ele fez e isso deixou a experiência quase ofensiva pra mim.
É pior que “Oldboy” de 2013 então?
Honestamente? Eu nem sei, está no mesmo nível com certeza.
Uma Batalha Após a Outra
3.7 669 Assista AgoraPaul Thomas Anderson… Eu me curvo perante ti.
Thank you Sensei, thank you.
Goddamit! VIVA LA REVOLUTION!
Smurfs
2.4 19 Assista AgoraPor quê continuam tentando fazer Smurfs funcionar?
Por quê três reboots em pouco mais de uma década?
Por quê a Rihanna tá aqui?
Por quê venderam o filme em cima do nome dela?
Por quê o filme é tão medonho?
Por quê ele usa a desculpa de ter estilo pra disfarçar o quão pobre e barato é a qualidade gráfica?
Por quê fizeram esse roteiro e aprovaram?
Por quê multiverso de Smurfs?
Por quê acharam que alguém ia rir dessas piadas?
Por quê ainda insistem em falar Smurf a cada segundo?
Por quê cortaram o Smurf Influencer se o resto do filme é tão cringe quanto aquela piada no trailer?
Por quê o DJ Khaled?
Por quê o James Corden?
Por quê isso existe?
Por quê lançar isso?
Por quê eu vi isso?
Por quê a minha vida deu tão errado?
Por quê o ser humano ainda não foi extinto?
Por quê senhor?
Por quê nos jogou essa calamidade?
POR QUÊ?!
ACABEM COM MEU SOFRIMENTO PELO AMOR DE DEUS!
(Playing “Mad World” by Michael Andrew’s)
A Hora do Mal
3.7 1,0K Assista AgoraPura tensão e insanidade total. Só a imagem das crianças correndo nos subúrbios à noite com as mãos esticadas já vai tornar esse filme icônico, mas felizmente tem muito mais momentos macabros que irão contribuir com isso. Pra um filme de terror mainstream de um grande estúdio, esse aqui vai mais longe que quase toda a maioria e gerando resultados genuinamente perturbadores. Eu ainda quero muito rever pra poder digerir mais do que ele tem a oferecer tematicamente, porque eu sinto que há muito que ele quer dizer sobre trauma e paranoia com essa história, há um quebra cabeça muito promissor de interpretações aqui. Mas agora só vendo uma vez, julgando só de imediato, essa foi uma experiência de terror realmente muito especial no cinema, vi numa sala lotada e todo mundo reagiu muito forte ao filme em união. Ele é filmado com extrema efetividade e arranca todas as emoções que quer de você com a maneira que ele apresenta suas sequências, e o elenco todo está excelente e eles tem personagens interessantes e moralmente complexos pra trabalhar. O mistério é intrigante bem conduzido, e há uma leve mistura de gêneros em breves momentos que poderia dar muito errado nas mãos erradas, mas o diretor faz funcionar maravilhosamente bem. Horas o filme consegue ser genuinamente assombroso e até apavorante, horas ele consegue ser engraçado de forma bem bizarra, e horas ele consegue ser os dois ao mesmo tempo e sem nunca parecer desconexo. Esse Zach Cregger vai longe depois de “Barbarian” e agora com “Weapons”, que até agora é facilmente um dos maiores destaques de 2025 pra mim.
Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
3.4 552 Assista AgoraForam muitos anos sendo fã e me divertindo horrores com filmes de super herói quando eu era criança e adolescente, mas agora adulta esse encanto andou bem apagado. O gênero explodiu tanto e a gente teve tantos filmes em tão pouco tempo que acabou me gerando um certo cinismo e antipatia por eles, e a Marvel acabou virando grande alvo disso. Apesar de alguns bons acertos durante o caminho, é inegável que os últimos anos para Marvel foram bem decepcionantes, tanto pela ambição fracassada das séries do Disney+ quanto também pelo resultado dos próprios filmes que andou muito inconsistente. Minha esperança sempre foi que talvez a tão aguardada versão do MCU do “Fantastic Four” fosse o gás novo que eles precisavam, já que esses personagens nunca tiveram um bom filme nos cinemas. E apesar de minhas várias preocupações devido aos enormes tropeços recentes do estúdio, eu torcia muito que esse fosse o longa que me trouxesse alguma vida e frescor de volta a Marvel pra mim, e com quanto que eu gostei de “Thunderbolts*” esse ano isso também me deixou ainda mais esperançosa. Eu entrei na sessão otimista mas cautelosa, mas eu acabei saindo dela genuinamente surpresa e muito feliz pelo quanto eu gostei do que vi. Pra falar a verdade, eu entrei meio que esperando quase nada, e a surpresa foi tão grande que me dei conta de que não eu não fico tão feliz e tão empolgada com um filme de super herói assim em muito tempo, e isso é muito mais que eu poderia pedir. É como se muito do que eu andei pedindo pra ver mais nesses filmes finalmente me foi entregue aqui, assim como muito do que eu andei reclamando em coisas como “Captain America: Brave New World” não estão presentes.
Eu vejo aqui um nível de execução e de real empenho na qual eu realmente não andei vendo em nada do gênero de super herói recentemente, e eu não sei se todo mundo vai se sentir da mesma forma que eu, mas eu digo isso com toda a honestidade possível. A começar que em termos cinematográficos, esse é talvez o melhor trabalho técnico e a apresentação mais dinâmica que o estúdio já fez, porque ele esbanja estilo e vibe em toda a produção e você vê todo o orçamento na tela sendo realmente bem gasto. A estética anos 60 futurista e a maneira como eles apresentam ela pelo design de produção é deslumbrante de ver, e eles ainda acrescentam escolhas divertidas de montagem e formatos e aspectos de câmera que ajudam a trazer uma atmosfera pra esse mundo que o torna único, aconchegante e convidativo. Os efeitos visuais também são excepcionais aqui, extremamente bem polidos e usados pra criar algumas sequências muito criativas e visualmente estimulantes. As cenas de ação são ótimas e te dão muito pra apreciar dos poderes dos personagens, porém são mais dosadas que o esperado também já que elas só acontecem pra mover a história pra frente, e eu digo isso como um elogio. O trabalho de som é muito bom também e teve momentos na sala que tremeram muito de imersão, e a trilha sonora do Michael Giacchino é coisa de doido, com temas marcantes e melodias que elevam o espírito e a energia do filme, dando um tema marcante aos personagens. Até o 3D ficou bem resolvido e acrescenta uma imersão e profundidade a algumas sequências muito bacanas de ver. Se fosse para apontar dedo pra algo eu só diria que há algumas cenas que poderiam ter tido uma edição mais espaçada, pra torná-las um pouco menos apressadas do que deveriam, mas fica só nisso também. Tirando isso, eu não poderia dar mais elogios a parte técnica e de estética do filme, é um espetáculo e vale muito a pena ver no cinema.
Mas acho que o mais me deixou feliz mesmo foi o quanto eu me apeguei e me importei com esses personagens, que de fato era o mais importante de se acertar. Ver esses personagens finalmente sendo bem representados, bem escritos e com ótimos atores os interpretando é algo que eu não sabia que queria tanto assim até finalmente ver em cena. A Vanessa Kirby está maravilhosa como Sue Storm, imponente porém sensível e uma total badass, e eu também adorei o Johnny Storm do Joseph Quinn que trouxe mais dignidade ao papel mas sem perder a faísca rebelde do personagem. O Pedro Pascal continua excelente como sempre e interpreta o Reed com total classe, e o Ebon Moss-Bachrach é um fofo total como Ben Grimm e o design do personagem ficou ótimo. O roteiro faz um excelente trabalho em introduzir esse universo já em andamento de uma forma que a gente ganhe o necessário das origens deles em montagens, e também estabelecer quem esses personagens são de uma maneira rápida e muito eficiente. A química dos quatro é uma delícia de acompanhar e você sente a união e o carinho de família entre eles, tanto que eu poderia ver os quatro interagindo entre si ou interagindo com as pessoas na rua o dia todo. Eu também adorei a ênfase do filme de mostrar eles agindo como verdadeiros heróis que se importam com as pessoas, criando uma forte sensação de comunidade e união ao mundo e eles exploram esses elementos de maneiras que me trouxeram um enorme sorriso no rosto. O filme todo se leva bem a sério de forma apropriada com leves toques de leveza, porém o ar esperançoso e otimista que ele traz é algo que remete muito a época que ele se passa e que temos muito pouco hoje em dia. Me fez me sentir como uma criança vendo super heróis que inspiram as pessoas a serem melhores, que inspiram a ter mais otimismo e a ser mais pessoas melhores, e como é bom sentir isso outra vez depois de tanto tempo sem ter mais brilho nos olhos vendo um filme desse tipo. Ele também é uma mistura ideal de algo quadrinhesco mas cinematográfico ao mesmo tempo.
Se isso é o que vai salvar o gênero de super herói de uma fase onde o público parece cansado dele, ou ajudar a Marvel a se reerguer após resultados decepcionantes de crítica e bilheteria, só o tempo dirá. Eu ficaria feliz se fosse o caso porque eu realmente acho que eles entregaram algo especial aqui e que seria digno pra ajudar a trazer um brilho novo a filmes de quadrinhos, mas se nem “Thunderbolts*” conseguiu se dar bem, aí fica difícil prever. Mas honestamente, se ele se der bem ou não nas bilheterias isso não muda nada em relação a obra em si, pois eu saí do cinema realmente encantada com “The Fantastic Four: The First Steps”. Se ele não salvar o gênero ou o estúdio pro futuro, ele pode ficar feliz de ao menos ter resgatado a minha chama com filmes baseados em quadrinhos de uma maneira semelhante aos que os filmes de “Spider-Verse” fizeram, e isso não é pouca coisa. Poder ver outro filme desse tipo que me fez lembrar o porque eu adorava tanto super heróis desde criança, e poder também ter uma experiência genuinamente imersiva, divertida e alegre com algo assim após anos de desgaste e desesperança com longas desse tipo, é algo que eu realmente aprecio e agradeço muito.
“Thank you Fantastic Four!”
Superman
3.6 918 Assista AgoraOk James Gunn, você tem a minha atenção.
Mas eu tenho coisas a dizer.
Quando eu sai do cinema eu fiquei em conflito, pensando demais nos problemas que eu tive e pesando eles mais do que eu deveria. Porém após reflexão e conversa com meus amigos que gostaram bastante do filme, eu pude ver que apesar dos meus problemas, ainda há muita coisa que eu gostei e apreciei. Certamente não estou no mesmo nível de entusiasmo que muitos estão tendo, mas eu acho que o que foi entregue aqui é uma base sólida pra um futuro promissor. E eu também entendo quem não vá gostar dele seja lá por quais razões, até porque eu também tenho meus problemas com ele e vou começar falando deles. O maior deles é a completa falta de maior estabelecimento aos personagens e a como esse universo funciona. Eu concordo que não precisamos da origem de ninguém, mas acho que o filme poderia ter começado dando maior contexto ao mundo e aos personagens nele, antes de partir pra ação logo direito de maneira tão bruta. E eu pessoalmente acho que tem personagens demais e coisas demais nessa história, tem ingredientes demais na receita enquanto eu queria que fosse mais simples e focasse mais nos que realmente importam. E por último eu tenho sérios problemas com a maneira que o longa trata suas personagens femininas, achei um tanto sexista e antiquado. Não chega a ser explícito, mas existe uma certa visão cômica mal intencionada em cima das personagens que não me desceu. Toda mulher fora da Louis ou é uma burra, uma bimbo, um objeto a ser controlado ou uma chata, e é um aspecto que realmente me incomodou. A subtrama com o Jimmy Olsen em particular, ou menções de haréns e o que o Lex faz com suas ex namoradas são os piores exemplo disso, achei essas escolhas feitas de muito mal gosto e não tem nada engraçado ou nenhum comentário/crítica a fazer pra justificar estar lá. Mas o que salva esse aspecto de ser um problema maior e ajuda a balancear bastante é a maravilhosa da Rachel Brosnaham que fez um trabalho incrível como a Louis Lane, que é de longe a melhor versão que a personagem já teve em cena e também a minha personagem favorita do filme. Como que eles arrasaram com a Louis e cagaram com o resto das personagens femininas? Não faço ideia.
Mas dito isso tudo isso, eu também entendo muito bem o pessoal que vai amar, e tenho certeza que vão ser muitas pessoas e por motivos muito respeitáveis. Esse é o filme que mais abraça de verdade o fato de ser um filme de quadrinhos que aceita ser totalmente absurdo, replicando a experiência caótica e charmosa de ler quadrinhos numa experiência cinematográfica, fazendo ele talvez o filme mais quadrinhesco que eu já vi na vida. E eu digo isso como um elogio pois isso torna ele único, torna o potencial desse universo fresco e aos fãs do gênero isso será um deleite irresistível. Eu talvez quisesse um pouquinho mais de controle e adaptação cinematográfica pra balancear o caos, mas eu sei que muita gente ama que ele é assim, e eu também gostei de muitas coisas. A parte técnica por exemplo é super bem resolvida e o trabalho de CGI é realmente muito bom, com cenas de ação muito dinâmicas, criativas e divertidas, e com um 3D bem feito pra acrescentar. Eu gostei muito do Superman do David Corenswet e do que ele trouxe ao papel, gostei do Lex do Nicholas Hoult embora eu ache que ele ainda tem que crescer com o papel, e embora haja personagens demais na trama, muitos deles causam impressões bem positivas, com o Krypto e o Mr. Terrific em particular sendo os destaques. A trilha sonora arranjou uma boa maneira de incorporar temas clássicos do John Williams de uma maneira própria e que se distingue o bastante, há boas surpresas pra se encontrar e a química do Corenswet e da Brosnaham é faiscante. Veremos o que o futuro nos aguarda, mas no geral eu estou intrigada e curiosa pro que vem adiante, e acho que isso prova que o filme conseguiu atingir o precisava, mesmo com algo que está longe de ser um home run. Mas aí, nem a Marvel começou com home runs então, tudo é possível, e eu vejo um bom caminho de sucesso com essa base. Se é isso que vai trazer a DC pra um novo caminho de sucesso eu fico feliz de ver, e eu torço que esse trem me cative mais com o caminho.
O Esquema Fenício
3.1 84 Assista AgoraO melhor que o Wes Anderson esteve desde um bom tempo, e não digo em isso em termos de direção ou qualidade de produção porque nisso ele sempre está excelente, mas aqui eu senti ele bem mais inspirado na narrativa e nos personagens. O elenco todo tá ótimo, adorei o Michael Cera se juntando com o Wes, e é o mais engraçado dos filmes dele desde “The Grand Budapest Hotel”. Difícil dizer se muitos vão gostar tanto quanto eu, especialmente considerando as recepções mistas de “The French Dispatch” e “Asteroid City”, mas eu fui com zero expectativa e me diverti horrores. Também peguei uma sala lotada e todos pareceram se divertir bastante também, e isso criou uma boa energia na experiência. No fim das contas, ame ou odeie, o Wes é o artista que ele é e ele tem orgulho disso, e ele certamente traz obras com voz e personalidade, e isso é de se admirar. Não tinha planos pra ver no cinema mas estou feliz que vi, acabou sendo uma boa surpresa.
Extermínio 2
3.4 746 Assista AgoraUau, esse foi um belo downgrade. Se fosse um filme separado por si só ele seria apenas genérico e esquecível, mas como sequência de “28 Days Later” ele é muito decepcionante. Fico feliz que ajudou a descobrir outros ótimos atores antes de suas carreiras explodirem, ainda tem a trilha sonora do original pra ajudar embora ela seja utilizada mais pra tapar buracos que o próprio filme tem dificuldade pra criar, e não chega a ser mal feito. Só que ele é extremamente chato, com personagens vazios, isento da sofisticação técnica e narrativa do que tornou o anterior tão especial, e aposta demais em apenas ser um filme de zumbi com ação e tensão e nada mais. E é bem mais absurdo também, a cena do helicóptero fica bem perto do ridículo mas ao menos o filme se compromete com o que quer fazer e até meio que funciona de certa forma. Eu até pegaria um pouquinho mais leve se fosse algo separado porque não é uma obra ruim no todo, mas como sequência o filme é bem fraco e isso pesa na balança. Vejo que ele tem seus defensores e se você for um deles eu fico feliz por você, certamente não é algo que eu chamaria de ruim, mas também não vou chamar de bom ou defender.
Extermínio
3.7 1,1K Assista AgoraÉ um pouco vergonhoso que eu não tenha visto isso mais cedo considerando o quanto eu sou fã do pessoal que faz parte dessa obra, mas né, antes tarde do que nunca e agora é a hora ideal para com o lançamento de “28 Years Later”. Muito ouvi falar do quanto esse filme influenciou todo santo filme de zumbi depois que ele saiu, e dá pra facilmente ver o porquê. O look claustrofóbico e serrilhado das câmeras digitais antigas que acabam gerando uma atmosfera rígida e perigosa, a velocidade e ferocidade implacável dos infectados que te dá calafrios, as icônicas cenas nas ruas de Londres totalmente mortas e vazias, é tudo realmente tão bom quanto dizem. É intenso, implacável, brutal e sabe muito bem manter uma sensação de morte iminente a cada momento. Mas isso tudo eu meio que já esperava de certa forma, embora eu ainda tenha ficado realmente muito impressionada com o quão efetivo ele consegue ser com tão pouco. Mas o que me surpreendeu é que há também momentos tênues de emoção muito efetivos nos breves momentos de paz que os personagens têm, e eu certamente não esperava o caminho que a narrativa tomou no terceiro ato, que acabou dando um nível extra de comentário social que eleva tudo que você viu antes até então. E a trilha sonora é sensacional e muito única, e o filme utiliza ela muito bem pra elevar o que está em cena. Não é a toa que muitos do pessoal que participou desse longa tiveram boas carreiras, do Danny Boyle ao Alex Garland que viriam a ser cineastas formidáveis, ao elenco cheio de nomes agora consagrados. Definitivamente agora acho esse um essencial do cinema de terror que envelheceu maravilhosamente bem, e se ainda não viu eu deixo minha mais alta recomendação.
Homem com H
4.2 520 Assista AgoraVer o enorme sucesso que esse filme conseguiu alcançar nas bilheterias brasileiras e o excelente boca a boca que amigos e familiares me passaram, certamente aumentaram minha expectativa pra ver esse filme. Fico triste que não consegui ver no cinema, mas agora finalmente pude conferir e acho que esse longa correspondeu às expectativas, excedendo elas em alguns aspectos, mas não tanto em outras. Quem eleva a obra é sem sombra de dúvida o Jesuíta Barbosa, que está magnético interpretando o Ney, capturando a explosão de talento e sensualidade inigualável dele no palco, e a sensibilidade dele como pessoa. Outro forte destaque é o diretor Esmir Filho que comanda o filme com muita segurança e voz própria, sabendo filmar com personalidade e apresentar tudo de maneira muito profissional e expressiva. A montagem arrisca ideias frenéticas de junção entre shows e cenas paralelas, cenas abstratas de metáfora visual que são bem realizadas e acrescentam na experiência, e eles captam bem as emoções dos atores nos momentos mais dramáticos. O elenco coadjuvante está bem mas ninguém aqui se destaca, muito porque o Jesuíta rouba bastante a atenção sim, mas todos cumprem o que precisam. Vários dos problemas que aponto em cinebiografias musicais, especialmente muitas das brasileiras que vi, é que falta alma, tudo parece novelesco e é tão didático que parece como uma descrição da Wikipédia. “Homem com H” foge disso durante grande parte da exibição, sendo uma obra sim cinematográfica e que explode da alma que seu artista tem na vida real. Porém o que segura ele pra mim de ser realmente especial, é que ele infelizmente não consegue escapar da fórmula típica que eu reclamo tanto, não por completo.
Eu entendo que muita gente não se incomoda com isso tanto quanto eu, mas eu simplesmente não curto esse formato incessante em cinebiografias de querer contar uma história sobre alguém que se passou por décadas em apenas duas ou três horas. Quer dizer que é impossível de fazer dar certo? Não, mas há uma trend dessas cinebiografias em específico que anda seguindo uma fórmula muito específica que simplesmente tá ficando velha. É uma insistência de achar que precisa cobrir tudo sobre alguém, fato por fato, faceta por faceta e cada acontecimento importante, que eu acho que limita essas obras de fazer algo que seja genuíno do começo ao fim. É como se ele precisasse seguir esse caminho para poder ter maior alcance com o público, poder pagar o preço pelas escolhas mais fora da caixinha que ele faz ou para certificar que homenageia a pessoa retratada com 100% de certeza. No meio das excelentes cenas e elementos que eu gostei, ele também segue caminhos esperados, certificando que atingiu os momentos e fatos que as pessoas esperam ver. Não acho que ele faça nada disso mal ou sem o mesmo empenho que citei, mas eu pessoalmente acho que essa abordagem me tira da imersão e me lembra de que estou vendo um filme. Eu queria que tivessem priorizado apenas a experiência cinematográfica e emocional, sem a necessidade dessa segurança de se prender a uma lista de pontos a se marcar. O filme é tão feroz, pulsante e genuinamente cativante nos seus melhores momentos, que eu só queria que ele fosse assim no conjunto todo. Mas pelo menos ainda ganhamos um bom filme no meio disso e eu gostei do que vi, só não amei tanto quanto gostaria. Dito tudo isso, esse é um grande passo na direção certa para esse subgênero e torço que o sucesso dele inspire futuros outros do gênero a serem mais assim, se não melhor.
Pecadores
4.0 1,3K Assista AgoraNão tem jeito, é ainda melhor na segunda vez. Eu queria muito poder ter visto ele mais vezes no cinema e em IMAX, mas eu tenho certeza que terei outras chances porque esse filme não vai sumir da mente coletiva das pessoas tão cedo. Comprei a cópia digital pra poder ver o mais rápido possível e com fácil acesso, e logo comprarei o Blu Ray também, porque eu definitivamente irei rever isso muitas vezes mais e apresentar ele pro máximo de pessoas que eu puder. Estou imensamente feliz que as cenas em IMAX foram lançadas pra cópia de home video, é glorioso quando a tela expande nas grandes cenas do filme. E estou viciada na trilha sonora desse filme desde que vi então eu pude notar ainda mais a presença incrível dela no filme. E quanto mais você pensa e procura o que analisar no filme, mais você extrai de subtexto e mensagens sociais complexas e extremamente fortes e relevantes. Filmes como “Sinners” e cineastas como o Ryan Coogler são o que mantém a experiência cinematográfica viva, nos lembra o porquê amamos ir ao cinema e inspira novas gerações de cineastas e cinéfilos por anos a frente. Estou imensamente feliz com a aclamação geral de público e crítica, o enorme sucesso nas bilheterias e o potencial colossal dele nas premiações do ano que vem. Momentos em que uma obra como essa saem são raros de se ver mas quando veem, eles me lembram da minha razão de viver.
Lilo & Stitch
3.6 244 Assista AgoraBrigada Disney, eu odiei e eu te odeio agora.
Um Filme Minecraft
2.6 199 Assista AgoraA música nos créditos devia chama “I Wanna Die”, seria mais fiel a experiência de ter que aturar essa bomba até o fim.