A cena inicial dela dormindo nas raízes da árvore, no meio da floresta, com seu vestido vermelho, como num ventre, onde depois ela dá a luz, sozinha, aos gritos, tão guturais como quando perde seu filho anos depois. Ela no fim, processando o luto através da arte do marido, entendendo seu silêncio, entendendo que era assim que ele se reconectava e se despedia, ela própria vendo Hamnet uma última vez. O seu riso no fim do choro. A magia do menino, tragédia épica de um herói que enganou a morte e tomou o lugar de sua irmã.
A busca por vingança, de alguma forma bem sucedida, tem um gosto de perdão amargo. Ainda que na cena final Jules esteja levantado, de queixo erguido, com o moletom amarelo cortado em cropped, enquanto Preston está deitado no chão machucado e chorando, ele guarda o vídeo não publicado, a vingança não-realizada, o sentimento de "self-loathing" da sexta-feira à noite que descreve para os amigos, o trauma de se aproximar e submeter ao seu agressor. Aceita ser maltratado no começo para conseguir realizar o seu delírio de vingança, termina ganhando, invertendo o jogo e fazendo com que seu agressor confie e se apaixone por ele. No fim, sente até pena de Preston, porque de alguma forma passa a conhecê-lo melhor e entende os limites do seu mundo e seu sofrimento. A vingança foi feita, se no começo do filme era Jules caído no chão, frágil e machucado, no fim do filme a situação é oposta. Jules conseguiu quebrar o Preston, da mesma forma que Preston conseguiu quebrar Jules. Óbvio, sempre torcemos pra Jules, o que tem gosto tão amargo de engolir é perceber que, na verdade, os dois estavam sempre estiveram frágeis e machucados ao longo do filme inteiro. O presente que Jules encontre em sua cama quando chega em casa, no fim, é poder se vestir com a roupa do seu agressor, e ficamos com a frustração de uma vingança mais agridoce do que se imaginava.
Incrível. Me emocionou nos primeiros 10 minutos e me surpreendeu até o final. Chalamet tá genial no papel e é um absurdo como canta e toca bem. Aliás, o elenco é todo talentoso, e o tanto de música que toca no filme é uma delícia nunca entediante. Cinco anos se preparando pro papel que recompensaram.. musicalmente falando, a melhor cinebiografia que já vi. A história foca o começo da carreira do Bob Dylan, como se apresentou ao mundo e os primeiros anos até sua explosão, com uma menção ao contexto social da época no fundo da trama, o que adiciona uma camada nova à interpretação das letras. Junta a isso a história da relação amorosa e parceria profissional com Joan Baez. Vai assistir se você gosta de música
O filme constrói um suspense interessante, entre muitos gemidos e poucas roupas. Heraldo tem um charme meio melindrado, e as cenas em que ele se solta - tanto dançando quanto falando do passado - têm um brilho especial. Gostei do rumo que a história tomou mas achei que o filme podia ter terminado 5 minutos antes, porque a montagem final ficou
O personagem do Samuel é muito bem construído, uma figura espontânea, imprevisível e inteligente, e é bom ver uma personagem complexa poder se explorar, como a Romy. E tem honestidade na relação que acontece. O filme entrega algumas cenas boas, eu vibrei na cena
confronta ele também é muito boa, a conversa entre eles e a reação do Jacob é sensacional, porque ele ali também aprende algo com a situação, assim como ela aprendeu.
O filme preza por criar cenas impactantes e isso dita o ritmo: ele está sempre em preparação pra determinados momentos, orbitando as cenas que lhe dão mais sentido, onde a história de fato acontece. O começo e o fim são quase detalhes, o que importa é acompanhar a jornada da personagem pelos caminhos do próprio desejo suas reverberações, tão corporais.
Começa kafkaniano, se desenvolve como um suspense e termina uma doçura. Deixa algumas pontas soltas, e constrói uma mesma história sempre tão diferente.
A histórica é contada de forma dinâmica, a trilha sonora dá um ritmo acelerado pro filme e as cenas em camera lenta capturam a tensão naquelas relações. A química dos atores é ótima e traz uma sensualidade vibrante pro filme, em que tesão, conquista e amizade se misturam e de alguma forma todos se dão bem - quem gosta de assistir e quem gosta de jogar. Há intimidade tanto na quadra quanto na cama, e por voltas uma substitui a outra.
Achei longo demais pro que o roteiro entrega e as músicas são tão boas quanto se espera de um musical desse tamanho, com exceção da última. As atuações também as vezes ficam caricatas demais, e os pontos mais interessantes da história não são desenvolvidos no filme.
Eu simplesmente amei, personagem principal e coadjuvante que roubam a cena e constroem um filme à parte. Dinâmico, divertido e com um roteiro que na verdade subverte alguns esteriótipos - apesar de que parece que nem todo mundo percebeu isso rs. E me deu o final que eu torci, obrigado.
Filmaço. Roteiro muito bem amarrado e atuações impecáveis. O fato de Emma Stone ter ganhado o oscar no lugar da Sandra Huller é bem a prova de como eles são enviesados pra próprio umbigo. Os diálogos são muito bem construídos, o flashback é perfeito, e a construção do drama, das duas narrativas paralelas, é feito de forma bem delicada. A história vai se desenrolando de uma forma que você tem cada vez mais informações, surgem novas camadas na vida dos personagens, e você acaba participando desse processo de construir uma narrativa e acreditar nela.
Que no final, fica bem clara, graças ao experimento com o Snoop. Acho que uma das mensagens por trás da história é sobre o ato do julgamento em si, sua imensa fragilidade e sua natureza essencialmente subjetiva, ficcional, quase literária. No programa de TV eles dizem certa hora: "É muito mais interessante uma escritora que assassina o marido do que um professor que se mata", e acho que vai bem por aí. Falando nisso, aquele promotor é uma cobra!
O filme é super original e criativo, tem um tom surrealista gostoso de assistir, e boas atuações. Mas senti como se o roteiro tivesse sido um pouco preguiçoso em termos de deixar aquela realidade paralela mais verossímil na forma como a personagem se desenvolve, em especial suas capacidades cognitivas e motoras.
Por exemplo, ela estar lendo um livro sobre filosofia mas ainda escrever como se fosse criança
. . Acho que, pela efusividade com que o filme foi recebido, eu esperava um roteiro mais amarradinho.
Por outro lado, me parece que ele se propõe a ser mais próximo de um conto mesmo, metafórico e lúdico, e a história se desenvolve de uma forma totalmente inesperada. A forma como a protagonista usa o corpo pra ir descobrindo o mundo é bem legal, e as coisas que ela descobre são de fato bem importantes. É refrescante ver a personagem, como mulher, ter uma segunda chance em se permitir e ser permitida. De vê-la olhando o mundo com olhar ingênuo e, talvez por isso, mais aguçado e revolucionário.
Acho que o diretor conseguiu criar uma obra única e com valor, apesar de talvez um bocadinho caricata, como p. ex. cenários e fotografia.
Pra mim, não se trata de questão mediúnica ou espiritual, é simplesmente ele lidando com aquilo e escrevendo sobre. Acho que o ato de se apaixonar é o gatilho, tornar-se um casal, ver-se espelhado na relação de seus pais. Esse é o elemento psicanalítico que o filme carrega, da relação através da qual nós enxergamos as outras relações em nossas vidas, como se vivêssemos uma espécie de paródia, de busca reproduzir ou reescrever aquilo. É um filme muito simbólico, a começar pelo fato dele ser um roteirista, e acredito que os cortes mais surrealísticos têm justamente essa função. No final, não pude senão pensar que havia uma história igualmente profunda na vida do Harry, só não tivemos acesso à ela. Nem o Adam. Ninguém tem acesso de fato às nossas histórias, e essa é a ilusão em ser um casal: a que temos.
filmaço, claustrofóbico, tenso, aflitivo e angustiante; mas super emocionante, absurdo e lindo ver toda a mobilização e inventividade utilizadas pra possibilitar a operação de resgate. muita coragem, muito sangue frio, horas horas e horas submerso. as lágrimas de jae mae nang non inundaram a caverna, e também passaram por aqui
Filme bonito, delicado. Menos de reviravoltas grandiosas, e mais sobre pequenos grandes acontecimentos. Tem um começo quase documental, se desenvolve sem pressa, fazendo conhecer cada um dos quatro membros da família, e termina compondo um arco bonito de quebra de expectativas e reconstrução de sonhos.
Filmaço. Ir assistir sem ter lido essa sinopse que entrega é melhor ainda. Cronenberg cria um futuro distópico, anárquico, na qual a relação com o próprio corpo é posta em destaque, na medida em que a tecnologia cirúrgica está tão evoluída que os seres humanos engrendam modificações corporais como forma de arte e prazer. O corpo já não sente dor como antes, e a cirurgia, além de se tornar algo acessível, ganha uma nova dimensão:
é o novo sexo, a nova forma de exploração do próprio corpo e do corpo do outro. E isso é só o contexto. O filme começa com uma criança sendo morta pela própria mãe depois de devorar uma lata de lixo - é o primogénito de uma evolução natural humana, que digere plástico com uma baba branca espessa e ácida. É o homem que cabe na terra do futuro. A evolução do homem é se tornar o comedor de seu próprio lixo
. E a história se desenrola através da arte performática, acompanhando as performances cirúrgicas para remover órgãos que nascem espontaneamente no corpo de um homem. Repetidamente. Sua natureza idiopática é um mistério, e conforme entendemos no filme,
era a luta de um homem para continuar humano, para não se afastar de sua linha de evolução. Cronenberg apresenta um futuro de evolução do corpo humano onde, como espécie pensante, muitas vezes acabamos lutando contra nossa própria natureza. Ao mesmo tempo, sugere que nossas evoluções nos levarão a um caminho cada vez menos humano, mais sintético e tecnológico. Em uma cena lindíssima, um homem com orelhas implantadas por todo o corpo, olhos e boca costurados, dança ao som de uma música eletrônica. A representação desse êxtase e dessa aberração que coexiste. Também chama a atenção a contraposição entre o futuro tecnológico e os materiais e texturas presentes no filme, particularmente as máquinas que parecem ser feitas de ossos e pedras. Parece ser um simbolismo desse futuro que retorna ao corpo, às suas funções básicas e órgãos internos, na mesma medida que quer encontrar solução nas suas raízes. Arte, tecnologia, escapismo e, em que medida, o fim? O ser humano se entrega e luta por si próprio.
Sinopse do filme tá horrível: não explica bem a história, entrega informações reveladas só no meio/fim do filme, além de falar coisas erradas.
Pablo Quintero (Eusebio Poncela) é um diretor de teatro homossexual, que mantém relações casuais com os homens, e em um momento se vê às voltas com as cobranças de Juan Bermúdez (Miguel Molina) e Antonio Benitez (Antonio Banderas), dois jovens com quem manteve relações e que se apaixonaram por ele. Sua irmã, Tina (Carmen Maura), a estrela de sua peça, e futura protagonista de um filme para o qual Pablo está escrevendo o roteiro, acaba envolvida nos dramas desse triângulo amoroso.
Ainda poderia ser melhor, mas tô com preguiça, pelo menos não tá errada rs.
filmaço, ótimas atuações, tema tratado de forma brilhante, a história evolui super bem, e de quebra ainda rola aquele clima de certo suspense erótico enquanto você conhece os personagens - e delicia conhecê-los.
o filme se constrói como uma alegoria pra lá de lúdica, cria um roteiro interessante, tem um lado cómico meio besteirol, entrega boas cenas de ação, às vezes se perde um pouquinho no meio de tanta informação, mas consegue amarrar um bom produto final. Rendeu boas risadas, algumas surpresas, um pouco daquela sensação de "meu deus, o que vai rolar agora", mas também algumas olhadas no celular.
Achei que faltou força no fim, pra um filme que se pretendeu o tempo todo tão tudo ao mesmo tempo - ou bom, talvez o ponto fosse >> só aquilo <<, afinal, a proposta do roteiro parte de criar uma alegoria para o processo de aceitação da sua filha, que é gay. Isso no contexto de uma menina filha de pais imigrantes, que vive uma realidade totalmente diferente da deles, cada vez mais distante da língua, da cultura e da família.
A reflexão que o filme propõe, do diálogo das pedras até o bagel-buraco-negro, é que existem possibilidades infinitas de viver a vida, e que conseguir sair da sua perspectiva única, pra entender/sentir/ser de outra perspectiva, é um superpoder. Capaz de te fazer reatar seu relacionamento com seu marido e sua filha, acessando a essência daquilo que realmente importa. Ao invés de desistir e virar as costas pros mundos que você não acessa com tanta facilidade.
Pode soar um tanto piegas, mas no meio de troféus fálicos, nunchakus de consolo, figurinos gritantes e maquiagens surrealistas, o filme te faz sentir a todo momento um pouco de tudo.
Fui já sabendo da opinião negativa sobre o filme, mas me surpreendi positivamente. A apresentação da narrativa se dá através de uma metalinguagem debochada, que faz piada de si própria e se usa como o exemplo daquilo que critica e acusa. Nessa toada, aproveita para traçar um paralelo com o momento político atual, construindo parte do humor do filme na nossa realidade de algoritmos, mídias sociais, fake news e populismo conservador. Vale saber que a simbologia de Matrix foi apropriada pela alt-right americana (movimento de supremacia branca) para espalhar teorias da conspiração e promover ideologias racistas, fascistas e neoliberais. Assim, o filme se apresenta desde o começo como uma ideia apropriada, que mais uma fez busca se libertar. As cenas do filme antigo expõem sua obsolescência, ao mesmo tempo que o homenageiam. E é aí que entra a explicação do porquê as cenas de ação não superam a do primeiro filme: porque não eram para superar. Tornar a narrativa uma crítica metalinguística é também uma forma da diretora Lana Wachowski expor a pressão das produtoras para a criação do quarto filme de uma trilogia já terminada. O que elas querem: bullet time. O efeito que conquistou as pessoas, que gerou o "wow effect" e estorou as bilheterias. O filme sempre fala de si próprio "fora da Matrix", seu impacto no mundo real, tudo aquilo que suas ideias inspiraram, mas também das forças de apropriação que agem sobre si. Pois então foram feitas as tais cenas lucrativas, iguaizinhas a antes, mas sob um véu de deboche crítico e metalinguístico. Honestamente, genial. Não é só mais um filme da trilogia, pois seu enredo dialoga com o impacto e construção simbólica dos três primeiros filmes na vida política da sociedade. O paralelo entre o universo de algoritmos de Matrix e o mundo real nunca esteve tão pungente, e portanto a escolha de tratar o assunto dentro de sua própria semiótica o torna uma espécie de blockbuster experimental, que usa a ficção científica enquanto documentário. A proposta é mostrar a realidade político-econômica que, ao longo dos últimos anos, se confundiu com a própria história do filme. Me parece um caso único na história do cinema, e ter utilizado a oportunidade de regravar uma produção de sucesso gigante de forma tão emaranhada com a crítica social que permeia a narrativa é,
nas palavras finais da Trinity, símbolo do empoderamento e protagonismo feminino dentro e fora das telas, "é algo que nunca poderíamos imaginar", uma chance única, "uma nova chance".
Assisti a sessão de 15/12/21 do Festival do Rio. O filme apresenta uma rotina de quarentena de uma forma fora do óbvio: ao invés de se concentrar na melancolia e tédio do isolamento, dá voz aos sonhos e devaneios de todo o futuro que ainda há pela frente. Quarentenado com Brendo, o diretor nos apresenta um retrato intimista do protagonista - sua história, conquistas, personalidades e sonhos. Figura carismática e bem articulada, vamos nos entretendo com Brendo entre afazeres domésticos, conversas de vídeo, passarinhos na janela e vizinhos se exercitando. O filme não mergulha no profundo mas, nem por isso, é superficial: com leveza, joga um olhar no momento de vida do protagonista, pincela algumas dinâmicas específicas do relacionamento entre os dois, e abre espaço pra que ele sonhe em voz alta, e se apresente como quem sonha ser. Também brinca com a questão da atuação, preferindo por vezes mostrar só o que está por trás do corte, o entrecena de alguém que fica confortável na frente das câmeras, mas que não gosta de ser dirigido. Um olhar fresco sobre a quarentena, um retrato divertido sobre alguém que conquista e sonha, e quem sabe uma possível peça experimental de capital eleitoral pro futuro.
O filme é muito bom, muito bem escrito, a fotografia é linda, tem ótimas enquadramentos, a locação é ótima, enfim, vale muito a pena assistir. Os personagens são profundos e os diálogos são bastante intensos, e vão contando a história da relação enquanto trazem à tona uma série de questões emocionais que existe entre os dois. O diretor se aproveita do personagem de sucesso de Zendaya na série Euphoria para construir a personagem do filme, mas não o faz de uma forma repetitiva. E Zendaya reinventa com excelência. Existe também um certo toque metalinguistico no roteiro, que é utilizado para fazer um recorte racial crítico do filme, através das próprias críticas do personagem de Washington, que é cineasta. Gostei da forma delicada de tocar no assunto, e de garantir que o filme supere esse recorte. O filme de fato vai além porque trata do que é mais visceral, humano, falho e poderoso na relação dos dois. E te prende porque permeia tudo isso com a certeza e a promessa de amor. E com a dúvida.
O filme simplesmente é ruim. E sim, surpreende que Nolan tenha errado tanto a mão depois de tantos acertos. Um imaginaria que ele já teria desvendado a fórmula...e será que não foi esse o problema?
O roteiro é mal construído, a história dos personagens é superficial e a história não se sustenta na mistura de "dama drama" e complexo de heroi com entropia reversa e guerra mundial III. Ficou mal costurado, você perde o fio da meada, personagens somem e aparecem, belas fotografias de lugares que você nunca sabe onde é exatamente e, claro, as surpresas da entropia reversa que causam hipotermia em quem está dentro de um carro que explode.....e não só a execução é ruim, como a história em si pareceu muito mal pensada, como se tivesse sido projetada para a espetacularização, aquele típico exagero estadunidense de armas e grandes cenas de ação - apesar da origem británica do diretor. Acredito que se fosse menos blockbuster daria chance pro roteiro ser mais bem construído, numa crescente mais lenta e cheia de suspense. Afinal, são 2h30 de filme, e melhor um arco narrativo claro e poucos personagens bem construídos, do que uma história épica mas vazia.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 488 Assista AgoraLindo, visceral, sensível. Atuações majestosas. Uma história de um amor que é tão forte que se multiplica, se sacrifica, cria encantos.
A cena inicial dela dormindo nas raízes da árvore, no meio da floresta, com seu vestido vermelho, como num ventre, onde depois ela dá a luz, sozinha, aos gritos, tão guturais como quando perde seu filho anos depois. Ela no fim, processando o luto através da arte do marido, entendendo seu silêncio, entendendo que era assim que ele se reconectava e se despedia, ela própria vendo Hamnet uma última vez. O seu riso no fim do choro. A magia do menino, tragédia épica de um herói que enganou a morte e tomou o lugar de sua irmã.
Femme
3.8 67Filme tenso, complexo e com boas atuações.
A busca por vingança, de alguma forma bem sucedida, tem um gosto de perdão amargo. Ainda que na cena final Jules esteja levantado, de queixo erguido, com o moletom amarelo cortado em cropped, enquanto Preston está deitado no chão machucado e chorando, ele guarda o vídeo não publicado, a vingança não-realizada, o sentimento de "self-loathing" da sexta-feira à noite que descreve para os amigos, o trauma de se aproximar e submeter ao seu agressor. Aceita ser maltratado no começo para conseguir realizar o seu delírio de vingança, termina ganhando, invertendo o jogo e fazendo com que seu agressor confie e se apaixone por ele. No fim, sente até pena de Preston, porque de alguma forma passa a conhecê-lo melhor e entende os limites do seu mundo e seu sofrimento. A vingança foi feita, se no começo do filme era Jules caído no chão, frágil e machucado, no fim do filme a situação é oposta. Jules conseguiu quebrar o Preston, da mesma forma que Preston conseguiu quebrar Jules. Óbvio, sempre torcemos pra Jules, o que tem gosto tão amargo de engolir é perceber que, na verdade, os dois estavam sempre estiveram frágeis e machucados ao longo do filme inteiro. O presente que Jules encontre em sua cama quando chega em casa, no fim, é poder se vestir com a roupa do seu agressor, e ficamos com a frustração de uma vingança mais agridoce do que se imaginava.
Um Completo Desconhecido
3.5 238 Assista AgoraIncrível. Me emocionou nos primeiros 10 minutos e me surpreendeu até o final. Chalamet tá genial no papel e é um absurdo como canta e toca bem. Aliás, o elenco é todo talentoso, e o tanto de música que toca no filme é uma delícia nunca entediante. Cinco anos se preparando pro papel que recompensaram.. musicalmente falando, a melhor cinebiografia que já vi. A história foca o começo da carreira do Bob Dylan, como se apresentou ao mundo e os primeiros anos até sua explosão, com uma menção ao contexto social da época no fundo da trama, o que adiciona uma camada nova à interpretação das letras. Junta a isso a história da relação amorosa e parceria profissional com Joan Baez. Vai assistir se você gosta de música
A Sala dos Professores
3.8 228 Assista AgoraA atuação da Leonie é boa e o clima de tensão se sustenta, mas o final deixa a desejar um pouco. Nem tanto
por ficar meio em aberto
Carvão
3.8 133 Assista AgoraDesalento brutal e belas atuações, principalmente da Maeve e da criança, que rouba a cena.
Motel Destino
3.4 192 Assista AgoraO filme constrói um suspense interessante, entre muitos gemidos e poucas roupas. Heraldo tem um charme meio melindrado, e as cenas em que ele se solta - tanto dançando quanto falando do passado - têm um brilho especial. Gostei do rumo que a história tomou mas achei que o filme podia ter terminado 5 minutos antes, porque a montagem final ficou
com um ar romântico quase brega, que não condiz tanto com o resto do filme e não convence muito
Babygirl
2.7 497 Assista AgoraO personagem do Samuel é muito bem construído, uma figura espontânea, imprevisível e inteligente, e é bom ver uma personagem complexa poder se explorar, como a Romy. E tem honestidade na relação que acontece. O filme entrega algumas cenas boas, eu vibrei na cena
em que ela bebe leite do prato de chá e ele depois lambe o leito do rosto dela
ele dança pra ela no hotel
confronta ele também é muito boa, a conversa entre eles e a reação do Jacob é sensacional, porque ele ali também aprende algo com a situação, assim como ela aprendeu.
Monstro
4.2 398 Assista AgoraComeça kafkaniano, se desenvolve como um suspense e termina uma doçura. Deixa algumas pontas soltas, e constrói uma mesma história sempre tão diferente.
Rivais
3.6 580 Assista AgoraA histórica é contada de forma dinâmica, a trilha sonora dá um ritmo acelerado pro filme e as cenas em camera lenta capturam a tensão naquelas relações. A química dos atores é ótima e traz uma sensualidade vibrante pro filme, em que tesão, conquista e amizade se misturam e de alguma forma todos se dão bem - quem gosta de assistir e quem gosta de jogar. Há intimidade tanto na quadra quanto na cama, e por voltas uma substitui a outra.
Wicked
3.9 526 Assista AgoraAchei longo demais pro que o roteiro entrega e as músicas são tão boas quanto se espera de um musical desse tamanho, com exceção da última. As atuações também as vezes ficam caricatas demais, e os pontos mais interessantes da história não são desenvolvidos no filme.
Talvez o segundo seja melhor
Anora
3.4 1,2K Assista AgoraEu simplesmente amei, personagem principal e coadjuvante que roubam a cena e constroem um filme à parte. Dinâmico, divertido e com um roteiro que na verdade subverte alguns esteriótipos - apesar de que parece que nem todo mundo percebeu isso rs. E me deu o final que eu torci, obrigado.
Anatomia de uma Queda
4.0 993 Assista AgoraFilmaço. Roteiro muito bem amarrado e atuações impecáveis. O fato de Emma Stone ter ganhado o oscar no lugar da Sandra Huller é bem a prova de como eles são enviesados pra próprio umbigo. Os diálogos são muito bem construídos, o flashback é perfeito, e a construção do drama, das duas narrativas paralelas, é feito de forma bem delicada. A história vai se desenrolando de uma forma que você tem cada vez mais informações, surgem novas camadas na vida dos personagens, e você acaba participando desse processo de construir uma narrativa e acreditar nela.
Que no final, fica bem clara, graças ao experimento com o Snoop. Acho que uma das mensagens por trás da história é sobre o ato do julgamento em si, sua imensa fragilidade e sua natureza essencialmente subjetiva, ficcional, quase literária. No programa de TV eles dizem certa hora: "É muito mais interessante uma escritora que assassina o marido do que um professor que se mata", e acho que vai bem por aí. Falando nisso, aquele promotor é uma cobra!
Pobres Criaturas
4.1 1,3K Assista AgoraO filme é super original e criativo, tem um tom surrealista gostoso de assistir, e boas atuações. Mas senti como se o roteiro tivesse sido um pouco preguiçoso em termos de deixar aquela realidade paralela mais verossímil na forma como a personagem se desenvolve, em especial suas capacidades cognitivas e motoras.
Por exemplo, ela estar lendo um livro sobre filosofia mas ainda escrever como se fosse criança
Por outro lado, me parece que ele se propõe a ser mais próximo de um conto mesmo, metafórico e lúdico, e a história se desenvolve de uma forma totalmente inesperada. A forma como a protagonista usa o corpo pra ir descobrindo o mundo é bem legal, e as coisas que ela descobre são de fato bem importantes. É refrescante ver a personagem, como mulher, ter uma segunda chance em se permitir e ser permitida. De vê-la olhando o mundo com olhar ingênuo e, talvez por isso, mais aguçado e revolucionário.
Acho que o diretor conseguiu criar uma obra única e com valor, apesar de talvez um bocadinho caricata, como p. ex. cenários e fotografia.
Todos Nós Desconhecidos
3.8 261 Assista AgoraO filme conta a história de um homem que, ao se apaixonar, acaba lidando com emoções do seu passado - menino gay que perdeu os pais aos 12 anos.
Pra mim, não se trata de questão mediúnica ou espiritual, é simplesmente ele lidando com aquilo e escrevendo sobre. Acho que o ato de se apaixonar é o gatilho, tornar-se um casal, ver-se espelhado na relação de seus pais. Esse é o elemento psicanalítico que o filme carrega, da relação através da qual nós enxergamos as outras relações em nossas vidas, como se vivêssemos uma espécie de paródia, de busca reproduzir ou reescrever aquilo. É um filme muito simbólico, a começar pelo fato dele ser um roteirista, e acredito que os cortes mais surrealísticos têm justamente essa função. No final, não pude senão pensar que havia uma história igualmente profunda na vida do Harry, só não tivemos acesso à ela. Nem o Adam. Ninguém tem acesso de fato às nossas histórias, e essa é a ilusão em ser um casal: a que temos.
Treze Vidas: O Resgate
4.0 162 Assista Agorafilmaço, claustrofóbico, tenso, aflitivo e angustiante; mas super emocionante, absurdo e lindo ver toda a mobilização e inventividade utilizadas pra possibilitar a operação de resgate. muita coragem, muito sangue frio, horas horas e horas submerso. as lágrimas de jae mae nang non inundaram a caverna, e também passaram por aqui
Marte Um
4.1 339 Assista AgoraFilme bonito, delicado. Menos de reviravoltas grandiosas, e mais sobre pequenos grandes acontecimentos. Tem um começo quase documental, se desenvolve sem pressa, fazendo conhecer cada um dos quatro membros da família, e termina compondo um arco bonito de quebra de expectativas e reconstrução de sonhos.
Crimes do Futuro
3.2 281 Assista AgoraFilmaço. Ir assistir sem ter lido essa sinopse que entrega é melhor ainda. Cronenberg cria um futuro distópico, anárquico, na qual a relação com o próprio corpo é posta em destaque, na medida em que a tecnologia cirúrgica está tão evoluída que os seres humanos engrendam modificações corporais como forma de arte e prazer. O corpo já não sente dor como antes, e a cirurgia, além de se tornar algo acessível, ganha uma nova dimensão:
é o novo sexo, a nova forma de exploração do próprio corpo e do corpo do outro. E isso é só o contexto. O filme começa com uma criança sendo morta pela própria mãe depois de devorar uma lata de lixo - é o primogénito de uma evolução natural humana, que digere plástico com uma baba branca espessa e ácida. É o homem que cabe na terra do futuro. A evolução do homem é se tornar o comedor de seu próprio lixo
era a luta de um homem para continuar humano, para não se afastar de sua linha de evolução. Cronenberg apresenta um futuro de evolução do corpo humano onde, como espécie pensante, muitas vezes acabamos lutando contra nossa própria natureza. Ao mesmo tempo, sugere que nossas evoluções nos levarão a um caminho cada vez menos humano, mais sintético e tecnológico. Em uma cena lindíssima, um homem com orelhas implantadas por todo o corpo, olhos e boca costurados, dança ao som de uma música eletrônica. A representação desse êxtase e dessa aberração que coexiste. Também chama a atenção a contraposição entre o futuro tecnológico e os materiais e texturas presentes no filme, particularmente as máquinas que parecem ser feitas de ossos e pedras. Parece ser um simbolismo desse futuro que retorna ao corpo, às suas funções básicas e órgãos internos, na mesma medida que quer encontrar solução nas suas raízes. Arte, tecnologia, escapismo e, em que medida, o fim? O ser humano se entrega e luta por si próprio.
A Lei do Desejo
3.8 324 Assista AgoraSinopse do filme tá horrível: não explica bem a história, entrega informações reveladas só no meio/fim do filme, além de falar coisas erradas.
Pablo Quintero (Eusebio Poncela) é um diretor de teatro homossexual, que mantém relações casuais com os homens, e em um momento se vê às voltas com as cobranças de Juan Bermúdez (Miguel Molina) e Antonio Benitez (Antonio Banderas), dois jovens com quem manteve relações e que se apaixonaram por ele. Sua irmã, Tina (Carmen Maura), a estrela de sua peça, e futura protagonista de um filme para o qual Pablo está escrevendo o roteiro, acaba envolvida nos dramas desse triângulo amoroso.
Ainda poderia ser melhor, mas tô com preguiça, pelo menos não tá errada rs.
Boa Sorte, Leo Grande
3.7 168 Assista Agorafilmaço, ótimas atuações, tema tratado de forma brilhante, a história evolui super bem, e de quebra ainda rola aquele clima de certo suspense erótico enquanto você conhece os personagens - e delicia conhecê-los.
Tudo em Todo O Lugar ao Mesmo Tempo
4.0 2,1K Assista Agorao filme se constrói como uma alegoria pra lá de lúdica, cria um roteiro interessante, tem um lado cómico meio besteirol, entrega boas cenas de ação, às vezes se perde um pouquinho no meio de tanta informação, mas consegue amarrar um bom produto final. Rendeu boas risadas, algumas surpresas, um pouco daquela sensação de "meu deus, o que vai rolar agora", mas também algumas olhadas no celular.
Achei que faltou força no fim, pra um filme que se pretendeu o tempo todo tão tudo ao mesmo tempo - ou bom, talvez o ponto fosse >> só aquilo <<, afinal, a proposta do roteiro parte de criar uma alegoria para o processo de aceitação da sua filha, que é gay. Isso no contexto de uma menina filha de pais imigrantes, que vive uma realidade totalmente diferente da deles, cada vez mais distante da língua, da cultura e da família.
A reflexão que o filme propõe, do diálogo das pedras até o bagel-buraco-negro, é que existem possibilidades infinitas de viver a vida, e que conseguir sair da sua perspectiva única, pra entender/sentir/ser de outra perspectiva, é um superpoder. Capaz de te fazer reatar seu relacionamento com seu marido e sua filha, acessando a essência daquilo que realmente importa. Ao invés de desistir e virar as costas pros mundos que você não acessa com tanta facilidade.
Pode soar um tanto piegas, mas no meio de troféus fálicos, nunchakus de consolo, figurinos gritantes e maquiagens surrealistas, o filme te faz sentir a todo momento um pouco de tudo.
Matrix Resurrections
2.8 1,3K Assista AgoraFui já sabendo da opinião negativa sobre o filme, mas me surpreendi positivamente. A apresentação da narrativa se dá através de uma metalinguagem debochada, que faz piada de si própria e se usa como o exemplo daquilo que critica e acusa. Nessa toada, aproveita para traçar um paralelo com o momento político atual, construindo parte do humor do filme na nossa realidade de algoritmos, mídias sociais, fake news e populismo conservador. Vale saber que a simbologia de Matrix foi apropriada pela alt-right americana (movimento de supremacia branca) para espalhar teorias da conspiração e promover ideologias racistas, fascistas e neoliberais. Assim, o filme se apresenta desde o começo como uma ideia apropriada, que mais uma fez busca se libertar. As cenas do filme antigo expõem sua obsolescência, ao mesmo tempo que o homenageiam. E é aí que entra a explicação do porquê as cenas de ação não superam a do primeiro filme: porque não eram para superar. Tornar a narrativa uma crítica metalinguística é também uma forma da diretora Lana Wachowski expor a pressão das produtoras para a criação do quarto filme de uma trilogia já terminada. O que elas querem: bullet time. O efeito que conquistou as pessoas, que gerou o "wow effect" e estorou as bilheterias. O filme sempre fala de si próprio "fora da Matrix", seu impacto no mundo real, tudo aquilo que suas ideias inspiraram, mas também das forças de apropriação que agem sobre si. Pois então foram feitas as tais cenas lucrativas, iguaizinhas a antes, mas sob um véu de deboche crítico e metalinguístico. Honestamente, genial. Não é só mais um filme da trilogia, pois seu enredo dialoga com o impacto e construção simbólica dos três primeiros filmes na vida política da sociedade. O paralelo entre o universo de algoritmos de Matrix e o mundo real nunca esteve tão pungente, e portanto a escolha de tratar o assunto dentro de sua própria semiótica o torna uma espécie de blockbuster experimental, que usa a ficção científica enquanto documentário. A proposta é mostrar a realidade político-econômica que, ao longo dos últimos anos, se confundiu com a própria história do filme. Me parece um caso único na história do cinema, e ter utilizado a oportunidade de regravar uma produção de sucesso gigante de forma tão emaranhada com a crítica social que permeia a narrativa é,
nas palavras finais da Trinity, símbolo do empoderamento e protagonismo feminino dentro e fora das telas, "é algo que nunca poderíamos imaginar", uma chance única, "uma nova chance".
O Dia da Posse
2.5 5Assisti a sessão de 15/12/21 do Festival do Rio. O filme apresenta uma rotina de quarentena de uma forma fora do óbvio: ao invés de se concentrar na melancolia e tédio do isolamento, dá voz aos sonhos e devaneios de todo o futuro que ainda há pela frente. Quarentenado com Brendo, o diretor nos apresenta um retrato intimista do protagonista - sua história, conquistas, personalidades e sonhos. Figura carismática e bem articulada, vamos nos entretendo com Brendo entre afazeres domésticos, conversas de vídeo, passarinhos na janela e vizinhos se exercitando. O filme não mergulha no profundo mas, nem por isso, é superficial: com leveza, joga um olhar no momento de vida do protagonista, pincela algumas dinâmicas específicas do relacionamento entre os dois, e abre espaço pra que ele sonhe em voz alta, e se apresente como quem sonha ser. Também brinca com a questão da atuação, preferindo por vezes mostrar só o que está por trás do corte, o entrecena de alguém que fica confortável na frente das câmeras, mas que não gosta de ser dirigido. Um olhar fresco sobre a quarentena, um retrato divertido sobre alguém que conquista e sonha, e quem sabe uma possível peça experimental de capital eleitoral pro futuro.
Malcolm & Marie
3.5 313 Assista AgoraO filme é muito bom, muito bem escrito, a fotografia é linda, tem ótimas enquadramentos, a locação é ótima, enfim, vale muito a pena assistir. Os personagens são profundos e os diálogos são bastante intensos, e vão contando a história da relação enquanto trazem à tona uma série de questões emocionais que existe entre os dois. O diretor se aproveita do personagem de sucesso de Zendaya na série Euphoria para construir a personagem do filme, mas não o faz de uma forma repetitiva. E Zendaya reinventa com excelência. Existe também um certo toque metalinguistico no roteiro, que é utilizado para fazer um recorte racial crítico do filme, através das próprias críticas do personagem de Washington, que é cineasta. Gostei da forma delicada de tocar no assunto, e de garantir que o filme supere esse recorte. O filme de fato vai além porque trata do que é mais visceral, humano, falho e poderoso na relação dos dois. E te prende porque permeia tudo isso com a certeza e a promessa de amor. E com a dúvida.
Tenet
3.4 1,3K Assista AgoraO filme simplesmente é ruim. E sim, surpreende que Nolan tenha errado tanto a mão depois de tantos acertos. Um imaginaria que ele já teria desvendado a fórmula...e será que não foi esse o problema?
O roteiro é mal construído, a história dos personagens é superficial e a história não se sustenta na mistura de "dama drama" e complexo de heroi com entropia reversa e guerra mundial III. Ficou mal costurado, você perde o fio da meada, personagens somem e aparecem, belas fotografias de lugares que você nunca sabe onde é exatamente e, claro, as surpresas da entropia reversa que causam hipotermia em quem está dentro de um carro que explode.....e não só a execução é ruim, como a história em si pareceu muito mal pensada, como se tivesse sido projetada para a espetacularização, aquele típico exagero estadunidense de armas e grandes cenas de ação - apesar da origem británica do diretor. Acredito que se fosse menos blockbuster daria chance pro roteiro ser mais bem construído, numa crescente mais lenta e cheia de suspense. Afinal, são 2h30 de filme, e melhor um arco narrativo claro e poucos personagens bem construídos, do que uma história épica mas vazia.