A cena inicial dela dormindo nas raízes da árvore, no meio da floresta, com seu vestido vermelho, como num ventre, onde depois ela dá a luz, sozinha, aos gritos, tão guturais como quando perde seu filho anos depois. Ela no fim, processando o luto através da arte do marido, entendendo seu silêncio, entendendo que era assim que ele se reconectava e se despedia, ela própria vendo Hamnet uma última vez. O seu riso no fim do choro. A magia do menino, tragédia épica de um herói que enganou a morte e tomou o lugar de sua irmã.
Maravilhosa! Terminei e fui direto comprar o livro. Ótimas atuações, principalmente da personagem principal, e uma história contada de uma forma bem original. Rápida, engraçada, esperta e intensa, quero muito uma segunda temporada
A busca por vingança, de alguma forma bem sucedida, tem um gosto de perdão amargo. Ainda que na cena final Jules esteja levantado, de queixo erguido, com o moletom amarelo cortado em cropped, enquanto Preston está deitado no chão machucado e chorando, ele guarda o vídeo não publicado, a vingança não-realizada, o sentimento de "self-loathing" da sexta-feira à noite que descreve para os amigos, o trauma de se aproximar e submeter ao seu agressor. Aceita ser maltratado no começo para conseguir realizar o seu delírio de vingança, termina ganhando, invertendo o jogo e fazendo com que seu agressor confie e se apaixone por ele. No fim, sente até pena de Preston, porque de alguma forma passa a conhecê-lo melhor e entende os limites do seu mundo e seu sofrimento. A vingança foi feita, se no começo do filme era Jules caído no chão, frágil e machucado, no fim do filme a situação é oposta. Jules conseguiu quebrar o Preston, da mesma forma que Preston conseguiu quebrar Jules. Óbvio, sempre torcemos pra Jules, o que tem gosto tão amargo de engolir é perceber que, na verdade, os dois estavam sempre estiveram frágeis e machucados ao longo do filme inteiro. O presente que Jules encontre em sua cama quando chega em casa, no fim, é poder se vestir com a roupa do seu agressor, e ficamos com a frustração de uma vingança mais agridoce do que se imaginava.
Uma das melhores produções da globoplay que já vi. O ator principal está ótimo no papel e a história é contada de maneira criativa e com algumas pitadas surreais que encaixam bem com a poética das músicas. Vale a pena pra conhecer mais a história por trás das músicas e da vida de Raul Seixas
Incrível. Me emocionou nos primeiros 10 minutos e me surpreendeu até o final. Chalamet tá genial no papel e é um absurdo como canta e toca bem. Aliás, o elenco é todo talentoso, e o tanto de música que toca no filme é uma delícia nunca entediante. Cinco anos se preparando pro papel que recompensaram.. musicalmente falando, a melhor cinebiografia que já vi. A história foca o começo da carreira do Bob Dylan, como se apresentou ao mundo e os primeiros anos até sua explosão, com uma menção ao contexto social da época no fundo da trama, o que adiciona uma camada nova à interpretação das letras. Junta a isso a história da relação amorosa e parceria profissional com Joan Baez. Vai assistir se você gosta de música
O filme constrói um suspense interessante, entre muitos gemidos e poucas roupas. Heraldo tem um charme meio melindrado, e as cenas em que ele se solta - tanto dançando quanto falando do passado - têm um brilho especial. Gostei do rumo que a história tomou mas achei que o filme podia ter terminado 5 minutos antes, porque a montagem final ficou
O personagem do Samuel é muito bem construído, uma figura espontânea, imprevisível e inteligente, e é bom ver uma personagem complexa poder se explorar, como a Romy. E tem honestidade na relação que acontece. O filme entrega algumas cenas boas, eu vibrei na cena
confronta ele também é muito boa, a conversa entre eles e a reação do Jacob é sensacional, porque ele ali também aprende algo com a situação, assim como ela aprendeu.
O filme preza por criar cenas impactantes e isso dita o ritmo: ele está sempre em preparação pra determinados momentos, orbitando as cenas que lhe dão mais sentido, onde a história de fato acontece. O começo e o fim são quase detalhes, o que importa é acompanhar a jornada da personagem pelos caminhos do próprio desejo suas reverberações, tão corporais.
Começa kafkaniano, se desenvolve como um suspense e termina uma doçura. Deixa algumas pontas soltas, e constrói uma mesma história sempre tão diferente.
A histórica é contada de forma dinâmica, a trilha sonora dá um ritmo acelerado pro filme e as cenas em camera lenta capturam a tensão naquelas relações. A química dos atores é ótima e traz uma sensualidade vibrante pro filme, em que tesão, conquista e amizade se misturam e de alguma forma todos se dão bem - quem gosta de assistir e quem gosta de jogar. Há intimidade tanto na quadra quanto na cama, e por voltas uma substitui a outra.
Achei longo demais pro que o roteiro entrega e as músicas são tão boas quanto se espera de um musical desse tamanho, com exceção da última. As atuações também as vezes ficam caricatas demais, e os pontos mais interessantes da história não são desenvolvidos no filme.
Eu simplesmente amei, personagem principal e coadjuvante que roubam a cena e constroem um filme à parte. Dinâmico, divertido e com um roteiro que na verdade subverte alguns esteriótipos - apesar de que parece que nem todo mundo percebeu isso rs. E me deu o final que eu torci, obrigado.
Filmaço. Roteiro muito bem amarrado e atuações impecáveis. O fato de Emma Stone ter ganhado o oscar no lugar da Sandra Huller é bem a prova de como eles são enviesados pra próprio umbigo. Os diálogos são muito bem construídos, o flashback é perfeito, e a construção do drama, das duas narrativas paralelas, é feito de forma bem delicada. A história vai se desenrolando de uma forma que você tem cada vez mais informações, surgem novas camadas na vida dos personagens, e você acaba participando desse processo de construir uma narrativa e acreditar nela.
Que no final, fica bem clara, graças ao experimento com o Snoop. Acho que uma das mensagens por trás da história é sobre o ato do julgamento em si, sua imensa fragilidade e sua natureza essencialmente subjetiva, ficcional, quase literária. No programa de TV eles dizem certa hora: "É muito mais interessante uma escritora que assassina o marido do que um professor que se mata", e acho que vai bem por aí. Falando nisso, aquele promotor é uma cobra!
O filme é super original e criativo, tem um tom surrealista gostoso de assistir, e boas atuações. Mas senti como se o roteiro tivesse sido um pouco preguiçoso em termos de deixar aquela realidade paralela mais verossímil na forma como a personagem se desenvolve, em especial suas capacidades cognitivas e motoras.
Por exemplo, ela estar lendo um livro sobre filosofia mas ainda escrever como se fosse criança
. . Acho que, pela efusividade com que o filme foi recebido, eu esperava um roteiro mais amarradinho.
Por outro lado, me parece que ele se propõe a ser mais próximo de um conto mesmo, metafórico e lúdico, e a história se desenvolve de uma forma totalmente inesperada. A forma como a protagonista usa o corpo pra ir descobrindo o mundo é bem legal, e as coisas que ela descobre são de fato bem importantes. É refrescante ver a personagem, como mulher, ter uma segunda chance em se permitir e ser permitida. De vê-la olhando o mundo com olhar ingênuo e, talvez por isso, mais aguçado e revolucionário.
Acho que o diretor conseguiu criar uma obra única e com valor, apesar de talvez um bocadinho caricata, como p. ex. cenários e fotografia.
Pra mim, não se trata de questão mediúnica ou espiritual, é simplesmente ele lidando com aquilo e escrevendo sobre. Acho que o ato de se apaixonar é o gatilho, tornar-se um casal, ver-se espelhado na relação de seus pais. Esse é o elemento psicanalítico que o filme carrega, da relação através da qual nós enxergamos as outras relações em nossas vidas, como se vivêssemos uma espécie de paródia, de busca reproduzir ou reescrever aquilo. É um filme muito simbólico, a começar pelo fato dele ser um roteirista, e acredito que os cortes mais surrealísticos têm justamente essa função. No final, não pude senão pensar que havia uma história igualmente profunda na vida do Harry, só não tivemos acesso à ela. Nem o Adam. Ninguém tem acesso de fato às nossas histórias, e essa é a ilusão em ser um casal: a que temos.
gostei da produção da série, da forma como ela usa a poesia pra compor a história, do corte intimista de algumas cenas, mas achei a correção de som um pouco ruim (muitas vezes não entendi o que as personagens falavam) e o final um pouco fraco. Karine Teles manda bem, e vale destacar a originalidade/relevância do roteiro, mas que podia ter sido mais bem explorado
filmaço, claustrofóbico, tenso, aflitivo e angustiante; mas super emocionante, absurdo e lindo ver toda a mobilização e inventividade utilizadas pra possibilitar a operação de resgate. muita coragem, muito sangue frio, horas horas e horas submerso. as lágrimas de jae mae nang non inundaram a caverna, e também passaram por aqui
Filme bonito, delicado. Menos de reviravoltas grandiosas, e mais sobre pequenos grandes acontecimentos. Tem um começo quase documental, se desenvolve sem pressa, fazendo conhecer cada um dos quatro membros da família, e termina compondo um arco bonito de quebra de expectativas e reconstrução de sonhos.
Filmaço. Ir assistir sem ter lido essa sinopse que entrega é melhor ainda. Cronenberg cria um futuro distópico, anárquico, na qual a relação com o próprio corpo é posta em destaque, na medida em que a tecnologia cirúrgica está tão evoluída que os seres humanos engrendam modificações corporais como forma de arte e prazer. O corpo já não sente dor como antes, e a cirurgia, além de se tornar algo acessível, ganha uma nova dimensão:
é o novo sexo, a nova forma de exploração do próprio corpo e do corpo do outro. E isso é só o contexto. O filme começa com uma criança sendo morta pela própria mãe depois de devorar uma lata de lixo - é o primogénito de uma evolução natural humana, que digere plástico com uma baba branca espessa e ácida. É o homem que cabe na terra do futuro. A evolução do homem é se tornar o comedor de seu próprio lixo
. E a história se desenrola através da arte performática, acompanhando as performances cirúrgicas para remover órgãos que nascem espontaneamente no corpo de um homem. Repetidamente. Sua natureza idiopática é um mistério, e conforme entendemos no filme,
era a luta de um homem para continuar humano, para não se afastar de sua linha de evolução. Cronenberg apresenta um futuro de evolução do corpo humano onde, como espécie pensante, muitas vezes acabamos lutando contra nossa própria natureza. Ao mesmo tempo, sugere que nossas evoluções nos levarão a um caminho cada vez menos humano, mais sintético e tecnológico. Em uma cena lindíssima, um homem com orelhas implantadas por todo o corpo, olhos e boca costurados, dança ao som de uma música eletrônica. A representação desse êxtase e dessa aberração que coexiste. Também chama a atenção a contraposição entre o futuro tecnológico e os materiais e texturas presentes no filme, particularmente as máquinas que parecem ser feitas de ossos e pedras. Parece ser um simbolismo desse futuro que retorna ao corpo, às suas funções básicas e órgãos internos, na mesma medida que quer encontrar solução nas suas raízes. Arte, tecnologia, escapismo e, em que medida, o fim? O ser humano se entrega e luta por si próprio.
Pluribus (1ª Temporada)
4.0 359 Assista AgoraLegal, mas podia ser uma minissérie
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 488 Assista AgoraLindo, visceral, sensível. Atuações majestosas. Uma história de um amor que é tão forte que se multiplica, se sacrifica, cria encantos.
A cena inicial dela dormindo nas raízes da árvore, no meio da floresta, com seu vestido vermelho, como num ventre, onde depois ela dá a luz, sozinha, aos gritos, tão guturais como quando perde seu filho anos depois. Ela no fim, processando o luto através da arte do marido, entendendo seu silêncio, entendendo que era assim que ele se reconectava e se despedia, ela própria vendo Hamnet uma última vez. O seu riso no fim do choro. A magia do menino, tragédia épica de um herói que enganou a morte e tomou o lugar de sua irmã.
What It Feels Like for A Girl
4.4 1Maravilhosa! Terminei e fui direto comprar o livro. Ótimas atuações, principalmente da personagem principal, e uma história contada de uma forma bem original. Rápida, engraçada, esperta e intensa, quero muito uma segunda temporada
Femme
3.8 67Filme tenso, complexo e com boas atuações.
A busca por vingança, de alguma forma bem sucedida, tem um gosto de perdão amargo. Ainda que na cena final Jules esteja levantado, de queixo erguido, com o moletom amarelo cortado em cropped, enquanto Preston está deitado no chão machucado e chorando, ele guarda o vídeo não publicado, a vingança não-realizada, o sentimento de "self-loathing" da sexta-feira à noite que descreve para os amigos, o trauma de se aproximar e submeter ao seu agressor. Aceita ser maltratado no começo para conseguir realizar o seu delírio de vingança, termina ganhando, invertendo o jogo e fazendo com que seu agressor confie e se apaixone por ele. No fim, sente até pena de Preston, porque de alguma forma passa a conhecê-lo melhor e entende os limites do seu mundo e seu sofrimento. A vingança foi feita, se no começo do filme era Jules caído no chão, frágil e machucado, no fim do filme a situação é oposta. Jules conseguiu quebrar o Preston, da mesma forma que Preston conseguiu quebrar Jules. Óbvio, sempre torcemos pra Jules, o que tem gosto tão amargo de engolir é perceber que, na verdade, os dois estavam sempre estiveram frágeis e machucados ao longo do filme inteiro. O presente que Jules encontre em sua cama quando chega em casa, no fim, é poder se vestir com a roupa do seu agressor, e ficamos com a frustração de uma vingança mais agridoce do que se imaginava.
Raul Seixas: Eu Sou
4.2 79Uma das melhores produções da globoplay que já vi. O ator principal está ótimo no papel e a história é contada de maneira criativa e com algumas pitadas surreais que encaixam bem com a poética das músicas. Vale a pena pra conhecer mais a história por trás das músicas e da vida de Raul Seixas
Um Completo Desconhecido
3.5 238 Assista AgoraIncrível. Me emocionou nos primeiros 10 minutos e me surpreendeu até o final. Chalamet tá genial no papel e é um absurdo como canta e toca bem. Aliás, o elenco é todo talentoso, e o tanto de música que toca no filme é uma delícia nunca entediante. Cinco anos se preparando pro papel que recompensaram.. musicalmente falando, a melhor cinebiografia que já vi. A história foca o começo da carreira do Bob Dylan, como se apresentou ao mundo e os primeiros anos até sua explosão, com uma menção ao contexto social da época no fundo da trama, o que adiciona uma camada nova à interpretação das letras. Junta a isso a história da relação amorosa e parceria profissional com Joan Baez. Vai assistir se você gosta de música
A Sala dos Professores
3.8 228 Assista AgoraA atuação da Leonie é boa e o clima de tensão se sustenta, mas o final deixa a desejar um pouco. Nem tanto
por ficar meio em aberto
Carvão
3.8 133 Assista AgoraDesalento brutal e belas atuações, principalmente da Maeve e da criança, que rouba a cena.
Motel Destino
3.4 192 Assista AgoraO filme constrói um suspense interessante, entre muitos gemidos e poucas roupas. Heraldo tem um charme meio melindrado, e as cenas em que ele se solta - tanto dançando quanto falando do passado - têm um brilho especial. Gostei do rumo que a história tomou mas achei que o filme podia ter terminado 5 minutos antes, porque a montagem final ficou
com um ar romântico quase brega, que não condiz tanto com o resto do filme e não convence muito
Babygirl
2.7 497 Assista AgoraO personagem do Samuel é muito bem construído, uma figura espontânea, imprevisível e inteligente, e é bom ver uma personagem complexa poder se explorar, como a Romy. E tem honestidade na relação que acontece. O filme entrega algumas cenas boas, eu vibrei na cena
em que ela bebe leite do prato de chá e ele depois lambe o leito do rosto dela
ele dança pra ela no hotel
confronta ele também é muito boa, a conversa entre eles e a reação do Jacob é sensacional, porque ele ali também aprende algo com a situação, assim como ela aprendeu.
Monstro
4.2 398 Assista AgoraComeça kafkaniano, se desenvolve como um suspense e termina uma doçura. Deixa algumas pontas soltas, e constrói uma mesma história sempre tão diferente.
Rivais
3.6 580 Assista AgoraA histórica é contada de forma dinâmica, a trilha sonora dá um ritmo acelerado pro filme e as cenas em camera lenta capturam a tensão naquelas relações. A química dos atores é ótima e traz uma sensualidade vibrante pro filme, em que tesão, conquista e amizade se misturam e de alguma forma todos se dão bem - quem gosta de assistir e quem gosta de jogar. Há intimidade tanto na quadra quanto na cama, e por voltas uma substitui a outra.
Wicked
3.9 526 Assista AgoraAchei longo demais pro que o roteiro entrega e as músicas são tão boas quanto se espera de um musical desse tamanho, com exceção da última. As atuações também as vezes ficam caricatas demais, e os pontos mais interessantes da história não são desenvolvidos no filme.
Talvez o segundo seja melhor
Anora
3.4 1,2K Assista AgoraEu simplesmente amei, personagem principal e coadjuvante que roubam a cena e constroem um filme à parte. Dinâmico, divertido e com um roteiro que na verdade subverte alguns esteriótipos - apesar de que parece que nem todo mundo percebeu isso rs. E me deu o final que eu torci, obrigado.
Bebê Rena
4.0 637 Assista AgoraEscrita muito refinada, história profunda, atuações brilhantes, explora o tema de forma muito original e intrigante.
Anatomia de uma Queda
4.0 993 Assista AgoraFilmaço. Roteiro muito bem amarrado e atuações impecáveis. O fato de Emma Stone ter ganhado o oscar no lugar da Sandra Huller é bem a prova de como eles são enviesados pra próprio umbigo. Os diálogos são muito bem construídos, o flashback é perfeito, e a construção do drama, das duas narrativas paralelas, é feito de forma bem delicada. A história vai se desenrolando de uma forma que você tem cada vez mais informações, surgem novas camadas na vida dos personagens, e você acaba participando desse processo de construir uma narrativa e acreditar nela.
Que no final, fica bem clara, graças ao experimento com o Snoop. Acho que uma das mensagens por trás da história é sobre o ato do julgamento em si, sua imensa fragilidade e sua natureza essencialmente subjetiva, ficcional, quase literária. No programa de TV eles dizem certa hora: "É muito mais interessante uma escritora que assassina o marido do que um professor que se mata", e acho que vai bem por aí. Falando nisso, aquele promotor é uma cobra!
Pobres Criaturas
4.1 1,3K Assista AgoraO filme é super original e criativo, tem um tom surrealista gostoso de assistir, e boas atuações. Mas senti como se o roteiro tivesse sido um pouco preguiçoso em termos de deixar aquela realidade paralela mais verossímil na forma como a personagem se desenvolve, em especial suas capacidades cognitivas e motoras.
Por exemplo, ela estar lendo um livro sobre filosofia mas ainda escrever como se fosse criança
Por outro lado, me parece que ele se propõe a ser mais próximo de um conto mesmo, metafórico e lúdico, e a história se desenvolve de uma forma totalmente inesperada. A forma como a protagonista usa o corpo pra ir descobrindo o mundo é bem legal, e as coisas que ela descobre são de fato bem importantes. É refrescante ver a personagem, como mulher, ter uma segunda chance em se permitir e ser permitida. De vê-la olhando o mundo com olhar ingênuo e, talvez por isso, mais aguçado e revolucionário.
Acho que o diretor conseguiu criar uma obra única e com valor, apesar de talvez um bocadinho caricata, como p. ex. cenários e fotografia.
Todos Nós Desconhecidos
3.8 261 Assista AgoraO filme conta a história de um homem que, ao se apaixonar, acaba lidando com emoções do seu passado - menino gay que perdeu os pais aos 12 anos.
Pra mim, não se trata de questão mediúnica ou espiritual, é simplesmente ele lidando com aquilo e escrevendo sobre. Acho que o ato de se apaixonar é o gatilho, tornar-se um casal, ver-se espelhado na relação de seus pais. Esse é o elemento psicanalítico que o filme carrega, da relação através da qual nós enxergamos as outras relações em nossas vidas, como se vivêssemos uma espécie de paródia, de busca reproduzir ou reescrever aquilo. É um filme muito simbólico, a começar pelo fato dele ser um roteirista, e acredito que os cortes mais surrealísticos têm justamente essa função. No final, não pude senão pensar que havia uma história igualmente profunda na vida do Harry, só não tivemos acesso à ela. Nem o Adam. Ninguém tem acesso de fato às nossas histórias, e essa é a ilusão em ser um casal: a que temos.
Os Últimos Dias de Gilda
4.0 24 Assista Agoragostei da produção da série, da forma como ela usa a poesia pra compor a história, do corte intimista de algumas cenas, mas achei a correção de som um pouco ruim (muitas vezes não entendi o que as personagens falavam) e o final um pouco fraco. Karine Teles manda bem, e vale destacar a originalidade/relevância do roteiro, mas que podia ter sido mais bem explorado
Cidade Invisível (2ª Temporada)
3.4 190 Assista Agoracorrida, pasteurizada, interpretações ruins, história boa mas mal executada. inferior a primeira temporada
Treze Vidas: O Resgate
4.0 162 Assista Agorafilmaço, claustrofóbico, tenso, aflitivo e angustiante; mas super emocionante, absurdo e lindo ver toda a mobilização e inventividade utilizadas pra possibilitar a operação de resgate. muita coragem, muito sangue frio, horas horas e horas submerso. as lágrimas de jae mae nang non inundaram a caverna, e também passaram por aqui
Atlanta (4ª Temporada)
4.4 60 Assista Agoraobra-prima!
Marte Um
4.1 339 Assista AgoraFilme bonito, delicado. Menos de reviravoltas grandiosas, e mais sobre pequenos grandes acontecimentos. Tem um começo quase documental, se desenvolve sem pressa, fazendo conhecer cada um dos quatro membros da família, e termina compondo um arco bonito de quebra de expectativas e reconstrução de sonhos.
Crimes do Futuro
3.2 281 Assista AgoraFilmaço. Ir assistir sem ter lido essa sinopse que entrega é melhor ainda. Cronenberg cria um futuro distópico, anárquico, na qual a relação com o próprio corpo é posta em destaque, na medida em que a tecnologia cirúrgica está tão evoluída que os seres humanos engrendam modificações corporais como forma de arte e prazer. O corpo já não sente dor como antes, e a cirurgia, além de se tornar algo acessível, ganha uma nova dimensão:
é o novo sexo, a nova forma de exploração do próprio corpo e do corpo do outro. E isso é só o contexto. O filme começa com uma criança sendo morta pela própria mãe depois de devorar uma lata de lixo - é o primogénito de uma evolução natural humana, que digere plástico com uma baba branca espessa e ácida. É o homem que cabe na terra do futuro. A evolução do homem é se tornar o comedor de seu próprio lixo
era a luta de um homem para continuar humano, para não se afastar de sua linha de evolução. Cronenberg apresenta um futuro de evolução do corpo humano onde, como espécie pensante, muitas vezes acabamos lutando contra nossa própria natureza. Ao mesmo tempo, sugere que nossas evoluções nos levarão a um caminho cada vez menos humano, mais sintético e tecnológico. Em uma cena lindíssima, um homem com orelhas implantadas por todo o corpo, olhos e boca costurados, dança ao som de uma música eletrônica. A representação desse êxtase e dessa aberração que coexiste. Também chama a atenção a contraposição entre o futuro tecnológico e os materiais e texturas presentes no filme, particularmente as máquinas que parecem ser feitas de ossos e pedras. Parece ser um simbolismo desse futuro que retorna ao corpo, às suas funções básicas e órgãos internos, na mesma medida que quer encontrar solução nas suas raízes. Arte, tecnologia, escapismo e, em que medida, o fim? O ser humano se entrega e luta por si próprio.