“Alien 3” foi um filme tão podre que a própria 20th Century Fox provavelmente reconheceu que aquilo foi um grande erro. Com isso, o que deveria ser uma trilogia acabou se transformando numa tetralogia, porque deve ter batido o desespero nos produtores, na tentativa de entregar um novo filme minimamente assistível. O pavor foi tanto que trouxeram de volta a Tenente Ripley (mesmo depois de “morta”), para assegurar a audiência.
Grande problema disso foi como ela voltou, de uma maneira bem forçada e bizarra, tipo fazendo parte do DNA dos Aliens e ganhando poderes sobre-humanos, com regeneração de ferimentos instantânea e sangue de ácido. O problema disso é que, como era esperado, esta sequência foi muito questionável pelos fãs e também achincalhada igual ao terceiro filme! Entretanto, os criadores perceberam o óbvio: não existe “Alien” sem a Tenente Ripley.
Este filme que encerra um ciclo é o que menos se deve levar a sério da franquia, ele é o mais escrachado e também com uma pegada estilo trash. Mesmo assim, ficou muito melhor que seu antecessor, sendo bem mais divertido e dinâmico, além de terem trazido de volta os soldados, as armas, tiroteios e o caos total com mais aliens. Os efeitos visuais também são muito superiores em relação ao horrível terceiro filme, que mais parecia gráficos de PS2.
Sigourney Weaver atuou novamente muito bem, dá para perceber nitidamente a diferença de personalidade em relação à Ellen Ripley original. Por outro lado, essa versão mais fria e indiferente da personagem é o principal ponto negativo do filme. Obviamente, gosto mais da Tenente Ripley dos dois primeiros filmes, pois infelizmente a personagem deixou de ser memorável e passou a ser apenas comum nas sequências. Em compensação, as adições de Ron Perlman e Winona Ryder reforçaram o elenco com bons nomes.
Por fim, logicamente não tivemos um desfecho honroso para a jornada da Tenente Ripley, mas ao menos, este filme funciona como uma espécie de reparação ao que foi desenvolvido em seu antecessor. “Alien: A Ressurreição” é uma obra imperfeita, mas que entrega entretenimento de bom nível, principalmente se o analisarmos individualmente, sem comparações com os outros filmes da franquia.
Maratona Alien (Ordem Cronológica) Versão estendida assistida em 3 de abril de 2026 Minha avaliação: 7,0/10
Este era um dos filmes da franquia que ainda me faltava para assistir pela primeira vez, mas francamente, deveria ter continuado assim mesmo, pois pensem em um filme ruim e multipliquem por mil. Resultado = “Alien 3”. Filme que somente serviu para provar que a “maldição da terceira parte” realmente existe nas franquias, porque isso daqui é lamentável e decepcionante ao extremo.
O filme é uma bagunça geral, parece que ele foi produzido em um fundo de quintal por estagiários de cinema, ou talvez foi sabotado por concorrentes infiltrados para acabar de vez com a franquia. Não sei como foi a versão de cinema, mas a versão sem cortes, em minha visão, não muda absolutamente nada, pois quando o filme é muito ruim, simplesmente fica muito complicado para consertar.
É difícil de acreditar, mas a direção e os produtores conseguiram o impossível! Erraram tudo neste filme, simplesmente nada presta nesta porcaria! Início, fim, roteiro, personagens, ambientação, efeitos visuais e principalmente edição; tudo pensado e executado da pior forma possível! Com cenas de ação pífias e cenas de mortes malfeitas, “Alien 3” é um desvio dos dois ótimos filmes antecessores da franquia, sendo uma aula de como NÃO se fazer cinema.
A narrativa consegue ser o pior de tudo, justo um dos quesitos mais importantes para um bom filme. Já no começo de “Alien 3” (com exceção da Ripley), os dois sobreviventes do filme antecessor morreram. Pelo menos um deles poderia ter sobrevivido, para que tudo que aconteceu no segundo filme não tenha sido em vão. Aqui já ficou insustentável esta situação, mas piora ainda mais… A Tenente Ripley acabou tendo um hospedeiro Alien introduzido em seu organismo durante sua hibernação na nave que caiu. Após isso, não restou outra alternativa a não ser se sacrificar. O filme termina pior do que começou, com a morte da maior protagonista da franquia.
Enfim, “Alien 3” pega tudo que foi construído nos filmes antecessores e joga no lixo sem dó nem piedade, em uma das decisões mais estúpidas e incoerentes da história do cinema. O filme é tão deprimente e desastroso que nem mesmo a interpretação da Sigourney Weaver conseguiu salvar… Só restou para os telespectadores acompanhar diálogos chatos e sonolentos, além do aborrecimento e tédio que esta obra medíocre proporciona do início ao fim!
Maratona Alien (Ordem Cronológica) Versão sem cortes assistido em 1 de abril de 2026 Minha avaliação: 3,0/10
Continuando minha maratona, finalmente chego no meu filme favorito da franquia: “Aliens: O Resgate”. O principal motivo claro para eu achar o melhor filme da saga é a direção de James Cameron, ele foi o substituto perfeito de Ridley Scott na direção para esta sequência. Cameron, no início de carreira, já se mostrava ser um cineasta completo, além de sempre tirar leite de pedra em seus filmes em relação a limitações técnicas da época e, posteriormente, se tornou o paizão do cinema moderno com “Terminator 2”.
Este filme entra para o seleto grupo de melhores sequências já lançadas da história, onde “Aliens: O Resgate” é uma aula de como fazer uma continuação de uma história fechada. O filme dedica o seu primeiro ato a expandir a mitologia do primeiro, contando o trágico futuro da Tenente Ripley e mostrando o lado mais corrupto, sujo e ganancioso da companhia Weyland-Yutani. Com isso, colocam a heroína de volta ao planeta LV-426 do filme antecessor.
Revendo o filme agora na versão estendida, notei algo interessante sobre a menção à filha de Ripley, detalhe ausente na versão normal de cinema. O filme já era ótimo na sua versão padrão, na versão sem cortes ficou ainda melhor, ao dar mais detalhes sobre o que aconteceu com os colonizadores e também mais informações sobre a vida pessoal da Tenente Ripley. Esta versão enriquece a história, deixando-a mais abrangente.
No primeiro filme, Ridley Scott deu ênfase ao terror e suspense, apostando alto em uma criatura desconhecida para causar medo e tensão no público. Já neste segundo filme, James Cameron decidiu focar mais na ação e no caos, elevando o nível de entretenimento para os telespectadores. Nesta sequência, tudo é mais intenso e frenético, com mais Aliens, mais personagens e muito mais mortes. Neste caso, 'quanto mais, melhor!' funcionou perfeitamente bem. Além disso, James Cameron corrige um erro do filme original, dando mais protagonismo aos Aliens, afinal a franquia é sobre eles e não faria sentido as criaturas continuarem em segundo plano.
“Aliens: O Resgate” consolidou de vez a memorável Tenente Ripley (Sigourney Weaver) como uma das principais heroínas da história do cinema. A personagem entrega cenas apoteóticas nesta sequência, principalmente nos instantes finais do filme, onde Ripley, com muita coragem e resiliência, coloca suas habilidades militares em prática para enfrentar sozinha a tão temível Rainha Alien. Com isso, quem ganha é o telespectador, que aprecia momentos épicos, numa luta pela sobrevivência e redenção da personagem.
Após “Terminator 1”, James Cameron provou novamente o seu valor para a indústria cinematográfica. Ele não teve receio de mudar as características da obra original, fez o filme com a sua cara e personalidade, porém, sem perder a essência do primeiro filme. Ou seja, ambos os filmes se complementam, o que falta em um, compensa no outro e vice-versa. Quando o diretor é competente, ele coloca o sarrafo lá nas alturas, azar para os sucessores em tentar superar.
Maratona Alien (Ordem Cronológica) Versão estendida assistida em 15 de março de 2025 Minha avaliação: 9,0/10
“Alien: Romulus” é o filme mais recente da franquia até agora… Porém, na cronologia, a história se passa logo após o filme original de 1979 (entre os filmes “Alien: O 8º Passageiro” e “Aliens: O Resgate”). Apesar de os dois últimos filmes dirigidos por Ridley Scott serem bem questionáveis, a franquia conseguiu se reerguer e manter o fôlego com a mudança de direção, pois, por incrível que pareça, a saída de Ridley Scott de diretor fez bem à franquia.
Nos filmes “Prometheus” e “Alien: Covenant”, Ridley Scott optou por renovar a franquia para os moldes atuais do cinema, entretanto, creio que isso não foi uma boa ideia, já que os filmes clássicos são melhores. Já Fede Alvarez decidiu por uma abordagem mais clássica, com referências e nostalgia, mas sem deixar o filme obsoleto. Ou seja, uniu o melhor do cinema clássico com o cinema moderno. Quando isso acontece, é praticamente impossível um filme com estas características ficar ruim.
Todo mundo sabe que o cinema atual está sofrendo com falta de criatividade e inovação. Entretanto, Fede Alvarez, mesmo com pouca experiência, conseguiu trazer algo inédito! Não só para a franquia, mas acredito que também para o cinema como um todo. A cena da gravidade zero com os ácidos foi muito bem bolada, além da alta dose de tensão e apreensão que a mesma proporciona aos telespectadores. É facilmente uma das melhores cenas de um filme de terror de todos os tempos! Sem exageros.
Apesar do filme ter poucos personagens, as boas mortes compensam isso, destaque para a morte do personagem que morre para o ácido. O elenco jovem dessa vez não prejudicou a experiência, inclusive gostei da protagonista do filme, finalmente vimos uma mulher novinha em filme de terror que NÃO é burra. Cailee Spaeny é a melhor Ellie (The Last of Us) que não tivemos.
O filme acerta em não ser pretensioso igual à série “Alien: Earth”, contendo apenas elementos básicos sem invenção de moda, mas o 'básico' aqui foi estritamente bem executado. “Alien: Romulus” realmente é muito bom, conseguindo disputar de igual para igual com o filme original, inclusive o supera em vários pontos, mesmo sendo inferior no mistério e terror.
Fede Alvarez caiu como uma luva para a direção deste filme, surpreendeu com uma grande obra que honra os clássicos, mantendo a essência dos melhores filmes da franquia, mesmo trilhando seu próprio caminho. O diretor mostrou para o público que o cinema nem sempre precisa ser esse “bicho de sete cabeças”, às vezes, o melhor caminho é não se arriscar tanto e entregar apenas o óbvio, respeitando o que os fãs esperam de um novo filme da franquia.
Maratona Alien (Ordem Cronológica) Assistido em 5 de março de 2026 Minha avaliação: 8,5/10
Poucos filmes envolvendo histórias com efeitos especiais complexos sobreviveram tão bem ao teste do tempo como “Alien: O 8º Passageiro”. Onde o trabalho de direção de Ridley Scott seria uma importante referência para o gênero até os dias de hoje, já que o ainda jovem cineasta demonstrava um domínio completo de condução de ótimos atores, clima de suspense e o uso acertadíssimo de enquadramentos fechados e claustrofóbicos. Elementos que ajudaram a dar uma atmosfera realmente aterrorizante no escuro e apertado interior da nave Nostromo, brilhante e funcionalmente recriada pela direção de arte inovadora.
É nesse clima de suspense total e terror constante que a trama se desenvolve e envolve o espectador de uma maneira impressionante. Especialmente por ser um filme do final dos anos 70, com gigantes e modernos cenários que, com a fotografia escura e sinistra, consegue criar o clima ideal. A ideia de um local isolado de tudo e todos deixa a todos ainda mais agoniados e tensos, porém, não apenas aterroriza, mas também provoca reflexões sobre sobrevivência, exploração espacial e os limites da humanidade diante do desconhecido. Não poderia deixar de citar os perfeitos efeitos visuais, que podem ser comparados com filmes da atualidade, inclusive, e é claro, a maquiagem incrível.
Em questão de ritmo, o filme pode ser bastante lento para as nossas sensibilidades atuais do que seria um “entretenimento pipoca”, não que isso chegue a me incomodar, mas há de se confessar que o filme assistido nos dias atuais não é o mesmo que foi há décadas atrás. O que mais envelheceu aqui disparado foi a concepção do Xenomorfo, pois a direção propôs um terror muito mais subjetivo, investindo principalmente na construção do suspense e, quando a câmera decide apresentar o seu antagonista, creio que nas sequências em que ele apenas aparece de relance… A animatrônica da criatura é simplesmente fenomenal! Já nas sequências em que ele é mostrado de corpo inteiro, é muito perceptível a presença de um dublê fantasiado. No entanto, nada disso importa de verdade, porque o Xenomorfo é simplesmente fantástico! Eu não consigo pensar em uma figura monstruosa mais emblemática e icônica do que a apresentada aqui. É um ser imponente, assustador e implacável!
O elenco aqui também deve se destacar. No geral, diria ser um elenco funcional, embora não exista nenhum personagem que seja particularmente muito aprofundado, mas eles conseguem conquistar a nossa empatia e nos fazer temer pelo destino de cada um. São personagens que pensam com o cérebro ao invés da bunda, acredito que os que mais se destacam aqui sejam Ian Holm, que consegue formar uma figura bem enigmática em seu Ash. E lógico, Sigourney Weaver, que por mais que a sua Ripley esteja muito longe de ser aquela heroína 'badass motherfucker' que ficaria conhecida nas continuações, consegue ser efetiva ao fazer uma personagem simpatizável. A sequência final, onde ela precisa enfrentar o Xenomorfo sozinha antes e depois da destruição da nave, é fácil uma das mais tensas que o cinema já produziu.
“Alien: O 8º Passageiro” é um destes filmes definitivos da história do cinema, Ridley Scott faz aqui um estudo sobre o medo ao desconhecido como poucos, onde todo o teor atmosférico e estética sci-fi dark do longa são de tamanha elegância, deixando-nos uma experiência atemporal. Com um clima de terror estabelecido por completo com a brilhante trilha sonora do mestre Jerry Goldsmith, é uma das ficções científicas de horror que mais influenciaram as produções seguintes do gênero. É uma perfeição estética, narrativa e de clima de suspense tão boa que vive mesmo após inúmeras revisões e imitações.
Maratona Alien (Ordem Cronológica) Revisto em 23 de fevereiro de 2026 Minha avaliação: 8,5/10
“Alien: Covenant” é uma continuação direta de “Prometheus”, onde apenas o personagem David (Michael Fassbender) retorna para a sequência. Ridley Scott, o diretor responsável pelo filme original, retorna para mais um filme da franquia, com o desafio de adaptar e atualizar a saga “Alien” para os moldes atuais do cinema moderno. Entretanto, infelizmente, é neste filme que Ridley Scott deu os primeiros sinais de que precisa se aposentar do cargo de diretor.
Há muitos problemas no filme, e o principal deles acredito que seja o elenco e seus personagens. Além do desenvolvimento deles ser pífio, a nova equipe de exploradores toma decisões estúpidas e consequentemente só faz cagadas durante todo o filme. Não é à toa que “Alien: Covenant” protagonizou uma das mortes mais toscas e atrapalhadas da história do cinema. A maioria dos personagens é tão burra, que você caga e anda quando eles morrem.
O roteiro também não ajuda muito, sendo menos criativo que “Prometheus”. Ele segue uma estrutura comum de toda a franquia e até toca em pontos interessantes e promissores, como: a colonização de planetas, conceito de amor das máquinas, senso de dever, uma analogia à criação nem sempre ser algo divino — e por isso a criação ser corrompida e, até uma busca de identidade e conceitos de amor relativos ao nascimento e criação. No entanto, todos esses pontos são tocados de uma maneira extremamente vaga.
A única coisa bem positiva e de destaque do filme foi o personagem do Michael Fassbender, que dessa vez apareceu em dose dupla. Gostei muito do contraste entre a diferença dos androides, a dualidade do bem vs. mal e senso de dever vs. megalomania. É indiscutivelmente o único acerto do roteiro do filme, já que o resto não se aproveita praticamente nada, principalmente porque não dá seguimento e respostas dos principais questionamentos abordados em “Prometheus”.
Na parte final do filme, Ridley Scott tentou lançar uma nova “Tenente Ripley”, com a protagonista Daniels (Katherine Waterston), mas, na minha opinião, simplesmente não colou. Primeiro, porque a atriz escolhida não tem nome para emplacar uma personagem marcante para a história do cinema. Segundo a tenente Ripley, interpretada magistralmente pela Sigourney Weaver, é uma das melhores personagens femininas da história do cinema, que ficará eternizada para sempre na indústria. Ela é simplesmente irreplicável e insubstituível na franquia “Alien”, é a mesma coisa que tentar jogar futebol sem bola.
Por fim, apesar de muitas críticas negativas para o filme, não o considero inteiramente ruim, mas também passa muito longe do que a franquia Alien proporcionou em seus primeiros filmes, mesmo com mais investimentos e mais recursos. Os dois primeiros filmes da franquia “Alien” continuam soberanos no universo criado por Ridley Scott.
Maratona Alien (Ordem Cronológica) Revisto em 13 de janeiro de 2025 Minha avaliação: 6,0/10
“Prometheus” é cronologicamente o primeiro filme da franquia “Alien”, mostrando como se deu a origem dos Xenomorfos. Depois de mais de 30 anos, Ridley Scott aceitou o desafio de dirigir novamente um filme da franquia, que estava pausado/engavetado desde os anos 90, pois ambos os filmes que sucedem “Aliens: O Resgate” foram rejeitados pela maioria dos críticos e público. Após esses filmes, parecia que a franquia não tinha mais futuro…
Acredito que muitos se decepcionaram com o filme porque não teve as cenas com os Aliens como nas obras clássicas dos anos 80, pois por ser um filme de origem, “Prometheus” trilhou um caminho bem diferente. Em vez de ação e aliens, o filme elaborou um mistério bem pertinente: de onde viemos? Quem criou os humanos? Qual o propósito da humanidade no universo? São questionamentos a nível global que todos gostariam de ter a resposta definitiva.
É verdade que o filme tem alguns problemas, mas também acho desproporcionais suas avaliações negativas, a ponto de achar um dos tops filmes mais subestimados do filmow. “Prometheus” conseguiu o feito de trazer algo novo para a franquia, em uma jornada exploratória vasta em descobertas, perigos inesperados e suspense bem construído. Ridley Scott ficou décadas longe da franquia, mas mesmo assim, ele deu conta do recado. O diretor manteve a ótima ambientação do filme original e ainda evoluiu bem para os padrões da atualidade.
Gostei muito da produção e da equipe de efeitos visuais. Acho imprescindível acertar a mão nestes quesitos, pois colocar gente incompetente para cuidar do visual de filmes de ficção científica é arriscado para o longa-metragem ficar sem vida. O filme é tecnicamente incrível! Destaque para o design da nave Prometheus.
A escolha do elenco também foi assertiva: Idris Elba, Charlize Theron, Michael Fassbender… Noomi Rapace não é uma das atrizes que mais gosto, porém, se saiu muito bem na sua personagem, dando conta de segurar o protagonismo. Sua cena da cesariana foi a melhor do filme.
“Prometheus” é um filme imperfeito como qualquer outro, onde sua narrativa apresenta falhas, mas mesmo assim, é uma obra que apresenta muita qualidade na maioria de seus quesitos cinematográficos. Com uma abordagem interessante, “Prometheus” trabalha com temas existencialistas. Por fim, o filme envolve, em seu contexto geral, religião, teorias evolutivas e princípios.
Maratona Alien (Ordem Cronológica) Revisto em 6 de outubro de 2025 Minha avaliação: 8,0/10
“A Guerra do Amanhã” não era um filme que eu estava na expectativa de ver algo grandioso em sua proposta, ainda mais se tratando de um tema já bastante explorado na indústria cinematográfica, além de ter sido lançado numa época lazarenta e triste para o cinema (anos 2020 e 2021). Infelizmente, os filmes, num modo geral, pioraram muito durante e após a pandemia, salvo pouquíssimas exceções que sabidamente priorizaram a qualidade de suas obras.
Os streamings estão saturando praticamente todos os gêneros cinematográficos, e isso acabou influenciando negativamente no cinema, com os estúdios e distribuidoras arrecadando cada vez menos. Com isso, as salas de cinema estão perdendo muito espaço para a indústria dos streamings. “A Guerra do Amanhã” é somente mais um entre tantos outros filmes sobre invasão alienígena, por tanto, seria bem difícil a Amazon surpreender com algo que já não havíamos visto antes…
O Prime Video ultimamente vem despejando filmes muito melhores do que os da Netflix, além de sua mensalidade ser bem mais em conta. “A Guerra do Amanhã” é um grandiosíssimo blockbuster nos quesitos produção e investimento, o filme custou 200 milhões de dólares, um valor considerado altíssimo para um lançamento direto para streaming. O CGI dos bichos e dos cenários são satisfatórios e quase ótimos em todo o filme, fazendo valer todos os gastos da Amazon, se saindo muito melhor que boa parte dos filmes atuais da Marvel e DC.
A parte do entretenimento é básica, mas legal! A partir dos 50 minutos de sua projeção, o filme fica bastante frenético e caótico, com o que se espera em ver nos filmes dessa temática: tiroteios; correrias; explosões e aquela bagunça generalizada típica de invasão alienígena, com bichos bem ágeis e com muita vontade de matar. Minha única ressalva no filme fica por conta da direção, que não ficou muito boa em algumas partes. Poderiam ter escolhido um cineasta com boa mão para filmes de ficção científica.
Embora pareça ser “mais do mesmo”, há algumas abordagens interessantes que diferem dos outros filmes de temas semelhantes.
Gostei da parte da viagem no tempo ser feita em um ambiente amplo e através da sucção. Outro ponto interessante é que os alienígenas foram liberados devido ao derretimento das geleiras. Na realidade, não sabemos se realmente é só gelo que têm debaixo das superfícies gélidas dos polos. Com isso, deram uma boa verossimilhança assustadora à origem dos alienígenas, além de terem parado na terra por acidente, não por vontade própria, conforme mostrado nos outros filmes da temática.
Finalmente deram um papel de mais destaque para a Yvonne Strahovski, é uma das atrizes do time das subestimadas e pouco conhecidas que mais gosto. Achei a química com o Chris Pratt bem autêntica, mesmo a relação e o drama dos personagens sendo bem comum e saturado no mundo do entretenimento.
“A Coisa (2011)” é um prequel do clássico filme de John Carpenter; “O Enigma de Outro Mundo (1982)”. Este filme conta a história da equipe responsável pelo descobrimento de uma nave alienígena caída na Antártida e da criatura (a coisa), congelada no continente glacial há muito tempo. O grupo norueguês decide desenterrar o alienígena para fins de estudos científicos, a partir daí começam os eventos aterrorizantes e brutais que antecedem o filme de 1982.
O filme foi dirigido pelo novato Matthijs van Heijningen Jr. Fã declarado do clássico de 1982, ele afirma que este filme é somente uma homenagem à obra de John Carpenter. No entanto, “A Coisa” deu a entender que se trata de um remake “disfarçado”, pois o filme basicamente copiou quase tudo de “O Enigma de Outro Mundo”, exceto os efeitos visuais e cenários, que aqui estão demasiadamente limpos para uma situação caótica e desesperadora. Acabou não combinando muito…
Desta vez, os efeitos visuais foram digitais, bem diferente do que vimos no filme de 1982. O CGI variou entre bom e regular, deixando muitos traços de superficialidade em algumas cenas. Apesar disso, este filme até que honrou o original dos anos 80, a criatura (a coisa) continua horripilante e praticamente impossível de ser derrotada, mesmo sendo vulnerável ao fogo. Só não tem o charme e a pegada de um bom filme oitentista e, obviamente, também sem o fator surpresa do filme do John Carpenter.
A direção acertou ao escolher Mary Elizabeth Winstead como protagonista, pois antes desse filme ela já tinha boas experiências com o terror, principalmente quando interpretou a eterna Wendy de “Premonição 3”. A atriz carregou praticamente o filme nas costas sozinha, já que os outros atores não tiveram nada a oferecer, basicamente só serviram para virar presas fáceis para a criatura.
Por fim, “A Coisa” é um filme que entrega bons momentos de terror, com mortes bem sangrentas e insanas, onde destaco a fusão de corpo/rosto da criatura com uma das vítimas. Peca um pouco na previsibilidade e também por não ter a mesma tensão e paranoia do filme original, mas mesmo assim vale a sessão e pela curiosidade em assistir aos desdobramentos que antecedem “O Enigma de Outro Mundo”.
Assistido em 3 de setembro de 2025 Minha avaliação: 7,0/10
“O Enigma de Outro Mundo” é um fenômeno do cinema terror cósmico, dirigido brilhantemente pelo homem que entende do assunto: John Carpenter. Na época de seu lançamento, não chegou a ser um sucesso, por ser ofuscado nas bilheterias pelo filme do Steven Spielberg: “E.T.: O Extraterrestre”, mas com o passar do tempo foi conquistando seu espaço e consolidando fãs. Hoje, ele é um dos filmes mais marcantes de terror do século XX e também é considerado, por boa parte dos fãs de John Carpenter, o seu melhor filme da carreira.
As primeiras impressões do filme foram muito boas, pois gostei muito da ambientação gélida e cenários da Antártica, foram escolhas assertivas que combinam muito com o clima de terror e sensação de isolamento. Tudo isso contribuiu na criação do clímax de pavor, desespero, dúvidas, insegurança, caos, insanidade e irracionalidade dos personagens. “A Coisa” é um ser grotesco e horripilante, que faz qualquer um arrepiar as espinhas.
Os efeitos visuais da criatura beiram a perfeição, em uma grandiosíssima aula caprichada de efeitos visuais práticos, onde o filme valoriza muito essa arte tão negligenciada pelas produções atuais. A qualidade é muito surpreendente considerando o ano de lançamento do filme, neste quesito o tempo parece não passar para “O Enigma de Outro Mundo”. Com certeza, esta obra está entre os dez melhores filmes com efeitos práticos da história do cinema.
A direção de John Carpenter, a trilha sonora e a fotografia ampliam o suspense, a aflição e elevam a paranoia que permeia toda a obra, com a câmera circulando por espaços vazios e sem vida, criando um sentimento claustrofóbico e agoniante. Embora o roteiro apresente um ambiente tenso e sinistro, que tenha criado uma criatura icônica que entrou para a história, ele falha em oferecer um desenvolvimento satisfatório aos personagens e suas histórias.
Um detalhe que torna este filme único é a não materialização da ameaça, a qual se modifica e se transforma a cada enfrentamento, tornando-se imprevisível e também extremamente brutal. Não é somente um longa-metragem que o telespectador desconfia de todos, e sim um filme na qual a própria criatura (a coisa) não tem forma ou aparência fixa, além de um modus operandi completamente desconhecido. É uma obra que nenhum filme da atualidade jamais conseguiu replicar.
Assistido em 25 de agosto de 2025 Minha avaliação: 8,0/10
“A Substância” é um filme que mergulha o telespectador em uma montanha-russa emocional rara, onde a diretora Coralie Fargeat demonstra uma habilidade singular de misturar uma narrativa aparentemente simples, com críticas sociais profundas. O longa não somente cativa pela sua trama, mas, sobretudo, pela maneira como explora temas contemporâneos visceralmente, abordando questões de perfeição, envelhecimento e autoimagem com uma brutalidade crua. O filme mostra as complexidades da identidade e da pressão social, especialmente no contexto da imagem feminina. A história de Elisabeth Sparkle, uma renomada instrutora de aeróbica que se vê repentinamente despojada de seu status, é uma representação poderosa dos desafios enfrentados por muitas mulheres no submundo da fama.
Trama segue a busca obsessiva de uma mulher pela perfeição física, impulsionada por um mundo que a todo momento impõe padrões inalcançáveis. O roteiro de Fargeat, embora simples em sua estrutura, é brilhante na forma como utiliza essas pressões sociais como motor para as decisões das protagonistas. A cada passo, o espectador é levado mais fundo em um universo onde a busca pela aceitação, alimentada pelas redes sociais e pela necessidade de validação externa, consome seus personagens de maneira implacável e cruel.
A maneira como a cinematografia se integra à narrativa é notável e reflete a essência do cinema contemporâneo, repleto de elementos práticos que conferem veracidade às cenas. O longa também se destaca por suas reflexões sociais. As metáforas que tratam da obsessão pelo corpo perfeito e da constante comparação nas redes sociais são desconcertantes. As discussões sobre o envelhecimento e as pressões para aparentar uma vida ideal são temas delicadamente tecidos no subtexto, criando uma obra que não somente entretém, mas também provoca reflexões profundas.
O padrão de beleza é uma armadilha, uma jaula, onde as mulheres são colocadas para serem admiradas, julgadas e descartadas conforme envelhecem. O filme não te dá espaço para refletir calmamente sobre isso; ele te atropela com a brutalidade das imagens e a crueldade das suas metáforas. A substância que Elisabeth Sparkle consome é o veneno da própria sociedade, disfarçado de promessa da perfeição.
A escolha das atrizes foi igualmente acertada, pois elas interpretaram seus papéis de maneira a tornar suas personagens vívidas e autênticas. Coralie Fargeat opta por uma abordagem de roteiro que minimiza os diálogos em favor de descrições visuais detalhadas, permitindo que os atores transmitam a narrativa principalmente por meio de suas performances físicas. Demi Moore oferece uma interpretação comovente e multifacetada, capturando a fragilidade e o desespero de Elisabeth. Margaret Qualley, por sua vez, encarna Sue com um hedonismo arrogante, que contrasta de forma contundente com a autodepreciação de Elisabeth Sparkle.
O filme é uma experiência que te deixa desconfortável e reflexivo. Sua narrativa brutal, as atuações impressionantes e as críticas sociais presentes em cada camada do roteiro tornam-no uma obra essencial. Coralie Fargeat entrega um filme instigante que inspira debates sobre autoconfiança, direitos das mulheres e o que realmente significa ser ‘suficientemente boa’ em um mundo que frequentemente nos diz o contrário. Um trabalho ousado que desafia convenções de gênero e convida o telespectador a refletir sobre os horrores do culto à juventude e da superficialidade.
A narrativa explora o vazio existencial que acompanha a superficialidade da fama, demonstrando que a obsessão com a aparência pode corroer tanto o corpo quanto a alma. A obra aumenta gradualmente a brutalidade e o desconforto, mantendo a atenção do público até o último minuto. O choque e a perplexidade que permeiam o final são tão intensos que é impossível terminar o filme sem ficar profundamente impactado.
Enfim, “A Substância” é puro suco de cinema underground e obscuro, com altas doses de demência, que em seus instantes finais surpreende abraçando o 'trash' sem medo de ser feliz. O que era somente um drama sobre uma mulher frustrada e insatisfeita, se transforma em um terror chocante, insano, grotesco e nojento. Só não é perfeito pelo deslize em seu final, com cenas exageradas e desproporcionais para a ideia inicial do projeto. Porém, não invalida todo o impacto causado e sua importância reflexiva para a sociedade.
Até algumas décadas atrás, a Coreia do Sul e o Japão eram unanimidades no cinema asiático. Os países são dominantes no seu continente na produção de grandes filmes de alcance internacional. No entanto, nestes últimos anos, outros países também começaram a se destacar; é o caso da Indonésia com seus bons filmes de ação. A Indonésia tem sido uma excelente alternativa de válvula de escape, para quem não aguenta mais os enlatados americanos sem qualidade.
Acredito que o filme “Operação Invasão” (2011), de Gareth Evans, foi o precursor desse cinema underground de muito estilo. Abriu os caminhos para que a Indonésia se tornasse uma potência no desenvolvimento de filmes de ação altamente viscerais e insanos. São os filmes sujos e obscuros que Hollywood atualmente (ou nunca) teve a coragem e ousadia de produzir.
Tive primeira impressão boa do Timo Tjahjanto com o filme “A Noite nos Persegue”, mesmo achando algumas cenas exageradas em relação a mentiras. Com o novo “Através das Sombras”, ele até corrigiu esse problema, entregando cenas de ação mais próximas da realidade. Em quase toda a projeção, estranhei a falta de identidade do diretor neste filme, mas isso mudou no final com às duas últimas lutas, com duelos espetaculares de tirar o fôlego e, dessa vez, com a marca registrada do Tjahjanto nas cenas, como, por exemplo: quando uma chave de fenda se torna uma arma extremamente letal!
O roteiro deste filme poderia ter sido melhor trabalhado, pois tempo de projeção não faltou para isso. A abordagem da 'Organização Sombra' ficou muito vago no filme. Acredito que o Timo Tjahjanto precisa melhorar como roteirista, se evoluir nisso irá subir muito de patamar, porque como diretor acredito que já se provou, pois estilo e ousadia não faltam a ele. Com certeza, ele já superou muitos diretores Hollywoodianos metidos a bonzões, principalmente aqueles que ficam presos no politicamente correto.
O filme termina com uma cena enigmática indicando uma possível continuação, mas na minha opinião, essa provável sequência só irá fazer jus se tivermos Aurora Ribero vs. Julie Estelle. Seria 'Absolute Cinema' e o confronto feminino do século! Como alguns amigos já comentaram em outros filmes: já passou da hora da Julie Estelle ter seu filme como protagonista, ou no mínimo uma coadjuvante de grande destaque.
Aqui temos mais um filme que evidência a importância que a franquia John Wick tem como legado e inspiração. Graças ao seu sucesso, ajudou a resgatar os bons filmes de ação que estavam em baixa naquela época, elevando o gênero a um patamar de destaque e atraindo a atenção de grandes estúdios e produtores. Com isso, o gênero se reinventou e ganhou fôlego para o futuro.
Dev Patel estreia como diretor; além de atuar, roteirizar e produzir “Fúria Primitiva”; é o famoso faz de tudo! Apesar de ser novato no ramo da direção, Dev Patel teve todo o cuidado, preocupação e empenho em equilibrar um bom roteiro com cenas de ação. Num filme que mexe com muitos temas sociais, religiosos e políticos bem atuais, como desigualdade, corrupção, preconceito, abuso de autoridade, opressão, conchavos políticos e cultura local.
O personagem Kid decide se rebelar contra o sistema sinistro de seu país. Após anos de acúmulo de raiva e ódio, esses sentimentos afloram e o resultado é explosivo! Apesar de a vingança ser o cerne do filme, ele também é a busca por uma sociedade mais justa e igualitária. O filme trouxe muita representatividade indiana para as telas, com certeza deixando o povo da Índia bastante orgulhoso!
“Fúria Primitiva” tem uma gigante imersão na cultura Indiana, mas a ênfase no misticismo local não me prendeu do jeito que gostaria. Achei a abordagem um pouco desinteressante e também fez a obra ficar mais fantasiosa, além de ter quebrado a dinâmica do filme e deixá-lo com ritmo irregular. Apesar do roteiro bem escrito e promissor, acabou tendo suas barrigadas.
A direção do Dev Patel oscilou muito neste filme, ele soube captar ângulos interessantes de filmagens, as lutas coreografadas ficaram boas dentro do possível. Mas muitas cenas ficaram ruins com a câmera tremida, também não gostei dos flashbacks com centenas de cortes por cenas. Entre acertos e erros, Dev Patel até se virou bem, por ter que trabalhar com recursos limitados e orçamento considerado baixíssimo para os padrões atuais.
Dev Patel provavelmente tem todos os filmes John Wick em mídia física na sua estante, pois às referências são muitas: temática vingança, estilo de lutas semelhantes, terno preto, cenas com cachorrinho e citação direta. É uma pena que não alcançou o mesmo nível da franquia, mas cumpre o básico de seu gênero que é entreter e divertir.
Não é segredo para ninguém que Hollywood vive uma crise sem precedentes em seu cinema, por ser impressionante a quantidade de filmes do alto escalão que estão flopando. Em muitos casos, o alto investimento das produções nem sempre é garantia de um bom filme. Neste cenário, outros países aproveitaram para se destacar e aquecer o mercado cinematográfico competitivo; é o caso da Coreia do Sul com seus filmes de drama, em seguida a Indonésia com seus filmes de ação, e agora também a Índia entrou no páreo e vem surpreendendo o mundo.
“Kill: O Massacre no Trem” é um dos filmes mais despretensiosos e surpreendentes dos últimos anos. É um filme de ação que não inova em absolutamente nada, mas compensa muito com altas doses de brutalidade, insanidade e combates sanguinolentos alucinantes, com violência crua para ninguém botar defeito. Absurdamente divertido e viciante, sendo daqueles poucos filmes gostosos de rever a todo o momento; é um dos principais critérios de peso nas minhas avaliações sobre os filmes.
O início da ação tímida e cadenciada é só para enganar, porque depois que o negócio vira pessoal, não tem mais volta… O protagonista explode de raiva e usa o ódio como combustível para se tornar uma máquina de matar, buscando uma das vinganças mais viscerais, eletrizantes e de tirar o fôlego já vistas em um filme de ação. “Kill: O Massacre no Trem” se destaca na capacidade de equilibrar ação intensa com profundidade emocional.
O filme é puro entretenimento claustrofóbico regado a carnificina, adrenalina e tensão palpável por toda parte. O diretor Nikhil Nagesh Bhat conseguiu se virar muito bem! Mesmo em um ambiente fechado e apertado, entregou infinitas possibilidades cinematográficas, com variações de ângulos e execução que beira a perfeição! Até agora, é o único filme que assisti a usar tão bem um lugar limitado, e transformá-lo em algo grandioso!
Enfim, “Kill: O Massacre no Trem” é uma das principais surpresas da década de 2020, sendo um longa-metragem importante para a ascensão do cinema de seu país. Graças à sua ação vertiginosa e extravagante, o filme surpreende mesmo com uma história básica. Para mim, o melhor filme de ação do ano, isso mesmo! O melhor filme de ação de 2024 é da Índia. Surge mais um país para ficar de olho em seu cinema, com a promessa de aparecer mais coisa boa futuramente…
“Contra o Mundo” é um típico filme pipoca de ação e artes marciais, sendo puro suco de cinema escapista e bem ao estilo videogame. A violência e brutalidade do filme é bem surpreendente, bastante elevada em comparação aos padrões dos outros filmes americanos semelhantes. A produtora de filmes Lionsgate tem essa característica em suas obras, sendo uma das empresas com menos frescura e mimimi em relação a gore.
O filme é ambientado numa cidade estranha, no meio da selva, num regime totalitário administrado por uma única “família” com política opressora e manipuladora. Os subalternos da família Van Der Koy fazem seleções de pessoas consideradas ameaçadoras e 'ratos sujos' para o 'abate'; uma espécie de massacre de humanos em forma de “show” para entreter. É neste cenário que o protagonista surdo-mudo entra para se vingar e acabar com a farra da elite.
Não estava curtindo o filme devido às tentativas forçadas de comédia sem graça, pois se inspiraram no humor negro dos filmes “Deadpool”, mas não chegaram nem perto de replicar o que foi feito na trilogia. O resultado não foi o esperado, acabou ficando exageradamente boboca, besta e idiota. Quando isso acontece, enfraquece demais o roteiro e os desdobramentos do filme. Além disso, algumas partes do filme causam certo desconforto visual. Quem será que teve a “brilhante ideia” de colocar flashbacks no meio de uma sequência de ação?
No entanto, tudo mudou drasticamente com a revelação de um plot twist inimaginável e muito bem bolado! Era a virada de chave fundamental que o filme estava necessitando para ganhar a atenção do telespectador, por conseguir fugir da previsibilidade de sua narrativa e surpreender positivamente. Para fechar com chave de ouro, a luta final foi deliciosamente brutal, intensa e insana. O que parecia que iria ser ruim, deu bom!
Sem dúvidas, o destaque do filme é do indonésio Yayan Ruhian, porque ele simplesmente entrega mais que o básico na ação. O cara pode ser baixinho, mas é um gigante lutando! Ele já havia dado show nos filmes “Operação Invasão 1 e 2”, aqui não foi diferente. Fiquei muito satisfeito de que seu papel foi bem valorizado neste filme, pois seu personagem foi importante tanto narrativamente quanto nas cenas de ação. Sua contribuição foi crucial para “Contra o Mundo” ter um bom desfecho.
“O Vingador do Futuro” é mais um entre tantos remakes hollywoodianos lançados neste século, onde muitos deles são vistos com maus olhos pelos espectadores e críticos, pois muitos alegam que os filmes originais são autossuficientes e a maioria dos remakes são desnecessários. Sobre o remake de “O Vingador do Futuro”, o considero um bom filme de ação e acho até injusto o hate em cima deste filme, pois ele é muito melhor que a maioria dessas porcarias de filmes dessa década de 2020 desastrosa para o cinema.
Len Wiseman, assim como este filme, o acho subestimado. Ele dirigiu os dois melhores filmes da franquia “Anjos da Noite”, além de ter dirigido o ótimo “Duro de Matar 4.0” (sendo tão bom quanto o terceiro filme). Um diretor muito bom para filmes de ação, merecia mais atenção dos estúdios e produtores, deveria ter mais filmes em sua filmografia, pois todos os filmes que ele dirigiu são acima da média. Ele já está há mais de dez anos sem dirigir um filme, tomara que ele acerte a mão no filme da “Bailarina” e seja mais lembrado na indústria cinematográfica.
O diretor escolheu duas belas atrizes para trabalharem neste filme. Kate Beckinsale e Jessica Biel obviamente não são às tops das galáxias das atrizes para atuações, mas pelo menos embelezam o filme com charme e sensualidade. Visualmente falando, não há do que reclamar neste sentido, a escolha das atrizes foi certeira. Comparar Colin Farrell com Arnold Schwarzenegger é até covardia, mas considerando o que o ator poderia entregar, acho que Colin Farrell teve um protagonismo OK.
Wiseman arrisca trabalhar outros conflitos, objetivos e contextos, e dá uma ênfase maior na tecnologia digital e no artificialismo. Os ambientes têm uma enorme e impecável complexidade gráfica e revelam grande investimento em efeitos visuais, dando mais credibilidade para o universo que nos apresenta. Na colônia, em meio ao cenário Cyberpunk, muitos criticaram a inapropriada presença iconográfica da mulher de três seios, que faz referência ao filme de 1990. Mas creio que talvez não tenham assimilado que ali havia uma crítica a uma sociedade, que abraçou a ideia da artificialidade sobre a própria identidade e integridade.
Um quesito que acho este remake melhor que o original é nas cenas de ação, aqui as cenas são mais diversificadas, com tiroteios, perseguições em veículos e explosões; sendo um filme mais solto nas sequências de ação. Enquanto o original praticamente só tem tiroteios, sendo assim um filme mais engessado neste quesito. No entanto, quando o assunto é o roteiro, o remake perde de dez a zero para o original, pois não chega nem perto da complexidade e impacto cultural do filme do Paul Verhoeven.
O filme não foi muito bem nas bilheterias, passando muito longe do sucesso que o original obteve. Mesmo assim, não acho este remake merecedor de desprezo por parte do público, por ter boas reviravoltas e sacadas, assim como no original, e pelas mudanças que trouxeram para este remake nem ser tão ruins assim como falam. Dando uma opinião impopular aqui, acho este filme tão bom quanto o original dos anos noventa.
Revisto em 2 de janeiro de 2025 Minha avaliação: 8,0/10
“O Vingador do Futuro” é uma das principais pérolas da década de noventa, sendo repleto de cenas icônicas, como a do início do filme, onde os olhos do personagem de Arnold Schwarzenegger começam a esbugalhar por falta de ar e, mais para o meio do filme, aparece a famosa mulher de três peitos. É um filme tosco e brega em algumas partes, mas no bom sentido das palavras.
O filme, além de entreter bem, possui um roteiro bem bolado, estruturado e criativo, sendo um dos melhores de sua época, por trabalhar com temas interessantes e relevantes para o cenário mundial atual. É uma pena que as cenas de ação não sejam tão boas quanto pensavam ser, mas o roteiro compensa bem esse problema e não deixa o filme perder forças ao longo de sua projeção.
Arnold Schwarzenegger não é exatamente um dos melhores atores no quesito atuação, mas seu carisma e presença de tela já são o suficiente para que ele assuma protagonismo nos filmes. Essas características fazem com que a distância dele para os melhores seja encurtada. A sedutora Sharon Stone, a musa dos anos 90 em seu auge da beleza, complementa bem este filme, mesmo eu achando que sua personagem merecia um destaque maior.
Paul Verhoeven manteve seu estilo de direção de “RoboCop”, aqui novamente vimos cenas de tiroteios bem violentas, algo muito acima do que a classificação indicativa atual permite. “O Vingador do Futuro” é uma ode ao cinema brucutu raiz, ao cinema enérgico e principalmente aos filmes sem frescura. Temos mais um filme do Paul Verhoeven que deu aulas de efeitos visuais práticos, as maquiagens dos mutantes são simplesmente algo sublime, parecia ser muito real! O filme venceu merecidamente o Oscar de melhores efeitos visuais.
Um filme de roteiro dúbio, genial e de trama sensacional! Numa manipulação mental intrincada de primeira linha. Afinal, era tudo um sonho ou realidade? O interessante desse enigma é que o filme gradualmente vai soltando detalhes importantes que permitem ambas as interpretações, não dando para cravar 100% qual é a correta. Enfim, “O Vingador do Futuro” é facilmente um top 5 dos melhores filmes do Arnoldão. Assim como “RoboCop”, este filme também ganhou um remake, lançado em 2012.
Revisto em 10 de dezembro de 2024 Minha avaliação: 8,0/10
Lá em 2014, fiquei animado em conferir este filme no cinema, mesmo na época sem ter visto o filme original, porque queria celebrar um diretor brasileiro ganhando visibilidade internacional, pois isso é muito raro de acontecer em Hollywood. O José Padilha mereceu muito esse trabalho, ele colocou dois longas-metragens na seleta lista dos poucos filmes nacionais que realmente prestam com: “Tropa de Elite 1 e 2”.
Revisitar este remake com o filme do Paul Verhoeven fresco na mente definitivamente não foi uma boa ideia, pois já não tenho mais a boa impressão de antes, de quando o vi no cinema. Tanto é que achava este filme melhor que o último da trilogia, agora não tenho mais essa certeza, mas é certo que não recomendaria a ninguém assistir a este remake, depois de já ter visto o original. A discrepância entre os dois filmes é maior do que o esperado.
Os problemas do filme são tantos que fica até difícil resumi-los. A classificação indicativa acho que é o principal equivoco deste filme, ficou ruim demais ver criminosos levando tiro e ninguém perdendo sangue; irreal demais! Infelizmente, esse novo “RoboCop” é uma versão fresca e nutella do filme de 1987. É o politicamente correto estragando mais um filme que tinha potencial de surpreender.
Fiquei surpreso negativamente com a falta de personalidade deste filme, tudo muito exageradamente padrão. Às cenas de ação são repetitivas e entediantes, isso talvez seja o maior pecado em um filme do gênero, fora que não existe uma cena sequer que se destaque. O roteiro também é fraco! Muito básico e rígido, com desenvolvimento e fluidez de história de forma broxante. A Detroit apresentada simplesmente não passa a sensação de perigo, medo e insegurança dos filmes antecessores, pois os vilões são decepcionantes.
José Padilha ficou de mãos atadas neste projeto, a arrogância e preconceito de Hollywood com estrangeiros acabou engolindo o cineasta brasileiro. Acredito muito que Padilha não foi o culpado pelo filme não corresponder às expectativas, pois “RoboCop” ficou muito abaixo do que Padilha fez nos filmes “Tropa de Elite”, principalmente na questão de roteiro e temas políticos. O diretor praticamente não teve espaço para executar suas ideias para o filme, o estúdio e produtores sabotaram seu trabalho.
Enfim, podemos concluir que Hollywood é a sua própria inimiga e se autodestrói, isso ficou mais evidente ainda na década de 2020, pois a quantidade de filmes ruins está batendo recorde ano após ano. “RoboCop” teve alto investimento e presença de bons atores: Gary Oldman, Michael Keaton e Samuel L. Jackson. Mas mesmo assim, ficou devendo muito! Me arrependi de ter visto este filme no cinema, queria meu dinheiro de volta…
Maratona RoboCop Revisto em 9 de novembro de 2024 Minha avaliação: 5,0/10
O segundo filme da franquia “RoboCop” não obteve o sucesso esperado pelos produtores, provavelmente por isso, decidiram que era necessário cortar gastos para realizar essa terceira parte. Sem muitas opções, acabaram contratando um diretor aleatório que acharam na rua, obviamente um homem com pouca experiência e bagagem cinematográfica. Poderia dar certo mesmo assim, mas às chances de virar uma bagunça generalizada era mais obvio.
Infelizmente, o obvio acabou se sobressaindo, pois acabaram forçando demais esta continuação, já que os recursos financeiros eram insuficientes. O resultado não poderia ser diferente de um filme feito nas coxas, por ser difícil de citar algo para elogiar aqui. “RoboCop 3” foi mal dirigido, com efeitos visuais sofríveis somados a cenas de ação toscas e ruins; praticamente uma versão trash do filme original dirigido por Paul Verhoeven.
Para piorar ainda mais a situação, o ator que interpretava RoboCop (Peter Weller), não retornou para seu papel neste último filme. Uma pena! Pois, Peter Weller se saiu muito bem no personagem. No primeiro filme, deu para notar a diferença de trejeitos de quando ele ainda era humano, para quando ele ressurge como máquina. Para fechar a trilogia, o telespectador teve que se contentar com uma versão do RoboCop genérico.
Para não ser chato e dizer que não gostei de nada, achei às motivações do RoboCop bem desenvolvidas, até mesmo melhor que nos filmes antecessores. Dessa vez, Alex Murphy tem um problema pessoal para resolver com a OCP, numa pegada mais puxada para a vingança. A corporação OCP, que de início parecia ser algo benéfico para a população, resolve mostrar suas reais intenções; isso não é muito diferente na vida real.
Em muitos casos, afirmo que menos é mais, pois tentar “reinventar” um filme pode dar em tiro no pé.
Os desenvolvedores tiveram a péssima ideia de fazer o RoboCop voar, transformando o personagem no Superman. 😂🤣
Além de ser inadequado para o personagem, não havia recursos técnicos suficientes para a realização das cenas, mas resolveram fazer assim mesmo. É claro que não funcionou bem, prejudicando ainda mais a qualidade do filme.
Maratona RoboCop Assistido em 3 de novembro de 2024 Minha avaliação: 5,0/10
Não sei dizer se a mudança de direção dessa sequência tenha sido o motivo de “RoboCop 2” ser muito inferior ao filme original, afinal, Irvin Kershner dirigiu um dos melhores filmes “Star Wars”, inclusive sendo superior ao primeiro filme lançado, do criador George Lucas. Se em “Star Wars” a troca de diretor trouxe resultados satisfatórios, aqui foi mais um entre tantos casos, que seguir adiante uma história com outro diretor pode acabar com uma franquia promissora.
Assim como no primeiro filme, “RoboCop 2” foi profético sobre como o sistema funciona, se articula e se fortalece para se tornar praticamente invencível e intocável. Mesmo com o RoboCop fazendo sua parte contra o crime, a cidade de Detroit está ainda mais caótica e violência que antes, com a economia da cidade entrando em colapso, causando a greve do departamento de polícia de Detroit. Com isso, os bandidos se aproveitam da situação para cometer diversos crimes; cabe a RoboCop novamente entrar em ação para pôr ordem na cidade.
Mesmo com mais poder de investimento, não notei nada de melhora técnica em comparação ao filme antecessor, acho inclusive que os efeitos visuais pioraram. Às cenas de ação também descaíram de qualidade, não passaram a mesma sensação de realismo do primeiro filme. A equipe técnica do filme original dá um banho na equipe dessa sequência, talvez a mudança de diretor tenha atrapalhado também. Enfim, foi uma pena o Paul Verhoeven não ter retornado para esse segundo filme.
Acredito que o drama familiar de Alex Murphy poderia ter sido melhor explorado, seria um arco interessante se melhor abordado, deixaria o filme sem pontas soltas e mais completo. Não tivemos isso nem no filme original, já aqui poderia ter sido um diferencial com a mudança de diretor, mas infelizmente Irvin Kershner não trouxe nenhuma novidade para esta sequência.
Como citei no segundo parágrafo, esta sequência manteve a boa abordagem de temos políticos. No entanto, ficou devendo muito em entretenimento, não souberam usar o orçamento dobrado que tiveram, pois às cenas de ação aqui são mais “politicamente corretas” e também reduzidas em relação ao filme original. O primeiro filme foi mais ousado, já o segundo bem mais contido.
Maratona RoboCop Assistido em 29 de outubro de 2024 Minha avaliação: 6,0/10
“RoboCop: O Policial do Futuro” foi o primeiro filme de grande destaque da carreira do holandês Paul Verhoeven, que com o passar dos anos se consolidaria como um bom diretor de filmes de ficção científica. Este filme basicamente profetizou como seria a situação da cidade americana de Detroit nas questões de segurança e criminalidade. Atualmente, Detroit é uma das cidades mais violentas dos EUA, sendo famosa negativamente por representar a decadência de uma cidade que já viveu momentos melhores em sua história.
O filme é uma sátira ácida e implacável, que passa diversas mensagens em relação ao universo policial, em uma forte carga de poesia pop. O personagem Alex Murphy, após ser transformado em RoboCop, é o policial perfeito! Por um único motivo: não é humano, é um homem que faleceu e renasceu completamente desumanizado, artificialmente transformado numa máquina de matar.
Os bandidos pé-de-chinelo vistos no filme são apenas a ponta do iceberg de um problema político e social complexo, pois o buraco é muito mais embaixo, indo muito além do que se imagina. Ganância das megacorporações aliada a muita corrupção e disputas de poder até às últimas consequências, são realidades bem exemplificadas pelo filme, mostrando como um sistema falho e corrompido compromete a vida das pessoas de uma grande metrópole.
Como todo bom filme dos anos 80, não poderia faltar a magia dos ótimos efeitos visuais práticos, pois nesta época os recursos e orçamento eram bem limitados, mas a criatividade e esforço das equipes técnicas superavam os percalços desse tempo. “RoboCop: O Policial do Futuro” é um filme que deu aulas de efeitos práticos, prova disso é a cena do criminoso deformado por produtos químicos. Assustadoramente incrível!
Mas o grande destaque e o que mais me chamou a atenção no filme foi a violência, pois considerando que “RoboCop” é classificação PG-13, ele é bem sangrento em relação a essa classificação indicativa, algo que jamais seria permitido atualmente. Me surpreendeu muito! Por abordar a criminalidade urbana, o filme tinha que ser violento mesmo, não faria sentido se fosse diferente. Os anos 80 podem não ter sido a melhor década do cinema, mas com certeza foram a mais raiz, autêntica e sem frescuras. Época boa demais!
Maratona RoboCop Assistido em 23 de outubro de 2024 Minha avaliação: 8,0/10
Nesta segunda parte da versão sem censura de “Rebel Moon”, fiquei ainda mais convencido de que Zack Snyder foi muito prejudicado com esse impasse que ele tem com os estúdios, que o obrigam a fazer seus filmes ficarem com classificação PG-13, para somente depois lançar sua versão definitiva sem interferência de estúdios. Eu até compreendo quando é filme lançado para cinema, ao diminuir a duração para terem mais horários disponíveis por dia. Mas no caso de “Rebel Moon” foi completamente desnecessária essa “estratégia”, pois ambos os filmes foram lançados diretamente para streaming.
Pelos comentários desanimadores aqui, estava imaginando que esta sequência seria inferior à primeira parte, mas ainda bem que não foi bem assim. “Rebel Moon — Capítulo 2: Maldição do Perdão” é um filme surpreendentemente bom, conseguiu ser bem mais incisivo que o “Capítulo 1: Cálice de Sangue”, no que se esperava desta obra. Foi a parte que mais se aproximou de ser uma verdadeira Space Opera, especialmente em sua segunda metade de projeção, dando para afirmar informalmente que o filme “começou” nessa parte.
Se tratando de uma produção da Netflix, os efeitos visuais até ficaram bons. No entanto, é algo que também oscilou muito nos dois filmes, principalmente nas partes que usaram demais o efeito desfoque, que deixa a fotografia do filme horrenda. Provavelmente se aproveitaram desse “recurso” para economizar nos curtos de produção. Se não fosse por essa limitação, os filmes poderiam ter ficado ao nível de cinema nos aspectos técnicos.
Assim como na parte um, esta continuação foi bem irregular na questão de dinâmica e ritmo. Do início até a metade do filme, temos a parte da colheita (parecia Globo Rural 😅); logo em seguida, mostra o plano dos guerreiros para defender o povo de Veldt. Nessa parte, nossa paciência é testada, pois Snyder deu uma viajada legal, filmou colheitas sendo feitas em slow motion, até deu impressão que fez isso deliberadamente para irritar seus haters. 😂🤣
Já na segunda metade, o filme melhora significativamente e fica muito bom! Entregando uma batalha final bem frenética, seguida de sequências de ação alucinantes e ininterruptas; com muito caos, explosões, confrontos violentos e mortes bastante sangrentas. Pelo menos no aspecto visual e no entretenimento, “Rebel Moon — Capítulo 2” teve êxito em entregar tudo que se espera de uma guerra. Por tanto, temos duas partes do filme bem distintas, com o melhor ficando para o final.
Até compreendo o grande número de críticas negativas que ambos os filmes receberam aqui no site, pois certamente as versões da Netflix são infinitamente inferiores aos cortes do diretor. Mas mesmo assim, é inacreditável e patético que os dois filmes do Zack Snyder tenham nota menor que: “Matrix 4”, “Homem-Formiga 3”, “Thor 4”, “She-Hulk”, “The Marvels”, entre outras porcarias e abacaxis da atualidade. Prefiro ser bombardeado de câmera lenta do que das piadinhas infames dos últimos lançamentos da Marvel.
Assistido em 4 de setembro de 2024 Minha avaliação: 8,0/10
Nesta segunda parte da versão sem censura de “Rebel Moon”, fiquei ainda mais convencido de que Zack Snyder foi muito prejudicado com esse impasse que ele tem com os estúdios, que o obrigam a fazer seus filmes ficarem com classificação PG-13, para somente depois lançar sua versão definitiva sem interferência de estúdios. Eu até compreendo quando é filme lançado para cinema, ao diminuir a duração para terem mais horários disponíveis por dia. Mas no caso de “Rebel Moon” foi completamente desnecessária essa “estratégia”, pois ambos os filmes foram lançados diretamente para streaming.
Pelos comentários desanimadores aqui, estava imaginando que esta sequência seria inferior à primeira parte, mas ainda bem que não foi bem assim. “Rebel Moon — Capítulo 2: Maldição do Perdão” é um filme surpreendentemente bom, conseguiu ser bem mais incisivo que o “Capítulo 1: Cálice de Sangue”, no que se esperava desta obra. Foi a parte que mais se aproximou de ser uma verdadeira Space Opera, especialmente em sua segunda metade de projeção, dando para afirmar informalmente que o filme “começou” nessa parte.
Se tratando de uma produção da Netflix, os efeitos visuais até ficaram bons. No entanto, é algo que também oscilou muito nos dois filmes, principalmente nas partes que usaram demais o efeito desfoque, que deixa a fotografia do filme horrenda. Provavelmente se aproveitaram desse “recurso” para economizar nos curtos de produção. Se não fosse por essa limitação, os filmes poderiam ter ficado ao nível de cinema nos aspectos técnicos.
Assim como na parte um, esta continuação foi bem irregular na questão de dinâmica e ritmo. Do início até a metade do filme, temos a parte da colheita (parecia Globo Rural 😅); logo em seguida, mostra o plano dos guerreiros para defender o povo de Veldt. Nessa parte, nossa paciência é testada, pois Snyder deu uma viajada legal, filmou colheitas sendo feitas em slow motion, até deu impressão que fez isso deliberadamente para irritar seus haters. 😂🤣
Já na segunda metade, o filme melhora significativamente e fica muito bom! Entregando uma batalha final bem frenética, seguida de sequências de ação alucinantes e ininterruptas; com muito caos, explosões, confrontos violentos e mortes bastante sangrentas. Pelo menos no aspecto visual e no entretenimento, “Rebel Moon — Capítulo 2” teve êxito em entregar tudo que se espera de uma guerra. Por tanto, temos duas partes do filme bem distintas, com o melhor ficando para o final.
Até compreendo o grande número de críticas negativas que ambos os filmes receberam aqui no site, pois certamente as versões da Netflix são infinitamente inferiores aos cortes do diretor. Mas mesmo assim, é inacreditável e patético que os dois filmes do Zack Snyder tenham nota menor que: “Matrix 4”, “Homem-Formiga 3”, “Thor 4”, “She-Hulk”, “The Marvels”, entre outras porcarias e abacaxis da atualidade. Prefiro ser bombardeado de câmera lenta do que das piadinhas infames dos últimos lançamentos da Marvel.
Assistido em 4 de setembro de 2024 Minha avaliação: 8,0/10 (Corte do Diretor)
Alien: A Ressurreição
3.1 520 Assista Agora“Alien 3” foi um filme tão podre que a própria 20th Century Fox provavelmente reconheceu que aquilo foi um grande erro. Com isso, o que deveria ser uma trilogia acabou se transformando numa tetralogia, porque deve ter batido o desespero nos produtores, na tentativa de entregar um novo filme minimamente assistível. O pavor foi tanto que trouxeram de volta a Tenente Ripley (mesmo depois de “morta”), para assegurar a audiência.
Grande problema disso foi como ela voltou, de uma maneira bem forçada e bizarra, tipo fazendo parte do DNA dos Aliens e ganhando poderes sobre-humanos, com regeneração de ferimentos instantânea e sangue de ácido. O problema disso é que, como era esperado, esta sequência foi muito questionável pelos fãs e também achincalhada igual ao terceiro filme! Entretanto, os criadores perceberam o óbvio: não existe “Alien” sem a Tenente Ripley.
Este filme que encerra um ciclo é o que menos se deve levar a sério da franquia, ele é o mais escrachado e também com uma pegada estilo trash. Mesmo assim, ficou muito melhor que seu antecessor, sendo bem mais divertido e dinâmico, além de terem trazido de volta os soldados, as armas, tiroteios e o caos total com mais aliens. Os efeitos visuais também são muito superiores em relação ao horrível terceiro filme, que mais parecia gráficos de PS2.
Sigourney Weaver atuou novamente muito bem, dá para perceber nitidamente a diferença de personalidade em relação à Ellen Ripley original. Por outro lado, essa versão mais fria e indiferente da personagem é o principal ponto negativo do filme. Obviamente, gosto mais da Tenente Ripley dos dois primeiros filmes, pois infelizmente a personagem deixou de ser memorável e passou a ser apenas comum nas sequências. Em compensação, as adições de Ron Perlman e Winona Ryder reforçaram o elenco com bons nomes.
Por fim, logicamente não tivemos um desfecho honroso para a jornada da Tenente Ripley, mas ao menos, este filme funciona como uma espécie de reparação ao que foi desenvolvido em seu antecessor. “Alien: A Ressurreição” é uma obra imperfeita, mas que entrega entretenimento de bom nível, principalmente se o analisarmos individualmente, sem comparações com os outros filmes da franquia.
Maratona Alien (Ordem Cronológica)
Versão estendida assistida em 3 de abril de 2026
Minha avaliação: 7,0/10
Alien 3
3.2 583 Assista AgoraEste era um dos filmes da franquia que ainda me faltava para assistir pela primeira vez, mas francamente, deveria ter continuado assim mesmo, pois pensem em um filme ruim e multipliquem por mil. Resultado = “Alien 3”. Filme que somente serviu para provar que a “maldição da terceira parte” realmente existe nas franquias, porque isso daqui é lamentável e decepcionante ao extremo.
O filme é uma bagunça geral, parece que ele foi produzido em um fundo de quintal por estagiários de cinema, ou talvez foi sabotado por concorrentes infiltrados para acabar de vez com a franquia. Não sei como foi a versão de cinema, mas a versão sem cortes, em minha visão, não muda absolutamente nada, pois quando o filme é muito ruim, simplesmente fica muito complicado para consertar.
É difícil de acreditar, mas a direção e os produtores conseguiram o impossível! Erraram tudo neste filme, simplesmente nada presta nesta porcaria! Início, fim, roteiro, personagens, ambientação, efeitos visuais e principalmente edição; tudo pensado e executado da pior forma possível! Com cenas de ação pífias e cenas de mortes malfeitas, “Alien 3” é um desvio dos dois ótimos filmes antecessores da franquia, sendo uma aula de como NÃO se fazer cinema.
A narrativa consegue ser o pior de tudo, justo um dos quesitos mais importantes para um bom filme. Já no começo de “Alien 3” (com exceção da Ripley), os dois sobreviventes do filme antecessor morreram. Pelo menos um deles poderia ter sobrevivido, para que tudo que aconteceu no segundo filme não tenha sido em vão. Aqui já ficou insustentável esta situação, mas piora ainda mais… A Tenente Ripley acabou tendo um hospedeiro Alien introduzido em seu organismo durante sua hibernação na nave que caiu. Após isso, não restou outra alternativa a não ser se sacrificar. O filme termina pior do que começou, com a morte da maior protagonista da franquia.
Enfim, “Alien 3” pega tudo que foi construído nos filmes antecessores e joga no lixo sem dó nem piedade, em uma das decisões mais estúpidas e incoerentes da história do cinema. O filme é tão deprimente e desastroso que nem mesmo a interpretação da Sigourney Weaver conseguiu salvar… Só restou para os telespectadores acompanhar diálogos chatos e sonolentos, além do aborrecimento e tédio que esta obra medíocre proporciona do início ao fim!
Maratona Alien (Ordem Cronológica)
Versão sem cortes assistido em 1 de abril de 2026
Minha avaliação: 3,0/10
Aliens: O Resgate
4.0 866 Assista AgoraContinuando minha maratona, finalmente chego no meu filme favorito da franquia: “Aliens: O Resgate”. O principal motivo claro para eu achar o melhor filme da saga é a direção de James Cameron, ele foi o substituto perfeito de Ridley Scott na direção para esta sequência. Cameron, no início de carreira, já se mostrava ser um cineasta completo, além de sempre tirar leite de pedra em seus filmes em relação a limitações técnicas da época e, posteriormente, se tornou o paizão do cinema moderno com “Terminator 2”.
Este filme entra para o seleto grupo de melhores sequências já lançadas da história, onde “Aliens: O Resgate” é uma aula de como fazer uma continuação de uma história fechada. O filme dedica o seu primeiro ato a expandir a mitologia do primeiro, contando o trágico futuro da Tenente Ripley e mostrando o lado mais corrupto, sujo e ganancioso da companhia Weyland-Yutani. Com isso, colocam a heroína de volta ao planeta LV-426 do filme antecessor.
Revendo o filme agora na versão estendida, notei algo interessante sobre a menção à filha de Ripley, detalhe ausente na versão normal de cinema. O filme já era ótimo na sua versão padrão, na versão sem cortes ficou ainda melhor, ao dar mais detalhes sobre o que aconteceu com os colonizadores e também mais informações sobre a vida pessoal da Tenente Ripley. Esta versão enriquece a história, deixando-a mais abrangente.
No primeiro filme, Ridley Scott deu ênfase ao terror e suspense, apostando alto em uma criatura desconhecida para causar medo e tensão no público. Já neste segundo filme, James Cameron decidiu focar mais na ação e no caos, elevando o nível de entretenimento para os telespectadores. Nesta sequência, tudo é mais intenso e frenético, com mais Aliens, mais personagens e muito mais mortes. Neste caso, 'quanto mais, melhor!' funcionou perfeitamente bem. Além disso, James Cameron corrige um erro do filme original, dando mais protagonismo aos Aliens, afinal a franquia é sobre eles e não faria sentido as criaturas continuarem em segundo plano.
“Aliens: O Resgate” consolidou de vez a memorável Tenente Ripley (Sigourney Weaver) como uma das principais heroínas da história do cinema. A personagem entrega cenas apoteóticas nesta sequência, principalmente nos instantes finais do filme, onde Ripley, com muita coragem e resiliência, coloca suas habilidades militares em prática para enfrentar sozinha a tão temível Rainha Alien. Com isso, quem ganha é o telespectador, que aprecia momentos épicos, numa luta pela sobrevivência e redenção da personagem.
Após “Terminator 1”, James Cameron provou novamente o seu valor para a indústria cinematográfica. Ele não teve receio de mudar as características da obra original, fez o filme com a sua cara e personalidade, porém, sem perder a essência do primeiro filme. Ou seja, ambos os filmes se complementam, o que falta em um, compensa no outro e vice-versa. Quando o diretor é competente, ele coloca o sarrafo lá nas alturas, azar para os sucessores em tentar superar.
Maratona Alien (Ordem Cronológica)
Versão estendida assistida em 15 de março de 2025
Minha avaliação: 9,0/10
Alien: Romulus
3.7 758 Assista Agora“Alien: Romulus” é o filme mais recente da franquia até agora… Porém, na cronologia, a história se passa logo após o filme original de 1979 (entre os filmes “Alien: O 8º Passageiro” e “Aliens: O Resgate”). Apesar de os dois últimos filmes dirigidos por Ridley Scott serem bem questionáveis, a franquia conseguiu se reerguer e manter o fôlego com a mudança de direção, pois, por incrível que pareça, a saída de Ridley Scott de diretor fez bem à franquia.
Nos filmes “Prometheus” e “Alien: Covenant”, Ridley Scott optou por renovar a franquia para os moldes atuais do cinema, entretanto, creio que isso não foi uma boa ideia, já que os filmes clássicos são melhores. Já Fede Alvarez decidiu por uma abordagem mais clássica, com referências e nostalgia, mas sem deixar o filme obsoleto. Ou seja, uniu o melhor do cinema clássico com o cinema moderno. Quando isso acontece, é praticamente impossível um filme com estas características ficar ruim.
Todo mundo sabe que o cinema atual está sofrendo com falta de criatividade e inovação. Entretanto, Fede Alvarez, mesmo com pouca experiência, conseguiu trazer algo inédito! Não só para a franquia, mas acredito que também para o cinema como um todo. A cena da gravidade zero com os ácidos foi muito bem bolada, além da alta dose de tensão e apreensão que a mesma proporciona aos telespectadores. É facilmente uma das melhores cenas de um filme de terror de todos os tempos! Sem exageros.
Apesar do filme ter poucos personagens, as boas mortes compensam isso, destaque para a morte do personagem que morre para o ácido. O elenco jovem dessa vez não prejudicou a experiência, inclusive gostei da protagonista do filme, finalmente vimos uma mulher novinha em filme de terror que NÃO é burra. Cailee Spaeny é a melhor Ellie (The Last of Us) que não tivemos.
O filme acerta em não ser pretensioso igual à série “Alien: Earth”, contendo apenas elementos básicos sem invenção de moda, mas o 'básico' aqui foi estritamente bem executado. “Alien: Romulus” realmente é muito bom, conseguindo disputar de igual para igual com o filme original, inclusive o supera em vários pontos, mesmo sendo inferior no mistério e terror.
Fede Alvarez caiu como uma luva para a direção deste filme, surpreendeu com uma grande obra que honra os clássicos, mantendo a essência dos melhores filmes da franquia, mesmo trilhando seu próprio caminho. O diretor mostrou para o público que o cinema nem sempre precisa ser esse “bicho de sete cabeças”, às vezes, o melhor caminho é não se arriscar tanto e entregar apenas o óbvio, respeitando o que os fãs esperam de um novo filme da franquia.
Maratona Alien (Ordem Cronológica)
Assistido em 5 de março de 2026
Minha avaliação: 8,5/10
Alien: O Oitavo Passageiro
4.1 1,4K Assista AgoraPoucos filmes envolvendo histórias com efeitos especiais complexos sobreviveram tão bem ao teste do tempo como “Alien: O 8º Passageiro”. Onde o trabalho de direção de Ridley Scott seria uma importante referência para o gênero até os dias de hoje, já que o ainda jovem cineasta demonstrava um domínio completo de condução de ótimos atores, clima de suspense e o uso acertadíssimo de enquadramentos fechados e claustrofóbicos. Elementos que ajudaram a dar uma atmosfera realmente aterrorizante no escuro e apertado interior da nave Nostromo, brilhante e funcionalmente recriada pela direção de arte inovadora.
É nesse clima de suspense total e terror constante que a trama se desenvolve e envolve o espectador de uma maneira impressionante. Especialmente por ser um filme do final dos anos 70, com gigantes e modernos cenários que, com a fotografia escura e sinistra, consegue criar o clima ideal. A ideia de um local isolado de tudo e todos deixa a todos ainda mais agoniados e tensos, porém, não apenas aterroriza, mas também provoca reflexões sobre sobrevivência, exploração espacial e os limites da humanidade diante do desconhecido. Não poderia deixar de citar os perfeitos efeitos visuais, que podem ser comparados com filmes da atualidade, inclusive, e é claro, a maquiagem incrível.
Em questão de ritmo, o filme pode ser bastante lento para as nossas sensibilidades atuais do que seria um “entretenimento pipoca”, não que isso chegue a me incomodar, mas há de se confessar que o filme assistido nos dias atuais não é o mesmo que foi há décadas atrás. O que mais envelheceu aqui disparado foi a concepção do Xenomorfo, pois a direção propôs um terror muito mais subjetivo, investindo principalmente na construção do suspense e, quando a câmera decide apresentar o seu antagonista, creio que nas sequências em que ele apenas aparece de relance… A animatrônica da criatura é simplesmente fenomenal! Já nas sequências em que ele é mostrado de corpo inteiro, é muito perceptível a presença de um dublê fantasiado. No entanto, nada disso importa de verdade, porque o Xenomorfo é simplesmente fantástico! Eu não consigo pensar em uma figura monstruosa mais emblemática e icônica do que a apresentada aqui. É um ser imponente, assustador e implacável!
O elenco aqui também deve se destacar. No geral, diria ser um elenco funcional, embora não exista nenhum personagem que seja particularmente muito aprofundado, mas eles conseguem conquistar a nossa empatia e nos fazer temer pelo destino de cada um. São personagens que pensam com o cérebro ao invés da bunda, acredito que os que mais se destacam aqui sejam Ian Holm, que consegue formar uma figura bem enigmática em seu Ash. E lógico, Sigourney Weaver, que por mais que a sua Ripley esteja muito longe de ser aquela heroína 'badass motherfucker' que ficaria conhecida nas continuações, consegue ser efetiva ao fazer uma personagem simpatizável. A sequência final, onde ela precisa enfrentar o Xenomorfo sozinha antes e depois da destruição da nave, é fácil uma das mais tensas que o cinema já produziu.
“Alien: O 8º Passageiro” é um destes filmes definitivos da história do cinema, Ridley Scott faz aqui um estudo sobre o medo ao desconhecido como poucos, onde todo o teor atmosférico e estética sci-fi dark do longa são de tamanha elegância, deixando-nos uma experiência atemporal. Com um clima de terror estabelecido por completo com a brilhante trilha sonora do mestre Jerry Goldsmith, é uma das ficções científicas de horror que mais influenciaram as produções seguintes do gênero. É uma perfeição estética, narrativa e de clima de suspense tão boa que vive mesmo após inúmeras revisões e imitações.
Maratona Alien (Ordem Cronológica)
Revisto em 23 de fevereiro de 2026
Minha avaliação: 8,5/10
Alien: Covenant
3.0 1,3K Assista Agora“Alien: Covenant” é uma continuação direta de “Prometheus”, onde apenas o personagem David (Michael Fassbender) retorna para a sequência. Ridley Scott, o diretor responsável pelo filme original, retorna para mais um filme da franquia, com o desafio de adaptar e atualizar a saga “Alien” para os moldes atuais do cinema moderno. Entretanto, infelizmente, é neste filme que Ridley Scott deu os primeiros sinais de que precisa se aposentar do cargo de diretor.
Há muitos problemas no filme, e o principal deles acredito que seja o elenco e seus personagens. Além do desenvolvimento deles ser pífio, a nova equipe de exploradores toma decisões estúpidas e consequentemente só faz cagadas durante todo o filme. Não é à toa que “Alien: Covenant” protagonizou uma das mortes mais toscas e atrapalhadas da história do cinema. A maioria dos personagens é tão burra, que você caga e anda quando eles morrem.
O roteiro também não ajuda muito, sendo menos criativo que “Prometheus”. Ele segue uma estrutura comum de toda a franquia e até toca em pontos interessantes e promissores, como: a colonização de planetas, conceito de amor das máquinas, senso de dever, uma analogia à criação nem sempre ser algo divino — e por isso a criação ser corrompida e, até uma busca de identidade e conceitos de amor relativos ao nascimento e criação. No entanto, todos esses pontos são tocados de uma maneira extremamente vaga.
A única coisa bem positiva e de destaque do filme foi o personagem do Michael Fassbender, que dessa vez apareceu em dose dupla. Gostei muito do contraste entre a diferença dos androides, a dualidade do bem vs. mal e senso de dever vs. megalomania. É indiscutivelmente o único acerto do roteiro do filme, já que o resto não se aproveita praticamente nada, principalmente porque não dá seguimento e respostas dos principais questionamentos abordados em “Prometheus”.
Na parte final do filme, Ridley Scott tentou lançar uma nova “Tenente Ripley”, com a protagonista Daniels (Katherine Waterston), mas, na minha opinião, simplesmente não colou. Primeiro, porque a atriz escolhida não tem nome para emplacar uma personagem marcante para a história do cinema. Segundo a tenente Ripley, interpretada magistralmente pela Sigourney Weaver, é uma das melhores personagens femininas da história do cinema, que ficará eternizada para sempre na indústria. Ela é simplesmente irreplicável e insubstituível na franquia “Alien”, é a mesma coisa que tentar jogar futebol sem bola.
Por fim, apesar de muitas críticas negativas para o filme, não o considero inteiramente ruim, mas também passa muito longe do que a franquia Alien proporcionou em seus primeiros filmes, mesmo com mais investimentos e mais recursos. Os dois primeiros filmes da franquia “Alien” continuam soberanos no universo criado por Ridley Scott.
Maratona Alien (Ordem Cronológica)
Revisto em 13 de janeiro de 2025
Minha avaliação: 6,0/10
Prometheus
3.1 3,5K Assista Agora“Prometheus” é cronologicamente o primeiro filme da franquia “Alien”, mostrando como se deu a origem dos Xenomorfos. Depois de mais de 30 anos, Ridley Scott aceitou o desafio de dirigir novamente um filme da franquia, que estava pausado/engavetado desde os anos 90, pois ambos os filmes que sucedem “Aliens: O Resgate” foram rejeitados pela maioria dos críticos e público. Após esses filmes, parecia que a franquia não tinha mais futuro…
Acredito que muitos se decepcionaram com o filme porque não teve as cenas com os Aliens como nas obras clássicas dos anos 80, pois por ser um filme de origem, “Prometheus” trilhou um caminho bem diferente. Em vez de ação e aliens, o filme elaborou um mistério bem pertinente: de onde viemos? Quem criou os humanos? Qual o propósito da humanidade no universo? São questionamentos a nível global que todos gostariam de ter a resposta definitiva.
É verdade que o filme tem alguns problemas, mas também acho desproporcionais suas avaliações negativas, a ponto de achar um dos tops filmes mais subestimados do filmow. “Prometheus” conseguiu o feito de trazer algo novo para a franquia, em uma jornada exploratória vasta em descobertas, perigos inesperados e suspense bem construído. Ridley Scott ficou décadas longe da franquia, mas mesmo assim, ele deu conta do recado. O diretor manteve a ótima ambientação do filme original e ainda evoluiu bem para os padrões da atualidade.
Gostei muito da produção e da equipe de efeitos visuais. Acho imprescindível acertar a mão nestes quesitos, pois colocar gente incompetente para cuidar do visual de filmes de ficção científica é arriscado para o longa-metragem ficar sem vida. O filme é tecnicamente incrível! Destaque para o design da nave Prometheus.
A escolha do elenco também foi assertiva: Idris Elba, Charlize Theron, Michael Fassbender… Noomi Rapace não é uma das atrizes que mais gosto, porém, se saiu muito bem na sua personagem, dando conta de segurar o protagonismo. Sua cena da cesariana foi a melhor do filme.
“Prometheus” é um filme imperfeito como qualquer outro, onde sua narrativa apresenta falhas, mas mesmo assim, é uma obra que apresenta muita qualidade na maioria de seus quesitos cinematográficos. Com uma abordagem interessante, “Prometheus” trabalha com temas existencialistas. Por fim, o filme envolve, em seu contexto geral, religião, teorias evolutivas e princípios.
Maratona Alien (Ordem Cronológica)
Revisto em 6 de outubro de 2025
Minha avaliação: 8,0/10
A Odisseia
25Olhem só esse elenco...
Nolan não brinca em serviço.
A Guerra do Amanhã
3.2 722 Assista Agora“A Guerra do Amanhã” não era um filme que eu estava na expectativa de ver algo grandioso em sua proposta, ainda mais se tratando de um tema já bastante explorado na indústria cinematográfica, além de ter sido lançado numa época lazarenta e triste para o cinema (anos 2020 e 2021). Infelizmente, os filmes, num modo geral, pioraram muito durante e após a pandemia, salvo pouquíssimas exceções que sabidamente priorizaram a qualidade de suas obras.
Os streamings estão saturando praticamente todos os gêneros cinematográficos, e isso acabou influenciando negativamente no cinema, com os estúdios e distribuidoras arrecadando cada vez menos. Com isso, as salas de cinema estão perdendo muito espaço para a indústria dos streamings. “A Guerra do Amanhã” é somente mais um entre tantos outros filmes sobre invasão alienígena, por tanto, seria bem difícil a Amazon surpreender com algo que já não havíamos visto antes…
O Prime Video ultimamente vem despejando filmes muito melhores do que os da Netflix, além de sua mensalidade ser bem mais em conta. “A Guerra do Amanhã” é um grandiosíssimo blockbuster nos quesitos produção e investimento, o filme custou 200 milhões de dólares, um valor considerado altíssimo para um lançamento direto para streaming. O CGI dos bichos e dos cenários são satisfatórios e quase ótimos em todo o filme, fazendo valer todos os gastos da Amazon, se saindo muito melhor que boa parte dos filmes atuais da Marvel e DC.
A parte do entretenimento é básica, mas legal! A partir dos 50 minutos de sua projeção, o filme fica bastante frenético e caótico, com o que se espera em ver nos filmes dessa temática: tiroteios; correrias; explosões e aquela bagunça generalizada típica de invasão alienígena, com bichos bem ágeis e com muita vontade de matar. Minha única ressalva no filme fica por conta da direção, que não ficou muito boa em algumas partes. Poderiam ter escolhido um cineasta com boa mão para filmes de ficção científica.
Embora pareça ser “mais do mesmo”, há algumas abordagens interessantes que diferem dos outros filmes de temas semelhantes.
Gostei da parte da viagem no tempo ser feita em um ambiente amplo e através da sucção. Outro ponto interessante é que os alienígenas foram liberados devido ao derretimento das geleiras. Na realidade, não sabemos se realmente é só gelo que têm debaixo das superfícies gélidas dos polos. Com isso, deram uma boa verossimilhança assustadora à origem dos alienígenas, além de terem parado na terra por acidente, não por vontade própria, conforme mostrado nos outros filmes da temática.
Finalmente deram um papel de mais destaque para a Yvonne Strahovski, é uma das atrizes do time das subestimadas e pouco conhecidas que mais gosto. Achei a química com o Chris Pratt bem autêntica, mesmo a relação e o drama dos personagens sendo bem comum e saturado no mundo do entretenimento.
18 de setembro de 2025
Minha avaliação: 8,0/10
A Coisa
3.2 826 Assista Agora“A Coisa (2011)” é um prequel do clássico filme de John Carpenter; “O Enigma de Outro Mundo (1982)”. Este filme conta a história da equipe responsável pelo descobrimento de uma nave alienígena caída na Antártida e da criatura (a coisa), congelada no continente glacial há muito tempo. O grupo norueguês decide desenterrar o alienígena para fins de estudos científicos, a partir daí começam os eventos aterrorizantes e brutais que antecedem o filme de 1982.
O filme foi dirigido pelo novato Matthijs van Heijningen Jr. Fã declarado do clássico de 1982, ele afirma que este filme é somente uma homenagem à obra de John Carpenter. No entanto, “A Coisa” deu a entender que se trata de um remake “disfarçado”, pois o filme basicamente copiou quase tudo de “O Enigma de Outro Mundo”, exceto os efeitos visuais e cenários, que aqui estão demasiadamente limpos para uma situação caótica e desesperadora. Acabou não combinando muito…
Desta vez, os efeitos visuais foram digitais, bem diferente do que vimos no filme de 1982. O CGI variou entre bom e regular, deixando muitos traços de superficialidade em algumas cenas. Apesar disso, este filme até que honrou o original dos anos 80, a criatura (a coisa) continua horripilante e praticamente impossível de ser derrotada, mesmo sendo vulnerável ao fogo. Só não tem o charme e a pegada de um bom filme oitentista e, obviamente, também sem o fator surpresa do filme do John Carpenter.
A direção acertou ao escolher Mary Elizabeth Winstead como protagonista, pois antes desse filme ela já tinha boas experiências com o terror, principalmente quando interpretou a eterna Wendy de “Premonição 3”. A atriz carregou praticamente o filme nas costas sozinha, já que os outros atores não tiveram nada a oferecer, basicamente só serviram para virar presas fáceis para a criatura.
Por fim, “A Coisa” é um filme que entrega bons momentos de terror, com mortes bem sangrentas e insanas, onde destaco a fusão de corpo/rosto da criatura com uma das vítimas. Peca um pouco na previsibilidade e também por não ter a mesma tensão e paranoia do filme original, mas mesmo assim vale a sessão e pela curiosidade em assistir aos desdobramentos que antecedem “O Enigma de Outro Mundo”.
Assistido em 3 de setembro de 2025
Minha avaliação: 7,0/10
O Enigma de Outro Mundo
4.0 1,0K Assista Agora“O Enigma de Outro Mundo” é um fenômeno do cinema terror cósmico, dirigido brilhantemente pelo homem que entende do assunto: John Carpenter. Na época de seu lançamento, não chegou a ser um sucesso, por ser ofuscado nas bilheterias pelo filme do Steven Spielberg: “E.T.: O Extraterrestre”, mas com o passar do tempo foi conquistando seu espaço e consolidando fãs. Hoje, ele é um dos filmes mais marcantes de terror do século XX e também é considerado, por boa parte dos fãs de John Carpenter, o seu melhor filme da carreira.
As primeiras impressões do filme foram muito boas, pois gostei muito da ambientação gélida e cenários da Antártica, foram escolhas assertivas que combinam muito com o clima de terror e sensação de isolamento. Tudo isso contribuiu na criação do clímax de pavor, desespero, dúvidas, insegurança, caos, insanidade e irracionalidade dos personagens. “A Coisa” é um ser grotesco e horripilante, que faz qualquer um arrepiar as espinhas.
Os efeitos visuais da criatura beiram a perfeição, em uma grandiosíssima aula caprichada de efeitos visuais práticos, onde o filme valoriza muito essa arte tão negligenciada pelas produções atuais. A qualidade é muito surpreendente considerando o ano de lançamento do filme, neste quesito o tempo parece não passar para “O Enigma de Outro Mundo”. Com certeza, esta obra está entre os dez melhores filmes com efeitos práticos da história do cinema.
A direção de John Carpenter, a trilha sonora e a fotografia ampliam o suspense, a aflição e elevam a paranoia que permeia toda a obra, com a câmera circulando por espaços vazios e sem vida, criando um sentimento claustrofóbico e agoniante. Embora o roteiro apresente um ambiente tenso e sinistro, que tenha criado uma criatura icônica que entrou para a história, ele falha em oferecer um desenvolvimento satisfatório aos personagens e suas histórias.
Um detalhe que torna este filme único é a não materialização da ameaça, a qual se modifica e se transforma a cada enfrentamento, tornando-se imprevisível e também extremamente brutal. Não é somente um longa-metragem que o telespectador desconfia de todos, e sim um filme na qual a própria criatura (a coisa) não tem forma ou aparência fixa, além de um modus operandi completamente desconhecido. É uma obra que nenhum filme da atualidade jamais conseguiu replicar.
Assistido em 25 de agosto de 2025
Minha avaliação: 8,0/10
A Substância
3.9 1,9K Assista Agora“A Substância” é um filme que mergulha o telespectador em uma montanha-russa emocional rara, onde a diretora Coralie Fargeat demonstra uma habilidade singular de misturar uma narrativa aparentemente simples, com críticas sociais profundas. O longa não somente cativa pela sua trama, mas, sobretudo, pela maneira como explora temas contemporâneos visceralmente, abordando questões de perfeição, envelhecimento e autoimagem com uma brutalidade crua. O filme mostra as complexidades da identidade e da pressão social, especialmente no contexto da imagem feminina. A história de Elisabeth Sparkle, uma renomada instrutora de aeróbica que se vê repentinamente despojada de seu status, é uma representação poderosa dos desafios enfrentados por muitas mulheres no submundo da fama.
Trama segue a busca obsessiva de uma mulher pela perfeição física, impulsionada por um mundo que a todo momento impõe padrões inalcançáveis. O roteiro de Fargeat, embora simples em sua estrutura, é brilhante na forma como utiliza essas pressões sociais como motor para as decisões das protagonistas. A cada passo, o espectador é levado mais fundo em um universo onde a busca pela aceitação, alimentada pelas redes sociais e pela necessidade de validação externa, consome seus personagens de maneira implacável e cruel.
A maneira como a cinematografia se integra à narrativa é notável e reflete a essência do cinema contemporâneo, repleto de elementos práticos que conferem veracidade às cenas. O longa também se destaca por suas reflexões sociais. As metáforas que tratam da obsessão pelo corpo perfeito e da constante comparação nas redes sociais são desconcertantes. As discussões sobre o envelhecimento e as pressões para aparentar uma vida ideal são temas delicadamente tecidos no subtexto, criando uma obra que não somente entretém, mas também provoca reflexões profundas.
O padrão de beleza é uma armadilha, uma jaula, onde as mulheres são colocadas para serem admiradas, julgadas e descartadas conforme envelhecem. O filme não te dá espaço para refletir calmamente sobre isso; ele te atropela com a brutalidade das imagens e a crueldade das suas metáforas. A substância que Elisabeth Sparkle consome é o veneno da própria sociedade, disfarçado de promessa da perfeição.
A escolha das atrizes foi igualmente acertada, pois elas interpretaram seus papéis de maneira a tornar suas personagens vívidas e autênticas. Coralie Fargeat opta por uma abordagem de roteiro que minimiza os diálogos em favor de descrições visuais detalhadas, permitindo que os atores transmitam a narrativa principalmente por meio de suas performances físicas. Demi Moore oferece uma interpretação comovente e multifacetada, capturando a fragilidade e o desespero de Elisabeth. Margaret Qualley, por sua vez, encarna Sue com um hedonismo arrogante, que contrasta de forma contundente com a autodepreciação de Elisabeth Sparkle.
O filme é uma experiência que te deixa desconfortável e reflexivo. Sua narrativa brutal, as atuações impressionantes e as críticas sociais presentes em cada camada do roteiro tornam-no uma obra essencial. Coralie Fargeat entrega um filme instigante que inspira debates sobre autoconfiança, direitos das mulheres e o que realmente significa ser ‘suficientemente boa’ em um mundo que frequentemente nos diz o contrário. Um trabalho ousado que desafia convenções de gênero e convida o telespectador a refletir sobre os horrores do culto à juventude e da superficialidade.
A narrativa explora o vazio existencial que acompanha a superficialidade da fama, demonstrando que a obsessão com a aparência pode corroer tanto o corpo quanto a alma. A obra aumenta gradualmente a brutalidade e o desconforto, mantendo a atenção do público até o último minuto. O choque e a perplexidade que permeiam o final são tão intensos que é impossível terminar o filme sem ficar profundamente impactado.
Enfim, “A Substância” é puro suco de cinema underground e obscuro, com altas doses de demência, que em seus instantes finais surpreende abraçando o 'trash' sem medo de ser feliz. O que era somente um drama sobre uma mulher frustrada e insatisfeita, se transforma em um terror chocante, insano, grotesco e nojento. Só não é perfeito pelo deslize em seu final, com cenas exageradas e desproporcionais para a ideia inicial do projeto. Porém, não invalida todo o impacto causado e sua importância reflexiva para a sociedade.
14 de março de 2025
Minha avaliação: 9,0/10
Através das Sombras
3.5 45 Assista AgoraAté algumas décadas atrás, a Coreia do Sul e o Japão eram unanimidades no cinema asiático. Os países são dominantes no seu continente na produção de grandes filmes de alcance internacional. No entanto, nestes últimos anos, outros países também começaram a se destacar; é o caso da Indonésia com seus bons filmes de ação. A Indonésia tem sido uma excelente alternativa de válvula de escape, para quem não aguenta mais os enlatados americanos sem qualidade.
Acredito que o filme “Operação Invasão” (2011), de Gareth Evans, foi o precursor desse cinema underground de muito estilo. Abriu os caminhos para que a Indonésia se tornasse uma potência no desenvolvimento de filmes de ação altamente viscerais e insanos. São os filmes sujos e obscuros que Hollywood atualmente (ou nunca) teve a coragem e ousadia de produzir.
Tive primeira impressão boa do Timo Tjahjanto com o filme “A Noite nos Persegue”, mesmo achando algumas cenas exageradas em relação a mentiras. Com o novo “Através das Sombras”, ele até corrigiu esse problema, entregando cenas de ação mais próximas da realidade. Em quase toda a projeção, estranhei a falta de identidade do diretor neste filme, mas isso mudou no final com às duas últimas lutas, com duelos espetaculares de tirar o fôlego e, dessa vez, com a marca registrada do Tjahjanto nas cenas, como, por exemplo: quando uma chave de fenda se torna uma arma extremamente letal!
O roteiro deste filme poderia ter sido melhor trabalhado, pois tempo de projeção não faltou para isso. A abordagem da 'Organização Sombra' ficou muito vago no filme. Acredito que o Timo Tjahjanto precisa melhorar como roteirista, se evoluir nisso irá subir muito de patamar, porque como diretor acredito que já se provou, pois estilo e ousadia não faltam a ele. Com certeza, ele já superou muitos diretores Hollywoodianos metidos a bonzões, principalmente aqueles que ficam presos no politicamente correto.
O filme termina com uma cena enigmática indicando uma possível continuação, mas na minha opinião, essa provável sequência só irá fazer jus se tivermos Aurora Ribero vs. Julie Estelle. Seria 'Absolute Cinema' e o confronto feminino do século! Como alguns amigos já comentaram em outros filmes: já passou da hora da Julie Estelle ter seu filme como protagonista, ou no mínimo uma coadjuvante de grande destaque.
4 de fevereiro de 2025
Minha avaliação: 8,0/10
Fúria Primitiva
3.6 270 Assista AgoraAqui temos mais um filme que evidência a importância que a franquia John Wick tem como legado e inspiração. Graças ao seu sucesso, ajudou a resgatar os bons filmes de ação que estavam em baixa naquela época, elevando o gênero a um patamar de destaque e atraindo a atenção de grandes estúdios e produtores. Com isso, o gênero se reinventou e ganhou fôlego para o futuro.
Dev Patel estreia como diretor; além de atuar, roteirizar e produzir “Fúria Primitiva”; é o famoso faz de tudo! Apesar de ser novato no ramo da direção, Dev Patel teve todo o cuidado, preocupação e empenho em equilibrar um bom roteiro com cenas de ação. Num filme que mexe com muitos temas sociais, religiosos e políticos bem atuais, como desigualdade, corrupção, preconceito, abuso de autoridade, opressão, conchavos políticos e cultura local.
O personagem Kid decide se rebelar contra o sistema sinistro de seu país. Após anos de acúmulo de raiva e ódio, esses sentimentos afloram e o resultado é explosivo! Apesar de a vingança ser o cerne do filme, ele também é a busca por uma sociedade mais justa e igualitária. O filme trouxe muita representatividade indiana para as telas, com certeza deixando o povo da Índia bastante orgulhoso!
“Fúria Primitiva” tem uma gigante imersão na cultura Indiana, mas a ênfase no misticismo local não me prendeu do jeito que gostaria. Achei a abordagem um pouco desinteressante e também fez a obra ficar mais fantasiosa, além de ter quebrado a dinâmica do filme e deixá-lo com ritmo irregular. Apesar do roteiro bem escrito e promissor, acabou tendo suas barrigadas.
A direção do Dev Patel oscilou muito neste filme, ele soube captar ângulos interessantes de filmagens, as lutas coreografadas ficaram boas dentro do possível. Mas muitas cenas ficaram ruins com a câmera tremida, também não gostei dos flashbacks com centenas de cortes por cenas. Entre acertos e erros, Dev Patel até se virou bem, por ter que trabalhar com recursos limitados e orçamento considerado baixíssimo para os padrões atuais.
Dev Patel provavelmente tem todos os filmes John Wick em mídia física na sua estante, pois às referências são muitas: temática vingança, estilo de lutas semelhantes, terno preto, cenas com cachorrinho e citação direta. É uma pena que não alcançou o mesmo nível da franquia, mas cumpre o básico de seu gênero que é entreter e divertir.
27 de janeiro de 2025
Minha avaliação: 6,5/10
Kill: O Massacre no Trem
3.5 68 Assista AgoraNão é segredo para ninguém que Hollywood vive uma crise sem precedentes em seu cinema, por ser impressionante a quantidade de filmes do alto escalão que estão flopando. Em muitos casos, o alto investimento das produções nem sempre é garantia de um bom filme. Neste cenário, outros países aproveitaram para se destacar e aquecer o mercado cinematográfico competitivo; é o caso da Coreia do Sul com seus filmes de drama, em seguida a Indonésia com seus filmes de ação, e agora também a Índia entrou no páreo e vem surpreendendo o mundo.
“Kill: O Massacre no Trem” é um dos filmes mais despretensiosos e surpreendentes dos últimos anos. É um filme de ação que não inova em absolutamente nada, mas compensa muito com altas doses de brutalidade, insanidade e combates sanguinolentos alucinantes, com violência crua para ninguém botar defeito. Absurdamente divertido e viciante, sendo daqueles poucos filmes gostosos de rever a todo o momento; é um dos principais critérios de peso nas minhas avaliações sobre os filmes.
O início da ação tímida e cadenciada é só para enganar, porque depois que o negócio vira pessoal, não tem mais volta… O protagonista explode de raiva e usa o ódio como combustível para se tornar uma máquina de matar, buscando uma das vinganças mais viscerais, eletrizantes e de tirar o fôlego já vistas em um filme de ação. “Kill: O Massacre no Trem” se destaca na capacidade de equilibrar ação intensa com profundidade emocional.
O filme é puro entretenimento claustrofóbico regado a carnificina, adrenalina e tensão palpável por toda parte. O diretor Nikhil Nagesh Bhat conseguiu se virar muito bem! Mesmo em um ambiente fechado e apertado, entregou infinitas possibilidades cinematográficas, com variações de ângulos e execução que beira a perfeição! Até agora, é o único filme que assisti a usar tão bem um lugar limitado, e transformá-lo em algo grandioso!
Enfim, “Kill: O Massacre no Trem” é uma das principais surpresas da década de 2020, sendo um longa-metragem importante para a ascensão do cinema de seu país. Graças à sua ação vertiginosa e extravagante, o filme surpreende mesmo com uma história básica. Para mim, o melhor filme de ação do ano, isso mesmo! O melhor filme de ação de 2024 é da Índia. Surge mais um país para ficar de olho em seu cinema, com a promessa de aparecer mais coisa boa futuramente…
18 de janeiro de 2025
Minha avaliação: 9,0/10
Contra o Mundo
3.2 160 Assista Agora“Contra o Mundo” é um típico filme pipoca de ação e artes marciais, sendo puro suco de cinema escapista e bem ao estilo videogame. A violência e brutalidade do filme é bem surpreendente, bastante elevada em comparação aos padrões dos outros filmes americanos semelhantes. A produtora de filmes Lionsgate tem essa característica em suas obras, sendo uma das empresas com menos frescura e mimimi em relação a gore.
O filme é ambientado numa cidade estranha, no meio da selva, num regime totalitário administrado por uma única “família” com política opressora e manipuladora. Os subalternos da família Van Der Koy fazem seleções de pessoas consideradas ameaçadoras e 'ratos sujos' para o 'abate'; uma espécie de massacre de humanos em forma de “show” para entreter. É neste cenário que o protagonista surdo-mudo entra para se vingar e acabar com a farra da elite.
Não estava curtindo o filme devido às tentativas forçadas de comédia sem graça, pois se inspiraram no humor negro dos filmes “Deadpool”, mas não chegaram nem perto de replicar o que foi feito na trilogia. O resultado não foi o esperado, acabou ficando exageradamente boboca, besta e idiota. Quando isso acontece, enfraquece demais o roteiro e os desdobramentos do filme. Além disso, algumas partes do filme causam certo desconforto visual. Quem será que teve a “brilhante ideia” de colocar flashbacks no meio de uma sequência de ação?
No entanto, tudo mudou drasticamente com a revelação de um plot twist inimaginável e muito bem bolado! Era a virada de chave fundamental que o filme estava necessitando para ganhar a atenção do telespectador, por conseguir fugir da previsibilidade de sua narrativa e surpreender positivamente. Para fechar com chave de ouro, a luta final foi deliciosamente brutal, intensa e insana. O que parecia que iria ser ruim, deu bom!
Sem dúvidas, o destaque do filme é do indonésio Yayan Ruhian, porque ele simplesmente entrega mais que o básico na ação. O cara pode ser baixinho, mas é um gigante lutando! Ele já havia dado show nos filmes “Operação Invasão 1 e 2”, aqui não foi diferente. Fiquei muito satisfeito de que seu papel foi bem valorizado neste filme, pois seu personagem foi importante tanto narrativamente quanto nas cenas de ação. Sua contribuição foi crucial para “Contra o Mundo” ter um bom desfecho.
11 de janeiro de 2025
Minha avaliação: 7,0/10
O Vingador do Futuro
3.0 1,6K Assista Agora“O Vingador do Futuro” é mais um entre tantos remakes hollywoodianos lançados neste século, onde muitos deles são vistos com maus olhos pelos espectadores e críticos, pois muitos alegam que os filmes originais são autossuficientes e a maioria dos remakes são desnecessários. Sobre o remake de “O Vingador do Futuro”, o considero um bom filme de ação e acho até injusto o hate em cima deste filme, pois ele é muito melhor que a maioria dessas porcarias de filmes dessa década de 2020 desastrosa para o cinema.
Len Wiseman, assim como este filme, o acho subestimado. Ele dirigiu os dois melhores filmes da franquia “Anjos da Noite”, além de ter dirigido o ótimo “Duro de Matar 4.0” (sendo tão bom quanto o terceiro filme). Um diretor muito bom para filmes de ação, merecia mais atenção dos estúdios e produtores, deveria ter mais filmes em sua filmografia, pois todos os filmes que ele dirigiu são acima da média. Ele já está há mais de dez anos sem dirigir um filme, tomara que ele acerte a mão no filme da “Bailarina” e seja mais lembrado na indústria cinematográfica.
O diretor escolheu duas belas atrizes para trabalharem neste filme. Kate Beckinsale e Jessica Biel obviamente não são às tops das galáxias das atrizes para atuações, mas pelo menos embelezam o filme com charme e sensualidade. Visualmente falando, não há do que reclamar neste sentido, a escolha das atrizes foi certeira. Comparar Colin Farrell com Arnold Schwarzenegger é até covardia, mas considerando o que o ator poderia entregar, acho que Colin Farrell teve um protagonismo OK.
Wiseman arrisca trabalhar outros conflitos, objetivos e contextos, e dá uma ênfase maior na tecnologia digital e no artificialismo. Os ambientes têm uma enorme e impecável complexidade gráfica e revelam grande investimento em efeitos visuais, dando mais credibilidade para o universo que nos apresenta. Na colônia, em meio ao cenário Cyberpunk, muitos criticaram a inapropriada presença iconográfica da mulher de três seios, que faz referência ao filme de 1990. Mas creio que talvez não tenham assimilado que ali havia uma crítica a uma sociedade, que abraçou a ideia da artificialidade sobre a própria identidade e integridade.
Um quesito que acho este remake melhor que o original é nas cenas de ação, aqui as cenas são mais diversificadas, com tiroteios, perseguições em veículos e explosões; sendo um filme mais solto nas sequências de ação. Enquanto o original praticamente só tem tiroteios, sendo assim um filme mais engessado neste quesito. No entanto, quando o assunto é o roteiro, o remake perde de dez a zero para o original, pois não chega nem perto da complexidade e impacto cultural do filme do Paul Verhoeven.
O filme não foi muito bem nas bilheterias, passando muito longe do sucesso que o original obteve. Mesmo assim, não acho este remake merecedor de desprezo por parte do público, por ter boas reviravoltas e sacadas, assim como no original, e pelas mudanças que trouxeram para este remake nem ser tão ruins assim como falam. Dando uma opinião impopular aqui, acho este filme tão bom quanto o original dos anos noventa.
Revisto em 2 de janeiro de 2025
Minha avaliação: 8,0/10
O Vingador do Futuro
3.6 514 Assista Agora“O Vingador do Futuro” é uma das principais pérolas da década de noventa, sendo repleto de cenas icônicas, como a do início do filme, onde os olhos do personagem de Arnold Schwarzenegger começam a esbugalhar por falta de ar e, mais para o meio do filme, aparece a famosa mulher de três peitos. É um filme tosco e brega em algumas partes, mas no bom sentido das palavras.
O filme, além de entreter bem, possui um roteiro bem bolado, estruturado e criativo, sendo um dos melhores de sua época, por trabalhar com temas interessantes e relevantes para o cenário mundial atual. É uma pena que as cenas de ação não sejam tão boas quanto pensavam ser, mas o roteiro compensa bem esse problema e não deixa o filme perder forças ao longo de sua projeção.
Arnold Schwarzenegger não é exatamente um dos melhores atores no quesito atuação, mas seu carisma e presença de tela já são o suficiente para que ele assuma protagonismo nos filmes. Essas características fazem com que a distância dele para os melhores seja encurtada. A sedutora Sharon Stone, a musa dos anos 90 em seu auge da beleza, complementa bem este filme, mesmo eu achando que sua personagem merecia um destaque maior.
Paul Verhoeven manteve seu estilo de direção de “RoboCop”, aqui novamente vimos cenas de tiroteios bem violentas, algo muito acima do que a classificação indicativa atual permite. “O Vingador do Futuro” é uma ode ao cinema brucutu raiz, ao cinema enérgico e principalmente aos filmes sem frescura. Temos mais um filme do Paul Verhoeven que deu aulas de efeitos visuais práticos, as maquiagens dos mutantes são simplesmente algo sublime, parecia ser muito real! O filme venceu merecidamente o Oscar de melhores efeitos visuais.
Um filme de roteiro dúbio, genial e de trama sensacional! Numa manipulação mental intrincada de primeira linha. Afinal, era tudo um sonho ou realidade? O interessante desse enigma é que o filme gradualmente vai soltando detalhes importantes que permitem ambas as interpretações, não dando para cravar 100% qual é a correta. Enfim, “O Vingador do Futuro” é facilmente um top 5 dos melhores filmes do Arnoldão. Assim como “RoboCop”, este filme também ganhou um remake, lançado em 2012.
Revisto em 10 de dezembro de 2024
Minha avaliação: 8,0/10
RoboCop
3.3 2,0K Assista AgoraLá em 2014, fiquei animado em conferir este filme no cinema, mesmo na época sem ter visto o filme original, porque queria celebrar um diretor brasileiro ganhando visibilidade internacional, pois isso é muito raro de acontecer em Hollywood. O José Padilha mereceu muito esse trabalho, ele colocou dois longas-metragens na seleta lista dos poucos filmes nacionais que realmente prestam com: “Tropa de Elite 1 e 2”.
Revisitar este remake com o filme do Paul Verhoeven fresco na mente definitivamente não foi uma boa ideia, pois já não tenho mais a boa impressão de antes, de quando o vi no cinema. Tanto é que achava este filme melhor que o último da trilogia, agora não tenho mais essa certeza, mas é certo que não recomendaria a ninguém assistir a este remake, depois de já ter visto o original. A discrepância entre os dois filmes é maior do que o esperado.
Os problemas do filme são tantos que fica até difícil resumi-los. A classificação indicativa acho que é o principal equivoco deste filme, ficou ruim demais ver criminosos levando tiro e ninguém perdendo sangue; irreal demais! Infelizmente, esse novo “RoboCop” é uma versão fresca e nutella do filme de 1987. É o politicamente correto estragando mais um filme que tinha potencial de surpreender.
Fiquei surpreso negativamente com a falta de personalidade deste filme, tudo muito exageradamente padrão. Às cenas de ação são repetitivas e entediantes, isso talvez seja o maior pecado em um filme do gênero, fora que não existe uma cena sequer que se destaque. O roteiro também é fraco! Muito básico e rígido, com desenvolvimento e fluidez de história de forma broxante. A Detroit apresentada simplesmente não passa a sensação de perigo, medo e insegurança dos filmes antecessores, pois os vilões são decepcionantes.
José Padilha ficou de mãos atadas neste projeto, a arrogância e preconceito de Hollywood com estrangeiros acabou engolindo o cineasta brasileiro. Acredito muito que Padilha não foi o culpado pelo filme não corresponder às expectativas, pois “RoboCop” ficou muito abaixo do que Padilha fez nos filmes “Tropa de Elite”, principalmente na questão de roteiro e temas políticos. O diretor praticamente não teve espaço para executar suas ideias para o filme, o estúdio e produtores sabotaram seu trabalho.
Enfim, podemos concluir que Hollywood é a sua própria inimiga e se autodestrói, isso ficou mais evidente ainda na década de 2020, pois a quantidade de filmes ruins está batendo recorde ano após ano. “RoboCop” teve alto investimento e presença de bons atores: Gary Oldman, Michael Keaton e Samuel L. Jackson. Mas mesmo assim, ficou devendo muito! Me arrependi de ter visto este filme no cinema, queria meu dinheiro de volta…
Maratona RoboCop
Revisto em 9 de novembro de 2024
Minha avaliação: 5,0/10
RoboCop 3
2.7 212 Assista AgoraO segundo filme da franquia “RoboCop” não obteve o sucesso esperado pelos produtores, provavelmente por isso, decidiram que era necessário cortar gastos para realizar essa terceira parte. Sem muitas opções, acabaram contratando um diretor aleatório que acharam na rua, obviamente um homem com pouca experiência e bagagem cinematográfica. Poderia dar certo mesmo assim, mas às chances de virar uma bagunça generalizada era mais obvio.
Infelizmente, o obvio acabou se sobressaindo, pois acabaram forçando demais esta continuação, já que os recursos financeiros eram insuficientes. O resultado não poderia ser diferente de um filme feito nas coxas, por ser difícil de citar algo para elogiar aqui. “RoboCop 3” foi mal dirigido, com efeitos visuais sofríveis somados a cenas de ação toscas e ruins; praticamente uma versão trash do filme original dirigido por Paul Verhoeven.
Para piorar ainda mais a situação, o ator que interpretava RoboCop (Peter Weller), não retornou para seu papel neste último filme. Uma pena! Pois, Peter Weller se saiu muito bem no personagem. No primeiro filme, deu para notar a diferença de trejeitos de quando ele ainda era humano, para quando ele ressurge como máquina. Para fechar a trilogia, o telespectador teve que se contentar com uma versão do RoboCop genérico.
Para não ser chato e dizer que não gostei de nada, achei às motivações do RoboCop bem desenvolvidas, até mesmo melhor que nos filmes antecessores. Dessa vez, Alex Murphy tem um problema pessoal para resolver com a OCP, numa pegada mais puxada para a vingança. A corporação OCP, que de início parecia ser algo benéfico para a população, resolve mostrar suas reais intenções; isso não é muito diferente na vida real.
Em muitos casos, afirmo que menos é mais, pois tentar “reinventar” um filme pode dar em tiro no pé.
Os desenvolvedores tiveram a péssima ideia de fazer o RoboCop voar, transformando o personagem no Superman. 😂🤣
Além de ser inadequado para o personagem, não havia recursos técnicos suficientes para a realização das cenas, mas resolveram fazer assim mesmo. É claro que não funcionou bem, prejudicando ainda mais a qualidade do filme.
Maratona RoboCop
Assistido em 3 de novembro de 2024
Minha avaliação: 5,0/10
RoboCop 2
3.0 282 Assista AgoraNão sei dizer se a mudança de direção dessa sequência tenha sido o motivo de “RoboCop 2” ser muito inferior ao filme original, afinal, Irvin Kershner dirigiu um dos melhores filmes “Star Wars”, inclusive sendo superior ao primeiro filme lançado, do criador George Lucas. Se em “Star Wars” a troca de diretor trouxe resultados satisfatórios, aqui foi mais um entre tantos casos, que seguir adiante uma história com outro diretor pode acabar com uma franquia promissora.
Assim como no primeiro filme, “RoboCop 2” foi profético sobre como o sistema funciona, se articula e se fortalece para se tornar praticamente invencível e intocável. Mesmo com o RoboCop fazendo sua parte contra o crime, a cidade de Detroit está ainda mais caótica e violência que antes, com a economia da cidade entrando em colapso, causando a greve do departamento de polícia de Detroit. Com isso, os bandidos se aproveitam da situação para cometer diversos crimes; cabe a RoboCop novamente entrar em ação para pôr ordem na cidade.
Mesmo com mais poder de investimento, não notei nada de melhora técnica em comparação ao filme antecessor, acho inclusive que os efeitos visuais pioraram. Às cenas de ação também descaíram de qualidade, não passaram a mesma sensação de realismo do primeiro filme. A equipe técnica do filme original dá um banho na equipe dessa sequência, talvez a mudança de diretor tenha atrapalhado também. Enfim, foi uma pena o Paul Verhoeven não ter retornado para esse segundo filme.
Acredito que o drama familiar de Alex Murphy poderia ter sido melhor explorado, seria um arco interessante se melhor abordado, deixaria o filme sem pontas soltas e mais completo. Não tivemos isso nem no filme original, já aqui poderia ter sido um diferencial com a mudança de diretor, mas infelizmente Irvin Kershner não trouxe nenhuma novidade para esta sequência.
Como citei no segundo parágrafo, esta sequência manteve a boa abordagem de temos políticos. No entanto, ficou devendo muito em entretenimento, não souberam usar o orçamento dobrado que tiveram, pois às cenas de ação aqui são mais “politicamente corretas” e também reduzidas em relação ao filme original. O primeiro filme foi mais ousado, já o segundo bem mais contido.
Maratona RoboCop
Assistido em 29 de outubro de 2024
Minha avaliação: 6,0/10
RoboCop: O Policial do Futuro
3.6 706 Assista Agora“RoboCop: O Policial do Futuro” foi o primeiro filme de grande destaque da carreira do holandês Paul Verhoeven, que com o passar dos anos se consolidaria como um bom diretor de filmes de ficção científica. Este filme basicamente profetizou como seria a situação da cidade americana de Detroit nas questões de segurança e criminalidade. Atualmente, Detroit é uma das cidades mais violentas dos EUA, sendo famosa negativamente por representar a decadência de uma cidade que já viveu momentos melhores em sua história.
O filme é uma sátira ácida e implacável, que passa diversas mensagens em relação ao universo policial, em uma forte carga de poesia pop. O personagem Alex Murphy, após ser transformado em RoboCop, é o policial perfeito! Por um único motivo: não é humano, é um homem que faleceu e renasceu completamente desumanizado, artificialmente transformado numa máquina de matar.
Os bandidos pé-de-chinelo vistos no filme são apenas a ponta do iceberg de um problema político e social complexo, pois o buraco é muito mais embaixo, indo muito além do que se imagina. Ganância das megacorporações aliada a muita corrupção e disputas de poder até às últimas consequências, são realidades bem exemplificadas pelo filme, mostrando como um sistema falho e corrompido compromete a vida das pessoas de uma grande metrópole.
Como todo bom filme dos anos 80, não poderia faltar a magia dos ótimos efeitos visuais práticos, pois nesta época os recursos e orçamento eram bem limitados, mas a criatividade e esforço das equipes técnicas superavam os percalços desse tempo. “RoboCop: O Policial do Futuro” é um filme que deu aulas de efeitos práticos, prova disso é a cena do criminoso deformado por produtos químicos. Assustadoramente incrível!
Mas o grande destaque e o que mais me chamou a atenção no filme foi a violência, pois considerando que “RoboCop” é classificação PG-13, ele é bem sangrento em relação a essa classificação indicativa, algo que jamais seria permitido atualmente. Me surpreendeu muito! Por abordar a criminalidade urbana, o filme tinha que ser violento mesmo, não faria sentido se fosse diferente. Os anos 80 podem não ter sido a melhor década do cinema, mas com certeza foram a mais raiz, autêntica e sem frescuras. Época boa demais!
Maratona RoboCop
Assistido em 23 de outubro de 2024
Minha avaliação: 8,0/10
Rebel Moon - Capítulo 2: Maldição do Perdão
3.6 7Nesta segunda parte da versão sem censura de “Rebel Moon”, fiquei ainda mais convencido de que Zack Snyder foi muito prejudicado com esse impasse que ele tem com os estúdios, que o obrigam a fazer seus filmes ficarem com classificação PG-13, para somente depois lançar sua versão definitiva sem interferência de estúdios. Eu até compreendo quando é filme lançado para cinema, ao diminuir a duração para terem mais horários disponíveis por dia. Mas no caso de “Rebel Moon” foi completamente desnecessária essa “estratégia”, pois ambos os filmes foram lançados diretamente para streaming.
Pelos comentários desanimadores aqui, estava imaginando que esta sequência seria inferior à primeira parte, mas ainda bem que não foi bem assim. “Rebel Moon — Capítulo 2: Maldição do Perdão” é um filme surpreendentemente bom, conseguiu ser bem mais incisivo que o “Capítulo 1: Cálice de Sangue”, no que se esperava desta obra. Foi a parte que mais se aproximou de ser uma verdadeira Space Opera, especialmente em sua segunda metade de projeção, dando para afirmar informalmente que o filme “começou” nessa parte.
Se tratando de uma produção da Netflix, os efeitos visuais até ficaram bons. No entanto, é algo que também oscilou muito nos dois filmes, principalmente nas partes que usaram demais o efeito desfoque, que deixa a fotografia do filme horrenda. Provavelmente se aproveitaram desse “recurso” para economizar nos curtos de produção. Se não fosse por essa limitação, os filmes poderiam ter ficado ao nível de cinema nos aspectos técnicos.
Assim como na parte um, esta continuação foi bem irregular na questão de dinâmica e ritmo. Do início até a metade do filme, temos a parte da colheita (parecia Globo Rural 😅); logo em seguida, mostra o plano dos guerreiros para defender o povo de Veldt. Nessa parte, nossa paciência é testada, pois Snyder deu uma viajada legal, filmou colheitas sendo feitas em slow motion, até deu impressão que fez isso deliberadamente para irritar seus haters. 😂🤣
Já na segunda metade, o filme melhora significativamente e fica muito bom! Entregando uma batalha final bem frenética, seguida de sequências de ação alucinantes e ininterruptas; com muito caos, explosões, confrontos violentos e mortes bastante sangrentas. Pelo menos no aspecto visual e no entretenimento, “Rebel Moon — Capítulo 2” teve êxito em entregar tudo que se espera de uma guerra. Por tanto, temos duas partes do filme bem distintas, com o melhor ficando para o final.
Até compreendo o grande número de críticas negativas que ambos os filmes receberam aqui no site, pois certamente as versões da Netflix são infinitamente inferiores aos cortes do diretor. Mas mesmo assim, é inacreditável e patético que os dois filmes do Zack Snyder tenham nota menor que: “Matrix 4”, “Homem-Formiga 3”, “Thor 4”, “She-Hulk”, “The Marvels”, entre outras porcarias e abacaxis da atualidade. Prefiro ser bombardeado de câmera lenta do que das piadinhas infames dos últimos lançamentos da Marvel.
Assistido em 4 de setembro de 2024
Minha avaliação: 8,0/10
Rebel Moon - Parte 2: A Marcadora de Cicatrizes
2.6 144 Assista AgoraNovamente assisti somente o corte do diretor.
Nesta segunda parte da versão sem censura de “Rebel Moon”, fiquei ainda mais convencido de que Zack Snyder foi muito prejudicado com esse impasse que ele tem com os estúdios, que o obrigam a fazer seus filmes ficarem com classificação PG-13, para somente depois lançar sua versão definitiva sem interferência de estúdios. Eu até compreendo quando é filme lançado para cinema, ao diminuir a duração para terem mais horários disponíveis por dia. Mas no caso de “Rebel Moon” foi completamente desnecessária essa “estratégia”, pois ambos os filmes foram lançados diretamente para streaming.
Pelos comentários desanimadores aqui, estava imaginando que esta sequência seria inferior à primeira parte, mas ainda bem que não foi bem assim. “Rebel Moon — Capítulo 2: Maldição do Perdão” é um filme surpreendentemente bom, conseguiu ser bem mais incisivo que o “Capítulo 1: Cálice de Sangue”, no que se esperava desta obra. Foi a parte que mais se aproximou de ser uma verdadeira Space Opera, especialmente em sua segunda metade de projeção, dando para afirmar informalmente que o filme “começou” nessa parte.
Se tratando de uma produção da Netflix, os efeitos visuais até ficaram bons. No entanto, é algo que também oscilou muito nos dois filmes, principalmente nas partes que usaram demais o efeito desfoque, que deixa a fotografia do filme horrenda. Provavelmente se aproveitaram desse “recurso” para economizar nos curtos de produção. Se não fosse por essa limitação, os filmes poderiam ter ficado ao nível de cinema nos aspectos técnicos.
Assim como na parte um, esta continuação foi bem irregular na questão de dinâmica e ritmo. Do início até a metade do filme, temos a parte da colheita (parecia Globo Rural 😅); logo em seguida, mostra o plano dos guerreiros para defender o povo de Veldt. Nessa parte, nossa paciência é testada, pois Snyder deu uma viajada legal, filmou colheitas sendo feitas em slow motion, até deu impressão que fez isso deliberadamente para irritar seus haters. 😂🤣
Já na segunda metade, o filme melhora significativamente e fica muito bom! Entregando uma batalha final bem frenética, seguida de sequências de ação alucinantes e ininterruptas; com muito caos, explosões, confrontos violentos e mortes bastante sangrentas. Pelo menos no aspecto visual e no entretenimento, “Rebel Moon — Capítulo 2” teve êxito em entregar tudo que se espera de uma guerra. Por tanto, temos duas partes do filme bem distintas, com o melhor ficando para o final.
Até compreendo o grande número de críticas negativas que ambos os filmes receberam aqui no site, pois certamente as versões da Netflix são infinitamente inferiores aos cortes do diretor. Mas mesmo assim, é inacreditável e patético que os dois filmes do Zack Snyder tenham nota menor que: “Matrix 4”, “Homem-Formiga 3”, “Thor 4”, “She-Hulk”, “The Marvels”, entre outras porcarias e abacaxis da atualidade. Prefiro ser bombardeado de câmera lenta do que das piadinhas infames dos últimos lançamentos da Marvel.
Assistido em 4 de setembro de 2024
Minha avaliação: 8,0/10 (Corte do Diretor)