Como um fã de Bebê Rena, achei Pela Metade uma série cheia de defeitos que busca conversar com a outra, seja falando do tema abuso sexual masculino ou mesmo replicando elementos importantes da obra que apresentou Richard Gadd ao mundo das séries. O que dá pra problematizar de cara é a "representação gay", estamos diante de um autor que não consegue desvincular nas suas obras a experiência queer de uma "representação negativa". Em Bebê Rena, já era possível ir por esse lado, era possível por ligar a+b concluir que a série queria dizer que a nossa sexualidade pode ser fruto de abuso, viver uma sexualidade fluida pode ser resultado de confusão mental decorrente de abuso, enfim, toda a experiência queer do personagem Donny está ligado ao abuso, quando, na verdade, o que ficou bem claro pra mim é que ele tinha essa sexualidade saudável, mas por ser sozinho por causa de autoimagem e do que ele sentia que vinha da sociedade ele se sentia mal, e aí assim, por uma infelicidade, ele foi estuprado. Mas em Pela Metade não tem como passar pano, por que em 2026 estamos vendo uma "representação gay negativa" de forma gratuita? Gadd nunca disse que é gay, por que ele está dizendo aos gays que estamos fazendo banheirão, que estamos cheios de ISTs, em experiências ameaçadoras, usando drogas, perdendo o controle, indo em saunas e sendo autodestrutivos e impulsivos ao extremo? Por que ele está dizendo que um gay é tão carente e imprudente que quer tirar um outro do armário e casar com o irmão do agressor dele que o desfigurou e quase o matou? Existem gays assim? Existem. A maioria é assim? Nem de longe. Pra mim, ele perdeu a mão total com personagens rasos, diálogos mentirosos, roteiro previsível e se vendendo através de uma mentira, Pela Metade não é uma série homoerótica, pelo menos não deve ser considerada boa por esse atributo, não é uma série gay, não é uma série queer, é uma série sobre relações tóxicas e sobre abuso sexual, sobre personagens no fundo poço que se autossabotam por vários motivos, mas não por serem gays ou, se contextualizarmos, assim como em Bebê Rena, eles agem assim por serem mal vistos pela sociedade, ele podia ter ido por esse lado com esse roteiro, mas não, preferiu a espetacularização do trágico e perverso, e ligou isso à experiência queer. Aqui ele brincou totalmente com o "protagonista odiado", algo comum em séries alternativas, e mesmo caso de Bebê Rena, o Donny não erra uma, ele erra todas, e mesmo assim nos identificamos com ele. Mas como se identificar com o Niall? Aqui ele quis ir mais longe nos defeitos de todos, nas polêmicas, só que faltou amarrar tudo melhor, dizer por que essa é realmente diferente ou melhor que uma série com um protagonista gay que veio antes dela. Pra mim, não parece nada diferente, o ponto positivo da série está no argumento, tem valor querer falar sobre querer "parecer homem", preencher essa metade imaginária com testosterona só para acabar se sentindo "menos homem" a cada tentativa e ao longo da vida, mas no resultado o único diferencial é realmente explicar o estupro masculino de uma forma única e sem medo, todo o resto dava pra apagar.
Teria gostado mais se fosse uma comédia mais ligada ao local da história, sem essa vibe de filme europeu ou algo ultrapassado do Woody Allen, que é sério até quando tenta ser engraçado. Talvez por isso eu tenha sentido um desalinhamento nas emoções que o filme quer despertar, só ver como a trilha não combina tanto com tudo. No geral, a piada principal é boa, atingiu o ápice em alguns momentos que mereceram umas risadas, mas muito riso sem-graça até chegar lá.
O ritmo agrada, mas algo me dizia que esse filme só podia ter sido escrito e dirigido por homens: O protagonista é um vazio completo, ainda assim, recebe o máximo de compaixão.
O que prejudicou essa temporada foi justamente esticar com mais um episódio, estaria tudo bem se tivesse se justificado, mas ficou claro que foi unicamente pelo sucesso da 1ª temporada, não tinha história pros 7 episódios, a apresentação se alongou, e entre o 4º e último episódios as ideias se repetem, os personagens até repetem falas e coisas que já deviam estar estabelecidas são reapresentadas, deixou a amarração frouxa, com isso, não parece que estamos diante de uma minissérie da HBO, mas uma novela. O episódio 7 ficou perfeito, mas os três episódios anteriores poderiam ter sido resumidos em dois facilmente, ficaria mais inacreditável e absurdo ainda se não tivéssemos visto a ação dos criminosos por tanto tempo. Quando assistimos pela primeira vez até que passa, mas numa revisão, fica um pouco chato, algo que não vemos na primeira temporada, que é bem mais direta ao ponto.
Tive que dropar no episódio 4 porque a série é quase uma obra aberta ao estilo Lost (já percebi isso na primeira temporada, e agora com o surrealismo mais aflorado e a questão dos
e aí praticamente abandonam essa parte no episódio 4, em que a empresa novamente junta todos os esforços por causa de funcionários. Para mim, a conta não fecha, pode ser um sucesso e agradar a maioria, mas não tem compromisso em fazer algo coeso e respeitoso ao tempo do espectador, a impressão é que dá voltas sem saber para onde está indo, as "revelações" são poucas e pouco satisfatórias e a cada coisa revelada surgem mais coisas para perderem tempo com teses. A verdade é que a série tem um plot bem simples, que qualquer um pode entender, mas querem nos fazer pensar que eles têm bem mais do que têm de fato, e essa temporada com 4 episódios que se salvam 20 minutos no máximo está provando que não é isso tudo não, preferia que tivessem seguido no rumo do "menos é mais".
A metalinguagem, o camp, a autocrítica precisavam ser tratados como componentes do filme, não toda a sua materialidade. "Agora ninguém pode criticar nada relacionado à Barbie só porque esse filme existe, e se ele critica o capitalismo (não diretamente) e o patriarcado não pode estar errado." Não é por aí, quem assistiu o trailer, assistiu o filme todo.
Comentário no filmow é o maior telefone sem fio que existe, precisa de quantos comentários dizendo que espera que seja como as primeiras temporadas pra ser suficiente? kkkk
Não dá. Tudo bem, estamos diante de uma novela, é preciso suspender a descrença e mergulhar com a mente aberta, mas tudo tem limite.
Essa novela está muito longe de ter alguma subversão, como alguns insistem em dizer. Antes de tudo, o JEC (um homem gay), não foi capaz novamente de fazer um personagem LGBT com camadas, não conseguiu nas novelas anteriores, e aqui nem se esforçou mesmo. Raulzito é o personagem LGBT mais sem graça das tramas do JEC, rico, com síndrome de salvador, manipulador e vingativo. Mas por algum motivo, o público da novela, deveria achar os ricos dela com essas características, especialmente o Raulzito e a Guiomar, pessoas com qualidades por terem frieza e paciência para humilharem seus adversários. Uma suposta subversão poderia ser o fato de estar só pra streaming, poderíamos acompanhar os desdobramentos com mais objetividade e nitidez, mas logo o que temos é a repetição comum à linguagem. Outra suposta subversão são as dezenas de personagens pretos. Então vamos lá, Oberdan é o personagem mais desprezível e imaturo de toda a novela, e a Jussara, esposa dele, só existe com o propósito de salientar os conflitos do marido. Lila é rica e casada com o branco Luis Felipe, que só pode transar uma vez na semana e não demonstra nenhum carinho pela esposa, ela discorda, mas aceita, sua narrativa também orbita em torno do marido. Não muito longe disso, a filha segue os passos da mãe, dando uma chance para um criminoso branco. Joca é abusivo com Mauritânia. Darcy encabeça outro núcleo de humor sem graça alguma. E Judite é infinitamente irritante e só não é mais insistente que o próprio Rafael no que se refere ao romance dele com a afilhada. Ela é COMPLETAMENTE pé atrás com o próprio filho, mas com o branco rico Rafael, ela defende de tudo, sem falar que tem um filho com outro branco, Humberto. Por fim, a vilã Vanessa, por mais interessante que possa parecer, não tem background satisfatório. E eu contei ao menos umas 50x o Rafael dizer a frase "a gente precisa conversar", o que faz dele o personagem que mais odiei de longe.
É isso:
Moral nº 1. - quem é rico porque nasceu rico É BOM. Lutou para ter vida de rico? Mau caráter, CLARO.
Moral nº 2. - se você é preto, precisa ter uma relação interracial, se curvar aos brancos ou se curvar aos estereótipos de abusivo, "malandro" ou infiel (e nos casos das mulheres, "cornas", sonsas ou burras).
Moral nº 3. - agora se você é pobre e só quer viver bem, aí é o maior dos pecados, você merece sofrer e lutar pela sua vida e se envolver em tramas psicóticas igual a família do Diego, quem sabe sofrendo MUITO e saindo disso você prove seu valor.
É, o universo das novelas está mesmo distante de mudanças. [Comentário com base nos primeiros 12 capítulos.]
O filme "independente" com distribuição é um produto que quando não entrega coisas que as pessoas estão acostumadas, há grande repercussão negativa. Por mais surreal, onírico e causador de ansiedade que seja, há sim razões para o que acontece no geral ao longo do filme, só precisa de paciência extra, até porque a razão de existir de alguns momentos parece que é exatamente criar mais ansiedade e expectativa.
Tá (respiro). Quero achar que quanto mais sacrifício com uma pessoa que não tem nada a ver comigo é massa, então tá. Química sexual com alguém que não tem nada a ver com a gente não é motivo para querer construir uma relação, mas como os dois personagens querem viver a estrutura monogâmica, tudo bem, isso dá esperança vazia ao espectador, e sejam felizes (difícil é ser de fato)! Assim como a série não dá conta de tudo, essa estrutura também não dá. E triste quando o personagem mais legal de uma série queer é hétero.
É um filme muito adulto para crianças (e muito infantil para adultos), a forma como fala de guerra e fascismo não deve reverberar entre os mais jovens (a cena com Mussolini parece tirada de South Park). Apesar do início emocionante, o tema "amor paterno" também é terceirizado e uma relação que podia ser próxima entre o Gepeto e o Pinóquio parece a de um avô e um bebê. O trabalho diretivo de atores é ótimo, as músicas são boas, mas o filme podia ser mais exuberante, falta um pouco mais de cor, mesmo sendo bonito de toda forma.
Visualmente tudo bonito, atuações convincentes, mas que preguiça foi essa de não desenvolver o personagem Remi e meter um acontecimento como aquele e simplesmente mostrar os personagens tristes por uma hora? Por amor. Próximo.
Não precisamos dar mais espaço para filmes que mostrem suicídio dessa forma, é preciso aconselhar de verdade! O menino é chamado de gay uma vez e força um espaço entre ele e o amigo e, de repente, o outro se mata? Precisamos nos descolar dessas narrativas vitimistas urgentemente.
Olha, por mais que tenha gostado, estou achando meio preguiçosa essa escolha de transformar as sucessões de eventos numa comédia de erros e mal entendidos, e todo mundo tendo boas intenções... isso porque simpatizo mais com os Verdes, mas colocar a Alicent como uma ingênua
(ela supostamente não querer ter parte na morte dos Strong, que entendeu as últimas palavras do rei errado, que não quer prejudicar a herdeira do trono etc.)
Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte
3.1 115 Assista AgoraComo diria Tulla Luana: Só pessoas inteligentes entenderiam, e eu entendi
I Love Boosters
3.3 11O logo da Christie Smith quase igual o da Cacau Show hahaha
Pela Metade
4.1 114 Assista AgoraComo um fã de Bebê Rena, achei Pela Metade uma série cheia de defeitos que busca conversar com a outra, seja falando do tema abuso sexual masculino ou mesmo replicando elementos importantes da obra que apresentou Richard Gadd ao mundo das séries. O que dá pra problematizar de cara é a "representação gay", estamos diante de um autor que não consegue desvincular nas suas obras a experiência queer de uma "representação negativa". Em Bebê Rena, já era possível ir por esse lado, era possível por ligar a+b concluir que a série queria dizer que a nossa sexualidade pode ser fruto de abuso, viver uma sexualidade fluida pode ser resultado de confusão mental decorrente de abuso, enfim, toda a experiência queer do personagem Donny está ligado ao abuso, quando, na verdade, o que ficou bem claro pra mim é que ele tinha essa sexualidade saudável, mas por ser sozinho por causa de autoimagem e do que ele sentia que vinha da sociedade ele se sentia mal, e aí assim, por uma infelicidade, ele foi estuprado. Mas em Pela Metade não tem como passar pano, por que em 2026 estamos vendo uma "representação gay negativa" de forma gratuita? Gadd nunca disse que é gay, por que ele está dizendo aos gays que estamos fazendo banheirão, que estamos cheios de ISTs, em experiências ameaçadoras, usando drogas, perdendo o controle, indo em saunas e sendo autodestrutivos e impulsivos ao extremo? Por que ele está dizendo que um gay é tão carente e imprudente que quer tirar um outro do armário e casar com o irmão do agressor dele que o desfigurou e quase o matou? Existem gays assim? Existem. A maioria é assim? Nem de longe. Pra mim, ele perdeu a mão total com personagens rasos, diálogos mentirosos, roteiro previsível e se vendendo através de uma mentira, Pela Metade não é uma série homoerótica, pelo menos não deve ser considerada boa por esse atributo, não é uma série gay, não é uma série queer, é uma série sobre relações tóxicas e sobre abuso sexual, sobre personagens no fundo poço que se autossabotam por vários motivos, mas não por serem gays ou, se contextualizarmos, assim como em Bebê Rena, eles agem assim por serem mal vistos pela sociedade, ele podia ter ido por esse lado com esse roteiro, mas não, preferiu a espetacularização do trágico e perverso, e ligou isso à experiência queer. Aqui ele brincou totalmente com o "protagonista odiado", algo comum em séries alternativas, e mesmo caso de Bebê Rena, o Donny não erra uma, ele erra todas, e mesmo assim nos identificamos com ele. Mas como se identificar com o Niall? Aqui ele quis ir mais longe nos defeitos de todos, nas polêmicas, só que faltou amarrar tudo melhor, dizer por que essa é realmente diferente ou melhor que uma série com um protagonista gay que veio antes dela. Pra mim, não parece nada diferente, o ponto positivo da série está no argumento, tem valor querer falar sobre querer "parecer homem", preencher essa metade imaginária com testosterona só para acabar se sentindo "menos homem" a cada tentativa e ao longo da vida, mas no resultado o único diferencial é realmente explicar o estupro masculino de uma forma única e sem medo, todo o resto dava pra apagar.
O Drama
3.6 508 Assista AgoraTeria gostado mais se fosse uma comédia mais ligada ao local da história, sem essa vibe de filme europeu ou algo ultrapassado do Woody Allen, que é sério até quando tenta ser engraçado. Talvez por isso eu tenha sentido um desalinhamento nas emoções que o filme quer despertar, só ver como a trilha não combina tanto com tudo. No geral, a piada principal é boa, atingiu o ápice em alguns momentos que mereceram umas risadas, mas muito riso sem-graça até chegar lá.
Andar na Pedra: A História dos Raimundos
4.3 57Aqui a Globo deixou o diretor ser luz, os outros documentários originais Globoplay não têm o brilho desse aqui.
Falando a Real (3ª Temporada)
3.9 19 Assista AgoraFicou chatinha, repetitiva.
Entre Nós
3.0 36 Assista AgoraO ritmo agrada, mas algo me dizia que esse filme só podia ter sido escrito e dirigido por homens: O protagonista é um vazio completo, ainda assim, recebe o máximo de compaixão.
Rivalidade Ardente (1ª Temporada)
4.3 143 Assista AgoraSérie para emocionados num outro nível (nível doentio)
The White Lotus (2ª Temporada)
4.2 405 Assista AgoraO que prejudicou essa temporada foi justamente esticar com mais um episódio, estaria tudo bem se tivesse se justificado, mas ficou claro que foi unicamente pelo sucesso da 1ª temporada, não tinha história pros 7 episódios, a apresentação se alongou, e entre o 4º e último episódios as ideias se repetem, os personagens até repetem falas e coisas que já deviam estar estabelecidas são reapresentadas, deixou a amarração frouxa, com isso, não parece que estamos diante de uma minissérie da HBO, mas uma novela. O episódio 7 ficou perfeito, mas os três episódios anteriores poderiam ter sido resumidos em dois facilmente, ficaria mais inacreditável e absurdo ainda se não tivéssemos visto a ação dos criminosos por tanto tempo. Quando assistimos pela primeira vez até que passa, mas numa revisão, fica um pouco chato, algo que não vemos na primeira temporada, que é bem mais direta ao ponto.
Tirando isso, genial em todos os aspectos.
Ruptura (2ª Temporada)
4.1 351 Assista AgoraTive que dropar no episódio 4 porque a série é quase uma obra aberta ao estilo Lost (já percebi isso na primeira temporada, e agora com o surrealismo mais aflorado e a questão dos
gêmeos,
ir embora, voltaram em prol do Mark.
reintegração,
Sorria 2
3.3 615 Assista Agoravontade de tomar uma água voss veio
missão cumprida
Barbie
3.8 1,7K Assista AgoraA metalinguagem, o camp, a autocrítica precisavam ser tratados como componentes do filme, não toda a sua materialidade. "Agora ninguém pode criticar nada relacionado à Barbie só porque esse filme existe, e se ele critica o capitalismo (não diretamente) e o patriarcado não pode estar errado." Não é por aí, quem assistiu o trailer, assistiu o filme todo.
O Grifo (1ª Temporada)
3.4 19 Assista Agoraanos 90 na veia
linda
Ricos de Amor 2
2.6 32 Assista AgoraAmei que deixaram o romance de lado hahaha
Black Mirror (6ª Temporada)
3.3 623 Assista AgoraComentário no filmow é o maior telefone sem fio que existe, precisa de quantos comentários dizendo que espera que seja como as primeiras temporadas pra ser suficiente? kkkk
Todas as Flores
3.4 101 Assista AgoraNão dá.
Tudo bem, estamos diante de uma novela, é preciso suspender a descrença e mergulhar com a mente aberta, mas tudo tem limite.
Essa novela está muito longe de ter alguma subversão, como alguns insistem em dizer. Antes de tudo, o JEC (um homem gay), não foi capaz novamente de fazer um personagem LGBT com camadas, não conseguiu nas novelas anteriores, e aqui nem se esforçou mesmo. Raulzito é o personagem LGBT mais sem graça das tramas do JEC, rico, com síndrome de salvador, manipulador e vingativo. Mas por algum motivo, o público da novela, deveria achar os ricos dela com essas características, especialmente o Raulzito e a Guiomar, pessoas com qualidades por terem frieza e paciência para humilharem seus adversários. Uma suposta subversão poderia ser o fato de estar só pra streaming, poderíamos acompanhar os desdobramentos com mais objetividade e nitidez, mas logo o que temos é a repetição comum à linguagem. Outra suposta subversão são as dezenas de personagens pretos. Então vamos lá, Oberdan é o personagem mais desprezível e imaturo de toda a novela, e a Jussara, esposa dele, só existe com o propósito de salientar os conflitos do marido. Lila é rica e casada com o branco Luis Felipe, que só pode transar uma vez na semana e não demonstra nenhum carinho pela esposa, ela discorda, mas aceita, sua narrativa também orbita em torno do marido. Não muito longe disso, a filha segue os passos da mãe, dando uma chance para um criminoso branco. Joca é abusivo com Mauritânia. Darcy encabeça outro núcleo de humor sem graça alguma. E Judite é infinitamente irritante e só não é mais insistente que o próprio Rafael no que se refere ao romance dele com a afilhada. Ela é COMPLETAMENTE pé atrás com o próprio filho, mas com o branco rico Rafael, ela defende de tudo, sem falar que tem um filho com outro branco, Humberto. Por fim, a vilã Vanessa, por mais interessante que possa parecer, não tem background satisfatório. E eu contei ao menos umas 50x o Rafael dizer a frase "a gente precisa conversar", o que faz dele o personagem que mais odiei de longe.
É isso:
Moral nº 1. - quem é rico porque nasceu rico É BOM.
Lutou para ter vida de rico? Mau caráter, CLARO.
Moral nº 2. - se você é preto, precisa ter uma relação interracial, se curvar aos brancos ou se curvar aos estereótipos de abusivo, "malandro" ou infiel (e nos casos das mulheres, "cornas", sonsas ou burras).
Moral nº 3. - agora se você é pobre e só quer viver bem, aí é o maior dos pecados, você merece sofrer e lutar pela sua vida e se envolver em tramas psicóticas igual a família do Diego, quem sabe sofrendo MUITO e saindo disso você prove seu valor.
É, o universo das novelas está mesmo distante de mudanças.
[Comentário com base nos primeiros 12 capítulos.]
Beau Tem Medo
3.2 450 Assista AgoraO filme "independente" com distribuição é um produto que quando não entrega coisas que as pessoas estão acostumadas, há grande repercussão negativa. Por mais surreal, onírico e causador de ansiedade que seja, há sim razões para o que acontece no geral ao longo do filme, só precisa de paciência extra, até porque a razão de existir de alguns momentos parece que é exatamente criar mais ansiedade e expectativa.
Aftersun
4.0 802Daddy issues fizeram as pessoas entrarem num transe ao verem cenas tecnicamente "nostálgicas" de relação pai e filha só pode.
Smiley (1ª Temporada)
4.0 111 Assista AgoraTá (respiro). Quero achar que quanto mais sacrifício com uma pessoa que não tem nada a ver comigo é massa, então tá. Química sexual com alguém que não tem nada a ver com a gente não é motivo para querer construir uma relação, mas como os dois personagens querem viver a estrutura monogâmica, tudo bem, isso dá esperança vazia ao espectador, e sejam felizes (difícil é ser de fato)! Assim como a série não dá conta de tudo, essa estrutura também não dá. E triste quando o personagem mais legal de uma série queer é hétero.
Pinóquio por Guillermo del Toro
4.1 553 Assista AgoraQuando ele falava "papá" eu só lembrava da Eleven hahaha
Pinóquio por Guillermo del Toro
4.1 553 Assista AgoraÉ um filme muito adulto para crianças (e muito infantil para adultos), a forma como fala de guerra e fascismo não deve reverberar entre os mais jovens (a cena com Mussolini parece tirada de South Park). Apesar do início emocionante, o tema "amor paterno" também é terceirizado e uma relação que podia ser próxima entre o Gepeto e o Pinóquio parece a de um avô e um bebê. O trabalho diretivo de atores é ótimo, as músicas são boas, mas o filme podia ser mais exuberante, falta um pouco mais de cor, mesmo sendo bonito de toda forma.
Close
4.2 666 Assista AgoraVisualmente tudo bonito, atuações convincentes, mas que preguiça foi essa de não desenvolver o personagem Remi e meter um acontecimento como aquele e simplesmente mostrar os personagens tristes por uma hora? Por amor. Próximo.
Não precisamos dar mais espaço para filmes que mostrem suicídio dessa forma, é preciso aconselhar de verdade! O menino é chamado de gay uma vez e força um espaço entre ele e o amigo e, de repente, o outro se mata? Precisamos nos descolar dessas narrativas vitimistas urgentemente.
Noites Brutais
3.4 1,2K Assista AgoraQuanta vontade de ajudar homens, hein?!
Talvez mais efetivo que "Men - Faces do Medo" na sua mensagem.
A Casa do Dragão (1ª Temporada)
4.1 731 Assista AgoraOlha, por mais que tenha gostado, estou achando meio preguiçosa essa escolha de transformar as sucessões de eventos numa comédia de erros e mal entendidos, e todo mundo tendo boas intenções... isso porque simpatizo mais com os Verdes, mas colocar a Alicent como uma ingênua
(ela supostamente não querer ter parte na morte dos Strong, que entendeu as últimas palavras do rei errado, que não quer prejudicar a herdeira do trono etc.)
(matar o sobrinho "sem querer").