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“A série em que ninguém quis fazer nada, foi tudo um acidente” é um comentário comum na internet. O momento mais emblemático dessa “visão” foi o incidente entre Aemond Targaryen e Lucerys Velaryon, que resultou na morte do filho de Rhaenyra e de seu dragão, Arrax. Em Fogo e Sangue, é sugerido que Aemond tinha a intenção de matar Lucerys, mas, na série, a morte acontece como resultado de uma série de acontecimentos imprevistos e da falta de controle que os príncipes tinham de seus dragões.
Muitos acusam a série de apresentar os acontecimentos históricos não como resultado de uma vontade ou de uma decisão consciente, mas como consequência de uma série de eventos que escapam ao controle dos personagens principais. A questão que trago é a seguinte: e se essa visão for justamente uma tomada de posição diante de uma determinada interpretação da história?
Texto:
https://edsonfsilvafilosofia.substack.com/p/liberdade-e-causalidade-historica?r=797xey
A primeira temporada de House of the Dragon funciona como um grande prólogo para a Dança dos Dragões, evento do universo criado por Martin que culmina na extinção das criaturas que garantiram o poder da Casa Targaryen. O objetivo desse prólogo é estabelecer um conflito entre dois lados: os Verdes, liderados por Alicent Hightower, e os Pretos, liderados por Rhaenyra Targaryen. O interessante é que a série não pretende reduzir esse conflito a uma simples disputa pelo Trono de Ferro, mas apresentá-lo como uma oposição entre duas visões morais distintas. Essas duas perspectivas, como veremos a seguir, podem ser compreendidas a partir da filosofia de Friedrich Nietzsche. O embate entre elas se torna o motor de um dos desenvolvimentos de personagem mais interessantes e complexos da série: Alicent Hightower.
A visão moral de Daemon Targaryen
Embora o conflito se desenvolva entre as facções lideradas pela Princesa e pela Rainha, o Príncipe Rebelde desempenha um papel decisivo no estabelecimento da oposição moral que a série apresenta nos primeiros episódios. Desde o início, Daemon é retratado como alguém de personalidade desafiadora: ele não mede esforços para atingir seus objetivos e não demonstra arrependimento por suas ações.
Daemon compartilha a visão comum nesse universo de que os Targaryen são superiores, estando “mais próximos dos deuses do que dos homens”. O filósofo Friedrich Nietzsche, ao analisar o desenvolvimento histórico dos valores morais, identifica aquilo que chama de “moral nobre-aristocrática”, com a qual o pensamento de Daemon apresenta diversas semelhanças. Na base dessa concepção está a ideia de que indivíduos excepcionais não devem ser limitados por normas comuns. Como Targaryen e cavaleiro de dragão, Daemon não acredita que regras e convenções compartilhadas pelos demais devam ser aplicadas a ele...
- Texto completo:
https://edsonfsilvafilosofia.substack.com/p/sempre-defendendo-o-reino-a-familia?r=797xey
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O artista sacrifica sua vida pela arte ou transforma sua vida em arte? A falta de capacidade de expressar os sentimentos de maneira comum leva à busca por outras formas de expressão. A arte surge como a possibilidade encontrada, mas é complexa e, de certo modo, limitada.
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O artista sacrifica sua vida pela arte ou transforma sua vida em arte? A falta de capacidade de expressar os sentimentos de maneira comum leva à busca por outras formas de expressão. A arte surge como a possibilidade encontrada, mas é complexa e, de certo modo, limitada.