Dor, esse sim é um filme de dor real. A voz de Hind Rajab tirou a minha voz, a minha paz, a minha esperança, porque o mais cruel dos inimigos sabe que quando um ser inocente clama, cessa-se fogo. Mas, o que esperar de senhores da guerra? E dos piores, daqueles que acham que crianças são inimigos futuros em potencial e se puder, extermine. Nada mais pode ser dito, o filme vai desde o horror da carnificina em Gaza até a impotência de salvação, isso tudo sem mostrar o sangue explícito, apenas a dor explícita e real do medo, do desespero, do clamor pela voz em busca de salvação. Direção competente, imagens e vozes se entrecruzam na realidade e na retratação fictícia desta , feita por ótimos intérpretes, sentimos a tensão, acreditamos que em tempo real tudo acontece de forma autêntica, triste, dilacerante.
Uma história cheia de dor, mas que não pude sentir, pois me pareceu forçada a isso, não soou espontânea. Fácil se identificar com perdas familiares, ausências, preconceitos, egoísmos, risos, dores, sacrifícios, tudo envolto a natureza, ao bruto, a solidão, ao abandono. Mulheres fortes, homens sensíveis, ou não. Mulheres generosas, homens egoístas, ou não. Tudo aqui, mas tudo sem profundidade.
A introdução deste filme é tão perfeita, tão agoniante, nostálgica e até engraçada ao mesmo tempo. Quando o carro atravessava a ponte na urbanidade do Recife ao som de If You Leave Me Now(Chicago), o arrepio imediato me teletransportou pra época e disse pra mim mesma, qualquer coisa que vier depois disso é lucro. Não, não foi só lucro, foi um filme maravilhoso mesmo, de ponta a ponta. O Kleber não decepciona, porque é um diretor que sabe o que quer e não deve mexer em nada que perca sua identidade, nem mesmo pra agradar bilheterias ou premiações. Sabe que o reconhecimento vem de quem entende de cinema. Ambientado nos anos 70, no furor ditatorial da época, da violência e sujeira, corrupção, do medo, da ganância dos poderosos, da solidariedade, irmandade, amor, empatia e doses de cultura pop, cult e popular, tudo é magnífico, detalhado, então, a história flui e saímos da sala de cinema com isso atravessado na alma. Wagner é ator demais, impressionante. E o elenco é um primor da espontaneidade, não tem nem o que dizer mais.
Esse subtítulo ruim brasileiro me fez pensar que o filme seria mais um jogo inspirado nos tantos outros filmes do gênero "arrumando um motivo para matar gente enquanto se diverte e deixa o público aflito com a carnificina". E não é que é muito diferente, só que com um detalhe, a longa caminhada produz uma boa sacada pra fazer bom cinema. Como as cenas e cenários acabam por serem similares ou bem repetitivos, como não poderia deixar de ser durante tantos Km e horas, as técnicas de som, imagem, câmera, atuações, diálogos, são ótimos e bem empregados neste filme. Tá, não é nenhum tratado filosófico genial, não é a intenção aqui, aliás, tudo é trivial, os jovens q ali estão não são de soltar pérolas que vão te fazer explodir a cabeça, mas vai gerar reflexão, mesmo naquilo que já estamos cansado de ouvir, sobre a vida, sobre os jovens, sobre os medos, os ódios, as decepções, as fraquezas e as forças de cada um, sobre sociedade, classes, poder, necessidades básicas e vitais do ser social. As cenas de violência são chocantes, os aspectos humanos da necessidade fisiológica, doenças, corpo, fluidos e tudo mais q nos torna essencialmente humanos ou fisicamente seres vivos estão explorados no trajeto. Os sons das passadas, o ofegar, o choro, e claro, sem querer desmerecer o elenco que tá ótimo, o olho do público se enternece com Peter e com Ray, afinadíssimos. Pode seguir o trajeto, é ótimo.
É impressionante o quanto estou cansada de filmes de heróis, já não vou mais ao cinema ver, mas o Superman me atrai num tanto, esse ET, imigrante, Kryptoniano perfeito demais pra um homem, tendo até que colocar o Super na frente rs. Este é um filme ótimo, apesar de na primeira metade um tanto desorganizado, as vezes maçante, mas depois vai fluindo com todo o charme, beleza e paixão que tem esse personagem mais humano que a maioria dos humanos. A turma da liga da justiça, tão disfuncional, mas que exatamente por isso funciona ali contrabalanceando a bondade e justiça irretocável do personagem central, do contrário, uma surra no criminoso não seria possível, e neste sentido, viva o super cão, que lava a alma de quem não tem paciência pra ver Luthor se gabando de ser "superior". Até chorei ao final, o que não é comum em minha mente calejada de ver o bem vencendo o mal em fantasias. Mas, é uma esperança.
Argentinos fazem filmes de todo gênero maravilhosos. Esse, trabalha um romance autista de forma tão natural, emocionante, engraçado e real. Dá gosto de ver. As interpretações são ótimas. Vai fundo.
Fui assistir a Um Completo Desconhecido ontem e que filme FODA. Amo Bob Dylan e estava com medo de vir mais uma cinebiografia pautada em sensacionalismo barato sobre um personagem famoso da vida real, mas não, a sensação que tive é de que saí do filme entendendo o Dylan como já o entendia antes, um gênio da música, um poeta com letras que permeavam filosofia, política, amor, nada de lugar comum, mas, ainda assim desconhecido, no sentido de não facilmente penetrável em sua personalidade. Que ótimo. Mostrou naturalmente o mistério da persona, a simplicidade e conflitos normais, sem forçar nenhum problema pessoal dramático como a gente vê na maioria das biografias de artistas por aí. Bob não precisa de enfeite, ele é interessante por si mesmo. A gente ouve uma música atrás da outra e não cansa, o figurino e o cenário consegue nos transportar para os anos 60 com vigor. E o Chalamet hein? Eu disse que não aguentava mais ele e seus olhinhos caídos em filmes gigantes por aí, mas volto atrás, encarnou o personagem com tanto capricho, com camadas, com respeito e honrou Dylan. Perfeito. Além de todo o elenco, fiquei arrebatada com o Norton, me diverti como Holdbrook, me encantei por Monica e Elle e me emocionei com cada cena.
Eu defendo muito o cinema nacional, tem coisas esplendorosas de boas, mas esse é ruim que dói. Já vamos com um pé atrás quando se fala de true crime, porque a tendência a inverdade sensacionalista é certa, mas este aqui é sem impacto nem pro lado do maníaco e nem pro lado das vítimas, não contou uma história mínima de nada, não desenvolveu personagem nenhum, caricaturou a premissa jornalística para servir de suporte e no fim piorou mais. Faltou coragem total para assumir o monstro como monstro e as vítimas como realmente caíram no horror de suas vidas. A gente torce por um documentário bem produzido sobre um dos casos mais sinistros de serial killer no Brasil da próxima vez.
Quem imaginaria que Coringa 2 seria o julgamento de Arthur Fleck? Ou, mesmo musicado antes de sabermos disso pela mídia, claro? Bom, o pior do filme não é o fato de ser musical(confesse, você achava isso), pois apesar de ter músicas demais em situações não condizentes, a cada instante de diálogos simplórios e as vezes até vazios, talvez algumas boas canções sirvam para distração da falta de inspiração de Todd Phillips, ou mesmo de uma suposta provocação de Todd como já disseram por aí, que ele queria desconstruir a falácia sobre o primeiro filme, de que Coringa era o herói, a vítima social, mas se foi isso, errou de novo, pois aqui Coringa continua sendo vítima social e até vítima de uma mulher maluca, oportunista, enfim, não é assim que se pinta o quadro dos chamados incels? Lady Gaga atua razoavelmente bem, mas não tem muito o que fazer com seu roteiro senão cantar, e como sabe fazer isso. Tudo está perdido ao meu ver? Não, eu acredito que mesmo este Coringa sendo um filme capenga, visualmente é bonito, descartando metade das músicas se aproveita o musical. Nada impactante de fato, com exceção dos devaneios de Arthur com o seu alter ego, seja massacrando gente ou dançando e cantando. Aliás, Joaquin é de fato um excelente ator, também não tem culpa, tem talento. Deixemos tudo de lado, o filme é entretenimento bom? Não, nem isso. O filme não empolga, mesmo que ignorássemos todas as outras desqualificações, o filme é morto, mortinho, é como se pegássemos a melancolia do primeiro(que funcionou excelentemente bem) e colocássemos um roteiro pífio e músicas encaixadas.
Ah, esse é muito bom. Não por ser uma big história, mas por ser uma fantasia original, ter personagens notáveis, piadas simples mas, criativas. Enfim, Michael Keaton como Beetlejuice é memorável, a gótica Winona, a inocência de Geena e Alec, sei lá, é muita nostalgia. E sim, o que fica mais no universo de Tim Burton é a plástica, cenário, maquiagem, enfim.
Pense num cineasta plástico bom, é o Tim Burton. Eu não curto tanto as histórias, porque de fato não sabe contar, não é envolvente. Então, acho que ele funciona bem para memórias infantis, exatamente. Os Fantasmas se divertem para mim é uma excelente memória da infância(vi em tempo real lá nos anos 80) e ficou na mente tanto quanto Edward Mãos de Tesoura, mas revendo adulta, é só um passatempo. Beetlejuice 2 acabei de ver no cinema numa sala solitária, só tinha eu na sessão, vai ficar na memória de novo, mas só como reforço daquilo que já era lembrança boa. Cheio de referências e também algumas cenas icônicas como da Delores se remendando ao som de Tragedy, ou do besouro suco narrando em italiano sua história, não é pra se levar tão a sério(como o primeiro), é uma curtição rever Beetlejuice(gosto desse patife imortalizado por Keaton).
Eu sou boa em assistir filmes de tudo quanto é natureza, sou fãzaça de David Lynch, por exemplo, cujo roteiro tem quem não aguente 20 minutos. Mas, apesar de reconhecer algumas qualidades cinematográficas em Longlegs, como a direção, interpretações, fotografia, maquiagem e uma certa atmosfera de terror psicológico, além de simbolismos discretos para contar a história(sim, reconheço), para mim a atmosfera de terror é mais melancólica que assustadora ou mesmo nem chegou a ser desconfortável e angustiante como costumo apreciar nesse tipo de filme. Confesso que com 30 minutos eu dormi, é...dormi e acordei com um jump scare que pelo menos, cutucou minha adrenalina e me fez voltar. Se espera desvendar o mistério, ou pelo menos parte dele, mas já não causava mais o impacto. É isso, talvez outros tenham o envolvimento, em mim não foi.
Shyamalan, que bom seria ter só sua direção nas obras. Deixa o roteiro para quem tem a mente mais adulta, homem. Eu sempre vejo os filmes dele, porque gosto da ideia central e sei que ele coloca as vezes sua marca e elementos interessantes, mas entre um filme razoável e um bom, vem outro fraco. Trap me fez ficar quase 2 horas vendo copia indiana da Taylor Swift e seus fãs cantarem num show e só agradeço por algumas risadas que dei com o Josh e seu personagem carniceiro açougueiro zombeteiro. Enfim, obra ingênua demais, assim como fez em Tempo, a impressão é que o velho Shya tá nos tachando de crianças.
Ai, que medo bom! Alvarez tem o poder de transformar um filme inteiro em cenas de terror interessantes, ainda que pareçam previsíveis, nunca são. Romulus é Alien raiz, bebe da fonte certa do suspense, ação e horror. Além disso, filme bonito demais, bichos tão feios de bonitos e agonizantes. Prazer em ver no telão.
Fui assistir sabendo que era uma bomba. No primeiro ato do filme, estava mudando de ideia, apesar de algumas caricaturas de personagens como a mãe e a família do marido, a personagem central da Kely me parecia focada. Depois que entrou na jogada o Trevante eu disse: vai ter sexo selvagem e ele é lindo, mas aí é que tudo começou a ficar desafinado. O tom do filme mudou e o roteiro foi simplesmente ruim demais. Enfim, vale se quiser passar o tempo esperando algo sensual e um suspense por trás, mas não espere nenhum desenvolvimento decente, aliás, que ato final capenga do caramba.
Eu sou véia mesmo, em 85 me lembro de papai chamando todo mundo pra sala e ver numa TV pequenina os astros da música cantando We Are The World como se fosse O EVENTO. Eu era um pingo de gente, mas ficou marcado, e ele citando o nome de praticamente todo mundo. Enfim, assim cresci em meio a esse tipo de gente maravilhosa da música, adorando tudo isso. Então, agora vendo esse documentário, posso dizer que além de suas curiosidades e relatos emocionantes traz muito saudosismo pra mim. Lionel e Michael fizeram acontecer, seguraram as pontas da bagunça. Claro, não posso deixar passar que a partir de agora, sempre que eu estiver deslocada ou confusa, usarei a frase, tô mais perdida que Bob Dylan na gravação de We are the world.
Eu assistiria qualquer coisa feita pelo Paul Giamatti, um desses atores incrivelmente expressivos mesmo em papéis contidos, o que não é bem o caso aqui de Os Rejeitados. Neste filme muito bom, ele consegue a proeza de fazer comédia com alguns rompantes de fúria e o drama suave, sem choro doloroso, ou risos histéricos, transforma tudo num filme de Natal bem original. Gosto da forma como os diálogos são simples, mas eficazes ao mesmo tempo, sem nos tachar de bobos. Da'VIne também é ótima como Mary, que presença! E Dominic se mostra um jovem bom ator, muito embora seu personagem poderia ter se encaixado melhor na química geral, mas acho que era intenção do roteiro de acordo com a personalidade de seus personagens. Aliás, o trio de histórias e rejeições e dores tão diferentes me conquistou pra sempre. Ah, e quem se sente ou já se sentiu um dia a ovelha negra, vai ficar bem próximo do filme.
Com o passar dos anos eu fui ficando meio chateada com filmes baseados em tragédias reais, porque os americanos e até outras nacionalidades sempre retratam de forma exagerada, com dramalhões que não condizem com a realidade, mas sim com querer fazer o público chorar. Neste A Sociedade da Neve, a retratação desde a queda do avião até os diálogos e situações de dor e sobrevivência, tudo soou real. O impacto de parecer estar dentro do filme nos faz sentir o horror mesmo que por empatia e entristece, mas sem precisar forçar, é só ver e pensar sobre o que aconteceu. A direção é primorosa e paguei minha língua, porque acreditava que iria ver repetições de outras obras.
É um filme muito bom, um terror com roteiro cuidadoso até certo ponto, pra quem presta atenção e não só pra quem quer sentir medo ou levar susto se prendendo a situações sem nexo. Além disso, falou em Freira e rigidez eu já boto meu pezinho pra trás.
Eu fico pensando, se a gente não conhecesse a história, se esses 3 filmes se salvavam? Porque, ô negócio sofrível de todos os lados, principalmente da dramatização falsa. Neste último, só se salva a magnífica Barbara Colen que tira até leite de pedra.
Assassinos da Lua das Flores é um filmaço do Scorsese que me fez até esquecer de ir ao banheiro por 3 horas e 30 minutos, já que ainda fiquei refletindo na sala. Uma história pouco contada, mas que o Cinema precisava mostrar, principalmente vindo das mãos de alguém sensível, culto e sincero como Scorsese. Falar do excelente trabalho de DiCaprio e De Niro já é lugar comum, mas meu encanto vai para a expressiva Lily Gladstone, pois transformar alguém introspectiva, forte e vulnerável ao mesmo tempo e deveras cansada em alguém com carisma é difícil demais. A cada trama macabra do homem branco encoberta pela hipocrisia e cheia de desejos gananciosos, racistas, invejosos e sedentos de poder, minha indignação crescia, mas como era uma história baseada em fatos reais, já sabia que eu poderia ficar arruinada por mais 100 anos por todo povo Osage, por todo povo indígena do universo e nada adiantaria, pelo menos não em se fazer justiça. Resta apreciar a obra e agradecer ao mestre Scorsese que disse tanto fazendo cinema em todos os aspectos audiovisuais perfeitos.
É, meus amigos, eu continuo convicta que seja lá qual for a história, ninguém conta melhor que Sr. Pedro Almodóvar. Por outro lado, sabemos que dava pra juntar as coisas de forma mais coerentes e interessantes né não? A trama foi mal costurada. A gente sabe também que as revelações não são o mais importante, mas como se dá o desfecho, sim. Há algo de apressado que nem novela nos 30 minutos finais que prejudicam nosso envolvimento. Mas, como disse inicialmente, é envolvente a forma como conta e narra a história. Além de Penélope e Milena serem lindas, carismáticas e ótimas atrizes.
Ótimo filme de entretenimento, bom filme no geral. A premissa é bem batida, o roteiro também, mas as cenas de sobrevivência são instigantes e razoavelmente bem boladas. Muita coisa não só mentirosa(ganha o selo, quero um celular desses), as vezes até mal feita, forçadas pra cacete(oh, uma lata de sardinha, como não pensei nisso antes?), mas a gente compra, porque é um filme da era streaming e o negócio é o geralzão mesmo, sem pretensões de elogios técnicos. Os espanhóis colocam muito melodrama(tudo as vezes é novelizado), mas em compensação, tem alívio cômico certeiro, uma ação e um suspense bem construídos e envolventes e atuações convincentes. Gostei mesmo.
Ataque Brutal
2.2 112 Assista AgoraSe dependesse de mim, a grávida já tinha virado comida de tubarão desde o início. Tô dizendo, humpf
A Voz de Hind Rajab
4.2 129 Assista AgoraDor, esse sim é um filme de dor real. A voz de Hind Rajab tirou a minha voz, a minha paz, a minha esperança, porque o mais cruel dos inimigos sabe que quando um ser inocente clama, cessa-se fogo. Mas, o que esperar de senhores da guerra? E dos piores, daqueles que acham que crianças são inimigos futuros em potencial e se puder, extermine. Nada mais pode ser dito, o filme vai desde o horror da carnificina em Gaza até a impotência de salvação, isso tudo sem mostrar o sangue explícito, apenas a dor explícita e real do medo, do desespero, do clamor pela voz em busca de salvação. Direção competente, imagens e vozes se entrecruzam na realidade e na retratação fictícia desta , feita por ótimos intérpretes, sentimos a tensão, acreditamos que em tempo real tudo acontece de forma autêntica, triste, dilacerante.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 430 Assista AgoraUma história cheia de dor, mas que não pude sentir, pois me pareceu forçada a isso, não soou espontânea. Fácil se identificar com perdas familiares, ausências, preconceitos, egoísmos, risos, dores, sacrifícios, tudo envolto a natureza, ao bruto, a solidão, ao abandono. Mulheres fortes, homens sensíveis, ou não. Mulheres generosas, homens egoístas, ou não. Tudo aqui, mas tudo sem profundidade.
O Agente Secreto
3.9 1,1K Assista AgoraA introdução deste filme é tão perfeita, tão agoniante, nostálgica e até engraçada ao mesmo tempo. Quando o carro atravessava a ponte na urbanidade do Recife ao som de If You Leave Me Now(Chicago), o arrepio imediato me teletransportou pra época e disse pra mim mesma, qualquer coisa que vier depois disso é lucro. Não, não foi só lucro, foi um filme maravilhoso mesmo, de ponta a ponta. O Kleber não decepciona, porque é um diretor que sabe o que quer e não deve mexer em nada que perca sua identidade, nem mesmo pra agradar bilheterias ou premiações. Sabe que o reconhecimento vem de quem entende de cinema. Ambientado nos anos 70, no furor ditatorial da época, da violência e sujeira, corrupção, do medo, da ganância dos poderosos, da solidariedade, irmandade, amor, empatia e doses de cultura pop, cult e popular, tudo é magnífico, detalhado, então, a história flui e saímos da sala de cinema com isso atravessado na alma. Wagner é ator demais, impressionante. E o elenco é um primor da espontaneidade, não tem nem o que dizer mais.
A Longa Marcha: Caminhe ou Morra
3.3 352 Assista AgoraEsse subtítulo ruim brasileiro me fez pensar que o filme seria mais um jogo inspirado nos tantos outros filmes do gênero "arrumando um motivo para matar gente enquanto se diverte e deixa o público aflito com a carnificina". E não é que é muito diferente, só que com um detalhe, a longa caminhada produz uma boa sacada pra fazer bom cinema. Como as cenas e cenários acabam por serem similares ou bem repetitivos, como não poderia deixar de ser durante tantos Km e horas, as técnicas de som, imagem, câmera, atuações, diálogos, são ótimos e bem empregados neste filme. Tá, não é nenhum tratado filosófico genial, não é a intenção aqui, aliás, tudo é trivial, os jovens q ali estão não são de soltar pérolas que vão te fazer explodir a cabeça, mas vai gerar reflexão, mesmo naquilo que já estamos cansado de ouvir, sobre a vida, sobre os jovens, sobre os medos, os ódios, as decepções, as fraquezas e as forças de cada um, sobre sociedade, classes, poder, necessidades básicas e vitais do ser social. As cenas de violência são chocantes, os aspectos humanos da necessidade fisiológica, doenças, corpo, fluidos e tudo mais q nos torna essencialmente humanos ou fisicamente seres vivos estão explorados no trajeto. Os sons das passadas, o ofegar, o choro, e claro, sem querer desmerecer o elenco que tá ótimo, o olho do público se enternece com Peter e com Ray, afinadíssimos. Pode seguir o trajeto, é ótimo.
Superman
3.6 916 Assista AgoraÉ impressionante o quanto estou cansada de filmes de heróis, já não vou mais ao cinema ver, mas o Superman me atrai num tanto, esse ET, imigrante, Kryptoniano perfeito demais pra um homem, tendo até que colocar o Super na frente rs. Este é um filme ótimo, apesar de na primeira metade um tanto desorganizado, as vezes maçante, mas depois vai fluindo com todo o charme, beleza e paixão que tem esse personagem mais humano que a maioria dos humanos. A turma da liga da justiça, tão disfuncional, mas que exatamente por isso funciona ali contrabalanceando a bondade e justiça irretocável do personagem central, do contrário, uma surra no criminoso não seria possível, e neste sentido, viva o super cão, que lava a alma de quem não tem paciência pra ver Luthor se gabando de ser "superior". Até chorei ao final, o que não é comum em minha mente calejada de ver o bem vencendo o mal em fantasias. Mas, é uma esperança.
Goyo
3.4 28Argentinos fazem filmes de todo gênero maravilhosos. Esse, trabalha um romance autista de forma tão natural, emocionante, engraçado e real. Dá gosto de ver. As interpretações são ótimas. Vai fundo.
Um Completo Desconhecido
3.5 235 Assista AgoraFui assistir a Um Completo Desconhecido ontem e que filme FODA. Amo Bob Dylan e estava com medo de vir mais uma cinebiografia pautada em sensacionalismo barato sobre um personagem famoso da vida real, mas não, a sensação que tive é de que saí do filme entendendo o Dylan como já o entendia antes, um gênio da música, um poeta com letras que permeavam filosofia, política, amor, nada de lugar comum, mas, ainda assim desconhecido, no sentido de não facilmente penetrável em sua personalidade. Que ótimo. Mostrou naturalmente o mistério da persona, a simplicidade e conflitos normais, sem forçar nenhum problema pessoal dramático como a gente vê na maioria das biografias de artistas por aí. Bob não precisa de enfeite, ele é interessante por si mesmo. A gente ouve uma música atrás da outra e não cansa, o figurino e o cenário consegue nos transportar para os anos 60 com vigor. E o Chalamet hein? Eu disse que não aguentava mais ele e seus olhinhos caídos em filmes gigantes por aí, mas volto atrás, encarnou o personagem com tanto capricho, com camadas, com respeito e honrou Dylan. Perfeito. Além de todo o elenco, fiquei arrebatada com o Norton, me diverti como Holdbrook, me encantei por Monica e Elle e me emocionei com cada cena.
Maníaco do Parque
2.4 351 Assista AgoraEu defendo muito o cinema nacional, tem coisas esplendorosas de boas, mas esse é ruim que dói. Já vamos com um pé atrás quando se fala de true crime, porque a tendência a inverdade sensacionalista é certa, mas este aqui é sem impacto nem pro lado do maníaco e nem pro lado das vítimas, não contou uma história mínima de nada, não desenvolveu personagem nenhum, caricaturou a premissa jornalística para servir de suporte e no fim piorou mais. Faltou coragem total para assumir o monstro como monstro e as vítimas como realmente caíram no horror de suas vidas. A gente torce por um documentário bem produzido sobre um dos casos mais sinistros de serial killer no Brasil da próxima vez.
Coringa: Delírio a Dois
2.5 925 Assista AgoraQuem imaginaria que Coringa 2 seria o julgamento de Arthur Fleck? Ou, mesmo musicado antes de sabermos disso pela mídia, claro? Bom, o pior do filme não é o fato de ser musical(confesse, você achava isso), pois apesar de ter músicas demais em situações não condizentes, a cada instante de diálogos simplórios e as vezes até vazios, talvez algumas boas canções sirvam para distração da falta de inspiração de Todd Phillips, ou mesmo de uma suposta provocação de Todd como já disseram por aí, que ele queria desconstruir a falácia sobre o primeiro filme, de que Coringa era o herói, a vítima social, mas se foi isso, errou de novo, pois aqui Coringa continua sendo vítima social e até vítima de uma mulher maluca, oportunista, enfim, não é assim que se pinta o quadro dos chamados incels? Lady Gaga atua razoavelmente bem, mas não tem muito o que fazer com seu roteiro senão cantar, e como sabe fazer isso. Tudo está perdido ao meu ver? Não, eu acredito que mesmo este Coringa sendo um filme capenga, visualmente é bonito, descartando metade das músicas se aproveita o musical. Nada impactante de fato, com exceção dos devaneios de Arthur com o seu alter ego, seja massacrando gente ou dançando e cantando. Aliás, Joaquin é de fato um excelente ator, também não tem culpa, tem talento. Deixemos tudo de lado, o filme é entretenimento bom? Não, nem isso. O filme não empolga, mesmo que ignorássemos todas as outras desqualificações, o filme é morto, mortinho, é como se pegássemos a melancolia do primeiro(que funcionou excelentemente bem) e colocássemos um roteiro pífio e músicas encaixadas.
Os Fantasmas Se Divertem
3.9 1,8K Assista AgoraAh, esse é muito bom. Não por ser uma big história, mas por ser uma fantasia original, ter personagens notáveis, piadas simples mas, criativas. Enfim, Michael Keaton como Beetlejuice é memorável, a gótica Winona, a inocência de Geena e Alec, sei lá, é muita nostalgia. E sim, o que fica mais no universo de Tim Burton é a plástica, cenário, maquiagem, enfim.
Os Fantasmas Ainda Se Divertem: Beetlejuice Beetlejuice
3.4 591 Assista AgoraPense num cineasta plástico bom, é o Tim Burton. Eu não curto tanto as histórias, porque de fato não sabe contar, não é envolvente. Então, acho que ele funciona bem para memórias infantis, exatamente. Os Fantasmas se divertem para mim é uma excelente memória da infância(vi em tempo real lá nos anos 80) e ficou na mente tanto quanto Edward Mãos de Tesoura, mas revendo adulta, é só um passatempo. Beetlejuice 2 acabei de ver no cinema numa sala solitária, só tinha eu na sessão, vai ficar na memória de novo, mas só como reforço daquilo que já era lembrança boa. Cheio de referências e também algumas cenas icônicas como da Delores se remendando ao som de Tragedy, ou do besouro suco narrando em italiano sua história, não é pra se levar tão a sério(como o primeiro), é uma curtição rever Beetlejuice(gosto desse patife imortalizado por Keaton).
Longlegs: Vínculo Mortal
3.2 938 Assista AgoraEu sou boa em assistir filmes de tudo quanto é natureza, sou fãzaça de David Lynch, por exemplo, cujo roteiro tem quem não aguente 20 minutos. Mas, apesar de reconhecer algumas qualidades cinematográficas em Longlegs, como a direção, interpretações, fotografia, maquiagem e uma certa atmosfera de terror psicológico, além de simbolismos discretos para contar a história(sim, reconheço), para mim a atmosfera de terror é mais melancólica que assustadora ou mesmo nem chegou a ser desconfortável e angustiante como costumo apreciar nesse tipo de filme. Confesso que com 30 minutos eu dormi, é...dormi e acordei com um jump scare que pelo menos, cutucou minha adrenalina e me fez voltar. Se espera desvendar o mistério, ou pelo menos parte dele, mas já não causava mais o impacto. É isso, talvez outros tenham o envolvimento, em mim não foi.
Armadilha
2.7 874 Assista AgoraShyamalan, que bom seria ter só sua direção nas obras. Deixa o roteiro para quem tem a mente mais adulta, homem. Eu sempre vejo os filmes dele, porque gosto da ideia central e sei que ele coloca as vezes sua marca e elementos interessantes, mas entre um filme razoável e um bom, vem outro fraco. Trap me fez ficar quase 2 horas vendo copia indiana da Taylor Swift e seus fãs cantarem num show e só agradeço por algumas risadas que dei com o Josh e seu personagem carniceiro açougueiro zombeteiro. Enfim, obra ingênua demais, assim como fez em Tempo, a impressão é que o velho Shya tá nos tachando de crianças.
Alien: Romulus
3.7 762 Assista AgoraAi, que medo bom! Alvarez tem o poder de transformar um filme inteiro em cenas de terror interessantes, ainda que pareçam previsíveis, nunca são. Romulus é Alien raiz, bebe da fonte certa do suspense, ação e horror. Além disso, filme bonito demais, bichos tão feios de bonitos e agonizantes. Prazer em ver no telão.
Mea Culpa
2.1 68 Assista AgoraFui assistir sabendo que era uma bomba. No primeiro ato do filme, estava mudando de ideia, apesar de algumas caricaturas de personagens como a mãe e a família do marido, a personagem central da Kely me parecia focada. Depois que entrou na jogada o Trevante eu disse: vai ter sexo selvagem e ele é lindo, mas aí é que tudo começou a ficar desafinado. O tom do filme mudou e o roteiro foi simplesmente ruim demais. Enfim, vale se quiser passar o tempo esperando algo sensual e um suspense por trás, mas não espere nenhum desenvolvimento decente, aliás, que ato final capenga do caramba.
A Noite que Mudou o Pop
4.2 183 Assista AgoraEu sou véia mesmo, em 85 me lembro de papai chamando todo mundo pra sala e ver numa TV pequenina os astros da música cantando We Are The World como se fosse O EVENTO. Eu era um pingo de gente, mas ficou marcado, e ele citando o nome de praticamente todo mundo. Enfim, assim cresci em meio a esse tipo de gente maravilhosa da música, adorando tudo isso. Então, agora vendo esse documentário, posso dizer que além de suas curiosidades e relatos emocionantes traz muito saudosismo pra mim. Lionel e Michael fizeram acontecer, seguraram as pontas da bagunça. Claro, não posso deixar passar que a partir de agora, sempre que eu estiver deslocada ou confusa, usarei a frase, tô mais perdida que Bob Dylan na gravação de We are the world.
Os Rejeitados
4.0 475 Assista AgoraEu assistiria qualquer coisa feita pelo Paul Giamatti, um desses atores incrivelmente expressivos mesmo em papéis contidos, o que não é bem o caso aqui de Os Rejeitados. Neste filme muito bom, ele consegue a proeza de fazer comédia com alguns rompantes de fúria e o drama suave, sem choro doloroso, ou risos histéricos, transforma tudo num filme de Natal bem original. Gosto da forma como os diálogos são simples, mas eficazes ao mesmo tempo, sem nos tachar de bobos. Da'VIne também é ótima como Mary, que presença! E Dominic se mostra um jovem bom ator, muito embora seu personagem poderia ter se encaixado melhor na química geral, mas acho que era intenção do roteiro de acordo com a personalidade de seus personagens. Aliás, o trio de histórias e rejeições e dores tão diferentes me conquistou pra sempre. Ah, e quem se sente ou já se sentiu um dia a ovelha negra, vai ficar bem próximo do filme.
A Sociedade da Neve
4.2 783 Assista AgoraCom o passar dos anos eu fui ficando meio chateada com filmes baseados em tragédias reais, porque os americanos e até outras nacionalidades sempre retratam de forma exagerada, com dramalhões que não condizem com a realidade, mas sim com querer fazer o público chorar. Neste A Sociedade da Neve, a retratação desde a queda do avião até os diálogos e situações de dor e sobrevivência, tudo soou real. O impacto de parecer estar dentro do filme nos faz sentir o horror mesmo que por empatia e entristece, mas sem precisar forçar, é só ver e pensar sobre o que aconteceu. A direção é primorosa e paguei minha língua, porque acreditava que iria ver repetições de outras obras.
Irmã Morte
3.1 148 Assista AgoraÉ um filme muito bom, um terror com roteiro cuidadoso até certo ponto, pra quem presta atenção e não só pra quem quer sentir medo ou levar susto se prendendo a situações sem nexo. Além disso, falou em Freira e rigidez eu já boto meu pezinho pra trás.
A Menina que Matou os Pais: A Confissão
3.1 228 Assista AgoraEu fico pensando, se a gente não conhecesse a história, se esses 3 filmes se salvavam? Porque, ô negócio sofrível de todos os lados, principalmente da dramatização falsa. Neste último, só se salva a magnífica Barbara Colen que tira até leite de pedra.
Assassinos da Lua das Flores
4.0 666 Assista AgoraAssassinos da Lua das Flores é um filmaço do Scorsese que me fez até esquecer de ir ao banheiro por 3 horas e 30 minutos, já que ainda fiquei refletindo na sala. Uma história pouco contada, mas que o Cinema precisava mostrar, principalmente vindo das mãos de alguém sensível, culto e sincero como Scorsese. Falar do excelente trabalho de DiCaprio e De Niro já é lugar comum, mas meu encanto vai para a expressiva Lily Gladstone, pois transformar alguém introspectiva, forte e vulnerável ao mesmo tempo e deveras cansada em alguém com carisma é difícil demais. A cada trama macabra do homem branco encoberta pela hipocrisia e cheia de desejos gananciosos, racistas, invejosos e sedentos de poder, minha indignação crescia, mas como era uma história baseada em fatos reais, já sabia que eu poderia ficar arruinada por mais 100 anos por todo povo Osage, por todo povo indígena do universo e nada adiantaria, pelo menos não em se fazer justiça. Resta apreciar a obra e agradecer ao mestre Scorsese que disse tanto fazendo cinema em todos os aspectos audiovisuais perfeitos.
Mães Paralelas
3.7 419É, meus amigos, eu continuo convicta que seja lá qual for a história, ninguém conta melhor que Sr. Pedro Almodóvar. Por outro lado, sabemos que dava pra juntar as coisas de forma mais coerentes e interessantes né não? A trama foi mal costurada. A gente sabe também que as revelações não são o mais importante, mas como se dá o desfecho, sim. Há algo de apressado que nem novela nos 30 minutos finais que prejudicam nosso envolvimento. Mas, como disse inicialmente, é envolvente a forma como conta e narra a história. Além de Penélope e Milena serem lindas, carismáticas e ótimas atrizes.
Destinos à Deriva
3.2 323 Assista AgoraÓtimo filme de entretenimento, bom filme no geral. A premissa é bem batida, o roteiro também, mas as cenas de sobrevivência são instigantes e razoavelmente bem boladas. Muita coisa não só mentirosa(ganha o selo, quero um celular desses), as vezes até mal feita, forçadas pra cacete(oh, uma lata de sardinha, como não pensei nisso antes?), mas a gente compra, porque é um filme da era streaming e o negócio é o geralzão mesmo, sem pretensões de elogios técnicos. Os espanhóis colocam muito melodrama(tudo as vezes é novelizado), mas em compensação, tem alívio cômico certeiro, uma ação e um suspense bem construídos e envolventes e atuações convincentes. Gostei mesmo.