A violência mais brutal em relação aos antecessores foi o ponto alto do filme, então ainda que o terceiro ato seja um balde de água fria na cara do espectador, valeu a experiência — inclusive, com bons pulos na cadeira de quem estava na sessão.
Quer o romance da Emily Brontë, vá ler o romance. Vou separar minha análise em dois segmentos, um aos puristas da literatura e outro ao espectador que aprecia a experiência do cinema. Primeiramente: excelente perspectiva da diretora/roteirista Emerald Fennell para uma obra clássica já muito adaptada. Pelo trailer, pelo histórico da diretora e por alguns comentários como "50 tons de ...", eu esperava algo muito mais visual e explícito, mas não é: se mantém contido ainda que a tensão sexual esteja presente do primeiro ao último segundo de rodagem. E eu digo isso como alguém que já leu o livro mas sabe respeitar e, sobretudo, APRECIAR as diferentes visões criativas sobre determinada obra. Sou fã de Stephen King, um dos autores mais adaptados da literatura mundial, e a afirmação provém de uma vasta experiência ao assistir releituras totalmente questionáveis em relação ao texto do mestre, mas ainda assim com suas ressalvas positivas. Não há uma só perspectiva verdadeira de absolutamente nada na literatura — exceto a do próprio criador, que tende a se alterar também com o decorrer do tempo entre a publicação do texto e a releitura do mesmo texto em fase posterior da vida (vide "Sobre a Escrita", onde King relata um pouco sobre isso ao falar de seus livros mais icônicos escritos em um período de turbulência pessoal). Por fim, aos apreciadores de cinema, só comprem o ingresso e assistam, dialoguem e analisem — por vontade própria e de coração aberto — a obra. Em suma, posso dizer o seguinte: ao final da sessão, poucos se levantaram de imediato para sair da sala. Era só fungada de choro e um silêncio absurdo. Se isso não é impacto e experiência cinematográfica, eu não sei mais o que é. Dito isso, entre os lançamentos de fevereiro, com certeza um dos melhores do ano. Obrigado, Emerald Fennell e Warner.
Gosto do cinema autoral brasileiro. Ainda que, em geral, no gênero terror ficamos muito abaixo do nível de qualidade apresentado em filmes de terror B estrangeiros, aqui há um pulso diferente, um algo a mais circundando as cenas que torna a experiência mais incômoda e brutal. Vale a pena.
Começo a acreditar que "Hereditário" foi realmente um acerto de sorte. Na obra de estreia, Ari Aster foi grandioso, afinal, tempos depois a macabra cena que mudaria totalmente o tom de "Hereditário" ainda segue fresca na memória. Em "Midsommar", o acerto é em relevância menor, mas ainda um acerto. Em "Beau Tem Medo", a coisa desanda. Em "Eddington", ele ainda não conseguiu encontrar o ritmo certo perdido lá em Beau. É triste, mas é a verdade.
Heated Rivalry parte de um roteiro familiar ao gênero do romance, mas se destaca pela forma como eleva essa estrutura a um nível raramente visto na televisão. Desde o episódio piloto, a série estabelece uma relação marcada por desejo, rivalidade e contenção emocional, deixando claro que o desastre é menos uma possibilidade e mais um caminho inevitável. Ilya e Shane funcionam como forças opostas: de um lado, o pragmatismo emocional e a sobrevivência de um atleta moldado por pressões familiares e sociais; do outro, a descoberta gradual, idealizada e vulnerável de alguém que aprende a existir dentro do próprio desejo. É nesse contraste que a série encontra sua força. Ao longo de torneios e encontros fragmentados, os personagens constroem e derrubam barreiras internas impostas tanto por si mesmos quanto pelo ambiente hostil do esporte. Esse cuidado narrativo se estende às subtramas, com destaque para Scott e Kip, cuja trajetória breve, mas profundamente humana, culmina em um dos momentos mais emocionantes da temporada. Com ritmo seguro, trilha sonora precisa e um quinto episódio próximo da perfeição, Heated Rivalry transforma clichês em excelência e entrega um romance intenso, corajoso e profundamente humano — especial justamente por não tentar agradar a todos.
A estética surrada e gasta não funciona muito bem pra mim, porque aquele tom granulado e escuro quebra minha experiência positiva. Mas é um bom filme no geral, ainda que visualmente incômodo.
Filme pipoca bem clássico, para se divertir basta deixar o modo 'cinéfilo pnc' em casa e ir para o cinema. Selton Mello se divertindo demais, Anaconda bem fake (tal qual a do filme original), roteiro simples e comédia bobinha. Valeu a experiência.
"IT: Bem-Vindos a Derry" — Veredito Final: Uma premissa de patamar cósmico fomentada em uma construção de mundo bárbara.
Com um primeiro episódio primoroso e um 8º capítulo absurdamente engenhoso, "IT: Bem-Vindos A Derry" se estabelece como uma das maiores séries de 2025 — e não só do gênero, mas de todo o rol de lançamentos do ano. Elaborada de forma magistral e construída fio a fio, tecida com eventos do passado, presente e futuro, englobando tanto os filmes de 2017 e 2019 quanto parte do macroverso fantástico criado por Stephen King, a criação de Andy e Barbara Muschietti é um acerto em cheio, um produto que se provou de alto valor para os fãs e necessário para quem aprecia a magnum opus do autor. A série não expande apenas o material apresentado nos cinemas, ela vai muito além: explora e complementa as pequenas lacunas de toda a lore existente no material original, o livro de 1986. É grandiosa, sangrenta e emocionante, fortalecida por um elenco mirim tão talentoso em suas representações e tão humano em seus dramas pessoais que se tornou impossível, com o decorrer da série, não se apegar um pouco a cada criança — e mais impossível ainda não sentir a dor a cada perda. Até mesmo a subtrama dos militares, na tentativa clichê de controlar aquilo que está muito fora do alcance de qualquer arma humana, é interessante. E é interessante por um motivo muito específico: Dick Hallorann. É de arrepiar toda a condução ao redor do personagem e do dom (ou seria maldição?) que ele possui, e ainda não controla. Surpreende todos os pequenos fios que ligam esse mundo à "O Iluminado", mundo este que também solidificaria King como a voz mais poderosa da literatura moderna do horror estadunidense. "IT: Bem-Vindos A Derry" é uma espiral violenta que nos leva direto à boca da Coisa, mas sem nos tirar totalmente a esperança de que há, sim, um mundo pelo qual vale a pena lutar pelas crianças, um mundo no qual a escuridão não as toque completamente — seja a escuridão de uma entidade cósmica, seja a escuridão daqueles que perderam a humanidade. Rich, nosso gentleman, ainda que a sua morte tenha partido o coração dos fãs, a sua cena final acalentou um pouco esse mesmo coração quebrado. ❤️🩹
Bugonia é, para o thriller de ficção especulativa, aquilo que A Hora do Mal foi para o terror psicológico em 2025: um ponto fora da curva. Bugonia não é filme para quem busca alívio, conforto ou final feliz. Ele é rude, desconfortável, deliberadamente manipulador - e faz do horror psicológico e do humor negro uma mesma moeda. Se você topar entrar no caos que ele propõe, o resultado pode ser - ao mesmo tempo - fascinante e perturbador. É um dos melhores filmes de 2025: usa o grotesco, a paranoia e o conflito psicológico para escancarar medos contemporâneos - conspirações, alienação, desespero existencial e loucura coletiva. As atuações de Stone e Plemons, a trilha sonora inquietante e os diálogos nervosos sustentam o filme até o fim, tornando-o não apenas uma experiência de choque, mas um exercício de reflexão sobre nossa própria humanidade.
Queria vir aqui com um comentário mais enérgico, extasiado e feliz, mas infelizmente para mim "O Agente Secreto" não funcionou. Ainda assim, sou brasileiro, então caso venha a disputar alguma premiação de cinema, estarei lá torcendo pela obra.
Questionável a escolha quanto à abordagem de 'O Mágico de Oz', mas ainda assim mantém o mérito louvável do primeiro, encerrando o espetáculo com uma trilha sonora que brilha até na parte instrumental.
Mckenna Grace pode ter sido uma "ótima" atriz mirim, interpretando a versão criança de muitos personagens adultos protagonistas, mas tentar empurrar uma atriz sem carisma em um filme de romance, torna a experiência um tanto insatisfatória. Ainda assim, temos: o Mason Thames, sempre excelente; o Dave Franco, no papel de suporte que vêm desempenhando em basicamente todos os filmes que estreia; e a Allison Williams dando um respiro da M3gan. Em uma análise mais abrangente, não creio que a culpa da falta de química seja dos casais: o material de origem é muito medíocre. Como a Clara simplesmente não questionou o fato? Como ela só engoliu as coisas e se culpou? Sério, é uma fantasia muito irreal para o espectador abraçar a ideia. Dito isso, seria interessante ter cautela ao adaptar algumas obras mequetrefes — alguns autores simplesmente não merecem palco.
E vamos de "Bom Menino"🍿🎬 Novo filme de terror distribuído pela Paris Filmes e disponível no Brasil a partir de 30/10. 🐾 Um fllme de terror pioneiro e diferente de tudo que já vi — e olha que já vi muita coisa. É genuinamente angustiante ver as coisas da perspectiva do cachorro. O Indy, personagem canino e protagonista, é irretocável, enérgico e com olhos cheios de vida e emoção. Cada passagem dele faz o roteiro genérico ficar em segundo plano, ser menos notável, porque o animal traz vida a cada take. Mesmo com uma história simples, ainda dou créditos a alguns jumpscares bem feitos e duas ou três sequências sangrentas habilmente montadas, tudo aliado a uma trilha sonora incessante e tensa. Experiência fora do convencional e propícia para a data de Halloween. 🎃 A proposta não vai agradar a todos por ter a mesma pegada do filme "Presença" (também deste ano, que se passa sob a perspectiva da entidade que está na casa atormentando a família e dividiu opiniões de crítica especializada e público).
Absurdamente chocante esse piloto. Banho de sangue muito propício para o universo da Coisa, subvertendo as expectativas e elevando a régua para os próximos episódios que virão. Novamente a HBO torna as noites de domingo menos monótonas, salvando-as por 8 semanas.
Assim como em GoT não havia assunto para a 8ª temporada — aliás, havia, mas não sabiam como abordar e encaixar todas as peças — assim ocorre na segunda temporada de Ninguém Quer. A falta de ritmo reverbera em todos os bons momentos, prejudicando até a trilha sonora, que na primeira temporada tornava tudo mais fluido e colaborava com o drama do casal e dos personagens secundários. O desenvolvimento da Joanne é um dos mais esdrúxulos que já vi na tela, e o desenvolvimento do personagem do Brody é afogado pelas frequentes ações infantis e inconsequentes da contraparte dele em cena. Um desperdício, e vários culpados, tendo em vista que o roteiro e direção de cada um dos 10 episódios são feitos por muitas mãos diferentes, e isso sem dúvidas pode ter prejudicado a visão de cada responsável pelo todo. Assim sendo, se a primeira temporada faz sorrir, essa faz revirar os olhos.
A trilha sonora imersiva e o visual grandioso e frenético, aliados às duas boas menções à obra "Frankenstein", de Mary Shelley (sim, em um filme de ficção científica da Disney, isso é louvável) tornam o roteiro raso de Tron: Ares menos incômodo do que poderia ser.
Não é o Aronofsky que eu conheço, nem de longe. Esperar um filme comercial dele em alguma fase da carreira, eu até esperaria, mas esse é comercial em todos os aspectos possíveis, e essa falta da singularidade própria do diretor — basicamente a digital dele em todos os trabalhos — me causou estranheza.
Mais uma contribuição interessante no rol de adaptações do Roald Dahl — mente singular por trás de Matilda, Convenção das Bruxas, James e o Pêssego Gigante e A Fantástica Fábrica de Chocolates. Gosto de como ele consegue abordar muitos assuntos, à primeira vista complexos para mentes infantis, de um modo particularmente coeso e acessível. Vale conferir.
Cara de Um, Focinho de Outro
3.9 37É o 'Robô Selvagem' da Disney/Pixar, mas sem o refinamento minimalista e cirúrgico que teve na obra-prima da DreamWorks.
Pânico 7
2.7 361 Assista AgoraA violência mais brutal em relação aos antecessores foi o ponto alto do filme, então ainda que o terceiro ato seja um balde de água fria na cara do espectador, valeu a experiência — inclusive, com bons pulos na cadeira de quem estava na sessão.
O Morro dos Ventos Uivantes
2.9 179 Assista AgoraQuer o romance da Emily Brontë, vá ler o romance. Vou separar minha análise em dois segmentos, um aos puristas da literatura e outro ao espectador que aprecia a experiência do cinema.
Primeiramente: excelente perspectiva da diretora/roteirista Emerald Fennell para uma obra clássica já muito adaptada. Pelo trailer, pelo histórico da diretora e por alguns comentários como "50 tons de ...", eu esperava algo muito mais visual e explícito, mas não é: se mantém contido ainda que a tensão sexual esteja presente do primeiro ao último segundo de rodagem.
E eu digo isso como alguém que já leu o livro mas sabe respeitar e, sobretudo, APRECIAR as diferentes visões criativas sobre determinada obra. Sou fã de Stephen King, um dos autores mais adaptados da literatura mundial, e a afirmação provém de uma vasta experiência ao assistir releituras totalmente questionáveis em relação ao texto do mestre, mas ainda assim com suas ressalvas positivas.
Não há uma só perspectiva verdadeira de absolutamente nada na literatura — exceto a do próprio criador, que tende a se alterar também com o decorrer do tempo entre a publicação do texto e a releitura do mesmo texto em fase posterior da vida (vide "Sobre a Escrita", onde King relata um pouco sobre isso ao falar de seus livros mais icônicos escritos em um período de turbulência pessoal).
Por fim, aos apreciadores de cinema, só comprem o ingresso e assistam, dialoguem e analisem — por vontade própria e de coração aberto — a obra. Em suma, posso dizer o seguinte: ao final da sessão, poucos se levantaram de imediato para sair da sala. Era só fungada de choro e um silêncio absurdo. Se isso não é impacto e experiência cinematográfica, eu não sei mais o que é.
Dito isso, entre os lançamentos de fevereiro, com certeza um dos melhores do ano.
Obrigado, Emerald Fennell e Warner.
A Própria Carne
3.0 48 Assista AgoraGosto do cinema autoral brasileiro. Ainda que, em geral, no gênero terror ficamos muito abaixo do nível de qualidade apresentado em filmes de terror B estrangeiros, aqui há um pulso diferente, um algo a mais circundando as cenas que torna a experiência mais incômoda e brutal.
Vale a pena.
Eddington
3.1 107Começo a acreditar que "Hereditário" foi realmente um acerto de sorte.
Na obra de estreia, Ari Aster foi grandioso, afinal, tempos depois a macabra cena que mudaria totalmente o tom de "Hereditário" ainda segue fresca na memória. Em "Midsommar", o acerto é em relevância menor, mas ainda um acerto. Em "Beau Tem Medo", a coisa desanda. Em "Eddington", ele ainda não conseguiu encontrar o ritmo certo perdido lá em Beau.
É triste, mas é a verdade.
Rivalidade Ardente (1ª Temporada)
4.3 127 Assista AgoraHeated Rivalry parte de um roteiro familiar ao gênero do romance, mas se destaca pela forma como eleva essa estrutura a um nível raramente visto na televisão. Desde o episódio piloto, a série estabelece uma relação marcada por desejo, rivalidade e contenção emocional, deixando claro que o desastre é menos uma possibilidade e mais um caminho inevitável.
Ilya e Shane funcionam como forças opostas: de um lado, o pragmatismo emocional e a sobrevivência de um atleta moldado por pressões familiares e sociais; do outro, a descoberta gradual, idealizada e vulnerável de alguém que aprende a existir dentro do próprio desejo. É nesse contraste que a série encontra sua força.
Ao longo de torneios e encontros fragmentados, os personagens constroem e derrubam barreiras internas impostas tanto por si mesmos quanto pelo ambiente hostil do esporte. Esse cuidado narrativo se estende às subtramas, com destaque para Scott e Kip, cuja trajetória breve, mas profundamente humana, culmina em um dos momentos mais emocionantes da temporada.
Com ritmo seguro, trilha sonora precisa e um quinto episódio próximo da perfeição, Heated Rivalry transforma clichês em excelência e entrega um romance intenso, corajoso e profundamente humano — especial justamente por não tentar agradar a todos.
Extermínio
3.7 1,1K Assista AgoraA estética surrada e gasta não funciona muito bem pra mim, porque aquele tom granulado e escuro quebra minha experiência positiva. Mas é um bom filme no geral, ainda que visualmente incômodo.
Anaconda
2.5 249Filme pipoca bem clássico, para se divertir basta deixar o modo 'cinéfilo pnc' em casa e ir para o cinema. Selton Mello se divertindo demais, Anaconda bem fake (tal qual a do filme original), roteiro simples e comédia bobinha. Valeu a experiência.
Avatar: Fogo e Cinzas
3.5 282 Assista AgoraRecicla muito do que deu certo antes, mas é notável — antes era melhor.
It: Bem-Vindos a Derry (1ª Temporada)
4.1 362 Assista Agora"IT: Bem-Vindos a Derry" — Veredito Final: Uma premissa de patamar cósmico fomentada em uma construção de mundo bárbara.
Com um primeiro episódio primoroso e um 8º capítulo absurdamente engenhoso, "IT: Bem-Vindos A Derry" se estabelece como uma das maiores séries de 2025 — e não só do gênero, mas de todo o rol de lançamentos do ano.
Elaborada de forma magistral e construída fio a fio, tecida com eventos do passado, presente e futuro, englobando tanto os filmes de 2017 e 2019 quanto parte do macroverso fantástico criado por Stephen King, a criação de Andy e Barbara Muschietti é um acerto em cheio, um produto que se provou de alto valor para os fãs e necessário para quem aprecia a magnum opus do autor.
A série não expande apenas o material apresentado nos cinemas, ela vai muito além: explora e complementa as pequenas lacunas de toda a lore existente no material original, o livro de 1986.
É grandiosa, sangrenta e emocionante, fortalecida por um elenco mirim tão talentoso em suas representações e tão humano em seus dramas pessoais que se tornou impossível, com o decorrer da série, não se apegar um pouco a cada criança — e mais impossível ainda não sentir a dor a cada perda.
Até mesmo a subtrama dos militares, na tentativa clichê de controlar aquilo que está muito fora do alcance de qualquer arma humana, é interessante. E é interessante por um motivo muito específico: Dick Hallorann. É de arrepiar toda a condução ao redor do personagem e do dom (ou seria maldição?) que ele possui, e ainda não controla. Surpreende todos os pequenos fios que ligam esse mundo à "O Iluminado", mundo este que também solidificaria King como a voz mais poderosa da literatura moderna do horror estadunidense.
"IT: Bem-Vindos A Derry" é uma espiral violenta que nos leva direto à boca da Coisa, mas sem nos tirar totalmente a esperança de que há, sim, um mundo pelo qual vale a pena lutar pelas crianças, um mundo no qual a escuridão não as toque completamente — seja a escuridão de uma entidade cósmica, seja a escuridão daqueles que perderam a humanidade.
Rich, nosso gentleman, ainda que a sua morte tenha partido o coração dos fãs, a sua cena final acalentou um pouco esse mesmo coração quebrado. ❤️🩹
Bugonia
3.6 432 Assista AgoraBugonia é, para o thriller de ficção especulativa, aquilo que A Hora do Mal foi para o terror psicológico em 2025: um ponto fora da curva.
Bugonia não é filme para quem busca alívio, conforto ou final feliz.
Ele é rude, desconfortável, deliberadamente manipulador - e faz do horror psicológico e do humor negro uma mesma moeda. Se você topar entrar no caos que ele propõe, o resultado pode ser - ao mesmo tempo - fascinante e perturbador.
É um dos melhores filmes de 2025: usa o grotesco, a paranoia e o conflito psicológico para escancarar medos contemporâneos - conspirações, alienação, desespero existencial e loucura coletiva.
As atuações de Stone e Plemons, a trilha sonora inquietante e os diálogos nervosos sustentam o filme até o fim, tornando-o não apenas uma experiência de choque, mas um exercício de reflexão sobre nossa própria humanidade.
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraQueria vir aqui com um comentário mais enérgico, extasiado e feliz, mas infelizmente para mim "O Agente Secreto" não funcionou.
Ainda assim, sou brasileiro, então caso venha a disputar alguma premiação de cinema, estarei lá torcendo pela obra.
Wicked: Parte 2
3.4 144 Assista AgoraQuestionável a escolha quanto à abordagem de 'O Mágico de Oz', mas ainda assim mantém o mérito louvável do primeiro, encerrando o espetáculo com uma trilha sonora que brilha até na parte instrumental.
Se Não Fosse Você
2.9 69 Assista AgoraMckenna Grace pode ter sido uma "ótima" atriz mirim, interpretando a versão criança de muitos personagens adultos protagonistas, mas tentar empurrar uma atriz sem carisma em um filme de romance, torna a experiência um tanto insatisfatória.
Ainda assim, temos: o Mason Thames, sempre excelente; o Dave Franco, no papel de suporte que vêm desempenhando em basicamente todos os filmes que estreia; e a Allison Williams dando um respiro da M3gan.
Em uma análise mais abrangente, não creio que a culpa da falta de química seja dos casais: o material de origem é muito medíocre. Como a Clara simplesmente não questionou o fato? Como ela só engoliu as coisas e se culpou? Sério, é uma fantasia muito irreal para o espectador abraçar a ideia.
Dito isso, seria interessante ter cautela ao adaptar algumas obras mequetrefes — alguns autores simplesmente não merecem palco.
Terror em Shelby Oaks
2.4 78 Assista Agora"Terror em Shelby Oaks" tem uma primeira parte incrivelmente boa, ainda que o desenvolvimento da premissa seja questionável.
Bom Menino
2.9 158 Assista AgoraE vamos de "Bom Menino"🍿🎬 Novo filme de terror distribuído pela Paris Filmes e disponível no Brasil a partir de 30/10. 🐾
Um fllme de terror pioneiro e diferente de tudo que já vi — e olha que já vi muita coisa.
É genuinamente angustiante ver as coisas da perspectiva do cachorro.
O Indy, personagem canino e protagonista, é irretocável, enérgico e com olhos cheios de vida e emoção. Cada passagem dele faz o roteiro genérico ficar em segundo plano, ser menos notável, porque o animal traz vida a cada take.
Mesmo com uma história simples, ainda dou créditos a alguns jumpscares bem feitos e duas ou três sequências sangrentas habilmente montadas, tudo aliado a uma trilha sonora incessante e tensa.
Experiência fora do convencional e propícia para a data de Halloween. 🎃
A proposta não vai agradar a todos por ter a mesma pegada do filme "Presença" (também deste ano, que se passa sob a perspectiva da entidade que está na casa atormentando a família e dividiu opiniões de crítica especializada e público).
O cachorro não morre. 🐾❤️
It: Bem-Vindos a Derry (1ª Temporada)
4.1 362 Assista AgoraAbsurdamente chocante esse piloto. Banho de sangue muito propício para o universo da Coisa, subvertendo as expectativas e elevando a régua para os próximos episódios que virão.
Novamente a HBO torna as noites de domingo menos monótonas, salvando-as por 8 semanas.
Ninguém Quer (2ª Temporada)
3.3 51Assim como em GoT não havia assunto para a 8ª temporada — aliás, havia, mas não sabiam como abordar e encaixar todas as peças — assim ocorre na segunda temporada de Ninguém Quer.
A falta de ritmo reverbera em todos os bons momentos, prejudicando até a trilha sonora, que na primeira temporada tornava tudo mais fluido e colaborava com o drama do casal e dos personagens secundários.
O desenvolvimento da Joanne é um dos mais esdrúxulos que já vi na tela, e o desenvolvimento do personagem do Brody é afogado pelas frequentes ações infantis e inconsequentes da contraparte dele em cena.
Um desperdício, e vários culpados, tendo em vista que o roteiro e direção de cada um dos 10 episódios são feitos por muitas mãos diferentes, e isso sem dúvidas pode ter prejudicado a visão de cada responsável pelo todo.
Assim sendo, se a primeira temporada faz sorrir, essa faz revirar os olhos.
Os Novatos
2.9 71 Assista AgoraAh Mason, por que se meteu nisso?
Apesar de algumas boas sacadas cômicas, no geral é bem irregular — e mais do mesmo desses besteirois estudantis.
A Vizinha Perfeita
3.5 209 Assista AgoraExcelente documentário. Consternador.
Tron: Ares
2.8 148 Assista AgoraA trilha sonora imersiva e o visual grandioso e frenético, aliados às duas boas menções à obra "Frankenstein", de Mary Shelley (sim, em um filme de ficção científica da Disney, isso é louvável) tornam o roteiro raso de Tron: Ares menos incômodo do que poderia ser.
V/H/S/Halloween
2.6 103 Assista AgoraAlguns bons momentos, mas no geral é medíocre.
Ladrões
3.4 207 Assista AgoraNão é o Aronofsky que eu conheço, nem de longe.
Esperar um filme comercial dele em alguma fase da carreira, eu até esperaria, mas esse é comercial em todos os aspectos possíveis, e essa falta da singularidade própria do diretor — basicamente a digital dele em todos os trabalhos — me causou estranheza.
Os Pestes
2.6 11 Assista AgoraMais uma contribuição interessante no rol de adaptações do Roald Dahl — mente singular por trás de Matilda, Convenção das Bruxas, James e o Pêssego Gigante e A Fantástica Fábrica de Chocolates.
Gosto de como ele consegue abordar muitos assuntos, à primeira vista complexos para mentes infantis, de um modo particularmente coeso e acessível. Vale conferir.