Assisti Sicário e gostei muito da construção do filme. A tensão é mantida com muita engenhosidade pelo diretor. Mesmo não havendo tiroteio a todo o momento, ele constrói tudo de uma forma que a gente sente a tensão no ar, quase palpável. O filme transforma situações aparentemente banais, como uma espera ou uma viagem de carro, em momentos de enorme tensão. A sequência da fronteira é um ótimo exemplo disso: quase nada acontece durante boa parte da cena, mas o enquadramento, o silêncio, o comportamento dos agentes e a sensação de que existe alguma coisa errada fazem com que tudo pareça prestes a explodir.
Claro que, para isso, ele também precisa usar um certo preconceito que os americanos têm com os mexicanos. O México é tratado quase como um planeta diferente, como a última fronteira, um território próximo geograficamente, mas completamente estrangeiro para os personagens americanos. A própria Kate entra naquele mundo como alguém que não entende as regras e percebe progressivamente que as regras às quais estava acostumada simplesmente não se aplicam ali.
Obs: ao ver essa cena me peguei pensando imediatamente no livro do Acemoglu, Por que as nações fracassam. Ele mostra como duas cidades tão próximas são tão diferentes justamente por conta da influência institucional. No filme, é quase uma ilustração dessa tese.
Também há aquele clima de conspiração no ar, especialmente quando várias pessoas de agências do governo aparecem sem dar informações, mas dando ordens, invadindo países estrangeiros e atuando contra a lei para garantir seus objetivos. O filme cria muito bem a sensação de que existem forças enormes operando por trás daquilo que estamos vendo e que os personagens comuns não têm acesso a todas as informações. A fotografia ajuda muito nisso.
Adorei a fotografia subexposta do filme. Me lembrou Roger Deakins, e achei muito semelhante à de Onde os Fracos Não Têm Vez. Não é apenas uma questão de ser uma fotografia escura: há grandes áreas de sombra, pouca informação visual e uma sensação constante de que os personagens estão entrando em lugares que não conseguem compreender completamente. Isso combina perfeitamente com a própria narrativa, porque o espectador também está sempre tentando entender quem está comandando o quê e quais são os verdadeiros objetivos daquela operação.
Obs 2: O Diretor de Fotografia realmente é o Roger Deakins. Acertei! Seu estilo é muito característico. Me lembra a fotografia do Kubrick, mas usando mais 'low-key' nas áreas escuras.
Por fim, fica a crítica ao protagonismo dos dois homens principais. Eles parecem servir para satisfazer o fetiche do homem médio de se ter um protagonista poderoso e infalível para resolver todos os problemas. Alejandro, principalmente, é quase uma figura mitológica. Ele sabe tudo, prevê tudo, mata com facilidade, conhece as regras daquele mundo e parece sempre estar alguns passos à frente de todo mundo. Há algo muito próximo da fantasia de competência absoluta de personagens como John Wick ou Dominic Toretto.
Nisso eu achei o filme fraco. Ele chega muito perto de fazer uma crítica interessante às instituições, à guerra contra as drogas e à atuação clandestina do Estado, mas acaba concentrando esse poder em dois indivíduos extraordinários. Se ele tivesse bebido mais na fonte de *The Wire* e inserido conflitos institucionais reais, tirando o peso do mocinho e colocando o peso nas instituições, aí sim teria sido um filme foda. Em *The Wire*, ninguém consegue simplesmente resolver o problema porque o problema é maior do que qualquer indivíduo. Polícia, tráfico, política, burocracia e interesses econômicos formam uma máquina na qual cada personagem é apenas uma peça. *Sicário* chega perto dessa ideia, mas acaba personificando essa máquina em Matt e Alejandro.
A personagem principal é interessante. Ela e o negro são os únicos personagens realmente realistas. Kate é confusa, assustada, limitada pelas próprias instituições e tenta compreender aquilo que está acontecendo. Reggie também parece um profissional de verdade, com limitações e conflitos próprios. O problema é que, por serem realistas diante de dois personagens à la Dominic Toretto/John Wick, eles perdem brilho. Parecem servir mais para destacar a artificialidade dos dois.
Isso cria uma contradição interessante no filme: ele constrói muito bem a ideia de que existem forças institucionais enormes e clandestinas operando acima dos indivíduos, mas, quando chega a hora de resolver os conflitos, entrega o protagonismo justamente aos indivíduos mais extraordinários. Alejandro e Matt acabam funcionando quase como a manifestação humana dessa máquina institucional.
Talvez por isso eu tenha gostado tanto da direção e menos de algumas escolhas do roteiro. Formalmente, *Sicário* é extremamente sofisticado. Ele sabe construir tensão, atmosfera e sensação de perigo como poucos filmes. Mas seus protagonistas masculinos acabam simplificando uma história que poderia ser muito mais complexa se o verdadeiro protagonista fosse o próprio sistema que eles representam.
Eu não gostei do filme. O assunto histórico me parece interessante (7 pessoas acusadas e condenadas num tribunal parcial), mas o filme é confuso, corrido e dedica pouco tempo a explicar o que realmente aconteceu.
Eu tive dificuldade para entender quem eram vários dos personagens, inclusive alguns políticos e integrantes do governo. O filme apresenta muitos nomes sem contextualizá-los. Também achei a passagem do tempo mal construída: vários dias de julgamento se sucedem sem que fique claro quanto tempo passou. Os flashbacks pouco ajudam na elucidação.
A montagem também me incomodou. O filme alterna entre muitos núcleos pouco relevantes para a narrativa principal: o julgamento, os diferentes acusados, os Panteras Negras, Fred Hampton, a promotoria, o governo Nixon e os protestos...
No fim, fiquei com a impressão de que o filme pressupõe que eu já conheça boa parte do contexto histórico. Eu gostaria que ele explicasse melhor os protestos de Chicago, a Convenção Democrata de 1968, quem eram os acusados, por que foram processados juntos e qual era exatamente a importância política do julgamento.
O mais frustrante é que o acontecimento em si parece muito interessante: envolve repressão política, Guerra do Vietnã, movimentos sociais, liberdade de protesto e um julgamento que também se transformou em disputa política.
O problema do filme é a montagem e a forma como optou por contar a história. Ele não se preocupa em explicar o ocorrido, quem eram os manifestantes e o contexto político nacional. Eles partem apenas para as discussões no tribunal, sem contextualização suficiente. E não fazem isso por economia de tempo, já que gastam preciosos minutos abordando tramas irrelevantes para a história (Panteras Negras, discussões entre os membros, flashbacks desnecessários, discussões fora do tribunal, stand-up de um dos membros etc.). Além disso, essas várias tramas sobrepostas atrapalham a compreensão do filme.
Não acho que seja um filme memorável porque pouco contribui para a compreensão do evento que ocorreu em Chicago. É mais uma dramatização do fato para os que já conhecem a história.
Não sei qual nota dar porque estou frustrado. Mas claramente não é um filme nota 4, tampouco nota 1. Eu acho que merece nota 2 porque ele tem boas competências: bons atores, boa fotografia, direção de arte e etc. Mas é confuso, cansativo, chato e pouco informativo.
Achei o filme muito cômico e leve para a dimensão que o acontecimento teve na realidade. Não dá para sentir o peso institucional da decisão de montar um Tribunal de Exceção, nem o drama e o conflito que aquela decisão deveria trazer. Tudo é tratado de forma muito simples, rápida, caricata e humorística. O filme parece incapaz de deixar uma situação simplesmente pesar sobre o espectador.
Também sinto que o filme não convida o espectador a questionar nada. Ele já pressupõe (ou trabalha para que) o espectador seja contra os nazistas de maneira quase automática. Os crimes nazistas não eliminam a dimensão política e jurídica da decisão de criar um tribunal dessa natureza. Pelo contrário: justamente por ser uma decisão extraordinária, tomada pelas potências vencedoras sobre uma nação recém-derrotada, ela deveria carregar conflitos, questionamentos, divergências e discussões. Deveria haver pessoas discordando sobre como aquilo deveria ser feito, países com interesses diferentes, preocupações com os precedentes que estavam sendo criados e discussões sobre o próprio significado daquela justiça.
E essa talvez seja uma das coisas que mais senti falta: qual é, afinal, o peso dos Julgamentos de Nuremberg para a história e para as instituições humanas? O que estava sendo criado ali? Que concepção de responsabilidade internacional estava surgindo? O que aquilo significava para a soberania dos Estados e para a possibilidade de responsabilizar indivíduos por crimes cometidos em nome de um governo? O filme poderia transformar essas questões em parte do próprio drama, mas praticamente não sinto essa dimensão.
Em compensação, há aquilo que parece ser a velha fórmula dos filmes sobre o nazismo: mostrar os crimes, mostrar a perseguição e a injustiça cometidas contra os judeus na Alemanha e utilizar essas imagens para estabelecer imediatamente a posição moral do espectador. Isso é importante historicamente, evidentemente, mas aqui parece substituir a discussão que eu esperava encontrar. O filme mostra por que os nazistas eram criminosos, mas não parece interessado em discutir o problema extraordinário de como os vencedores deveriam julgá-los.
E tudo isso é feito utilizando as velhas ferramentas dos thrillers hollywoodianos. Os personagens são extremamente brilhantes e competentes, as conversas parecem cuidadosamente construídas para revelar a importância histórica do que está acontecendo, e surgem aqueles monólogos entre personagens-chave, isolados em estacionamentos ou outros lugares, nos quais alguém explica a magnitude das decisões que estão sendo tomadas. A cena não deixa a importância nascer da situação; alguém precisa verbalizá-la para o espectador.
Por isso, mesmo quando o filme está dizendo que estamos diante de um momento decisivo da história, eu não sinto que estou diante dele. Sinto que o filme está constantemente me dizendo que aquilo é importante.
Eu esperava um filme sobre um acontecimento histórico extraordinário, no qual a própria criação do tribunal fosse uma fonte de tensão e incerteza. Encontrei um thriller histórico que utiliza Nuremberg como matéria-prima para uma narrativa muito mais familiar: personagens brilhantes, confrontos psicológicos, diálogos de efeito, momentos de humor, cenas de revelação e imagens destinadas a produzir uma reação moral específica.
O resultado é que o filme parece querer me ensinar que Nuremberg foi importante, em vez de me fazer compreender por que Nuremberg foi importante.
Em suma, o filme é uma história de indivíduos, não de um sistema maior. Isso faz com que ele perca o brilho e a capacidade de discutir o nazismo, imperialismo, limites do judiciário e da liberdade. Até quando é válido impor tribunais de exceção para julgar crimes? Como fazer? Por que a Alemanha é julgada por esses crimes, mas países aliados não? URSS e EUA cometeram crimes contra civis, mas passam impunes. Nada disso é tratado e nem se levantam questionamentos sobre isso no final.
E, sinceramente, acho que o filme errou muito ao deixar de focar na dimensão histórica, política, filosófica e humanística do Holocausto, da Guerra e do Tribunal para focar numa história pessoal de um psicólogo contra um general nazista. Ao fazer isso, transforma uma questão política, jurídica e filosófica em um thriller de personagens.
Talvez essa decisão tenha me feito desgostar do filme desde o início, ou talvez tenham sido todas as convenções de gênero (as piadas, cortes rápidos, personagens estereotipados e desnecessários, conversas desnecessárias ou autoexplicativas, montagem clichê, arquétipos batidos de heróis e vilões, a necessidade de impor uma opinião ao espectador e não de fazê-lo construir a sua própria) que me fizeram não engajar nele.
Todas essas questões me fizeram achá-lo muito parecido com o filme Os 7 de Chicago, que também narra um acontecimento interessante e importante, mas que perde a chance de trazer discussões reais para a mesa e, ao contrário, decide montar um filme menor, focado em indivíduos específicos, gags, humor, cortes rápidos... tentativas de suavizar o tema para o grande público, ao invés de fazer um filme sólido para gente grande. É um desperdício.
Achei penoso assistir, já estava cansado pela metade.
A única cena boa é o próprio julgamento do final. Se o filme tivesse focado nisso, teria sido ótimo.
Pensando comigo, lembrei do filme Argentina, 1985, que também dependia da dupla de personagens, mas que conseguia mostrar um peso muito maior daquele julgamento naquela sociedade. Também mostrou que, apesar do peso, o filme conseguia usar humor comedido sem estragar a experiência, o que esse Nuremberg não soube fazer.
Vou tentar o Julgamentos de Nuremberg (1967) e ver se ele conseguiu fazer diferente.
É um filme agradável e fácil de assistir, bem na pegada de sessão da tarde. Gostei do plot twist, mas não acho que o nível de complexidade da trama justifique a nota tão alta.
O ponto fortíssimo do filme fica para a fotografia, que está excelente e remete a um filme de época.
Adorei o filme. Inicialmente é apenas uma história de professor e pupilo, mostrando como o rapaz Moncho passa a aprender cada vez mais com seu professor da escola. Ao longo da obra somos apresentados a outros arcos interessantes e a aspectos políticos da época, mas tudo tangencialmente, como se era de esperar que seria a visão de um menino sobre esses assuntos.
Vemos também como alguns personagens republicanos são tratados após a vitória do Governo fascista franquista, e como a intolerância é passada às futuras gerações sem muita dificuldade.
Esse filme nas mãos de Alfonso Cuarón teria sido uma joia, mas a direção e roteiro de Alex Garland deixaram muito a desejar. Como é sua terceira obra dirigida que assisto, creio que eu não goste de sua direção, pois da trilogia 28 Days Later eu sou fã.
Quanto ao filme: é uma obra de quase 2h tratando sobre uma nova Guerra Civil nos EUA do ponto de vista de um grupo de jornalistas que parte para entrevistar o Presidente dos EUA antes que ele perca a guerra. A história ocorre durante o trajeto, com alguns momentos de combate documentados pelos jornalistas. Mas a maior parte do filme é uma longa contemplação sem recompensa.
De tudo nesse filme, eu só ressaltaria a fotografia, a ambientação e atuação de Wagner Moura e Kirsten Dunst. Nem mesmo o mundo criado, que parece ser muito interessante, foi bem explorado. Como disse anteriormente, um roteiro mais bem trabalhado e a direção na mão de Alfonso Cuarón poderia transformar essa numa obra prima.
P.S. O que me espanta é que eu gosto muito de fotojornalismo, mas nem isso salvou a obra para mim. Recomendaria assistir ao documentário sobre Sebastião Salgado ou Chris Hondros, que pelo menos engajam e apresentam muitas ótimas fotografias.
Esse é um dos poucos filmes que considero perfeitos!
A obra tem uma premissa simples, mas por ser tão bem executada coloca o filme em meu panteão.
Gosto muito de como a violência é crua e visceral, sem enrolação, sem dó dos personagens... além disso, a construção do mundo é tão bem feita e orgânica que nem parece que é um filme de ficção, mas sim um documentário.
Contudo, o que me fez considerá-lo uma obra prima é sua mensagem: a crítica a governos fascistas e autoritários, a desumanização dos estrangeiros para favorecer uma visão de predominância nacional, a total impiedade dos grupos "humanistas" com os outros e por aí vai.
É uma obra futurística muito pé no chão, muito bem executada, e que mais parece um documentário dos dias de hoje.
é para mim um dos melhores filmes já feitos pois mostra qual o verdadeiro objetivo do cinema: chocar, alertar e criticar.
Diferentemente dos filmes de guerra modernos, que são mais idealizadores, neste filme a violência é crua e visceral. Assistir até o final requer estômago. E ao final a mensagem do filme é muito bem compreendida e aceita: a guerra é um inferno, e nós deveríamos evitá-la a todo custo.
Por conta disso, dou nota total a essa obra. Nenhum filme que assisti conseguiu esse feito de demonstrar o peso da guerra e de defender o pacifismo como esse.
Filme com boa temática (casos extraconjugais e erotismo) e com roteiro até que bastante decente - embora batido e não busque inovar muito (dona de casa com ótima família passa a se envolver romanticamente, marido desconfia, contrata detetive e coisa do gênero).
Meu problema com o filme se concentrou principalmente nos seguintes pontos:
1) direção, que busca criar um drama exagerada e desnecessariamente triste e melancólico;
2) comportamento ambivalente da personagem principal (toda hora em que está com o amante, reclama que o que faz é errado e que precisam parar de se envolver, mas logo depois estão se envolvendo mais e cada vez mais explicitamente);
3) Personagens secundários unidimensionais e genéricos (esposo bonzinho e correto por quem a esposa não sente atração vs amante rebelde, francês e culto que a faz sentir tesão a todo o tempo);
4) Roteiro não busca inovar ou explorar os personagens e a situação familiar num contexto de traição.
Conclusão: o filme busca usar da tensão das traições e cenas de nudez para gerar entretenimento e se esquece de todos os outros pontos que poderiam fazê-lo uma obra memorável.
É como um filme do Woody Allen, mas sem tempero ou ambição. Me lembrou também um De Olhos Bem Fechados diluído e com apreço pelas convenções do gênero romântico.
No fim, é um filme não memorável que poderia ser muito melhor trabalho por algum diretor que apresentasse a história de forma mais crua e natural. No que diz respeito ao roteiro, apesar de minha crítica, eu gostei do desfecho à là Woody Allen. Gostaria de ver uma edição mais dinâmica e estilizada dessa obra.
Por fim, não recomendaria; mas a quem busca um filme unidimensional e fácil de assistir, pode ser um prato cheio.
Menções honrosas: instrumental de Exit Movie do Radiohead.
Fiquei na dúvida se dava 4, ou se dava 3 estrelas + 1 coração.
O filme narra a história de um casal que passa a viver juntos após comprarem uma terra muito cara que precisa ser paga através do cultivo de alimentos, no interior gaúcho. Gostei bastante da ambientação do filme e da atuação da maioria dos atores, embora tenha achado a atuação de Alexandre Paternost um pouco morna e a de Gloria Pires bastante sofrida.
A primeira parte do filme é muito boa, mas ele fica muito arrastado da metade para frente, o que compromete bastante a pontuação da obra. Minha principal crítica é
[/spoiler] que trabalharam bem os dois personagens mais interessantes do filme para retirá-los na metade da obra, deixando o restante do filme a ser executado pelos dois personagens mais sem graça e com atuação mais precária. [spoiler]
É um filme regular. O ritmo é lento e no terceiro ato a coisa degringola um pouco (o diretor segue para um caminho trash, destoando do terror psicológico da maior parte do filme).
Gostei bastante da fotografia, montagem e trilha sonora. Os personagens são caricaturados, mas não incomodam.
Senti uma certa inspiração na figura de Dorian Gray (alguém muito belo que chama a atenção de todos e que ao descobri-lo se corrompe), mas não passou de impressão pois a personagem não vai a lugar algum.
Dou nota 2 (regular). Existem filmes melhores para ver antes.
P.S. me lembrou bastante de Last Night in Soho do Edgar Wright que, embora não seja bom, é mais bem construído que esse.
Eu gostei bastante do filme. A história não é nova, mas a montagem e direção de arte chamam muito a atenção, o que elevam a nota dessa obra. Até a metade, é um filme incrível, mas daí em diante fica um pouco arrastado. Ainda sim, eu recomendo.
Posterguei anos para assistí-lo e quando o fiz ficava doido para acabar. Não é ruim, mas está muito longe de merecer essa pontuação elevada que tem.
A história fala de um presidiário que finge ser louco para ser internado em uma clínica psiquiátrica e lá ele faz amizades e infringe regras. Ele vai enfrentar resistência dos funcionários da clínica, assim como da enfermeira responsável. É um filme ok.
Vou começar pela 1) minha opinião e em seguida 2) o resumo do filme (sem spoilers). Ao final, 3) sugiro um texto para ler antes de assistir ao filme.
1) Minha opinião:
Adorei o filme! O que mais se destacou foram os aspectos técnicos: a atuação, a fotografia que simulava as (ou realmente é de) câmeras analógicas, os cortes fechados, o uso das lentes com alta distância focal, a estética dos anos 1970 em toda a sua glória (figurinos e cortes de cabelo rs) e o ritmo vagaroso, mas inebriante, que faz parecer que algo mais sinistro se esconde sob a superfície.
Confesso que achei a obra longa, ainda mais pelo fato da história ser confusa e difícil de pegar na primeira assistida; mas eu gostei, simplesmente gostei. Para mim, esse só não se tornou a referência para filmes de espionagem pelo roteiro ainda muito hermético. Acho que faria bem ser um pouco mais expositivo, mas a história sem muita ação e tiroteio (à là Cassino Royale) merece ser aplaudida.
Porém, se o filme não ganha como referência do gênero, merece ser destacado como uma obra magnífica do cinema. Acho que o único filme recente que se assemelha a este no quesito mise-en-scène é Argo (2012), que segue um pouco mais de perto os cânones cinematográficos e com isso peca um pouco mais que este filme.
2) Resumo do filme (com poucos e necessários spoilers)
A obra irá se passa no ano de 1973 com funcionários do serviço secreto britânico, popularmente conhecido como MI6 mas que nesse filme é referido como 'Circus'. O chefe da corporação, conhecido pelo codinome 'Control', descobre que há um espião soviético infiltrado em sua corporação e precisa identificá-lo. Para isso, ele envia um de seus agentes mais confiáveis à Hungria para colher informações com um ex-general soviético (nessa época, havia um clima de tensão entre a Hungria e a URSS devido aos levantes conhecidos como 'Primavera de Praga'), mas as coisas fogem ao controle, o que gera um incidente diplomático.
Com isso, 'Control' é afastado do seu cargo e ele é substituído por outro agente, conhecido como 'Tinker', que passa a encabeçar uma missão secreta conhecida como 'Witchcraft' que consiste em ter um agente-duplo, chamado 'Karla', trabalhando em Moscou.
Depois de sabermos disso, somos apresentados ao protagonista, chamado Smiley, que é contratado por um membro do Governo Britânico para investigar um suposto espião infiltrado no 'Circus' (assim como 'Control' suspeitava). Posteriormente, passa a investigar os 5 principais suspeitos que 'Control' identificou: 1) Tinker, 2) Tailor, 3) Soldier, 4) Poor Man e o 5) Spy.
A historia se desdobrará sobre esses fatos. Smiley irá tentar descobrir por que o agente foi para Hungria, por que foi baleado, o que houve com ele e qual era sua missão; daí em diante, vai descobrindo muito mais coisas, novos personagens serão adicionados e ele vai se enfiando cada vez mais no atoleiro.
Lembre-se que Smiley ama sua ex-esposa Ann.
3) Antes de assistir ao filme, leia essa resenha do Filipe Ferraz no site Cine Opinativo: https://cineopinativo.wordpress.com/2012/01/13/critica-o-espiao-que-sabia-demais-2011/
Depois de assistir, caso não tenha entendido muito, leia outra resenha do mesmo autor: https://cineopinativo.wordpress.com/2012/01/17/coluna-entendendo-o-espiao-que-sabia-demais/
O filme possui uma boa mise-en-scene, um roteiro interessante e uma trama legal, mas não sei se foram os atores ou o desenvolvimento de alguns personagens que deixou a desejar. No mais, um bom filme.
É um filme fraco. Tem boas ideias, mas não gostei da execução. Os personagens são caricatos e pouco explorados, como o amante, a mãe ou o marido. Não senti a química entre o amante e a personagem principal, assim como não me convenceu o seu affair. O final, conforme outros filmes do Woody, foge às convenções, mas foi mal executado.
Faz um tempinho que eu vi, mas o filme conseguiu me prender, tirando algumas partes. No geral, a história é bastante regular (beirando o ruim), mas o personagem principal é cativante por algum motivo. A história da moça não fez sentido nenhum pra mim. Merecia um 2/5 mas darei 3/5 porque acho que vale a pena ser visto.
É um filme difícil. Como segue um proselitismo religioso bem superficial, não há discussões aprofundadas que realmente façam o telespectador questionar qualquer aspecto da metafísica e da espiritualidade, é basicamente o que se ouviria de qualquer religioso nas ruas ou de um pastor em uma igreja: constatações subjetivas sobre a realidade, mas que dificilmente mudariam a forma de pensar de um ateu ou adepto de outra religião.
Aspectos técnicos: roteiro fraco e genérico. As atuações são engessadas e parecem de um clipe musical. A música não fede nem cheira e a montagem não é das melhores. Há várias histórias acontecendo simultaneamente e no final parece que algumas ficaram soltas.
Além disso, há uma visão deturpada dos ateus e de outras culturas. A jovem muçulmana apanhando do pai por estar escutando a bíblia é caso de polícia, não de religião. Além de ser estranho ela apanhar porque acha que Jesus é o messias, sendo que o Islã até concorda com isso.
O que me pegou mesmo foi a caracterização deturpada dos ateus, representados pelo professor babaca, que na verdade era um crente que tinha raiva de deus. Toda a proposta do filme se perde por conta disso, já que em momento algum do filme vemos um ateu de fato.
Eu daria 2 por ser um filme mediocre, mas a representação negativa de outras culturas, dos ateus e até da esquerda (naquela garota bonita e burra que passa a acreditar em Deus quando está com câncer) não me desceu.
Sinceramente, por que esse filme foi tão aclamado?
Uma das melhores séries que conheci se tornou um emaranhado de ideias boas e execução ruim (ou seria o contrário?). O final serviu para enterrar de vez a história. Me deixou com um gosto ruim na boca e uma sensação de que desperdiçei horas preciosas da minha vida. Recomendo assistir até o episódio 6 da terceira temporada. Depois disso, a série descamba legal (embora tenham episódios que sejam bacanas).
O filme é uma tentativa do cinema brasileiro, por isso acho interessante a tentativa de entrarem no drama erótico.
Sobre o filme: a. A história é bem clichê, padrão novela da globo e não é tão bem construída. A história tenta abarcar muita coisa e tudo parece estar correndo. 2/5 b. A fotografia é bem legal, acho que é um dos pontos fortes. 4/5. c. A atuação é bem variável. Em certas partes é boa, em outras ruim. Depende também de quais atores estamos falando. Os principais são melhores que os coadjuvantes, mas no geral são todos bem ruins. Eu dou um 2/5. d. O pior ao meu ver é a edição. Seja na hora de colocar músicas (que fica muito forçado), seja na montagem de várias cenas (em q nenhuma consegue ser aprofundada ou realista o suficiente, tudo me parece uma caricatura). 1/5
Pontos positivos: fotografia, cenas de sexo são legais, atores bonitos.
Nota final: 2,25/5 arrendado pra 2/5. Classificação final: regular.
É um terror folk com boa fotografia e uma incapacidade em manter um ritmo que não lhe ponha a dormir. Tive que assistir em 1,35x.
Acho que o filme poderia ter tido uma introdução muito menor e reduzido certas passagens desnecessárias. Facilmente poderia ter sido reduzido a apenas 80 ou 90 minutos.
Aspectos positivos: - folk horror, lembrando A Vila - fotografia bonita, fugindo ao genero de terror
Aspectos negativos: - ritmo extremamente lento - história não empolga
Uma grata surpresa. Tentei assisti-lo antes e não consegui por conta desse jogo de câmera estranho e pela fotografia péssima (o contraste foi realçado por tê-lo visto após o meu predileto - Manhattan). Desta vez, desceu legal. Assistimos eu e minha a noiva no dia 17 de setembro de 2023.
O filme fala sobre um casal que decide se separar e como isso desestabiliza a vida de seus amigos (interpretados por Allen e Farrow). A obra é ótima, trazendo bons diálogos e questionamentos que já me peguei pensando se eram só coisa minha. O desejo pelo novo, o peso da rotina, a força do companheirismo e até as atitudes passivo-agressivas me deixaram bem interessados pelo filme.
Recomendo, principalmente aos que gostaram de Manhattan, Annie Hall e Hannah e suas Irmãs.
P.S. O filme me lembrou bastante de Eyes Wide Shut do Kubrick. Após decidir assisti-lo novamente, constatei a presença do Sydney Pollack também nesta obra, embora seja posterior àquela.
Sicario: Terra de Ninguém
3.7 972Assisti Sicário e gostei muito da construção do filme. A tensão é mantida com muita engenhosidade pelo diretor. Mesmo não havendo tiroteio a todo o momento, ele constrói tudo de uma forma que a gente sente a tensão no ar, quase palpável. O filme transforma situações aparentemente banais, como uma espera ou uma viagem de carro, em momentos de enorme tensão. A sequência da fronteira é um ótimo exemplo disso: quase nada acontece durante boa parte da cena, mas o enquadramento, o silêncio, o comportamento dos agentes e a sensação de que existe alguma coisa errada fazem com que tudo pareça prestes a explodir.
Claro que, para isso, ele também precisa usar um certo preconceito que os americanos têm com os mexicanos. O México é tratado quase como um planeta diferente, como a última fronteira, um território próximo geograficamente, mas completamente estrangeiro para os personagens americanos. A própria Kate entra naquele mundo como alguém que não entende as regras e percebe progressivamente que as regras às quais estava acostumada simplesmente não se aplicam ali.
Obs: ao ver essa cena me peguei pensando imediatamente no livro do Acemoglu, Por que as nações fracassam. Ele mostra como duas cidades tão próximas são tão diferentes justamente por conta da influência institucional. No filme, é quase uma ilustração dessa tese.
Também há aquele clima de conspiração no ar, especialmente quando várias pessoas de agências do governo aparecem sem dar informações, mas dando ordens, invadindo países estrangeiros e atuando contra a lei para garantir seus objetivos. O filme cria muito bem a sensação de que existem forças enormes operando por trás daquilo que estamos vendo e que os personagens comuns não têm acesso a todas as informações. A fotografia ajuda muito nisso.
Adorei a fotografia subexposta do filme. Me lembrou Roger Deakins, e achei muito semelhante à de Onde os Fracos Não Têm Vez. Não é apenas uma questão de ser uma fotografia escura: há grandes áreas de sombra, pouca informação visual e uma sensação constante de que os personagens estão entrando em lugares que não conseguem compreender completamente. Isso combina perfeitamente com a própria narrativa, porque o espectador também está sempre tentando entender quem está comandando o quê e quais são os verdadeiros objetivos daquela operação.
Obs 2: O Diretor de Fotografia realmente é o Roger Deakins. Acertei! Seu estilo é muito característico. Me lembra a fotografia do Kubrick, mas usando mais 'low-key' nas áreas escuras.
Por fim, fica a crítica ao protagonismo dos dois homens principais. Eles parecem servir para satisfazer o fetiche do homem médio de se ter um protagonista poderoso e infalível para resolver todos os problemas. Alejandro, principalmente, é quase uma figura mitológica. Ele sabe tudo, prevê tudo, mata com facilidade, conhece as regras daquele mundo e parece sempre estar alguns passos à frente de todo mundo. Há algo muito próximo da fantasia de competência absoluta de personagens como John Wick ou Dominic Toretto.
Nisso eu achei o filme fraco. Ele chega muito perto de fazer uma crítica interessante às instituições, à guerra contra as drogas e à atuação clandestina do Estado, mas acaba concentrando esse poder em dois indivíduos extraordinários. Se ele tivesse bebido mais na fonte de *The Wire* e inserido conflitos institucionais reais, tirando o peso do mocinho e colocando o peso nas instituições, aí sim teria sido um filme foda. Em *The Wire*, ninguém consegue simplesmente resolver o problema porque o problema é maior do que qualquer indivíduo. Polícia, tráfico, política, burocracia e interesses econômicos formam uma máquina na qual cada personagem é apenas uma peça. *Sicário* chega perto dessa ideia, mas acaba personificando essa máquina em Matt e Alejandro.
A personagem principal é interessante. Ela e o negro são os únicos personagens realmente realistas. Kate é confusa, assustada, limitada pelas próprias instituições e tenta compreender aquilo que está acontecendo. Reggie também parece um profissional de verdade, com limitações e conflitos próprios. O problema é que, por serem realistas diante de dois personagens à la Dominic Toretto/John Wick, eles perdem brilho. Parecem servir mais para destacar a artificialidade dos dois.
Isso cria uma contradição interessante no filme: ele constrói muito bem a ideia de que existem forças institucionais enormes e clandestinas operando acima dos indivíduos, mas, quando chega a hora de resolver os conflitos, entrega o protagonismo justamente aos indivíduos mais extraordinários. Alejandro e Matt acabam funcionando quase como a manifestação humana dessa máquina institucional.
Talvez por isso eu tenha gostado tanto da direção e menos de algumas escolhas do roteiro. Formalmente, *Sicário* é extremamente sofisticado. Ele sabe construir tensão, atmosfera e sensação de perigo como poucos filmes. Mas seus protagonistas masculinos acabam simplificando uma história que poderia ser muito mais complexa se o verdadeiro protagonista fosse o próprio sistema que eles representam.
Os 7 de Chicago
4.0 590 Assista AgoraEu não gostei do filme. O assunto histórico me parece interessante (7 pessoas acusadas e condenadas num tribunal parcial), mas o filme é confuso, corrido e dedica pouco tempo a explicar o que realmente aconteceu.
Eu tive dificuldade para entender quem eram vários dos personagens, inclusive alguns políticos e integrantes do governo. O filme apresenta muitos nomes sem contextualizá-los. Também achei a passagem do tempo mal construída: vários dias de julgamento se sucedem sem que fique claro quanto tempo passou. Os flashbacks pouco ajudam na elucidação.
A montagem também me incomodou. O filme alterna entre muitos núcleos pouco relevantes para a narrativa principal: o julgamento, os diferentes acusados, os Panteras Negras, Fred Hampton, a promotoria, o governo Nixon e os protestos...
No fim, fiquei com a impressão de que o filme pressupõe que eu já conheça boa parte do contexto histórico. Eu gostaria que ele explicasse melhor os protestos de Chicago, a Convenção Democrata de 1968, quem eram os acusados, por que foram processados juntos e qual era exatamente a importância política do julgamento.
O mais frustrante é que o acontecimento em si parece muito interessante: envolve repressão política, Guerra do Vietnã, movimentos sociais, liberdade de protesto e um julgamento que também se transformou em disputa política.
O problema do filme é a montagem e a forma como optou por contar a história. Ele não se preocupa em explicar o ocorrido, quem eram os manifestantes e o contexto político nacional. Eles partem apenas para as discussões no tribunal, sem contextualização suficiente. E não fazem isso por economia de tempo, já que gastam preciosos minutos abordando tramas irrelevantes para a história (Panteras Negras, discussões entre os membros, flashbacks desnecessários, discussões fora do tribunal, stand-up de um dos membros etc.). Além disso, essas várias tramas sobrepostas atrapalham a compreensão do filme.
Não acho que seja um filme memorável porque pouco contribui para a compreensão do evento que ocorreu em Chicago. É mais uma dramatização do fato para os que já conhecem a história.
Não sei qual nota dar porque estou frustrado. Mas claramente não é um filme nota 4, tampouco nota 1.
Eu acho que merece nota 2 porque ele tem boas competências: bons atores, boa fotografia, direção de arte e etc. Mas é confuso, cansativo, chato e pouco informativo.
Nuremberg
3.6 101 Assista AgoraAchei o filme muito cômico e leve para a dimensão que o acontecimento teve na realidade. Não dá para sentir o peso institucional da decisão de montar um Tribunal de Exceção, nem o drama e o conflito que aquela decisão deveria trazer. Tudo é tratado de forma muito simples, rápida, caricata e humorística. O filme parece incapaz de deixar uma situação simplesmente pesar sobre o espectador.
Também sinto que o filme não convida o espectador a questionar nada. Ele já pressupõe (ou trabalha para que) o espectador seja contra os nazistas de maneira quase automática. Os crimes nazistas não eliminam a dimensão política e jurídica da decisão de criar um tribunal dessa natureza. Pelo contrário: justamente por ser uma decisão extraordinária, tomada pelas potências vencedoras sobre uma nação recém-derrotada, ela deveria carregar conflitos, questionamentos, divergências e discussões. Deveria haver pessoas discordando sobre como aquilo deveria ser feito, países com interesses diferentes, preocupações com os precedentes que estavam sendo criados e discussões sobre o próprio significado daquela justiça.
E essa talvez seja uma das coisas que mais senti falta: qual é, afinal, o peso dos Julgamentos de Nuremberg para a história e para as instituições humanas? O que estava sendo criado ali? Que concepção de responsabilidade internacional estava surgindo? O que aquilo significava para a soberania dos Estados e para a possibilidade de responsabilizar indivíduos por crimes cometidos em nome de um governo? O filme poderia transformar essas questões em parte do próprio drama, mas praticamente não sinto essa dimensão.
Em compensação, há aquilo que parece ser a velha fórmula dos filmes sobre o nazismo: mostrar os crimes, mostrar a perseguição e a injustiça cometidas contra os judeus na Alemanha e utilizar essas imagens para estabelecer imediatamente a posição moral do espectador. Isso é importante historicamente, evidentemente, mas aqui parece substituir a discussão que eu esperava encontrar. O filme mostra por que os nazistas eram criminosos, mas não parece interessado em discutir o problema extraordinário de como os vencedores deveriam julgá-los.
E tudo isso é feito utilizando as velhas ferramentas dos thrillers hollywoodianos. Os personagens são extremamente brilhantes e competentes, as conversas parecem cuidadosamente construídas para revelar a importância histórica do que está acontecendo, e surgem aqueles monólogos entre personagens-chave, isolados em estacionamentos ou outros lugares, nos quais alguém explica a magnitude das decisões que estão sendo tomadas. A cena não deixa a importância nascer da situação; alguém precisa verbalizá-la para o espectador.
Por isso, mesmo quando o filme está dizendo que estamos diante de um momento decisivo da história, eu não sinto que estou diante dele. Sinto que o filme está constantemente me dizendo que aquilo é importante.
Eu esperava um filme sobre um acontecimento histórico extraordinário, no qual a própria criação do tribunal fosse uma fonte de tensão e incerteza. Encontrei um thriller histórico que utiliza Nuremberg como matéria-prima para uma narrativa muito mais familiar: personagens brilhantes, confrontos psicológicos, diálogos de efeito, momentos de humor, cenas de revelação e imagens destinadas a produzir uma reação moral específica.
O resultado é que o filme parece querer me ensinar que Nuremberg foi importante, em vez de me fazer compreender por que Nuremberg foi importante.
Em suma, o filme é uma história de indivíduos, não de um sistema maior. Isso faz com que ele perca o brilho e a capacidade de discutir o nazismo, imperialismo, limites do judiciário e da liberdade. Até quando é válido impor tribunais de exceção para julgar crimes? Como fazer? Por que a Alemanha é julgada por esses crimes, mas países aliados não? URSS e EUA cometeram crimes contra civis, mas passam impunes. Nada disso é tratado e nem se levantam questionamentos sobre isso no final.
E, sinceramente, acho que o filme errou muito ao deixar de focar na dimensão histórica, política, filosófica e humanística do Holocausto, da Guerra e do Tribunal para focar numa história pessoal de um psicólogo contra um general nazista. Ao fazer isso, transforma uma questão política, jurídica e filosófica em um thriller de personagens.
Talvez essa decisão tenha me feito desgostar do filme desde o início, ou talvez tenham sido todas as convenções de gênero (as piadas, cortes rápidos, personagens estereotipados e desnecessários, conversas desnecessárias ou autoexplicativas, montagem clichê, arquétipos batidos de heróis e vilões, a necessidade de impor uma opinião ao espectador e não de fazê-lo construir a sua própria) que me fizeram não engajar nele.
Todas essas questões me fizeram achá-lo muito parecido com o filme Os 7 de Chicago, que também narra um acontecimento interessante e importante, mas que perde a chance de trazer discussões reais para a mesa e, ao contrário, decide montar um filme menor, focado em indivíduos específicos, gags, humor, cortes rápidos... tentativas de suavizar o tema para o grande público, ao invés de fazer um filme sólido para gente grande. É um desperdício.
Achei penoso assistir, já estava cansado pela metade.
A única cena boa é o próprio julgamento do final. Se o filme tivesse focado nisso, teria sido ótimo.
Pensando comigo, lembrei do filme Argentina, 1985, que também dependia da dupla de personagens, mas que conseguia mostrar um peso muito maior daquele julgamento naquela sociedade. Também mostrou que, apesar do peso, o filme conseguia usar humor comedido sem estragar a experiência, o que esse Nuremberg não soube fazer.
Vou tentar o Julgamentos de Nuremberg (1967) e ver se ele conseguiu fazer diferente.
Entre Facas e Segredos
4.0 1,5K Assista AgoraÉ um filme agradável e fácil de assistir, bem na pegada de sessão da tarde.
Gostei do plot twist, mas não acho que o nível de complexidade da trama justifique a nota tão alta.
O ponto fortíssimo do filme fica para a fotografia, que está excelente e remete a um filme de época.
A Língua das Mariposas
4.2 226 Assista AgoraAdorei o filme. Inicialmente é apenas uma história de professor e pupilo, mostrando como o rapaz Moncho passa a aprender cada vez mais com seu professor da escola. Ao longo da obra somos apresentados a outros arcos interessantes e a aspectos políticos da época, mas tudo tangencialmente, como se era de esperar que seria a visão de um menino sobre esses assuntos.
Vemos também como alguns personagens republicanos são tratados após a vitória do Governo fascista franquista, e como a intolerância é passada às futuras gerações sem muita dificuldade.
Guerra Civil
3.5 656 Assista AgoraEsse filme nas mãos de Alfonso Cuarón teria sido uma joia, mas a direção e roteiro de Alex Garland deixaram muito a desejar. Como é sua terceira obra dirigida que assisto, creio que eu não goste de sua direção, pois da trilogia 28 Days Later eu sou fã.
Quanto ao filme: é uma obra de quase 2h tratando sobre uma nova Guerra Civil nos EUA do ponto de vista de um grupo de jornalistas que parte para entrevistar o Presidente dos EUA antes que ele perca a guerra. A história ocorre durante o trajeto, com alguns momentos de combate documentados pelos jornalistas. Mas a maior parte do filme é uma longa contemplação sem recompensa.
De tudo nesse filme, eu só ressaltaria a fotografia, a ambientação e atuação de Wagner Moura e Kirsten Dunst. Nem mesmo o mundo criado, que parece ser muito interessante, foi bem explorado. Como disse anteriormente, um roteiro mais bem trabalhado e a direção na mão de Alfonso Cuarón poderia transformar essa numa obra prima.
P.S. O que me espanta é que eu gosto muito de fotojornalismo, mas nem isso salvou a obra para mim. Recomendaria assistir ao documentário sobre Sebastião Salgado ou Chris Hondros, que pelo menos engajam e apresentam muitas ótimas fotografias.
Filhos da Esperança
3.9 969 Assista AgoraEsse é um dos poucos filmes que considero perfeitos!
A obra tem uma premissa simples, mas por ser tão bem executada coloca o filme em meu panteão.
Gosto muito de como a violência é crua e visceral, sem enrolação, sem dó dos personagens... além disso, a construção do mundo é tão bem feita e orgânica que nem parece que é um filme de ficção, mas sim um documentário.
Contudo, o que me fez considerá-lo uma obra prima é sua mensagem: a crítica a governos fascistas e autoritários, a desumanização dos estrangeiros para favorecer uma visão de predominância nacional, a total impiedade dos grupos "humanistas" com os outros e por aí vai.
É uma obra futurística muito pé no chão, muito bem executada, e que mais parece um documentário dos dias de hoje.
Vá e Veja
4.5 809é para mim um dos melhores filmes já feitos pois mostra qual o verdadeiro objetivo do cinema: chocar, alertar e criticar.
Diferentemente dos filmes de guerra modernos, que são mais idealizadores, neste filme a violência é crua e visceral. Assistir até o final requer estômago. E ao final a mensagem do filme é muito bem compreendida e aceita: a guerra é um inferno, e nós deveríamos evitá-la a todo custo.
Por conta disso, dou nota total a essa obra. Nenhum filme que assisti conseguiu esse feito de demonstrar o peso da guerra e de defender o pacifismo como esse.
Infidelidade
3.4 496 Assista AgoraFilme com boa temática (casos extraconjugais e erotismo) e com roteiro até que bastante decente - embora batido e não busque inovar muito (dona de casa com ótima família passa a se envolver romanticamente, marido desconfia, contrata detetive e coisa do gênero).
Meu problema com o filme se concentrou principalmente nos seguintes pontos:
1) direção, que busca criar um drama exagerada e desnecessariamente triste e melancólico;
2) comportamento ambivalente da personagem principal (toda hora em que está com o amante, reclama que o que faz é errado e que precisam parar de se envolver, mas logo depois estão se envolvendo mais e cada vez mais explicitamente);
3) Personagens secundários unidimensionais e genéricos (esposo bonzinho e correto por quem a esposa não sente atração vs amante rebelde, francês e culto que a faz sentir tesão a todo o tempo);
4) Roteiro não busca inovar ou explorar os personagens e a situação familiar num contexto de traição.
Conclusão: o filme busca usar da tensão das traições e cenas de nudez para gerar entretenimento e se esquece de todos os outros pontos que poderiam fazê-lo uma obra memorável.
É como um filme do Woody Allen, mas sem tempero ou ambição. Me lembrou também um De Olhos Bem Fechados diluído e com apreço pelas convenções do gênero romântico.
No fim, é um filme não memorável que poderia ser muito melhor trabalho por algum diretor que apresentasse a história de forma mais crua e natural. No que diz respeito ao roteiro, apesar de minha crítica, eu gostei do desfecho à là Woody Allen. Gostaria de ver uma edição mais dinâmica e estilizada dessa obra.
Por fim, não recomendaria; mas a quem busca um filme unidimensional e fácil de assistir, pode ser um prato cheio.
Menções honrosas: instrumental de Exit Movie do Radiohead.
[spoiler][/spoiler]
O Quatrilho
3.2 157Fiquei na dúvida se dava 4, ou se dava 3 estrelas + 1 coração.
O filme narra a história de um casal que passa a viver juntos após comprarem uma terra muito cara que precisa ser paga através do cultivo de alimentos, no interior gaúcho. Gostei bastante da ambientação do filme e da atuação da maioria dos atores, embora tenha achado a atuação de Alexandre Paternost um pouco morna e a de Gloria Pires bastante sofrida.
A primeira parte do filme é muito boa, mas ele fica muito arrastado da metade para frente, o que compromete bastante a pontuação da obra. Minha principal crítica é
[/spoiler] que trabalharam bem os dois personagens mais interessantes do filme para retirá-los na metade da obra, deixando o restante do filme a ser executado pelos dois personagens mais sem graça e com atuação mais precária. [spoiler]
Demônio de Neon
3.2 1,2K Assista AgoraÉ um filme regular. O ritmo é lento e no terceiro ato a coisa degringola um pouco (o diretor segue para um caminho trash, destoando do terror psicológico da maior parte do filme).
Gostei bastante da fotografia, montagem e trilha sonora. Os personagens são caricaturados, mas não incomodam.
Senti uma certa inspiração na figura de Dorian Gray (alguém muito belo que chama a atenção de todos e que ao descobri-lo se corrompe), mas não passou de impressão pois a personagem não vai a lugar algum.
Dou nota 2 (regular). Existem filmes melhores para ver antes.
P.S. me lembrou bastante de Last Night in Soho do Edgar Wright que, embora não seja bom, é mais bem construído que esse.
Drácula de Bram Stoker
4.0 1,4K Assista AgoraEu gostei bastante do filme. A história não é nova, mas a montagem e direção de arte chamam muito a atenção, o que elevam a nota dessa obra. Até a metade, é um filme incrível, mas daí em diante fica um pouco arrastado. Ainda sim, eu recomendo.
Um Estranho no Ninho
4.4 1,8KPosterguei anos para assistí-lo e quando o fiz ficava doido para acabar. Não é ruim, mas está muito longe de merecer essa pontuação elevada que tem.
A história fala de um presidiário que finge ser louco para ser internado em uma clínica psiquiátrica e lá ele faz amizades e infringe regras. Ele vai enfrentar resistência dos funcionários da clínica, assim como da enfermeira responsável. É um filme ok.
O Espião que Sabia Demais
3.4 753 Assista AgoraVou começar pela 1) minha opinião e em seguida 2) o resumo do filme (sem spoilers). Ao final, 3) sugiro um texto para ler antes de assistir ao filme.
1) Minha opinião:
Adorei o filme! O que mais se destacou foram os aspectos técnicos: a atuação, a fotografia que simulava as (ou realmente é de) câmeras analógicas, os cortes fechados, o uso das lentes com alta distância focal, a estética dos anos 1970 em toda a sua glória (figurinos e cortes de cabelo rs) e o ritmo vagaroso, mas inebriante, que faz parecer que algo mais sinistro se esconde sob a superfície.
Confesso que achei a obra longa, ainda mais pelo fato da história ser confusa e difícil de pegar na primeira assistida; mas eu gostei, simplesmente gostei. Para mim, esse só não se tornou a referência para filmes de espionagem pelo roteiro ainda muito hermético. Acho que faria bem ser um pouco mais expositivo, mas a história sem muita ação e tiroteio (à là Cassino Royale) merece ser aplaudida.
Porém, se o filme não ganha como referência do gênero, merece ser destacado como uma obra magnífica do cinema. Acho que o único filme recente que se assemelha a este no quesito mise-en-scène é Argo (2012), que segue um pouco mais de perto os cânones cinematográficos e com isso peca um pouco mais que este filme.
2) Resumo do filme (com poucos e necessários spoilers)
A obra irá se passa no ano de 1973 com funcionários do serviço secreto britânico, popularmente conhecido como MI6 mas que nesse filme é referido como 'Circus'. O chefe da corporação, conhecido pelo codinome 'Control', descobre que há um espião soviético infiltrado em sua corporação e precisa identificá-lo. Para isso, ele envia um de seus agentes mais confiáveis à Hungria para colher informações com um ex-general soviético (nessa época, havia um clima de tensão entre a Hungria e a URSS devido aos levantes conhecidos como 'Primavera de Praga'), mas as coisas fogem ao controle, o que gera um incidente diplomático.
Com isso, 'Control' é afastado do seu cargo e ele é substituído por outro agente, conhecido como 'Tinker', que passa a encabeçar uma missão secreta conhecida como 'Witchcraft' que consiste em ter um agente-duplo, chamado 'Karla', trabalhando em Moscou.
Depois de sabermos disso, somos apresentados ao protagonista, chamado Smiley, que é contratado por um membro do Governo Britânico para investigar um suposto espião infiltrado no 'Circus' (assim como 'Control' suspeitava). Posteriormente, passa a investigar os 5 principais suspeitos que 'Control' identificou: 1) Tinker, 2) Tailor, 3) Soldier, 4) Poor Man e o 5) Spy.
A historia se desdobrará sobre esses fatos. Smiley irá tentar descobrir por que o agente foi para Hungria, por que foi baleado, o que houve com ele e qual era sua missão; daí em diante, vai descobrindo muito mais coisas, novos personagens serão adicionados e ele vai se enfiando cada vez mais no atoleiro.
Lembre-se que Smiley ama sua ex-esposa Ann.
3) Antes de assistir ao filme, leia essa resenha do Filipe Ferraz no site Cine Opinativo: https://cineopinativo.wordpress.com/2012/01/13/critica-o-espiao-que-sabia-demais-2011/
Depois de assistir, caso não tenha entendido muito, leia outra resenha do mesmo autor: https://cineopinativo.wordpress.com/2012/01/17/coluna-entendendo-o-espiao-que-sabia-demais/
Tiros na Broadway
3.8 128 Assista grátisO filme possui uma boa mise-en-scene, um roteiro interessante e uma trama legal, mas não sei se foram os atores ou o desenvolvimento de alguns personagens que deixou a desejar. No mais, um bom filme.
Tiros na Broadway
3.8 128 Assista grátisQual é a da onda dos perfis estranhos postando um amontoado de ideias sem sentido e chamando isso de análise?
Golpe de Sorte em Paris
3.3 72 Assista AgoraÉ um filme fraco. Tem boas ideias, mas não gostei da execução. Os personagens são caricatos e pouco explorados, como o amante, a mãe ou o marido. Não senti a química entre o amante e a personagem principal, assim como não me convenceu o seu affair. O final, conforme outros filmes do Woody, foge às convenções, mas foi mal executado.
Sexo, Mentiras e Videotape
3.7 257Faz um tempinho que eu vi, mas o filme conseguiu me prender, tirando algumas partes. No geral, a história é bastante regular (beirando o ruim), mas o personagem principal é cativante por algum motivo. A história da moça não fez sentido nenhum pra mim. Merecia um 2/5 mas darei 3/5 porque acho que vale a pena ser visto.
Deus Não Está Morto
2.8 1,4K Assista AgoraÉ um filme difícil. Como segue um proselitismo religioso bem superficial, não há discussões aprofundadas que realmente façam o telespectador questionar qualquer aspecto da metafísica e da espiritualidade, é basicamente o que se ouviria de qualquer religioso nas ruas ou de um pastor em uma igreja: constatações subjetivas sobre a realidade, mas que dificilmente mudariam a forma de pensar de um ateu ou adepto de outra religião.
Aspectos técnicos: roteiro fraco e genérico. As atuações são engessadas e parecem de um clipe musical. A música não fede nem cheira e a montagem não é das melhores. Há várias histórias acontecendo simultaneamente e no final parece que algumas ficaram soltas.
Além disso, há uma visão deturpada dos ateus e de outras culturas. A jovem muçulmana apanhando do pai por estar escutando a bíblia é caso de polícia, não de religião. Além de ser estranho ela apanhar porque acha que Jesus é o messias, sendo que o Islã até concorda com isso.
O que me pegou mesmo foi a caracterização deturpada dos ateus, representados pelo professor babaca, que na verdade era um crente que tinha raiva de deus. Toda a proposta do filme se perde por conta disso, já que em momento algum do filme vemos um ateu de fato.
Eu daria 2 por ser um filme mediocre, mas a representação negativa de outras culturas, dos ateus e até da esquerda (naquela garota bonita e burra que passa a acreditar em Deus quando está com câncer) não me desceu.
Sinceramente, por que esse filme foi tão aclamado?
Mr. Robot (4ª Temporada)
4.6 371Uma das melhores séries que conheci se tornou um emaranhado de ideias boas e execução ruim (ou seria o contrário?). O final serviu para enterrar de vez a história. Me deixou com um gosto ruim na boca e uma sensação de que desperdiçei horas preciosas da minha vida. Recomendo assistir até o episódio 6 da terceira temporada. Depois disso, a série descamba legal (embora tenham episódios que sejam bacanas).
O Lado Bom de Ser Traída
1.8 163 Assista AgoraO filme é uma tentativa do cinema brasileiro, por isso acho interessante a tentativa de entrarem no drama erótico.
Sobre o filme:
a. A história é bem clichê, padrão novela da globo e não é tão bem construída. A história tenta abarcar muita coisa e tudo parece estar correndo. 2/5
b. A fotografia é bem legal, acho que é um dos pontos fortes. 4/5.
c. A atuação é bem variável. Em certas partes é boa, em outras ruim. Depende também de quais atores estamos falando. Os principais são melhores que os coadjuvantes, mas no geral são todos bem ruins. Eu dou um 2/5.
d. O pior ao meu ver é a edição. Seja na hora de colocar músicas (que fica muito forçado), seja na montagem de várias cenas (em q nenhuma consegue ser aprofundada ou realista o suficiente, tudo me parece uma caricatura). 1/5
Pontos positivos: fotografia, cenas de sexo são legais, atores bonitos.
Nota final: 2,25/5 arrendado pra 2/5. Classificação final: regular.
Midsommar: O Mal Não Espera a Noite
3.6 2,9K Assista AgoraÉ um terror folk com boa fotografia e uma incapacidade em manter um ritmo que não lhe ponha a dormir. Tive que assistir em 1,35x.
Acho que o filme poderia ter tido uma introdução muito menor e reduzido certas passagens desnecessárias. Facilmente poderia ter sido reduzido a apenas 80 ou 90 minutos.
Aspectos positivos:
- folk horror, lembrando A Vila
- fotografia bonita, fugindo ao genero de terror
Aspectos negativos:
- ritmo extremamente lento
- história não empolga
Horror em Amityville
3.2 816O iluminado mal feito. Não vale a pena.
Maridos e Esposas
3.9 108Uma grata surpresa. Tentei assisti-lo antes e não consegui por conta desse jogo de câmera estranho e pela fotografia péssima (o contraste foi realçado por tê-lo visto após o meu predileto - Manhattan). Desta vez, desceu legal. Assistimos eu e minha a noiva no dia 17 de setembro de 2023.
O filme fala sobre um casal que decide se separar e como isso desestabiliza a vida de seus amigos (interpretados por Allen e Farrow). A obra é ótima, trazendo bons diálogos e questionamentos que já me peguei pensando se eram só coisa minha. O desejo pelo novo, o peso da rotina, a força do companheirismo e até as atitudes passivo-agressivas me deixaram bem interessados pelo filme.
Recomendo, principalmente aos que gostaram de Manhattan, Annie Hall e Hannah e suas Irmãs.
P.S. O filme me lembrou bastante de Eyes Wide Shut do Kubrick. Após decidir assisti-lo novamente, constatei a presença do Sydney Pollack também nesta obra, embora seja posterior àquela.