Eu creio que o que assisti foi uma metáfora certeira sobre as pressões que nós colocamos nas mulheres quando elas se tornam mães. A condução da trama é genial — não consigo encontrar outra palavra —, ao provocar o público a encarar a filha apenas depois de quase duas horas de filme, lembrando que o nascimento não pressupõe a invisibilidade dos problemas dessa mulher. O estigma da mãe forte, "que aguenta tudo" e "carrega o mundo nas costas" ganha aqui um tom quase surrealista, mas muito palpável. Algumas pessoas chegaram a dizer que tem um "humor mórbido ". Pois bem: onde? Não há nada engraçado aqui. Pelo contrário, temos neste filme uma narrativa potetente, provocadora e dilacerante que exige silêncio, empatia e autoconsciência. Eu estou impactado.
Na escrita criativa, nós temos o chamado "este de Bechdel", uma forma de avaliar se aquela obra tem representatividade feminina de fato. O teste tem três regras básicas:
1) Ter duas ou mais mulheres — no mínimo duas personagens femininas que tenham nomes e relevância dentro da obra.
2) Conversar entre si — essas personagens precisam dialogar uma com a outra em algum momento da trama.
3) Não falar sobre homens — o assunto da conversa entre elas não pode ser sobre um homem (ou relacionamentos com homens).
E "Red" passa de forma linda! Que filmaço! Sério: acho que poucas vezes me diverti tanto com uma animação. Sabe quando você vai assistindo e de repente se flagra sorrindo? Não por algo engraçado, mas um riso bobo, sutil, instintivo; um riso de "Cara, estou feliz vendo isso". Uau!
Mei é cativante demais. Domee Shi é uma diretora que sabe traduzir emoções sem soar melodramática (vide o filme "Elio" e o encantador curta-metragem "Bao") e aqui em "Red" ela conseguiu falar sobre adolescência, menstruação, sororidade, vontade de ser quem se é, tudo de modo que nos abraça, conforta, afaga, silencia.
Como muitos abaixo perceberam, este filme deveria ter mais reconhecimento. Em meio a tantas obras bobas e rasas, em meio à um mundo tão violento e com seus homens brutalizados em performances de masculinidade, "Red" é uma ode à empatia. Maravilhoso filme!
Amei a metáfora sobre o modo como o capitalismo nos consome, seduz, mas, no fundo, só quer nos f*der. Narrativamente, isso chamou muito a minha atenção. Algo que sempre insisto nas aulas de escrita é que as pessoas precisam dar camadas, entrelinhas, subtextos para o que escrevem. Portanto, foi o que encontrei aqui. Agora, pensando pelo lado da dinâmica do filme, confesso que eu fiquei com eles até por uns 2/3 do longa. Depois, eu comecei a pensar:
"Hum, isso tá indo para um lado óbvio..."
Ouso dizer (querendo dar uma de editor de filme, veja só! KKKKKKKK) que parte disso foi por causa do final.
Eu preferia que tivesse acabado quando ela dá uma tacada de golfe na cabeça do Bradley. Seria massa! Aí, subiriam os créditos e, só depois, quase no final de tudo, antes de aparecer os nomes dos dubladores, aí sim entraria a cena dela recuperada.
Simbolicamente, creio que isso também seria uma mensagem de "essas corporações querem que você consuma tudo rápido, mas, para quem espera e silencia, há um bônus para a vida" — que seria, aí sim, aquela mensagem final.
Apesar desse detalhe, eu me diverti muito. Linda é uma personagem dúbia, cheia de mistérios, que vai se revelando a cada cena. Esquisita? Sim. Mas essa característica a torna, para mim, ainda mais incrível. Bradley me irritou como deveria e achei a atução do Dylan O'Brien encaixada. Eu olhava para os olhos dele e percebia o grande FDP que estava ali. A dinâmica entre eles funcionou. Os efeitos visuais foram outra grata surpresa. Somado a esse ponto, o gênero do filme foi mantido até o final, com todo aquele tempero bizarro do Sam Raimi.
Mas vou te dizer uma coisa: fiquei curioso para ver esse filme, essa mesma premissa, sob a ótica polêmica do Lars Von Trier.
Um grande filme que, para mim, foi se perdendo ao longo do percurso. Ouso dizer que eu editaria FÁCIL os 15 minutos finais para agilizar a entrada do que realmente importa: a cena final "de verdade". Algo que notei é como a trama funcionou para mim enquanto estava na parte da sedução vampírica, ancestralidade, misticismo, música, blues... F*DA! Mas aí, quando entra a ação... Logo pensei:
"Ah, não! Virou um filme qualquer..."
Entende o ponto? O longa te promete uma coisa com aquele começo, algo mais misterioso, uma penumbra, com todo o jogo musical — a cena do Pastorzinho tocando 🤯🤯🤯 Caraca! Só que descamba pro comum, mais do mesmo, zona de conforto.
Não é ruim. Particularmente, achei melhor do que o porre do "Uma Batalha Após a Outra". Contudo, a narrativa foi me perdendo a medida em que se aproximava do "fim" — ainda bem, teve um fôlego depois.
Agora, Michael B. Jordan. O que é isso, meu filho? Impressionante. E a trilha sonora (soundtrack) estupenda. Entre trancos e barrancos, valeu a pena. Terminei inspirado.
Eu gostei especialmente de dois pontos. Primeiro, a tensão. Nossa, como eu fiquei tenso! Desde a primeira cena, já existe um clima estranho. O escalonamento da situação, a sucessão de erros da diretoria, a noção de que aquilo virou um barril de pólvora... Em certo momento, percebi que eu estava na ponta da cadeira, com a testa franzida e segurando a respiração. Pela Carla, é claro, mas também por já ter testemunhado casos semelhantes ao meu redor.
Para mim, foi uma dor palpável.
Em segundo lugar, preciso destacar o silêncio do filme. Em muitas cenas, o diretor aposta no olhar, no suspiro, na completa mudez. Como sempre insisto no campo da escrita criativa, nunca devemos esquecer que os silêncios contam tantas — ou até mais — histórias que o texto ali presente. Aqui, em “A Sala dos Professores”, o que encontrei foi a personalidade desses personagens, alimentada pelas entrelinhas e pelo subtexto presente na trama.
Isso possui uma riqueza incomparável.
No final das contas, creio que, apesar do contexto alemão, este é o tipo de filme que conversa com muitos de nós — ouso até dizer com todos. Lembro-me de uma entrevista da icônica Elke Maravilha em que ela disse algo que ficou gravado em minha mente: “Escola é para instruir; educação se aprende em casa”. Eu vivenciei e vivencio isso na prática e, de certo modo, o filme toca exatamente nessa ferida.
Confesso que fiquei p*** de raiva ao pensar que gastei R$20 alugando esse filme. Sinceramente, não funcionou para mim. Algo que sempre falo em relação aos livros é que, se você pega uma obra, lê alguns capítulos, pulas uns 5 ou 6, e a história continua a fazer sentido, significa que aquela narrativa tem o que chamamos de "barriga": informações que só estão ali para fazer volume. Em um filme, quando você enche o saco depois de 1 hora assistindo, pula 40 minutos, e a história continua a fazer sentido como se você não tivesse perdido nada, é um grande indício de que há algo estranho nessa narrativa.
Foi o que vivenciei aqui.
Tudo bem, não posso ser hipócrita de não enaltecer a parte técnica. Nesse sentido, é um filme absurdo, sem dúvida. A cena da perseguição é diferenciada e gera tensão. Na minha opinião fecal, entra fácil para o rol de cenas icônicas do cinema. Agora, minha imersão ficou restrita a isso.
Beleza, as atuações são boas, mas Leonardo DiCaprio não me desce. Sério. Não consigo vê-lo em um papel que não seja... o Leonardo DiCaprio! Todos os personagens são as mesmas expressões, a mesma passada de mão no cabelo, o mesmo olho tremendo, a mesma suspirada... De fato, creio que boa parte do meu ranço com o filme veio dele. Por sorte, tive Sean Penn, Benicio Del Toro e Chase Infiniti para dar uma balanceada, senão, se o filme fosse só ele, só sendo um urso para aguentar — opa, já tivemos essa experiência, não?
Funciona como sátira? Funciona. Ainda mais em um país que está flertando com uma autocracia, "Uma Batalha Após a Outra" é uma provocação que mostra ao mundo — e aos próprios estadunidenses — a m*rda que está acontecendo nos Estados Unidos. Porém, a meu ver, mesmo esse ponto positivo meio que se perdeu devido ao problema narrativo que citei acima.
No fim das contas, na minha experiência, soou como um filme com uma proposta f*da que se perdeu ao tentar fazer algo épico.
Em 2017, quando Viola Davis ganhou o Oscar de Atriz Coadjuvante pelo filme “Um Limite entre Nós” (2016), a artista citou o escritor August Wilson, cuja peça teatral inspirou o filme. Durante seu discurso de agradecimento, Viola disse:
[...] existe um lugar onde estão reunidas todas as pessoas de grande potencial. Existe um lugar, e é o cemitério. As pessoas sempre me perguntam: Viola, que tipo de histórias você quer contar? E eu digo: exumem esses corpos. Exumem essas histórias, as histórias das pessoas que sonharam grande e nunca viram esses sonhos se tornarem realidade. Pessoas que se apaixonaram e perderam. Eu me tornei uma artista – e graças a Deus me tornei – porque somos a única profissão que celebra o que significa viver uma vida. [...]
Que bom que Marianna Brennand exumou esse corpo amazônico.
No final da sessão, eu estava engasgado, confesso. “Manas” é um filme-provocação porque nos coloca no costumeiro lugar de, do alto de nossos sofás e casas protegidas, julgar a mãe, por exemplo, apontar os dedos, sem entender a dor dessa mulher. É um filme sobre sororidade, realidade e brutalidade. Um longa-metragem sobre um lado de nós — nós, sociedade — que nos recusamos a ver. Quando vemos, fazemos posts, ficamos indignados, reclamamos. Então, após um “Ufa” ao pensar que “já fizemos nossa parte”, deslizamos a tela e sorrimos até nos acabar de mais um vídeo engraçado.
Acredito que eu nunca vi algo tão imersivo na dor humana. De verdade. Sim, é claro que vemos o choro, o desespero, o pranto todos os dias nos jornais — ou ficcionados em alguma mídia —, mas aqui é muito cru, muito palpável. A reação das pessoas, especialmente das crianças, foi o que mais me deixou angustiado.
Pode ter o talento de lendas da atuação como Fernanda Montenegro ou Isabelle Rupert, nada se compara a isso aqui. Muito, muito brutal.
Agora, dito isso, creio que o documentário perde força narrativa ao longo do percurso. Perceba: há sim a força simbólica de termos o registro sobre uma realidade de uma lei que privilegia cor de pele. Isso é inegável. Porém, falando narrativamente, com base no bom e velho storytelling, a segunda metade do documentário perdeu fôlego, a meu ver.
A primeira parte é interessante porque você vê o escalonamento da crise até o ponto de explosão. Por mais que saibamos o que acontecerá, as filmagens via câmeras corporais fornecem um registro íntimo que é difícil ser captado de outra maneira. Então, depois desse ponto, eu fiquei na expectativa de que algo mais iria acontecer (ainda mais porque as filmagens dão essa impressão), mas não.
A mensagem para mim foi de "Ok, é isso aí, a vida segue seu curso, justiça foi feita, ponto, próximo caso".
E aqui o ciclo se fecha com.uma ironia. O elogio que faço à humanidade de mostrar essa dor sem edições também serve como crítica. A sensação que tive foi que se apoiaram tanto nessa emoção que esqueceram de trazer humanidade, rosto, desfecho emocional no final do documentário. Quando os créditos subiram, notei que esses 90 minutos que fizeram ficar mais focados na assassina do que na história de Ajike. Quem é essa mulher? Quais sonhos tinha? Como chegou a essa casa? Quais lutas teve? Entende o que quero dizer? Faltou um "rosto" para essa dor, um rosto que fosse além das fotos carregadas pelas pessoas.
Não gosto de filmes de super-heróis — nem do Batman, o único que aceito desse gênero. Mas, sério, este aqui me pegou bonito. Não sei se foi a nostalgia, não sei se foram as piadas; sinceramente, não sei! Só sei que adorei. Estranhei no começo, fui me acostumando, veio o primeiro riso, achei diferente, ri de outra bobagem e, de repente...
Eu estava com a mão no queixo, apenas curtindo.
Trazer os quatro para a estética "mais adolescente" — sim, eu sei que parece "Homem-Aranha no Aranhaverso" — me pareceu uma escolha acertada. O clima de afobação, um falando por cima do outro, meio desajeitados, hormônios à flor da pele, tudo se encaixou. Outro ponto é que, olhando como escritor, as personalidades de cada personagem foram muito bem trabalhadas. Perceba como há um processo de amadurecimento em cada um deles, sem se sobrepor, os quatro afinados em um objetivo em comum e também em seus objetivos pessoais.
Muito, muito bem feito.
Não posso deixar de citar também as referências a outros filmes, músicas, artistas e cultura pop em geral. Sim, mais uma vez eu sei que isso é uma fórmula e eu sei que é feito exatamente para dar ao filme um tom mais "rede sociável" / "instagramável" / "tiktokzável". Ok, eu sei. Mas é muito interessante, em uma narrativa, quando, no meio da exibição ou leitura, você tem essa percepção de "Opa! Eu peguei essa referência!" Isso aproxima uma parte do público e cativa.
Eu tenho 38 anos e cresci com a estética das Tartarugas Ninja do fliperama/Super Nintendo. Por isso, lembro da decepção que senti ao assistir aos filmes clássicos na TV e não encontrar aquela dinâmica dos jogos. Em "As Tartarugas Ninja: Caos Mutante", eu fui transportado para as sensações daqueles jogos.
Ouso dizer que aqui foram ainda mais intensas.
Não, não é um filme perfeito. Sim, causa estranheza.
É certeiro no sentido de traduzir a grandiosidade de Rita Lee? Não. Ouso até dizer que nenhuma mídia seria capaz de mergulhar nessa complexidade. PORÉM, só o fato de terem deixado Rita falar sobre si, sem recorrer a narradores ou depoimentos de terceiros, já mostra como uma artista como essa não poderia ser explicada por outra pessoa que não ela mesma.
Para mim, isso mostra o respeito que Karen Harley e Oswaldo Santana tiveram.
Que bom que foi assim. Confesso que o que conheço/conhecia de Rita Lee são as músicas mais famosas e, claro, a artista sem medo de falar o que pensa. De repente, eu fui sendo puxado não apenas pela história de vida que por si é chamativa, mas também pela atualidade do que Rita Lee fala aqui
Nesses tempos de uma "epidemia de feminicídios", como a ministra Carmem Lúcia sempre reitera, eu vi neste documentário como Rita Lee, simbolicamente, fisicamente, politicamente faz falta. "Ritas" é angustiante ao mostrar como carecemos de artistas como Rita, que encaram, apontam o dedo, provocam, se posicionam para além do espetáculo das telas.
Quando a sessão terminou, eu estava flutuando. Simplesmente isso. As imagens do último show, com ela aos 67 anos, enfrentando a polícia, é marcante demais. E a mensagem final... Uau! Incrível.
Em uma década de 2020 tão estranha e com as pessoas tão apáticas — situação que Elza Soares chamava de "um bando de Che Guevaras de sofá" —, vejo o quanto carecemos de mais Ritas que gritem contra quem tem matado as Ritas e irritem quem naturaliza as violências contra as Ritas.
Definitivamente, Rita Lee foi uma artista única, atemporal, universal, transcendental.
Sem dúvida, "Zootopia" é uma das minhas animações favoritas. É redondinho, engraçado, tem boas soluções, surpreende. Show! Por isso, é óbvio, eu cheguei a "Zootopia 2" cheio de ressalvas — por isso nem fui ao cinema assistir e esperei sair na Disney+. Não, não foi decepcionante, MAAAAS... Sabe quando você tem a sensação de que há algo opaco? De que "faltou alguma coisa"? Foi assim que eu fiquei.
A premissa da história, sinceramente, me pareceu meio boba, forçada até. Não vou dar spoilers, mas ali no final, quando muitas coisas se revelaram, eu fiquei com uma cara de bunda, sabe? Pareceu coisa de novela, com vingancinha, redenção, família... Mas ok, meus sobrinhos adoraram, ficaram malucos, rastejaram pelo chão, deram coice, pediram pelúcias e brinquedos.
Funcionou para o público-alvo. É o que importa.
Independente disso, a animação é bonita e as cenas de ação foram bem legais. E sim, dou o braço a torcer: tiverem sim cenas engraçadas. Mas, a meu ver, sem o impacto da novidade — como foi no primeiro filme —, não me pareceram assim TÃO sensacionais.
Foi apenas um sorriso, não um riso que antevia uma gargalhada, saca?
Vamos ver como será "Zootopia 3" com as aves, "Zootopia 4" com os peixes, "Zootopia 5" com os anfíbios, "Zootopia 6" com a ascensão dos primatas como raça dominante e "Zootopia 7" com animais vindos do espaço.
P.S: a brincadeira com outros filmes foi MUITO massa.
Para mim, é um daqueles documentários indigestos, mas necessários. A performance constante de masculinidade é algo que corrói as relações sociais, sempre foi assim — tenho cicatrizes disso no corpo e na mente, quando, por exemplo, um maluco tentou me afogar quando me viu olhando para outro cara e toda a brutalidade do bullying.
O documentário é importante ao entrar nesse mundo e mostrar a visão nos bastidores. Por um lado, senti falta de um olhar psicológico, especializado, porém, entendo que o objetivo do Louis Theroux era evitar ao máximo uma noção de "nós, superiores, olhando o zoológico". Seria mais uma desculpa para atacarem as filmagens e tentarem desqualificar o programa.
Agora, imagino o quando deve ter sido cansativo lidar com esses caras.
Há um aspecto triste de ver como são pessoas claramente carentes e medrosas. Todos parecem adolescentes (do pior tipo), tentando a todo momento se provar"fodões". Como citei no começo, é uma performance obsessiva de masculinidade. E hipócrita. Ao mesmo tempo em que falam sobre familia e bons costumes, financiam a pornografia. Falam que "até têm amigos gays" (um clássico) e berram que não aceitariam um filho homossexual. Dizem que se preocupam que o conteúdo seja visto por menores, mas o documentário mostra nas ruas que são abordados exatamente pelo público formado majoritariamente por... menores.
Dados do 19° Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que, em 2024, houve mais de 1 milhão de denúncias de violência doméstica, 87 mil estupros, 95 mil casos de stalking e quase 1500 feminicídios. Uma mulher é vítima de feminicídio a cada 6 horas no nosso país. Não é uma questão de direita ou de esquerda, é uma questão de humanidade.
Muitos amam o discurso de "proteger nossas criancinhas inocentes". Pois bem, elas estão sendo abusadas, a maioria dentro de casa. Ignorar esses números e tentar dissociar do que foi exposto no documentário é contribuir para a naturalização da violência.
Sabe o que é mais triste: esse documentário não vai mudar a cabeça deles. Quando terminei de assistir, essa realidade foi um tapa na minha cara. Pode soar pessimista, mas é uma mudança que exige luta constante e cada vez maior. Eles conquistaram a parcela da população mais vulnerável e estão moldando a cabeça desses adolescentes — moldando profundamente, a quase um "ponto de não retorno".
O começo foi chato e estranho — talvez até MUITO chato e estranho. Mas, à medida que a sessão correu, eu fui ficando tenso, prestando mais atenção, percebendo entrelinhas e aí, BOOM, fui fisgado. “Bugonia“ é esquisito assim como os outros filmes do Yorgos Lanthimos. Já asssiti a “A Favorita“ e “O Sacrifício do Cervo Sagrado" e a dinâmica é a mesma: provocação, narrativa truncada, incômodo. As críticas que li sobre “Pobres Criaturas“, “Bleat“ e “Tipos de gentileza“ vão pelo mesmo cmainho. Portanto, nesse sentido, embarquei em “Bugonia“ já ciente do que encontraria.
Mas foi além.
Nestes tempos de fanatismo por toda parte, este filme brinca e alerta para as consequências desse tipo de pensamento. Essa é a primeira e mais óbvia camada, é claro. PORÉM, o que achei mais impactante é como o diretor usa esse pano de fundo brincar com algo terrível: uma pergunta de duas palavras que permeia a mente dos fanáticos, mas também da população mais sensata: E SE?
A dúvida, meu amigo e minha amiga: a dúvida é um ativo perigosíssimo no mundo.
Não, “Bugonia“ não me pareceu maravilhoso e arrebatador — apesar das grandes atuações —, mas mexeu comigo. No final, enquanto os créditos passavam (créditos que, pelo uso da fonte itálica e estranha, bugaram minha cabeça hahahahaha), eu fiquei refletindo muito.
Valeu a pena pela experiência, valeu a pena pelas atuações, valeu a pena pelo “e se?”
A meu ver, creio que há filmaços como "O Agente Secreto" — cheios de reviravoltas e ação — e há filmaços como "Ainda estou aqui" — com drama pujante e arrebatador. E há filmaços como "Livros restantes", que são sutis, sem grandes reviravoltas e nos lembram que as banalidades da vida também contam histórias.
Eu fiquei em silêncio. Simplesmente isso. Fiquei até o último segundo dos créditos, pensando, refletindo, ruminando. Denise Fraga é hipnotizante. E tornou-se ainda mais em cada conversa sobre a vida. Achei o filme muito, muito bonito. Tem identidade regional, tem sotaque, tem ambientação para além do lugar-comum. Tem dor, mistério, cansaço, afeto... vida.
Mais uma vez essa palavra: vida.
É um filme sobre os livros e sobre a vida sendo como as prateleiras que guardam esses livros: ora vazia, ora cheia; ora transbordando de conhecimento, ora repleta da saudade pelo o que se foi. Carcomida, cheia de poeira, capengando, quase caindo, mas ainda de pé.
Sem contar que temos aqui uma obra que mostra que sim, você pode fazer um filme que não é LGBTQIA+ contar histórias LGBTQIA+
Eu me senti abraçado.
A música final — "Balaio" do Marcelo Portela — é apaixonante.
"O pescador quando vai / Para os caminhos do mar / Nem aprendeu a viver / Tem de aprender a voltar / O pescador quando sai / Leva um pedaço de mim / O que me resta é fazer / Fé no Senhor do Bonfim / Se o cardume vier / Lembra da dica da mãe / Anda na mão da maré / Deixa que peixe se apanhe / Quando puder retornar / Não se demore tão só / Faz um balaio pra mim / Outro balaio pra vó"
Conseguiu me deixar tenso. Sei que as decisões narrativas se tornam estranhas ao longo do filme — e beiram o melodrama no final —, mas, no geral, gostei do frenesi que proporcionou.
O ser humano como conhecemos vive há cerca de 300 mil anos — 2 a 3 milhões se considerarmos nossos ancestrais. Os dinossauros dominaram a Terra por 160 milhões de anos e ainda estão entre nós. Répteis, então, datam de muito antes (mais de 250 milhões de anos). O tardígrado, um animalzinho microscópico que sobrevive até no vácuo, está no mundo há 500 milhões de anos. E nós — que só existimos porque os dinossauros foram extintos — nos achamos o máximo da evolução. Este é um daqueles documentários que nos lembram de nossa pequenez e frivolidade.
Não gosto de filmes de natal — de fato, confesso, sou o Grinch e odeio a data. MAAAAAS este filme subiu a montanha e aqueceu meu coração. Quando li a chamada de "Um filme natalino que se tornará um clássico" eu revirei os olhos. Agora, após assistir, mordo minha língua e tiro o chapéu.
O que mais chamou a minha atenção é o fato de que a narrativa foge da fantasia clichê do Papai Noel e mostra como o Natal depende mais das atitudes individuais. Sim, sim, é uma mensagem óbvia, também clichê, mas que aqui, a meu ver, ganhou tons mais palpáveis graças ao personagem Williams e à professora Bernadette.
Há uma música de Sarah Brightman chamada "Colder Than Winter" — cover de Vince Gill — que fala exatamente do lado doloroso do Natal, melancólico e difícil para algumas pessoas. Acredito que, guardadas as devidas proporções, "Aquele Natal" conseguiu me lembrar desse detalhe.
Animação bonita, mensagem tocante, personagens com curva de evolução, longe do humor pastelão e/ou bobo = virou favorito. Gostei muito.
Meryl Streep é hipnotizante. Simplesmente hipnotizante. Junte-a com Amy Adams e Viola Davis e nem vi o tempo passar. Eu queria mais!
Uau. Eu não sou cristão, mas estou imenso na igreja por causa da família e digo que há muitas coisas estranhas dentro dessas paredes. Padre que "caem para cima", encontros furtivos, padres que saem de férias com os coroinhas levando garrafas de cerveja, padres íntimos demais de algumas pessoas... Já vi e soube se muita coisa, infelizmente.
"Dúvida" me ganhou com a seriedade. O tom do filme é muito frio e rígido, emanando exatamente a retidão das freiras — que, tanto na ficção como foram dela, sabem se muitos segredos. E o final... Nossa. Aula de interpretação, aula de escrita criativa, aula de espiritualidade.
Karine Teles e Klara Castanho estão incríveis. Lendo alguns comentários aqui, noto que algumas pessoas parecem não compreender o motivo de terem escolhido a Klara para interpretar esse papel.
Gente, a personagem Rosa é uma garota de 12/13 anos que na verdade tem 18/19. Eles precisavam de uma atriz adulta e que imprimisse a delicadeza da Rosa "menininha" e "delicada_. Simples assim.
E a Klara está estupenda no papel.
Outra coisa: "aí, as cenas +18..."
Sério? 🙄 Mais 18 onde? Chegamos ao ponto de falso puritanismo que as pessoas desconhecem o que é+18? Faça-me o favor. Vão assistir "Anticristo" de Lars Von Trier, por exemplo, para saber o que é+18. Parece o mesmo mimimi tosco que vi em "Saltburn", com gente se dizendo "em choque".
Acho que algumas pessoas precisam de um choque de realidade para terem motivos reais para se sentirem "em choque".
A construção da personagem Dora aponta para essas cenas. A personalidade da personagem envolve essa tentativa de autoafirmação por meio do sexo, além do frisson que ela sente ao se ver seduzindo as pessoas. É um mecanismo de poder. A cueca de amadurecimento da Dora deixa isso claro. Inclusive, o filme é também uma crítica a como as mesmas redes sociais que enaltecem a Rosa alimentam o etarismo.
Agora, apesar das qualidades que vi no filme, creio que os 25% finais vão perdendo a linha. A trama se torna corrida demais, com soluções a meu ver meio bobas e um final empobrecido diante do que vi no começo. Na minha perspectiva, o esplendor se perdeu após a surpresa.
Entre perdas e ganhos, fiquei surpreso com a qualidade da filmagem, as atuações e a premissa do filme. Pena que a conclusão foi agridoce.
Que grata, grata, grata surpresa! Uau, que filme maravilhoso. Humor sutil, entrelinhas, metalinguagem, uma ode à literatura e ao poder de uma boa história. Incrível. Sendo escritor, foi um deleite para mim. Achei muito massa ver como o trabalho com os clichês de uma história como essa moldaram uma trama diferenciada. Como insisto, uma boa história não é sobre buscar a abstração do ineditismo, mas sim sobre trabalhar com o que já se tem, alimentando, temperando com elementos regionais. Foi o que encontrei aqui. "Corina" é único porque fez esse trabalho com maestria. Estou encantado!
No geral, estafante. Prossegui porque evito ao máximo abandonar as coisas no meio, mas, sinceramente, foi resistência. Alguns quase (QUASE) me ganharam, porém, caíram todos no problema geral: falta de conclusão.
— Os estranhos irmãos Hikizuri (2.5): Ok.
— A história do túnel misterioso (2,5): nada extraordinário. Apenas Ok.
— Balões no ar (3): interessante e perturbador, sem dúvida.
— Quatro x quatro paredes (2): Senti falta de... sentido. ¯\_(ツ)_/¯
— Esconderijo (2.5): bizarro , mas, novamente, nada extraordinário, a meu ver
— Intruso (2): mais um sem finalização. Parece o Piloto de algo maior...
— Cabelo longo no sótão (2): o fator surpresa... nada
— Mofo (3): Até aqui, o que mais se aproximou do que eu espero do termo "macabro". Porém, falta uma completude, uma sensação de ser uma história com começo, meio e fim.
— Visão na biblioteca (2,5): meio nhé...
— Cidade de túmulos (3): sabe-se para onde vai, mas, ao menos, teve começo, meio e fim.
— Camadas de terror (4): esse aqui chamou minha atenção. O termo "macabro", finalmente, fez sentido. Gostei da bizarrice.
— O que o mar trouxe (2): um daqueles que empolga pela premissa, mas é só um aperitivo... decepcionante...
— Foto de Tomie (2,5): idem
— Labirinto insuportável (2): a forma abrupta como finalizam é irritante...
— Implicante (3,5): mais um que dê fato me surpreendeu. Gostei como incomporaram a máxima de que crianças podem ser muito malvadas com uma desmistificação do amor sagrado e pueril.
—Beco (2,5): ----------
— Estátua sem cabeça (2): Basicamente, uma repetição de fragmentos de outros curtas, como "Balões no ar" e "Cabelo longo no sótão".
— Mulher que sussurra (3): não apenas macabro, como bizarro. Só que, na minha opinião fecal, a questão da obviedade na finalização ainda é um problema.
— Bichinho de estimação (1,5): Achei bem ruinzinho, sinceramente. Repetido, exagerado e bem distante do macabro — ao menos, no meu entendimento do termo.
— Rakka (3): conceito interessante, mas fiquei com uma sensação de "coisa inacabada"...
— Base (3): acho massa narrativas que brincam com fatos históricos, jogando-os em um ambiente de ficção científica. Mas, assim como "Rakka", senti falta de finalização da trama.
— Cozinhando com Bill (1): perda de tempo absurda... :/
— Deus (2,5): gostei do conceito de Deus brincando de "SimCity" e de "ZooTycoon". É uma narrativa clássica, mas que funcionou, a meu ver.
— Zigoto (3,5): a tensão me manteve vidrado. Lembrei do jogo "INSIDE". Pena que, assim como outros curtas, parece o Episódio Piloto de algo maior — que talvez nunca vejamos.
— Presidente rum (1): mais um horrível. Sem nuances, sem entrelinhas. A crítica seria boa se não fosse um curta tão bobo.
— ADAM, Episódio 2 (2): legal, mas falta uma narrativa aqui. Do jeito que foi apresentado, é apenas um teste de vídeo.
— ADAM, Episódio 3 (2): idem
— Gdansk (0,5): e pensar que a Netflix deu dinheiro para esse tipo de coisa entrar no catálogo...
— Kapture: (1,5): mais um da série "ótimo conceito, execução irritante".
Em resumo: "OATS Studios" precisa comer muito feijão com arroz para chegar aos pés de "Black Mirror" e "Love, Death and Robots". Decepcionante.
Fiquei triste por saber que é a última temporada, triste pela briga relacionada ao Karamo, triste pelo modo como esses anos foram encerrados... Agora, para mim, os dois primeiros episódios dessa 10ª temporada conseguiram resumir o que foi "Queer Eye".
O episódio das irmãs é tocante demais. O modo como os 5 desconstroem essa senhora tão machucada, tão sofrida — e, por isso mesmo, rancorosa — é de um senso de humanidade muito bonito. Além disso, foi muito simbólico, diante de tudo o que tem acontecido nos EUA (que, basicamente, tem destruído a própria história democrática), a terem levado para contar a trajetória de vida. Lindo episódio.
AGORA, o segundo episódio... Uau! Creio que dentro dessas 10 temporadas foi, a meu ver, a pessoa mais difícil que eles tiveram que lidar. E exatamente por eles terem toda a experiência das temporadas anteriores, conseguiram fazer essa mulher se redescobrir. Eu já passei por situações muito traumáticas e sei como é difícil retirar a armadura e reaprender a sorrir quando o mundo só te massacra. O que o Jeremiah fez (sem spoilers!) me quebrou muito. É a essência do "Queer Eye" em uma frase: "A gente não vai desistir de você!"
Se você tiver a oportunidade, sério, seja um Jeremiah na vida de alguém. Não é fácil, mas, às vezes, só de estar ao lado já ajuda muito.
Ufa. Foi... agridoce. Tão poucos episódios — dois que se destacaram para mim (um que está no mesmo patamar, o do professor da escola comunitária) — e uma ode à crença na humanidade. Que bom que, pelo menos, tiveram os depoimentos dos 5 ao final de cada episódio, resumindo o que foi essa experiência de 10 temporadas.
A temporada em si merecia umas 3 estrelas, mas acrescento mais uma pelo inegável legado.
Há muito tempo não me divertia tanto com um live action da Disney. Adorei o filme. Ri, fiquei emocionado e consegui esquecer do mundo por duas horas. Na minha opinião, há carisma e preservação do cerne da animação. E que animação, hein? Fiquei impressionado. Para mim, valeu cada segundo. Consegui rememorar a época em que largava tudo para assistir ao desenho.
Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
3.6 189 Assista AgoraEu creio que o que assisti foi uma metáfora certeira sobre as pressões que nós colocamos nas mulheres quando elas se tornam mães. A condução da trama é genial — não consigo encontrar outra palavra —, ao provocar o público a encarar a filha apenas depois de quase duas horas de filme, lembrando que o nascimento não pressupõe a invisibilidade dos problemas dessa mulher. O estigma da mãe forte, "que aguenta tudo" e "carrega o mundo nas costas" ganha aqui um tom quase surrealista, mas muito palpável. Algumas pessoas chegaram a dizer que tem um "humor mórbido ". Pois bem: onde? Não há nada engraçado aqui. Pelo contrário, temos neste filme uma narrativa potetente, provocadora e dilacerante que exige silêncio, empatia e autoconsciência. Eu estou impactado.
Red: Crescer é uma Fera
3.9 570 Assista AgoraNa escrita criativa, nós temos o chamado "este de Bechdel", uma forma de avaliar se aquela obra tem representatividade feminina de fato. O teste tem três regras básicas:
1) Ter duas ou mais mulheres — no mínimo duas personagens femininas que tenham nomes e relevância dentro da obra.
2) Conversar entre si — essas personagens precisam dialogar uma com a outra em algum momento da trama.
3) Não falar sobre homens — o assunto da conversa entre elas não pode ser sobre um homem (ou relacionamentos com homens).
E "Red" passa de forma linda! Que filmaço! Sério: acho que poucas vezes me diverti tanto com uma animação. Sabe quando você vai assistindo e de repente se flagra sorrindo? Não por algo engraçado, mas um riso bobo, sutil, instintivo; um riso de "Cara, estou feliz vendo isso". Uau!
Mei é cativante demais. Domee Shi é uma diretora que sabe traduzir emoções sem soar melodramática (vide o filme "Elio" e o encantador curta-metragem "Bao") e aqui em "Red" ela conseguiu falar sobre adolescência, menstruação, sororidade, vontade de ser quem se é, tudo de modo que nos abraça, conforta, afaga, silencia.
Como muitos abaixo perceberam, este filme deveria ter mais reconhecimento. Em meio a tantas obras bobas e rasas, em meio à um mundo tão violento e com seus homens brutalizados em performances de masculinidade, "Red" é uma ode à empatia. Maravilhoso filme!
Socorro!
3.3 335 Assista AgoraAmei a metáfora sobre o modo como o capitalismo nos consome, seduz, mas, no fundo, só quer nos f*der. Narrativamente, isso chamou muito a minha atenção. Algo que sempre insisto nas aulas de escrita é que as pessoas precisam dar camadas, entrelinhas, subtextos para o que escrevem. Portanto, foi o que encontrei aqui. Agora, pensando pelo lado da dinâmica do filme, confesso que eu fiquei com eles até por uns 2/3 do longa. Depois, eu comecei a pensar:
"Hum, isso tá indo para um lado óbvio..."
Ouso dizer (querendo dar uma de editor de filme, veja só! KKKKKKKK) que parte disso foi por causa do final.
Eu preferia que tivesse acabado quando ela dá uma tacada de golfe na cabeça do Bradley. Seria massa! Aí, subiriam os créditos e, só depois, quase no final de tudo, antes de aparecer os nomes dos dubladores, aí sim entraria a cena dela recuperada.
Simbolicamente, creio que isso também seria uma mensagem de "essas corporações querem que você consuma tudo rápido, mas, para quem espera e silencia, há um bônus para a vida" — que seria, aí sim, aquela mensagem final.
Apesar desse detalhe, eu me diverti muito. Linda é uma personagem dúbia, cheia de mistérios, que vai se revelando a cada cena. Esquisita? Sim. Mas essa característica a torna, para mim, ainda mais incrível. Bradley me irritou como deveria e achei a atução do Dylan O'Brien encaixada. Eu olhava para os olhos dele e percebia o grande FDP que estava ali. A dinâmica entre eles funcionou. Os efeitos visuais foram outra grata surpresa. Somado a esse ponto, o gênero do filme foi mantido até o final, com todo aquele tempero bizarro do Sam Raimi.
Mas vou te dizer uma coisa: fiquei curioso para ver esse filme, essa mesma premissa, sob a ótica polêmica do Lars Von Trier.
Consegue imaginar? Espero que não. :-P
Pecadores
4.0 1,2K Assista AgoraUm grande filme que, para mim, foi se perdendo ao longo do percurso. Ouso dizer que eu editaria FÁCIL os 15 minutos finais para agilizar a entrada do que realmente importa: a cena final "de verdade". Algo que notei é como a trama funcionou para mim enquanto estava na parte da sedução vampírica, ancestralidade, misticismo, música, blues... F*DA! Mas aí, quando entra a ação... Logo pensei:
"Ah, não! Virou um filme qualquer..."
Entende o ponto? O longa te promete uma coisa com aquele começo, algo mais misterioso, uma penumbra, com todo o jogo musical — a cena do Pastorzinho tocando 🤯🤯🤯 Caraca! Só que descamba pro comum, mais do mesmo, zona de conforto.
Não é ruim. Particularmente, achei melhor do que o porre do "Uma Batalha Após a Outra". Contudo, a narrativa foi me perdendo a medida em que se aproximava do "fim" — ainda bem, teve um fôlego depois.
Agora, Michael B. Jordan. O que é isso, meu filho? Impressionante. E a trilha sonora (soundtrack) estupenda. Entre trancos e barrancos, valeu a pena. Terminei inspirado.
A Sala dos Professores
3.8 222 Assista AgoraEu gostei especialmente de dois pontos. Primeiro, a tensão. Nossa, como eu fiquei tenso! Desde a primeira cena, já existe um clima estranho. O escalonamento da situação, a sucessão de erros da diretoria, a noção de que aquilo virou um barril de pólvora... Em certo momento, percebi que eu estava na ponta da cadeira, com a testa franzida e segurando a respiração. Pela Carla, é claro, mas também por já ter testemunhado casos semelhantes ao meu redor.
Para mim, foi uma dor palpável.
Em segundo lugar, preciso destacar o silêncio do filme. Em muitas cenas, o diretor aposta no olhar, no suspiro, na completa mudez. Como sempre insisto no campo da escrita criativa, nunca devemos esquecer que os silêncios contam tantas — ou até mais — histórias que o texto ali presente. Aqui, em “A Sala dos Professores”, o que encontrei foi a personalidade desses personagens, alimentada pelas entrelinhas e pelo subtexto presente na trama.
Isso possui uma riqueza incomparável.
No final das contas, creio que, apesar do contexto alemão, este é o tipo de filme que conversa com muitos de nós — ouso até dizer com todos. Lembro-me de uma entrevista da icônica Elke Maravilha em que ela disse algo que ficou gravado em minha mente: “Escola é para instruir; educação se aprende em casa”. Eu vivenciei e vivencio isso na prática e, de certo modo, o filme toca exatamente nessa ferida.
Uma Batalha Após a Outra
3.7 666 Assista AgoraConfesso que fiquei p*** de raiva ao pensar que gastei R$20 alugando esse filme. Sinceramente, não funcionou para mim. Algo que sempre falo em relação aos livros é que, se você pega uma obra, lê alguns capítulos, pulas uns 5 ou 6, e a história continua a fazer sentido, significa que aquela narrativa tem o que chamamos de "barriga": informações que só estão ali para fazer volume. Em um filme, quando você enche o saco depois de 1 hora assistindo, pula 40 minutos, e a história continua a fazer sentido como se você não tivesse perdido nada, é um grande indício de que há algo estranho nessa narrativa.
Foi o que vivenciei aqui.
Tudo bem, não posso ser hipócrita de não enaltecer a parte técnica. Nesse sentido, é um filme absurdo, sem dúvida. A cena da perseguição é diferenciada e gera tensão. Na minha opinião fecal, entra fácil para o rol de cenas icônicas do cinema. Agora, minha imersão ficou restrita a isso.
Beleza, as atuações são boas, mas Leonardo DiCaprio não me desce. Sério. Não consigo vê-lo em um papel que não seja... o Leonardo DiCaprio! Todos os personagens são as mesmas expressões, a mesma passada de mão no cabelo, o mesmo olho tremendo, a mesma suspirada... De fato, creio que boa parte do meu ranço com o filme veio dele. Por sorte, tive Sean Penn, Benicio Del Toro e Chase Infiniti para dar uma balanceada, senão, se o filme fosse só ele, só sendo um urso para aguentar — opa, já tivemos essa experiência, não?
Funciona como sátira? Funciona. Ainda mais em um país que está flertando com uma autocracia, "Uma Batalha Após a Outra" é uma provocação que mostra ao mundo — e aos próprios estadunidenses — a m*rda que está acontecendo nos Estados Unidos. Porém, a meu ver, mesmo esse ponto positivo meio que se perdeu devido ao problema narrativo que citei acima.
No fim das contas, na minha experiência, soou como um filme com uma proposta f*da que se perdeu ao tentar fazer algo épico.
Manas
4.2 141 Assista AgoraEm 2017, quando Viola Davis ganhou o Oscar de Atriz Coadjuvante pelo filme “Um Limite entre Nós” (2016), a artista citou o escritor August Wilson, cuja peça teatral inspirou o filme. Durante seu discurso de agradecimento, Viola disse:
[...] existe um lugar onde estão reunidas todas as pessoas de grande potencial. Existe um lugar, e é o cemitério. As pessoas sempre me perguntam: Viola, que tipo de histórias você quer contar? E eu digo: exumem esses corpos. Exumem essas histórias, as histórias das pessoas que sonharam grande e nunca viram esses sonhos se tornarem realidade. Pessoas que se apaixonaram e perderam. Eu me tornei uma artista – e graças a Deus me tornei – porque somos a única profissão que celebra o que significa viver uma vida. [...]
Que bom que Marianna Brennand exumou esse corpo amazônico.
No final da sessão, eu estava engasgado, confesso. “Manas” é um filme-provocação porque nos coloca no costumeiro lugar de, do alto de nossos sofás e casas protegidas, julgar a mãe, por exemplo, apontar os dedos, sem entender a dor dessa mulher. É um filme sobre sororidade, realidade e brutalidade. Um longa-metragem sobre um lado de nós — nós, sociedade — que nos recusamos a ver. Quando vemos, fazemos posts, ficamos indignados, reclamamos. Então, após um “Ufa” ao pensar que “já fizemos nossa parte”, deslizamos a tela e sorrimos até nos acabar de mais um vídeo engraçado.
Enquanto isso, Marcielles estão nos rios da vida.
A Vizinha Perfeita
3.5 210 Assista AgoraAcredito que eu nunca vi algo tão imersivo na dor humana. De verdade. Sim, é claro que vemos o choro, o desespero, o pranto todos os dias nos jornais — ou ficcionados em alguma mídia —, mas aqui é muito cru, muito palpável. A reação das pessoas, especialmente das crianças, foi o que mais me deixou angustiado.
Pode ter o talento de lendas da atuação como Fernanda Montenegro ou Isabelle Rupert, nada se compara a isso aqui. Muito, muito brutal.
Agora, dito isso, creio que o documentário perde força narrativa ao longo do percurso. Perceba: há sim a força simbólica de termos o registro sobre uma realidade de uma lei que privilegia cor de pele. Isso é inegável. Porém, falando narrativamente, com base no bom e velho storytelling, a segunda metade do documentário perdeu fôlego, a meu ver.
A primeira parte é interessante porque você vê o escalonamento da crise até o ponto de explosão. Por mais que saibamos o que acontecerá, as filmagens via câmeras corporais fornecem um registro íntimo que é difícil ser captado de outra maneira. Então, depois desse ponto, eu fiquei na expectativa de que algo mais iria acontecer (ainda mais porque as filmagens dão essa impressão), mas não.
A mensagem para mim foi de "Ok, é isso aí, a vida segue seu curso, justiça foi feita, ponto, próximo caso".
E aqui o ciclo se fecha com.uma ironia. O elogio que faço à humanidade de mostrar essa dor sem edições também serve como crítica. A sensação que tive foi que se apoiaram tanto nessa emoção que esqueceram de trazer humanidade, rosto, desfecho emocional no final do documentário. Quando os créditos subiram, notei que esses 90 minutos que fizeram ficar mais focados na assassina do que na história de Ajike. Quem é essa mulher? Quais sonhos tinha? Como chegou a essa casa? Quais lutas teve? Entende o que quero dizer? Faltou um "rosto" para essa dor, um rosto que fosse além das fotos carregadas pelas pessoas.
Para mim, sobrou Susan e faltou Ajike.
As Tartarugas Ninja: Caos Mutante
3.7 154 Assista AgoraNão gosto de filmes de super-heróis — nem do Batman, o único que aceito desse gênero. Mas, sério, este aqui me pegou bonito. Não sei se foi a nostalgia, não sei se foram as piadas; sinceramente, não sei! Só sei que adorei. Estranhei no começo, fui me acostumando, veio o primeiro riso, achei diferente, ri de outra bobagem e, de repente...
Eu estava com a mão no queixo, apenas curtindo.
Trazer os quatro para a estética "mais adolescente" — sim, eu sei que parece "Homem-Aranha no Aranhaverso" — me pareceu uma escolha acertada. O clima de afobação, um falando por cima do outro, meio desajeitados, hormônios à flor da pele, tudo se encaixou. Outro ponto é que, olhando como escritor, as personalidades de cada personagem foram muito bem trabalhadas. Perceba como há um processo de amadurecimento em cada um deles, sem se sobrepor, os quatro afinados em um objetivo em comum e também em seus objetivos pessoais.
Muito, muito bem feito.
Não posso deixar de citar também as referências a outros filmes, músicas, artistas e cultura pop em geral. Sim, mais uma vez eu sei que isso é uma fórmula e eu sei que é feito exatamente para dar ao filme um tom mais "rede sociável" / "instagramável" / "tiktokzável". Ok, eu sei. Mas é muito interessante, em uma narrativa, quando, no meio da exibição ou leitura, você tem essa percepção de "Opa! Eu peguei essa referência!" Isso aproxima uma parte do público e cativa.
Eu tenho 38 anos e cresci com a estética das Tartarugas Ninja do fliperama/Super Nintendo. Por isso, lembro da decepção que senti ao assistir aos filmes clássicos na TV e não encontrar aquela dinâmica dos jogos. Em "As Tartarugas Ninja: Caos Mutante", eu fui transportado para as sensações daqueles jogos.
Ouso dizer que aqui foram ainda mais intensas.
Não, não é um filme perfeito. Sim, causa estranheza.
Mas foi muito bom!
Ritas
4.2 35É certeiro no sentido de traduzir a grandiosidade de Rita Lee? Não. Ouso até dizer que nenhuma mídia seria capaz de mergulhar nessa complexidade. PORÉM, só o fato de terem deixado Rita falar sobre si, sem recorrer a narradores ou depoimentos de terceiros, já mostra como uma artista como essa não poderia ser explicada por outra pessoa que não ela mesma.
Para mim, isso mostra o respeito que Karen Harley e Oswaldo Santana tiveram.
Que bom que foi assim. Confesso que o que conheço/conhecia de Rita Lee são as músicas mais famosas e, claro, a artista sem medo de falar o que pensa. De repente, eu fui sendo puxado não apenas pela história de vida que por si é chamativa, mas também pela atualidade do que Rita Lee fala aqui
Nesses tempos de uma "epidemia de feminicídios", como a ministra Carmem Lúcia sempre reitera, eu vi neste documentário como Rita Lee, simbolicamente, fisicamente, politicamente faz falta. "Ritas" é angustiante ao mostrar como carecemos de artistas como Rita, que encaram, apontam o dedo, provocam, se posicionam para além do espetáculo das telas.
Quando a sessão terminou, eu estava flutuando. Simplesmente isso. As imagens do último show, com ela aos 67 anos, enfrentando a polícia, é marcante demais. E a mensagem final... Uau! Incrível.
Em uma década de 2020 tão estranha e com as pessoas tão apáticas — situação que Elza Soares chamava de "um bando de Che Guevaras de sofá" —, vejo o quanto carecemos de mais Ritas que gritem contra quem tem matado as Ritas e irritem quem naturaliza as violências contra as Ritas.
Definitivamente, Rita Lee foi uma artista única, atemporal, universal, transcendental.
Zootopia 2
3.7 171 Assista AgoraSem dúvida, "Zootopia" é uma das minhas animações favoritas. É redondinho, engraçado, tem boas soluções, surpreende. Show! Por isso, é óbvio, eu cheguei a "Zootopia 2" cheio de ressalvas — por isso nem fui ao cinema assistir e esperei sair na Disney+. Não, não foi decepcionante, MAAAAS... Sabe quando você tem a sensação de que há algo opaco? De que "faltou alguma coisa"? Foi assim que eu fiquei.
A premissa da história, sinceramente, me pareceu meio boba, forçada até. Não vou dar spoilers, mas ali no final, quando muitas coisas se revelaram, eu fiquei com uma cara de bunda, sabe? Pareceu coisa de novela, com vingancinha, redenção, família... Mas ok, meus sobrinhos adoraram, ficaram malucos, rastejaram pelo chão, deram coice, pediram pelúcias e brinquedos.
Funcionou para o público-alvo. É o que importa.
Independente disso, a animação é bonita e as cenas de ação foram bem legais. E sim, dou o braço a torcer: tiverem sim cenas engraçadas. Mas, a meu ver, sem o impacto da novidade — como foi no primeiro filme —, não me pareceram assim TÃO sensacionais.
Foi apenas um sorriso, não um riso que antevia uma gargalhada, saca?
Vamos ver como será "Zootopia 3" com as aves, "Zootopia 4" com os peixes, "Zootopia 5" com os anfíbios, "Zootopia 6" com a ascensão dos primatas como raça dominante e "Zootopia 7" com animais vindos do espaço.
P.S: a brincadeira com outros filmes foi MUITO massa.
Louis Theroux: Por Dentro da Machosfera
3.2 32 Assista AgoraPara mim, é um daqueles documentários indigestos, mas necessários. A performance constante de masculinidade é algo que corrói as relações sociais, sempre foi assim — tenho cicatrizes disso no corpo e na mente, quando, por exemplo, um maluco tentou me afogar quando me viu olhando para outro cara e toda a brutalidade do bullying.
O documentário é importante ao entrar nesse mundo e mostrar a visão nos bastidores. Por um lado, senti falta de um olhar psicológico, especializado, porém, entendo que o objetivo do Louis Theroux era evitar ao máximo uma noção de "nós, superiores, olhando o zoológico". Seria mais uma desculpa para atacarem as filmagens e tentarem desqualificar o programa.
Agora, imagino o quando deve ter sido cansativo lidar com esses caras.
Há um aspecto triste de ver como são pessoas claramente carentes e medrosas. Todos parecem adolescentes (do pior tipo), tentando a todo momento se provar"fodões". Como citei no começo, é uma performance obsessiva de masculinidade. E hipócrita. Ao mesmo tempo em que falam sobre familia e bons costumes, financiam a pornografia. Falam que "até têm amigos gays" (um clássico) e berram que não aceitariam um filho homossexual. Dizem que se preocupam que o conteúdo seja visto por menores, mas o documentário mostra nas ruas que são abordados exatamente pelo público formado majoritariamente por... menores.
Dados do 19° Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que, em 2024, houve mais de 1 milhão de denúncias de violência doméstica, 87 mil estupros, 95 mil casos de stalking e quase 1500 feminicídios. Uma mulher é vítima de feminicídio a cada 6 horas no nosso país. Não é uma questão de direita ou de esquerda, é uma questão de humanidade.
Muitos amam o discurso de "proteger nossas criancinhas inocentes". Pois bem, elas estão sendo abusadas, a maioria dentro de casa. Ignorar esses números e tentar dissociar do que foi exposto no documentário é contribuir para a naturalização da violência.
Sabe o que é mais triste: esse documentário não vai mudar a cabeça deles. Quando terminei de assistir, essa realidade foi um tapa na minha cara. Pode soar pessimista, mas é uma mudança que exige luta constante e cada vez maior. Eles conquistaram a parcela da população mais vulnerável e estão moldando a cabeça desses adolescentes — moldando profundamente, a quase um "ponto de não retorno".
Ficou o vazio. Tudo está vazio. Todos estão.
Bugonia
3.6 444 Assista AgoraO começo foi chato e estranho — talvez até MUITO chato e estranho. Mas, à medida que a sessão correu, eu fui ficando tenso, prestando mais atenção, percebendo entrelinhas e aí, BOOM, fui fisgado. “Bugonia“ é esquisito assim como os outros filmes do Yorgos Lanthimos. Já asssiti a “A Favorita“ e “O Sacrifício do Cervo Sagrado" e a dinâmica é a mesma: provocação, narrativa truncada, incômodo. As críticas que li sobre “Pobres Criaturas“, “Bleat“ e “Tipos de gentileza“ vão pelo mesmo cmainho. Portanto, nesse sentido, embarquei em “Bugonia“ já ciente do que encontraria.
Mas foi além.
Nestes tempos de fanatismo por toda parte, este filme brinca e alerta para as consequências desse tipo de pensamento. Essa é a primeira e mais óbvia camada, é claro. PORÉM, o que achei mais impactante é como o diretor usa esse pano de fundo brincar com algo terrível: uma pergunta de duas palavras que permeia a mente dos fanáticos, mas também da população mais sensata: E SE?
A dúvida, meu amigo e minha amiga: a dúvida é um ativo perigosíssimo no mundo.
Não, “Bugonia“ não me pareceu maravilhoso e arrebatador — apesar das grandes atuações —, mas mexeu comigo. No final, enquanto os créditos passavam (créditos que, pelo uso da fonte itálica e estranha, bugaram minha cabeça hahahahaha), eu fiquei refletindo muito.
Valeu a pena pela experiência, valeu a pena pelas atuações, valeu a pena pelo “e se?”
“KKKKKKK Que viagem no final!"
E se...?
Livros Restantes
3.6 34A meu ver, creio que há filmaços como "O Agente Secreto" — cheios de reviravoltas e ação — e há filmaços como "Ainda estou aqui" — com drama pujante e arrebatador. E há filmaços como "Livros restantes", que são sutis, sem grandes reviravoltas e nos lembram que as banalidades da vida também contam histórias.
Eu fiquei em silêncio. Simplesmente isso. Fiquei até o último segundo dos créditos, pensando, refletindo, ruminando. Denise Fraga é hipnotizante. E tornou-se ainda mais em cada conversa sobre a vida. Achei o filme muito, muito bonito. Tem identidade regional, tem sotaque, tem ambientação para além do lugar-comum. Tem dor, mistério, cansaço, afeto... vida.
Mais uma vez essa palavra: vida.
É um filme sobre os livros e sobre a vida sendo como as prateleiras que guardam esses livros: ora vazia, ora cheia; ora transbordando de conhecimento, ora repleta da saudade pelo o que se foi. Carcomida, cheia de poeira, capengando, quase caindo, mas ainda de pé.
Sem contar que temos aqui uma obra que mostra que sim, você pode fazer um filme que não é LGBTQIA+ contar histórias LGBTQIA+
Eu me senti abraçado.
A música final — "Balaio" do Marcelo Portela — é apaixonante.
"O pescador quando vai / Para os caminhos do mar / Nem aprendeu a viver / Tem de aprender a voltar / O pescador quando sai / Leva um pedaço de mim / O que me resta é fazer / Fé no Senhor do Bonfim / Se o cardume vier / Lembra da dica da mãe / Anda na mão da maré / Deixa que peixe se apanhe / Quando puder retornar / Não se demore tão só / Faz um balaio pra mim / Outro balaio pra vó"
Uma aula de vida em filme e em música.
O Refém: Atentado em Madri
2.8 10 Assista AgoraConseguiu me deixar tenso. Sei que as decisões narrativas se tornam estranhas ao longo do filme — e beiram o melodrama no final —, mas, no geral, gostei do frenesi que proporcionou.
Os Dinossauros
4.0 23 Assista AgoraO ser humano como conhecemos vive há cerca de 300 mil anos — 2 a 3 milhões se considerarmos nossos ancestrais. Os dinossauros dominaram a Terra por 160 milhões de anos e ainda estão entre nós. Répteis, então, datam de muito antes (mais de 250 milhões de anos). O tardígrado, um animalzinho microscópico que sobrevive até no vácuo, está no mundo há 500 milhões de anos. E nós — que só existimos porque os dinossauros foram extintos — nos achamos o máximo da evolução. Este é um daqueles documentários que nos lembram de nossa pequenez e frivolidade.
Aquele Natal
3.5 51 Assista AgoraNão gosto de filmes de natal — de fato, confesso, sou o Grinch e odeio a data. MAAAAAS este filme subiu a montanha e aqueceu meu coração. Quando li a chamada de "Um filme natalino que se tornará um clássico" eu revirei os olhos. Agora, após assistir, mordo minha língua e tiro o chapéu.
O que mais chamou a minha atenção é o fato de que a narrativa foge da fantasia clichê do Papai Noel e mostra como o Natal depende mais das atitudes individuais. Sim, sim, é uma mensagem óbvia, também clichê, mas que aqui, a meu ver, ganhou tons mais palpáveis graças ao personagem Williams e à professora Bernadette.
Há uma música de Sarah Brightman chamada "Colder Than Winter" — cover de Vince Gill — que fala exatamente do lado doloroso do Natal, melancólico e difícil para algumas pessoas. Acredito que, guardadas as devidas proporções, "Aquele Natal" conseguiu me lembrar desse detalhe.
Animação bonita, mensagem tocante, personagens com curva de evolução, longe do humor pastelão e/ou bobo = virou favorito. Gostei muito.
Dúvida
3.9 1,1K Assista AgoraFilmaço!
Meryl Streep é hipnotizante. Simplesmente hipnotizante. Junte-a com Amy Adams e Viola Davis e nem vi o tempo passar. Eu queria mais!
Uau. Eu não sou cristão, mas estou imenso na igreja por causa da família e digo que há muitas coisas estranhas dentro dessas paredes. Padre que "caem para cima", encontros furtivos, padres que saem de férias com os coroinhas levando garrafas de cerveja, padres íntimos demais de algumas pessoas... Já vi e soube se muita coisa, infelizmente.
"Dúvida" me ganhou com a seriedade. O tom do filme é muito frio e rígido, emanando exatamente a retidão das freiras — que, tanto na ficção como foram dela, sabem se muitos segredos. E o final... Nossa. Aula de interpretação, aula de escrita criativa, aula de espiritualidade.
Fui arrebatado.
#Salve Rosa
2.7 83 Assista AgoraKarine Teles e Klara Castanho estão incríveis. Lendo alguns comentários aqui, noto que algumas pessoas parecem não compreender o motivo de terem escolhido a Klara para interpretar esse papel.
Gente, a personagem Rosa é uma garota de 12/13 anos que na verdade tem 18/19. Eles precisavam de uma atriz adulta e que imprimisse a delicadeza da Rosa "menininha" e "delicada_. Simples assim.
E a Klara está estupenda no papel.
Outra coisa: "aí, as cenas +18..."
Sério? 🙄 Mais 18 onde? Chegamos ao ponto de falso puritanismo que as pessoas desconhecem o que é+18? Faça-me o favor. Vão assistir "Anticristo" de Lars Von Trier, por exemplo, para saber o que é+18. Parece o mesmo mimimi tosco que vi em "Saltburn", com gente se dizendo "em choque".
Acho que algumas pessoas precisam de um choque de realidade para terem motivos reais para se sentirem "em choque".
A construção da personagem Dora aponta para essas cenas. A personalidade da personagem envolve essa tentativa de autoafirmação por meio do sexo, além do frisson que ela sente ao se ver seduzindo as pessoas. É um mecanismo de poder. A cueca de amadurecimento da Dora deixa isso claro. Inclusive, o filme é também uma crítica a como as mesmas redes sociais que enaltecem a Rosa alimentam o etarismo.
Agora, apesar das qualidades que vi no filme, creio que os 25% finais vão perdendo a linha. A trama se torna corrida demais, com soluções a meu ver meio bobas e um final empobrecido diante do que vi no começo. Na minha perspectiva, o esplendor se perdeu após a surpresa.
Entre perdas e ganhos, fiquei surpreso com a qualidade da filmagem, as atuações e a premissa do filme. Pena que a conclusão foi agridoce.
Corina
3.6 8 Assista AgoraQue grata, grata, grata surpresa! Uau, que filme maravilhoso. Humor sutil, entrelinhas, metalinguagem, uma ode à literatura e ao poder de uma boa história. Incrível. Sendo escritor, foi um deleite para mim. Achei muito massa ver como o trabalho com os clichês de uma história como essa moldaram uma trama diferenciada. Como insisto, uma boa história não é sobre buscar a abstração do ineditismo, mas sim sobre trabalhar com o que já se tem, alimentando, temperando com elementos regionais. Foi o que encontrei aqui. "Corina" é único porque fez esse trabalho com maestria. Estou encantado!
Junji Ito: Histórias Macabras do Japão (1ª Temporada)
3.1 85No geral, estafante. Prossegui porque evito ao máximo abandonar as coisas no meio, mas, sinceramente, foi resistência. Alguns quase (QUASE) me ganharam, porém, caíram todos no problema geral: falta de conclusão.
— Os estranhos irmãos Hikizuri (2.5): Ok.
— A história do túnel misterioso (2,5): nada extraordinário. Apenas Ok.
— Balões no ar (3): interessante e perturbador, sem dúvida.
— Quatro x quatro paredes (2): Senti falta de... sentido. ¯\_(ツ)_/¯
— Esconderijo (2.5): bizarro , mas, novamente, nada extraordinário, a meu ver
— Intruso (2): mais um sem finalização. Parece o Piloto de algo maior...
— Cabelo longo no sótão (2): o fator surpresa... nada
— Mofo (3): Até aqui, o que mais se aproximou do que eu espero do termo "macabro". Porém, falta uma completude, uma sensação de ser uma história com começo, meio e fim.
— Visão na biblioteca (2,5): meio nhé...
— Cidade de túmulos (3): sabe-se para onde vai, mas, ao menos, teve começo, meio e fim.
— Camadas de terror (4): esse aqui chamou minha atenção. O termo "macabro", finalmente, fez sentido. Gostei da bizarrice.
— O que o mar trouxe (2): um daqueles que empolga pela premissa, mas é só um aperitivo... decepcionante...
— Foto de Tomie (2,5): idem
— Labirinto insuportável (2): a forma abrupta como finalizam é irritante...
— Implicante (3,5): mais um que dê fato me surpreendeu. Gostei como incomporaram a máxima de que crianças podem ser muito malvadas com uma desmistificação do amor sagrado e pueril.
—Beco (2,5): ----------
— Estátua sem cabeça (2): Basicamente, uma repetição de fragmentos de outros curtas, como "Balões no ar" e "Cabelo longo no sótão".
— Mulher que sussurra (3): não apenas macabro, como bizarro. Só que, na minha opinião fecal, a questão da obviedade na finalização ainda é um problema.
— Bichinho de estimação (1,5): Achei bem ruinzinho, sinceramente. Repetido, exagerado e bem distante do macabro — ao menos, no meu entendimento do termo.
Oats Studios (1ª Temporada)
3.1 34— Rakka (3): conceito interessante, mas fiquei com uma sensação de "coisa inacabada"...
— Base (3): acho massa narrativas que brincam com fatos históricos, jogando-os em um ambiente de ficção científica. Mas, assim como "Rakka", senti falta de finalização da trama.
— Cozinhando com Bill (1): perda de tempo absurda... :/
— Deus (2,5): gostei do conceito de Deus brincando de "SimCity" e de "ZooTycoon". É uma narrativa clássica, mas que funcionou, a meu ver.
— Zigoto (3,5): a tensão me manteve vidrado. Lembrei do jogo "INSIDE". Pena que, assim como outros curtas, parece o Episódio Piloto de algo maior — que talvez nunca vejamos.
— Presidente rum (1): mais um horrível. Sem nuances, sem entrelinhas. A crítica seria boa se não fosse um curta tão bobo.
— ADAM, Episódio 2 (2): legal, mas falta uma narrativa aqui. Do jeito que foi apresentado, é apenas um teste de vídeo.
— ADAM, Episódio 3 (2): idem
— Gdansk (0,5): e pensar que a Netflix deu dinheiro para esse tipo de coisa entrar no catálogo...
— Kapture: (1,5): mais um da série "ótimo conceito, execução irritante".
Em resumo: "OATS Studios" precisa comer muito feijão com arroz para chegar aos pés de "Black Mirror" e "Love, Death and Robots". Decepcionante.
Queer Eye: Mais Que um Makeover (10ª Temporada)
3.7 5Fiquei triste por saber que é a última temporada, triste pela briga relacionada ao Karamo, triste pelo modo como esses anos foram encerrados... Agora, para mim, os dois primeiros episódios dessa 10ª temporada conseguiram resumir o que foi "Queer Eye".
O episódio das irmãs é tocante demais. O modo como os 5 desconstroem essa senhora tão machucada, tão sofrida — e, por isso mesmo, rancorosa — é de um senso de humanidade muito bonito. Além disso, foi muito simbólico, diante de tudo o que tem acontecido nos EUA (que, basicamente, tem destruído a própria história democrática), a terem levado para contar a trajetória de vida. Lindo episódio.
AGORA, o segundo episódio... Uau! Creio que dentro dessas 10 temporadas foi, a meu ver, a pessoa mais difícil que eles tiveram que lidar. E exatamente por eles terem toda a experiência das temporadas anteriores, conseguiram fazer essa mulher se redescobrir. Eu já passei por situações muito traumáticas e sei como é difícil retirar a armadura e reaprender a sorrir quando o mundo só te massacra. O que o Jeremiah fez (sem spoilers!) me quebrou muito. É a essência do "Queer Eye" em uma frase: "A gente não vai desistir de você!"
Se você tiver a oportunidade, sério, seja um Jeremiah na vida de alguém. Não é fácil, mas, às vezes, só de estar ao lado já ajuda muito.
Ufa. Foi... agridoce. Tão poucos episódios — dois que se destacaram para mim (um que está no mesmo patamar, o do professor da escola comunitária) — e uma ode à crença na humanidade. Que bom que, pelo menos, tiveram os depoimentos dos 5 ao final de cada episódio, resumindo o que foi essa experiência de 10 temporadas.
A temporada em si merecia umas 3 estrelas, mas acrescento mais uma pelo inegável legado.
Vida longa aos ensinamentos de "Queer Eye".
Lilo & Stitch
3.5 243 Assista AgoraHá muito tempo não me divertia tanto com um live action da Disney. Adorei o filme. Ri, fiquei emocionado e consegui esquecer do mundo por duas horas. Na minha opinião, há carisma e preservação do cerne da animação. E que animação, hein? Fiquei impressionado. Para mim, valeu cada segundo. Consegui rememorar a época em que largava tudo para assistir ao desenho.