“Wuthering Heights” é visualmente deslumbrante, com fotografia, figurinos e direção de arte impecáveis, mas emocionalmente me parece um filme vazio e superficial. A diretora claramente tenta transformar a história em algo mais sensual, obsessivo e provocativo, mas acaba sacrificando justamente a profundidade e a força trágica do romance original. Margot Robbie continua maravilhosa e é uma atriz excelente, mas sinceramente a achei "velha" demais para interpretar Catherine Earnshaw, especialmente em uma versão que exige tanta imaturidade emocional da personagem. Já Jacob Elordi, apesar de muita gente elogiar a química entre os dois, eu particularmente discordo: acho ele um ator no máximo mediano, bastante inexpressivo e que nunca convence como Heathcliff. O relacionamento central acaba funcionando mais como atração física do que como aquela conexão destrutiva e arrebatadora que a história pede. Ainda assim, o filme prende pela atmosfera e pela beleza estética, embora a conclusão seja extremamente corrida. Vale como curiosidade, mas na minha opinião, esse romance ainda carece de uma versão definitiva e definitivamente não foi essa.
O Diabo Veste Prada 2 é aquele tipo de sequência que funciona mais pela nostalgia do que pela necessidade real de existir. É muito bom rever esses personagens depois de tantos anos, e o elenco continua segurando tudo com facilidade, Meryl Streep ainda domina cada cena em que aparece e Emily Blunt continua tendo os melhores momentos do filme. Visualmente também funciona bem, cheio de referências ao original e com aquele universo da moda que continua divertido de acompanhar. Mas falta justamente o que fazia o primeiro ter tanta personalidade: Miranda está muito mais “suavizada”, o humor perdeu boa parte da acidez e o conflito nunca ganha peso de verdade. No fim, parece mais um reencontro confortável com personagens clássicos do que uma continuação que realmente acrescenta algo importante à história.
"O Drama" começa quase como uma comédia romântica meio torta sobre casamento e insegurança, mas vai ficando cada vez mais desconfortável e caótico conforme os segredos aparecem. O filme acerta bastante nessa mistura de humor ácido com tensão psicológica, criando cenas estranhas, constrangedoras e engraçadas ao mesmo tempo. Zendaya entrega a atuação mais forte, enquanto Pattinson cresce muito na segunda metade, vendendo bem a paranoia e o colapso emocional do personagem. O problema é que o roteiro trata a grande revelação como algo devastador demais para o que realmente é, transformando uma ideia idiota de adolescência em uma tragédia quase existencial. No fim, sobra a sensação de que o filme aumenta muito o peso de algo que talvez merecesse uma reação um pouco menos apocalíptica. PS: gostei do final, lúdico e alegórico, combinando com o clima estranho que o filme constrói desde o início.
"Uma segunda chance" tem cara daqueles dramas românticos feitos sob medida para mexer com com quem assiste, e em vários momentos consegue. A história sobre culpa, perda e tentativa de recomeço funciona melhor quando foca na relação da protagonista com a filha e no peso emocional que existe naquela família destruída por uma perda. O problema é que o filme também força bastante algumas situações, principalmente o romance com o melhor amigo do ex-namorado, que acontece rápido demais e nunca parece totalmente natural. Além disso, achei toda a motivação da prisão exagerada e pouco crível, como se o roteiro precisasse empurrar o drama a qualquer custo. Ainda assim, tem boas atuações, um clima sincero e aquele tipo de emoção simples que acaba funcionando, mesmo quando a previsibilidade pesa bastante.
Hamnet é um filme profundamente melancólico, daqueles que parecem existir mais nos silêncios, nos olhares e nos pequenos gestos do que propriamente nos diálogos. A direção constrói uma obra visualmente impecável, com imagens da natureza e da vida cotidiana carregadas por uma tristeza constante, como se o luto estivesse impregnado em cada detalhe daquelas vidas. Jessie Buckley entrega uma atuação impressionante e absolutamente digna de Oscar, transmitindo dor, desgaste e vazio com uma intensidade quase silenciosa. Existe uma humanidade muito forte no filme, e é impossível não sentir empatia pelos personagens e pelo sofrimento que carregam. Ainda assim, apesar de toda a beleza estética e do cuidado emocional, a narrativa nunca conseguiu me conectar completamente com a trama e com aquelas dores. Tudo parece contemplativo e contido demais, fazendo com que a emoção permaneça sempre um pouco distante, mesmo quando o filme claramente quer partir o coração de quem assiste. Terminei o filme com a sensação de que ele poderia ter sido emocionalmente mais profundo e marcante do que realmente foi.
28 Years Later: The Bone Temple não é um filme ruim, mas é claramente um capítulo irregular e desnecessário da franquia, além de pouco interessado em construir uma narrativa realmente consistente. O resultado é uma trama desigual, que alterna boas ideias e atuações fortes (com destaque para Ralph Fiennes) com longos trechos centrados em violência e tortura, que, na minha opinião, servem mais ao choque do que propriamente à história. O suposto protagonista Spike acaba ficando em segundo plano, com sua trajetória pouco desenvolvida em relação ao filme anterior, o que reforça a sensação de estagnação do universo apresentado. Ainda assim, o filme entrega alguns momentos de impacto visual e uma atmosfera competente. O desfecho traz uma surpresa que tenta adicionar peso ao conjunto, mas não elimina a sensação de irregularidade ao longo do caminho.
"Casamento Sangrento: A Viúva" é uma sequência competente, porém desnecessária, que expande o universo do original em detrimento da simplicidade que o tornava tão eficaz. O filme aposta mais no gore e no humor ácido, entregando cenas divertidas, embora por vezes repetitivas e excessivas. O principal problema está no ritmo, que se alonga além do necessário e dilui a tensão. Ainda assim, Samara Weaving mais uma vez se destaca com uma performance intensa e segura, reafirmando seu talento (na minha opinião, uma das atrizes mais subestimadas da atualidade)... No geral, é entretenimento razoável, mas fica como um claro passo atrás em relação ao original.
"Bola pra Cima" tenta se sustentar no absurdo, mas acaba sendo apenas preguiçoso e expressa toda a ignorância do americano médio. O humor é raso, repetitivo, raramente funciona e quando funciona, parece mais acidente do que mérito. A direção é burocrática e o roteiro claramente abre mão de qualquer coerência para empilhar situações ridículas e absurdas. Como brasileiro, incomoda bastante a forma caricata e superficial com que o país e sua cultura são retratados, beirando o desrespeito. Além disso, o filme escancara um desconhecimento quase total sobre futebol e geografia básica. No fim, entrega uma bagunça sem graça e facilmente descartável.
Fackham Hall até começa com uma boa proposta de paródia ao estilo das produções de época britânicas, mas rapidamente se perde no tom. Como fã do humor britânico, especialmente aquele mais ácido e inteligente, senti falta justamente disso aqui, já que o filme aposta em piadas óbvias e previsíveis, muitas vezes mais bobas do que afiadas. A produção e o elenco até fazem sua parte, mas o roteiro parece indeciso entre sátira e comédia escrachada, sem funcionar bem em nenhum dos dois. Algumas gags visuais funcionam, mas são exceções em meio a muitas tentativas que não engatam. No fim, é um esforço válido, mas que passa longe do nível de humor que esse tipo de proposta pede.
"O Jogo do Predador" é puro fast-food cinematográfico com cara de Netflix: rápido, direto e feito para entreter sem exigir muito. As cenas de ação funcionam bem e ajudam a manter o ritmo, com Charlize Theron entregando bastante fisicalidade e uma atuação consistente dentro da proposta, enquanto Taron Egerton cumpre bem o papel do antagonista. A dinâmica de caça e sobrevivência prende, mesmo sendo previsível. Faltou aprofundar melhor as motivações do “caçador”, que ficam meio jogadas, ainda que o filme claramente não tenha interesse em ir muito além disso. No fim, é descartável, mas funciona enquanto dura.
"A Meia-Irmã Feia" pega o conto clássico da Cinderella e vira do avesso com uma abordagem grotesca e provocativa. A direção aposta forte no body horror (lembrando um pouco A Susbtância), mostrando a busca pela beleza como algo doloroso e até perturbador. A protagonista se destaca ao dar humanidade à protagonista, mesmo em meio a personagens moralmente difíceis. Visualmente é marcante, com uma estética sombria e incômoda, mas o ritmo irregular e o excesso de choque às vezes atrapalham a mensagem. Ainda assim, é uma releitura ousada e difícil de ignorar.
"Socorro!" é exatamente o tipo de filme que mostra por que eu gosto tanto do estilo do Sam Raimi: exagerado, desconfortável e cheio de personalidade. A mistura de terror, humor ácido e situações absurdas funciona muito bem, criando momentos que fazem rir e, ao mesmo tempo, desviar o olhar. Rachel McAdams surpreende bastante, entregando uma atuação intensa e totalmente fora da sua zona de conforto. A dinâmica de sobrevivência vira quase um jogo moral incômodo, onde ninguém é totalmente herói ou vilão. Não é perfeito, mas é provocativo, divertido e difícil de esquecer. Com certeza recomendo.
Marty Supreme acaba sendo um filme competente, mas bem abaixo do hype que criou ao redor. Eu mesmo não tinha grandes expectativas e talvez por isso tenha funcionado melhor: é bom, mas longe de ser memorável. O maior problema está no protagonista, um anti-herói difícil de se envolver, que pouco evolui e cujos erros não geram consequências à altura dentro da história. Ainda assim, o filme se sustenta na direção e na boa execução técnica, com ritmo intenso (às vezes até excessivo). Acho o Timothée Chalamet um pouco superestimado, mas aqui ele entrega uma atuação sólida e consistente, embora, na minha visão, longe de nível Oscar. No final das contas, acho que vale sim uma conferida. Está no Prime.
"Uma Mistura Especial" é aquele tipo de comédia dos anos 80 que não envelheceu nada bem. O humor é bobo, repetitivo e, em vários momentos, chega a ser constrangedor, com situações mais apelativas do que engraçadas. A ideia da telecinese até tinha potencial, mas é usada de forma rasa e sem criatividade. Mesmo para quem curte esse tipo de filme, fica difícil defender, pois o roteiro é fraco e parece não saber muito bem o que quer ser. Não perca seu tempo.
Grizzly Night é um daqueles filmes em que o baixo orçamento fica evidente em cada cena, da produção aos efeitos, tudo soa improvisado e pouco convincente. As atuações são fracas e o roteiro é raso, sem conseguir criar tensão ou qualquer envolvimento real com a história. Mesmo para quem entra com expectativas baixas, o ritmo lento e a falta de criatividade tornam a experiência cansativa. E o mais frustrante: por se basear em uma história real, o filme merecia um tratamento muito mais cuidadoso e bem executado. No fim, passa a sensação de um verdadeiro desperdício de tempo e de um filme completamente desnecessário.
O filme aposta em uma premissa absurda, sobreviventes de um acidente aéreo presos no fundo do mar com tubarões (desgraça pouca é bobagem), mas conduz a ideia com razoável eficiência. A direção acerta no ritmo e cria uma tensão constante, mesmo que o suspense perca força pela previsibilidade de quem deve sobreviver. O elenco é irregular: a protagonista sustenta bem, enquanto coadjuvantes oscilam entre o funcional e o descartável. O maior problema está na lógica, com várias situações pouco críveis que exigem boa vontade de quem está assistindo. Ainda assim, o filme compensa com atmosfera e entretenimento direto, sem enrolação. Longe de ser memorável, mas definitivamente melhor do que muitos comentários sugerem.
“Devorador de Estrelas” é um sci-fi que claramente opta por ser mais leve e acessível, mas acaba pagando o preço por isso. A proposta é interessante e o filme é agradável de assistir, com bons efeitos e uma dinâmica interessante entre os personagens, mas falta profundidade, principalmente no peso dramático e no senso de urgência. O tom puxa muito para o humor e, em vários momentos, quase parece um filme infantil, deixando a ciência, que já é bem questionável, e a complexidade em segundo plano. Ryan Gosling funciona, mas não carrega nada muito desafiador aqui. No fim, é um entretenimento competente, porém muito aquém do que eu esperava, principalmente devido ao hype sobre o fime. Detalhe: comparar isso com “Interstellar” é quase um sacrilégio.
“Borderline” (me recuso a escrever o título em português) é um daqueles filmes que tentam misturar humor ácido com suspense, mas acabam se perdendo no próprio tom. A proposta até é interessante, com a ideia de obsessão e fama servindo de base, mas a execução oscila demais entre o tenso e o caricato. Há momentos pontuais que funcionam, especialmente no humor mais absurdo, mas o roteiro parece inseguro e inconsistente. No fim, é um filme irregular: tem certo charme e boas intenções, mas nunca encontra um equilíbrio que o faça realmente funcionar.
“Mike & Nick & Nick & Alice” (aliás que nome ruim) é aquele tipo de filme que não tenta ser mais do que realmente é e isso joga a favor. Misturando ação, comédia e viagem no tempo, entrega um entretenimento leve, com bom ritmo e situações absurdas que funcionam mais pelo timing do que pela profundidade e/ou originalidade. O elenco parece se divertir bastante e isso ajuda a sustentar o clima descontraído. Não é particularmente inovador e nem sempre acerta no humor, mas compensa com dinamismo e uma narrativa que flui fácil. No fim, é um típico “filme pipoca”: imperfeito, às vezes bagunçado, mas divertido o suficiente para desligar a cabeça e aproveitar. Está no Disney+.
"Now You See Me: Now You Don't" até tenta resgatar a magia da franquia, mas acaba parecendo mais um truque repetido do que algo realmente novo. O filme continua ágil e estiloso, com momentos divertidos e a presença do elenco original ainda trazendo um certo peso e familiaridade à história. Já a nova geração não ajuda: personagens sem graça, pouco desenvolvidos e que dificilmente engajam, tirando força do conjunto. A trama se perde no excesso de gente e em reviravoltas que parecem mais forçadas do que inteligentes. Curiosamente, a vilã funciona melhor do que o esperado e adiciona uma camada interessante ao filme. No fim, entretém, mas sem brilho. Um filme ok que nunca chega perto do impacto dos primeiros.
"Como Treinar o seu Dragão" é aquele tipo de filme que assistimos com um sorriso fácil: bonito, leve e claramente feito com carinho. Visualmente é quase perfeito e o elenco segura bem, com destaque para Gerard Butler, que rouba a cena quando aparece. Ao mesmo tempo, a história segue tão fiel ao original que acaba tirando um pouco do impacto, obviamente pra quem já assistiu a animação. A relação entre Soluço e Banguela funciona, mas aqui parece acontecer rápido demais, sem o mesmo encanto natural. Pra quem nunca viu, entretém fácil mas também não surpreende ninguém: é a velha fórmula que sempre funciona. No fim, é bom, redondo… só que, na minha opinião, não tem aquela magia extra que faria ser inesquecível.
Christine é um terror diferente, que pega uma ideia quase absurda, um carro possuído, e transforma em algo surpreendentemente bom e envolvente. Sob a ótima direção de John Carpenter, o filme aposta mais na atmosfera e na construção de tensão do que em sustos fáceis ou violência explícita. A transformação do protagonista, de tímido a obcecado, funciona bem e dá peso à narrativa. O elenco, no geral, é fraco, mas a tensão construída ao longo do filme compensa bastante essa limitação. Os efeitos práticos, especialmente nas cenas em que o carro se “regenera”, continuam impressionantes até hoje. Apesar de alguns personagens mais rasos e do ritmo irregular, é um filme que envelheceu bem. No fim, é um terror estiloso e subestimado, que vale a experiência.
"The Pretty One" parte de uma premissa interessante, a troca de identidade entre irmãs gêmeas após um acidente, mas executa isso de forma irregular. O destaque fica para Zoe Kazan, que sustenta bem as diferenças entre as duas personagens, trazendo nuances convincentes. O filme tenta equilibrar drama e leve comédia, mas sofre com ritmo inconsistente e alguns momentos pouco críveis, especialmente na facilidade com que a protagonista assume a nova vida. Há também certa superficialidade emocional nos coadjuvantes, o que na minha opinião enfraquece o impacto da história. Ainda assim, a proposta sobre identidade e autodescoberta tem seu valor. No geral, é um filme ok...interessante, mas longe de ser memorável.
We Have a Ghost até tem uma ideia leve e simpática, uma família que viraliza ao descobrir um fantasma em casa, mas se perde feio na execução. O filme claramente não sabe o que quer ser, alternando entre comédia, drama familiar, mistério e até perseguição, sem realmente funcionar bem em nenhum desses tons. A duração também pesa bastante, esticando uma história simples além do necessário e tornando a experiência cansativa. O elenco segura o que dá, com destaque para David Harbour, que traz alguma humanidade ao personagem, mas o problema está mais no roteiro e na direção do que nas atuações. No fim, é aquele típico filme da Netflix: assistível e esquecível.
O Morro dos Ventos Uivantes
2.9 240 Assista Agora“Wuthering Heights” é visualmente deslumbrante, com fotografia, figurinos e direção de arte impecáveis, mas emocionalmente me parece um filme vazio e superficial. A diretora claramente tenta transformar a história em algo mais sensual, obsessivo e provocativo, mas acaba sacrificando justamente a profundidade e a força trágica do romance original. Margot Robbie continua maravilhosa e é uma atriz excelente, mas sinceramente a achei "velha" demais para interpretar Catherine Earnshaw, especialmente em uma versão que exige tanta imaturidade emocional da personagem. Já Jacob Elordi, apesar de muita gente elogiar a química entre os dois, eu particularmente discordo: acho ele um ator no máximo mediano, bastante inexpressivo e que nunca convence como Heathcliff. O relacionamento central acaba funcionando mais como atração física do que como aquela conexão destrutiva e arrebatadora que a história pede. Ainda assim, o filme prende pela atmosfera e pela beleza estética, embora a conclusão seja extremamente corrida. Vale como curiosidade, mas na minha opinião, esse romance ainda carece de uma versão definitiva e definitivamente não foi essa.
O Diabo Veste Prada 2
3.6 173O Diabo Veste Prada 2 é aquele tipo de sequência que funciona mais pela nostalgia do que pela necessidade real de existir. É muito bom rever esses personagens depois de tantos anos, e o elenco continua segurando tudo com facilidade, Meryl Streep ainda domina cada cena em que aparece e Emily Blunt continua tendo os melhores momentos do filme. Visualmente também funciona bem, cheio de referências ao original e com aquele universo da moda que continua divertido de acompanhar. Mas falta justamente o que fazia o primeiro ter tanta personalidade: Miranda está muito mais “suavizada”, o humor perdeu boa parte da acidez e o conflito nunca ganha peso de verdade. No fim, parece mais um reencontro confortável com personagens clássicos do que uma continuação que realmente acrescenta algo importante à história.
O Drama
3.8 183"O Drama" começa quase como uma comédia romântica meio torta sobre casamento e insegurança, mas vai ficando cada vez mais desconfortável e caótico conforme os segredos aparecem. O filme acerta bastante nessa mistura de humor ácido com tensão psicológica, criando cenas estranhas, constrangedoras e engraçadas ao mesmo tempo. Zendaya entrega a atuação mais forte, enquanto Pattinson cresce muito na segunda metade, vendendo bem a paranoia e o colapso emocional do personagem. O problema é que o roteiro trata a grande revelação como algo devastador demais para o que realmente é, transformando uma ideia idiota de adolescência em uma tragédia quase existencial. No fim, sobra a sensação de que o filme aumenta muito o peso de algo que talvez merecesse uma reação um pouco menos apocalíptica. PS: gostei do final, lúdico e alegórico, combinando com o clima estranho que o filme constrói desde o início.
Uma Segunda Chance
3.1 27 Assista Agora"Uma segunda chance" tem cara daqueles dramas românticos feitos sob medida para mexer com com quem assiste, e em vários momentos consegue. A história sobre culpa, perda e tentativa de recomeço funciona melhor quando foca na relação da protagonista com a filha e no peso emocional que existe naquela família destruída por uma perda. O problema é que o filme também força bastante algumas situações, principalmente o romance com o melhor amigo do ex-namorado, que acontece rápido demais e nunca parece totalmente natural. Além disso, achei toda a motivação da prisão exagerada e pouco crível, como se o roteiro precisasse empurrar o drama a qualquer custo. Ainda assim, tem boas atuações, um clima sincero e aquele tipo de emoção simples que acaba funcionando, mesmo quando a previsibilidade pesa bastante.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 427 Assista AgoraHamnet é um filme profundamente melancólico, daqueles que parecem existir mais nos silêncios, nos olhares e nos pequenos gestos do que propriamente nos diálogos. A direção constrói uma obra visualmente impecável, com imagens da natureza e da vida cotidiana carregadas por uma tristeza constante, como se o luto estivesse impregnado em cada detalhe daquelas vidas. Jessie Buckley entrega uma atuação impressionante e absolutamente digna de Oscar, transmitindo dor, desgaste e vazio com uma intensidade quase silenciosa. Existe uma humanidade muito forte no filme, e é impossível não sentir empatia pelos personagens e pelo sofrimento que carregam. Ainda assim, apesar de toda a beleza estética e do cuidado emocional, a narrativa nunca conseguiu me conectar completamente com a trama e com aquelas dores. Tudo parece contemplativo e contido demais, fazendo com que a emoção permaneça sempre um pouco distante, mesmo quando o filme claramente quer partir o coração de quem assiste. Terminei o filme com a sensação de que ele poderia ter sido emocionalmente mais profundo e marcante do que realmente foi.
Extermínio: O Templo dos Ossos
3.4 228 Assista Agora28 Years Later: The Bone Temple não é um filme ruim, mas é claramente um capítulo irregular e desnecessário da franquia, além de pouco interessado em construir uma narrativa realmente consistente. O resultado é uma trama desigual, que alterna boas ideias e atuações fortes (com destaque para Ralph Fiennes) com longos trechos centrados em violência e tortura, que, na minha opinião, servem mais ao choque do que propriamente à história. O suposto protagonista Spike acaba ficando em segundo plano, com sua trajetória pouco desenvolvida em relação ao filme anterior, o que reforça a sensação de estagnação do universo apresentado. Ainda assim, o filme entrega alguns momentos de impacto visual e uma atmosfera competente. O desfecho traz uma surpresa que tenta adicionar peso ao conjunto, mas não elimina a sensação de irregularidade ao longo do caminho.
Casamento Sangrento: A Viúva
3.3 96"Casamento Sangrento: A Viúva" é uma sequência competente, porém desnecessária, que expande o universo do original em detrimento da simplicidade que o tornava tão eficaz. O filme aposta mais no gore e no humor ácido, entregando cenas divertidas, embora por vezes repetitivas e excessivas. O principal problema está no ritmo, que se alonga além do necessário e dilui a tensão. Ainda assim, Samara Weaving mais uma vez se destaca com uma performance intensa e segura, reafirmando seu talento (na minha opinião, uma das atrizes mais subestimadas da atualidade)... No geral, é entretenimento razoável, mas fica como um claro passo atrás em relação ao original.
Bola pra Cima
1.8 56 Assista Agora"Bola pra Cima" tenta se sustentar no absurdo, mas acaba sendo apenas preguiçoso e expressa toda a ignorância do americano médio. O humor é raso, repetitivo, raramente funciona e quando funciona, parece mais acidente do que mérito. A direção é burocrática e o roteiro claramente abre mão de qualquer coerência para empilhar situações ridículas e absurdas. Como brasileiro, incomoda bastante a forma caricata e superficial com que o país e sua cultura são retratados, beirando o desrespeito. Além disso, o filme escancara um desconhecimento quase total sobre futebol e geografia básica. No fim, entrega uma bagunça sem graça e facilmente descartável.
Fackham Hall
3.0 3Fackham Hall até começa com uma boa proposta de paródia ao estilo das produções de época britânicas, mas rapidamente se perde no tom. Como fã do humor britânico, especialmente aquele mais ácido e inteligente, senti falta justamente disso aqui, já que o filme aposta em piadas óbvias e previsíveis, muitas vezes mais bobas do que afiadas. A produção e o elenco até fazem sua parte, mas o roteiro parece indeciso entre sátira e comédia escrachada, sem funcionar bem em nenhum dos dois. Algumas gags visuais funcionam, mas são exceções em meio a muitas tentativas que não engatam. No fim, é um esforço válido, mas que passa longe do nível de humor que esse tipo de proposta pede.
O Jogo do Predador
2.8 159 Assista Agora"O Jogo do Predador" é puro fast-food cinematográfico com cara de Netflix: rápido, direto e feito para entreter sem exigir muito. As cenas de ação funcionam bem e ajudam a manter o ritmo, com Charlize Theron entregando bastante fisicalidade e uma atuação consistente dentro da proposta, enquanto Taron Egerton cumpre bem o papel do antagonista. A dinâmica de caça e sobrevivência prende, mesmo sendo previsível. Faltou aprofundar melhor as motivações do “caçador”, que ficam meio jogadas, ainda que o filme claramente não tenha interesse em ir muito além disso. No fim, é descartável, mas funciona enquanto dura.
A Meia-Irmã Feia
3.8 442 Assista Agora"A Meia-Irmã Feia" pega o conto clássico da Cinderella e vira do avesso com uma abordagem grotesca e provocativa. A direção aposta forte no body horror (lembrando um pouco A Susbtância), mostrando a busca pela beleza como algo doloroso e até perturbador. A protagonista se destaca ao dar humanidade à protagonista, mesmo em meio a personagens moralmente difíceis. Visualmente é marcante, com uma estética sombria e incômoda, mas o ritmo irregular e o excesso de choque às vezes atrapalham a mensagem. Ainda assim, é uma releitura ousada e difícil de ignorar.
Socorro!
3.3 300 Assista Agora"Socorro!" é exatamente o tipo de filme que mostra por que eu gosto tanto do estilo do Sam Raimi: exagerado, desconfortável e cheio de personalidade. A mistura de terror, humor ácido e situações absurdas funciona muito bem, criando momentos que fazem rir e, ao mesmo tempo, desviar o olhar. Rachel McAdams surpreende bastante, entregando uma atuação intensa e totalmente fora da sua zona de conforto. A dinâmica de sobrevivência vira quase um jogo moral incômodo, onde ninguém é totalmente herói ou vilão. Não é perfeito, mas é provocativo, divertido e difícil de esquecer. Com certeza recomendo.
Marty Supreme
3.7 352 Assista AgoraMarty Supreme acaba sendo um filme competente, mas bem abaixo do hype que criou ao redor. Eu mesmo não tinha grandes expectativas e talvez por isso tenha funcionado melhor: é bom, mas longe de ser memorável. O maior problema está no protagonista, um anti-herói difícil de se envolver, que pouco evolui e cujos erros não geram consequências à altura dentro da história. Ainda assim, o filme se sustenta na direção e na boa execução técnica, com ritmo intenso (às vezes até excessivo). Acho o Timothée Chalamet um pouco superestimado, mas aqui ele entrega uma atuação sólida e consistente, embora, na minha visão, longe de nível Oscar. No final das contas, acho que vale sim uma conferida. Está no Prime.
Uma Mistura Especial
2.9 32"Uma Mistura Especial" é aquele tipo de comédia dos anos 80 que não envelheceu nada bem. O humor é bobo, repetitivo e, em vários momentos, chega a ser constrangedor, com situações mais apelativas do que engraçadas. A ideia da telecinese até tinha potencial, mas é usada de forma rasa e sem criatividade. Mesmo para quem curte esse tipo de filme, fica difícil defender, pois o roteiro é fraco e parece não saber muito bem o que quer ser. Não perca seu tempo.
Urso Sangrento: A Noite do Terror
1.7 3Grizzly Night é um daqueles filmes em que o baixo orçamento fica evidente em cada cena, da produção aos efeitos, tudo soa improvisado e pouco convincente. As atuações são fracas e o roteiro é raso, sem conseguir criar tensão ou qualquer envolvimento real com a história. Mesmo para quem entra com expectativas baixas, o ritmo lento e a falta de criatividade tornam a experiência cansativa. E o mais frustrante: por se basear em uma história real, o filme merecia um tratamento muito mais cuidadoso e bem executado. No fim, passa a sensação de um verdadeiro desperdício de tempo e de um filme completamente desnecessário.
Desespero Profundo
2.2 160 Assista AgoraO filme aposta em uma premissa absurda, sobreviventes de um acidente aéreo presos no fundo do mar com tubarões (desgraça pouca é bobagem), mas conduz a ideia com razoável eficiência. A direção acerta no ritmo e cria uma tensão constante, mesmo que o suspense perca força pela previsibilidade de quem deve sobreviver. O elenco é irregular: a protagonista sustenta bem, enquanto coadjuvantes oscilam entre o funcional e o descartável. O maior problema está na lógica, com várias situações pouco críveis que exigem boa vontade de quem está assistindo. Ainda assim, o filme compensa com atmosfera e entretenimento direto, sem enrolação. Longe de ser memorável, mas definitivamente melhor do que muitos comentários sugerem.
Devoradores de Estrelas
4.1 401 Assista Agora“Devorador de Estrelas” é um sci-fi que claramente opta por ser mais leve e acessível, mas acaba pagando o preço por isso. A proposta é interessante e o filme é agradável de assistir, com bons efeitos e uma dinâmica interessante entre os personagens, mas falta profundidade, principalmente no peso dramático e no senso de urgência. O tom puxa muito para o humor e, em vários momentos, quase parece um filme infantil, deixando a ciência, que já é bem questionável, e a complexidade em segundo plano. Ryan Gosling funciona, mas não carrega nada muito desafiador aqui. No fim, é um entretenimento competente, porém muito aquém do que eu esperava, principalmente devido ao hype sobre o fime. Detalhe: comparar isso com “Interstellar” é quase um sacrilégio.
Um Stalker Apaixonado
2.5 43 Assista Agora“Borderline” (me recuso a escrever o título em português) é um daqueles filmes que tentam misturar humor ácido com suspense, mas acabam se perdendo no próprio tom. A proposta até é interessante, com a ideia de obsessão e fama servindo de base, mas a execução oscila demais entre o tenso e o caricato. Há momentos pontuais que funcionam, especialmente no humor mais absurdo, mas o roteiro parece inseguro e inconsistente. No fim, é um filme irregular: tem certo charme e boas intenções, mas nunca encontra um equilíbrio que o faça realmente funcionar.
Mike & Nick & Nick & Alice
2.8 15 Assista Agora“Mike & Nick & Nick & Alice” (aliás que nome ruim) é aquele tipo de filme que não tenta ser mais do que realmente é e isso joga a favor. Misturando ação, comédia e viagem no tempo, entrega um entretenimento leve, com bom ritmo e situações absurdas que funcionam mais pelo timing do que pela profundidade e/ou originalidade. O elenco parece se divertir bastante e isso ajuda a sustentar o clima descontraído. Não é particularmente inovador e nem sempre acerta no humor, mas compensa com dinamismo e uma narrativa que flui fácil. No fim, é um típico “filme pipoca”: imperfeito, às vezes bagunçado, mas divertido o suficiente para desligar a cabeça e aproveitar. Está no Disney+.
Truque de Mestre: O 3º Ato
3.0 149 Assista Agora"Now You See Me: Now You Don't" até tenta resgatar a magia da franquia, mas acaba parecendo mais um truque repetido do que algo realmente novo. O filme continua ágil e estiloso, com momentos divertidos e a presença do elenco original ainda trazendo um certo peso e familiaridade à história. Já a nova geração não ajuda: personagens sem graça, pouco desenvolvidos e que dificilmente engajam, tirando força do conjunto. A trama se perde no excesso de gente e em reviravoltas que parecem mais forçadas do que inteligentes. Curiosamente, a vilã funciona melhor do que o esperado e adiciona uma camada interessante ao filme. No fim, entretém, mas sem brilho. Um filme ok que nunca chega perto do impacto dos primeiros.
Como Treinar o seu Dragão
4.1 286 Assista Agora"Como Treinar o seu Dragão" é aquele tipo de filme que assistimos com um sorriso fácil: bonito, leve e claramente feito com carinho. Visualmente é quase perfeito e o elenco segura bem, com destaque para Gerard Butler, que rouba a cena quando aparece. Ao mesmo tempo, a história segue tão fiel ao original que acaba tirando um pouco do impacto, obviamente pra quem já assistiu a animação. A relação entre Soluço e Banguela funciona, mas aqui parece acontecer rápido demais, sem o mesmo encanto natural. Pra quem nunca viu, entretém fácil mas também não surpreende ninguém: é a velha fórmula que sempre funciona. No fim, é bom, redondo… só que, na minha opinião, não tem aquela magia extra que faria ser inesquecível.
Christine, O Carro Assassino
3.3 705 Assista AgoraChristine é um terror diferente, que pega uma ideia quase absurda, um carro possuído, e transforma em algo surpreendentemente bom e envolvente. Sob a ótima direção de John Carpenter, o filme aposta mais na atmosfera e na construção de tensão do que em sustos fáceis ou violência explícita. A transformação do protagonista, de tímido a obcecado, funciona bem e dá peso à narrativa. O elenco, no geral, é fraco, mas a tensão construída ao longo do filme compensa bastante essa limitação. Os efeitos práticos, especialmente nas cenas em que o carro se “regenera”, continuam impressionantes até hoje. Apesar de alguns personagens mais rasos e do ritmo irregular, é um filme que envelheceu bem. No fim, é um terror estiloso e subestimado, que vale a experiência.
Diferenças & Semelhanças
3.2 80 Assista Agora"The Pretty One" parte de uma premissa interessante, a troca de identidade entre irmãs gêmeas após um acidente, mas executa isso de forma irregular. O destaque fica para Zoe Kazan, que sustenta bem as diferenças entre as duas personagens, trazendo nuances convincentes. O filme tenta equilibrar drama e leve comédia, mas sofre com ritmo inconsistente e alguns momentos pouco críveis, especialmente na facilidade com que a protagonista assume a nova vida. Há também certa superficialidade emocional nos coadjuvantes, o que na minha opinião enfraquece o impacto da história. Ainda assim, a proposta sobre identidade e autodescoberta tem seu valor. No geral, é um filme ok...interessante, mas longe de ser memorável.
Fantasma e CIA
2.9 88We Have a Ghost até tem uma ideia leve e simpática, uma família que viraliza ao descobrir um fantasma em casa, mas se perde feio na execução. O filme claramente não sabe o que quer ser, alternando entre comédia, drama familiar, mistério e até perseguição, sem realmente funcionar bem em nenhum desses tons. A duração também pesa bastante, esticando uma história simples além do necessário e tornando a experiência cansativa. O elenco segura o que dá, com destaque para David Harbour, que traz alguma humanidade ao personagem, mas o problema está mais no roteiro e na direção do que nas atuações. No fim, é aquele típico filme da Netflix: assistível e esquecível.